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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A alimentação humana e a Enfermagem: em busca de uma dietética compreensiva]]></article-title>
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<article-title xml:lang="es"><![CDATA[La alimentación humana y la Enfermería: en búsqueda de una dietética comprensiva]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This review focuses on Nutrition and Nursing. The dominant biological perspective defining the lines of thought in the nutritional field is an epistemological obstacle to considering the individual as a holistic being. Aims: to identify the different components involved in human food, from a multidimensional perspective, and to analyse nurses’ approach in the context of food users. Methodology: a bibliographic review was carried out using online sources of data. The Scientific Electronic Library Online, the B-on (Biblioteca do Conhecimento Online), the Google Scholar, the Portuguese Ministry of Health and the World Health Organization sites were the data sources used. Discussion: nutrition is considered to be a complex subject of intervention. Conceptual directions were identified and analyzed which discount standardized and subordinate actions based simply on biological and nutritional principles. Conclusion: nutrition should be analyzed in the light of inter and transdisciplinary perspectives and not reduced to a specific knowledge area. It is proposed that nurses, who are used to understanding food from nutrient and physiological points of view, include other disciplinary approaches in order to provide a comprehensive diet.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[El enfoque predominantemente biológico que ha caracterizado las líneas de pensamiento en el campo de la nutrición, representa un obstáculo epistemológico al reconocimiento del individuo. Objetivos: identificar los diversos enfoques que se relacionan con la alimentación humana, bajo un punto de vista multidimensional y analizar el abordaje del enfermero en el contexto alimentar de los usuarios. Metodología: se realizó una revisión bibliográfica que fue el resultado de una búsqueda en bases de datos científicos en línea. La Scientific Electronic Library Online, la Biblioteca do Conhecimento Online B-on, GoogleScholar, los sitios web de la Dirección General de la Salud y de la Organización Mundial de la Salud constituyeron las fuentes de datos utilizadas. Discusión: la alimentación se considera como un objeto de intervención complejo. Fueron identificadas y analizadas líneas conceptuales que reprueban acciones patronizadas y subyugadas apenas a principios nutricionales y meramente biológicos. El discurso normativo que tradicionalmente impera acerca de la alimentación está puesto en causa. Conclusión: el abordaje de la alimentación debe ser analizado bajo la luz del inter y transdisciplinario y sin reducirlo a un área del conocimiento. Se propone que los enfermeros, habituados a comprender la alimentación humana a partir de los nutrientes y de las necesidades fisiológicas incluyan otros abordajes disciplinarios, creando la oportunidad de implementar una dieta de cariz comprensivo.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <P> <b>A alimenta&ccedil;&atilde;o humana e a Enfermagem: em busca de uma diet&eacute;tica compreensiva</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Maria do C&eacute;u Antunes Martins*</b></p>     <p>* Professora Adjunta na Escola Superior de Sa&uacute;de Dr. Lopes Dias, IPCB &#91;<a href="mailto:martins.ceu@gmail.com">martins.ceu@gmail.com</a>&#93;.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resumo</b></p>     <p>A vertente predominantemente biol&oacute;gica que tem caracterizado as linhas de pensamento no campo da nutri&ccedil;&atilde;o, representa um obst&aacute;culo epistemol&oacute;gico ao reconhecimento do indiv&iacute;duo como ser hol&iacute;stico. Objetivos: identificar as diferentes vertentes que envolvem a alimenta&ccedil;&atilde;o humana, sob um ponto de vista multidimensional e analisar a abordagem do enfermeiro no contexto alimentar dos utentes. Metodologia: foi realizada uma revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica com pesquisa em fontes de dados cient&iacute;ficos <i>online</i>. A <i>Scientific Electronic Library Online</i>, a Biblioteca do Conhecimento <i>online B-on</i>, a <i>Google Scholar</i>, os sites da Dire&ccedil;&atilde;o Geral de Sa&uacute;de e da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de constitu&iacute;ram fontes de dados utilizadas. Discuss&atilde;o: a alimenta&ccedil;&atilde;o &eacute; considerada um objeto de interven&ccedil;&atilde;o complexo. Foram identificadas e analisadas linhas conceptuais que reprovam a&ccedil;&otilde;es padronizadas e subjugadas apenas a princ&iacute;pios nutricionais e meramente biol&oacute;gicos. O discurso normativo que tradicionalmente impera em torno da alimenta&ccedil;&atilde;o &eacute; posto em causa. Conclus&atilde;o: a abordagem da alimenta&ccedil;&atilde;o deve ser analisada &agrave; luz do di&aacute;logo inter e transdisciplinar e n&atilde;o reduzido a uma &aacute;rea do conhecimento. Prop&otilde;e-se que os enfermeiros, habituados a compreender a alimenta&ccedil;&atilde;o humana a partir dos nutrientes e das necessidades fisiol&oacute;gicas, incluam outras abordagens disciplinares, dando oportunidade &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o de uma dieta de cariz compreensivo.</p>     <p> <b>Palavras-chave:</b> nutri&ccedil;&atilde;o; alimenta&ccedil;&atilde;o; enfermagem; interdisciplinaridade.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Feeding and Nursing: in search of a comprehensive dietetics</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <b>Abstract</b></p>     <p>  This review focuses on Nutrition and Nursing. The dominant biological perspective defining the lines of thought in the nutritional field is an epistemological obstacle to considering the individual as a holistic being. Aims: to identify the different components involved in human food, from a multidimensional perspective, and to analyse nurses’ approach in the context of food users. Methodology: a bibliographic review was carried out using online sources of data. The Scientific Electronic Library Online, the B-on (Biblioteca do Conhecimento Online), the Google Scholar, the Portuguese Ministry of Health and the World Health Organization sites were the data sources used. Discussion: nutrition is considered to be a complex subject of intervention. Conceptual directions were identified and analyzed which discount standardized and subordinate actions based simply on biological and nutritional principles. Conclusion: nutrition should be analyzed in the light of inter and transdisciplinary perspectives and not reduced to a specific knowledge area. It is proposed that nurses, who are used to understanding food from nutrient and physiological points of view, include other disciplinary approaches in order to provide a comprehensive diet.</p>     <p> <b>Keywords:</b> nutrition; feeding; nursing; interdisciplinarity.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>La alimentaci&oacute;n humana y la Enfermer&iacute;a: en b&uacute;squeda de una diet&eacute;tica comprensiva</b></p>     <p> <b>Resumen</b></p>     <p> El enfoque predominantemente biol&oacute;gico que ha caracterizado las l&iacute;neas de pensamiento en el campo de la nutrici&oacute;n, representa un obst&aacute;culo epistemol&oacute;gico al reconocimiento del individuo. Objetivos: identificar los diversos enfoques que se relacionan con la alimentaci&oacute;n humana, bajo un punto de vista multidimensional y analizar el abordaje del enfermero en el contexto alimentar de los usuarios. Metodolog&iacute;a: se realiz&oacute; una revisi&oacute;n bibliogr&aacute;fica que fue el resultado de una b&uacute;squeda en bases de datos cient&iacute;ficos en l&iacute;nea. La <i>Scientific Electronic Library Online</i>, la <i>Biblioteca do Conhecimento Online B-on</i>, <i>GoogleScholar</i>, los sitios web de la <i>Direcci&oacute;n General de la Salud</i> y de la <i>Organizaci&oacute;n Mundial de la Salud</i> constituyeron las fuentes de datos utilizadas. Discusi&oacute;n: la alimentaci&oacute;n se considera como un objeto de intervenci&oacute;n complejo. Fueron identificadas y analizadas l&iacute;neas conceptuales que reprueban acciones patronizadas y subyugadas apenas a principios nutricionales y meramente biol&oacute;gicos. El discurso normativo que tradicionalmente impera acerca de la alimentaci&oacute;n est&aacute; puesto en causa. Conclusi&oacute;n: el abordaje de la alimentaci&oacute;n debe ser analizado bajo la luz del inter y transdisciplinario y sin reducirlo a un &aacute;rea del conocimiento. Se propone que los enfermeros, habituados a comprender la alimentaci&oacute;n humana a partir de los nutrientes y de las necesidades fisiol&oacute;gicas incluyan otros abordajes disciplinarios, creando la oportunidad de implementar una dieta de cariz comprensivo.</p>     <p> <b>Palabras clave:</b> nutrici&oacute;n; alimentaci&oacute;n; enfermer&iacute;a; interdisciplinaridad.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> A alimenta&ccedil;&atilde;o &eacute; imprescind&iacute;vel para a vida e sobreviv&ecirc;ncia humana. O facto de constituir uma necessidade b&aacute;sica e vital, n&atilde;o leva a esquecer a import&acirc;ncia do meio, da sociedade e dos sistemas culturais, no ato alimentar.</p>     <p>  Encontrar a alimenta&ccedil;&atilde;o mais adequada para permitir ao Homem maior tempo de sobreviv&ecirc;ncia com a melhor qualidade poss&iacute;vel de vida, isto &eacute;, a melhor alimenta&ccedil;&atilde;o para a esp&eacute;cie humana, &eacute; o objetivo da ci&ecirc;ncia da Nutri&ccedil;&atilde;o. Nesse sentido, a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de, em conjunto com a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, que se ocupa dos problemas alimentares do mundo, definem programas de a&ccedil;&atilde;o no sentido de adotar condutas alimentares corretas (Pomerleou <i>et al.</i>, 2005). Mas, entre as necessidades biol&oacute;gicas e a alimenta&ccedil;&atilde;o h&aacute; a intermedia&ccedil;&atilde;o do Homem que, em condi&ccedil;&otilde;es normais e dispon&iacute;veis, exerce o seu arb&iacute;trio na escolha alimentar. Os alimentos elegem-se segundo fatores de natureza sociocultural, religiosa, ecol&oacute;gica, econ&oacute;mica, psicol&oacute;gica, afetiva e emocional e, em cada uma destas dimens&otilde;es, por diversos elementos (Almeida, 1997; Comiss&atilde;o Europeia, 2003). Cren&ccedil;as, tabus, formalidades e ritos, constituem apenas alguns dos elementos inclu&iacute;dos na dimens&atilde;o sociocultural. A corroborar esta perspetiva evoca-se Fernandes (1997, p.1), quando refere que “a ingest&atilde;o de alimentos n&atilde;o tem apenas uma fun&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica, reveste-se tamb&eacute;m de outras dimens&otilde;es simb&oacute;licas. A pluralidade de significa&ccedil;&otilde;es que a alimenta&ccedil;&atilde;o possui tem a ver com diferentes grupos sociais e as situa&ccedil;&otilde;es existenciais em que ocorrem”. Por isso, comer n&atilde;o representa apenas o ato de incorporar elementos nutritivos importantes no nosso organismo, &eacute;, antes de tudo, um facto sociocultural.</p>     <p> O surgimento das sociedades modernas transfere a alimenta&ccedil;&atilde;o para um territ&oacute;rio mais amplo onde as fronteiras desaparecem e, ao mesmo tempo, colocam &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o das coletividades um conjunto de refer&ecirc;ncias, resultado da globaliza&ccedil;&atilde;o alimentar. A globaliza&ccedil;&atilde;o da economia e a industrializa&ccedil;&atilde;o exercem um papel importante na expans&atilde;o desta tend&ecirc;ncia, devido &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o de produtos e servi&ccedil;os a uma escala mundial e ao suporte publicit&aacute;rio promotor deste fen&oacute;meno. “Nos pa&iacute;ses em desenvolvimento reproduzem-se os modelos e h&aacute;bitos alimentares ocidentais” (Viana, 2002, p. 611). Ou seja, padr&otilde;es alimentares antes caracter&iacute;sticos dos pa&iacute;ses desenvolvidos s&atilde;o, atualmente, uma preocupa&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses em desenvolvimento. Esta constata&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; recente. Foi produto de uma reuni&atilde;o de especialistas em dieta, nutri&ccedil;&atilde;o e enfermidades n&atilde;o transmiss&iacute;veis da OMS e que aconteceu em Genebra em 1989 (Gracia Arn&aacute;iz, 2002). O Ocidente, por sua vez, descobre a comida &eacute;tnica e importa pr&aacute;ticas alimentares orientais.</p>     <p>  Os fluxos migrat&oacute;rios merecem uma men&ccedil;&atilde;o especial dentro do processo de globaliza&ccedil;&atilde;o alimentar, pois, tamb&eacute;m eles, t&ecirc;m sido ao longo da hist&oacute;ria respons&aacute;veis pela chegada de novos alimentos aos pa&iacute;ses de acolhimento. Por outro lado, quando as popula&ccedil;&otilde;es migram para outro pa&iacute;s, s&atilde;o acompanhadas dos h&aacute;bitos alimentares do seu pa&iacute;s de origem, revelando, deste modo, a sua identidade (Ortiz, 1994; Gil, 2004). De facto, diversos autores posicionam a alimenta&ccedil;&atilde;o como um dos fatores de constru&ccedil;&atilde;o da identidade social (Mintz e Du Bois, 2002; Lambert <i>et al.</i>, 2005).</p>     <p>  A presen&ccedil;a de pessoas de diferentes etnias ou nacionalidades, num mesmo espa&ccedil;o geogr&aacute;fico implica que, atualmente, o enfermeiro cuide de utentes de diferentes culturas com maior frequ&ecirc;ncia do que h&aacute; alguns anos atr&aacute;s. Cada um deles vive a sua alimenta&ccedil;&atilde;o. Ent&atilde;o, imp&otilde;em-se as seguintes quest&otilde;es: Como interagem os enfermeiros, com esta realidade? Que abordagem privilegiar, no &acirc;mbito dos cuidados de alimenta&ccedil;&atilde;o?  A partir destas quest&otilde;es propusemo-nos identificar as diferentes vertentes que envolvem a alimenta&ccedil;&atilde;o humana, sob um ponto de vista multidimensional e analisar a abordagem do enfermeiro no contexto alimentar dos utentes.  Explor&aacute;mos a tem&aacute;tica com o pressuposto de que nos encontramos num processo de imbricamento biol&oacute;gico e social.  A an&aacute;lise consubstancia uma revis&atilde;o te&oacute;rica, a partir de v&aacute;rios autores que examinaram a import&acirc;ncia de um olhar interdisciplinar no processo alimentar. Apoi&aacute;mo-nos em obras que re&uacute;nem pesquisas de v&aacute;rios investigadores e an&aacute;lises de autores que ilustram m&uacute;ltiplos entendimentos antropol&oacute;gicos sobre a alimenta&ccedil;&atilde;o como fen&oacute;meno sociocultural. Recorremos a artigos de revistas peri&oacute;dicas que priorizam narrativas sobre a alimenta&ccedil;&atilde;o em distintos grupos e lugares. Como se impunha, sustent&aacute;mo-nos, ainda, em te&oacute;ricos de enfermagem que defendem uma pr&aacute;tica baseada em princ&iacute;pios cient&iacute;ficos e em valores humanos e socioculturais. Utiliz&aacute;mos fontes de dados cient&iacute;ficas, online, selecionando artigos no &acirc;mbito da socioantropologia da alimenta&ccedil;&atilde;o. A <i>Scientific Electronic Library Online</i>, a Biblioteca do Conhecimento <i>Online B-on</i>, a <i>Google Scholar</i>, os <i>sites</i> da Dire&ccedil;&atilde;o Geral de Sa&uacute;de e da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de constitu&iacute;ram fontes de dados utilizadas. Foram privilegiadas, fundamentalmente, fontes prim&aacute;rias mas tamb&eacute;m se recorreu a algumas fontes secund&aacute;rias.  As fontes consultadas foram selecionadas a partir dos seguintes conceitos: <i>perspetiva s&oacute;cio antropol&oacute;gica da alimenta&ccedil;&atilde;o; alimenta&ccedil;&atilde;o como facto social, alimenta&ccedil;&atilde;o e cultura, e imigra&ccedil;&atilde;o e alimenta&ccedil;&atilde;o</i>. As l&iacute;nguas consultadas foram o portugu&ecirc;s, o ingl&ecirc;s e o espanhol. A pesquisa teve lugar entre 2008 e 2011.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Revis&atilde;o da Literatura</b></p>     <p> <b>O Cuidado Nutricional - Uma abordagem dial&oacute;gica</b>    <p>     <p> A alimenta&ccedil;&atilde;o &eacute;, como se sabe, uma das bases da sa&uacute;de do indiv&iacute;duo e de uma comunidade. A prote&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de pela alimenta&ccedil;&atilde;o deve ser sempre um objetivo para todos e, em particular, para os enfermeiros que, no exerc&iacute;cio das suas fun&ccedil;&otilde;es, devem promover a consciencializa&ccedil;&atilde;o de h&aacute;bitos alimentares corretos. Ao participar em iniciativas que tenham este objetivo, o enfermeiro atua como emissor de informa&ccedil;&atilde;o que tornar&aacute; o indiv&iacute;duo, a fam&iacute;lia e a comunidade aptos para escolherem e adotarem estilos de vida saud&aacute;veis, atingirem os n&iacute;veis &oacute;timos de sa&uacute;de e de reabilita&ccedil;&atilde;o, cumprindo, assim, uma das compet&ecirc;ncias dos enfermeiros em cuidados gerais (Ordem dos Enfermeiros, 2003).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Para concretizar o grande objetivo de informar os utentes a protegerem-se pela via da alimenta&ccedil;&atilde;o/ nutri&ccedil;&atilde;o, o enfermeiro tem que demonstrar conhecimentos no dom&iacute;nio das rela&ccedil;&otilde;es entre nutri&ccedil;&atilde;o/alimenta&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de/doen&ccedil;a. O enfermeiro deve ter a capacidade de explicar a necessidade de retirar dos alimentos sistemas de prote&ccedil;&atilde;o que ajudem a prevenir a incid&ecirc;ncia de numerosas doen&ccedil;as, de explicar a pertin&ecirc;ncia de ter uma alimenta&ccedil;&atilde;o diversificada, de estar apto a dar refer&ecirc;ncias de frequ&ecirc;ncia e de quantidades e confe&ccedil;&atilde;o de alimentos, segundo as necessidades individuais. O enfermeiro, ao agir como conselheiro alimentar e nutricional, contribui de forma &uacute;nica e permanente para a promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e para a preven&ccedil;&atilde;o de variad&iacute;ssimas doen&ccedil;as relacionadas com alimenta&ccedil;&atilde;o: hipertens&atilde;o, diabetes, doen&ccedil;as degenerativas, entre outras, que poder&atilde;o surgir nas diferentes etapas da vida, particularmente em idades mais avan&ccedil;adas.</p>     <p> Mas, neste processo educacional, a pessoa ou o grupo alvo constitui-se como uma entidade espec&iacute;fica, bem diferenciada, com um presente alicer&ccedil;ado em hist&oacute;rias de vida pr&oacute;prias e apegadas a convic&ccedil;&otilde;es e a cren&ccedil;as n&atilde;o inscritas nos modelos que regem a esfera da sa&uacute;de. Ent&atilde;o, &eacute; importante ter presente o outro na sua condi&ccedil;&atilde;o de pessoa com todas as suas determinantes. Imp&otilde;e-se assim, uma interven&ccedil;&atilde;o inter e transdisciplinar como forma de romper com pr&aacute;ticas alimentares menos adequadas que t&ecirc;m por base o desconhecimento. O enfermeiro deve participar, conjuntamente e em complementaridade com outros profissionais, no aconselhamento e orienta&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos doentes e saud&aacute;veis.</p>     <p> Neste contexto &eacute; de referir que “o paradigma biol&oacute;gico da nutri&ccedil;&atilde;o fez uma interlocu&ccedil;&atilde;o com as ci&ecirc;ncias sociais na qual a cultura, a economia, a ecologia e o social se reduzem a fatores sobrepostos a uma vis&atilde;o biologizante das doen&ccedil;as e da pr&oacute;pria desnutri&ccedil;&atilde;o, agregando-os &agrave;s an&aacute;lises, que n&atilde;o abalaram a estrutura do seu entendimento” (Canesqui e Garcia Diez, 2005, p. 12). Esses estudos e iniciativas contribu&iacute;ram para a multi, inter e transdisciplinaridade e trouxeram uma abordagem capaz de criar novas perspetivas de leituras e compreens&atilde;o dos problemas alimentares e nutricionais com os quais os profissionais de sa&uacute;de se preocupam. O papel de educador que &eacute; pedido ao enfermeiro tem, necessariamente, de assentar nos diferentes saberes cient&iacute;ficos, incluindo a sua base de conhecimentos pr&oacute;prios. S&oacute; deste modo pode construir um pensamento cr&iacute;tico mobilizador de a&ccedil;&otilde;es adequadas, congruentes e harm&oacute;nicas a cada indiv&iacute;duo ou grupo social.</p>     <p> Nesta linha de pensamento vale a pena salientar a perspetiva de Madeleine Leininger, quando “considera desej&aacute;vel aprender a organizar, estruturar e utilizar diferentes conhecimentos em fun&ccedil;&atilde;o das situa&ccedil;&otilde;es de cuidados” (Colli&egrave;re, 1989, p. 218). Quer isto dizer que o processo de cuidados de enfermagem deve ser criado a partir daquilo que se descobre, analisando informa&ccedil;&otilde;es provenientes da situa&ccedil;&atilde;o, descodificando-as com a ajuda dos conhecimentos, para compreender o seu significado. Com efeito, a diversidade cultural e &eacute;tnica, cada vez mais presente em todos os espa&ccedil;os, mais do que nunca exige uma abordagem alimentar hol&iacute;stica. Existe um conjunto de componentes associados a cada indiv&iacute;duo e ao seu mundo (econ&oacute;micas, ecol&oacute;gicas, a heran&ccedil;a &eacute;tnica, os antecedentes biol&oacute;gicos e culturais, as caracter&iacute;sticas psicol&oacute;gicas, a organiza&ccedil;&atilde;o social a que o indiv&iacute;duo pertence, as cren&ccedil;as religiosas e espirituais, os padr&otilde;es de comunica&ccedil;&atilde;o, o pr&oacute;prio sentido do tempo, as pr&aacute;ticas e as cren&ccedil;as nos cuidados, a experi&ecirc;ncia com o cuidado de sa&uacute;de profissional), que &eacute; necess&aacute;rio ter sempre presente. O ato de comer imbrica-se, assim, com a sociabilidade, com ideias e significados. As prefer&ecirc;ncias e sele&ccedil;&atilde;o em mat&eacute;ria de alimenta&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m pouco a ver com a nutri&ccedil;&atilde;o. Os alimentos elegem-se segundo fatores de natureza social, cultural, religiosa, ecol&oacute;gica, econ&oacute;mica, psicol&oacute;gica, afetiva e emocional, em cada uma destas dimens&otilde;es, por diversos elementos (Almeida, 1997; Comiss&atilde;o Europeia, 2003). O sabor, o aspeto, a necessidade de variar, o aroma, a cor, a textura, a categoria e prest&iacute;gio social, outorgados a determinados alimentos, a publicidade, entre outros, s&atilde;o apenas alguns desses elementos. A multiplicidade e complexidade de fatores determinantes do consumo alimentar e/ou simbolismo atribu&iacute;do aos alimentos tornam a educa&ccedil;&atilde;o alimentar uma tarefa complexa e &aacute;rdua que exige uma atua&ccedil;&atilde;o bem refletida e programada. S&oacute; deste modo pode constituir-se como um campo riqu&iacute;ssimo, onde &eacute; poss&iacute;vel atingir melhores resultados.</p>     <p> Educar pressup&otilde;e comunicar. Assim, “o processo de ensino segue de perto o processo de comunica&ccedil;&atilde;o” (Potter e Perry, 2005, p. 481). Comunicar envolve a ideia de partilhar, compartilhar e transferir a informa&ccedil;&atilde;o entre dois ou mais sistemas, sendo a mensagem a unidade da comunica&ccedil;&atilde;o. Nesse sentido, a import&acirc;ncia da comunica&ccedil;&atilde;o entre o enfermeiro e o utente reveste-se de especial aten&ccedil;&atilde;o, na medida em que, da forma como o profissional estabelece a rela&ccedil;&atilde;o com o utente, depende a ades&atilde;o &agrave;s orienta&ccedil;&otilde;es diet&eacute;ticas. Entre a “comunica&ccedil;&atilde;o verbal e a metacomunica&ccedil;&atilde;o” existe a “comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-verbal e simb&oacute;lica” (Potter e Perry, 2005, p. 459). Todas elas contribuem para um envolvimento ativo, necess&aacute;rio ao compromisso exigido entre o enfermeiro e o utente. Al&eacute;m disso, quando o enfermeiro atua no dom&iacute;nio da alimenta&ccedil;&atilde;o, ocupa-se de uma quest&atilde;o que transcende o estado de sa&uacute;de ou doen&ccedil;a, porque diz respeito ao quotidiano do indiv&iacute;duo e ao prazer relacionado ao ato do comer. Nesse aspeto, “o discurso utilizado deve configurar-se como fruto de uma constru&ccedil;&atilde;o social, concretizado a partir de trocas entre sujeitos sociais”. Para se obter algum &ecirc;xito na comunica&ccedil;&atilde;o deve-se compartilhar da mesma dimens&atilde;o cultural. “Os discursos que t&ecirc;m sentidos constituem-se em unidades de intera&ccedil;&atilde;o social, em pr&aacute;ticas sociais concretas” (Oliveira et al., 2008, p. 173). Herdado da medicina cl&iacute;nica, o discurso normativo positivista &eacute; apontado, por aqueles autores, como o mais utilizado no seio dos nutricionistas. Esse discurso &eacute;, tamb&eacute;m, utilizado de um modo geral por todos os profissionais de sa&uacute;de. “O discurso normativo &eacute; essencialmente o discurso do poder atribu&iacute;do pelo saber cient&iacute;fico, que se caracteriza por um saber c&eacute;tico que ignora outros tipos de saberes (...) baseando-se na verdade comprovada matematicamente” (Oliveira et al., 2008, p. 179). Os mesmos autores alertam para as limita&ccedil;&otilde;es deste discurso no que se refere &agrave; sua efic&aacute;cia. Quando se pretendem mudar comportamentos imp&otilde;e-se utilizar t&eacute;cnicas pedag&oacute;gicas envolventes e afetivas que gerem motiva&ccedil;&atilde;o. T&eacute;cnicas pedag&oacute;gicas em que o educador de sa&uacute;de se abre para aprender com o outro, geram a possibilidade de criar uma negocia&ccedil;&atilde;o entre ambos e facilitar a mudan&ccedil;a de um comportamento errado, permitindo trocas de valores socioculturais sobre o corpo, a sa&uacute;de, as cren&ccedil;as e os modos de agirem sobre o problema. Importa conhecer as situa&ccedil;&otilde;es relacionadas com a sa&uacute;de. Aos educadores de sa&uacute;de cabe garantir um di&aacute;logo construtivo com o indiv&iacute;duo ou grupo, para que estes possam identificar solu&ccedil;&otilde;es culturalmente apropriadas.</p>     <p> O enfermeiro n&atilde;o tem desculpa para adotar o discurso de tipo normativo. A sua forma&ccedil;&atilde;o, para al&eacute;m de disciplinas de cariz biom&eacute;dico inclui outras de cariz humano e social. O modelo hol&iacute;stico &eacute; a abordagem privilegiada dos cuidados e o processo comunicacional &eacute; um instrumento de excel&ecirc;ncia para a enfermagem. Marie-Fran&ccedil;oise Colli&egrave;re enfatiza as ideias que temos vindo a defender, quando faz emergir elementos fundamentais que contribuem para a identifica&ccedil;&atilde;o dos cuidados de enfermagem. A autora argumenta que os cuidados de enfermagem devem ter uma “aproxima&ccedil;&atilde;o antropobiol&oacute;gica”, uma vez que, “(...) O processo dos cuidados de enfermagem procede de um encontro entre duas (ou mais) pessoas, detendo, cada uma, elementos do processo de cuidados. Este processo situa-se na encruzilhada de um sistema de troca, proveniente de origens diferentes e complementares, com vista a conseguir determinar a natureza dos cuidados a proporcionar, a raz&atilde;o destes cuidados, os objetivos e os meios necess&aacute;rios para os atingir” (Colli&egrave;re, 1989, p. 293). De facto, a a&ccedil;&atilde;o de enfermagem s&oacute; tem raz&atilde;o de ser quando inscrita no meio em que as pessoas vivem. “O processo dos cuidados de enfermagem &eacute; um processo de descoberta ? elucida&ccedil;&atilde;o ? a&ccedil;&atilde;o entre parceiros sociais com uma compet&ecirc;ncia diferente e complementar, visando encontrar a sua forma de realiza&ccedil;&atilde;o a partir das capacidades e recursos de cada um, num dado meio (domic&iacute;lio, institui&ccedil;&atilde;o hospitalar, etc.)” (Colli&egrave;re, 1989, p. 293). Desde ent&atilde;o, muitos outros autores t&ecirc;m vindo a apelar para este tipo de discurso. Registe-se Lapaige (2009), que acaba de refor&ccedil;ar a abordagem socioantropol&oacute;gica nas interven&ccedil;&otilde;es da sa&uacute;de. Reconheceu-a como necess&aacute;ria para que se consiga uma interven&ccedil;&atilde;o dirigida, interdisciplinar e interativa, no campo da sa&uacute;de p&uacute;blica, hoje globalizado. Por isso, tamb&eacute;m n&oacute;s reafirmamos esta abordagem (socioantropol&oacute;gica) como a forma mais apropriada para descobrir o indiv&iacute;duo, a fam&iacute;lia ou a comunidade que se pretende cuidar. S&oacute; desta forma se poder&aacute; criar uma “alian&ccedil;a terap&ecirc;utica” entre o enfermeiro e aqueles que s&atilde;o alvo das suas interven&ccedil;&otilde;es.</p>     <p> As ideias defendidas aplicam-se tamb&eacute;m ao contexto hospitalar. Espa&ccedil;o onde imperam as pr&aacute;ticas curativas e onde a alimenta&ccedil;&atilde;o tem um car&aacute;cter provis&oacute;rio, em que os nutrientes est&atilde;o organizados como um receitu&aacute;rio m&eacute;dico, que se op&otilde;e &agrave; cultura, tradi&ccedil;&atilde;o, h&aacute;bitos e valores culturais da alimenta&ccedil;&atilde;o. Espa&ccedil;o onde a diet&eacute;tica normativa &eacute; frequentemente uma regi&atilde;o fechada aos significados atribu&iacute;dos pelo sujeito. Espa&ccedil;o onde o ar est&aacute; impregnado de cheiro a medicamentos, a desinfetantes e outros odores ainda menos agrad&aacute;veis, a acentuar a falta de apetite. Simultaneamente, &eacute; nesse espa&ccedil;o que se servem as refei&ccedil;&otilde;es. Muitas vezes, quem come, tem ao lado uma pessoa a ser “servida” por sonda ou cateter. De facto, a prescri&ccedil;&atilde;o da alimenta&ccedil;&atilde;o enteral, “o m&eacute;todo de elei&ccedil;&atilde;o para alimentar os doentes que n&atilde;o podem receber alimentos por via oral de forma adequada (…)” (Gago S&aacute;nchez et al., 2006, p. 45), e a nutri&ccedil;&atilde;o parenteral, cujas indica&ccedil;&otilde;es s&atilde;o enunciadas por Matos (2004) e Tavares (2010), constituem duas pr&aacute;ticas que visam a preven&ccedil;&atilde;o da desnutri&ccedil;&atilde;o, e cuja utiliza&ccedil;&atilde;o em meio hospitalar n&atilde;o &eacute; rara. Nas linguagens dos doentes, quantas vezes se ouvem discursos como “a comida n&atilde;o tem sabor” ou “estes cheiros a &eacute;ter tiram-me o apetite”, para justificar uma refei&ccedil;&atilde;o deixada a meio. Presen&ccedil;a e di&aacute;logo formam ent&atilde;o uma intersubjetividade na nutri&ccedil;&atilde;o que humaniza o cuidado. “Oferecer presen&ccedil;a &eacute; ter contacto pessoa-a-pessoa que transmita uma proximidade e uma sensa&ccedil;&atilde;o de cuidado” (Potter e Perry, 2005, p. 121). A conduta do enfermeiro pode ir muito al&eacute;m do diagn&oacute;stico, das normas das t&eacute;cnicas, pois a humaniza&ccedil;&atilde;o leva a ver mais a partir das palavras que fluem na linguagem. Nessa abertura, apreendem se saberes e pr&aacute;ticas da sa&uacute;de, da nutri&ccedil;&atilde;o e da alimenta&ccedil;&atilde;o, entendendo-se representa&ccedil;&otilde;es sociais, significados, perce&ccedil;&otilde;es do sujeito que necessita entender o seu problema de sa&uacute;de ligado aos h&aacute;bitos alimentares, como a sua obesidade, a sua desnutri&ccedil;&atilde;o, a sua diabetes e tantas outras enfermidades que buscam uma diet&eacute;tica compreensiva capaz de interagir com sua realidade e mudar h&aacute;bitos. Tal como salienta Velez e Gracia (2003), quando um profissional de sa&uacute;de recomenda altera&ccedil;&atilde;o em algum h&aacute;bito alimentar, deve ter em conta que os gostos do mesmo modo que se aprendem podem desaprender-se. Mas esse processo implica a substitui&ccedil;&atilde;o gradual dos sabores e o desenvolvimento de habilidades, de modo a fazer da alimenta&ccedil;&atilde;o uma pr&aacute;tica agrad&aacute;vel e saud&aacute;vel. Assim, a pessoa ou grupo-alvo dos cuidados nutricionais, deve ser parte integrante do processo alimentar. As diferentes vozes, ambas as partes (enfermeiro e utente), podem dialogar entre si e, assim, influenciarem-se mutuamente. &Eacute; pelo di&aacute;logo consigo mesma, e com os outros, que a pessoa vai identificando as suas necessidades na &aacute;rea da nutri&ccedil;&atilde;o/alimenta&ccedil;&atilde;o, selecionando e integrando nas suas narrativas os aspetos considerados como mais significativos para a compreens&atilde;o da necessidade de mudan&ccedil;a de comportamentos alimentares nocivos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p> A forma como o profissional de enfermagem interage com as pessoas, doentes ou saud&aacute;veis, no &acirc;mbito do processo alimentar, foi colocada em quest&atilde;o na presente an&aacute;lise.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Foram identificadas, analisadas e defendidas linhas conceptuais que reprovam a&ccedil;&otilde;es padronizadas e subjugadas apenas a princ&iacute;pios nutricionais e meramente biol&oacute;gicos. Se &eacute; certo que, o comportamento alimentar do indiv&iacute;duo deve ser orientado no sentido de que este possa receber o conjunto de nutrientes necess&aacute;rios &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o das diferentes fun&ccedil;&otilde;es do organismo, tamb&eacute;m se reconhece a exist&ecirc;ncia de um amplo contexto que gira em torno da alimenta&ccedil;&atilde;o, ao qual o enfermeiro se deve reportar. Importa, pois, perceber o significado da alimenta&ccedil;&atilde;o para o sujeito. A interpreta&ccedil;&atilde;o que este tem sobre sua dieta, o seu corpo, o seu mundo s&atilde;o cruciais nos cuidados de alimenta&ccedil;&atilde;o e, tamb&eacute;m, nas pr&aacute;ticas de educa&ccedil;&atilde;o para a sa&uacute;de que o enfermeiro desenvolve, seja em casa, na comunidade ou no hospital. &Eacute; importante compreender a cultura alimentar e aspetos sociais ligados &agrave; mesma, para construir formas de interven&ccedil;&atilde;o na dieta de um indiv&iacute;duo ou grupo. Se a realidade &eacute; termos hoje novos comensais, novos alimentos, novos comportamentos, mais do que nunca, h&aacute; raz&atilde;o para o enfermeiro, atrav&eacute;s de a&ccedil;&otilde;es singulares, adotar uma atitude criativa, inovadora e construtiva no cuidado nutricional.</p>     <p> Ainda que esta revis&atilde;o deva ser entendida como o primeiro passo de uma an&aacute;lise que se requer mais cuidada e aprofundada sobre o t&oacute;pico, a mesma permite-nos defender uma abordagem do enfermeiro baseada na intera&ccedil;&atilde;o com o Outro. O cuidado nutricional deve emergir de um cruzamento de conhecimentos oriundos das ci&ecirc;ncias humanas e sociais e das ci&ecirc;ncias nutricionais. O resultado ser&aacute; a presta&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es din&acirc;micas adequadas, significantes e vi&aacute;veis a cada indiv&iacute;duo.</p>     <p> Recomenda-se que os enfermeiros, habituados a compreender a alimenta&ccedil;&atilde;o humana a partir dos nutrientes e das necessidades fisiol&oacute;gicas, superem estas fronteiras e entrem em di&aacute;logo com outras abordagens disciplinares, dando oportunidade &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o de uma dieta de cariz compreensivo. A revis&atilde;o te&oacute;rica apresentada, remete-nos ao aprofundamento da problem&aacute;tica. A forma como os utentes vivenciam esta realidade no hospital e as perce&ccedil;&otilde;es dos enfermeiros relativamente a esta quest&atilde;o, podem vir a constituir dois focos pertinentes de investiga&ccedil;&atilde;o.</p>      <p>&nbsp;</p> <b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b>    <p>     <p> ALMEIDA, Maria Daniel Vaz de (1997) – Princ&iacute;pios b&aacute;sicos de alimenta&ccedil;&atilde;o e nutri&ccedil;&atilde;o. Lisboa : Universidade Aberta.</p>     <p>  CANESQUI, Ana Maria ; GARCIA DIEZ, Rosa Wanda (2005) - Antropologia e nutri&ccedil;&atilde;o: um di&aacute;logo poss&iacute;vel. Rio de Janeiro : Fiocruz.</p>     <p>  COLLI&Egrave;RE, Marie-Fran&ccedil;oise (1989) - Promover a vida. Lisboa : SEP.</p>     <p>  COMISS&Atilde;O EUROPEIA. Direc&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de e da Protec&ccedil;&atilde;o dos Consumidores. (2003) – Relat&oacute;rio sobre a situa&ccedil;&atilde;o das actividades da Comiss&atilde;o Europeia no dom&iacute;nio da nutri&ccedil;&atilde;o na Europa &#91;Em linha&#93;. Luxemburgo : Servi&ccedil;o das Publica&ccedil;&otilde;es Oficiais das Comunidades Europeias. &#91;Consult. Fev. 2009&#93;. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://www.dgs.pt/" target="_blank">http://www.dgs.pt/</a>.</p>     <p>  FERNANDES, A. Teixeira (1997) - A ritualiza&ccedil;&atilde;o da comensalidade. Sociologia: Revista da Faculdade de Letras do Porto. Vol. 7, n&ordm; 8, p. 7-30.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>  GAGO S&Aacute;NCHEZ, A. &#91;et al.&#93; (2006) – Atenci&oacute;n farmac&eacute;utica en pacientes com nutrici&oacute;n enteral &#91;Em linha&#93;. Farmacia Hospitalaria. Vol. 30, n&ordm; 1 p. 44-48. &#91;Consult. Abr. 2011&#93;. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://www.sefh.es/fh/2006/n1/8.pdf" target="_blank">http://www.sefh.es/fh/2006/n1/8.pdf</a>.</p>     <p>  GIL, Maria Proen&ccedil;a (2004) - Saberes e sabores. Boletim Informativo. p. 1-4.</p>     <p>  GRACIA ARN&Aacute;IZ, Mabel (2002) - Somos lo que comemos : estudios de alimentaci&oacute;n y cultura en Espa&ntilde;a. Barcelona : Ariel.</p>     <p>  LAMBERT, J. L. &#91;et al.&#93; (2005) - Main evolutions in human food practices. French example. Revista Nutri&ccedil;&atilde;o. Vol. 18, n&ordm; 5, p. 577-591.</p>     <p>  LAPAIGE, Ver&oacute;nique (2009) – “Globalized public health”. A transdiciplinary comprehensive framework for analyzing contemporary globalization’s influences on field of public health. Risk Management and Healthcare Policy &#91;Em linha&#93;. Vol. 2009, p. 273–289. &#91;Consult. Out. 2009&#93;. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://www.dovepress.com/quotglobalized-publichealthrdquo-a-transdisciplinary-comprehensive-fr-peer-reviewedarticle-RMHP.>" target="_blank"> http://www.dovepress.com/quotglobalized-publichealthrdquo-a-transdisciplinary-comprehensive-fr-peer-reviewedarticle-RMHP</a>.</p>     <p>  MATOS, Maria Salom&eacute; Dias (2004) - Cuidados de enfermagem ao doente com necessidades de nutri&ccedil;&atilde;o parenteral. Refer&ecirc;ncia &#91;Em linha&#93;. S&eacute;rie 1, n&ordm; 11, p. 63-68. &#91;Consult. Nov. 2010&#93;. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://www.esenfc.pt/" target="_blank">http://www.esenfc.pt/</a>.</p>     <p>  MINTZ, Sidney W. ; DU BOIS, Christine M. (2002) - The anthropology of food and eating. Annual Review of Anthropology. Vol. 31, n&ordm; 1, p. 99-119.</p>     <p>  OLIVEIRA &#91;et al.&#93; (2008) - Percep&ccedil;&atilde;o dos obesos sobre o discurso dos nutricionistas. In FREITAS, M. C. S. &#91;et al.&#93; - Escritas e narrativas sobre alimenta&ccedil;&atilde;o e cultura. Salvador : Edufba.</p>     <p>  ORDEM DOS ENFERMEIROS (2003) – Divulgar: compet&ecirc;ncias dos enfermeiros em cuidados gerais. Lisboa : Ordem dos Enfermeiros.</p>     <p>  ORTIZ, Renato (1994) - Mundializa&ccedil;&atilde;o e cultura. 2&ordf; ed. S&atilde;o Paulo : Brasiliense.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>  POMERLEOU, J. &#91;et al.&#93; (2005) - Effectiveness of interventions and programmes promoting fruit and vegetable intake &#91;Em linha. &#91;Consult. Out. 2009&#93;. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://www.who.int/dietphysicalactivity/publications/f&v_promotion_effectiveness.pdf" target="_blank">http://www.who.int/dietphysicalactivity/publications/f&v_promotion_ effectiveness.pdf</a>.</p>     <p>  POTTER, Patr&iacute;cia A. ; PERRY, Anne Griffin (2005) - Fundamentos de enfermagem. 6&ordf; ed. Rio de Janeiro : Elsevier. Vol. 1.</p>     <p> TAVARES, Lourdes (2010) – Nutri&ccedil;&atilde;o no Plano Nacional de Sa&uacute;de 2011-2016 &#91;Em linha&#93;. Porto : Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa de Nutri&ccedil;&atilde;o Ent&eacute;rica e Parent&eacute;rica. &#91;Consult. Fev. 2011&#93;. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://www.acs.min-saude.pt/pns2011-2016/files/2010/11/apnep.pdf" target="_blank">http://www.acs.min-saude.pt/pns2011-2016/ files/2010/11/apnep.pdf</a>.</p>     <p>  VELEZ, Lu&iacute;s Fernando ; GRACIA, Beatriz (2003) - La selecci&oacute;n de los alimentos: una pr&aacute;ctica compleja. Colombia M&eacute;dica &#91;Em linha&#93;. Vol. 34, n&ordm; 2, p. 92-96. &#91;Consult. Out. 2008&#93;.Disp. em WWW: <a href="http://colombiamedica.univalle.edu.co/Vol34No2/alimentos.pdf" target="_blank">http://colombiamedica.univalle.edu.co/Vol34No2/alimentos.pdf</a>.</p>     <p>  VIANA, Victor (2002) - Psicologia, sa&uacute;de e nutri&ccedil;&atilde;o: contributo para o estudo do comportamento alimentar. An&aacute;lise Psicol&oacute;gica. S&eacute;rie 20, n&ordm; 4, p. 611-624.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p>     <p>Recebido para publica&ccedil;&atilde;o em: 04.10.10 </p>      <p> Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em: 04.05.11</p>     <p>     ]]></body>
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