<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0874-0283</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista de Enfermagem Referência]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Rev. Enf. Ref.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0874-0283</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Escola Superior de Enfermagem de Coimbra - Unidade de Investigação em Ciências da Saúde - Enfermagem]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0874-02832011000200018</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Os primórdios da organização do Programa Nacional de Vacinação em Portugal]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The beginnings of the organization of the National Vaccination Program in Portugal]]></article-title>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Los inicios de la organización del Programa Nacional de Vacunación en Portugal]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Subtil]]></surname>
<given-names><![CDATA[Carlos Lousada]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Vieira]]></surname>
<given-names><![CDATA[Margarida]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Instituto Politécnico de Viana do Castelo Escola Superior de Saúde ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Universidade Católica Instituto de Ciências da Saúde ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Porto ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>07</month>
<year>2011</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>07</month>
<year>2011</year>
</pub-date>
<volume>serIII</volume>
<numero>4</numero>
<fpage>167</fpage>
<lpage>174</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0874-02832011000200018&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0874-02832011000200018&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0874-02832011000200018&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Os enfermeiros desempenham atualmente um papel destacado na consecução do Programa Nacional de Vacinação iniciado em 1965. As origens deste programa re-montam ao início do século XIX com a criação da Instituição Vacínica, pela Academia Real das Ciências de Lisboa. Este trabalho insere-se num projecto de investigação mais amplo sobre a saúde pública e os enfermeiros no período entre o Vintismo e a Regeneração e tem como objectivo descrever vários aspectos relacionados com o início da actividade desta Instituição Vacínica em Portugal. É um estudo qualitativo no âmbito da investigação histórica, com recurso a fontes secundárias. Descreve-se a criação e evolução da Instituição Vacínica e o ambiente sócio-político que caracteriza a primeira metade do século XIX. Sugerem-se outros estudos que abranjam o período seguinte até à criação do Pro-grama Nacional de Vacinação com o objectivo de desocultar o papel desempenhado pelos enfermeiros nesta área da saúde pública, com destaque para os Serviços de Luta Anti-Tuberculosa.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Nurses nowadays play a major role in achieving the National Vaccination Program, which began in 1965. The origins of this program go back to the early nineteenth century with the foundation of Instituição Vacínica by the Royal Academy of Sciences of Lisbon. This study is part of a broader research project on public health and un nurses between the historical periods of Vintismo and Regeneração and aims to describe a wide variety of aspects related to the beginning of Instituição Vacínica’s activity in Portugal. This is a qualitative historical research study, using secondary sources. It describes the foundation and evolution of Instituição Vacínica and the the social and political environment that characterized the first half of the nineteenth century. We suggest further studies covering the following period until the establishment of the National Vaccination Program in order to reveal the role played by nurses in this area of public health, with an emphasis on the Serviços de Luta Anti-Tuberculosa.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[Los enfermeros desempeñan actualmente un papel destacado en la consecución del Programa Nacional de Vacunación iniciado en 1965. Los orígenes de este programa remiten al inicio del siglo XIX con la creación de la Instituição Vacínica, por la Academia Real de las Ciencias de Lisboa. Este trabajo está inserido en proyecto de investigación más amplio sobre la salud pública y los enfermeros en el período entre el Vintismo y la Regeneração y tiene por objetivo describir varios aspectos relacionados con el inicio de la actividad de esta Instituição Vacínica en Portugal. Es un estudio cualitativo and en el ámbito de la investigación histórica, con recurso a fuentes secundarias. Se describe la creación y evolución de la Instituição Vacínica y el ambiente sociopolítico que caracteriza la primera mitad del siglo XIX. Se sugieren otros estudios que abarcan el periodo siguiente hasta la creación del Programa Nacional de Vacunación con el intuito de descorrer el velo sobre el papel desempeñado por los enfermeros en esta área de la Salud Pública, con destaque para los Serviços de Luta Anti-Tuberculosa.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[história do século XIX]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[história da enfermagem]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[enfermagem em saúde pública]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[imunidade]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[history 19th century]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[history of nursing]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[public health nursing]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[immunity]]></kwd>
<kwd lng="es"><![CDATA[historia del siglo XIX]]></kwd>
<kwd lng="es"><![CDATA[historia de la enfermería]]></kwd>
<kwd lng="es"><![CDATA[inmunidad]]></kwd>
<kwd lng="es"><![CDATA[enfermería en salud pública]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[  <b>Os prim&oacute;rdios da organiza&ccedil;&atilde;o do Programa Nacional de Vacina&ccedil;&atilde;o em Portugal</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Carlos Lousada Subtil</b>*; <b>Margarida Vieira</b>**</p>     <p> * Professor Coordenador - Escola Superior de Sa&uacute;de, Instituto Polit&eacute;cnico de Viana do Castelo. Msc. Doutorando em Enfermagem (Especialidade de Filosofia e Hist&oacute;ria da Enfermagem) - Instituto de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de, Porto. Universidade Cat&oacute;lica &#91;<a href="mailto:carloslousadasubtil@gmail.com">carloslousadasubtil@gmail.com</a>&#93;.    <p>     <p> ** Professora Associada, Doutora em Filosofia. Instituto de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de, Porto - Universidade Cat&oacute;lica.     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Resumo</b></p>     <p> Os enfermeiros desempenham atualmente um papel destacado na consecu&ccedil;&atilde;o do Programa Nacional de Vacina&ccedil;&atilde;o iniciado em 1965. As origens deste programa re-montam ao in&iacute;cio do s&eacute;culo XIX com a cria&ccedil;&atilde;o da Institui&ccedil;&atilde;o Vac&iacute;nica, pela Academia Real das Ci&ecirc;ncias de Lisboa. Este trabalho insere-se num projecto de investiga&ccedil;&atilde;o mais amplo sobre a sa&uacute;de p&uacute;blica e os enfermeiros no per&iacute;odo entre o Vintismo e a Regenera&ccedil;&atilde;o e tem como objectivo descrever v&aacute;rios aspectos relacionados com o in&iacute;cio da actividade desta Institui&ccedil;&atilde;o Vac&iacute;nica em Portugal. &Eacute; um estudo qualitativo no &acirc;mbito da investiga&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica, com recurso a fontes secund&aacute;rias. Descreve-se a cria&ccedil;&atilde;o e evolu&ccedil;&atilde;o da Institui&ccedil;&atilde;o Vac&iacute;nica e o ambiente s&oacute;cio-pol&iacute;tico que caracteriza a primeira metade do s&eacute;culo XIX. Sugerem-se outros estudos que abranjam o per&iacute;odo seguinte at&eacute; &agrave; cria&ccedil;&atilde;o do Pro-grama Nacional de Vacina&ccedil;&atilde;o com o objectivo de desocultar o papel desempenhado pelos enfermeiros nesta &aacute;rea da sa&uacute;de p&uacute;blica, com destaque para os Servi&ccedil;os de Luta Anti-Tuberculosa.</p>     <p> <b>Palavras-chave:</b> hist&oacute;ria do s&eacute;culo XIX; hist&oacute;ria da enfermagem; enfermagem em sa&uacute;de p&uacute;blica; imunidade.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p> <b>The beginnings of the organization of the National Vaccination Program in Portugal</b></p>     <p> <b>Abstract</b></p>     <p> Nurses nowadays play a major role in achieving the National Vaccination Program, which began in 1965. The origins of this program go back to the early nineteenth century with the foundation of <i>Institui&ccedil;&atilde;o Vac&iacute;nica</i> by the Royal Academy of Sciences of Lisbon. This study is part of a broader research project on public health and un nurses between the historical periods of <i>Vintismo</i> and <i>Regenera&ccedil;&atilde;o</i> and aims to describe a wide variety of aspects related to the beginning of Institui&ccedil;&atilde;o Vac&iacute;nica’s activity in Portugal. This is a qualitative historical research study, using secondary sources. It describes the foundation and evolution of <i>Institui&ccedil;&atilde;o Vac&iacute;nica</i> and the the social and political environment that characterized the first half of the nineteenth century. We suggest further studies covering the following period until the establishment of the National Vaccination Program in order to reveal the role played by nurses in this area of public health, with an emphasis on the <i>Servi&ccedil;os de Luta Anti-Tuberculosa</i>.</p>     <p> <b>Keywords:</b> history 19th century; history of nursing; public health nursing; immunity.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Los inicios de la organizaci&oacute;n del Programa Nacional de Vacunaci&oacute;n en Portugal</b></p>     <p> <b>Resumen</b></p>     <p> Los enfermeros desempe&ntilde;an actualmente un papel destacado en la consecuci&oacute;n del Programa Nacional de Vacunaci&oacute;n iniciado en 1965. Los or&iacute;genes de este programa remiten al inicio del siglo XIX con la creaci&oacute;n de la <i>Institui&ccedil;&atilde;o Vac&iacute;nica</i>, por la Academia Real de las Ciencias de Lisboa. Este trabajo est&aacute; inserido en proyecto de investigaci&oacute;n m&aacute;s amplio sobre la salud p&uacute;blica y los enfermeros en el per&iacute;odo entre el <i>Vintismo</i> y la <i>Regenera&ccedil;&atilde;o</i> y tiene por objetivo describir varios aspectos relacionados con el inicio de la actividad de esta <i>Institui&ccedil;&atilde;o Vac&iacute;nica</i> en Portugal. Es un estudio cualitativo and en el &aacute;mbito de la investigaci&oacute;n hist&oacute;rica, con recurso a fuentes secundarias. Se describe la creaci&oacute;n y evoluci&oacute;n de la <i>Institui&ccedil;&atilde;o Vac&iacute;nica</i> y el ambiente sociopol&iacute;tico que caracteriza la primera mitad del siglo XIX. Se sugieren otros estudios que abarcan el periodo siguiente hasta la creaci&oacute;n del Programa Nacional de Vacunaci&oacute;n con el intuito de descorrer el velo sobre el papel desempe&ntilde;ado por los enfermeros en esta &aacute;rea de la Salud P&uacute;blica, con destaque para los <i>Servi&ccedil;os de Luta Anti-Tuberculosa</i>.</p>     <p> <b>Palabras clave:</b> historia del siglo XIX; historia de la enfermer&iacute;a; inmunidad. enfermer&iacute;a en salud p&uacute;blica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p> <b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p> A vacina&ccedil;&atilde;o &eacute; uma das principais atividades da responsabilidade dos enfermeiros que trabalham em cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios. Em 1965 foi definido um conjunto de medidas com o objetivo de implementar um Programa Nacional de Vacina&ccedil;&atilde;o, do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de e Assist&ecirc;ncia, em colabora&ccedil;&atilde;o com a Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian (Decreto-Lei n&ordm; 46628, 1965). Considerava-se, ontem como hoje, que a vacina&ccedil;&atilde;o era um dos principais meios de medicina preventiva e que havia possibilidade de reduzir as taxas de mortalidade e morbilidade atrav&eacute;s da preven&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias doen&ccedil;as infetocontagiosas, tais como a tuberculose, t&eacute;tano, var&iacute;ola, difteria, tosse convulsa e poliomielite.</p>     <p> Os enfermeiros t&ecirc;m manifestado um constante empenhamento e crescente interven&ccedil;&atilde;o nesta atividade preventiva, revelando diversas compet&ecirc;ncias no exerc&iacute;cio da sua profiss&atilde;o que asseguram a efic&aacute;cia da vacina&ccedil;&atilde;o: conhecimento e pr&aacute;ticas, tendo em conta as rea&ccedil;&otilde;es p&oacute;s-vacinais; as contra indica&ccedil;&otilde;es vacinais falsas e verdadeiras; vias e locais de administra&ccedil;&atilde;o; cuidados p&oacute;s-vacinais; conserva&ccedil;&atilde;o das vacinais; entre outros cuidados (Loureiro, 2004). Contudo, esta medida preventiva iniciou muito antes. &Eacute; necess&aacute;rio convocar a Hist&oacute;ria para esclarecer os contextos pol&iacute;tico-administrativos, a organiza&ccedil;&atilde;o e os atores intervenientes nos momentos em que se iniciou esta pr&aacute;tica que revolucionou o rumo da sa&uacute;de dos povos.</p>     <p> A hist&oacute;ria da vacina&ccedil;&atilde;o est&aacute; indelevelmente relacionada com as “bexigas” (var&iacute;ola), o flagelo mais devastador de toda a hist&oacute;ria da humanidade e que causou a morte de milhares de europeus ao longo dos s&eacute;culos XVIII e XIX.</p>     <p> Em 1796, Jenner verificou que as mulheres que retiravam o leite &agrave;s vacas n&atilde;o apanhavam var&iacute;ola o que confirmava a observa&ccedil;&atilde;o que Lady Montagu, esposa do c&ocirc;nsul brit&acirc;nico em Constantinopla, j&aacute; tinha feito em 1717: as camponesas das margens do B&oacute;sforo, e nas cidades do mar Negro, protegiam a popula&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da escarifica&ccedil;&atilde;o com o produto das p&uacute;stulas dos infetados em convalescen&ccedil;a (Porter, 1999). T&atilde;o convencida estava da efic&aacute;cia do procedimento que teve a coragem de inocular os seus pr&oacute;prios filhos e persuadiu v&aacute;rios membros da Corte a fazer o mesmo (Vigarello, 2001). Ganhou, assim, influentes aliados para a causa da vacina&ccedil;&atilde;o contra o <i>speckled monster</i> da var&iacute;ola que na Europa teria sido respons&aacute;vel por cerca de 10 % de mortes, entre as quais se contava a Rainha Maria de Inglaterra e Lu&iacute;s XV, em Fran&ccedil;a. Entretanto, Jenner iria confirmar, atrav&eacute;s de estudos experimentais, a sua hip&oacute;tese acerca da vacina e, apesar de numerosos colegas se mostrarem c&eacute;ticos, a vacina&ccedil;&atilde;o foi-se generalizando (Sournia, 1995). &Eacute; de admitir que em Portugal, em 1799, tivessem come&ccedil;ado a circular not&iacute;cias sobre a inocula&ccedil;&atilde;o anti-vari&oacute;lica e que a Junta do Proto-Medicato tivesse iniciado o processo de inocula&ccedil;&atilde;o em 1803, por sugest&atilde;o dum m&eacute;dico do Col&eacute;gio Real dos Cirurgi&otilde;es de Londres (Crespo, 1990).</p>     <p> A crescente divulga&ccedil;&atilde;o da vacina jenneriana foi o principal aliado da luta contra a var&iacute;ola. Em 1812, a Academia Real das Ci&ecirc;ncias de Lisboa deu o passo decisivo ao criar a Institui&ccedil;&atilde;o Vac&iacute;nica (Collec&ccedil;&atilde;o de Opusculos sobre a vaccina feitos pelos s&oacute;cios da Academia Real das Sciencias, que comp&otilde;em a Institui&ccedil;&atilde;o Vaccinica: e publicados de ordem da mesma Academia 1812), deu este passo apesar das dificuldades e de ter em conta o ceticismo de muitos m&eacute;dicos e a falta de ades&atilde;o por parte da popula&ccedil;&atilde;o, embora estivesse dispon&iacute;vel gratuitamente para todos  os interessados (Braga, 2001, p.154).</p>     <p> As primeiras crian&ccedil;as a serem vacinadas foram os &oacute;rf&atilde;os da Casa Pia, por tr&ecirc;s principais raz&otilde;es: sendo “filhos do Estado” era compreens&iacute;vel que fossem os destinat&aacute;rios dos primeiros atos de benefic&ecirc;ncia; era um grupo de crian&ccedil;as que podia deslocar-se &agrave; vacina com regularidade e, muito provavelmente, porque n&atilde;o tinham familiares a reclamar caso houvesse algum problema ou efeito indesej&aacute;vel da vacina (Crespo, 1990).</p>     <p> &Eacute; objetivo deste trabalho descrever v&aacute;rios aspetos relacionados com o in&iacute;cio da atividade vac&iacute;nica em Portugal, no per&iacute;odo final do Antigo Regime e na fase inicial da Monarquia Constitucional, inaugurada pelo Liberalismo, entre os quais, as institui&ccedil;&otilde;es e os atores envolvidos, a estrutura de governa&ccedil;&atilde;o deste importante setor da sa&uacute;de p&uacute;blica e o quadro legislativo e econ&oacute;mico vivido neste per&iacute;odo de tempo.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <b>Metodologia</b></p>     <p> <b>Estudo qualitativo no &acirc;mbito da investiga&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica, com recurso a fontes secund&aacute;rias</b></p>     <p> Recorremos a fontes em suporte eletr&oacute;nico, em linha: os “Debates das Cortes Gerais e Extraordin&aacute;rias da Na&ccedil;&atilde;o Portuguesa” dispon&iacute;veis no Arquivo Hist&oacute;rico Parlamentar; os or&ccedil;amentos apresentados &agrave;s Cortes (1836-1852), dispon&iacute;veis na Biblioteca Digital do Minist&eacute;rio da Finan&ccedil;as. Em suporte f&iacute;sico, recorremos a v&aacute;rias Cole&ccedil;&otilde;es de Legisla&ccedil;&atilde;o.</p>     <p> Fazemos algumas transcri&ccedil;&otilde;es com a ortografia e sintaxe originais pela riqueza do texto e para conservar o sentido do discurso.</p>     <p> O estudo insere-se num projeto de investiga&ccedil;&atilde;o mais amplo sobre a sa&uacute;de p&uacute;blica e os enfermeiros no per&iacute;odo entre o Vintismo e a Regenera&ccedil;&atilde;o (1820-1852), pelo que, os dados apresentados dizem apenas respeito a este per&iacute;odo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> QUADRO 1 – N&uacute;mero de vacinados por prov&iacute;ncia no ano de 1812</p>     <p> <img src="/img/revistas/ref/vserIIIn4/IIIn4a18q1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p> Na sess&atilde;o das Cortes de 16 de mar&ccedil;o de 1821, Ata n&ordm; 36 (Portugal. Assembleia da Rep&uacute;blica, doc. cons. elet. em 2011), a Academia Real das Ci&ecirc;ncias de Lisboa apresentou &agrave;s Cortes um relat&oacute;rio no qual evidenciava o objetivo da institui&ccedil;&atilde;o, o de dissipar o flagelo das “bexigas naturais”, objetivo no qual tamb&eacute;m estava fortemente empenhado o pr&oacute;prio rei que lhe reconhecia o estatuto de estabelecimento p&uacute;blico, concedendo-lhe isen&ccedil;&atilde;o de portes de correio. Nesse mesmo relat&oacute;rio fazia-se a hist&oacute;ria das atividades de vacina&ccedil;&atilde;o que se tinham realizado at&eacute; &agrave; data.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> O n&uacute;mero de vacinados tinha vindo a aumentar, mas a partir de 1817 come&ccedil;ou a diminuir ao ponto de, em 1821, ter chegado aos valores com que se tinha iniciado o processo oito anos antes (Gr&aacute;fico 1). Nem todas as autoridades civis e eclesi&aacute;sticas colaboraram ao n&iacute;vel desejado, o que deu motivo a que o pr&oacute;prio rei lhes dirigisse um apelo no sentido de os incentivar a um maior empenhamento.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <img src="/img/revistas/ref/vserIIIn4/IIIn4a18g1.jpg">     
<p> GR&Aacute;FICO 1 – N&uacute;mero total de vacinados em Portugal contra a var&iacute;ola (1812-1820)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> Apesar da maior parte do servi&ccedil;o ser gratuito, a Academia teve despesas superiores &agrave;s suas capacidades, pelo que, solicitou ao Governo um subs&iacute;dio que veio a constar duma Lotaria de 5.000 bilhetes, criada em 1815, mas que foi, contudo, insuficiente para manter a vacina&ccedil;&atilde;o em todo o Reino.</p>     <p> Para incrementar a vacina&ccedil;&atilde;o nalgumas Comarcas, a Institui&ccedil;&atilde;o Vac&iacute;nica tinha criado comiss&otilde;es compostas pelo p&aacute;roco, m&eacute;dico e cirurgi&atilde;o, com a gratifica&ccedil;&atilde;o de 1.200$000 por cada dia de vacina&ccedil;&atilde;o e prometendo pr&eacute;mios aos vacinadores que fizessem maiores servi&ccedil;os. Foi assim que se conseguiram bons resultados em 1816-17. Por&eacute;m, come&ccedil;ando a escassear os subs&iacute;dios, foi necess&aacute;rio suspender a atividade das comiss&otilde;es nas Capitanias-Mor porque a m&oacute;dica presta&ccedil;&atilde;o anual apenas podia manter as despesas de Lisboa. Em consequ&ecirc;ncia, o n&uacute;mero de vacinados reduziu drasticamente. Previa-se que a vacina&ccedil;&atilde;o regular em todo o Reino deveria ter um or&ccedil;amento de seis contos de r&eacute;is anuais.</p>     <p> Na sess&atilde;o das Cortes que temos vindo a referir, a Comiss&atilde;o de Sa&uacute;de P&uacute;blica saudou e reconheceu o trabalho desenvolvido pela Academia e Institui&ccedil;&atilde;o Vac&iacute;nica. Contudo, e enquanto n&atilde;o se estabelecesse um “Plano geral da Saude Publica, o qual ser&aacute; coordenado de maneira que abranja de hum modo uniforme, e simples todos os diversos ramos deste servi&ccedil;o”, a delibera&ccedil;&atilde;o foi no sentido de que se deveria continuar a atribuir um conto de r&eacute;is anual &agrave; Institui&ccedil;&atilde;o Vac&iacute;nica, porque a sua exist&ecirc;ncia era fundamental para a cria&ccedil;&atilde;o doutros estabelecimentos deste tipo nas prov&iacute;ncias; manter a isen&ccedil;&atilde;o de portes com o correio e a remessa de vacinas para as autoridades civis, eclesi&aacute;sticas e c&acirc;maras; e recomendar aos m&eacute;dicos e cirurgi&otilde;es para n&atilde;o diminu&iacute;rem o seu interesse no importante servi&ccedil;o que vinham fazendo em benef&iacute;cio da P&aacute;tria.</p>     <p> No dia vinte o debate foi retomado com uma interven&ccedil;&atilde;o por parte de Soares Franco, membro da Comiss&atilde;o de Sa&uacute;de P&uacute;blica e adepto fervoroso da vacina, da qual retir&aacute;mos o seguinte excerto que bem demonstra a sua preocupa&ccedil;&atilde;o em acompanhar os pa&iacute;ses mais evolu&iacute;dos da Europa, agindo em fun&ccedil;&atilde;o das descobertas e do desenvolvimento do conhecimento cient&iacute;fico face ao flagelo das bexigas, como est&aacute; referido na Ata n&ordm; 38, de 20 de mar&ccedil;o de 1821, p. 304 (Portugal. Assembleia da Rep&uacute;blica, doc.  cons. elet. em 2011):</p>     <p> “…mas n&atilde;o ser&aacute; estranho que eu diga que quando Genner estabeleceu em Inglaterra o seu invento, teve a oposi&ccedil;&atilde;o que tem todos os novos estabelecimentos; porem o Parlamento o acolheu, e arbitrou para o estabelecimento da Vacina dez mil libras esterlinas (perto de 100 mil cruzados). Depois passou a Fran&ccedil;a, onde o Instituto a estabeleceu: estabeleceu-se tamb&eacute;m em Viena: estabeleceu-se em Berlim, onde Duiland foi o princ&iacute;pio propagador: estabeleceuse em Espanha, e os Espanh&oacute;is at&eacute; mandar&atilde;o &aacute;s Filipinas hum navio para propagar. Quando isto estava estabelecido em toda a Europa; quando em todas as partes se tenha reconhecido a sua utilidade, e quando a Academia das Ci&ecirc;ncias de Lisboa, fundada nestes conhecimentos, acolheu aqui este estabelecimento, julgou a Comiss&atilde;o que n&atilde;o podia deixar de merecer os mesmos elogios que por igual causa receber&atilde;o as Sociedades de outras Na&ccedil;&otilde;es. Em consequ&ecirc;ncia a Comiss&atilde;o n&atilde;o fez mais do que seguir o exemplo de outras. Em quanto a p&ocirc;r-se d&uacute;vida sobre a utilidade, ou n&atilde;o utilidade deste estabelecimento, o que sei dizer &eacute; que os homens mais instru&iacute;dos tem convindo em que &eacute; o maior descobrimento do s&eacute;culo 18.&deg;; e se algumas vezes falha &eacute;, ou por falta dos vacinadores, ou por outras causas estranhas &aacute; mesma vacina. Basta saber que as Bexigas destru&iacute;am a esp&eacute;cie humana, e que a vacina &eacute; reputada como um dos melhores preservativos (…). (Apoiado.)”</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> As delibera&ccedil;&otilde;es a favor da vacina viriam a ser tomadas pela grande maioria de deputados embora houvesse algumas vozes discordantes entre as quais a do deputado Francisco Margiochi, ilustre matem&aacute;tico e veterano da liberdade, um dos homens que preparou a ades&atilde;o de Lisboa ao movimento revolucion&aacute;rio de 1820 (Bonif&aacute;cio, 2009). Margiochi continuava descrente acerca da utilidade da vacina e daquele estabelecimento, apesar dos argumentos de Soares Franco.</p>     <p> Os debates nas Cortes faziam eco das resist&ecirc;ncias que se iam verificando por todo o lado, com destaque para Lisboa, um dos principais e o mais importante foco de cont&aacute;gio. Mas tamb&eacute;m havia v&aacute;rios m&eacute;dicos adeptos e entusiastas por todo o reino, pois s&oacute; assim se explicava que a vacina tivesse sido introduzida em v&aacute;rias localidades de norte a sul, de Valen&ccedil;a ao Alvor, passando por Mur&ccedil;a.</p>     <p> Foi o caso do m&eacute;dico Feliciano Castilho que enviou uma reflex&atilde;o &agrave;s Cortes sugerindo que se fizessem “correi&ccedil;&otilde;es” vac&iacute;nicas (campanhas da vacina&ccedil;&atilde;o) como meio mais eficaz para vacinar toda a gente. Ele pr&oacute;prio iria implementar essa medida em Coimbra na primavera seguinte, porque de inverno seria dif&iacute;cil devido &agrave;s enchentes do rio, &agrave;s chuvas e dificuldade de acesso &agrave;s povoa&ccedil;&otilde;es. Nesta sua reflex&atilde;o expressava ainda a inten&ccedil;&atilde;o de elaborar um relat&oacute;rio com os resultados da sua iniciativa. O m&eacute;dico da Espanadeira iria mais longe no sentido de sugerir que se dessem poderes aos Corregedores das comarcas para obrigar os pais a vacinar os filhos, aplicando multas aos prevaricadores (Oliveira, 1992).</p>     <p> No cap&iacute;tulo III do T&iacute;tulo V – Da Policia M&eacute;dica, do projeto de Regulamento Geral de Sa&uacute;de P&uacute;blica apresentado &agrave;s Cortes em 13 de outubro de 1821, j&aacute; estava plasmado o modelo de generaliza&ccedil;&atilde;o da vacina, nos seguintes termos: a vacina&ccedil;&atilde;o seria efetuada pelo m&eacute;dico e cirurgi&atilde;o de partido, a todas as pessoas da vila e seu termo que precisassem. O m&eacute;dico, em edital p&uacute;blico, anunciaria o lugar, dia e hora da vacina&ccedil;&atilde;o; usar-se-iam m&eacute;todos persuasivos e n&atilde;o coercivos para fazer com que os chefes de fam&iacute;lia mandassem vacinar os seus filhos e criados. Desta opera&ccedil;&atilde;o, far-se-ia o respetivo registo em livro onde constariam os nomes, idade, filia&ccedil;&atilde;o e resid&ecirc;ncia dos vacinados bem como os resultados que deveriam ser publicitados pelo p&aacute;roco e medico. Todos os trimestres seriam feitos relat&oacute;rios sobre a vacina&ccedil;&atilde;o. Seria inspirado neste modelo que o Guarda-Mor e Fiscal da Sa&uacute;de da prov&iacute;ncia do Par&aacute; fez nesse mesmo ano uma proposta &agrave; Junta Provis&oacute;ria do Governo para implementar a vacina&ccedil;&atilde;o. Os mecanismos de controlo aqui previstos inclu&iacute;am o registo rigoroso de todas as crian&ccedil;as que fossem batizadas, mesmo das escravas, bem como, a obrigatoriedade de vacina&ccedil;&atilde;o de todos os expostos, da tropa e da popula&ccedil;&atilde;o em geral (Oliveira, 1992).</p>     <p> Em Inglaterra, em 1867, pelo <i>Vaccination Act</i> a estrat&eacute;gia seria bem mais punitiva, com o aumento das multas para os casos de crian&ccedil;as n&atilde;o vacinadas (Porter, 1999).</p>     <p> Apesar da instabilidade e crises sucessivas decorrentes da luta entre liberais e absolutistas, a atividade da Institui&ccedil;&atilde;o Vac&iacute;nica ter&aacute; continuado a desenvolver-se de forma regular e com resultados satisfat&oacute;rios, pois em 1835, pela Portaria de 24 de fevereiro, entendeuse ser conveniente separar aquele filantr&oacute;pico estabelecimento da Academia Real das Ci&ecirc;ncias, tanto mais que j&aacute; estava suficientemente bem acreditado e n&atilde;o carecia do seu patroc&iacute;nio cient&iacute;fico (Collec&ccedil;&atilde;o de Leis e outros documentos officiais publicados desde 15 de agosto de 1834 at&eacute; 31 de dezembro de 1835, 1837, p.78). Ficaria na depend&ecirc;ncia do Prefeito da Prov&iacute;ncia, por meio do qual passaria a corresponderse com o Governo.</p>     <p> Durante o Setembrismo deu-se um novo impulso para alargar a cobertura vacinal atrav&eacute;s de medidas coercivas e da amplia&ccedil;&atilde;o da rede. A pol&iacute;tica do Minist&eacute;rio do Reino visava minorar os efeitos da doen&ccedil;a, especialmente entre os adolescentes, com reflexos negativos na popula&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s. Este impulso coercivo estava firmemente sustentado no argumento de que a responsabilidade da elevada mortalidade devido &agrave;s bexigas era da “incuria e desleixo dos chefes de fam&iacute;lia que n&atilde;o mandavam vaccinar os seus filhos ou parentes quando podiam recorrer &agrave;quelle meio actualmente conhecido como o melhor, e mais efficaz preservativo de tal contagio, especialmente nas cidades de Lisboa, e Porto onde existiam as Institui&ccedil;&otilde;es Vaccinicas que t&atilde;o filantr&oacute;pica, e zelosamente se tem dedicado a promover a propaga&ccedil;&atilde;o da Vacina, e de cujos trabalhos tem resultado grandes beneficios &agrave; humanidade…”, como se pode ler na Portaria remetida ao Administrador Geral do Distrito de Aveiro e demais Administradores do reino e ilhas. Por sua vez, o Administrador foi encarregue de expedir ordens a todos os diretores dos col&eacute;gios, escolas prim&aacute;rias e estabelecimentos p&uacute;blicos de caridade e benefic&ecirc;ncia do distrito para n&atilde;o admitirem nenhuma crian&ccedil;a sem previamente exigirem de seus pais, parentes ou tutores o atestado de vacina&ccedil;&atilde;o ou de j&aacute; ter tido bexigas; outrossim, que mandassem vacinar imediatamente todos os indiv&iacute;duos que, j&aacute; estando admitidos, n&atilde;o tivessem sido vacinados nem atacados do mal (Collec&ccedil;&atilde;o de Leis e outros documentos officiais publicados no 2&ordm; semestre de 1837, 1837, p.17).</p>     <p> Mas o pa&iacute;s estava numa situa&ccedil;&atilde;o de pen&uacute;ria e endividamento devido a um “despotismo feroz e de um systema de destrui&ccedil;&atilde;o barbaramente seguido e executado” aquando da Guerra Peninsular e das invas&otilde;es francesas e, por outro lado, ao “habito de despender largamente”, como foi denunciado pelo Ministro e Secret&aacute;rio de Estado dos Neg&oacute;cios da Fazenda na apresenta&ccedil;&atilde;o da proposta de or&ccedil;amento para 1836-37 (Portugal. Minist&eacute;rio das Finan&ccedil;as, doc. cons. elet. em 2011).</p>     <p> Para minimizar a situa&ccedil;&atilde;o, apresentou duas linhas estrat&eacute;gicas: uma, reduzindo o servi&ccedil;o ao minimamente necess&aacute;rio atrav&eacute;s da extin&ccedil;&atilde;o de reparti&ccedil;&otilde;es e reorganiza&ccedil;&atilde;o das que funcionassem mal e outra disciplinando as contas pois o “sistema actual das contas est&aacute; ainda muito longe, n&atilde;o s&oacute; do grao de perfei&ccedil;&atilde;o de que &eacute; suscept&iacute;vel, mas mesmo de dar em alguns ramos, a menor ideia da renda do Estado”. &Eacute; o pr&oacute;prio ministro, que n&atilde;o tinha confian&ccedil;a nas contas da receita do Estado, propondo a cria&ccedil;&atilde;o do Tribunal do Tesouro P&uacute;blico como inst&acirc;ncia fiscalizadora.</p>     <p> O or&ccedil;amento do Minist&eacute;rio do Reino dividia-se em duas grandes rubricas: uma, destinada &agrave; Comiss&atilde;o de Sa&uacute;de P&uacute;blica, com uma percentagem insignificante em rela&ccedil;&atilde;o aos Estabelecimentos Pios onde se inclu&iacute;a a Institui&ccedil;&atilde;o Vac&iacute;nica. As despesas com a Comiss&atilde;o de Sa&uacute;de P&uacute;blica eram destinadas a pagar vencimentos de 74 empregados: 8 nas instala&ccedil;&otilde;es centrais e os restantes pelos ju&iacute;zos de sa&uacute;de dos portos: 17 no porto de Bel&eacute;m; 2 em Pa&ccedil;o d’Arcos; 1 em Cascais e outro na Trafaria; 5 no Lazareto de Lisboa; e 40 cabe&ccedil;as de sa&uacute;de em Lisboa e seu termo; outra, a grande parte do or&ccedil;amento, era canalizada para os Estabelecimentos Pios: Hospital de S. Jos&eacute; e das Caldas da Rainha, Miseric&oacute;rdia e Hospital de Expostos, Casa Pia/Surdos-Mudos, Col&eacute;gio da Rua das Rosas, Recolhimentos do Sant&iacute;ssimo Sacramento e Assun&ccedil;&atilde;o, ao Calv&aacute;rio, Recolhimento de Nossa Senhora do Amparo, &agrave; Mouraria e Institui&ccedil;&atilde;o Vac&iacute;nica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> A Institui&ccedil;&atilde;o Vac&iacute;nica tinha 8 empregados: 3 membros da institui&ccedil;&atilde;o a 120$000 cada um; 3 cirurgi&otilde;es vacinadores a 100$000 cada um; 1 oficial encarregado pela contabilidade a 120$000; e um porteiro a 60$000. Mais tarde, em 1842, com o objetivo de conter as despesas, Costa Cabral viria a suprimir e reduzir cargos e lugares e a reorganizar os mais diversos setores da atividade do estado. &Eacute; nesta onda que se enquadra o Decreto de 1 de dezembro de 1842 que reduziu a despesa da Institui&ccedil;&atilde;o Vac&iacute;nica que, estando confinada unicamente &agrave;s opera&ccedil;&otilde;es de inocula&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o necessitava de tantos facultativos. Ficou apenas com um m&eacute;dico presidente, tr&ecirc;s cirurgi&otilde;es vacinadores, um amanuense e um porteiro, mantendo-se os vencimentos. Suprimiram-se, assim, os lugares de 2 m&eacute;dicos e reduziu-se a verba da despesa de expediente para 24$000, havendo uma economia de 276$000 (Collec&ccedil;&atilde;o Official de Legisla&ccedil;&atilde;o Portuguesa redigida pelo Desembargador Antonio Delgado da Silva, Legisla&ccedil;&atilde;o de 1842 em diante, 1842, p. 411).</p>     <p> Em 1845, pelo Decreto de 26 de novembro acerca da Sa&uacute;de, estabeleceu-se um plano mais detalhado onde se definia que a vacina&ccedil;&atilde;o era gratuita e universal, feita em todos os concelhos, pelo menos duas vezes no m&ecirc;s, no primeiro domingo, depois da missa e no dia do mercado p&uacute;blico ou, n&atilde;o o havendo, no dia em que houvesse maior afluxo de pessoas. Nas freguesias mais distantes da sede do concelho, o provedor de sa&uacute;de do distrito, ouvido o vice-provedor e a C&acirc;mara, decidiria os termos em que seria feita a vacina&ccedil;&atilde;o nessas terras. A vacina&ccedil;&atilde;o seria praticada pelos facultativos ou, &agrave; falta destes, pelos cirurgi&otilde;es. Os vidros, agulhetas e o pus vac&iacute;nico seriam fornecidos pelo Conselho de Sa&uacute;de P&uacute;blica. Todos os atos vacinais seriam registados em livro, segundo um modelo definido pelo Conselho e rubricados pelo presidente da C&acirc;mara e vice-provedor da sa&uacute;de. Os casos de vacina&ccedil;&atilde;o particular e de ocorr&ecirc;ncia da doen&ccedil;a seriam certificados pelo facultativo operador e registados no livro da C&acirc;mara. S&oacute; seriam v&aacute;lidas as certid&otilde;es extra&iacute;das deste livro. Os facultativos que se recusassem a praticar a vacina&ccedil;&atilde;o sem justa causa, seriam demitidos dos partidos. Finalmente, o Conselho de Sa&uacute;de P&uacute;blica adotaria as provid&ecirc;ncias que julgasse mais convenientes e prof&iacute;cuas, dando aos provedores e vice-provedores de sa&uacute;de as instru&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para se promover a vacina&ccedil;&atilde;o (Collec&ccedil;&atilde;o Official de Legisla&ccedil;&atilde;o Portuguesa redigida pelo Desembargador Antonio Delgado da Silva, Anno de 1844-1845, 1845, p. 791).</p>     <p> Mas este decreto teve uma exist&ecirc;ncia ef&eacute;mera, pois em 21 de maio de 1846, “atendendo &agrave;s circunst&acirc;ncias em que se acha o pa&iacute;s”, o Duque de Palmela suspendeu-o, voltando-se a reger o servi&ccedil;o sanit&aacute;rio no interior do Reino e nos portos de mar pelo estabelecido no Decreto de 3 de janeiro de 1837, do per&iacute;odo Setembrista.</p>     <p> De 1845 a 1850 n&atilde;o houve or&ccedil;amento atribu&iacute;do &agrave; Institui&ccedil;&atilde;o Vac&iacute;nica. No or&ccedil;amento de 1851-52, apenas s&atilde;o referidos 3 cirurgi&otilde;es vacinadores que continuaram com o mesmo vencimento, sendo agora inclu&iacute;dos no cap&iacute;tulo da sa&uacute;de p&uacute;blica e n&atilde;o nos estabelecimentos de benefic&ecirc;ncia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Discuss&atilde;o</b></p>     <p> Em Portugal, o eco e as not&iacute;cias sobre as mais recentes novidades que se verificavam na Medicina e na Sa&uacute;de P&uacute;blica dos pa&iacute;ses mais desenvolvidos corriam relativamente c&eacute;leres, tal como noutros dom&iacute;nios da vida intelectual. Este movimento explicar-se-&aacute; pelas boas rela&ccedil;&otilde;es e contacto das elites portuguesas com as de outros pa&iacute;ses europeus e, decerto, pelo n&uacute;mero de “estrangeirados” que viveram nesses pa&iacute;ses e da&iacute; importaram ideias e t&eacute;cnicas inovadoras. Todavia, &agrave; vontade das ideias de progresso e desenvolvimento, contrapunha-se um pa&iacute;s atrasado, com dificuldades em se restabelecer dos efeitos da Guerra Peninsular e num estado generalizado de analfabetismo da popula&ccedil;&atilde;o.</p>     <p> &Eacute; neste contexto que se observa o relativo fracasso da vacina&ccedil;&atilde;o, sobretudo devido &agrave; conjuga&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios focos de resist&ecirc;ncia: por parte de m&eacute;dicos e cirurgi&otilde;es, de alguns setores do poder pol&iacute;tico legislativo central (deputados) e do poder local, da igreja e dos pr&oacute;prios pais e da popula&ccedil;&atilde;o em geral. Se a estes fatores juntarmos as dificuldades econ&oacute;micas em que o pa&iacute;s foi vivendo ao longo deste per&iacute;odo, compreender-se-&aacute; bem o estado de alma do deputado Soares Franco expresso na sua argumenta&ccedil;&atilde;o aos detratores da vacina.</p>     <p> Para tornar a vacina&ccedil;&atilde;o um ato de preven&ccedil;&atilde;o universal, o modelo adotado inspirou-se sobretudo, nos princ&iacute;pios da persuas&atilde;o, embora matizado por medidas de car&aacute;ter coercivo (v.g., expuls&atilde;o dos m&eacute;dicos que se recusassem a vacinar, e matr&iacute;cula das crian&ccedil;as na escola condicionada &agrave; vacina&ccedil;&atilde;o) e na preocupa&ccedil;&atilde;o de controlar epidemiologicamente o processo atrav&eacute;s de registos cred&iacute;veis.</p>     <p> Real&ccedil;a-se, finalmente, a forma como estava feita a distribui&ccedil;&atilde;o do or&ccedil;amento do Minist&eacute;rio do Reino relativo a este ramo: uma rubrica era destinada aos “Estabelecimentos Pios”, nos quais se inclu&iacute;a a Institui&ccedil;&atilde;o Vac&iacute;nica e a outra &agrave; sa&uacute;de p&uacute;blica que se confinava apenas &agrave; sua reparti&ccedil;&atilde;o central e aos servi&ccedil;os de vigil&acirc;ncia dos principais portos. A inclus&atilde;o da Institui&ccedil;&atilde;o Vac&iacute;nica entre os Estabelecimentos Pios, a nosso ver, reflete uma representa&ccedil;&atilde;o social da sa&uacute;de e da assist&ecirc;ncia p&uacute;blica marcada pelos princ&iacute;pios da caridade, com forte inspira&ccedil;&atilde;o crist&atilde;. Demoraria ainda algum tempo a considerar-se a prote&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de do povo uma obriga&ccedil;&atilde;o do Estado.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p> <b>Conclus&atilde;o</b></p>      <p> Na continua&ccedil;&atilde;o deste trabalho e no sentido de desocultar as interven&ccedil;&otilde;es dos enfermeiros neste importante campo da sa&uacute;de p&uacute;blica, sugerem-se estudos que permitam descrever e analisar a evolu&ccedil;&atilde;o da vacina&ccedil;&atilde;o em Portugal a partir de meados do s&eacute;culo XIX, at&eacute; aos anos sessenta do s&eacute;culo passado, momento em que foi criado o Programa Nacional de Vacina&ccedil;&atilde;o. No &acirc;mbito desses estudos poder&aacute; merecer particular aten&ccedil;&atilde;o a cria&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento dos Servi&ccedil;os de Luta Anti-Tuberculosa onde os enfermeiros desempenharam um destacado papel.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas:</b></p>     <p> BONIF&Aacute;CIO, Maria de F&aacute;tima (2009) – Uma Hist&oacute;ria de viol&ecirc;ncia pol&iacute;tica. Portugal de 1834 a 1851. Lisboa : Tribuna da Hist&oacute;ria.</p>     <p> BRAGA, Isabel M. R. M. Drumond (2001) – Assist&ecirc;ncia, Sa&uacute;de P&uacute;blica e Pr&aacute;tica M&eacute;dica em Portugal (s&eacute;culos XV-XIX). Lisboa : Universit&aacute;ria Editora.</p>     <p> COLLEC&Ccedil;&Atilde;O DE LEIS e outros documentos officiais publicados desde 15 de Agosto de 1834 at&eacute; 31 de Dezembro de 1835 (1837). 4&ordf; s&eacute;rie. Lisboa : Imprensa Nacional.</p>     <p> COLLEC&Ccedil;&Atilde;O DE LEIS e outros documentos officiais publicados no 2&ordm; semestre de 1837. (1837). 7&ordf; s&eacute;rie, 2&ordf; parte. Lisboa : Imprensa Nacional.</p>     <p> COLLEC&Ccedil;&Atilde;O OFFICIAL de Legisla&ccedil;&atilde;o Portuguesa redigida pelo Desembargador Antonio Delgado da Silva, Legisla&ccedil;&atilde;o de 1842 em diante (1842). Lisboa : Imprensa Nacional.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> COLLEC&Ccedil;&Atilde;O OFFICIAL de Legisla&ccedil;&atilde;o Portuguesa redigida pelo Desembargador Antonio Delgado da Silva, Anno de 1844-1845 (1845). Lisboa : Imprensa Nacional.</p>     <p> COLLEC&Ccedil;&Atilde;O DE OPUSCULOS sobre a vaccina feitos pelos s&oacute;cios da Academia Real das Sciencias, que comp&otilde;em a Institui&ccedil;&atilde;o Vaccinica: e publicados de ordem da mesma Academia (1812). Lisboa : Tipografia da Academia. N&ordm;s 1 e 2.</p>     <p> CRESPO, Jorge (1990) – A hist&oacute;ria do corpo. Lisboa : Difel.</p>     <p> DECRETO-LEI n&ordm; 46628. D. R. I S&eacute;rie. 251 (65.11.05) 1427-1428.</p>     <p> LOUREIRO, Helena (2004) – Efic&aacute;cia em vacina&ccedil;&atilde;o: elementos essenciais na pr&aacute;tica de Enfermagem. Refer&ecirc;ncia. N&ordm; 12, p. 61-72.</p>     <p> OLIVEIRA, Lu&iacute;sa Tiago de (1992) – A sa&uacute;de p&uacute;blica no vintismo. In PEREIRA, Miriam Halpern - A crise do antigo regime e as cortes constituintes de 1821-1822. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Jo&atilde;o S&aacute; da Costa. Vol. 4.</p>     <p> PORTER, Roy (1999) – The greatest benefit to mankind. A medical history of humanity from antiquity to the present. London: Fontana Press.</p>     <p> PORTUGAL. Assembleia da Republica. &#91;s.d.&#93;. Debates Parlamentares: Cortes Gerais e Extraordin&aacute;rias da Na&ccedil;&atilde;o Portuguesa. &#91;Em linha&#93;. &#91;Lisboa&#93; : Assembleia da Republica. &#91;Consult. 02 Fev. 2011&#93;. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://debates.parlamento.pt/catalog.aspx?cid=mc.c1821." target="_blank">http://debates.parlamento.pt/catalog.aspx?cid=mc.c1821</a>.</p>     <p> PORTUGAL. Minist&eacute;rio das Finan&ccedil;as. &#91;s.d.&#93;. Or&ccedil;amento do Estado: Or&ccedil;amento apresentado &agrave;s Cortes. &#91;Em linha&#93;. &#91;Lisboa&#93;: Minist&eacute;rio das Finan&ccedil;as e da Administra&ccedil;&atilde;o Publica. &#91;Consult. 02 Fev. 2011&#93;. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://213.58.158.155/bibliotecadigital/Orcamento1821_1863.htm" target="_blank">http://213.58.158.155/bibliotecadigital/Orcamento1821_1863.htm</a>.</p>     <p> SOURNIA, Jean-Charles (1995) – Hist&oacute;ria da Medicina. Lisboa : Instituto Piaget.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> VIGARELLO, Georges (2001) – Hist&oacute;ria das pr&aacute;ticas de sa&uacute;de: A sa&uacute;de e a doen&ccedil;a desde a Idade M&eacute;dia. Lisboa : Editorial Not&iacute;cias.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> Recebido para publica&ccedil;&atilde;o em: 24.03.11</p>     <p> Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em: 01.06.11</p>     <p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BONIFÁCIO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria de Fátima]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Uma História de violência política: Portugal de 1834 a 1851]]></source>
<year>2009</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Tribuna da História]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BRAGA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Isabel M. R. M. Drumond]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Assistência, Saúde Pública e Prática Médica em Portugal (séculos XV-XIX)]]></source>
<year>2001</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Universitária Editora]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>3</label><nlm-citation citation-type="book">
<source><![CDATA[COLLECÇÃO DE LEIS e outros documentos officiais publicados desde 15 de Agosto de 1834 até 31 de Dezembro de 1835]]></source>
<year>1837</year>
<volume>4</volume>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Imprensa Nacional]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<label>4</label><nlm-citation citation-type="book">
<source><![CDATA[COLLECÇÃO DE LEIS e outros documentos officiais publicados no 2º semestre de 1837]]></source>
<year>1837</year>
<volume>7</volume>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Imprensa Nacional]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<label>5</label><nlm-citation citation-type="book">
<source><![CDATA[COLLECÇÃO OFFICIAL de Legislação Portuguesa redigida pelo Desembargador Antonio Delgado da Silva, Legislação de 1842 em diante]]></source>
<year>1842</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Imprensa Nacional]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<label>6</label><nlm-citation citation-type="book">
<source><![CDATA[COLLECÇÃO OFFICIAL de Legislação Portuguesa redigida pelo Desembargador Antonio Delgado da Silva, Anno de 1844-1845]]></source>
<year>1845</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Imprensa Nacional]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<label>7</label><nlm-citation citation-type="book">
<source><![CDATA[COLLECÇÃO DE OPUSCULOS sobre a vaccina feitos pelos sócios da Academia Real das Sciencias, que compõem a Instituição Vaccinica: e publicados de ordem da mesma Academia]]></source>
<year>1812</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Tipografia da Academia]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<label>8</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CRESPO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Jorge]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A história do corpo]]></source>
<year>1990</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Difel]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<label>9</label><nlm-citation citation-type="journal">
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[DECRETO-LEI nº 46628]]></article-title>
<source><![CDATA[D. R.]]></source>
<year></year>
<volume>I</volume>
<numero>251</numero>
<issue>251</issue>
<page-range>1427-1428</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<label>10</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[LOUREIRO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Helena]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Eficácia em vacinação: elementos essenciais na prática de Enfermagem]]></article-title>
<source><![CDATA[Referência]]></source>
<year>2004</year>
<numero>12</numero>
<issue>12</issue>
<page-range>61-72</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<label>11</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[OLIVEIRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Luísa Tiago de]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A saúde pública no vintismo]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[PEREIRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Miriam Halpern]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A crise do antigo regime e as cortes constituintes de 1821-1822]]></source>
<year>1992</year>
<volume>4</volume>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Edições João Sá da Costa]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<label>12</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[PORTER]]></surname>
<given-names><![CDATA[Roy]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The greatest benefit to mankind: A medical history of humanity from antiquity to the present]]></source>
<year>1999</year>
<publisher-loc><![CDATA[London ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Fontana Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<label>13</label><nlm-citation citation-type="book">
<collab>PORTUGAL^dAssembleia da Republica</collab>
<source><![CDATA[Debates Parlamentares: Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa]]></source>
<year>s.d.</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Assembleia da Republica]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<label>14</label><nlm-citation citation-type="book">
<collab>PORTUGAL^dMinistério das Finanças</collab>
<source><![CDATA[Orçamento do Estado: Orçamento apresentado às Cortes]]></source>
<year></year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Ministério das Finanças e da Administração Publica]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<label>15</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SOURNIA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Jean-Charles]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[História da Medicina]]></source>
<year>1995</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Instituto Piaget]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<label>16</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[VIGARELLO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Georges]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[História das práticas de saúde: A saúde e a doença desde a Idade Média]]></source>
<year>2001</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editorial Notícias]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
