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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Programa de Terapia de Remotivação em idosos institucionalizados: estudo piloto]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The development of Remotivation Therapy in gerontological interventions is recent but has shown a positive impact in patients experiencing mild dementia, with some functional and cognitive impairment, as well as in autonomous and independent elderly. Reported experiences indicate an improvement in interactions between individuals, which contributes to their social integration and increased self-esteem. This pilot study analyzes the benefits of a Remotivation Program for institutionalized elderly (ProTR) in terms of depressive symptoms, morale and participation. The participants were 14 seniors divided into two groups: an experimental group who benefited from ProTR sessions and a control group who experienced no intervention. Instruments used include the Philadelphia Geriatric Centre Morale Scale, the Geriatric Depression Scale and the Scale for the Evaluation of the Behaviour in Remotivation. The results suggest benefits in terms of depressive symptom reduction after the intervention, and an increase in morale at follow-up. The authors highlight the need for more research and evaluation of this intervention with other population groups.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[El desarrollo de la Terapia de Remotivacióon en la intervención gerontológica, a pesar de ser reciente, ha demostrado tener un impacto positivo tanto en pacientes mayores con demencia leve con alguno deterioro funcional y cognitivo, como en mayores autónomos e independientes. Los experimentos reportados señalan una mejora de la interacción entre individuos, lo que contribuye a su integración y aumento de la autoestima. Este estudio procura analizar los beneficios de un Programa de Terapia de Remotivación para adultos mayores institucionalizados (ProTR) en lo que concierne los niveles de sintomatología depresiva, ánimo y participación. Hubo 14 articipantes, divididos en dos grupos: el experimental (que participó en las sesiones del ProTR) y el grupo de control (sin intervención). Los instrumentos utilizados fueron la Escala Geriátrica de Estado del Ánimo, la Escala de Depresión Geriátrica y la Escala de Evaluación del Comportamiento en la Remotivación. Los resultados sugieren beneficios en la disminución de los síntomas depresivos después de la intervención y en una mejora del estado del ánimo en el follow-up. Los beneficios identificados en este estudio piloto justifican un mayor desarrollo y evaluación de este programa en el futuro, incluyendo a otras poblaciones.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <P><b>Programa de Terapia de Remotiva&ccedil;&atilde;o em idosos institucionalizados: estudo piloto</b></P>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>Lia Ara&uacute;jo</b>*; <b>Ver&oacute;nica Gomez</b>**; <b>Catarina Teixeira</b>***; <b>&Oacute;scar Ribeiro</b> ****</P>     <P>* Mestre em Gerontologia, Unidade de Investiga&ccedil;&atilde;o e Forma&ccedil;&atilde;o sobre Adultos e Idosos e Escola Superior de Educa&ccedil;&atilde;o do Instituto Polit&eacute;cnico de Viseu [<a href="mailto:liajaraujo@ua.pt">liajaraujo@ua.pt</a>].</P>     <P>** Licenciada em Gerontologia. Bolseira no Instituto de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina de Lisboa [<a href="mailto:vero.gomez.t.p@gmail.com">vero.gomez.t.p@gmail.com</a>].</P>     <P>*** Licenciada em Gerontologia [<a href="mailto:Catarina_teixeira@hotmail.com">Catarina_teixeira@hotmail.com</a>].</P>     <P>**** Doutor em Ci&ecirc;ncias Biom&eacute;dicas. Unidade de Investiga&ccedil;&atilde;o e Forma&ccedil;&atilde;o sobre Adultos e Idosos. Escola Superior de Sa&uacute;de da Universidade de Aveiro [<a href="mailto:oribeiro@ua.pt">oribeiro@ua.pt</a>].</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>Resumo</b></P>     <P>O desenvolvimento da Terapia de Remotiva&ccedil;&atilde;o na interven&ccedil;&atilde;o gerontol&oacute;gica, apesar de recente, tem vindo a demonstrar um impacto positivo, tanto em idosos com dem&ecirc;ncia leve com algum comprometimento funcional e cognitivo, como em idosos aut&oacute;nomos e independentes. As experi&ecirc;ncias reportadas apontam para uma melhoria da intera&ccedil;&atilde;o entre indiv&iacute;duos, o que contribui para a sua integra&ccedil;&atilde;o social e aumento da autoestima. Este artigo procura analisar os benef&iacute;cios de um Programa de Terapia de Remotiva&ccedil;&atilde;o para idosos institucionalizados (ProTR), aos n&iacute;veis da sintomatologia depressiva, &acirc;nimo e participa&ccedil;&atilde;o. Os sujeitos foram 14, divididos em duas condi&ccedil;&otilde;es: grupo experimental (que participou nas sess&otilde;es do ProTR) e grupo de controlo (sem interven&ccedil;&atilde;o). Os instrumentos utilizados foram a Escala Geri&aacute;trica de &Acirc;nimo, a Escala de Depress&atilde;o Geri&aacute;trica e a Escala de Avalia&ccedil;&atilde;o do Comportamento na Remotiva&ccedil;&atilde;o. Os resultados obtidos sugerem que o ProTR contribuiu para a diminui&ccedil;&atilde;o da sintomatologia depressiva ap&oacute;s a interven&ccedil;&atilde;o e para o aumento do &acirc;nimo no <i>follow-up</i>. Os benef&iacute;cios encontrados neste estudo piloto justificam o futuro desenvolvimento e avalia&ccedil;&atilde;o deste programa, nomeadamente junto de outras popula&ccedil;&otilde;es.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><b>Palavras-chave:</b> terapia da remotiva&ccedil;&atilde;o; institui&ccedil;&atilde;o de longa perman&ecirc;ncia para idosos; afeto; depress&atilde;o.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>Remotivation Therapy Program for institutionalized elders: pilot study</b></P>     <P><b>Abstract</b></P>     <P>The development of Remotivation Therapy in gerontological interventions is recent but has shown a positive impact in patients experiencing mild dementia, with some functional and cognitive impairment, as well as in autonomous and independent elderly. Reported experiences indicate an improvement in interactions between individuals, which contributes to their social integration and increased self-esteem. This pilot study analyzes the benefits of a Remotivation Program for institutionalized elderly (ProTR) in terms of depressive symptoms, morale and participation. The participants were 14 seniors divided into two groups: an experimental group who benefited from ProTR sessions and a control group who experienced no intervention. Instruments used include the Philadelphia Geriatric Centre Morale Scale, the Geriatric Depression Scale and the Scale for the Evaluation of the Behaviour in Remotivation. The results suggest benefits in terms of depressive symptom reduction after the intervention, and an increase in morale at follow-up. The authors highlight the need for more research and evaluation of this intervention with other population groups.</P>     <P><b>Keywords</b>: remotivation therapy; homes for the aged; affect; depression.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>Programa de Terapia de Remotivaci&oacute;n para adultos mayores institucionalizados: estudio piloto</b></P>     <P><b>Resumen</b></P>     <P>El desarrollo de la Terapia de Remotivaci&oacute;on en la intervenci&oacute;n gerontol&oacute;gica, a pesar de ser reciente, ha demostrado tener un impacto positivo tanto en pacientes mayores con demencia leve con alguno deterioro funcional y cognitivo, como en mayores aut&oacute;nomos e independientes. Los experimentos reportados se&ntilde;alan una mejora de la interacci&oacute;n entre individuos, lo que contribuye a su integraci&oacute;n y aumento de la autoestima. Este estudio procura analizar los beneficios de un Programa de Terapia de Remotivaci&oacute;n para adultos mayores institucionalizados (ProTR) en lo que concierne los niveles de sintomatolog&iacute;a depresiva, &aacute;nimo y participaci&oacute;n. Hubo 14 articipantes, divididos en dos grupos: el experimental (que particip&oacute; en las sesiones del ProTR) y el grupo de control (sin intervenci&oacute;n). Los instrumentos utilizados fueron la Escala Geri&aacute;trica de Estado del &Aacute;nimo, la Escala de Depresi&oacute;n Geri&aacute;trica y la Escala de Evaluaci&oacute;n del Comportamiento en la Remotivaci&oacute;n. Los resultados sugieren beneficios en la disminuci&oacute;n de los s&iacute;ntomas depresivos despu&eacute;s de la intervenci&oacute;n y en una mejora del estado del &aacute;nimo en el <i>follow-up</i>. Los beneficios identificados en este estudio piloto justifican un mayor desarrollo y evaluaci&oacute;n de este programa en el futuro, incluyendo a otras poblaciones.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><b>Palabras clave</b>: terapia de remotivaci&oacute;n; residencias para ancianos; afecto; depresi&oacute;n.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></P>     <P>A Terapia da Remotiva&ccedil;&atilde;o (TR) constitui uma t&eacute;cnica terap&ecirc;utica criada com o objetivo de ajudar as pessoas a aumentar a sua autoestima, socializa&ccedil;&atilde;o, sentimento de perten&ccedil;a e aten&ccedil;&atilde;o, motivando-as a pensar acerca da sua realidade pessoal e envolvente. Tendo por base uma revis&atilde;o da literatura, que refere as diversas potencialidades desta t&eacute;cnica (Dyer e Stotts, 2005), desenvolveu-se um Programa de Terapia da Remotiva&ccedil;&atilde;o (ProTR), constitu&iacute;do por 10 sess&otilde;es, com pessoas idosas institucionalizadas. O presente estudo piloto procura explorar o contributo do referido programa no bem-estar dos sujeitos envolvidos.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>Fundamenta&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica</b></P>     <P>A Terapia de Remotiva&ccedil;&atilde;o constitui uma modalidade de interven&ccedil;&atilde;o centrada nas capacidades e potencialidades dos indiv&iacute;duos. Procura analisar e desenvolver aspetos funcionais, sociais e emocionais, bem como promover a autonomia atrav&eacute;s do incremento das capacidades comunicacionais e do interesse no meio envolvente. Uma das suas potencialidades &eacute; o facto de integrar caracter&iacute;sticas de v&aacute;rias modalidades de interven&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;uticas como a Terapia de Orienta&ccedil;&atilde;o na Realidade, que procura que a pessoa tome consci&ecirc;ncia da sua condi&ccedil;&atilde;o no tempo, no espa&ccedil;o e em rela&ccedil;&atilde;o a si mesma (Pou, 2004); a Terapia de Reminisc&ecirc;ncia, atrav&eacute;s da qual os participantes s&atilde;o questionados no sentido de compartilhar as suas experi&ecirc;ncias de vida, mem&oacute;rias e perten&ccedil;as pessoais, com o recurso a imagens, m&uacute;sica e di&aacute;logos (Farmer, 2005); e a Terapia de Valida&ccedil;&atilde;o, que preconiza a recetividade, a neutralidade e a imparcialidade do terapeuta, o qual deve validar sempre as opini&otilde;es que forem surgindo durante a sess&atilde;o por parte do(s) participante(s) (Siberski, 2005).</P>     <P>A TR foi originalmente desenvolvida com doentes psiqui&aacute;tricos, residentes numa institui&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de mental. Tendo a sua origem nos EUA, na d&eacute;cada de 40 do s&eacute;culo passado, assistiu posteriormente a um r&aacute;pido crescimento, atingindo um pico de desenvolvimento emp&iacute;rico e investigacional nos anos 70 (Meixsell, 2005). Por&eacute;m, merc&ecirc; sobretudo do movimento de desinstitucionaliza&ccedil;&atilde;o ocorrido a meados da d&eacute;cada de 70 (cuja linha de pensamento assentava na premissa de que o melhor para os pacientes era retir&aacute;-los dos hospitais psiqui&aacute;tricos e promover o seu cuidado integrado na comunidade), verificou-se uma desaten&ccedil;&atilde;o significativa sobre esta terapia, facto que se viria a traduzir, por um lado, numa diminui&ccedil;&atilde;o de interesse sobre as potencialidades desta t&eacute;cnica ao n&iacute;vel da reflex&atilde;o cient&iacute;fica e, por outro, na diminui&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de profissionais especializados na sua implementa&ccedil;&atilde;o – os remotivadores (Herlihy-Chevalier, 2005). Mais recentemente, alguns estudos (e.g., Ng, Lo, e Chan, 2009) d&atilde;o-nos conta de que a aplicabilidade da Terapia de Remotiva&ccedil;&atilde;o em hospitais psiqui&aacute;tricos est&aacute; novamente a ser alvo de aten&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o.</P>     <P>Ter&aacute; sido a partir da d&eacute;cada de 80 que se d&aacute; um grande passo na &aacute;rea da Terapia de Remotiva&ccedil;&atilde;o, na medida em que se come&ccedil;a a estabelecer a ideia de que pessoas sem perturba&ccedil;&atilde;o mental poderiam beneficiar desta terapia, quer ao n&iacute;vel do bem-estar psicossocial quer da qualidade de vida. Surgem, assim, outras formas de aplica&ccedil;&atilde;o da TR n&atilde;o circunscritas a contextos cl&iacute;nicos, como seja em institui&ccedil;&otilde;es de apoio &agrave; terceira idade (Meixsell, 2005). Na verdade, enquanto a maior parte dos estudos da d&eacute;cada de 60 e in&iacute;cios da d&eacute;cada de 70 centravam a aplica&ccedil;&atilde;o desta t&eacute;cnica em situa&ccedil;&otilde;es de foro psiqui&aacute;trico, designadamente perturba&ccedil;&otilde;es do espetro da esquizofrenia; a partir dos finais da d&eacute;cada de 70 e in&iacute;cios da d&eacute;cada de 80, os estudos passaram a abordar a TR &agrave; luz dos seus benef&iacute;cios ao n&iacute;vel do bem-estar psicossocial, quando aplicada a pessoas idosas.</P>     <P>Quando um idoso vive numa institui&ccedil;&atilde;o, &eacute; importante perceber o que a velhice significa e pode implicar para ele. A par da perda de capacidade funcional e o aumento da depend&ecirc;ncia, que caracteriza as pessoas idosas institucionalizadas no nosso pa&iacute;s (Lobo e Pereira, 2007), a pessoa sente-se, frequentemente, inadaptada e vivencia sentimentos de solid&atilde;o, n&atilde;o obstante o facto de viver rodeada de outras pessoas. A TR, visando facilitar a comunica&ccedil;&atilde;o interpessoal e a valoriza&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o do idoso, pode contribuir para a sua adapta&ccedil;&atilde;o na institui&ccedil;&atilde;o. Quanto mais bem-sucedida for esta adapta&ccedil;&atilde;o, melhores relacionamentos se podem estabelecer entre os funcion&aacute;rios e as fam&iacute;lias com os idosos residentes (Herlihy-Chevalier, 2005). A remotiva&ccedil;&atilde;o procura mostrar ao idoso que ele &eacute; aceite como um ser individual e &uacute;nico, com v&aacute;rios pap&eacute;is e tra&ccedil;os que o distinguem de todos os outros. Cria, desta forma, uma ponte entre o que idoso parece aos outros e o que o pensa de si mesmo, encorajando-o a sentir-se numa realidade concreta e a procurar identificar as suas experi&ecirc;ncias na intera&ccedil;&atilde;o com os que o rodeiam. O desenvolvimento da TR &eacute; considerado particularmente otimizado quando utilizado em sess&otilde;es de grupo (Farmer, 2005), uma vez que a intera&ccedil;&atilde;o positiva entre os v&aacute;rios participantes pode aumentar, entre outros fatores, a motiva&ccedil;&atilde;o e o sentido de perten&ccedil;a.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Em Portugal, a pr&aacute;tica da TR com pessoas idosas tem vindo a suscitar algum interesse cient&iacute;fico (Teixeira, 2009), principalmente devido ao facto das suas potencialidades n&atilde;o terem sido, ainda, exploradas com profundidade. Do ponto de vista emp&iacute;rico, embora os seus pressupostos sejam comummente integrados em atividades desenvolvidas por v&aacute;rios profissionais da sa&uacute;de e do social junto da popula&ccedil;&atilde;o idosa, esta pr&aacute;tica n&atilde;o &eacute; formalmente aplicada como TR, talvez por a sua efic&aacute;cia n&atilde;o ter sido ainda testada ou por n&atilde;o se reconhecer os princ&iacute;pios te&oacute;ricos e t&eacute;cnicos da sua operacionaliza&ccedil;&atilde;o. Reconhece-se, no entanto, o seu potencial sobretudo no &acirc;mbito da enfermagem gerontol&oacute;gica que, a par da presta&ccedil;&atilde;o de cuidados, da promo&ccedil;&atilde;o do autocuidado e da preven&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as, visa uma boa integra&ccedil;&atilde;o do idoso no seu meio, designadamente no institucional.</P>     <P>O presente estudo consiste na aplica&ccedil;&atilde;o de um programa de interven&ccedil;&atilde;o psicossocial sustentado nos pressupostos da Terapia de Remotiva&ccedil;&atilde;o. Tem como objetivo principal avaliar a sua efic&aacute;cia num grupo de idosos institucionalizados. Para isso foram analisados o &acirc;nimo (entendido como a coragem e/ou for&ccedil;a moral para enfrentar dificuldades e obst&aacute;culos), a sintomatologia depressiva e a evolu&ccedil;&atilde;o comportamental dos participantes ao longo das sess&otilde;es. Neste sentido, este estudo tem como objetivos espec&iacute;ficos: verificar se existem diferen&ccedil;as de sintomatologia depressiva e &acirc;nimo no grupo que frequentou o ProTR, entre os momentos de pr&eacute; e p&oacute;s-interven&ccedil;&atilde;o; comparar as mesmas medidas entre este grupo e o grupo de controlo; e analisar a evolu&ccedil;&atilde;o do comportamento do grupo experimental ao longo das sess&otilde;es do ProTR a n&iacute;vel de interesse, participa&ccedil;&atilde;o, pensamento, intera&ccedil;&atilde;o com o grupo e satisfa&ccedil;&atilde;o.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>Metodologia</b></P>     <P><b>Descri&ccedil;&atilde;o do programa de interven&ccedil;&atilde;o</b></P>     <P>O Programa de Terapia de Remotiva&ccedil;&atilde;o (ProTR) &eacute; uma interven&ccedil;&atilde;o psicossocial de dez sess&otilde;es, estruturada e realizada em grupo. O ProTR foi criado de raiz pelos autores deste estudo, com base numa revis&atilde;o da literatura (Dyer e Stotts, 2005) e na consulta de profissionais especializados na sua implementa&ccedil;&atilde;o junto da popula&ccedil;&atilde;o idosa. Os seus objetivos primordiais s&atilde;o a promo&ccedil;&atilde;o da socializa&ccedil;&atilde;o e da autoestima, a autovaloriza&ccedil;&atilde;o do sujeito, a motiva&ccedil;&atilde;o dos participantes para pensar acerca da realidade em rela&ccedil;&atilde;o a si pr&oacute;prios e, finalmente, a estimula&ccedil;&atilde;o das capacidades funcionais, atrav&eacute;s da valoriza&ccedil;&atilde;o das aptid&otilde;es do indiv&iacute;duo, ainda intactas. O programa desenvolveu-se em 3 etapas fundamentais: per&iacute;odo de apresenta&ccedil;&atilde;o entre os remotivadores, os utentes selecionados a participar no programa e os t&eacute;cnicos da institui&ccedil;&atilde;o; com esta fase pretendeu-se, fundamentalmente, conhecer os interesses e caracter&iacute;sticas dos elementos do grupo experimental; (ii) Planeamento das sess&otilde;es. As sess&otilde;es foram planeadas e organizadas segundo os pressupostos da Terapia de Remotiva&ccedil;&atilde;o (Herlihy-Chevalier, 2005), pelo que os temas das mesmas tiveram em conta a informa&ccedil;&atilde;o recolhida na fase precedente (informa&ccedil;&atilde;o sociodemogr&aacute;fica, datas festivas mais pr&oacute;ximas da &aacute;rea geogr&aacute;fica em que se insere a institui&ccedil;&atilde;o, gostos e  interesses expressos pelos utentes e informa&ccedil;&atilde;o cedida pelos t&eacute;cnicos da institui&ccedil;&atilde;o sobre os mesmos), de modo a que as tem&aacute;ticas selecionadas se adequassem aos participantes. Os dias das sess&otilde;es foram escolhidos tendo em considera&ccedil;&atilde;o o funcionamento da institui&ccedil;&atilde;o e as atividades nela desenvolvidas; (iii) Implementa&ccedil;&atilde;o do programa. Foram desenvolvidas dez sess&otilde;es bissemanais. As sess&otilde;es tiveram a dura&ccedil;&atilde;o de 45 minutos e foram orientadas alternadamente por 3 remotivadores, autores do presente estudo e com forma&ccedil;&atilde;o de base em Gerontologia (ver Tabela 1). Em todas as sess&otilde;es esteve presente um representante da institui&ccedil;&atilde;o. A disposi&ccedil;&atilde;o dos participantes na sala foi “em U”. As sess&otilde;es 1, 5 e 10 foram filmadas com o objetivo de analisar a evolu&ccedil;&atilde;o dos participantes ao longo da implementa&ccedil;&atilde;o do programa. Em paralelo, foi criado um manual da Terapia de Remotiva&ccedil;&atilde;o, que tem por base os fundamentos da TR, e no qual se apresenta de forma estruturada o ProTR.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><b><a href="#t1">TABELA 1</a><a name="topt1"></a></b> – Organiza&ccedil;&atilde;o das sess&otilde;es do ProTR</P>     <p> <img src="/img/revistas/ref/vserIIIn5/IIIn5a11t1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><b>Procedimentos</b></P>     <P>De forma a explorar os poss&iacute;veis efeitos do programa de terapia da remotiva&ccedil;&atilde;o, analisaram-se os resultados obtidos em medidas de sintomatologia depressiva, &acirc;nimo e participa&ccedil;&atilde;o no grupo que beneficiou da interven&ccedil;&atilde;o (ProTR), os quais foram comparados aos obtidos num grupo de idosos da mesma institui&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o participou nas sess&otilde;es. Ambos os grupos foram avaliados em tr&ecirc;s momentos distintos, utilizando-se medidas de pr&eacute;-teste, de p&oacute;s-teste e de <i>follow-up</i>.</P>     <P>A amostra foi contactada pela primeira vez em janeiro de 2008 e, de seguida, procedeu-se &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o do protocolo de avalia&ccedil;&atilde;o (pr&eacute;-teste) e posterior reparti&ccedil;&atilde;o da amostra em grupos. Entre fevereiro e mar&ccedil;o foi implementado o ProTR. Passados quatro dias da &uacute;ltima sess&atilde;o, foi aplicado o protocolo de avalia&ccedil;&atilde;o (p&oacute;s-teste) e, passado um m&ecirc;s, o mesmo procedimento foi realizado (<i>follow up</i>) a ambos os grupos.</P>     <P>Para cumprimento dos requisitos &eacute;ticos, apresentou-se uma carta de explica&ccedil;&atilde;o do estudo obteve-se consentimento informado de cada um dos participantes, tendo-se salvaguardado, aos mesmos, que tinham o direito de se retirar a qualquer momento da investiga&ccedil;&atilde;o, sem ter que justificar a sua retirada. Uma vez que esta investiga&ccedil;&atilde;o inclui a recolha de dados em formato audiovisual, cada um dos participantes do grupo experimental preencheu adicionalmente um Formul&aacute;rio de Consentimento de Grava&ccedil;&atilde;o V&iacute;deo.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>Vari&aacute;veis estudadas e instrumentos de avalia&ccedil;&atilde;o</b></P>     <P>Neste estudo, a vari&aacute;vel independente &eacute; o ProTR, pois &eacute; o fator que se pretende que provoque altera&ccedil;&otilde;es no &acirc;nimo, sintomatologia depressiva e evolu&ccedil;&atilde;o do comportamento dos participantes nas sess&otilde;es - vari&aacute;veis dependentes. Foram selecionadas algumas vari&aacute;veis sociodemogr&aacute;ficas consideradas relevantes para a caracteriza&ccedil;&atilde;o da amostra (idade, sexo, estado civil, profiss&atilde;o e n&iacute;vel de escolaridade) e foi criado um Protocolo de Avalia&ccedil;&atilde;o utilizado nos momentos pr&eacute;, p&oacute;s-teste e <i>follow-up</i>. Este protocolo &eacute; constitu&iacute;do por tr&ecirc;s instrumentos:</P>     <P><b>Escala de &Acirc;nimo: &laquo;Philadelphia Geriatric Centre Morale Scale&raquo; (Lawton, 1975)</b></P>     <P>Esta escala, constru&iacute;da especificamente para a popula&ccedil;&atilde;o idosa, avalia tr&ecirc;s aspetos do bem-estar psicol&oacute;gico: solid&atilde;o/insatisfa&ccedil;&atilde;o (avalia&ccedil;&atilde;o subjetiva do ambiente e do apoio das redes sociais), atitudes face ao pr&oacute;prio envelhecimento (assumindo-se como o resultado de um balan&ccedil;o entre a vida passada e a presente) e agita&ccedil;&atilde;o (manifesta&ccedil;&otilde;es comportamentais de ansiedade). &Eacute; constitu&iacute;da por 14 itens (e.g. “As pequenas coisas incomodam-me mais este ano”; “As coisas pioram conforme envelhe&ccedil;o”), de chave dicot&oacute;mica. O score varia entre 0-14, em que valores elevados indicam elevado &acirc;nimo. Esta escala encontra-se traduzida e aferida para a popula&ccedil;&atilde;o portuguesa por Pa&uacute;l (1992).</P>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><b>Escala de Depress&atilde;o Geri&aacute;trica (GDS)(Yesavage et al., 1983)</b></P>     <P>&Eacute; um question&aacute;rio de despiste, criado especificamente para a popula&ccedil;&atilde;o idosa, para avaliar o risco de depress&atilde;o. &Eacute; de breve e f&aacute;cil aplica&ccedil;&atilde;o, podendo ser auto ou heteropreenchido. A vers&atilde;o utilizada foi a reduzida, constando de 15 itens (e.g. “Acha que &eacute; bom estar vivo?”; “Acha que a sua situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o tem rem&eacute;dio?”), com chave dicot&oacute;mica. O score varia entre 0-15, em que valores elevados indicam mais sintomas de depress&atilde;o. Esta escala encontra-se traduzida e aferida para a popula&ccedil;&atilde;o portuguesa, pelo Grupo de Estudos de Envelhecimento Cerebral e Dem&ecirc;ncia (Barreto <i>et al</i>., 2003).</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>Escala de Avalia&ccedil;&atilde;o do Comportamento na Remotiva&ccedil;&atilde;o (EACR)</b></P>     <P>De forma a avaliar os progressos do grupo experimental ao longo da implementa&ccedil;&atilde;o do ProTR, foi desenvolvido um instrumento simples e de remotivadores. Para a sua elabora&ccedil;&atilde;o, teve-se em conta o instrumento “Evaluaci&oacute;n Inicial de la Remotivaci&oacute;n” e “Informe Sobre los Progresos en la Remotivaci&oacute;n” (Robinson, 1969). O EACR integra os progressos em v&aacute;rias dimens&otilde;es, cada uma delas operacionalizada em comportamentos concretos: (i) interesse (e.g. olhar, postura e express&atilde;o facial); (ii) participa&ccedil;&atilde;o (e.g. verbaliza&ccedil;&atilde;o de ideias, opini&otilde;es e experi&ecirc;ncias); (iii) pensamento (e.g. pensar e falar de uma realidade externa a si); (iv) intera&ccedil;&atilde;o com o grupo (e.g. comunicar, ouvir e respeitar os outros elementos); (v) satisfa&ccedil;&atilde;o (e.g. agrado com o decurso da sess&atilde;o). Trata-se de uma escala num&eacute;rica, com amplitude de 1 a 7, em que 1 significa “Pouqu&iacute;ssimo…” e o 7 “Muit&iacute;ssimo…” (e.g. Pouqu&iacute;ssimo interesse; Muit&iacute;ssimo interesse). Esta escala n&atilde;o se encontra validada para a popula&ccedil;&atilde;o do estudo.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>Caracter&iacute;sticas sociodemogr&aacute;ficas da amostra</b></P>     <P>A amostra deste estudo foi selecionada a partir dos 41 utentes de uma IPSS localizada em meio rural. Destes selecionaram-se 14 utentes que foram divididos em dois grupos de 7 elementos cada. A sele&ccedil;&atilde;o da amostra contou com a colabora&ccedil;&atilde;o da psic&oacute;loga da institui&ccedil;&atilde;o e teve por base os seguintes crit&eacute;rios de sele&ccedil;&atilde;o: i) estabilidade m&eacute;dica, ii) capacidade de comunica&ccedil;&atilde;o verbal, iii) predisposi&ccedil;&atilde;o para participar nas sess&otilde;es, e iv) capacidade atencional. De forma a homogeneizar ambos os grupos, a divis&atilde;o da amostra foi realizada tendo em conta o sexo dos sujeitos. O grupo que beneficiou da interven&ccedil;&atilde;o &eacute; composto por 7 sujeitos, 2 do sexo masculino e 5 do feminino, sendo a m&eacute;dia de idades de 84,43 anos (6,58). No grupo de controlo, encontram-se 7 sujeitos, 1 do sexo masculino e 6 do feminino, sendo a m&eacute;dia de idades de 81,29 anos (8,20).</P> </b></P>     <P><b>Treino e concord&acirc;ncia inter ju&iacute;zes</b></P>     <P>Com vista a avaliar a evolu&ccedil;&atilde;o do comportamento do grupo experimental ao longo das sess&otilde;es do ProTR, as sess&otilde;es 1, 5 e 10 foram gravadas em suporte audiovisual para posterior observa&ccedil;&atilde;o e codifica&ccedil;&atilde;o da EACR, por quatro ju&iacute;zes. Para que os dados resultantes desta observa&ccedil;&atilde;o tenham rigor cient&iacute;fico foi necess&aacute;rio garantir a sua fidelidade, avaliada atrav&eacute;s do Teste de Kendall W, que mede o grau de concord&acirc;ncia inter ju&iacute;zes – grau de concord&acirc;ncia entre dois ou mais ju&iacute;zes relativamente &agrave; ocorr&ecirc;ncia, dura&ccedil;&atilde;o ou cota&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de escalas de avalia&ccedil;&atilde;o de um comportamento (Martins e Machado, 2006). Para aumentar a probabilidade de se obter uma boa  concord&acirc;ncia inter-ju&iacute;zes foram tidos dois cuidados pr&eacute;vios. O primeiro teve lugar durante a conce&ccedil;&atilde;o da EACR, pois procurou-se definir e descrever os comportamentos a observar com crit&eacute;rios exatos e objetivos. O segundo prendeu-se com o treino dos quatros ju&iacute;zes envolvidos na observa&ccedil;&atilde;o, treino este que decorreu antes da fase de cota&ccedil;&atilde;o do ProTR. Este treino constou da visualiza&ccedil;&atilde;o de uma sess&atilde;o de TR, de um grupo diferente e cota&ccedil;&atilde;o da EACR, com posterior discuss&atilde;o de resultados. Para a avalia&ccedil;&atilde;o da evolu&ccedil;&atilde;o do comportamento dos elementos do grupo ao longo das sess&otilde;es, foram considerados os dados com concord&acirc;ncia inter ju&iacute;zes igual ou superior a 75%.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <P><b>Resultados</b></P>     <P>Para todas as an&aacute;lises efetuadas, e que se passam a apresentar, considerou-se o valor a=0.05 como n&iacute;vel de signific&acirc;ncia. Na avalia&ccedil;&atilde;o das diferen&ccedil;as pr&eacute;, p&oacute;s-teste e <i>follow-up</i> utilizou-se o teste n&atilde;o param&eacute;trico para amostras emparelhadas – Teste de Friedman. Os resultados n&atilde;o demonstram diferen&ccedil;as estatisticamente significativas, apesar de se ter verificado uma descida, no momento p&oacute;s-teste, e um aumento, no <i>follow-up</i>, no &acirc;nimo; e, para a sintomatologia depressiva, um decr&eacute;scimo do pr&eacute;-teste para o p&oacute;s-teste e aumento para o <i>follow-up</i>. (Tabela 2).</P>     <p>&nbsp;</p>     <P>TABELA 2 – Resultados do teste de Friedman para o &acirc;nimo e sintomas depressivos (N=7)</P>     <p> <img src="/img/revistas/ref/vserIIIn5/IIIn5a11t2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <P>No que se refere &agrave; compara&ccedil;&atilde;o entre os dois grupos considerados, e utilizando-se o teste estat&iacute;stico n&atilde;o param&eacute;trico U de Mann-Whitney (a=0,05), para amostras independentes, verificou-se que os resultados do teste, na sua generalidade, n&atilde;o revelaram diferen&ccedil;as significativas entre ambos os grupos no p&oacute;s-teste e <i>follow-up</i>. No entanto, o grupo que participou no programa registou menos sintomatologia depressiva ap&oacute;s a interven&ccedil;&atilde;o, bem como melhores resultados na vari&aacute;vel &acirc;nimo no momento de <i>follow-up</i> (Tabela 3).</P>     <p>&nbsp;</p>     <P>TABELA 3 – Resultados do teste U de Mann-Whitney p&oacute;s-teste e <i>follow-up</i> (N=14)</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <img src="/img/revistas/ref/vserIIIn5/IIIn5a11t3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <P>Para analisar a evolu&ccedil;&atilde;o do comportamento do grupo experimental ao longo das sess&otilde;es do ProTR, foram realizados dois passos. Inicialmente, utilizou-se o Teste de Kendall W (a>=0,05) para avaliar a concord&acirc;ncia inter ju&iacute;zes das sess&otilde;es 1, 5 e 10, para as componentes interesse, participa&ccedil;&atilde;o, pensamento, intera&ccedil;&atilde;o com o grupo e satisfa&ccedil;&atilde;o, que constam na EACR. Posteriormente, realizou-se uma an&aacute;lise estat&iacute;stica descritiva para a cota&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia dada pelos quatro ju&iacute;zes na EACR a cada um dos participantes para as componentes cuja concord&acirc;ncia inter ju&iacute;zes se revelou superior a 0.75. S&atilde;o estas, o interesse e a satisfa&ccedil;&atilde;o, ambas com uma concord&acirc;ncia de 0.897.</P>     <P>Analisando a Figura 1, verifica-se uma melhoria do comportamento da sess&atilde;o 1 &agrave; sess&atilde;o 5, registando-se um ligeiro decr&eacute;scimo para estas duas componentes, da sess&atilde;o 5 para a sess&atilde;o 10. &Eacute; de notar que este decr&eacute;scimo n&atilde;o atinge o ponto de partida (cota&ccedil;&atilde;o atribu&iacute;da na sess&atilde;o 1). Verifica-se ainda uma variabilidade consider&aacute;vel do comportamento dos participantes ao longo das sess&otilde;es.</P>     <p>&nbsp;</p> <img src="/img/revistas/ref/vserIIIn5/IIIn5a11f1.jpg">     
<p>     <P>FIGURA 1 – Evolu&ccedil;&atilde;o dos participantes nas sess&otilde;es 1, 5 e 10 do ProTR, para as componentes “Interesse” e “Satisfa&ccedil;&atilde;o”.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>Discuss&atilde;o</b></P>     <P>A an&aacute;lise descritiva dos dados obtidos neste estudo explorat&oacute;rio sugere uma discreta melhoria do &acirc;nimo no <i>follow-up</i> e uma ligeira diminui&ccedil;&atilde;o da sintomatologia depressiva nos momentos p&oacute;s-teste e <i>follow-up</i>. No entanto, os resultados no sentido positivo da Escala de &Acirc;nimo, ao circunscrever-se ao <i>follow-up</i>, revelaram uma diminui&ccedil;&atilde;o no momento p&oacute;s-teste, o que parece ir ao encontro dos resultados encontrados noutros estudos, designadamente por Dennis (1992). Quando este realizou um programa de TR a um grupo de pacientes com baixo &acirc;nimo e reduzida satisfa&ccedil;&atilde;o com a vida, verificou que a remotiva&ccedil;&atilde;o levou a uma diminui&ccedil;&atilde;o do &acirc;nimo. Relativamente &agrave; GDS, os resultados apontam uma ligeira redu&ccedil;&atilde;o da sintomatologia depressiva no momento p&oacute;s-teste, corroborando resultados obtidos por Cummimgs (2003), em que ap&oacute;s a interven&ccedil;&atilde;o da TR com residentes em lar com depress&atilde;o, estes apresentaram uma melhoria do seu estado.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>No que diz respeito &agrave;s diferen&ccedil;as entre o grupo que participou no ProTR e o grupo que n&atilde;o obteve qualquer interven&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o s&atilde;o significativas, tal como foi verificado por Beard, Matts e Byrd (1992), ao aplicarem um programa semanal de 9 sess&otilde;es de TR num grupo experimental e ao compararem os efeitos com um grupo de controlo. Registou-se menor n&iacute;vel de sintomatologia depressiva no grupo que participou nas sess&otilde;es, ap&oacute;s a interven&ccedil;&atilde;o, relativamente ao grupo de controlo, tal como foi descrito por Koy <i>et al</i>.(1994), ao desenvolverem um programa de 8 sess&otilde;es semanais de TR junto de idosos com dem&ecirc;ncia. Quanto &agrave; vari&aacute;vel &acirc;nimo, o grupo com interven&ccedil;&atilde;o registou melhores resultados que o de controlo no <i>follow-up</i>, o que &eacute; sugerido por Arje (1992), ao aplicar um programa bissemanal de TR a um grupo de idosos residentes em lar.</P>     <P>No presente estudo, a curta dura&ccedil;&atilde;o do programa pode ter limitado a melhoria do &acirc;nimo e sintomatologia depressiva. Por outro lado, a escolha destas duas vari&aacute;veis, e respetivos instrumentos de avalia&ccedil;&atilde;o poder&aacute; ter contribu&iacute;do para os resultados obtidos por avaliarem dimens&otilde;es psicol&oacute;gicas. Sendo este, um programa de interven&ccedil;&atilde;o psicossocial, a sua avalia&ccedil;&atilde;o, poderia incidir mais profundamente na abordagem de dimens&otilde;es sociais. Apesar dos autores dos estudos acima referidos terem desenvolvido a TR em grupos de pequena dimens&atilde;o (6 a 10 elementos), talvez uma amostra de maior dimens&atilde;o pudesse dar mais signific&acirc;ncia aos resultados aqui encontrados.</P>     <P>Quanto &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o do comportamento dos participantes no decorrer das sess&otilde;es do ProTR, nas componentes analisadas (aquelas que tiveram uma concord&acirc;ncia superior a 75% no teste de Kendall W, nomeadamente o “interesse” e a “satisfa&ccedil;&atilde;o”), a maioria dos participantes apresenta uma evolu&ccedil;&atilde;o positiva ao longo das sess&otilde;es. A melhoria &eacute; mais significativa da sess&atilde;o 1 &agrave; sess&atilde;o 5, registando-se um ligeiro decr&eacute;scimo no comportamento, para estas duas componentes, da sess&atilde;o 5 para a sess&atilde;o 10. Aqui, algumas considera&ccedil;&otilde;es devem ser tecidas em rela&ccedil;&atilde;o quer ao programa quer ao instrumento de avalia&ccedil;&atilde;o utilizado. Primeiro, imp&otilde;e-se reiterar a ideia de que o ProTR foi implementado por tr&ecirc;s remotivadores diferentes, o que pode ter contribu&iacute;do para que os participantes n&atilde;o se tenham envolvido de igual modo nas v&aacute;rias sess&otilde;es, comprometendo, assim, uma evolu&ccedil;&atilde;o significativa e positiva dos comportamentos analisados. Segundo, importa destacar o facto de se ter procurado adequar os temas das sess&otilde;es &agrave;s datas comemorativas do momento da implementa&ccedil;&atilde;o do ProTR, o que fez com que a organiza&ccedil;&atilde;o das sess&otilde;es inclu&iacute;sse temas mais generalistas e menos emotivos entre a 1&ordf; e 5&ordf; sess&atilde;o, e temas mais pessoais e emotivos da 5&ordf; &agrave; 10&ordf; sess&atilde;o (cf. <a href="#topt1">Tabela 1</a><a name="t1"></a>). Terceiro, atendendo &agrave; variabilidade do comportamento dos participantes ao longo das sess&otilde;es, verificou-se que aqueles que maior evolu&ccedil;&atilde;o demonstraram, foram os sujeitos com maior n&iacute;vel de escolaridade, o que parece sugerir que esta vari&aacute;vel influencia o comportamento dos sujeitos nas sess&otilde;es. &Eacute;, ainda, de real&ccedil;ar a dura&ccedil;&atilde;o do programa, que poder&aacute; ser insuficiente para provocar evolu&ccedil;&atilde;o comportamental nos participantes, acrescendo o facto de a evolu&ccedil;&atilde;o ser apenas analisada segundo o “interesse” e a “satisfa&ccedil;&atilde;o”, o que decorre da baixa concord&acirc;ncia inter ju&iacute;zes nas outras componentes (participa&ccedil;&atilde;o, pensamento, intera&ccedil;&atilde;o com o grupo). Isto poder-se-&aacute; dever &agrave; dificuldade em definir e objetivar os constructos destas componentes da EACR (interesse, participa&ccedil;&atilde;o, pensamento, intera&ccedil;&atilde;o com o grupo e satisfa&ccedil;&atilde;o), o que pode ter contribu&iacute;do para a diferente leitura da observa&ccedil;&atilde;o dos comportamentos pelos ju&iacute;zes. Apesar de ter havido uma sess&atilde;o de treino pr&eacute;vio de ju&iacute;zes, pensa-se que esta poder&aacute; n&atilde;o ter sido suficiente para alcan&ccedil;ar os n&iacute;veis de concord&acirc;ncia desejados podendo, por isso, ser necess&aacute;rio mais treino de observa&ccedil;&atilde;o e cota&ccedil;&atilde;o, em investiga&ccedil;&otilde;es futuras. Finalmente, considera-se importante ressalvar que a an&aacute;lise de todos os resultados aqui descritos e discutidos deve ser entendida &agrave; luz do n&uacute;mero reduzido na amostra deste estudo, facto que invalida um aprofundamento e uma generaliza&ccedil;&atilde;o dos benef&iacute;cios do ProTR verificados neste grupo.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>Conclus&atilde;o</b></P>     <P>Os dados encontrados, n&atilde;o sendo significativos, revelam benef&iacute;cios para estes participantes ao n&iacute;vel da eleva&ccedil;&atilde;o do &acirc;nimo e diminui&ccedil;&atilde;o da sintomatologia depressiva. A sua an&aacute;lise deve ser balizada pela escolha dos instrumentos de avalia&ccedil;&atilde;o, o que constitui um sinal de aviso para a possibilidade de reestruturar o ProTR ao n&iacute;vel de aspetos de planeamento do programa, tais como a inclus&atilde;o de vari&aacute;veis mais sociais e menos psicol&oacute;gicas. Tamb&eacute;m o n&uacute;mero reduzido de sujeitos da amostra pode ter contribu&iacute;do para uma limita&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel dos resultados encontrados e coloca problemas a n&iacute;vel da generaliza&ccedil;&atilde;o dos resultados.</P>     <P>Os benef&iacute;cios encontrados neste estudo piloto justificam o futuro desenvolvimento e avalia&ccedil;&atilde;o deste programa com as devidas reformula&ccedil;&otilde;es metodol&oacute;gicas, nomeadamente atrav&eacute;s de testes de hip&oacute;teses relativas aos efeitos do programa. Salienta-se para a enfermagem gerontol&oacute;gica que a utiliza&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios da Terapia de Remotiva&ccedil;&atilde;o poder&aacute; promover um cuidado ainda mais integral e humanizado, indo ao encontro da excel&ecirc;ncia nos cuidados centrados na pessoa, preconizada por esta profiss&atilde;o.</P>     <P>De um modo geral, espera-se que este estudo contribua para encorajar mais esfor&ccedil;os de investiga&ccedil;&atilde;o sobre a TR junto de idosos institucionalizados de modo que se possam desenvolver atividades terap&ecirc;uticas, cientificamente validadas, de aumento de autoestima, perten&ccedil;a e bem-estar geral t&atilde;o fundamentais &agrave; viv&ecirc;ncia da popula&ccedil;&atilde;o idosa num contexto institucional.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>ARJE, F. (1992) - Project SHARE: reactions of residents of a home for the aged to a selected remotivation technique. Dissertation. Abstracts of the National Remotivation Therapy Organization.</P>     <P>BARRETO, J. [et al.] (2003) - Escala de depress&atilde;o geri&aacute;trica.Lisboa : Grupo de Estudos de Envelhecimento Cerebral e Dem&ecirc;ncias.</P>     <P>BEARD, M. ; MATTS, F. ; BYRD, D. (1992) - Effects of sensory stimulation and remotivation on schizophrenic persons. Journal of Psychiatric Nursing and Mental Health Services. Vol. 10, n&ordm; 2, p. 5-8.</P>     <P>CUMMIMGS, S.(2003) – The efficacy of an integrated group treatment program for depressed assisted living residents. Research on Social Work Practice. Vol. 13, n&ordm; 5, p. 608-621.</P>     <P>DENNIS, H. (1992) – Remotivation therapy for the elderly: a surprising outcome. Journal of Gerontological Nursing.Vol. 2, n&ordm; 6, p. 28-30.</P>     <P>DYER, J. ; STOTTS, M. (2005) - Handbook of remotivation therapy. New York : The Haworth Press.</P>     <P>FARMER, N. (2005) – Beneficial blending of remotivation therapy and recreation/activity therapy. In DYER, J. ; STOTTS, M. - Handbook of remotivation therapy. New York : Haworth Press. p. 127-132.</P>     <P>HERLIHY-CHEVALIER, B. (2005) – What is remotivation therapy? In DYER, J. ; STOTTS, M. - Handbook of remotivation therapy. New York : Haworth Press. p. 13-17. </P>     <P>KOY, K. [et al.] (1994) - Dementia in elderly patients: can the 3R  mental stimulation program improve mental status. Age Ageing. Vol. 23, n&ordm; 3, p. 195-198.</P>     <P>LAWTON, M. (1975) – The Philadelphia Geriatric Center Morale Scale: a revision. Journal of Gerontology. Vol. 30,n&ordm; 1, p. 85-89.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>LOBO, A. ; PEREIRA, A. (2007) - Idoso institucionalizado: funcionalidade e aptid&atilde;o f&iacute;sica. Refer&ecirc;ncia. S&eacute;rie II,  n&ordm; 4, p. 61-68.</P>     <P>MARTINS, C. ; MACHADO, C. (2006) – Observa&ccedil;&atilde;o da intera&ccedil;&atilde;o humana: considera&ccedil;&otilde;es metodol&oacute;gicas. Psicologia: Teoria, Investiga&ccedil;&atilde;o e Pr&aacute;tica. N&ordm; 2, p. 159-176.</P>     <P>MEIXSELL, J. (2005) – Remotivation: the first fifty years. In DYER, J. ; STOTTS, M. - Handbook of remotivation therapy. New York : Haworth Press. p. 7-11.</P>     <P>NG, B. ; LO, P. ; CHAN, A. (2009) - Field trial of using remotivation therapy in adult psychiatry. Hong Kong Journal of Occupational Therapy. Vol. 19, n&ordm; 2, p. A11.</P>     <P>PA&Uacute;L, M. Constan&ccedil;a (1992) – Satisfa&ccedil;&atilde;o de vida em idosos. Psychologica. N&ordm; 8, p. 61-80.</P>     <P>POU, Sara (2004) - Aplicaci&oacute;n de un programa de estimulaci&oacute;n de memoria a enfermos de Alzheimer en fase leve. Barcelona : Faculdade de Psicologia da Universidade de Barcelona. Tese de Doutoramento</P>     <P>ROBINSON, A. (1969) – La t&eacute;cnica de remotivaci&oacute;n. In Enfermeria: recopilaci&oacute;n de trabajos. 3 ed. Washington : Organizacion Mundial de la Salud.</P>     <P>SIBERSKI, J. (2005) – Remotivation and Alzheimer’s disease. In DYER, J. ; STOTTS, M. - Handbook of Remotivation Therapy. New York : Haworth Press. p. 119-123.</P>     <P>TEIXEIRA, M. (2009) - Terapia de remotiva&ccedil;&atilde;o com idosos em contexto institucional: abordagem focalizada na pr&aacute;tica. In CONGRESSO LUSO-GALAICO GERONTOLOGIA, 2&ordm;.  P&oacute;voa de Lanhoso: Instituto Superior de Sa&uacute;de do Alto Ave.</P>     <P>YESAVAGE, J. [et al.] (1983) - Development and validation of a geriatric depression screening scale: a preliminary report. Journal of Psychiatric Research. Vol. 17, n&ordm; 1, p. 37-49.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <P>Recebido para publica&ccedil;&atilde;o em: 08.06.11</P>     <P>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em: 09.10.11</P>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body><back>
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<label>1</label><nlm-citation citation-type="">
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<surname><![CDATA[ARJE]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
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<source><![CDATA[Project SHARE: reactions of residents of a home for the aged to a selected remotivation technique]]></source>
<year>1992</year>
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<label>2</label><nlm-citation citation-type="book">
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<surname><![CDATA[BARRETO]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
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<source><![CDATA[Escala de depressão geriátrica]]></source>
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