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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Cuidar em Humanitude: estudo aplicado em cuidados continuados]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The first scientific study of the Gineste and Marescotti (MGM) Humanitude method of care was developed in Portugal by Simões, Rodrigues and Salgueiro (2011b). As a follow-up, this action research study involves a team of caregivers and a dependent elderly population hospitalized in a Continuing Care Unit (UCCI), with the aim of developing the skills of caregivers with regard to the application of GMM and assessing the evolution of physical, cognitive and emotional responses of care recipients, according to this method. The measurement instruments include two scales on perception of the value and applicability of MGM, already validated in the previous study, and a grid for systematic direct observation, validated in this study. The results of the initial diagnosis match those of the previous study, indicating a strong perception of the value and clinical application of the sequence of procedures, yet observational data revealed several discrepancies between intention and actual implementation. In this study, we describe, at some length, the course of the first stages of this project. The results of these first cycle actions guide the subsequent one, while following the methodology of Investigation Action Associated (IAA).]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[El primer estudio científico sobre el método de atención Humanitude de Gineste y Marescotti (MGM), se desarrolló en Portugal por Simões Rodrigues y Salgueiro, (2011b). De forma continua, este estudio de investigación-acción, implica a un equipo de médicos y a una población de adultos mayores dependientes hospitalizados en una Unidad de Atención Continuada (UCCI), con el objetivo de desarrollar las habilidades de los cuidadores en la aplicación del MGM, en contexto, y evaluar las respuestas físicas, cognitivas y emocionales de los usuarios según este método. Los instrumentos de medición incluyen dos escalas de percepción del valor y de la aplicabilidad de la MGM, utilizadas en un estudio anterior, y un cuadro de observación directa sistematizada, validada para este estudio. Los resultados del diagnóstico inicial son coincidentes con el estudio anterior, lo cual indica una alta percepción de valor y aplicación en la práctica clínica de la secuencia de los procedimientos, pese que, los datos de observación revelen discrepancias entre la percepción y la realización efectiva. En este artículo se describe, con cierto detalle, el recorrido de las primeras fases de este proyecto, cuyos resultados dan orientaciones hacia las siguientes etapas, que seguirá la metodología de la Investigación Acción Asociada (IAA).]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Cuidar em Humanitude: estudo aplicado em cuidados continuados </b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>M&aacute;rio Sim&otilde;es</b>* ; <b>N&iacute;dia Salgueiro</b>** ; <b>Manuel Rodrigues</b>***</p>     <p>* Enfermeiro Chefe, CHUC [<a href="mailto:simoes3m@gmail.com">simoes3m@gmail.com</a>]</p>     <p>** Enfermeira Professora Jubilada</p>     <p>*** Professor Coordenador Principal, ESEnfC [<a href="mailto:demar7@gmail.com">demar7@gmail.com</a>]</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resumo</b></p>     <p>O primeiro estudo cient&iacute;fico, sobre o m&eacute;todo de cuidados de <i>Humanitude</i> de Gineste e Marescotti (MGM), foi desenvolvido em Portugal por Sim&otilde;es, Rodrigues e Salgueiro (2011b). Em continuidade, este estudo de investiga&ccedil;&atilde;o a&ccedil;&atilde;o envolve uma equipa de cuidadores e uma popula&ccedil;&atilde;o de idosos dependentes internados, de uma Unidade de Cuidados Continuados Integrados (UCCI), com o objetivo de desenvolver as compet&ecirc;ncias dos cuidadores na aplica&ccedil;&atilde;o do MGM, em contexto, e avaliar as respostas f&iacute;sicas, cognitivas e emocionais dos doentes cuidados de acordo com esse m&eacute;todo. Os instrumentos de medida incluem as duas escalas de perce&ccedil;&atilde;o do valor e aplicabilidade do MGM, utilizadas no estudo anterior, e uma grelha de observa&ccedil;&atilde;o direta sistematizada, validada para este estudo. Os resultados de diagn&oacute;stico inicial s&atilde;o coincidentes com o estudo anterior, indicando uma perce&ccedil;&atilde;o elevada de valor e aplica&ccedil;&atilde;o na pr&aacute;tica cl&iacute;nica da sequ&ecirc;ncia de procedimentos, no entanto os dados observacionais revelaram grandes desvios entre perce&ccedil;&atilde;o e realiza&ccedil;&atilde;o efetiva. Neste artigo descreve-se, com algum pormenor, o percurso das primeiras etapas deste projeto, cujos resultados orientam para as etapas seguintes, seguindo a metodologia de investiga&ccedil;&atilde;o a&ccedil;&atilde;o associada (IAA).</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: <i>humanitude</i>; cuidados continuados; investiga&ccedil;&atilde;o</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Caring in Humanitude: study applied to a continuum of care</b></p>     <p><b>Abstract</b></p>     <p>The first scientific study of the Gineste and Marescotti (MGM) <i>Humanitude</i> method of care was developed in Portugal by Sim&otilde;es, Rodrigues and Salgueiro (2011b). As a follow-up, this action research study involves a team of caregivers and a dependent elderly population hospitalized in a Continuing Care Unit (UCCI), with the aim of developing the skills of caregivers with regard to the application of GMM and assessing the evolution of physical, cognitive and emotional responses of care recipients, according to this method. The measurement instruments include two scales on perception of the value and applicability of MGM, already validated in the previous study, and a grid for systematic direct observation, validated in this study. The results of the initial diagnosis match those of the previous study, indicating a strong perception of the value and clinical application of the sequence of procedures, yet observational data revealed several discrepancies between intention and actual implementation. In this study, we describe, at some length, the course of the first stages of this project. The results of these first cycle actions guide the subsequent one, while following the methodology of Investigation Action Associated (IAA).</p>     <p><b>Keywords</b>: <i>humanitude</i>; long-term care; research</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>El cuidado en Humanitude: estudio aplicado a un proceso continuo de atenci&oacute;n</b></p>     <p><b>Resumen</b></p>     <p>El primer estudio cient&iacute;fico sobre el m&eacute;todo de atenci&oacute;n <i>Humanitude</i> de Gineste y Marescotti (MGM), se desarroll&oacute; en Portugal por Sim&otilde;es Rodrigues y Salgueiro, (2011b). De forma continua, este estudio de investigaci&oacute;n-acci&oacute;n, implica a un equipo de m&eacute;dicos y a una poblaci&oacute;n de adultos mayores dependientes hospitalizados en una Unidad de Atenci&oacute;n Continuada (UCCI), con el objetivo de desarrollar las habilidades de los cuidadores en la aplicaci&oacute;n del MGM, en contexto, y evaluar las respuestas f&iacute;sicas, cognitivas y emocionales de los usuarios seg&uacute;n este m&eacute;todo. Los instrumentos de medici&oacute;n incluyen dos escalas de percepci&oacute;n del valor y de la aplicabilidad de la MGM, utilizadas en un estudio anterior, y un cuadro de observaci&oacute;n directa sistematizada, validada para este estudio. Los resultados del diagn&oacute;stico inicial son coincidentes con el estudio anterior, lo cual indica una alta percepci&oacute;n de valor y aplicaci&oacute;n en la pr&aacute;ctica cl&iacute;nica de la secuencia de los procedimientos, pese que, los datos de observaci&oacute;n revelen discrepancias entre la percepci&oacute;n y la realizaci&oacute;n efectiva. En este art&iacute;culo se describe, con cierto detalle, el recorrido de las primeras fases de este proyecto, cuyos resultados dan orientaciones hacia las siguientes etapas, que seguir&aacute; la metodolog&iacute;a de la Investigaci&oacute;n Acci&oacute;n Asociada (IAA).</p>     <p><b>Palabras clave</b>: <i>humanitude</i>; cuidados a largo plazo; investigaci&oacute;n</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>O desenvolvimento cont&iacute;nuo que o Homem tem imprimido &agrave; sua esp&eacute;cie, originou um enorme progresso no campo da sa&uacute;de, o aumento da esperan&ccedil;a de vida e o consequente envelhecimento demogr&aacute;fico, de grande express&atilde;o nos pa&iacute;ses desenvolvidos (Sequeira, 2007), que diminuiu a base da pir&acirc;mide de idades e engrossou o seu cume (Imagin&aacute;rio, 2004). Esta mudan&ccedil;a levantou um novo problema, o da velhice, normalmente associada &agrave; perda nas capacidades f&iacute;sicas e cognitivo-mn&eacute;sicas, &agrave; viv&ecirc;ncia de luto e de pensamentos de finitude, &agrave;s diversas patologias e respetivas complica&ccedil;&otilde;es, &agrave; preval&ecirc;ncia de doen&ccedil;as cr&oacute;nicas, em particular as dem&ecirc;ncias e &agrave; maior depend&ecirc;ncia nas atividades de vida di&aacute;ria com o respetivo impacto, quer ao n&iacute;vel da sa&uacute;de quer ao n&iacute;vel econ&oacute;mico e social (Costa, 2006; Sequeira, 2007). Tamb&eacute;m em Portugal as consequ&ecirc;ncias do envelhecimento a n&iacute;vel social e da sa&uacute;de s&atilde;o uma realidade crescente contando com uma resposta interdisciplinar na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI).</p>     <p>Em Fran&ccedil;a, a partir de uma  revolu&ccedil;&atilde;o de bom senso e de mais de 30 anos de trabalho de campo (Sicard, 2009), com observa&ccedil;&otilde;es, questionamentos, reflex&otilde;es, experimenta&ccedil;&otilde;es permanentes e v&aacute;rios estudos de investiga&ccedil;&atilde;o foi desenvolvido um m&eacute;todo de cuidados por Yves Gineste e Rosette Marescotti (MGM), tendo por base a filosofia da <i>humanitude</i>, tamb&eacute;m por eles concebida. O MGM tem dado provas de ser uma boa resposta a esta epidemia, atrav&eacute;s de cuidados onde o valor dignificante do gesto est&aacute; simultaneamente conjugado &agrave; t&eacute;cnica e ao calor humano (Phaneuf, 2007). Pois, conservar os padr&otilde;es de <i>humanitude</i> em pessoas dependentes e vulner&aacute;veis &eacute; inerente &agrave; natureza dos cuidados de enfermagem (Rappo, 2007) e &eacute; essencial &agrave; constru&ccedil;&atilde;o do humano (Sim&otilde;es, Rodrigues e Salgueiro, 2011a). O MGM tem revelado ganhos indesment&iacute;veis na recupera&ccedil;&atilde;o da qualidade de vida de doentes idosos acamados, com dem&ecirc;ncia e outras situa&ccedil;&otilde;es de fragilidade. Demonstrou tamb&eacute;m uma diminui&ccedil;&atilde;o acentuada dos epis&oacute;dios de Comportamentos Agressivos Perturbadores (CAP) que os autores denominam de Comportamentos de Agita&ccedil;&atilde;o Patol&oacute;gica (CAP), e quando ocorrem s&atilde;o menos intensos e menos duradoiros, bem como uma menor oposi&ccedil;&atilde;o aos cuidados. Estes ganhos em bem-estar e acalmia, proporcionam um ambiente de serenidade na realiza&ccedil;&atilde;o dos cuidados, que aliada a uma s&eacute;rie de t&eacute;cnicas de manuten&ccedil;&atilde;o, muito suaves, se reflete positivamente na sa&uacute;de dos cuidadores, na satisfa&ccedil;&atilde;o profissional e no sentimento de realiza&ccedil;&atilde;o profissional. Em consequ&ecirc;ncia, verifica-se uma baixa significativa da taxa de absentismo, por esgotamento profissional e les&otilde;es m&uacute;sculo-esquel&eacute;ticas, nas institui&ccedil;&otilde;es onde est&aacute; implantado o MGM.</p>     <p>O impacto social do MGM foi de tal modo importante  que rapidamente se expandiu em Fran&ccedil;a e a n&iacute;vel internacional, atrav&eacute;s de uma rede de Institutos Gineste-Marescotti (IGM). As interven&ccedil;&otilde;es formativas, em contexto de cuidados reais, obedecem a uma estrutura muito pr&oacute;xima da investiga&ccedil;&atilde;o a&ccedil;&atilde;o, abrangendo todos os intervenientes, diretos ou indiretos, nos cuidados, a come&ccedil;ar pelos dirigentes: diretor do estabelecimento, diretor cl&iacute;nico, enfermeiro diretor, enfermeiro chefe e outros. &Eacute; implantado no terreno um grupo de acompanhamento. Outro de referentes, que s&atilde;o recrutados pelo seu perfil para esta fun&ccedil;&atilde;o, de entre os que fizeram a forma&ccedil;&atilde;o <i>humanitude</i>. Recebem forma&ccedil;&atilde;o especial, forma&ccedil;&atilde;o de referentes, muito focada nas t&eacute;cnicas suaves de manuten&ccedil;&atilde;o, a fim de no terreno as implantarem e corrigirem t&eacute;cnicas inadequadas. O MGM est&aacute; protegido em Fran&ccedil;a e no estrangeiro com marca registada &#174, assim como os direitos de autor referentes aos conceitos de &laquo;<i>Toucher-tendresse</i>&#174; <i>Philosophie de l’humanitude</i>&#174; <i>Capture sensorielle</i>&#174; <i>Manutention relationnelle</i>&#174; <i>Mourir debout</i>&#174&raquo;. Do conhecimento destes trabalhos, atrav&eacute;s dos seus <i>sites</i>, decorreu o estudo realizado na Regi&atilde;o Centro, com o objetivo de determinar a import&acirc;ncia que os enfermeiros atribu&iacute;am aos procedimentos cuidativos inerentes ao MGM e a perce&ccedil;&atilde;o que tinham de os aplicar na sua pr&aacute;tica quotidiana (Sim&otilde;es, Rodrigues e Salgueiro, 2011b). Perante a necessidade de validar estes procedimentos decorreu o primeiro contacto do investigador com os autores, aos quais foi enviada uma vers&atilde;o das duas escalas (import&acirc;ncia e perce&ccedil;&atilde;o), numa sequ&ecirc;ncia estruturada de procedimentos cuidativos <i>humanitude</i> (SEPCH), que tiveram a amabilidade de analisar e devolver, com os ajustes que acharam pertinentes. Da rela&ccedil;&atilde;o estabelecida a partir destes contactos decorreu a vinda de Gineste a Portugal para confer&ecirc;ncias de divulga&ccedil;&atilde;o. Ainda a realiza&ccedil;&atilde;o de um est&aacute;gio do investigador e um dos orientadores, em Fran&ccedil;a, a convite dos autores do MGM. Do exposto, resultou a firme determina&ccedil;&atilde;o de introduzir o MGM no nosso pa&iacute;s, na &aacute;rea de cuidados a idosos em situa&ccedil;&atilde;o de grande fragilidade, dispondo-se dos instrumentos de colheita de dados e dos dispositivos pedag&oacute;gicos necess&aacute;rios &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o do projeto. Ap&oacute;s v&aacute;rios contactos falhados, encontr&aacute;mos uma unidade de cuidados continuados integrados, sita na cidade de Coimbra, com condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis para desenvolver este projeto, que nela foi realizado numa abordagem de Investiga&ccedil;&atilde;o A&ccedil;&atilde;o (IA). A abordagem de IA, sendo adequado a estudos deste tipo, n&atilde;o &eacute; muito utilizada, possivelmente pelas condicionantes do terreno e pelo horizonte temporal que exige. Justifica-se deixar informa&ccedil;&atilde;o que permita compreender esta abordagem, o modelo escolhido e o percurso metodol&oacute;gico efetuado. Neste artigo apresenta-se esse percurso, desde a ideia inicial at&eacute; ao diagn&oacute;stico da situa&ccedil;&atilde;o, isto &eacute;, as primeiras tr&ecirc;s etapas do processo, descrevendo-as com algum pormenor, nos seus objetivos, atividades e resultados. No final, estes resultados s&atilde;o interpretados/discutidos, terminando com as conclus&otilde;es, implica&ccedil;&otilde;es e as refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas. As etapas seguintes ser&atilde;o objeto de um outro artigo. Estas dizem respeito ao planeamento da interven&ccedil;&atilde;o formativa (forma&ccedil;&atilde;o pela a&ccedil;&atilde;o), realiza&ccedil;&atilde;o da mesma e o acompanhamento, resultados e avalia&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Metodologia</b></p>     <p>Optou-se por uma abordagem de IA. A express&atilde;o  <i>action research</i> deve-se a Kurt Lewin em 1948. Dizia que se queremos compreender um sistema devemos procurar mud&aacute;-lo. A hist&oacute;ria da IA revela a sua fun&ccedil;&atilde;o de mudan&ccedil;a e transforma&ccedil;&atilde;o institucional e social, utilizando uma estrat&eacute;gia de interven&ccedil;&atilde;o. Dolbec (2003) e muitos outros autores, retomando o tri&acirc;ngulo de Lewin, consideram a IA como um processo que emerge da tripla finalidade investiga&ccedil;&atilde;o/forma&ccedil;&atilde;o/a&ccedil;&atilde;o, de que resulta produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento, aprendizagem de todos os intervenientes e mudan&ccedil;a. Pode considerar-se semelhante &agrave; no&ccedil;&atilde;o atual de Investiga&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento (I&D). O modelo em espiral, o car&aacute;ter autoavaliativo e reflexivo, a dimens&atilde;o pr&aacute;tica e intervencionista e a implica&ccedil;&atilde;o transformativa dos participantes s&atilde;o algumas das caracter&iacute;sticas comuns a qualquer tipo de investiga&ccedil;&atilde;o na/pela a&ccedil;&atilde;o. Sendo intervencionista, um dos aspetos que a diferencia da investiga&ccedil;&atilde;o experimental &eacute; ser flex&iacute;vel, isto &eacute;, ajustar-se e progredir (Dolbec, 2003), evoluindo num contexto din&acirc;mico. De real&ccedil;ar o seu car&aacute;ter de irreversibilidade, pois &agrave; medida que a IA avan&ccedil;a os intervenientes adquirem conhecimentos que lhes permitem alargar os seus pontos de vista e modificar as suas pr&aacute;ticas. Portanto, as condi&ccedil;&otilde;es de realiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o constantes. Adverte-se que os resultados de uma IA est&atilde;o, de algum modo, imbu&iacute;dos da perce&ccedil;&atilde;o subjetiva dos intervenientes. Do exposto, deduz-se que &eacute; prudente considerar os resultados n&atilde;o generaliz&aacute;veis, mas transfer&iacute;veis. Um projeto de IA, pode resultar de um desejo de mudan&ccedil;a ou inova&ccedil;&atilde;o de uma institui&ccedil;&atilde;o ou de um grupo de atores, IA interna, ou de um grupo de investigadores que movido por um determinado interesse o prop&otilde;e a uma institui&ccedil;&atilde;o ou grupo de atores, IA associada (Liu, 1991), exigindo contratos negociados. Da&iacute;, o carisma de um processo democr&aacute;tico. Neste caso, utilizou-se IA, de tipo associada (IAA), congregando o interesse de um investigador externo &agrave; institui&ccedil;&atilde;o e a vontade de mudan&ccedil;a dos cuidadores de uma UCCI, com a aceita&ccedil;&atilde;o dos dirigentes, aos v&aacute;rios n&iacute;veis. No entanto, dado os interesses em presen&ccedil;a e o contexto da sua realiza&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o se anteviu a possibilidade de uma IA integral, em que todos os parceiros: investigador e seus orientadores, dirigentes da institui&ccedil;&atilde;o e atores participassem ativamente em todas as etapas do projeto, conforme a grelha de Morin e Landry (in Lavoie, Marquis e Laurin, 1996, p. 83). Havia, sim, o compromisso de di&aacute;logo permanente, de reflex&atilde;o conjunta sobre os resultados da informa&ccedil;&atilde;o colhida por question&aacute;rio e observa&ccedil;&atilde;o direta para o diagn&oacute;stico significante, e o contributo de todos os intervenientes na tomada de decis&atilde;o sobre os objetivos a atingir, as a&ccedil;&otilde;es a desenvolver, os contributos esperados aos v&aacute;rios n&iacute;veis e a reflex&atilde;o sobre os resultados obtidos. Enquadrar-se-ia na modalidade proposta por Liu (1991) de &laquo;Forma&ccedil;&atilde;o pela a&ccedil;&atilde;o&raquo;.</p>     <p>Adotou-se o modelo de Lavoie, Marquis e Laurin (1996), pela l&oacute;gica de aplica&ccedil;&atilde;o concreta e etapas sequenciais, embora imbricadas umas nas outras e interdependentes (figura 1). Al&eacute;m disso, o que se pretendia enquadrava-se nas seis propriedades cr&iacute;ticas referidas pelos autores: “ter por origem necessidades sociais reais; ser realizada em meio natural de vida; ter a contribui&ccedil;&atilde;o dos participantes aos v&aacute;rios n&iacute;veis; ser flex&iacute;vel; comunica&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica entre as pessoas implicadas; autoavaliar-se” (p. 36). Este modelo apresenta seis etapas: etapa pr&eacute;via; etapa 1- reflex&atilde;o inicial; etapa 2 – precis&atilde;o do problema e do seu contexto; etapa 3 – planifica&ccedil;&atilde;o da a&ccedil;&atilde;o; etapa 4 – a&ccedil;&atilde;o e observa&ccedil;&atilde;o; etapa 5 – avalia&ccedil;&atilde;o e tomada de decis&atilde;o. Cada uma destas etapas &eacute; organizada de acordo com a seguinte estrutura:</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/ref/vserIIIn6/IIIn6a08f1.jpg"></p>     
<p>Figura 1 – Estrutura das etapas de investiga&ccedil;&atilde;o a&ccedil;&atilde;o (Lavoie, Marquis e Laurin, 1996, p. 193)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Os objetivos a definir por investigadores e atores, ou pelo menos assumidos por todos, as tarefas, dizem respeito ao conjunto das diversas atividades ligadas &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o e &agrave; a&ccedil;&atilde;o, a realizar pelo investigador e atores, o produto &eacute; o resultado do que foi realizado em cada etapa, correspondendo &agrave; concretiza&ccedil;&atilde;o dos objetivos, e o mandato o que deve ser realizado at&eacute; ao fecho da etapa seguinte.</p>     <p>Apresentamos, a seguir, a descri&ccedil;&atilde;o do percurso metodol&oacute;gico efetuado, nas tr&ecirc;s primeiras etapas, com algum pormenor, visto que o &acirc;mbito de um artigo n&atilde;o permite uma descri&ccedil;&atilde;o exaustiva.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Etapa pr&eacute;via – ponto de partida </b></p>     <p>O percurso efetuado at&eacute; &agrave; firme decis&atilde;o de introduzirmos o MGM, assente na filosofia da <i>humanitude</i>, foi um longo caminhar de aquisi&ccedil;&otilde;es e amadurecimento. Partimos com ideias pouco definidas e conhecimentos pouco consistentes. A revis&atilde;o sistem&aacute;tica da literatura (Sim&otilde;es, Rodrigues e Salgueiro, 2008) revelou escassez de estudos cient&iacute;ficos. A n&iacute;vel nacional n&atilde;o existiam. &Eacute; certo que os autores do MGM ao longo de 30 anos de observa&ccedil;&otilde;es, para dar resposta &agrave;s suas interroga&ccedil;&otilde;es, realizaram diversos estudos que lhes permitiram transformar o conceito de <i>humanitude</i> de Albert Jacquard (1986) numa filosofia de cuidados e criarem o MGM, baseando as t&eacute;cnicas inerentes ao seu m&eacute;todo em princ&iacute;pios decorrentes da Gerontologia e da moderna Geriatria, das Neuroci&ecirc;ncias, da Psicomotricidade humana e outros, decorrentes da investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Esta informa&ccedil;&atilde;o, contida em v&aacute;rios documentos e dispon&iacute;vel nos seus <i>sites</i>, assim como no livro de Gineste e Pelissier (2008), traduzido em portugu&ecirc;s, permitiu-nos realizar o estudo (maio a outubro/2009), posteriormente publicado (Sim&otilde;es, Rodrigues e Salgueiro, 2011b), em que dos resultados se pode concluir que os enfermeiros da Regi&atilde;o Centro do pa&iacute;s atribuem grande import&acirc;ncia aos procedimentos cuidativos inerentes ao m&eacute;todo e t&ecirc;m a perce&ccedil;&atilde;o de os realizarem na sua pr&aacute;tica quotidiana. Estes resultados n&atilde;o nos surpreenderam, eram at&eacute; esperados. Eles demonstram que os procedimentos v&atilde;o ao encontro dos valores profissionais que os enfermeiros perfilham, que est&atilde;o inscritos numa l&oacute;gica pr&aacute;tica que lhes faz sentido. Longe de ficarmos tranquilos, estes resultados foram motivo de an&aacute;lise mais fina, detetando nos procedimentos menos contemplados marcas de tradi&ccedil;&otilde;es e de formata&ccedil;&otilde;es, levando o investigador a estar atento ao que se passava no seu pr&oacute;prio contexto de trabalho, a tomar as suas notas de campo que lhe mostravam uma realidade bem diferente. A ideia de introduzir o MGM na pr&aacute;tica e de faz&ecirc;-lo numa abordagem de IA ganhou consist&ecirc;ncia. A revis&atilde;o da literatura inerente &agrave; IA levou &agrave; escolha do modelo acima apresentado, evidentemente adaptado a esta situa&ccedil;&atilde;o concreta. E como j&aacute; mencionado seria uma IAA, n&atilde;o integral, enquadrada na categoria de &laquo;Forma&ccedil;&atilde;o pela a&ccedil;&atilde;o&raquo;, isto &eacute; a forma&ccedil;&atilde;o, relativa ao MGM, decorreria em contexto real de cuidados de <i>toilette</i>, tendo como alvo doentes idosos em situa&ccedil;&atilde;o de grande vulnerabilidade, com perdas cognitivo-mn&eacute;sicas na UCCI anteriormente identificada.</p>     <p>A nosso convite, Gineste realizou um <i>workshop</i> em Coimbra (17/04/2009), a fim de divulgar o m&eacute;todo e criar apet&ecirc;ncia para as mudan&ccedil;as de cultura institucional e de pr&aacute;ticas que este implica. Na sua estada, Gineste convidou-nos para fazermos forma&ccedil;&atilde;o em Fran&ccedil;a.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Etapa 1 – reflex&atilde;o inicial</b></p>     <p>O <i>workshop</i> de Yves Gineste em Coimbra e as reuni&otilde;es que com ele tivemos dissiparam-nos muitas d&uacute;vidas, fortificaram a vontade de introduzir o m&eacute;todo na UCCI, mas tamb&eacute;m nos permitiu tomar consci&ecirc;ncia do caminho que nos faltava percorrer para o p&ocirc;r em pr&aacute;tica. O investigador e um dos orientadores fizeram forma&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica com os autores, e uma semana de est&aacute;gio com uma das suas formadoras. Consideramos estas duas experi&ecirc;ncias formativas fulcrais tanto numa maior compreens&atilde;o do m&eacute;todo como na firme decis&atilde;o de o p&ocirc;r em pr&aacute;tica, ficando cientes que dever&iacute;amos incluir, pelo menos, dois grupos no projeto.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Objetivos gerais para esta etapa</b></p>     <p>Perceber a situa&ccedil;&atilde;o de partida; criar as condi&ccedil;&otilde;es burocr&aacute;ticas, de abertura, tomada de consci&ecirc;ncia e vontade de mudan&ccedil;a, a fim de que os intervenientes se envolvam seriamente no projeto e preparar a etapa seguinte. Elegemos como b&uacute;ssolas orientadoras as quest&otilde;es: Que condi&ccedil;&otilde;es org&acirc;nico-funcionais, de cultura institucional, recursos humanos e outras nos oferece esta UCCI para a realiza&ccedil;&atilde;o do projeto?; &Eacute; pertinente introduzir o MGM, face &agrave;s pessoas alvo dos cuidados?; Ser&aacute; que os enfermeiros se reveem na SEPCH, como os enfermeiros da Regi&atilde;o Centro?; O que nos fazem perceber as notas de campo em rela&ccedil;&atilde;o aos procedimentos pr&aacute;ticos face ao MGM? Estas quest&otilde;es permitiram levantar objetivos espec&iacute;ficos e determinar as atividades a realizar.</p>     <p>Encet&aacute;mos uma s&eacute;rie de contactos pessoais e formais com os dirigentes, Administrador, Diretor Cl&iacute;nico, Enf. Coordenador e outros a quem expusemos o nosso projeto, encontrando abertura e recetividade. Desde o primeiro momento o Enf. Coordenador constitui-se parceiro privilegiado, assumindo o papel de interlocutor entre as partes envolvidas e animador/mobilizador dos atores. Em ambiente de partilha, transmitimos-lhe os nossos saberes sobre o MGM e as suas potencialidades e recebemos as informa&ccedil;&otilde;es de que carec&iacute;amos. Discutimos o projeto de IAA. Para o diagn&oacute;stico da situa&ccedil;&atilde;o t&iacute;nhamos previsto colher dados por question&aacute;rio e observa&ccedil;&atilde;o direta, os resultados seriam postos &agrave; considera&ccedil;&atilde;o dos dirigentes e objeto de reflex&atilde;o com os atores, a fim de formularmos objetivos e estrat&eacute;gias em conjunto. Seguir-se-ia a interven&ccedil;&atilde;o formativa, de quatro dias de forma&ccedil;&atilde;o pela a&ccedil;&atilde;o, em contexto de cuidados real e um per&iacute;odo de acompanhamento do grupo que terminaria com a avalia&ccedil;&atilde;o e o relan&ccedil;amento da IAA num novo ciclo, caso os objetivos fossem s&oacute; parcialmente atingidos ou para objetivos mais amplos, se assim fosse entendido.</p>     <p>Esta UCCI tinha uma equipa multidisciplinar, constitu&iacute;da por profissionais, de v&aacute;rias &aacute;reas. A sua lota&ccedil;&atilde;o &eacute; de 100 camas, distribu&iacute;das pelas quatro val&ecirc;ncias de internamento (curta, m&eacute;dia e longa dura&ccedil;&atilde;o e Hospitel). Disp&otilde;e de um servi&ccedil;o de Fisioterapia, bem equipado, com piscina para hidrogin&aacute;stica, cujos servi&ccedil;os se destinam &agrave;s pessoas internadas e em regime externo. Constat&aacute;mos que possu&iacute;a 2 verticalizadores. O Hospitel &eacute; uma resid&ecirc;ncia protegida para idosos que necessitam de cuidados de sa&uacute;de devido a diversas patologias e a estados demenciais, alguns em estado avan&ccedil;ado de Alzheimer. As pessoas internadas no Hospitel preenchiam os requisitos da pessoa alvo de cuidados do estudo. A equipa de enfermagem era constitu&iacute;da por 16 enfermeiros em hor&aacute;rio normal e oito em hor&aacute;rios parciais. A de Assistentes Operacionais (AO) por 18 em hor&aacute;rio normal e 15 em hor&aacute;rios parciais.</p>     <p>Com o Enf. Coordenador, decidimos come&ccedil;ar por aplicar o question&aacute;rio do estudo anterior aos oito enfermeiros (02/12/2009), com v&iacute;nculo &agrave; unidade (inclu&iacute;dos no quadro de pessoal) e comparar os resultados com os obtidos a n&iacute;vel da Regi&atilde;o Centro (Sim&otilde;es, Rodrigues e Salgueiro, 2011b).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados e sua interpreta&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os resultados foram coincidentes, embora ligeiramente mais baixos. Apurou-se, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; import&acirc;ncia que estes enfermeiros atribuem aos procedimentos, um <i>score</i> global de 77%, com 78% na categoria aproxima&ccedil;&atilde;o sintonia e 76% na categoria consolida&ccedil;&atilde;o pr&oacute;-a&ccedil;&atilde;o. &Agrave; exce&ccedil;&atilde;o do item Evita come&ccedil;ar o procedimento pelo rosto (especialmente no banho), com 33%, todos os outros obtiveram <i>scores</i> acima de 62%. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; perce&ccedil;&atilde;o de os realizarem na sua pr&aacute;tica quotidiana apurou-se um <i>score</i> global de 69%, com um <i>score</i> de 70% na aproxima&ccedil;&atilde;o/sintonia e 67% na consolida&ccedil;&atilde;o/pr&oacute;-a&ccedil;&atilde;o. Os itens est&atilde;o iguais ou acima dos 50% exceto: Descreve pormenorizadamente os gestos que executam (46%); Fala &agrave; pessoa doente da experi&ecirc;ncia agrad&aacute;vel que foi prestar-lhe aquele cuidado (42%) e Evita come&ccedil;ar o procedimento pelo rosto (especialmente no banho) (33%). Graficamente os picos e as depress&otilde;es, que representam <i>scores</i> elevados, alguns muito elevados, e baixos coincidem nos dois estudos. De notar que o procedimento com <i>score</i> mais baixo, tanto na import&acirc;ncia atribu&iacute;da como na perce&ccedil;&atilde;o de o realizarem (33%), est&aacute; em conson&acirc;ncia com o estudo anterior. Este achado condiz com a t&eacute;cnica ainda hoje ensinada nas escolas superiores de Enfermagem, em que no banho &eacute; utilizada uma sequ&ecirc;ncia cefalo-caudal, apoiada no princ&iacute;pio do mais limpo para o mais sujo, come&ccedil;ando pela cara, que h&aacute; muito os estudos demonstraram ser falso, sendo a cara, as m&atilde;os e zonas &iacute;ntimas as mais sujas, diga-se que apresentam mais g&eacute;rmenes. Pelos resultados, podemos concluir que estes enfermeiros valorizavam e se reviam na grande maioria dos procedimentos cuidativos descritos e consideravam que os aplicavam na sua pr&aacute;tica quotidiana, voltando a demonstrar que os enfermeiros compreendem o sofrimento humano quando em intimidade, cuidam da pessoa dependente e vulner&aacute;vel, procurando promov&ecirc;-la &agrave; altura da dignidade humana (Vielva, 2002), numa rela&ccedil;&atilde;o de respeito e igualdade (Sim&otilde;es, 2005). Os procedimentos menos cotados, permitiram-nos perceber o peso das tradi&ccedil;&otilde;es. No entanto, as notas de observa&ccedil;&otilde;es ocasionais e da observa&ccedil;&atilde;o do investigador aquando da orienta&ccedil;&atilde;o de estudantes em est&aacute;gio, nesta pr&oacute;pria unidade, davam-nos uma outra vis&atilde;o, os cuidadores estavam longe de trabalhar de acordo com o MGM, faltava-lhes a t&eacute;cnica. Justificava-se colher dados, por observa&ccedil;&atilde;o direta, em contexto real, como t&iacute;nhamos planeado. O confronto dos resultados apurados pelos dois m&eacute;todos permitir-nos-ia um diagn&oacute;stico mais preciso e aos cuidadores tomarem consci&ecirc;ncia das suas formata&ccedil;&otilde;es, pela reflex&atilde;o destes resultados. A par da recetividade encontrada e da capacidade mobilizadora do Enf. Coordenador, antev&iacute;amos algumas dificuldades para as reuni&otilde;es de grupo, sobretudo para a interven&ccedil;&atilde;o formativa. Dado que uma parte dos enfermeiros trabalha em regime parcial (47,1%), exercendo a sua atividade noutros estabelecimentos de sa&uacute;de, ser&aacute; dif&iacute;cil fazer os acertos necess&aacute;rios a que estejam totalmente dispon&iacute;veis durante os quatro dias de interven&ccedil;&atilde;o formativa e nas reuni&otilde;es no decorrer do acompanhamento.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Grelha de observa&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>A constru&ccedil;&atilde;o do question&aacute;rio permitia-nos, agora, construir uma grelha de observa&ccedil;&atilde;o sistematizada. Esta grelha consta da descri&ccedil;&atilde;o da Sequ&ecirc;ncia Estruturada de Procedimentos Cuidativos de <i>Humanitude</i> (SEPCH). Esta sequ&ecirc;ncia de procedimentos assenta nas etapas propostas pelos autores, preliminares/captura sensorial, <i>rebouclage</i> sensorial e consolida&ccedil;&atilde;o emocional (Gineste e Pellissier, 2008) e (Gineste e Marescotti, 2009). Os procedimentos inscrevem-se nos pilares da filosofia da <i>humanitude</i>: olhar, palavra, toque, verticalidade, vestu&aacute;rio, tendo por base os princ&iacute;pios &eacute;ticos e geri&aacute;tricos e as regras de arte da profiss&atilde;o. Ficaram agrupados nas duas categorias acima referidas: aproxima&ccedil;&atilde;o sintonia (processo progressivo de constru&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&atilde;o e cuidado) e consolida&ccedil;&atilde;o pr&oacute;-a&ccedil;&atilde;o (valorizar a experi&ecirc;ncia, a pessoa e os seus progressos, assegurar compromissos na continuidade dos cuidados). Aquando da forma&ccedil;&atilde;o em Fran&ccedil;a, a grelha foi analisada e validada pelos autores. Cada procedimento foi exemplificado, explicado nos seus fundamentos e observada a sua realiza&ccedil;&atilde;o no terreno, sendo melhorada a descri&ccedil;&atilde;o de alguns, como o toque. Acrescentou-se o bater &agrave; porta e/ou na barra da cama, pr&eacute;-preliminar ao cuidado, que inicia a estimula&ccedil;&atilde;o da pessoa atrav&eacute;s do &oacute;rg&atilde;o do sentido audi&ccedil;&atilde;o, pedindo entrada no seu espa&ccedil;o. Foi submetida &agrave; aprecia&ccedil;&atilde;o de um grupo de peritos portugueses e da perita internacional Margot Phaneuf. A reda&ccedil;&atilde;o final resultou da reflex&atilde;o sobre todos os contributos obtidos, tendo ficado a categoria aproxima&ccedil;&atilde;o sintonia com 23 procedimentos (no question&aacute;rio 24) e a consolida&ccedil;&atilde;o pr&oacute;-a&ccedil;&atilde;o com os mesmos quatro procedimentos. A grelha permite registar a presen&ccedil;a ou aus&ecirc;ncia de cada um dos 27 procedimentos, cuja descri&ccedil;&atilde;o consta na pr&oacute;pria grelha, se o procedimento n&atilde;o se aplicava ou n&atilde;o foi observado ou se foi observado o contr&aacute;rio do procedimento descrito e outras ocorr&ecirc;ncias que o observador considere significativas. Dado que a observa&ccedil;&atilde;o seria focada nos cuidados de higiene, a grelha continha espa&ccedil;o para registar o tipo de higiene realizado, o equipamento utilizado e o tempo gasto. Tamb&eacute;m dados sobre a pessoa cuidada, segundo a tipologia dos autores: homens de p&eacute;; de p&eacute;-sentados (mais de 40s de p&eacute;); sentados-de p&eacute; (menos de 40s de p&eacute;); sentados-deitados, n&atilde;o se mant&ecirc;m sobre as suas pernas; homens deitados, n&atilde;o podem ser levantados (impossibilidade cl&iacute;nica). Portanto, permite saber e registar: quem realizou o cuidado, a quem, quando, o que foi feito, com qu&ecirc;, como, quanto tempo e respostas da pessoa cuidada. Evidentemente para a identifica&ccedil;&atilde;o da pessoa cuidada e do cuidador ou cuidadores usar-se-&atilde;o c&oacute;digos.</p>     <p>A observa&ccedil;&atilde;o e a posterior interven&ccedil;&atilde;o foram autorizadas formalmente, tendo sido decidido realizar a observa&ccedil;&atilde;o no hospital, pelas raz&otilde;es j&aacute; referidas. Esta oferecia, tamb&eacute;m, a possibilidade de constituir um grupo de atores que exercem nas outras val&ecirc;ncias, visto que a distribui&ccedil;&atilde;o nos hor&aacute;rios era feita por escala (<i>roulement</i>), nas v&aacute;rias val&ecirc;ncias. Acertaram-se datas e fornecemos a grelha de observa&ccedil;&atilde;o ao Enf. Coordenador para a viabiliza&ccedil;&atilde;o da observa&ccedil;&atilde;o e pelas suas dilig&ecirc;ncias os atores consentiram em ser observados.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Etapa 2 – precisar o problema no seu contexto</b></p>     <p>Como se disse anteriormente as etapas s&atilde;o interdependentes e imbricadas umas nas outras, a anterior prepara a seguinte (mandato). Estavam criadas as condi&ccedil;&otilde;es de responder &agrave; quest&atilde;o: Em que medida as pr&aacute;ticas efetivas dos enfermeiros desta UCCI est&atilde;o conformes com a SEPCH? Esta quest&atilde;o implica a observa&ccedil;&atilde;o dos procedimentos pr&aacute;ticos, focados na presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de higiene a pessoas vulner&aacute;veis e com perdas cognitivo-mn&eacute;sicas. Disp&uacute;nhamos de uma grelha de observa&ccedil;&atilde;o sistematizada, onde os procedimentos cuidativos <i>humanitude</i> SEPCH relativos ao MGM est&atilde;o inscritos de forma sequencial. A partir dos dados colhidos, atrav&eacute;s desta grelha, foi poss&iacute;vel comparar as pr&aacute;ticas efetivas com as percecionadas e verificar se h&aacute; desvios entre os procedimentos inscritos nela e os realizados. Mas a grelha vai mais longe, permitindo outras an&aacute;lises.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Observa&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em janeiro de 2010, e em primeiro tempo, realizaram-se 10 observa&ccedil;&otilde;es de cuidados de higiene para testagem da funcionalidade da grelha, treino de observa&ccedil;&atilde;o e descentra&ccedil;&atilde;o da aten&ccedil;&atilde;o dos cuidadores na situa&ccedil;&atilde;o de serem observados. N&atilde;o foram sentidas dificuldades na observa&ccedil;&atilde;o nem na utiliza&ccedil;&atilde;o da grelha, que embora complexa, se revelou funcional. Foi poss&iacute;vel descentrar a aten&ccedil;&atilde;o dos cuidadores da observa&ccedil;&atilde;o. Nas primeiras observa&ccedil;&otilde;es, observou-se o bater &agrave; porta (3 vezes), entrando e saudando, mas logo deixaram de o fazer. Atribu&iacute;mos a terem tido conhecimento da grelha de observa&ccedil;&atilde;o. Em segundo tempo, foram observados 27 casos de cuidados de higiene, reservando-se o &uacute;ltimo dia para algumas filmagens, tendo-se obtido autoriza&ccedil;&atilde;o para o fazer (22 a 29 janeiro, 2010). A observa&ccedil;&atilde;o parou ao s&eacute;timo dia consecutivo por satura&ccedil;&atilde;o de dados. Cada dia de observa&ccedil;&atilde;o finalizou com a reuni&atilde;o dos dois observadores, confrontando os resultados das suas observa&ccedil;&otilde;es, fazendo s&iacute;nteses e determinando pontos em que no dia seguinte deviam focar mais a sua aten&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados e interpreta&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Nesta observa&ccedil;&atilde;o de diagn&oacute;stico, detetou-se 17,83% de presen&ccedil;a dos 27 procedimentos que constam da SEPCH, com 20,77% na aproxima&ccedil;&atilde;o sintonia e 0,93% na consolida&ccedil;&atilde;o pr&oacute;-a&ccedil;&atilde;o. Com exce&ccedil;&atilde;o dos itens 16 (100%), 21 (100%) e 20 (85,19%), verificam-se 13 itens a 0,00% e os outros 11 abaixo dos 50%. Havia de facto um grande desvio entre o percecionado e a realiza&ccedil;&atilde;o efetiva dos procedimentos cuidativos, inclu&iacute;dos na SEPCH (tabela 1).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Tabela 1 - <i>Score</i> percentual obtido en cada um dos procedimentos da SEPCH</p>     <p><img src="/img/revistas/ref/vserIIIn6/IIIn6a08t1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Os cuidados de higiene demoraram entre 17 e 35 minutos, m&eacute;dia 27,85 minutos e ocorreram maioritariamente no leito. Desde as primeiras 10 observa&ccedil;&otilde;es alguns aspetos, reveladores da cultura institucional e de cuidados, chamaram a nossa aten&ccedil;&atilde;o. Estas primeiras impress&otilde;es foram sendo consolidadas ao longo das 27 observa&ccedil;&otilde;es (tabela 2).</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tabela 2 – Demora m&eacute;dia por tipo de cuidado de higiene</p>     <p><img src="/img/revistas/ref/vserIIIn6/IIIn6a08t2.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O espa&ccedil;o aberto para as notas dos observadores revelou-se de capital import&acirc;ncia, produzindo uma grande quantidade de dados de natureza qualitativa. Ao chegarmos, os carros de apoio aos cuidados tinham ficado do turno da noite muito bem preparados. Enquanto os enfermeiros procediam &agrave; passagem de turno, os AO partiam para os cuidados de higiene sem orienta&ccedil;&otilde;es precisas sobre o tipo de higiene, capacidades restantes a estimular e outras particularidades que personalizassem aquele cuidado, orienta&ccedil;&otilde;es que deviam decorrer do diagn&oacute;stico de enfermagem. A distribui&ccedil;&atilde;o de cuidados de higiene por enfermeiros e AO n&atilde;o nos pareceu obedecer a uma l&oacute;gica de menor ou maior grau de depend&ecirc;ncia ou necessidade de estimula&ccedil;&atilde;o das capacidades f&iacute;sicas e cognitivo-mn&eacute;sicas da pessoa cuidada. Tanto se observava um doente acamado, em limbo geri&aacute;trico, fechado sobre si mesmo, r&iacute;gido, com contraturas ou agitado, a ser cuidado por um/a AO como por um/a enfermeiro/a. Os cuidados de higiene a pessoas ditas acamadas (algumas tinham capacidade para se p&ocirc;r de p&eacute; ou mesmo andar) foram na maior parte realizados no leito, o tradicional banho na cama, numa sequ&ecirc;ncia cefalo-caudal, utilizando uma ta&ccedil;a. Esta sequ&ecirc;ncia foi utilizada nos 27 cuidados de higiene observados. Havia s&oacute; duas macas-duche para as quatro val&ecirc;ncias. Estas para entrarem na casa de banho exigiam algumas manobras, o que n&atilde;o predispunha &agrave; sua utiliza&ccedil;&atilde;o, da&iacute; que s&oacute; fossem utilizadas em tr&ecirc;s casos. No hospitel, n&atilde;o havia nenhuma cadeira sanit&aacute;ria. Quando poss&iacute;vel, serviam-se da cadeira de uma residente. Na UCCI existiam dois verticalizadores, que n&atilde;o foram utilizados durante as observa&ccedil;&otilde;es. O olhar dos cuidadores n&atilde;o era de acordo com o MGM, isto &eacute;, axial, horizontal, longo, pr&oacute;ximo. Os cuidadores chegavam, abeiravam-se da pessoa, come&ccedil;avam de imediato a executar o cuidado ou diziam ao que vinham sem esperar resposta olhando para baixo, para o que estavam a executar. Os seus olhares n&atilde;o encontravam os olhos da pessoa que cuidavam.</p>     <p>A palavra tamb&eacute;m n&atilde;o estava profissionalizada. N&atilde;o se apresentavam, se diziam ao que vinham n&atilde;o era no sentido de obter o seu consentimento, avan&ccedil;avam sem esperar qualquer resposta. Utilizavam linguagem familiar, com muitos diminutivos, tanto em rela&ccedil;&atilde;o ao nome, como aos atos e objetos, mas sempre num tom amistoso. Considera-se pertinente enumerar alguns achados (nomes e t&iacute;tulos fict&iacute;cios):</p>     <p>Em nenhuma das 27 observa&ccedil;&otilde;es foi expresso o pedido de consentimento e esperada a resposta, assim como na consolida&ccedil;&atilde;o s&oacute; houve uma express&atilde;o &laquo;A Senhora at&eacute; deu uma ajudadinha, foi muito importante&raquo;. Notou-se uma clara diferen&ccedil;a no uso da palavra, nos tr&ecirc;s tipos de higienes.</p>     <p>- Banhos na cama. Nos 16 banhos, em 5 a pessoa foi saudada (o cuidado decorre em 2 casos com uma linguagem familiar, muitos “inhos); em 6 a primeira palavra foi dirigida &agrave; pessoa entre 5 a 30 minutos. Destas, duas s&oacute; lhe foi dirigida a palavra duas vezes: 1) aos 9 e 16 minutos (O4). 2) aos 13 e 19 minutos (O5). Em 4 a pessoa n&atilde;o recebeu qualquer palavra, uma foi-lhe dirigida a palavra quando, ao iniciar o cuidado, sem o anunciar, ela reagiu (O24).</p>     <p>- Em tr&ecirc;s casos, em que o cuidado foi realizado por dois cuidadores, verificaram-se conversas entre os dois, deixando o doente &agrave; margem (O4, O5 e O24, acima). As palavras dirigidas &agrave;s pessoas foram sobretudo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s mobiliza&ccedil;&otilde;es no leito. Linguagem instrumental.</p>     <p>- Cadeira sanit&aacute;ria. Sauda&ccedil;&atilde;o nos 8 casos, ou seja em todos. Embora o cuidado e os gestos n&atilde;o fossem anunciados nem descritos, em todos houve muitas falas dos cuidadores sobre a temperatura da &aacute;gua, se estava boa, a seu gosto, quentinha etc., a pedir ajuda nas mobiliza&ccedil;&otilde;es, muitos diminutivos. Mas tamb&eacute;m foi aqui que houve duas recusas (O7 e O8, ver abaixo).</p>     <p>- Maca-duche. Nos tr&ecirc;s casos, s&oacute; num a pessoa foi saudada. As primeiras falas foram para pedir-lhes ajuda na transfer&ecirc;ncia para a maca. S&oacute; num caso foi informado do cuidado, j&aacute; na maca e a caminho da casa de banho &laquo;Vamos tomar banhinho&raquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>- Notou-se resposta negativa a abordagens de surpresa, a gestos invasivos, oferecendo resist&ecirc;ncia ou oposi&ccedil;&atilde;o expressa, por exemplo: iniciou o banho sem o anunciar, notam-se sinais de agita&ccedil;&atilde;o, a cuidadora diz &laquo;n&atilde;o esteja nervosa, s&oacute; vou dar banhinho&raquo; (O10); lavagem da boca, sem ser anunciada, a pessoa mostra sinais de oposi&ccedil;&atilde;o (2 casos). 1) &laquo;…deixe lavar, vai ficar mais fresquinha&raquo; (O24). 2) ao lavar a boca com compressas, o procedimento ocorre em oposi&ccedil;&atilde;o (O17); expressa que n&atilde;o quer o creme e a cuidadora responde &laquo;Rosinha, tem que ser meu amor&raquo; (O7); come&ccedil;a a cal&ccedil;ar as meias, sem anunciar, a pessoa recusa (O8).</p>     <p>- H&aacute; sinais de procura da rela&ccedil;&atilde;o por parte da pessoa cuidada &laquo;A pessoa procura o olhar do cuidador, n&atilde;o o encontra&raquo;. Talvez por se aperceber desta procura, o cuidador pegou-lhe na m&atilde;o, olhou-a (de cima para baixo), falou-lhe e a pessoa sorriu&raquo;. &laquo;H&aacute; pouco tempo para dar aten&ccedil;&atilde;o&raquo;, disse, justificando-se. O cuidado demorou 30 minutos (O2).</p>     <p>- O banho &eacute; realizado por dois cuidadores, falam entre si. Um dos cuidadores, trinta minutos depois do seu in&iacute;cio, fala a primeira vez &agrave; pessoa, com olhar axial, horizontal e palavra amig&aacute;vel, a pessoa olha atentamente o cuidador. &laquo;N&atilde;o se faz mais vezes isto, porque n&atilde;o h&aacute; tempo&raquo;, disse justificando-se. O cuidado demorou 35 minutos (O4).</p>     <p>- H&aacute; sinais de rea&ccedil;&atilde;o ao cuidado de higiene deitado (2 casos). 1) a doente deitada no leito quer levantar-se, recebe ent&atilde;o a primeira fala da cuidadora (aos 11 min.) &laquo;Joanhinha deixe-se estar deitadinha&raquo;. 2) a pessoa queria sentar-se na maca-duche, o cuidador n&atilde;o deixou, justificando com medo de queda.</p>     <p>- Verificou-se n&atilde;o existir uma filosofia de como tratar a pessoa: pelo nome pr&oacute;prio, antecedido de Senhor ou Senhora ou como era habitualmente tratado no seu meio social. A mesma pessoa, com perdas cognitivas profundas, era tratada umas vezes por Sr. Doutor e outras por Senhor Ant&oacute;nio (nome e t&iacute;tulo fict&iacute;cio).</p>     <p>- Tamb&eacute;m se notou n&atilde;o haver a regra de n&atilde;o-interrup&ccedil;&atilde;o do cuidado. Verificaram-se v&aacute;rias interrup&ccedil;&otilde;es para atender o telefone e outros. Num dos banhos houve duas interrup&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>- O toque, n&atilde;o se inicia, nem termina conforme o preceituado. N&atilde;o &eacute; mantido durante o cuidado. O toque ternura preconizado pelos autores, embora at&eacute; houvesse uma “festinha” (no rosto), necessita de ser profissionalizado. Verificou-se a utiliza&ccedil;&atilde;o de m&atilde;o em garra e preens&atilde;o com os dedos em pin&ccedil;a nas mobiliza&ccedil;&otilde;es, nos levantes e na ajuda nas deambula&ccedil;&otilde;es, exceto em dois dos 27 casos. Estes atos eram executados em for&ccedil;a, com posturas ergon&oacute;micas incorretas e de risco para os cuidadores e pessoa cuidada, como o apoio na regi&atilde;o cervical, o puxar pelas axilas. Na execu&ccedil;&atilde;o do banho, de modo geral, gestos amplos, mas duros.</p>     <p>- N&atilde;o se observaram sorrisos durante o cuidado, parece que a preocupa&ccedil;&atilde;o era a execu&ccedil;&atilde;o do cuidado. Porque fora do cuidado existiram sorrisos.</p>     <p>- N&atilde;o-utiliza&ccedil;&atilde;o e refor&ccedil;o das capacidades restantes e da estimula&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as de vida das pessoas cuidadas. Vimos uma senhora a ser lavada v&aacute;rios dias na cama, a defender-se na higiene das partes &iacute;ntimas, em que os cuidadores se referiram &laquo;a poss&iacute;vel viola&ccedil;&atilde;o&raquo;, tal como num dos filmes pedag&oacute;gicos, em que Gineste alerta para gestos dos cuidadores que fazem deles “violadores”, neste tipo de doentes. Nos finais da nossa observa&ccedil;&atilde;o vimos esta senhora a andar no corredor ajudada pela neta.</p>     <p>- Uso cont&iacute;nuo de luvas, mesmo para a massagem, que resultava num espalhar de creme.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>- No chuveiro a sa&iacute;da da &aacute;gua n&atilde;o era suavizada com a utiliza&ccedil;&atilde;o de man&aacute;pula na cabe&ccedil;a do chuveiro. </p>     <p>- Durante o banho n&atilde;o se observava a preocupa&ccedil;&atilde;o de cobrir o corpo e houve at&eacute; doentes que verbalizaram ter frio. Foi justificado por ser mais pr&aacute;tico e tamb&eacute;m por n&atilde;o estar frio.</p>     <p>- Por&eacute;m, verificou-se que os cuidadores t&ecirc;m um trato cort&ecirc;s, meigo, n&atilde;o faltando at&eacute; um beijo na face, e uma elevada preocupa&ccedil;&atilde;o com a boa apresenta&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica (uma senhora foi maquilhada).</p>     <p>- Preocupam-se com levantamento do segmento tor&aacute;cico da cama e para o cadeir&atilde;o, mas n&atilde;o se verificou o esfor&ccedil;o de colocar a pessoa a suportar o peso do corpo sobre os seus p&eacute;s.</p>     <p>- Mostravam-se muito cuidadosos com a secagem de pregas cut&acirc;neas e espa&ccedil;os interdigitais, muito atentos ao conforto dos doentes e &agrave;s suas necessidades, segundo os seus referenciais.</p>     <p>- Grande preocupa&ccedil;&atilde;o com a hidrata&ccedil;&atilde;o e de que n&atilde;o sa&iacute;ssem para consultas ou fisioterapia sem terem tomado o pequeno-almo&ccedil;o.</p>     <p>Consideramos que enfermeiros/as e AO constitu&iacute;am um grupo de pessoas muit&iacute;ssimo generosas e dispon&iacute;veis, faltava-lhes a forma&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica para cuidarem em <i>humanitude</i>. No final da observa&ccedil;&atilde;o foi entregue ao Enf. Coordenador um relat&oacute;rio com gr&aacute;ficos comparativos dos resultados apurados (question&aacute;rio e observa&ccedil;&atilde;o) al&eacute;m dos principais achados qualitativos e proposta de equipamento a adquirir.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Discuss&atilde;o dos resultados</b></p>     <p>Os desvios encontrados s&atilde;o coincidentes com os achados dos autores: as abordagens-surpresa; a pobreza de palavras e de olhares; as conversas de dois cuidadores entre si, deixando a pessoa doente de fora; a n&atilde;o-consolida&ccedil;&atilde;o; o toque inadequado; a n&atilde;o-verticalidade; as pessoas com dem&ecirc;ncia que receberam os tradicionais banhos no leito, receberam tamb&eacute;m menos palavras, e os olhares n&atilde;o foram ao encontro dos seus. No primeiro estudo que os autores realizaram (1982-1984) a m&eacute;dia de tempo de palavras nas 24 horas, que os doentes deste tipo receberam, foi de 120s, (equiv. a 10 palavras). Dez anos depois, Mias e D&eacute;court (1993) apresentam resultados de estudos em que esta m&eacute;dia &eacute; de 118s. Em 2004 Gineste e Marescotti, o estudo de Oc&eacute;ane, para obten&ccedil;&atilde;o diploma universit&aacute;rio, vem confirmar estes resultados (Gineste e P&eacute;lissier, 2008). A raz&atilde;o est&aacute; no sistema de comunica&ccedil;&atilde;o humana que &eacute; retroalimentado pelo <i>feedback</i>. Quando este sistema n&atilde;o &eacute; retroalimentado por uma comunica&ccedil;&atilde;o interativa, morre. Ent&atilde;o criaram o <i>auto-feedback</i>, em que a retroalimenta&ccedil;&atilde;o &eacute; feita pela comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-verbal da pessoa doente, detetando informa&ccedil;&otilde;es muito subtis, por meio de uma perce&ccedil;&atilde;o muito fina do cuidador e &eacute; ele pr&oacute;prio que alimenta o sistema, atrav&eacute;s de uma mensagem descritiva. A prova &eacute; que quando a pessoa comunica, o resultado &eacute; diferente, como tamb&eacute;m constat&aacute;mos. Tamb&eacute;m &eacute; dif&iacute;cil n&atilde;o ter interven&ccedil;&otilde;es verbais desastrosas, quando n&atilde;o se aprendeu a ir ao encontro da pessoa aonde ela est&aacute; no seu mergulho retr&oacute;grado. O cuidador est&aacute; no presente e a pessoa no passado, 20, 30, 50 anos antes. N&atilde;o h&aacute; encontro poss&iacute;vel e os n&atilde;os que recebe v&atilde;o fech&aacute;-la &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o. Um outro aspeto, e que neste estudo tamb&eacute;m se verificou, &eacute; uma certa formata&ccedil;&atilde;o profissional de concentra&ccedil;&atilde;o na execu&ccedil;&atilde;o do procedimento. A consolida&ccedil;&atilde;o emocional em doentes com Alzheimer ou outros S&iacute;ndromas Cognitivo-mn&eacute;sicos (SCM) &eacute; da m&aacute;xima import&acirc;ncia, visto que valorizar o encontro, com palavras positivas e gestos de ternura deixam um <i>Priming</i> em mem&oacute;ria emocional.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O bater &agrave; porta, aberta ou fechada, e/ou na barra da cama, como regra de cidadania, baseada no direito &agrave; privacidade e ao domic&iacute;lio e primeira estimula&ccedil;&atilde;o em doentes com SCM, os cuidadores e os pr&oacute;prios familiares n&atilde;o acreditavam que tivesse qualquer efeito. O estudo realizado em Corr&eacute;ze, num estabelecimento de longa dura&ccedil;&atilde;o em 1998, revelou que 40% responderam ao bater, com uma demora m&eacute;dia de resposta de 20s. Um m&ecirc;s depois de o continuarem a utilizar repetiram o estudo e a demora m&eacute;dia de resposta desceu para 3s (Gineste e Pelissier, 2008). A verticalidade &eacute; um importante pilar da <i>humanitude</i>, podemos destruir irremediavelmente a <i>humanitude</i> de uma pessoa deixando-a acamada. Para os autores estar as 24h do dia acamada, ou 12h na cama e 12h no cadeir&atilde;o, produz s&iacute;ndromas de imobilismo, com repercuss&otilde;es desastrosas a n&iacute;vel dos nossos sistemas vitais. Deixada nesta estabilidade de posi&ccedil;&atilde;o a pessoa vai perdendo progressivamente o esquema corporal e a intelig&ecirc;ncia sens&oacute;rio-motora, afetando mesmo a intelig&ecirc;ncia conceptual. &Eacute; do conhecimento geral que uma pessoa acamada perde por semana 10 a 15% da sua for&ccedil;a muscular, e num idoso de 80 anos acamado pode ir aos 40%, tornando-se definitivamente acamado em menos tempo. Da&iacute; que os autores afirmarem que quem faz os dependentes (acamados, r&iacute;gidos, com &uacute;lceras de press&atilde;o…) s&atilde;o as institui&ccedil;&otilde;es e os pr&oacute;prios cuidadores, produzindo uma invalidez iatrog&eacute;nica. Em 1982 criam o conceito de &laquo;Viver e morrer de p&eacute;&raquo;. Grumbach (1988) afirma que a s&iacute;ndroma de imobiliza&ccedil;&atilde;o &eacute; o opr&oacute;brio da medicina. Gineste, Marescotti e Mias (1996) afirmam que a geriatria &eacute; uma medicina de p&eacute;, o cuidado gerontol&oacute;gico &eacute; tanto quanto poss&iacute;vel um cuidado de p&eacute;. A longa experi&ecirc;ncia de Gineste e Marescotti, permite-lhes afirmar que bastam 20 minutos por dia sobre as suas pernas para que um idoso n&atilde;o se torne um acamado, com as consequ&ecirc;ncias bem conhecidas. Criaram, em 1993 <i>Les PAM</i>, Programas de Atividade M&iacute;nima que transformam os gestos dos cuidadores em a&ccedil;&otilde;es de reabilita&ccedil;&atilde;o orientadas, valorizando os procedimentos durante as <i>toilettes</i> e outros. Advogam a utiliza&ccedil;&atilde;o do verticalizador como ajuda preciosa para a verticaliza&ccedil;&atilde;o, para um cuidado de p&eacute;. Na unidade deste estudo havia 2 verticalizadores que n&atilde;o vimos utilizar, no entanto a maioria dos banhos foram realizados no leito.</p>     <p>O toque que observ&aacute;mos era duro, as mobiliza&ccedil;&otilde;es em for&ccedil;a, a m&atilde;o era utilizada em garra e o puxar em pin&ccedil;a. Tudo isto desperta sensa&ccedil;&otilde;es punitivas, e &eacute; contr&aacute;rio a um toque suave, carinhoso (toque ternura) e mobiliza&ccedil;&otilde;es suaves, que despertam sensa&ccedil;&otilde;es de ternura, e se comunica de forma n&atilde;o-verbal com o corpo para despertar as suas for&ccedil;as de vida. Os cuidadores necessitam de pelo menos um ano de treino e corre&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias para o conseguir (Gineste e Pelissier, 2008). O tempo m&eacute;dio dos cuidados de higiene por n&oacute;s detetado &eacute; superior aos 20m detetado pelos autores (Gineste e Pelissier, 2008). Estes resultados n&atilde;o s&atilde;o generaliz&aacute;veis, mas estamos convictos que noutros contextos se obteriam resultados id&ecirc;nticos. Neste momento, noutras experi&ecirc;ncias obtiveram-se resultados id&ecirc;nticos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Diagn&oacute;stico da situa&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>A UCCI oferece as condi&ccedil;&otilde;es para a concretiza&ccedil;&atilde;o deste projeto. Como condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis temos a recetividade e abertura dos seus dirigentes, o podermos contar com a capacidade dinamizadora do Enf. Coordenador, que desde o primeiro momento se constituiu interlocutor privilegiado, entre n&oacute;s, dirigentes e atores; est&aacute; bem equipada, &agrave; parte a necessidade de aquisi&ccedil;&atilde;o de cadeiras de banho e pelo menos uma maca-duche; a sua localiza&ccedil;&atilde;o e acessibilidade constituem uma mais-valia. Os residentes/pessoas doentes do hospital preenchiam os crit&eacute;rios de sele&ccedil;&atilde;o para a presta&ccedil;&atilde;o de cuidados. Os contactos que fomos fazendo com os cuidadores revelaram-nos a sua vontade de mudan&ccedil;a e a sua ades&atilde;o ao MGM, no qual reveem os valores profissionais que perfilham. Os resultados da observa&ccedil;&atilde;o sistematizada permitiram-nos identificar onde as suas pr&aacute;ticas se afastavam do MGM e os procedimentos mais arreigados em tradi&ccedil;&otilde;es, algumas assentam em falsos princ&iacute;pios que, passados de gera&ccedil;&atilde;o em gera&ccedil;&atilde;o, deram origem a uma cultura de cuidados dif&iacute;cil de mudar, em que ser&aacute; necess&aacute;ria maior interven&ccedil;&atilde;o, exigindo explica&ccedil;&otilde;es alicer&ccedil;adas em princ&iacute;pios cient&iacute;ficos de v&aacute;rias &aacute;reas do saber. Os Pilares da <i>humanitude</i> olhar, palavra, toque, verticalidade, utilizados tecnicamente na rela&ccedil;&atilde;o de cuidados podem parecer palavras que exprimem gestos naturais e que n&atilde;o necessitam de aprendizagem, no entanto exigem fundamenta&ccedil;&atilde;o para se ter consci&ecirc;ncia que n&atilde;o s&atilde;o in&oacute;cuos. Pois, quando mal utilizados podem destruir a <i>humanitude</i>, despertar uma rea&ccedil;&atilde;o de CAP e recusa ao cuidado. Urge mudar o paradigma de banho no leito, com uma ta&ccedil;a com &aacute;gua e gel, para um cuidado de p&eacute;, utilizando &aacute;gua corrente, passando do lavar para um cuidado especializado com imensas possibilidades de estimula&ccedil;&atilde;o e reabilita&ccedil;&atilde;o. As sequ&ecirc;ncias das <i>toilettes</i> que fazem parte do MGM op&otilde;em-se ao tradicional banho na cama numa &uacute;nica sequ&ecirc;ncia cefalo-caudal conforme observ&aacute;mos e nos foi justificada por ser da norma. O <i>auto-feedback</i>, o mergulho retr&oacute;grado, a estimula&ccedil;&atilde;o e utiliza&ccedil;&atilde;o das capacidades restantes e for&ccedil;as de vida da pessoa, o pedir o consentimento e esperar autoriza&ccedil;&atilde;o, o anunciar e descrever os gestos, e a compreens&atilde;o do seu impacto positivo e de destrui&ccedil;&atilde;o quando n&atilde;o forem respeitados. Esta &eacute; uma reflex&atilde;o &eacute;tica a fazer juntamente com o respeito pela regra da n&atilde;o-interrup&ccedil;&atilde;o do cuidado, assim como a forma como a pessoa doente &eacute; tratada, para n&atilde;o agredir a sua identidade. O cuidado de higiene, nas suas particularidades, para que resulte num cuidado personalizado, ter&aacute; que ser prescrito e decorrer do diagn&oacute;stico de enfermagem. H&aacute; tamb&eacute;m a quest&atilde;o dos formadores, visto que &eacute; uma IAA que trata de uma forma&ccedil;&atilde;o na a&ccedil;&atilde;o. Sendo n&oacute;s pr&oacute;prios que desempenh&aacute;mos esse papel, cont&aacute;mos com material de apoio que nos facilitou a tarefa. Fic&aacute;mos bem cientes da situa&ccedil;&atilde;o existente, mas tamb&eacute;m de que n&atilde;o era poss&iacute;vel abarcar tudo ao mesmo tempo. Imp&ocirc;s-se realizar com os cuidadores e dirigentes uma reflex&atilde;o s&eacute;ria sobre os resultados das nossas observa&ccedil;&otilde;es, para que em conjunto se identificasse o problema, se negociassem objetivos realiz&aacute;veis, bem como as estrat&eacute;gias e a&ccedil;&otilde;es a p&ocirc;r em pr&aacute;tica. Dado que por raz&otilde;es alheias &agrave; nossa vontade a reuni&atilde;o com os cuidadores teve que ser acoplada &agrave; interven&ccedil;&atilde;o formativa, este assunto far&aacute; parte da pr&oacute;xima etapa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o </b></p>     <p>A descri&ccedil;&atilde;o, algo pormenorizada, permitir&aacute; compreender o percurso efetuado, o ir e vir, num processo flex&iacute;vel, ajustando-se &agrave;s din&acirc;micas do terreno. O real n&atilde;o &eacute; est&aacute;tico. Tamb&eacute;m se deixa perceber a import&acirc;ncia de parceiros privilegiados, sobretudo numa IAA, em que o investigador n&atilde;o pertence &agrave; institui&ccedil;&atilde;o. A necessidade de mudan&ccedil;a n&atilde;o brotou de dentro para fora, mas &eacute; criada por um agente externo. Fez-se o poss&iacute;vel para que o projeto do investigador se transformasse no “nosso projeto”, o que obrigou a contactos e negocia&ccedil;&otilde;es a v&aacute;rios n&iacute;veis.</p>     <p>Os resultados obtidos por question&aacute;rio e observa&ccedil;&atilde;o, por um lado evidenciam uma grande aceita&ccedil;&atilde;o e valora&ccedil;&atilde;o dos procedimentos cuidativos <i>humanitude</i>, o que n&atilde;o surpreende, pois eles inscrevem-se numa l&oacute;gica de boas pr&aacute;ticas e em princ&iacute;pios fundamentais da Enfermagem, como disciplina e profiss&atilde;o, muito caros aos enfermeiros. Por outro lado verificaram-se grandes desvios entre a pr&aacute;tica percebida e a efetiva. H&aacute; tamb&eacute;m a marca de uma cultura de cuidados, uma formata&ccedil;&atilde;o, assente em princ&iacute;pios que n&atilde;o se ajustam aos conhecimentos e necessidades do nosso tempo. Estamos muito distantes, quer em conhecimentos cient&iacute;ficos, quer em necessidades sociais da &eacute;poca em que algumas t&eacute;cnicas foram concebidas.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Implica&ccedil;&otilde;es</b></p>     <p>Os resultados mostram um enorme campo de possibilidades de investiga&ccedil;&atilde;o e urge faz&ecirc;-la. As escolas superiores de enfermagem t&ecirc;m nestes resultados um grande campo de reflex&otilde;es a fazer. &Eacute; urgente que as escolas fa&ccedil;am Escola. H&aacute; princ&iacute;pios que os estudantes t&ecirc;m que integrar nos quatro anos de curso, caso contr&aacute;rio ser&aacute; dif&iacute;cil assumi-los na sua vida profissional. Em rela&ccedil;&atilde;o aos enfermeiros e &agrave;s suas pr&aacute;ticas e estruturas profissionais que os representam &eacute; tempo de definirem com clareza o que querem ser. Se querem agarrar-se ao seu papel pr&oacute;prio e n&atilde;o deixar fugir do seu &acirc;mbito de a&ccedil;&atilde;o privilegiada os cuidados de intimidade, o estar pr&oacute;ximo, muito pr&oacute;ximo do Homem “ca&iacute;do”, em situa&ccedil;&atilde;o de fragilidade, reinventando e inventando novas formas de cuidar adaptadas ao nosso tempo ou querem ir por outro caminho. &Eacute; tempo de valorizar e defender aquilo que nos diferencia de outros t&eacute;cnicos, sen&atilde;o poderemos vir a ser submersos por uma mir&iacute;ade de outros profissionais. &Eacute; poss&iacute;vel que n&atilde;o se revejam nestes resultados, que reajam mesmo a eles. Seria interessante envolverem-se em estudos de observa&ccedil;&atilde;o das suas pr&aacute;ticas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <p>COSTA, M. (2006) – Cuidar idosos: forma&ccedil;&atilde;o, pr&aacute;ticas e compet&ecirc;ncias dos enfermeiros. 2&ordf; ed. Lisboa: Formasau.</p>     <p>DOLBEC, Andr&eacute; (2003) – Investiga&ccedil;&atilde;o-ac&ccedil;&atilde;o. In GAUTHIER, B. - Investiga&ccedil;&atilde;o social: da problem&aacute;tica &agrave; colheita de dados. Loures: Lusoci&ecirc;ncia. p. 443-512.</p>     <p>GINESTE, Y.; MARESCOTTI, R. (2009) – La capture sensorielle dans la m&eacute;thodologie de soin Gineste-Marescotti: &eacute;thologie des outils de la relation dans les soins difficiles. Revue de G&eacute;riatrie et de G&eacute;rontologie. Tome 16, n&ordm; 158, p. 418-420.</p>     <p>GINESTE, Y.; PELLISSIER, J. (2008) - Humanitude, cuidar e compreender a velhice. Lisboa: Instituto Piaget, Piaget Editora.</p>     <p>GINESTE, Yves; MARESCOTTI, Rosette; MIAS, Lucien (1996) - Pour le grand &acirc;ge, une m&eacute;decine debout. Le G&eacute;n&eacute;raliste et la G&eacute;rontologie. N&ordm; 24, p. 22-29.</p>     <p>GRUMBACH, Raymond (1988) - G&eacute;riatrie pratique. Paris: Doin Editions.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>IMAGIN&Aacute;RIO, C. (2004) – O idoso dependente em contexto familiar. Coimbra: Formasau.</p>     <p>JACQUARD, Albert (1986) – L’h&eacute;ritage de la libert&eacute;: de l’animalit&eacute; &agrave; l’humanitude. Paris: &Eacute;ditions Seuil.</p>     <p>LAVOIE, L.; MARQUIS, D.; LAURIN, P. (1996) - La recherch&eacute;-action: th&eacute;orie et pratique: manuel d’autoformation. Canada: Presses de l’Universit&eacute; du Qu&eacute;bec.</p>     <p>LIU, Michel (1991) - D&eacute;finition, d&eacute;roulement et r&eacute;sultats d’une recherche-action. Recherche en Soins Infirmiers. N&ordm; 25.</p>     <p>MIAS, Lucien; DECOURT, &Eacute;lisabeth (1993) - Pour un art de vivre en long s&eacute;jour. Ed. Bayard.</p>     <p>PHANEUF, Margot (2007) - Le concept d’humanitude: une application aux soins infirmiers g&eacute;n&eacute;raux &#91Em linha&#93. &#91Consult. 12 Fev 2007&#93. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://pagesperso-orange.fr/cec-formation.net/phaneuf.pdf" target="_blank">http://pagesperso-orange.fr/cec-formation.net/phaneuf.pdf</a>.</p>     <p>RAPPO, Isabelle (2007) - Comment les soignants en soins infirmiers conservent-ils l’humanitude des patients comateux durant leurs interventions? Geneva: Haute &Eacute;cole Sp&eacute;cialis&eacute;e de Suisse Occidentale.</p>     <p>SEQUEIRA, C. (2007) – Cuidar de idosos dependentes: diagn&oacute;sticos e interven&ccedil;&otilde;es. Coimbra: Quarteto.</p>     <p>SICARD, N. (2009) – La m&eacute;thodologie de soins Gineste-Marescotti: le point sur la recherche. Revue de G&eacute;riatrie et de G&eacute;rontologie. Tome 16, n&ordm; 158, p. 418-420.</p>     <p>SIM&Otilde;ES, M. M. M. (2005) - Humaniza&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o reflexiva em ensino cl&iacute;nico com recurso ao debate em grupo. Braga: Faculdade de Filosofia. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>SIM&Otilde;ES, M. M. M.; RODRIGUES, M.; SALGUEIRO, N. (2008) – O significado da filosofia da Humanitude, no contexto dos cuidados de enfermagem &agrave; pessoa dependente e vulner&aacute;vel. Refer&ecirc;ncia. S&eacute;rie 2, n&ordm; 7, p. 97-105.</p>     <p>SIM&Otilde;ES, M. M. M.; RODRIGUES, M.; SALGUEIRO, N. (2011a) – Humanitude, liga&ccedil;&atilde;o interpessoal de rela&ccedil;&atilde;o e cuidado. Revista Portuguesa de Bio&eacute;tica. N&ordm; 14. p. 213-225.</p>     <p>SIM&Otilde;ES, M. M. M.; RODRIGUES, M.; SALGUEIRO, N. (2011b) – Import&acirc;ncia e aplicabilidade aos cuidados de enfermagem do m&eacute;todo de cuidados de humanitude Gineste - Marescotti&#174”. Refer&ecirc;ncia. S&eacute;rie 3, n&ordm; 4, p. 69-79.</p>     <p>VIELVA, J. A. (2002) - &Eacute;tica profesional de la enfermer&iacute;a. Bilbao: Editorial Descle&eacute; De Brouwer.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido para publica&ccedil;&atilde;o em: 24.07.11</p>     <p>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em: 28.02.12</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>     <p>Artigo realizado no contexto do projeto de doutoramento em enfermagem na Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa</p>     ]]></body>
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