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<journal-title><![CDATA[Revista de Enfermagem Referência]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Escola Superior de Enfermagem de Coimbra - Unidade de Investigação em Ciências da Saúde - Enfermagem]]></publisher-name>
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<article-id>S0874-02832012000100013</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.12707/RIII1183</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Prevalência e fatores de risco de dores nas costas em adolescentes: uma revisão sistemática da literatura]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Prevalence and risk factors for back pain in adolescents: a systematic literature review]]></article-title>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Prevalencia y factores de riesgo del dolor de espalda en adolescentes: una revisión sistemática de la literatura]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Spinal complaints are common among adults and have significant individual, social and economic aspects. Some studies report that the source of these problems arises in childhood and adolescence. In this context, we intended to identify the prevalence and risk factors for back pain in adolescence and analyze the scientific evidence currently available. We conducted a systematic literature review between January 2005 and August 2010, with inclusion criteria and pre-defined descriptors using several databases of references, following a systematic process from selection of research resources to the critical evaluation of selected texts. The research question was “What is the prevalence and what are the risk factors for back pain among adolescents aged 11-19 years?”. We included 24 articles of good and moderate methodological quality and, despite inconsistency in the definition of back pain, prevalence rates vary in time and place. Risk factors are multidimensional, and gender and age emerged as the most obvious. Prospective studies are proposed on this issue, and information and education emerge as the most appropriate strategies to prevent this public health problem.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[Las quejas asociadas a dolores de la columna son frecuentes entre adultos e implican problemas significativos a nivel individual, económico y social. Algunos estudios han referido que el origen de estos problemas surge en la etapa de la infancia y de la adolescencia. En este contexto, pretendemos identificar la prevalencia y los factores de riesgo del dolor de espalda en la adolescencia y analizar la evidencia científica existente actualmente. Realizamos una revisión sistemática de la literatura, entre enero de 2005 y agosto de 2010, con criterios de inclusión y descriptores predefinidos, en diversas bases de datos de referencia, siguiendo un proceso sistemático desde la selección de los recursos de pesquisa hasta la evaluación crítica de los textos seleccionados. La investigación tuvo como objetivo responder a la pregunta “¿Cuáles es la prevalencia y cuáles son los factores de riesgo del dolor de espalda entre adolescentes con edades entre los 11 e 19 años?” En esta revisión fueron incluidos 24 artículos con una buena y moderada calidad metodológica y, a pesar de la incongruencia respecto al concepto del dolor de espalda, las prevalencias varían a nivel temporal y local. Los factores de riesgo son multidimensionales, entre los cuales el género y la edad emergieron como siendo los más evidentes. Se proponen estudios prospectivos en esta temática y, la información y la educación aparecen como siendo las estrategias más adecuadas para prevenir este problema de salud pública.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[dor nas costas]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Preval&ecirc;ncia e fatores de risco de dores nas costas em adolescentes: uma revis&atilde;o sistem&aacute;tica da literatura</b></p>     <p>&nbsp;</p>		     <p><b>Arm&eacute;nio Cruz</b>*; <b>Henrique Nunes</b>**</p>     <p>* PhD. Prof. Coordenador, ESEnfC. Investigador da Unidade de Investiga&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de, Dom&iacute;nio da Enfermagem –  UICISA-E [<a href="mailto:acruz@esenfc.pt">acruz@esenfc.pt</a>].</p>     <p>** MSc. Ass. 2&ordm; Tri&eacute;nio, ESEnfC. Investigador da Unidade de Investiga&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de, Dom&iacute;nio da Enfermagem – UICISA-E</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resumo</b></p>     <p>As queixas a n&iacute;vel da coluna s&atilde;o frequentes entre os adultos e implicam problemas significativos a n&iacute;vel individual, econ&oacute;mico e social. Alguns estudos referem que a origem desses problemas surge na fase da inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia. Neste contexto, pretendemos identificar a preval&ecirc;ncia e os fatores de risco de dores nas costas na adolesc&ecirc;ncia e analisar a evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica existente atualmente.</p>     <p>Realiz&aacute;mos uma revis&atilde;o sistem&aacute;tica da literatura, entre janeiro de 2005 e agosto de 2010, com crit&eacute;rios de inclus&atilde;o e descritores predefinidos, em diversas bases de dados de refer&ecirc;ncia, seguindo um processo sistem&aacute;tico desde a sele&ccedil;&atilde;o dos recursos de pesquisa at&eacute; &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica dos textos selecionados. A quest&atilde;o de investiga&ccedil;&atilde;o foi “Qual a preval&ecirc;ncia e quais os fatores de risco de dores nas costas entre os adolescentes com idades entre 11 – 19 anos?”</p>     <p>Foram inclu&iacute;dos 24 artigos de boa e moderada qualidade metodol&oacute;gica e, apesar da incongru&ecirc;ncia no conceito de dor nas costas, as preval&ecirc;ncias variam a n&iacute;vel temporal e local. Os fatores de risco s&atilde;o multidimensionais, emergindo o g&eacute;nero e a idade como os mais evidentes.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>S&atilde;o propostos estudos prospetivos nesta problem&aacute;tica e a informa&ccedil;&atilde;o e o ensino surgem como as estrat&eacute;gias mais adequadas na preven&ccedil;&atilde;o deste problema de sa&uacute;de p&uacute;blica.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: dor nas costas; adolescente; preval&ecirc;ncia; fatores de risco</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Prevalence and risk factors for back pain in adolescents: a systematic literature review</b></p>     <p><b>Abstract</b></p>			     <p>Spinal complaints are common among adults and have significant individual, social and economic aspects. Some studies report that the source of these problems arises in childhood and adolescence. In this context, we intended to identify the prevalence and risk factors for back pain in adolescence and analyze the scientific evidence currently available.</p>     <p>We conducted a systematic literature review between January 2005 and August 2010, with inclusion criteria and pre-defined descriptors using several databases of references, following a systematic process from selection of research resources to the critical evaluation of selected texts. The research question was “What is the prevalence and what are the risk factors for back pain among adolescents aged 11-19 years?”.</p>     <p>We included 24 articles of good and moderate methodological quality and, despite inconsistency in the definition of back pain, prevalence rates vary in time and place. Risk factors are multidimensional, and gender and age emerged as the most obvious.</p>     <p>Prospective studies are proposed on this issue, and information and education emerge as the most appropriate strategies to prevent this public health problem.</p>     <p><b>Keywords</b>: back pain; adolescent; prevalence; risk factors</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>	     <p><b>Prevalencia y factores de riesgo del dolor de espalda en adolescentes: una revisi&oacute;n sistem&aacute;tica de la literatura</b></p>     <p><b>Resumen</b></p>     <p>Las quejas asociadas a dolores de la columna son frecuentes entre adultos e implican problemas significativos a nivel individual, econ&oacute;mico y social. Algunos estudios han referido que el origen de estos problemas surge en la etapa de la infancia y de la adolescencia. En este contexto, pretendemos identificar la prevalencia y los factores de riesgo del dolor de espalda en la adolescencia y analizar la evidencia cient&iacute;fica existente actualmente.</p>     <p>Realizamos una revisi&oacute;n sistem&aacute;tica de la literatura, entre enero de 2005 y agosto de 2010, con criterios de inclusi&oacute;n y descriptores predefinidos, en diversas bases de datos de referencia, siguiendo un proceso sistem&aacute;tico desde la selecci&oacute;n de los recursos de pesquisa hasta la evaluaci&oacute;n cr&iacute;tica de los textos seleccionados. La investigaci&oacute;n tuvo como objetivo responder a la pregunta “&iquest;Cu&aacute;les es la prevalencia y cu&aacute;les son los factores de riesgo del dolor de espalda entre adolescentes con edades entre los 11 e 19 a&ntilde;os?”</p>     <p>En esta revisi&oacute;n fueron incluidos 24 art&iacute;culos con una buena y moderada calidad metodol&oacute;gica y, a pesar de la incongruencia respecto al concepto del dolor de espalda, las prevalencias var&iacute;an a nivel temporal y local. Los factores de riesgo son multidimensionales, entre los cuales el g&eacute;nero y la edad emergieron como siendo los m&aacute;s evidentes.</p>     <p>Se proponen estudios prospectivos en esta tem&aacute;tica y, la informaci&oacute;n y la educaci&oacute;n aparecen como siendo las estrategias m&aacute;s adecuadas para prevenir este problema de salud p&uacute;blica.</p>     <p><b>Palabras clave</b>: dolor de espalda; adolescente; la prevalencia; factores de riesgo</p>     <p>&nbsp;</p>			     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As queixas a n&iacute;vel da coluna vertebral s&atilde;o frequentes numa percentagem significativa de indiv&iacute;duos e implicam, ao longo da vida e a n&iacute;vel individual, problemas significativos de natureza psicol&oacute;gica, social e econ&oacute;mica (Rubin, 2007; Portugal, 2005).</p>     <p>Apesar das dores nas costas serem frequentes e existirem bastantes estudos sobre este problema de sa&uacute;de p&uacute;blica, seja com adultos e, mais recentemente, com adolescentes, a sua fisiopatologia continua ainda pouco clara, e outras evid&ecirc;ncias n&atilde;o s&atilde;o consensuais, ou n&atilde;o apresentam o rigor cient&iacute;fico desejado. Sabemos que o estilo de vida, das pessoas em geral e dos adolescentes em particular, tem mudado significativamente nos &uacute;ltimos anos. O sedentarismo prevalecente, as posturas incorretas, os h&aacute;bitos alimentares, o peso das mochilas, entre outros fatores, sugerem que as dores nas costas manifestadas na idade adulta n&atilde;o dependem apenas de fatores provenientes daquele ciclo de vida, mas, muitas vezes, de fatores provenientes de caracter&iacute;sticas individuais, de desenvolvimento e matura&ccedil;&atilde;o fisiol&oacute;gica e psicol&oacute;gica (Harreby <i>et al</i>., 1995; Jordaan <i>et al</i>., 2005; </span>Hestbaek <i>et al</i>., 2006)</p>     <p>Atualmente, com a globaliza&ccedil;&atilde;o e o n&uacute;mero exponencial de fontes de informa&ccedil;&atilde;o, associado &agrave; necessidade de utilizar cada vez mais a melhor evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica na pr&aacute;tica cl&iacute;nica, surgiu nos anos 80 e 90 o movimento de Medicina Baseada na Evid&ecirc;ncia, com o objetivo de preparar, manter e assegurar o acesso a revis&otilde;es sistem&aacute;ticas sobre efeitos de interven&ccedil;&otilde;es na &aacute;rea de sa&uacute;de (Galv&atilde;o, Sawada e Rossi, 2002).</p>     <p>Neste contexto, e porque existem bastantes incongru&ecirc;ncias e falta de algum rigor cient&iacute;fico nos resultados de estudos sobre este problema, pretendemos determinar a preval&ecirc;ncia e os fatores de risco, na adolesc&ecirc;ncia, de dores nas costas e analisar a evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica existente atualmente.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Metodologia</b></p>     <p>Revis&atilde;o sistem&aacute;tica da literatura &eacute; uma vis&atilde;o geral de estudos prim&aacute;rios, que cont&eacute;m uma declara&ccedil;&atilde;o de objetivos, materiais e m&eacute;todos, e desenvolve-se de acordo explicitar m&eacute;todos transparentes e reprodut&iacute;veis. Utiliza um protocolo v&aacute;lido e expl&iacute;cito, que minimiza o vi&eacute;s e inclui resumos qualitativos e quantitativos. O objetivo desta revis&atilde;o &eacute;, pois, determinar a melhor evid&ecirc;ncia dispon&iacute;vel sobre a preval&ecirc;ncia de dores nas costas e fatores de risco associados, em adolescentes com idades entre 11 e 19 anos.</p>     <p>Esta revis&atilde;o pretende determinar a preval&ecirc;ncia e os fatores de risco associados &agrave;s dores nas costas em adolescentes.</p>     <p>Os objetivos espec&iacute;ficos foram: determinar a preval&ecirc;ncia de dores nas costas nos adolescentes; identificar os principais fatores de risco associados &agrave;s dores nas costas em adolescentes; avaliar criticamente a qualidade metodol&oacute;gica de estudos de preval&ecirc;ncia sobre dores nas costas em adolescentes; e identificar a evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica atual sobre dores nas costas em adolescentes.</p>     <p>Os seguintes termos foram usados nesta revis&atilde;o:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>– Dores nas costas: experi&ecirc;ncia de dor de costas em diferentes regi&otilde;es da coluna vertebral (pesco&ccedil;o, regi&atilde;o tor&aacute;cica e lombar);</p>     <p>– Preval&ecirc;ncia: n&uacute;mero total de casos de dores nas costas em adolescentes num determinado per&iacute;odo de tempo;</p>     <p>– Fatores de risco: todos os fatores (f&iacute;sicos, psicossociais, contextuais) que podem contribuir para o desenvolvimento de dores nas costas em adolescentes;</p>     <p>– Adolescentes: indiv&iacute;duos com idades compreendidas entre 11 e 19 anos de idade.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Estrat&eacute;gia de busca</b></p>     <p>A revis&atilde;o sistem&aacute;tica foi realizada durante o m&ecirc;s de setembro de 2010 atrav&eacute;s da EBSCO, em 6 bases de dados bibliogr&aacute;ficas on-line, nomeadamente: CINAHL&reg; <i>Plus with Full Text</i>; <i>Nursing &amp; Allied Health</i>; <i>British Nursing Index</i>; Cochrane <i>Collection</i>; <i>Medic</i> Latina (tm); MEDLINE&reg; <i>with Full Text</i>; seguiu-se um processo sistem&aacute;tico, desde a sele&ccedil;&atilde;o dos recursos de pesquisa at&eacute; &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica dos textos selecionados.</p>     <p>Para al&eacute;m destas bases de dados e no sentido de encontrar mais artigos eleg&iacute;veis para an&aacute;lise, efetu&aacute;mos pesquisa complementar via motor de busca Google e consulta de reposit&oacute;rios de teses de Mestrado e Doutoramento (da Escola Nacional de Sa&uacute;de P&uacute;blica e da Universidade do Minho), tendo sido identificados e selecionados mais alguns estudos para esta revis&atilde;o.</p>     <p>Definiu-se como quest&atilde;o de investiga&ccedil;&atilde;o: qual a preval&ecirc;ncia e quais os fatores de risco de dores nas costas entre os adolescentes com idades entre 11-19 anos? Na estrutura&ccedil;&atilde;o desta quest&atilde;o recorremos &agrave; estrat&eacute;gia PICO: <i>Participants, Intervention, Comparations, Outcomes</i> (Sackett <i>et al</i>., 2000).</p>     <p>Os principais descritores (termos) utilizados foram, na l&iacute;ngua inglesa: <i>back pain</i>, <i>adolescent</i>, <i>risk factors</i>, <i>prevalence</i>, ligados pelo operador booleano <i>“and”</i>. No Google e nos reposit&oacute;rios de teses, us&aacute;mos os mesmos descritores, em l&iacute;ngua portuguesa.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os estudos selecionados s&atilde;o em l&iacute;ngua inglesa e portuguesa, e editados durante o per&iacute;odo entre janeiro de 2005 a agosto de 2010.</p>     <p>Numa primeira fase, os t&iacute;tulos e os resumos de toda a literatura identificada foram revistos por dois revisores, que avaliaram independentemente a qualidade dos estudos revistos, incluindo os crit&eacute;rios a seguir referidos. Numa segunda fase, o texto completo de todos os artigos potencialmente relevantes foi revisto e selecionado por ambos os revisores, usando os mesmos crit&eacute;rios, a fim de determinar a elegibilidade dos artigos para inclus&atilde;o na revis&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Crit&eacute;rios de inclus&atilde;o</b></p>     <p>Como crit&eacute;rios de inclus&atilde;o utiliz&aacute;mos os que s&atilde;o relatados nos estudos epidemiol&oacute;gicos.</p>     <p>A preval&ecirc;ncia e os fatores de risco ser&atilde;o o foco do estudo, em adolescentes com idade entre os 11 e os 19 anos, de qualquer ra&ccedil;a e de ambos os sexos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Avalia&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica</b></p>     <p>Segundo Katrak <i>et al</i>. (2004) os investigadores usam frequentemente instrumentos padr&atilde;o de avalia&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica para avaliar a qualidade das investiga&ccedil;&otilde;es publicadas. No entanto, n&atilde;o existe consenso em rela&ccedil;&atilde;o ao instrumento de avalia&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica mais apropriado para pesquisas na &aacute;rea da sa&uacute;de. Estes autores, conclu&iacute;ram que n&atilde;o existem instrumentos &oacute;timos de avalia&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica para os diferentes desenhos de estudo, nem existe nenhum instrumento gen&eacute;rico que possa ser usado igualmente nos diversos tipos de estudos. Eles referem que o instrumento adotado deve ser escolhido cuidadosamente consoante as caracter&iacute;sticas e tipo de estudo.</p>     <p>Assim, a avalia&ccedil;&atilde;o da qualidade dos artigos foi baseada numa vers&atilde;o modificada de um instrumento de avalia&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica bem aceite pela comunidade cient&iacute;fica e usada em estudos relacionados com dores nas costas, adaptado por Crombie em 1996, conforme Steele, Bialocerkowski e Grimmer (2003). A qualidade de cada artigo foi avaliada de acordo com os itens apresentados no quadro 1.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Quadro 1 – Instrumento de avalia&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica modificado</p> <img src="/img/revistas/ref/vserIIIn6/IIIn6a13q1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Este instrumento de avalia&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica da qualidade metodol&oacute;gica dos artigos selecionados (Crombie, 1996, segundo Steele <i>et al</i>., 2003) inclui dezasseis itens e pode ser usada em estudos de preval&ecirc;ncia, os quais avaliam a representatividade da popula&ccedil;&atilde;o alvo, qualidade dos resultados e conceito de dores nas costas.</p>     <p>Foi alocado um ponto no preenchimento de cada item, caso presente, e 0 pontos quando ausente ou pouco claro. A pontua&ccedil;&atilde;o m&aacute;xima, indicativa de alta qualidade, foi de 16, com a pontua&ccedil;&atilde;o mais baixa poss&iacute;vel de zero. A qualidade metodol&oacute;gica de cada estudo foi posteriormente cotada como baixa (0-5 pontos), moderada (6-11 pontos), ou alta (12-16 pontos), em semelhan&ccedil;a aos procedimentos usados por Geytenbeek em 2002, conforme Steele, Bialocerkowski e Grimmer (2003).</p>						     <p>Para al&eacute;m deste instrumento, devido &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o de m&eacute;todos diferentes em dois dos artigos eleg&iacute;veis, us&aacute;mos ainda o <i>JBI Critical Appraisal Checklist for Experimental Studies</i> (Pearson e Aromataris, 2009) e a Grelha de Avalia&ccedil;&atilde;o Cr&iacute;tica de uma Revis&atilde;o Sistem&aacute;tica (Bugalho e Carneiro, 2004).</p>     <p>Todos os artigos foram avaliados independentemente por ambos os revisores. Opini&otilde;es diferentes entre os revisores foram discutidas at&eacute; ter sido alcan&ccedil;ado consenso.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Hierarquia da evid&ecirc;ncia</b></p>     <p>O sistema hier&aacute;rquico da evid&ecirc;ncia, descrito por Sackett <i>et al</i>. (2000), foi usado para determinar o n&iacute;vel da evid&ecirc;ncia dos estudos selecionados e inclu&iacute;dos neste estudo. Os estudos de preval&ecirc;ncia s&atilde;o estudos epidemiol&oacute;gicos e, assim, os estudos procurados para esta nesta revis&atilde;o sistem&aacute;tica encontram-se, na maioria, no n&iacute;vel 3 de evid&ecirc;ncia desta classifica&ccedil;&atilde;o (quadro 2).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a name="q2"></a><a href="#topq2">Quadro 2</a> – Hierarquia da evid&ecirc;ncia</p> <img src="/img/revistas/ref/vserIIIn6/IIIn6a13q2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Extra&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise de dados</b></p>     <p>Os dados foram extra&iacute;dos para um ficheiro Word (tabela), onde se inclu&iacute;ram os elementos mais relevantes de cada estudo, nomeadamente: autor(es), pa&iacute;s de publica&ccedil;&atilde;o, desenho do estudo, caracteriza&ccedil;&atilde;o da amostra, tipo de amostragem, conceito de dor de costas, m&eacute;todo de colheita de dados, preval&ecirc;ncias e fatores de risco (quadro 3).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="q3"></a><a href="#topq3">Quadro 3</a> – Descri&ccedil;&atilde;o dos principais aspetos metodol&oacute;gicos e resultados de estudos sobre dores nas costas em adolescentes</p> <img src="/img/revistas/ref/vserIIIn6/IIIn6a13q3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados e discuss&atilde;o</b></p>     <p>Pretendemos, aqui, identificar a evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica recente sobre a preval&ecirc;ncia e principais fatores de risco associados &agrave;s dores nas costas em adolescentes. A pesquisa forneceu trinta e um artigos, dos quais foram exclu&iacute;dos oito, numa primeira fase, pelo t&iacute;tulo e resumo, por n&atilde;o estarem em conformidade com a quest&atilde;o e os objetivos desta revis&atilde;o (ap&oacute;s avalia&ccedil;&atilde;o pelos dois investigadores).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Num 2&ordm; momento, acedemos ao texto completo dos vinte e tr&ecirc;s artigos, tendo sido exclu&iacute;dos dois, por n&atilde;o responderem aos crit&eacute;rios predefinidos.</p>     <p>No final, foram ainda selecionados tr&ecirc;s outros estudos atrav&eacute;s do motor de busca Google e ap&oacute;s consulta de reposit&oacute;rio de disserta&ccedil;&otilde;es da Escola Nacional de Sa&uacute;de P&uacute;blica e da Universidade do Minho (Paiva, Marques e Paiva, 2009; Coelho, Almeida e Oliveira, 2005; Alpalh&atilde;o e Robalo, 2005). Consequentemente, vinte e quatro estudos foram inclu&iacute;dos nesta revis&atilde;o.</p>     <p>O m&eacute;todo de busca e os resultados s&atilde;o apresentados na figura 1.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Figura 1 – Resultados da busca em bases de dados eletr&oacute;nicas</p> <img src="/img/revistas/ref/vserIIIn6/IIIn6a13f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Hierarquia da evid&ecirc;ncia</b></p>     <p>Como referimos, a maioria dos estudos s&atilde;o de caracter&iacute;sticas epidemiol&oacute;gicas, com uma evid&ecirc;ncia de n&iacute;vel 3 (ver <a href="#q2">quadro 2</a><a name="topq2"></a>), incluindo dezanove estudos transversais e tr&ecirc;s prospetivos, conforme <a href="#q3">quadro 3</a><a name="topq3"></a>. Elegemos, ainda, um estudo experimental (Fanuchi <i>et al</i>., 2009) e uma Revis&atilde;o Sistem&aacute;tica da Literatura (Briggs <i>et al</i>., 2009).</p>     <p>&nbsp;</p>				     <p><b>Avalia&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica da qualidade metodol&oacute;gica</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O valor da qualidade metodol&oacute;gica dos estudos est&aacute; apresentado na tabela 1.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Tabela 1 – Avalia&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica da qualidade de estudos</p> <img src="/img/revistas/ref/vserIIIn6/IIIn6a13t1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Como os question&aacute;rios foram o principal instrumento de colheita de dados, os crit&eacute;rios 8 e 9 do instrumento de avalia&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica de Crombie (1996), citado por Steele, Bialocerkowski e Grimmer (2003) nem sempre foram utilizados, ou foram omitidos. Contudo, tendo em conta a pontua&ccedil;&atilde;o obtida, a maioria dos artigos (68%) apresenta uma qualidade alta e, os restantes, uma qualidade moderada.</p>				     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o aos artigos de Fanucchi <i>et al</i>. (2009) e Briggs <i>et al</i>. (2009), dadas as suas caracter&iacute;sticas (estudo experimental e revis&atilde;o sistem&aacute;tica da literatura, respetivamente), foram avaliados com grelhas espec&iacute;ficas - <i>“JBI Critical Appraisal Checklist for Experimental Studies”</i> e a “grelha de avalia&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica de revis&atilde;o sistem&aacute;tica” (Bugalho e Carneiro, 2004) - cujos resultados foram de boa qualidade metodol&oacute;gica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Popula&ccedil;&atilde;o/amostra</b></p>     <p>A popula&ccedil;&atilde;o alvo mais comum nos estudos analisados foi composta por adolescentes, nomeadamente estudantes do ensino secund&aacute;rio,  abrangendo idades compreendidas entre os 11 e os 19 anos (<a href="#q3">quadro 3</a>), apesar das varia&ccedil;&otilde;es ou intervalos de idade diferentes (m&iacute;n. - m&aacute;x.) encontrados.</p>     <p>O tamanho das amostras variou entre 72 e 9600 indiv&iacute;duos e o tipo de amostragem foi na maioria (13 artigos) n&atilde;o probabil&iacute;stica por conveni&ecirc;ncia (Hanvold, Veiersted e Waersted, 2010; Skaggs <i>et al</i>., 2006; O’Sullivan <i>et al</i>., 2008; Auniven <i>et al</i>., 2010; &Oslash;steras <i>et al</i>., 2006; Stovitz <i>et al</i>., 2008; Kaspiris <i>et al</i>., 2010; Mohseni-Bandpei, Bagheri-Nesami e Shayesteh-Azar, 2007; Navuluri e Navuluri, 2006; Hestbaek <i>et al</i>., 2006; Giusti e Tomasi, 2008; Paiva, Marques e Paiva, 2009; Coelho, Almeida e Oliveira, 2005; e Alpalh&atilde;o e Robalo, 2005), seguida de oito artigos com amostragem randomizadas (Fanucchi <i>et al</i>., 2009; Kratenov&aacute; <i>et al</i>., 2007; Masiero <i>et al</i>., 2008; Grimmer, Nyland e Milanese, 2006; Gilkey <i>et al</i>., 2010; Jordaan <i>et al</i>., 2005; e Brink <i>et al</i>., 2009) e um artigo referente a uma revis&atilde;o sistem&aacute;tica da literatura. Alguns autores referiram mortalidade de indiv&iacute;duos da amostra, principalmente nos estudos longitudinais (Skaggs <i>et al</i>., 2006).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>M&eacute;todos de colheita de dados</b></p>     <p>Entre os m&eacute;todos de colheita de dados, os question&aacute;rios de auto preenchimento s&atilde;o os mais usados sendo, na sua maioria, vers&otilde;es adaptadas do <i>Standardized Nordic Questionnaire of analysis of Musculoskeletal Symptoms</i> (Kuorinka <i>et al</i>., 1987) - Hanvold, Veiersted e Waersted, 2010; Stovitz <i>et al</i>., 2008; Kaspiris <i>et al</i>., 2010; Mohseni-Bandpei, Bagheri-Nesami e Shayesteh-Azar, 2007; Masiero <i>et al</i>., 2008; Grimmer, Nyland e Milanese, 2006; Gilkey <i>et al</i>., 2010; Navuluri e Navuluri, 2006; Jordaan <i>et al</i>., 2005; Hestbaek <i>et al</i>., 2006; Giusti e Tomasi, 2008; Coelho, Almeida e Oliveira, 2005; e Alpalh&atilde;o e Robalo, 2005 - alguns dos quais incluem quest&otilde;es para avaliar dados demogr&aacute;ficos, diversos fatores de risco e dados pessoais e familiares (O&acute;Sullivan <i>et al</i>., 2008).</p>     <p>Contudo, a validade e fidelidade destes question&aacute;rios nem sempre &eacute; revelada e confirmada.</p>     <p>Para al&eacute;m dos question&aacute;rios referidos, no estudo realizado por Skaggs <i>et al</i>. (2006) foi usado uma adapta&ccedil;&atilde;o do Question&aacute;rio de <i>Fairbank</i> (1984); Fanuchi <i>et al</i>. (2009) usaram o <i>Mental Health Inventory-5</i>; Brink <i>et al</i>. (2009) usaram o <i>Beck Depression Inventory (BDI)</i> e o <i>Anxiety Scale for Children (MASC)</i>; Brink <i>et al</i> (2009) usaram uma parte adaptada do <i>Computer Usage Questionnaire (CUQ)</i>; Auniven <i>et al</i>. (2010) utilizaram um question&aacute;rio de avalia&ccedil;&atilde;o da qualidade e quantidade de sono e Coelho, Almeida e Oliveira (2005) aplicaram a escala <i>Piers-Harris Children’s Self-Concept Scale</i> para avaliar o n&iacute;vel de autoconceito.</p>     <p>A percentagem de respostas aos question&aacute;rios foi referida em cerca de metade (onze) dos artigos avaliados, com taxas de resposta elevadas e moderadas na generalidade: 75% (Auniven <i>et al</i>., 2010); 97,2% (Beijia <i>et al</i>., 2005); 22% (Kaspiris <i>et al</i>., 2010); 97,7% (Kratenov&aacute;, <i>et al</i>., 2007); 97,7%, (Masiero <i>et al</i>., 2008); 83% (Grimmer, Nyland e Milanese, 2006); 45,85% (Gilkey <i>et al</i>., 2010); 87,30% (Navuluri e Navuluri, 2006); 94,28% (Brink <i>et al</i>., 2009); 84% Hestbaek <i>et al</i>., 2006); 96% (Alpalh&atilde;o e Robalo, 2005).</p>     <p>A maioria dos question&aacute;rios foram preenchidos na institui&ccedil;&atilde;o de ensino, um foi preenchido atrav&eacute;s de computador com 130 quest&otilde;es (Perry <i>et al</i>., 2009) e noutro, as respostas foram enviadas via CTT (Auniven <i>et al</i>., 2010).</p>     <p>Nos estudos em que foi avaliada a intensidade da dor, foram usadas essencialmente Escalas Visual&oacute;gicas de Avalia&ccedil;&atilde;o de Dor (EVA) (Fanuchi <i>et al</i>., 2009; Beijia <i>et al</i>., 2005; Masiero <i>et al</i>., 2008; Coelho, Almeida e Oliveira, 2005), verificando-se o uso da <i>BorgCR 10 Scale</i> para avaliar a perce&ccedil;&atilde;o de esfor&ccedil;o durante o exerc&iacute;cio f&iacute;sico, apenas num artigo (Navuluri e Navuluri, 2006).</p>     <p>O exame f&iacute;sico e cl&iacute;nico foi outro dos m&eacute;todos utilizados na avalia&ccedil;&atilde;o de algumas vari&aacute;veis (&Oslash;steras <i>et al</i>., 2006), com avalia&ccedil;&otilde;es de medidas antropom&eacute;tricas como o peso, a altura e determina&ccedil;&atilde;o do &Iacute;ndice de Massa Corporal (Paiva, Marques e Paiva, 2009; Stovitz <i>et al</i>., 2008; Kaspiris <i>et al</i>., 2010; Kratenov&aacute;, 2007; Giusti e Tomasi, 2008; Perry <i>et al</i>., 2009), avalia&ccedil;&atilde;o postural (Skaggs <i>et al</i>., 2006) e apenas um estudo recorreu ao <i>Photographic Posture Analysis Method</i> (Brinketal, 2009). A avalia&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a muscular, da estabilidade e mobilidade lombar foram realizados no estudo de Fanuchi <i>et al</i>. (2009), avalia&ccedil;&atilde;o da capacidade aer&oacute;bica, desempenho muscular e flexibilidade com uso do <i>Schober &iacute;ndex</i> (Beijia <i>et al</i>., 2005; Perry <i>et al</i>., 2009). A avalia&ccedil;&atilde;o do peso das mochilas escolares, usadas pelos estudantes, foi tamb&eacute;m um dos dados colhidos (Giusti e Tomasi, 2008).</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Defini&ccedil;&atilde;o/conceito de dores nas costas</b></p>     <p>Uma das dificuldades e limita&ccedil;&otilde;es desta revis&atilde;o deveu-se a diversos conceitos de dores nas costas referidos nos artigos analisados. Tendo em conta algumas similaridades de localiza&ccedil;&atilde;o, associ&aacute;mos alguns dos conceitos em tr&ecirc;s categorias, sendo os mais referidos <i>“Low back pain</i>/ <i>Nonspecific low back pain</i>/Lombalgia (37,5%), seguido por <i>“Neck, shoulder and upper back pain</i>/<i>Thoracic back pain”</i> (25%) e um conceito de caracter&iacute;sticas mais abrangentes <i>“Back pain”</i> (20,8%).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Preval&ecirc;ncia de dores nas costas</b></p>     <p>A preval&ecirc;ncia de dores nas costas variou em duas dimens&otilde;es: temporal (preval&ecirc;ncia no presente, nos &uacute;ltimos sete dias, no &uacute;ltimo m&ecirc;s, nos &uacute;ltimos seis meses, no &uacute;ltimo ano e ao longo da vida) e localiza&ccedil;&atilde;o (na coluna vertebral, na regi&atilde;o cervical, tor&aacute;cica, lombar e sagrada, ombro(s), cefaleias, dores nas costas em geral), que dividimos nas tr&ecirc;s categorias, referidas anteriormente. Relacionando a preval&ecirc;ncia temporal com as referidas tr&ecirc;s categorias, verificamos que a preval&ecirc;ncia mais elevada encontrada a n&iacute;vel de <i>“Low back pain</i>/<i>Nonspecific low back pain</i>/Lombalgia” foi de 15% no “presente” e de 14,4% no “&uacute;ltimo m&ecirc;s” (Mohseni-Bandpei, Bagheri-Nesami e Shayesteh-Azar, 2007), de 40% nos “&uacute;ltimos 6 meses” no grupo de controlo do estudo experimental de Fanucchi <i>et al</i>. (2009), de 69,3% no “&uacute;ltimo ano” e de 71,3% ao “longo da vida” (Paiva, Marques e Paiva, 2009).</p>     <p>A preval&ecirc;ncia mais elevada encontrada a n&iacute;vel de <i>“Neck, shoulder and upper back pain/thoracic back pain”</i> foi de 72% no “presente”, de 51,4% nos “&uacute;ltimos 7 dias” e 34,8% nos “&uacute;ltimos 7 dias” e no “&uacute;ltimo m&ecirc;s” ao “longo da vida” (Briggs <i>et al</i>., 2009). Nos “&uacute;ltimos 6 meses” a preval&ecirc;ncia mais elevada foi de 43%, verificando-se diferen&ccedil;as entre sexos, 28% nas raparigas e 15% nos rapazes (&Oslash;steras <i>et al</i>., 2006), e diferen&ccedil;as entre idades, com 46,8% em raparigas de 16 anos e 61,8% em raparigas de 18 anos, e de 39,03% em rapazes com 16 anos e de 42,9% em rapazes com 18 anos (Auniven <i>et al</i>., 2010).</p>     <p>A preval&ecirc;ncia mais elevada encontrada a n&iacute;vel de <i>“Back pain”</i>, foi de 37% no “presente”, verificando-se diferen&ccedil;as entre sexos, 43% nas raparigas e 32% nos rapazes (Skaggs <i>et al</i>., 2006), de 28,1% no “&uacute;ltimo m&ecirc;s” (Perry <i>et al</i>., 2009), de 38% no “&uacute;ltimo m&ecirc;s” (Gulkey <i>et al</i>, 2010), e de 46,5% ao “longo da vida” (O’Sullivan <i>et al</i>., 2008).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Fatores de risco</b></p>     <p>Os fatores de risco identificados e estudados s&atilde;o diversos, agrupando-se como: fatores f&iacute;sicos (idade, g&eacute;nero, hist&oacute;ria anterior de dores, antecedentes familiares de dores nas costas, dados antropom&eacute;tricos, for&ccedil;a muscular); fatores psicossociais (depress&atilde;o, ansiedade, autoconceito, problemas de sono); fatores relacionados com o estilo de vida (sedentarismo, pr&aacute;tica de atividade f&iacute;sica e desportos, sono, h&aacute;bitos tab&aacute;gicos, obesidade, horas despendidas a ver televis&atilde;o e no computador) e fatores relacionados com o ambiente escolar (postura, tipo e peso da mochila, m&eacute;todo de transporte da mochila, mobili&aacute;rio escolar).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O fator de risco com maior impacto na preval&ecirc;ncia de dores de costa &eacute; o g&eacute;nero. Em sete estudos, a evid&ecirc;ncia indica-nos que o sexo feminino apresenta maiores preval&ecirc;ncias e maior risco de queixas de dores nas costas do que o sexo masculino (Hanvold, Veiersted e Waersted, 2010; Skaggs <i>et al</i>., 2006; Perry <i>et al</i>., 2009; Auniven <i>et al</i>., 2010; Masiero <i>et al</i>., 2008; Briggs <i>et al</i>., 2009; Paiva, Marques e Paiva, 2009), embora Grimmer, Nyland e Milanese (2006) refiram que os padr&otilde;es de dores nas costas s&atilde;o semelhantes entre rapazes e raparigas e, no estudo de Kaspiris <i>et al</i>. (2010), a evid&ecirc;ncia vai no sentido de que ser do sexo masculino parece afetar mais a exist&ecirc;ncia dessas queixas.</p>     <p>A idade surge como outro dos fatores de risco mais referido entre os artigos avaliados, evidenciando que quanto maior a idade maior evid&ecirc;ncia de dores nas costas nos adolescentes. De facto, Kaspiris <i>et al</i>. (2010) referem que o fator “maior idade” parece afetar a exist&ecirc;ncia de dores, Hestbaek <i>et al</i>. (2006) identificaram correla&ccedil;&otilde;es entre lombalgia na adolesc&ecirc;ncia e lombalgias na idade adulta, Briggs <i>et al</i>. (2009) referem que os fatores de risco identificados incluem a idade (ser mais velho) e Paiva, Marques e Paiva (2009) referem que a percentagem de dor ou desconforto nos adolescentes mais velhos (79.6%) &eacute; significativamente superior &agrave; percentagem observada nos adolescentes mais novos (59.7%).</p>     <p>Em oposi&ccedil;&atilde;o a estas evid&ecirc;ncias, no estudo realizado por Skaggs <i>et al</I>., (2006), os adolescentes de menor idade relataram maiores taxas de dores nas costas do que os hom&oacute;logos mais velhos.</p>     <p>Os fatores antropom&eacute;tricos s&atilde;o fatores de risco referidos com alguma frequ&ecirc;ncia nos estudos sobre problemas de coluna. Isso foi confirmado por alguns autores dos artigos analisados na nossa RSL. De facto, o peso, a altura e o &Iacute;ndice de Massa Corporal (IMC) elevados est&atilde;o associados com queixas a n&iacute;vel da coluna e pernas (Stovitz <i>et al</i>., 2008; Kaspiris <i>et al</i>., 2010; Kratenov&aacute; <i>et al</i>. 2007).</p>     <p>Na nossa RSL, alguns artigos fazem alus&atilde;o &agrave; exist&ecirc;ncia de alguma associa&ccedil;&atilde;o entre dores nas costas e aspetos de postura corporal. No artigo de Mohseni-Bandpei, Bagheri-Nesami e Shayesteh-Azar (2007) observou-se correla&ccedil;&atilde;o entre as lombalgias e posturas menos adequadas durante o tempo passado na televis&atilde;o, a posi&ccedil;&atilde;o e dura&ccedil;&atilde;o do trabalho de casa. Crian&ccedil;as com m&aacute; postura referiram dores de cabe&ccedil;a e cervicalgias e lombalgias mais frequentemente, conforme referem Kratenov&aacute; <i>et al</i>. (2007), e existem evid&ecirc;ncias de que certas posturas s&atilde;o fatores de risco significativos para o desenvolvimento de problemas e dores nas costas e m&uacute;sculo esquel&eacute;ticos (Brink <i>et al</i>., 2009; Briggs <i>et al</i>., 2009).</p>     <p>Nos fatores relacionados com aspetos ergon&oacute;micos, nomeadamente do material e equipamento escolar, existem tamb&eacute;m algumas evid&ecirc;ncias. Beijia <i>et al</i>., (2005) e Kaspiris <i>et al</i>. (2010) referem que a insatisfa&ccedil;&atilde;o com cadeiras escolares parece aumentar a refer&ecirc;ncia de dores e Skaggs <i>et al</i>. (2006) referem existir associa&ccedil;&atilde;o entre disponibilidade de arm&aacute;rio escolar e menos dores.</p>     <p>Quanto ao peso, forma de transporte e tipo de mochilas e/ou outro tipo de materiais escolares s&atilde;o tamb&eacute;m aspetos referidos como fatores de risco. Observou-se evid&ecirc;ncia de associa&ccedil;&atilde;o entre maior peso de mochilas, (in)disponibilidade de arm&aacute;rios escolares e dores nas costas (Skaggs <i>et al</i>., 2006; Navuluri e Navuluri, 2006; Briggs <i>et al</i>., 2009). Guisti <i>et al</i>. (2008) observaram existir associa&ccedil;&atilde;o entre o peso excessivo de material escolar e o tipo de mochila (saco <i>trolley</i>) ou <i>notebook</i> (saco mais pesado). Finalmente, Paiva, Marques e Paiva, 2009 observaram que o modo como os adolescentes transportam o material escolar influencia significativamente (p = 0.030) o aparecimento de mau estar, dor ou desconforto na zona lombar. Os mesmos autores verificaram, tamb&eacute;m, que a preval&ecirc;ncia desta perturba&ccedil;&atilde;o nos adolescentes que transportam o material escolar em mochila apoiada nos dois ombros ou em mochila com rodas (56.3%) &eacute; significativamente inferior &agrave; preval&ecirc;ncia observada nos adolescentes que transportam o material escolar de outro modo (73.7%).</p>     <p>A hist&oacute;ria familiar &eacute; outro dos fatores de risco referido e estudado nos artigos analisados. Kaspiris <i>et al</i>. (2010) referem que hist&oacute;ria familiar de lombalgia num dos pais e condi&ccedil;&otilde;es anat&oacute;micas parecem afetar a exist&ecirc;ncia de dores nas costas nos adolescentes. Masiero <i>et al</i>. (2008) observaram associa&ccedil;&otilde;es entre o g&eacute;nero (feminino) e hist&oacute;ria de lombalgias na fam&iacute;lia e, tamb&eacute;m, O’Sullivan <i>et al</i>. (2008) constataram que os “cuidadores” com dores nas costas, que normalmente s&atilde;o os pais, aumenta o risco de dores no adolescente e encontraram associa&ccedil;&atilde;o entre as dores do adolescente e eventos de <i>stress</i> na fam&iacute;lia.</p>     <p>A exist&ecirc;ncia de antecedentes de dores nas costas pode ser outro fator de risco a ter em conta. Parece que a exist&ecirc;ncia de queixas durante a adolesc&ecirc;ncia &eacute; preditor de dores nas costas na fase adulta (Hanvold, Veiersted e Waersted, 2010), podendo aquelas estarem relacionadas com as mudan&ccedil;as de crescimento verificadas na adolesc&ecirc;ncia (Jordaan <i>et al</i>., 2005; Briggs <i>et al</i>., 2009).</p>     <p>Outros fatores de risco, referidos e abordados com menor frequ&ecirc;ncia mas sem diminuir a sua import&acirc;ncia, s&atilde;o os denominados “fatores psicossociais”. Gilkey <i>et al</i>. (2010) constataram que os fatores psicossociais estavam associados significativamente &agrave;s dores nas costas e que sentir-se com fadiga permanente ou existirem problemas de relacionamento afetivo, foram alguns dos fatores referidos pelos adolescentes. Os “estilo de vida”, “fatores emocionais” e “autoconceito” foram fatores referidos nos estudos de Briggs <i>et al</i>. (2009), Gilkey <i>et al</i>. (2010) e Coelho, Almeida e Oliveira (2005). Entretanto, Auniven <i>et al</i>. (2010) observaram que insuficiente quantidade e qualidade menor de sono predizem dores no pesco&ccedil;o e lombalgias nos rapazes e nas raparigas, mas dores no ombro apenas nas raparigas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Segundo alguns autores dos artigos analisados, a pr&aacute;tica de atividade f&iacute;sica e/ou exerc&iacute;cio f&iacute;sico e o sedentarismo podem tamb&eacute;m contribuir, ou n&atilde;o, para o desenvolvimento de dores nas costas nos adolescentes. Coelho, Almeida e Oliveira (2005) observaram existir rela&ccedil;&atilde;o entre a preval&ecirc;ncia de lombalgia e a aus&ecirc;ncia de atividade f&iacute;sica (p = 0,001), o tempo gasto em jogos eletr&oacute;nicos (p &lt;0,001), os indiv&iacute;duos que n&atilde;o realizavam as desloca&ccedil;&otilde;es casa-escola-casa a p&eacute; (p &lt;0,001). Num estudo experimental, com grupo experimental e grupo de controlo, Fanuchi <i>et al</i>. (2009) observaram que a dor diminui ao longo do protocolo de exerc&iacute;cio f&iacute;sico durante 8 semanas, de 45 minutos de dura&ccedil;&atilde;o, cerca de 2.2 cm na escala de avalia&ccedil;&atilde;o da dor, para o grupo experimental. Os mesmos autores constataram que no grupo experimental, o risco absoluto reduziu a preval&ecirc;ncia de queixas, 24% ao fim de tr&ecirc;s meses e 40% ao fim de seis meses. Hanvold, Veiersted e Waersted (2010) verificaram que a atividade f&iacute;sica diminui o risco de dores e Alpalh&atilde;o e Robalo (2005) observaram existir associa&ccedil;&atilde;o significativa entre algias vertebrais e intensidade das atividades de tempos livres. Ali&aacute;s, por vezes, a pr&aacute;tica intensiva de atividade f&iacute;sica pode ter efeitos opostos, como se verificou nos estudos realizados por Mohseni-Bandpei, Bagheri-Nesami e Shayesteh-Azar (2007) com a pr&aacute;tica de exerc&iacute;cio aer&oacute;bico e nata&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o e recomenda&ccedil;&otilde;es</b></p>     <p>Na literatura analisada, identificaram-se diferentes conceitos de dores nas costas (em itens como: cronicidade, intensidade e localiza&ccedil;&atilde;o) que podem ter limitado a capacidade de s&iacute;ntese na identifica&ccedil;&atilde;o e impacto de alguns fatores de risco.</p>     <p>Ap&oacute;s a classifica&ccedil;&atilde;o dos conceitos em tr&ecirc;s categorias, confirmou-se que as preval&ecirc;ncias de dores de costa s&atilde;o bastante significativas e multidimensionais, variando a n&iacute;vel temporal e da localiza&ccedil;&atilde;o, sugerindo que as dores aumentam com a idade e s&atilde;o mais comuns no sexo feminino. Para al&eacute;m disso, os estilos de vida praticados, assim como o uso de determinado material e equipamento escolar, associado a alguns fatores individuais e psicossociais, s&atilde;o determinantes no desenvolvimento deste problema entre os adolescentes, podendo predizer queixas na fase adulta.</p>     <p>Entre as recomenda&ccedil;&otilde;es mais referidas, foi dada &ecirc;nfase &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias preventivas (campanhas oficiais na &aacute;rea da preven&ccedil;&atilde;o e esfor&ccedil;os para melhorar a sa&uacute;de dos adolescentes) e ao aprofundamento desta &aacute;rea de investiga&ccedil;&atilde;o (atrav&eacute;s de estudos prospetivos, que permitam explorar a intera&ccedil;&atilde;o de m&uacute;ltiplos fatores de risco – f&iacute;sicos, estilos de vida e psicossociais).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <p>BUGALHO, A.; CARNEIRO, A. V. (2004) – Interven&ccedil;&otilde;es para aumentar a ades&atilde;o terap&ecirc;utica em patologias cr&oacute;nicas. Lisboa: Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evid&ecirc;ncia.</p>     <p>GALV&Atilde;O, C.; SWADA, N.; ROSSI, L. (2002) - A pr&aacute;tica baseada em evid&ecirc;ncias: considera&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas: para sua implementa&ccedil;&atilde;o na enfermagem perioperat&oacute;ria. Revista Latino-Americana em Enfermagem. Vol. 10, n&ordm; 5, p. 690-695.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>HARREBY, M. [et al.] (1995) - Are radiological changes in the thoracic and lumbar spine of adolescents risk factors for low back pain in adults? A 25 year prospective cohort study of 640 school children. Spine. Vol. 20, n&ordm; 21, p. 2298–2302.</p>     <p>KATRAK, P. [et al.] (2004) – A systematic review of the content of critical tool. BMC Medical Research Methodology. Vol. 4, n&ordm; 22.</p>     <p>PEARSON, A.; AROMATARIS, E. (2009) - Patient safety in primary healthcare: a review of the literature. Adelaide: The Joanna Briggs Institute.</p>     <p>PORTUGAL. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Direc&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de. Divis&atilde;o de Doen&ccedil;as Gen&eacute;ticas, Cr&oacute;nicas e Geri&aacute;tricas (2005) - Programa nacional contra as doen&ccedil;as reum&aacute;ticas. Lisboa: DGS.</p>     <p>RUBIN, D. (2007) – Epidemiology and risk factors for spine pain. Neurologic Clinics. Vol. 25, n&ordm; 2, p. 353-371.</p>     <p>SACKETT, D. [et al.] (2000) – Evidence based medicine. Oxford: Churchill Livingstone.</p>     <p>STEELE, E.; BIALOCERKOWSKI, A.; GRIMMER, K. (2003) – The postural effects of load carriage on young people: a systematic review. BMC Musculoskeletal Disorders. Vol. 4, n&ordm; 12, p. 1-7.</p>     <p>&nbsp;</p>		     <p>Recebido para publica&ccedil;&atilde;o em: 05.08.11</p>     <p>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em: 11.01.12</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[ ]]></body><back>
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<label>1</label><nlm-citation citation-type="book">
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<surname><![CDATA[BUGALHO]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
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<surname><![CDATA[CARNEIRO]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. V.]]></given-names>
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