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<publisher-name><![CDATA[Escola Superior de Enfermagem de Coimbra - Unidade de Investigação em Ciências da Saúde - Enfermagem]]></publisher-name>
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<article-id pub-id-type="doi">10.12707/RIII11130</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Saberes e práticas de mães ribeirinhas e o cuidado dos filhos recém-nascidos: contribuição para a enfermagem]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Knowledge and practices of riverside mothers and care of newborns: a contribution to nursing]]></article-title>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Conocimientos y prácticas de las madres ribereñas y el cuidado de los hijos recién nacidos: una contribución a la enfermería]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro Escola de Enfermagem Alfredo Pinto Departamento Enfermagem Materno Infantil]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Background:This was a descriptive study with qualitative approach, having as its focus the knowledge and practices of riverside mothers and care of their newborn babies.Objectives: to identify the cultural values in riverside mothers’ care of newborns, and to discuss their knowledge and practices with respect to the care of their newborns. Methodology: data collection took place from January to February 2011 and the location was the riverside town of Benjamin Constant, Amazonas, Brazil.The study participants were mothers born in the coastal city, and responsible for caring for their children. The questionnaire was divided into two stages, the first relating to socioeconomic and cultural identity and the second to the mothers’ care of the newborn baby. Data analysis was based on ethnonursing.Results and conclusion:we interviewed twenty riverside mothers aged between 20 and 46 years, mean age 33 years. The study showed that cultural values influence the riverside mothers in the care of their newborns. It was also observed that these women lack information related to the care of the newborn, for example, umbilical stump, hygiene and colic.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[Marco: se trata de un estudio descriptivo con enfoque cualitativo que tuvo por objeto los conocimientos y las prácticas de las madres ribereñas y el cuidado materno de sus hijos recién nacidos. Objetivos: identificar los valores culturales en la atención materna de los recién nacidos ribereños, y discutir los conocimientos y las prácticas de las madres con respecto al cuidado de los recién nacidos. Metodología: los datos fueron recolectados de enero a febrero de 2011 en la ciudad ribereña de Benjamín Constant, Amazonas, Brasil. Los sujetos del estudio eran madres nacidas en la ciudad, quienes eran responsables de cuidar a sus hijos. Se utilizó un cuestionario dividido en dos etapas: la primera relativa a la identidad socio-económica y cultural, y la segunda en relación con la atención materna del recién nacido. El estudio se basó en el análisis de datos de la etnoenfermería. Resultados y conclusión: entrevistamos a veinte madres ribereñas, cuya edad varió entre los 20 y los 46 años, con una edad media de 33 años. El estudio mostró que los valores culturales ribereños de las madres influyen en el cuidado de los recién nacidos. También se observó que estas mujeres carecen de información relacionada con el cuidado del recién nacido con respecto a, por ejemplo, el cordón umbilical, la higiene y los cólicos.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Saberes e pr&aacute;ticas de m&atilde;es ribeirinhas e o cuidado dos filhos rec&eacute;m-nascidos: contribui&ccedil;&atilde;o para a enfermagem</b></p>    <p><b>Knowledge and practices of riverside mothers and care of newborns: a contribution to nursing</b></p>    <p><b>Conocimientos y pr&aacute;cticas de las madres ribere&ntilde;as y el cuidado de los hijos reci&eacute;n nacidos: una contribuci&oacute;n a la enfermer&iacute;a</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Sayonara Maielle de Souza Maia</b>*; <b>Leila Rangel da Silva</b>**</p>     <p>* Graduanda de Enfermagem da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro [<a href="mailto:narita_maia@hotmail.com">narita_maia@hotmail.com</a>].</p>     <p>** Doutora em Enfermagem na &Aacute;rea da Sa&uacute;de da Mulher; Professora Adjunta do Departamento Enfermagem Materno Infantil da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Coordenadora do N&uacute;cleo de Pesquisa, Estudos e Experimenta&ccedil;&atilde;o em Enfermagem na &Aacute;rea da Sa&uacute;de da Mulher e da Crian&ccedil;a – NuPEEMC [<a href="mailto:rangel.leila@gmail.com">rangel.leila@gmail.com</a>].</p>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>Resumo</b></P>     <p>Enquadramento: trata-se de um estudo descritivo com abordagem qualitativa tendo como objeto saberes e pr&aacute;ticas de m&atilde;es ribeirinhas e o cuidado materno dos seus filhos rec&eacute;m-nascidos. Objetivos: identificar os valores culturais maternos no cuidado dos filhos rec&eacute;m-nascidos ribeirinhos e discutir os saberes e as pr&aacute;ticas de m&atilde;es ribeirinhas com rela&ccedil;&atilde;o ao cuidado dos rec&eacute;m-nascidos. Metodologia: a coleta de dados foi de janeiro a fevereiro de 2011 e o cen&aacute;rio &eacute; a cidade ribeirinha de Benjamin Constant, Amazonas, Brasil. Os sujeitos do estudo foram m&atilde;es ribeirinhas nascidas na cidade e que s&atilde;o respons&aacute;veis pelo cuidado de seus filhos. Foi utilizado um question&aacute;rio dividido em duas etapas: a primeira, referente &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o socioecon&oacute;mica e cultural e a segunda, em rela&ccedil;&atilde;o ao cuidado materno do filho rec&eacute;m-nascido. A an&aacute;lise foi fundamentada na an&aacute;lise de dados da etnoenfermagem. Resultados e conclus&atilde;o: foram entrevistadas vinte m&atilde;es ribeirinhas, a idade variou de 20 a 46 anos, com m&eacute;dia de idade 33 anos. O estudo demonstrou que os valores culturais das m&atilde;es ribeirinhas influenciam no cuidado com os filhos rec&eacute;m-nascidos ribeirinhos. Observou-se, tamb&eacute;m, que estas mulheres carecem de informa&ccedil;&otilde;es relacionadas aos cuidados com o rec&eacute;m-nascido como, por exemplo, coto umbilical, higiene e c&oacute;lica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave:</b> enfermagem transcultural; sa&uacute;de materno-infantil; cuidado da crian&ccedil;a; enfermagem</p>     <p>&nbsp;</p>      <P><b>Abstract</b></p>     <p>Background:This was a descriptive study with qualitative approach, having as its focus the knowledge and practices of riverside mothers and care of their newborn babies.Objectives: to identify the cultural values in riverside mothers’ care of newborns, and to discuss their knowledge and practices with respect to the care of their newborns. Methodology: data collection took place from January to February 2011 and the location was the riverside town of Benjamin Constant, Amazonas, Brazil.The study participants were mothers born in the coastal city, and responsible for caring for their children. The questionnaire was divided into two stages, the first relating to socioeconomic and cultural identity and the second to the mothers’ care of the newborn baby. Data analysis was based on ethnonursing.Results and conclusion:we interviewed twenty riverside mothers aged between 20 and 46 years, mean age 33 years. The study showed that cultural values influence the riverside mothers in the care of their newborns. It was also observed that these women lack information related to the care of the newborn, for example, umbilical stump, hygiene and colic.</p>     <p><b>Keywords:</b> transcultural nursing; maternal and child health; child care; nursing</p>     <p>&nbsp;</p>      <P><b>Resumen</b></P>						     <p>Marco: se trata de un estudio descriptivo con enfoque cualitativo que tuvo por objeto los conocimientos y las pr&aacute;cticas de las madres ribere&ntilde;as y el cuidado materno de sus hijos reci&eacute;n nacidos. Objetivos: identificar los valores culturales en la atenci&oacute;n materna de los reci&eacute;n nacidos ribere&ntilde;os, y discutir los conocimientos y las pr&aacute;cticas de las madres con respecto al cuidado de los reci&eacute;n nacidos. Metodolog&iacute;a: los datos fueron recolectados de enero a febrero de 2011 en la ciudad ribere&ntilde;a de Benjam&iacute;n Constant, Amazonas, Brasil. Los sujetos del estudio eran madres nacidas en la ciudad, quienes eran responsables de cuidar a sus hijos. Se utiliz&oacute; un cuestionario dividido en dos etapas: la primera relativa a la identidad socio-econ&oacute;mica y cultural, y la segunda en relaci&oacute;n con la atenci&oacute;n materna del reci&eacute;n nacido. El estudio se bas&oacute; en el an&aacute;lisis de datos de la etnoenfermer&iacute;a. Resultados y conclusi&oacute;n: entrevistamos a veinte madres ribere&ntilde;as, cuya edad vari&oacute; entre los 20 y los 46 a&ntilde;os, con una edad media de 33 a&ntilde;os. El estudio mostr&oacute; que los valores culturales ribere&ntilde;os de las madres influyen en el cuidado de los reci&eacute;n nacidos. Tambi&eacute;n se observ&oacute; que estas mujeres carecen de informaci&oacute;n relacionada con el cuidado del reci&eacute;n nacido con respecto a, por ejemplo, el cord&oacute;n umbilical, la higiene y los c&oacute;licos.</p>     <p><b>Palabras clave:</b> enfermer&iacute;a transcultural; salud materno-infantil; cuidado infantil; enfermer&iacute;a</p>     <p>&nbsp;</p>		     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>O interesse pelo estudo surgiu do contacto direto com mulheres ribeirinhas e sua cultura peculiar atrav&eacute;s de um per&iacute;odo de conv&iacute;vio no qual fui acad&eacute;mica volunt&aacute;ria na assist&ecirc;ncia em sa&uacute;de local. O cen&aacute;rio &eacute; a cidade de Benjamin Constant, localizada nas margens do Rio Solim&otilde;es, regi&atilde;o sudoeste do Estado do Amazonas, Brasil. Por ser uma &aacute;rea de fronteira com mais dois pa&iacute;ses, Col&ocirc;mbia e Peru, a popula&ccedil;&atilde;o &eacute; formada por estrangeiros, descendentes de &iacute;ndios e de imigrantes nordestinos que ocuparam o Estado do Amazonas na segunda metade do s&eacute;culo XIX atra&iacute;dos pela extra&ccedil;&atilde;o do l&aacute;tex.</p>     <p>Como esta experi&ecirc;ncia pude associar as rela&ccedil;&otilde;es entre enfermagem e a cultura, entendendo que a pr&aacute;tica profissional da enfermagem se define como uma profiss&atilde;o focalizada no fen&oacute;meno, nas atividades do cuidado e comportamento humano e suas varia&ccedil;&otilde;es determinadas pelo processo cultural (Leininger e McFarland, 2002).</p>     <p>A cultura influencia diretamente o processo sa&uacute;de-doen&ccedil;a dos indiv&iacute;duos, familiares ou grupos. Por este motivo, a enfermeira s&oacute; poder&aacute; desenvolver a&ccedil;&otilde;es congruentes, se interagir com a consci&ecirc;ncia de que a sua cultura pessoal e profissional poder&aacute; ser diferente daquela dos indiv&iacute;duos, fam&iacute;lias e grupos com quem est&aacute; atuando (Leininger e McFarland, 2002).</p>     <p>Atrav&eacute;s da conviv&ecirc;ncia com a popula&ccedil;&atilde;o ribeirinha, constatei como os valores culturais das m&atilde;es podem influenciar de modo direto no cuidado com os filhos. As pr&aacute;ticas culturais est&atilde;o extremamente inseridas na rotina di&aacute;ria das pessoas, e os neonatos, por serem fr&aacute;geis, podem estar suscet&iacute;veis ao adoecimento como por exemplo, o enclausuramento nas resid&ecirc;ncias no primeiro m&ecirc;s de vida e o n&uacute;mero de banhos racionados ou permitidos conforme o avan&ccedil;ar dos dias de vida. Os rec&eacute;m-nascidos s&atilde;o ent&atilde;o os mais vulner&aacute;veis aos costumes, pois se trata do per&iacute;odo em que &eacute; totalmente dependente do cuidado materno. </p>     <p>Outras pr&aacute;ticas tamb&eacute;m s&atilde;o realizadas na alimenta&ccedil;&atilde;o, como o fato da n&atilde;o-ingest&atilde;o de animais reimosos (classifica&ccedil;&atilde;o para determinar o grau de seguran&ccedil;a dos animais selvagens e dom&eacute;sticos para o consumo) por aqueles indiv&iacute;duos que tenham feridas, erup&ccedil;&otilde;es cut&acirc;neas e doen&ccedil;as inflamat&oacute;rias, ou ainda por mulheres nos per&iacute;odos de menstrua&ccedil;&atilde;o, gravidez ou p&oacute;s-parto. Quanto aos cuidados com os rec&eacute;m-nascidos, &eacute; comum a procura do rezador para curar o mau-olhado, o uso de fitinha vermelha na testa do beb&eacute; para acabar com o solu&ccedil;o, colocar &oacute;leo de mamona no coto umbilical ou n&atilde;o dar banho no rec&eacute;m-nascido nos primeiros dias, por acreditarem que ela poderia morrer.</p>     <p>O encontro entre o enfermeiro e a popula&ccedil;&atilde;o ribeirinha pode ser uma oportunidade significativa de troca de informa&ccedil;&otilde;es, saberes e pr&aacute;ticas em sa&uacute;de. No entanto, o que &eacute; percept&iacute;vel para uns, pode ser um desencontro entre as a&ccedil;&otilde;es dos profissionais de sa&uacute;de e a comunidade ribeirinha, principalmente no que diz respeito &agrave; cultura local e sua forma de cuidar, especialmente dos rec&eacute;m-nascidos.</p>     <p>Sabe-se que um cuidado culturalmente coerente com uma realidade funciona como uma estrat&eacute;gia de aten&ccedil;&atilde;o diferenciada, que aproxima o saber popular do saber profissional, como nos fala Leininger e McFarland (2002). Por&eacute;m, &eacute; sabido que os curr&iacute;culos dos cursos de sa&uacute;de n&atilde;o contemplam discuss&atilde;o da realidade das fam&iacute;lias, por exemplo, ribeirinhas, ind&iacute;genas, portanto a forma&ccedil;&atilde;o dos profissionais de sa&uacute;de est&aacute; distante da real necessidade da popula&ccedil;&atilde;o brasileira.</p>     <p>&Eacute; importante entender como as m&atilde;es ribeirinhas vivem, pensam, sonham para as suas vidas e como a sua cultura influencia no cuidado com os seus rec&eacute;m-nascidos, estabelecendo uma intera&ccedil;&atilde;o constante entre os saberes, valores e pr&aacute;ticas da vida quotidiana. Conhecendo as pr&aacute;ticas da cultura ribeirinha, os profissionais de sa&uacute;de poder&atilde;o desenvolver condutas que aliadas com a comunidade possam evitar preju&iacute;zo na sa&uacute;de e bem-estar do rec&eacute;m-nascido. Respeitando e orientando o saber popular &eacute; poss&iacute;vel adotar medidas ativas e produtivas locais com o intuito de desmistificar algumas pr&aacute;ticas populares e promover a sa&uacute;de dos neonatos, a partir do cuidado materno. Este estudo tem como objeto: &laquo;Saberes e pr&aacute;ticas de m&atilde;es ribeirinhas e o cuidado materno dos seus filhos rec&eacute;m-nascidos.&raquo;</p>     <p>Para o desenvolvimento do tema foram adotados os seguintes objetivos: identificar os valores culturais materno no cuidado dos filhos rec&eacute;m-nascidos ribeirinhos; discutir os saberes e as pr&aacute;ticas de m&atilde;es ribeirinhas com rela&ccedil;&atilde;o ao cuidado do filho rec&eacute;m-nascido.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Quadro te&oacute;rico</b></p>     <p>O referencial te&oacute;rico utilizado foi a Teoria do Cuidado Cultural de Madeleine Leininger, enfermeira e antrop&oacute;loga americana. O objetivo desta teoria &eacute; descobrir, documentar, conhecer e explicar a interdepend&ecirc;ncia do cuidado e do fen&oacute;meno com as diferen&ccedil;as e semelhan&ccedil;as entre as culturas. A finalidade &eacute; manter ou retornar o bem-estar (sa&uacute;de), ou enfrentar a doen&ccedil;a de modo culturalmente apropriado, tendo em vista que a sa&uacute;de &eacute; o estado percebido ou cognitivo de bem-estar, que capacita o indiv&iacute;duo ou grupo a efetuar as atividades segundo os padr&otilde;es desejados em determinada cultura. Esta &uacute;ltima &eacute; constitu&iacute;da por valores, cren&ccedil;as e pr&aacute;ticas compartilhadas, apreendidas ao longo das gera&ccedil;&otilde;es (Leininger e McFarland, 2002).</p>     <p>As rela&ccedil;&otilde;es entre m&atilde;e e filho iniciam-se desde a gesta&ccedil;&atilde;o, onde come&ccedil;am os cuidados prestados ao filho, e a influ&ecirc;ncia da cultura &eacute; percebida a partir deste momento, quando o saber popular e a fam&iacute;lia se fazem presente. E como esta influ&ecirc;ncia se reflete no processo sa&uacute;de/doen&ccedil;a de m&atilde;e e filho, o conhecimento destas rela&ccedil;&otilde;es, atrav&eacute;s da Teoria do Cuidado Cultural, possibilitou-me levantar as dimens&otilde;es da estrutura sociocultural das mulheres ribeirinhas, traduzindo como vivem, seu modo de vida, cren&ccedil;as e valores, entendendo, assim, como as mulheres cuidam de seus filhos &agrave; luz dos saberes populares.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Metodologia</b></p>     <p>Trata-se de um estudo descritivo-explorat&oacute;rio com abordagem qualitativa, j&aacute; que a pesquisa explorat&oacute;ria tem como objetivo explorar aspectos de uma situa&ccedil;&atilde;o (Minayo <i>et al</i>., 2003) e a descritiva t&ecirc;m como objetivo a descri&ccedil;&atilde;o das caracter&iacute;sticas de determinada popula&ccedil;&atilde;o ou fen&oacute;meno, sendo uma das suas caracter&iacute;sticas mais significativas a utiliza&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicas padronizadas de coleta de dados, como question&aacute;rios (Gil, 2002). As pesquisas descritivas s&atilde;o as que geralmente, junto com as explorat&oacute;rias, s&atilde;o utilizadas pelos pesquisadores sociais preocupados com a pr&aacute;tica.</p>     <p>A fim de garantir o cumprimento das quest&otilde;es &eacute;ticas, o estudo foi encaminhado e aprovado pelo Comit&ecirc; de &Eacute;tica em Pesquisa, considerando-se o que prev&ecirc; a Resolu&ccedil;&atilde;o n&ordm; 196/96 do Conselho Nacional da Sa&uacute;de – CNS/MS a qual estabelece normas para a pesquisa com animais e seres humanos (Brasil, 2006). Ressalta-se que, todos os sujeitos foram informados sobre a justificativa, os objetivos e a metodologia do estudo. Foi ainda assegurada a confidencialidade dos dados, bem como o respeito ao anonimato dos sujeitos envolvidos. Estes, ap&oacute;s receberem todos os esclarecimentos pertinentes ao estudo assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido.</p>     <p>Para a colheita dos dados foram utilizados como instrumentos um question&aacute;rio, composto de duas etapas: a primeira, referente &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o socioecon&oacute;mico e cultural e a segunda etapa uma entrevista estruturada com o objetivo de conhecer o dia a dia das m&atilde;es ribeirinhas e os valores que influenciam no cuidado dos filhos rec&eacute;m-nascidos. Durante a entrevista foram utilizadas perguntas que versaram sobre: alimenta&ccedil;&atilde;o (artificial e/ou aleitamento materno), higiene (banho e coto umbilical), vestimenta, direitos da crian&ccedil;a (certid&atilde;o de nascimento, vacina&ccedil;&atilde;o, acompanhamento do crescimento e desenvolvimento), outros (banho de sol, cuidado com o filho doente).</p>     <p>E a an&aacute;lise qualitativa seguiu o m&eacute;todo da etnoenfermagem de Leininger, que utiliza quatro fases espec&iacute;ficas: 1) leitura e releitura, organiza&ccedil;&atilde;o da documenta&ccedil;&atilde;o; 2) identifica&ccedil;&atilde;o e categoriza&ccedil;&atilde;o de narradores e seus componentes codificando e classificando os dados; 3) an&aacute;lise contextual e; 4) s&iacute;ntese e interpreta&ccedil;&atilde;o emergindo uma categoria anal&iacute;tica: cuidado materno com o banho e coto umbilical do rec&eacute;m-nascido ribeirinho.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados e discuss&atilde;o</b></p>     <p>Durante a minha estada em Benjamin Constant, enxerguei a necessidade de identificar, inteirar-me e respeitar a cultura local. A partir desta diferencia&ccedil;&atilde;o de assist&ecirc;ncia, o trabalho de enfermagem p&ocirc;de se desenvolver de forma mais coerente com a realidade das mulheres, deixando-as mais integradas no estudo.</p>     <p>As informantes do estudo foram vinte m&atilde;es ribeirinhas que viviam na cidade de Benjamin Constant, Amazonas, Brasil e que eram respons&aacute;veis pelo cuidado dos filhos ribeirinhos. Como crit&eacute;rios de exclus&atilde;o: m&atilde;es que delegam o cuidado dos filhos a outras pessoas e que n&atilde;o tenham filhos ribeirinhos. Para este estudo, entende-se por filhos ribeirinhos toda crian&ccedil;a que tenha nascido nas cidades &agrave;s margens do Rio Solim&otilde;es.</p>     <p> A idade entre elas variou de 20 a 46 anos, com m&eacute;dia de idade 33 anos. Dentre as participantes, quinze tinham entre 20 e 33 anos, e cinco tinham entre 34 e 46 anos de idade. Nota-se a presen&ccedil;a de duas gera&ccedil;&otilde;es de mulheres no estudo. A diferen&ccedil;a de idade &eacute; de grande valia para a pesquisa, j&aacute; que, cada gera&ccedil;&atilde;o, &eacute; poss&iacute;vel vislumbrar mudan&ccedil;as culturais em uma sociedade (Laraia, 2003).</p>     <p>Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; situa&ccedil;&atilde;o conjugal, dezesseis (80%) possuem rela&ccedil;&atilde;o est&aacute;vel, tr&ecirc;s (15%) s&atilde;o solteiras e uma (5%) &eacute; divorciada. Quanto &agrave; escolaridade, duas (10%) s&atilde;o analfabetas, seis (30%) possuem o ensino fundamental Incompleto e duas (10%) o completaram. O ensino m&eacute;dio completo &eacute; destaque, sete (35%) conseguiram completar e tr&ecirc;s (15%) n&atilde;o o conclu&iacute;ram. O grau de instru&ccedil;&atilde;o certamente influencia as pr&aacute;ticas de cuidado dos filhos – entre elas a alimenta&ccedil;&atilde;o, higiene, cuidado em enfermidade, entre outras (Leininger e McFarland, 2002).</p>     <p>Quanto &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o, sete s&atilde;o agricultoras, plantam mandioca, abacaxi, arroz, cana-de-a&ccedil;&uacute;car, feij&atilde;o, milho, banana, cacau e coco, para sua pr&oacute;pria subsist&ecirc;ncia e vendem o excesso de suas produ&ccedil;&otilde;es, seis relataram ser donas de casa, tr&ecirc;s s&atilde;o t&eacute;cnicas de enfermagem e trabalham no &uacute;nico hospital da cidade, duas s&atilde;o estudantes e uma &eacute; comerciante. Quanto ao n&uacute;mero de filhos, variou de 2 a 6 filhos.</p>     <p>As moradias s&atilde;o muito pr&oacute;ximas umas das outras, o que estreita os la&ccedil;os entre as fam&iacute;lias. Quanto ao material usado para constru&ccedil;&atilde;o das casas: dezessete (85%) s&atilde;o de madeira e tr&ecirc;s (15%) de alvenaria. A justificativa para a maioria as casas serem de madeira, segundo as depoentes, &eacute; o prazo da constru&ccedil;&atilde;o duas semanas, a um pre&ccedil;o bem reduzido em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s de alvenaria.</p>     <p>Quanto ao n&uacute;mero de habitantes em cada casa variou de 4 a 12 moradores. Cabe destacar que de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica de 2010, a m&eacute;dia nacional de pessoas que dividem a mesma casa &eacute; de 2.1, enquanto que a m&eacute;dia de pessoas que moram na mesma casa das entrevistadas &eacute; de 6 pessoas.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Cuidado materno com o banho e coto umbilical do rec&eacute;m-nascido ribeirinho</b></p>     <p>Cuidado com o banho do rec&eacute;m-nascido:</p>     <p>Quando questionadas sobre os cuidados com o rec&eacute;m-nascido durante o banho, onze (55%) disseram ter maior aten&ccedil;&atilde;o para n&atilde;o deixar entrar &aacute;gua no ouvido, quatro (20%) ficam sempre atentas para a limpeza do coto umbilical. Duas (10%) disseram ter aten&ccedil;&atilde;o para n&atilde;o deixar cair sab&atilde;o nos olhos e uma (5%) se preocupa com o cuidado na limpeza da genit&aacute;lia, outra (5%) com a temperatura da &aacute;gua, e uma (5%) disse ter cuidado para n&atilde;o deixar o beb&eacute; cair durante o banho.</p>     <p>O banho do rec&eacute;m-nascido, na maioria das culturas brasileiras, &eacute; dado desde o primeiro dia de vida e para isso deve-se fazer uso de &aacute;gua tratada com cloro ou fervida e sabonete neutro, devendo ser evitado o uso de xampus, talcos e lo&ccedil;&otilde;es perfumadas (BRASIL, 2006). Neste estudo, as m&atilde;es demonstraram grande preocupa&ccedil;&atilde;o para a &aacute;gua do banho n&atilde;o entrar no canal auditivo e em contrapartida apenas uma relata o cuidado com a higiene da genit&aacute;lia, importante para a preven&ccedil;&atilde;o de assaduras.</p>     <p>&Eacute; necess&aacute;rio proteger o ouvido contra a entrada de &aacute;gua sendo uma das recomenda&ccedil;&otilde;es para evitar infec&ccedil;&atilde;o no ouvido. Quanto &agrave; &aacute;gua do banho, deve estar confortavelmente morna, por volta de 37&ordm; C. Pode-se usar um term&oacute;metro de &aacute;gua, o seu cotovelo, ou a parte interna do pulso para verificar a temperatura da &aacute;gua (Brasil, 2006). Cabe destacar que, dependendo do clima, &eacute; h&aacute;bito dar o banho em &aacute;gua t&eacute;pida ou frio. Neste estudo, apenas uma m&atilde;e relata preocupa&ccedil;&atilde;o com a temperatura da &aacute;gua.</p>     <p>Segundo Beck <i>et al</i>. (2004), o sistema para lutar contra infec&ccedil;&otilde;es n&atilde;o est&aacute; desenvolvido em um rec&eacute;m-nascido. Isso significa que o rec&eacute;m-nascido pode desenvolver infec&ccedil;&otilde;es mais facilmente que uma crian&ccedil;a mais velha ou um adulto. Conforme o beb&eacute; cresce, o sistema que combate infec&ccedil;&otilde;es fica mais forte. A m&atilde;e e a fam&iacute;lia precisam proteger o rec&eacute;m-nascido contra infec&ccedil;&atilde;o no nascimento e nos primeiros meses de vida.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>O uso de ervas medicinais no banho do rec&eacute;m-nascido:</p>     <p>A rela&ccedil;&atilde;o existente entre a sabedoria popular e a cura das doen&ccedil;as est&aacute; diretamente ligada &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o de plantas medicinais, que &eacute; uma das mais antigas pr&aacute;ticas populares em sa&uacute;de, conhecida predominantemente por mulheres (Muller, Ara&uacute;jo e Bonilha, 2007).</p>     <p>Cabe destacar que essas pr&aacute;ticas n&atilde;o ocorrem apenas em &aacute;reas rurais ou afastadas, mas tamb&eacute;m nas &aacute;reas urbanas em todos os n&iacute;veis s&oacute;cio-econ&oacute;mico-educacionais, portanto, a medicina popular &eacute; extensamente praticada e representa uma alternativa que faz concorr&ecirc;ncia &agrave; medicina tradicional e cient&iacute;fica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para Lomba (2001), as m&atilde;es sabem que as crian&ccedil;as s&atilde;o dependentes da sua prote&ccedil;&atilde;o e necessitam que seja minimizada a sua vulnerabilidade &agrave; doen&ccedil;a. No estudo, as informantes responderam se utilizavam as ervas medicinais para o banho do rec&eacute;m-nascido e 90% (18) falaram que utilizavam. Dentre as ervas medicinais usadas est&atilde;o: folha de lim&atilde;o, jamb&uacute;, mucurac&aacute;a, manjeric&atilde;o, japana, cravo, alfavaca e hortel&atilde;, conforme quadro 1 abaixo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <P>Quadro 1 – Propriedades e indica&ccedil;&otilde;es terap&ecirc;uticas das folhas utilizadas no banho do rec&eacute;m-nascido.</P>  <img src="/img/revistas/ref/vserIIIn7/IIIn7a14q1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>			     <p>As ervas hortel&atilde;, alfavac&atilde;o ou manjeric&atilde;o e a oriza pertencem a uma importante fam&iacute;lia <i>Lamiaceace</i>, do ponto de vista medicinal, visto que nela se concentra um grande n&uacute;mero de plantas referidas e citadas como medicinais em todo o mundo. A fam&iacute;lia tamb&eacute;m &eacute; importante como fonte de esp&eacute;cies de grande valor no mercado, pois s&atilde;o usadas como condimentos, alimentos, bem como na ind&uacute;stria de perfumes e cosm&eacute;ticos.</p>     <p>J&aacute; as ervas japana, jambu e cravo s&atilde;o da fam&iacute;lia <i>Asteraceae</i>, que pode ser considerada uma das mais importantes fontes de esp&eacute;cies vegetais de interesse terap&ecirc;utico, dado o grande n&uacute;mero de plantas pertencentes a ela que s&atilde;o usadas popularmente como medicamentos, muitas das quais amplamente estudadas do ponto de vista qu&iacute;mico e farmacol&oacute;gico.</p>     <p>As folhas de mucuraca&aacute; e lim&atilde;o s&atilde;o usadas para o banho e &eacute; &uacute;til como antiss&eacute;ptico e antiem&eacute;tico para crian&ccedil;as; o uso t&oacute;pico do preparado de folhas de mucuraca&aacute;, alfavaca e lim&atilde;o &eacute; utilizado contra dores de cabe&ccedil;a. O uso externo das folhas novas e da raiz, no al&iacute;vio de dores musculares, tamb&eacute;m &eacute; comum.</p>     <p>Os banhos dos filhos s&atilde;o preparados, na maioria das vezes, na &aacute;gua em temperatura ambiente e em dep&oacute;sitos, como, por exemplo, bacias de pl&aacute;stico, onde as m&atilde;es ribeirinhas relataram misturar mais de uma folha com o intuito de potencializar a a&ccedil;&atilde;o contra os males que afligiam seus rec&eacute;m-nascidos.</p>     <p>As m&atilde;es disseram ter cuidado para que o beb&eacute; n&atilde;o ingerisse a &aacute;gua do banho e tamb&eacute;m quanto ao tempo dentro da solu&ccedil;&atilde;o, com dura&ccedil;&atilde;o de cinco a dez minutos.</p>     <p>&nbsp;</p>				     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Cuidado com o coto umbilical:</p>     <p>Quanto ao cuidado do coto umbilical, sete (35%) utilizaram faixa chamada de umbigueiro e usavam para limpeza &oacute;leo Johnson&reg;, violeta de genciana, mertiolate, soro fisiol&oacute;gico ou banha de cobra, seis (30%) limpavam somente com &aacute;lcool, cinco (25%) passavam &oacute;leo de andiroba ou &oacute;leo de copa&iacute;ba para cicatriza&ccedil;&atilde;o e duas (10%) usavam p&oacute; de banana queimada.</p>     <p>O cuidado com o coto umbilical &eacute; necess&aacute;rio e muito importante para evitar que um rec&eacute;m-nascido tenha t&eacute;tano ou sepse (Beck <i>et al</i>., 2004). Limp&aacute;-lo com subst&acirc;ncias ou cobri-lo com curativos ou faixas podem causar infec&ccedil;&otilde;es graves por manter principalmente a &aacute;rea oclu&iacute;da e prop&iacute;cia &agrave; prolifera&ccedil;&atilde;o de micro-organismos.</p>     <p>Para Di Stasi, Hiruma-Lima e Akiko (2002), o &oacute;leo de copa&iacute;ba &eacute; indicado para cicatriza&ccedil;&atilde;o e mais de 50 outras finalidades, dentre as quais, destacam-se: anti-inflamat&oacute;rio, antiss&eacute;ptico, verm&iacute;fugo, faringite, feridas e machucados (cicatrizante), psor&iacute;ases, eczemas, tumores e dermatoses. J&aacute; a andiroba tem as seguintes propriedades medicinais: antidiarreica, anti-inflamat&oacute;ria, antirreum&aacute;tica, antiss&eacute;ptica, cicatrizante, emoliente, febr&iacute;fuga. Utilizar subst&acirc;ncias no cord&atilde;o umbilical ou cobri-lo com curativos pode causar infec&ccedil;&otilde;es graves no cord&atilde;o umbilical, como t&eacute;tano e septicemia Quanto ao p&oacute; de banana queimada n&atilde;o foram encontradas cita&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas sobre seu mecanismo de a&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>O cuidado com o coto umbilical &eacute; essencial para cicatriza&ccedil;&atilde;o e leva em m&eacute;dia sete dias para mumifica&ccedil;&atilde;o e queda. A regi&atilde;o deve permanecer seca e limpa, para evitar infec&ccedil;&atilde;o e por isso &eacute; importante orientar as m&atilde;es para a utiliza&ccedil;&atilde;o do &aacute;lcool a 70%, com um chuma&ccedil;o de algod&atilde;o ou hastes flex&iacute;veis de algod&atilde;o, seguindo da base at&eacute; a extremidade do coto (Agenda de Compromisso com a Assist&ecirc;ncia Integral &agrave; Sa&uacute;de da Crian&ccedil;a e Adolescente, 2004).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Simpatia em rela&ccedil;&atilde;o ao coto umbilical do rec&eacute;m-nascido:</p>     <p>Quando perguntado as m&atilde;es se elas conheciam alguma simpatia em rela&ccedil;&atilde;o ao coto umbilical, dezanove (95%) disseram que j&aacute; haviam realizado, conforme podemos ver no quadro 2 a seguir.</p>     <p>&nbsp;</p>     <P>Quadro 2 – Simpatia em rela&ccedil;&atilde;o ao coto umbilical, finalidade e como realiza.</P>  <img src="/img/revistas/ref/vserIIIn7/IIIn7a14q2.jpg">     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; simpatia com coto umbilical, das 20 m&atilde;es dezanove (95%) as utilizam, sendo que quatorze (70%) afirmam que guardam o coto umbilical de seu filho para ter sorte, tr&ecirc;s (15%) disseram que faziam ch&aacute; com o coto umbilical e ofereciam para o rec&eacute;m-nascido em epis&oacute;dios de c&oacute;lica, uma (5%) enterrou o coto umbilical no quintal de casa para a crian&ccedil;a ter v&iacute;nculo com a fam&iacute;lia e a outra (5%) escondeu para que o filho n&atilde;o se tornasse ladr&atilde;o.</p>     <p>Quando questionadas sobre o que fazem quando o seu rec&eacute;m-nascido tem c&oacute;lica e se realizam alguma simpatia, dez (50%) mulheres ofereceram ch&aacute; que pode ser de hortel&atilde;, elixir pareg&oacute;rico indicado para dores abdominais e para c&oacute;lica considerada muito forte, cidreira ou capim lim&atilde;o. Quatro (20%) disseram ter cuidado com a roupa do rec&eacute;m-nascido, n&atilde;o torcendo e n&atilde;o secar ao sereno, duas (10%) levaram seus rec&eacute;m-nascidos no rezador, sendo que uma (5%) defuma o beb&eacute; com tabaco misturado do p&oacute; de chifre de veado e folhas cheirosas, uma (5%) m&atilde;e relata n&atilde;o deixar que nenhum estranho veja o beb&eacute; antes de seus sete dias de vida, uma (5%) amarrou a fralda da pr&oacute;pria crian&ccedil;a no list&atilde;o da casa, uma (5%) m&atilde;e relata usar nas costas da crian&ccedil;a formiga sa&uacute;va e outra (5%) oferece o ch&aacute; do pr&oacute;prio coto umbilical ao beb&eacute;.</p>     <p>Assim como estudo de Galv&atilde;o e Silva (2011), as experi&ecirc;ncias e a educa&ccedil;&atilde;o da mulher desde a mais tenra idade influenciar&atilde;o as suas atitudes e desempenho no cuidado de seus filhos e netos posteriores e que certamente atitudes passadas de gera&ccedil;&atilde;o em gera&ccedil;&atilde;o desenvolver&atilde;o atitudes positivas de cuidado com o outro.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>O estudo evidencia como os valores culturais maternos podem influenciar no cuidado prestado aos rec&eacute;m-nascidos ribeirinhos. A perspectiva transcultural empregada permitiu n&atilde;o s&oacute; identificar caracter&iacute;sticas do contexto cultural e social do meio ribeirinho, mas delinear novas frentes para o trabalho da enfermagem nessas comunidades.</p>     <p>O conhecimento da habilidade das m&atilde;es ribeirinhas em cuidar dos seus filhos permitiu apreciar e valorizar as semelhan&ccedil;as e as diferen&ccedil;as culturais de um dado grupo reconhecendo, aceitando e valorizando as suas diferen&ccedil;as culturais.</p>     <p>Os dados e situa&ccedil;&otilde;es levantados devem ser usados na promo&ccedil;&atilde;o de uma assist&ecirc;ncia culturalmente adequada e que respeite o saber local das m&atilde;es para seus filhos com a finalidade de promover o bem-estar e sa&uacute;de, al&eacute;m de decidir os cuidados de enfermagem que ir&atilde;o preservar, acomodar ou repadronizar.</p>     <p>Constatou-se a import&acirc;ncia do profissional de sa&uacute;de, como cuidador da comunidade e mediador das pr&aacute;ticas de cuidado por meio de conhecimento dos valores culturais da &aacute;rea. O profissional de sa&uacute;de necessita compreender a mulher e o seu contexto para ajud&aacute;-la no cuidado direcionado ao seu filho, ou seja, o enfermeiro n&atilde;o pode desconsiderar o cuidado cultural materno e suas experi&ecirc;ncias passadas, como, tamb&eacute;m, n&atilde;o devem considerar-se os detentores do saber t&eacute;cnico e cient&iacute;fico e sim articular essas vertentes com objetivo de tornar ben&eacute;fico o cuidado ao rec&eacute;m-nascido ribeirinho.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As conclus&otilde;es desta pesquisa fortalecem as observa&ccedil;&otilde;es de Madeleine Leininger quando relatam que a Teoria do Cuidado Cultural tem conduzindo a um novo paradigma no cuidado a sa&uacute;de. Ela move os pesquisadores para longe do enfoque m&eacute;dico, dominante e estreito, patol&oacute;gico e sistem&aacute;tico, para uma perspectiva ampla do comportamento do cuidado humano. Mais acertadamente, focalizar nas culturas tem sido um novo caminho hol&iacute;stico para descobrir a sa&uacute;de e o bem-estar (Leininger e McFarland, 2002).</p>     <p>Foi um desafio descobrir a influ&ecirc;ncia da cultura no cuidado de m&atilde;es com os seus filhos ribeirinhos e tamb&eacute;m uma grata e imensa satisfa&ccedil;&atilde;o conviver e trocar experi&ecirc;ncias com esta popula&ccedil;&atilde;o, experi&ecirc;ncia essa que n&atilde;o foi aprendida no meio acad&eacute;mico. E as informa&ccedil;&otilde;es aqui levantadas podem vir a ser utilizadas para futuras discuss&otilde;es do cuidado materno com um enfoque transcultural, que nada mais &eacute; do que escuta, identificar, avaliar, recomendar e negociar.</p>     <p>Sem d&uacute;vida, o s&eacute;culo XXI traz &agrave; tona a discuss&atilde;o sobre a atua&ccedil;&atilde;o dos enfermeiros em conhecer e trabalhar com diferentes culturas no Brasil e no mundo e assim cuidar de modo eficaz prestando cuidados de sa&uacute;de culturalmente competentes com a popula&ccedil;&atilde;o de diferentes origens culturais.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <p>BECK, Diana [et al.] (2004) – Manual de consulta para cuidados ao rec&eacute;m-nascido. Washington : Funda&ccedil;&atilde;o Bill e Melinda Gates.</p>     <p>BRASIL. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de (2004) – Agenda de compromissos pela sa&uacute;de integral da crian&ccedil;a e adolescente e redu&ccedil;&atilde;o da mortalidade infantil. Bras&iacute;lia : Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de.</p>     <p>BRASIL. Minist&eacute;rio do Planejamento, Or&ccedil;amento e Gest&atilde;o. Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (2010) - Contagem populacional [Em linha]. [Consult. jun. 2012]. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2010/calendario.shtm" target="_blank">http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2010/calendario.shtm</a>.</p>     <p>BRASIL. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de (2006) - Agenda de compromissos para a sa&uacute;de integral da crian&ccedil;a e redu&ccedil;&atilde;o da mortalidade infantil. Bras&iacute;lia : Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de.</p>     <p>GALVAO, Dulce Maria Pereira Garcia ; SILVA, Is&iacute;lia Aparecida da (2011) - A amamenta&ccedil;&atilde;o nos manuais escolares de estudo do meio do 1&ordm; ciclo do ensino b&aacute;sico. Refer&ecirc;ncia. S&eacute;rie 3, n&ordm; 4, p. 7-16.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>GIL, Antonio Carlos (2002) - Como elaborar projetos de pesquisa. 3&ordf; ed. S&atilde;o Paulo : Atlas.</p>     <p>LARAIA, Roque de Barros (2003) - Cultura: um conceito antropol&oacute;gico. 6&ordf; ed. Rio de Janeiro : Jorge Zahar.</p>     <p>LEININGER, Madeleine ; MCFARLAND, Marilyn R. (2002) – Transcultural nursing – concepts, theories, research &amp; practice. 3&ordf; ed. New York : McGraw-Hill.</p>     <p>LOMBA, Maria de Lurdes Lopes (2001) – Factores relacionados com as preocupa&ccedil;&otilde;es das m&atilde;es com o rec&eacute;m-nascido. Refer&ecirc;ncia. N&ordm; 7, p. 25-33.</p>     <p>MINAYO, Maria Cec&iacute;lia de Souza [et al.] (2003) - Pesquisa social: teoria, m&eacute;todo e criatividade. 22&ordf; ed. Petr&oacute;polis : Vozes.</p>     <p>MULLER, Cristine Pastoris ; ARA&Uacute;JO, Vivian Elizabeth ; BONILHA, Ana L&uacute;cia de Lorenzi (2007) – Possibilidade de inser&ccedil;&atilde;o do cuidado cultural congruente nas pr&aacute;ticas de humaniza&ccedil;&atilde;o na aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de. Revista Eletr&ocirc;nica de Enfermagem [Em linha]. Vol. 9, n&ordm; 3, p. 858-865. [Consult. 29 jul. 2010]. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://www.fen.ufg.br/revista/v9/n3/v9n3a24.htm" target="_blank">http://www.fen.ufg.br/revista/v9/n3/v9n3a24.htm</a>.</p>     <p>STASI, Luiz Claudio Di ; HIRUMA-LIMA, Cl&eacute;ia Akiko (2002) - Plantas medicinais na Amaz&ocirc;nia e na Mata Atl&acirc;ntica. 2&ordf; ed. S&atilde;o Paulo : UNESP.</p>     <p>&nbsp;</p>				     <p>Recebido para publica&ccedil;&atilde;o em: 28.11.11</p>     <p>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em: 18.05.12</p>      ]]></body>
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<label>1</label><nlm-citation citation-type="book">
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<surname><![CDATA[BECK]]></surname>
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<source><![CDATA[Manual de consulta para cuidados ao recém-nascido]]></source>
<year>2004</year>
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<publisher-name><![CDATA[Fundação Bill e Melinda Gates]]></publisher-name>
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<label>2</label><nlm-citation citation-type="book">
<collab>BRASIL^dMinistério da Saúde</collab>
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