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<publisher-name><![CDATA[Escola Superior de Enfermagem de Coimbra - Unidade de Investigação em Ciências da Saúde - Enfermagem]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Úlceras por pressão: perceção dos familiares acerca do impacto emocional e custos intangíveis]]></article-title>
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<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Las úlceras por presión: percepciones de los familiares a cerca del impacto emocional y los costos intangibles]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Pressure ulcers are a problem with great relevance for patients who suffer from them and for their relatives. The emotional impact of pressure ulcers is increased by the associated material and non-material costs. Therefore, the aim of this study was to understand the emotional impact of pressure ulcers for patients and families, and also to determine their non-material costs. A qualitative study was developed within a phenomenological approach; content analysis allowed us to identify emotions and feelings, needs, support resources and perceived care provided by nurses. The results highlight the relevance of suffering due to pressure ulcers and their impact on material and non-material costs. The main conclusions underline that suffering related to pressure ulcers needs to be seen against a more global framework of life and disease, with relevant costs both for the patient and for their relatives. In addition, considering that nurses are the health professionals with and the closest contact with both patients and families, the results emphasize the contribution that nurses can give in order to address and help patients and relatives to overcome the suffering that this kind of situation and human experience entails.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[El presente estudio atañe al problema de las úlceras por presión, el impacto emocional y los costes intangibles que estos implican para los pacientes y sus familias, siendo que su objetivo es el de comprender este impacto emocional y determinar los costes intangibles. Realizado mediante una metodología cualitativa de corte fenomenológico, con recurso a entrevistas, que permitieron la identificación de los sentimientos / emociones asociados con las úlceras por presión desde la perspectiva de las familias, así como las necesidades, recursos y apoyo recibidos en lo que concierne la intervención de las enfermeros. Los resultados de este estudio revelan la importancia del sufrimiento asociado a las úlceras por presión y a los costes tangibles e intangibles que están asociados. Las principales conclusiones destacan que el sufrimiento asociado con las úlceras por presión forma parte de un contexto global de la vida y de la enfermedad vivido por los pacientes, con altos costes para estos y para sus familias. Ya que los enfermeros son los profesionales de salud que proporcionan un acompañamiento más regular y con más intimidad a dichos pacientes y familias, debemos enfatizar la importancia que estos profesionales pueden asumir para afrontar y ayudar a superar el sufrimiento que la experiencia de esta situación conlleva.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[feridas crónicas]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>&Uacute;lceras por press&atilde;o: perce&ccedil;&atilde;o dos familiares acerca do impacto emocional e custos intang&iacute;veis </b></p>    <p><b>Pressure ulcers: relatives’ perceptions of emotional impact and non-material costs</b></p>    <p><b>Las &uacute;lceras por presi&oacute;n: percepciones de los familiares a cerca del impacto emocional y los costos intangibles</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Sandra Martins Pereira</b>*; <b>H&eacute;lia Maria Soares</b>**</p>     <p>* Enfermeira. Licenciada em Ci&ecirc;ncias de Educa&ccedil;&atilde;o. Mestre em Bio&eacute;tica. Doutoranda em Bio&eacute;tica. Professora Adjunta Equiparada – Escola Superior de Enfermagem de Angra do Hero&iacute;smo da Universidade dos A&ccedil;ores [<a href="mailto:smpereira@uac.pt">smpereira@uac.pt</a>].</p>     <p>** Enfermeira. Mestre em Ci&ecirc;ncias de Enfermagem. Doutoranda em Ci&ecirc;ncias de Enfermagem. Professora Adjunta Equiparada – Escola Superior de Enfermagem de Angra do Hero&iacute;smo da Universidade dos A&ccedil;ores [<a href="mailto:hmsoares@uac.pt">hmsoares@uac.pt</a>].</p>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>Resumo</b></P>     <p>O presente estudo refere-se &agrave; problem&aacute;tica das &uacute;lceras por press&atilde;o, impacto emocional e custos intang&iacute;veis que estas acarretam para a pessoa doente e seus familiares, tendo por objetivo compreender este impacto emocional e determinar os custos intang&iacute;veis. Realizado atrav&eacute;s de uma metodologia qualitativa de cariz fenomenol&oacute;gico, com recurso a entrevistas, permitiu a identifica&ccedil;&atilde;o dos sentimentos/emo&ccedil;&otilde;es associados &agrave;s &uacute;lceras por press&atilde;o na perspetiva dos familiares, bem como as necessidades, recursos e apoio percebidos no que respeita &agrave; interven&ccedil;&atilde;o dos enfermeiros. Os resultados deste estudo evidenciam a relev&acirc;ncia do sofrimento relacionado com as &uacute;lceras por press&atilde;o e dos custos tang&iacute;veis e intang&iacute;veis que lhe surgem associados. As principais conclus&otilde;es v&atilde;o no sentido de evidenciar que o sofrimento associado &agrave;s &uacute;lceras por press&atilde;o se inscreve num contexto global de vida e de doen&ccedil;a vivenciado pela pessoa, com custos elevados para si pr&oacute;pria e para os seus familiares. Sendo o enfermeiro o profissional de sa&uacute;de quem acompanha, com maior regularidade e intimidade, estes doentes e fam&iacute;lias, h&aacute; que enfatizar a relev&acirc;ncia que podem assumir no sentido de abordar e ajudar a superar o sofrimento que a viv&ecirc;ncia desta situa&ccedil;&atilde;o comporta.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave:</b>feridas cr&oacute;nicas; sofrimento; custos e an&aacute;lise de custo</p>			     <p>&nbsp;</p>      <P><b>Abstract</b></p>     <p>Pressure ulcers are a problem with great relevance for patients who suffer from them and for their relatives. The emotional impact of pressure ulcers is increased by the associated material and non-material costs. Therefore, the aim of this study was to understand the emotional impact of pressure ulcers for patients and families, and also to determine their non-material costs. A qualitative study was developed within a phenomenological approach; content analysis allowed us to identify emotions and feelings, needs, support resources and perceived care provided by nurses. The results highlight the relevance of suffering due to pressure ulcers and their impact on material and non-material costs. The main conclusions underline that suffering related to pressure ulcers needs to be seen against a more global framework of life and disease, with relevant costs both for the patient and for their relatives. In addition, considering that nurses are the health professionals with and the closest contact with both patients and families, the results emphasize the contribution that nurses can give in order to address and help patients and relatives to overcome the suffering that this kind of situation and human experience entails.</p>     <p><b>Keywords:</b> pressure ulcer; human suffering; costs and cost analysis</p>     <p>&nbsp;</p>      <P><b>Resumen</b></P>			     <p>El presente estudio ata&ntilde;e al problema de las &uacute;lceras por presi&oacute;n, el impacto emocional y los costes intangibles que estos implican para los pacientes y sus familias, siendo que su objetivo es el de comprender este impacto emocional y determinar los costes intangibles. Realizado mediante una metodolog&iacute;a cualitativa de corte fenomenol&oacute;gico, con recurso a entrevistas, que permitieron la identificaci&oacute;n de los sentimientos / emociones asociados con las &uacute;lceras por presi&oacute;n desde la perspectiva de las familias, as&iacute; como las necesidades, recursos y apoyo recibidos en lo que concierne la intervenci&oacute;n de las enfermeros. Los resultados de este estudio revelan la importancia del sufrimiento asociado a las &uacute;lceras por presi&oacute;n y a los costes tangibles e intangibles que est&aacute;n asociados. Las principales conclusiones destacan que el sufrimiento asociado con las &uacute;lceras por presi&oacute;n forma parte de un contexto global de la vida y de la enfermedad vivido por los pacientes, con altos costes para estos y para sus familias. Ya que los enfermeros son los profesionales de salud que proporcionan un acompa&ntilde;amiento m&aacute;s regular y con m&aacute;s intimidad a dichos pacientes y familias, debemos enfatizar la importancia que estos profesionales pueden asumir para afrontar y ayudar a superar el sufrimiento que la experiencia de esta situaci&oacute;n conlleva.</p>     <p><b>Palabras clave:</b> &uacute;lceras por presi&oacute;n; sufrimiento; costos y an&aacute;lisis de costo</p>     <p>&nbsp;</p>	     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o e enquadramento</b></p>     <p>As &uacute;lceras por press&atilde;o podem ser definidas como sendo uma “&uacute;lcera: dano, inflama&ccedil;&atilde;o ou ferida da pele ou estruturas subjacentes como resultado da compress&atilde;o tecidular e perfus&atilde;o inadequada” (<i>International Council of Nurses</i>, 2011, p. 79). Inclu&iacute;das como foco de aten&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica de enfermagem e reconhecidas como um dos indicadores suscet&iacute;veis de indicar ganhos em sa&uacute;de obtidos a partir das interven&ccedil;&otilde;es aut&oacute;nomas dos enfermeiros (Pereira, 2009; Aleixo, 2011), as &uacute;lceras por press&atilde;o constituem um grave problema de sa&uacute;de p&uacute;blica, com elevados custos para a pessoa doente, seus familiares, sociedade e institui&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de.</p>     <p>O sofrimento, por sua vez, consiste tamb&eacute;m num foco de aten&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica de cuidados de enfermagem definido como uma “emo&ccedil;&atilde;o negativa: sentimentos prolongados de grande pena associados a mart&iacute;rio e &agrave; necessidade de tolerar condi&ccedil;&otilde;es devastadoras, isto &eacute;, sintomas f&iacute;sicos cr&oacute;nicos como a dor, desconforto ou les&atilde;o, stress psicol&oacute;gico cr&oacute;nico (…)” (<i>International Council of Nurses</i>, 2011, p. 76). Efetivamente, a exist&ecirc;ncia de uma &uacute;lcera por press&atilde;o implica um processo complicado, marcado pela dor, desconforto f&iacute;sico, psicol&oacute;gico e com impacto emocional para o doente e para os seus entes queridos.</p>     <p>Enquadrados no &acirc;mbito de um estudo de impacto econ&oacute;mico, importa n&atilde;o s&oacute; determinar os custos diretos e indiretos associados &agrave;s &uacute;lceras por press&atilde;o, como tamb&eacute;m os custos intang&iacute;veis. Estes, habitualmente mais dif&iacute;ceis de determinar e pouco explorados nos estudos de cariz econ&oacute;mico, correspondem ao impacto da situa&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;a na qualidade de vida da pessoa, &agrave;s perdas associadas (por exemplo, em termos de lazer, de trabalho, de contacto com entes queridos), &agrave; presen&ccedil;a de dor e sofrimento. &Eacute; indiscut&iacute;vel o impacto emocional e o sofrimento que a exist&ecirc;ncia de uma &uacute;lcera por press&atilde;o acarreta, quer para a pr&oacute;pria pessoa, quer para as pessoas que lhe s&atilde;o significativas.</p>     <p>A pessoa com &uacute;lcera por press&atilde;o pode ainda apresentar outros problemas associados, os quais s&atilde;o tamb&eacute;m focos de aten&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica dos enfermeiros. Entre estes, destacamos a dor e o sofrimento, comummente associados, pese embora o facto de o primeiro – a dor – assumir um car&aacute;ter mais f&iacute;sico, mais facilmente control&aacute;vel, enquanto o segundo – o sofrimento –, atendendo ao seu cariz mais psicol&oacute;gico, emocional e espiritual, adquire maior complexidade, o que se repercute quer na sua avalia&ccedil;&atilde;o, quer na defini&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias para o seu al&iacute;vio.</p>     <p>&Eacute; a este n&iacute;vel que emerge a problem&aacute;tica do nosso estudo, a qual versa o tema do impacto emocional e dos custos intang&iacute;veis associados &agrave;s &uacute;lceras por press&atilde;o, em particular em termos de qualidade de vida e do sofrimento que lhes est&aacute; associado. Neste sentido, os objetivos que lhe est&atilde;o subjacentes s&atilde;o: (i) compreender o impacto emocional das &uacute;lceras por press&atilde;o no doente e fam&iacute;lia; (ii) compreender a problem&aacute;tica do sofrimento associado &agrave;s &uacute;lceras por press&atilde;o no doente e fam&iacute;lia; (iii) determinar os custos intang&iacute;veis associados &agrave;s &uacute;lceras por press&atilde;o. Este estudo enquadra-se no &acirc;mbito do Projeto ICE 2 – Investiga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica em Enfermagem – Impacto econ&oacute;mico das &uacute;lceras por press&atilde;o (projeto criado na sequ&ecirc;ncia do Projeto ICE, numa parceria interinstitucional que envolve escolas e departamentos de enfermagem das Universidades dos A&ccedil;ores, Madeira e Can&aacute;rias), tendo como finalidade dar visibilidade aos custos intang&iacute;veis, em particular ao sofrimento, associado &agrave;s &uacute;lceras por press&atilde;o, na perspetiva de quem tem de viver com esta realidade.</p>     <p>De uma pesquisa bibliogr&aacute;fica por n&oacute;s realizada nas diversas bases de dados existentes on-line, a n&iacute;vel nacional e internacional, durante a qual procur&aacute;mos apreender quais os estudos realizados especificamente neste dom&iacute;nio e recorrendo &agrave; pesquisa dos termos <i>pressure ulcer</i> e <i>suffering</i>, <i>pressure ulcer</i> e <i>emotional impact</i>, <i>pressure ulcer</i> e <i>costs</i>, verific&aacute;mos a sua escassez. Efetivamente, a refer&ecirc;ncia ao sofrimento associado &agrave;s &uacute;lceras por press&atilde;o &eacute; efetuada pelos diversos autores que se dedicam ao estudo deste foco, embora a exist&ecirc;ncia de estudos especificamente dedicados &agrave; explora&ccedil;&atilde;o desta problem&aacute;tica seja escassa (Baumgarten <i>et al</i>., 2004; Moore e Price, 2004; Tetterton <i>et al</i>., 2004; Clarke <i>et al</i>., 2005; Correa <i>et al</i>., 2006; Wurster, 2007; Bjarnsholt <i>et al</i>., 2008; Elliot, 2011). N&atilde;o obstante, Hopkins <i>et al</i>. (2006) desenvolveram um estudo piloto de cariz fenomenol&oacute;gico sobre este tema, durante o qual procuraram analisar e compreender as viv&ecirc;ncias de pessoas com &uacute;lceras por press&atilde;o, considerando a dor e o sofrimento que provocavam, o seu impacto na vida quotidiana e os mecanismos de coping utilizados para a sua supera&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Metodologia</b></p>     <p>Face &agrave; problem&aacute;tica em estudo e objetivos delineados, consideramos que seria oportuno recorrer a uma metodologia de cariz qualitativo, no sentido de melhor aprofundarmos a compreens&atilde;o relativa ao impacto emocional, sofrimento e custos intang&iacute;veis associados &agrave;s &uacute;lceras por press&atilde;o. O nosso intuito &eacute; o de apreender o modo como as pessoas e os seus familiares vivenciam um processo desta &iacute;ndole, partindo das express&otilde;es utilizadas pelos pr&oacute;prios. Neste sentido, o presente estudo assume uma vertente fenomenol&oacute;gica, na medida em que pretendemos compreender o significado atribu&iacute;do, em termos de impacto emocional e sofrimento, pelos participantes. Segundo Coutinho (2011, p. 305), a abordagem fenomenol&oacute;gica permite, ao investigador, “(…) conhecer e compreender um fen&oacute;meno (…) e, para o conseguir, vai reunir um conjunto de &laquo;experi&ecirc;ncias vividas&raquo; desse fen&oacute;meno, interpret&aacute;-las, analis&aacute;-las e extrair aquilo a que Husserl chamava a ess&ecirc;ncia do fen&oacute;meno (…)”.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para o efeito, enunci&aacute;mos um conjunto de quest&otilde;es de investiga&ccedil;&atilde;o:</p>     <p>Qual o impacto emocional das &uacute;lceras por press&atilde;o sobre o doente, na perspetiva dos familiares?</p>     <p>Quais os sentimentos/emo&ccedil;&otilde;es experienciados pelos familiares dos doentes com &uacute;lceras por press&atilde;o?</p>     <p>Quais as necessidades sentidas pelos familiares dos doentes com &uacute;lceras por press&atilde;o?</p>     <p>Qual o impacto das &uacute;lceras por press&atilde;o na rela&ccedil;&atilde;o existente entre o doente e o familiar?</p>     <p>Qual o impacto das &uacute;lceras por press&atilde;o na vida do familiar?</p>     <p>A recolha de dados foi efetuada com recurso a entrevistas, tendo por base um gui&atilde;o consistente com o Esquema Cardiff de Impacto da Ferida – vers&atilde;o portuguesa do Centro de Estudos e Investiga&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de da Universidade de Coimbra (2003).</p>     <p>Como participantes neste estudo consider&aacute;mos pessoas com &uacute;lceras por press&atilde;o a ser acompanhadas nos dois centros de sa&uacute;de da Ilha Terceira e seus familiares. Os crit&eacute;rios de inclus&atilde;o foram: apresentar &uacute;lcera por press&atilde;o; estar inscrito num dos dois referidos centros de sa&uacute;de; estar a receber acompanhamento dos enfermeiros, no domic&iacute;lio; apresentar capacidade de discurso oral. N&atilde;o definimos, a priori, o n&uacute;mero de participantes em estudo, dado que pretend&iacute;amos atingir a satura&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica dos dados.</p>     <p>Os poss&iacute;veis participantes foram indicados pelos enfermeiros dos referidos centros de sa&uacute;de que procediam &agrave; assist&ecirc;ncia domicili&aacute;ria de doentes com &uacute;lceras por press&atilde;o durante o primeiro semestre de 2010. Durante este per&iacute;odo, foram realizados contactos telef&oacute;nicos, no sentido de solicitar a colabora&ccedil;&atilde;o destes doentes e seus familiares para o estudo. De um total de 23 doentes com &uacute;lceras por press&atilde;o inscritos nestes centros de sa&uacute;de, foram entrevistados 7 familiares; no que respeita aos restantes 16 poss&iacute;veis participantes, estes n&atilde;o foram inclu&iacute;dos por raz&otilde;es distintas (internamento, recusa, &oacute;bito). N&atilde;o foi entrevistado nenhum doente, em virtude de n&atilde;o apresentar status cognitivo que possibilitasse a realiza&ccedil;&atilde;o de uma entrevista.</p>     <p>No que respeita aos participantes, os familiares de doentes que participaram neste estudo eram todos do sexo feminino, com uma m&eacute;dia de idades de 55 anos. Em termos profissionais, somente uma das participantes estava aposentada, sendo que as restantes seis exerciam profiss&otilde;es diversificadas e tinham n&iacute;veis de escolaridade que variavam entre o ensino b&aacute;sico e o superior. Quanto aos doentes com &uacute;lceras por press&atilde;o, todos tinham mais de 60 anos de idade, apresentavam patologias associadas (AVC, Alzheimer, Parkinson), estavam completamente dependentes a n&iacute;vel das Atividades de Vida Di&aacute;rias e tinham mais do que uma &uacute;lcera por press&atilde;o com evolu&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia de 6 meses.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As entrevistas decorreram ao longo do segundo e terceiro trimestres de 2010, tendo sido realizadas no domic&iacute;lio dos doentes e familiares participantes neste estudo. Tiveram uma dura&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia de 30 minutos, foram gravadas em suporte &aacute;udio e posteriormente transcritas <i>verbatim</i>. O <i>corpus</i> de an&aacute;lise foi constitu&iacute;do pelo conte&uacute;do integral das entrevistas, tendo-se procedido &agrave; sua an&aacute;lise de conte&uacute;do numa l&oacute;gica indutiva, fundamentada no discurso das pessoas entrevistadas.</p>     <p>Salvaguard&aacute;mos, em todos os momentos deste processo de investiga&ccedil;&atilde;o, os aspetos &eacute;ticos inerentes a estudos desta natureza, designadamente, a autonomia e consentimento informado e esclarecido dos participantes, assim como a confidencialidade e o anonimato dos dados obtidos. O estudo recebeu a aprova&ccedil;&atilde;o das duas institui&ccedil;&otilde;es nas quais os doentes estavam inscritos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados e discuss&atilde;o</b></p>     <p>No sentido de compreender a perce&ccedil;&atilde;o dos familiares acerca do impacto emocional das &uacute;lceras por press&atilde;o e apreender os custos intang&iacute;veis que lhes est&atilde;o associados, procedemos &agrave; an&aacute;lise de conte&uacute;do das entrevistas, com base no discurso dos sujeitos. Para o efeito, consider&aacute;mos as seguintes dimens&otilde;es de an&aacute;lise: impacto das &uacute;lceras por press&atilde;o no doente – perce&ccedil;&atilde;o dos familiares, sentimentos e emo&ccedil;&otilde;es dos familiares de doentes com &uacute;lceras por press&atilde;o, necessidades dos familiares, impacto das &uacute;lceras por press&atilde;o na rela&ccedil;&atilde;o doente – fam&iacute;lia, impacto das &uacute;lceras por press&atilde;o na vida do familiares e mecanismos de coping. As categorias foram definidas <i>a posteriori</i>, a partir das palavras expressas pelos participantes (quadro 1).</p>     <p>&nbsp;</p>     <P>Quadro 1 – Sistematiza&ccedil;&atilde;o das dimens&otilde;es e categorias relativas &agrave; perce&ccedil;&atilde;o dos familiares acerca do impacto das &uacute;lceras por press&atilde;o.</P>  <img src="/img/revistas/ref/vserIIIn7/IIIn7a15q1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>No sentido de compreender o impacto emocional das &uacute;lceras por press&atilde;o sobre o doente, e atendendo ao facto de nenhum doente participante neste estudo apresentar <i>status</i> cognitivo capaz para responder a uma entrevista, opt&aacute;mos por considerar a perce&ccedil;&atilde;o dos familiares acerca do referido impacto. Assim, de acordo com estes familiares, existe a no&ccedil;&atilde;o de que a exist&ecirc;ncia de uma &uacute;lcera por press&atilde;o gera dor e sofrimento no ente querido, conforme o ilustram os seguintes excertos:</p>     <p>- Dor – &laquo;(…) ele, &agrave;s vezes, queixava-se que lhe do&iacute;a (…) &agrave;s vezes “cramava” (…)&raquo; (E2); &laquo;(…) ele cada vez tem mais dores ou lhe d&oacute;i (…)&raquo; (E3); &laquo;(…) ela deve ter dores (…)&raquo; (E7).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>- Sofrimento – &laquo;(…) vejo o sofrimento que ela tem (…)&raquo; (E6); &laquo;(…) ela sofre de toda a maneira (…)&raquo; (E7).</p>     <p>De acordo com o <i>International Council of Nurses</i> (ICN) e a Ordem dos Enfermeiros (OE) (2011, p. 50), a dor consiste no “(…) aumento da sensa&ccedil;&atilde;o corporal desconfort&aacute;vel, refer&ecirc;ncia subjetiva de sofrimento, express&atilde;o facial caracter&iacute;stica, altera&ccedil;&atilde;o do t&oacute;nus muscular, comportamento de autoprote&ccedil;&atilde;o, limita&ccedil;&atilde;o do foco de aten&ccedil;&atilde;o, altera&ccedil;&atilde;o da perce&ccedil;&atilde;o do tempo, fuga do contacto social, processo de pensamento comprometido, comportamento de distra&ccedil;&atilde;o, inquieta&ccedil;&atilde;o e perda de apetite”. Por sua vez, conforme j&aacute; foi referido, o sofrimento &eacute; definido, pelas mesmas entidades, como “(…) sentimentos prolongados de grande pena associados a mart&iacute;rio e &agrave; necessidade de tolerar condi&ccedil;&otilde;es devastadoras, isto &eacute;, sintomas f&iacute;sicos como a dor, desconforto ou les&atilde;o, stress psicol&oacute;gico cr&oacute;nico (…)” (ICN, 2011, p.76). Conforme podemos depreender, ambos os conceitos est&atilde;o interligados, o que refor&ccedil;a a perce&ccedil;&atilde;o expressa pelos familiares dos doentes com &uacute;lceras por press&atilde;o acerca da dor e do sofrimento como resultantes do problema vivido. Considerando que a exist&ecirc;ncia de uma &uacute;lcera por press&atilde;o habitualmente decorre num contexto de vida marcado pela exist&ecirc;ncia de outros problemas e doen&ccedil;a(s), esta interliga&ccedil;&atilde;o remete-nos para o conceito de dor total enunciado por Cicely Saunders (1996), enquanto sofrimento global em que todas as dimens&otilde;es – f&iacute;sica, psicol&oacute;gica, social e espiritual – est&atilde;o associadas e intrinsecamente afetadas pela doen&ccedil;a. Assim, cada sintoma que a pessoa experiencia &eacute; perspetivado, por si pr&oacute;pria, como uma experi&ecirc;ncia global, que a afeta no seu todo, pelo que, para os pr&oacute;prios familiares, se torna dif&iacute;cil destrin&ccedil;ar a perce&ccedil;&atilde;o que t&ecirc;m face ao impacto, em termos de dor e sofrimento, que a exist&ecirc;ncia de uma &uacute;lcera por press&atilde;o tem para o ente querido. Este aspeto fica tamb&eacute;m vis&iacute;vel nas palavras dos participantes, quando se referem ao mal-estar que percebem no seu familiar com &uacute;lcera por press&atilde;o; vejamos:</p>     <p>- Mal-estar – &laquo;(…) ela faz sempre caretas (…) quando se mexe com aquela perna, aquele lado deve ser talvez um dos lados mais sens&iacute;veis (…) mas n&atilde;o &eacute; dor (…) mas ela tem sempre uma rea&ccedil;&atilde;o naquele perna&raquo; (E1); &laquo;(…) eu acho-a mais “quebradinha” (…)&raquo; (E5).</p> <p">No que respeita aos sentimentos/emo&ccedil;&otilde;es experienciados pelos familiares dos doentes com &uacute;lceras por press&atilde;o, estes emergiram no discurso de todos os participantes, designadamente, a ang&uacute;stia (referida pelos 7 familiares entrevistados), a preocupa&ccedil;&atilde;o (categoria com maior n&uacute;mero de unidades de registo e presente nas palavras de 5 dos 7 familiares entrevistados) e o sofrimento (mencionada por 4 dos 7 participantes) Nas suas pr&oacute;prias palavras:</p>     <p>- Ang&uacute;stia – &laquo;(…) era uma coisa que me afligia (…)&raquo; (E1); &laquo;(…) tenho custo de lhe doer&raquo; (E2); &laquo;(…) para n&oacute;s, custa-nos ver ele a sofrer com isso (…)&raquo; (E3); &laquo;&Eacute; uma ang&uacute;stia terr&iacute;vel&raquo; (E4); &laquo;A ferida (…) eu por mim, n&atilde;o consigo ver, n&atilde;o tenho coragem (…)&raquo; (E5); &laquo;(…) custa, custa (…)&raquo; (E6); &laquo;(…) eu s&oacute; tenho pena (…) de a ver sofrer daquela forma (…)&raquo; (E7).</p>     <p>- Preocupa&ccedil;&atilde;o – &laquo;(…) sempre preocupada, com medo (…). Foi isto, foi a preocupa&ccedil;&atilde;o do aparecimento, do medo, o medo de ver&raquo; (E1); &laquo;Temos medo que ele piore&raquo; (E3); &laquo;O que me preocupou mais foi aquele no “artelho”&raquo; (E4); &laquo;(…) preocupava-me as feridas (…)&raquo; (E4); &laquo;(…) fico preocupada (…)&raquo; (E5); &laquo;Estou sempre com o ouvido &agrave; escuta, se a ou&ccedil;o gemer (…) para ir a ela (…)&raquo; (E7).</p>     <p>- Sofrimento – &laquo;(…) um mal-estar constante, a gente n&atilde;o se sente bem (…)&raquo; (E4); &laquo;Muito triste (…)&raquo; (E5); &laquo;A gente sofre (…)&raquo; (E7).</p>     <p>A ang&uacute;stia corresponde aos “(…) sentimentos de dor intensa e forte, pena e afli&ccedil;&atilde;o” (ICN, 2011, p. 39), estando em estreita liga&ccedil;&atilde;o com o sofrimento, assumindo ambos uma conota&ccedil;&atilde;o negativa. Por sua vez, a preocupa&ccedil;&atilde;o &eacute; definida como o “(…) dominar e ocupar a mente de forma a excluir outros pensamentos ou a estar mentalmente distra&iacute;do” (<i>idem</i>, p. 68), referindo-se a um estado de inquietude, de cuidado constante e antecipado. No caso dos familiares dos doentes com &uacute;lceras por press&atilde;o, denota-se esta (pr&eacute;)ocupa&ccedil;&atilde;o da mente face ao agravamento da condi&ccedil;&atilde;o das &uacute;lceras j&aacute; existentes, bem como relativamente &agrave; possibilidade de desenvolvimento de outras &uacute;lceras.</p>     <p>Al&eacute;m destes sentimentos, emergiram outros, tamb&eacute;m com conota&ccedil;&atilde;o negativa, designadamente a depress&atilde;o, a injusti&ccedil;a, a revolta e o cansa&ccedil;o. Vejamos:</p>     <p>- Depress&atilde;o – &laquo;Deu-me uma depress&atilde;o j&aacute; h&aacute; dois anos… uma depress&atilde;o que n&atilde;o passa… nunca passa a depress&atilde;o…&raquo; (E4); &laquo;(…) comecei foi a chorar, chorar, chorar (…)&raquo; (E7).</p>     <p>- Injusti&ccedil;a – &laquo;&Agrave;s vezes, &eacute; a “sacrifica&ccedil;&atilde;o”, pronto, caramba!, ou chove ou isto ou aquilo e logo nos dias em que a gente pode [sair/realizar atividade de lazer]&raquo; (E3); &laquo;(…) ela n&atilde;o merecia este sofrimento todo (…)&raquo; (E6).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>- Revolta – &laquo;(…) esta coisa n&atilde;o aceito muito bem (…)&raquo; (E5); &laquo;(…) a revolta &eacute; tanta!&raquo; (E7).</p>     <p>- Cansa&ccedil;o – &laquo;Cansada… cansada (…)&raquo; (E3); &laquo;(…) fico muito cansada de lidar com ela (…)&raquo; (E7)</p>     <p>De acordo com o ICN (2011, p. 48), a depress&atilde;o consiste numa “emo&ccedil;&atilde;o negativa: sentimentos de tristeza a melancolia, com diminui&ccedil;&atilde;o da concentra&ccedil;&atilde;o, perda de apetite e ins&oacute;nia”. Vivenciar o acompanhamento de um familiar com &uacute;lceras por press&atilde;o &eacute;, na verdade, gerador deste tipo de sentimento, muitas vezes agravado pelo cansa&ccedil;o inerente &agrave; presta&ccedil;&atilde;o de cuidados informais. Este, por sua vez, &eacute; definido como uma “emo&ccedil;&atilde;o negativa: sentimentos de diminui&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a ou resist&ecirc;ncia, desgaste, cansa&ccedil;o mental ou f&iacute;sico e lassid&atilde;o, com capacidade reduzida para o trabalho f&iacute;sico ou mental” (ICN, 2011, p. 42).</p>     <p>A revolta, por seu turno, corresponde ao sentimento de raiva e desagrado intenso, resultante da resposta mental ou f&iacute;sica a est&iacute;mulos internos ou externos percebidos como negativos e injustos. Em estreita articula&ccedil;&atilde;o com este sentimento, encontra-se precisamente o de injusti&ccedil;a, esta entendida como a ocorr&ecirc;ncia de algo que n&atilde;o &eacute; justo e, portanto, &eacute; imerecido. Conforme podemos depreender a partir de alguns dos testemunhos dos participantes, o sentimento de injusti&ccedil;a expressa-se em duas vertentes: por um lado, no que respeita &agrave; situa&ccedil;&atilde;o do ente querido, e, por outro lado, em rela&ccedil;&atilde;o ao pr&oacute;prio familiar que, de alguma maneira, v&ecirc; a sua vida condicionada pelo problema do ente querido.</p>     <p>Estes aspetos s&atilde;o tamb&eacute;m mencionados por Santos (2008) quando identifica a sensa&ccedil;&atilde;o de pris&atilde;o, n&atilde;o-aceita&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia e vulnerabilidade do familiar. Al&eacute;m destes, a autora refere-se &agrave; tristeza e ambival&ecirc;ncia o que sustenta tamb&eacute;m os dados obtidos neste estudo.</p>     <p>Outros sentimentos expressos pelos familiares dos doentes com &uacute;lceras por press&atilde;o referem-se &agrave; aceita&ccedil;&atilde;o e &agrave; esperan&ccedil;a. Embora estas categorias estejam alicer&ccedil;adas em somente duas unidades de registo, cada, &eacute; significativo notar que emergiram a partir das palavras dos mesmos entrevistados (E4 e E5):</p>     <p>- Aceita&ccedil;&atilde;o – &laquo;(…) como sou crist&atilde;, tive que ter paci&ecirc;ncia, mas, por vezes, falta-me muito (…)&raquo; (E4); &laquo;(…) tenho que me ir conformando (…)&raquo; (E5).</p>     <p>- Esperan&ccedil;a – &laquo;(…) as feridas (…) &eacute; uma coisa que vai curar&raquo; (E4); &laquo;(…) enquanto ela teve s&oacute; aquela ferida, aquela principal, uma pessoa estava sempre na esperan&ccedil;a&raquo; (E5).</p>     <p>A aceita&ccedil;&atilde;o consiste num “processo de <i>coping</i>: gerir e controlar ao longo do tempo, eliminar ou reduzir sentimentos de apreens&atilde;o ou tens&atilde;o, restri&ccedil;&atilde;o de comportamentos destrutivos” (ICN, 2011, p. 37). No caso dos familiares dos doentes com &uacute;lceras por press&atilde;o, constata-se, precisamente, este sentimento de resigna&ccedil;&atilde;o e conforma&ccedil;&atilde;o face &agrave; situa&ccedil;&atilde;o que vivenciam, o que, num dos casos, surge associado &agrave;s cren&ccedil;as religiosas. Al&eacute;m disso, estes mesmos familiares experienciam sentimentos de esperan&ccedil;a, definida como uma “emo&ccedil;&atilde;o: sentimento de ter possibilidades, confian&ccedil;a (…) no futuro (…), paz interior, otimismo (…)” (<i>idem</i>, P. 53), nomeadamente quanto &agrave; recupera&ccedil;&atilde;o do ente querido e perspetiva de um desfecho favor&aacute;vel em termos de cicatriza&ccedil;&atilde;o das &uacute;lceras por press&atilde;o.</p>     <p>Al&eacute;m destes sentimentos, foi poss&iacute;vel identificar, no discurso dos familiares dos doentes com &uacute;lceras por press&atilde;o que participaram neste estudo, algumas necessidades: d&eacute;fice de conhecimento e dificuldades econ&oacute;micas. Nas suas pr&oacute;prias palavras:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>- D&eacute;fice de conhecimento – &laquo;(…) eu tinha que ver e depois sempre a perguntar e porque &eacute; que &eacute; assim, e porque &eacute; que est&aacute; essa cor, e porque &eacute; que ontem eu mudei o penso e tinha esta cor, essa “aguadilha”, &eacute; bom ou &eacute; mau?, o que &eacute; que o enfermeiro acha? Sempre imensas perguntas…&raquo; (E1).</p>     <p>- Dificuldades econ&oacute;micas – &laquo;A &uacute;nica coisa que eles me pediram e que eu n&atilde;o comprei, porque infelizmente n&atilde;o tinha posses j&aacute; para gastar mais, (…) &eacute; o meu marido sozinho a trabalhar… &eacute; aquele colch&atilde;o antiescara, o de luz&raquo; (E7).</p>     <p>O d&eacute;fice de conhecimento &eacute; considerado como um diagn&oacute;stico de enfermagem e, portanto, corresponde a um julgamento cl&iacute;nico a partir do foco &laquo;conhecimento&raquo; em que se depreende a necessidade, car&ecirc;ncia ou falta de “(…) conte&uacute;do espec&iacute;fico de pensamento baseado na sabedoria adquirida, na informa&ccedil;&atilde;o ou aptid&otilde;es aprendidas, conhecimento e reconhecimento de informa&ccedil;&atilde;o” (ICN, 2011, p. 45). Por sua vez, as dificuldades econ&oacute;micas podem ser definidas, enquanto diagn&oacute;stico de enfermagem, como “rendimento inadequado” (ICN, 2011), na medida em que est&aacute; deficit&aacute;rio para suprir as necessidades.</p>     <p>&Eacute; oportuno referir que ambas as necessidades mencionadas emergiram somente a partir de uma &uacute;nica entrevista cada. Todavia, pensamos que o facto de n&atilde;o terem sido expressas pelos restantes participantes, n&atilde;o obsta a relev&acirc;ncia que assumem, em particular pelo facto de se constitu&iacute;rem como uma preocupa&ccedil;&atilde;o e custo acrescidos, quer para o doente com &uacute;lcera por press&atilde;o, quer para os seus familiares.</p>     <p>Um outro aspeto relevante para a compreens&atilde;o dos custos intang&iacute;veis associados &agrave;s &uacute;lceras por press&atilde;o refere-se ao impacto que estas t&ecirc;m na pr&oacute;pria rela&ccedil;&atilde;o existente entre o doente e o familiar. A este prop&oacute;sito, as respostas dos participantes foram d&iacute;spares:</p>     <p>- Sem altera&ccedil;&atilde;o na rela&ccedil;&atilde;o – &laquo;N&atilde;o, n&atilde;o, isso [impacto/altera&ccedil;&atilde;o na rela&ccedil;&atilde;o com a m&atilde;e] n&atilde;o&raquo; (E1).</p>     <p>- Mudan&ccedil;a na rela&ccedil;&atilde;o – &laquo;Mudou, mudou muito (…) agora s&atilde;o muitos mimos, muitos beijos (…)&raquo; (E7).</p>     <p>- Reconhecimento por parte do ente querido face aos cuidados prestados – &laquo;Ele [pai] mudou… ele era uma pessoa r&iacute;gida, a impor regras e agora ele mudou totalmente a sua forma de agradecimento. Fica todo contente quando v&ecirc; a gente, agradece tudo o que a gente faz&raquo; (E3).</p>     <p>Al&eacute;m da disparidade existente no modo como os familiares dos doentes com &uacute;lceras por press&atilde;o se referem &agrave; rela&ccedil;&atilde;o que passaram a estabelecer com o ente querido, denota-se que este aspeto n&atilde;o foi o que mais se evidenciou ao longo das entrevistas. Com efeito, cada um dos participantes somente se referiu a estes aspetos quando questionado diretamente. N&atilde;o obstante a aparente irrelev&acirc;ncia que este aspeto parece merecer por parte dos mesmos, h&aacute; que considerar que a exist&ecirc;ncia de uma doen&ccedil;a grave, associada ao desenvolvimento de &uacute;lceras por press&atilde;o, contribui para um aumento da vulnerabilidade do doente e do pr&oacute;prio familiar. A par deste aumento da vulnerabilidade de ambos, ocorre, frequentemente, uma altera&ccedil;&atilde;o de pap&eacute;is, em que a pessoa com &uacute;lcera por press&atilde;o passa da condi&ccedil;&atilde;o de marido, pai, m&atilde;e, sogro ou sogra, para a condi&ccedil;&atilde;o de doente. Tal pode gerar um conflito/tens&atilde;o na imagem que a pessoa tem de si pr&oacute;pria, na imagem que o familiar tem tamb&eacute;m de si pr&oacute;prio e na imagem que ambos t&ecirc;m um face ao outro. Al&eacute;m disso, h&aacute; ainda a considerar as expectativas sociais e representa&ccedil;&otilde;es culturais face ao que &eacute; expect&aacute;vel por parte dos familiares que, agora, se v&ecirc;m confrontados com a necessidade de assumirem o papel de cuidadores.</p>     <p>Quanto ao impacto das &uacute;lceras por press&atilde;o na vida do familiar, este traduz-se em dois grandes aspetos: por um lado, nas restri&ccedil;&otilde;es e perdas associadas &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de vida pessoal e familiar anterior &agrave; doen&ccedil;a e desenvolvimento de &uacute;lceras por press&atilde;o do ente querido; por outro lado, nos mecanismos de coping desenvolvidos a n&iacute;vel individual e familiar.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que respeita &agrave;s restri&ccedil;&otilde;es e perdas associadas face &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de vida anterior, estas referem-se aos seguintes aspetos: restri&ccedil;&otilde;es nas atividades quotidianas, restri&ccedil;&otilde;es nas atividades de lazer e perda da vida anterior. Vejamos:</p>     <p>- Restri&ccedil;&otilde;es</p>     <p>* Restri&ccedil;&otilde;es nas atividades quotidianas – &laquo;(…) no princ&iacute;pio, tinha de estar sempre dependente de outra pessoa ao fim de semana que era um grande aborrecimento. O meu marido n&atilde;o podia sair&raquo; (E1); &laquo;(…) temos que ficar em casa (…)&raquo; (E3).</p>     <p>* Restri&ccedil;&otilde;es nas atividades de lazer – &laquo;Mudou porque n&oacute;s geralmente, eu tenho v&aacute;rios amigos, tenho irm&atilde;os, a gente juntava-se fins de semana e isso j&aacute; n&atilde;o podemos fazer nada disso&raquo; (E3); &laquo;(…) a gente sa&iacute;a muito, tinha o carro (…) tudo isso parou&raquo; (E4).</p>     <p>- Perda da vida anterior – &laquo;(…) quando a gente sa&iacute;a, sa&iacute;a os dois; quando n&atilde;o sa&iacute;a os dois, eu sa&iacute;a e ele depois ia ter comigo para a gente dar uma volta na avenida (…) a tal volta que eu precisava dar, &iacute;amos &agrave; missa e depois &iacute;amos para casa. A nossa vida era assim, era linda, era linda (…)&raquo; (E4); &laquo;Eu tinha uma vida sem preocupa&ccedil;&atilde;o nenhuma (…) ia ali &aacute; baixa, &agrave; avenida, est&aacute;vamos na marina a tomar o nosso caf&eacute;, v&iacute;nhamos para casa quando apetecia (…) H&aacute; dois anos que eu posso contar as vezes que sa&iacute; para ir ali &agrave; avenida tomar um caf&eacute; (…)&raquo; (E7).</p>     <p>No que respeita &agrave;s restri&ccedil;&otilde;es sentidas pelos familiares de doentes com &uacute;lceras por press&atilde;o, estas verificam-se quer no quotidiano, quer nas atividades de lazer, em que estes familiares veem a sua vida condicionada, sentindo-se impossibilitados ou constrangidos na satisfa&ccedil;&atilde;o das mesmas. N&atilde;o obstante, estas restri&ccedil;&otilde;es est&atilde;o para al&eacute;m da exist&ecirc;ncia das &uacute;lceras, na medida em que est&atilde;o associadas a toda a condi&ccedil;&atilde;o global da pessoa doente, &agrave; sua depend&ecirc;ncia f&iacute;sica e emocional relativamente ao familiar que, frequentemente, assume tamb&eacute;m o papel de cuidador informal. Este aspeto &eacute; tamb&eacute;m relatado por Fonseca <i>et al</i>. (2010) que se referem ao facto de o acompanhamento e cuidado de um ente querido com depend&ecirc;ncia se repercutir, quer em termos emocionais, quer na motiva&ccedil;&atilde;o do familiar para o trabalho, quer, ainda, a n&iacute;vel da sua vida social. No seu conjunto, estes aspetos contribuem para um acr&eacute;scimo da vulnerabilidade do pr&oacute;prio familiar.</p>     <p>Quanto aos mecanismos de <i>coping</i>, os participantes referiram-se sobretudo &agrave; defini&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias familiares e &agrave; adapta&ccedil;&atilde;o propriamente dita, conforme podemos depreender a partir dos seguintes excertos das entrevistas:</p>     <p>- Estrat&eacute;gias familiares – &laquo;(…) ela est&aacute; um m&ecirc;s comigo, um m&ecirc;s com o meu irm&atilde;o (…)&raquo; (E1); &laquo;(…) com o meu irm&atilde;o &eacute; dia sim / dia n&atilde;o, temos de vir, ao fim de semana &eacute; um, outro fim de semana &eacute; outro. Portanto, se eu tiver qualquer coisa num fim de semana, eu troco com o meu irm&atilde;o. Se o meu irm&atilde;o n&atilde;o pode trocar, &agrave;s vezes pede-se &agrave; senhora s&oacute; para dar o almo&ccedil;o e depois eu fa&ccedil;o o que tenho a fazer e depois venho&raquo; (E3).</p>     <p>- Adapta&ccedil;&atilde;o – &laquo;Tive que me adaptar &agrave;quilo e tive que ver aquilo e fazer por vezes (…) tinha que fazer o curativo (…) tive que aprender como &eacute; que se fazia aquilo (…)&raquo; (E1); &laquo;(…) a gente foi-se habituando e agora j&aacute; faz parte do nosso dia-a-dia&raquo; (E3).</p>     <p>A defini&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias familiares consiste na reorganiza&ccedil;&atilde;o do sistema familiar, de modo a suprir, essencialmente, as necessidades do familiar mais pr&oacute;ximo do doente com &uacute;lcera por press&atilde;o e, simultaneamente, assegurar a realiza&ccedil;&atilde;o das atividades pessoais e familiares. Assim, a partir do discurso dos participantes, denota-se que estas estrat&eacute;gias familiares s&atilde;o, sobretudo, de cariz funcional e n&atilde;o tanto dirigidas para a dimens&atilde;o emocional e sofrimento associado &agrave; viv&ecirc;ncia desta situa&ccedil;&atilde;o. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>N&atilde;o obstante, esta possibilidade de organiza&ccedil;&atilde;o interna, assegurada atrav&eacute;s de estrat&eacute;gias familiares, contribui para uma sensa&ccedil;&atilde;o de preserva&ccedil;&atilde;o da vida pessoal e familiar quotidiana, o que concorre, consequentemente, para um maior bem-estar emocional e adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; situa&ccedil;&atilde;o. A adapta&ccedil;&atilde;o consiste, de facto, num processo de <i>coping</i>, caracterizado precisamente pela assun&ccedil;&atilde;o de uma “atitude: gerir o <i>stress</i> e ter uma sensa&ccedil;&atilde;o de controlo e de maior conforto psicol&oacute;gico” (ICN, 2011, p. 46).</p>     <p>Num estudo realizado por Santos (2008) acerca do cuidado assumido por familiares relativamente a idosos com situa&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia no domic&iacute;lio, estes aspetos foram tamb&eacute;m enunciados. Para esta autora, reportando-se a Augusto (1994), “a capacidade da fam&iacute;lia para alterar os pap&eacute;is, os poderes e as regras de relacionamento entre os seus membros, determina a sua adaptabilidade para (…) ultrapassar dificuldades” (Santos, 2008, p. 189). Embora o presente estudo aborde a problem&aacute;tica do sofrimento associado &agrave;s &uacute;lceras por press&atilde;o, h&aacute; que considerar que, os doentes com &uacute;lceras por press&atilde;o que participaram no mesmo, assumem algumas das caracter&iacute;sticas dos idosos mencionados no estudo de Santos (2008), designadamente no que concerne ao grau de depend&ecirc;ncia e ao seu status f&iacute;sico e mental. Al&eacute;m disso, conforme j&aacute; referimos, a exist&ecirc;ncia de uma &uacute;lcera por press&atilde;o n&atilde;o &eacute; vivida de modo isolado, estando inerente &agrave; condi&ccedil;&atilde;o integral do doente e repercute-se, de modo tamb&eacute;m integral, na vida dos seus familiares.</p>     <p>Conquanto n&atilde;o constasse das quest&otilde;es de investiga&ccedil;&atilde;o, os participantes referiram-se ainda a dois aspetos que, em nosso entender, contribuem para uma melhor compreens&atilde;o dos custos intang&iacute;veis associados &agrave;s &uacute;lceras por press&atilde;o: os recursos e o papel do enfermeiro (quadro 2).</p>     <p>&nbsp;</p>     <P>Quadro 2 – Sistematiza&ccedil;&atilde;o das dimens&otilde;es, categorias e subcategorias relativas &agrave; perce&ccedil;&atilde;o dos familiares acerca dos recursos e papel do enfermeiro no acompanhamento de pessoas com &uacute;lceras por press&atilde;o.</P>  <img src="/img/revistas/ref/vserIIIn7/IIIn7a15q2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>		     <p>A maioria dos entrevistados aludiu aos recursos que costuma utilizar para lidar com a situa&ccedil;&atilde;o que vivenciam, assim como mencionaram o contributo dado pelos enfermeiros. Assim, considerando que os custos intang&iacute;veis se referem &agrave;s perdas que n&atilde;o s&atilde;o suscet&iacute;veis de serem quantificadas, e atendendo a que este estudo se inscreve no &acirc;mbito de um projeto mais vasto relativo ao impacto econ&oacute;mico das &uacute;lceras por press&atilde;o (ICE2), julgamos oportuno refletir acerca dos recursos usados pelos familiares dos doentes com &uacute;lceras por press&atilde;o, bem como sobre o papel do enfermeiro.</p>     <p>Quanto aos recursos, estes s&atilde;o sobretudo os seguintes:</p>     <p>- Recursos pessoais</p>     <p>* Recursos pessoais externos</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Apoio de familiares – &laquo;(…) o meu marido toma bastante conta dele. &Eacute; bastante atencioso. Vai ver a ferida…&raquo; (E3).</p>     <p>Apoio de cuidadora – &laquo;(…) tem uma senhora aqui todo o dia com ela (…)&raquo; (E7).</p>     <p>Apoio de outros profissionais de sa&uacute;de – &laquo;(…) a m&eacute;dica de fam&iacute;lia dela agora vem c&aacute; sempre que &eacute; preciso&raquo; (E5).</p>     <p>* Recursos pessoais internos</p>     <p>Caracter&iacute;sticas pessoais – &laquo;(…) sou uma pessoa que em adapto a coisas complicadas (…)&raquo; (E1).</p>     <p>Cren&ccedil;as – &laquo;Demoramos quatro meses para arranjar a senhora. A gente procurava mas, &eacute; assim, havia duas, tr&ecirc;s, quatro senhoras, mas como era homem, elas n&atilde;o queriam. Depois, esta senhora j&aacute; tinha trabalhado num lar e indicaram-ma e foi Nosso Senhor que p&ocirc;s a m&atilde;o&raquo; (E3).</p>     <p>- Recursos materiais – &laquo;(…) comprou-se uma bota para proteger&raquo; (E4).</p>     <p>- Recursos informativos</p>     <p>* Livros – &laquo;(…) eu tamb&eacute;m depois fui para os livros (…) ver aquilo o que &eacute; que poderia degenerar (…)&raquo; (E1).</p>     <p>Os recursos referidos, embora, na sua maioria, sejam tang&iacute;veis e, portanto, quantific&aacute;veis, s&atilde;o suportados pelos familiares dos doentes com &uacute;lceras por press&atilde;o. Logo, n&atilde;o costumam ser contabilizados nos or&ccedil;amentos e relat&oacute;rios financeiros produzidos pelas entidades e institui&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de. Al&eacute;m disso, h&aacute; que considerar que estes recursos, n&atilde;o s&oacute; implicam custos econ&oacute;micos diretos, como contribuem para um aumento das preocupa&ccedil;&otilde;es dos familiares e, consequentemente, determinam e exacerbam o sofrimento experienciado pelos mesmos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que concerne aos recursos propriamente ditos, estes convergem com os que foram enunciados por Santos (2008) que se refere, precisamente, &agrave; aceita&ccedil;&atilde;o interna da situa&ccedil;&atilde;o, ao apoio informal e ajuda atrav&eacute;s da religi&atilde;o. Por sua vez, Petronilho (2007, p. 159) salienta a import&acirc;ncia da informa&ccedil;&atilde;o escrita para o cuidado informal &agrave; pessoa doente no domic&iacute;lio, considerando-a como “(…) um recurso valioso para clarificar algumas d&uacute;vidas que possam surgir enquanto est&atilde;o sozinhos”.</p>     <p>Relativamente ao apoio dos enfermeiros, este foi considerado pelos familiares dos doentes com &uacute;lceras por press&atilde;o nos seguintes termos:</p>     <p>- Tratar a &uacute;lcera por press&atilde;o – &laquo;As enfermeiras v&ecirc;m c&aacute; e fazem o tratamento&raquo; (E5).</p>     <p>- Apoiar – &laquo;Apoiavam, apoiavam (…) apoiavam qualquer coisa (…) com o tempo, uma pessoa, j&aacute; a confian&ccedil;a &eacute; outra [Referindo-se ao enfermeiro]&raquo; (E1).</p>     <p>- Informar – &laquo;As enfermeiras diziam assim: se carregar (…) e ficar a marca n&atilde;o era bom sinal (…)&raquo; (E1).</p>     <p>- Demonstrar – &laquo;(…) ir vendo, aprendendo com voc&ecirc;s [Enfermeiros], eu c&aacute; aprendi foi com voc&ecirc;s&raquo; (E1).</p>     <p>- Determinar – &laquo;(…) as enfermeiras (…) perguntam sempre se ela teve febre&raquo; (E7).</p>     <p>De acordo com o ICN (2011, p. 100) tratar consiste numa a&ccedil;&atilde;o do tipo “atender: cuidar, aliviando, terminando, removendo ou resguardando alguma coisa”, referindo-se, no caso dos participantes, ao conjunto de cuidados prestados &agrave; &uacute;lcera por press&atilde;o. Por sua vez, apoiar define-se como “assistir: ajudar social ou psicologicamente algu&eacute;m a ser bem sucedido, a evitar que algu&eacute;m ou alguma coisa fracasse, a suportar o peso (…) a aguentar” uma situa&ccedil;&atilde;o considerada dif&iacute;cil (ICN, 2011, p. 95). Informar &eacute; a a&ccedil;&atilde;o de “comunicar: alguma coisa a algu&eacute;m” (idem, p. 97) e, neste caso, diz respeito ao ato de transmitir informa&ccedil;&atilde;o no sentido de aumentar o conhecimento dos familiares relativamente &agrave;s &uacute;lceras por press&atilde;o, quer em termos de tratamento, quer de preven&ccedil;&atilde;o. A este n&iacute;vel, tamb&eacute;m se reflete a a&ccedil;&atilde;o de demonstrar, esta definida como “executar: mostrar (…) um comportamento observ&aacute;vel” (<i>idem</i>, p. 96), que visa a aquisi&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento de capacidades por parte do familiar para tratar uma &uacute;lcera por press&atilde;o no domic&iacute;lio, caso tal se revele necess&aacute;rio. Por &uacute;ltimo, determinar consiste na “a&ccedil;&atilde;o: encontrar ou estabelecer algo de modo preciso” (<i>idem</i>, p. 96) e, de acordo com o participante que se referiu a esta interven&ccedil;&atilde;o do enfermeiro, tal est&aacute; associado ao ato de determinar sintomas que a pessoa com &uacute;lcera por press&atilde;o possa ter evidenciado.</p>     <p>Face ao exposto, denota-se a primazia percebida pelos entrevistados quanto &agrave;s interven&ccedil;&otilde;es de cariz mais instrumental, cujo objetivo se dirige, sobretudo, para os conhecimentos e capacidades do familiar no sentido de lidar com a presen&ccedil;a duma &uacute;lcera por press&atilde;o. Estes resultados, ainda que indiretamente, v&ecirc;m ao encontro dos referidos por Petronilho (2008, p. 20) que, reportando-se a Coleman <i>et al</i>. (2004), afirma que “a a&ccedil;&atilde;o dos profissionais de sa&uacute;de na ajuda aos doentes e respetivos familiares cuidadores (…) no regresso a casa (…) reportam-se a informa&ccedil;&atilde;o importante sobre dimens&otilde;es dos cuidados de sa&uacute;de como: a gest&atilde;o do regime terap&ecirc;utico, a gest&atilde;o da sua condi&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de, o reconhecimento de sinais e sintomas de agravamento (…)”. Embora uma das interven&ccedil;&otilde;es enunciadas tenha sido o apoiar, n&atilde;o se evidenciou a valoriza&ccedil;&atilde;o e consequente interven&ccedil;&atilde;o dos enfermeiros a n&iacute;vel do impacto emocional e do sofrimento experienciado pelo doente e familiares, devido precisamente &agrave;s &uacute;lceras por press&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Os resultados deste estudo contribuem para uma melhor compreens&atilde;o acerca do modo como os familiares vivenciam o processo de acompanhamento de um ente querido com &uacute;lceras por press&atilde;o. Tendo como objetivo determinar os custos intang&iacute;veis das &uacute;lceras por press&atilde;o, verificamos que, no &acirc;mbito do presente estudo, estes est&atilde;o essencialmente associados a sentimentos de ang&uacute;stia, preocupa&ccedil;&atilde;o, revolta, injusti&ccedil;a, depress&atilde;o e cansa&ccedil;o, os quais concorrem para a exist&ecirc;ncia de sofrimento. Pese embora a limita&ccedil;&atilde;o inerente ao facto de n&atilde;o ter sido poss&iacute;vel compreender o impacto emocional das &uacute;lceras por press&atilde;o no pr&oacute;prio doente, constat&aacute;mos que, sob o ponto de vista dos familiares, este consideram que o ente querido vivencia um processo marcado pela dor, mal-estar e sofrimento. As necessidades de informa&ccedil;&atilde;o e de cariz econ&oacute;mico tamb&eacute;m emergiram como aspetos a considerar que, por sua vez, comportam custos, na medida em que implicam uma resposta adequada por parte dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de e sociais (custos tang&iacute;veis) e exacerbam o sofrimento j&aacute; experienciado pelo doente e fam&iacute;lia (custos intang&iacute;veis).</p>     <p>Al&eacute;m disso, percebe-se que as &uacute;lceras por press&atilde;o t&ecirc;m implica&ccedil;&otilde;es na rela&ccedil;&atilde;o existente entre a pessoa doente e o familiar, bem como na vida pessoal, familiar e social deste. Com efeito, os pr&oacute;prios recursos internos e externos do familiar passam a ser mobilizados em torno do ente querido e das necessidades que este possa apresentar, designadamente em termos de adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; situa&ccedil;&atilde;o e de defini&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias pessoais e familiares que lhes deem resposta.</p>     <p>N&atilde;o obstante a relev&acirc;ncia que as &uacute;lceras por press&atilde;o t&ecirc;m, h&aacute; que salientar o facto de, segundo os resultados deste estudo, estas serem consideradas, pelos familiares, como mais um problema a ter em conta dentro de um quadro mais vasto inerente &agrave; condi&ccedil;&atilde;o global do doente e, portanto, como fator acrescido e exacerbante do sofrimento que est&aacute; associado a esta viv&ecirc;ncia. Embora tal n&atilde;o seja quantific&aacute;vel e objetiv&aacute;vel em termos monet&aacute;rios, constatamos, pois, que o sofrimento associado &agrave;s &uacute;lceras por press&atilde;o comporta custos intang&iacute;veis que exigem uma aten&ccedil;&atilde;o e interven&ccedil;&atilde;o privilegiada por parte dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de. A este prop&oacute;sito, e considerando que &eacute; o enfermeiro o profissional de sa&uacute;de quem habitualmente se desloca com regularidade a casa dos doentes com &uacute;lceras por press&atilde;o e que lida com os familiares deste, entendemos que se encontram numa posi&ccedil;&atilde;o privilegiada na equipa de sa&uacute;de no sentido de abordar e ajudar a superar o sofrimento associado a esta problem&aacute;tica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <p>ALEIXO, Telmo [et al.] (2011) – Indicadores de qualidade sens&iacute;veis aos cuidados de enfermagem em lares de idosos. Refer&ecirc;ncia. S&eacute;rie 3, n&ordm; 3, p. 141-149.</p>     <p>BAUMGARTEN, Mona [et al.] (2004) – Black/White differences in pressure ulcer incidence in nursing home residents. Journal of the American Geriatrics Society. Vol. 52, n&ordm; 8, p. 1293-1298.</p>     <p>BJARNSHOLT, Thomas [et al.] (2008) – Why chronic wounds will not heal: a novel hypothesis. Wound Repair and Regeneration. Vol. 16, n&ordm; 1, p. 2-10.</p>     <p>CLARKE, Heather [et al.] (2005) – Pressure ulcers: implementation of evidence-based nursing practice. Journal of Advanced Nursing. Vol. 49, n&ordm; 6, p. 578–590.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>CORREA, G. I. [et al.] (2006) - Predictive factors for pressure ulcers in the ambulatory stage of spinal cord injury patients. Spinal Cord. 44, p. 734-739.</p>     <p>COUTINHO, Clara (2011) – Metodologia de investiga&ccedil;&atilde;o em ci&ecirc;ncias sociais e humanas: teoria e pr&aacute;tica. Coimbra : Almedina.</p>     <p>ELLIOTT, Judy (2011) – Applying pressure ulcer prevention theory to practice. Nursing &amp; Residential Care. Vol. 13, n&ordm; 6, p. 276-279.</p>     <p>FONSECA, Ant&oacute;nio [et al.] (2010) - Working family carers in Portugal: between the duty and the burden of caring for old vulnerable people. International Journal for Palliative Nursing. Vol. 16, n&ordm; 10, p. 476-480.</p>     <p>HOPKINS, Alison [et al.] (2006) – Patient stories of living with a pressure ulcer. Journal of Advanced Nursing. Vol. 56, n&ordm; 4, p. 345-353.</p>     <p>INTERNATIONAL COUNCIL OF NURSES (2011) – CIPE vers&atilde;o 2: classifica&ccedil;&atilde;o internacional para a pr&aacute;tica de enfermagem. Lisboa : Ordem dos Enfermeiros.</p>     <p>MOORE, Zena ; PRICE, Patricia (2004) – Nurses’ attitudes, behaviours and perceived barriers towards pressure ulcer prevention. Journal of Clinical Nursing. Vol. 13, n&ordm; 8, p. 942-951.</p>     <p>PEREIRA, Filipe (2009) - Informa&ccedil;&atilde;o e qualidade. Do exerc&iacute;cio profissional dos enfermeiros. Coimbra : Formasau.</p>     <p>PETRONILHO, Fernando (2007) – Prepara&ccedil;&atilde;o do regresso a casa. Coimbra : Formasau.</p>     <p>PETRONILHO, Fernando (2008) – A transi&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia para o exerc&iacute;cio do papel de cuidadora. Lisboa : Universidade de Lisboa. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>SANTOS, Dina (2008) – As viv&ecirc;ncias do cuidador informal na presta&ccedil;&atilde;o de cuidados ao idoso dependente. Um estudo no Concelho da Lourinh&atilde;. Lisboa : Universidade Aberta. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado.</p>     <p>SAUNDERS, Cicely (1996) – A personal therapeutic journey. British Medical Journal. Vol. 313, n&ordm; 7072, p. 21-28.</p>     <p>TETTERTON, Marcia [et al.] (2004) – The development of an educational collaborative to address comprehensive pressure ulcer prevention and treatment. Gerontology &amp; Geriatrics Education. Vol. 24, n&ordm; 3, p. 53-65.</p>     <p>UNIVERSIDADE DE COIMBRA. Centro de Estudos e Investiga&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de (2003) – Esquema cardiff de impacto da ferida [Em linha]. Coimbra : Universidade de Coimbra. [Consult. 10 Dez. 2006]. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://amitkn.awardspace.com/ficheiros/EsquemaCardiffdeImpactodaFerida.pdf" target="_blank">http://amitkn.awardspace.com/ficheiros/EsquemaCardiffdeImpactodaFerida.pdf</a>.</p>     <p>WURSTER, Joan (2007) - What role can nurse leaders play in reducing the incidence of pressure sores? Nursing Economic$. Vol. 25, n&ordm; 7, p. 267-269.</p>     <p>&nbsp;</p>			     <p>Estudo integrado no &acirc;mbito do Projecto ICE 2 – Investiga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica em Enfermagem “Estudo do Impacto Econ&oacute;mico e Social das UPP na MAC” (MAC/1/A029) – iniciativa comunit&aacute;ria, programa de coopera&ccedil;&atilde;o transnacional MAC 2007-2013.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido para publica&ccedil;&atilde;o em: 04.08.11</p>     <p>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em: 21.02.12</p> 		     ]]></body>
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