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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In this environment of growing dissatisfaction and unpredictability in nursing, it is increasingly important to motivate teams, giving them personal, relational, and communicative competencies and, above all, to build team working and thus improve productivity. Team Building emerges as an effective strategy to achieve positive results within organizations. Because it is a strategy not yet widely used in Portugal, we decided to look into the issue and reflect on its relevance and potential in nursing teams with the following objectives: to deepen knowledge about Team Building, to frame Team Building within the context of organizational theories, to describe different models of Team Building and to reflect on the usefulness of Team Building for the quality of nursing care. Articles were searched in EBSCO electronic databases, and organizational psychology literature was consulted. With this research, we conclude that Team Building applied to nursing can improve communication and interpersonal relationships, identify strengths and weaknesses of teams, provide greater job satisfaction and thus enhance the quality of health care provided.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[En un ambiente de creciente descontento y de imprevisibilidad como el de la enfermería, es cada vez más primordial motivar a los equipos, dándoles competencias personales, relacionales, y, sobre todo, fomentar el trabajo en equipo y consecuentemente la productividad. El Team Building surge así como una estrategia eficaz para lograr resultados positivos. Al ser una estrategia aún poco utilizada en Portugal, se decidió realizar este artículo teórico sobre el asunto y reflexionar sobre la pertinencia y el potencial de los equipos de enfermería, para lo que se definieron los objetivos: profundizar los conocimientos sobre Team Building, contextualizar el Team Building y reflexionar sobre su utilidad del Team Building en su contexto dentro de las prestaciones de atención de enfermería. De este modo, se realizaron búsquedas en la base de datos electrónica EBSCO, y se consultó la literatura relacionada con la psicología organizacional. Con esta investigación se concluyó que la estrategia de dinamización de equipo es útil aplicada a la enfermería, puede incluso mejorar la comunicación y las relaciones interpersonales, identificar fortalezas y debilidades de los equipos, proporcionar una mayor satisfacción en el trabajo y así, mejorar la calidad la atención sanitaria prestada.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b><i>Team Building</i> e a enfermagem</b></p>    <p><b>Team Building and nursing</b></p>    <p><b>Team Building e enfermer&iacute;a</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Filipa Homem</b>* ; <b>Maria Filomena Patr&iacute;cio</b>** ; <b>Rodrigo Cardoso</b>*** ; <b>Alfredo Cruz Louren&ccedil;o</b>****</p>     <p>* Mestranda em enfermagem na &aacute;rea de especializa&ccedil;&atilde;o de supervis&atilde;o cl&iacute;nica. RN no Centro Hospitalar de Coimbra EPE [<a href="mailto:filipahomem@gmail.com">filipahomem@gmail.com</a>].</p>     <p>** Mestranda em enfermagem na &aacute;rea de especializa&ccedil;&atilde;o de supervis&atilde;o cl&iacute;nica. RN na Cl&iacute;nica Psiqui&aacute;trica Rainha Santa Isabel em Condeixa.</p>     <p>*** Mestrando em enfermagem na &aacute;rea de especializa&ccedil;&atilde;o de supervis&atilde;o cl&iacute;nica. RN no IPOCFG EPE.</p>     <p>**** Professor Coordenador na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra. Especialista em Enfermagem de Sa&uacute;de Infantil e Pedi&aacute;trica e Mestre em Psicologia.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Resumo</b></p>     <p>Num ambiente de insatisfa&ccedil;&atilde;o crescente e de imprevisibilidade como &eacute; o da enfermagem, cada vez mais &eacute; fundamental motivar as equipas, conferindo-lhes compet&ecirc;ncias pessoais, relacionais, comunicacionais e, acima de tudo, fomentar o trabalho em equipa e consequentemente a produtividade. O <i>Team Building</i>, surge assim como uma estrat&eacute;gia eficaz para obter resultados positivos. Por ser uma estrat&eacute;gia ainda pouco utilizada em Portugal, decidimos realizar este artigo te&oacute;rico sobre o assunto e refletir sobre a sua pertin&ecirc;ncia e potencialidades nas equipas de enfermagem, tendo definido como objetivos: aprofundar conhecimentos sobre <i>Team Building</i>, contextualizar o <i>Team Building</i> no &acirc;mbito das teorias organizacionais, descrever diferentes modelos de <i>Team Building</i> e refletir sobre a utilidade do <i>Team Building</i> na qualidade da presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de enfermagem. Deste modo, foram pesquisados artigos na plataforma eletr&oacute;nica de bases de dados EBSCO, assim como consultada literatura relacionada com a psicologia organizacional. Com a presente pesquisa conclui-se que esta estrat&eacute;gia de dinamiza&ccedil;&atilde;o de equipas &eacute; &uacute;til no &acirc;mbito da enfermagem, podendo melhorar a comunica&ccedil;&atilde;o e rela&ccedil;&otilde;es interpessoais, identificar pontos fortes e fracos das equipas, proporcionar maior satisfa&ccedil;&atilde;o no trabalho e, deste modo, aumentar a qualidade dos cuidados de sa&uacute;de prestados.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: <i>Team Building</i>; enfermagem; qualidade dos cuidados de sa&uacute;de</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>Abstract</b></p>     <p>In this environment of growing dissatisfaction and unpredictability in nursing, it is increasingly important to motivate teams, giving them personal, relational, and communicative competencies and, above all, to build team working and thus improve productivity. Team Building emerges as an effective strategy to achieve positive results within organizations. Because it is a strategy not yet widely used in Portugal, we decided to look into the issue and reflect on its relevance and potential in nursing teams with the following objectives: to deepen knowledge about Team Building, to frame Team Building within the context of organizational theories, to describe different models of Team Building and to reflect on the usefulness of Team Building for the quality of nursing care. Articles were searched in EBSCO electronic databases, and organizational psychology literature was consulted. With this research, we conclude that Team Building applied to nursing can improve communication and interpersonal relationships, identify strengths and weaknesses of teams, provide greater job satisfaction and thus enhance the quality of health care provided.</p>     <p><b>Keywords</b>: Team Building; nursing; quality of health care</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>Resumen</b></p>     <p>En un ambiente de creciente descontento y de imprevisibilidad como el de la enfermer&iacute;a, es cada vez m&aacute;s primordial motivar a los equipos, d&aacute;ndoles competencias personales, relacionales, y, sobre todo, fomentar el trabajo en equipo y consecuentemente la productividad. El <i>Team Building</i> surge as&iacute; como una estrategia eficaz para lograr resultados positivos. Al ser una estrategia a&uacute;n poco utilizada en Portugal, se decidi&oacute; realizar este art&iacute;culo te&oacute;rico sobre el asunto y reflexionar sobre la pertinencia y el potencial de los equipos de enfermer&iacute;a, para lo que se definieron los objetivos: profundizar los conocimientos sobre <i>Team Building</i>, contextualizar el <i>Team Building</i> y reflexionar sobre su utilidad del <i>Team Building</i> en su contexto dentro de las prestaciones de atenci&oacute;n de enfermer&iacute;a. De este modo, se realizaron b&uacute;squedas en la base de datos electr&oacute;nica EBSCO, y se consult&oacute; la literatura relacionada con la psicolog&iacute;a organizacional. Con esta investigaci&oacute;n se concluy&oacute; que la estrategia de dinamizaci&oacute;n de equipo es &uacute;til aplicada a la enfermer&iacute;a, puede incluso mejorar la comunicaci&oacute;n y las relaciones interpersonales, identificar fortalezas y debilidades de los equipos, proporcionar una mayor satisfacci&oacute;n en el trabajo y as&iacute;, mejorar la calidad la atenci&oacute;n sanitaria prestada.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palabras clave</b>: <i>Team Building</i>; enfermer&iacute;a; la calidad de la atenci&oacute;n de salud</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>As mudan&ccedil;as de organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho tornaram emergente o trabalho em equipa, sendo relevante a sua fun&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica nas organiza&ccedil;&otilde;es na &oacute;tica de que, agregando diversas compet&ecirc;ncias e conhecimentos, se obt&eacute;m maior efic&aacute;cia nos resultados. Por sua vez, Batista <i>et al</i>. (2010) referem que &eacute; importante refletir e avaliar o grau de satisfa&ccedil;&atilde;o dos enfermeiros que trabalham nas institui&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de, identificando fatores influenciadores e propor estrat&eacute;gias para a melhoria do bem-estar dos seus profissionais, e assim contribuir para a melhoria da qualidade dos cuidados de sa&uacute;de.</p>     <p>Neste contexto, surge o conceito de <i>Team Building</i> - &laquo;constru&ccedil;&atilde;o de equipas&raquo; - que designa um conjunto de estrat&eacute;gias planeadas (com atividades que se desenvolvem geralmente em formato <i>outdoor</i>) com o objetivo de obter e analisar informa&ccedil;&atilde;o sobre o funcionamento dos grupos e iniciar mudan&ccedil;as que permitam aumentar a sua efic&aacute;cia, melhorando o desempenho individual, o desempenho e o esp&iacute;rito de equipa e, de forma mais alargada, o desempenho das organiza&ccedil;&otilde;es (Wheeler e Stoller, 2011).</p>     <p>No estudo de Bayley <i>et al</i>. (2007), que avalia a efic&aacute;cia de um curso de <i>Team Building</i> nas equipas de enfermagem, concluiu-se que esta estrat&eacute;gia permitiu a compreens&atilde;o dos pontos fortes e fracos da equipa, o que ajudou no desempenho mais eficiente das compet&ecirc;ncias das equipas, e na melhoria ao n&iacute;vel do trabalho em equipa imediatamente ap&oacute;s o curso. Assim, no sentido de motivar as equipas para uma melhor satisfa&ccedil;&atilde;o e desempenho profissional, podem ser implementadas estrat&eacute;gias de <i>Team Building</i>, que tendem a refor&ccedil;ar a coes&atilde;o no seio da equipa, clarificar pap&eacute;is e responsabilidades, identificar capacidades de lideran&ccedil;a e criatividade de cada membro (Phaneuf, 2009).</p>     <p>Com este artigo te&oacute;rico pretendemos aprofundar conhecimentos e contextualizar o <i>Team Building</i> no &acirc;mbito das teorias organizacionais, descrever diferentes modelos de <i>Team Building</i> e refletir sobre a sua utilidade na qualidade da presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de enfermagem. Como metodologia optou-se por realizar uma revis&atilde;o da literatura, incidindo a pesquisa na EBSCO, com as palavras-chave &laquo;<i>team building</i>&raquo; e &laquo;<i>nurs</i>*&raquo;, com limite temporal entre mar&ccedil;o e maio de 2011. Definiu-se como quest&atilde;o norteadora/problema deste estudo: Qual a utilidade do <i>Team Building</i> no trabalho desenvolvido pelos enfermeiros, numa perspetiva psico-organizacional?. A utiliza&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica de estrat&eacute;gias de <i>Team Building</i> em enfermagem em Portugal n&atilde;o &eacute; muito usual, pelo que tentamos refletir sobre a pertin&ecirc;ncia da utiliza&ccedil;&atilde;o desta metodologia na melhoria da qualidade dos cuidados de enfermagem.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Revis&atilde;o da literatura</b></p>     <p>A emerg&ecirc;ncia do trabalho em equipa reclama dos seus elementos compet&ecirc;ncias e capacidades de comunica&ccedil;&atilde;o interpessoal efetiva, de colabora&ccedil;&atilde;o na resolu&ccedil;&atilde;o de problemas e gest&atilde;o de conflitos, de interagir de uma forma positiva, construtiva e eficaz com os seus colegas de trabalho (Rodrigues, 2004). A fim de melhorar o desempenho das equipas, importa apostar no desenvolvimento do esp&iacute;rito de equipa, o qual se repercute no incremento da motiva&ccedil;&atilde;o, melhor comunica&ccedil;&atilde;o e ambientes de trabalho mais agrad&aacute;veis, mais dinamismo, otimismo, flexibilidade, maior enfoque nos objetivos e consequente aumento da produtividade. Uma das estrat&eacute;gia de desenvolvimento dos conhecimentos, compet&ecirc;ncias e aptid&otilde;es de Trabalho em Equipa, &eacute; designada pela express&atilde;o <i>Team Building</i>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O conceito de <i>Team Building</i>, de acordo com Clevenger (2007) est&aacute; intrinsecamente ligado ao fomento do esp&iacute;rito de equipa, com base na comunica&ccedil;&atilde;o interpessoal. As interven&ccedil;&otilde;es de <i>Team Building</i> s&atilde;o levadas a cabo com o intuito de resolver ou prevenir eventuais problemas que possam prejudicar o desempenho das equipas de trabalho. O processo de <i>Team Building</i> &eacute; composto por um conjunto de atividades planeadas com o objetivo de obter e analisar informa&ccedil;&atilde;o sobre o funcionamento dos grupos no sentido de promover mudan&ccedil;as que permitam aumentar a sua efic&aacute;cia. Cunha <i>et al</i>. (2007, p. 428) consideram que o processo pressup&otilde;e os seguintes passos sequenciais:</p>     <p>“Percep&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia de um problema ou da sua imin&ecirc;ncia, por algu&eacute;m, dentro ou fora do grupo; obten&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o relativa ao problema, pelos membros do grupo, em conjunto; an&aacute;lise da informa&ccedil;&atilde;o e busca de alternativas de correc&ccedil;&atilde;o, pelos membros do grupo; implementa&ccedil;&atilde;o das ac&ccedil;&otilde;es correctivas; monitoriza&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o dos progressos, pelos membros do grupo; repeti&ccedil;&atilde;o do processo sempre que necess&aacute;rio”.</p>     <p>De acordo com Cunha <i>et al</i>. (2007), os grandes benef&iacute;cios deste processo est&atilde;o associados &agrave; clarifica&ccedil;&atilde;o dos principais valores e dos objetivos do grupo, bem como ao desenvolvimento de compet&ecirc;ncias individuais e incentivo &agrave; criatividade. Por sua vez, Linder e Ledlow (1999) consideram que os exerc&iacute;cios de <i>Team Building</i> concorrem para o desenvolvimento de equipas eficazes se explorarem cinco pontos cr&iacute;ticos: a coes&atilde;o grupal (quanto mais coeso for o grupo, melhor ser&aacute; o seu desempenho); a defini&ccedil;&atilde;o expl&iacute;cita de fun&ccedil;&otilde;es, normas e pap&eacute;is (o que permite que o grupo lide mais eficazmente com as exig&ecirc;ncias das tarefas a desenvolver); o estabelecimento de uma eficaz comunica&ccedil;&atilde;o interpessoal (indispens&aacute;vel para o bom funcionamento de qualquer grupo de trabalho); a defini&ccedil;&atilde;o clara dos objetivos comuns bem como as metas individuais; e o desenvolvimento de interdepend&ecirc;ncia (atrav&eacute;s do trabalho em equipa e em interliga&ccedil;&atilde;o entre os diversos membros).</p>     <p>Das diversas abordagens de <i>Team Building</i>, as mais comuns dizem respeito aos retiros formais, &agrave; melhoria cont&iacute;nua e &agrave;s experi&ecirc;ncias ou forma&ccedil;&atilde;o <i>outdoor</i>. Os retiros formais dizem respeito a a&ccedil;&otilde;es levadas a cabo por um formador ou consultor (interno ou externo) que tem por objetivo conduzir a equipa ao escrut&iacute;nio da informa&ccedil;&atilde;o e &agrave; an&aacute;lise de possibilidades de solu&ccedil;&atilde;o para problemas identificados. A abordagem da melhoria cont&iacute;nua incide sobre uma an&aacute;lise regular dos processos da equipa por parte da sua chefia e/ou dos seus elementos. A forma&ccedil;&atilde;o <i>outdoor</i> &eacute; caracterizada por provocar situa&ccedil;&otilde;es nas quais os elementos t&ecirc;m que trabalhar em conjunto para resolver dificuldades e problemas que individualmente n&atilde;o conseguiriam vencer, desenvolvendo confian&ccedil;a m&uacute;tua e esp&iacute;rito de equipa (Cunha <i>et al</i>., 2007). A realiza&ccedil;&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o <i>outdoor</i> realiza-se em espa&ccedil;o aberto, confronta os participantes com experi&ecirc;ncia pr&aacute;tica de atividades desafiantes, colocando-os em estados de tens&atilde;o criativa, com o objetivo de derrubar &laquo;barreiras&raquo; (quebrar gelo) entre eles, conduzindo-os &agrave; colabora&ccedil;&atilde;o para alcan&ccedil;ar resultados. Como estrat&eacute;gia facilitadora da aprendizagem, s&atilde;o propostas atividades com uma forte componente l&uacute;dico-emocional (experi&ecirc;ncias fant&aacute;sticas e inesquec&iacute;veis) sem descurar a componente profissional e pedag&oacute;gica. Esta estrat&eacute;gia concorre para reduzir os mecanismos de defesa do indiv&iacute;duo, diminuindo os constrangimentos de &iacute;ndole profissional ou de diferencial de poder que detenha e, por conseguinte, a manifestar-se de forma mais aut&ecirc;ntica de acordo com a sua forma habitual de agir. Assim, &eacute; poss&iacute;vel despoletar nos intervenientes manifesta&ccedil;&otilde;es dos seus atributos, sejam eles compet&ecirc;ncias de lideran&ccedil;a, capacidade para a tomada de decis&atilde;o, para a gest&atilde;o de conflitos, para a supera&ccedil;&atilde;o de obst&aacute;culos, capacidade para lidar com o imprevisto, formula&ccedil;&atilde;o de objetivos, coordena&ccedil;&atilde;o de grupos, ou outros quaisquer atributos (Clevenger, 2007).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><i>Team Building</i> e o desenvolvimento organizacional</b></p>     <p>Para compreendermos o <i>Team Building</i>, &eacute; fundamental perceber a origem desta abordagem e como os avan&ccedil;os nas teorias de gest&atilde;o permitiram aquela que hoje &eacute; considerada uma das mais importantes estrat&eacute;gias de desenvolvimento e manuten&ccedil;&atilde;o de grupos de trabalho nas organiza&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Ap&oacute;s se verificar o insucesso das abordagens cl&aacute;ssicas de organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho (como o Taylorismo, a perspetiva administrativa das empresas de Fayol e a racionalidade burocr&aacute;tica de Max Weber), nomeadamente nos n&iacute;veis de produtividade e efic&aacute;cia dos oper&aacute;rios, os investigadores tiveram de se debru&ccedil;ar sobre novos aspetos do trabalho e do ambiente que o rodeia, gerando assim novas perspetivas de gest&atilde;o. De facto, a racionalidade organizacional tipo taylorista diminu&iacute;a o comportamento dos oper&aacute;rios a fun&ccedil;&otilde;es meramente mecanicistas, amputando e destruindo as suas virtualidades e potenciais psicol&oacute;gicas, sociais e pol&iacute;ticas (Ferreira <i>et al</i>., 1996).</p>     <p>Desde a d&eacute;cada de 20 &agrave; de 50 iniciou-se um novo movimento na gest&atilde;o das organiza&ccedil;&otilde;es, conhecida com a Escola das Rela&ccedil;&otilde;es Humanas. Iniciou-se com as experi&ecirc;ncias de Hawthorne e forneceu uma nova perspetiva sobre a gest&atilde;o, at&eacute; ent&atilde;o concentrada em processos racionais de organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho, em detrimento das condi&ccedil;&otilde;es exigidas aos trabalhadores (Cunha <i>et al</i>., 2007). Os estudos de Hawthorne foram conduzidos entre 1924 e 1933, podendo ser divididos em 4 grandes momentos, correspondentes &agrave;s experi&ecirc;ncias mais importantes: as experi&ecirc;ncias de ilumina&ccedil;&atilde;o, a experi&ecirc;ncia da sala de teste da montagem de rel&eacute;s, o programa de entrevistas e a experi&ecirc;ncia da observa&ccedil;&atilde;o de montagem de terminais. Na &uacute;ltima etapa da investiga&ccedil;&atilde;o descobriu-se que os trabalhadores reagiam em fun&ccedil;&atilde;o das necessidades dos grupos (formais ou informais em que estavam inseridos) e n&atilde;o em fun&ccedil;&atilde;o dos controlos e incentivos da gest&atilde;o (Cunha <i>et al</i>., 2007). Daquilo que foi descrito, se conclui que a abordagem das rela&ccedil;&otilde;es humanas evidencia a import&acirc;ncia dos grupos nas organiza&ccedil;&otilde;es. Em suma, esta abordagem “(…) defende que os trabalhadores s&atilde;o sobretudo entes sociais, movidos por necessidades de perten&ccedil;a e aceita&ccedil;&atilde;o. O <i>locus</i> de empenhamento dos trabalhadores &eacute; o grupo de trabalho, no qual as normas s&atilde;o criadas de forma cont&iacute;nua e emergente” (Ferreira <i>et al</i>., 1996, p. 66). Esta &laquo;escola&raquo; foi fundamental na atribui&ccedil;&atilde;o de import&acirc;ncia ao elemento humano e n&atilde;o apenas &agrave; efici&ecirc;ncia como crit&eacute;rio de avalia&ccedil;&atilde;o nas organiza&ccedil;&otilde;es, podendo-se considerar como o primeiro passo para o desenvolvimento de atividades de <i>Team Building</i>. De facto, foi na f&aacute;brica da <i>Western Electric Company</i> (onde se realizou a experi&ecirc;ncia de Hawthorne) que se verificou um ambiente de estimula&ccedil;&atilde;o do esp&iacute;rito de partilha de um clima social igualit&aacute;rio para todos os membros da organiza&ccedil;&atilde;o, sendo que os seus gestores implementavam e patrocinavam um conjunto de atividades desportivas e outras formas associativas (Ferreira <i>et al</i>., 1996).</p>     <p>Nas d&eacute;cadas de 80 e 90 do s&eacute;c. XX, nos Estados Unidos da Am&eacute;rica, surgiu o movimento denominado de Cultura Organizacional, motivado pela necessidade de desenvolver culturas empresariais fortes que pudessem competir com as empresas japonesas. Os trabalhadores eram novamente foco de aten&ccedil;&atilde;o nas organiza&ccedil;&otilde;es e acreditava-se que processos demasiado racionalistas e calculistas diminuiriam o empenhamento e lealdade desses trabalhadores para com as suas organiza&ccedil;&otilde;es (Cunha <i>et al</i>., 2007). Foi a partir da Escola das Rela&ccedil;&otilde;es Humanas que a influ&ecirc;ncia dos grupos nas organiza&ccedil;&otilde;es se tornou inequ&iacute;voca. Desde ent&atilde;o e ao longo das d&eacute;cadas, os acad&eacute;micos e as empresas t&ecirc;m procurado estudar a melhor forma de aumentar o potencial do trabalho do indiv&iacute;duo atrav&eacute;s dos grupos. Em termos das teorias acima descritas, o <i>Team Building</i> surge assim com o objetivo de rentabilizar os recursos humanos das organiza&ccedil;&otilde;es e garantir a m&aacute;xima produtividade, incorporando e aplicando o conhecimento crescente sobre a influ&ecirc;ncia dos grupos no seio das organiza&ccedil;&otilde;es.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Modelos de <i>Team Building</i></b></p>     <p>No &acirc;mbito desta estrat&eacute;gia, &eacute; importante perceber que tipo de modelos de <i>Team Building</i> existem e em que se fundamentam, de forma a escolher o modelo cujos pressupostos v&atilde;o ao encontro dos objetivos delineados. Assim, ser&atilde;o abordados cinco modelos: Tuckman (1965), Belbin (1970, citado por Aritzeta, Swailes e Senior, 2007), Tjosvold (1991, citado por Bagshaw, Lepp e Zorn, 2007), PUCK (Blanchard <i>et al</i>., 2001) e <i>five dysfunctions of a team</i> (Lencioni, 2002).</p>     <p>O modelo de Tuckman (1965) descreve as cinco fases de desenvolvimento de uma equipa, incluindo as atividades e as intera&ccedil;&otilde;es entre os indiv&iacute;duos durante essas fases. Examinando estas fases de desenvolvimento da equipa &eacute; poss&iacute;vel ajudar a equipa a desenvolver-se at&eacute; se tornar eficaz. Assim as fases s&atilde;o:</p>     <p>Forma&ccedil;&atilde;o: &eacute; nesta fase que os indiv&iacute;duos partilham informa&ccedil;&atilde;o uns sobre os outros. Como os indiv&iacute;duos querem ser aceites pelo grupo, t&ecirc;m tend&ecirc;ncia a evitar os conflitos.</p>     <p>Confronta&ccedil;&atilde;o: nesta fase, as dificuldades entre a equipa s&atilde;o evidentes, pois os indiv&iacute;duos come&ccedil;am a competir por poder e pelo <i>status</i>. Existem mais desentendimentos relacionados com os pap&eacute;is e responsabilidades de cada membro do que relacionados com o trabalho. Pode existir alguma resist&ecirc;ncia em trabalhar com certos elementos do grupo. &Eacute; nesta fase que a equipa precisa de lideran&ccedil;a na gest&atilde;o dos conflitos e prevenir a sua ocorr&ecirc;ncia.</p>     <p>Normaliza&ccedil;&atilde;o: os conflitos da fase anterior s&atilde;o fundamentais para estabelecer regras na equipa. A equipa come&ccedil;a a focar-se nos comportamentos que lhe permitem trabalhar em equipa. A coes&atilde;o na equipa come&ccedil;a a criar-se e os membros come&ccedil;am a ver-se como parte da equipa. Nesta fase &eacute; dif&iacute;cil intervir, pois a equipa j&aacute; tem as suas normas definidas e torna-se resistente &agrave; entrada de algu&eacute;m estranho pressionando para a mudan&ccedil;a.</p>     <p>Execu&ccedil;&atilde;o: cada elemento tem a sua responsabilidade e o seu papel na equipa. Existe alguma flexibilidade no desempenho dos pap&eacute;is, para que os membros possam ser substitu&iacute;dos quando necess&aacute;rio. A equipa &eacute; capaz de lidar com situa&ccedil;&otilde;es complexas e conflitos interpessoais e os membros sabem que podem contar uns com os outros para ficar o trabalho feito. Sabem como se apoiar uns aos outros quando &eacute; necess&aacute;rio.</p>     <p>T&eacute;rminos: as equipas n&atilde;o s&atilde;o sempre permanentes. Podem ter de se separar quando o objetivo for alcan&ccedil;ado. Nesta fase &eacute; importante ter a no&ccedil;&atilde;o de tarefa cumprida.</p>     <p>J&aacute; o modelo de Belbin (1970, citado por Aritzeta, Swailes e Senior, 2007) &eacute; focado nos pap&eacute;is individuais dos membros no seio da equipa assim como o balan&ccedil;o desses pap&eacute;is na equipa. O delineamento destes pap&eacute;is &eacute; importante para perceber e melhorar a efic&aacute;cia da equipa. Este modelo providencia uma forma de avaliar e prever a <i>performance</i> individual e da equipa, tornando uma equipa mais eficaz, combinando pessoas e tarefas. Belbin descreve 9 pap&eacute;is na equipa, cada um com for&ccedil;as e fraquezas distintas (quadro 1).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Quadro 1 – Modelo de Belbin</p>     <p><img src="/img/revistas/ref/vserIIIn7/IIIn7a18q1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O modelo de Tjosvold (1991, apud Bagshaw, Lepp e Zorn, 2007) identifica alguns obst&aacute;culos para se obter uma equipa eficaz assim como prop&otilde;e considera&ccedil;&otilde;es que podem ser &uacute;teis para ultrapassar esses mesmos obst&aacute;culos. Os obst&aacute;culos est&atilde;o descritos no quadro 2.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Quadro 2 – Modelo de Tjosvold</p>     <p><img src="/img/revistas/ref/vserIIIn7/IIIn7a18q2.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O modelo PUCK (Blanchard <i>et al</i>., 2001) &eacute; utilizado para ilustrar como repetidas recompensas e reconhecimento associadas a um determinado comportamento, &eacute; a chave para formar equipas com sucesso. Assim, as siglas PUCK significam:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>P – <i>Providing</i> (fornecer objetivos e valores claros): nesta etapa &eacute; fundamental criar um desafio que comprometa e motive a equipa a trabalhar em conjunto, definir objetivos e estrat&eacute;gias individuais e de grupo, ser claro quanto aos valores, e criar um quadro que formalize os compromissos, os objetivos e quais as estrat&eacute;gias que a equipa vai utilizar para os atingir.</p>     <p>U – <i>Unleashing</i> (desenvolver compet&ecirc;ncias): &eacute; tamb&eacute;m importante definir compet&ecirc;ncias individuais a desenvolver, que ir&atilde;o refor&ccedil;ar as compet&ecirc;ncias da equipa; providenciar <i>feedback</i> no desenvolvimento de compet&ecirc;ncias, confian&ccedil;a e responsabilidade; aprender os pap&eacute;is de cada um dos elementos da equipa; e construir um sentido de poder individual e coletivo utilizando compet&ecirc;ncias individuais e coletivas para obter o melhor resultado poss&iacute;vel.</p>     <p>C – <i>Creating</i> (empoderar a equipa): &eacute; necess&aacute;rio planear um jogo para a equipa; partilhar a lideran&ccedil;a; recompensar o trabalho em equipa; rodar as posi&ccedil;&otilde;es para criar flexibilidade, introduzir a mudan&ccedil;a e desenvolver compet&ecirc;ncias; e tornar compet&ecirc;ncias individuais em compet&ecirc;ncias de grupo.</p>     <p>K – <i>Keeping</i> (manter pensamento positivo): por &uacute;ltimo &eacute; fundamental procurar comportamentos que reflitam os objetivos e os valores da equipa, e recompensar o indiv&iacute;duo; identificar os indiv&iacute;duos que tenham os comportamentos ideais; e redirecionar os indiv&iacute;duos cujos comportamentos n&atilde;o reflitam os objetivos da equipa sem penalizar.</p>     <p>O modelo <i>five dysfunctions of a team</i> de Lencioni (2002) ilustra a din&acirc;mica e o trabalho em equipa atrav&eacute;s da identifica&ccedil;&atilde;o das disfun&ccedil;&otilde;es de equipa. O autor define que trabalhando estas 5 disfun&ccedil;&otilde;es resulta numa equipa mais coesa.</p>     <p>A aus&ecirc;ncia de confian&ccedil;a: caso exista esta disfun&ccedil;&atilde;o os indiv&iacute;duos t&ecirc;m de se abrir uns com os outros e devem trabalhar sem medo de repres&aacute;lias. A equipa deve superar a necessidade de invulnerabilidade.</p>     <p>Medo do conflito: esta disfun&ccedil;&atilde;o provoca uma sensa&ccedil;&atilde;o de harmonia artificial e resulta na compet&ecirc;ncia de aceitar alguns conflitos.</p>     <p>Falta de compromisso: se os indiv&iacute;duos n&atilde;o sentem que foram ouvidos, n&atilde;o se v&atilde;o comprometer.</p>     <p>Evitar responsabilidades: os l&iacute;deres n&atilde;o querem assumir as responsabilidades dos outros, para evitar conflitos, resultando assim em baixas expectativas.</p>     <p>Desaten&ccedil;&atilde;o aos resultados: os resultados esperados devem ser simples e exequ&iacute;veis, o desempenho da equipa deve ser avaliado periodicamente, os objetivos devem ser revistos regularmente e os recursos devem ser redirecionados quando indicado para atingir os resultados.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Atrav&eacute;s da an&aacute;lise dos v&aacute;rios modelos de <i>Team Building</i>, podemos verificar que todos avaliam as diferentes intera&ccedil;&otilde;es no seio do grupo, de forma a melhorar as rela&ccedil;&otilde;es interpessoais. Quer o modelo de Tuckman, que analisa as diferentes fases de forma&ccedil;&atilde;o de uma equipa, como o modelo de Belbin, que avalia a performance pessoal dentro da equipa, s&atilde;o modelos que enfatizam a import&acirc;ncia das t&eacute;cnicas de <i>Team Building</i> tanto na constitui&ccedil;&atilde;o das equipas como ao longo do desenvolvimento das mesmas. J&aacute; os modelos de Tjosvold e PUCK valorizam a import&acirc;ncia da dete&ccedil;&atilde;o e reconhecimento dos obst&aacute;culos e a utiliza&ccedil;&atilde;o da recompensa para os ultrapassar. Enquanto os primeiros dois modelos definem a import&acirc;ncia das t&eacute;cnicas de <i>Team Building</i>, os &uacute;ltimos dois definem estrat&eacute;gias de <i>Team Building</i>. &Eacute; importante perceber que consoante os objetivos delineados pelas equipas, assim ser&atilde;o utilizados diferentes tipos de modelos, sendo por vezes necess&aacute;rio recorrer a elementos de mais que um modelo, de forma a garantir a efic&aacute;cia na constru&ccedil;&atilde;o das equipas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><i>Team Building</i> e enfermagem</b></p>     <p>Na &aacute;rea da sa&uacute;de, &eacute; fundamental desenvolver trabalho em equipa, pois os profissionais da sa&uacute;de devem ser capazes de realizar um n&uacute;mero cada vez maior de atividades, com melhor qualidade, num ambiente com necessidades complexas e em constante mudan&ccedil;a. O trabalho em equipa imp&otilde;e-se assim, como um desafio para todos os profissionais quer sejam enfermeiros, m&eacute;dicos ou outros t&eacute;cnicos de sa&uacute;de, devendo ser considerada como uma necessidade e entendida como uma ferramenta din&acirc;mica, que concilia as necessidades dos utentes (Rodrigues e Lima, 2004).</p>     <p>Um estudo realizado em 258 hospitais de Inglaterra, com um total de cerca de 207.000 enfermeiros, revela que mais de um ter&ccedil;o destes hospitais luta para manter os seus enfermeiros, levando em alguns casos, as taxas de rotatividade de pessoal at&eacute; 12%. Neste estudo tamb&eacute;m foi revelado que os enfermeiros deixam a profiss&atilde;o principalmente devido &agrave; baixa remunera&ccedil;&atilde;o e baixa satisfa&ccedil;&atilde;o no trabalho. Desta forma, os enfermeiros-l&iacute;deres deparam-se com dois desafios: recrutar enfermeiros suficientemente qualificados e estabelecer culturas de trabalho gratificantes (Mulholland, 2005, citado por Toofany, 2007). Assim, esta autora considera que os enfermeiros-l&iacute;deres devem desenvolver estrat&eacute;gias para melhorar e criar equipas coesas, lideradas por l&iacute;deres eficazes e que uma dessas estrat&eacute;gias pode passar pelo <i>Team Building</i>, no sentido de melhorar a comunica&ccedil;&atilde;o e as rela&ccedil;&otilde;es interpessoais.</p>     <p>Um outro estudo (Bayley <i>et al</i>., 2007) avalia a efic&aacute;cia de um curso de <i>Team Building</i> dirigido a 11 equipas de profissionais de sa&uacute;de de Servi&ccedil;os de Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios, de Hospitais Centrais e de Servi&ccedil;os Sociais, em Inglaterra. Atrav&eacute;s destes instrumentos, foram apurados alguns resultados que traduzem mudan&ccedil;as: o curso de <i>Team Building</i> permitiu a compreens&atilde;o dos pontos fortes e fracos da equipa, o que ajudou no desempenho mais eficiente das compet&ecirc;ncias das equipas; houve melhoria ao n&iacute;vel do trabalho em equipa imediatamente ap&oacute;s o curso, melhoria essa que aos 6 meses tende a desaparecer. Por outro lado, Bayley <i>et al</i>. (2007) introduzem assim algumas corre&ccedil;&otilde;es: as equipas t&ecirc;m que ser selecionadas para estas interven&ccedil;&otilde;es conforme as suas necessidades; as interven&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m que ser flex&iacute;veis de forma a apoiar as equipas; constata-se que uma interven&ccedil;&atilde;o de <i>follow-up</i> deveria ser feita entre os 3 e os 6 meses ap&oacute;s a aplica&ccedil;&atilde;o do curso de <i>Team Building</i>, no local de trabalho, para que a aprendizagem feita seja transposta para a pr&aacute;tica mais eficazmente.</p>     <p>Chang <i>et al</i>. (2009), num estudo que efectuaram relativamente &agrave; perce&ccedil;&atilde;o dos profissionais de sa&uacute;de sobre o seu trabalho em 4 hospitais de Taiwan, apuraram que os enfermeiros est&atilde;o pouco satisfeitos com os seus empregos e desagradados com o ambiente de trabalho, manifestam uma perce&ccedil;&atilde;o pouca positiva do trabalho em equipa, denunciam a falta de comunica&ccedil;&atilde;o e de coopera&ccedil;&atilde;o, entendem ser muito reduzida a express&atilde;o das equipas multiprofissionais na pesquisa cient&iacute;fica. Os autores concluem que estes achados constituem informa&ccedil;&atilde;o valiosa para os gestores hospitalares e enfermeiros l&iacute;deres desenvolverem estrat&eacute;gias inovadoras, que contribuam para um &laquo;diagn&oacute;stico&raquo; de qualidade dos fatores que desencadeiam as perturba&ccedil;&otilde;es, an&aacute;lise de poss&iacute;veis solu&ccedil;&otilde;es, introdu&ccedil;&atilde;o de medidas corretivas, atrav&eacute;s do envolvimento ativo dos diversos agentes. Chang <i>et al</i>. (2009) sugeriram que uma das estrat&eacute;gias pass&iacute;veis de ultrapassar as lacunas identificadas ao n&iacute;vel da satisfa&ccedil;&atilde;o e perce&ccedil;&atilde;o dos enfermeiros com o trabalho consistiria na utiliza&ccedil;&atilde;o de <i>Team Building</i>, embora n&atilde;o indique estrat&eacute;gias espec&iacute;ficas.</p>     <p>Uma experi&ecirc;ncia da aplica&ccedil;&atilde;o da metodologia <i>Team Building</i> num Hospital (Rede de Hospitais S&atilde;o Camilo – Brasil) ilustra as mais-valias alcan&ccedil;adas na resolu&ccedil;&atilde;o de problemas entre diversos servi&ccedil;os (Rosso, 2010). O grande problema era a rela&ccedil;&atilde;o Enfermagem e &Aacute;reas de Apoio (farm&aacute;cia, nutri&ccedil;&atilde;o, exames, higiene, central de marca&ccedil;&atilde;o de cirurgias, entre outros), afetando direta ou indiretamente a organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho e o desgaste aos profissionais de enfermagem. Partindo da identifica&ccedil;&atilde;o do problema (diagn&oacute;stico), foi desenvolvida a metodologia de <i>Team Building</i>, visando preparar aquelas &aacute;reas para a discuss&atilde;o dos problemas entre elas. Partindo de atividades <i>outdoor</i>, com jogos l&uacute;dicos de grupo, procuraram &laquo;quebrar gelo&raquo; entre as equipas dos diversos servi&ccedil;os, criando energia e coopera&ccedil;&atilde;o &uacute;teis para as fases seguintes. Os resultados obtidos foram entendidos como tendo extrapolado as expectativas iniciais, real&ccedil;ando-se que a equipa de enfermagem reduziu o seu desgaste na rela&ccedil;&atilde;o intersetorial, obtendo maior disponibilidade de tempo para presta&ccedil;&atilde;o de cuidados, o que se repercutiu na maior satisfa&ccedil;&atilde;o dos utentes.</p>     <p>O modelo PUCK de Blanchard <i>et al</i>. (2001) enforma uma importante estrat&eacute;gia de <i>Team Building</i>, que ilustra como repetidas recompensas e reconhecimento associadas a um determinado comportamento, se torna a chave para formar equipas com sucesso. Os autores supracitados transferiram os princ&iacute;pios deste modelo para a profiss&atilde;o de enfermagem, na qual o “P” significa que os l&iacute;deres enfermeiros devem estabelecer metas claras e exequ&iacute;veis, por si e pelos enfermeiros que representam; o &laquo;U&raquo; representa as compet&ecirc;ncias que os enfermeiros-l&iacute;deres devem utilizar para criar equipas saud&aacute;veis; o &laquo;C&raquo; &eacute; adquirido atrav&eacute;s da cria&ccedil;&atilde;o de uma clara proposta para dirigir a equipa de presta&ccedil;&atilde;o de cuidados e o &laquo;K&raquo; representa a responsabilidade de recompensar comportamentos que reflitam o prop&oacute;sito e o valor da equipa. Essas recompensas visam a obten&ccedil;&atilde;o de resultados positivos e um trabalho em equipa eficaz. A aplica&ccedil;&atilde;o do modelo &agrave; enfermagem proporciona resultados mais eficazes e melhor atendimento ao utente.</p>     <p>J&aacute; o modelo <i>five dysfunctions of a team</i> de Lencioni (2002), que ilustra a din&acirc;mica e o trabalho em equipa atrav&eacute;s da identifica&ccedil;&atilde;o das disfun&ccedil;&otilde;es de equipa e como trabalhando essas disfun&ccedil;&otilde;es, resulta uma equipa mais coesa, o autor descreve que tamb&eacute;m pode ser usado pelos enfermeiros. Na enfermagem estas disfun&ccedil;&otilde;es podem afetar o trabalho em equipa: a aus&ecirc;ncia de confian&ccedil;a ocorre quando enfermeiros n&atilde;o partilham as suas preocupa&ccedil;&otilde;es com a restante equipa multidisciplinar; falta de comprometimento pode ocorrer quando o enfermeiro est&aacute; desmotivado da presta&ccedil;&atilde;o de cuidados ao utente; evitar responsabilidades pode ser visto quando o enfermeiro chefe n&atilde;o define com a sua equipa objetivos espec&iacute;ficos, fazendo com que a equipa se mantenha em sil&ecirc;ncio; a &uacute;ltima disfun&ccedil;&atilde;o &eacute; notada quando os enfermeiros p&otilde;em as suas necessidades &agrave; frente das necessidades da equipa. Quando s&atilde;o encontradas estas disfun&ccedil;&otilde;es, o enfermeiro-chefe deve redirecionar os comportamentos da sua equipa para atingir resultados positivos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A pesquisa demonstra que a implementa&ccedil;&atilde;o das estrat&eacute;gias de <i>Team Building</i> nas equipas de profissionais melhora o desenvolvimento de compet&ecirc;ncias e criatividade individuais, a clarifica&ccedil;&atilde;o dos objetivos da equipa, o ambiente de trabalho percebido, o trabalho em equipa, a gest&atilde;o de conflitos e de tempo, a satisfa&ccedil;&atilde;o dos profissionais, a identifica&ccedil;&atilde;o dos profissionais com o trabalho, repercutindo-se essencialmente na qualidade da presta&ccedil;&atilde;o de cuidados. A escassez de evid&ecirc;ncia destas estrat&eacute;gias poder&aacute; constituir um entrave &agrave; sua aplica&ccedil;&atilde;o nos contextos de trabalho dos enfermeiros. Todavia, a elabora&ccedil;&atilde;o de projetos solidamente fundamentados e que abranjam as &aacute;reas da comunica&ccedil;&atilde;o e das vantagens do trabalho em grupo deve constituir uma prioridade das lideran&ccedil;as de enfermagem, assim como o desenvolvimento da investiga&ccedil;&atilde;o nesta &aacute;rea. A melhoria cont&iacute;nua, preconizada tantas vezes pelos enfermeiros, pode ser uma realidade, caso se aposte em estrat&eacute;gias de <i>Team Building</i> para aumentar o desempenho das equipas de sa&uacute;de. A ado&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias de <i>Team Building</i>, pela identifica&ccedil;&atilde;o das dificuldades individuais e da inefic&aacute;cia organizacional, poder&aacute; induzir a assimila&ccedil;&atilde;o de processos de mudan&ccedil;a, seja na din&acirc;mica das organiza&ccedil;&otilde;es como no trabalho desenvolvido por cada profissional de sa&uacute;de, nomeadamente enfermeiros.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Ao concluirmos este nosso trabalho sobre a import&acirc;ncia dos conceitos e teorias sobre o constructo <i>Team Building</i> e os contextos de enfermagem, leva-nos a refletir que as mudan&ccedil;as recentes na organiza&ccedil;&atilde;o das pessoas e das organiza&ccedil;&otilde;es apontam no sentido da utiliza&ccedil;&atilde;o das potencialidades e das aptid&otilde;es dos enfermeiros na busca de objetivos comuns e compartilhados. Assim, a efic&aacute;cia do trabalho das equipas pressup&otilde;e a mobiliza&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias, capacidades e aptid&otilde;es de trabalho em equipa, visando o aumento da produtividade e a satisfa&ccedil;&atilde;o dos enfermeiros.</p>     <p>Atrav&eacute;s da revis&atilde;o efetuada conclu&iacute;mos que o <i>Team Building</i> &eacute; uma estrat&eacute;gia de forma&ccedil;&atilde;o que combina atividades l&uacute;dicas e atividades com an&aacute;lises profissionais, t&eacute;cnica e pedagogicamente eficazes, as quais concorrem para aumentar o desempenho das equipas de sa&uacute;de, e essencialmente, para melhorar a qualidade dos cuidados prestados. Apesar de escassos os trabalhos sobre <i>Team Building</i> na enfermagem, as equipas de sa&uacute;de que experienciaram esta estrat&eacute;gia ressaltam que a constru&ccedil;&atilde;o de processos de trabalho articulados origina excelentes resultados nos cuidados de sa&uacute;de prestados. Neste sentido, maior aten&ccedil;&atilde;o deve ser dada &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias de <i>Team Building</i>, particularmente, no seio das equipas de enfermagem, sendo a sua aplica&ccedil;&atilde;o considerada como agente facilitador da melhoria dos cuidados de sa&uacute;de. Os estudos refor&ccedil;am a necessidade cont&iacute;nua de trabalhar com os profissionais de enfermagem na &aacute;rea da comunica&ccedil;&atilde;o, <i>feedback</i>, gest&atilde;o de conflitos, lideran&ccedil;a, bem como outros aspetos do foro relacional que conduzam ao fortalecimento da equipa e tomada de decis&atilde;o compartilhada. Assim, &eacute; identificada a necessidade de proceder a investiga&ccedil;&otilde;es experimentais no que diz respeito &agrave; qualidade dos cuidados prestados por uma equipa que experimentou o <i>Team Building</i> assim como, a sua satisfa&ccedil;&atilde;o profissional. De modo particular, pensamos ser importante implementar estas estrat&eacute;gias formativas nos contextos da Enfermagem em Portugal, onde at&eacute; agora nenhuma experi&ecirc;ncia est&aacute; documentada.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <p>ARITZETA, A. ; SWAILES, S. ; SENIOR, B. (2007) - Belbin’s team role model: development, validity and applications for Team Building. Journal of Management Studies. Vol. 44, n&ordm; 1, p. 96-118.</p>     <p>BAGSHAW, D. ; LEPP, M. ; ZORN, C. (2007) - International research collaboration: building teams and managing conflicts. Conflict Resolution Quarterly. Vol. 24, n&ordm; 4, p. 433-446.</p>     <p>BATISTA, V. [et al.] (2010) - Satisfa&ccedil;&atilde;o dos enfermeiros: estudo comparativo em dois modelos de gest&atilde;o hospitalar. Refer&ecirc;ncia. S&eacute;rie 2, n&ordm; 12, p. 57-69.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>BAYLEY, J. [et al.] (2007) - Teamworking in healthcare: longitudinal evaluation of a teambuilding intervention. Learning in Health and a Social Care. Vol. 6, n&ordm; 4, p. 187-201.</p>     <p>BLANCHARD, K. [et al.] (2001) - High five! The magic of working together. New York : Harper Collins.</p>     <p>CHANG, W. [et al.] (2009) - Job satisfaction and perceptions of quality of patient care, collaboration and teamwork in acute care hospitals. Journal of Advanced Nursing. Vol. 65, n&ordm; 9, p. 1946-1955.</p>     <p>CLEVENGER, K. (2007) - Team Building retreats. Recruitment & Retention Conference presenter. Nursing Management. Vol. 38, n&ordm; 4, p. 22-24.</p>     <p>CUNHA, M. [et al.] (2007) - Manual de comportamento organizacional e gest&atilde;o. 6&ordf; ed. Lisboa : Editora RH.</p>     <p>FERREIRA, J. [et al.] (1996) - Psicossociologia das organiza&ccedil;&otilde;es. Alfragide : McGraw-Hill Portugal.</p>     <p>LENCIONI, P. (2002) - The five dysfunctions of a team: a leaderships fable. San Francisco : Jossey-Bass.</p>     <p>LINDER, D. ; LEDLOW, S. (1999) - Five issues to be considered in teambuilding [Em linha]. Department of Psychology & Susan Ledlow, Instructional Innovation Network, Arizona State University. [Consult. 14 Jun. 2011]. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://www.clte.asu.edu/active/fiveissues.pdf" target="_blank">http://www.clte.asu.edu/active/fiveissues.pdf</a>.</p>     <p>PHANEUF, M. (2009) - Team Building: urgently needed in nursing! [Em linha]. Infiressources – Centre de Ressources en Soins Infirmiers. [Consult. 15 Jun. 2011]. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://www.infiressources.ca/fer/Depotdocument_anglais/Team_building-urgently_needed_in_nursing.pdf" target="_blank">http://www.infiressources.ca/fer/Depotdocument_anglais/Team_building-urgently_needed_in_nursing.pdf</a>.</p>     <p>RODRIGUES, A. (2004) - A defini&ccedil;&atilde;o do conceito de grupo e suas implica&ccedil;&otilde;es no funcionamento do sistema: o caso das equipas cir&uacute;rgicas. Porto : Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade do Porto. Tese de doutoramento.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>RODRIGUES, F. ; LIMA, M. (2004) - A multiplicidade de atividades realizadas pelo enfermeiro em unidades de interna&ccedil;&atilde;o. Revista de Ga&uacute;cha Enfermagem. Vol. 25, n&ordm; 3, p. 314-22.</p>     <p>ROSSO, F. (2010) - Projectos inteligentes, hospitais ganhadores. Boletim Informativo: FATOR RH - Solu&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o Empresarial e Gest&atilde;o de Pessoas [Em linha]. Ano 8, n&ordm; 22. [Consult. 22 Jun. 2011]. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://www.fatorrh.com.br" target="_blank">http://www.fatorrh.com.br</a>.</p>     <p>TOOFANY, S. (2007) - Team Building and leadership: the key to recruitment and retention. Nursing Management. Vol. 14, n&ordm; 1, p. 24-27.</p>     <p>TUCKMAN, B. (1965) - Developmental sequence in small groups. Psychological Bulletin. Vol. 63, n&ordm; 6, p. 384-399.</p>     <p>WHEELER, D. ; STOLLER, J. K. (2011) - Teamwork, teambuilding and Leadership in respiratory and health care. Canadian Journal of Respiratory Therapy. Vol. 47, n&ordm;1, p. 6-11.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido para publica&ccedil;&atilde;o em: 18.09.11</p>     <p>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em: 07.02.12</p>      ]]></body><back>
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