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<article-id pub-id-type="doi">10.12707/RIII1232</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Evolução dos comportamentos e do estado de saúde na passagem à reforma]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Evolution of behaviour and health status during transition to retirement]]></article-title>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Evolución de las conductas y estado de salud en el período de jubilación]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Retirement is a transitional life event which requires an inevitable adaptation to change (Fonseca, 2011; Meleis, 2010). The evolution of behaviour and health status revealed by individuals during this period illustrates this and reflects the effect that this status change may have in terms of health. To understand these effects, we developed a study whose aim was to describe the evolution of behaviour and health status of individuals during retirement. This was a quantitative study, in which a questionnaire was administered to 432 individuals who had been retired for less than five years. The sample was selected by the network method and data were analysed using the SPSS17 program. After retirement, respondents improved their health behaviours, but this improvement was not as accompanied by a corresponding improvement in their health status (Body Mass Index increased in 94.8% of cases and the incidence of chronic disease by 3.7%, particularly psychiatric illness). We concluded that retirement has important implications for the health of individuals, particularly in the psychological and emotional dimensions.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[La jubilación es un acontecimiento transicional que exige la experiencia de una adaptación a los cambios (Fonseca, 2011; Meleis, 2010). La evolución de la conducta y del estado de salud, expresado por las personas durante ese período, puede ser ilustrativo de ese fenómeno y reflejar los efectos que esta condición les puede aportar a su salud. El estudio tuvo por objeto describir la evolución del comportamiento y del estado de salud de las personas durante la jubilación. Fue un estudio de carácter cuantitativo, en el cual se aplicó un cuestionario a 432 personas que se jubilaron hace menos de cinco años. La muestra se obtuvo por método de una red y los datos se analizaron utilizando el programa SPSS17. Después de la jubilación los encuestados mejoraron sus hábitos de salud, sin embargo, esta mejora no se tradujo en una mejora significativa de su estado de salud (Índice Masa Corporal aumentó 94,8%; enfermedad crónica aumentó 3,7%, con un énfasis en el foro psiquiátrico). Se concluyó que la jubilación tiene implicaciones significativas en la salud de los individuos, especialmente aquellas que constituyen sus dimensiones psicoemocionales.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[envelhecimento]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Evolu&ccedil;&atilde;o dos comportamentos e do estado de sa&uacute;de na passagem &agrave; reforma</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Helena Loureiro</b>* ; <b>Ant&oacute;nio Fonseca</b>** ; <b>Manuel Ver&iacute;ssimo</b>***</p>     <p>* PhD, Professora Adjunta da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra [<a href="mailto:hloureiro@esenfc.pt">hloureiro@esenfc.pt</a>].</p>     <p>** PhD, Professor Associado da Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o e Psicologia da Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa do Porto [<a href="mailto:afonseca@porto.ucp.pt">afonseca@porto.ucp.pt</a>]</p>     <p>*** PhD, Professor Auxiliar com Agrega&ccedil;&atilde;o da Faculdade de Medicina de Coimbra [<a href="mailto:mtverissimo@gmail.com">mtverissimo@gmail.com</a>].</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resumo</b></p>     <p>A passagem &agrave; reforma &eacute; um acontecimento de vida de car&aacute;ter transicional que exige uma inevit&aacute;vel adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; mudan&ccedil;a (Fonseca, 2011; Meleis, 2010). A evolu&ccedil;&atilde;o dos comportamentos e do estado de sa&uacute;de que os indiv&iacute;duos revelam durante esse per&iacute;odo s&atilde;o ilustrativos deste facto e traduzem os efeitos que a aquisi&ccedil;&atilde;o deste estatuto lhes poder&aacute; suscitar, em termos de sa&uacute;de. Com a finalidade de conhecer esses efeitos, o presente estudo teve por objetivo descrever a evolu&ccedil;&atilde;o dos comportamentos e do estado de sa&uacute;de dos indiv&iacute;duos no per&iacute;odo de passagem &agrave; reforma. Tratou-se de um estudo de car&aacute;ter quantitativo, no qual foi aplicado um question&aacute;rio a 432 indiv&iacute;duos aposentados h&aacute; menos de cinco anos. A amostra foi conseguida pelo m&eacute;todo de rede e os dados foram analisados recorrendo ao SPSS17.</p>     <p>As evid&ecirc;ncias revelaram que os inquiridos melhoraram os seus comportamentos em sa&uacute;de ap&oacute;s a reforma. Todavia essa melhoria n&atilde;o se expressou numa correspondente melhoria do estado de sa&uacute;de (ex. &Iacute;ndice Massa Corporal aumentou em 94,8% dos casos e a patologia cr&oacute;nica em 3,7%, com destaque para o foro psiqui&aacute;trico). Concluiu-se que a passagem &agrave; reforma apresenta expressivas implica&ccedil;&otilde;es na sa&uacute;de dos indiv&iacute;duos, particularmente naquelas que s&atilde;o as dimens&otilde;es psicoemocionais desse mesmo estado.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave</b>: envelhecimento; aposenta&ccedil;&atilde;o; sa&uacute;de.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Evolution of behaviour and health status during transition to retirement</b></p>     <p><b>Abstract</b></p>     <p>Retirement is a transitional life event which requires an inevitable adaptation to change (Fonseca, 2011; Meleis, 2010). The evolution of behaviour and health status revealed by individuals during this period illustrates this and reflects the effect that this status change may have in terms of health. To understand these effects, we developed a study whose aim was to describe the evolution of behaviour and health status of individuals during retirement. This was a quantitative study, in which a questionnaire was administered to 432 individuals who had been retired for less than five years. The sample was selected by the network method and data were analysed using the SPSS17 program. After retirement, respondents improved their health behaviours, but this improvement was not as accompanied by a corresponding improvement in their health status (Body Mass Index increased in 94.8% of cases and the incidence of chronic disease by 3.7%, particularly psychiatric illness). We concluded that retirement has important implications for the health of individuals, particularly in the psychological and emotional dimensions.</p>     <p><b>Keywords</b>: aging; retirement; health.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Evoluci&oacute;n de las conductas y estado de salud en el per&iacute;odo de jubilaci&oacute;n</b></p>     <p><b>Resumen</b></p>     <p>La jubilaci&oacute;n es un acontecimiento transicional que exige la experiencia de una adaptaci&oacute;n a los cambios (Fonseca, 2011; Meleis, 2010). La evoluci&oacute;n de la conducta y del estado de salud, expresado por las personas durante ese per&iacute;odo, puede ser ilustrativo de ese fen&oacute;meno y reflejar los efectos que esta condici&oacute;n les puede aportar a su salud. El estudio tuvo por objeto describir la evoluci&oacute;n del comportamiento y del estado de salud de las personas durante la jubilaci&oacute;n. Fue un estudio de car&aacute;cter cuantitativo, en el cual se aplic&oacute; un cuestionario a 432 personas que se jubilaron hace menos de cinco a&ntilde;os. La muestra se obtuvo por m&eacute;todo de una red y los datos se analizaron utilizando el programa SPSS17. Despu&eacute;s de la jubilaci&oacute;n los encuestados mejoraron sus h&aacute;bitos de salud, sin embargo, esta mejora no se tradujo en una mejora significativa de su estado de salud (&Iacute;ndice Masa Corporal aument&oacute; 94,8%; enfermedad cr&oacute;nica aument&oacute; 3,7%, con un &eacute;nfasis en el foro psiqui&aacute;trico). Se concluy&oacute; que la jubilaci&oacute;n tiene implicaciones significativas en la salud de los individuos, especialmente aquellas que constituyen sus dimensiones psicoemocionales.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palabras clave</b>: envejecimiento; jubilaci&oacute;n; salud.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>O envelhecimento traduz uma realidade do desenvolvimento humano cujo percurso permanece conotado de uma forma pouco auspiciosa. Os efeitos biofisiol&oacute;gicos, psicol&oacute;gicos, sociais e ecol&oacute;gicos a este processo associados s&atilde;o em grande parte respons&aacute;veis por esta estigmatiza&ccedil;&atilde;o. Contudo, ainda que dominante na nossa cultura, esta representa&ccedil;&atilde;o social do envelhecimento tende a modificar-se, e um dos mais evidentes contributos para que esta mudan&ccedil;a de paradigma se esteja a verificar &eacute;, sem d&uacute;vida, o crescente envelhecimento populacional ao qual se assiste nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas.</p>     <p>Com efeito, num quadro epidemiol&oacute;gico no qual se vive cada vez mais tempo e em que esse tempo se repercute em acrescidas dificuldades de viv&ecirc;ncia, o efetivo investimento em medidas que promovam um envelhecimento ativo torna-se cada vez mais premente e, neste sentido, torna-se necess&aacute;rio intervir em acontecimentos de transi&ccedil;&atilde;o que exponham os indiv&iacute;duos a uma particular fonte de vulnerabilidade.</p>     <p>A aposenta&ccedil;&atilde;o constitui um dos referidos acontecimentos. A sua ocorr&ecirc;ncia sucede habitualmente no final da meia-idade e o seu desenvolvimento exige um elevado esfor&ccedil;o adaptativo &agrave; mudan&ccedil;a por parte dos seus protagonistas (Melleis, 2010). As evid&ecirc;ncias emp&iacute;ricas assim o revelam e acrescentam ainda ser, direta ou indiretamente, respons&aacute;vel por diversas altera&ccedil;&otilde;es nas v&aacute;rias dimens&otilde;es do processo de envelhecimento humano (Belsky, 2001; Fonseca e Pa&uacute;l, 2004; Fonseca, 2011).</p>     <p>Desconhecem-se, por&eacute;m, quais s&atilde;o os efeitos que a referida viv&ecirc;ncia exerce nos indiv&iacute;duos em termos de sa&uacute;de e mais especificamente naquela que &eacute; a sua dimens&atilde;o f&iacute;sica. A ex&iacute;gua vigil&acirc;ncia de sa&uacute;de realizada na idade adulta e a inexist&ecirc;ncia de evid&ecirc;ncias que revelassem as respostas adaptativas que os indiv&iacute;duos desenvolvem em sa&uacute;de durante esta fase transicional foram algumas das premissas que estiveram na base da formula&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o de investiga&ccedil;&atilde;o:</p>     <p>“Que evolu&ccedil;&atilde;o se verifica nos comportamentos e no estado de sa&uacute;de dos indiv&iacute;duos no per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o para a reforma?”</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Quadro te&oacute;rico</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A “passagem &agrave; reforma” &eacute; construto atribu&iacute;do ao per&iacute;odo de tempo que envolve o processo de adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; mudan&ccedil;a encetado pelo acontecimento de vida designado de aposenta&ccedil;&atilde;o. Pode ser entendida como um evento, quando associada &agrave; descri&ccedil;&atilde;o de um acontecimento de vida que marca uma etapa do ciclo vital a partir da qual as viv&ecirc;ncias dos indiv&iacute;duos se manifestam de forma inevitavelmente diferentes (Belsky, 2001); como um <i>status</i>, quando associada &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o de um novo estatuto social (Fern&aacute;ndez-Ballesteros, 2004) ou; como um processo, por constituir um “acontecimento de vida que implica a ocorr&ecirc;ncia de fen&oacute;menos de transi&ccedil;&atilde;o-adapta&ccedil;&atilde;o, que se reflectem em termos desenvolvimentais” (Fonseca, 2004, p. 361). Trata-se de um processo de transi&ccedil;&atilde;o que envolve perdas e ganhos, que desencadeia uma perce&ccedil;&atilde;o ambivalente (sentimentos simultaneamente positivos e negativos) e que, consequentemente, se faz acompanhar de algum grau de <i>stress</i>, em fun&ccedil;&atilde;o da causa e da motiva&ccedil;&atilde;o que estiveram na base da sua ocorr&ecirc;ncia (Lachman, 2001). Assim, se a passagem &agrave; reforma foi desejada e previamente programada, a perce&ccedil;&atilde;o de stress ser&aacute; &agrave; partida menor do que quando comparado com situa&ccedil;&otilde;es em que este evento se processou de forma inesperada e/ou externa &agrave; vontade dos indiv&iacute;duos que a protagonizam (ex. reforma compulsiva, reforma por despedimento). Tamb&eacute;m a satisfa&ccedil;&atilde;o que detinham relativamente ao trabalho que exerciam e a satisfa&ccedil;&atilde;o com que perspetivavam a “chegada da reforma”, poder&atilde;o exercer influ&ecirc;ncia na forma como estes se ajustam a esta nova experiencia.</p>     <p>Todavia, uma vez instalada (a reforma), o indiv&iacute;duo passa por diferentes fases de adapta&ccedil;&atilde;o neste processo de transi&ccedil;&atilde;o. Na perspetiva de Atchley (1996), ainda que n&atilde;o haja um <i>timing</i> espec&iacute;fico, uma ordem, ou uma obrigatoriedade de experimentar todas elas, os indiv&iacute;duos que se aposentam passam pela <i>i)</i> fase da pr&eacute;-reforma, na qual, na eminente perspetiva de ocorr&ecirc;ncia deste acontecimento, come&ccedil;am a fazer a sua despedida do mundo do trabalho e, dependendo do tempo e das expectativas individuais, realizam alguma prepara&ccedil;&atilde;o para esta transi&ccedil;&atilde;o; <i>ii)</i> fase da lua-de-mel, na qual tentam colocar em pr&aacute;tica todas as expetativas positivas e projetos que tinham interiorizado durante o exerc&iacute;cio profissional (ex.: passar a realizar mais exerc&iacute;cio f&iacute;sico, conviver mais com os amigos, viajar); <i>iii)</i> fase do desencanto, na qual, na impossibilidade de realizar os projetos idealizados, esta perce&ccedil;&atilde;o se traduz num certo descontentamento, podendo manifestar-se em estados de impot&ecirc;ncia e de depress&atilde;o; <i>iv)</i> Fase de estabilidade, quando passam a encontrar estrat&eacute;gias adaptativas que deem resposta a um certo equil&iacute;brio na sua viv&ecirc;ncia. Mas independentemente do percurso adaptativo que os indiv&iacute;duos aposentados desenvolvam, “parece consensual (…) que se trata de uma ocorr&ecirc;ncia que comporta ganhos e perdas e cujo resultado final em termos adaptativos depender&aacute; muito quer de fatores eminentemente individuais (hist&oacute;ria de vida, sa&uacute;de, estilo de vida, padr&atilde;o de ocupa&ccedil;&atilde;o do tempo extra profissional, etc.) quer, da rela&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo com os contextos envolventes (rela&ccedil;&otilde;es de conviv&ecirc;ncia, fam&iacute;lia, inser&ccedil;&atilde;o social, etc.) ” (Fonseca, 2004, p. 376) e que estes, por sua vez, se poder&atilde;o manifestar em termos de sa&uacute;de.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Metodologia </b></p>     <p>O desenvolvimento do estudo apresentado foi sustentado no paradigma quantitativo, de tipo descritivo correlacional e teve por objetivo descrever a evolu&ccedil;&atilde;o dos comportamentos e do estado de sa&uacute;de dos indiv&iacute;duos, no per&iacute;odo da “passagem &agrave; reforma”. Porque o referido objetivo exigia aceder a auto relatos de recente viv&ecirc;ncia desta transi&ccedil;&atilde;o, um dos principais crit&eacute;rios de inclus&atilde;o amostral foi “estar aposentado h&aacute; menos de 5 anos” e porque a acessibilidade a esses casos se tornava dif&iacute;cil, o processo de sele&ccedil;&atilde;o adotado foi o m&eacute;todo de rede (Figura 1). Para tal, recorreu-se &agrave; colabora&ccedil;&atilde;o de 182 estudantes, a quem, ap&oacute;s explicita&ccedil;&atilde;o dos objetivos do estudo e do tipo de procedimento a adotar, foram entregues 10 exemplares do instrumento de colheita de dados, com respetivo envelope RSF (num total de 1820 question&aacute;rios distribu&iacute;dos).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Figura 1 – M&eacute;todo de sele&ccedil;&atilde;o amostral</p>     <p><img src="/img/revistas/ref/vserIIIn8/IIIn8a05f1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Com uma taxa de rece&ccedil;&atilde;o postal de 29,3% e com a anula&ccedil;&atilde;o de 101 instrumentos, por n&atilde;o apresentarem as condi&ccedil;&otilde;es de preenchimento desejadas, a amostra de estudo ficou constitu&iacute;da por 432 casos. O instrumento de colheita de dados permitiu caraterizar os respondentes relativamente &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o dos comportamentos em sa&uacute;de [frequ&ecirc;ncia de consultas de vigil&acirc;ncia de sa&uacute;de, regime alimentar adotado diariamente (n&uacute;mero de refei&ccedil;&otilde;es, ingest&atilde;o de sopa, legumes e saladas, fruta, produtos l&aacute;cteos, &aacute;gua e bebidas alco&oacute;licas), frequ&ecirc;ncia e tipo de exerc&iacute;cio f&iacute;sico adotado, h&aacute;bitos tab&aacute;gicos e pr&aacute;tica de auto medica&ccedil;&atilde;o] e &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o do estado de sa&uacute;de (&iacute;ndice de massa corporal e diagn&oacute;stico de doen&ccedil;a cr&oacute;nica). O &iacute;ndice de massa corporal foi determinado com base nos par&acirc;metros de estatura e de peso indicados pelos inquiridos e foram considerados valores de excesso de peso (&#8805; 25 &lt;30), de obesidade (&#8805;30 &lt;40) e de obesidade m&oacute;rbida (&#8805; 40). Os procedimentos &eacute;ticos e formais foram contemplados em todas as fases do processo de investiga&ccedil;&atilde;o e os dados obtidos foram analisados com o programa SPSS<sub>17</sub>, com recurso a medidas estat&iacute;sticas de tend&ecirc;ncia central e aos testes Qui-Quadrado, Mann-Whitney, McNemar e Sinais.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados</b></p>     <p>Os elementos da amostra apresentaram idades compreendidas entre os 44 e os 72 anos (x=60,5 anos; s=5,48). O g&eacute;nero masculino foi o mais representativo na amostra (masculino=56,9%; feminino=43,1%), com uma m&eacute;dia de idade superior &agrave; do g&eacute;nero oposto [masculino (x =60,7 anos; s=5,42); feminino ( x =60,1 anos; s=5,54)]. Relativamente ao estado civil, a maioria dos respondentes (92,6%) era casado ou vivia em uni&atilde;o de facto, e &agrave; exce&ccedil;&atilde;o de 1,6%, que referiu n&atilde;o ter realizado qualquer tipo de frequ&ecirc;ncia escolar, todos os restantes inquiridos mencionaram ser escolarizados (98,4%). Destes, 35,9% frequentou entre 1-4 anos de escolaridade, 13,9% frequentou entre 5-9 anos de escolaridade e, 58,6% frequentou mais de 9 anos de escolaridade. Detentores do grau de licenciatura, responderam 27,7% dos elementos da amostra. Reportando ao n&iacute;vel socioecon&oacute;mico, 46,1% dos elementos da amostra posicionaram-se num n&iacute;vel m&eacute;dio, a este seguiram-se o n&iacute;vel elevado e o n&iacute;vel baixo, numa correspond&ecirc;ncia de 31,0% e de 22,9%. A m&eacute;dia de idade de “passagem &agrave; reforma” foi de 58,3 anos (m&iacute;nimo= 42 anos; m&aacute;ximo= 71 anos; s= 5,37) e, no momento em que foram inquiridos, 69,0% dos elementos da amostra encontravam-se reformados h&aacute; mais de 2 anos ( x =2,1 anos; s=1,48). Os inquiridos aposentaram-se maioritariamente das &aacute;reas profissionais de T&eacute;cnicos e profissionais de n&iacute;vel interm&eacute;dio (27,8%), de Trabalhadores n&atilde;o qualificados (16,0%), de Pessoal administrativo e similares (14,8%) e de Pessoal dos servi&ccedil;os e vendedores (13,4%). A idade limite foi o principal motivo de “passagem &agrave; reforma”, correspondendo a 56,9% da amostra. A este motivo seguiram-se, outros motivos (28,7%) (ex. idade e tempo de servi&ccedil;o, rescis&atilde;o por m&uacute;tuo acordo, perspetiva de diminui&ccedil;&atilde;o do valor da reforma) e estado de sa&uacute;de (14,4%) (tendo as patologias do foro cardiovascular e musculosquel&eacute;tico sido expressas com maior frequ&ecirc;ncia).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Evolu&ccedil;&atilde;o dos Comportamentos em Sa&uacute;de</b></p>     <p>A pr&aacute;tica de vigil&acirc;ncia de sa&uacute;de adotada pelos elementos da amostra melhorou ap&oacute;s a aposenta&ccedil;&atilde;o. A referida melhoria revelou-se estatisticamente significativa, em ambos os g&eacute;neros [masculino (&#967;<sup>2</sup>=17,042; p=0,002); feminino (&#967;<sup>2</sup>=83,104; p&lt;0,001)] (Quadro 1). A transi&ccedil;&atilde;o de <i>setting</i> de vigil&acirc;ncia foi tamb&eacute;m evidente, passando os centros de sa&uacute;de a constitu&iacute;rem os locais privilegiados para a sua realiza&ccedil;&atilde;o (88,0%).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Quadro 1 – Evolu&ccedil;&atilde;o do comportamento de vigil&acirc;ncia de sa&uacute;de em fun&ccedil;&atilde;o do g&eacute;nero.</p>     <p><img src="/img/revistas/ref/vserIIIn8/IIIn8a05q1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com respeito ao regime alimentar adotado, verificou-se uma id&ecirc;ntica tend&ecirc;ncia de melhoria. Esta evid&ecirc;ncia resultou do facto de se ter constatado que entre os elementos da amostra: 18,2% passou a adotar uma alimenta&ccedil;&atilde;o mais fracionada; 16,5% e 9,5% passou a incluir com maior frequ&ecirc;ncia a fruta e os legumes e saladas, nas suas refei&ccedil;&otilde;es; 7,6% aumentou a ingesta h&iacute;drica; 8,8% aumentou a ingest&atilde;o de produtos l&aacute;cteos e, ainda que; 4,1% dos referidos inquiridos diminuiu o consumo de bebidas alco&oacute;licas. &Agrave; exce&ccedil;&atilde;o do consumo de sopa, no qual a ades&atilde;o evolutiva verificada se revelou francamente superior no g&eacute;nero feminino, em todos os restantes comportamentos alimentares a referida melhoria foi protagonizada pelos elementos masculinos. As evidencias foram reveladoras desta assimetria quando se constatou que foi no g&eacute;nero masculino que se verificou uma not&oacute;ria melhoria do n&uacute;mero de refei&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias efetuadas (Z=-5,863; p&lt;0,001), um superior aumento do consumo di&aacute;rio de saladas e/ou de legumes (Z=-4,642; p&lt;0,001), uma superior melhoria da ingest&atilde;o di&aacute;ria de fruta (Z=-7,071; p&lt;0,001), uma maior ingest&atilde;o di&aacute;ria de &aacute;gua (Z=-3,280; p=0,001), uma superior diminui&ccedil;&atilde;o do consumo di&aacute;rio de bebidas alco&oacute;licas (Z=-4,000; p&lt;0,001) e uma superior ingest&atilde;o di&aacute;ria de produtos l&aacute;cteos (Z=-4,320; p&lt;0,001) (Quadro 2).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Quadro 2 – Evolu&ccedil;&atilde;o do comportamento alimentar em fun&ccedil;&atilde;o do g&eacute;nero.</p>     <p><img src="/img/revistas/ref/vserIIIn8/IIIn8a05q2.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Tamb&eacute;m se verificou que a amostra melhorou a sua pr&aacute;tica de exerc&iacute;cio f&iacute;sico. Estatisticamente significativa em ambos os g&eacute;neros [masculino (&#967;<sup>2</sup>=53,254; p&lt;0,001); feminino (&#967;<sup>2</sup>=49,000; p&lt;0,001)], essa melhoria foi expl&iacute;cita n&atilde;o apenas pelo aumento do n&uacute;mero de praticantes [masculino (+15,8%); feminino (+22,6%)] mas tamb&eacute;m pelo aumento da frequ&ecirc;ncia de realiza&ccedil;&atilde;o da referida pr&aacute;tica [&gt;3 vezes por semana: masculino (+24,5%); feminino (+20,9%)].</p>     <p>Relativamente &agrave; modalidade de exerc&iacute;cio f&iacute;sico adotada, verificou-se que a pr&aacute;tica simult&acirc;nea de mais do que uma modalidade esteve presente em ambos momentos avaliados; algumas modalidades anteriormente praticadas foram abandonadas (ex. yoga, v&oacute;lei) e outras passaram a ser adotadas (ex. cardiovascular); a caminhada, a hidrogin&aacute;stica e a gin&aacute;stica foram as modalidades desportivas mais praticadas pelos inquiridos, nos dois momentos em avalia&ccedil;&atilde;o (Gr&aacute;fico 1).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/ref/vserIIIn8/IIIn8a05g1.jpg"></p>     
<p>Gr&aacute;fico 1 – Modalidade de exerc&iacute;cio f&iacute;sico praticada antes e ap&oacute;s a reforma.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>A percentagem de fumadores diminuiu em 3,2%, ap&oacute;s a aposenta&ccedil;&atilde;o. Esse decr&eacute;scimo ficou a dever-se na sua totalidade aos elementos do g&eacute;nero masculino (5,7%), uma vez que no feminino n&atilde;o se verificou qualquer caso com id&ecirc;ntico comportamento. No que diz respeito &agrave; de quantidade de consumo di&aacute;rio, tamb&eacute;m n&atilde;o se verificou qualquer altera&ccedil;&atilde;o adotada por parte dos elementos do g&eacute;nero feminino. O mesmo j&aacute; n&atilde;o sucedeu com o g&eacute;nero oposto uma vez que, ainda que se tivesse verificado um aumento de consumo de 3,5%, em 14,0% constatou-se uma diminui&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero di&aacute;rio de cigarros fumados.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Evolu&ccedil;&atilde;o do Estado de Sa&uacute;de</b></p>     <p>Os diagn&oacute;sticos de hipertens&atilde;o arterial e de diabetes mellitus foram os que mais se evidenciaram na amostra, nos dois momentos em avalia&ccedil;&atilde;o (Quadro 3).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Quadro 3 – Distribui&ccedil;&atilde;o dos diagn&oacute;sticos de doen&ccedil;a cr&oacute;nica, antes e ap&oacute;s a passagem &agrave; reforma, em fun&ccedil;&atilde;o do g&eacute;nero.</p>     <p><img src="/img/revistas/ref/vserIIIn8/IIIn8a05q3.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Foi no g&eacute;nero feminino que se verificou a maior incid&ecirc;ncia de patologia cr&oacute;nica, ap&oacute;s a aposenta&ccedil;&atilde;o, tendo esse fen&oacute;meno ficado a dever-se ao diagn&oacute;stico de diabetes mellitus (+ 8 casos). A incid&ecirc;ncia de patologia do foro psiqui&aacute;trico tamb&eacute;m se fez manifestar com elevada express&atilde;o, mas desta vez tendo sido mais not&oacute;rio nos elementos do g&eacute;nero masculino (75% dos casos).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mais de metade da amostra apresentou um &Iacute;ndice de Massa Corporal (IMC) superior ao valor da “normalidade” (Portugal. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Direc&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de, 2005) [antes da reforma (78,7%); ap&oacute;s a reforma (80,1%)]. Ap&oacute;s a aposenta&ccedil;&atilde;o essa evid&ecirc;ncia foi mais not&oacute;ria no g&eacute;nero masculino, pelo aumento de casos de “excesso de peso” (7,7%) e de “obesidade m&oacute;rbida” (1,2%). O estudo de evolu&ccedil;&atilde;o do IMC em fun&ccedil;&atilde;o do g&eacute;nero (Quadro 4) veio confirmar esses resultados quando apresentou uma m&eacute;dia superior dos postos positivos no g&eacute;nero masculino (masculino=53,9%; feminino=40,8).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Quadro 4 – Evolu&ccedil;&atilde;o do IMC em fun&ccedil;&atilde;o do g&eacute;nero.</p>     <p><img src="/img/revistas/ref/vserIIIn8/IIIn8a05q4.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Discuss&atilde;o </b></p>     <p>De uma forma global, verificou-se que os inquiridos passaram a adotar melhores comportamentos em sa&uacute;de ap&oacute;s a passagem &agrave; reforma. A maior frequ&ecirc;ncia de consultas de vigil&acirc;ncia de sa&uacute;de, a ado&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas mais saud&aacute;veis em termos de regime alimentar, o aumento da realiza&ccedil;&atilde;o de exerc&iacute;cio f&iacute;sico e o decr&eacute;scimo do consumo tab&aacute;gico foram ilustrativos deste facto e, em certa medida, vieram revelar que este acontecimento de vida poder&aacute; ter exercido um efeito promotor na sua sa&uacute;de. Ainda assim, foi poss&iacute;vel verificar que existiriam algumas diferen&ccedil;as de comportamento entre os g&eacute;neros e a an&aacute;lise das mesmas constituiu uma importante fonte de informa&ccedil;&atilde;o por forma a adequar as estrat&eacute;gias de uma futura interven&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de.</p>     <p>Relativamente &agrave; vigil&acirc;ncia de sa&uacute;de, considerando que por caracter&iacute;stica pr&oacute;pria a mulher &eacute;, em si mesmo, uma utilizadora mais frequente dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de (Stanhope e Lancaster, 1999) e ainda que sendo a fun&ccedil;&atilde;o cuidar da sa&uacute;de uma das que habitualmente lhe &eacute; atribu&iacute;da em termos de sist&eacute;mica familiar (Wright e Leahey, 2005); a supremacia desta pr&aacute;tica relevada por este g&eacute;nero (em ambos os momentos em avalia&ccedil;&atilde;o) n&atilde;o constituiu assim uma surpresa. O mesmo j&aacute; n&atilde;o se p&ocirc;de afirmar relativamente ao facto dos indiv&iacute;duos do g&eacute;nero masculino terem passado a realizar com maior frequ&ecirc;ncia estas consultas, uma vez que a sua elevada auto perce&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de os leva a evitar a procura destes servi&ccedil;os (Vint&eacute;m, 2008). A maior disponibilidade de tempo para o auto cuidado, a consci&ecirc;ncia de se estar a viver uma fase mais avan&ccedil;ada de envelhecimento e a acrescida probabilidade de manifesta&ccedil;&atilde;o de sintomatologia poder&atilde;o ter sido alguns determinantes desta maior procura.</p>     <p>Quanto &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o do regime alimentar, ainda que se tenha constatado uma melhoria global deste comportamento, a diferencia&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas entre os g&eacute;neros foi evidente. Tome-se por exemplo a diferencia&ccedil;&atilde;o que se observou em termos de consumo de bebidas alco&oacute;licas. Ainda que os padr&otilde;es do referido comportamento se estejam a modificar, isto &eacute; o consumo efetuado pelas jovens est&aacute; a igualar-se ao do g&eacute;nero oposto (World Drink Trends, 2006), na gera&ccedil;&atilde;o em estudo este consumo foi sempre maioritamente protagonizado pelo g&eacute;nero masculino e, tal como ainda hoje, mais frequentemente em contextos sociais. Os resultados obtidos no presente estudo identificaram-se com esta &uacute;ltima descri&ccedil;&atilde;o, quando se verificou que o g&eacute;nero masculino liderou o consumido destas bebidas, isto ainda que no segundo momento tenha sido neste mesmo grupo que se assistiu a um maior decr&eacute;scimo de ingest&atilde;o. A raz&atilde;o desta maior mudan&ccedil;a de comportamento, verificada no g&eacute;nero masculino, muito provavelmente ter&aacute; estado relacionada com o afastamento social a que estiveram sujeitos estes indiv&iacute;duos. Com a diminui&ccedil;&atilde;o das situa&ccedil;&otilde;es de oportunidade deste consumo, a passagem &agrave; reforma parece ter exercido ent&atilde;o um efeito promotor da sa&uacute;de. Todavia, ainda que tal mudan&ccedil;a tenha exercido efeitos positivos em termos de sa&uacute;de f&iacute;sica, o referido afastamento social poder&aacute; ter ocasionado a perce&ccedil;&atilde;o de isolamento e solid&atilde;o cujo efeito poder&aacute; ter colocado em causa outras dimens&otilde;es desse mesmo estado. Com esta afirma&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se pretende abonar em favor desta pr&aacute;tica, mas ter-se-&aacute; de reconhecer que na nossa cultura o ato de beber permanece associado ao conv&iacute;vio em sociedade.</p>     <p>A pr&aacute;tica de exerc&iacute;cio f&iacute;sico foi outro dos comportamentos de sa&uacute;de no qual a amostra passou a demonstrar significativas melhorias. A mudan&ccedil;a de atitude verificada nesta faixa et&aacute;ria veio revelar que, se no passado a realiza&ccedil;&atilde;o de exerc&iacute;cio f&iacute;sico era habitualmente reservada para as gera&ccedil;&otilde;es mais novas, nos anos mais recentes a ado&ccedil;&atilde;o deste comportamento come&ccedil;a a generalizar-se em todas as faixas et&aacute;rias e da&iacute; resultarem maiores ganhos em sa&uacute;de p&uacute;blica. As evid&ecirc;ncias do presente estudo confirmaram esta mudan&ccedil;a e n&atilde;o s&oacute; foi poss&iacute;vel verificar que os indiv&iacute;duos desta faixa et&aacute;ria se revelaram mais determinados a aderir a este comportamento como tamb&eacute;m se predispuseram a experimentar novas modalidades que nesta &aacute;rea se pudessem oferecer (ex. treino cardiovascular). Um outro resultado, cuja an&aacute;lise remete para alguma reflex&atilde;o, foi a elevada ades&atilde;o demonstrada pela amostra relativamente &agrave; pr&aacute;tica de caminhada. Ainda que constitua uma fonte de benef&iacute;cio em sa&uacute;de, ser&aacute; importante fazer notar que tal como nas outras formas de exerc&iacute;cio, tamb&eacute;m nesta se torna necess&aacute;rio efetuar um correto acompanhamento da sua pr&aacute;tica. Faz-se esta afirma&ccedil;&atilde;o porque, ainda que pare&ccedil;a in&oacute;cua, da sua inadequada pr&aacute;tica poder&atilde;o resultar efeitos indesejados para o estado de sa&uacute;de e no sentido de os prevenir ser&aacute; necess&aacute;rio tomar algumas precau&ccedil;&otilde;es. Na verdade, sendo nesta faixa et&aacute;ria bastante elevada a probabilidade de efetuar uma fratura (originada pelo uso de cal&ccedil;ado desajustado e/ou pela utiliza&ccedil;&atilde;o de percursos pedonais inadequados, que poder&aacute; ser agravado por estados de osteoporose), de suceder um quadro de hipoglicemia aguda (originada por um esfor&ccedil;o intenso sem reposi&ccedil;&atilde;o de calorias, que algumas vezes se faz acompanhar pelo diagn&oacute;stico de diabetes que &eacute; frequente nesta faixa et&aacute;ria), de acidentes vasculares (originada por uma subida de press&atilde;o arterial que muitas das vezes se faz acompanhar de processo de dislipidemia, j&aacute; latentes) ou de ocorrerem outros problemas, esta pr&aacute;tica poder&aacute; ent&atilde;o expor os indiv&iacute;duos a um elevado risco de altera&ccedil;&atilde;o do seu estado de sa&uacute;de, sem que nunca tenham sido alertados para tal. Ser&aacute; ent&atilde;o importante que os profissionais de sa&uacute;de n&atilde;o se cinjam apenas a aconselhar a pr&aacute;tica de exerc&iacute;cio f&iacute;sico, mas que tenham igualmente em conta a exist&ecirc;ncia de alguns fatores controversos &agrave; sua pr&aacute;tica, para os quais tamb&eacute;m estes indiv&iacute;duos dever&atilde;o ser alertados. Neste sentido, fornecer indica&ccedil;&otilde;es adequadas a cada modalidade e espec&iacute;ficas ao estado de estado de sa&uacute;de individual (Loureiro e Ver&iacute;ssimo, 2009), ser&atilde;o tamb&eacute;m medidas promotoras de sa&uacute;de.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que diz respeito ao consumo tab&aacute;gico e ainda que seja considerado como um dos comportamentos que maior resist&ecirc;ncia oferece em termos de mudan&ccedil;a (Carvalho <i>et al</i>., 2003), tamb&eacute;m com a passagem &agrave; reforma se verificou uma significativa melhoria desta pr&aacute;tica. O facto das evid&ecirc;ncias emp&iacute;ricas terem revelado que no g&eacute;nero masculino se verificou uma mudan&ccedil;a mais significativa neste comportamento (tanto pela diminui&ccedil;&atilde;o da quantidade de consumo como pelo abandono que alguns destes indiv&iacute;duos passaram a adotar em rela&ccedil;&atilde;o a esta pr&aacute;tica), fez notar que a preval&ecirc;ncia deste consumo no g&eacute;nero feminino estar&aacute; associado a outros fatores que n&atilde;o apenas ao <i>stress</i> laboral fatores esses que carecem de mais aprofundada investiga&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Relativamente &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o do estado de sa&uacute;de e, mais concretamente no que diz respeito &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o do diagn&oacute;stico de doen&ccedil;a cr&oacute;nica, a maior incid&ecirc;ncia verificada ap&oacute;s a passagem &agrave; reforma poder&aacute; ter estado relacionada com o simples facto de ter aumentado a frequ&ecirc;ncia de consultas de vigil&acirc;ncia de sa&uacute;de. Na verdade, muito provavelmente alguns dos inquiridos j&aacute; seriam portadores de patologia mas s&oacute; quando passaram a efetuar exames complementares de diagn&oacute;stico, tomaram consci&ecirc;ncia desse seu estado de sa&uacute;de. Quando se realiza esta afirma&ccedil;&atilde;o est&aacute;-se a reportar de uma forma particular aos diagn&oacute;sticos de diabetes mellitus e de hipertens&atilde;o, cuja incid&ecirc;ncia &eacute; frequente na meia-idade e cuja manifesta&ccedil;&atilde;o se poder&aacute; manter silenciosa por longos anos (Portugal. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Direc&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de, 2007).</p>     <p>Quanto aos valores do &iacute;ndice de massa corporal, os resultados vieram uma vez mais corroborar a tend&ecirc;ncia de obesidade que persiste nesta faixa et&aacute;ria (Portugal. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Direc&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de, 2005). A ado&ccedil;&atilde;o de comportamentos e de estilos de vida menos saud&aacute;veis, frequentemente observados na idade adulta (ex. erros alimentares e sedentarismo), poder&atilde;o ter sido fomentadores desta situa&ccedil;&atilde;o. Quanto ao facto destes valores terem aumentado ap&oacute;s a reforma, mesmo tendo passado a adotar melhores pr&aacute;ticas em sa&uacute;de (ex. melhores pr&aacute;ticas alimentares, mais exerc&iacute;cio f&iacute;sico), este dado veio dar corpo &agrave; ideia de que, para resultarem, as pr&aacute;ticas de sa&uacute;de devem ser adotadas o mais precocemente poss&iacute;vel (Loureiro e Ver&iacute;ssimo, 2009).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Decorrentes da an&aacute;lise anterior, tr&ecirc;s ideias major emergiram. A primeira reportou-se ao facto dos resultados deste estudo n&atilde;o terem ido ao encontro da perspectiva da passagem &agrave; reforma constituir um acontecimento de vida pass&iacute;vel de provocar um impacte negativo na sa&uacute;de f&iacute;sica dos indiv&iacute;duos. Pelo contr&aacute;rio, num per&iacute;odo subsequente a esta viv&ecirc;ncia, pela liberta&ccedil;&atilde;o do cansa&ccedil;o e da press&atilde;o que o exerc&iacute;cio profissional lhes poderia causar, pela maior disponibilidade de tempo para o auto-cuidado e/ou pela maior consciencializa&ccedil;&atilde;o da fase de desenvolvimento em que se encontram, os inquiridos passaram a adotar comportamentos mais adequados em termos de pr&aacute;ticas de sa&uacute;de. A segunda reportou ao facto de que, embora se tenha verificado uma significativa melhoria dos referidos comportamentos, o estado de sa&uacute;de f&iacute;sica dos inquiridos piorou (o que, uma vez mais, veio dar relevo ao facto dos anteriores resultados n&atilde;o terem estado ligados ao fen&oacute;meno de transi&ccedil;&atilde;o em estudo, mas, sim, ao processo de envelhecimento fisico que inevitavelmente acompanha o desenvolvimento humano. Por &uacute;ltimo, a terceira ideia remeteu para o facto de ainda que n&atilde;o se tenha constatado uma significativa altera&ccedil;&atilde;o no estado de sa&uacute;de fisica destes indiv&iacute;duos, o mesmo j&aacute; n&atilde;o sucedeu com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; dimens&atilde;o psicoemocional dos mesmos, uma vez que nesta se verificou uma not&oacute;ria fragilidade (Loureiro, 2011).</p>     <p>Assim, quando “na procura permanente da excel&ecirc;ncia no exerc&iacute;cio profissional, ajudam os clientes a alcan&ccedil;arem o m&aacute;ximo potencial de sa&uacute;de” (Ordem dos Enfermeiros, 2002, p. 12), os Enfermeiros dever&atilde;o orientar os individuos e fam&iacute;lias nos seus processos de envelhecimento e, mais especificamente, nos efeitos em sa&uacute;de que a transi&ccedil;&atilde;o agora estudada lhes possa vir a suscitar.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <p>ATCHLEY, R. (1996) - Retirement. In BIRREN, J. - Encyclopaedia of gerontology. San Diego : Academic Press. Vol. 2, p. 423-454.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>BELSKY, J. (2001) - Psicolog&iacute;a del envejecimiento. Madrid : Paraninfo.</p>     <p>CARVALHO, A. [et al.] (2003) - &Aacute;lcool, tabaco e jogo: do lazer aos consumos de risco. Lisboa : Quarteto.</p>     <p>FERN&Aacute;NDEZ-BALLESTEROS, R. (2004) - Gerontologia social. Madrid : Ediciones Pir&aacute;mide.</p>     <p>FONSECA, A. M. (2004) - O envelhecimento: uma abordagem psicol&oacute;gica. Lisboa : Universidade Cat&oacute;lica Editora.</p>     <p>FONSECA, A. M. (2011) - Reforma e reformados. Coimbra : Almedina.</p>     <p>FONSECA, A. M. ; PA&Uacute;L, C. (2004) - Sa&uacute;de percebida e “passagem &agrave; reforma”. Psicologia Sa&uacute;de & Doen&ccedil;as. Vol. 5, n&ordm; 1, p. 17-29.</p>     <p>LACHMAN, M. (2001) - Handbook of midlife development. New York : John Wiley.</p>     <p>LOUREIRO, H. M. (2011) - Cuidar na “Entrada na Reforma”: uma interven&ccedil;&atilde;o conducente &agrave; promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de de indiv&iacute;duos e de fam&iacute;lias. Universidade de Aveiro : [s.n.]. Tese de doutoramento.</p>     <p>LOUREIRO, H. M. ; VERISS&Iacute;MO, M. T. (2009) - Entrada na reforma: que interfer&ecirc;ncias no estado de sa&uacute;de? Revista de Enfermagem Refer&ecirc;ncia. S&eacute;rie 2, n&deg; 10. Suplemento Actas e Comunica&ccedil;&otilde;es II Congresso de Investiga&ccedil;&atilde;o em Enfermagem, p. 135. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://www.esenfc.pt/rr/rr/index.php?id_website=3&target=DetalhesEdicao&id_artigo=2273&pesquisa=II Congresso de Investigação" target="_blank">http://www.esenfc.pt/rr/rr/index.php?id_website=3&target=DetalhesEdicao&id_artigo=2273&pesquisa=II Congresso de Investiga&ccedil;&atilde;o</a>.</p>     <p>MELEIS, A. (2010) - Transitions theory: middle range and situation specific theories in research and practice. New York : Springer Publishing Company.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>ORDEM DOS ENFERMEIROS (2002) - Padr&otilde;es de qualidade dos cuidados de enfermagem. Lisboa : Grafinter.</p>     <p>PORTUGAL. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Direc&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de (2005) - Circular Normativa n.&ordm; 03/DGCG. Programa Nacional de Combate &agrave; Obesidade. Lisboa : DGS.</p>     <p>PORTUGAL. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Direc&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de (2007) - Circular Normativa n.&ordm; 23/DSCS/DPCD. Programa Nacional de Preven&ccedil;&atilde;o e Controlo da Diabetes. Lisboa : DGS.</p>     <p>STANHOPE, M. ; LANCASTER, J. (1999) - Enfermagem comunit&aacute;ria: promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de de grupos, fam&iacute;lias e indiv&iacute;duos. 4&ordf; ed. Lisboa : Lusoci&ecirc;ncia.</p>     <p>VINT&Eacute;M, J. (2008) - Inqu&eacute;ritos nacionais de sa&uacute;de: auto-percep&ccedil;&atilde;o do estado de sa&uacute;de: uma an&aacute;lise em torno do quest&atilde;o de g&eacute;nero e da escolaridade. Revista Portuguesa de Sa&uacute;de P&uacute;blica. Vol. 26, n&ordm; 2, p. 5-16.</p>     <p>WRIGHT, L. ; LEAHEY, M. (2005) - Nurses and families: a guide to family assessment and intervention. 4&ordf; ed. Philadelphia : F.A. Davis Company.</p>     <p>WORLD DRINK TRENDS (2006) - World Drink Trends 2005. London : Institute of Alcohol Studies. [Consult. 2 Abr. 2012]. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://www.ias.org.uk/index.html" target="_blank">http://www.ias.org.uk/index.html</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido para publica&ccedil;&atilde;o em: 16.02.12</p>     <p>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em: 28.09.12</p> </html>     ]]></body>
<body><![CDATA[ ]]></body><back>
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<label>1</label><nlm-citation citation-type="book">
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<surname><![CDATA[ATCHLEY]]></surname>
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