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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O papel dos enfermeiros na equipa multidisciplinar em Cuidados de Saúde Primários: Revisão sistemática da literatura]]></article-title>
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<article-title xml:lang="es"><![CDATA[El papel de los enfermeros en equipo multidisciplinario en Atención Primaria de la Salud: Revisión sistemática de la literatura]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[International trends indicate a paradigm shift in primary health care, with the development of multidisciplinary teams that challenge the nurses to assume new outreach roles beyond the socially accepted and expected. With the aim of knowing how the nurse’s role in the multidisciplinary primary health care team is perceived, a systematic review of literature was carried out, based on 10 articles, all primary and qualitative studies, selected according to predefined criteria, and identified using the EBSCOhost platform, electronic bibliographic databases with full text and published between 2000-2010. A diversity of perceptions of the role of the nurse were identified: superficial knowledge of their competence by other professionals; being perceived as facilitator in access to care by users; nurses being key elements in interdisciplinary communication; and recognition that their role may expand in the area of preventive care for older people and in the home help context. We concluded that it is necessary to ‘work ‘ to achieve teamwork, that there are challenges to overcome to achieve more effective participation of nurses in the decision-making, planning and coordination of care, and that changes in perceptions will occur as the role of the nurse is better understood in the team and among clients.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[Las tendencias internacionales indican un cambio de paradigma en la atención primaria de la salud, con el desarrollo de equipos multidisciplinarios que desafían a los enfermeros a asumir nuevos papeles más allá de sus atributos socialmente aceptados y esperados de su práctica. Con el objeto de conocer cómo se percibe el papel del enfermero dentro del equipo multidisciplinario de la Atención Primaria de Salud se llevó a cabo una revisión sistemática de la literatura, que destacó 10 artículos, todos estos sobre estudios primarios de corte cualitativo, seleccionados con base a criterios predefinidos, encontrados en la plataforma de EBSCOhost, en bases de datos bibliográficas electrónicas con texto completo y publicados entre 2000-2010. Se destacó la diversidad de percepciones sobre el papel del enfermero: un conocimiento superficial de sus competencias por otros profesionales; el ser percibido como siendo un facilitador en el acceso a los cuidados por parte de los usuarios; los enfermeros se perciben a sí mismos como siendo elementos clave en la comunicación interdisciplinaria y reconocen que su papel puede ampliarse en el área preventiva, en los cuidados de mayores y en el contexto domiciliario. Se concluye que es necesario «trabajar» hacia el trabajo en equipo y que hay retos que superar para una participación más eficaz de los enfermeros en la decisión, la planificación y la coordinación de los cuidados, reconociendo asimismo que el cambio se producirá en función de que el papel del enfermero sea mejor entendido por el equipo y entre los usuarios.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>O papel dos enfermeiros na equipa multidisciplinar em Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios – Revis&atilde;o sistem&aacute;tica da literatura</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Mar&iacute;lia Maria Andrade Marques da Concei&ccedil;&atilde;o e Neves</b>*</p>     <p>* Professora Adjunta na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra. Doutoranda em Enfermagem. Mestre em Ci&ecirc;ncias de Enfermagem. Especialista em Enfermagem de Sa&uacute;de P&uacute;blica [<a href="mailto:mneves@esenfc.pt">mneves@esenfc.pt</a>].</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resumo</b></p>		     <p>As tend&ecirc;ncias internacionais indicam uma mudan&ccedil;a de paradigma nos Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios, com o desenvolvimento de equipas multidisciplinares que desafiam os enfermeiros a assumir novos pap&eacute;is interventivos para al&eacute;m dos atributos socialmente aceites e esperados da sua pr&aacute;tica. Com o objetivo de conhecer como &eacute; percebido o papel do enfermeiro na equipa multidisciplinar dos Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios realizou-se uma revis&atilde;o sistem&aacute;tica da literatura, apurando-se 10 artigos, todos sobre estudos prim&aacute;rios de natureza qualitativa, selecionados com base em crit&eacute;rios predefinidos, pesquisados na plataforma EBSCOhost, em bases bibliogr&aacute;ficas eletr&oacute;nicas com texto integral e publicados entre 2000-2010. Ressaltaram diversidade de perce&ccedil;&otilde;es sobre o papel do enfermeiro: conhecimento superficial das suas compet&ecirc;ncias pelos outros profissionais; percebido como facilitador no acesso aos cuidados pelos utentes; enfermeiros percecionam-se como elementos chave na comunica&ccedil;&atilde;o interdisciplinar e reconhecem que o seu papel pode expandir-se na &aacute;rea preventiva, nos cuidados aos idosos e no contexto domicili&aacute;rio.</p>     <p>Conclui-se que &eacute; necess&aacute;rio ‘trabalhar’ para o trabalho em equipa e que h&aacute; desafios a superar para uma participa&ccedil;&atilde;o mais efetiva dos enfermeiros na decis&atilde;o, planeamento e coordena&ccedil;&atilde;o de cuidados, havendo reconhecimento de que a mudan&ccedil;a ocorrer&aacute; consoante o papel do enfermeiro seja melhor compreendido na equipa e entre os utentes.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: enfermeiros; papel do profissional de enfermagem; equipe interdisciplinar de sa&uacute;de; aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria &agrave; sa&uacute;de.</p>     <p>&nbsp;</p>		     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>The nurse’s role in the multidisciplinary team in Primary Health Care – Systematic literature review</b></p>     <P><b>Abstract</b></p>     <p>International trends indicate a paradigm shift in primary health care, with the development of multidisciplinary teams that challenge the nurses to assume new outreach roles beyond the socially accepted and expected. With the aim of knowing how the nurse’s role in the multidisciplinary primary health care team is perceived, a systematic review of literature was carried out, based on 10 articles, all primary and qualitative studies, selected according to predefined criteria, and identified using the EBSCOhost platform, electronic bibliographic databases with full text and published between 2000-2010. A diversity of perceptions of the role of the nurse were identified: superficial knowledge of their competence by other professionals; being perceived as facilitator in access to care by users; nurses being key elements in interdisciplinary communication; and recognition that their role may expand in the area of preventive care for older people and in the home help context. We concluded that it is necessary to ‘work ‘ to achieve teamwork, that there are challenges to overcome to achieve more effective participation of nurses in the decision-making, planning and coordination of care, and that changes in perceptions will occur as the role of the nurse is better understood in the team and among clients.</p>     <p><b>Keywords</b>: nurses; role; patient care team; primary health care.</p>     <p>&nbsp;</p>		     <p><b>El papel de los enfermeros en equipo multidisciplinario en Atenci&oacute;n Primaria de la Salud – Revisi&oacute;n sistem&aacute;tica de la literatura</b></p>     <P><b>Resumen</b></P>	     <p>Las tendencias internacionales indican un cambio de paradigma en la atenci&oacute;n primaria de la salud, con el desarrollo de equipos multidisciplinarios que desaf&iacute;an a los enfermeros a asumir nuevos papeles m&aacute;s all&aacute; de sus atributos socialmente aceptados y esperados de su pr&aacute;ctica. Con el objeto de conocer c&oacute;mo se percibe el papel del enfermero dentro del equipo multidisciplinario de la Atenci&oacute;n Primaria de Salud se llev&oacute; a cabo una revisi&oacute;n sistem&aacute;tica de la literatura, que destac&oacute; 10 art&iacute;culos, todos estos sobre estudios primarios de corte cualitativo, seleccionados con base a criterios predefinidos, encontrados en la plataforma de EBSCOhost, en bases de datos bibliogr&aacute;ficas electr&oacute;nicas con texto completo y publicados entre 2000-2010. Se destac&oacute; la diversidad de percepciones sobre el papel del enfermero: un conocimiento superficial de sus competencias por otros profesionales; el ser percibido como siendo un facilitador en el acceso a los cuidados por parte de los usuarios; los enfermeros se perciben a s&iacute; mismos como siendo elementos clave en la comunicaci&oacute;n interdisciplinaria y reconocen que su papel puede ampliarse en el &aacute;rea preventiva, en los cuidados de mayores y en el contexto domiciliario.</p>     <p>Se concluye que es necesario &laquo;trabajar&raquo; hacia el trabajo en equipo y que hay retos que superar para una participaci&oacute;n m&aacute;s eficaz de los enfermeros en la decisi&oacute;n, la planificaci&oacute;n y la coordinaci&oacute;n de los cuidados, reconociendo asimismo que el cambio se producir&aacute; en funci&oacute;n de que el papel del enfermero sea mejor entendido por el equipo y entre los usuarios.</p>     <p><b>Palabras clave</b>: enfermeros; rol; grupo de atenci&oacute;n al paciente; atenci&oacute;n primaria de salud.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>		     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Nos cuidados de sa&uacute;de no s&eacute;culo XXI surgem como palavras-chave a capacidade de adapta&ccedil;&atilde;o, a flexibilidade, a autonomia e a criatividade, interligadas &agrave; complexidade imposta pelas muta&ccedil;&otilde;es populacionais e padr&otilde;es de morbilidade. As novas tecnologias em uso na sa&uacute;de, a globaliza&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o e o incentivo ao auto cuidado e autorresponsabilidade pela sa&uacute;de, orientam cada vez mais para uma ajuda qualificada pelo que as pol&iacute;ticas de sa&uacute;de atuais colocam desafios para a mudan&ccedil;a de paradigma na presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de. Esta &eacute; uma oportunidade que a Enfermagem deve aproveitar, emergindo como grupo profissional privilegiado para redesenhar cuidados inovadores, capazes de gerir os problemas de sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o de forma mais eficaz e de acordo com a situa&ccedil;&atilde;o local e os recursos dispon&iacute;veis (Swiadek, 2009; ICN, 2010).</p>     <p>As tend&ecirc;ncias internacionais indicam que em muitos pa&iacute;ses est&aacute; em curso o desenvolvimento de equipas multidisciplinares como principal recurso de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os em todas as &aacute;reas da sa&uacute;de, em especial nos Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios, que abrangem uma ampla gama de necessidades de sa&uacute;de e sociais da popula&ccedil;&atilde;o. Portugal segue esta tend&ecirc;ncia com a reforma dos Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios, cuja reorganiza&ccedil;&atilde;o estrutural assenta no desenvolvimento de equipas de sa&uacute;de multidisciplinares, oriundas das equipas multiprofissionais existentes, baseadas num modelo de auto-organiza&ccedil;&atilde;o contratualizada, expressa no compromisso assistencial e contextualizado num plano de a&ccedil;&atilde;o, sendo os enfermeiros implicados no seu planeamento e implementa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Neste contexto em que impera a l&oacute;gica da interdisciplinaridade, com estrat&eacute;gias de interven&ccedil;&atilde;o participativas, que fazem apelo a novos pap&eacute;is interventivos em Enfermagem, fez sentido conhecer o papel dos enfermeiros na equipa multidisciplinar de sa&uacute;de, no contexto dos Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Enquadramento</b></p>     <p>O trabalho multiprofissional em sa&uacute;de coloca em an&aacute;lise os conceitos centrais de equipa, de multidisciplinaridade e de papel profissional.</p>     <p>Diversos estudos sobre o processo de trabalho em sa&uacute;de demonstraram que &eacute; din&acirc;mico e tem uma flexibilidade que pode configurar equipas que expressam o mero agrupamento de profissionais ou equipas de trabalho integradas. Assim, a modalidade de trabalho pode ser multiprofissional, referente &agrave; recomposi&ccedil;&atilde;o de diferentes processos de trabalho fundamentada na interdepend&ecirc;ncia t&eacute;cnica do exerc&iacute;cio profissional para a qualidade da interven&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de, ou interdisciplinar, com integra&ccedil;&atilde;o das v&aacute;rias disciplinas e &aacute;reas do conhecimento profissional na resolu&ccedil;&atilde;o dos problemas de sa&uacute;de. A multiprofissionalidade diz respeito &agrave; atua&ccedil;&atilde;o conjunta de v&aacute;rias categorias profissionais, e a multidisciplinaridade refere-se &agrave; conjuga&ccedil;&atilde;o dos v&aacute;rios saberes disciplinares na compreens&atilde;o dos problemas de sa&uacute;de e na parceria nos processos decis&oacute;rios (Rocha e Almeida, 2000; Humphris, 2007). As parcerias geralmente come&ccedil;am porque alguns cuidados n&atilde;o podem ser prestados por um &uacute;nico profissional, disciplina ou organiza&ccedil;&atilde;o. Ao fornecer complementaridade e integra&ccedil;&atilde;o de cuidados, as parcerias podem melhorar oportunidades, recursos e resultados em sa&uacute;de. H&aacute; uma crescente necessidade de parcerias a estabelecer entre os profissionais e o grande desafio &eacute; desenvolver a capacidade de trabalhar em equipas eficazes (Humphris, 2007).</p>     <p>Diferentes autores s&atilde;o concordantes em que uma equipa de sa&uacute;de &eacute; uma realidade constitu&iacute;da por profissionais individuais com liberdade para agir de modo nem sempre totalmente previs&iacute;vel e cujas a&ccedil;&otilde;es se encontram interligadas a tal ponto que a a&ccedil;&atilde;o de um profissional modifica o contexto para os outros. Concluem que a multiprofissionalidade e interdisciplinaridade se baseiam na possibilidade de comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o entre campos profissionais e disciplinares (entidades abstratas) mas entre os sujeitos que os constroem na pr&aacute;tica e que interagem entre si. A equipa tem de compreender a diversidade dos seus componentes, as compet&ecirc;ncias e os saberes dos seus profissionais, e tirar partido disso no benef&iacute;cio de todos. A pr&aacute;tica n&atilde;o dever&aacute; ser apenas multiprofissional, em que num mesmo contexto trabalham v&aacute;rios profissionais, mas multidisciplinar, em que as v&aacute;rias disciplinas aprendem das outras, com as outras e sobre as outras. O trabalho em equipa multidisciplinar exige n&atilde;o s&oacute; colabora&ccedil;&atilde;o mas sobretudo intera&ccedil;&atilde;o e negocia&ccedil;&atilde;o entre os seus membros, visando o desenvolvimento de capacidades de entrela&ccedil;amento multidisciplinar na constru&ccedil;&atilde;o de uma interdisciplinaridade pensada e executada na pr&aacute;xis de sa&uacute;de e no cuidado ao ser humano. Esta interdisciplinaridade pressup&otilde;e um olhar transversal capaz de revelar aspetos antes inexplorados que se tornam presentes na interliga&ccedil;&atilde;o entre as disciplinas que comp&otilde;em o mesmo &laquo;todo&raquo; de conhecimentos. &Eacute; necess&aacute;rio diluir o conhecimento das diferentes disciplinas num todo de rela&ccedil;&otilde;es que podem contribuir para compreender a complexidade do ser humano. S&oacute; uma equipa multidisciplinar permite uma pr&aacute;tica potenciadora e promotora de desenvolvimento pessoal, profissional e organizacional, conducente &agrave; resolu&ccedil;&atilde;o de problemas em rede, tirando o m&aacute;ximo de proveito dos saberes e compet&ecirc;ncias de cada profiss&atilde;o e de cada profissional num caminho para a transdisciplinaridade, isto &eacute;, a capacidade de produzir e usar de forma adequada e efetiva o conhecimento, num projeto de constru&ccedil;&atilde;o participada dos cuidados (Rocha e Almeida, 2000; Humphris, 2007; Nunes <i>et al</i>., 2010).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os enfermeiros s&atilde;o o grupo profissional mais amplamente distribu&iacute;do ao n&iacute;vel dos Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios em todo o mundo, assumindo os mais diversos pap&eacute;is, fun&ccedil;&otilde;es e responsabilidades (ICN, 2010). O papel profissional diz respeito a um conjunto de conceitos que predizem como os enfermeiros exercem a sua fun&ccedil;&atilde;o e a uma variedade de comportamentos que podem ser esperados em certas circunst&acirc;ncias (Brookes <i>et al</i>., 2007). Nesta delimita&ccedil;&atilde;o conceptual, o papel profissional &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rico-social em permanente evolu&ccedil;&atilde;o, antevendo uma diversidade de constru&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o formuladas em fun&ccedil;&atilde;o dos atributos da pr&aacute;tica do enfermeiro que s&atilde;o socialmente aceites e esperados, quer pelos seus pares, outros profissionais de sa&uacute;de e da comunidade em que o papel est&aacute; incorporado. Tendencialmente, a ess&ecirc;ncia da pr&aacute;tica da enfermagem surge associada ao cuidado, com exacerba&ccedil;&atilde;o da face formal do seu conhecimento (instrumentalidade t&eacute;cnica),mas a advocacia, a promo&ccedil;&atilde;o de um ambiente seguro, a participa&ccedil;&atilde;o na defini&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas de sa&uacute;de e na gest&atilde;o dos doentes e sistemas de sa&uacute;de, s&atilde;o tamb&eacute;m pap&eacute;is fundamentais da enfermagem (Pires, 2007; ICN, 2010). Diversos estudos da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (cit. ICN, 2010) demonstram que a natureza e a pr&aacute;tica da enfermagem s&atilde;o influenciadas pela realidade que compreende a pol&iacute;tica, a economia e a cultura, diferindo essa realidade de pa&iacute;s para pa&iacute;s, e de regi&atilde;o para regi&atilde;o. A pr&aacute;tica do enfermeiro &eacute; socialmente complexa e contradit&oacute;ria, permeada por mitos hist&oacute;ricos que comp&otilde;em o universo de s&iacute;mbolos e o imagin&aacute;rio que se tem da profiss&atilde;o (Pires, 2007), mas &eacute; poss&iacute;vel distinguir o ‘saber como’ e o ‘saber que’: o primeiro reflete o dom&iacute;nio de uma habilidade, expressando o saber fazer; o segundo &eacute; um saber te&oacute;rico, articulado atrav&eacute;s da linguagem (Benner, 2001). A explicita&ccedil;&atilde;o e utiliza&ccedil;&atilde;o destas diferentes formas de saber, perante utentes e situa&ccedil;&otilde;es concretas e inseridas em determinados contextos, poder&atilde;o contribuir para representa&ccedil;&otilde;es diversas do papel profissional do enfermeiro, que tende a ser analisado &agrave; luz de determinantes culturais que moldam as experi&ecirc;ncias das pessoas. Uma revis&atilde;o da literatura realizada por McFarland e Eipperle (2008) indicia que a compet&ecirc;ncia para contextualizar culturalmente os cuidados de enfermagem e a abordagem dos cuidados de sa&uacute;de, contribui para uma modelagem do papel profissional dos enfermeiros em Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios. O conhecimento excessivamente t&eacute;cnico, sendo poder, conquista espa&ccedil;os e garante certa autonomia, embora restrita e submetida a macroestruturas conjunturais. O reconhecimento do papel do enfermeiro no contributo para o estabelecimento de rela&ccedil;&otilde;es sociais na produ&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os em sa&uacute;de, enquanto capacidade de interven&ccedil;&atilde;o humana, inscreve-se no plano subjetivo das rela&ccedil;&otilde;es sociais, reconstruindo-se no quotidiano atrav&eacute;s da produ&ccedil;&atilde;o de ideias compartilhadas pelos diversos atores profissionais e sociais (Rocha e Almeida, 2000; Pires, 2007). O estudo desenvolvido por Swiadek (2009) concluiu que quanto mais conscientes estiverem os enfermeiros do papel profissional que se pode conquistar, mais pr&oacute;ximos ficam dos poderes institucionais para cuidar (enquanto profissional de sa&uacute;de) e de quem &eacute; cuidado (utente, fam&iacute;lia e comunidade) conduzindo ao redimensionar das rela&ccedil;&otilde;es de trabalho e de autoridade partilhada, necess&aacute;ria aos processos participativos numa efetiva equipa multidisciplinar.</p>     <p><b>Metodologia</b></p>     <p>A estrat&eacute;gia metodol&oacute;gica foi guiada pela pergunta – Como &eacute; percebido o papel do enfermeiro na equipa multidisciplinar dos Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios? </p>     <p>Desenhou-se um protocolo de pesquisa sistem&aacute;tica de estudos a partir da enuncia&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o de investiga&ccedil;&atilde;o: Como &eacute; percebido pelos diversos profissionais e pelos utentes o papel profissional do enfermeiro na equipa multidisciplinar dos Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios?</p>     <p>Refletindo a quest&atilde;o de investiga&ccedil;&atilde;o, para a sele&ccedil;&atilde;o de estudos definiram-se como crit&eacute;rios de inclus&atilde;o apenas artigos de estudos com paradigma qualitativo n&atilde;o s&oacute; porque se consideram metodologicamente mais adequados para fornecer as melhores evid&ecirc;ncias, uma vez que os dados prim&aacute;rios potenciam a identifica&ccedil;&atilde;o de atributos ou dom&iacute;nios significativos do papel do enfermeiro, mas tamb&eacute;m porque n&atilde;o se pretende identificar toda a literatura sobre o assunto mas os estudos mais relevantes para o fen&oacute;meno. Procuraram-se estudos publicados no horizonte temporal de 2000-2010, dispon&iacute;veis em texto integral e nos idiomas portugu&ecirc;s, ingl&ecirc;s, franc&ecirc;s ou espanhol. Como crit&eacute;rios de exclus&atilde;o estipulou-se que os estudos que tivessem como participantes apenas estudantes (de enfermagem ou outras &aacute;reas da sa&uacute;de) ou fossem referentes ao papel do enfermeiro exclusivamente em equipas comunit&aacute;rias de sa&uacute;de mental ou geri&aacute;trica seriam exclu&iacute;dos pela possibilidade de as suas viv&ecirc;ncias, os seus pap&eacute;is e compet&ecirc;ncias espec&iacute;ficas poderem contaminar os achados dos estudos. Considerando a viabilidade de acesso iniciou-se uma pesquisa pr&eacute;via pela literatura cinzenta, recorrendo exclusivamente aos reposit&oacute;rios de informa&ccedil;&atilde;o nacionais LIZETE - Cat&aacute;logo de literatura cinzenta t&eacute;cnica e cient&iacute;fica na Biblioteca Nacional de Portugal e reposit&oacute;rio cient&iacute;fico de acesso aberto de Portugal, com os termos ‘papel do enfermeiro’, ‘equipas de sa&uacute;de’, ‘centro de sa&uacute;de’ e ‘cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios’. Posteriormente pesquisou-se nas plataformas SciELO - <i>Scientific Electronic Library Online</i>,SciELO Portugal, <i>ISI Web of Knowledge</i>, Biblioteca do Conhecimento Online (b-on) e EBSCOhost, explorando a literatura e procurando identificar os descritores mais adequados, nos quatro idiomas definidos. Apenas com descritores em ingl&ecirc;s emergiram estudos relevantes &agrave; pesquisa. Elegeu-se a plataforma EBSCOhost e selecionaram-se as bases bibliogr&aacute;ficas electr&oacute;nicas CINAHL <i>with full text</i>, MEDLINE <i>with full text</i>, Nursing &amp; <i>Allied Health Collection: Comprehensive, British Nursing Index, Academic Search Complete</i>. Utilizaram-se como descritores de pesquisa ‘<i>nurse’s role</i>’, ‘<i>professional issues</i>’, ‘<i>primary care teams</i>’ ‘<i>community health nursing</i>’ e ‘<i>healthcare team</i>’. Como estrat&eacute;gia de pesquisa procuraram-se e cruzaram-se os termos no t&iacute;tulo (TI), no resumo (AB) e texto integral (TX), replicando-se e refinando-se as pesquisas.</p>     <p>A identifica&ccedil;&atilde;o, triagem e avalia&ccedil;&atilde;o da qualidade metodol&oacute;gica dos estudos relevantes cumpriram o proposto por Sandelowski e Barroso (2007). Do total de 472 artigos que emergiram apuraram-se 42 atrav&eacute;s do t&iacute;tulo, e ap&oacute;s leitura do resumo eliminaram-se os que n&atilde;o cumpriam os crit&eacute;rios de inclus&atilde;o pr&eacute;-estabelecidos (inclusive duas revis&otilde;es sistem&aacute;ticas da literatura, uma por incluir estudos relativos ao papel do enfermeiro comunit&aacute;rio de sa&uacute;de mental e outra alusiva apenas ao papel do enfermeiro no suporte comunit&aacute;rio em resid&ecirc;ncias geri&aacute;tricas), selecionando-se 25. A partir desta etapa, para aumentar a confiabilidade e transpar&ecirc;ncia do processo de pesquisa, &eacute; recomendada a avalia&ccedil;&atilde;o por pares pelo que se integrou no processo um pesquisador independente: submeteram-se os resumos &agrave; sua aprecia&ccedil;&atilde;o para validar e refinar a sele&ccedil;&atilde;o inicial de artigos a analisar na &iacute;ntegra, em conformidade com o teste de relev&acirc;ncia preliminar; validada a sele&ccedil;&atilde;o, prosseguiu-se com a leitura do texto integral dos 25 artigos e realizou-se um teste de relev&acirc;ncia final tendo como crit&eacute;rios de avalia&ccedil;&atilde;o da qualidade: a congru&ecirc;ncia metodol&oacute;gica do estudo, o n&iacute;vel de profundidade da an&aacute;lise e compreens&atilde;o das evid&ecirc;ncias, a credibilidade e confiabilidade dos resultados (Sandelowski e Barroso, 2007). Ap&oacute;s a avalia&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica da qualidade dos estudos a decis&atilde;o quanto &agrave; inclus&atilde;o na amostra foi concordante e restringiu-se a 10 artigos que respeitam os crit&eacute;rios: descriminam os objetivos, os participantes, a metodologia de colheita e an&aacute;lise de dados e permitem a distin&ccedil;&atilde;o dos achados, conforme se descreve no quadro 1.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Quadro 1 – S&iacute;ntese dos estudos da amostra</p>     <p><img src="/img/revistas/ref/vserIIIn8/IIIn8a13q1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>				     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Resultados</b></p>     <p>O processo de s&iacute;ntese baseou-se na an&aacute;lise tem&aacute;tica, de acordo com o percurso sugerido por Sandelowski e Barroso (2007): leitura explorat&oacute;ria de cada artigo para desenvolver uma compreens&atilde;o do conte&uacute;do e contexto das evid&ecirc;ncias; an&aacute;lise de conte&uacute;do com identifica&ccedil;&atilde;o dos temas recorrentes ou proeminentes nos diferentes estudos; an&aacute;lise comparativa dos temas recorrentes com integra&ccedil;&atilde;o interpretativa dos resultados em novas categoriza&ccedil;&otilde;es tem&aacute;ticas que englobam e transp&otilde;em os significados dos estudos constituintes da amostra.</p>     <p>Os estudos analisaram as equipas de sa&uacute;de sob perspetivas diferentes, mas com uma comunh&atilde;o de problemas e determinantes. Seguiu-se a compara&ccedil;&atilde;o das evid&ecirc;ncias encontradas nos artigos procurando temas comuns, frases e conceitos. Algumas diferen&ccedil;as foram descobertas durante esse processo. Seis estudos centram-se no aspeto profissional abrangendo desde as expectativas face ao papel, &agrave;s compet&ecirc;ncias e &agrave; participa&ccedil;&atilde;o na equipa, enquanto os outros quatro focalizam aspetos inerentes ao trabalho em equipa, abarcando as caracter&iacute;sticas e fatores inibidores ou propiciadores. Finalizou-se com a transforma&ccedil;&atilde;o das similaridades em constru&ccedil;&otilde;es sint&eacute;ticas representativas de todo o corpo de evid&ecirc;ncias para produzir uma s&iacute;ntese integrada num quadro te&oacute;rico compreens&iacute;vel de todos os estudos. As evid&ecirc;ncias comuns foram reunidas em dois temas centrais: o trabalho em equipa nos Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios; o papel do enfermeiro na abordagem dos cuidados baseada em equipas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O trabalho em equipa nos Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios</b></p>				     <p>O conceito de trabalho em equipa revelou uma diversidade de interpreta&ccedil;&otilde;es e expectativas. Os achados de Ross, Rink e Furne (2000) revelam que n&atilde;o houve um sentido comum do que os participantes entendiam por ‘equipas’, independentemente do grupo profissional. A fraca apropria&ccedil;&atilde;o do conceito parece estar ligada a informa&ccedil;&otilde;es pouco convincentes ou cr&iacute;ticas sobre o trabalho em equipas interdisciplinares no contexto dos Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios, existindo tamb&eacute;m algumas evid&ecirc;ncias de que possa estar associada ao desconhecimento das compet&ecirc;ncias necess&aacute;rias aos cuidados partilhados e inseguran&ccedil;a quanto &agrave;s suas implica&ccedil;&otilde;es para a identidade profissional. No mesmo estudo, ao particularizarem os achados no grupo dos enfermeiros torna-se evidente que a falta de um conjunto de valores comuns para trabalhar pode influenciar a perspetiva sobre a equipa (Furne, Ross e Rink, 2001).</p>     <p>Emerge a no&ccedil;&atilde;o de que o trabalho em equipa neste contexto de cuidados introduz n&atilde;o s&oacute; mudan&ccedil;as no ambiente de trabalho como nos pap&eacute;is profissionais, refletindo uma mudan&ccedil;a radical na cultura. Muitos dos participantes neste estudo consideraram ser necess&aacute;rio um suporte organizacional para a mudan&ccedil;a, uma vez que a implementa&ccedil;&atilde;o efetiva de equipas interdisciplinares exige lideran&ccedil;a, comprometimento e participa&ccedil;&atilde;o ampla de toda a organiza&ccedil;&atilde;o. Foram expressas preocupa&ccedil;&otilde;es sobre a maneira como as altera&ccedil;&otilde;es na equipa e no trabalho foram introduzidas no seu caso (Inglaterra) apesar da exist&ecirc;ncia de um plano de execu&ccedil;&atilde;o estruturado e supervisionado por um grupo operacional. O desenvolvimento de um programa de forma&ccedil;&atilde;o foi identificado como um potencial facilitador para apoiar o trabalho da equipa e desenvolvimento de pap&eacute;is (Ross, Rink e Furne, 2000; Furne, Ross e Rink, 2001). As evid&ecirc;ncias do estudo de O’Neill e Cowman (2008) apontam tamb&eacute;m para a import&acirc;ncia atribu&iacute;da a um l&iacute;der de equipa que motive o desempenho coletivo, permitindo simultaneamente crescimento e desenvolvimento pessoal. Al&eacute;m disso, os l&iacute;deres foram reconhecidos como elementos chave para remover obst&aacute;culos ao trabalho em equipa eficaz, para facilitar a comunica&ccedil;&atilde;o e promover processos decis&oacute;rios. Em todas as equipas participantes neste estudo, os enfermeiros identificaram a necessidade de desenvolver compet&ecirc;ncias de gest&atilde;o, de assertividade e de confian&ccedil;a como vitais para trabalhar eficazmente em equipas de cuidados prim&aacute;rios.</p>     <p>Os estudos desenvolvidos por Shaw, Lusignan e Rowlands (2005) Delva, Jamieson e Lemieux (2008) e Sargeant, Loney e Murphy (2008) debru&ccedil;aram-se sobre as perce&ccedil;&otilde;es e expectativas face ao trabalho em equipa nos Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios, e os seus achados refor&ccedil;am os dos estudos anteriores. A perce&ccedil;&atilde;o de que ocorreu uma mudan&ccedil;a nos valores culturais e que s&atilde;o necess&aacute;rias novas parcerias interprofissionais &eacute; transversal. Nos achados de Shaw, Lusignan e Rowlands (2005) &eacute; percet&iacute;vel que pr&aacute;ticas hierarquizadas, aliadas a falta de objetivos comuns e a inabilidade em comunicar t&ecirc;m sido os principais obst&aacute;culos ao desenvolvimento eficaz do trabalho em equipa. Os profissionais da equipa t&ecirc;m diferentes compet&ecirc;ncias e o funcionamento eficaz depende da compreens&atilde;o das respetivas fun&ccedil;&otilde;es e responsabilidades. Apesar de reconhecerem que alguns pap&eacute;is dentro da equipa mudaram, o que permitiu aos enfermeiros algumas pr&aacute;ticas inovadoras, na sua maioria &eacute; limitado o n&iacute;vel de participa&ccedil;&atilde;o no planeamento e tomada de decis&otilde;es dos cuidados de sa&uacute;de, reduzindo assim o sentimento de partilha no desenvolvimento futuro da equipa que se pretende interdisciplinar.</p>     <p>As diferen&ccedil;as de poder na equipa s&atilde;o bem evidenciadas no estudo de Delva, Jamieson e Lemieux (2008). A diminui&ccedil;&atilde;o da domin&acirc;ncia m&eacute;dica conduziu as equipas &agrave; rea&ccedil;&atilde;o em vez de planearem a mudan&ccedil;a, como relataram os enfermeiros participantes, sendo por eles percebidas como comprometedoras do processo de trabalho em equipa, induzindo a consider&aacute;-lo como a entreajuda entre grupos profissionais, quando necess&aacute;rio. A distin&ccedil;&atilde;o entre equipas interprofissionais e uniprofissionais foi destacada: o bom relacionamento entre os profissionais da equipa a entreajuda e o objetivo comum de prestar cuidados de sa&uacute;de centrados nas necessidades dos utentes n&atilde;o faz necessariamente que seja considerada uma equipa interdisciplinar se forem mantidas abordagens operacionais separadas pelas diferentes identidades profissionais.</p>     <p>Os participantes no estudo de Sargeant, Loney e Murphy (2008) corroboram que o ‘trabalhar ao lado’ n&atilde;o implica construir a equipa, e a mudan&ccedil;a de estere&oacute;tipos exige aprendizagem interprofissional, muitas vezes ocorrendo informalmente por meio de intera&ccedil;&otilde;es no contexto da pr&aacute;tica. Dos achados deste estudo emergem algumas caracter&iacute;sticas de uma efetiva equipa interprofissional de Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios, esquematizada na figura 1.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Figura 1 – Caracter&iacute;sticas da equipa eficaz em Cuidados Sa&uacute;de Prim&aacute;rios</p>     <p><img src="/img/revistas/ref/vserIIIn8/IIIn8a13f1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Duas capacidades inter-relacionadas emergiram como centrais &agrave;s equipas efetivas: a compreens&atilde;o do papel dos outros, uma capacidade cognitiva e o respeito pelas suas fun&ccedil;&otilde;es na equipa, uma capacidade atitudinal. O respeito pelos diferentes pap&eacute;is e a capacidade de o demonstrar foram considerados igualmente importantes e essenciais para um trabalho partilhado requerendo, em primeiro lugar, reflex&atilde;o sobre o &acirc;mbito da pr&oacute;pria pr&aacute;tica e respetivo papel na equipa para uma posterior compreens&atilde;o do papel dos outros. As equipas de Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios s&atilde;o din&acirc;micas e exigem empenho e trabalho para se desenvolverem e, em seguida, manter. De acordo com as vozes experientes dos participantes, s&atilde;o o resultado de um esfor&ccedil;o ativo e cont&iacute;nuo que requer tempo, intera&ccedil;&atilde;o e compromisso. A compreens&atilde;o comum da finalidade, filosofia e princ&iacute;pios dos Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios constituem uma base importante para a constru&ccedil;&atilde;o interprofissional, possibilitando uma clarifica&ccedil;&atilde;o das responsabilidades, compet&ecirc;ncias e fun&ccedil;&otilde;es a conjugar e complementar nos diferentes tipos de cuidados. Os problemas de sa&uacute;de exigem resposta fora do &acirc;mbito de uma &uacute;nica profiss&atilde;o e muitas vezes imp&otilde;em colabora&ccedil;&atilde;o intersetorial com outras organiza&ccedil;&otilde;es, institui&ccedil;&otilde;es e organismos comunit&aacute;rios, sendo indispens&aacute;vel partilhar conhecimentos e compartilhar compet&ecirc;ncias. Considerada como condi&ccedil;&atilde;o ‘<i>sine qua non</i>’ &eacute; a comunica&ccedil;&atilde;o que mant&eacute;m a equipe coesa e permite o trabalho colaborativo, desde que regular e eficaz, o que exige acessibilidade a todos os elementos da equipa e capacidade de usar a comunica&ccedil;&atilde;o de forma construtiva.</p>		     <p>Na perspetiva dos participantes a comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; um desafio crucial para equipas eficazes, sendo transversal a todas as outras caracter&iacute;sticas, &eacute; entendida como est&iacute;mulo para a coopera&ccedil;&atilde;o e partilha e estruturante da coes&atilde;o na equipa. Tamb&eacute;m no estudo de Ross, Rink e Furne (2000) a comunica&ccedil;&atilde;o entre os diferentes profissionais foi compreendida pelos participantes como essencial para racionalizar abordagens aos cuidados, reduzir a duplica&ccedil;&atilde;o de esfor&ccedil;os e rentabilizar compet&ecirc;ncias, assumindo relevo como um instrumento para mudar pr&aacute;ticas de trabalho.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O papel do enfermeiro na abordagem dos cuidados baseada em equipas</b></p>     <p>A procura crescente de cuidados ao n&iacute;vel dos Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios foi associada &agrave;s mudan&ccedil;as demogr&aacute;ficas e nas estruturas familiares, o que coloca a comunidade como um ambiente emergente para presta&ccedil;&atilde;o de cuidados, justificando o investimento e desenvolvimento das equipas de cuidados prim&aacute;rios para uma presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os abrangente e adequada ao perfil da popula&ccedil;&atilde;o local. Sem esta condi&ccedil;&atilde;o as equipas n&atilde;o ser&atilde;o capazes de responder &agrave;s necessidades das pessoas e da comunidade, contudo a interdisciplinaridade foi percebida como uma melhoria nos cuidados de sa&uacute;de prestados ao utente e &agrave; popula&ccedil;&atilde;o. O acesso precoce aos cuidados de sa&uacute;de foi identificado como essencial para maximizar as interven&ccedil;&otilde;es preventivas e gerir adequadamente as situa&ccedil;&otilde;es de cronicidade, sendo estes os &acirc;mbitos de interven&ccedil;&atilde;o em que a Enfermagem deve ser capitalizada. Apesar dos processos colaborativos serem valorizados na equipa interdisciplinar e de ser respeitado o contributo de todos os membros da equipa, o desenvolvimento interdisciplinar deve proporcionar oportunidades para que o enfermeiro (e outros profissionais) possam maximizar o seu contributo na equipa, expandindo o seu papel (O’Neill e Cowman, 2008).</p>     <p>No estudo realizado por Perry <i>et al</i>.(2005) o papel do enfermeiro foi percebido como facilitador no acesso aos cuidados. Entre os achados sobressai a perce&ccedil;&atilde;o dos utentes e administrativos, com valoriza&ccedil;&atilde;o da disponibilidade demonstrada pelos enfermeiros, percebida como melhoria no acesso aos cuidados tanto no aumento de contactos/consultas, dispon&iacute;veis em diferentes momentos do dia, com redu&ccedil;&atilde;o do tempo de espera por cuidados de sa&uacute;de. Para os utentes o papel do enfermeiro n&atilde;o era claro, mas o seu desempenho superou as expectativas tanto nas compet&ecirc;ncias t&eacute;cnicas como nas relacionais, comunicacionais e culturais. A proximidade, a capacidade de escutar, de orientar, de explicar e fornecer informa&ccedil;&otilde;es mais detalhadas e enquadradas no ambiente social dos utentes, foram percebidas como interven&ccedil;&otilde;es que satisfizeram as suas necessidades de uma forma mais adequada.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A d&uacute;vida sobre o papel do enfermeiro &eacute; transversal a v&aacute;rios estudos (Furne, Ross e Rink, 2001; McKenna e Keeney, 2004; Martin <i>et al</i>., 2005; Perry <i>et al</i>.,2005) mas come&ccedil;am a emergir algumas expectativas sobre o papel profissional no seio das equipas em desenvolvimento (Markham e Carney, 2008; O’Neill e Cowman, 2008).</p>     <p>Os achados indiciam que os outros profissionais na equipa de sa&uacute;de nem sempre possuem conhecimento sobre as fun&ccedil;&otilde;es e &acirc;mbito dpr&aacute;tica dos enfermeiros, ou esse conhecimento &eacute; superficial, o que contribui para uma perce&ccedil;&atilde;o do seu papel baseada em estere&oacute;tipos descontextualizados que influenciam a din&acirc;mica da equipa. No entanto parece existir consci&ecirc;ncia de que a compreens&atilde;o do seu pr&oacute;prio papel e do dos outros dentro da equipa surge como fundamental para um processo de cuidados compartilhado.</p>     <p>Como emerge do estudo de Ross, Rink e Furne (2000), trabalhar em equipa multi e interdisciplinar implica esbater limites e ampliar pap&eacute;is, o que parece necessitar de forma&ccedil;&atilde;o conjunta e identifica&ccedil;&atilde;o de facilitadores de apoio e refor&ccedil;o da equipa para o desenvolvimento de novas formas de trabalho e pap&eacute;is.</p>     <p>Entre os achados do estudo de Markham e Carney (2008) surge a compreens&atilde;o de que o atendimento de qualidade envolve cuidados culturalmente aceit&aacute;veis na comunidade, o que n&atilde;o se coaduna com os pap&eacute;is tradicionais e uma ‘pr&aacute;tica estagnada’, mas antes envolve uma altera&ccedil;&atilde;o de fun&ccedil;&atilde;o relacionada com mudan&ccedil;as nas necessidades de sa&uacute;de da comunidade. Os enfermeiros participantes identificam como fatores facilitadores da qualidade o desenvolvimento de pr&aacute;ticas cada vez mais baseadas na evid&ecirc;ncia e na padroniza&ccedil;&atilde;o, para uniformizar e dar consist&ecirc;ncia aos cuidados mas tamb&eacute;m para avaliar e melhorar continuamente o servi&ccedil;o, e a participa&ccedil;&atilde;o efetiva na equipa interdisciplinar no que se refere &agrave; coordena&ccedil;&atilde;o e planifica&ccedil;&atilde;o das respostas &agrave;s necessidades dos utentes. Se assim n&atilde;o for, consideram que pode ocorrer fragmenta&ccedil;&atilde;o dos cuidados que comprometem a filosofia de continuidade da assist&ecirc;ncia vinculada ao compromisso que os enfermeiros dever&atilde;o assumir, o que compromete a qualidade.</p>     <p>Para os enfermeiros participantes no estudo de O’Neill e Cowman (2008) os Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios representam um desafio &agrave;s compet&ecirc;ncias dos enfermeiros, para desenvolverem programas integrados e parcerias como recursos para a sa&uacute;de, e a equipa interdisciplinar uma oportunidade para refor&ccedil;ar a contribui&ccedil;&atilde;o da enfermagem enquanto grupo profissional capaz de influenciar e adequar cuidados de sa&uacute;de. O cen&aacute;rio da comunidade &eacute; percebido como um potencial para a interven&ccedil;&atilde;o inovadora dos enfermeiros devido &agrave; diversidade de grupos de clientes e necessidades em sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o. O ambiente de trabalho nas equipas de sa&uacute;de comunit&aacute;rias &eacute; compreendido como menos hier&aacute;rquico que o ambiente hospitalar, no qual muitos enfermeiros perceberam ter uma maior autonomia e oportunidades para utilizar a sua iniciativa no desenvolvimento dos cuidados. As expectativas relativamente ao seu papel profissional baseiam-se na perce&ccedil;&atilde;o de que as respostas dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de est&atilde;o subdesenvolvidas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; procura e que os enfermeiros se encontram em posi&ccedil;&atilde;o de gerir algumas das necessidades da comunidade, nomeadamente as relacionadas com as pessoas idosas e com o apoio para manter em casa as pessoas que necessitam de cuidados de sa&uacute;de b&aacute;sicos. Al&eacute;m destas oportunidades ligadas &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es cr&oacute;nicas, consideram tamb&eacute;m que podem assumir um papel de lideran&ccedil;a nas interven&ccedil;&otilde;es preventivas em sa&uacute;de. Relativamente &agrave;s principais compet&ecirc;ncias que mobilizam nas equipas, os enfermeiros identificam-se como coordenadores do atendimento e elementos chave na comunica&ccedil;&atilde;o interdisciplinar pelo seu conhecimento local da comunidade. Muitos dos participantes sugeriram que o papel da enfermagem precisa ser redefinido em conson&acirc;ncia com a evolu&ccedil;&atilde;o dos Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios, identificando a necessidade de desenvolverem a sua pr&oacute;pria identidade na comunidade.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Das evid&ecirc;ncias dos estudos que constitu&iacute;ram a amostra ressalta que &eacute; necess&aacute;rio ‘trabalhar’ para o trabalho em equipa. A abordagem de cuidados baseada em equipas multidisciplinares exige clareza de objetivos, lideran&ccedil;a, comprometimento e participa&ccedil;&atilde;o ampla de todos os grupos profissionais.</p>     <p>O papel profissional do enfermeiro na equipa multidisciplinar dos Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios surge pouco expl&iacute;cito, com tend&ecirc;ncia a uma perce&ccedil;&atilde;o estereotipada pelos outros profissionais, mas come&ccedil;ando a emergir algumas expectativas por parte dos utentes que o percebem como facilitador no acesso aos cuidados, valorizando as suas compet&ecirc;ncias relacionais e culturais. Os enfermeiros reconhecem que o seu papel pode expandir-se, nomeadamente na &aacute;rea preventiva e nos cuidados no contexto domicili&aacute;rio e aos idosos, considerando que podem contribuir significativamente para a reorienta&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento de abordagens interdisciplinares nos Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios, melhorando a assist&ecirc;ncia aos indiv&iacute;duos e satisfazendo a diversidade de necessidades de sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o. Embora identificando que h&aacute; desafios a superar para uma participa&ccedil;&atilde;o mais efetiva dos enfermeiros na decis&atilde;o, planeamento e coordena&ccedil;&atilde;o de cuidados, h&aacute; reconhecimento de que a mudan&ccedil;a vai ocorrendo &agrave; medida que o papel do enfermeiro vai sendo melhor compreendido no seio da equipa e entre os utentes. Surgem como estrat&eacute;gias a seguir as oportunidades formais e informais de aprendizagem conjunta com os outros profissionais, a investiga&ccedil;&atilde;o e a pr&aacute;tica baseada na evid&ecirc;ncia, o trabalho em proximidade e em parceria com os utentes e a comunidade.</p>     <p>Estes resultados colocam em perspetiva o potencial de desenvolvimento do papel profissional do enfermeiro, emergindo a oportunidade para uma maior responsabiliza&ccedil;&atilde;o dos enfermeiros na lideran&ccedil;a e coordena&ccedil;&atilde;o de cuidados de proximidade, numa perspetiva de continuidade, integradora e longitudinal. Assume-se necess&aacute;ria a clarifica&ccedil;&atilde;o do papel profissional junto dos utentes e de outros parceiros prestadores de cuidados de sa&uacute;de, aproveitando o facto de serem ‘pr&oacute;ximos do utente e das fam&iacute;lias’ no acesso aos cuidados e evidenciando n&atilde;o s&oacute; a oferta de cuidados terap&ecirc;uticos mas tamb&eacute;m de cuidados de bem-estar, de aconselhamento e de capacita&ccedil;&atilde;o para a tomada de decis&otilde;es e para o autocuidado, ao longo de todo o ciclo de vida. Perante o exposto evidencia-se oportuno desenvolver estudos no contexto portugu&ecirc;s, face &agrave; recente reorganiza&ccedil;&atilde;o das equipas multidisciplinares no &acirc;mbito da reforma dos Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <p>BENNER, Patricia (2001) – De iniciado a perito. Coimbra : Quarteto.</p>     <p>BROOKES, Kim [et al.](2007) - Role theory: a framework to investigate the community nurse role in contemporary health care systems. Contemporary Nurse. Vol. 25, n&ordm; 1-2, p. 146-155.</p>     <p>DELVA, Diane ; JAMIESON, Margaret ; LEMIEUX, Melissa (2008) - Team effectiveness in academic primary health care teams. Journal of Interprofessional Care. Vol. 22, n&ordm; 6, p. 598-611.</p>     <p>FURNE, Angela ; ROSS, Fiona ; RINK, Elizabeth (2001) - The integrated nursing team in primary care: views and experience of participants exploring ownership, objectives and a team orientation. Primary Health Care Research Development. Vol. 2, n&ordm; 3, p. 187-195.</p>     <p>HUMPHRIS, Debra (2007) - Multiprofessional working, interprofessional learning and primary care: a way forward? Contemporary Nurse. Vol. 26, n&ordm; 1, p. 48-55.</p>     <p>INTERNATIONAL COUNCIL OF NURSES (2010) – Servir a comunidade e garantir qualidade: os enfermeiros na vanguarda dos cuidados na doen&ccedil;a cr&oacute;nica [Em linha]. Lisboa : Ordem dos Enfermeiros. [Consult. 17 Set. 2010]. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://www.ordemenfermeiros.pt/publicacoes/Documents/KIT_DIE_2010.pdf" target="_blank">http://www.ordemenfermeiros.pt/publicacoes/Documents/KIT_DIE_2010.pdf</a>.</p>     <p>MARKHAM, Trish ; CARNEY, Marie (2008) - Public Health Nurses and the delivery of quality nursing care in the community. Journal of Clinical Nursing. Vol. 17, n&ordm; 10, p. 1342-1350.</p>     <p>MARTIN, Donald [et al.](2005) - The collaborative healthcare team: tensive issues warranting ongoing consideration. Journal of the American Academy of Nurse Practitioners. Vol. 17, n&ordm; 8, p. 325-330.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>MACFARLAND, Marilyn ; EIPPERLE, Marilyn (2008) - Culture care theory: a proposed practice theory guide for nurse practitioners in primary care settings. Contemporary Nurse. Vol. 28, n&ordm; 1-2, p. 48–63.</p>     <p>MACKENNA, Hugh ; KEENEY, Sinead (2004) - Community nursing: health professional and public perceptions. Journal of Advanced Nursing. Vol. 48, n&ordm; 1, p. 17-25.</p>     <p>NUNES, Emanuelle[et al.] (2010) - Refletindo o ‘Transpessoal’ humano – uma compreens&atilde;o multidisciplinar em transversalidade com o estado da arte de ser. Revista de Enfermagem Refer&ecirc;ncia. S&eacute;rie 2, n&deg; 2, p. 173-180.</p>     <p>O’NEILL, Mary ; COWMAN, Seamus (2008) - Partners in care: investigating community nurses’ understanding of an interdisciplinary team-based approach to primary care. Journal of Clinical Nursing. Vol. 17, n&ordm; 22, p. 3004-3011.</p>     <p>PERRY, Catherine [et al.] (2005) - The nurse practitioner in primary care: alleviating problems of access? British Journal of Nursing. Vol. 14, n&ordm; 5, p. 255-259.</p>     <p>PIRES, Raquel (2007) - Pela reconstru&ccedil;&atilde;o dos mitos da enfermagem a partir da qualidade emancipat&oacute;ria do cuidado. Revista da Escola Enfermagem USP. Vol. 41, n&ordm; 4, p. 717-723.</p>     <p>ROCHA, Semiramis ; ALMEIDA, Maria Cec&iacute;lia (2000) - O processo de trabalho da enfermagem em sa&uacute;de coletiva e a interdisciplinaridade. Revista Latino-Americana de Enfermagem. Vol. 8, n&ordm; 6, p. 96-101.</p>     <p>ROSS, Fiona ; RINK, Elizabeth ; FURNE, Angela(2000) - Integration or pragmatic coalition? An evaluation of nursing teams in primary care. Journal of Interprofessional Care. Vol. 14, n&ordm; 3, p. 259-267.</p>     <p>SANDELOWSKI, Margarete ; BARROSO, Julie (2007) - Handbook for synthesizing Qualitative Research [Em linha]. New York : Springer Publishing Company. [Consult. 06 Jan. 2011]. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://books.google.com/books/about/Handbook_for_synthesizing_qualitative_re.html?hl=zh-TW&amp;id=w8kT71L3TvAC" target="_blank">http://books.google.com/books/about/Handbook_for_synthesizing_qualitative_re.html?hl=zh-TW&amp;id=w8kT71L3TvAC</a>.</p>     <p>SARGEANT, Joan ; LONEY, Elaine ; MURPHY, Gerard (2008) - Effective interprofessional teams: “contact is not enough” to build a team. Journal of Continuing Education in the Health Professions. Vol. 28, n&ordm; 4, p. 228-234.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>SHAW, Adrienne ; LUSIGNAN, Simon ; ROWLANDS, George (2005) - Do primary care professionals work as a team: a qualitative study. Journal of Interprofessional Care. Vol. 19, n&ordm; 4, p. 396-405.</p>     <p>SWIADEK, John (2009) - The impact of healthcare issues on the future of the nursing profession: the resulting increased influence of community-based and public health nursing. Nursing Forum. Vol. 44, n&ordm; 1, p. 19-24.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido para publica&ccedil;&atilde;o em: 17.11.11</p>     <p>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em: 31.05.12</p>		      ]]></body><back>
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<label>1</label><nlm-citation citation-type="book">
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<year>2001</year>
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<surname><![CDATA[BROOKES]]></surname>
<given-names><![CDATA[Kim]]></given-names>
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