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<article-id pub-id-type="doi">10.12707/RIII1216</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A visão da família sobre a experiência de ter uma criança gastrostomizada]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The views of the family about the experience of having a child with gastrostomy]]></article-title>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[La visión de la familia sobre la experiencia de tener un niño que tiene gastrostomía]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Gastrostomy is frequently used to treat children with growth and nutritional problems in chronic illness or incapacity. Even though the health team considers that it is a simple procedure, a stoma performed for the child can have emotional and social consequences for family life. The aim of this study was to identify scientific evidence about the experience of a family with a child with gastrostomy. An integrative literature review was performed for the period from 2005 to 2011 and a search for articles in certain databases was conducted, 10 articles about the topic being selected. The findings were organized into four themes: the meaning of the diet for the parents carrying out the parental role; the family experience in interaction with health team; life after gastrostomy. The findings indicate that the family with a child with gastrostomy experiences emotional burden, mainly in the period preceding the procedure, due to the socio-cultural meaning of food for the family. The family needs information and support from the health team during each phase of the experience.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[La gastrostomía se utiliza cada vez más para tratar problemas nutricionales y de crecimiento en niños con enfermedades crónicas o incapacidades. A pesar de que el equipo sanitario considera que es un procedimiento simple, la realización de un estoma en el niño puede tener consecuencias emocionales y sociales en la vida familiar. El objetivo de este estudio fue identificar las evidencias científicas relacionadas con la experiencia de la familia que tiene un niño con gastrostomía. Se realizó una revisión integrativa de la literatura en el periodo comprendido entre 2005 y 2011 y se buscaron artículos en diferentes bases de datos, de los cuales se seleccionaron 10 sobre el tema. El análisis de los textos permitió organizar los resultados en cuatro temas: 1) el significado de la alimentación para los padres; 2) el desempeño del papel parental; 3) la experiencia de la familia en su interacción con el equipo sanitario y 4) la vida después de la gastrostomía. Los resultados demostraron que la familia que tiene un niño con gastrostomía experimenta una sobrecarga emocional, sobre todo en el periodo anterior al procedimiento, en virtud del significado socio-cultural que la alimentación tiene para esta. La familia tiene la necesidad de recibir información y apoyo por parte del equipo sanitario que acompaña al niño.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>A vis&atilde;o da fam&iacute;lia sobre a experi&ecirc;ncia de ter uma crian&ccedil;a gastrostomizada</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Andr&eacute;ia Cascaes Cruz</b>*; <b>Margareth Angelo</b>**; <b>Sandra Guerrero Gamboa</b>***</p>     <p>* Doutoranda do Programa de P&oacute;s Gradua&ccedil;&atilde;o em Enfermagem da Escola de Enfermagem da Universidade de S&atilde;o Paulo. Mestre em Ci&ecirc;ncias pela Escola de Enfermagem da Universidade de S&atilde;o Paulo [<a href="mailto:deiacascaes@usp.br">deiacascaes@usp.br</a>].</p>     <p>** Professora Titular do Departamento de Enfermagem Materno Infantil e Psiqui&aacute;trica da Escola de Enfermagem da Universidade de S&atilde;o Paulo [<a href="mailto:angelm@usp.br">angelm@usp.br</a>].</p>     <p>*** Enfermeira Estomaterapeuta. Doutora em Enfermagem. Professora da Faculdade de Enfermagem da Universidade Nacional da Col&ocirc;mbia, Sede Bogot&aacute; [<a href="mailto:nsguerrerog@bt.unal.edu.co">nsguerrerog@bt.unal.edu.co</a>].</p>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>Resumo</b></P>     <p>A gastrostomia &eacute; cada vez mais usada para tratar de problemas nutricionais e de crescimento em crian&ccedil;as com doen&ccedil;as cr&oacute;nicas ou deficientes. Embora seja um procedimento simples para a equipa de sa&uacute;de, a cria&ccedil;&atilde;o de estomas na crian&ccedil;a pode gerar consequ&ecirc;ncias emocionais e sociais na vida familiar. Este estudo teve como objetivo identificar as evid&ecirc;ncias cient&iacute;ficas acerca da experi&ecirc;ncia da fam&iacute;lia que possui uma crian&ccedil;a gastrostomizada. Elaborou-se uma revis&atilde;o integrativa da literatura no per&iacute;odo de 2005 a 2011 e busca de artigos em diferentes bases de dados, sendo selecionados 10 artigos sobre o tema. A an&aacute;lise dos textos permitiu organizar os resultados em quatro temas: o significado da alimenta&ccedil;&atilde;o para os pais; o desempenho do papel parental; a experi&ecirc;ncia da fam&iacute;lia na intera&ccedil;&atilde;o com a equipa de sa&uacute;de; a vida ap&oacute;s a gastrostomia. Os resultados demonstram que a fam&iacute;lia que tem uma crian&ccedil;a gastrostomizada experiencia uma grande sobrecarga emocional, sobretudo no per&iacute;odo anterior ao procedimento, em virtude do significado sociocultural que a alimenta&ccedil;&atilde;o tem para ela. A fam&iacute;lia necessita de receber informa&ccedil;&otilde;es e apoio da equipa de sa&uacute;de que acompanha a crian&ccedil;a.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: crian&ccedil;a; fam&iacute;lia; gastrostomia; enfermagem da fam&iacute;lia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>The views of the family about the experience of having a child with gastrostomy</b></p>     <P><b>Abstract</b></p>     <p>Gastrostomy is frequently used to treat children with growth and nutritional problems in chronic illness or incapacity. Even though the health team considers that it is a simple procedure, a stoma performed for the child can have emotional and social consequences for family life. The aim of this study was to identify scientific evidence about the experience of a family with a child with gastrostomy. An integrative literature review was performed for the period from 2005 to 2011 and a search for articles in certain databases was conducted, 10 articles about the topic being selected. The findings were organized into four themes: the meaning of the diet for the parents carrying out the parental role; the family experience in interaction with health team; life after gastrostomy. The findings indicate that the family with a child with gastrostomy experiences emotional burden, mainly in the period preceding the procedure, due to the socio-cultural meaning of food for the family. The family needs information and support from the health team during each phase of the experience.</p>     <p><b>Keywords</b>: child; family; gastrostomy; family nursing.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>La visi&oacute;n de la familia sobre la experiencia de tener un ni&ntilde;o que tiene gastrostom&iacute;a</b></p>     <P><b>Resumen</b></P>			     <p>La gastrostom&iacute;a se utiliza cada vez m&aacute;s para tratar problemas nutricionales y de crecimiento en ni&ntilde;os con enfermedades cr&oacute;nicas o incapacidades. A pesar de que el equipo sanitario considera que es un procedimiento simple, la realizaci&oacute;n de un estoma en el ni&ntilde;o puede tener consecuencias emocionales y sociales en la vida familiar. El objetivo de este estudio fue identificar las evidencias cient&iacute;ficas relacionadas con la experiencia de la familia que tiene un ni&ntilde;o con gastrostom&iacute;a. Se realiz&oacute; una revisi&oacute;n integrativa de la literatura en el periodo comprendido entre 2005 y 2011 y se buscaron art&iacute;culos en diferentes bases de datos, de los cuales se seleccionaron 10 sobre el tema. El an&aacute;lisis de los textos permiti&oacute; organizar los resultados en cuatro temas: 1) el significado de la alimentaci&oacute;n para los padres; 2) el desempe&ntilde;o del papel parental; 3) la experiencia de la familia en su interacci&oacute;n con el equipo sanitario y 4) la vida despu&eacute;s de la gastrostom&iacute;a. Los resultados demostraron que la familia que tiene un ni&ntilde;o con gastrostom&iacute;a experimenta una sobrecarga emocional, sobre todo en el periodo anterior al procedimiento, en virtud del significado socio-cultural que la alimentaci&oacute;n tiene para esta. La familia tiene la necesidad de recibir informaci&oacute;n y apoyo por parte del equipo sanitario que acompa&ntilde;a al ni&ntilde;o.</p>     <p><b>Palabras clave</b>: ni&ntilde;o; familia; gastrostom&iacute;a; enfermer&iacute;a de la familia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>			     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Os avan&ccedil;os m&eacute;dicos e tecnol&oacute;gicos aumentaram a expetativa de vida de crian&ccedil;as com necessidades de sa&uacute;de complexas e, consequentemente, as demandas para a manuten&ccedil;&atilde;o de uma adequada ingesta nutricional nesta popula&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m cresceram (Rouse <i>et al</i>., 2002). Crian&ccedil;as que apresentam problemas para se alimentar por condi&ccedil;&otilde;es s&eacute;rias e cr&oacute;nicas, tais como paralisia cerebral ou outras desordens neuromusculares e problemas card&iacute;acos, podem necessitar de uma gastrostomia para terem assegurado o recebimento de uma nutri&ccedil;&atilde;o adequada, visando ao crescimento e desenvolvimento ideais (Craig e Scambler, 2006).</p>     <p>A gastrostomia &eacute; um orif&iacute;cio criado na parede do est&ocirc;mago, dentro do qual um cateter &eacute; colocado para que as f&oacute;rmulas alimentares sejam infundidas diretamente no est&ocirc;mago (Sleigh, 2005). O n&uacute;mero de crian&ccedil;as que recebem alimenta&ccedil;&atilde;o por via enteral vem aumentando significativamente desde a d&eacute;cada de 1990 (Rouse <i>et al</i>, 2002).</p>     <p>Considerando que doen&ccedil;a &eacute; um assunto de fam&iacute;lia (Wright e Bell, 2009) e que a fam&iacute;lia &eacute; parte essencial para o cuidado de enfermagem (Angelo, 1999), infere-se que a fam&iacute;lia est&aacute; intrinsecamente ligada a qualquer situa&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;a que acometa algum de seus membros. Sendo assim, n&atilde;o h&aacute; como prestar uma adequada assist&ecirc;ncia de enfermagem sem inclu&iacute;-la em todas as fases do processo.</p>     <p>Fam&iacute;lias que vivenciam a situa&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;a cr&oacute;nica da crian&ccedil;a passam por um processo de adapta&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o &eacute; estagnado, podendo passar de um per&iacute;odo de controlo da situa&ccedil;&atilde;o para um de falta de controlo e, novamente, retornar para a fase em que consegue dominar a situa&ccedil;&atilde;o. Este processo est&aacute; relacionado com diversas situa&ccedil;&otilde;es de controlo per&iacute;odo inicial da doen&ccedil;a, cuidado da crian&ccedil;a, fornecimento de suporte para que a crian&ccedil;a conviva com a doen&ccedil;a, circunst&acirc;ncia familiar e atual condi&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a (Dami&atilde;o e Angelo, 2001).</p>     <p>No que se refere &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de gastrostomia, o contexto da doen&ccedil;a e a hist&oacute;ria da trajet&oacute;ria da fam&iacute;lia dentro dele fazem com que o dilema de realizar ou n&atilde;o uma gastrostomia na crian&ccedil;a tenha diferentes e complicados significados. Dependendo do significado que o procedimento representa para a fam&iacute;lia, a ideia desta tecnologia pode ser vista como favor&aacute;vel ou desfavor&aacute;vel. Cuidar de uma crian&ccedil;a dependente de tecnologia em casa gera impacto em todo o sistema familiar, uma vez que a fam&iacute;lia enfrenta uma s&eacute;rie de dificuldades causadas por esta nova condi&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a (Fracolli e Angelo, 2006).</p>     <p>Sabendo que toda a fam&iacute;lia &eacute; afetada por uma situa&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;a na crian&ccedil;a, torna-se necess&aacute;rio que a enfermagem conhe&ccedil;a a experi&ecirc;ncia das fam&iacute;lias em diferentes contextos, a fim de oferecer uma aten&ccedil;&atilde;o de &oacute;tima qualidade por meio de a&ccedil;&otilde;es colaborativas em todo o processo, de acordo com a vis&atilde;o das necessidades levantadas na perspectiva das fam&iacute;lias.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Metodologia</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O objetivo deste estudo foi identificar as evid&ecirc;ncias cient&iacute;ficas acerca da experi&ecirc;ncia da fam&iacute;lia que possui uma crian&ccedil;a gastrostomizada. Trata-se de uma revis&atilde;o integrativa da literatura que teve como ponto de partida a seguinte quest&atilde;o: Como &eacute; para a fam&iacute;lia ter uma crian&ccedil;a gastrostomizada? Ap&oacute;s a formula&ccedil;&atilde;o da pergunta estabeleceram-se as bases de dados em que a sele&ccedil;&atilde;o dos artigos seria realizada e os crit&eacute;rios de inclus&atilde;o dos mesmos. A busca dos artigos foi realizada em diferentes bases de dados: Medical Literature Analysis and Retrieved System on-line (MEDLINE), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de (LILACS), Cummulative Index for Nursing and Allied Health Literature (CINAHL), Biblioteca Cochrane e Pubmed.</p>     <p>Os crit&eacute;rios de inclus&atilde;o para a sele&ccedil;&atilde;o dos artigos foram: artigos publicados em l&iacute;ngua portuguesa, inglesa e espanhola, entre os anos de 2005 e 2011, com os resumos disponibilizados nas bases de dados selecionadas; que abordassem aspectos relacionados a fatores psicol&oacute;gicos, sociais, qualidade de vida e experi&ecirc;ncia das fam&iacute;lias que tivessem uma crian&ccedil;a portadora de gastrostomia.</p>     <p>A estrat&eacute;gia de capta&ccedil;&atilde;o e a sele&ccedil;&atilde;o dos artigos foram norteadas pela pergunta do estudo e pelos crit&eacute;rios de inclus&atilde;o. Foram empregadas na busca as seguintes palavras-chave: gastrostomia, crian&ccedil;a, fam&iacute;lia, pais, percep&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>Foi encontrado um total de 162 artigos, sendo selecionados 31 estudos para leitura dos textos na &iacute;ntegra. A maioria dos artigos foi exclu&iacute;da, j&aacute; que a tem&aacute;tica centrava-se apenas nos aspetos t&eacute;cnicos da gastrostomia, tais como: causa, t&eacute;cnica cir&uacute;rgica, descri&ccedil;&atilde;o e manejo de complica&ccedil;&otilde;es mec&acirc;nicas e cl&iacute;nicas, programas educativos para o cuidado com o estoma, dentre outros. Ap&oacute;s a leitura integral dos 31 estudos pr&eacute;-selecionados, a amostra final desta revis&atilde;o foi constitu&iacute;da por 10 artigos que se relacionavam diretamente com os crit&eacute;rios de inclus&atilde;o.</p>     <p>Cada artigo foi analisado individualmente e, para a constru&ccedil;&atilde;o da resposta &agrave; pergunta desta revis&atilde;o, componentes semelhantes nos estudos analisados foram identificados, agrupados por similaridade e, em seguida, nomeados, dando origem a quatro tem&aacute;ticas distintas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados e discuss&atilde;o</b></p>     <p>Os 10 artigos inclu&iacute;dos neste estudo distribu&iacute;ram-se da seguinte maneira em rela&ccedil;&atilde;o aos pa&iacute;ses de origem: seis do Reino Unido, dois dos Estados Unidos da Am&eacute;rica, um da Austr&aacute;lia e um da Espanha. Quanto &agrave; tipologia: quatro eram qualitativos, tr&ecirc;s quantitativos e tr&ecirc;s de revis&atilde;o da literatura.</p>     <p>Um importante aspecto revelado durante a an&aacute;lise dos estudos foi o fato de setenta por cento (70%) ter tido como participantes fam&iacute;lias de crian&ccedil;as que, al&eacute;m da gastrostomia, tamb&eacute;m eram portadoras de d&eacute;ficits neuromusculares, sobretudo decorrentes de paralisia cerebral, tendo a m&atilde;e como fornecedora principal dos dados nas pesquisas, por se tratar do principal cuidador. De acordo com a an&aacute;lise dos textos, os conte&uacute;dos das experi&ecirc;ncias similares encontradas foram agregados e, desta maneira, os resultados foram agrupados em quatro tem&aacute;ticas - o significado da alimenta&ccedil;&atilde;o para os pais, o desempenho do papel parental, a experi&ecirc;ncia da fam&iacute;lia na intera&ccedil;&atilde;o com a equipa de sa&uacute;de e a vida ap&oacute;s a gastrostomia - as quais direcionar&atilde;o a discuss&atilde;o do conhecimento produzido.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>O significado da alimenta&ccedil;&atilde;o para os pais</b></p>     <p>Os estudos evidenciaram a percep&ccedil;&atilde;o da alimenta&ccedil;&atilde;o oral e da gastrostomia em decorr&ecirc;ncia do significado sociocultural que os pais lhes atribu&iacute;ram. O ato de comer faz parte da vida quotidiana e visto como uma atividade social (Hunt, 2007). Os pais dos estudos analisados viam a hora da refei&ccedil;&atilde;o como um momento especial deles com os seus filhos, sendo fonte de v&iacute;nculo familiar (Petersen <i>et al</i>., 2006).</p>     <p>O prazer de comer foi um tema comum entre as fam&iacute;lias. Experimentar diferentes gostos e texturas era importante na vis&atilde;o deles, uma vez que privar a crian&ccedil;a desta gratifica&ccedil;&atilde;o chegou a ser verbalizado como uma crueldade (Morrow <i>et al</i>., 2008; Petersen <i>et al</i>., 2006; Rollins, 2006; Sleigh, 2005).</p>     <p>Experi&ecirc;ncias de fam&iacute;lias com crian&ccedil;as que t&ecirc;m paralisia cerebral ou outras desordens neuromusculares demonstraram a dificuldade das m&atilde;es em oferecer a alimenta&ccedil;&atilde;o por via oral, referindo-se &agrave; hora da refei&ccedil;&atilde;o como uma batalha ou uma guerra (Rollins, 2006). Nestes casos, a hora da refei&ccedil;&atilde;o exigia uma grande quantidade de tempo, porque as crian&ccedil;as recusavam a comida, tinham dificuldade para sugar ou engolir, engasgavam e/ou vomitavam ou aspiravam com frequ&ecirc;ncia (Craig e Scambler, 2006; Rollins, 2006; Sleigh, 2005). A exig&ecirc;ncia de tempo para a alimenta&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a que necessitava de cuidados especiais implicava menos tempo para outras atividades e para outros membros da fam&iacute;lia, inclusive para si mesmas (Morrow <i>et al</i>., 2008; Rollins, 2006). Isto era f&iacute;sica e emocionalmente stressante para essas m&atilde;es (Sleigh, 2005).</p>     <p>Observou-se que os discursos dos pais sobre alimenta&ccedil;&atilde;o s&atilde;o em alguns momentos ambivalentes, pois apesar do stress associado com a alimenta&ccedil;&atilde;o oral, fazendo dela uma hora dif&iacute;cil, tamb&eacute;m era experienciada como um momento especial e de brincadeira, j&aacute; que os pais ficavam mais pr&oacute;ximos da crian&ccedil;a e interagiam melhor com ela (Sleigh, 2005).</p>     <p>A realiza&ccedil;&atilde;o da gastrostomia representava perda de normalidade para a crian&ccedil;a pois, al&eacute;m de priv&aacute;-la do prazer de comer, tamb&eacute;m a privava da socializa&ccedil;&atilde;o associada com a refei&ccedil;&atilde;o (Craig e Scambler, 2006; Morrow <i>et al</i>., 2008; Petersen <i>et al</i>., 2006; Rollins, 2006; Sleigh, 2005). Portanto, a administra&ccedil;&atilde;o da comida por meio da gastrostomia era tida como impacto negativo na alimenta&ccedil;&atilde;o como atividade social. A gastrostomia &eacute; vista pela fam&iacute;lia como algo anormal ou antinatural em todos os estudos que abordaram a percep&ccedil;&atilde;o familiar sobre essa tecnologia.</p>     <p>Para alguns pais cujas crian&ccedil;as usavam sonda nasog&aacute;strica, a vis&atilde;o de que a gastrostomia poderia ser escondida representava uma forma mais discreta de alimenta&ccedil;&atilde;o e, portanto, era vista como uma vantagem do procedimento (Craig e Scambler, 2006). Em contrapartida, para algumas fam&iacute;lias a sonda nasog&aacute;strica era vista como algo tempor&aacute;rio, j&aacute; que poderia ser removida quando os pais desejassem, podendo normalizar a crian&ccedil;a, enquanto a gastrostomia era vista como algo permanente, como um elemento transformador da crian&ccedil;a, modificando a maneira como ela &eacute; reconhecida pelos outros e pelos pr&oacute;prios pais (Craig e Scambler, 2006; Petersen <i>et al</i> 2006), sendo percebida tamb&eacute;m como uma defici&ecirc;ncia adicional na crian&ccedil;a, que pode torn&aacute;-la ainda mais dependente de outras pessoas (Petersen <i>et al</i>., 2006).</p>     <p>Os estudos evidenciaram a ansiedade que as m&atilde;es t&ecirc;m em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; transforma&ccedil;&atilde;o e &agrave;s mudan&ccedil;as geradas pela gastrostomia (Craig e Scambler, 2006). Para determinadas fam&iacute;lias a gastrostomia significava que a crian&ccedil;a nunca iria se alimentar adequadamente, era uma confirma&ccedil;&atilde;o de que algo realmente estava errado e de que sua crian&ccedil;a tinha uma grave defici&ecirc;ncia (Petersen <i>et al</i>., 2006; Rollins, 2006;). Deste modo, o apego &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o oral, em decorr&ecirc;ncia do significado que ela e a gastrostomia t&ecirc;m para algumas fam&iacute;lias, pode explicar, em parte, a relut&acirc;ncia deles em aceitar a sugest&atilde;o da gastrostomia em algum momento da vida da crian&ccedil;a (Rollins, 2006).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O desempenho do papel parental</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>S&atilde;o relevantes os conflitos gerados na vida familiar e durante o processo de decis&atilde;o em raz&atilde;o do significado simb&oacute;lico da alimenta&ccedil;&atilde;o oral e da maternidade, em contraposi&ccedil;&atilde;o &agrave; gastrostomia como solu&ccedil;&atilde;o aos problemas alimentares da crian&ccedil;a. Na revis&atilde;o efetuada o papel parental relaciona-se a tr&ecirc;s dom&iacute;nios.</p>     <p>A maternidade: a decis&atilde;o de amamentar geralmente &eacute; tomada antes do nascimento da crian&ccedil;a (Nelas, Ferreira e Duarte, 2008), sendo assim, para as m&atilde;es cujas crian&ccedil;as tinham dificuldade para comer desde o in&iacute;cio, a maternidade envolvia o abandono de sonhos, como a amamenta&ccedil;&atilde;o (Brotherton, Abbott e Aggett, 2007; Sleigh, 2005). Antes da realiza&ccedil;&atilde;o da gastrostomia, a vida das m&atilde;es era consumida pela preocupa&ccedil;&atilde;o com o fornecimento de alimenta&ccedil;&atilde;o adequada para seus filhos, j&aacute; que se sentiam respons&aacute;veis pela sa&uacute;de da crian&ccedil;a, e ter um filho magro, com aspecto de doente, significava ser uma m&atilde;e negligente (Craig e Scambler, 2006). Elas descreveram um forte instinto maternal de alimentar a crian&ccedil;a oralmente, e essa ess&ecirc;ncia natural, de agir como uma m&atilde;e, fazia com que elas, apesar dos problemas associados com a alimenta&ccedil;&atilde;o oral, continuassem a alimentar a sua crian&ccedil;a de uma maneira normal, pela boca (Petersen <i>et al</i>., 2006; Sleigh, 2005). As m&atilde;es expressaram sentimento de culpa pelo crescimento insuficiente da crian&ccedil;a e pela necessidade da cirurgia, por terem falhado ou n&atilde;o se esfor&ccedil;ado para estabelecer a alimenta&ccedil;&atilde;o oral (Craig e Scambler, 2006; Morrow <i>et al</i>., 2008). Houve ainda relatos em que m&atilde;es alegaram sentir-se escravizadas, presas em casa, com a privacidade invadida e n&atilde;o possuindo um momento para elas mesmas, pois tamb&eacute;m tinham de administrar as necessidades de outros membros da fam&iacute;lia (Sleigh, 2005). Algumas delas sentiam-se desconfort&aacute;veis em alimentar a crian&ccedil;a em p&uacute;blico, tendo medo de repress&atilde;o. H&aacute; relatos demonstrando que consideram ser mais humilhante para elas alimentar a crian&ccedil;a pela boca do que por uma sonda, uma vez que tinham de for&ccedil;ar a crian&ccedil;a a comer. Para elas, uma m&atilde;e que tem de alimentar sua crian&ccedil;a usando for&ccedil;a &eacute; estigmatizada, criando um conflito no relacionamento idealizado entre m&atilde;e e filho (Craig e Scambler, 2006). Em alguns momentos as m&atilde;es sentiam-se frustradas, cansadas e atravessavam sentimentos de culpa e tristeza, sentindo-se s&oacute;s (Sleigh, 2005). Os problemas com a alimenta&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a, seja oralmente ou por um tubo, desafiam as narrativas culturais sobre a boa maternidade, ou seja, sobre o que &eacute; ser uma boa m&atilde;e (Craig e Scambler, 2006; Rollins, 2006). Quando uma m&atilde;e toma decis&otilde;es a respeito da alimenta&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a, ela f&aacute;-lo num contexto que inclui o que pensa que a crian&ccedil;a poderia aparentar, ou seja, a idealiza&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a, e o que pensa que poderia ser como m&atilde;e, a idealiza&ccedil;&atilde;o de m&atilde;e (Craig e Scambler, 2006).</p>     <p>Os relacionamentos: tanto para as m&atilde;es quanto para os pais, os problemas alimentares limitavam a participa&ccedil;&atilde;o na vida social. Muitos referiram ter perdido os seus amigos depois de ter uma crian&ccedil;a com defici&ecirc;ncia e relataram que a sua crian&ccedil;a era frequentemente exclu&iacute;da de eventos sociais ou atra&iacute;a aten&ccedil;&atilde;o negativa do p&uacute;blico (Morrow <i>et al</i>., 2008). Os efeitos dos problemas alimentares da crian&ccedil;a eram, portanto, sentidos por toda a fam&iacute;lia, com fatores emocionais adicionais para o casal. Pais e m&atilde;es relataram impacto negativo nos seus casamentos decorrente do stress associado com a alimenta&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de uma tens&atilde;o que se estendia aos outros membros da fam&iacute;lia em raz&atilde;o das diferen&ccedil;as de opini&otilde;es ou desaprova&ccedil;&atilde;o sobre o manejo de algumas escolhas. Os irm&atilde;os tamb&eacute;m eram afetados pelas dificuldades envolvidas na alimenta&ccedil;&atilde;o, o que gerou problemas de comportamento entre os irm&atilde;os da crian&ccedil;a doente (Morrow <i>et al</i>., 2008). A alimenta&ccedil;&atilde;o e a escolha do m&eacute;todo alimentar afetam muitos aspectos da vida familiar. As m&atilde;es apresentaram dificuldade em construir uma vida familiar normal. A vida tornava-se regrada &agrave;s horas de alimenta&ccedil;&atilde;o, fazendo com que a fam&iacute;lia n&atilde;o pudesse relaxar nem mesmo durante um passeio (Sleigh, 2005). Logo, as rotinas de alimenta&ccedil;&atilde;o podem dominar a vida familiar e trazer isolamento social para a fam&iacute;lia.</p>     <p>O processo de decis&atilde;o: estudos qualitativos descreveram o tumulto emocional pelo qual as fam&iacute;lias frequentemente passam quando se deparam com o momento de decidir se aceitar&atilde;o ou n&atilde;o a gastrostomia na sua crian&ccedil;a (Gunton- Bunn e McNee, 2009). Muitas s&atilde;o as preocupa&ccedil;&otilde;es e expetativas da fam&iacute;lia antes da realiza&ccedil;&atilde;o do procedimento (Craig e Scambler, 2006; Morrow <i>et al</i>., 2008; Wilson <i>et al</i>., 2010), tornando a decis&atilde;o sobre a inser&ccedil;&atilde;o da gastrostomia complexa, dif&iacute;cil e carregada de emo&ccedil;&otilde;es (Hunt, 2007; Rollins, 2006). Apesar dos esfor&ccedil;os empreendidos com a alimenta&ccedil;&atilde;o oral dominarem a vida das crian&ccedil;as e das fam&iacute;lias, para os familiares este problema nunca foi motivo suficiente para justificar uma interven&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica. A decis&atilde;o de consentir a gastrostomia gerava nos pais sentimentos de desapontamento e incapacidade, pois significava admitirem para si mesmos e para os outros que haviam falhado no papel parental (Craig e Scambler, 2006; Gunton- Bunn e McNee, 2009). A maioria dos pais resistiu inicialmente a recorrer &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o pela gastrostomia, sobretudo porque significava que estavam desistindo da alimenta&ccedil;&atilde;o oral e aceitando uma solu&ccedil;&atilde;o anormal (Petersen <i>et al</i>., 2006). Os pais queriam proteger a crian&ccedil;a de tratamentos e interven&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o fossem realmente necess&aacute;rios (Morrow <i>et al</i>., 2008). Os pais sentiam uma grande responsabilidade ao ter de consentir a realiza&ccedil;&atilde;o do procedimento (Craig e Scambler, 2006; Morrow <i>et al</i>., 2008), esperando ganhos e perdas com a introdu&ccedil;&atilde;o do dispositivo (Wilson <i>et al</i>., 2010). A falta de certeza sobre a efetividade da alimenta&ccedil;&atilde;o pela gastrostomia, ou seja, n&atilde;o saber se realmente se a crian&ccedil;a beneficiaria com ela, era um dos fatores que dificultava o processo de decis&atilde;o (Craig e Scambler, 2006). Em rela&ccedil;&atilde;o aos aspectos m&eacute;dico-cir&uacute;rgicos, os pais sentiam medo de que a crian&ccedil;a sofresse e de que algo pudesse dar errado com o procedimento no que dizia respeito &agrave; anestesia, dor e apar&ecirc;ncia f&iacute;sica do tubo (Morrow <i>et al</i>., 2008). No entanto, n&atilde;o foram relatadas preocupa&ccedil;&otilde;es apenas em rela&ccedil;&atilde;o ao procedimento t&eacute;cnico em si, mas tamb&eacute;m com o aspecto social, ou seja, como a gastrostomia se ajustaria no quotidiano da crian&ccedil;a e da fam&iacute;lia, as mudan&ccedil;as no estilo de vida e as consequ&ecirc;ncias emocionais associadas com a inser&ccedil;&atilde;o do dispositivo (Sleigh, 2005). Pais que n&atilde;o suportavam a ideia de uma gastrostomia apresentavam subjacente a esta oposi&ccedil;&atilde;o medo do estigma associado &agrave; gastrostomia que, por consequ&ecirc;ncia, poderia levar &agrave; marginaliza&ccedil;&atilde;o, aumento de discrimina&ccedil;&atilde;o e isolamento da crian&ccedil;a (Petersen <i>et al</i>., 2006; Sleigh, 2005). Discutiu-se tamb&eacute;m a preocupa&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a se tornar dependente da gastrostomia e perder, ou falhar em adquirir, habilidades para se alimentar oralmente. Isto demonstra a esperan&ccedil;a da fam&iacute;lia de que em algum momento no futuro a crian&ccedil;a pudesse alimentar-se normalmente, e que a gastrostomia fosse somente uma medida tempor&aacute;ria (Craig e Scambler, 2006; Petersen <i>et al</i>., 2006). Muitos acreditavam que a alimenta&ccedil;&atilde;o oral seria proibida ap&oacute;s aceitarem a gastrostomia (Rollins, 2006). Durante o processo de decis&atilde;o alguns familiares sentiram que n&atilde;o participaram ativamente dessa etapa (Mart&iacute;nez-Costa <i>et al</i>., 2011), com m&atilde;es referindo n&atilde;o terem sido apoiadas e sentindo-se pressionadas, tanto pelos membros da fam&iacute;lia como pelos pr&oacute;prios profissionais de sa&uacute;de a aceitar o procedimento (Morrow et al., 2008). Para ajudar no processo de decis&atilde;o, muitas fam&iacute;lias relataram necessidade de conversar com familiares de outras crian&ccedil;as que j&aacute; haviam passado pelo procedimento anteriormente, pois queriam saber de suas experi&ecirc;ncias positivas e negativas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; gastrostomia (Morrow <i>et al</i>., 2008).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A experi&ecirc;ncia da fam&iacute;lia na intera&ccedil;&atilde;o com a equipa de sa&uacute;de</b></p>     <p>A qualidade do relacionamento que se estabelece com o sistema de sa&uacute;de e os sentimentos e emo&ccedil;&otilde;es que esta intera&ccedil;&atilde;o gera nos pais &eacute; outro aspeto do conhecimento dispon&iacute;vel. Alguns pais mencionaram experi&ecirc;ncias positivas (Mart&iacute;nez-Costa <i>et al</i>., 2011), por&eacute;m a maioria relatou experi&ecirc;ncias negativas na comunica&ccedil;&atilde;o com a equipa (Morrow <i>et al</i>., 2008).</p>     <p>As conversas e intera&ccedil;&otilde;es de pais com os profissionais de sa&uacute;de tinham prejudicado o senso de compet&ecirc;ncia parental antes de o problema ser confirmado, levando-os a acreditar que os profissionais estavam a faz&ecirc;-los sentir-se culpados e envergonhados pela condi&ccedil;&atilde;o nutricional da crian&ccedil;a (Morrow <i>et al</i>., 2008). Al&eacute;m disso, em alguns casos, os profissionais n&atilde;o apreciavam o esfor&ccedil;o dos pais em fornecer a alimenta&ccedil;&atilde;o oralmente (Sleigh, 2005).</p>     <p>As fam&iacute;lias descreveram que as suas opini&otilde;es n&atilde;o eram consideradas importantes pelos profissionais, com sentimentos de raiva, desmoraliza&ccedil;&atilde;o e frustra&ccedil;&atilde;o emergindo dos encontros com aqueles, j&aacute; que n&atilde;o se sentiam ouvidos (Morrow <i>et al</i>., 2008; Sleigh, 2005).</p>     <p>Os pais identificaram a falta de informa&ccedil;&atilde;o por parte dos profissionais e julgaram que as informa&ccedil;&otilde;es dadas tinham sido inadequadas (Morrow <i>et al</i>., 2008).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na percep&ccedil;&atilde;o materna, aquelas que n&atilde;o estavam de acordo com a sugest&atilde;o dos profissionais de aceitar o procedimento para a realiza&ccedil;&atilde;o da gastrostomia, eram vistas como m&aacute;s m&atilde;es, sendo marginalizadas por eles, ao passo que aquelas que aceitavam o procedimento eram vistas como m&atilde;es civilizadas, pois estavam fazendo a escolha certa (Craig e Scambler, 2006). Para os pais, a equipa escolhia uma abordagem cl&iacute;nica sem considerar a experi&ecirc;ncia de vida das fam&iacute;lias (Morrow <i>et al</i>., 2008).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A vida ap&oacute;s a gastrostomia</b></p>     <p>As avalia&ccedil;&otilde;es que a fam&iacute;lia faz da sua vida e da vida da crian&ccedil;a ap&oacute;s a realiza&ccedil;&atilde;o da gastrostomia tamb&eacute;m comp&otilde;em a experi&ecirc;ncia. As vis&otilde;es das fam&iacute;lias s&atilde;o bem diferentes. A percep&ccedil;&atilde;o de que a cirurgia foi um sucesso depende das circunst&acirc;ncias pessoais da fam&iacute;lia e da crian&ccedil;a, incluindo o diagn&oacute;stico, o progn&oacute;stico e, ainda, o suporte dispon&iacute;vel dos membros da fam&iacute;lia e do sistema de sa&uacute;de.</p>     <p>Ap&oacute;s a realiza&ccedil;&atilde;o da gastrostomia, a maioria das m&atilde;es sentiu al&iacute;vio, visto que houve mudan&ccedil;as positivas na vida da crian&ccedil;a e nas suas pr&oacute;prias vidas (Mart&iacute;nez-Costa <i>et al</i>., 2011). A melhora na qualidade de vida dos cuidadores de crian&ccedil;as com gastrostomia &eacute; explicada por: maior facilidade para administrar medicamentos, diminui&ccedil;&atilde;o da preocupa&ccedil;&atilde;o referente &agrave; condi&ccedil;&atilde;o nutricional da crian&ccedil;a e redu&ccedil;&atilde;o nas horas gastas com alimenta&ccedil;&atilde;o, significando mais tempo para outros membros da fam&iacute;lia (Mart&iacute;nez-Costa <i>et al</i>., 2011; Morrow <i>et al</i>., 2008; Petersen <i>et al</i>., 2006; Rollins, 2006; Sleigh, 2005; Wilson <i>et al</i>., 2010). Em contrapartida, outros estudos demonstraram o impacto negativo que a gastrostomia trouxe para a vida familiar, como a alimenta&ccedil;&atilde;o pela gastrostomia continuar a consumir muito tempo do cuidador, resultando em cansa&ccedil;o e perturba&ccedil;&atilde;o do sono (Brotherton, Abbott e Aggett, 2007).</p>     <p>Uma grande insatisfa&ccedil;&atilde;o estava relacionada com a anormalidade deste m&eacute;todo de alimenta&ccedil;&atilde;o, levando a fam&iacute;lia a isolar-se para alimentar a crian&ccedil;a quando se encontrava em locais p&uacute;blicos, visando evitar rea&ccedil;&otilde;es desagrad&aacute;veis dos outros (Brotherton, Abbott e Aggett, 2007; Sleigh, 2005). M&atilde;es e pais falaram sobre as rea&ccedil;&otilde;es negativas do p&uacute;blico percebidas por eles (Brotherton, Abbott e Aggett, 2007; Craig e Scambler, 2006), geralmente em forma de olhar hostil ou questionamentos desagrad&aacute;veis ou inoportunos sobre a gastrostomia (Craig e Scambler, 2006).</p>     <p>Aqueles que tinham experi&ecirc;ncias negativas descreveram outras complica&ccedil;&otilde;es que consideravam inaceit&aacute;veis, tais como acompanhamento profissional e recursos insuficientes, deteriora&ccedil;&atilde;o na sa&uacute;de da crian&ccedil;a e na socializa&ccedil;&atilde;o (Morrow <i>et al</i>., 2008). Muitos pais sentiam que o equipamento restringia a capacidade da crian&ccedil;a de participar nas atividades em fam&iacute;lia, levando os pais a sentirem-se isolados de outros membros familiares, limitando a possibilidade de a fam&iacute;lia sair para passeios ou tirar f&eacute;rias. A gastrostomia tamb&eacute;m causou impacto negativo dentro do sistema familiar, interferindo no relacionamento do casal, com conflito entre os c&ocirc;njuges, e no relacionamento dos pais com outros filhos (Brotherton, Abbott e Aggett, 2007).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>A revis&atilde;o realizada indica que a experi&ecirc;ncia das fam&iacute;lias de crian&ccedil;as gastrostomizadas &eacute; composta por diversos desafios e transforma&ccedil;&otilde;es, que envolvem o manejo do dispositivo, o relacionamento com a crian&ccedil;a, com os demais membros da fam&iacute;lia, profissionais de sa&uacute;de e entre os pr&oacute;prios pais.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Antes e ap&oacute;s a realiza&ccedil;&atilde;o da gastrostomia na crian&ccedil;a, as fam&iacute;lias vivenciam abalos na sua din&acirc;mica. As repercuss&otilde;es geradas afetam o relacionamento entre os membros da fam&iacute;lia e da fam&iacute;lia com a sociedade. As altera&ccedil;&otilde;es no funcionamento psicossocial v&ecirc;m acompanhadas de intenso sofrimento, j&aacute; que a fam&iacute;lia nem sempre consegue manej&aacute;-las.</p>     <p>A an&aacute;lise realizada aponta para importantes implica&ccedil;&otilde;es para a pr&aacute;tica e a pesquisa em enfermagem em rela&ccedil;&atilde;o ao tema, sobretudo porque fam&iacute;lia e equipa de sa&uacute;de possuem diferentes perce&ccedil;&otilde;es sobre a realiza&ccedil;&atilde;o de gastrostomia na crian&ccedil;a. A fam&iacute;lia carece de apoio e informa&ccedil;&otilde;es por parte da equipa de sa&uacute;de, necessitando tamb&eacute;m de um relacionamento em que os desafios, temores e inquieta&ccedil;&otilde;es sejam considerados em todo o curso da experi&ecirc;ncia.</p>     <p>Os enfermeiros encontram-se em posi&ccedil;&atilde;o privilegiada para o cuidado da fam&iacute;lia que vive a experi&ecirc;ncia de cuidar de uma crian&ccedil;a com gastrostomia, e podem construir relacionamentos colaborativos, ultrapassando o treino para manejar o dispositivo da gastrostomia, e passando a considerar e incorporar a experi&ecirc;ncia vivida pela fam&iacute;lia &agrave; assist&ecirc;ncia de enfermagem.</p>     <p>As interven&ccedil;&otilde;es de enfermagem com fam&iacute;lias devem ser iniciadas nos primeiros contatos, ao procurar conhecer quem &eacute; a fam&iacute;lia e quais s&atilde;o as suas percep&ccedil;&otilde;es sobre a experi&ecirc;ncia. Devem ser considerados pelo profissional, temas importantes nas intera&ccedil;&otilde;es com as fam&iacute;lias: d&uacute;vidas, temores, inseguran&ccedil;as em rela&ccedil;&atilde;o ao papel de pai e m&atilde;e, processo de tomada de decis&atilde;o, no qual a fam&iacute;lia deve ser inclu&iacute;da, tendo em conta o ajustamento da nova condi&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a, gastrostomizada ao quotidiano da fam&iacute;lia.</p>     <p>Assim sendo, as evid&ecirc;ncias trazidas por esta revis&atilde;o trazem implica&ccedil;&otilde;es para a pr&aacute;tica assistencial, direcionando as conversas e as interven&ccedil;&otilde;es de acordo com as ansiedades, ang&uacute;stias e necessidades referidas por elas. Isto, sem d&uacute;vida, prover&aacute; acolhimento e favorecer&aacute; n&atilde;o s&oacute; a rela&ccedil;&atilde;o entre a equipa e a fam&iacute;lia, como tamb&eacute;m ajudar&aacute; a fam&iacute;lia a enfrentar esta situa&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;a a curto e longo prazo.</p>     <p>Esta revis&atilde;o de literatura indica a necessidade da realiza&ccedil;&atilde;o de pesquisas destinadas &agrave; amplia&ccedil;&atilde;o do conhecimento em diferentes contextos geogr&aacute;ficos e culturais, incluindo o desenvolvimento de interven&ccedil;&otilde;es apropriadas aos problemas identificados. &Eacute; o momento de procurar compreender a experi&ecirc;ncia de fam&iacute;lias que vivem em contextos socioecon&oacute;micos e culturais diferentes daquelas dos estudos analisados, para possibilitar compara&ccedil;&otilde;es sistem&aacute;ticas das experi&ecirc;ncias e o cuidado &agrave;s fam&iacute;lias sustentado por evid&ecirc;ncias apropriadas &agrave; realidade vivida por elas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <p>ANGELO, Margareth (1999) - Abrir-se para a fam&iacute;lia: superando desafios. Fam&iacute;lia, Sa&uacute;de e Desenvolvimento. Vol. 1, n&ordm; 1/2, p. 7-14.</p>     <p>BROTHERTON, Alisa M. ; ABBOTT, Janice ; AGGETT, Peter J. (2007) – The impact of percutaneous endoscopic gastrostomy feeding in children: the parental perspective. Child: care, health and development. Vol. 33, n&ordm; 5, p. 539-546.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>CRAIG, Gillian M. ; SCAMBLER, Graham (2006) - Negotiating mothering against the odds: gastrostomy tube feeding, stigma, governmentality and disable children. Social Science and Medicine. Vol. 62, n&ordm; 5, p.1115-1125.</p>     <p>DAMI&Atilde;O, Elaine B. C. D. ; ANGELO, Margareth (2001) - A experi&ecirc;ncia da fam&iacute;lia ao conviver com a doen&ccedil;a cr&ocirc;nica da crian&ccedil;a. Revista da Escola de Enfermagem da USP. Vol. 35, n&ordm; 1, p. 66-71.</p>     <p>FRACOLLI, Rosemary Aparecida ; ANGELO, Margareth (2006) - A experi&ecirc;ncia da fam&iacute;lia que possui uma crian&ccedil;a dependente de tecnologia. Revista Mineira de Enfermagem. Vol. 10, n&ordm; 2, p. 125-131.</p>     <p>GUNTON-BUNN, Chloe ; MCNEE, Peter (2009) – Psychosocial implications of gastrostomy placement. Paediatric Nursing. Vol. 21, n&ordm; 7, p. 28-31.</p>     <p>HUNT, Felicity (2007) - Changing from oral to enteral feeding: impact on families of children with disabilities. Paediatric Nursing. Vol. 19, n&ordm; 7, p. 30-32.</p>     <p>MART&Iacute;NEZ-COSTA, C. [et al.] (2011) – Early decision of gastrostomy tube insertion in children with severe developmental disability: a current dilemma. Journal of Human Nutrition and Dietetics. Vol. 24, n&ordm; 2, p. 115-121.</p>     <p>MORROW, Angie M. [et al.] (2008) - Different priorities: a comparison of parents’ and health professionals’ perceptions of quality of life in quadriplegic cerebral palsy. Archives of Disease in Childhood. Vol. 93, n&ordm; 2, p. 119-125.</p>     <p>NELAS, Paula A. ; FERREIRA, Manuela ; DUARTE, Jo&atilde;o C. (2008) - Motiva&ccedil;&atilde;o para a amamenta&ccedil;&atilde;o: constru&ccedil;&atilde;o de um instrumento de medida. Revista de Enfermagem Refer&ecirc;ncia. S&eacute;rie 2, no 6, p. 39-56.</p>     <p>PETERSEN, Mario C. [et al.] (2006) – Eating and feeding are not the same: caregivers&acute; perceptions of gastrostomy feeding for children with cerebral palsy. Developmental Medicine and Child Neurology. Vol. 48, n&ordm; 9, p. 713-717.</p>     <p>ROLLINS, Hazel (2006) - The psychosocial impact on parents of tube feeding their child. Paediatric Nursing. Vol. 18, n&ordm; 4, p. 19-22.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>ROUSE, Lindsey [et al.] (2002) - Feeding problems, gastrostomy and families: a qualitative pilot study. British Journal of Learning Disabilities. Vol. 30, n&ordm; 3, p. 122-128.</p>     <p>SLEIGH, Gillian (2005) - Mothers’ voice: a qualitative study on feeding children with cerebral palsy. Child: care, health and development. Vol. 31, n&ordm; 4, p. 373-383.</p>     <p>WILSON, Melissa [et al.] (2010) – Critical analysis of caregiver perceptions regarding gastrostomy tube placement. Pediatrics International. Vol. 52, n&ordm; 1, p. 20-25.</p>     <p>WRIGHT, Lorraine M. ; BELL, Janice M. (2009) - Beliefs and illness: a model for healing. Calgary : 4th Floor press.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido para publica&ccedil;&atilde;o em: 19.01.12</p>     <p>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em: 05.09.12</p> 		      ]]></body><back>
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