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<publisher-name><![CDATA[Escola Superior de Enfermagem de Coimbra - Unidade de Investigação em Ciências da Saúde - Enfermagem]]></publisher-name>
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<article-id pub-id-type="doi">10.12707/RIII1283</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Experiências dos familiares no processo de adaptação à doença oncológica na criança]]></article-title>
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<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Experiencias de las familias en el proceso de adaptación a la enfermedad oncológica en los niños]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil do Porto  ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Family adaptation to a child’s oncological cancer is an extremely complex process which requires the family to acquire new fundamental abilities and to rearrange their lifestyle. The goal of this study was to make a contribution towards better-quality pediatric nursing, by including family members as effective partners in care-giving. A quantitative descriptive study was carried out, involving administration of the following data collection instruments: Structured Interview; Family Adaptability and Cohesion Evaluation Scale II (FACES II); Inventário de Respostas à Doença nos Filhos (IRDF - inventory of Responses to the Illness of the Children); and the Inventário sobre a Perceção da Relação Enfermeiro-Pais (IPREP - Inventory of Responses of the Nurse-Parent Relationship). A sample of 130 relatives of children with oncological disease participated in this study. The results indicate that family members perceived their family as being united, flexible and moderately balanced. They demonstrated good organization in the face of disease, expressing less intensely attitudes of disbelief than states of depression. The family valued nursing care, especially with regard to child-centered care and communication. Knowing the experiences of family members of children with oncological illness helps nurses to identify the family’s needs and difficulties and to identify intervention strategies to help families adapt to oncological illness in the child.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[La adaptación de la familia a la enfermedad oncológica deen los niños es un proceso complejo que requiere que la familiaesta para la adquisicióeran de competencias y la renremodele suovación del estilo de vida. La finalidad de este estudio es contribuir a mejorar la calidad de los cuidados de enfermería pediátrica, incluyendo a la familia como colaboradoraes eficazces en la prestación de los mismos. Partimos de un estudio descriptivo de naturaleza cuantitativa y, utilizamosndo para ello los siguientes instrumentos depara recogida deer los datos; entrevista estructurada, Family Adaptability and Cohesion Evaluation Scale II (FACES II); Inventário de Respostas à Doença nos Filhos (IRDF); ey, Inventário sobre a Perceção da Relação Enfermeiro-Pais (IPREP). En el estudio participaronan 130 familiares de niños con enfermedades oncológicas. Los resultados obtenidos indicaronn que los familiares sintieron a su familia vinculada, muy flexible y moderadamente equilibrada. Del mismo modo, mostraron eEvidencias deron una buena organización frente a la enfermedad, con menos intensidad que expresando con menor intensidad actitudes de incredulidad en contraste con estados de depresión. Los familiares valoraron los cuidados de enfermería, especialmente en lo que respecta a la atención centrada en el niño y la comunicación. Conocer las experiencias de los familiares de niños con enfermedades oncológicas permite a los enfermos identificar las necesidades y dificultades de la familia, y definir así las estrategias de intervención para adaptarse a la la enfermedad oncológica de los niños.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[família]]></kwd>
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<kwd lng="es"><![CDATA[enfermería comunitaria]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Experi&ecirc;ncias dos familiares no processo de adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; doen&ccedil;a oncol&oacute;gica na crian&ccedil;a</b></p>     <p><b>Experiences of families in the process of adaptation to Cancer in children</b></p>     <p><b>Experiencias de las familias en el proceso de adaptaci&oacute;n a la enfermedad oncol&oacute;gica en los ni&ntilde;os</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>C&aacute;tia Queiroga dos Santos</b><a href="#a1">*</a><a name="topa1"></a> ; <b>Maria do C&eacute;u Barbieri Figueiredo</b><a href="#a2">**</a><a name="topa2"></a></p>     <p><a href="#topa1">*</a><a name="a1"></a> Enfermeira, IPO-Porto. Mestre em Oncologia pelo ICBAS da Universidade do Porto. Especialista em Enfermagem de Sa&uacute;de Infantil e Pedi&aacute;trica [<a href="mailto:catia.queiroga.santos@gmail.com">catia.queiroga.santos@gmail.com</a>].</p>     <p><a href="#topa2">**</a><a name="a2"></a> Professora Coordenadora, Escola Superior de Enfermagem do Porto. Doutora em Ci&ecirc;ncias de Enfermagem. Mestre em Enfermagem e Educa&ccedil;&atilde;o. Especialista em Enfermagem de Sa&uacute;de Infantil e Pedi&aacute;trica [<a href="mailto:ceubarbieri@esenf.pt">ceubarbieri@esenf.pt</a>].</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resumo</b></p>     <p>A adapta&ccedil;&atilde;o familiar &agrave; doen&ccedil;a oncol&oacute;gica na crian&ccedil;a constitui um processo complexo que exige da fam&iacute;lia a aquisi&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias fundamentais e a remodela&ccedil;&atilde;o do estilo de vida.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este estudo tem como finalidade contribuir para a melhoria da qualidade dos cuidados de enfermagem pedi&aacute;tricos, tendo a fam&iacute;lia como parceiros efetivos na presta&ccedil;&atilde;o dos mesmos. Trata-se de um estudo descritivo de natureza quantitativa, com a aplica&ccedil;&atilde;o dos seguintes instrumentos de colheita de dados: Entrevista Estruturada; <i>Family Adaptability and Cohesion Evaluation Scale II</i> (FACES II); Invent&aacute;rio de Respostas &agrave; Doen&ccedil;a nos Filhos (IRDF); e, Invent&aacute;rio sobre a Perce&ccedil;&atilde;o da Rela&ccedil;&atilde;o Enfermeiro-Pais (IPREP). No estudo participaram 130 familiares de crian&ccedil;as com doen&ccedil;a oncol&oacute;gica.</p>     <p>Os resultados encontrados indicam que os familiares percecionaram a sua fam&iacute;lia como ligada, muito flex&iacute;vel e moderadamente equilibrada. Revelaram boa organiza&ccedil;&atilde;o face &agrave; doen&ccedil;a, expressando com menor intensidade atitudes de descren&ccedil;a em contrapartida com estados de depress&atilde;o. Os familiares valorizaram os cuidados de enfermagem, sobretudo os cuidados orientados para a crian&ccedil;a e a comunica&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Conhecer as experi&ecirc;ncias dos familiares de crian&ccedil;as com doen&ccedil;a oncol&oacute;gica permite que os enfermeiros identifiquem as necessidades e dificuldades da fam&iacute;lia e assim definir estrat&eacute;gias de interven&ccedil;&atilde;o no sentido da adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; doen&ccedil;a oncol&oacute;gica na crian&ccedil;a.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: fam&iacute;lia; neoplasias; crian&ccedil;a; enfermagem familiar.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Abstract</b></p>     <p>Family adaptation to a child’s oncological cancer is an extremely complex process which requires the family to acquire new fundamental abilities and to rearrange their lifestyle.</p>     <p>The goal of this study was to make a contribution towards better-quality pediatric nursing, by including family members as effective partners in care-giving. A quantitative descriptive study was carried out, involving administration of the following data collection instruments: Structured Interview; Family Adaptability and Cohesion Evaluation Scale II (FACES II); Invent&aacute;rio de Respostas &agrave; Doen&ccedil;a nos Filhos (IRDF – inventory of Responses to the Illness of the Children); and the Invent&aacute;rio sobre a Perce&ccedil;&atilde;o da Rela&ccedil;&atilde;o Enfermeiro-Pais (IPREP – Inventory of Responses of the Nurse-Parent Relationship). A sample of 130 relatives of children with oncological disease participated in this study.</p>     <p>The results indicate that family members perceived their family as being united, flexible and moderately balanced. They demonstrated good organization in the face of disease, expressing less intensely attitudes of disbelief than states of depression. The family valued nursing care, especially with regard to child-centered care and communication.</p>     <p>Knowing the experiences of family members of children with oncological illness helps nurses to identify the family’s needs and difficulties and to identify intervention strategies to help families adapt to oncological illness in the child.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Keywords</b>: family; cancer; child; family nursing.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resumen</b></p>     <p>La adaptaci&oacute;n de la familia a la enfermedad oncol&oacute;gica deen los ni&ntilde;os es un proceso complejo que requiere que la familiaesta para la adquisici&oacute;eran de competencias y la renremodele suovaci&oacute;n del estilo de vida.</p>     <p>La finalidad de este estudio es contribuir a mejorar la calidad de los cuidados de enfermer&iacute;a pedi&aacute;trica, incluyendo a la familia como colaboradoraes eficazces en la prestaci&oacute;n de los mismos. Partimos de un estudio descriptivo de naturaleza cuantitativa y, utilizamosndo para ello los siguientes instrumentos depara recogida deer los datos; entrevista estructurada, Family Adaptability and Cohesion Evaluation Scale II (FACES II); Invent&aacute;rio de Respostas &agrave; Doen&ccedil;a nos Filhos (IRDF); ey, Invent&aacute;rio sobre a Perce&ccedil;&atilde;o da Rela&ccedil;&atilde;o Enfermeiro-Pais (IPREP). En el estudio participaronan 130 familiares de ni&ntilde;os con enfermedades oncol&oacute;gicas.</p>     <p>Los resultados obtenidos indicaronn que los familiares sintieron a su familia vinculada, muy flexible y moderadamente equilibrada. Del mismo modo, mostraron eEvidencias deron una buena organizaci&oacute;n frente a la enfermedad, con menos intensidad que expresando con menor intensidad actitudes de incredulidad en contraste con estados de depresi&oacute;n. Los familiares valoraron los cuidados de enfermer&iacute;a, especialmente en lo que respecta a la atenci&oacute;n centrada en el ni&ntilde;o y la comunicaci&oacute;n.</p>     <p>Conocer las experiencias de los familiares de ni&ntilde;os con enfermedades oncol&oacute;gicas permite a los enfermos identificar las necesidades y dificultades de la familia, y definir as&iacute; las estrategias de intervenci&oacute;n para adaptarse a la la enfermedad oncol&oacute;gica de los ni&ntilde;os.</p>     <p><b>Palabras clave</b>: familia; neoplasias; ni&ntilde;o; enfermer&iacute;a comunitaria.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Atualmente, o cancro constitui um dos principais problemas de sa&uacute;de p&uacute;blica. As a&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de p&uacute;blica de combate ao cancro incluem o espectro da preven&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria, preven&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria, tratamento, cuidados paliativos e visam a diminui&ccedil;&atilde;o da morbilidade por cancro e a melhoria da qualidade de vida dos doentes e seus familiares.</p>     <p>H&aacute; cerca de duas d&eacute;cadas, o cancro infantil era considerado uma doen&ccedil;a aguda e de evolu&ccedil;&atilde;o invariavelmente fatal. Presentemente &eacute; entendida como uma doen&ccedil;a cr&oacute;nica e com perspetiva de cura em grande n&uacute;mero de casos pois ? dos cancros infantis podem ser considerados cur&aacute;veis, caso o diagn&oacute;stico seja precoce e preciso e a terap&ecirc;utica institu&iacute;da adequada (Lissauer e Clayden, 2009).</p>     <p>A doen&ccedil;a oncol&oacute;gica na crian&ccedil;a &eacute; sempre um acontecimento inesperado e devastador para as pessoas que lhe s&atilde;o pr&oacute;ximas. A comunica&ccedil;&atilde;o do diagn&oacute;stico marca o in&iacute;cio de uma experi&ecirc;ncia n&atilde;o desejada e nunca programada. Esta doen&ccedil;a tem particularidades capazes de desencadear mudan&ccedil;as permanentes e profundas na fam&iacute;lia que experimenta esta condi&ccedil;&atilde;o. A viv&ecirc;ncia desta situa&ccedil;&atilde;o representa um longo e imprevis&iacute;vel percurso.</p>     <p>A enfermagem de fam&iacute;lia tem vindo a desenvolver-se como foco espec&iacute;fico da pr&aacute;tica de enfermagem que perpassa as v&aacute;rias especialidades da disciplina. Segundo Wright e Leahey (2009), a enfermagem de fam&iacute;lia emerge, assim, como os cuidados de enfermagem, na sa&uacute;de e na doen&ccedil;a, com &ecirc;nfase nas respostas da fam&iacute;lia aos problemas de sa&uacute;de reais ou potenciais.</p>     <p>Este trabalho surge assim como uma resposta &agrave; necessidade de estudos centrados na fam&iacute;lia e na enfermagem. &Eacute; essencial desenvolver estudos sistem&aacute;ticos sobre o comportamento das fam&iacute;lias nos diferentes contextos de cuidados e o modo como os enfermeiros podem trabalhar com esta importante unidade b&aacute;sica da sociedade dentro do sistema de cuidados de sa&uacute;de.</p>     <p>Al&eacute;m disso, este trabalho sobrev&eacute;m como corol&aacute;rio das reflex&otilde;es que a pr&aacute;tica proporcionou ao longo dos anos no sentido de colmatar um aspeto importante na assist&ecirc;ncia &agrave; crian&ccedil;a com doen&ccedil;a oncol&oacute;gica. A an&aacute;lise dos resultados desta investiga&ccedil;&atilde;o permitir&aacute; contribuir para a possibilidade de orientar a presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de, em particular no apoio aos familiares em situa&ccedil;&atilde;o de maior vulnerabilidade e com maiores dificuldades para lidarem com a situa&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;a da crian&ccedil;a.</p>     <p>Neste sentido, propomo-nos realizar um estudo de investiga&ccedil;&atilde;o sobre a adapta&ccedil;&atilde;o familiar &agrave; doen&ccedil;a oncol&oacute;gica na crian&ccedil;a, tendo como finalidade descrever as experi&ecirc;ncias dos familiares no seu processo de adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; doen&ccedil;a oncol&oacute;gica na crian&ccedil;a e, deste modo, contribuir para a melhoria da qualidade dos cuidados de enfermagem pedi&aacute;tricos, tendo a fam&iacute;lia como parceiros efetivos na presta&ccedil;&atilde;o dos mesmos.</p>     <p>Nesta sequ&ecirc;ncia, pretendemos responder aos seguintes objetivos: avaliar o funcionamento familiar durante o processo de adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; doen&ccedil;a oncol&oacute;gica na crian&ccedil;a; analisar as dificuldades experienciadas pelos familiares durante o processo de adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; doen&ccedil;a oncol&oacute;gica na crian&ccedil;a; analisar os pedidos em cuidados de enfermagem dos familiares durante o processo de adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; doen&ccedil;a oncol&oacute;gica na crian&ccedil;a.</p>     <p>O nosso estudo desenvolve-se &agrave; luz do quadro de refer&ecirc;ncia te&oacute;rico da Teoria Sist&eacute;mica da Fam&iacute;lia, Modelo ABC-X do Stresse Familiar e do Modelo de Parceiros nos Cuidados. A Teoria Sist&eacute;mica da Fam&iacute;lia concebe cada fam&iacute;lia como um sistema, um todo, uma globalidade que a torna una e &uacute;nica. O Modelo ABC-X do Stresse Familiar explica como as fam&iacute;lias reagem aos eventos stressantes e sugere fatores que promovam a adapta&ccedil;&atilde;o ao stresse. O Modelo de Parceiros nos Cuidados tem como filosofia de base os cuidados centrados na fam&iacute;lia, uma vez que, segundo a autora, Casey (2006), os pais s&atilde;o os melhores prestadores de cuidados &agrave; crian&ccedil;a.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Enquadramento te&oacute;rico</b></p>     <p>Em todo o mundo, em 2008, estima-se que tenham ocorrido 175.058 novos casos de cancro em crian&ccedil;as com menos de 15 anos de idade, correspondendo a uma taxa de incid&ecirc;ncia de 94 por 1.000.000, e 96.439 ter&atilde;o falecido por esta doen&ccedil;a, equivalendo a uma taxa de mortalidade de 52 por 1.000.000 (International Agency for Research on Cancer, 2008).</p>     <p>Em Portugal, em 2005, o n&uacute;mero estimado de novos casos de cancro no grupo et&aacute;rio das crian&ccedil;as com menos de 15 anos foi de 258, correspondendo a 0,67% do total de tumores diagnosticados nesse ano e uma taxa de incid&ecirc;ncia de 156,9 por 1.000.000 (Instituto Portugu&ecirc;s de Oncologia de Francisco Gentil, 2009).</p>     <p>Na Regi&atilde;o Norte de Portugal, entre 1997 e 2006, foram diagnosticados 845 novos casos de tumores em crian&ccedil;as com menos de 15 anos. Destes, 475 casos (56,2%) ocorreram em crian&ccedil;as do sexo masculino. O grupo et&aacute;rio com maior incid&ecirc;ncia foi o grupo 1 – 4 anos. A taxa de incid&ecirc;ncia bruta global, no per&iacute;odo considerado, foi de 150,5 novos casos por 1.000.000 crian&ccedil;as-ano (rapazes: 164,9 e raparigas: 135,3). Os tr&ecirc;s principais tipos de tumores foram leucemias (27%), tumores do sistema nervoso central (22%) e linfomas (14%). A sobreviv&ecirc;ncia global a 5 anos foi de 76,6% (75,3% para rapazes e 78,3% para raparigas) (Registo Oncol&oacute;gico Regional do Norte, 2011).</p>     <p>Apesar dos progressos verificados no dom&iacute;nio dos saberes da doen&ccedil;a oncol&oacute;gica pedi&aacute;trica, quer ao n&iacute;vel da sua etiologia e tratamento, quer ao n&iacute;vel do seu comportamento psicossocial, o cancro infantil foi a principal causa de morte por doen&ccedil;a em crian&ccedil;as entre os 5-14 anos de idade no per&iacute;odo de 2003-2005 (Portugal. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Alto Comissariado da Sa&uacute;de, 2008).</p>     <p>Respons&aacute;vel por profundas altera&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas, emocionais e psicol&oacute;gicas, o cancro &eacute; uma doen&ccedil;a com grande impacto na vida e na din&acirc;mica do indiv&iacute;duo, da fam&iacute;lia e da pr&oacute;pria sociedade.</p>     <p>Pela carga negativa que acarreta, a aceita&ccedil;&atilde;o de um diagn&oacute;stico de cancro abala todos os intervenientes, desde o doente &agrave; sua fam&iacute;lia, devido &agrave; presen&ccedil;a constante do medo, do sofrimento e da morte. E se esta doen&ccedil;a &eacute; temida em qualquer idade, ela &eacute; encarada na crian&ccedil;a de uma forma mais dram&aacute;tica, pelo potencial de vida que esta representa.</p>     <p>A crian&ccedil;a com doen&ccedil;a oncol&oacute;gica &eacute; confrontada com desafios f&iacute;sicos e psicossociais (Silva <i>et al</i>., 2009). As suas necessidades n&atilde;o se restringem apenas &agrave; cura da doen&ccedil;a, mas s&atilde;o, tamb&eacute;m, estabelecidas de acordo com o seu crescimento, desenvolvimento e individualidade, tendo em conta as suas caracter&iacute;sticas individuais e o contexto familiar onde est&aacute; inserida.</p>     <p>A doen&ccedil;a, de acordo com a sua natureza e intensidade dos tratamentos, pode implicar a limita&ccedil;&atilde;o da continuidade dos objetivos familiares, pessoais e profissionais dos membros da fam&iacute;lia. Gomes, Trindade e Fidalgo (2009) destacam que perante uma situa&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;a e internamento dos filhos, os pais reagem com sentimentos de choque e recusa da realidade. No internamento s&atilde;o frequentes sentimentos de desespero, revolta, tristeza, preocupa&ccedil;&atilde;o e culpa. As principais dificuldades relacionam-se com aspetos familiares, laborais e com condi&ccedil;&otilde;es de alojamento, enquanto que os constrangimentos se prendem essencialmente com t&eacute;cnicas invasivas, equipamento e ambiente. Quem mais apoia os pais nesta fase s&atilde;o os c&ocirc;njuges e os enfermeiros. Para ultrapassar as dificuldades, os pais recorrem &agrave; espiritualidade, ao apoio familiar e ao contacto com outros pais.</p>     <p>Assim, a fam&iacute;lia vivencia uma desestrutura&ccedil;&atilde;o do quotidiano, sobretudo no ambiente dom&eacute;stico, onde mant&ecirc;m as responsabilidades anteriores, acrescidas de novas atividades, sendo for&ccedil;ada a uma mudan&ccedil;a significativa na sua estrutura de vida, de forma a conseguir adaptar-se e dar resposta &agrave;s necessidades da crian&ccedil;a (Silva <i>et al</i>., 2009).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As diretrizes da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de de 2000, descritas na Declara&ccedil;&atilde;o de Munique de 2000, as prioridades para a sa&uacute;de do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de apresentadas no Plano Nacional de Sa&uacute;de 2004-2010 e as a&ccedil;&otilde;es priorit&aacute;rias da Ordem dos Enfermeiros expressas no Enquadramento conceptual e Padr&otilde;es de Qualidade dos Cuidados de Enfermagem de 2001, salientam a fam&iacute;lia como alvo dos cuidados numa crescente centralidade nos sistemas e cuidados de sa&uacute;de, onde o enfermeiro a trabalhar em conjunto com fam&iacute;lias, comunidade e outros profissionais de sa&uacute;de, representam um recurso e elemento chave na sociedade para promo&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de.</p>     <p>Neste &acirc;mbito, e como consequ&ecirc;ncia do desenvolvimento da enfermagem de fam&iacute;lia, surge deste modo a cria&ccedil;&atilde;o da figura do enfermeiro de fam&iacute;lia que, utilizando a defini&ccedil;&atilde;o de Ferreira (2010), “o enfermeiro de fam&iacute;lia” afigura-se, assim, como o elo de refer&ecirc;ncia entre o servi&ccedil;o de sa&uacute;de e o utente/ fam&iacute;lia, assumindo a responsabilidade pela presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de enfermagem globais a um conjunto de fam&iacute;lias, nas diversas situa&ccedil;&otilde;es de crise e em todos os processos de sa&uacute;de-doen&ccedil;a. Afirma-se n&atilde;o s&oacute; como um recurso para a fam&iacute;lia, mas tamb&eacute;m como um suporte qualificado nas respostas em cuidados de sa&uacute;de, em geral, e de Enfermagem, em particular”.</p>     <p>A pr&aacute;tica de enfermagem de fam&iacute;lia centrada na &aacute;rea da sa&uacute;de infantil “refere-se &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es entre as tarefas familiares e os cuidados de sa&uacute;de, e os seus efeitos no bem-estar e sa&uacute;de das crian&ccedil;as. Os enfermeiros cuidam das crian&ccedil;as dentro do contexto da sua fam&iacute;lia, e cuidam delas tratando da fam&iacute;lia como um todo” (Gedaly-Duff <i>et al</i>. 2009, p.332).</p>     <p>Em enfermagem pedi&aacute;trica oncol&oacute;gica, a crian&ccedil;a &eacute; o alvo dos cuidados. Por&eacute;m, os familiares devem ser parceiros na tomada de decis&otilde;es relativas aos cuidados &agrave; crian&ccedil;a. O enfermeiro est&aacute; numa posi&ccedil;&atilde;o &uacute;nica para influenciar os cuidados e o bem-estar das crian&ccedil;as e suas fam&iacute;lias, pelo que deve centrar-se na unidade familiar enquanto foco de cuidados. &Eacute; de extrema import&acirc;ncia que conhe&ccedil;a a fam&iacute;lia, as suas expectativas quanto &agrave; sua participa&ccedil;&atilde;o, de modo a avaliar e planear cuidados que apoiem a m&atilde;e, o pai ou outras pessoas significativas no cuidado &agrave; crian&ccedil;a.</p>     <p>A interven&ccedil;&atilde;o dos enfermeiros junto da crian&ccedil;a com doen&ccedil;a oncol&oacute;gica e sua fam&iacute;lia deve assentar em dois objetivos essenciais: facilitar a aceita&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; doen&ccedil;a e suas limita&ccedil;&otilde;es associadas, atrav&eacute;s da educa&ccedil;&atilde;o para a sa&uacute;de, fomentando a modifica&ccedil;&atilde;o das rotinas de vida, a diminui&ccedil;&atilde;o do impacto da perturba&ccedil;&atilde;o emocional e a resolu&ccedil;&atilde;o dos variados problemas; e promover uma ades&atilde;o respons&aacute;vel ao tratamento e recomenda&ccedil;&otilde;es da equipa de sa&uacute;de. Para a consecu&ccedil;&atilde;o deste &uacute;ltimo objetivo &eacute; necess&aacute;rio estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o de abertura e di&aacute;logo com a fam&iacute;lia, disponibilizar a informa&ccedil;&atilde;o, facilitar a express&atilde;o dos significados e emo&ccedil;&otilde;es atribu&iacute;dos &agrave; doen&ccedil;a, promover estrat&eacute;gias para aumentar o sentido de autoefic&aacute;cia e de controlo dos familiares e elaborar programas estruturados de interven&ccedil;&atilde;o profissional.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Quest&otilde;es de investiga&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Em coer&ecirc;ncia com a explica&ccedil;&atilde;o e finalidade do fen&oacute;meno em estudo, assumimos as seguintes quest&otilde;es de investiga&ccedil;&atilde;o: qual o modo de funcionamento familiar durante o processo de adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; doen&ccedil;a oncol&oacute;gica na crian&ccedil;a?; quais as dificuldades experienciadas pelos familiares durante o processo de adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; doen&ccedil;a oncol&oacute;gica na crian&ccedil;a?; quais os pedidos em cuidados de enfermagem dos familiares durante o processo de adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; doen&ccedil;a oncol&oacute;gica na crian&ccedil;a?</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Metodologia</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Trata-se de um estudo observacional, de car&aacute;ter descritivo, de natureza transversal e de abordagem quantitativa, com a aplica&ccedil;&atilde;o dos seguintes instrumentos de colheita de dados: Entrevista Estruturada; <i>Family Adaptability and Cohesion Evaluation Scale</i> (FACES II); Invent&aacute;rio de Respostas &agrave; Doen&ccedil;a nos Filhos (IRDF); e, Invent&aacute;rio sobre a Perce&ccedil;&atilde;o da Rela&ccedil;&atilde;o Enfermeiro-Pais de crian&ccedil;as doentes (IPREP).</p>     <p>Para a realiza&ccedil;&atilde;o do estudo tivemos uma amostra constitu&iacute;da por 130 familiares de crian&ccedil;as com doen&ccedil;a oncol&oacute;gica inscritas no Hospital de S. Jo&atilde;o (HSJ) e no Instituto Portugu&ecirc;s de Oncologia do Porto Francisco Gentil (IPO-Porto).</p>     <p>A entrevista tem o objetivo de caracterizar a amostra em estudo atrav&eacute;s da colheita de dados relativos &agrave; fam&iacute;lia (estrutura familiar, ciclo vital da fam&iacute;lia, n&uacute;mero de filhos, distrito de resid&ecirc;ncia), aos familiares (grau de parentesco, idade, estado civil, habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias, profiss&atilde;o), &agrave; crian&ccedil;a (idade, sexo, lugar na fratria, institui&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de) e &agrave; doen&ccedil;a oncol&oacute;gica (diagn&oacute;stico, tipo de tumor, fase da doen&ccedil;a, fase do tratamento).</p>     <p>A FACES II, desenvolvida por Olson, Portner e Bell, foi traduzida e adaptada &agrave; popula&ccedil;&atilde;o portuguesa pela Sociedade de Terapia Familiar e posteriormente por Fernandes (1995). Como &eacute; patente na sua designa&ccedil;&atilde;o, permite avaliar duas dimens&otilde;es do funcionamento familiar: a coes&atilde;o e a adaptabilidade. &Eacute; constitu&iacute;da por trinta itens, dezasseis pertencentes &agrave; dimens&atilde;o coes&atilde;o e os restantes catorze &agrave; dimens&atilde;o adaptabilidade. Cada quest&atilde;o &eacute; respondida numa escala de 1 a 5: quase nunca, de vez em quando, &agrave;s vezes, muitas vezes e quase sempre. Da combina&ccedil;&atilde;o dos quatro n&iacute;veis de coes&atilde;o (muito ligada, ligada, separada, desmembrada) com os quatro n&iacute;veis da adaptabilidade (muito flex&iacute;vel, flex&iacute;vel, estruturada, r&iacute;gida) obt&eacute;m-se quatro tipos de sistemas familiares gerais: equilibrada, moderadamente equilibrada, meio-termo e extrema.</p>     <p>O IRDF inclui itens relacionados com as dificuldades dos pais para enfrentar e viver a situa&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;a dos filhos. Este invent&aacute;rio foi constru&iacute;do por Subtil, Fonte e Relvas (1995). O question&aacute;rio &eacute; constitu&iacute;do por trinta e dois itens pontuados individualmente numa escala tipo <i>likert</i> ao longo de um cont&iacute;nuo de quatro pontos: discordo completamente, discordo, concordo, concordo muit&iacute;ssimo.</p>     <p>O question&aacute;rio pretende abranger um amplo leque de respostas cognitivas, emocionais e comportamentais pass&iacute;veis de ocorrer na situa&ccedil;&atilde;o em estudo. Simultaneamente, procura que as quest&otilde;es sejam valorizadas de modo a que uma pontua&ccedil;&atilde;o elevada no somat&oacute;rio final corresponda a um estado de grande perturba&ccedil;&atilde;o <i>distress</i> na pessoa enquanto, no sentido inverso, uma baixa pontua&ccedil;&atilde;o &eacute; atributo de uma boa organiza&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; situa&ccedil;&atilde;o (Subtil, Fonte e Relvas, 1995). O IRDF est&aacute; estruturado em cinco dimens&otilde;es: descren&ccedil;a, depress&atilde;o/ adenomia, d&uacute;vida, culpa/ impot&ecirc;ncia, retraimento.</p>     <p>O IPREP permite identificar as interven&ccedil;&otilde;es de enfermagem de apoio aos pais durante a doen&ccedil;a dos filhos, atrav&eacute;s da avalia&ccedil;&atilde;o da perce&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o enfermeiro-pais, em termos de cuidados de enfermagem, contemplando as &aacute;reas da informa&ccedil;&atilde;o/ comunica&ccedil;&atilde;o, apoio emocional e t&eacute;cnicas de enfermagem.</p>     <p>Este invent&aacute;rio foi constru&iacute;do por Subtil (1995), e &eacute; composto por vinte e dois itens pontuados individualmente numa escala tipo <i>likert</i> ao longo de um cont&iacute;nuo de quatro pontos denominados no presente estudo por: nada importante, pouco importante, importante e muito importante. Uma pontua&ccedil;&atilde;o elevada no somat&oacute;rio final corresponde a um pedido elevado de cuidados e, no sentido inverso, uma baixa pontua&ccedil;&atilde;o traduzir&aacute; um n&iacute;vel baixo em pedidos. Os pedidos dos pais em cuidados de enfermagem s&atilde;o considerados de acordo com as seguintes dimens&otilde;es: rela&ccedil;&atilde;o emp&aacute;tica, cuidados orientados para o filho, comunica&ccedil;&atilde;o/ informa&ccedil;&atilde;o aos pais.</p>     <p>Ap&oacute;s a colheita de dados, as respostas obtidas foram codificadas, introduzidas numa matriz de dados e analisadas com recurso ao programa inform&aacute;tico <i>Statistical Package for Social Sciences</i> (SPSS), vers&atilde;o 16 para o <i>Windows</i>. Na an&aacute;lise estat&iacute;stica dos dados foi utilizada a an&aacute;lise descritiva.</p>     <p>No que concerne aos aspetos &eacute;ticos relacionados com o desenvolvimento do estudo, foi pedida autoriza&ccedil;&atilde;o ao Conselho de Administra&ccedil;&atilde;o do HSJ e do IPO-Porto, que anu&iacute;ram a realiza&ccedil;&atilde;o do estudo ap&oacute;s pareceres favor&aacute;veis das Comiss&otilde;es de &Eacute;tica. Todos os participantes foram informados da natureza do seu envolvimento, tiveram a oportunidade de fazer perguntas e assinaram o documento do consentimento informado de modo a comprovar a sua volunt&aacute;ria participa&ccedil;&atilde;o no estudo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A Unidade de Hemato/Oncologia Pedi&aacute;trica do HSJ e o Servi&ccedil;o de Pediatria do IPO-Porto s&atilde;o o centro de refer&ecirc;ncia para a patologia oncol&oacute;gica na regi&atilde;o norte de Portugal e prestam assist&ecirc;ncia a todas as crian&ccedil;as referenciadas por m&eacute;dicos assistentes ou outros hospitais com suspeita ou diagn&oacute;stico de doen&ccedil;as do foro oncol&oacute;gico.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados</b></p>     <p>Tendo em vista os objetivos inicialmente tra&ccedil;ados para este estudo apresenta-se as carater&iacute;sticas da amostra, seguido dos resultados decorrentes da aplica&ccedil;&atilde;o da FACES II, IRDF e IPREP.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Caracteriza&ccedil;&atilde;o da amostra</b></p>     <p>A amostra do presente estudo foi constitu&iacute;da maioritariamente por fam&iacute;lias nucleares (76,2%), com dois filhos (50,8%), com crian&ccedil;as em idade escolar (7-13 anos) (41,5%) e residentes no distrito do Porto (45,4%). Os familiares que acompanhavam as crian&ccedil;as eram na sua maioria m&atilde;es (86,2%), casadas (83,9%), com idade entre os 30-39 anos (53,9%), que conclu&iacute;ram o 2.&ordm; ciclo do Ensino B&aacute;sico (31,5%) e que faziam parte do grupo dos Oper&aacute;rios, Art&iacute;fices e Trabalhadores Similares (17,7%).</p>     <p>&nbsp;</p> <a href ="/img/revistas/ref/vserIIIn9/IIIn9a06t1.jpg">Tabela 1</a>     
<p>&nbsp;</p>	     <p>Da totalidade dos 130 casos da amostra das crian&ccedil;as com doen&ccedil;a oncol&oacute;gica, os rapazes constitu&iacute;am 56,2% da popula&ccedil;&atilde;o. A idade das crian&ccedil;as variou entre os 11 meses e os 18 anos. O grupo et&aacute;rio dos 1-4 anos e 5-9 anos representavam ambos 31,5% do total da amostra. A m&eacute;dia das idades no momento da colheita de dados era de 8 anos (com desvio padr&atilde;o de 4,94). Os filhos benjamins representavam 43,1% do total da amostra, e 70% das crian&ccedil;as com doen&ccedil;a oncol&oacute;gica estavam inscritas no IPO-Porto e as restantes 30% no HSJ.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O grupo das doen&ccedil;as oncol&oacute;gicas mais representativo na amostra foi as leucemias (37,7%), seguido dos tumores do sistema nervoso central (15,4%) e linfomas (11,5%). Na amostra, 50% dos tumores eram l&iacute;quidos e 50% eram s&oacute;lidos. Quanto &agrave; fase da doen&ccedil;a oncol&oacute;gica, no momento da colheita de dados, 83,8% das crian&ccedil;as era o primeiro diagn&oacute;stico de doen&ccedil;a oncol&oacute;gica, 13,1% reca&iacute;da da doen&ccedil;a inaugural e as restantes 3,1% estavam em fase terminal. Quanto &agrave; fase do tratamento, 66,9% das crian&ccedil;as estavam em tratamento ativo da doen&ccedil;a oncol&oacute;gica (com cirurgia, quimioterapia e/ou radioterapia), as restantes 33,1% terminaram os tratamentos e permaneceram em vigil&acirc;ncia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Funcionamento familiar</b></p>     <p>Os resultados obtidos da aplica&ccedil;&atilde;o da FACES II forneceram informa&ccedil;&otilde;es sobre o funcionamento familiar durante o processo de adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; doen&ccedil;a oncol&oacute;gica na crian&ccedil;a. Assim, neste estudo os familiares da amostra percecionaram a sua fam&iacute;lia maioritariamente como ligada (53,9%), muito flex&iacute;vel (41,5%) e moderadamente equilibrada (60,8%).</p>     <p>&nbsp;</p> <a href ="/img/revistas/ref/vserIIIn9/IIIn9a06t2.jpg">Tabela 2</a>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Dificuldades experienciadas</p></b>     <p>A an&aacute;lise dos resultados obtidos atrav&eacute;s do IRDF permitiu recolher dados sobre as dificuldades experienciadas pelos familiares durante o processo de adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; doen&ccedil;a oncol&oacute;gica na crian&ccedil;a.</p>     <p>Na amostra, a pontua&ccedil;&atilde;o global m&eacute;dia obtida para o conjunto deste invent&aacute;rio situou-se entre o discordo completamente e o discordo (m&eacute;dia de 1,76), expressando uma boa organiza&ccedil;&atilde;o dos familiares face &agrave; doen&ccedil;a.</p>     <p>Os familiares que participaram no estudo revelaram: descren&ccedil;a como uma das caracter&iacute;sticas menos vivenciada durante o processo de adoecer da crian&ccedil;a (m&eacute;dia de 1,44), com destaque para a quest&atilde;o menos pontuada - N&atilde;o vale a pena fazer mais nada (m&eacute;dia de 1,28); comportamentos, atitudes e emo&ccedil;&otilde;es de natureza depressivas como um dos tra&ccedil;os mais frequentes na situa&ccedil;&atilde;o em estudo (m&eacute;dia de 2,17), com realce para a denega&ccedil;&atilde;o - Tudo isto parece-me mentira (m&eacute;dia de 2,65); confian&ccedil;a nas institui&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de, nos profissionais de sa&uacute;de e no tratamento institu&iacute;do (m&eacute;dia de 1,51), por&eacute;m permaneceu a d&uacute;vida dos familiares quanto &agrave; prontid&atilde;o com que recorreram aos cuidados de sa&uacute;de quando a crian&ccedil;a come&ccedil;ou a manifestar os primeiros sintomas (m&eacute;dia de 1,72); na dimens&atilde;o culpa (m&eacute;dia de 1,61) destacou-se o sentimento de incredibilidade e impot&ecirc;ncia ante a situa&ccedil;&atilde;o – &Eacute; imposs&iacute;vel acontecer-me isto (m&eacute;dia de 2,05) e A vida deixou de ter sentido para mim (m&eacute;dia de 1,85); Isolamento social (m&eacute;dia de 1,92) como o retraimento mais not&oacute;rio diante da situa&ccedil;&atilde;o (m&eacute;dia de 1,63).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="t3"> <img src="/img/revistas/ref/vserIIIn9/IIIn9a06t3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Pedidos em cuidados de enfermagem</b></p>     <p>Os resultados do IPREP permitiram avaliar a express&atilde;o de pedidos em cuidados de enfermagem dos familiares face &agrave; doen&ccedil;a oncol&oacute;gica na crian&ccedil;a. Os familiares do estudo mostraram valorizar de forma elevada os cuidados de enfermagem no global (m&eacute;dia de 3,67), e em particular a comunica&ccedil;&atilde;o/informa&ccedil;&atilde;o (m&eacute;dia de 3,72) e os cuidados orientados para a crian&ccedil;a (m&eacute;dia de 3,71). Em todas as dimens&otilde;es, os familiares do IPREP atribu&iacute;ram menor import&acirc;ncia &agrave;s quest&otilde;es relacionadas com os cuidados direcionados a si pr&oacute;prios, como seja: serem simp&aacute;ticos comigo (m&eacute;dia de 3,35), que estejam junto a mim nos momentos dif&iacute;ceis (m&eacute;dia de 3,51) e Deixar-me participar nos cuidados ao meu filho (m&eacute;dia de 3,57).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t4"> <img src="/img/revistas/ref/vserIIIn9/IIIn9a06t4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Discuss&atilde;o</b></p>     <p>Numa primeira fase pretendemos real&ccedil;ar o facto de estarmos perante uma amostra t&iacute;pica e seguidamente discutir os resultados decorrentes da aplica&ccedil;&atilde;o da FACES II, IRDF e IPREP.</p>     <p>No estudo predominaram as fam&iacute;lias nucleares, o que est&aacute; em conson&acirc;ncia com o verificado em 2011 em que o n&uacute;mero de casais com filhos representa 38,2% do total das fam&iacute;lias cl&aacute;ssicas (Pordata, 2012).</p>     <p>A amostra foi constitu&iacute;da maioritariamente por m&atilde;es que acompanhavam o filho no momento da colheita de dados. Sobre este dado, Silva (2009), no seu estudo sobre a pessoa que cuida da crian&ccedil;a com cancro, refere que o papel de cuidador era, na sua maioria, assumido pela mulher que abdicava dos seus projetos pessoais e atividades sociais para cuidar da crian&ccedil;a. H&aacute; autores que fundamentam este facto na constru&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rico-social do cuidar como papel feminino (Relvas, 2007).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na amostra predominavam as crian&ccedil;as do g&eacute;nero masculino (56,2%), com idades entre 1-4 anos (31,5%), 5-9 anos (31,5%) e as leucemias (37,7%) s&atilde;o o cancro mais frequente. Estes dados s&atilde;o corroborados pelos dados estat&iacute;sticos do Registo Oncol&oacute;gico Regional do Norte (2011) em que os rapazes constitu&iacute;ram 56,2% da popula&ccedil;&atilde;o, o maior n&uacute;mero de casos de doen&ccedil;a verificou-se no grupo de idades entre 1-4 anos (36,4%) e o tipo de cancro de maior incid&ecirc;ncia foi as leucemias (27%).</p>     <p>Na amostra sobressaiam os familiares que percecionavam a sua fam&iacute;lia como ligada, muito flex&iacute;vel e moderadamente equilibrada. No estudo de Subtil (1995) sobre o impacto na fam&iacute;lia da doen&ccedil;a oncol&oacute;gica na crian&ccedil;a e as dificuldades experienciadas pela fam&iacute;lia, a maioria dos pais consideravam a sua fam&iacute;lia como ligada e flex&iacute;vel. Por outro lado, no estudo de Silva (2007), sobre as vari&aacute;veis psicol&oacute;gicas no processo de adapta&ccedil;&atilde;o parental &agrave; doen&ccedil;a oncol&oacute;gica infantil, destacavam-se as fam&iacute;lias separadas e flex&iacute;veis. Em ambos os estudos, as fam&iacute;lias estavam posicionadas nos grupos interm&eacute;dios (equilibradas e moderadamente equilibradas).</p>     <p>A descren&ccedil;a foi uma das caracter&iacute;sticas menos vivenciada durante o processo de adoecer da crian&ccedil;a. Esta constata&ccedil;&atilde;o &eacute; corroborada por Subtil (1995), em que a dimens&atilde;o descren&ccedil;a tamb&eacute;m apresentava valores relativamente baixos e por Silva <i>et al</i>. (2009) em que 25% dos familiares das crian&ccedil;as com doen&ccedil;a oncol&oacute;gica do estudo afirmou que diante do diagn&oacute;stico da doen&ccedil;a nunca perderam a esperan&ccedil;a. Isto remete-nos para as potencialidades dos familiares e para a sua capacidade de se ajustarem &agrave; situa&ccedil;&atilde;o. Os familiares t&ecirc;m esperan&ccedil;as e empenham-se fortemente no processo de tratamento como que negando a implacabilidade da incerteza de cura que recai sobre estas doen&ccedil;as. Al&eacute;m disso, Silva (2009) refere que a esperan&ccedil;a tamb&eacute;m acontece por necessidade de existir um sentimento de possibilidade de sucesso capaz de equilibrar e compensar o sentimento de medo.</p>     <p>Comportamentos, atitudes e emo&ccedil;&otilde;es de natureza depressivas foram um dos tra&ccedil;os mais frequentes na situa&ccedil;&atilde;o em estudo. Subtil, Fonte e Relvas (1995) salientam que cuidar de crian&ccedil;as com doen&ccedil;a oncol&oacute;gica exige muito tempo e energia f&iacute;sica e psicol&oacute;gica. A necessidade permanente e intensa de cuidados da crian&ccedil;a sacrifica o tempo para si pr&oacute;prios e para os outros filhos. O trabalho muitas vezes tem de ser reorganizado para se acomodar &agrave;s necessidades da doen&ccedil;a. As m&atilde;es ficam sobrecarregadas e podem ter que abandonar o emprego para cuidarem do filho, aumentando mais as dificuldades financeiras que a doen&ccedil;a provoca. Assim, os planos e sonhos dos pais relativamente ao seu papel na fam&iacute;lia s&atilde;o profundamente alterados.</p>     <p>Os familiares vivenciam dificuldades e preocupa&ccedil;&otilde;es resultantes de contextos nunca antes experimentados. Neste sentido, o cansa&ccedil;o acontece em resultado da intensidade, dura&ccedil;&atilde;o e rotiniza&ccedil;&atilde;o do trabalho desenvolvido diariamente, bem como do isolamento, do abandono de projetos pessoais, da falta de liberdade e de espa&ccedil;o para a pessoa. “&Eacute; uma forma de cansa&ccedil;o que resulta de uma atividade f&iacute;sica exigente e cont&iacute;nua e de uma press&atilde;o psicol&oacute;gica continuada no tempo e sem um fim previsto” (Silva, 2009, p.141).</p>     <p>Os familiares da amostra revelaram confian&ccedil;a nas institui&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de, nos profissionais de sa&uacute;de e no tratamento institu&iacute;do nos servi&ccedil;os de pediatria oncol&oacute;gica onde se realizou o estudo. Subtil (1995) verificou no seu estudo que os hospitais especializados em oncologia e os hospitais pedi&aacute;tricos se afirmam como mais segurizantes que os hospitais gerais n&atilde;o especializados na &aacute;rea de oncologia, nem diferenciados em cuidados pedi&aacute;tricos. Esta constata&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pretende invalidar a implementa&ccedil;&atilde;o do modelo de continuidade de cuidados, mas alertar para a import&acirc;ncia da seguran&ccedil;a que &eacute; apan&aacute;gio dos hospitais especializados e sobre os quais existe a cren&ccedil;a de que s&atilde;o os que melhor apaziguam medos e alimentam expectativas positivas face &agrave; doen&ccedil;a.</p>     <p>No presente estudo os familiares n&atilde;o se sentiam culpabilizados, mas permaneceu o sentimento de incredibilidade e impot&ecirc;ncia ante a situa&ccedil;&atilde;o. No estudo de Silva <i>et al</i>. (2009) referem que entre os familiares podem surgir sentimentos de culpa. Subtil, Fonte e Relvas (1995) mencionam ainda que um dos pais pode culpabilizar o outro, o que pode implicar graves conflitos conjugais, distanciamento, separa&ccedil;&atilde;o e div&oacute;rcio; al&eacute;m disso, refere que uns preferem sofrer pelo filho e outros sentem-se impotentes para fazer o que quer que seja pelo filho.</p>     <p>O isolamento social sobressaiu na an&aacute;lise da dimens&atilde;o retraimento dos familiares face &agrave; situa&ccedil;&atilde;o. O isolamento pode indicar falhas nos recursos &agrave;s fontes de suporte, devendo-se para tal despistar estas situa&ccedil;&otilde;es para um adequado apoio e orienta&ccedil;&atilde;o. Por&eacute;m, Silva (2009) refere que o isolamento pode tamb&eacute;m ser consequ&ecirc;ncia de uma forma de desejo e necessidade. O desejo de estar mais isolado surge, porque o familiar &eacute; sujeito a viver em espa&ccedil;os frequentados por muita gente, por exemplo o hospital. A necessidade de isolamento surge relacionada com a necessidade de se proteger de situa&ccedil;&otilde;es que tem dificuldade em gerir do ponto de vista emocional, como por exemplo enfrentar a alegria dos outros.</p>     <p>Os familiares da amostra valorizaram de forma elevada os cuidados de enfermagem no global, conforme se verificou no estudo de Subtil (1995). A necessidade de informa&ccedil;&atilde;o foi um dos aspetos mais relevante para os familiares da amostra ao longo da doen&ccedil;a, pois, como sabemos, constitui uma importante estrat&eacute;gia de <i>coping</i> no lidar com a doen&ccedil;a oncol&oacute;gica nas crian&ccedil;as.</p>     <p>Subtil (1995) destaca que a express&atilde;o destes pedidos coloca quest&otilde;es de como organizar a informa&ccedil;&atilde;o, como estabelecer a comunica&ccedil;&atilde;o, com que meios e em que tempos, remetendo-nos para a necessidade de aperfei&ccedil;oar a organiza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os e das institui&ccedil;&otilde;es, mas sobretudo as compet&ecirc;ncias relacionais e comunicacionais. Al&eacute;m disso, refere que a informa&ccedil;&atilde;o ao longo de toda a doen&ccedil;a e a atitude com que &eacute; veiculada, constitui uma preciosa ajuda aos familiares no saber lidar com a situa&ccedil;&atilde;o e na potencializa&ccedil;&atilde;o das suas capacidades para vivenciar a experi&ecirc;ncia de doen&ccedil;a de uma forma mais positiva e aut&oacute;noma.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ao inv&eacute;s, na amostra, os pedidos em rela&ccedil;&atilde;o emp&aacute;tica direcionados a si pr&oacute;prios, n&atilde;o assumiram um valor t&atilde;o absoluto como os pedidos de informa&ccedil;&atilde;o, como que denotando uma imola&ccedil;&atilde;o a favor da crian&ccedil;a. &Eacute; de admitir que os familiares manifestam necessidade que os enfermeiros cuidem das crian&ccedil;as como se fossem eles pr&oacute;prios, pois sentem dificuldades em se ajustarem e lidarem com este acontecimento de vida t&atilde;o significativo.</p>     <p>Reconhecem-se as limita&ccedil;&otilde;es subjacentes a um trabalho desta natureza em que a popula&ccedil;&atilde;o em estudo se encontra numa condi&ccedil;&atilde;o de fragilidade face &agrave; situa&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;a oncol&oacute;gica na crian&ccedil;a. A forma como foram obtidos os dados deve ser tida em considera&ccedil;&atilde;o, uma vez os familiares preencheram os question&aacute;rios junto das crian&ccedil;as, muitas vezes com interrup&ccedil;&otilde;es sucessivas. Por&eacute;m, consideramos que o momento em que foi realizada a colheita de dados junto dos familiares &eacute; o que permite captar mais fidedignamente as emo&ccedil;&otilde;es e sentimentos envolvidos neste fen&oacute;meno.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Os resultados encontrados indicam que os familiares percecionaram a sua fam&iacute;lia como ligada, muito flex&iacute;vel e moderadamente equilibrada. Os familiares revelaram a descren&ccedil;a como uma das caracter&iacute;sticas menos vivenciadas no processo de adoecer da crian&ccedil;a; a depress&atilde;o como um dos tra&ccedil;os mais frequentes na situa&ccedil;&atilde;o em estudo; confian&ccedil;a nas institui&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de, nos profissionais de sa&uacute;de e no tratamento institu&iacute;do; na generalidade n&atilde;o se sentiram culpabilizados; e, o isolamento social como o retraimento mais not&oacute;rio diante da situa&ccedil;&atilde;o. Os familiares mostraram valorizar de forma elevada os cuidados de enfermagem no global, e em particular os cuidados orientados para a crian&ccedil;a, a comunica&ccedil;&atilde;o da verdade e a compet&ecirc;ncia na execu&ccedil;&atilde;o das t&eacute;cnicas. Acresce o facto de os familiares terem atribu&iacute;do menor import&acirc;ncia aos cuidados direcionados para si pr&oacute;prios.</p>     <p>Da discuss&atilde;o dos resultados sobressa&iacute;ram aspetos importantes a valorizar na pr&aacute;tica dos cuidados de enfermagem que contribuem para a melhoria dos cuidados de sa&uacute;de prestados &agrave;s fam&iacute;lias das crian&ccedil;as com doen&ccedil;a oncol&oacute;gica e, consequente, promovem a qualidade de vida destas fam&iacute;lias.</p>     <p>No nosso entender e de acordo com os resultados obtidos, torna-se imperioso valorizar a comunica&ccedil;&atilde;o entre os profissionais de sa&uacute;de e a fam&iacute;lia, tendo presente a especificidade de cada crian&ccedil;a e respetiva fam&iacute;lia, conscientes de que cada pessoa &eacute; &uacute;nica e original e a realidade/hist&oacute;ria de cada fam&iacute;lia &eacute; singular e igualmente &uacute;nica.</p>     <p>&Eacute; nossa convic&ccedil;&atilde;o que o envolvimento e a coopera&ccedil;&atilde;o de todas as estruturas, desde as equipas multiprofissionais de sa&uacute;de, aos apoios sociais, passando pela escola, s&atilde;o necess&aacute;rios e imprescind&iacute;veis, para que a resposta &agrave; crian&ccedil;a e respetiva fam&iacute;lia seja o mais eficiente poss&iacute;vel.</p>     <p>As sugest&otilde;es/ propostas que nos parecem mais pertinentes em fun&ccedil;&atilde;o dos resultados s&atilde;o as seguintes: organizar os cuidados de enfermagem baseados num modelo de enfermagem de fam&iacute;lia, e fomentar estudos a desenvolver posteriormente sobre a aplica&ccedil;&atilde;o de um modelo de enfermagem de fam&iacute;lia na assist&ecirc;ncia &agrave; crian&ccedil;a com cancro.</p>     <p>O futuro de enfermagem de fam&iacute;lia tender&aacute;, segundo Wright e Leahley (2009), para a crescente diversidade na pr&aacute;tica cl&iacute;nica junto das fam&iacute;lias e para o envolvimento dos enfermeiros com as fam&iacute;lias na presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de, independentemente dos locais da pr&aacute;tica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliograficas</b></p>     <p>CASEY, Anne (2006) – Assessing and planning care in partnership. In GLASPER, Alan ; RICHARDSON, Jim – A textbook of children’s and young people’s nursing. Edinburgh : Churchill Livingstone Elsevier. Cap. 7, p. 89-103.</p>     <p>FERNANDES, Ot&iacute;lia Monteiro (1995) - Fam&iacute;lia e emigra&ccedil;&atilde;o: estudo da estrutura e do funcionamento familiar de uma “popula&ccedil;&atilde;o” n&atilde;o-migrante do concelho de Chaves e de uma “popula&ccedil;&atilde;o” portuguesa no Cant&atilde;o de Genebra. Coimbra : Edi&ccedil;&atilde;o do autor. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado.</p>     <p>FERREIRA, Lu&iacute;s (2010) - De que falamos quando se fala em “Enfermeiro de Fam&iacute;lia”? [Em linha]. [Consult. 23 ago. 2012]. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://www.ordemenfermeiros.pt/sites/acores/artigospublicadoimpressalocal/Paginas/Dequefalamosquandosefalaem%E2%80%9CEnfermeirodeFam%C3%ADlia%E2%80%9D.aspx" target="_blank">http://www.ordemenfermeiros.pt/sites/acores/artigospublicadoimpressalocal/Paginas/Dequefalamosquandosefalaem%E2%80%9CEnfermeirodeFam%C3%ADlia%E2%80%9D.aspx</a>.</p>     <p>GEDALY-DUFF, Vivian [et al.] (2009) – Family child health nursing. In KAAKINEN, Joanna [et al.] - Family health care nursing: theory, practice, and research. 4th ed. Philadelphia : F. A. Davis. Cap. 13, p. 332-378.</p>     <p>GOMES, Cristina Guimar&atilde;es ; TRINDADE, Gra&ccedil;a Paula Gil ; FIDALGO, Jos&eacute; Manuel Alves (2009) - Viv&ecirc;ncias de pais de crian&ccedil;as internadas na Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Pedi&aacute;trico de Coimbra. Revista de Enfermagem refer&ecirc;ncia. S&eacute;rie 2, n&ordm; 11, p. 105-116.</p>     <p>INSTITUTO PORTUGU&Ecirc;S DE ONCOLOGIA DE FRANCISCO GENTIL (2009) - Registo oncol&oacute;gico nacional 2005. Coimbra : ROR Centro.</p>     <p>INTERNATIONAL AGENCY FOR RESEARCH ON CANCER (2008) - GLOBOCAN 2008 [Em linha]. Fran&ccedil;a : IARC. [Consult. 23 ago. 2012]. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://globocan.iarc.fr/" target="_blank">http://globocan.iarc.fr/</a>.</p>     <p>LISSAUER, Tom ; CLAYDEN, Graham (2009) - Manual ilustrado de pediatria. 3&ordf; ed. Rio de Janeiro : Elsevier.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>PORDATA (2012) - Fam&iacute;lias cl&aacute;ssicas: total e por tipo de fam&iacute;lia [Em linha]. [Consult. 23 ago. 2012]. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://www.pordata.pt/Portugal/Familias+classicas+total+e+por+tipo+de+familia-19" target="_blank">http://www.pordata.pt/Portugal/Familias+classicas+total+e+por+tipo+de+familia-19</a>.</p>     <p>PORTUGAL. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Alto Comissariado da Sa&uacute;de (2008) - Sa&uacute;de da crian&ccedil;a e do adolescente em Portugal. PNS em Foco: Boletim Informativo, n&ordm; 3.</p>     <p>REGISTO ONCOL&Oacute;GICO REGIONAL DO NORTE (2011) - Tumores infantis, 1997-2006, Regi&atilde;o Norte de Portugal. Porto : RORENO. [Consult. 23 ago. 2012]. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://www.roreno.com.pt" target="_blank">http://www.roreno.com.pt</a>.</p>     <p>RELVAS, Ana Paula (2007) - A mulher na fam&iacute;lia: “em torno dela”. In RELVAS, Ana Paula ; ALARC&Atilde;O, Madalena - Novas formas de fam&iacute;lias. 2&ordf; ed. Coimbra : Quarteto. p. 229-337.</p>     <p>SILVA, Carla Maria Cerqueira (2009) - A pessoa que cuida da crian&ccedil;a com cancro. Porto : Edi&ccedil;&atilde;o do autor. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado.</p>     <p>SILVA, F. [et al.] (2009) - Representa&ccedil;&atilde;o do processo de adoecimento de crian&ccedil;as e adolescentes oncol&oacute;gicos junto de familiares. Escola Anna Nery Revista de Enfermagem. Vol. 13, n&ordm; 2, p. 334-341.</p>     <p>SILVA, Marisa de F&aacute;tima Correia Ferreira (2007) - Estudo das vari&aacute;veis psicol&oacute;gicas – esperan&ccedil;a, qualidade de vida e din&acirc;mica familiar – no processo de adapta&ccedil;&atilde;o parental &agrave; doen&ccedil;a oncol&oacute;gica infantil. Porto : Edi&ccedil;&atilde;o do autor. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado.</p>     <p>SUBTIL, Carlos Lousada (1995) - A fam&iacute;lia, a crian&ccedil;a com doen&ccedil;a grave e os pedidos expressos em cuidados de enfermagem: subs&iacute;dios para a forma&ccedil;&atilde;o dos enfermeiros de sa&uacute;de infantil e pedi&aacute;trica. Porto : Edi&ccedil;&atilde;o do autor. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado.</p>     <p>SUBTIL, Carlos Lousada ; FONTE, An&iacute;bal ; RELVAS, Ana Paula (1995) - Impacto na fam&iacute;lia da doen&ccedil;a grave/cr&oacute;nica em crian&ccedil;as: invent&aacute;rio de respostas &agrave; doen&ccedil;a dos filhos. Psiquiatria Cl&iacute;nica. Vol. 16, n&ordm; 4, p. 241-250.</p>     <p>WRIGHT, Lorraine M. ; LEAHEY, Maureen (2009) - Enfermeiras e fam&iacute;lias: um guia para avalia&ccedil;&atilde;o e interven&ccedil;&atilde;o na fam&iacute;lia. 4&ordf; ed. S&atilde;o Paulo : Roca.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Recebido para publica&ccedil;&atilde;o em: 12.06.12</p>     <p>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em: 20.12.12</p> </html>      ]]></body><back>
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