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<publisher-name><![CDATA[Escola Superior de Enfermagem de Coimbra - Unidade de Investigação em Ciências da Saúde - Enfermagem]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Práticas integrais na estratégia saúde da família no Brasil: o quotidiano do trabalho em equipa]]></article-title>
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<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Prácticas integrales en la estrategia de salud familiar en Brasil: la cotidianidad del trabajo en equipo]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This is a qualitative study defined by the search strategy Holistic Multiple Case Study based on the Comprehensive Sociology of Everyday Life and originated from a doctoral thesis. The aim was to understand the construction of comprehensive health practices in the everyday work of Family Health Strategy teams and municipal managers. The subjects were 48 workers in seven teams in six Basic Health Units, the support staff and the managers of Datas, Gouveia and Diamantina, located in Vale do Jequitinhonha, in Minas Gerais, Brazil. The results show that despite the actions of the interdisciplinary team is not an everyday practice yet, the professionals recognize the need to act and articulate with other professionals. Thus, despite the need for greater interaction, it is concluded that there is a perception by workers that teamwork makes it possible to enhance everyday actions in health, with a view to delivering comprehensive health care.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[Se trata de un estudio cualitativo, delineado por la estrategia de búsqueda estudio de casos multiples holísticos, basado en la Sociología comprensiva de la vida cotidiana y que tuvo su origen en una tesis doctoral. Su objetivo fue comprender la construcción de prácticas integrales de salud en el trabajo diario de los equipos de la Estrategia de Salud Familiar y los gestores municipales. Los sujetos fueron 48 trabajadores de siete equipos pertenecientes a seis Unidades Básicas de Salud, aquellos de apoyo y los gestores de los municipios de Datas, Gouveia y Diamantina, situados en el Vale de Jequitinhonha, en el Estado de Minas Gerais, Brasil. Los resultados muestran que, a pesar de que la interdisciplinariedad en las acciones del equipo no es todavía una práctica cotidiana, los profesionales reconocen la necesidad del actuar y coordinarase con otros profesionales. Por lo tanto, a pesar de que se necesita una mayor interacción, se concluye que existe una percepción por parte de los trabajadores de que el trabajo en equipo hace posible la mejora de las acciones cotidianas relacionadas con la salud, con vistas a que se atiendan de manera integral.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[assistência integral à saúde]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Pr&aacute;ticas integrais na estrat&eacute;gia sa&uacute;de da fam&iacute;lia no Brasil: o quotidiano do trabalho em equipa</b></p>     <p><b>Comprehensive practice in family health strategy in Brazil: the everyday work of the team</b></p>     <p><b>Pr&aacute;cticas integrales en la estrategia de salud familiar en Brasil: la cotidianidad del trabajo en equipo</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Selma Maria da Fonseca Viegas</b><a href="#a1">*</a><a name="topa1"></a>; <b>Cl&aacute;udia Maria de Mattos Penna</b><a href="#a2">**</a><a name="topa2"></a></p>     <p><a href="#topa1">*</a><a name="a1"></a> Enfermeira. Docente Adjunto, Universidade Federal de S&atilde;o Jo&atilde;o del-Rei, Campus Centro-Oeste. Doutora em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) [<a href="mailto:selmamfv@yahoo.com.br">selmamfv@yahoo.com.br</a>].</p>     <p><a href="#topa2">**</a><a name="a2"></a> Enfermeira. Docente Associado. Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Enfermagem, UFMG. Doutora em Filosofia da Enfermagem, UFSC. P&oacute;s-doutorado em Ci&ecirc;ncias Sociais, Universit&eacute; Ren&eacute; Descartes, Paris V, Sorbonne [<a href="mailto:cmpenna@enf.ufmg.br">cmpenna@enf.ufmg.br</a>].</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resumo</b></p>     <p>Estudo qualitativo, delineado pela estrat&eacute;gia de pesquisa Estudo de Casos M&uacute;ltiplos Hol&iacute;sticos, fundamentado na Sociologia Compreensiva do quotidiano originado de uma tese de doutoramento Objetivou compreender a constru&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas de integralidade em sa&uacute;de no trabalho quotidiano de equipas da Estrat&eacute;gia Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia e de gestores municipais. Os sujeitos foram 48 trabalhadores de sete equipas destacadas em seis Unidades B&aacute;sicas de Sa&uacute;de, as de apoio e os gestores dos munic&iacute;pios de Datas, Gouveia e Diamantina, localizadas no Vale do Jequitinhonha, regi&atilde;o do Estado de Minas Gerais, Brasil. Os resultados apresentam que apesar da interdisciplinaridade nas a&ccedil;&otilde;es da equipa n&atilde;o ser ainda uma pr&aacute;tica quotidiano, os profissionais reconhecem que necessitam da atua&ccedil;&atilde;o e articula&ccedil;&atilde;o com outros profissionais. Assim, apesar da necessidade de uma maior intera&ccedil;&atilde;o, conclui-se que h&aacute; a perce&ccedil;&atilde;o por parte dos trabalhadores que o trabalho em equipa torna poss&iacute;vel potencializar as a&ccedil;&otilde;es quotidianas em sa&uacute;de, com vistas &agrave; sua aten&ccedil;&atilde;o integral &agrave; sa&uacute;de.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave</b>: assist&ecirc;ncia integral &agrave; sa&uacute;de; programa sa&uacute;de da fam&iacute;lia; trabalho; equipa de assist&ecirc;ncia ao paciente.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Abstract</b></p>     <p>This is a qualitative study defined by the search strategy Holistic Multiple Case Study based on the Comprehensive Sociology of Everyday Life and originated from a doctoral thesis. The aim was to understand the construction of comprehensive health practices in the everyday work of Family Health Strategy teams and municipal managers. The subjects were 48 workers in seven teams in six Basic Health Units, the support staff and the managers of Datas, Gouveia and Diamantina, located in Vale do Jequitinhonha, in Minas Gerais, Brazil. The results show that despite the actions of the interdisciplinary team is not an everyday practice yet, the professionals recognize the need to act and articulate with other professionals. Thus, despite the need for greater interaction, it is concluded that there is a perception by workers that teamwork makes it possible to enhance everyday actions in health, with a view to delivering comprehensive health care.</p>     <p><b>Keywords</b>: comprehensive health care; family health program; work; patient care team.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resumen</b></p>     <p>Se trata de un estudio cualitativo, delineado por la estrategia de b&uacute;squeda estudio de casos multiples hol&iacute;sticos, basado en la Sociolog&iacute;a comprensiva de la vida cotidiana y que tuvo su origen en una tesis doctoral. Su objetivo fue comprender la construcci&oacute;n de pr&aacute;cticas integrales de salud en el trabajo diario de los equipos de la Estrategia de Salud Familiar y los gestores municipales. Los sujetos fueron 48 trabajadores de siete equipos pertenecientes a seis Unidades B&aacute;sicas de Salud, aquellos de apoyo y los gestores de los municipios de Datas, Gouveia y Diamantina, situados en el Vale de Jequitinhonha, en el Estado de Minas Gerais, Brasil. Los resultados muestran que, a pesar de que la interdisciplinariedad en las acciones del equipo no es todav&iacute;a una pr&aacute;ctica cotidiana, los profesionales reconocen la necesidad del actuar y coordinarase con otros profesionales. Por lo tanto, a pesar de que se necesita una mayor interacci&oacute;n, se concluye que existe una percepci&oacute;n por parte de los trabajadores de que el trabajo en equipo hace posible la mejora de las acciones cotidianas relacionadas con la salud, con vistas a que se atiendan de manera integral.</p>     <p><b>Palabras clave</b>: atenci&oacute;n integral para la salud; programa de salud familiar; trabajo; grupo de atenci&oacute;n al paciente.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Ao considerar que a organiza&ccedil;&atilde;o e a reorganiza&ccedil;&atilde;o dos saberes e das pr&aacute;ticas em sa&uacute;de s&atilde;o constitu&iacute;das em um movimento hist&oacute;rico e ideol&oacute;gico, promotor de determinadas pr&aacute;ticas e reprodutor de determinados saberes, este artigo surgiu do reconhecimento de que os atos e as atitudes dos profissionais de sa&uacute;de n&atilde;o s&atilde;o apenas um conjunto articulado de t&eacute;cnicas neutras, mas sim fruto de um processo de trabalho hist&oacute;rico, pol&iacute;tico e ideol&oacute;gico. Portanto, refletem conce&ccedil;&otilde;es relacionadas aos bin&oacute;mios cliente-profissional e sa&uacute;de-doen&ccedil;a que trazem quest&otilde;es vertentes e contextos que t&ecirc;m contribu&iacute;do para caminhar no sentido de operar mudan&ccedil;as. Atualmente, no Brasil, tais mudan&ccedil;as ocorrem em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o e qualifica&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas em sa&uacute;de com vistas a sustentar uma assist&ecirc;ncia fundamentada nos princ&iacute;pios de universalidade do acesso aos servi&ccedil;os, a integralidade da assist&ecirc;ncia &agrave; sa&uacute;de e a equidade no atendimento &agrave; popula&ccedil;&atilde;o, que s&atilde;o constituintes da atual pol&iacute;tica nacional, denominada de Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS).</p>     <p>O SUS est&aacute; definido na Lei Org&acirc;nica da Sa&uacute;de N&ordm; 8.080/1990 como o conjunto de a&ccedil;&otilde;es e servi&ccedil;os de sa&uacute;de prestados por &oacute;rg&atilde;os e institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas federais, estaduais e municipais, da Administra&ccedil;&atilde;o direta e indireta e das Funda&ccedil;&otilde;es mantidas pelo Poder P&uacute;blico, inclu&iacute;das as institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas federais, estaduais e municipais de controle de qualidade, pesquisa e produ&ccedil;&atilde;o de insumos, medicamentos, inclusive de sangue e hemoderivados, e de equipamentos para a sa&uacute;de, garantida, tamb&eacute;m, a participa&ccedil;&atilde;o complementar da iniciativa privada no Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (Brasil. Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica,1990, Art. 4o, par&aacute;grafos 1o e 2o).</p>     <p>A cria&ccedil;&atilde;o do SUS objetivou alterar a situa&ccedil;&atilde;o de desigualdade na assist&ecirc;ncia &agrave; sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o brasileira, tornando obrigat&oacute;rio o atendimento p&uacute;blico a qualquer cidad&atilde;o, oferecendo servi&ccedil;os na aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria, secund&aacute;ria e terci&aacute;ria. Dessa forma, as a&ccedil;&otilde;es e servi&ccedil;os p&uacute;blicos de sa&uacute;de passam a integrar uma rede regionalizada e hierarquizada, organizada de acordo com as diretrizes da descentraliza&ccedil;&atilde;o, atendimento integral e participa&ccedil;&atilde;o da comunidade (Brasil. Senado Federal,1988, Art.198).</p>     <p>A pol&iacute;tica de sa&uacute;de p&uacute;blica brasileira, desenvolvida ao longo dos anos 90 do s&eacute;culo XX, apresentou, como principal caracter&iacute;stica, a &ecirc;nfase na Aten&ccedil;&atilde;o Prim&aacute;ria &agrave; Sa&uacute;de (APS) entre o conjunto de a&ccedil;&otilde;es e servi&ccedil;os desenvolvidos pelo SUS. A implementa&ccedil;&atilde;o da proposta da APS deu-se com a operacionaliza&ccedil;&atilde;o da Estrat&eacute;gia Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia (ESF) a partir de 1994, que orienta a reorganiza&ccedil;&atilde;o da l&oacute;gica assistencial do SUS, incorporando a experi&ecirc;ncia anterior do Programa de Agentes Comunit&aacute;rios de Sa&uacute;de, iniciada em 1991, com enfoque na fam&iacute;lia como unidade de a&ccedil;&atilde;o program&aacute;tica de sa&uacute;de e n&atilde;o apenas no indiv&iacute;duo.</p>     <p>A ESF adota a diretriz de v&iacute;nculo e prop&otilde;e a adscri&ccedil;&atilde;o de clientela num determinado territ&oacute;rio e a exist&ecirc;ncia de equipa multiprofissional respons&aacute;vel por, no m&aacute;ximo, 4.000 habitantes, sendo a m&eacute;dia recomendada de 3.000 habitantes, com turnos de 40 horas semanais para todos os seus integrantes e composta por, no m&iacute;nimo, m&eacute;dico, enfermeiro, auxiliar de enfermagem ou t&eacute;cnico de enfermagem e Agentes Comunit&aacute;rios de Sa&uacute;de (ACS). O n&uacute;mero de ACS deve ser suficiente para cobrir 100% da popula&ccedil;&atilde;o cadastrada, com um m&aacute;ximo de 750 pessoas por ACS (Brasil. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Secretaria de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de. Departamento de An&aacute;lise de situa&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de. Coordena&ccedil;&atilde;o Geral de Doen&ccedil;as e Agravos N&atilde;o-Transmiss&iacute;veis, 2006). Essa equipa passa a ser refer&ecirc;ncia para os utentes e &eacute; dada &agrave; ESF a miss&atilde;o de mudar o modelo assistencial de sa&uacute;de, o modelo biom&eacute;dico, ainda praticado. Segundo Franco e Merhy (2007), essa mudan&ccedil;a deve caracterizar-se quando se tiver um modelo centrado no utente. Uma vez que, apenas por modifica&ccedil;&atilde;o da estrutura, n&atilde;o se garante que a rela&ccedil;&atilde;o dos profissionais com os utentes seja tamb&eacute;m realizada sob novos par&acirc;metros de trabalho no territ&oacute;rio das tecnologias de sa&uacute;de, e de civilidade, acolhimento e constru&ccedil;&atilde;o de processos mais negociados e comprometidos com os clientes e com os seus cuidados e processo de tratamento.</p>     <p>Portanto, na “busca de revers&atilde;o das dificuldades de acesso aos cuidados em sa&uacute;de, os munic&iacute;pios brasileiros investiram na implanta&ccedil;&atilde;o da ESF, que se disseminou e resgatou, para a sociedade e para os sistemas locais de sa&uacute;de, a figura da equipa de Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia e da comunidade” (Viegas e Penna, 2009, p. 3).</p>     <p>A proposta de um modelo de aten&ccedil;&atilde;o na ESF no Brasil, centrado na qualidade de vida das pessoas e na rela&ccedil;&atilde;o das equipas de sa&uacute;de com a comunidade, privilegiando a abordagem familiar, deve pautar-se em a&ccedil;&otilde;es interdisciplinares organizadas num territ&oacute;rio definido, em busca da melhoria das condi&ccedil;&otilde;es de vida e sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o. Por&eacute;m, na pr&aacute;tica, essa Estrat&eacute;gia ainda n&atilde;o conseguiu alcan&ccedil;ar os seus objetivos na APS, pois a assist&ecirc;ncia ainda se fundamenta no modelo biom&eacute;dico, com enfoque na doen&ccedil;a e com aten&ccedil;&atilde;o fragmentada. Entendemos que a constru&ccedil;&atilde;o da integralidade depende das pol&iacute;ticas formuladas, da organiza&ccedil;&atilde;o do Sistema para sua implementa&ccedil;&atilde;o, das a&ccedil;&otilde;es integradas em sa&uacute;de, mas tamb&eacute;m do reconhecimento, por parte do profissional, de que a aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de deve ser sujeito-centrada.</p>     <p>Para um modelo assistencial centrado no utente prop&otilde;e-se um processo de trabalho multiprofissional e determinado por a&ccedil;&otilde;es integrais em sa&uacute;de, no qual o ser humano &eacute; visto como um ser completo, entendido e percebido a partir de seu ambiente f&iacute;sico e social, o que possibilita, &agrave;s equipas da ESF, uma compreens&atilde;o ampliada do processo sa&uacute;de/doen&ccedil;a e da necessidade de interven&ccedil;&otilde;es que v&atilde;o para al&eacute;m de pr&aacute;ticas curativas. A produ&ccedil;&atilde;o do cuidado d&aacute;-se em a&ccedil;&otilde;es de acolhimento, v&iacute;nculo, responsabiliza&ccedil;&atilde;o e resolutividade. A pr&aacute;tica cuidadora fundamenta-se na monitoriza&ccedil;&atilde;o e na articula&ccedil;&atilde;o das diversas interven&ccedil;&otilde;es em sa&uacute;de por meio do acompanhamento do cliente pela rede de servi&ccedil;os.</p>     <p>Na Constitui&ccedil;&atilde;o Brasileira de 1988, no seu artigo 198, a integralidade foi contemplada como diretriz da assist&ecirc;ncia &agrave; sa&uacute;de, no seu inciso II, primando o atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem preju&iacute;zo dos servi&ccedil;os assistenciais (Brasil. Senado Federal, 1988).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pressup&otilde;e, tamb&eacute;m, a aten&ccedil;&atilde;o focada no indiv&iacute;duo, na fam&iacute;lia e na comunidade – a inser&ccedil;&atilde;o social – visto que, ao longo dos anos, o entendimento da integralidade passou a abranger outras dimens&otilde;es, aumentando a responsabilidade do SUS com a qualidade da aten&ccedil;&atilde;o e do cuidado. Ela implica, al&eacute;m da articula&ccedil;&atilde;o e da sintonia entre as estrat&eacute;gias de produ&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de, na amplia&ccedil;&atilde;o da escuta, quer individual e/ou coletivamente, de modo a deslocar a aten&ccedil;&atilde;o da perspectiva estrita do adoecimento e de seus sintomas para o acolhimento da hist&oacute;ria do sujeito, de suas condi&ccedil;&otilde;es de vida e de suas necessidades em sa&uacute;de, respeitando e considerando as suas especificidades e as suas potencialidades na constru&ccedil;&atilde;o dos projetos e da organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho sanit&aacute;rio (Brasil. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Secretaria de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de. Departamento de An&aacute;lise de situa&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de. Coordena&ccedil;&atilde;o Geral de Doen&ccedil;as e Agravos N&atilde;o-Transmiss&iacute;veis, 2006).</p>     <p>No entanto, “sem mudan&ccedil;as nos pressupostos e paradigmas a nortearem o modelo assistencial brasileiro, n&atilde;o se pode esperar resposta satisfat&oacute;ria aos problemas que se apresentam no dia a dia da intera&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o com os servi&ccedil;os de sa&uacute;de. Para que as a&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de atendam ao princ&iacute;pio de integralidade mediante a demanda de servi&ccedil;os dessa popula&ccedil;&atilde;o, implica uma assimila&ccedil;&atilde;o deste princ&iacute;pio em prol da reorienta&ccedil;&atilde;o do modelo assistencial: integral, humanizado e compromissado” (Viegas e Penna, 2009, p. 14).</p>     <p>Assim, tentar compreender a integralidade no &acirc;mbito das pr&aacute;ticas em sa&uacute;de torna-se importante, uma vez que estamos tratando do indiv&iacute;duo e do coletivo e tentar submet&ecirc;-los numa determinada teoria/ideologia seria limitar, e at&eacute; mesmo impedir, o aparecimento de novas formas de se fazer e cuidar em sa&uacute;de. Da&iacute; a import&acirc;ncia de se reconhecerem as pr&aacute;ticas que possam contemplar o fen&oacute;meno integralidade em suas diferentes nuances e captar esse processo como elaborador de conhecimento no fazer em sa&uacute;de.</p>     <p>O objetivo do estudo foi compreender a constru&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas de integralidade em sa&uacute;de no trabalho quotidiano das equipas de Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia e de gestores de munic&iacute;pios do Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, Brasil.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Metodologia</b></p>     <p>O estudo &eacute; de abordagem qualitativa, delineada pela estrat&eacute;gia de pesquisa Estudo de Casos M&uacute;ltiplos Hol&iacute;sticos, fundamentado na Sociologia Compreensiva do quotidiano originado de uma tese de doutoramento (Viegas, 2010).</p>     <p>Considerando que &eacute; no plano das pr&aacute;ticas quotidianas, de profissionais da ESF, da equipa de apoio e de gestores, que se d&aacute; a constru&ccedil;&atilde;o da integralidade com as suas v&aacute;rias interpreta&ccedil;&otilde;es, fez-se a op&ccedil;&atilde;o de lan&ccedil;ar o olhar da Sociologia Compreensiva do quotidiano, fundamentado em Michel Maffesoli sobre o objeto de estudo, para compreender a integralidade por meio da pluralidade de vis&otilde;es e experi&ecirc;ncias no quotidiano de trabalho dos profissionais. Para o autor “a sociedade n&atilde;o &eacute; apenas um sistema mec&acirc;nico de rela&ccedil;&otilde;es econ&oacute;mico-pol&iacute;ticas ou sociais, mas um conjunto de rela&ccedil;&otilde;es interativas, feito de afetos, emo&ccedil;&otilde;es, sensa&ccedil;&otilde;es que constituem, stricto sensu, o corpo social” (Maffesoli, 1996, p. 73).</p>     <p>A sociologia compreensiva ocupa-se em descrever “o vivido naquilo que &eacute;, contentando-se, assim, em discernir as vis&otilde;es dos diferentes atores envolvidos” (Maffesoli, 1988, p. 25). &Eacute; adequada para descrever os limites e a necessidade das situa&ccedil;&otilde;es e das representa&ccedil;&otilde;es constitutivas da vida quotidiana, formada pelo sujeito e pelas suas intera&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>A necessidade de se utilizar a estrat&eacute;gia de pesquisa estudo de caso nasceu do desejo de se compreender um fen&oacute;meno social complexo: a constru&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas de integralidade em sa&uacute;de no trabalho quotidiano das equipas de Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia e de gestores de munic&iacute;pios situados no Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais (MG), Brasil.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O Brasil &eacute; uma Rep&uacute;blica Federativa Constitucional Presidencialista, constitu&iacute;da por 26 Estados, um Distrito Federal e 5.565 Munic&iacute;pios. Os munic&iacute;pios inclu&iacute;dos no estudo s&atilde;o Diamantina (46.212 habitantes), Gouveia (11.915 habitantes) e Datas (5.418 habitantes) (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica, 2008). Essas cidades distam no m&aacute;ximo 30 Km entre si, sendo que Diamantina, Patrim&ocirc;nio Cultural da Humanidade, localiza-se a 292 Km da capital de Minas Gerais, Belo Horizonte.</p>     <p>O Vale do Jequitinhonha situa-se na regi&atilde;o nordeste do estado de Minas Gerais. O Vale &eacute; assim chamado devido ao rio com o mesmo nome, que tem a sua nascente e maior extens&atilde;o no Estado, e segue em dire&ccedil;&atilde;o ao Estado da Bahia, para desaguar no Oceano Atl&acirc;ntico. O &iacute;ndice de pobreza da regi&atilde;o &eacute; elevado, ocasionando &ecirc;xodo rural para os grandes centros urbanos e um esvaziamento demogr&aacute;fico persistente. Tem sido caracterizada, em v&aacute;rios estudos, como regi&atilde;o deprimida, onde os &iacute;ndices de pobreza, mis&eacute;ria, desnutri&ccedil;&atilde;o, mortalidade, analfabetismo, desemprego e infra-estrutura s&oacute;cio-econ&oacute;mica imperam desfavoravelmente em grande parte dos munic&iacute;pios (Penna, 2007).</p>     <p>A proposta foi realizar um estudo de caso individual em cada um dos Munic&iacute;pios, constituindo-se um estudo de casos m&uacute;ltiplos. A pesquisa abarca sete equipas de Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia destacadas em seis Unidades B&aacute;sicas de Sa&uacute;de, as equipas de apoio e os gestores municipais. Dessa forma, por o estudo incluir tr&ecirc;s munic&iacute;pios e v&aacute;rias equipes da ESF como cen&aacute;rios, configura-se casos m&uacute;ltiplos hol&iacute;sticos, como unidade &uacute;nica de an&aacute;lise. Isto &eacute;, cada caso em particular consiste num estudo completo, no qual se procuram evid&ecirc;ncias convergentes ou divergentes com respeito aos fatos e &agrave;s conclus&otilde;es para o caso (Yin, 2005).</p>     <p>Fundamentando-se nas evid&ecirc;ncias resultantes de estudos de casos m&uacute;ltiplos em que &eacute; poss&iacute;vel usar a replica&ccedil;&atilde;o literal, e as “conclus&otilde;es anal&iacute;ticas que independentemente surgiram dos tr&ecirc;s casos s&atilde;o mais contundentes do que aquelas que surgem apenas de um caso” e pode-se chegar, neste estudo, a “conclus&otilde;es comuns a partir de ambos os casos, estendendo de forma incomensur&aacute;vel a capacidade externa de generaliza&ccedil;&atilde;o das descobertas no estudo” (Yin, 2005, p. 75).</p>     <p>A pesquisa de campo, durante um per&iacute;odo de oito meses, teve por base um levantamento de dados prim&aacute;rios por meio de observa&ccedil;&atilde;o direta e entrevistas individuais baseadas nas seguintes quest&otilde;es norteadoras: 1- “Fale-me da sua pr&aacute;tica quotidiana na Estrat&eacute;gia Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia”; 2- “O que compreende por integralidade em sa&uacute;de?”; 3- “Como percebe o desenvolvimento da integralidade nas a&ccedil;&otilde;es da equipe de trabalho?”; 4- “ deseja acrescentar algo?” (Espa&ccedil;o aberto para o informante). A observa&ccedil;&atilde;o foi utilizada como entrada no campo de pesquisa. Foi realizada em ambiente de trabalho do participante – Unidade de Sa&uacute;de, domic&iacute;lio, comunidade. O registo dessas observa&ccedil;&otilde;es foi feito num di&aacute;rio de campo elaborado ap&oacute;s cada per&iacute;odo de observa&ccedil;&atilde;o, identificada como notas de observa&ccedil;&atilde;o (NO). A observa&ccedil;&atilde;o foi de natureza descritiva, focalizando o objeto de estudo proposto. Os tr&ecirc;s casos foram conduzidos sucessivamente no per&iacute;odo da observa&ccedil;&atilde;o e simultaneamente no momento das entrevistas.</p>     <p>Os sujeitos desta pesquisa foram trabalhadores das equipas da ESF e das equipas de apoio, entre m&eacute;dicos, enfermeiros, auxiliares/t&eacute;cnicos de enfermagem, agente comunit&aacute;rio de sa&uacute;de, cirurgi&atilde;o-dentista, auxiliar de consult&oacute;rio dent&aacute;rio, fisioterapeuta e os gestores de cada munic&iacute;pio – secret&aacute;rios de sa&uacute;de com acumula&ccedil;&atilde;o de fun&ccedil;&atilde;o de gest&atilde;o, cujas participa&ccedil;&otilde;es foram volunt&aacute;rias, num total de 48 participantes. Como crit&eacute;rio de inclus&atilde;o, estabeleceu-se uma atua&ccedil;&atilde;o de, no m&iacute;nimo, um ano na fun&ccedil;&atilde;o/cargo de trabalho. Segundo o crit&eacute;rio da pesquisa qualitativa, o n&uacute;mero de inquiridos n&atilde;o foi indicado <i>a priori</i>. No total, eram 76 profissionais: membros das equipas ESF inclu&iacute;das e alguns profissionais de apoio que atendiam aos crit&eacute;rios de inclus&atilde;o, mais os gestores dos munic&iacute;pios. Por&eacute;m, os dados da observa&ccedil;&atilde;o apresentaram-se suficientes no 48o sujeito acompanhado e no 35o sujeito entrevistado, determinando assim o encerramento da coleta de dados.</p>     <p>A an&aacute;lise de dados foi feita com base no referencial de Bardin (2008), utilizando-se a t&eacute;cnica do emprego da An&aacute;lise de Conte&uacute;do Tem&aacute;tica, ou seja, uma an&aacute;lise dos significados. As fases da an&aacute;lise foram: a) A prepara&ccedil;&atilde;o do material: o registo das notas de campo e a transcri&ccedil;&atilde;o das 35 entrevistas; b) A leitura flutuante e globalizada dos dados; c) A explora&ccedil;&atilde;o do material por meio da codifica&ccedil;&atilde;o, efetuada por “recorte do texto em suas partes, para serem categorizadas e classificadas com vistas a uma decodifica&ccedil;&atilde;o do significado das partes em rela&ccedil;&atilde;o com o todo, permitindo atingir uma representa&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do, ou da sua express&atilde;o” (Bardin, 2008, p. 129). Em seguida, pela categoriza&ccedil;&atilde;o – que &eacute; uma opera&ccedil;&atilde;o de classifica&ccedil;&atilde;o de categorias, as quais re&uacute;nem um grupo de unidades de registo sob um t&iacute;tulo gen&eacute;rico, agrupamento este efetuado em raz&atilde;o das caracter&iacute;sticas comuns destes elementos. Neste estudo, o crit&eacute;rio de categoriza&ccedil;&atilde;o foi o sem&acirc;ntico, ou seja, a significa&ccedil;&atilde;o; d) O tratamento dos resultados obtidos e a interpreta&ccedil;&atilde;o foram processados conforme o objetivo previsto e a discuss&atilde;o com a literatura existente. Ap&oacute;s uma interpreta&ccedil;&atilde;o descritiva dos casos individuais, foram identificadas as linhas convergentes ou contr&aacute;rias, ou seja, resultados similares ou contradit&oacute;rios e, a partir dessas evid&ecirc;ncias, procedeu-se &agrave; an&aacute;lise dos casos m&uacute;ltiplos ou comparativos (Yin, 2005), para considera&ccedil;&otilde;es finais pertinentes, como conclus&atilde;o do estudo.</p>     <p>A pesquisa foi desenvolvida segundo as diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos, a Resolu&ccedil;&atilde;o Brasileira do Conselho Nacional de Sa&uacute;de No 196 de 10 de outubro de 1996. Dessa forma, a coleta de dados iniciou-se ap&oacute;s a aprova&ccedil;&atilde;o do projeto pelo Comit&eacute; de &Eacute;tica da Universidade Federal de Minas Gerias (COEP UFMG), de acordo com o Parecer no ETIC 142/08. O acesso ao campo de pesquisa foi obtido por meio de autoriza&ccedil;&atilde;o dos prefeitos e secret&aacute;rios de sa&uacute;de dos munic&iacute;pios para conduzir o estudo, al&eacute;m do consentimento livre e informado dos participantes. O anonimato dos sujeitos foi garantido por meio da ado&ccedil;&atilde;o de siglas enumeradas, referentes &agrave; primeira letra que identifica cada profiss&atilde;o, seguida pelo n&uacute;mero, de ordem sequencial, de acordo com a equipa e profissional entrevistado.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados e discuss&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os inquiridos, ao descreverem a sua pr&aacute;tica quotidiana e o desenvolvimento, ou n&atilde;o, da integralidade nas a&ccedil;&otilde;es da equipa de trabalho, contemplam, nas suas respostas, todas as atividades desenvolvidas, obedecendo &agrave; sua agenda profissional e &agrave;s suas atribui&ccedil;&otilde;es enquanto membros da equipa da ESF.</p>     <p>Desde 1994 a ESF vem vindo a expandir rapidamente a cobertura em sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o brasileira, e consequentemente a sua for&ccedil;a de trabalho. Assim, demanda aten&ccedil;&atilde;o, responsabiliza&ccedil;&atilde;o e contribui&ccedil;&otilde;es de v&aacute;rias naturezase de atores e institui&ccedil;&otilde;es, para que o trabalho em equipa possa ser constitu&iacute;do nessa estrat&eacute;gia.</p>     <p><i>Como eu vejo essa integralidade... com otimismo. Eu acho que tem altos e baixos, mais altos do que baixos. Eu acho que toda a equipa est&aacute; integrada, procurando exercer as suas atividades. Tanto &eacute; que todos se entendem, convivem e trabalham com maior entusiasmo dentro da equipa (M<sub>3</sub>). Eu percebo a pr&aacute;tica da integralidade nas a&ccedil;&otilde;es da equipa quando um paciente, por exemplo, n&atilde;o &eacute; um paciente da Dra M<sub>1</sub>, &eacute; um paciente nosso... Isso &eacute; integralidade, e o que ela sabe do paciente eu sei, e os agentes comunit&aacute;rios tamb&eacute;m. Ent&atilde;o a gente tenta resolver o problema juntas... Quando eu falei da integralidade no sentido da pessoa como um todo, na quest&atilde;o social aqui eu vejo muito, porque, n&atilde;o sei se &eacute; porque eu trabalho h&aacute; onze anos, e a Dra M<sub>1</sub> h&aacute; cinco, a gente conhece mesmo! (E<sub>1</sub>)</i></p>     <p>O m&eacute;dico e a enfermeira percebem o exerc&iacute;cio da integralidade nas atividades desenvolvidas com base no entendimento, conviv&ecirc;ncia, entusiasmo, nas informa&ccedil;&otilde;es compartilhadas, j&aacute; que o paciente &eacute; da equipa, afirmando o trabalho conjunto na aten&ccedil;&atilde;o &agrave; pessoa e &agrave; sua fam&iacute;lia. A ESF promove a pr&aacute;tica integral por aproximar a equipa da realidade das fam&iacute;lias.</p>     <p>No &acirc;mbito das ci&ecirc;ncias da sa&uacute;de, v&aacute;rias s&atilde;o as discuss&otilde;es sobre como contribuir para novas formas de pensar e agir nos espa&ccedil;os de aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de, no sentido de efetivar a transforma&ccedil;&atilde;o de uma assist&ecirc;ncia focada na pessoa e n&atilde;o na doen&ccedil;a. Para isso acontecer, o trabalho coletivo na ESF deve sustentar-se num conhecimento que inclui as determina&ccedil;&otilde;es biopsicossociais de sa&uacute;de-doen&ccedil;a, numa forma de atender aos princ&iacute;pios da universalidade, equidade e integralidade.</p>     <p><i>Eu acho que a integralidade &eacute; bem desenvolvida, sim. Porque cada um tendo a sua fun&ccedil;&atilde;o, os ACS t&ecirc;m a fun&ccedil;&atilde;o de trazer dados para dentro da ESF. As auxiliares ajudam a gente a resolver muitos problemas, acompanham-nos na visita, tanto a enfermeira como as auxiliares, e est&atilde;o ajudando a gente a prevenir e tamb&eacute;m a curar, entre aspas, muita coisa. A gente trabalha aqui realmente como uma equipa (ACS<sub>71</sub>). &Eacute; que cada um dentro das suas atribui&ccedil;&otilde;es procura desenvolver melhor o trabalho para conseguir fazer com que a integralidade possa ocorrer (ACS<sub>62</sub>). Os ACS, a enfermeira, auxiliar e t&eacute;cnico de enfermagem, auxiliar de servi&ccedil;os gerais, m&eacute;dico, todos est&atilde;o ali desenvolvendo o trabalho (ACS<sub>21</sub>).</i></p>     <p>As a&ccedil;&otilde;es integrais podem levar a equipa a refletir sobre como solucionar os problemas do ser humano, segundo o profissional, efetivando o trabalho em equipa como fator aditivo para alcan&ccedil;ar a integralidade. Evidencia-se a ideia de que o estabelecimento de equipas multiprofissionais foi um dos elementos-chave para o desenvolvimento do trabalho com maior integra&ccedil;&atilde;o na Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia. Os resultados apresentam-nos essa integra&ccedil;&atilde;o no trabalho em equipa para lidar com a complexidade da aten&ccedil;&atilde;o na ESF, a qual toma a sa&uacute;de no seu contexto pessoal, familiar e social.</p>     <p>Pode-se inferir que as atribui&ccedil;&otilde;es ou as fun&ccedil;&otilde;es de cada um dos profissionais citadas complementam-se um nas palavras do outro: <i>a gente trabalha realmente como uma equipa (ACS<sub>71</sub>); para conseguir fazer com que a integralidade possa ocorrer (ACS<sub>62</sub>); eu acho que a integralidade dentro da equipa sempre pode refletir isso (TE<sub>71</sub>); porque cada um tem sua fun&ccedil;&atilde;o, mas se um deixar de fazer n&atilde;o &eacute; equipa (ACS<sub>21</sub>)</i>. Isso reflete-se na constata&ccedil;&atilde;o de que n&atilde;o h&aacute; integralidade nas a&ccedil;&otilde;es sem o trabalho em equipa reafirmando o que Ara&uacute;jo e Rocha (2007, p. 456) dizem, “a import&acirc;ncia do trabalho em equipa na ESF &eacute; ressaltada, principalmente, pelo aspecto de integralidade nos cuidados de sa&uacute;de”.</p>     <p>Por&eacute;m, a integralidade das a&ccedil;&otilde;es na ESF deve construir-se em a&ccedil;&otilde;es interdisciplinares com ades&atilde;o dos profissionais da equipa de apoio mas, tamb&eacute;m, em a&ccedil;&otilde;es intersetoriais:</p>     <p><i>A integralidade &eacute; derivada de cada setor, cada setor tem o seu objetivo, mas tamb&eacute;m das v&aacute;rias disciplinas. Ent&atilde;o a fisioterapia tem um objetivo, mas &eacute; l&oacute;gico que a gente tem que ter uma vis&atilde;o hol&iacute;stica das pessoas que est&atilde;o sendo atendidas. Ent&atilde;o o que a gente percebe &eacute; que essa integralidade acontece, ela &eacute; um quadro que vai crescendo gradativamente. Voc&ecirc; usa os conhecimentos, o saber de cada um de acordo com as necessidades das pessoas (F<sub>6</sub>)</i>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nesse cen&aacute;rio, a composi&ccedil;&atilde;o da equipa ESF com apoio dos outros profissionais n&atilde;o diz respeito apenas &agrave; incorpora&ccedil;&atilde;o de novos agentes na equipa mas sobretudo &agrave; procura da supera&ccedil;&atilde;o da fragmenta&ccedil;&atilde;o por meio de planeamento de a&ccedil;&otilde;es interdisciplinares, mas que no quotidiano expressam-se em dificuldades para a concretiza&ccedil;&atilde;o:</p>     <p><i>O fato de a gente hoje trabalhar numa equipa multiprofissional, a gente tem m&eacute;dico, enfermeiro, psic&oacute;logo, nutricionista, fisioterapeuta, bioqu&iacute;mico, ent&atilde;o eu acho que essa equipa multiprofissional n&atilde;o est&aacute; interligada, por exemplo, para uma discuss&atilde;o de caso para poder &eacute;... saber mais sobre aquele paciente que est&aacute; ali sendo atendido. Mas eu acho que &eacute; muito presente essa coisa de buscar todas essas possibilidades. Eu acho que n&oacute;s todos, ou a maioria de n&oacute;s, tem essa vis&atilde;o de entender o que a nutricionista, as psic&oacute;logas podem estar contribuindo para aquele paciente que eu estou atendendo ali. Qual dos m&eacute;dicos estaria mais &eacute;... apto, de repente, a resolver determinado problema que a gente est&aacute; percebendo com a pessoa. Mas eu acho mesmo que o que falta &eacute; a gente ter condi&ccedil;&atilde;o de estar sentando, de estar conversando. Isso n&atilde;o quer dizer que n&atilde;o aconte&ccedil;a [...] Ent&atilde;o, a gente tem defici&ecirc;ncias, mas eu acho que existe essa vontade de estar utilizando todas as pessoas, dessa rede que a gente tem, de tentar atingir essa integralidade do cuidado &agrave;s pessoas (E<sub>7</sub>)</i>.</p>     <p>Apesar de a interdisciplinaridade nas a&ccedil;&otilde;es da equipa n&atilde;o ser ainda uma pr&aacute;tica vivida diariamente, segundo E<sub>7</sub>, os profissionais reconhecem que necessitam da atua&ccedil;&atilde;o de outros profissionais na equipe ESF. Vale a pena ressaltar a import&acirc;ncia da participa&ccedil;&atilde;o da equipa de apoio em Gouveia, o que representa maior complementaridade e possibilidade de resolutividade no desenvolvimento da aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de. Assim, os relatos indicam que persiste a necessidade de uma maior intera&ccedil;&atilde;o, ao mesmo tempo em que se percebe que o trabalho em equipa torna poss&iacute;vel potencializar as a&ccedil;&otilde;es j&aacute; realizadas, bem como estimular e dar suporte para as a&ccedil;&otilde;es a serem desenvolvidas, com vistas a promover a aten&ccedil;&atilde;o integral &agrave; sa&uacute;de.</p>     <p>Tendo isto em vista, Ara&uacute;jo, Dias e Bustorff (2011, p.17), “observam a import&acirc;ncia de se adicionar &agrave;s equipas b&aacute;sicas de Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia outros profissionais, que contribuir&atilde;o para a promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de dos clientes perante as suas capacidades individuais profissionais, promovendo a interdisciplinaridade, a exemplo do psic&oacute;logo, do nutricionista, do fisioterapeuta e do educador f&iacute;sico, seja pelo valor de cada um dentro do tratamento especifico, seja pela necessidade de se educar a popula&ccedil;&atilde;o de forma hol&iacute;stica, para a conscientiza&ccedil;&atilde;o da necessidade de mudan&ccedil;a de h&aacute;bitos de vida, no que se refere &agrave; preven&ccedil;&atilde;o de danos e promo&ccedil;&atilde;o do bem-estar geral”.</p>     <p>Essencialmente, para que a ESF desencadeie um processo de constru&ccedil;&atilde;o de novas pr&aacute;ticas, considera-se imprescind&iacute;vel que os trabalhadores articulem uma nova dimens&atilde;o no desenvolvimento do trabalho em equipa. Torna-se necess&aacute;ria a incorpora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o apenas de novos conhecimentos, mas tamb&eacute;m de mudan&ccedil;as na cultura e no compromisso com a gest&atilde;o p&uacute;blica, que garanta uma pr&aacute;tica pautada pelos princ&iacute;pios da promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de (Araujo e Rocha, 2007).</p>      <p>O espa&ccedil;o de discuss&atilde;o a que o inquirido acima se refere representa a oportunidade de socializa&ccedil;&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es referentes aos atendimentos realizados individualmente por cada profissional, que poderiam ser apresentados e discutidos pela equipa contribuindo assim para a tomada de decis&atilde;o e para o envolvimento de todos em rela&ccedil;&atilde;o ao acolhimento das necessidades do utente.</p>     <p>A “composi&ccedil;&atilde;o da equipa de refer&ecirc;ncia e a cria&ccedil;&atilde;o de especialidades em apoio matricial procuram criar possibilidades para se operar com uma amplia&ccedil;&atilde;o dos trabalhos cl&iacute;nico e sanit&aacute;rio, j&aacute; que se considera que nenhum especialista, de modo isolado, poder&aacute; assegurar uma abordagem integral. Essa metodologia pretende assegurar maior efic&aacute;cia e efici&ecirc;ncia ao trabalho em sa&uacute;de, mas tamb&eacute;m investir na constru&ccedil;&atilde;o de autonomia dos utentes. A sua utiliza&ccedil;&atilde;o como instrumento concreto e quotidiano pressup&otilde;e certo grau de reforma ou de transforma&ccedil;&atilde;o do modo como se organizam e funcionam os servi&ccedil;os e sistemas de sa&uacute;de. Isso indica a exist&ecirc;ncia de dificuldades e obst&aacute;culos para a reorganiza&ccedil;&atilde;o do trabalho em sa&uacute;de a partir dessas diretrizes” (Campos e Domitti, 2007, p. 400).</p>     <p>Se, de um lado, h&aacute; reconhecimento, pelo informante E<sub>7</sub>, de que as discuss&otilde;es de caso n&atilde;o s&atilde;o formalizadas e que h&aacute; defici&ecirc;ncias na pr&aacute;tica di&aacute;ria, por outro existe a procura de possibilidades e a vontade de tentar atingir essa integralidade do cuidado &agrave;s pessoas, e, consequentemente o trabalho em equipa. Entretanto, &eacute; necess&aacute;rio destacar que a constru&ccedil;&atilde;o da integralidade na pr&aacute;tica quotidiana dos trabalhadores da sa&uacute;de revela, em alguns momentos, afirma&ccedil;&otilde;es, possibilidades, de um fazer compartilhado e, em outros momentos, incoer&ecirc;ncias, um fazer descontinuado, fragmentado:</p>     <p><i>Aqui &eacute; assim, &agrave;s vezes, tem uma equipe e uma EUquipe, n&atilde;o &eacute;? Cada um faz a sua. Ent&atilde;o a gente sabe que todo lugar tem gente que faz e tem gente que faz de conta que faz. Mas a maioria trabalha mesmo &eacute; nessa fun&ccedil;&atilde;o de estar sempre podendo, na medida do poss&iacute;vel, resolver as quest&otilde;es, dentro das medidas que o munic&iacute;pio oferece, certo? (AE<sub>71</sub>)</i>.</p>     <p>Verifica-se, portanto, que apesar das possibilidades para o trabalho em equipa – pois os informantes apresentam as intera&ccedil;&otilde;es profissionais, com novos protagonistas na a&ccedil;&atilde;o compondo um trabalho conjunto entre equipe de apoio e equipes da ESF – os resultados afirmam que o cuidado individualizado considera a fragmenta&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es. Logo, cabe enfatizar a prioridade do individualismo em toda a reflex&atilde;o sobre o trabalho em equipa</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mas deve ser destacado que a visita domiciliar constr&oacute;i, nos cen&aacute;rios em estudo, novos ecos para a integralidade em sa&uacute;de (NO) como, tamb&eacute;m, a ajuda m&uacute;tua entre os componentes da equipa:</p>     <p><i>N&oacute;s, a nossa equipa ACS, auxiliar, enfermeiro, m&eacute;dico, procuramos fazer todo esse processo, o ACS buscando em casa, levando pra Unidade B&aacute;sica de Sa&uacute;de, para o enfermeiro ou o m&eacute;dico, e sobre a necessidade (do utente) o m&eacute;dico estar encaminhando (ACS<sub>52</sub>). Na equipe em que eu trabalho acho que todos t&ecirc;m o mesmo objetivo, um procurando, da melhor forma, ajudar o outro a resolver os problemas surgidos, de estar procurando melhores condi&ccedil;&otilde;es para os pacientes (AE<sub>5</sub>)</i>.</p>     <p>Esses depoimentos podem levar a uma reflex&atilde;o que indica caminhos em dire&ccedil;&atilde;o a uma configura&ccedil;&atilde;o da equipa multiprofissional com atua&ccedil;&atilde;o interdisciplinar, potencializando, assim, cada a&ccedil;&atilde;o programada e executada. Nessa perspectiva, a responsabilidade da aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de passa a ser descentralizada da figura do profissional m&eacute;dico, sendo dividida entre os membros da equipa.</p>     <p>A horizontalidade dessa rela&ccedil;&atilde;o dos sujeitos est&aacute; manifesta no reconhecimento do outro como par e como interlocutor, e na cria&ccedil;&atilde;o de v&iacute;nculos de reciprocidade e colabora&ccedil;&atilde;o no trabalho em sa&uacute;de. A essa rela&ccedil;&atilde;o segue-se a coopera&ccedil;&atilde;o, na identifica&ccedil;&atilde;o e na assist&ecirc;ncia a um problema ou a uma necessidade do cliente de forma sistem&aacute;tica, um colaborando com o outro, um ajudando o outro a resolver os problemas surgidos.</p>     <p>Segundo Severo e Seminotti (2007, p. 14), “trabalhar em Servi&ccedil;os P&uacute;blicos em sa&uacute;de requer um olhar multidimensional, abertura &agrave;s contradi&ccedil;&otilde;es e rupturas nas l&oacute;gicas advindas dos conhecimentos e forma&ccedil;&otilde;es disciplinares. &Eacute; por meio das interliga&ccedil;&otilde;es entre as partes, no trabalho em redes, na vis&atilde;o psicossocial e coletiva que o trabalhador exercita a mudan&ccedil;a de seu fazer profissional no trabalho em equipes. Paradoxalmente, a&iacute; &eacute; que se encontram os seus maiores desafios”.</p>     <p>O princ&iacute;pio da integralidade est&aacute; inserido na consci&ecirc;ncia cr&iacute;tica dos profissionais de sa&uacute;de, como os resultados apresentam. Assim, partindo de um contexto complexo com o qual esses profissionais est&atilde;o em constante intera&ccedil;&atilde;o, &eacute; poss&iacute;vel que, na pr&aacute;tica, se evolua para uma rotina de a&ccedil;&otilde;es transformadoras e integralizadas, frutos de uma ajuda m&uacute;tua.</p>     <p>No entanto, alguns sujeitos da pesquisa enfatizam dificuldades na implementa&ccedil;&atilde;o da integralidade:</p>     <p><i>A integralidade de um modo conjunto, dentro da ESF, n&oacute;s n&atilde;o temos. Para um melhor atendimento, seriam necess&aacute;rias depend&ecirc;ncias adequadas, porque aqui &eacute; muito inadequado. Seriam necess&aacute;rios exames complementares para que eu pudesse acompanhar o doente, porque a gente fica restrito a seis, a oito, a vinte exames para atender trezentas, quatrocentas pessoas. Ent&atilde;o, a maioria n&atilde;o &eacute; atendida sob o ponto de vista de exames complementares naquilo que pode nos ajudar nos diagn&oacute;sticos das doen&ccedil;as (M<sub>2</sub>)</i>. Eu acho que est&aacute; sendo mais ou menos, eu n&atilde;o acho muita integra&ccedil;&atilde;o de todos os profissionais, n&atilde;o. Porque, &agrave;s vezes, a gente tenta fazer a parte da gente, integrar com a comunidade mas, por outro lado, j&aacute; falta uma comunica&ccedil;&atilde;o junto com os outros (profissionais), com as outras Unidades de Sa&uacute;de. Porque, &agrave;s vezes, a gente tenta conseguir uma consulta especializada, mas as vagas s&atilde;o poucas. Ent&atilde;o, acaba n&atilde;o integrando bem, porque a gente fica mal visto com a comunidade aqui (AE<sub>2</sub>).</p>     <p>A falta de integra&ccedil;&atilde;o entre os profissionais da equipa com outros Servi&ccedil;os foi apontada como uma restri&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento da integralidade nas a&ccedil;&otilde;es. Al&eacute;m da falta de recursos f&iacute;sicos e materiais adequados para o trabalho da equipa e, tamb&eacute;m, a escassez de recursos tecnol&oacute;gicos para o apoio diagn&oacute;stico foram evidenciadas como perdas para a aten&ccedil;&atilde;o integral. Ao indicar a refer&ecirc;ncia do cliente para outros n&iacute;veis de aten&ccedil;&atilde;o o relato indica que o acesso &eacute; dif&iacute;cil e interrompe o desenvolvimento da integralidade na rede de aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de.</p>     <p>Integralidade, muito picada, muito. Com a vinda de E<sub>5</sub>, ela est&aacute; tentando dar um melhoramento nisso. Mas &eacute; ainda muito descentralizada, assim, eu tenho que fazer o meu servi&ccedil;o, ent&atilde;o deixa eu fazer o meu servi&ccedil;o (M<sub>4</sub>). Eu n&atilde;o percebo a integralidade. Acho que est&aacute; muito fragmentado. Cada um fazendo o seu servi&ccedil;o. Eu acho que cada um est&aacute; fazendo da melhor forma, mas se tivesse uma uni&atilde;o, ou melhor, um planeamento, eu acho que a gente conseguiria atingir as metas, chegar aos resultados que a gente quer (CD<sub>4</sub>). A gente tenta trabalhar da melhor forma poss&iacute;vel, estar integrando meu servi&ccedil;o com o m&eacute;dico, com o outro enfermeiro, com o ACS, nem sempre a gente consegue... fazer da pr&aacute;tica o que a teoria nos pede, que &eacute; estar 100% na integralidade, mas, e at&eacute; porque meu servi&ccedil;o &eacute; muito corrido [...] At&eacute; mesmo com outros Servi&ccedil;os secund&aacute;rios, terci&aacute;rios, a gente sempre reclama que tem a refer&ecirc;ncia e n&atilde;o tem a contrarrefer&ecirc;ncia. [...] Ent&atilde;o, assim, 100% eu acho que em Servi&ccedil;o nenhum existe, mas o que a gente pode fazer, o m&iacute;nimo que a gente consegue fazer a gente tenta fazer (E<sub>4</sub>).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Se por um lado essas falas abordam a fragmenta&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es e da aten&ccedil;&atilde;o na refer&ecirc;ncia para outros Servi&ccedil;os de Sa&uacute;de e setores, por outro &eacute; poss&iacute;vel tamb&eacute;m perceb&ecirc;-la refletida nos espa&ccedil;os de trabalho dos pr&oacute;prios profissionais da ESF.</p>     <p>Em estudo realizado por Kell e Shimizu (2010) percebeu-se que, no processo de trabalho desenvolvido na ESF, cada um dos trabalhadores especializados exerce as a&ccedil;&otilde;es isoladamente. Verificou-se que a complementaridade n&atilde;o &eacute; aproveitada pelos profissionais, no sentido de expressar articula&ccedil;&atilde;o entre os trabalhos. Os trabalhos especializados est&atilde;o justapostos, sem que as conex&otilde;es estejam evidenciadas pela interven&ccedil;&atilde;o consciente de um sujeito articulador.</p>     <p>Ainda que os profissionais inquiridos neste estudo tenham um objetivo comum – que &eacute; responder &agrave;s necessidades das pessoas e da comunidade - em algumas a&ccedil;&otilde;es as equipas trabalham com intera&ccedil;&otilde;es pontuais, sem inter-rela&ccedil;&otilde;es entre os saberes, duplicando esfor&ccedil;os, mesmo tendo uma vis&atilde;o integrativa do ser humano a ser cuidado (Loch-Neckel <i>et al</i>., 2009; Spagnuolo e Guerrini, 2005). Desse modo, &eacute; importante destacar a proficuidade da teoriza&ccedil;&atilde;o sobre o processo de trabalho em sa&uacute;de para analisar a realidade quotidiana da ESF.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Pensar a aten&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de de forma integral &eacute; recusar-se a reduzir o paciente ao sistema biol&oacute;gico ou &agrave; queixa que supostamente produz o sofrimento, portanto a interdisciplinaridade nas a&ccedil;&otilde;es em sa&uacute;de torna-se necess&aacute;ria para uma abordagem que d&ecirc; conta de respostas eficazes. Observa-se, neste estudo, que para os inquiridos o trabalho em equipa &eacute; a base para as a&ccedil;&otilde;es integrais na ESF. Assim, o trabalho em equipa na Sa&uacute;de representa um processo de rela&ccedil;&otilde;es a serem pensadas pelos pr&oacute;prios trabalhadores e possui m&uacute;ltiplas possibilidades de significados quando realizado na perspectiva de uma aten&ccedil;&atilde;o integral.</p>     <p>Os resultados mostram que as pr&aacute;ticas integrais em sa&uacute;de, muitas vezes, s&atilde;o contempladas pela equipa outras vezes, demonstram que cada profissional realiza a sua fun&ccedil;&atilde;o de forma isolada ou compartilhada, pouco interativa e pouco articulada. Por&eacute;m, os inquiridos demonstram tamb&eacute;m abarcar m&uacute;ltiplos interesses de transforma&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica hegemonicamente institu&iacute;da abrindo caminhos no sentido de concretiza&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio da integralidade, um deles, denotado na percep&ccedil;&atilde;o dos profissionais acerca da “discuss&atilde;o de caso” como forma de garantir uma aten&ccedil;&atilde;o integral &agrave; sa&uacute;de das pessoas, fam&iacute;lias e comunidade.</p>     <p>Dessa forma, a constru&ccedil;&atilde;o da integralidade incide de forma gradual no Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de Brasileiro, transformando a&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;xis, modificando todo um cen&aacute;rio, de base positivista, fundamentando-se no quotidiano dos servi&ccedil;os, o qual &eacute; determinado pelas especificidades dos contextos vividos e das possibilidades de uma aten&ccedil;&atilde;o mais integral e humana em sa&uacute;de.</p>     <p>Procurou-se, nesse artigo, abalizar a reflex&atilde;o dos profissionais de sa&uacute;de, ao distinguir que cada um fa&ccedil;a seu papel, mas que conjuntamente construam e consolidem experi&ecirc;ncias que requerem estrat&eacute;gias de apoio, transcendendo os antagonismos. S&oacute; assim ser&aacute; poss&iacute;vel promover a expans&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es integrais em sa&uacute;de.</p>     <p>Cabe enfatizar que esta pesquisa &eacute; um estudo de casos m&uacute;ltiplos hol&iacute;sticos; cada um dos casos constituiu uma entidade &uacute;nica, submetida a uma an&aacute;lise particular e cont&iacute;nua. Ap&oacute;s a an&aacute;lise criteriosa de cada caso, os dados apresentaram resultados semelhantes conferindo-lhes a replica&ccedil;&atilde;o literal e uma capacidade de generaliza&ccedil;&atilde;o. A validade externa fundamenta-se nas converg&ecirc;ncias dos dados, ou seja, nessa replica&ccedil;&atilde;o literal; e as constata&ccedil;&otilde;es dela decorrentes, por retratar uma situa&ccedil;&atilde;o real em seus m&uacute;ltiplos aspectos, permitem infer&ecirc;ncia e compara&ccedil;&otilde;es com situa&ccedil;&otilde;es similares. Acrescenta-se a descri&ccedil;&atilde;o de que h&aacute; de se levar em conta a efetividade de uma pol&iacute;tica como a ESF nessas realidades, pois quantas portas foram abertas para as popula&ccedil;&otilde;es locais, al&eacute;m dos avan&ccedil;os demonstrados nos resultados, apesar das dificuldades apresentadas para o alcance dos objetivos a que se prop&otilde;e essa Estrat&eacute;gia, bem como para a integralidade nas a&ccedil;&otilde;es das equipas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <p>ARA&Uacute;JO, Marize Barros de Souza ; ROCHA, Paulo de Medeiros (2007) - Trabalho em equipe: um desafio para a consolida&ccedil;&atilde;o da estrat&eacute;gia de sa&uacute;de da fam&iacute;lia. Ci&ecirc;ncia & Sa&uacute;de Coletiva [Em linha]. Vol.12, no 2, p. 455-464. [Consult. 01 mar. 2012]. Dispon&iacute;vel em WWW:URL: <a href="http://www.scielo.br/pdf/csc/v12n2/a22v12n2.pdf" target="_blank">http://www.scielo.br/pdf/csc/v12n2/a22v12n2.pdf</a>.</p>     <p>ARA&Uacute;JO, Verbena Santos ; DIAS, Maria Djair ; BUSTORFF, Leila Alcina Correia Vaz (2011) - A instrumentaliza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de na aten&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica. [Consult. 07 mar. 2012]. Revista de Enfermagem Refer&ecirc;ncia [Em linha]. S&eacute;rie 3, n&deg; 5, p. 7-17. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://www.esenfc.pt/rr/rr/index.php?id_website=3&d=1&target=DetalhesArtigo&id_artigo=2249&id_rev=9&id_edicao=38" target="_blank">http://www.esenfc.pt/rr/rr/index.php?id_website=3&d=1&target=DetalhesArtigo&id_artigo=2249&id_rev=9&id_edicao=38</a>.</p>     <p>BARDIN, Laurence (2008) - An&aacute;lise de conte&uacute;do. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70.</p>     <p>BRASIL. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Secretaria de Vigil&acirc;ncia em Sa&uacute;de. Departamento de An&aacute;lise de Situa&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de. Coordena&ccedil;&atilde;o Geral de Doen&ccedil;as e Agravos N&atilde;o-Transmiss&iacute;veis (2006) - Pol&iacute;tica nacional de promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de [Em linha]. [Consult. 18 fev. 2008]. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/Politica_nacional_%20saude_nv.pdf" target="_blank">http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/Politica_nacional_%20saude_nv.pdf</a>.</p>     <p>BRASIL. Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica (1990) - Lei n&ordm; 8.080, de 19 de setembro de 1990 - Disp&otilde;e sobre as condi&ccedil;&otilde;es para a promo&ccedil;&atilde;o, prote&ccedil;&atilde;o e recupera&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de, a organiza&ccedil;&atilde;o e o funcionamento dos servi&ccedil;os correspondentes, e d&aacute; outras provid&ecirc;ncias [Em linha]. [Consult. 12 set. 2008]. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/LEI8080.pdf" target="blank">http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/LEI8080.pdf</a>.</p>     <p>BRASIL. Senado Federal (1988) - Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Federativa do Brasil. Bras&iacute;lia: Senado Federal. Secretaria Especial de Editora&ccedil;&atilde;o e Publica&ccedil;&otilde;es. Subsecretaria de Edi&ccedil;&otilde;es T&eacute;cnicas.</p>     <p>CAMPOS, Gast&atilde;o Wagner de Sousa ;&nbsp; DOMITTI, Ana Carla (2007) - Apoio matricial e equipe de refer&ecirc;ncia: uma metodologia para gest&atilde;o do trabalho interdisciplinar em sa&uacute;de. Cadernos de Sa&uacute;de P&uacute;blica [Em linha]. Vol. 23, no 2, p. 399-407. [Consult. 01 mar. 2012]. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://www.scielo.br/pdf/csp/v23n2/16.pdf" target="_blank">http://www.scielo.br/pdf/csp/v23n2/16.pdf</a>.</p>     <p>FRANCO, T&uacute;lio Batista ; MERHY, Emerson Elias (2007) - Programa Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia (PSF): contradi&ccedil;&otilde;es de um Programa destinado &agrave; mudan&ccedil;a do modelo tecnoassistencial. In MERHY, Emerson Elias - O trabalho em sa&uacute;de: olhando e experienciando o SUS no cotidiano. S&atilde;o Paulo: Hucitec.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTAT&Iacute;STICA (2008) - Estimativas da popula&ccedil;&atilde;o para 1&ordm; de julho de 2008 [Em linha]. [Consult. 05 set. 2008]. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://www.ibge.gov.br/home/" target="_blank">http://www.ibge.gov.br/home/</a>.</p>     <p>KELL, Maria do Carmo Gomes ;&nbsp;SHIMIZU, Helena Eri (2010) - Existe trabalho em equipe no Programa Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia? Ci&ecirc;ncia & Sa&uacute;de Coletiva [Em linha]. Vol. 15, no 1, p. 1533-1541. [Consult. 01 fev. 2012]. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://www.scielo.br/pdf/csc/v15s1/065.pdf" target="_blank">http://www.scielo.br/pdf/csc/v15s1/065.pdf</a>.</p>     <p>LOCH-NECKEL, G. [et al.] (2009) - Desafios para a a&ccedil;&atilde;o interdisciplinar na aten&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica: implica&ccedil;&otilde;es relativas &agrave; composi&ccedil;&atilde;o das equipes de sa&uacute;de da fam&iacute;lia. Ci&ecirc;ncia & Sa&uacute;de Coletiva [Em linha]. Vol. 14, n&ordm; 1, p. 1463-1472. [Consult. 09 mar. 2010]. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://www.scielo.br/pdf/csc/v14s1/a19v14s1.pdf" target="_blank">http://www.scielo.br/pdf/csc/v14s1/a19v14s1.pdf</a>.</p>     <p>MAFFESOLI, Michel (1988) - O conhecimento comum: comp&ecirc;ndio de sociologia compreensiva. Trad. de Aluizo Ramos Trinta. S&atilde;o Paulo: Brasiliense.</p>     <p>MAFFESOLI, Michel (1996) - No fundo das apar&ecirc;ncias. Trad. de Bertha Halpern Gurovitz. Petr&oacute;polis: Vozes.</p>     <p>PENNA, Claudia Maria de Mattos (2007) - Realidade e imagin&aacute;rio no processo de viver de moradores em um distrito Brasileiro. Texto & Contexto Enfermagem [Em linha]. Vol. 16,&nbsp; no 1. [Consult.&nbsp;04&nbsp; jun.&nbsp; 2012]. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://www.scielo.br/pdf/tce/v16n1/a10v16n1.pdf" target="_blank">http://www.scielo.br/pdf/tce/v16n1/a10v16n1.pdf</a>.</p>     <p>SEVERO, Silvani Botlender ; SEMINOTTI, Nedio (2007) - O sujeito e a coletividade: um caminho transdial&oacute;gico na sa&uacute;de coletiva. Psicologia USP [Em linha].&nbsp;Vol. 18,&nbsp; n&ordm; 4. [Consult. 01 mar. 2012]. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://www.scielo.br/pdf/pusp/v18n4/v18n4a04.pdf" target="_blank">http://www.scielo.br/pdf/pusp/v18n4/v18n4a04.pdf</a>.</p>     <p>SPAGNUOLO, Regina Stella ; GUERRINI, Ivan Amaral (2005) - A constru&ccedil;&atilde;o de um modelo de sa&uacute;de complexo e transdisciplinar. Interface - Comunica&ccedil;&atilde;o, Sa&uacute;de, Educa&ccedil;&atilde;o [Em linha].&nbsp;Vol. 9,&nbsp; no 16,&nbsp;p. 191-194. [Consult. 10 out. 2008]. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://www.scielo.br/pdf/icse/v9n16/v9n16a20.pdf" target="_blank">http://www.scielo.br/pdf/icse/v9n16/v9n16a20.pdf</a>.</p>     <p>VIEGAS, Selma Maria da Fonseca (2010) - A integralidade no cotidiano da estrat&eacute;gia sa&uacute;de da fam&iacute;lia em munic&iacute;pios do Vale do Jequitinhonha-Minas Gerais [Em linha]. Belo Horizonte: Escola de Enfermagem, Universidade Federal de Minas Gerais. [Consult. 12 out. 2011]. Tese de doutoramento. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://www.enf.ufmg.br/pos/defesas/300D.PDF" target="_blank">http://www.enf.ufmg.br/pos/defesas/300D.PDF</a>.</p>     <p>VIEGAS, Selma Maria da Fonseca ; PENNA, Cl&aacute;udia Maria de Mattos (2009) -Integrality and attention to the population’s health care in brazilian district. A qualitative study. Online Brazilian Journal of Nursing [Em linha]. Vol. 8,&nbsp; n&ordm; 2. [ Consult. 08 mar. 2012]. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://www.objnursing.uff.br/index.php/nursing/article/view/j.1676-4285.2009.2214/491" target="_blank">http://www.objnursing.uff.br/index.php/nursing/article/view/j.1676-4285.2009.2214/491</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>YIN, Robert K. (2005) - Estudo de caso: planejamento e m&eacute;todos. Trad. Daniel Grassi. 3 ed. Porto Alegre: Bookman.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido para publica&ccedil;&atilde;o em: 06.06.12</p>     <p>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em: 25.04.13</p>      ]]></body><back>
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