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<article-id pub-id-type="doi">10.12707/RIII12125</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Dotação segura para a prática de enfermagem: operacionalidade do conceito e o seu impacto nos resultados]]></article-title>
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<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Dotación segura para la práctica de enfermería: operabilidad del concepto e impacto en los resultados]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Hospital Cuf Descobertas Unidade Funcional de Obstetrícia e Neonatologia ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The need to adjust nursing resources to the real needs of clients for nursing care is a major concern of healthcare managers, due to its influence on the quality and safety of care. Thus the concept of safe nurse staffing emerged, and this goes beyond considering the number of nurses by also valuing their skills and the context in which care is provided. Objectives: To analyze the different ways of operationalizing the concept of safe nurse staffing and its impact on the results obtained in terms of clients, nurses and healthcare organizations. Methods: A literature review of the research conducted between 2000 and 2011 on the theme of safe nurse staffing, methods of staffing calculation, nursing ratios, and the impact of safe staffing. Conclusions: There is no evidence of a universal method because none of the methods of staffing calculation integrates the diversity involved in the different facets of the concept, nor incorporates the necessary dynamism to adapt to different contexts. Implication for nursing: Safe nurse staffing is a determining factor in the quality of care provided to the client and it has impact on the results obtained for care providers and organizations.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[La necesidad de adecuación de los recursos de enfermería a las necesidades reales de los clientes en cuidados de enfermería constituye una de las preocupaciones de los gestores sanitarios, debido a la influencia que ejerce en la calidad y la seguridad de los cuidados prestados. Por esta razón, ha aparecido el concepto de dotación segura en enfermería que, además de tener en cuenta el número de enfermeros, valoriza sus competencias y el contexto en el que se prestan los cuidados. Objetivos: analizar las diferentes formas de funcionamiento del concepto de dotación segura y el impacto que ejerce en los resultados obtenidos a nivel de los clientes, enfermeros y organizaciones sanitarias. Métodos: revisión de la literatura sobre la investigación desarrollada entre 2000 y 2011 sobre las temáticas: dotación de enfermería, métodos de cálculo de dotación, ratios en enfermería, impacto de la dotación segura. Conclusiones: no existe evidencia de un método universal, puesto que ninguno de los métodos de cálculo de dotación integra la diversidad inscrita en las diferentes facetas del concepto, no incorporando así el dinamismo necesario para adaptarse a los diferentes contextos. Implicación para la enfermería: la dotación segura en enfermería es un factor determinante de la calidad de los cuidados prestados al cliente y tiene un impacto en los resultados obtenidos para los prestadores y las organizaciones.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Dota&ccedil;&atilde;o segura para a pr&aacute;tica de enfermagem: operacionalidade do conceito e o seu impacto nos resultados</b></p>     <p><b>Safe staffing for nursing practice: operationalization of the concept and its impact on outcomes</b></p>     <p><b>Dotaci&oacute;n segura para la pr&aacute;ctica de enfermer&iacute;a: operabilidad del concepto e impacto en los resultados</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Maria Jo&atilde;o Baptista dos Santos de Freitas</b><a href="#a1">*</a><a name="topa1"></a>; <b>Pedro Miguel Dinis Parreira</b><a href="#a2">**</a><a name="topa2"></a></p>     <p><a href="#topa1">*</a><a name="a1"></a> Licenciada em enfermagem. P&oacute;s gradua&ccedil;&atilde;o em enfermagem de sa&uacute;de materna e obst&eacute;trica, doutoranda em enfermagem no Instituto de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de- Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa. Enfermeira gestora, Unidade Funcional de Obstetr&iacute;cia e Neonatologia do Hospital Cuf Descobertas [<a href="mailto:mjbsfreitas@gmail.pt">mjbsfreitas@gmail.pt</a>].</p>     <p><a href="#topa2">**</a><a name="a2"></a> Diploma, Estudos Superiores Especializados em Enfermagem, Departamento do Ensino Superior. Curso, Especializa&ccedil;&atilde;o em Enfermagem de Reabilita&ccedil;&atilde;o, Escola Superior de Enfermagem Dr. &Acirc;ngelo da Fonseca. Mestre, Comportamento Organizacional, Instituto Superior de Psicologia Aplicada. Doutor, Gest&atilde;o, Instituto Superior de Ci&ecirc;ncias do Trabalho e da Empresa [<a href="mailto:parreira@esenfc.pt">parreira@esenfc.pt</a>].</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resumo</b></p>     <p>Contexto: a necessidade de adequa&ccedil;&atilde;o dos recursos de enfermagem &agrave;s reais necessidades dos clientes em cuidados de enfermagem constitui uma das preocupa&ccedil;&otilde;es dos gestores em sa&uacute;de pela influ&ecirc;ncia que exerce na qualidade e seguran&ccedil;a dos cuidados prestados. Da&iacute; que tenha surgido o conceito de dota&ccedil;&atilde;o segura em enfermagem que, al&eacute;m de contemplar o n&uacute;mero de enfermeiros, valoriza tamb&eacute;m as suas compet&ecirc;ncias e o contexto de presta&ccedil;&atilde;o de cuidados.&nbsp;Objetivos: analisar as diferentes formas de operacionaliza&ccedil;&atilde;o do conceito de dota&ccedil;&atilde;o segura e o seu impacto nos resultados obtidos ao n&iacute;vel dos clientes, enfermeiros e organiza&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Metodologia: revis&atilde;o da literatura sobre a investiga&ccedil;&atilde;o desenvolvida entre 2000 a 2011 sobre as tem&aacute;ticas: dota&ccedil;&atilde;o de enfermagem, m&eacute;todos de c&aacute;lculo de dota&ccedil;&atilde;o, r&aacute;cios em enfermagem e impacto da dota&ccedil;&atilde;o segura. Conclus&atilde;o: n&atilde;o existe evid&ecirc;ncia de um m&eacute;todo universal pois nenhum dos m&eacute;todos de c&aacute;lculo de dota&ccedil;&atilde;o integra a diversidade inscrita nas diferentes facetas do conceito, n&atilde;o incorporando o dinamismo necess&aacute;rio para se adaptar aos diferentes contextos. Implica&ccedil;&otilde;es para a enfermagem: a dota&ccedil;&atilde;o segura de enfermagem &eacute; um fator determinante para a qualidade dos cuidados prestados ao cliente e tem impacto nos resultados obtidos para os prestadores e para as organiza&ccedil;&otilde;es.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: administra&ccedil;&atilde;o de recursos humanos em sa&uacute;de; dota&ccedil;&atilde;o de recursos para cuidados de sa&uacute;de; recursos humanos de enfermagem; recursos humanos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Abstract</b></p>     <p>The need to adjust nursing resources to the real needs of clients for nursing care is a major concern of healthcare managers, due to its influence on the quality and safety of care. Thus the concept of safe nurse staffing emerged, and this goes beyond considering the number of nurses by also valuing their skills and the context in which care is provided. Objectives: To analyze the different ways of operationalizing the concept of safe nurse staffing and its impact on the results obtained in terms of clients, nurses and healthcare organizations. Methods: A literature review of the research conducted between 2000 and 2011 on the theme of safe nurse staffing, methods of staffing calculation, nursing ratios, and the impact of safe staffing. Conclusions: There is no evidence of a universal method because none of the methods of staffing calculation integrates the diversity involved in the different facets of the concept, nor incorporates the necessary dynamism to adapt to different contexts. Implication for nursing: Safe nurse staffing is a determining factor in the quality of care provided to the client and it has impact on the results obtained for care providers and organizations.</p>     <p><b>Keywords</b>: healthcare personnel management; healthcare rationing; nursing staff; human resources.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resumen</b></p>     <p>La necesidad de adecuaci&oacute;n de los recursos de enfermer&iacute;a a las necesidades reales de los clientes en cuidados de enfermer&iacute;a constituye una de las preocupaciones de los gestores sanitarios, debido a la influencia que ejerce en la calidad y la seguridad de los cuidados prestados. Por esta raz&oacute;n, ha aparecido el concepto de dotaci&oacute;n segura en enfermer&iacute;a que, adem&aacute;s de tener en cuenta el n&uacute;mero de enfermeros, valoriza sus competencias y el contexto en el que se prestan los cuidados. Objetivos: analizar las diferentes formas de funcionamiento del concepto de dotaci&oacute;n segura y el impacto que ejerce en los resultados obtenidos a nivel de los clientes, enfermeros y organizaciones sanitarias. M&eacute;todos: revisi&oacute;n de la literatura sobre la investigaci&oacute;n desarrollada entre 2000 y 2011 sobre las tem&aacute;ticas: dotaci&oacute;n de enfermer&iacute;a, m&eacute;todos de c&aacute;lculo de dotaci&oacute;n, ratios en enfermer&iacute;a, impacto de la dotaci&oacute;n segura.</p>     <p>Conclusiones: no existe evidencia de un m&eacute;todo universal, puesto que ninguno de los m&eacute;todos de c&aacute;lculo de dotaci&oacute;n integra la diversidad inscrita en las diferentes facetas del concepto, no incorporando as&iacute; el dinamismo necesario para adaptarse a los diferentes contextos. Implicaci&oacute;n para la enfermer&iacute;a: la dotaci&oacute;n segura en enfermer&iacute;a es un factor determinante de la calidad de los cuidados prestados al cliente y tiene un impacto en los resultados obtenidos para los prestadores y las organizaciones.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palabras clave</b>: administraci&oacute;n de recursos humanos en salud; dotaci&oacute;n de recursos para los cuidados de la salud; recursos humanos de enfermer&iacute;a; recursos humanos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Os enfermeiros s&atilde;o os e lementos da equipa de sa&uacute;de habilitados com um portf&oacute;lio de compet&ecirc;ncias, entendidas como um conjunto de comportamentos que englobam os conhecimentos, as habilidades e os atributos pessoais essenciais para prestarem cuidados de qualidade. No entanto, &eacute; necess&aacute;rio que as organiza&ccedil;&otilde;es estejam munidas dos recursos materiais, t&eacute;cnicos e humanos adequados para que os enfermeiros possam cumprir a sua miss&atilde;o.</p>     <p>A dota&ccedil;&atilde;o adequada de recursos de enfermagem refere-se &agrave; correta dota&ccedil;&atilde;o de enfermeiros em quantidade (n&uacute;mero de enfermeiros ou equivalentes em tempo integral) e em qualidade (experi&ecirc;ncia/forma&ccedil;&atilde;o dos enfermeiros) face &agrave;s necessidades dos clientes, sendo uma das condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis para a qualidade dos cuidados de enfermagem prestados. &Eacute; fundamental dispor de recursos de enfermagem adequados para que os enfermeiros possam orientar a sua pr&aacute;tica de forma a prestar cuidados de qualidade que garantam a seguran&ccedil;a e a satisfa&ccedil;&atilde;o dos clientes.</p>     <p>As defini&ccedil;&otilde;es de dota&ccedil;&atilde;o reportam-se &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre quantidade e qualidade, tal como defendido por Hall (2005, p. 2), “<i>como a quantidade e tipo de pessoal necess&aacute;rio para a presta&ccedil;&atilde;o de cuidados a clientes</i>”, e por Frederico e Leit&atilde;o (1999, p.113), “<i>estabelecer de forma quantitativa e qualitativa, as necessidades de pessoal de enfermagem, para prestar cuidados a um determinado grupo de clientes</i>”.</p>     <p>A combina&ccedil;&atilde;o das diferentes categorias de prestadores de cuidados de sa&uacute;de e a determina&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de profissionais necess&aacute;rios para os diferentes ambientes s&atilde;o pe&ccedil;as chave na dota&ccedil;&atilde;o, constituindo uma preocupa&ccedil;&atilde;o dos decisores aos diferentes n&iacute;veis (n&iacute;vel macro – pol&iacute;ticas de sa&uacute;de e n&iacute;vel micro - planeamento operacional).</p>     <p>Bostick <i>et al</i>. (2006), na sua revis&atilde;o sistem&aacute;tica da literatura sobre qualidade e dota&ccedil;&atilde;o de enfermeiros em casas de sa&uacute;de/lares, encontraram oitenta e sete artigos e documentos governamentais publicados entre 1975-2003, que lhes permitiram concluir que existe uma associa&ccedil;&atilde;o entre n&iacute;veis de dota&ccedil;&atilde;o e melhoria da qualidade dos cuidados.</p>     <p>A determina&ccedil;&atilde;o da adequada combina&ccedil;&atilde;o de recursos humanos (enfermeiros com diferentes n&iacute;veis de compet&ecirc;ncias e de necessidades de supervis&atilde;o) nas equipas em cada turno &eacute; essencial pois uma falha nesse sentido pode conduzir a erros cl&iacute;nicos que, por sua vez, podem resultar em danos para os clientes e para a organiza&ccedil;&atilde;o. A necessidade de adequar os recursos de enfermagem tendo em conta a seguran&ccedil;a, o n&iacute;vel de necessidade de cuidados de enfermagem dos clientes, a qualidade dos cuidados de enfermagem, a carga de trabalho, o ambiente de trabalho e o n&iacute;vel de qualifica&ccedil;&atilde;o/experi&ecirc;ncia dos enfermeiros, fez emergir o conceito de dota&ccedil;&atilde;o segura em enfermagem. &Eacute; a <i>American Federation of Teachers</i> em 1995 (<i>apud International Council of Nurses</i>, 2006, p.7) a primeira entidade a definir este conceito como “<i>estar dispon&iacute;vel em todas as alturas uma quantidade adequada de pessoal, com uma combina&ccedil;&atilde;o adequada de n&iacute;veis de compet&ecirc;ncia, para assegurar que se vai ao encontro das necessidades de cuidados dos doentes e que s&atilde;o mantidas condi&ccedil;&otilde;es de trabalho isentas de riscos</i>”.</p>     <p>No sentido de dar resposta a estas preocupa&ccedil;&otilde;es, t&ecirc;m sido desenvolvidos v&aacute;rios m&eacute;todos de c&aacute;lculo de dota&ccedil;&atilde;o de enfermeiros e m&uacute;ltiplos estudos para avaliar o impacto da dota&ccedil;&atilde;o de enfermagem na qualidade e seguran&ccedil;a nos cuidados prestados.Com esta revis&atilde;o da literatura realizada no &acirc;mbito do Doutoramento em Enfermagem no Instituto de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de, Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa pretende-se identificar e analisar o conhecimento produzido sobre esta tem&aacute;tica. Pelo que este trabalho tem como objectivos: identificar o conceito de dota&ccedil;&atilde;o segura; analisar os m&eacute;todos existentes para a sua operacionaliza&ccedil;&atilde;o e analisar o impacto da dota&ccedil;&atilde;o segura nos resultados obtidos. Em primeiro lugar ser&atilde;o descritos os diferentes m&eacute;todos encontrados para operacionalizar a dota&ccedil;&atilde;o de enfermeiros, destacando-se em cada um deles os pontos fortes e limita&ccedil;&otilde;es. Seguidamente, apresenta-se a solu&ccedil;&atilde;o proposta por alguns pa&iacute;ses como forma de resolu&ccedil;&atilde;o desta problem&aacute;tica, elencando as suas potencialidades e constrangimentos. O item seguinte centra-se na an&aacute;lise dos resultados obtidos para os clientes, enfermeiros e organiza&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de, articulando-os com o tema em estudo. Para finalizar esta revis&atilde;o, apresenta-se o m&eacute;todo maioritariamente utilizado no nosso pa&iacute;s para o c&aacute;lculo da dota&ccedil;&atilde;o de enfermeiros e os estudos desenvolvidos nesta tem&aacute;tica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Metodologia</b></p>     <p>Este trabalho tem como objetivos: identificar o conceito de dota&ccedil;&atilde;o segura; analisar os m&eacute;todos existentes para a sua operacionaliza&ccedil;&atilde;o e analisar o impacto da dota&ccedil;&atilde;o. Atendendo aos objectivos do trabalho realizou-se uma revis&atilde;o da literatura da investiga&ccedil;&atilde;o publicada entre 2000-2011 nas &aacute;reas tem&aacute;ticas: m&eacute;todos de c&aacute;lculo de dota&ccedil;&atilde;o em enfermagem, r&aacute;cios em enfermagem, impacto da dota&ccedil;&atilde;o nos resultados dos clientes, dos profissionais e das organiza&ccedil;&otilde;es. Foram selecionadas as seguintes bases de dados: EBSCO-CINAHL, MEDLINE, B-ON, Reposit&oacute;rio Cient&iacute;fico de Acesso Aberto de Portugal, The Cochrane Library e SciELO. Utilizou-se como idiomas preferenciais o portugu&ecirc;s e o ingl&ecirc;s para a defini&ccedil;&atilde;o das palavras-chave, transcritas de acordo com os Descritores em Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de (Administra&ccedil;&atilde;o de recursos humanos em sa&uacute;de, dota&ccedil;&atilde;o de recursos para cuidados de sa&uacute;de, Recursos humanos de enfermagem, Recursos humanos). A bibliografia encontrada foi categorizada e analisada de acordo com as &aacute;reas tem&aacute;ticas acima mencionadas, sem recurso ao uso de metodologia espec&iacute;fica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Revis&atilde;o de Literatura</b></p>     <p><b>M&eacute;todos de c&aacute;lculo de dota&ccedil;&atilde;o de enfermeiros</b></p>     <p>Os m&eacute;todos de organiza&ccedil;&atilde;o de recursos humanos, nomeadamente os que se reportam &agrave; enfermagem, s&atilde;o um importante contributo para a presta&ccedil;&atilde;o dos cuidados com qualidade e seguran&ccedil;a.</p>     <p>Atualmente os m&eacute;todos usados para sustentar as decis&otilde;es nos diferentes contextos s&atilde;o variados e com diferentes finalidades. Estes s&atilde;o baseados em alguns princ&iacute;pios como a an&aacute;lise de tarefas, de fun&ccedil;&otilde;es, de postos de trabalho, do grau de depend&ecirc;ncia dos clientes nos cuidados e do ju&iacute;zo profissional.</p>     <p>Hurst (2003), na revis&atilde;o sistem&aacute;tica da literatura que efetuou e que teve por base a an&aacute;lise de mais de 500 artigos, publica&ccedil;&otilde;es monogr&aacute;ficas e relat&oacute;rios de diversos pa&iacute;ses sobre este tema, identificou cinco m&eacute;todos principais que s&atilde;o utilizados pelos gestores em enfermagem para tomarem decis&otilde;es quanto ao custo/benef&iacute;cio, n&uacute;mero e combina&ccedil;&atilde;o de capacidades do efetivo de enfermagem. Os m&eacute;todos referenciados s&atilde;o:</p>     <p><b>Ju&iacute;zo profissional</b>: permite calcular, atrav&eacute;s do n&uacute;mero de enfermeiros pretendido em cada turno, o n&uacute;mero de horas de trabalho necess&aacute;rias por semana (n&ordm; de horas em cada turno multiplicado pelo n&ordm; de enfermeiros em cada turno, multiplicado pelo n&ordm; dias da semana) sendo expresso em Equivalentes de Tempo Integral (ETI). Ao valor total obtido deve-se acrescentar (multiplicando) a toler&acirc;ncia relativa &agrave;s folgas e f&eacute;rias (o autor recomenda 1.22). Finalmente, esse valor deve ser dividido pelo n&ordm; de horas de trabalho semanais contratualizadas. &Eacute; considerado o m&eacute;todo mais simples e indicado para uma abordagem r&aacute;pida e simples da dota&ccedil;&atilde;o, sendo confirmado pelos resultados obtidos por outros m&eacute;todos. Tem como desvantagem n&atilde;o se adaptar &agrave;s oscila&ccedil;&otilde;es de carga de trabalho ou &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o equitativa da mesma.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>N&uacute;mero de enfermeiros por cama ocupada</b>: assenta no c&aacute;lculo do n&uacute;mero de enfermeiros necess&aacute;rio em cada turno e de acordo com o n&uacute;mero de camas ocupadas por especialidade ou tipologia de cliente (cir&uacute;rgico, medicina, oncol&oacute;gico, cuidados intensivos, etc.). Pressup&otilde;e o c&aacute;lculo de dota&ccedil;&otilde;es de base e n&atilde;o &eacute; sens&iacute;vel ao grau de depend&ecirc;ncia dos clientes internados.</p>     <p><b>Qualidade-acuidade</b>: tamb&eacute;m assenta no c&aacute;lculo do n&uacute;mero de enfermeiros necess&aacute;rios por turno tendo por base uma f&oacute;rmula mais complexa que a do m&eacute;todo anterior. &Eacute; sens&iacute;vel &agrave; complexidade das necessidades em cuidados dos clientes e ao seu grau de depend&ecirc;ncia, pelo que &eacute; muito &uacute;til em servi&ccedil;os com oscila&ccedil;&otilde;es frequentes no fluxo e tipologia de clientes. Permite identificar o patamar abaixo do qual a qualidade dos cuidados &eacute; posta em causa, pois consegue avaliar a carga de trabalho, classificando os clientes de acordo com as suas necessidades. O tempo despendido nos chamados cuidados indiretos (atividades de forma&ccedil;&atilde;o, supervis&atilde;o e coordena&ccedil;&atilde;o) assim como a satisfa&ccedil;&atilde;o das necessidades psico afetivas dos clientes, os tempos de pausa e de folga dos enfermeiros s&atilde;o contabilizados como tempos extra por servi&ccedil;o. No entanto necessita de um programa inform&aacute;tico e de forma&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica para a sua utiliza&ccedil;&atilde;o, aumentando a carga de trabalho dos enfermeiros dada a necessidade de recolher e registar os dados que alimentam o programa.</p>     <p><b>Tarefas/interven&ccedil;&otilde;es cronometradas</b>: requer a quantifica&ccedil;&atilde;o em minutos de todas as interven&ccedil;&otilde;es previstas no plano de cuidados de enfermagem de cada cliente. O somat&oacute;rio destes minutos resulta no n&uacute;mero de horas de cuidados de enfermagem necess&aacute;rias por cliente/turno<span class="annotation-reference">/</span>dia. Este m&eacute;todo &eacute; adequado para servi&ccedil;os nos quais os planos de cuidados s&atilde;o elaborados e atualizados de forma sistem&aacute;tica. As atividades de enfermagem relacionadas com as necessidades psicol&oacute;gicas e afetivas dos clientes s&atilde;o de dif&iacute;cil quantifica&ccedil;&atilde;o pelo que, habitualmente, os tempos m&eacute;dios dedicados a estas atividades/interven&ccedil;&otilde;es s&atilde;o acordados localmente, sendo por vezes ignorados. Tal como no m&eacute;todo anterior, os tempos de pausa e de folga dos enfermeiros s&atilde;o contabilizados como tempos extras por servi&ccedil;o. Este m&eacute;todo &eacute; replic&aacute;vel em ambientes semelhantes e facilmente adapt&aacute;vel a ambientes diferentes (depois de desenvolvido o trabalho de quantifica&ccedil;&atilde;o das diferentes interven&ccedil;&otilde;es de enfermagem e de parametriza&ccedil;&atilde;o do programa inform&aacute;tico que suporta os registos de enfermagem).</p>     <p><b>An&aacute;lise de modelos de regress&atilde;o linear</b>: utiliza c&aacute;lculos estat&iacute;sticos complexos que permitem prever o n&uacute;mero de enfermeiros necess&aacute;rios para um determinado n&iacute;vel de atividade num determinado servi&ccedil;o. Esta metodologia demonstra que o aumento da taxa de ocupa&ccedil;&atilde;o leva ao aumento da dota&ccedil;&atilde;o e estima as necessidades em n&uacute;mero de enfermeiros. Os dados s&atilde;o f&aacute;ceis de recolher, partindo-se do princ&iacute;pio que as dota&ccedil;&otilde;es s&atilde;o ajustadas de acordo com as necessidades dos doentes, podendo efetuar-se agrega&ccedil;&atilde;o de dados a partir de servi&ccedil;os semelhantes. &Eacute; uma metodologia &uacute;til para gestores com recursos limitados que n&atilde;o t&ecirc;m &agrave; sua disposi&ccedil;&atilde;o meios para cronometrar tarefas/actividades ou para recorrerem a m&eacute;todos de qualidade-acuidade. Necessita de conhecimentos estat&iacute;sticos apropriados para a sua conce&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o, no entanto n&atilde;o &eacute; seguro extrapolar os resultados para realidades diferentes pois a exist&ecirc;ncia de rela&ccedil;&otilde;es lineares entre vari&aacute;veis dependentes e independentes n&atilde;o garantem as mesmas rela&ccedil;&otilde;es noutros contextos.</p>     <p><b>R&aacute;cios de dota&ccedil;&atilde;o em enfermagem</b></p>     <p>Em todos os m&eacute;todos anteriormente mencionados s&atilde;o apresentados pontos fortes e fracos no entanto, apesar de toda a investiga&ccedil;&atilde;o desenvolvida, ainda n&atilde;o foi apresentada uma ferramenta ideal que permita aos enfermeiros gestores tomarem as melhores decis&otilde;es quanto &agrave; dota&ccedil;&atilde;o segura em enfermagem. Um dos constrangimentos reside na impossibilidade em medir todas as atividades/interven&ccedil;&otilde;es associadas aos aspetos cognitivos e intelectuais desenvolvidos pelos enfermeiros.</p>     <p>Dada a dificuldade na ado&ccedil;&atilde;o de um &uacute;nico m&eacute;todo para a determina&ccedil;&atilde;o da dota&ccedil;&atilde;o segura, a solu&ccedil;&atilde;o apresentada por alguns pa&iacute;ses assentou na legisla&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o de r&aacute;cios de dota&ccedil;&atilde;o segura em enfermagem. Entende-se por r&aacute;cio a rela&ccedil;&atilde;o proporcional entre dois valores, reportando-se ao n&uacute;mero m&aacute;ximo de clientes a serem atribu&iacute;dos a um enfermeiro durante um turno. O estado da Calif&oacute;rnia foi pioneiro nesta abordagem, com a introdu&ccedil;&atilde;o de legisla&ccedil;&atilde;o que assenta nos princ&iacute;pios defendidos pela Associa&ccedil;&atilde;o Americana de Enfermagem relativamente &agrave; dota&ccedil;&atilde;o em enfermagem, tendo sido implementada entre 2004 e 2008 em todos os Hospitais da Calif&oacute;rnia. Posteriormente, outros estados americanos e outros pa&iacute;ses legislaram igualmente r&aacute;cios com base nos n&iacute;veis de dota&ccedil;&atilde;o recomendados pelos &oacute;rg&atilde;os reguladores do exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o.</p>     <p>No estudo efetuado por Chapman <i>et al</i>. (2009), que avaliou o impacto da implementa&ccedil;&atilde;o desta lei, na perspetiva de vinte e tr&ecirc;s l&iacute;deres de doze hospitais da Calif&oacute;rnia com diferentes modelos de gest&atilde;o, conclu&iacute;ram que a melhoria da qualidade dos cuidados prestados n&atilde;o resulta exclusivamente do aumento na dota&ccedil;&atilde;o. Referem tamb&eacute;m que a implementa&ccedil;&atilde;o desta lei em todos os servi&ccedil;os e hospitais foi um desafio no entanto teve um impacto negativo nos clientes, em especial nas Urg&ecirc;ncias (devido ao aumento do tempo de espera para transfer&ecirc;ncia para outros servi&ccedil;os) resultando tamb&eacute;m na diminui&ccedil;&atilde;o do <i>staff</i> auxiliar. </p>     <p>Verificamos assim que a ado&ccedil;&atilde;o de r&aacute;cios tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; consensual. Os argumentos de maior peso que os rejeitam, sustentam-se nos elevados custos que acarretam e no facto de n&atilde;o refletirem com precis&atilde;o as necessidades dos clientes em termos de complexidade dos cuidados que requerem. Para al&eacute;m de n&atilde;o terem em considera&ccedil;&atilde;o a arquitetura do ambiente de trabalho, a tecnologia dispon&iacute;vel, o n&iacute;vel de prepara&ccedil;&atilde;o e a experi&ecirc;ncia dos prestadores de cuidados. Em oposi&ccedil;&atilde;o, os argumentos a favor da introdu&ccedil;&atilde;o de r&aacute;cios sustentam-se em evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica, indicando que menores r&aacute;cios enfermeiro/cliente influenciam positivamente os resultados para os clientes (Aiken <i>et al</i>., 2002; Rothberg <i>et al</i>., 2005; Kane <i>et al</i>., 2007).</p>     <p>Tamb&eacute;m Aiken <i>et al</i>. (2010) realizaram um estudo de grande dimens&atilde;o, com 22336 enfermeiros, no qual foram avaliadas as cargas laborais e os r&aacute;cios enfermeiro/clientes em 353 hospitais da Calif&oacute;rnia, 73 hospitais de <i>New Jersey</i> e 178 hospitais da Pensilv&acirc;nia. Da an&aacute;lise dos dados tornou-se evidente que os enfermeiros dos hospitais da Calif&oacute;rnia cuidam, em m&eacute;dia, de menos dois clientes nos servi&ccedil;os de medicina e de menos um cliente nos servi&ccedil;os de cirurgia, comparativamente com os enfermeiros que trabalham nos hospitais dos outros estados em que n&atilde;o est&atilde;o legislados r&aacute;cios enfermeiro/clientes. Da compara&ccedil;&atilde;o dos resultados obtidos ao n&iacute;vel do r&aacute;cio enfermeiros/clientes, verificou-se uma menor taxa de mortalidade dos clientes nos hospitais da Calif&oacute;rnia. Nos hospitais dos outros estados, alinhados com os r&aacute;cios dos hospitais da Calif&oacute;rnia, o n&iacute;vel de insatisfa&ccedil;&atilde;o e exaust&atilde;o nos enfermeiros foi tamb&eacute;m mais baixo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tamb&eacute;m os estudos de Donaldson <i>et al</i>. (2005)e de Bolton <i>et al</i>. (2007) evidenciam que alguns indicadores relativos &agrave;s interven&ccedil;&otilde;es de enfermagem, como as quedas e &uacute;lceras de press&atilde;o adquiridas no hospital, s&atilde;o influenciados pelo r&aacute;cio enfermeiro/cliente, observando-se melhoria nestes resultados para r&aacute;cios enfermeiro/clientes mais baixos.</p>     <p><b>Impacto da dota&ccedil;&atilde;o em enfermagem nos resultados</b></p>     <p>A dota&ccedil;&atilde;o de recursos em enfermagem apropriados &eacute; essencial para se prestarem cuidados adequados &agrave;s necessidades dos clientes, manifestando-se ao n&iacute;vel dos resultados obtidos nos clientes, enfermeiros e organiza&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de.</p>     <p><b>Para os clientes</b>: A investiga&ccedil;&atilde;o evidencia que a dota&ccedil;&atilde;o adequada, seja na quantidade (n&uacute;mero de enfermeiros) ou na qualidade (n&iacute;vel de forma&ccedil;&atilde;o e de experi&ecirc;ncia profissional) tem impacto nos resultados obtidos para o paciente/cliente. Aiken <i>et al</i>. (2002) verificaram no seu estudo que por cada cliente adicional distribu&iacute;do a cada enfermeiro (acima de 4 clientes atribu&iacute;dos), a probabilidade de morte aumentava 7% nos 30 dias subsequentes &agrave; sua admiss&atilde;o, culminando num aumento de 7% na taxa de insucesso nos procedimentos de reanima&ccedil;&atilde;o. Para o mesmo estudo, estes investigadores recolheram informa&ccedil;&atilde;o em doentes cir&uacute;rgicos de 168 hospitais da Pensilv&acirc;nia, verificando que as taxas de mortalidade eram quase duas vezes mais elevadas nos hospitais que detinham um efetivo de enfermeiros com menos de 10% dos enfermeiros diplomados registados (RN) comparativamente a hospitais que apresentavam mais de 70% dos enfermeiros detentores de diploma de enfermeiro registado.</p>     <p>Tamb&eacute;m Needleman <i>et al</i>. (2002), num estudo transversal tendo por base dados de cinco milh&otilde;es de clientes de medicina e um milh&atilde;o e cem mil clientes de cirurgia, verificaram que em unidades onde era disponibilizada uma maior propor&ccedil;&atilde;o de horas de cuidados de enfermagem por dia de internamento e uma maior propor&ccedil;&atilde;o na diversidade de compet&ecirc;ncias criando um n&iacute;vel de diferencia&ccedil;&atilde;o mais elevado de horas de cuidados de enfermagem por dia estiveram associados a internamentos mais curtos, taxas de infe&ccedil;&atilde;o mais baixas (pneumonias, infe&ccedil;&otilde;es urin&aacute;rias, s&eacute;psis), menor taxa de paragens card&iacute;acas e menor taxa de insucesso na reanima&ccedil;&atilde;o. Deste modo parece evidente que dota&ccedil;&otilde;es em enfermagem adequadas est&atilde;o associadas a menor mortalidade (Needleman <i>et al</i>., 2011) e redu&ccedil;&atilde;o nos dias de internamento (Lang <i>et al</i>., 2004).</p>     <p><b>Para os enfermeiros</b>: A propor&ccedil;&atilde;o elevada no r&aacute;cio enfermeiro/clientes para al&eacute;m de afetar negativamente os cuidados prestados aos clientes, tamb&eacute;m afeta os enfermeiros, aumentando o risco de exaust&atilde;o emocional, <i>stress</i> e insatisfa&ccedil;&atilde;o profissional (Sheward <i>et al</i>., 2005). As investiga&ccedil;&otilde;es de Aiken <i>et al</i>. (2002) identificam a carga de trabalho como um fator que influencia o grau de satisfa&ccedil;&atilde;o dos enfermeiros no desempenho da sua atividade, verificando que 43% dos enfermeiros apresentaram altos <i>scores</i> de exaust&atilde;o emocional, 41% declararam estar insatisfeitos com seus empregos e 23% planeavam mudar de trabalho no ano seguinte. &Eacute; tamb&eacute;m assinalado que ambientes de trabalho inseguros se associam a fatores como a press&atilde;o e <i>stress</i> elevado, falta de apoio dos gestores e colegas, falta de controlo sobre a pr&aacute;tica, hor&aacute;rio de trabalho inadequado, lideran&ccedil;a e dota&ccedil;&otilde;es desajustadas. Os enfermeiros, quando repetidamente expostos a estes fatores, apresentam n&iacute;veis mais elevados de fadiga e de exaust&atilde;o, diminui&ccedil;&atilde;o da produtividade, da motiva&ccedil;&atilde;o e, simultaneamente, apresentam um aumento do absentismo e da insatisfa&ccedil;&atilde;o profissional.</p>     <p><b>Para as Organiza&ccedil;&otilde;es de Sa&uacute;de</b>: Os enfermeiros s&atilde;o o maior contingente profissional das organiza&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de e com os servi&ccedil;os que prestam aos seus clientes, s&atilde;o respons&aacute;veis por uma parcela significativa da sua fatura&ccedil;&atilde;o. Este facto &eacute; ilustrativo da import&acirc;ncia do seu contributo na cria&ccedil;&atilde;o de valor na organiza&ccedil;&atilde;o, pelo que a gest&atilde;o eficaz e eficiente deste grupo assume uma dimens&atilde;o de extrema relev&acirc;ncia. Enfermeiros motivados detentores de compet&ecirc;ncias de elevada qualidade conseguem prestar cuidados de maior qualidade, induzindo grande satisfa&ccedil;&atilde;o nas pessoas que recebem esses cuidados, fidelizando-as &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m a redu&ccedil;&atilde;o de enfermeiros, assente numa vis&atilde;o economicista, tem um impacto negativo na mortalidade tal como &eacute; notado no estudo de Rothberg <i>et al</i>. (2005) que demonstraram que a redu&ccedil;&atilde;o nos r&aacute;cios enfermeiro/clientes (1:8) induzem n&iacute;veis de mortalidade mais elevados pelo que concluem que, para assegurar a seguran&ccedil;a dos clientes, os r&aacute;cios de 1:4 s&atilde;o razoavelmente aceit&aacute;veis em termos de custo-efic&aacute;cia. Tamb&eacute;m Thungjaroenkul, Cummings e Embleton (2007), na revis&atilde;o sistem&aacute;tica da literatura efetuada, assinalam em sete estudos que r&aacute;cios enfermeiro/cliente mais elevados e a disponibilidade de enfermeiros mais capacitados e com maior per&iacute;cia, influenciam de forma positiva a dura&ccedil;&atilde;o do internamento e de reinternamento com consequente diminui&ccedil;&atilde;o dos custos hospitalares.</p>     <p><b>Dota&ccedil;&atilde;o segura para a pr&aacute;tica de enfermagem em Portugal</b></p>     <p>No nosso pa&iacute;s a atividade profissional de enfermagem &eacute; maioritariamente desenvolvida nas unidades do Servi&ccedil;o Nacional de Sa&uacute;de (SNS) pelo que a contextualiza&ccedil;&atilde;o desta tem&aacute;tica reporta-se apenas ao trabalho desenvolvido pelas entidades reguladoras dessas unidades e pela Ordem dos Enfermeiros (OE).</p>     <p>A Divis&atilde;o de Estudos e Planeamento da Direc&ccedil;&atilde;o Geral de Recursos Humanos da Sa&uacute;de desenvolveu, ao longo de v&aacute;rios anos, um trabalho que prop&otilde;e a ado&ccedil;&atilde;o de f&oacute;rmulas para calcular as necessidades de enfermeiros, sendo a &uacute;ltima vers&atilde;o a publicada na Circular Normativa n&ordm;1/2006 de janeiro, da Secretaria Geral do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Esta circular, apresenta v&aacute;rias f&oacute;rmulas de c&aacute;lculo relativamente &agrave;s necessidades de enfermeiros para os diferentes ambientes (Cuidados Prim&aacute;rios, Hospitais com servi&ccedil;os de internamento, bloco operat&oacute;rio, consulta externa, hospital de dia). A f&oacute;rmula expressa no <a href="/img/revistas/ref/vserIIIn10/IIIn10a20q1.jpg">quadro 1</a> &eacute; a aplic&aacute;vel ao contexto hospitalar com internamento, mantendo-se em utiliza&ccedil;&atilde;o no SNS.</p>     
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<body><![CDATA[<p>     <p>Em 2009, a Ordem dos Enfermeiros desenvolveu um trabalho no qual prop&otilde;e para a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, dota&ccedil;&otilde;es de enfermeiros tendo em conta o n&uacute;mero adequado em quantidade e em qualidade, sugerindo n&iacute;veis de compet&ecirc;ncia diferentes (generalistas e especializadas) para fazer face &agrave;s necessidades de cuidados deste tipo de clientes. Este avan&ccedil;o denota um alinhamento com a tend&ecirc;ncia internacional, que aponta no sentido da dota&ccedil;&atilde;o de enfermeiros ser sens&iacute;vel, n&atilde;o apenas ao n&uacute;mero de enfermeiros mas tamb&eacute;m &agrave;s compet&ecirc;ncias que as equipas devem apresentar para a presta&ccedil;&atilde;o de cuidados seguros e de qualidade.</p>     <p>Em 2011, um grupo de trabalho constitu&iacute;do por membros da Ordem dos Enfermeiros e do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de (MS) elaboraram um Guia de Recomenda&ccedil;&otilde;es para o c&aacute;lculo da dota&ccedil;&atilde;o de enfermeiros no Servi&ccedil;o Nacional de Sa&uacute;de (Ordem dos Enfermeiros. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, 2011). Este documento prop&otilde;e crit&eacute;rios e dota&ccedil;&otilde;es que resultam da an&aacute;lise retrospetiva da realidade portuguesa relativa &agrave; necessidade presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de enfermagem e da investiga&ccedil;&atilde;o efetuada. Prev&ecirc; tr&ecirc;s contextos de atua&ccedil;&atilde;o, o ambiente hospitalar, os cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios e a rede de cuidados continuados integrados. Para o contexto hospitalar prop&otilde;em a f&oacute;rmula da Circular Normativa de 12/01/2006 (MS) de acordo com as necessidades dos clientes em cuidados de enfermagem (traduzidas em horas de cuidados necess&aacute;rios por dia de internamento), tendo por base a an&aacute;lise dos dados recolhidos no Sistema de Classifica&ccedil;&atilde;o de Doentes (SCD), entre 2008-2009. Apenas para os cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios &eacute; recomendado a utiliza&ccedil;&atilde;o de r&aacute;cio (um enfermeiro para trezentas e cinquenta fam&iacute;lias ou mil e quinhentos utentes). A proposta para os cuidados continuados teve em considera&ccedil;&atilde;o as diferentes tipologias das unidades de internamento e domicili&aacute;rias, as horas m&eacute;dias de cuidados necess&aacute;rios e o trabalho anteriormente mencionado. Esta proposta expressa uma evolu&ccedil;&atilde;o pois permite determinar as necessidades de enfermeiros adotando diferentes m&eacute;todos de c&aacute;lculo para os diferentes ambientes de cuidados. Assim, para os cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios s&atilde;o definidos r&aacute;cios enquanto que, para o internamento hospitalar e rede de cuidados continuados, aplicam-se f&oacute;rmulas que incorporam m&eacute;dia de horas de necessidade de cuidados. No entanto este documento n&atilde;o define ou estipula contingentes de dota&ccedil;&atilde;o relativamente &agrave;s compet&ecirc;ncias dos enfermeiros. O parecer emitido pelo MS, relativo a este trabalho, prev&ecirc; a sua aplica&ccedil;&atilde;o a t&iacute;tulo experimental em cinco contextos diferentes para posterior avalia&ccedil;&atilde;o a partir de 2011, mas ainda n&atilde;o se iniciou nenhum dos estudos piloto propostos.</p>     <p>Relativamente &agrave; evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica produzida em Portugal, encontraram-se duas publica&ccedil;&otilde;es que abordam este tema.</p>     <p>A primeira, intitulada &laquo;Dota&ccedil;&otilde;es seguras salvam vidas&raquo; e publicada em 2006 pela Ordem dos Enfermeiros, enumera um conjunto significativo de estudos internacionais que sustentam e argumenta&ccedil;&atilde;o para a import&acirc;ncia do tema, pretendendo contribuir para que as associa&ccedil;&otilde;es profissionais de enfermeiros exer&ccedil;am a sua influ&ecirc;ncia na promo&ccedil;&atilde;o de ambientes com n&iacute;veis de dota&ccedil;&atilde;o adequados, de forma que os enfermeiros prestem cuidados com qualidade e seguran&ccedil;a.</p>     <p>A segunda, intitulada “Responsabilidade profissional: Recursos humanos e qualidade dos cuidados em enfermagem” (Cordeiro, 2009), &eacute; um estudo que apresenta como principais conclus&otilde;es que os enfermeiros, mesmo quando existem dota&ccedil;&otilde;es insuficientes, priorizam as suas interven&ccedil;&otilde;es de acordo com a urg&ecirc;ncia das mesmas e com as rotinas institu&iacute;das, n&atilde;o sentindo que a sua responsabilidade diminua nos cuidados que prestam nessas condi&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>A dota&ccedil;&atilde;o segura em enfermagem &eacute; uma preocupa&ccedil;&atilde;o central para uma pr&aacute;tica segura e refere-se ao n&uacute;mero de enfermeiros em quantidade e experi&ecirc;ncia necess&aacute;rias para fazer face &agrave;s necessidades dos clientes em cuidados de enfermagem.</p>     <p>O conceito tem sido operacionalizado de diferentes formas alicer&ccedil;ando-se em diferentes m&eacute;todos nomeadamente no ju&iacute;zo profissional, no n&uacute;mero de enfermeiros por cama, na complexidade de cuidados a prestar, na quantifica&ccedil;&atilde;o das interven&ccedil;&otilde;es de enfermagem at&eacute; modelos estat&iacute;sticos de regress&atilde;o linear. Apesar da diversidade de m&eacute;todos verificamos que os mesmos n&atilde;o encontram consenso na literatura, valorizando apenas uma parte de um todo complexo que responde apenas a uma faceta do conceito de dota&ccedil;&atilde;o segura.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Dada a dificuldade na ado&ccedil;&atilde;o de um &uacute;nico m&eacute;todo para a determina&ccedil;&atilde;o de dota&ccedil;&atilde;o segura, a abordagem efetuada por alguns pa&iacute;ses assenta na legisla&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o de r&aacute;cios em enfermagem. Esta solu&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o sendo consensual, advoga argumentos a favor e contra. Diversos autores nas suas investiga&ccedil;&otilde;es sustentadas em r&aacute;cios, evidenciam a import&acirc;ncia dos mesmos para a pr&aacute;tica segura de enfermagem demostrando que os r&aacute;cios hospitalares enfermeiro/cliente mais elevados est&atilde;o associados a internamentos de menor dura&ccedil;&atilde;o, menores taxas de infe&ccedil;&atilde;o menores &iacute;ndice de paragens card&iacute;acas e menores taxas de insucesso na reanima&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>S&oacute; a partir do final dos anos 90 e in&iacute;cio de 2000 os estudos de alguns autores evidenciam o impacto das dota&ccedil;&otilde;es de enfermagem nos resultados obtidos para os clientes, enfermeiros e organiza&ccedil;&otilde;es. Tamb&eacute;m as revis&otilde;es sistem&aacute;ticas mais recentes identificam a import&acirc;ncia da combina&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias no seio das equipas para o sucesso dos resultados, demonstrando que enfermeiros com maior n&iacute;vel de diferencia&ccedil;&atilde;o prestam cuidados mais seguros com melhores resultados para os clientes.</p>     <p>No entanto persiste a evid&ecirc;ncia de inexist&ecirc;ncia de um m&eacute;todo de c&aacute;lculo de dota&ccedil;&atilde;o de enfermeiros que seja universalmente aceite e utilizado pelos gestores no &acirc;mbito da sa&uacute;de pelo que se dever&aacute; continuar a desenvolver investiga&ccedil;&otilde;es nesta &aacute;rea.</p>     <p>Assim, consideram-se os objetivos propostos para este trabalho atingidos, apontando-se como limita&ccedil;&otilde;es do estudo a utiliza&ccedil;&atilde;o das palavras-chave transcritas de acordo com os Descritores em Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de. Sugere-se a replica&ccedil;&atilde;o da revis&atilde;o da literatura assente noutras palavras-chave. Prop&otilde;e-se um maior investimento nesta &aacute;rea de investiga&ccedil;&atilde;o, com o intuito de testar e comparar diferentes m&eacute;todos e de encontrar outras formas de operacionalizar o conceito de dota&ccedil;&atilde;o segura em enfermagem.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <p>AIKEN, Linda [et al.] (2002) - Hospital nurse staffing and patient mortality, nurse burnout, and job dissatisfaction. Journal of the American Medical Association. Vol. 288, n&ordm; 16, p. 1987-1993.</p>     <p>AIKEN, Linda [et al.] (2010) - Implications of the California nurse staffing mandate for other states. Health Services Research. Vol. 45, n&ordm; 4, p. 904-921.</p>     <p>BOLTON, Linda [et al.] (2007) - Mandated nurse staffing ratios in California: a comparison of staffing and nursing-sensitive outcomes pre-and postregulation. Policy, Politics, and Nursing Practice. Vol. 8, n&ordm; 4, p. 238-250.</p>     <p>BOSTICK, Jane [et al.] (2006) - Systematic review of studies of staffing and quality in nursing homes. Jounal of the American Medical Directors Association. Vol. 7, n&ordm; 6, p. 366-376.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>CORDEIRO, Ana (2009) - Responsabilidade Profissional: recursos humanos e qualidade dos cuidados em enfermagem. Lisboa&nbsp;: Universidade de Lisboa, Faculdade de Medicina. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado em Bio&eacute;tica.</p>     <p>CHAPMAN, S. [et al.] (2009) - How have mandated nuese staffing ratios affected hospitals? Perspectives from California hospital leaders. Journal of Heathcare Management.  Vol. 54, n&ordm; 5, p. 321-333.</p>     <p>DONALDSON, Nielson [et al.] (2005) - Impact of California’s licencsed nurse-patient ratios on unit-level nurse staffing and patient outcomes. Policy, Politics, and Nursing Practice. Vol. 6, n&ordm; 3, p. 198-210.</p>     <p>FREDERICO, Manuela ; LEIT&Atilde;O, Maria (1999) - Pric&iacute;pios de administra&ccedil;&atilde;o para enfermeiros. 1&ordf; ed. Coimbra: Formasau.</p>     <p>HALL, McGillis (2005) - Quality work environments fornurse and patient safety. Sudbury: Jones and Bartlett.</p>     <p>HURST, Keith (2003) - Selecting and applying methods for estimating the size and mix of nursing teams [Em linha]. [Consult. 9 mar. 2011]. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://www.who.int/hrh/documents/hurst_mainreport.pdf" target="_blank">http://www.who.int/hrh/documents/hurst_mainreport.pdf</a>.</p>     <p>INTERNATIONAL COUNCIL OF NURSES (2006) - Safe staffing save lives [Em linha]. [Consult. 10 mar. 2011]. Dispon&iacute;vel em WWW: <a href="http://www.icn.ch/publications/2006-safestaffing-saves-lives" target="_blank">http://www.icn.ch/publications/2006-safestaffing-saves-lives</a>.</p>     <p>KANE, Robert [et al.] (2007) - The association of registered nurse staffing levels and patient outcomes: systematic review and meta-analysis. Medical Care. Vol. 45, n&ordm; 12, p. 1195-1204.</p>     <p>LANG, Tom [et al.] (2004) - A systematic review on the effects of nurse staffing on patient, nurse employee, and hospital outcomes. Journal Nursing Administration. Vol. 34, n&ordm; 7-8 , p. 326-337.</p>     <p>LANKSHEAR, Annette ; SHELDON, Trevor ; MAYNARD, Alan (2005) - Nurse staffing and healthcare outcomes: a systematic review of the international research evidence. Advances in Nursing Science. Vol. 28, n&ordm; 2, p. 163-174.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>NEEDLEMAN, Jack [et al.] (2002) - Nurse-staffing levels and the quality of care in hospitals. The New England Journal of Medicine. Vol. 346, n&ordm; 22, p. 1715-1722.</p>     <p>NEEDLEMAN, Jack [et al.] (2011) - Nurse staffing and inpatient hospital mortality. The New England Journal of Medicine. Vol. 364, n&ordm; 11, p. 1037-1045.</p>     <p>ORDEM DOS ENFERMEIROS ; MINIST&Eacute;RIO DA SAUDE (2011) - Guia de recomenda&ccedil;&otilde;es para o c&aacute;lculo da dota&ccedil;&atilde;o de enfermeiros no Servi&ccedil;o Nacional de Sa&uacute;de. Lisboa: OE.</p>     <p>ROTHBERG, Michael [et al.] (2005) - Improving nurse-to-patient staffing ratios as a cost-effective safety intervention. Medical Care. Vol. 43, n&ordm; 8, p. 785-791.</p>     <p>SHEWARD, L. [et al.] (2005) - The relationship between UK hospital nurse staffing and emotional exhaustion and job dissatisfaction. Journal of Nursing Management. Vol. 13, n&ordm; 1, p. 51-60.</p>     <p>THUNGJAROENKUL, Petsunee ; CUMMINGS, Greta ; EMBLETON, Amanda (2007) - The impact of nursing staffing on hospital costs and patient length of stay, a systematic review. Nursing Economics. Vol. 25, n&ordm; 5, p. 255-265.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido para publica&ccedil;&atilde;o em: 11.09.12</p>     <p>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em: 20.03.13</p>      ]]></body><back>
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