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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Tendência formativa e tendência actualizante: Reflexões à luz das teorias do caos e da complexidade]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In light of modern theories of Science and complexity, the author reflects on two of Carl Rogers' central concepts -formative tendency and actualizing tnedency. This comparazion allows to stress the centrality and heuristic valne of both concepts for psychotherapy.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="4"><b>Tend&#234;ncia formativa e tend&#234;ncia actualizante: Reflex&#245;es &#224; luz das teorias do caos e da complexidade</b></font></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Jo&#227;o Marques-Teixeira<sup>*</sup></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><sup>*</sup>Faculdade de Psicologia e de Ci&#234;ncias da Educa&#231;&#227;o da Universidade do Porto</font></p>      <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#192; luz das modernas teorias da ci&#234;ncia e da complexidade, o autor analisa dois conceitos de Carl Rogers - tend&#234;ncia formativa e tend&#234;ncia actualizante. Esta an&#225;lise permite concluir a actualidade e valor heur&#237;stico dos conceitos para a psicoterapia.</font></p>  <hr size="1" noshade>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">In light of modern theories of Science and complexity, the author reflects on two of Carl Rogers&rsquo; central concepts -<i>formative tendency and actualizing tnedency.</i> This comparazion allows to stress the centrality and heuristic valne of both concepts for psychotherapy.</font></p>  <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">1.  Carl Rogers, em 1980, no seu livro intitulado <i>A Way of being</i><a href="#1"><sup>1</sup></a><a name="top1"></a> referiu-se assim &#224; tendencia formativa: <i>&#171;We are tapping into a tendency wich perrreates all of organic life - a tendency to become all the compexity of wich the organism is capable. And on an even larger scale, I belive we are tuning into a potent Creative tendency wich hasformed our universe, from the smallest snowflake to the largest galaxy, from the lowely amoeba to the most sensitive and giffted of per sons&#187;</i> (p. 134).</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Na mesma obra, Rogers define a tend&#234;ncia actualizante como: <i>&#171;Is characteristic of organic life of wich the human organism is one. Individuais have within themseives vast resources for altering their self-concepts, their basic attitudes and selfdirected behavior&#187;</i> (p. 115).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">2.  Estes dois princ&#237;pios b&#225;sicos do movimento rogeriano est&#227;o ligados entre si, n&#227;o s&#243; da ponto de vista conceptual como tamb&#233;m do ponto de vista etimol&#243;gico. Em qualquer um deles h&#225; uma n&#237;tida refer&#234;ncia a um impulso para um determinado fim, veiculado pela palavra tend&#234;ncia. O sentido que esta palavra toma pode ser deduzido por exemplo, atrav&#233;s de Andr&#233; Lalande, no <i>Vocabulaire Tecnique et Critique de la Philosophie,</i> onde &#233; referido, relativamente a tend&#234;ncia, que constitui &#171;un caract&#232;re et ce qui tend &#224; un fin&#187;. Ainda segundo o mesmo autor, o sentido psicol&#243;gico que tem sido atribu&#237;do a esta palavra, &#233; o de designar genericamente todos os fen&#243;menos de actividade espont&#226;nea.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Ribot, psic&#243;logo franc&#234;s (na sua obra <i>Psicologia dos Sentimentos),</i> atribui &#224; designa&#231;&#227;o <i>tend&#234;ncia</i> o seu sentido psicol&#243;gico do seginte modo: &#171;la tendence n&rsquo;a rien de myst&#233;rieux: elle est un mouvement ou un arr&#234;t de movement &#224; P&#233;tat naissant. J&rsquo;emploie ce mot, tendence, comme synonyme de besoins, app&#233;tifs, instincts, inclinations, d&#233;sirs; il est le terme g&#233;n&#233;rique dont les autres sont des vari&#233;t&#233;s: il a sur eux l&rsquo;avantage d&rsquo;embrasser les deux aspects, psychologique et physiologique du ph&#233;nom&#232;ne.&#187;</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Temos, portanto, como ponto de partida destes dois conceitos o sentido de for&#231;a propulsora que impele o organismo para um determinado fim. Ou seja, estes dois princ&#237;pios sintetizam a perspectiva motivacional do comportamento dos seres vivos em geral e do homem em particular, na sua formula&#231;&#227;o mais b&#225;sica. Rogers posicionava-se, deste modo numa concep&#231;&#227;o do homem e do comportamento humano, ao n&#237;vel da interfer&#234;ncia de um conjunto de for&#231;as, gerais e universais, que determina, no plano mais essencial, o comportamento humano. E evidente que Rogers n&#227;o falava em instintos nem em motiva&#231;&#245;es prim&#225;rias, mas atrav&#233;s de uma outra linguagem fala em <i>processo direccional,</i> ou seja em for&#231;as que impelem o comportamento para um determinado fim, o que, em termos conceptuais, &#233; coincidente com a no&#231;&#227;o actual de motiva&#231;&#227;o prim&#225;ria ou de comportamento instintivo.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Esta conota&#231;&#227;o pode ser deduzida a partir ainda da an&#225;lise do significado do termo <i>tend&#234;ncia</i> quando Ribot lhe atribui um sentido simultaneamente psicol&#243;gico e fisiol&#243;gico. Este sentido aparece-nos na concep&#231;&#227;o rogeriana no conceito de <i>organismo</i> que &#233; um conceito unificador das m&#250;ltiplas partes em que &#233; constitu&#237;do.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Retomando o sentido profundo de <i>tend&#234;ncia</i> verificamos que a sua ess&#234;ncia &#233; o movimento e portanto a mudan&#231;a (de posi&#231;&#227;o, de organiza&#231;&#227;o, de estado); por outro lado, dado o car&#225;cter universal destas tend&#234;ncias (&#171;esta tend&#234;ncia est&#225; em ac&#231;&#227;o em todas as ocasi&#245;es&#187;<a href="#2"><sup>2</sup></a><a name="top2"></a>) existe um sentido tamb&#233;m de perman&#234;ncia. Isto &#233;, a ideia de <i>tend&#234;ncia</i> n&#227;o &#233; uma ideia simples, mas antes uma ideia que engloba, simultaneamente, a mudan&#231;a e a perman&#234;ncia. Ora, este tipo de constructos recobrem princ&#237;pios que d&#227;o conta da complexidade dos sistemas que constituem o universo, incluindo o sistema humano, e que s&#243; ap&#243;s o advento das teorias do caos e da complexidade &#233; que tiveram um verdadeiro desenvolvimento e uma adequada formula&#231;&#227;o que os inscreveu no dom&#237;nio das ci&#234;ncias rigorosas.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Sendo assim, os princ&#237;pios b&#225;sicos do modelo da Abordagem Centrada na Pessoa (AGP), tal como foram enunciados por Carl Rogers, assentam nos modelos mais actuais da ci&#234;ncia, nomeadamente nas chamadas teorias da complexidade. E evidente que Rogers, apesar de ter sido influenciado por autores como Prigogini e Capra, n&#227;o tinha ainda ao seu dispor todos os desenvolvimentos te&#243;ricos que nos &#250;ltimos 10 anos caracterizaram a actual epistema. Apesar disso, demonstrou uma intui&#231;&#227;o brilhante, ao enunciar estes princ&#237;pios, ao ponto de poder ser considerado, na minha opini&#227;o, como um dos precursores da aplica&#231;&#227;o do novo paradigma cient&#237;fico &#224; psicologia e &#224; antropologia.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">3. Analisemos agora, com mais pormenor a <i>tend&#234;ncia formativa.</i> A principal tese de Rogers &#233; a seguinte: <i>existe no universo uma tend&#234;ncia formativa que pode ser observada em qualquer n&#237;vel.</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Comecemos por analisar o segundo termo deste princ&#237;pio: <i>formativa.</i> Derivando do latim <i>forma</i> ou do grego <i>morph&#233;</i>, esta designa&#231;&#227;o remete-nos para um princ&#237;pio morfogen&#233;tico como um processo criador. Ou seja, a todos os n&#237;veis do universo funciona uma for&#231;a que impulsiona para a organiza&#231;&#227;o formal e que nesse processo as novas formas cobrem-se da caracter&#237;stica do <i>novo</i>. Dito de outro modo, os m&#250;ltiplos sistemas do universo tendem a organizaremse em conjuntos delimitados de um fundo geral, atrav&#233;s de uma maior complexidade da organiza&#231;&#227;o subjacente. A esta maior complexidade da organiza&#231;&#227;o correspondem novas singularidades no seio da multiplicidade de op&#231;&#245;es.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Um outro aspecto a destacar da formula&#231;&#227;o desta tese &#233; o car&#225;cter <i>universal</i> desta tend&#234;ncia. Este car&#225;cter &#233; correlativo da possibilidade de uma morfologia geral. Temos ent&#227;o um princ&#237;pio que nos remete para a progressiva organiza&#231;&#227;o mais complexa da mat&#233;ria operando segundo um princ&#237;pio morfogen&#233;tico geral. A qualquer n&#237;vel da organiza&#231;&#227;o da mat&#233;ria esta tender&#225; para a cria&#231;&#227;o de novas formas de organiza&#231;&#227;o mais complexa e isso ocorrer&#225; atrav&#233;s do mesmo princ&#237;pio de morfog&#233;nese.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Isto est&#225; bem explicito na afirma&#231;&#227;o de Rogers &#171;observable in the movement toward greater order, complexity, and interrelatedness that can be observed in stars, crystals and microorganisms, as well as in human beings&#187; (Rogers, 1980).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Este aspecto e, na minha opini&#227;o, perfeitamente inovador, pelo menos em termos da considera&#231;&#227;o de um princ&#237;pio morfogen&#233;tico geral. De facto, s&#243; muito recentemente, foi proposto um modelo matem&#225;tico que permite dar cobertura formal a este princ&#237;pio. Refiro-me &#224; <i>teoria das cat&#225;strofes</i> do matem&#225;tico franc&#234;s Ren&#233; Thom, a qual permite a constitui&#231;&#227;o de formas por argumentos <i>a priori,</i> e por isso independentes do substracto e da natureza das for&#231;as que as ciam. Estamos perante a aut&#234;ntica formula&#231;&#227;o do <i>novo</i> e, nesse sentido, recobrindo perfeitamente a considera&#231;&#227;o que Rogers faz deste princ&#237;pio: uma <i>tend&#234;ncia criadora.</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Existe uma precis&#227;o que n&#227;o foi feita por Rogers, mas a que Ruth Standford e Barrett-Lennard (1993) j&#225; se referiram: este princ&#237;pio s&#243; opera ao n&#237;vel dos sistemas abertos, que s&#227;o sistemas que procedem a trocas permanentes de energia-informa&#231;&#227;o com o seu meio envolvente<a href="#3"><a href="#3"><sup>3</sup></a><a name="top3"></a>. Contudo, esta precis&#227;o n&#227;o p&#245;e em causa a universalidade do princ&#237;pio j&#225; que, mesmo que se trate de sistemas fechados (como &#233; o caso de uma pedra ou de um cristal) o princ&#237;pio aplica-se &#224; sua g&#233;nese e n&#227;o ao estado formal final, g&#233;nese de um cristal pressup&#245;e que um estado menos organizado da mat&#233;ria evoluiu, sob determinadas condi&#231;&#245;es externas, para um estado de maior organiza&#231;&#227;o.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Uma outra quest&#227;o se poder&#225; por em rela&#231;&#227;o &#224; pregn&#226;ncia deste princ&#237;pio universal: onde cabe, nesta formula&#231;&#227;o, um outro dado advindo da f&#237;sica qu&#226;ntica e que se refere &#225; entropia. Ou seja, como pode o princ&#237;pio entr&#243;pico ser considerado a par deste princ&#237;pio formativo.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Rogers tomou isto em considera&#231;&#227;o dando conta da exist&#234;ncia destes dois princ&#237;pios na natureza: &#171;o universo est&#225; em constante constru&#231;&#227;o e cria&#231;&#227;o, assim como em deteriora&#231;&#227;o&#187; (Rogers, 1983 p. 45). &#201; como se no universo duas for&#231;as de sentidos opostos estivessem a operar em perman&#234;ncia: uma que tenderia para a organiza&#231;&#227;o crescente e outra para a desorganiza&#231;&#227;o crescente.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Mesmo aqui &#233; necess&#225;ria uma precis&#227;o. Aparentemente o universo pode ser organizado atrav&#233;s de duas for&#231;as de sentidos opostos, mas os avan&#231;os mais recentes das teorias do caos e da complexidade dizem-nos que essas duas for&#231;as n&#227;o s&#227;o mais do que o mesmo princ&#237;pio a funcionar. Ou seja, mesmo a n&#237;veis pouco estruturados da mat&#233;ria, mas em condi&#231;&#245;es particulares (como por exemplo, em estados longe do equil&#237;brio) os sistemas em jogo exibem qualidades auto-organizadoras que, no essencial, permitem a emerg&#234;ncia da ordem a partir da desordem. Isto &#233;, evidencia-se aqui a no&#231;&#227;o que a ordem se alimenta de desordem ou, como Prigogine o formulou, a ordem a partir do caos.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Deste modo, os dois princ&#237;pios enunciados n&#227;o funcionam em oposi&#231;&#227;o, mas antes em complementaridade: n&#227;o h&#225; ordem sem desordem, como n&#227;o h&#225; organiza&#231;&#227;o sem caos.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Estou, agora, em condi&#231;&#245;es de reformular o enunciado da tend&#234;ncia formativa e de tend&#234;ncia entr&#243;pica: ao n&#237;vel do universo, considerado como um complexo sistema de sistemas, a ordem e a desordem interagem resultando a emerg&#234;ncia de novas organiza&#231;&#245;es mais complexas que, sob o ponto de vista formal, obedecem a um princ&#237;pio generativo geral: a auto-organiza&#231;&#227;o.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">4. Quanto &#224; <i>tend&#234;ncia actualizante,</i> a tese defendida por Rogers &#233; a seguinte: &#171;os indiv&#237;duos possuem dentro de si vastos recursos para a autocompreens&#227;o e para a modifica&#231;&#227;o dos seus autoconceitos, das suas atitudes e do seu comportamento aut&#243;nomo. Esses recursos podem ser activados se houver um clima, pass&#237;vel de defini&#231;&#227;o, de atitudes psicol&#243;gicas facilitadoras<a href="#4"><a href="#4"><sup>4</sup></a><a name="top4"></a>&#187;.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Analisemos o 2.<sup>o</sup> termo deste princ&#237;pio: <i>actualizante.</i> Este termo remetemos, como Rogers enunciou, para a actualiza&#231;&#227;o de potencialidades. Diz-nos Rogers: &#171;the organism has one basic tendency and striving - to actualize, maintain, and enhance the experiencing organism&#187; (Rogers, 1951, p. 487).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Temos, portanto, em jogo o conceito de actual-potencial. J&#225; vimos, na discuss&#227;o dos pontos anteriores, que est&#225; imanente no conceito de tend&#234;ncia as no&#231;&#245;es de perman&#234;ncia e de mudan&#231;a e que no conceito de tend&#234;ncia formativa est&#227;o imanentes as no&#231;&#245;es de ordem e desordem. Usando a mesma l&#243;gica, parece-me necess&#225;rio descodificar o significado deste princ&#237;pio na determina&#231;&#227;o do comportamento humano, j&#225; que uma das criticas formuladas aos princ&#237;pios gerais do modelo da AGP &#233; a redu&#231;&#227;o das determina&#231;&#245;es do comportamento a um &#250;nico princ&#237;pio que &#233;, em si, um princ&#237;pio, &#171;optimista&#187;. Impl&#237;cita a esta cr&#237;tica est&#225; a ideia de que s&#227;o deixados de lado aspectos importantes do comportamento, como sejam &#224;s disfun&#231;&#245;es, os maus caracteres, ou mais genericamente o crime, a delinqu&#234;ncia, ou em termos mais m&#233;dicos, a psicopatia e a sociopatia.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Um dos autores a aplicar-se nesta descodifica&#231;&#227;o foi Barrett-Lennard (1993), considerando que a tend&#234;ncia actualizante constitui o principal princ&#237;pio motivacional do comportamento humano, mas este princ&#237;pio est&#225; acompanhado de um outro, que ele designa por <i>tend&#234;ncia para a homeostasia.</i> Diz, nomeadamente, &#171;life and behvior, it seems to me, hinge both growth and perservations forces&#187; (Barrett-Lennard, 1993). Isto &#233;, segundo este autor, n&#227;o devemos considerar a tend&#234;ncia actualizante isoladamente, mas antes a par da tend&#234;ncia &#224; estabilidade. De algum modo, aproxima-se da an&#225;lise que atr&#225;s efectuei quanto ao significado do termo <i>tend&#234;ncia.</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Por sua vez, Seeman (1988), na sua cr&#237;tica &#224; formula&#231;&#227;o do conceito de auto-actualiza&#231;&#227;o (ou tend&#234;ncia actualizante) refere que o principal problema desta formula&#231;&#227;o consiste na afirma&#231;&#227;o de esta tend&#234;ncia constituir o &#250;nico impulso que rege o desenvolvimento humano. Prop&#245;e, como resolu&#231;&#227;o deste problema, que a tend&#234;ncia actualizante n&#227;o seja um conceito, mas antes uma met&#225;fora de algo mais tang&#237;vel que considera ser uma s&#233;rie de leis do desenvolvimento ou <i>regularidades.</i> Assim, pretende ultrapassar a dificuldade e prop&#245;e que o modelo que melhor capta esse conjunto de leis do desenvolvimento &#233; o modelo sist&#233;mico aplicado ao ser humano. Assim, o conceito de auto-actualiza&#231;&#227;o seria substitu&#237;do pelo conceito de <i>auto-regula&#231;&#227;o</i>, na linha da cibern&#233;tica wieneriana. Isto &#233;, Seeman acaba por formular, por outras palavras, a mesma no&#231;&#227;o de Barrett-Lennard de homeostasia.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Apesar destes desenvolvimentos, penso que o problema n&#227;o fica resolvido, pois a dificuldade reside mesmo no conceito de <i>actualiza&#231;&#227;o</i> e n&#227;o na sua singularidade em termos motivacionais humanos.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Para demonstrar esta afirma&#231;&#227;o terei de me deter um pouco na an&#225;lise das implica&#231;&#245;es deste conceito.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Como disse atr&#225;s, o conceito de actualiza&#231;&#227;o remete-nos, como difusamente tem sido divulgado nas teoriza&#231;&#245;es sobre o modelo da AGP, para o conceito de <i>potencialidade.</i> Qual &#233; o texto sobre este assunto que n&#227;o refira, mais do que uma vez a designa&#231;&#227;o <i>actualiza&#231;&#227;o de potencialidades</i> Ora, conceber <i>o potencial</i> implica uma s&#233;ria transforma&#231;&#227;o: a da categoria <i>&#224;o poss&#237;vel em potencial.</i> Esta transforma&#231;&#227;o acarreta um conjunto de consequ&#234;ncias.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Em 1.<sup>o</sup> lugar, a exist&#234;ncia da <i>potencialidades</i> implica a exist&#234;ncia de algo que j&#225; l&#225; estava, e portanto real de uma certa maneira, mas que n&#227;o &#233; directamente observ&#225;vel. Sendo assim, a evolu&#231;&#227;o expont&#226;nea (se nada se lhe opuser) evolui de tal modo que o potencial se actualiza, e por isso desaparece enquanto tal. Isto ser&#225; assim porque a no&#231;&#227;o de potencial pressup&#245;e a obedi&#234;ncia a uma lei geral de conserva&#231;&#227;o da energia, lei essa que exclui a possibilidade da <i>cria&#231;&#227;o</i> aquando da transforma&#231;&#227;o de um potencial em real, pois que o real j&#225; l&#225; estava, bem escondido, no estado potencial. Sendo assim, aparece-nos uma contradi&#231;&#227;o l&#243;gica entre este princ&#237;pio (tend&#234;ncia actualizante) e o princ&#237;pio da tend&#234;ncia formativa j&#225; que, como vimos, esta caracteriza-se justamente pela cria&#231;&#227;o de novas formas.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Em 2.<sup>o</sup> lugar, a impredictabilidade que permite o <i>novo</i> e que implica a no&#231;&#227;o de acaso, ru&#237;do, flutua&#231;&#245;es e indetermina&#231;&#245;es, conserva ainda a no&#231;&#227;o de potencial, na medida em que o acaso &#233; atribu&#237;vel &#224;s insufici&#234;ncias do observador e, por isso, constitui apenas uma quest&#227;o de tempo at&#233; que se descubra que afinal ele j&#225; l&#225; estava. Esta ideia, mais sofisticada que a outra, vigora actualmente no dom&#237;nio da biologia e da psicologia, implicando uma dificuldade l&#243;gica para a concep&#231;&#227;o da <i>cria&#231;&#227;o.</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Ent&#227;o, como poderemos ultrapassar esta dificuldade e dar conta de um poss&#237;vel que possa incluir a cria&#231;&#227;o, o novo?</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">N&#227;o &#233; dif&#237;cil constatar que a no&#231;&#227;o de potencial tende &#224; equaliza&#231;&#227;o. Isto &#233;, o real n&#227;o &#233; nem mais nem menos do que a sua actualiza&#231;&#227;o, em que a &#250;nica diferen&#231;a se encontra numa sucess&#227;o causal de um estado no qual uma propriedade &#233; observada realmente, na sequ&#234;ncia de um estado potencial, no qual essa propriedade n&#227;o existia; mas este estado potencial &#233; perfeitamente observ&#225;vel e &#233; poss&#237;vel conhecer-se as condi&#231;&#245;es necess&#225;rias e suficientes para que ele seja transformado em estado ou pata que esta propriedade seja observ&#225;vel (portanto actualizada).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Ao contr&#225;rio, a no&#231;&#227;o de poss&#237;vel, &#233; simultaneamente mais e menos do que o real. E mais que o real quando a transforma&#231;&#227;o de um no outro se traduz por uma restri&#231;&#227;o do n&#250;mero de possibilidades <i>(&#224; la limite</i> podemos considerar que o poss&#237;vel constitui un n&#250;mero infinito de possibilidades e que a realiza&#231;&#227;o de uma entre elas, eliminando todas as outras, reduz drasticamente o n&#250;mero dos poss&#237;veis)<a href="#5"><sup>5</sup></a><a name="top5"></a>. Mas o poss&#237;vel &#233; tamb&#233;m menos que o real, porque a sua actualiza&#231;&#227;o depende de um conjunto de condi&#231;&#245;es, elas mesmas n&#227;o totalmente determinadas, e que condicionam, num segundo n&#237;vel, a forma da transforma&#231;&#227;o de um poss&#237;vel em real.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Vemos, pois, que o real cont&#233;m em si o efeito das condi&#231;&#245;es adicionais necess&#225;rias para que ele pr&#243;prio seja actualizado. E, enquanto que esta actualiza&#231;&#227;o n&#227;o se efectua, a sua forma depende de um conjunto de outras condi&#231;&#245;es adicionais que existem sen&#227;o num futuro, ele mesmo da ordem do poss&#237;vel.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Com esta no&#231;&#227;o n&#227;o quero significar que a possibilidade das coisas precede a sua exist&#234;ncia, pelo contr&#225;rio, retomo aqui a posi&#231;&#227;o bergsoniana, considerando que &#224; medida que a realidade se cria, imprevis&#237;vel e nova, a sua imagem, reflecte-se para tr&#225;s no passado indefinido, mas &#233; nesse momento preciso que ela come&#231;a a ter sempre sido. Eis porque a possibilidade, que n&#227;o precede a sua realidade, a precedeu uma vez que a realidade apare&#231;a. &#171;Le possible n&rsquo;est que le r&#233;el avec, en plus, un acte de l&rsquo;esprit qui en rejette l&rsquo;image dans le pass&#233; une fois qu&rsquo;il s&rsquo;est produit&#187;, diz-nos Bergson (1963, p. 1339). N&#227;o podemos, portanto, separar as no&#231;&#245;es de poss&#237;vel e de real, como tamb&#233;m n&#227;o podemos, arbitrariamente, alterar o sentido do tempo: &#233; o real que se faz poss&#237;vel e n&#227;o o poss&#237;vel que se torna real. Neste sentido, &#171;le possible est donc le mirage du pr&#233;sent dans le pass&#233;&#187; (Bergson, 1963, p. 1341).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Tomando em considera&#231;&#227;o esta distin&#231;&#227;o entre o potencial e o poss&#237;vel, vejamos como &#233; que a quest&#227;o da actualiza&#231;&#227;o de potencialidades se configura.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A actualiza&#231;&#227;o de potencialidades implica a considera&#231;&#227;o do conceito <i>&#224;t pessoa potencial.</i> Como vimos, esta no&#231;&#227;o deixa entender que toda a pessoa (ou seja, a totalidade dos seus atributos) j&#225; est&#225; l&#225; em potencialidade, apenas esperando a possibilidade de se exprimir, a partir do momento que sejam eliminados os obst&#225;culos que impedem a sua actualiza&#231;&#227;o. Em rela&#231;&#227;o &#224; pessoa humana, cuja origem primeira &#233; um ovo humano, podemos afirmar que nesse ovo j&#225; existem certas potencialidades de pessoa, mas existem tamb&#233;m muitas outras potencialidades que conduzem a outras coisas que n&#227;o a pessoa humana (aborto expont&#226;neo, anencefalias, molas hidatiformes, etc.). Isto significa que as potencialidades contidas num ovo humano s&#227;o inicialmente maiores que as de um indiv&#237;duo humano: s&#227;o potencialidades de vida, &#233; certo, e mesmo de individualiza&#231;&#227;o, mas mais abrangentes que as de um indiv&#237;duo humano e <i>afortriori</i> de uma pessoa humana.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Ou seja, o desenvolvimento embrion&#225;rio (e o desenvolvimento em geral) consiste n&#227;o apenas em actualiza&#231;&#227;o de potencialidades mas tamb&#233;m numa redu&#231;&#227;o de potencialidades para as limitar &#224;s de um ser um humano ou de um projecto. Isto &#233;, s&#243; na medida em que a pessoa se constitui &#233; que as suas possibilidades se apresentam como tendo sempre sido.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Por estas raz&#245;es n&#227;o poderemos substituir a no&#231;&#227;o de pessoa potencial pela no&#231;&#227;o de <i>pessoa poss&#237;vel</i>, porque &#233; uma pessoa <i>irreal</i> (que n&#227;o comporta nenhum dos atributos de uma pessoa), mas antes pela no&#231;&#227;o de <i>pessoa real</i> que, na sua permanente constru&#231;&#227;o, se revela nas suas potencialidades e possibilidades.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Retomando a quest&#227;o inicial sobre a tend&#234;ncia actualizante, e ap&#243;s estas considera&#231;&#245;es, deveremos considerar que o conceito em causa, para reflectir os modelos explicativos que tenho vindo a referir, dever&#225; ser compreendido como <i>tendencia &#224; realiza&#231;&#227;o</i> que, no caso humano, vai-se revelando como possibilidades antropol&#243;gicas.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Uma leitura atenta de Rogers vem confirmar estas considera&#231;&#245;es e vem explicitar o ponto de vista daquele autor, j&#225; que &#233; sua a seguinte afirma&#231;&#227;o: &#171;num organismo&hellip; h&#225; um fluxo subjacente de movimento em direc&#231;&#227;o &#224; realiza&#231;&#227;o construtiva das possibilidades que lhe s&#227;o inerentes&#187; (Rogers, 1983, p.40). Rogers designa este movimento como sendo uma &#171;tend&#234;ncia &#224; realiza&#231;&#227;o&#187;. Na minha leitura de Rogers, existe aqui uma refer&#234;ncia a um outro conceito que n&#227;o o de actualiza&#231;&#227;o de potencialidades. E certo que est&#225; imanente a no&#231;&#227;o de que a possibilidade precede a realidade, mas tamb&#233;m &#233; certo que Rogers n&#227;o se cola definitivamente</i> &#224; no&#231;&#227;o de potencialidade, que &#233; em si uma no&#231;&#227;o muito mais restritiva do que a que transparece do conceito de possibilidade utilizado por aquele autor.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Podemos, agora, sugerir que, em termos de princ&#237;pios gerais que fundamentam o modelo da ACP, teremos a <i>tend&#234;ncia formativa,</i> a operar segundo o princ&#237;pio da auto-organiza&#231;&#227;o, e a <i>tend&#234;ncia &#224; realiza&#231;&#227;o,</i> que engloba em si a possibilidade de actualiza&#231;&#227;o de potencialidades. O que pretendo significar com esta ordena&#231;&#227;o &#233; que <i>a tend&#234;ncia &#224; realiza&#231;&#227;o constitui um princ&#237;pio geral e que a actualiza&#231;&#227;o de potencialidades constitui uma das operacionaliza&#231;&#245;es desse princ&#237;pio.</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Estando clara esta distin&#231;&#227;o, vejamos agora sob que condi&#231;&#245;es a actualiza&#231;&#227;o de potencialidades ocorre. A este respeito, Brian Thorne (1992) ap&#243;s referir que este conceito &#233; um conceito complexo e que integra em si v&#225;rios impulsos (como a redu&#231;&#227;o de necessidades ou de tens&#245;es, a procura de desafios criativos, o desejo de aprender, entre outros), afirma que essa actualiza&#231;&#227;o s&#243; se pode manifestar no <i>organismo</i> humano quando considerado como uma unidade, e que partes deste organismo podem actuar facilitando ou inibindo a tend&#234;ncia geral do organismo como um todo.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Emerge, assim uma outra no&#231;&#227;o fundamental do pensamento rogeriano, que est&#225; intimamente ligada &#224;s no&#231;&#245;es que estamos tratando, que &#233; o conceito de <i>organismo.</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Este conceito n&#227;o &#233; tratado em termos m&#233;dicos ou fisiol&#243;gicos, mas antes em termos que fazem ressaltar as caracter&#237;sticas de unidade na multiplicidade <i>(unitas multiplex).</i> Esta concep&#231;&#227;o remete-nos para a l&#243;gica dos sistemas complexos que nos permitir&#225; compreender e explicar o modo como os princ&#237;pios em an&#225;lise se manifestam atrav&#233;s desta unidade m&#250;ltipla. Segundo esta l&#243;gica, um organismo est&#225; quer num estado de ordem quer num estado de caos e, atrav&#233;s da incid&#234;ncia de perturba&#231;&#245;es ou flutua&#231;&#245;es, &#233;-lhe dada a possibilidade de bifurca&#231;&#227;o (ou ponto de ramifica&#231;&#227;o) que &#233; o mesmo que dizer que lhe &#233; dada a possibilidade de se mover da ordem para o caos, do caos para a ordem, ou ent&#227;o permanecer no caos ou na ordem mas de maior ou menor grau. De qualquer modo, sempre que uma perturba&#231;&#227;o &#233; introduzida num sistema complexo (o organismo), auto-organizador, a <i>mudan&#231;a</i> ocorre sempre.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Segundo Prigogine e Stengers (1985), todos os sistemas cont&#234;m outros subsistemas, os quais est&#227;o continuamente a <i>flutuar.</i> Numa determinada altura, uma simples flutua&#231;&#227;o ou uma combina&#231;&#227;o de flutua&#231;&#245;es podem ser t&#227;o poderosas, como resultado de uma retroac&#231;&#227;o positiva, que pode alterar a organiza&#231;&#227;o preexistente. Neste momento particular, ao qual o autor designa por <i>momento singular</i> ou <i>ponto de bifurca&#231;&#227;o</i>, &#233; imposs&#237;vel determinar antecipadamente (predizer) qual a direc&#231;&#227;o que a altera&#231;&#227;o vai tomar: <i>a)</i> se o sistema se desintegra no caos ou <i>b)</i> se evolui para um n&#237;vel mais diferenciado de ordem ou de organiza&#231;&#227;o, ao qual chama <i>estrutura dissipativa.</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Temos ent&#227;o um situa&#231;&#227;o onde pequenas &#171;decis&#245;es&#187; numa situa&#231;&#227;o inst&#225;vel podem conduzir um sistema formado por um grande n&#250;mero de entidades interactivas funcionando para uma estrutura global.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Dependentemente do tamanho da regi&#227;o da flutua&#231;&#227;o inicial for acima ou abaixo de um determinado valor cr&#237;tico, assim a flutua&#231;&#227;o pode regredir ou disseminar-se por todo o sistema. Por outro lado, quanto mais r&#225;pida for a comunica&#231;&#227;o dentro do sistema, maior a percentagem de flutua&#231;&#245;es n&#227;o sucedidas e maior &#233; a estabilidade do sistema. Este aspecto do <i>tamanho-cr&#237;tico</i> significa que, em tais situa&#231;&#245;es, o ambiente tende sempre a enfraquecer as flutua&#231;&#245;es. Estas ser&#227;o destru&#237;das ou amplificadas de acordo com a efici&#234;ncia da comunica&#231;&#227;o entre as regi&#245;es das flutua&#231;&#245;es e o ambiente exterior. O tamanho cr&#237;tico depende ent&#227;o da competi&#231;&#227;o entre o poder integrativo do sistema e os mecanismos de amplifica&#231;&#227;o das flutua&#231;&#245;es.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A quest&#227;o dos limites da complexidade tem sido muitas vezes levantada. De facto, quanto mais complexo for o sistema mais numerosas s&#227;o os tipos de flutua&#231;&#245;es que amea&#231;am a sua estabilidade. Sendo assim, a quest&#227;o que se levanta &#233; a de saber como &#233; que sistemas t&#227;o complexos como o sistema humano podem sobreviver. Como &#233; que conseguem lidar com o caos permanente? Uma resposta parcial adv&#233;m justamente do efeito estabilizador da comunica&#231;&#227;o da difus&#227;o dos processos. Nos sistemas complexos, nos quais os indiv&#237;duos interagem de muitas maneiras diferentes, a difus&#227;o e a comunica&#231;&#227;o entre as v&#225;rias partes do sistema &#233; muito eficiente. Existe uma competi&#231;&#227;o entre estabiliza&#231;&#227;o atrav&#233;s da comunica&#231;&#227;o e a instabilidade atrav&#233;s das flutua&#231;&#245;es. O resultado dessa competi&#231;&#227;o determina o limiar da estabilidade.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Em s&#237;ntese podemos dizer que as teorias da complexidade evocam um princ&#237;pio, o princ&#237;pio da totalidade, que est&#225; imanente na concep&#231;&#227;o rogeriana de <i>organismo.</i> Esta ideia est&#225; impl&#237;cita na no&#231;&#227;o de que &#171;cada propriedade do organismo &#233; influencia pelo totalidade dos seus constituintes e da constituinte influencia todas as propriedades&#187;.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Esta concep&#231;&#227;o onde conceitos-chave como organiza&#231;&#227;o, interac&#231;&#227;o e integra&#231;&#227;o est&#227;o inclu&#237;dos &#233; claramente aprofundada pelo conceito de sistema epigen&#233;tico de Waddington. Na base deste conceito concreto est&#227;o ideias como transmiss&#227;o de informa&#231;&#227;o e sua transforma&#231;&#227;o.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A no&#231;&#227;o de <i>sistema epigen&#233;tico</i> que &#233; uma no&#231;&#227;o advinda da biologia moderna, faz apelo &#224; depend&#234;ncia m&#250;tua entre o organismo e as condi&#231;&#245;es do seu meio ambiente. Colocando esta no&#231;&#227;o em termos da tend&#234;ncia &#224; realiza&#231;&#227;o e da actualiza&#231;&#227;o de potencialidades, teremos de nos referir agora a um dado fundamental enunciado por Rogers: aquelas propriedades s&#243; se manifestam quando existem condi&#231;&#245;es para tal. Isto faz depender a transforma&#231;&#227;o em acto (realiza&#231;&#227;o ou actualiza&#231;&#227;o) das qualidades potenciais de factores que Rogers colocou nas condi&#231;&#245;es exteriores ao sujeito: <i>a qualidade das suas rela&#231;&#245;es significativas.</i> Podemos aqui concluir que aquilo a que Rogers chamou <i>tend&#234;ncia &#224; realiza&#231;&#227;o</i> corresponde, nas teorias do caos e da complexidade, &#224; qualidade auto-organizadora agora aplicada aos aspectos pr&#243;prios do desenvolvimento humano.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Assim, segundo Carl Rogers, o desenvolvimento harmonioso da pessoa humana resulta de um jogo entre as suas for&#231;as impulsionadoras para a organiza&#231;&#227;o complexa e as condi&#231;&#245;es dos seus mundos envolventes.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Nesta concep&#231;&#227;o e em rela&#231;&#227;o &#224; concep&#231;&#227;o freudiana do homem o centro do desenvolvimento &#233; deslocado do intraps&#237;quico para o intersubjectivo e em rela&#231;&#227;o &#224; concep&#231;&#227;o behaviorista, o centro do desenvolvimento humano &#233; deslocado do jogo entre o estimulo e a resposta para um jogo que passa pela intencionalidade orientada para um mundo envolvente.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Esta via rogeriana de concep&#231;&#227;o da natureza do homem foi caracterizada por Shlien 1963) como sendo de natureza fenomenol&#243;gica e por Braaten 1961) como sendo existencial.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">4. Temos, finalmente, que os princ&#237;pios fundadores do movimento da ACP - tend&#234;ncia formativa e tend&#234;ncia &#224; realiza&#231;&#227;o - est&#227;o infimamente ligados aos conceitos de organismo e de totalidade. Este &#250;ltimo est&#225; consignado na no&#231;&#227;o de <i>full fuctioning person</i> e remete- nos para a quest&#227;o da autonomia, como iremos ver.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Autonomia significa lei pr&#243;pria, contrapondo-se ao aposto, como uma imagem em espelho, que &#233; a heteronomia ou comando. Estas duas vertentes da mesma realidade interagem incessantemente, representando a autonomia a cria&#231;&#227;o, a afirma&#231;&#227;o da pr&#243;pria identidade, a regula&#231;&#227;o interna, a defini&#231;&#227;o a partir do interior; a heteronomia representa a consuma&#231;&#227;o, os sistemas de entradas/sa&#237;das, a afirma&#231;&#227;o da identidade do outro, a defini&#231;&#227;o pelo exterior.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Uma das grandes conquistas do pensamento moderno, sobretudo depois do advento das teorias da complexidade, &#233; a reconhecimento de um funcionamento do tipo aut&#243;nomo pelos sistemas naturais. O principal passo da passagem do conceito de heteronomia ao de autonomia &#233; a concep&#231;&#227;o da informa&#231;&#227;o, n&#227;o em termos de instru&#231;&#245;es mas em termos dos modos da sua constru&#231;&#227;o pelo pr&#243;prio sistema, n&#227;o em termos de representa&#231;&#227;o mas em termos da viabilidade do pr&#243;prio sistema. Ou seja, esta mudan&#231;a de paradigma obriga-nos a pensar a informa&#231;&#227;o circulante num sistema aut&#243;nomo como o produto interno que visa, permanentemente, &#224; melhor adaptabilidade do sistema &#224;s suas circunst&#226;ncias internas e externas.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Aplicando estas ideias &#224; rela&#231;&#227;o do sujeito com o seu mundo, esta rela&#231;&#227;o efectua se como num espelho, n&#227;o nos dizendo nem o que o mundo &#233; nem o que o mundo n&#227;o &#233;. Apenas nos diz que &#233; <i>poss&#237;vel</i> ter um modo pr&#243;prio de estar e de agir, e que deste modo, a nossa experi&#234;ncia &#233; <i>vi&#225;vel.</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Esta plasticidade do mundo, nem subjectivo nem objectivo, nem uno nem separ&#225;vel, nem duplo e insepar&#225;vel, revela que a realidade n&#227;o &#233; verdadeiramente constru&#237;da a partir do nosso imagin&#225;rio, mas tamb&#233;m que n&#227;o pode ser compreendida como um dado pr&#233;-determinado. Finalmente implica que a experi&#234;ncia n&#227;o estando assente em qualquer fundamento constitui o catalisador do sentido advindo das interpreta&#231;&#245;es da nossa hist&#243;ria comum como seres vivos e como indiv&#237;duos sociais, numa gradual constru&#231;&#227;o de normas pr&#243;prias que guiam o percurso do nosso projecto de exist&#234;ncia.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Implica, em s&#237;ntese, escolhermos, para ponto de partida, o nosso &#171;mundo interno&#187; e n&#227;o o mundo exterior.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Tudo isto me leva a considerar que o ideal de objectividade, como meio de eliminar procressivamente o erro, segundo crit&#233;rios cient&#237;ficos, n&#227;o passa de uma megalomania. Os princ&#237;pios deste paradigma implicam aceitarmos a exist&#234;ncia de um mundo onde ningu&#233;m pode reivindicar uma compreens&#227;o de natureza universal.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Quero com isto significar que o modelo da AGP n&#227;o pode ser unidimensional (uma s&#243; verdade), nem ecl&#233;tico do amorfamente flexivel, mas pelo contr&#225;rio deve permitir dar conta da complexidade do existir humano, no seu sentido mais profundo: a aceita&#231;&#227;o e integra&#231;&#227;o do paradoxo.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">E esta a leitura que fa&#231;o de Rogers, atrav&#233;s desta grelha paradigm&#225;tica: o mundo de cada um, muito embora possa ser regido por princ&#237;pios universais, &#233; constru&#237;do de uma forma singular, o que implica a impossibilidade de o generalizar a qualquer outro ser humano. Da&#237; que a quest&#227;o da autonomia, como consequ&#234;ncia do impulso &#224; realiza&#231;&#227;o e &#224; actualiza&#231;&#227;o de potencialidades, nos remeta para a quest&#227;o do sujeito como construtor &#250;nico da sua realidade.</font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Refer&#234;ncias</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Barrett-Lennard, G. (1993). Understanding the person-centred approach to theory: a &rsquo;reply&rsquo; to questions and misconceptions. Em Mcllduff, E. e Cohlan, D. (Eds.), <i>Cross-cultural Communicatlon and the Person-Centred Approach: an International Review,</i> Vol. 2 (pp. 99-113), Linz: Sandkorn.</font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Bergson, (1963): <i>Euvres,</i> Paris: PUF.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=519625&pid=S0874-2049199600020000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Braaten, L. (1961). The main themes of &#171;existencialism&#187; from the viewpoint of a psychotherapist, <i>Mental Higiene,</i> 45: 10-17.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=519627&pid=S0874-2049199600020000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Lalande, A. (1991). <i>Vocabulaire Technique et Critique de la Philosophie,</i> Paris: PUF.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=519629&pid=S0874-2049199600020000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Prigogine, I. e Stengers. I. (1985). <i>Order out of ch&#227;os. Man&rsquo;s new dialogue with nature,</i> Londres: Flamingo.</font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Rogers, C. (1951). <i>Client-Centred Therapy,</i> Nova Iorque: Houghton Mifflon.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=519632&pid=S0874-2049199600020000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Rogers, C. (1980). <i>A Way of Being,</i> Boston: Houghton Mifflon.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=519634&pid=S0874-2049199600020000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Seeman J. (1988). Self-Actualization: A Reformulation. <i>Person-CentredReview,</i> 3: 304-315.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=519636&pid=S0874-2049199600020000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Shlien, J. (1963). The phenomenological perspective. Em Wepman, J. e Herne, R. (Eds.), <i>Perspectives in Personality,</i> Chicago: Aldine Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=519638&pid=S0874-2049199600020000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Thorne, B. (1992). <i>Carl Rogers,</i> Londres: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=519640&pid=S0874-2049199600020000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Notas</b></font></p> </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top1"><sup>1</sup></a><a name="1"></a>Trad. portuguesa de M<sup>a</sup>. Kupfer, Helo&#237;sa Lebr&#227;o e Yone Souza Patto, <i>Um Jeito de Ser</i> (1983), S. Paulo: Ed. E.P.U.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top2"><sup>2</sup></a><a name="2"></a>Rogers, C. (1983): <i>Um Jeito de Ser,</i> S. Paulo: E.P.U. (p. 40).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top3"><sup>3</sup></a><a name="3"></a>Qualquer ser vivo constitui um sistema aberto mas sistemas complexos n&#227;o vivos tamb&#233;m o constituem, nomeadamente estados especiais da mat&#233;rias aos quais Prigogini designou por estruturas dissipativas. Mas uma pedra ou mesmo um cristal, ap&#243;s a sua forma&#231;&#227;o, constituem sistemas fechados.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top4"><sup>4</sup></a><a name="4"></a>Rogers, C. (1983): <i>Um Jeito de Ser,</i> S. Paulo: E.P.U.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top5"><sup>5</sup></a><a name="5"></a>O conceito <i>&#233; poss&#237;vel</i> &#233; aqui empregue no sentido da n&#227;o exist&#234;ncia de obst&#225;culos inultrapass&#225;veis para a sua realiza&#231;&#227;o. Neste sentido, o poss&#237;vel &#233; aquilo que n&#227;o &#233; imposs&#237;vel, sendo esta n&#227;o impossibilidade a condi&#231;&#227;o da sua realiza&#231;&#227;o.</font></p>     ]]></body>
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