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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Pertenças sociais e formas de percepção e representação da morte]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Nowadays, a human being has a great probability to die in an hospital, or in the way to that public institution, where death tend to be "hidden". In this article, we intend to analyse and understand the way how death is perceptioned and represented by future health professionals. Here we present an exploratory study with the aim to: apprehend the significance dimensions which structure the death thoughts, sentiments and images, in a population formed by biology, medicine and nursing students, men and women, and analyse how these significance structures differentiate the considered social groups. This study constitutes the first part of an empirical investigation, theoreticaly framed on the social representations model, as it was first proposed by Moscovici (1961)]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="4"><b>Perten&#231;as sociais e formas de percep&#231;&#227;o e representa&#231;&#227;o da morte</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="3"><b>Way of perceiving and representing death</b></font></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Ab&#237;lio Oliveira<sup>*</sup>; L&#237;gia Am&#226;ncio<sup>**</sup></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><sup>*</sup>Assistente no Instituto Superior de Ci&#234;ncias do Trabalho e da Empresa.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><sup>**</sup>Professora Associada no Instituto Superior de Ci&#234;ncias do Trabalho e da Empresa.</font></p>      <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Hoje em dia, o ser humano tem uma grande probabilidade de morrer no hospital ou a caminho dessa institui&#231;&#227;o p&#250;blica, onde a morte tende a ser &quot;escondida&quot;. Neste artigo pretende-se investigar e compreender a forma como a morte &#233; percepcionada e representada por futuros profissionais de sa&#250;de. Apresenta-se um estudo explorat&#243;rio, cujos principais objectivos consistem em: apreender as dimens&#245;es de significa&#231;&#227;o que estruturam os pensamentos, sentimentos e imagens relativamente &#224; morte numa popula&#231;&#227;o formada por estudantes de biologia, enfermagem e medicina, de ambos os sexos, e analisar em que medida essas estruturas significantes diferenciam os grupos sociais considerados. Este estudo constitui a primeira parte de uma investiga&#231;&#227;o emp&#237;rica, enquadrada teoricamente no modelo das representa&#231;&#245;es sociais, tal como foi inicialmente proposto por Moscovici (1961).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave</b>: representa&#231;&#227;o da morte; perten&#231;as sociais; representa&#231;&#245;es sociais.</font></p>  <hr size="1" noshade>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Nowadays, a human being has a great probability to die in an hospital, or in the way to that public institution, where death tend to be &quot;hidden&quot;. In this article, we intend to analyse and understand the way how death is perceptioned and represented by future health professionals. Here we present an exploratory study with the aim to: apprehend the significance dimensions which structure the death thoughts, sentiments and images, in a population formed by biology, medicine and nursing students, men and women, and analyse how these significance structures differentiate the considered social groups. This study constitutes the first part of an empirical investigation, theoreticaly framed on the social representations model, as it was first proposed by Moscovici (1961).</font></p>  <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Introdu&#231;&#227;o</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O caminho da morte deve levar-nos mais fundo na vida, como o caminho da vida nos deve levar mais fundo na morte (Morin, 1988, p. 11).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Desde os prim&#243;rdios da Humanidade que o nascimento e particularmente a morte t&#234;m despertado no ser humano uma grande curiosidade, apreens&#227;o e preocupa&#231;&#227;o.<sup><a href="#0">*</a></sup><a name="top0"></a> Neste sentido, a morte &#233;, mais do que um dos maiores mist&#233;rios da vida, &quot;a mais inelut&#225;vel realidade que todos os homens t&#234;m de defrontar&quot; (Mattoso, 1995, p. 55). Porque o seu poder &#233; imenso, incontorn&#225;vel, avassalador, inevit&#225;vel e omnipresente. Constatamo-lo no nosso dia-a-dia e todos n&#243;s sabemos que vamos morrer (Thomas, 1978). S&#243; n&#227;o sabemos quando, como, ou de que forma suceder&#225; a &quot;grande transi&#231;&#227;o&quot;,<a href="#1"><sup>1</sup></a><a name="top1"></a> o que, aliado &#224; ideia t&#227;o comum de que a morte nos arranca &#224; vida de forma impiedosa (ou at&#233; injusta), faz aumentar o medo arrebatador e de algum modo universal em rela&#231;&#227;o &#224; nossa mortalidade; este medo afecta tanto o crente, como o leigo, o agn&#243;stico, o ateu ou o cientista. E,</i> por estranho que pare&#231;a, quanto mais progredimos na ci&#234;ncia, mais parece que tememos e negamos a realidade da morte (K&#250;bler-Ross, 1991); como se, para l&#225; da apar&#234;ncia, estejamos intimamente convictos de que mesmo os recentes adventos m&#233;dico-cient&#237;ficos apenas podem adiar a &quot;mais poss&#237;vel de todas as nossas possibilidades&quot; (Heidegger, 1964).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Este momento constitu&#237;a uma cerim&#243;nia p&#250;blica, mas acontecia no quarto do moribundo, num contexto social privado ou familiar.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">De nada nos valem os fortes apelos de uma sociedade (de consumo) moderna, que nos pressiona e nos incita a mantermo-nos jovens, bonitos, activos, saud&#225;veis e inviol&#225;veis, para melhor aproveitarmos o nosso dia-a-dia, numa busca apressada e incessante de uma felicidade, que parece sempre inating&#237;vel. Por isso, &#233; uma sociedade submissa e envergonhada, perante aquilo que n&#227;o pode evitar nem controlar, que nos nega a nossa pr&#243;pria morte.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A no&#231;&#227;o de vida e de morte pertence ao homem e &#224; &#233;poca em que vive (Tavares, 1991). Se focalizarmos a nossa aten&#231;&#227;o nas sociedades ocidentais, verificamos que at&#233; ao in&#237;cio da presente cent&#250;ria todo o ser humano reconhecia facilmente a sua mortalidade e preparava-se antecipada e serenamente para o &quot;momento final&quot;, rodeado de amigos e familiares, segundo a <i>ars moriendi,</i> ou a <i>arte de bem morrer (e. g.,</i> Ari&#232;s, 1989,1992).</font></p>      <p>&nbsp;</p> <a name="i1"> <img src="/img/revistas/psi/v12n1/12n1a07i1.jpg">     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2">Hoje em dia, a morte tomou-se muito solit&#225;ria, mec&#226;nica, impessoal, industrializada e desumanizada &#151; a <i>ars moriendi</i> foi quase esquecida. Na verdade, num &quot;mundo apressado&quot;, que foge de preocupa&#231;&#245;es e que esconde o que o afronta, corremos o s&#233;rio risco de morrer na sequ&#234;ncia de um qualquer acidente ou, o que &#233; mais comum, num leito de hospital <i>(e. g.,</i> Pinto, 1991). O que muitos de n&#243;s podem esperar &#233; uma morte por doen&#231;a ou por velhice, numa unidade de cuidados intensivos ou numa enfermaria hospitalar, onde cada paciente tende a ser considerado como um objecto (identificado por um n&#250;mero), sem qualquer vontade pr&#243;pria ou poder de decis&#227;o, e n&#227;o como uma pessoa que pensa e, acima de tudo, sente <i>(e. g.,</i> K&#250;bler-Ross, <i>op. cit.;</i> Henriques <i>et al.,</i> 1993; Pitta, 1991). As decis&#245;es sobre a vida do ser humano s&#227;o tomadas sem o seu consentimento, ou at&#233; conhecimento, pois o controlo da mesma &#233; assegurado por enfermeiros, m&#233;dicos e demais profissionais de sa&#250;de &#151; e eles pr&#243;prios s&#227;o frequentemente submetidos a um grande volume de trabalho, tens&#227;o e cansa&#231;o.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Numa institui&#231;&#227;o hospitalar, o fechar de uma cortina pode indicar que por detr&#225;s se esconde algu&#233;m que agoniza em solid&#227;o, sentindo-se abandonado, confuso, inseguro, triste, dessacralizado, revoltado, desrespeitado, ou at&#233; desesperado. Nos seus derradeiros momentos, a pessoa &#233; escondida dos olhares, cuidados e sentimentos alheios.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Torna-se assim dific&#237;limo encarar calmamente a nossa pr&#243;pria morte face &#224; incomunicabilidade a que tantas vezes somos sujeitos, bem como &#224;s dissimula&#231;&#245;es e m&#225;scaras que se lhe imp&#245;em; por&#233;m, ela acontece num contexto social p&#250;blico ou hospitalar.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">A morte tornou-se no maior interdito da nossa civiliza&#231;&#227;o (<i>e. g.</i> Ari&#232;s, <i>op. cit.;</i> Morin, 1988), sendo metaforicamente reveladora das dificuldades com que vivemos actualmente e com que nos deparamos para tentar mudar o mundo.</font></p>      <p>&nbsp;</p> <a name="i2"> <img src="/img/revistas/psi/v12n1/12n1a07i2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2">Atravessamos uma profunda &quot;crise da morte&quot; (<i>e. g.,</i> Ari&#232;s, 1989, 1992; Jank&#233;levitch, 1977; K&#250;bler-Ross, 1991; Moita Flores, 1993; Morin, 1988; Thomas, 1978,1980; Vovelle, 1983) a qual deixa a nu os grandes conflitos psicossociais da sociedade ocidental contempor&#226;nea (Vovelle, 1983), que pode observar na morte a imagem do fracasso do seu &quot;projecto de modernidade&quot; (Oliveira, 1995).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Reflectir sobre a morte implica pensar numa s&#233;rie de quest&#245;es sociais &#151; nomeadamente ao n&#237;vel dos valores, cren&#231;as, atitudes, culturas e ideologias &#151; e em n&#243;s pr&#243;prios, na nossa postura, no nosso modo de pensar, sentir e agir no quotidiano. Pelo que se torna particularmente relevante o estudo comparativo das representa&#231;&#245;es da morte entre alguns dos futuros profissionais que com ela convivem a n&#237;vel educacional-profissional e que tentam evitar a morte dos outros &#151; estudantes de medicina e de enfermagem &#151; e os que investigam a vida e morte dos seres vivos, nomeadamente do ser humano &#151; estudantes de biologia.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A</i> escolha deste tema Justifica-se em muito pela sua pertin&#234;ncia social: porque o assunto nos remete para m&#250;ltiplas quest&#245;es, apelando a uma busca da nossa exist&#234;ncia &#237;ntima e remetendo-nos para a nossa forma de ser num momento particularmente cr&#237;tico, onde os profissionais de sa&#250;de assumem um papel de preponder&#226;ncia.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Por outro lado, at&#233; ao momento, n&#227;o se conhecem estudos em Portugal, na psicologia social e no &#226;mbito do modelo das representa&#231;&#245;es sociais, que abordem esta tem&#225;tica neste contexto.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Plano de investiga&#231;&#227;o emp&#237;rica</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Foi realizada uma investiga&#231;&#227;o emp&#237;rica &#151; que engloba dois estudos &#151; com o objectivo de compreender o modo como a morte &#233; percepcionada e representada nos grupos sociais definidos por dois crit&#233;rios de categoriza&#231;&#227;o social: o curso universit&#225;rio (enfermagem, medicina e biologia) e o sexo (homens e mulheres). O primeiro &#151; que aqui apresentamos &#151; tem um car&#225;cter explorat&#243;rio e o segundo car&#225;cter experimental.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Com esta investiga&#231;&#227;o emp&#237;rica pretendemos alcan&#231;ar tr&#234;s objectivos gen&#233;ricos:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">1   apreender os universos sem&#226;nticos (ou dimens&#245;es de significa&#231;&#227;o) que estruturam as ideias, emo&#231;&#245;es e imagens em rela&#231;&#227;o &#224; morte numa popula&#231;&#227;o de estudantes universit&#225;rios de ambos os sexos;</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">2   verificar as diferen&#231;as e as comunalidades das dimens&#245;es significantes das representa&#231;&#245;es da morte em fun&#231;&#227;o das identidades de g&#233;nero e das diferentes socializa&#231;&#245;es universit&#225;rias;.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">3   verificar se a sali&#234;ncia das dimens&#245;es da morte naqueles diferentes grupos sociais &#233; sens&#237;vel a varia&#231;&#245;es de contexto: p&#250;blico ou hospitalar e privado ou familiar.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Pensamos que a morte de um paciente &#233; traumaticamente vivenciada por todos os profissionais de sa&#250;de, mas que estes sentimentos s&#227;o mais directamente expressos pelos enfermeiros do que pelos m&#233;dicos, ainda que ambos procurem n&#227;o os exteriorizar (e. g., Campbell et al., 1983-1984). Acerca do poder, do saber e do cuidar, parece haver um consenso generalizado de que a fun&#231;&#227;o do cuidar n&#227;o s&#243; constitui a principal raz&#227;o justificadora das actividades de enfermagem, como igualmente se encontra intimamente identificada com o papel feminino; o que est&#225; de acordo com a divis&#227;o social do trabalho e com os valores e as tarefas que a sociedade atribui (historicamente) &#224;s mulheres. Tamb&#233;m algumas pesquisas emp&#237;ricas parecem indicar uma maior tend&#234;ncia na mulher do que no homem para expressar emotividade perante a morte (e. g., Dattel e Neimeyer, 1990; Pollak, 1979), pelo que se espera que sejam os estudantes de enfermagem e as mulheres que revelem maior envolvimento afectivo-emocional com a morte do que os de medicina e de biologia e os homens.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Enquadramento te&#243;rico do objecto</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Para a ci&#234;ncia actual, a morte assume-se como um fen&#243;meno estranho sobre o qual pouco se sabe e com o qual dificilmente se lida. Tendo as representa&#231;&#245;es sociais a fun&#231;&#227;o de nos familiarizar com o que nos &#233; estranho (Moscovici, 1981), de acordo com as categorias da nossa cultura, as representa&#231;&#245;es sociais da morte poder&#227;o tornar um objecto n&#227;o manipul&#225;vel &#151; a morte &#151; em algo familiar atrav&#233;s de processos de objectiva&#231;&#227;o e ancoragem. Se at&#233; ao s&#233;culo passado eram as grandes religi&#245;es, nomeadamente o catolicismo apost&#243;lico romano, que ofereciam ao ser humano a confian&#231;a, a seguran&#231;a e a esperan&#231;a necess&#225;rias para vencer os seus medos<a href="#2"><sup>2</sup></a><a name="top2"></a> e encarar calmamente cada fen&#243;meno natural, desde meados do nosso s&#233;culo que assistimos a alguma indiferen&#231;a ou descren&#231;a religiosa e, pelos avan&#231;os e conquistas da ci&#234;ncia, s&#227;o os saberes t&#233;cnico-cient&#237;ficos que nos tentam garantir uma boa qualidade de vida, conquistando o lugar e o poder que outrora pertenciam &#224; religi&#227;o. Prometem-nos um corpo s&#227;o e uma vida longa, mas n&#227;o nos ensinam o que &#233; a vida, nem nos familiarizam com a morte.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">E daqui emerge um dos maiores problemas da nossa civiliza&#231;&#227;o ocidental: a ci&#234;ncia n&#227;o consegue controlar a morte e, como tal, dificilmente a aceita, mantendo-a afastada &#151; ou interdita &#151; da nossa viv&#234;ncia quotidiana. Em geral, desde o ser humano comum ao cientista e independentemente da profiss&#227;o ou do contexto institucional em que cada um se situa, em casa ou no hospital, ningu&#233;m quer falar no morrer e na morte &#151; t&#227;o receada; a ela &#233; especialmente associado o horror da degrada&#231;&#227;o ou decomposi&#231;&#227;o do corpo, que assim revela a sua corruptibilidade (<i>e</i>. <i>g.,</i> Moita Flores, 1993) e finitude. Os saberes m&#233;dico-cient&#237;ficos revelam-se incapazes e impotentes para encarar t&#227;o incomensur&#225;vel afronta. O que dever&#225; causar frequentemente uma sensa&#231;&#227;o de frustra&#231;&#227;o profissional, fracasso, ou malestar entre os profissionais de sa&#250;de que, talvez por isso, a queiram ignorar. Mas se estes n&#227;o nos auxiliam no processo de familiariza&#231;&#227;o com a morte, os meios de comunica&#231;&#227;o social (na procura de palavras e imagens fortes e espectaculares, para grandes audi&#234;ncias), as escolas e outras institui&#231;&#245;es tamb&#233;m n&#227;o o parecem fazer; da&#237; pensarmos que o ignorar (ou o ocultar) o receio da morte,<a href="#3"><sup>3</sup></a><a name="top3"></a> o horror, a dor, o sofrimento e a tristeza que se lhe associam correspondam a representa&#231;&#245;es sociais hegem&#243;nicas (Moscovici, 1988) da morte, pois parecem ser partilhadas pela generalidade das pessoas, independentemente do seu estatuto, cren&#231;as pag&#227;s ou religiosas, ou posicionamento pol&#237;tico, econ&#243;mico e ideol&#243;gico, ou dos seus grupos de perten&#231;a. Mas existir&#227;o representa&#231;&#245;es que s&#227;o caracter&#237;sticas de determinado&#094;) grupo(s) social(ais) &#151; constituindo-se como representa&#231;&#245;es emancipadas (Moscovici, 1988) da morte.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Enquadr&#225;mos os estudos efectuados no modelo das representa&#231;&#245;es sociais (Moscovici, 1961), que engloba as representa&#231;&#245;es (diversamente) partilhadas por diferentes grupos sociais, as quais modelam os comportamentos a que se referem e a que d&#227;o sentido (Moscovici, <i>op. cit.)</i> &#151;, e analisa a forma como os conhecimentos pr&#225;ticos, socialmente elaborados e partilhados, contribuem para a constru&#231;&#227;o de uma realidade comum a um dado grupo social (Jodelet, 1989) na rela&#231;&#227;o que este ocupa no espa&#231;o social (Jodelet, 1984).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Nesta investiga&#231;&#227;o, os processos de ancoragem e de objectiva&#231;&#227;o inter-relacionam-se e constituem-se como geradores e modificadores de representa&#231;&#245;es sociais, assumindo particular relev&#226;ncia; a ancoragem &#233; internamente dirigida e procura objectos que identifica com um prot&#243;tipo ou reconhece, dando-lhe um nome, enquanto a objectiva&#231;&#227;o &#233; externamente dirigida e deriva conceitos/imagens da mem&#243;ria para os combinar no exterior, criando algo novo para se observar com o aux&#237;lio do que j&#225; foi visto (Moscovici, 1981). As representa&#231;&#245;es sociais traduzem-nos um posicionamento constru&#237;do, adaptado ou modificado por um dado grupo social, num determinado contexto social, que se expressa ou consubstancia numa pr&#243;pria forma de pensar, sentir, estar e (re)agir. As representa&#231;&#245;es s&#227;o sociais, porque emergem num dado contexto social e constituem-se a partir de quadros de apreens&#227;o que englobam os valores, as ideologias e os sistemas de categoriza&#231;&#227;o social partilhados pelos diferentes grupos sociais (Vala, 1986).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os grupos de estudantes de medicina, de enfermagem e de biologia est&#227;o directamente envolvidos com a morte. Por um lado, encontram-se objectivamente familiarizados com ela quer por estudarem o ser humano atrav&#233;s de cad&#225;veres e por cuidarem e tratarem de doentes, adiando_a morte (no caso dos estudantes de medicina e de enfermagem), quer por estudarem qualquer ser vivo, particularmente o ser humano (no caso dos estudantes de biologia); por outro lado, estes tr&#234;s grupos est&#227;o igualmente relacionados com a morte num plano subjectivo, participando diariamente em processos de socializa&#231;&#227;o universit&#225;ria de saberes, poderes, valores, cultura espec&#237;fica, ou pr&#225;ticas correntes e usuais (na sua futura profiss&#227;o) relacionados com a morte. Todos estes factores influenciam as concep&#231;&#245;es e as representa&#231;&#245;es da morte, sendo de esperar que se encontrem diferentes formas de a percepcionar e representar &#151; representa&#231;&#245;es emancipadas (Moscovici, 1988) &#151; de acordo com os valores intr&#237;nsecos &#224;s institui&#231;&#245;es universit&#225;rias (e/ou hospitalares) e &#224; pr&#243;pria comunidade cient&#237;fica, com outros valores que dominam na sociedade portuguesa (Am&#226;ncio e Carapinheiro, 1993). Pelo que estas socializa&#231;&#245;es universit&#225;rias n&#227;o se encontram, de modo nenhum, separadas da realidade social em que nos inserimos e na qual estamos envolvidos.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Neste artigo pretende-se investigar e compreender a forma como a morte &#233; percepcionada e representada ao n&#237;vel dos futuros profissionais de sa&#250;de que com ela ir&#227;o lidar num contexto<a href="#4"><sup>4</sup></a><a name="top4"></a> social p&#250;blico &#151; o qual constitui o "cen&#225;rio da morte" mais comum nos nossos dias.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Hip&#243;teses</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O estudo explorat&#243;rio que aqui apresentamos foi orientado por dois objectivos:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">1   apreender as principais dimens&#245;es de significa&#231;&#227;o que estruturam as associa&#231;&#245;es de ideias-pensamentos, emo&#231;&#245;es-sentimentos e imagens-s&#237;mbolos relativamente &#224; morte, na popula&#231;&#227;o-alvo;</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">2   analisar em que medida essas estruturas de significa&#231;&#227;o diferenciam os grupos sociais considerados.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">No &#226;mbito destes objectivos, e tendo em conta o enquadramento te&#243;rico acima apresentado, definimos as seguintes hip&#243;teses:</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">1   Espera-se que o efeito da forma&#231;&#227;o acad&#233;mica nas dimens&#245;es centrais da representa&#231;&#227;o da morte se manifeste do seguinte modo:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">a) os indiv&#237;duos que contactam mais directamente com a morte tender&#227;o a salientar a dimens&#227;o afectivo-emocional desta, relativamente aos restantes.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">2   Espera-se que o efeito do sexo nas dimens&#245;es centrais da representa&#231;&#227;o da morte se manifeste do seguinte modo:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">a) as mulheres tender&#227;o a salientar a dimens&#227;o afectivo-emocional, relativamente aos homens.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Dado o car&#225;cter explorat&#243;rio e n&#227;o confirmat&#243;rio deste estudo, os seus resultados permitem-nos reavaliar e reformular estas hip&#243;teses, que assim se mant&#234;m, para al&#233;m de outras posteriormente constru&#237;das, para a segunda parte da investiga&#231;&#227;o.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Metodologia</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Sujeitos</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Participaram neste estudo 131 sujeitos de ambos os sexos, estudantes universit&#225;rios do 2.<sup>o</sup> ano dos cursos superiores de Medicina, Enfermagem e Biologia, da Faculdade de Medicina (Universidade de Lisboa), da Escola Superior de Enfermagem Artur Ravara e da Faculdade de Ci&#234;ncias (UL), respectivamente. No <a href="#q1">quadro 1</a>, apresentamos a distribui&#231;&#227;o dos efectivos dos estudantes por tr&#234;s crit&#233;rios de caracteriza&#231;&#227;o: sexo, curso e idade, compreendida entre os 19 e os 28 anos (m&#233;dia-et&#225;ria=20,3, desvio-padr&#227;o=2,83).</font></p>      <p>&nbsp;</p> <a name="q1"> <img src="/img/revistas/psi/v12n1/12n1a07q1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Conforme se pode deduzir deste quadro, cerca de 73,3% da popula&#231;&#227;o total inquirida tinha 19 ou 20 anos de idade (n=96). Em rela&#231;&#227;o ao sexo, embora os efectivos do sexo feminino (n=101, correspondendo a 77,1% da popula&#231;&#227;o total) sejam em n&#250;mero muito superior aos do sexo masculino (n=30), existem suficientes bases te&#243;ricas (Am&#226;ncio, 1992, 1993b, 1994) para prever que estas popula&#231;&#245;es se caracterizam por rela&#231;&#245;es com o conceito de morte bastante diferenciadas, pelo que consider&#225;mos a vari&#225;vel sexo como independente, tal como o fizemos relativamente ao curso.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">As vari&#225;veis dependentes corresponderam &#224;s dimens&#245;es centrais encontradas (e consideradas) para o conceito de morte.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Procedimento</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Utilizou-se como instrumento de recolha de dados a t&#233;cnica de associa&#231;&#227;o livre de palavras. Os dados foram recolhidos nas aulas, colectivamente, tendo cada sujeito respondido por escrito num protocolo individual. Cada indiv&#237;duo expressou as ideias-pensamentos, as emo&#231;&#245;es-sentimentos e as imagens-s&#237;mbolos que a morte lhe suscita atrav&#233;s de palavras, num m&#225;ximo de 10 para cada um dos tr&#234;s est&#237;mulos que lhe foram apresentados. Assim, foram tr&#234;s as situa&#231;&#245;es-est&#237;mulo criadas:</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">&#151;   <i>MORTE</i> faz-me pensar em...</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#151;   <i>MORTE</i> faz-me sentir...</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#151;   <i>MORTE</i> faz-me pensar nos seguintes s&#237;mbolos ou imagens...</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O emprego desta t&#233;cnica permite ultrapassar algumas das dificuldades, de &#237;ndole metodol&#243;gica e te&#243;rica, que se deparam &#224; investiga&#231;&#227;o no dom&#237;nio das representa&#231;&#245;es sociais (Vala, 1981) e facilita a apreens&#227;o dos campos sem&#226;nticos e das suas supostas propriedades estruturais e significantes.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Em primeiro lugar, procedeu-se &#224; redu&#231;&#227;o de todas as palavras associadas a cada um dos est&#237;mulos, colocando-se os adjectivos e os substantivos no masculino e no singular e os verbos no infinito &#151; tratamento que se baseou exclusivamente no crit&#233;rio de raiz etimol&#243;gica, pois qualquer redu&#231;&#227;o em termos de significados exigiria o recurso a ju&#237;zes (e. g., Am&#226;ncio e Carapinheiro, 1993).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Para identificar os universos sem&#226;nticos associados &#224; morte, efectuaram-se an&#225;lises factoriais de correspond&#234;ncias simples (AFC), para cada um dos est&#237;mulos, sobre as palavras ou produ&#231;&#245;es em texto livre (as vari&#225;veis qualitativas) e para cada est&#237;mulo cruzado com as vari&#225;veis independentes consideradas, atrav&#233;s do programa estat&#237;stico SPAD-T, vers&#227;o 1.0 (CISIA, 1989).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>Resultados</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Em primeiro lugar, devemos salientar o facto de que todos os universos sem&#226;nticos compilados para os diferentes grupos, nas tr&#234;s situa&#231;&#245;es-est&#237;mulo, revelam &#237;ndices de homogeneidade<a href="#5"><sup>5</sup></a><a name="top5"></a> bastante baixos, o que indica que os indiv&#237;duos, dentro de cada um dos grupos sexuais e grupos universit&#225;rios de perten&#231;a, recorrem a um dicion&#225;rio comum, isto &#233;, utilizam express&#245;es e atributos semelhantes &#151; o que revela a partilha de muitos conte&#250;dos representacionais da morte.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Nas tr&#234;s situa&#231;&#245;es estudadas, s&#227;o as mulheres que partilham representa&#231;&#245;es mais homog&#233;neas, apresentando sempre &#237;ndices de homogeneidade menos elevados do que os dos homens, o que pode significar que o g&#233;nero feminino est&#225; ligado a uma representa&#231;&#227;o da morte menos individual ou pessoal (e mais social) comparativamente com a do g&#233;nero masculino. Quanto aos grupos universit&#225;rios, os &#237;ndices de homogeneidade calculados em cada uma das situa&#231;&#245;es t&#234;m valores semelhantes, sendo ainda de acrescentar que todos se situam acima dos valores obtidos para as mulheres e abaixo dos revelados para os homens; contudo, o grupo de biologia &#233;, muito ligeiramente, o menos homog&#233;neo entre os tr&#234;s.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os valores do n&#250;mero m&#233;dio de palavras retidas por sujeito tamb&#233;m n&#227;o variam muito entre os grupos, notando-se uma tend&#234;ncia de acordo com a qual quanto maior &#233; a homogeneidade de um grupo, mais elevada &#233; a m&#233;dia de palavras retida para esse grupo. No entanto, os estudantes de medicina superam as mulheres, revelando-se como os que apresentam um vocabul&#225;rio mais diversificado.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Relativamente aos resultados obtidos para o est&#237;mulo Morte faz-me pensar em..., as palavras mais frequentemente mencionadas &#151; fim, solid&#227;o e tristeza, tal como se apresenta no <a href="#q2">quadro 2</a> &#151; levam-nos a pensar que, embora a morte nos remeta para o fim<a href="#6"><sup>6</sup></a><a name="top6"></a> da vida e tal nos entriste&#231;a, a palavra solid&#227;o conduz a uma reflex&#227;o menos &#243;bvia: pode traduzir a ideia de que geralmente se morre quando se &#233; idoso e que a morte do pr&#243;ximo (companheiro) nos deixa s&#243;s; ou induzir o pensamento de que quem morre sente-se s&#243; por estar separado dos que lhe eram pr&#243;ximos; ou at&#233; significar que quem fica, sente a perda daquele que comunicava e se relacionava consigo.</font></p>      <p>&nbsp;</p> <a name="q2"> <img src="/img/revistas/psi/v12n1/12n1a07q2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os tr&#234;s factores retidos na AFC efectuada com as palavras associadas a este est&#237;mulo representam diferentes dimens&#245;es do conceito de morte e s&#227;o interpretados de acordo com as contribui&#231;&#245;es absolutas<a href="#7"><sup>7</sup></a><a name="top7"></a> e relativas<a href="#8"><sup>8</sup></a><a name="top8"></a> de cada palavra relativamente aos eixos factoriais &#151; representados nas <a href="#f1">figuras 1</a> e <a href="#f2">2</a>, onde podemos observar o posicionamento de cada palavra no plano formado por estes.</font></p>      <p>&nbsp;</p>  <a name="f1"> <img src="/img/revistas/psi/v12n1/12n1a07f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f2"> <img src="/img/revistas/psi/v12n1/12n1a07f2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2">O primeiro factor remete-nos para os pensamentos inerentes &#224; morte do corpo, opondo pensamentos concretos ou processos de objectiva&#231;&#227;o da morte &#151; que se relacionam com rituais f&#250;nebres &#151; caracterizados por palavras como caix&#227;o, preto, cemit&#233;rio e luto a pensamentos difusos ou sentimentos traduzidos em dor e fim. O segundo parece traduzir dois modos de experienciar a morte e op&#245;e os pensamentos dos que ficam (evidenciados em vida, desconhecido, choro e saudade) aos supostos pensamentos dos que morrem (manifestados nas palavras paz, dor e caix&#227;o). O terceiro parece apresentar os pensamentos e sentimentos que decorrem ap&#243;s a morte de algu&#233;m, contrapondo uma dimens&#227;o do vis&#237;vel (pensamentos concretos ou sentimentos, como sofrimento e perda) a uma do invis&#237;vel ou transcendente (pensamentos abstractos, difusos, como desconhecido, paz e vazio).</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Em rela&#231;&#227;o aos resultados mais espec&#237;ficos de cada grupo, verific&#225;mos que o primeiro (e principal) aspecto que a todos &#233; comum e que se salienta &#233; o da percep&#231;&#227;o da morte como forma de pensar e de sentir a morte do outro. Contudo, enquanto os homens a representam de um modo bastante concreto e adoptam um posicionamento basicamente observador, as mulheres mostram-se mais directamente participativas e emocionalmente envolvidas; poder&#225; pensar-se que os homens a representam como a exterioriza&#231;&#227;o da dor pela perda de algu&#233;m querido, enquanto as mulheres representam a interioriza&#231;&#227;o dessa dor.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">No que concerne aos grupos universit&#225;rios, os estudantes de biologia s&#227;o os que mais facilmente revelam uma atitude observadora e distante face &#224; morte, associando-a ao desconhecido e &#224; vida &#151; talvez atribuam simplesmente maior import&#226;ncia &#224; vida do que &#224; morte, ou se refiram &#224;s formas de vida que s&#227;o suportadas pelo corpo morto, em decomposi&#231;&#227;o. Pelo contr&#225;rio, os estudantes de enfermagem s&#227;o os que mais orientam o seu pensamento para o n&#237;vel do que se sente pela morte do pr&#243;ximo (provavelmente um ente querido), revelando intensa emo&#231;&#227;o pela morte de algu&#233;m que lhes &#233; (ou se tomou) pr&#243;ximo.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os estudantes de medicina parecem pensar essencialmente na expressividade da dor &#151; da sua, ou da daqueles a quem morreu algu&#233;m que lhes era querido. S&#227;o os estudantes de biologia que parecem assumir uma postura mais cient&#237;fica face ao fen&#243;meno da morte e aqui somos tentados a especular que isso resulte do seu interesse em estudar diferentes formas de vida, pelo que, de algum modo, observar&#227;o a morte como (um sustento e) uma continua&#231;&#227;o da vida.<a href="#9"><sup>9</sup></a><a name="top9"></a> Pelo contr&#225;rio, os estudantes de enfermagem e os de medicina revelam diferentes emo&#231;&#245;es perante a morte do outro: os primeiros associam as suas emo&#231;&#245;es &#224;s sentidas por quem viv&#234;ncia a morte de algu&#233;m que lhe &#233; pr&#243;ximo, enquanto os segundos evidenciam um posicionamento quase profissional face &#224; morte, como quem observa e descreve as emo&#231;&#245;es que esta desencadeia e suscita nos outros &#151; sem que com ela se envolvam t&#227;o directamente. Este ser&#225; certamente um resultado revelador dos processos de socializa&#231;&#227;o universit&#225;ria e de profissionaliza&#231;&#227;o, em que todos os sujeitos se encontram envolvidos<a href="#10"><sup>10</sup></a><a name="top10"></a> (e neste caso particular, os estudantes de medicina), atrav&#233;s dos quais se criam e se desenvolvem as identidades profissionais, que, por sua vez, muito condicionam o modo de encarar e entender a realidade em cada grupo social.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Quanto aos resultados obtidos para o est&#237;mulo <i>Morte faz-me sentir</i>..., todas as palavras retidas &#151; conforme se representam no <a href="#q3">quadro 3</a> &#151;, exceptuando pensativo e curiosidade, traduzem emo&#231;&#245;es, sentimentos de mal-estar e atitudes negativas face &#224; morte.</font></p>      <p>&nbsp;</p> <a name="q3"> <img src="/img/revistas/psi/v12n1/12n1a07q3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2">O que se torna elucidativo se observarmos que triste, a palavra mais frequentemente referida, tem uma percentagem global de frequ&#234;ncia de cerca de 62%; s&#243; (com mais de 37%), medo, impotente e ang&#250;stia s&#227;o, por esta ordem, as palavras mais associadas ao sentir da morte, o que refor&#231;a o que afirmamos acima, pelo que podemos inferir que a morte n&#227;o s&#243; causa tristeza, qui&#231;&#225; associada &#224; sensa&#231;&#227;o de solid&#227;o que da&#237; pode advir, como assusta e nos remete para a nossa impot&#234;ncia e ang&#250;stia perante algo que n&#227;o podemos prever, nem evitar ou sequer controlar.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Os tr&#234;s eixos de in&#233;rcia resultantes da AFC realizada com as palavras retidas para este est&#237;mulo &#151; apresentados nas <a href="#f3">figuras 3</a> e <a href="#f4">4</a> &#151; representam diferentes modos de sentir a morte.</font></p>      <p>&nbsp;</p> <a name="f3"> <img src="/img/revistas/psi/v12n1/12n1a07f3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>      <p>&nbsp;</p> <a name="f4"> <img src="/img/revistas/psi/v12n1/12n1a07f4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2">O primeiro eixo de in&#233;rcia parece salientar a oposi&#231;&#227;o entre duas maneiras de reagir face &#224; ideia da morte,<a href="#11"><sup>11</sup></a><a name="top11"></a> opondo sentimentos que revelam medo e dor face ao vazio, a uma procura sem resposta &#151;&#094; sentimentos desencadeados pela tentativa de compreender o sentido da morte de si pr&#243;prio, definidos pelas palavras confuso, pensativo, perdido e deprimido. O segundo factor poder&#225; distinguir diferentes atitudes perante o desconhecido (ou sentimentos desencadeados pela tentativa de compreender um processo natural inevit&#225;vel e desconhecido), consubstanciadas em dois modos opostos de sentir a morte como um facto &#151;por um lado, revelando algum interesse em desvelar o desconhecido (estando-lhe associadas as palavras medo, curiosidade e confuso) e, por outro, reconhecendo a incapacidade para alterar o rumo natural da vida (conforme deduzimos de mal, pequeno, impotente e revoltado).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O terceiro salienta duas formas de sentir a falta do outro: enquanto uma revela uma atitude de grande incompreens&#227;o ou at&#233;, de certo modo, de nega&#231;&#227;o &#151; dada pelas palavras perdido, vazio, mal e s&#243; &#151;, a outra transmite-nos uma posi&#231;&#227;o de aceita&#231;&#227;o, ainda que n&#227;o deixe de revelar sofrimento &#151; definida por deprimido, saudade e ansioso.</font></p>      <p>&nbsp;</p> <a name="q4"> <img src="/img/revistas/psi/v12n1/12n1a07q4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>       <p><font face="Verdana" size="2">Ao considerarmos os resultados espec&#237;ficos de cada grupo, o que mais se evidencia &#233; a sensa&#231;&#227;o de mal-estar, medo, ang&#250;stia ou ansiedade perante a morte (de si pr&#243;prio ou do outro). Importa notar que as mulheres vivenciam a morte de forma mais interiorizada do que os homens &#151; nas mulheres, o mal-estar parece advir do facto de n&#227;o compreenderem o sentido e o significado da morte, enquanto que no caso dos homens, tal prende-se com a falta de poder para controlar o processo. Enquanto elas sentem a morte de um modo mais pessoal, os homens evidenciam grande mal-estar, em parte devido &#224; grande import&#226;ncia que atribuem &#224; evidente incontrolabilidade da morte &#151; o que interpretamos como um sentimento de revolta perante um poder que a todos supera.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">No que concerne aos grupos universit&#225;rios, apesar de todos eles nos transmitirem percep&#231;&#245;es emocionalmente negativas, confirma-se que s&#227;o os estudantes de biologia que mais se distanciam da morte e se posicionam de um modo mais impessoal, mental e interrogativo relativamente a esta. Opostamente, os sujeitos de enfermagem s&#227;o aqueles que mais claramente salientam um sentimento de desespero (e ang&#250;stia) face &#224; morte, enquanto os poss&#237;veis futuros m&#233;dicos se mostram revoltados, s&#243;s e impotentes frente a algo que transcende o seu saber formal e que de certo modo, poder&#225; abalar a sua identidade profissional (talvez a sua revolta advenha de n&#227;o compreenderem o significado da morte, ou de simplesmente n&#227;o se interrogarem acerca desse significado, ou at&#233; de n&#227;o considerarem muito seriamente a sua pr&#243;pria mortalidade, visto que a morte &#233; sentida como a nega&#231;&#227;o do seu poder, da sua capacidade profissional).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Relativamente aos resultados obtidos para o caso do est&#237;mulo <i>Mortefaz-me pensar nos seguintes s&#237;mbolos e imagens...,</i> n&#227;o podemos deixar de sublinhar que as cinco palavras mais frequentes (cruz, cemit&#233;rio, caix&#227;o, caveira e flores, especialmente as tr&#234;s primeiras, com percentagens globais de frequ&#234;ncia superiores a 40%), nos remetem para o universo ideol&#243;gico-simb&#243;lico-religioso dos ritos e locais mais associados &#224; morte: os cemit&#233;rios. O que nos faz ponderar acerca da import&#226;ncia dos funerais e, em particular, dos rituais de enterramento, na tomada de consci&#234;ncia da morte do outro e, no fundo, da consciencializa&#231;&#227;o da realidade da nossa pr&#243;pria mortalidade.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Devemos tamb&#233;m sublinhar que apesar de ser a cruz o s&#237;mbolo mais frequentemente associado no material obtido, pelo contr&#225;rio, nos nossos cemit&#233;rios (portugueses e mediterr&#226;nicos em geral) as cruzes s&#227;o secundarizadas face &#224; visibilidade das campas, das manifesta&#231;&#245;es tumulares de pedra ou da estatu&#225;ria abundante <i>(e. g.,</i> Vovelle, 1983; Moita Flores, 1993). Contudo, estas &#250;ltimas palavras raramente foram por n&#243;s encontradas (com excep&#231;&#227;o de campa, com uma percentagem global pouco superior a 8%).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Esta aparente contradi&#231;&#227;o leva-nos a pensar que talvez os nossos sujeitos n&#227;o conhe&#231;am bem os nossos cemit&#233;rios, pouco os frequentem e como tal n&#227;o tenham presente na sua mente aquilo que estes mais facilmente projectam; por outro lado, n&#227;o ser&#225; de excluir a poss&#237;vel influ&#234;ncia que outras fontes, como por exemplo os filmes e o cinema, ter&#227;o nas representa&#231;&#245;es sociais da morte e particularmente do cemit&#233;rio: na sua maioria, as produ&#231;&#245;es inglesas e americanas que dominam os nossos ecr&#227;s, mostram-nos uma realidade bem diferente da nossa, com cemit&#233;rios<a href="#12"><sup>12</sup></a><a name="top12"></a> onde predomina o espa&#231;o livre, o verde e a cruz, que pode estar associada a uma pequena placa e que substitui, muitas vezes, as constru&#231;&#245;es tumulares de pedra que nos habituamos a ver, por exemplo, no cemit&#233;rio do Alto de S&#227;o Jo&#227;o. Poder&#225; existir ainda uma raz&#227;o subconsciente para o predom&#237;nio da imagem mental da cruz, pois h&#225; v&#225;rios s&#233;culos que a simb&#243;lica de inspira&#231;&#227;o crist&#227; (ou at&#233; judaico-crist&#227;<a href="#13"><sup>13</sup></a><a name="top13"></a>) domina n&#227;o apenas a paisagem cemiterial, como tamb&#233;m v&#225;rios dos nossos costumes, valores, cren&#231;as e ritos. Ao n&#237;vel do senso comum, o apelo e a invoca&#231;&#227;o do sagrado &#233; forte e a cruz, desde a era rom&#226;ntica, tem sido reconhecida como um s&#237;mbolo do triunfo sobre a morte (e. g., Biedermann, 1994).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os tr&#234;s eixos factoriais retidos na AFC relativa &#224;s palavras mais frequentemente referenciadas para este est&#237;mulo &#151; apresentados nas <a href="#f5">figuras 5</a> e <a href="#f6">6</a> &#151; representam diferentes dimens&#245;es de significa&#231;&#227;o ou modos de estrutura&#231;&#227;o dos s&#237;mbolos e imagens ideol&#243;gicas e religiosas (ou at&#233; pag&#227;s) associadas &#224; morte.</font></p>       <p>&nbsp;</p> <a name="f5"> <img src="/img/revistas/psi/v12n1/12n1a07f5.jpg">     
<p>&nbsp;</p>      <p>&nbsp;</p> <a name="f6"> <img src="/img/revistas/psi/v12n1/12n1a07f6.jpg">     
<p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2">O primeiro eixo traduz a forte influ&#234;ncia ideol&#243;gico-religiosa que se constata na nossa tradi&#231;&#227;o sociocultural e op&#245;e imagens concretas (associadas a palavras como cruz, preto e caveira) a imagens abstractas, inerentes &#224; ideologia, ancorada nas cren&#231;as (sugeridas por c&#233;u, deus, inferno, diabo e fogo). O segundo estabelece uma oposi&#231;&#227;o entre a simbologia ligada ao profano (em palavras como esqueleto, caveira e foice) e ao sagrado (consubstanciada em flores, cruz e igreja). O terceiro eixo centraliza-se nos dom&#237;nios de uma tradi&#231;&#227;o pag&#227;, que escapa &#224; influ&#234;ncia da religiosidade crist&#227; e op&#245;e imagens concretas (dadas por caveira e foice) a imagens difusas (sugeridas por esqueleto e escurid&#227;o) &#151; este factor personifica, de certo modo, o receio do ser humano face &#224; morte.<a href="#14"><sup>14</sup></a><a name="top14"></a></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Quando nos centramos nos resultados espec&#237;ficos de cada grupo, destacamos as mulheres e os estudantes de enfermagem, que pelas representa&#231;&#245;es imag&#233;ticosimb&#243;licas que partilham, mais se diferenciam dos outros grupos e denotam uma n&#237;tida dimens&#227;o de pr&#225;tica social na representa&#231;&#227;o da morte. Assim, enquanto os homens tendem a utilizar imagens concretas (como caveira ou terra) que pouco t&#234;m que ver com uma dimens&#227;o religioso-ritualista<a href="#15"><sup>15</sup></a><a name="top15"></a> na representa&#231;&#227;o da morte, as mulheres recorrem a imagens que salientam uma dimens&#227;o de pr&#225;tica social (ilustrada em palavras como flores, campa e cruz).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Por&#233;m, &#233; necess&#225;rio referir que estas empregam tamb&#233;m frequentemente a palavra esqueleto<a href="#16"><sup>16</sup></a><a name="top16"></a> como personifica&#231;&#227;o da morte, o que poder&#225; explicar-se pela sua sensibilidade ao simples facto de os esqueletos<a href="#17"><sup>17</sup></a><a name="top17"></a> serem concebidos como um dos <i>s&#237;mbolos da morte.</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">No que respeita aos grupos universit&#225;rios, os estudantes de enfermagem, como acima referimos, partilham uma representa&#231;&#227;o semelhante &#224; das mulheres; no entanto, o seu universo sem&#226;ntico &#233; mais abrangente que o delas e inclui outras palavras (como fogo, deus e diabo) simbolicamente conotadas com o sagrado e/ou o religioso de inspira&#231;&#227;o crist&#227;, excluindo a palavra esqueleto. Os futuros m&#233;dicos, tal como os homens, representam a morte de uma forma simb&#243;lica ou concreta (o que &#233; percept&#237;vel em palavras como preto ou terra, nos primeiros, e caveira ou terra, nos segundos), mas os homens parecem ter uma maior proximidade com o sagrado (sugerida pela palavra deus, em vez de escurid&#227;o no grupo de medicina). Os futuros bi&#243;logos s&#227;o aqueles que mais frequentemente recorrem ao f&#237;sico concreto e ao profano, ou &#224; ordem natural das coisas. Neste contexto, importa recordar que, ao longo da hist&#243;ria do homem, o sagrado<a href="#18"><sup>18</sup></a><a name="top18"></a> e o profano<a href="#19"><sup>19</sup></a><a name="top19"></a> t&#234;m correspondido a duas formas de ser ou de existir no mundo (Eliade, s. d.). Por exemplo, o s&#237;mbolo da foice (que &#233; referido pelos estudantes de biologia) &#233; um dos mais representativos da tradi&#231;&#227;o n&#227;o sagrada e est&#225; associado a um instrumento do trabalho agr&#237;cola que, no dom&#237;nio metaf&#243;rico, identifica o tempo de vida terrena com o de vida vegetal: a foice termina com ambos os ciclos, mas, no entanto, &quot;&#233; depois da colheita que os cereais ganham a sua verdadeira fun&#231;&#227;o (...) e &#233; depois da morte que a vida humana vai atingir aut&#234;ntica significa&#231;&#227;o ontol&#243;gica&quot; (Moita Flores, 1993, p. 48).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Pensa-se que este s&#237;mbolo tem uma origem pr&#233;-hel&#233;nica, sendo simbolizado pelos Gregos como o deus Cronos, que os Romanos adoptaram coma Saturno e cujo significado se prende com os ciclos do tempo, sendo portanto, em certa medida, um s&#237;mbolo de morte (como finaliza&#231;&#227;o de um ciclo).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Discuss&#227;o dos resultados</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">certas condutas e pr&#225;ticas sociais, constituindo um objecto de estudo que contribui para restituir &#224; psicologia social as dimens&#245;es hist&#243;rica, social e cultural (Jodelet, 1984).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">De acordo com a primeira hip&#243;tese, conclu&#237;mos que o curso constitui um crit&#233;rio classificat&#243;rio, mas tamb&#233;m diferenciador entre tr&#234;s concep&#231;&#245;es da morte, sendo claro que as dimens&#245;es de significa&#231;&#227;o caracter&#237;sticas dos estudantes de biologia se op&#245;em &#224;s dos estudantes de enfermagem e de medicina &#151; o que &#233; particularmente vis&#237;vel na an&#225;lise dos resultados obtidos para o est&#237;mulo <i>Morte faz-me sentir....</i> Assim, verifica-se que os futuros profissionais de sa&#250;de revelam um maior envolvimento afectivo-emocional com a morte do que os futuros bi&#243;logos, donde podemos afirmar que s&#227;o os indiv&#237;duos que t&#234;m um maior contacto ou rela&#231;&#227;o mais directa com a realidade social da morte que tendem a salientar mais a sua dimens&#227;o afectivo-emocional &#151; o que os diferencia dos restantes.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A este prop&#243;sito, pensamos que a diferen&#231;a que se verifica na sensibilidade aos contextos seja uma consequ&#234;ncia directa das modalidades de identidade dominante e dominada (Am&#226;ncio, 1994). E no caso concreto de um servi&#231;o hospitalar, parece verificar-se que &#224; identidade da enfermagem (grupo dominado) associa-se a dimens&#227;o do cuidar, profundamente identificada com o papel social feminino<a href="#20"><sup>20</sup></a><a name="top20"></a> na sociedade, enquanto &#224; identidade da medicina (o grupo dominante) associam-se mais facilmente as dimens&#245;es do saber e do poder (Carapinheiro, 1993), muito identificadas com o papel social masculino.<a href="#21"><sup>21</sup></a><a name="top21"></a></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Efectivamente, as diferentes posi&#231;&#245;es e fun&#231;&#245;es sociais dos dois sexos s&#227;o basicamente hist&#243;ricas e n&#227;o apenas sociais (Am&#226;ncio, 1993b). Neste &#226;mbito, recordamos que os estere&#243;tipos sexuais podem constituir n&#227;o s&#243; um suporte simb&#243;lico das posi&#231;&#245;es sociais objectivas destes grupos, como tamb&#233;m ser o ponto de partida para a elabora&#231;&#227;o de constru&#231;&#245;es de si pr&#243;prios, entre os indiv&#237;duos de cada um dos sexos (Am&#226;ncio, 1992,1993a).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Assim, verifica-se que a vari&#225;vel sexo influi na estrutura&#231;&#227;o das dimens&#245;es centrais (ou de significa&#231;&#227;o) da morte entre os diferentes grupos considerados.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">As mulheres revelam um maior envolvimento emocional com a morte do que os homens &#151; o que permite confirmar a nossa segunda hip&#243;tese. Embora elas sejam maiorit&#225;rias<a href="#22"><sup>22</sup></a><a name="top22"></a> em todos os cursos, apenas no de enfermagem encontramos dimens&#245;es que correspondem a um estere&#243;tipo tipicamente feminino o que mostra que n&#227;o basta haver mais mulheres para que os universos sem&#226;nticos se feminizem, pois &#233; necess&#225;rio que isso aconte&#231;a num contexto bem determinado: ser mulher e ser estudante de enfermagem, Este resultado corrobora a pertin&#234;ncia inerente aos conceitos de sexo e de g&#233;nero, porque, no nosso caso, o mais determinante &#233; o g&#233;nero feminino e n&#227;o propriamente o sexo. Desta forma, os processos de socializa&#231;&#227;o decorrentes no curso de enfermagem s&#227;o determinantes na orienta&#231;&#227;o de representa&#231;&#245;es que integram dimens&#245;es identit&#225;rias do g&#233;nero feminino, nos limites do contexto em que a fun&#231;&#227;o social feminina &#233; exercida, isto &#233;, ser mulher e ser enfermeira, ou seja, ser mulher num contexto profissional que capitaliza fortemente dimens&#245;es de feminilidade.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#201; tamb&#233;m fundamental referir que s&#227;o as mulheres que revelam uma dimens&#227;o pr&#225;tica nas representa&#231;&#245;es da morte, mostrando mais claramente como estas podem assumir-se como uma forma de conhecimento socialmente elaborado e partilhado. Ou numa perspectiva globalista: &quot;Les repr&#233;sentations sociales sont des modalit&#233;s de pens&#233;e pratique orient&#233;es vers la communication, la compr&#233;hension et la maitrise de renvironnement social, mat&#233;riel et id&#233;el&quot; (Jodelet, 1984, p. 361).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Sublinhe-se que em qualquer das situa&#231;&#245;es-est&#237;mulo existe uma forte semelhan&#231;a entre as representa&#231;&#245;es das mulheres e as dos estudantes de enfermagem,<a href="#23"><sup>23</sup></a><a name="top23"></a> bem como entre as representa&#231;&#245;es dos homens e as dos indiv&#237;duos de medicina.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os resultados por n&#243;s obtidos podem reflectir a diferente natureza dos cursos, ou a diferen&#231;a entre os saberes (emergentes) que aqueles elegem e que se lhes tornam inerentes, o que inevitavelmente se manifesta nos diversos modos como &#233; processada a inser&#231;&#227;o destes profissionais na sociedade portuguesa; aqui importa focar n&#227;o s&#243; a quest&#227;o dos saberes, como tamb&#233;m, de certo modo, dos poderes de cada grupo profissional em rela&#231;&#227;o ao cuidar do ser humano e ao adiamento da sua morte. No entanto, e como nesta investiga&#231;&#227;o s&#243; participaram estudantes do 2.<sup>o</sup> ano, n&#227;o nos &#233; poss&#237;vel confirmar nem invalidar qualquer explica&#231;&#227;o baseada exclusivamente na socializa&#231;&#227;o pelas institui&#231;&#245;es universit&#225;rias de perten&#231;a. N&#227;o podemos tamb&#233;m inferir se existe ou n&#227;o uma real correspond&#234;ncia entre as representa&#231;&#245;es que encontramos entre os tr&#234;s cursos e as que encontrar&#237;amos no exterior das universidades.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Este estudo explorat&#243;rio permite-nos concluir que as representa&#231;&#245;es sociais da morte ancoram nas modalidades do pensar, do saber, do poder, do cuidar, da religi&#227;o, da ideologia, da cultura ou at&#233; do ritualismo e das pr&#225;ticas sociais. Estas representa&#231;&#245;es constituem de facto uma forma de conhecimento pr&#225;tico, socialmente elaborado e partilhado, com base no qual &#233; constru&#237;da uma realidade comum a cada um dos grupos considerados (Jodelet, 1989). Os processos de objectiva&#231;&#227;o da morte evidenciam-se no modo como esta &#233; percepcionada e representada, atrav&#233;s de s&#237;mbolos e imagens ou no&#231;&#245;es abstractas, pela associa&#231;&#227;o de diferentes pr&#225;ticas sociais e imagens concretas, como sejam os enterramentos, os cultos religioso-ritualistas, as sepulturas, ou as manifesta&#231;&#245;es de pesar e o luto.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Distinguimos diferentes dimens&#245;es de significa&#231;&#227;o que estruturam as associa&#231;&#245;es de ideias-pensamentos, emo&#231;&#245;es-sentimentos e imagens-s&#237;mbolos em rela&#231;&#227;o &#224; morte, em fun&#231;&#227;o de distintas socializa&#231;&#245;es universit&#225;rias e das identidades de g&#233;nero. Assim, grande parte das representa&#231;&#245;es encontradas s&#227;o caracter&#237;sticas de determinado(s) grupo(s) social(is), constituindo-se como representa&#231;&#245;es emancipadas (Moscovici, 1988). Contudo, alguns pensamentos ou sentimentos de malestar perante a morte (e manifesta&#231;&#245;es de medo), bem como a dor, a tristeza e o sofrimento que da&#237; adv&#234;m, constituem conte&#250;dos centrais, estruturantes ou simb&#243;licos muito frequentes e transversais nas representa&#231;&#245;es estudadas &#151; podendo estas considerar-se como hegem&#243;nicas (idem, <i>op. cit.</i>).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">As representa&#231;&#245;es sociais da morte remetem-nos para um vasto campo de investiga&#231;&#227;o emp&#237;rica (ainda por aprofundar), no qual, pelo seu mui relevante (e preeminente) interesse psicossocial, pensamos continuar a trabalhar.<a href="#24"><sup>24</sup></a><a name="top24"></a></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">De qualquer modo, fica claro que se afigura mais f&#225;cil pensar-se numa imagem concreta ou abstracta do que na morte de n&#243;s pr&#243;prios e que as nossas v&#227;s tentativas de familiariza&#231;&#227;o com ela ancoram nos dom&#237;nios do saber comum ou cient&#237;fico e no conceito de indiv&#237;duo moderno; estas t&#234;m-nos conduzido a um labirinto de equ&#237;vocos e disfarces pouco consistentes e nada satisfat&#243;rios, apoiados em valores incontornavelmente question&#225;veis, numa situa&#231;&#227;o de profunda crise da vida e da morte, onde ainda procuramos &#151; como crian&#231;as algo receosas que, sem conseguirem compreender ou fugir do que as afronta, tacteiam no escuro o caminho a seguir &#151; uma sa&#237;da saud&#225;vel, libertadora e tranquilizadora. Porque a morte continua a ser uma realidade interdita.</font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Refer&#234;ncias</b></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Am&#226;ncio, L. (1988). Dimens&#245;es de compara&#231;&#227;o e discrimina&#231;&#227;o intergrupos. <i>An&#225;lise Psicol&#243;gica</i>, 3-4 (VI), 307-319.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503760&pid=S0874-2049199800010000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Am&#226;ncio, L. (1989). Factores Psicossociol&#243;gicos da Discrimina&#231;&#227;o da Mulher no Trabalho, tese de doutoramento. Lisboa: ISCTE.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503762&pid=S0874-2049199800010000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Am&#226;ncio, L. (1992). Assimetrias nas representa&#231;&#245;es do g&#233;nero. <i>Revista Cr&#237;tica de Ci&#234;ncias Sociais</i>, 34, 9-22.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503764&pid=S0874-2049199800010000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Am&#226;ncio, L. (1993a). G&#233;nero: representa&#231;&#245;es e identidades. <i>Sociologia</i> &#151; <i>Problemas e Pr&#225;ticas</i>, 14,127-140.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503766&pid=S0874-2049199800010000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Am&#226;ncio, L. (1993b). Identidade social e rela&#231;&#245;es intergrupais. In J. Vala &amp; M. B. Monteiro (Eds.), <i>Psicologia Social</i> Lisboa: Funda&#231;&#227;o Calouste Gulbenkian.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503768&pid=S0874-2049199800010000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Am&#226;ncio, L. (1994). Masculino e Feminino: A Constru&#231;&#227;o Social da Diferen&#231;a. Porto: Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503770&pid=S0874-2049199800010000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Am&#226;ncio, L., &amp; Carapinheiro, G. (1993). Dimens&#245;es do poder e do saber, uma abordagem explorat&#243;ria. In Gon&#231;alves, M.E. (org.), <i>Comunidade Cient&#237;fica e Poder.</i> Lisboa: Edi&#231;&#245;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503772&pid=S0874-2049199800010000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Ari&#232;s, P. (1989). <i>Hist&#243;ria da Morte no Ocidente.</i> Lisboa: Teorema.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503774&pid=S0874-2049199800010000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Ari&#232;s, P. (1992). O <i>Homem perante a Morte (I e II).</i> Lisboa: Publica&#231;&#245;es Europa-Am&#233;rica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503776&pid=S0874-2049199800010000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Bayard, J. P. (1993). <i>Les sens cach&#233; des rites mortuaires &#151; mourrr est-il mourir?.</i> St-Jean-de-Braye: Editions Dangles.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503778&pid=S0874-2049199800010000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Biederman, H. (1994). <i>Dicion&#225;rio Ilustrado dos S&#237;mbolos,</i> S&#227;o Paulo: Melhoramentos.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503780&pid=S0874-2049199800010000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Campbell, T., <i>et al.</i> (1983). Do death attitudes of nurses and physicians differ?. <i>Omega,</i> 14 (1), 43-49.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503782&pid=S0874-2049199800010000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Carapinheiro, G. (1993). <i>Saberes e Poderes no Hospital: uma Sociologia dos Servi&#231;os Hospitalares.</i> Porto: Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503784&pid=S0874-2049199800010000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">CISIA (1989) Spad. T., <i>Systeme portable pour Vanalyse de donn&#233;s textuelles.</i> S&#232;vres: CISIAEd.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503786&pid=S0874-2049199800010000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Dattel, A., &amp; Neimeyer, R. (1990). Sex differences in death anxiety: testing the emotional expressiveness hypothesis, <i>Death Studies</i>, 14,1-11.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503788&pid=S0874-2049199800010000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Eliade, M. (s. d.). O <i>Sagrado e o Profano.</i> Lisboa: Livros do Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503790&pid=S0874-2049199800010000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Gascon, J. (1991). A vida depois da morte. <i>Para al&#233;m, n.<sup>o</sup> 1,</i> 4-11.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503792&pid=S0874-2049199800010000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Henriques, M., <i>et al.</i> (1993). O enfermeiro e a morte, <i>Servir</i>, n.<sup>o</sup> 43 (1), 9-17.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503794&pid=S0874-2049199800010000700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Jank&#233;levitch (1977). <i>La mort, Flammarion.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503796&pid=S0874-2049199800010000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></i></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Jodelet, D. (1984). Repr&#233;sentation Sociale: ph&#233;nomenes, concept et th&#233;orie, in S. Moscovici (org.), <i>Psychologie Sociale,</i> Paris: PUF.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503798&pid=S0874-2049199800010000700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Jodelet, D. (1989). Les Repr&#233;sentations sociales: un domaine en expansion. In D. Jodelet (org.), <i>Les repr&#233;sentations sociales.</i> Paris: PUF.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503800&pid=S0874-2049199800010000700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Kubler-Ross, E. (1991). <i>Sobre a Morte e o Morrer.</i> S&#227;o Pardo: Liv. M.E, (4.<sup>a</sup> edi&#231;&#227;o).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503802&pid=S0874-2049199800010000700022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">L&#233;vi, &#201;. (1978). <i>Os Mist&#233;rios da Cabala.</i> Lisboa: Alfa&#243;mega.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503804&pid=S0874-2049199800010000700023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Lorenzi-Cioldi, R (1983). L'analyse factorielle des correspondances dans les Sciences sociales, <i>Revue suisse sociologie,</i> 2,565-390.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503806&pid=S0874-2049199800010000700024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Mattoso, J. (1995). O <i>Reino dos Mortos na Idade M&#233;dia Peninsular.</i> Lisboa: S&#225; da Costa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503808&pid=S0874-2049199800010000700025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Moita Flores, F. (1993). <i>Cemit&#233;rios de Lisboa: entre o Real e o Imagin&#225;rio.</i> Lisboa: C&#226;mara Municipal de Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503810&pid=S0874-2049199800010000700026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Morin, E. (1988). O <i>Homem e a Morte.</i> Lisboa: Publica&#231;&#245;es Europa-Am&#233;rica (2.<sup>a</sup> edi&#231;&#227;o).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503812&pid=S0874-2049199800010000700027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Moscovici, S. (1961). <i>La Psychanalyse, son image et son public.</i> Paris: PUF.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503814&pid=S0874-2049199800010000700028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Moscovici, S. (1984). The phenomenon of social repr&#233;sentations, R. Farr e S. Moscovici'(orgs.), <i>Social Repr&#233;sentations.</i> Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503816&pid=S0874-2049199800010000700029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Moscovici, S. (1988). Notes towards a description of social repr&#233;sentations, <i>European Journal of Social Psychology</i>, vol. 18,211-250.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503818&pid=S0874-2049199800010000700030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Oliveira, A. (1995). Percep&#231;&#227;o da morte: a realidade interdita. Tese de mestrado. Lisboa: ISCTE.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503820&pid=S0874-2049199800010000700031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Pinto, V. (1991). Entre a vida e a morte, a raz&#227;o da esperan&#231;a. <i>Servir</i>, n.<sup>o</sup> 39 (1), 9-22.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503822&pid=S0874-2049199800010000700032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Pitta, A. (1991). <i>Hospital, Dor e Morte como Of&#237;cio.</i> S&#227;o Paulo: Editora Hucitec.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503824&pid=S0874-2049199800010000700033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Pollak, J. (1979). Correlates of death anxiety: a review of empirical studies, <i>Omega,</i> 10, 97-121.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503826&pid=S0874-2049199800010000700034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Tavares, M. J. (1991). A morte em Portugal dos s&#233;culos XII a XVI, <i>Sociedade e Cultura Portuguesa</i>, v&#237;deo 2, prog. 8. Lisboa: Universidade Aberta.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503828&pid=S0874-2049199800010000700035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Thomas, L. -V. (1978). <i>Mort et pouvoir.</i> Paris: PBP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503830&pid=S0874-2049199800010000700036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Thomas, L. -V. (1980). <i>Anthropologie de la mort.</i> Paris: Payot.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503832&pid=S0874-2049199800010000700037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Vala, J. (1981). Grupos sociais e representa&#231;&#227;o social da viol&#234;ncia. <i>Psicologia</i>, vol. II, n.<sup>o</sup> 4, 329-342.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503834&pid=S0874-2049199800010000700038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Vala, J. (1984). La Production sociale de la violence: representations et components, Tese de doutoramento. Lovaina: Universidade Cat&#243;lica de Lovaina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503836&pid=S0874-2049199800010000700039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Vala, J. (1986). Sobre as representa&#231;&#245;es sociais &#151; para uma epistemologia do senso comum. <i>Cadernos de Ci&#234;ncias Sociais</i>, 4, 5-30.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503838&pid=S0874-2049199800010000700040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Vala, J. (1993). Representa&#231;&#245;es sociais &#151; para uma psicologia social do pensamento social. In J. Vala &amp; M. B. Monteiro. <i>Psicologia Social.</i> Lisboa: Funda&#231;&#227;o Calouste Gulbenkian, 353-384.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503840&pid=S0874-2049199800010000700041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Vovelle, M. (1983). <i>La mort et Voccident de 1300 &#224; nos jours.</i> Paris: Gallimard.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=503842&pid=S0874-2049199800010000700042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Notas</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top0"><sup>*</sup></a><a name="0"></a>Este trabalho foi realizado na sequ&#234;ncia da elabora&#231;&#227;o de uma tese de mestrado em Psicologia Social, sob a orienta&#231;&#227;o da Prof.<sup>a</sup> L&#237;gia Am&#226;ncio &#151; a quem o autor agradece muito especialmente. Agradece ainda aos Profs. Daniel Sampaio e Jorge Vala as suas sugest&#245;es, a leitura atenta e as cr&#237;ticas a vers&#245;es anteriores deste artigo.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top1"><sup>1</sup></a><a name="1"></a>Ou travessia, como afirmavam os grandes fil&#243;sofos da antiga Gr&#233;cia cl&#225;ssica.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top2"><sup>2</sup></a><a name="2"></a>Ainda que por vezes incutindo outros medos, suportados por cren&#231;as e dogmas.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top3"><sup>3</sup></a><a name="3"></a>N&#227;o s&#243; a morte como tamb&#233;m o envelhecimento, a dor (f&#237;sica e/ou emocional) e a doen&#231;a deixam-nos antever o fracasso do nosso &quot;projecto de modernidade&quot;, contrariando o conceito de homem aut&#243;nomo e o objectivo de ser (ou parecer) feliz e saud&#225;vel.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top4"><sup>4</sup></a><a name="4"></a>Num pr&#243;ximo artigo referir-nos-emos &#224; segunda parte desta investiga&#231;&#227;o emp&#237;rica e abordaremos a influ&#234;ncia do contexto nas representa&#231;&#245;es sociais da morte.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top5"><sup>5</sup></a><a name="5"></a>Quociente entre o n&#250;mero de palavras distintas (ou associa&#231;&#245;es) produzidas pelo grupo e o n&#250;mero total de palavras produzidas; este &#237;ndice varia entre zero e um. Zero indica o m&#225;ximo de concentra&#231;&#227;o das respostas do grupo, o que significa a utiliza&#231;&#227;o de um mesmo universo sem&#226;ntico, ou norma de associa&#231;&#227;o (<i>e. g.,</i> Vala, 1984; Am&#226;ncio, 1989). Valores elevados deste &#237;ndice sugerem que os indiv&#237;duos de um grupo n&#227;o utilizam um dicion&#225;rio comum, ou seja, formulam respostas distintas, o que pode significar a n&#227;o partilha de uma mesma representa&#231;&#227;o sobre um objecto.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top6"><sup>6</sup></a><a name="6"></a>Pelo menos a n&#237;vel f&#237;sico, como a biologia, a qu&#237;mica ou a medicina o comprovam.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top7"><sup>7</sup></a><a name="7"></a>A contribui&#231;&#227;o absoluta de cada ponto corresponde ao n&#237;vel de participa&#231;&#227;o de cada vari&#225;vel na constru&#231;&#227;o ou defini&#231;&#227;o desse eixo. Cada eixo ou factor, &#233; normalmente explicado pelas vari&#225;veis que t&#234;m valores mais elevados de contribui&#231;&#227;o absoluta, devendo fixar-se um &#237;ndice ou valor m&#237;nimo, acima do qual se considera que uma vari&#225;vel ou modalidade contribui consideravelmente para o sentido do factor (Oliveira, 1995).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top8"><sup>8</sup></a><a name="8"></a>A contribui&#231;&#227;o relativa (ou <i>cosinus carr&#233;</i>) mostra a quantidade de vari&#226;ncia do ponto que &#233; explicada pelo factor, isto &#233;, mede a contribui&#231;&#227;o do eixo factorial para a explica&#231;&#227;o da vari&#225;vel (<i>e. g.,</i> Lorenzi-Cioldi, 1983).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top9"><sup>9</sup></a><a name="9"></a>De um certo ponto de vista, &#233; natural que, para os bi&#243;logos, a morte esteja associada &#224; vida, urna vez que parte dos seus conhecimentos sobre a vida e os seres vivos s&#227;o estudados em s&#233;res mortos (em laborat&#243;rio); pelo que eles precisam da morte para estudar a vida.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top10"><sup>10</sup></a><a name="10"></a>E recordamos que todos os sujeitos s&#227;o alunos em fase de completarem o segundo ano do curso.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top11"><sup>11</sup></a><a name="11"></a>De si pr&#243;prio?</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top12"><sup>12</sup></a><a name="12"></a>&#201; o caso dos cemit&#233;rios onde est&#227;o enterrados soldados v&#237;timas de guerras &#151; por exemplo, da II Guerra Mundial, que se salientam pela vis&#227;o imponente e impressionante, de extensos campos (muitas vezes relvados), com centenas ou milhares de cruzes.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top13"><sup>13</sup></a><a name="13"></a>&quot;O signo hierogl&#237;fico da cruz, s&#237;mbolo do nome que resume todos os nomes, imagens dos quatro pontos cardeaes e da quadratura do c&#237;rculo, (...) resume e representa toda a filosofia e toda a teologia da Cabala&quot; (L&#233;vi, 1978, p. 95), sendo esta a interpreta&#231;&#227;o m&#237;stica da B&#237;blia (pelos judeus) ou o &quot;comp&#234;ndio de doutrina judaica, onde se baseia o seu sentido cosmog&#243;nico e o ordenamento do universo&quot; (Gascon, 1991, p. 6).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top14"><sup>14</sup></a><a name="14"></a>E revela uma das imagens que ele mais frequentemente lhe associa, no seu imagin&#225;rio: um esqueleto armado de uma foice a cortar cabe&#231;as numa vasta pradaria; esta parece-nos ser uma imagem de terror no nosso mundo ocidental (<i>e.g.,</i> Bayard, 1993).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top15"><sup>15</sup></a><a name="15"></a>Mas antes uma dimens&#227;o do sagrado e/ou imag&#233;tico-simb&#243;lico (deus, caveira, terra).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top16"><sup>16</sup></a><a name="16"></a>Os esqueletos podem simbolizar a ideia de que na plenitude da vida nos encontramos circundados pela morte (<i>e. g.,</i> Biedermann, 1994).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top17"><sup>17</sup></a><a name="17"></a>Recordamos que os ossos, em determinadas condi&#231;&#245;es, podem conservar-se quase inalter&#225;veis durante muit&#237;ssimos anos.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top18"><sup>18</sup></a><a name="18"></a>O bem ou o real.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top19"><sup>19</sup></a><a name="19"></a>O n&#227;o sagrado, o irreal ou pseudo-real, ou at&#233; o mal.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top20"><sup>20</sup></a><a name="20"></a>Definido por uma fun&#231;&#227;o social, no &#226;mbito dos limites do contexto em que essa fun&#231;&#227;o &#233; exercida &#151; &quot;modelo de pessoa situacional&quot; (Am&#226;ncio, 1993b).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top21"><sup>21</sup></a><a name="21"></a>Definido por uma fun&#231;&#227;o social, aut&#243;noma e independente dos contextos em que essa fun&#231;&#227;o &#233; exercida &#151; &quot;modelo de pessoa universal&quot; (Am&#226;ncio, 1993b).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top22"><sup>22</sup></a><a name="22"></a>Representando 77,1% da popula&#231;&#227;o total.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top23"><sup>23</sup></a><a name="23"></a>Talvez porque, &quot;a divis&#227;o social do trabalho imp&#245;e historicamente um aprendizado &#224;s mulheres das tarefas de cuidar e prover crian&#231;as, velhos e doentes&quot; (Pitta, 1991, p. 186), caracter&#237;sticas do papel dos profissionais de enfermagem. (A percep&#231;&#227;o das mulheres &#233; ainda mais pr&#243;xima da dos estudantes de biologia que da dos de medicina.)</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top24"><sup>24</sup></a><a name="24"></a>Neste sentido, voltaremos a abordar este tema num pr&#243;ximo artigo, que ter&#225; como base um estudo experimental em que se investiga a influ&#234;ncia do contexto na percep&#231;&#227;o e representa&#231;&#227;o da morte.</font></p>      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Amâncio]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Dimensões de comparação e discriminação intergrupos]]></article-title>
<source><![CDATA[Análise Psicológica]]></source>
<year>1988</year>
<volume>3-4</volume>
<numero>VI</numero>
<issue>VI</issue>
<page-range>307-319</page-range></nlm-citation>
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<person-group person-group-type="author">
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