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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Influência do contexto na percepção e nas representações sociais da morte]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This study belongs to a larger research in which we intended to analyse and understand the social construction of death. We departed from the social fact that death rarely occurs in private contexts - and that seems to assume dramatic outlines. In the experiment reported here the effect of the context where death takes place (private or familiar and public or hospital) on the perceptions and emotions were analysed. Participants were biology, medicine and nursing students of both sexes.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[representações sociais]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[contextos sociais]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="4"><b>Influ&#234;ncia do contexto na percep&#231;&#227;o e nas representa&#231;&#245;es sociais da morte</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="3"><b>Influences on Death' Perceptions and Social Representations</b></font></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Ab&#237;lio Oliveira<sup>*</sup>; L&#237;gia Am&#226;ncio<sup>**</sup></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><sup>*-**</sup>Instituto Superior de Ci&#234;ncias do Trabalho e da Empresa, Lisboa.</font></p>      <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O estudo apresentado neste artigo integra-se numa investiga&#231;&#227;o em que se pretende analisar e compreender as concep&#231;&#245;es que subjazem &#224; constru&#231;&#227;o psicossocial da morte, entre futuros profissionais de sa&#250;de que com ela ir&#227;o lidar num contexto social p&#250;blico. Partimos do facto de que, nos nossos dias, a morte raramente acontece num contexto social privado &#151; o que parece assumir contornos dram&#225;ticos. Neste estudo experimental investiga-se o efeito do contexto em que se observa a morte de uma pessoa (contexto privado ou familiar e contexto p&#250;blico ou hospitalar) no modo como a morte &#233; representada numa popula&#231;&#227;o de estudantes de ambos os sexos e de tr&#234;s cursos universit&#225;rios (biologia, enfermagem e medicina).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave</b>: morte; representa&#231;&#245;es sociais; contextos sociais.</font></p>  <hr size="1" noshade>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">This study belongs to a larger research in which we intended to analyse and understand the social construction of death. We departed from the social fact that death rarely occurs in private contexts &#151; and that seems to assume dramatic outlines. In the experiment reported here the effect of the context where death takes place (private or familiar and public or hospital) on the perceptions and emotions were analysed. Participants were biology, medicine and nursing students of both sexes.</font></p>  <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Introdu&#231;&#227;o</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&quot;O lugar da morte na vida humana n&#227;o &#233; simples nem est&#225;vel&quot; (Kastenbaum e Aisenberg, 1983, p. 407).<a href="#0"><sup>*</sup></a><a name="top0"></a> O relacionamento humano com a morte depende do contexto psicossocial em que nos situamos, resulta de m&#250;ltiplos factores interrelacionados e, no que se refere particularmente &#224; nossa civiliza&#231;&#227;o ocidental, tem sofrido grandes altera&#231;&#245;es ao longo dos s&#233;culos. Possivelmente, muitas outras ocorrer&#227;o nos novos tempos que se aproximam, no crep&#250;sculo de uma cent&#250;ria onde o Homem conseguiu as mais fant&#225;sticas conquistas, nomeadamente no dom&#237;nio cient&#237;fico, e que assistiu a um completo revolucionar do modo deste se olhar e de estar no &quot;planeta azul&quot;. Tudo o que vemos e tocamos &#233; mut&#225;vel e o seu real sentido escapa-nos. E a morte constitui um tema quase intoc&#225;vel e infind&#225;vel, mas apaixonante, que nos conduz ao limiar da vida e nos leva a reflectir profundamente acerca da mesma. Naturalmente, a forma como (n&#227;o) encaramos e como percepcionamos e representamos a morte n&#227;o &#233; mais do que uma consequ&#234;ncia directa do modo como concebemos e vivenciamos a vida, dos valores por que nos regemos, das normas e das regras pelas quais nos orientamos, da pol&#237;tica, da cultura e da ideologia que nos governam, dos traumas e complexos que ainda n&#227;o ultrapass&#225;mos, dos preconceitos e dos medos que nos impedem de ver, compreender ou chegar mais longe, das cren&#231;as que nos alimentam a esperan&#231;a, dos desejos e, n&#227;o menos importante, dos sonhos que nos inspiram interiormente.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Neste artigo propomo-nos investigar e compreender a forma como a morte &#233; percepcionada, e representada, ao n&#237;vel dos futuros profissionais de sa&#250;de que com ela ir&#227;o lidar num contexto social p&#250;blico. Nos nossos dias, a morte comum ocorre no hospital mas, durante muitos s&#233;culos, a morte ocorreu no lar (e mais propriamente no quarto) do moribundo (Oliveira, 1995,1999).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Na baixa Idade M&#233;dia, a morte constitu&#237;a uma importante cerim&#243;nia p&#250;blica, vivenciada num contexto social familiar (ou privado). Considerava-se que o moribundo deveria mostrar um arrependimento sincero pelos pecados cometidos em vida (e. g., Ari&#232;s, 1989,1992; Feij&#243;, Martins e Pina Cabral, 1985; Tavares, 1991; Vovelle, 1983); deitado na sua cama, ele seguia a <i>ars moriendi</i> (e. g., Ari&#232;s, op. cit.) e, rodeado de pessoas (amigos, desconhecidos, familiares, sacerdotes), assumia a sua finitude f&#237;sica, sem qualquer tipo de temor, desprezo, orgulho ou desespero, compreendendo e aceitando o seu destino &#151; comum a todas as pessoas -, de forma natural. Do s&#233;c. XII &#225;o s&#233;c. XIV, a morte converteu-se no momento em que o ser humano analisava, contava, pesava e julgava todas as particularidades da vida &#151; da&#237; resultando a salva&#231;&#227;o da sua alma ou a sua condena&#231;&#227;o. Evidenciou-se um sentimento mais pessoal, interior e consciente da morte de si pr&#243;prio. A partir do s&#233;c. XVIII, o que &#233; verdadeiramente receado n&#227;o &#233; a pr&#243;pria morte, mas sim a separa&#231;&#227;o inadmitida de um ente querido, da pessoa amada &#151; a morte do outro. A Humanidade come&#231;ou a distanciar-se da morte em si mesma e esta assumiu uma express&#227;o dram&#225;tica, tensa, exaltada, contestada, espectacular ou pomposa &#151; talvez ocultando o afrouxamento das antigas familiaridades. Na nossa &#233;poca, a morte tomou-se interdita. Ningu&#233;m a deve referenciar ou salientar. Admitimo-la, mas n nossa pr&#225;tica di&#225;ria tendemos a pensar e a agir como se fossemos imortais, s&#243; (re)&#233;&#243;nhec&#234;ndo a nossa finitude na morte do outro.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Por&#233;m, &#233; dif&#237;cil para uma civiliza&#231;&#227;o industrializada; automatizada e tecnicista iludir o destino e &quot;como n&#227;o h&#225; nada mais capaz de gerar preocupa&#231;&#245;es metaf&#237;sicas nos seres humanos do que o <i>&#091;...&#093;factum</i> da morte, talvez haja ent&#227;o uma raz&#227;o para se evitar o t&#243;pico da morte por parte daqueles que insistem na mundaneidade da actividade acad&#233;mica e da pr&#225;tica social&quot; (Feij&#243;, Martins e Pina Cabral, 1985, p. 14). Porque &quot;&#224; roda da morte e do culto dos mortos h&#225; todo um conjunto de sentimentos e de rituais que constituem talvez o que de mais profundo existe na nossa condi&#231;&#227;o humana. &#091;...&#093; Porque &#233; a vida que, acima de tudo, nos interessa&quot; (Coelho, 1991, p. 11). E ao renegarmos a morte, afastamos (violentamente) a vida do nosso quotidiano &#151; o que parece assumir contornos psicossociol&#243;gicos dram&#225;ticos e pesarosos.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Representa&#231;&#227;o e contexto social da morte na actualidade</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">As actuais concep&#231;&#245;es e representa&#231;&#245;es da morte est&#227;o indelevelmente ligadas a muitos dos paradigmas, eventos e factores que caracterizam, em geral, as sociedades modernas. Em primeiro lugar, concepciona-se o ser humano como um ser aut&#243;nomo, respons&#225;vel, capaz de cumprir os seus pap&#233;is na sociedade, assim como de se controlar a si pr&#243;prio, &#224;s suas emo&#231;&#245;es e at&#233; ao seu pr&#243;prio destino; ele &#233; um cidad&#227;o pol&#237;tico, simultaneamente produto e produtor (ou agente que contribui para a transforma&#231;&#227;o) dos saberes, valores, culturas, ideologias, cren&#231;as, dimens&#245;es simb&#243;licas ou representa&#231;&#245;es sociais, sendo potencialmente capaz de emitir opini&#245;es e intervir socialmente sobre os mais variados assuntos e n&#227;o apenas sobre aqueles que respeitam &#224; sua actividade profissional. Mas a sua autonomia &#233; relativa, pois, entre outros aspectos, ele procura consumir bens (e cultiva uma imagem boa e saud&#225;vel) como via para conquistar (ou aparentar) a sua pr&#243;pria felicidade e ser mais facilmente aceite pelos outros &#151; da&#237; que interdite a morte, porque ela se op&#245;e a esta concep&#231;&#227;o de individualidade e aos valores que se lhe associam, ao amea&#231;ar desvitalizar e corromper o seu corpo, sem qualquer apelo, roubando-lhe a companhia dos que lhe s&#227;o pr&#243;ximos e suscitando-lhe o emergir de emo&#231;&#245;es ou sentimentos indesej&#225;veis.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Em segundo lugar, o advento do capitalismo nos modernos estados democr&#225;ticos ocidentais conduziu a profundas mudan&#231;as nos mais diversos dom&#237;nios, nomeadamente nos da organiza&#231;&#227;o social da fam&#237;lia, do trabalho e na dimens&#227;o dos saberes (e da ci&#234;ncia) que mais do que nunca parece(m) sobrepor-se ou substituir-se &#224;s cren&#231;as religiosas (e &#224; pr&#243;pria religi&#227;o), na confian&#231;a e seguran&#231;a que estas anteriormente ofereciam &#224; grande maioria dos seres humanos. O Homem actual tende a depositar todas as suas esperan&#231;as de vida na ci&#234;ncia e particularmente na medicina; por isso, os m&#233;dicos assumem-se como os profissionais especializados e nomeados para lutar contra a morte e defender a vida; olvid&#225;mos o &quot;saber morrer&quot;, a morte deixou de ser vivida no seio do lar, entre a fam&#237;lia, pois logo que sentimos a sua aproxima&#231;&#227;o ou a vida em perigo, chamamos um m&#233;dico ou corremos c&#233;leres para o hospital &#151; o novo local privilegiado para se morrer, onde, sob o dom&#237;nio do saber m&#233;dico, se procura prolongar a vida. Admitimos ainda que o projecto de modernidade fracassa quanto &#224; capacidade de controlar e dominar os nossos maiores mist&#233;rios existenciais: a vida e, particularmente, a morte. N&#227;o s&#243; precisamos reconhecer a exiguidade dos nossos saberes, como tamb&#233;m questionar a pr&#243;pria divis&#227;o e organiza&#231;&#227;o do trabalho e os poderes da ci&#234;ncia (e da medicina).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O ser humano actual viv&#234;ncia apressadamente at&#233; os mais &#237;ntimos momentos do seu dia-a-dia, parecendo fugir de si pr&#243;prio, alheio ao facto de ser mortal &#151; e ao recusar olhar-se, poder&#225; estar a adiar um encontro com o seu &quot;eu&quot; mais profundo. A morte deixou de ser um fen&#243;meno natural e tomou-se numa inc&#243;moda inimiga que assola a nossa cruzada terrena; mentalmente admitimos que s&#243; aos outros acontecem determinadas contrariedades. Contudo, a realidade &#233; impiedosa e exibe-nos sinais, pr&#225;ticas e rituais que preferir&#237;amos fossem ocultados.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O desconhecido impele o ser humano &#224; sua descoberta, mas tamb&#233;m lhe pode suscitar medo, ansiedade, ang&#250;stia ou outras emo&#231;&#245;es, por n&#227;o saber o que vai encontrar. Pensar na morte atrav&#233;s de s&#237;mbolos e imagens &#233; bem diferente de dar-lhe um rosto conhecido, determinado e amado; &#233; prefer&#237;vel esquecer ou n&#227;o pensar nesta quest&#227;o. S&#243; que, a um n&#237;vel subconsciente, ela nunca deixa de estar presente no nosso quotidiano, permanecendo, como uma mola em tens&#227;o constante, uma realidade inc&#243;moda e desconfort&#225;vel, que se manifesta at&#233; nos mais pequenos pormenores. A medicina e a biologia s&#227;o duas das ci&#234;ncias que mais a investigam &#151; a primeira estuda os melhores meios de proteger, tratar e prolongar a vida de um ser humano e a segunda estuda os processos e os fen&#243;menos intr&#237;nsecos &#224; vida e ao seu funcionamento. Ambas lutam contra a morte, com base no seu respectivo corpo de conhecimentos, a favor da vida humana e da sua melhor qualidade.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">No in&#237;cio do s&#233;c. XX, somente 15% a 20% das pessoas morriam no hospital (Pinto, 1991). Actualmente, para al&#233;m dos casos de suic&#237;dio, a morte ocorre por acidente, doen&#231;a s&#250;bita, numa situa&#231;&#227;o de guerra, na marquesa ou na cama de um hospital ou, ent&#227;o, a caminho do mesmo. No caso dos idosos, os lares e as casas de repouso substituem-no por vezes, mas mant&#234;m com ele muitas semelhan&#231;as. Por vezes ouvimos falar de pessoas<a href="#1"><sup>1</sup></a><a name="top1"></a> que viveram os seus &#250;ltimos dias sozinhas, isoladas, quer por op&#231;&#227;o pr&#243;pria, quer por n&#227;o terem fam&#237;lia ou por ningu&#233;m lhes quis ligar &#151; ou seja, foram consideradas socialmente mortas antes do seu decesso biol&#243;gico; mas tamb&#233;m no hospital as pessoas morrem frequentemente sozinhas, escondidas ou ignoradas.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A sociedade moderna dessocializou a morte<a href="#2"><sup>2</sup></a><a name="top2"></a> (e. g., Henriques <i>et al.,</i> 1993), desumanizou-a, afastando-a do meio familiar e confinando-a entre as paredes de u&#237;ft quarto solit&#225;rio ou de uma enfermaria (onde uma cortina fechada circunscreve um espa&#231;o limitado) numa institui&#231;&#227;o hospitalar. A&#237; o moribundo v&#234;-se rodeado de aparelhos estranhos e sofisticados (Kubler-Ross, 1991), caracter&#237;sticos de uma UCI,<a href="#3"><sup>3</sup></a><a name="top3"></a> sendo observado e assistido por diferentes profissionais de sa&#250;de, que cuidam para que ele se mantenha vivo. Mas ele poder&#225; sentir-se s&#243;,<a href="#4"><sup>4</sup></a><a name="top4"></a> com vontade de compartilhar o seu medo, ansiedade, ang&#250;stia, dor, sofrimento (idem, op. cit.), ou, at&#233;, quem sabe, a sua paz, tranquilidade ou alegria, ou qualquer outro pensamento, sentimento, pedido, confiss&#227;o ou mensagem que gostasse de formalizar ou comunicar.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">No hospital n&#227;o se costuma discutir a morte (e. g., Salema, 1993) e morrer tornou-se demasiado triste para que os profissionais de sa&#250;de queiram pensar nisso. Todos a receiam (Kubler-Ross, 1991) e a sua interdi&#231;&#227;o &#233; respeitada. Mesmo pelos estudantes de medicina ou de enfermagem, que na sua viv&#234;ncia di&#225;ria, com colegas mais velhos, professores e in&#250;meros m&#233;dicos; enfermeiros e outros profissionais de sa&#250;de, t&#234;m a oportunidade de assimilar alguns valores, a cultura espec&#237;fica ou pr&#225;ticas correntes na sua futura profiss&#227;o, acedendo a toda uma literatu&#237;a cient&#237;fica que influenciar&#225;, de algum modo, a percep&#231;&#227;o de um objecto de estudo como a morte. Para v&#225;rios destes indiv&#237;duos, &#233; prov&#225;vel que a &quot;ars moriendi&quot;, a &quot;morte familiar&quot;<a href="#5"><sup>5</sup></a><a name="top5"></a> (Ari&#232;s, 1989, 1992) e os costumes e rituais que se lhe associam correspondam a algo desconhecido, arcaico, improv&#225;vel, ultrapassado, estranho e desactualizado. Habituaram-se a assistir &#224; morte sem a encarar, numa institui&#231;&#227;o social p&#250;blica, mantendo um significativo afastamento afectivo no relacionamento com os doentes e moribundos. Talvez o fa&#231;am para se protegerem e dominarem melhor o temor e a ansiedade que a realidade da morte (quer como constata&#231;&#227;o pessoal, quer como sin&#243;nimo de desaire profissional) lhes provoca.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Em s&#237;ntese, nos centros urbanos,<a href="#6"><sup>6</sup></a><a name="top6"></a> o processo de morte &quot;ideal&quot; &#233; o que ocorre nos hospitais; longe da fam&#237;lia e, sobretudo, dos olhos das crian&#231;as. Um idoso ou um moribundo &#233;, frequentemente, dif&#237;cil de acompanhar, tomando-se gerador de tens&#245;es e conflitos indesej&#225;veis, entre os familiares. A op&#231;&#227;o pelo &quot;lar interno&quot; ou pelo hospital surge inapelavelmente, ainda que o indiv&#237;duo preferisse morrer em casa. Nas sociedades modernas, os sacerdotes, os agentes funer&#225;rios, os trabalhadores nos cemit&#233;rios, os m&#233;dicos, os enfermeiros e outros t&#233;cnicos de sa&#250;de, os psic&#243;logos, os psiquiatras e os bi&#243;logos constituem os grupos profissionais que, no seu dia-a-dia, mant&#234;m um maior contacto com a quest&#227;o da morte.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Pensamos que a percep&#231;&#227;o, as concep&#231;&#245;es e as representa&#231;&#245;es da morte depender&#227;o n&#227;o s&#243; do(s) grupo(s) social(ais) a que o indiv&#237;duo pertence, como tamb&#233;m (e entre outros factores) do contexto social em que a morte ocorre, ou &#233; observada. Esperamos obter diferentes respostas dos estudantes de enfermagem, medicina e biologia, face aos contextos experimentais que consider&#225;mos neste estudo. Vamos analisar as dimens&#245;es de significa&#231;&#227;o em que se estrutura o conceito de morte, em fun&#231;&#227;o de diferentes contextos (p&#250;blico e privado) nos tr&#234;s grupos universit&#225;rios (enfermagem, medicina e biologia) e nos dois sexos (homens e mulheres), comparando-as com as obtidas anteriormente, na primeira parte da nossa investiga&#231;&#227;o emp&#237;rica, que foi constitu&#237;da por um estudo explorat&#243;rio (Oliveira e Am&#226;ncio, 1998).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Hip&#243;teses</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O principal objectivo deste estudo, era o de verificar quais as dimens&#245;es centrais da morte que os grupos de sujeitos salientam, em fun&#231;&#227;o dos contextos experimentais considerados &#151; p&#250;blico ou hospitalar e privado ou familiar. Para isso seleccion&#225;mos dois filmes a que os sujeitos assistiram antes de responderem ao question&#225;rio (nas condi&#231;&#245;es experimentais),<a href="#7"><sup>7</sup></a><a name="top7"></a> nos quais se podia observar uma pessoa moribunda: num deles, ela encontrava-se com aspecto muito doente num quarto, deitada numa cama e rodeada de alguns familiares, acabando por morrer; no outro, ela estava tamb&#233;m deitada, mas numa mesa de reanima&#231;&#227;o, rodeada de m&#233;dicos e enfermeiros que tentavam salvar-lhe a vida, o que n&#227;o foi poss&#237;vel &#151; sendo bem vis&#237;vel a consequente reac&#231;&#227;o (expressiva e gestual) de frustra&#231;&#227;o e de revolta, do m&#233;dico principal. Os dois contextos sociais retratados nos filmes remetiam-nos para duas formas distintas de encarar ou vivenciar a morte: o primeiro mostrava ou relembrava a &quot;morte familiar&quot; e o segundo sugeria-nos uma imagem relacionada com a &quot;morte interdita&quot;, tal como ela &#233; encarada geralmente, na nossa sociedade ocidental. No primeiro estudo verific&#225;mos que os estudantes de profiss&#245;es que contactam mais directamente com a morte de seres humanos, revelam uma maior reac&#231;&#227;o afectivo-emocional perante a ideia da morte; assim, esper&#225;vamos que os sujeitos que assistissem aos filmes (que mostram a morte de uma pessoa) salientassem mais esta dimens&#227;o do que aqueles que s&#243; respondessem ao question&#225;rio.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Consequentemente, em qualquer dos contextos esper&#225;vamos que os sujeitos, na sua percep&#231;&#227;o da morte, salientassem mais a dimens&#227;o afectivo-emocional, em particular na situa&#231;&#227;o privada ou familiar, por tomar evidente a perda de algu&#233;m querido (a morte do outro), enquanto que no contexto p&#250;blico ou hospitalar, os sujeitos poder&#227;o tamb&#233;m salientar dimens&#245;es associadas ao mal-estar, revolta e impot&#234;ncia perante a (inevitabilidade e incontrolabilidade da) morte. Dada a intensidade emocional a que (se pensa que) os filmes remetem, e porque estes n&#227;o mostram imagens relacionadas com cerim&#243;nias ou rituais f&#250;nebres, espera-se que as dimens&#245;es associadas a&#245; imag&#233;tico-simb&#243;lico ou ao ritualismo e ao religioso, se revelem menos relevantes nos grupos que os visionam, comparativamente com o grupo de controlo.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Constituindo a morte um acontecimento social por excel&#234;ncia (e. g., Ari&#232;s, 1989, 1992; Bayard, 1993; Vovelle, 1983), dever&#225; existir uma rela&#231;&#227;o entre os pensamentos, as emo&#231;&#245;es ou sentimentos e as imagens da morte, com o contexto social em que esta ocorre; donde o contexto social observado poder influenciar os sujeitos na percep&#231;&#227;o da morte (em fun&#231;&#227;o de processos psicol&#243;gicos e psicossociol&#243;gicos, conducentes &#224; constru&#231;&#227;o, adapta&#231;&#227;o e comunica&#231;&#227;o de representa&#231;&#245;es socialmente partilhadas) . Daqui e dos resultados discutidos anteriormente (Oliveira e Am&#226;ncio, 1998), decorrem as nossas hip&#243;teses:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">1   Efeito do contexto social em que ocorre a morte na percep&#231;&#227;o que os indiv&#237;duos t&#234;m desta:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">la)   espera-se uma maior sali&#234;ncia da dimens&#227;o afectivo-emocional e de dimens&#245;es associadas &#224; impot&#234;ncia perante a morte e face &#224; sua incontrolabilidade, em qualquer das condi&#231;&#245;es experimentais, do que na aus&#234;ncia de contexto;</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">lb)   espera-se uma maior sali&#234;ncia da dimens&#227;o afectivo-emocional (e/ou relacionada com a morte do outro) na condi&#231;&#227;o &quot;contexto privado ou familiar&quot; do que na condi&#231;&#227;o &quot;contexto p&#250;blico ou hospitalar&quot; e, simultaneamente, uma menor sali&#234;ncia de dimens&#245;es associadas &#224; impot&#234;ncia face &#224; morte e &#224; sua incontrolabilidade, na primeira condi&#231;&#227;o, do que na segunda;</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">lc)   espera-se uma menor sali&#234;ncia das dimens&#245;es associadas ao imag&#233;tico-simb&#243;lico, &#224;s cren&#231;as ou at&#233; ao ritualismo, em qualquer das condi&#231;&#245;es experimentais, do que na aus&#234;ncia de contexto.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">2   Efeito do curso nas dimens&#245;es de significa&#231;&#227;o da morte:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">2a) espera-se encontrar nos indiv&#237;duos que contactam mais directamente com a morte (grupos de enfermagem e de medicina) uma maior sali&#234;ncia da dimens&#227;o afectivo-emocional do que nos restantes (grupo de biologia) e, simultaneamente, espera-se que os primeiros salientem menos uma dimens&#227;o associada &#224; vida (ou continua&#231;&#227;o da vida) do que os segundos (de biologia); 2b) espera-se que os membros do grupo de enfermagem sejam os que mais salientam as dimens&#245;es afectivo-emocional, ritualista e do sagrado-religioso e os que menos salientam dimens&#245;es associadas &#225; vida;</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">2c) espera-se que os membros do grupo de medicina sejam os que mais salientam dimens&#245;es associadas &#224; n&#227;o aceita&#231;&#227;o da incontrolabilidade da morte e os que menos salientam dimens&#245;es associadas ao pensar na morte (ou no seu sentido);</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">2d) espera-se que os membros do grupo de biologia sejam os que mais salientam dimens&#245;es associadas &#224; vida e ao questionar da morte, e os que menos salientam dimens&#245;es ligadas ao sagrado-religioso e ao ritualismo.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">3   Efeito do sexo nas dimens&#245;es de significa&#231;&#227;o da morte:</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">3a) espera-se encontrar no grupo das mulheres uma maior sali&#234;ncia das dimens&#245;es afectivo-emocional e ritualista, do que no dos homens;</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">3b) espera-se encontrar entre os homens uma maior sali&#234;ncia das dimens&#245;es associadas ao imag&#233;tico-simb&#243;lico, &#224; falta de poder para controlar a morte, do que entre as mulheres.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Metodologia</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Sujeitos</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Participaram neste estudo 169 sujeitos, 45 do sexo masculino (m&#233;dia et&#225;ria=20,76, desvio-padr&#227;o=2,94, idade m&#237;nima=19, idade m&#225;xima=37) e 124 do sexo feminino (m&#233;dia et&#225;ria=20,70, desvio-padr&#227;o=1,81, idade m&#237;nima=19, idade m&#225;xima=30), estudantes universit&#225;rios do 2.<sup>o</sup> ano dos cursos superiores de Medicina, Enfermagem e Biologia, da Faculdade de Ci&#234;ncias M&#233;dicas &#151; Universidade Nova de Lisboa, da Escola Superior de Enfermagem Artur Ravara e da Faculdade de Ci&#234;ncias &#151; Universidade de Lisboa, respectivamente. No <a href="#q1">quadro 1</a> apresentamos a distribui&#231;&#227;o dos efectivos dos estudantes por tr&#234;s formas de caracteriza&#231;&#227;o: sexo, curso e idade e no <a href="#q2">quadro 2</a>, representa-se a distribui&#231;&#227;o dos efectivos dos estudantes pelos tr&#234;s factores do design experimental: sexo, curso e contexto experimental (3x2x3).</font></p>      <p>&nbsp;</p> <a name="q1"> <img src="/img/revistas/psi/v12n2/12n2a01q1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>      <p>&nbsp;</p> <a name="q2"> <img src="/img/revistas/psi/v12n2/12n2a01q2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Procedimento</i></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Foi elaborado um question&#225;rio constitu&#237;do por uma s&#233;rie de indicadores ou quest&#245;es fechadas (cren&#231;as, emo&#231;&#245;es, comportamentos, imagens e atribui&#231;&#245;es associadas &#224; morte), acompanhadas de escalas ordinais (1-5), que nos permitam quantificar e constituir as representa&#231;&#245;es mais salientes relativamente &#224; morte, entre os estudantes universit&#225;rios, no universo considerado. Este question&#225;rio inclui:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">1   uma lista de 44 itens (palavras) seleccionados (as) do estudo explorat&#243;rio (representadas no <a href="#q3">quadro 3</a>) e consideradas consensualmente<a href="#8"><sup>8</sup></a><a name="top8"></a> como: ideias ou pensamentos associados &#224; morte (6); emo&#231;&#245;es ou sentimentos (14); s&#237;mbolos ou imagens (12); e ainda palavras que s&#227;o comuns aos universos das dimens&#245;es cognitiva e afectivo-emocional (7) e &#224;s dimens&#245;es cognitiva e imag&#233;tico-simb&#243;lica (5);</font></p>      <p>&nbsp;</p> <a name="q3"> <img src="/img/revistas/psi/v12n2/12n2a01q3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2">2   perguntas que visam verificar em que medida o filme visionado ou a situa&#231;&#227;o de morte suscita o pensamento na morte (em si mesma, de si pr&#243;prio, ou de outro indiv&#237;duo), o modo como o sujeito preferiria morrer, caso pudesse optar e alguns itens (7) destinados a medir as cren&#231;as e o seu grau de religiosidade, tendo em conta a exist&#234;ncia de uma rela&#231;&#227;o entre morte e religi&#227;o (e. g., Freud, 1915; Morin, 1988) e admitindo-se a influ&#234;ncia do grau de religiosidade nas atitudes face &#224; morte (e. g., Feifel, 1959; Shneidman, 1971).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Cada sujeito participou numa de tr&#234;s condi&#231;&#245;es:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">1   numa das duas condi&#231;&#245;es experimentais, nas quais era apresentado um filme antes dos sujeitos responderem ao question&#225;rio, sendo de referir que cada um dos dois filmes seleccionados tinha uma dura&#231;&#227;o aproximada de tr&#234;s minutos e mostrava a morte de uma pessoa em duas situa&#231;&#245;es distintas &#151; um contexto social privado<a href="#9"><sup>9</sup></a><a name="top9"></a> (ou familiar) e num contexto social p&#250;blico<a href="#10"><sup>10</sup></a><a name="top10"></a> (ou hospitalar);</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">2   na condi&#231;&#227;o-controlo (os sujeitos respondem<a href="#11"><sup>11</sup></a><a name="top11"></a> ao question&#225;rio, sem visionar qualquer filme).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Todos os itens ou indicadores foram reduzidos, por an&#225;lise factorial, a dimens&#245;es de significa&#231;&#227;o; estas constitu&#237;ram as vari&#225;veis dependentes consideradas para o conceito de morte e corresponderam &#224;s vari&#225;veis extra&#237;das no decorrer de duas an&#225;lises factoriais: uma primeira AFCP<a href="#12"><sup>12</sup></a><a name="top12"></a> efectuada sobre as palavras seleccionadas do estudo explorat&#243;rio; e uma segunda AFCP realizada com os restantes itens que, para al&#233;m das referidas palavras, integraram o question&#225;rio. Os efeitos das vari&#225;veis independentes sobre as dimens&#245;es consideradas foram analisados atrav&#233;s de ANOVAs,<a href="#13"><sup>13</sup></a><a name="top13"></a> realizadas no SPSS.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2"><b>Resultados</b></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A primeira AFCP efectuou-se com base no input formado por 39 itens,<a href="#14"><sup>14</sup></a><a name="top14"></a> potencialmente discriminat&#243;rios, correspondentes a palavras seleccionadas a partir dos resultados obtidos no primeiro estudo, sendo as componentes extra&#237;das submetidas a uma rota&#231;&#227;o varimax, que permite tomar estas componentes mais facilmente interpret&#225;veis.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A solu&#231;&#227;o obtida permitiu observar, para todos os itens, satura&#231;&#245;es factoriais superiores a 0,40 em pelo menos um dos oito factores (ou componentes principais).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O <a href="#q4">quadro 4</a> mostra a matriz de factores rodada, bem como os valores pr&#243;prios, a percentagem de vari&#226;ncia total explicada por cada factor e os respectivos valores Alfa de Cronbach.</font></p>      <p>&nbsp;</p> <a name="q4"> <img src="/img/revistas/psi/v12n2/12n2a01q4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2">A an&#225;lise dos itens que apresentam os valores mais elevados da satura&#231;&#227;o em cada factor (apoiada nos resultados anteriormente discutidos nesta investiga&#231;&#227;o) permite identificar oito dimens&#245;es de significa&#231;&#227;o que estruturam o conceito de morte na popula&#231;&#227;o-alvo considerada:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Factor 1 um primeiro factor (28% da vari&#226;ncia explicada) remete para pensamentos e/ou sentimentos de mal-estar &#151; reflecte uma dimens&#227;o afectivo-emocional da morte;</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Factor 2 remete para pensamentos e imagens concretas, que est&#227;o associados ao enterro &#151; relaciona-se com as dimens&#245;es imag&#233;tico-simb&#243;lica e ritualista;</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Factor 3 implica a express&#227;o de sentimentos e o sentir que decorrem da perda de um ente querido &#151; representa a morte do outro numa dimens&#227;o afectivo-emocional, vivenciada interior e exteriormente;</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Factor 4 remete para o ritualismo da morte, sendo composto por itens relacionados com a viv&#234;ncia de pr&#225;ticas sociais como o funeral;</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Factor 5 revela uma dimens&#227;o do ideol&#243;gico-sagrado ligado &#224; religiosidade associada &#224; morte, sendo composto por itens que referenciam imagens, s&#237;mbolos ou conceitos derivados de uma tradi&#231;&#227;o cultural crist&#227;; Factor 6 evidencia a procura de compreens&#227;o ou de justifica&#231;&#245;es para a morte &#151; representa o questionar da morte, revelando uma dimens&#227;o cognitiva e emocional;</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Factor 7 constitu&#237;do por itens que parecem indicar que a morte faz pensar na vida,<a href="#15"><sup>15</sup></a><a name="top15"></a> possivelmente numa vida al&#233;m da morte, pac&#237;fica &#151; o que poder&#225; revelar uma dimens&#227;o cognitiva;<a href="#16"><sup>16</sup></a><a name="top16"></a>Factor 8 remete para a impot&#234;ncia em evitar o fim da vida, representando a incontrolabilidade ou inevitabilidade da morte &#151; reflecte uma dimens&#227;o cognitiva ou consequencial (se a morte &#233; incontrol&#225;vel, inevitavelmente acontece e implica o fim da vida).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A correla&#231;&#227;o item-teste indiciou uma boa consist&#234;ncia interna das oito escalas factorialmente definidas e pela observa&#231;&#227;o do coeficiente Alpha de Cronbach, conclu&#237;mos que todas as subescalas (&#224; excep&#231;&#227;o da &#250;ltima)<a href="#17"><sup>17</sup></a><a name="top17"></a> s&#227;o internamente v&#225;lidas e revelam uma forte consist&#234;ncia entre os itens que as comp&#245;em, podendo considerar-se que estas avaliam de forma altamente satisfat&#243;ria os factores correspondentes.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A segunda AFCP realizou-se a partir dos restantes 12 itens<a href="#18"><sup>18</sup></a><a name="top18"></a> do question&#225;rio, tendo sido calculados e extra&#237;dos tr&#234;s factores, seguidamente submetidos a uma rota&#231;&#227;o varimax e guardados, por regress&#227;o. O <a href="#q5">quadro 5</a> mostra a matriz de factores rodada.</font></p>      <p>&nbsp;</p> <a name="q5"> <img src="/img/revistas/psi/v12n2/12n2a01q5.jpg">     
<p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2">A an&#225;lise dos itens que apresentam valores mais elevados de satura&#231;&#227;o, permite identificar as seguintes dimens&#245;es de significa&#231;&#227;o ou factores:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">1   remete para o pensamento na morte ou na mortalidade do ser humano traduz a consci&#234;ncia da (exist&#234;ncia) da morte,<a href="#19"><sup>19</sup></a><a name="top19"></a> quer da de si pr&#243;prio quer da do outro, numa dimens&#227;o cognitiva e afectivo-emocional;</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">2   remete para as cren&#231;as religiosas na vida para al&#233;m da morte, na alma e no esp&#237;rito, e, como tal, para o grau de religiosidade &#151; reflectindo um sentido ritualista numa dimens&#227;o ideol&#243;gico-religiosa;</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">3   re&#250;ne itens que apontam, principalmente, para a interioriza&#231;&#227;o da morte de si pr&#243;prio &#151; dimens&#227;o cognitiva e ideol&#243;gica associada a uma pr&#225;tica social.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Todas as escalas s&#227;o internamente v&#225;lidas, pelo que avaliam de modo satisfat&#243;rio os factores correspondentes. Ap&#243;s esta fase, foram analisados (atrav&#233;s de an&#225;lises</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>An&#225;lise dos efeitos do contexto experimental</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os sujeitos que n&#227;o assistiram a qualquer filme &#151; na condi&#231;&#227;o-controlo &#151;, percepcionam a morte como algo distante e abstracto, revelando-se perfeitamente indiferentes a um envolvimento afectivo-emocional, sem sentimentos de mal-estar, mostrando n&#227;o pensar nem sentir desconfortavelmente este assunto. Por outro lado, &#224; excep&#231;&#227;o dos homens dos cursos de medicina e de biologia (estes mais do que os primeiros), os sujeitos manifestaram uma menor sensibilidade &#224; inevitabilidade da morte, sobretudo as mulheres de medicina &#151; o que sugere a cren&#231;a de que poder&#225; haver sempre um meio de protelar ou evitar a morte. Apenas nesta situa&#231;&#227;o foram salientadas as imagens concretas que, simbolicamente, fazem lembrar ou representam a morte no quotidiano e tamb&#233;m s&#243; aqui, os indiv&#237;duos de ambos os sexos, mas mais acentuadamente os homens revelaram questionar o porqu&#234; da morte (ou o seu sentido); mas de um modo abstracto, j&#225; que se mostraram indiferentes quanto &#224; morte de si pr&#243;prios. A maioria destes estudantes (principalmente os do sexo masculino e mais os de medicina), revelou pensar na vida (na vida al&#233;m da morte?), com excep&#231;&#227;o para as mulheres de enfermagem, que manifestaram n&#227;o pensar na vida e para as de medicina, que foram indiferentes a esta quest&#227;o.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Na situa&#231;&#227;o em que a morte ocorre num estabelecimento hospitalar, verificou-se que os sujeitos foram quase indiferentes a pensamentos e sentimentos de mal-estar, perante a situa&#231;&#227;o observada no filme - especialmente os homens. As imagens parecem ter conduzido os sujeitos de enfermagem (que na aus&#234;ncia de filme revelaram tend&#234;ncia para n&#227;o pensarem que s&#227;o mortais) e os de biologia (que a&#237; se mostraram indiferentes face &#224; sua mortalidade) a pensarem mais na morte de si pr&#243;prios do que na situa&#231;&#227;o sem filme. Opostamente, a generalidade dos indiv&#237;duos n&#227;o pensou tanto no questionar da morte, sendo de real&#231;ar os homens, onde os resultados desta dimens&#227;o s&#227;o menos vis&#237;veis, enquanto que as mulheres se mostraram mais sens&#237;veis &#224;s varia&#231;&#245;es do contexto, na sali&#234;ncia desta dimens&#227;o. Por outro lado, nenhum grupo associou a morte a imagens concretas. Mas os estudantes de medicina e (ainda mais) os homens de biologia, pensaram na vida al&#233;m da morte, enquanto que as mulheres de enfermagem foram praticamente indiferentes a esta dimens&#227;o; no entanto, as de biologia e os homens de enfermagem, que tinham pensado nesta quest&#227;o na aus&#234;ncia de contexto, revelaram claramente n&#227;o associar a vida &#224; situa&#231;&#227;o da morte. Os estudantes de medicina e de biologia, sobretudo os homens, tenderam a manifestar uma menor sensibilidade perante a inevitabilidade da morte; as mulheres, comparativamente &#224; condi&#231;&#227;o-controlo, continuaram a negar este pensamento, embora menos acentuadamente, mas os homens tiveram uma reac&#231;&#227;o diametralmente oposta &#224; ocorrida nessa outra situa&#231;&#227;o, o mesmo sucedendo com os estudantes de enferma- gem, em especial os homens, que aqui mostraram pensar na morte como algo inevit&#225;vel ou incontrol&#225;vel.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">No contexto privado ou familiar, a pessoa (jovem) que morria estava na companhia de familiares, que expressaram uma grande dor, com intensa carga emocional, o que contribuiu para ser este o contexto que suscitou uma maior reac&#231;&#227;o emocional por parte dos sujeitos, levando-os a expressar pensamentos e sentimentos de mal-estar e a n&#227;o associar imagens concretas &#224; morte, percepcionada como uma realidade e n&#227;o como algo abstracto. Tornou-se tamb&#233;m evidente (mais do que noutra situa&#231;&#227;o) que os sujeitos, especialmente as mulheres, n&#227;o questionaram a morte. Contrariamente aos estudantes de biologia, que pensaram na vida al&#233;m da morte &#151; mais as mulheres<a href="#20"><sup>20</sup></a><a name="top20"></a> do que os homens; os indiv&#237;duos de enfermagem e muito claramente os homens<a href="#21"><sup>21</sup></a><a name="top21"></a> n&#227;o questionaram este assunto. O mesmo mostraram as mulheres de medicina (que haviam ficado indiferentes na condi&#231;&#227;o-controlo), inversamente aos homens desse curso que, embora n&#227;o tanto como na aus&#234;ncia de contexto, pensaram na vida, negando a inevitabilidade da morte e contrariando novamente as mulheres de medicina<a href="#22"><sup>22</sup></a><a name="top22"></a>  &#151; que mostraram sentir-se impotentes face &#224; morte. Nos outros grupos, os homens de enfermagem (ainda mais do que na situa&#231;&#227;o p&#250;blica) e os de biologia viram a morte como inevit&#225;vel; ao contr&#225;rio das mulheres que, em ambos estes cursos, pensaram na sua controlabilidade (embora n&#227;o t&#227;o nitidamente como na aus&#234;ncia de contexto), ou simplesmente, n&#227;o foram sens&#237;veis a um sentimento de impot&#234;ncia. Esta dimens&#227;o situou os homens e as mulheres de cada curso em posi&#231;&#245;es opostas. Nesta situa&#231;&#227;o experimental, mais do que na outra, os futuros enfermeiros ter&#227;o pensado na sua pr&#243;pria morte, ao contr&#225;rio dos futuros bi&#243;logos; estes, como os futuros m&#233;dicos, mostraram-se tendencialmente indiferentes face &#224; morte de si pr&#243;prio na condi&#231;&#227;o-controlo, e aqui, os futuros m&#233;dicos refor&#231;aram a ideia de que n&#227;o pensam na sua mortalidade, ou dificilmente a encaram,mantendo-a interdita.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os resultados que apresent&#225;mos, podem ser resumidos no <a href="#q6">quadro 6</a>.</font></p>      <p>&nbsp;</p> <a name="q6"> <img src="/img/revistas/psi/v12n2/12n2a01q6.jpg">     
<p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2">Sinteticamente, podemos afirmar que os sujeitos na condi&#231;&#227;o-controlo representam a morte como se esta fosse uma realidade remota e pouco prov&#225;vel &#151; percepcionando-a de um modo simb&#243;lico, abstracto e sem envolvimento afectivo emocional. O visionamento de um filme tornou a morte mais pr&#243;xima dos sujeitos, desencadeando nestes uma reac&#231;&#227;o emocional. A dimens&#227;o sentimentos de mal estar, sendo a principal dimens&#227;o das representa&#231;&#245;es da morte, foi a &#250;nica que os sujeitos evidenciaram somente na presen&#231;a de um contexto de morte saliente e especialmente no contexto privado &#151; o que &#233; significativo.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Em termos gerais e simplificados, referindo-nos somente aos efeitos principais ou de interac&#231;&#227;o significativos observados, verificamos que a primeira hip&#243;tese &#233; parcialmente validada: este estudo revelou, tal como era esperado, uma maior sali&#234;ncia da dimens&#227;o afectivo-emocional e de dimens&#245;es associadas ao sentimento de impot&#234;ncia em controlar a morte (la), e uma menor sali&#234;ncia das dimens&#245;es inerentes ao imag&#233;tico-simb&#243;lico, nas situa&#231;&#245;es experimentais do que na condi&#231;&#227;o-controlo (lc); mas, ao contr&#225;rio do previsto, a componente associada &#224; incontrolabilidade ou inevitabilidade da morte, foi mais saliente na situa&#231;&#227;o de morte junto aos familiares do que na de morte em contexto p&#250;blico (lb). Tamb&#233;m n&#227;o foram confirmadas as espectativas formuladas relativamente ao efeito do contexto nas dimens&#245;es associadas &#224; morte do outro (lb) e &#224;s cren&#231;as, &#224; religiosidade e ao ritualismo (lc).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>An&#225;lise dos efeitos do curso e do sexo</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Em rela&#231;&#227;o &#224; segunda e &#224; terceira hip&#243;teses que aqui abordamos sucintamente<a href="#23"><sup>23</sup></a><a name="top23"></a>, sobre os efeitos do curso e do sexo<a href="#24"><sup>24</sup></a><a name="top24"></a> nas dimens&#245;es de significa&#231;&#227;o da morte, podemos afirmar que os resultados obtidos v&#227;o, em termos gerais, no sentido do que era esperado, validando as referidas hip&#243;teses. No <a href="#q7">quadro 7</a> apresentamos os principais resultados observados.</font></p>      <p>&nbsp;</p> <a name="q7"> <img src="/img/revistas/psi/v12n2/12n2a01q7.jpg">     
<p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Conclus&#245;es</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Constituindo a morte um tema vasto e enigm&#225;tico, fica-nos concerteza muito por investigar e estas conclus&#245;es corresponder&#227;o, t&#227;o-s&#243;, a um pequen&#237;ssimo degrau subido na longa caminhada da vida. Os resultados deste estudo permitem confirmar os obtidos e discutidos no estudo explorat&#243;rio (Oliveira e Am&#226;ncio, 1999). Verific&#225;mos ainda que o contexto ou ambiente em que ocorre a morte, influencia as representa&#231;&#245;es sociais que os sujeitos, nos seus diferentes grupos de perten&#231;a, constroem e partilham a seu respeito. Na aus&#234;ncia de contexto, os sujeitos em geral, percepcionaram a morte de uma forma simb&#243;lica,<a href="#25"><sup>25</sup></a><a name="top25"></a> ou impessoal, n&#227;o parecendo associ&#225;-la, nem a si pr&#243;prios, nem aos que lhes s&#227;o pr&#243;ximos, mostrando por isso um claro distanciamento emocional da morte &#151; que constitui um fen&#243;meno interdito.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Se ainda no in&#237;cio do nosso s&#233;culo, as religi&#245;es ofereciam a muitas pessoas algum conforto e seguran&#231;a no aproximar da morte, cultivavam-na ao mesmo tempo &quot;como forma de impor normas que arrastavam consigo o pr&#233;mio &#091;a vida eterna&#093; ou o castigo &#091;a condena&#231;&#227;o eterna&#093;&quot; (Pinto, 1991, p. 11); a morte era envolvida num contexto misterioso: de bem, mal, culpa, medo e ang&#250;stia. Actualmente, as religi&#245;es s&#227;o frequentemente questionadas por uma sociedade que apela a um ritmo vertiginoso de vida e ao alardear de conquistas externamente vis&#237;veis, onde a morte &#233; identificada como o fim, o nada e a destrui&#231;&#227;o; e foi curiosamente &quot;o marxismo que veio quebrar este c&#237;rculo de destrui&#231;&#227;o ao apontar para a utopia de uma sociedade perfeita&quot; (idem, op. cit, p. 12). A par do grande progresso tecnol&#243;gico-cient&#237;fico a que assistimos, parece ir-se perdendo, pelo menos em parte, a liga&#231;&#227;o do ser humano ao sagrado, ao seu &#237;ntimo mais profundo e ao seu lado ritualista. Actualmente, &quot;o m&#233;dico assume &#091;...&#093; a sua fun&#231;&#227;o como um sacerd&#243;cio, de uma nova religiosidade que assumia a ci&#234;ncia como a deusa toda poderosa que, se obstava &#224; consuma&#231;&#227;o do &#243;bito, por outro lado &#237;a para al&#233;m da morte, descobrindo no cad&#225;ver as 'causas' que devidamente recicladas pela investiga&#231;&#227;o cient&#237;fica deixariam de ser motivo de preocupa&#231;&#227;o para os vivos e potenciais doentes&quot; (Moita Flores, 1993, p. 162). &#201; o profissional m&#233;dico e n&#227;o o sacerdote que anuncia a vida e a morte.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Nas condi&#231;&#245;es experimentais a morte tornou-se numa possibilidade real, mais pr&#243;xima dos sujeitos e a dimens&#227;o afectivo-emocional ou associada aos sentimentos de mal-estar, foi a mais relevante entre todas as representa&#231;&#245;es encontradas, sendo a &#250;nica salientada somente face ao visionamento de um filme, especialmente no contexto familiar.<a href="#26"><sup>26</sup></a><a name="top26"></a> Nesta situa&#231;&#227;o, a morte foi representada como mais aceit&#225;vel do que no contexto hospitalar: a&#237; foi considerada como algo desconfort&#225;vel e indesej&#225;vel.<a href="#27"><sup>27</sup></a><a name="top27"></a> O que consideramos paradigm&#225;tico das mudan&#231;as operadas nos valores e nas pr&#225;ticas que enquadram a experi&#234;ncia psicossocial da morte, uma vez que &#233; no hospital que a grande maioria das pessoas morre &#151; reflectindo-se, tamb&#233;m aqui, o interdito da morte. Ambas as condi&#231;&#245;es experimentais evidenciaram de um modo claro a impot&#234;ncia (e as limita&#231;&#245;es) das ci&#234;ncias m&#233;dicas (e da Humanidade) face ao poder avassalador da morte.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Pelo que observ&#225;mos no estudo explorat&#243;rio e neste estudo experimental (nomeadamente na condi&#231;&#227;o-controlo), a generalidade dos sujeitos revelou medo da morte (ou de morrer) e mostrou tend&#234;ncia para a ocultar e vivenciar (ou respeitar) o seu interdito; a maioria dos indiv&#237;duos revelou tamb&#233;m que n&#227;o costuma assistir a servi&#231;os religiosos e deu pouca ou absolutamente nenhuma import&#226;ncia &#224; exibi&#231;&#227;o de sinais exteriores de luto, mas mostrou-se muito ou muit&#237;ssimo incomodada perante a possibilidade de outra pessoa lhe mostrar pesar ou sofrimento pela perda de um ente querido. De onde admitimos que, em geral, estes indiv&#237;duos possam partilhar cren&#231;as, valores, ou ideologias, que v&#227;o muito al&#233;m dos processos de socializa&#231;&#227;o universit&#225;ria, em cada curso, e tenham uma s&#243;lida base comum; e assim, estas representa&#231;&#245;es da morte, na nossa popula&#231;&#227;o-alvo, poder&#227;o ser consideradas como hegem&#243;nicas (Moscovici, 1988).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Pensamentos ou sentimentos (de mal-estar) como o fim (da vida), a saudade infimamente relacionada com a perda (do ente querido) e a tristeza, a dor e o sofrimento que da&#237; adv&#234;m, foram tamb&#233;m muito frequentemente associados &#224; morte, constituindo-se como conte&#250;dos centrais, estruturantes ou simb&#243;licos, muito comuns nas representa&#231;&#245;es encontradas, em qualquer dos dois estudos. Outras ideias ou emo&#231;&#245;es igualmente muito associadas &#224; percep&#231;&#227;o da morte, foram a ang&#250;stia, a depress&#227;o e o desespero &#151; sentimentos correlacionados com a solid&#227;o que &#233; sentida, quer na sequ&#234;ncia da perda de algu&#233;m querido, quer no confronto do ser humano perante a possibilidade de nada poder fazer nem ser auxiliado, face &#224; amea&#231;a pr&#243;xima da morte<a href="#28"><sup>28</sup></a><a name="top28"></a> &#151; para al&#233;m da revolta, por n&#227;o se poder controlar um acontecimento que tantas vezes parece injusto, das l&#225;grimas e do choro &#151; no fundo, esta ser&#225; uma outra forma de observar ou expressar dor, sofrimento ou tristeza.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Os resultados deste estudo reflectem a influ&#234;ncia das situa&#231;&#245;es experimentais e a diferente natureza dos cursos, ou a diferen&#231;a entre os saberes emergentes que eles elegem e que a eles se tornam inerentes. Mas como referimos anteriormente (Oliveira e Am&#226;ncio, 1998), s&#243; trabalh&#225;mos com estudantes do 2.<sup>o</sup> ano e n&#227;o podemos validar (ou invalidar) qualquer explica&#231;&#227;o apoiada somente na influ&#234;ncia do contexto, do sexo ou da socializa&#231;&#227;o pelas institui&#231;&#245;es universit&#225;rias de perten&#231;a, n&#227;o sendo poss&#237;vel generalizar estes resultados, para sustentar a exist&#234;ncia de uma correspond&#234;ncia entre as representa&#231;&#245;es que encontr&#225;mos e as que detectar&#237;amos fora das universidades.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">As dimens&#245;es de significa&#231;&#227;o encontradas reflectem realidades comuns partilhadas (no seio de cada grupo ou entre diferentes grupos) e correspondem no seu conjunto a representa&#231;&#245;es sociais da morte, que nos permitem diferenciar os grupos sociais estudados, traduzindo os posicionamentos que eles constroem ou ocupam socialmente &#151; e que se exprimem no seu modo de pensar, sentir e agir. Porque as representa&#231;&#245;es sociais s&#227;o elaboradas a partir de valores, ideologias e sistemas de categoriza&#231;&#227;o social, constru&#237;das pelos grupos sociais e reflectem e contribuem para a produ&#231;&#227;o das suas rela&#231;&#245;es sociais (Vala, 1986), permitindo compreender melhor a actividade cognitiva e simb&#243;lica dos sujeitos nas suas interac&#231;&#245;es quotidianas (Vala, 1981).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Detect&#225;mos, implicitamente, n&#237;tidos processos de ancoragem concomitantes e interrelacionados com processos de objectiva&#231;&#227;o. Os processos de ancoragem, evidenciaram associa&#231;&#245;es das representa&#231;&#245;es da morte a diferentes modalidades do pensar e do saber, do sentir, do poder, do ritualismo, da religi&#227;o, do sagrado, da ideologia, ou da pr&#243;pria cultura. E estas representa&#231;&#245;es, sendo caracter&#237;sticas de cada grupo social<a href="#29"><sup>29</sup></a><a name="top29"></a> considerado &#151; e podendo classificar-se como representa&#231;&#245;es emancipadas (Moscovici, 1988) &#151; variaram conforme o contexto social em que a morte foi observada e percepcionada, o que refor&#231;a o enquadramento social e a justifica&#231;&#227;o psicossocial destas representa&#231;&#245;es. Por processos de objectiva&#231;&#227;o, os indiv&#237;duos derivaram diferentes pensamentos ou ideias, expressaram sentimentos ou emo&#231;&#245;es, referenciaram s&#237;mbolos ou associaram imagens, ou at&#233; pr&#225;ticas, ligadas &#224; morte. Os sujeitos pensaram e (expressaram ou) criaram as suas realidades partilhadas, acerca da morte; e o grande objectivo da teoria das representa&#231;&#245;es sociais, &#233; centrar-se na forma e no conte&#250;do destas mesmas realidades (Moscovici, 1981). Estas correspondem efectivamente a formas de conhecimento pr&#225;tico, socialmente elaborado e partilhado, conducentes &#224; constru&#231;&#227;o de realidades comuns aos grupos sociais (Jodelet, 1989).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A ci&#234;ncia actual, n&#227;o conseguindo dominar nem adiar ad aetemo a morte, interdita-a da sua percep&#231;&#227;o e das suas realidades. Consequentemente, determina o seu total afastamento da nossa pr&#243;pria viv&#234;ncia, tomando-a estranha. A morte, como a doen&#231;a e o envelhecimento, evidencia bem claramente as nossas limita&#231;&#245;es e a incapacidade de controlarmos totalmente o nosso destino e a nossa vida, traduzindo o fracasso do nosso modus vivendi, dos nossos valores e, em suma, do nosso &quot;projecto de modernidade&quot; (Oliveira, 1995). A nossa dificuldade de familiariza&#231;&#227;o com a morte, ancorando nos dom&#237;nios dos saberes comuns ou cient&#237;ficos e no conceito de indiv&#237;duo moderno, tem-nos conduzido a um modo de vida dissonante, desta &quot;crise da morte&quot; (e. g., Ari&#232;s, 1989; Moita Flores, 1993; Morin, 1988; Oliveira, 1999; Vovelle, 1983). Em algum momento do nosso percurso, teremos que vencer o maior tabu, &quot;reconciliar a morte com a vida&quot; (Ari&#232;s, 1992, p. 373) e admitir que mors ultima ratio.<a href="#30"><sup>30</sup></a><a name="top30"></a> A sua vis&#227;o, como um espelho da alma, exp&#245;e-nos perante os nossos limites, medos e fraquezas, e incita-nos constantemente a melhorarmos o que n&#227;o est&#225; bem e a superarmo-nos, no sentido evolutivo, qual hist&#243;ria intermin&#225;vel que se renova continuamente e a que juntamos um novo cap&#237;tulo, no dia-a-dia da nossa exist&#234;ncia, tantas vezes fugidia da realidade que n&#227;o queremos olhar, ou da qual preferimos manter-nos confortavelmente afastados.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Apesar de algumas dificuldades<a href="#31"><sup>31</sup></a><a name="top31"></a>, esta investiga&#231;&#227;o emp&#237;rica, resumida neste e num artigo anterior (Oliveira e Am&#226;ncio, 1998), permitiu-nos tamb&#233;m compreender melhor o modo como a morte &#233; percepcionada e escondida ao n&#237;vel dos futuros profissionais de sa&#250;de, num contexto social p&#250;blico, sugerindo-nos um vasto campo de investiga&#231;&#227;o, ainda por trilhar. Nesta encruzilhada de pensamentos, sentimentos e actos que polvilham o nosso dia-a-dia moderno, deparamo-nos frequentemente com dificuldade em encontrar o nosso lugar e tendemos a voltarmo-nos para o exterior. Como se a&#237; esper&#225;ssemos descobrir algo que poder&#225; j&#225; ter cintilado no nosso &#237;ntimo, mas que temos ainda dificuldade de escutar ou entender (Oliveira, 1999). Haver&#227;o, certamente, caminhos de compreens&#227;o e reden&#231;&#227;o, que nos conduzam a um ponto comum onde, conjuntamente, nos possamos rever e partilhar uma natural, serena e sapiente "percep&#231;&#227;o da morte": a morte como um momento da vida que nos oferta uma possibilidade de reencontro, connosco mesmos e com os outros, com o que de mais digno existe na natureza humana. Talvez ao aceitar a sua pr&#243;pria morte, e a dos outros, o ser humano possa atenuar a tristeza e diminuir a dor e o sofrimento que da&#237; adv&#233;m, encontrando um ponto de reflex&#227;o que o auxilie a melhor se conhecer, respeitar e viver, atribuindo uma maior import&#226;ncia a cada momento, aparentemente insignificante. Poderemos, eventualmente, entregar- nos completamente ao presente, para melhor aprender e ensinar, sem recear o futuro ou os des&#237;gnios do destino, na eternidade dos tempos. Porque a morte n&#227;o mais constituir&#225; uma "realidade interdita".</font></p>       <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Refer&#234;ncias</b></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Am&#226;ncio, L. (1994). <i>Masculino e Feminino: A constru&#231;&#227;o social da diferen&#231;a.</i> Porto: Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=504025&pid=S0874-2049199800020000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Ari&#232;s, P. (1989). <i>Hist&#243;ria da Morte no Ocidente.</i> Lisboa: Teorema.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=504027&pid=S0874-2049199800020000100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Ari&#232;s, R (1992). O <i>Homem Perante a Morte (I e II).</i> Lisboa: Publica&#231;&#245;es. Europa-Am&#233;rica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=504029&pid=S0874-2049199800020000100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Bayard, J. P. (1993). <i>Les senscach&#233; des rites mortuaires: Mourir est-il mourir?.</i> St-Jean-de-Braye: Editions Dangles</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=504031&pid=S0874-2049199800020000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Coelho, A. M. (org.) (1991). <i>Atitudes Perante a Morte.</i> Coimbra: Livraria Minerva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=504032&pid=S0874-2049199800020000100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Ernst, B. (1991). O <i>Espelho M&#225;gico de M. C. Escher.</i> Berlin: Benedikt Tashen Verlag.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=504034&pid=S0874-2049199800020000100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Feifel, H. (1959). Attitudes toward death in some normal and mental ill population. In H. Feifel <i>et al., The Meaning of Death</i> (pp. 114-129). Nova Iorque: McGraw-Hill.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=504036&pid=S0874-2049199800020000100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Feij&#243;, R.J.,</i> Martins, H., e Pina Cabral, J. (orgs.) (1985). <i>A Morte no Portugal Contempor&#226;neo.</i> Lisboa: Editorial Querco.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=504038&pid=S0874-2049199800020000100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Freud, S. (1915). <i>Mal Estar da Civiliza&#231;&#227;o.</i> Rio de Janeiro: Standart.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=504040&pid=S0874-2049199800020000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Henriques, M. <i>et al.</i> (1993). O enfermeiro e a morte. <i>Servir</i>, 43, 9-17.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=504042&pid=S0874-2049199800020000100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Jodelet, D. (1989). Les repr&#233;sentations sociales: Un domaine en expansion. In D. Jodelet (org.), <i>Les repr&#233;sentations sociales.</i> Paris: PUF.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=504044&pid=S0874-2049199800020000100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Kastenbaum, R. e Aisenberg R. (1983). <i>Psicologia da Morte.</i> S&#227;o Paulo: Livraria Pioneira Brasileira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=504046&pid=S0874-2049199800020000100012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Kubler-Ross, E. (1991). <i>Sobre a Morte e o Morrer.</i> S&#227;o Paulo: Livraria M. F.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=504048&pid=S0874-2049199800020000100013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Moita Flores, F. (1993). <i>Cemit&#233;rios de Lisboa: Entre o Real e o Imagin&#225;rio.</i> Lisboa: C&#226;mara Municipal de Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=504050&pid=S0874-2049199800020000100014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Morin, E. (1988). O <i>Homem e a Morte.</i> Lisboa: Publica&#231;&#245;es. Europa-Am&#233;rica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=504052&pid=S0874-2049199800020000100015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Moscovici, S. (1961). <i>La psychanalyse, son image et son public.</i> Paris: PUF.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=504054&pid=S0874-2049199800020000100016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Moscovici, S. (1988). Notes towards a description of social repr&#233;sentations. <i>European Journal of Social Psychology,</i> 18,211-250.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=504056&pid=S0874-2049199800020000100017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Oliveira, A. (1995). <i>Percep&#231;&#227;o da Morte: A Realidade Interdita.</i> Tese de Mestrado. Lisboa: Instituto Superior de Ci&#234;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=504058&pid=S0874-2049199800020000100018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->ncias do Trabalho e da Empresa.</font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Oliveira, A. (1999). O <i>Desafio da Morte: Convite a uma viagem interior.</i> Lisboa: Editorial Not&#237;cias.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=504060&pid=S0874-2049199800020000100019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Oliveira, A. e Am&#226;ncio L. (1998). Perten&#231;as sociais e formas de percep&#231;&#227;o e representa&#231;&#227;o da morte. <i>Psicologia, XII</i> (1), 115-137.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=504062&pid=S0874-2049199800020000100020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Pinto, V. (1991). Entre a vida e a morte, a raz&#227;o da esperan&#231;a. <i>Servir, 39</i> (1), 9-22.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=504064&pid=S0874-2049199800020000100021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Salema, I. (1993, Fevereiro 4). O &#250;ltimo di&#225;logo. <i>P&#250;blico,</i> p. 4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=504066&pid=S0874-2049199800020000100022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Shneidman, E. (1971). You and death. <i>Psychology Today, 5</i> (1), 74-80.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=504068&pid=S0874-2049199800020000100023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Vala, J. (1981). Grupos sociais e representa&#231;&#227;o social da viol&#234;ncia, <i>Psicologia, II</i> (4), 329-342.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=504070&pid=S0874-2049199800020000100024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Vala, J. (1986). Sobre as representa&#231;&#245;es sociais: Para uma epistemologia do senso comum. <i>Cadernos de Ci&#234;ncias Sociais, 4,</i> 5-30.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=504072&pid=S0874-2049199800020000100025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Vala, J. (1993). Representa&#231;&#245;es Sociais: Para uma psicologia social do pensamento social, in J. Vala e M. B. Monteiro (coords.), <i>Psicologia Social</i> (pp. 353-384). Lisboa: Funda&#231;&#227;o Calouste Gulbenkian.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=504074&pid=S0874-2049199800020000100026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Tavares, M. J. (1991). <i>A Morte em Portugal dos S&#233;cs. XII a XVI.</i> (Sociedade e Cultura Portuguesa, v&#237;deo 2, prog. 8). Lisboa: Universidade Aberta.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=504076&pid=S0874-2049199800020000100027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Vovelle, M. (1983). <i>La mort et Yoccident de 1300 &#224; nosjours.</i> Paris: Gallimard.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=504078&pid=S0874-2049199800020000100028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Notas</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top0"><sup>*</sup></a><a name="*"></a>Os autores agradecem aos Profs. Daniel Sampaio e Jorge Vala as suas sugest&#245;es, a leitura atenta e as cr&#237;ticas a vers&#245;es anteriores deste artigo.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top1"><sup>1</sup></a><a name="1"></a>&quot;A n&#237;vel social, a vida do velho sofre modifica&#231;&#245;es que, necessariamente, o perturbam: isolamento social e afectivo, perda de estatuto socio-profissional, perda de prest&#237;gio &#091;...&#093;, incapacidade ou doen&#231;as f&#237;sicas, perda da casa &#091;...&#093;, tudo situa&#231;&#245;es que diminuem a sua auto-estima e ainda a capacidade de adapta&#231;&#227;o, com aumento do sentimento de inseguran&#231;a&quot; (Sousa, 1987, p. 148).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top2"><sup>2</sup></a><a name="2"></a>Que se tornou socialmente desvalorizada, como uma coisa m&#225;, ao ser vista como castigo, puni&#231;&#227;o, ou injusti&#231;a (divina?).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top3"><sup>3</sup></a><a name="3"></a>Unidade de Cuidados Intensivos. &quot;Hoje 90% das pessoas morrem nas unidades de cuidados intensivos ou nas unidades similares&quot; (Pinto, 1991, p. 21). As estat&#237;sticas de v&#225;rios pa&#237;ses europeus referem 70% a 90% de mortes em institui&#231;&#245;es hospitalares e afins (Henriques <i>et al</i>., 1993).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top4"><sup>4</sup></a><a name="4"></a>E frequentemente n&#227;o pode preparar-se para vivenciar os seus &#250;ltimos momentos em paz consigo pr&#243;prio, face &#224; sua individualidade.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top5"><sup>5</sup></a><a name="5"></a>Como se observava h&#225; algumas d&#233;cadas atr&#225;s, ou como sucede ainda hoje, pontualmente, em pequenos centros rurais, cada vez mais raros e dispersos.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top6"><sup>6</sup></a><a name="6"></a>Como Lisboa, onde esta investiga&#231;&#227;o se realiza.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top7"><sup>7</sup></a><a name="7"></a>Os n&#237;veis da vari&#225;vel contexto experimental, embora sejam designados como p&#250;blico e privado, correspondem ambos a ambientes ou contextos institucionais semelhantes &#151; ambos os filmes escolhidos mostram contextos sociais p&#250;blicos; por&#233;m, diferenciam-se (essencialmente) pelo tipo de pessoas que rodeiam o moribundo: t&#233;cnicos hospitalares no coMexto que denomin&#225;mos como p&#250;blico (ou hospitalar) &#234; familiares do paciente no contexto que design&#225;mos como privado (ou familiar), justificando-se assim a designa&#231;&#227;o que lhes atribu&#237;mos.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top8"><sup>8</sup></a><a name="8"></a>Palavras que no estudo explorat&#243;rio foram associadas unicamente a um dos est&#237;mulos, i. e., foram consideradas como ideias-pensamentos, emo&#231;&#245;es-sentimentos ou imagens-s&#237;mbolos (independentemente dos grupos de perten&#231;a dos sujeitos) n&#227;o aparecendo em mais do que uma dimens&#227;o representacional em simult&#226;neo.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top9"><sup>9</sup></a><a name="9"></a>Um quarto onde uma pessoa jovem com um aspecto muito doente est&#225; deitada; maquilha-se e ent&#227;o entram no quarto duas crian&#231;as pequenas (seus filhos) que se despedem dela e voltam a sair do quarto; na cena seguinte, observam-se duas pessoas (o marido e a m&#227;e?) sentadas junto &#224; cama, que dormitam; entra uma enfermeira no quarto que, ao observar a doente, percebe que esta j&#225; faleceu; segreda aos familiares, os quais se levantam e se abra&#231;am, em pranto.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top10"><sup>10</sup></a><a name="10"></a>Numa sala de opera&#231;&#245;es, ou de reanima&#231;&#227;o, com v&#225;rios aparelhos e instrumentos sofisticados e alguns m&#233;dicos e enfermeiros a rodearem o moribundo (deitado na mesa central), tentando com grande empenho reanimar o seu corpo para a vida; quando tal j&#225; n&#227;o &#233; poss&#237;vel, s&#227;o cortados os tubos que ligam o paciente &#224;s m&#225;quinas e o m&#233;dico principal sai para o corredor, mostrando (gestualmente) frustra&#231;&#227;o e grande desalento.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top11"><sup>11</sup></a><a name="11"></a>As instru&#231;&#245;es dadas aos sujeitos para responder ao question&#225;rio diferiam apenas na situa&#231;&#227;o-controlo, onde n&#227;o era feita nenhuma refer&#234;ncia a qualquer tipo de filme ou imagem.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top12"><sup>12</sup></a><a name="12"></a>Ou AFCP (An&#225;lise Factorial em Componentes Principais).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top13"><sup>13</sup></a><a name="13"></a>An&#225;lises de Vari&#226;ncia Simples.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top14"><sup>14</sup></a><a name="14"></a>As palavras diabo, esqueleto, foice, fogo e inferno, apresentaram percentagens de resposta muito superiores a 50 % num dos p&#243;los da escala 1-5 utilizada, pelo que estes itens revelaram uma quase aus&#234;ncia de vari&#226;ncia, sendo considerados muito fracamente discriminat&#243;rios e eliminados para efeitos da AFCP.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top15"><sup>15</sup></a><a name="15"></a>A este prop&#243;sito, salientamos que 47,3 % da popula&#231;&#227;o total inquirida acredita muito ou muit&#237;ssimo na exist&#234;ncia de vida al&#233;m da morte.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top16"><sup>16</sup></a><a name="16"></a>Associada ao sagrado?</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top17"><sup>17</sup></a><a name="17"></a>Em que os resultados revelam ligeiras defici&#234;ncias na forma como os itens permitem avaliar o factor Inevitabilidade da morte.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top18"><sup>18</sup></a><a name="18"></a>Refira-se que uma das quest&#245;es (&quot;Se pudesse optar, preferia morrer &quot;) n&#227;o entrou em nenhuma factoriza&#231;&#227;o, sendo posteriormente transformada em 5 itens, cujas m&#233;dias foram submetidas a an&#225;lises de vari&#226;ncia.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top19"><sup>19</sup></a><a name="19"></a>Se o item indicado como &quot;pensar na morte de si pr&#243;prio&quot; n&#227;o pertencesse a este factor, poderia admitir-se que este &#250;ltimo nos remetia para a morte do outro.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top20"><sup>20</sup></a><a name="20"></a>Que no contexto p&#250;blico n&#227;o pensaram nesta quest&#227;o.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top21"><sup>21</sup></a><a name="21"></a>Que na aus&#234;ncia de filme pensaram na vida.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top22"><sup>22</sup></a><a name="22"></a>Estes dois grupos inverteram as suas posi&#231;&#245;es relativamente &#224;s respostas dadas na condi&#231;&#227;o-controlo, o que foi muito n&#237;tido no caso das mulheres.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top23"><sup>23</sup></a><a name="23"></a>Para uma melhor especifica&#231;&#227;o dos resultados, consultar Oliveira (1995).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top24"><sup>24</sup></a><a name="24"></a>Neste estudo tornou-se ainda mais clara a exist&#234;ncia de grandes diferen&#231;as no modo como as mulheres e os homens percepcionam a morte.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top25"><sup>25</sup></a><a name="25"></a>Questionaram mais o seu porqu&#234; ou significado, mas em termos abstractos.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top26"><sup>26</sup></a><a name="26"></a>Muito possivelmente a vis&#227;o ou confronta&#231;&#227;o com a morte de uma pessoa, rodeada pelos seus familiares, desperta ou acentua mais facilmente estes sentimentos do que o pensamento abstracto de uma qualquer morte an&#243;nima.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top27"><sup>27</sup></a><a name="27"></a>Por&#233;m, os nossos sujeitos, apesar dos cursos que frequentam, rejeitaram unanimemente tal realidade, o que &#233; significativo e apoiado pelo facto de nenhum ter afirmado que, se pudesse, optaria por morrer rodeado de m&#233;dicos e enfermeiros.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top28"><sup>28</sup></a><a name="28"></a>A morte constitui hoje um acto solit&#225;rio.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top29"><sup>29</sup></a><a name="29"></a>Por exemplo, para os futuros m&#233;dicos a morte &#233;, em geral, um tema proibido.</font></p> 		          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top30"><sup>30</sup></a><a name="30"></a>A morte &#233; a &#250;ltima raz&#227;o.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top31"><sup>31</sup></a><a name="31"></a>Nomeadamente em encontrarmos, em tempo &#250;til para os prazos que nos eram impostos, sujeitos do sexo masculino que nos permitissem equilibrar melhor os sujeitos dos dois sexos.</font></p>       ]]></body><back>
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