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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Gestão de recursos humanos em pequenas e médias empresas: Estudo de um caso]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The specialisation in management work enabled the development of specialised bodies of knowledge in the several management specialisms. It may however have the unanticipated effect of weakening the pragmatic validity of these bodies of knowledge. The analysis of human resource management knowledge and practice suggests their inadequacy to small - and médium - sized companies. This paper explores this hypotheses through the analysis of human resource management practices in one small company without a differentiated human resource management function. The analysis of the case shows that there are several agents carrying out human resource management related activities, developed through time without explicit co-ordination between them. This way of managing human resource management results nevertheless in human resource management effects that match two important criteria for the management structure: the maintenance of a centralised power structure and the ability to deliver the products in time. This arrangement is unstable given the changes in the company's environment, changes that have forced the company, among other things, to carry out a quality certification procedure. It does not seem possible however to consider changing the human resource management practices without considering wider changes in the organising process of the company. This suggests the need to explore more systematically the issue of the pragmatic validity of the specialised body of knowledge of human resource management.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Recursos humanos]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[PME]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="4"><b>Gest&#227;o de recursos humanos em pequenas e m&#233;dias empresas: Estudo de um caso<a href="#1"><sup>1</sup></a><a name="top1"></a></b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Human resources management in smal-medium-size organizations: a case study</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Jos&#233; Keating<sup>*</sup>, Isabel Soares Silva<sup>**</sup>, H&#233;lder Lopo Almeida<sup>***</sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>*-***</sup>Departamento de Psicologia. Universidade do Minho.</font></p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A especializa&#231;&#227;o das fun&#231;&#245;es de gest&#227;o teve e tem como efeito a possibilidade de aprofundamento de cada uma das &#225;reas de gest&#227;o como uma &#225;rea de conhecimentos espec&#237;ficos, embora, em contrapartida, possa ter feito perder alguma validade pragm&#225;tica aos corpos de conhecimentos espec&#237;ficos assim desenvolvidos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A an&#225;lise da literatura e da pr&#225;tica da gest&#227;o de recursos humanos sugere a sua inadequa&#231;&#227;o no caso das PME. O artigo explora esta hip&#243;tese atrav&#233;s da an&#225;lise de um estudo de caso em que s&#227;o analisadas as pr&#225;ticas de gest&#227;o de recursos humanos que t&#234;m lugar numa empresa em que n&#227;o existe uma fun&#231;&#227;o de gest&#227;o de recursos humanos diferenciada. A an&#225;lise do caso sugere que existem v&#225;rios intervenientes na gest&#227;o de recursos humanos que agem de formas n&#227;o explicitamente coordenadas, as quais se foram desenvolvendo ao longo do tempo. Esta actua&#231;&#227;o obt&#233;m, no entanto, efeitos em termos de gest&#227;o de recursos humanos que correspondem a dois crit&#233;rios centrais da estrutura de gest&#227;o da empresa: a manuten&#231;&#227;o de uma estrutura de poder centralizada e autocr&#225;tica e a rapidez de resposta adequada ao mercado em que opera. Esta forma de actua&#231;&#227;o &#233; inst&#225;vel dadas as altera&#231;&#245;es no contexto da empresa, que implicaram, entre outras coisas, o in&#237;cio de um processo de certifica&#231;&#227;o de qualidade. N&#227;o parece, contudo, poss&#237;vel pensar na sua modifica&#231;&#227;o &#224; luz dos quadros tradicionais da gest&#227;o de recursos humanos sem considerar modifica&#231;&#245;es mais profundas de todo o processo organizativo da empresa, o que sugere a necessidade de aprofundar esta quest&#227;o da validade pragm&#225;tica do corpo de conhecimentos especializado da gest&#227;o de recursos humanos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave</b>: Recursos humanos; PME.</font></p> <hr size"1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">The specialisation in management work enabled the development of specialised bodies of knowledge in the several management specialisms. It may however have the unanticipated effect of weakening the pragmatic validity of these bodies of knowledge. The analysis of human resource management knowledge and practice suggests their inadequacy to small &#151; and m&#233;dium &#151; sized companies. This paper explores this hypotheses through the analysis of human resource management practices in one small company without a differentiated human resource management function. The analysis of the case shows that there are several agents carrying out human resource management related activities, developed through time without explicit co-ordination between them. This way of managing human resource management results nevertheless in human resource management effects that match two important criteria for the management structure: the maintenance of a centralised power structure and the ability to deliver the products in time. This arrangement is unstable given the changes in the company's environment, changes that have forced the company, among other things, to carry out a quality certification procedure. It does not seem possible however to consider changing the human resource management practices without considering wider changes in the organising process of the company. This suggests the need to explore more systematically the issue of the pragmatic validity of the specialised body of knowledge of human resource management.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>A gest&#227;o de recursos humanos especializada e diferenciada</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O trabalho de gest&#227;o sofreu historicamente v&#225;rias diferencia&#231;&#245;es &#224; medida que as organiza&#231;&#245;es se tornaram mais complexas. Esta diferencia&#231;&#227;o tomou a forma de separa&#231;&#227;o entre a propriedade dos meios de produ&#231;&#227;o e a gest&#227;o das organiza&#231;&#245;es (Stinchcombe, 1974) e o aparecimento de especialidades de gest&#227;o associadas a diferentes grupos profissionais.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A especializa&#231;&#227;o teve e tem como efeito a possibilidade de aprofundamento de cada uma das &#225;reas de gest&#227;o como uma &#225;rea de conhecimentos espec&#237;ficos. Consequentemente, foi poss&#237;vel, por um lado, uma maior efic&#225;cia na resolu&#231;&#227;o dos problemas pr&#243;prios de cada &#225;rea e, por outro, criar estruturas de forma&#231;&#227;o apropriadas &#224;s especialidades de gest&#227;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Esta especializa&#231;&#227;o criou tamb&#233;m um conjunto de discursos diferenciados que geram abordagens diferentes e n&#227;o necessariamente complementares. Embora estas diferencia&#231;&#245;es tendam a ser vistas como desagregadoras da organiza&#231;&#227;o, criando assim a necessidade de se lhes contrapor factores de integra&#231;&#227;o (ver, por exemplo, Lawrence &#38; Lorsh, 1967), &#233; tamb&#233;m vi&#225;vel considerar que a organiza&#231;&#227;o se mantenha, de forma dial&#233;ctica, atrav&#233;s do conflito e dos processos de pol&#237;tica organizacional (Keating, 1996).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em todo o caso, e dado que o conflito entre perspectivas diferenciadas ocorre num registo racionalista em que a validade cient&#237;fica dos discursos &#233; argumento efectivo, o aprofundamento de perspectivas que possibilita tende tamb&#233;m a efectuar uma conten&#231;&#227;o extrema dos significados contidos nos discursos das especialidades, tornando-os cada vez mais espec&#237;ficos e, por isso, menos relevantes fora do c&#237;rculo dos intervenientes neste debate (Gergen, 1992), perdem assim, estes discursos, pela ruptura epistemol&#243;gica que estabelecem com o senso comum, alguma validade de um ponto de vista pragm&#225;tico (Santos, 1989, p. 170).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A um n&#237;vel diferente, esta perca de validade pragm&#225;tica dos discursos passa por definir como objecto da investiga&#231;&#227;o sobre gest&#227;o quase somente as diversas ac&#231;&#245;es dos gestores especializados. Concretamente, no que respeita &#224; gest&#227;o de recursos humanos, esta limita&#231;&#227;o do campo de interesse pode ser particularmente negativa quando lidamos com uma popula&#231;&#227;o de empresas em que, pela sua idade, tamanho, estrat&#233;gia de gest&#227;o, etc., esta diferencia&#231;&#227;o n&#227;o ocorreu ou ocorreu de forma incompleta.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O facto de a designa&#231;&#227;o de gest&#227;o de recursos humanos se aplicar apenas a um conjunto de pr&#225;ticas razoavelmente sistematizadas (ver, por exemplo, Guest &#38; Kenny, 1983; Torrington &#38; Hall, 1991) e claramente circunscritas (por exemplo, selec&#231;&#227;o e recrutamento formalizados, avalia&#231;&#227;o sistem&#225;tica do desempenho, estruturas formais de forma&#231;&#227;o) &#233; uma manifesta&#231;&#227;o deste efeito restritivo resultante da diferencia&#231;&#227;o do trabalho de gest&#227;o. Por outras palavras, o facto de existirem especialidades razoavelmente demarcadas faz com que se veja muito bem a &#225;rvore, mas se perca de vista a floresta.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A an&#225;lise da literatura sobre o assunto revela que as problem&#225;ticas investigadas se podem classificar, em tra&#231;os gerais, em tr&#234;s grandes grupos: (a) abordagens fundamentadas na psicologia individual e dos pequenos grupos, que incluem o desenvolvimento de instrumentos de avalia&#231;&#227;o (para a selec&#231;&#227;o, a avalia&#231;&#227;o de desempenho, a descri&#231;&#227;o de postos de trabalho, etc.) e os efeitos de determinadas pr&#225;ticas de gest&#227;o (forma&#231;&#227;o, sal&#225;rios e pr&#233;mios, estilos de lideran&#231;a, processos de comunica&#231;&#227;o, desenvolvimento de equipas, pr&#225;ticas de socializa&#231;&#227;o, etc.) sobre a motiva&#231;&#227;o /produtividade individual ou de grupos restritos (ver Chiavenato, 1981, por exemplo, e globalmente a literatura de origem norte-americana); (b) abordagens prescritivas, muitas vezes sobrepostas ao primeiro tipo de abordagens sobre aspectos da fun&#231;&#227;o de gest&#227;o de recursos humanos, por exemplo, legais (rela&#231;&#227;o contratual, normas de higiene e seguran&#231;a, enquadramento de estruturas de vencimentos e incentivos, etc.) ou administrativos (estrutura de ficheiros de pessoal, formaliza&#231;&#227;o de procedimentos, regras, pol&#237;ticas globais de gest&#227;o de recursos humanos, etc.); finalmente, (c) estudos que se centram na natureza da fun&#231;&#227;o de gest&#227;o de recursos humanos (Guest, 1989), no papel organizacional do gestor de recursos humanos (Legge, 1989), na sua import&#226;ncia estrat&#233;gica e na forma como se articula com a gest&#227;o considerada de forma global (Gomez-Mejia <i>et al.</i> 1995).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>A gest&#227;o de recursos humanos como uma fun&#231;&#227;o distribu&#237;da</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&#201; neste &#250;ltimo grupo de abordagens que podemos situar este estudo. Ao colocarem o problema da natureza da gest&#227;o de recursos humanos, estas abordagens abrem a possibilidade de concebermos a gest&#227;o de recursos humanos n&#227;o como uma fun&#231;&#227;o diferenciada e assumida por um agente bem identificado, mas como uma fun&#231;&#227;o organizativa que est&#225; sempre presente, diferenciada ou n&#227;o, e distribu&#237;da de diversas formas pela organiza&#231;&#227;o. Esta forma de abordagem coloca a quest&#227;o da gest&#227;o de recursos humanos como mais uma dimens&#227;o da din&#226;mica organizacional, podendo receber utilmente os contributos conceptuais oriundos do campo designado por estudos organizacionais (cf. Clegg <i>et al.,</i> 1996 para uma revis&#227;o detalhada dos desenvolvimentos recentes neste campo).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nesta &#225;rea designada por estudos organizacionais tem tido alguma preval&#234;ncia a concep&#231;&#227;o das organiza&#231;&#245;es como sistemas din&#226;micos de constru&#231;&#227;o de significados, em conson&#226;ncia com alguns desenvolvimentos te&#243;ricos recentes (Weick, 1979; Weick &#38; Roberts, 1993; Keating, 1993; Clegg <i>et al.,</i> 1996; Nord &#38; Fox, 1996). Resumidamente, e generalizando esta perspectiva ao tema central desta investiga&#231;&#227;o, poderia descrever-se a gest&#227;o dos recursos humanos como mais uma parte do processo organizacional de constru&#231;&#227;o social de entendimentos e de diverg&#234;ncias sobre o que &#233; a organiza&#231;&#227;o e que actua&#231;&#245;es nela s&#227;o necess&#225;rias e adequadas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>A necessidade de descrever e compreender processos</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A literatura sobre a gest&#227;o de recursos humanos &#233; particularmente pobre na sua vertente de descri&#231;&#227;o e conceptualiza&#231;&#227;o das pr&#225;ticas e estrat&#233;gias que as empresas realmente utilizam para fazer a sua gest&#227;o de recursos humanos e quanto &#224; sua determina&#231;&#227;o e impactes ao n&#237;vel da organiza&#231;&#227;o e do seu contexto global. Ora s&#227;o precisamente estas descri&#231;&#245;es que podem fundamentar uma reconceptualiza&#231;&#227;o da gest&#227;o de recursos humanos como um processo difuso na organiza&#231;&#227;o, simultaneamente determinando e determinado pelos processos sociais, organizacionais e contextuals constituintes da organiza&#231;&#227;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O estudo da gest&#227;o de recursos humanos nas PME pode trazer perspectivas importantes para este problema, porque a encontramos num estado pouco estruturado, interagindo de forma clara com os processos organizacionais gerais, sem ser mediada por um conjunto de pr&#225;ticas e de estruturas que podem esconder o seu car&#225;cter problem&#225;tico sob uma apar&#234;ncia t&#233;cnica (Keating, no prelo).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Neste artigo apresentamos um estudo de caso inicial de um projecto de investiga&#231;&#227;o sobre os aspectos organizacionais da gest&#227;o de recursos humanos na perspectiva descrita. Este estudo de caso teve como fun&#231;&#227;o o desenvolvimento e estabiliza&#231;&#227;o de um protocolo de estudo de caso (Yin, 1984) e de uma metodologia de an&#225;lise das entrevistas realizadas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Metodologia</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Dado que o objectivo deste estudo &#233; fundamentalmente o desenvolvimento de um quadro conceptual que permita compreender processos pouco evidentes, mesmo para os intervenientes, adoptou-se uma metodologia de estudo intensivo de caso. Neste estudo procurou-se obter um conjunto de dados sobre a gest&#227;o de recursos humanos na organiza&#231;&#227;o, centrado nos pontos de vista dos participantes na organiza&#231;&#227;o, por oposi&#231;&#227;o a uma recolha de dados objectivos e quantific&#225;veis relativos aos recursos humanos. A raz&#227;o para esta abordagem prende-se com dois pressupostos fundamentais:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">a) &nbsp;&nbsp;&nbsp;o pressuposto de que os participantes s&#227;o os melhores informadores sobre o detalhe das pr&#225;ticas de gest&#227;o de recursos humanos, o que &#233; cr&#237;tico quando se pretende estudar processos distribu&#237;dos e n&#227;o necessariamente coordenados de forma centralizada com base em pol&#237;ticas expl&#237;citas;</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">b) &nbsp;&nbsp;&nbsp;o pressuposto, elaborado acima, de que os modelos te&#243;ricos dos quais se poderia derivar um plano de investiga&#231;&#227;o mais estruturado, ao partirem de um pressuposto de racionalidade e ordem na gest&#227;o de recursos humanos tenderiam a reduzir o estudo a dimens&#245;es compat&#237;veis com uma perspectiva racionalista.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Assim, a metodologia adoptada procurou salvaguardar a complexidade e riqueza do caso atrav&#233;s de (a) realiza&#231;&#227;o de entrevistas semi-estruturadas aos colaboradores da empresa, (b) an&#225;lise destas entrevistas e, finalmente, (c) contextualiza&#231;&#227;o desta an&#225;lise, articulando-a com as observa&#231;&#245;es feitas aquando da presen&#231;a dos entrevistadores na empresa e com os materiais recolhidos (cat&#225;logos, publica&#231;&#245;es promocionais).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><i>Entrevistas semi-estruturadas</i>: procurou-se estabelecer um contexto de troca focado no posto de trabalho/fun&#231;&#227;o individual, em que n&#227;o se partiu de qualquer estrutura conceptual &#224; partida. A estrutura conceptual foi-se definindo e clarificando ao longo desta troca (Silverman, 1985). Esta metodologia de entrevista muito aberta teve como suporte um gui&#227;o composto por quest&#245;es abertas. Os entrevistadores aprofundaram as respostas livremente conforme a sua percep&#231;&#227;o do que era relevante para o interlocutor. O gui&#227;o visou a manuten&#231;&#227;o de um controlo relativo sobre a entrevista, mantendo-a focada nas quest&#245;es relativas aos recursos humanos. As entrevistas foram gravadas e posteriormente transcritas na &#237;ntegra.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><i>An&#225;lise das entrevistas</i>: as entrevistas foram analisadas para identificar os problemas relacion&#225;veis com a gest&#227;o de recursos humanos referidos pelos actores, ou identificados pela equipa de investiga&#231;&#227;o, e as suas rela&#231;&#245;es com as pr&#225;ticas de gest&#227;o de recursos humanos ou com as interac&#231;&#245;es entre estas pr&#225;ticas. Genericamente seguiu-se uma estrat&#233;gia de an&#225;lise aberta semelhante &#224; recomendada por Strauss e Corbin (1998) para a realiza&#231;&#227;o de codifica&#231;&#227;o aberta. N&#227;o se procurou, no entanto, nesta fase inicial, seguir a metodologia recomendada por este autores de forma sistem&#225;tica at&#233; atingir um conjunto de propriedades e de dimens&#245;es teoricamente saturado, tendo a an&#225;lise sido dada por terminada a partir do momento em que foi poss&#237;vel construir um modelo compat&#237;vel com a ideia de uma fun&#231;&#227;o de gest&#227;o de recursos humanos distribu&#237;da e detectados efeitos n&#227;o intencionais deste processo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Protocolo do estudo de casos</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><i>Acesso</i></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O primeiro contacto estabelecido com as empresas seleccionadas foi atrav&#233;s de telefone. Deste modo, e ap&#243;s uma breve descri&#231;&#227;o dos objectivos do projecto de investiga&#231;&#227;o, procurou-se basicamente averiguar o interesse por parte da empresa em receber a equipa de investiga&#231;&#227;o. Dado o interesse, procedeu-se &#224; marca&#231;&#227;o da primeira entrevista com o administrador e propriet&#225;rio da empresa.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Fontes de informa&#231;&#227;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><i>Entrevistas</i></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">1) &nbsp;&nbsp;&nbsp;<i>Actores:</i> administradores, todos os gestores, todos os envolvidos na fun&#231;&#227;o recursos humanos, incluindo administrativos, supervisores das &#225;reas de produ&#231;&#227;o, pequena amostra de trabalhadores directos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">2) &nbsp;&nbsp;&nbsp;<i>Sequ&#234;ncia de entrevistas</i>: cadeia hier&#225;rquica, come&#231;ando pelo administrador.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">3) &nbsp;&nbsp;&nbsp;<i>Estrutura geral das entrevistas</i> : explica&#231;&#227;o do projecto de investiga&#231;&#227;o, percurso pessoal dentro e fora da empresa, fun&#231;&#245;es, pr&#225;ticas de gest&#227;o de recursos humanos, papel do entrevistado nestas pr&#225;ticas, clima da empresa.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">4) <i>Quest&#245;es espec&#237;ficas conforme o papel organizacional.</i></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">a) &nbsp;&nbsp;&nbsp;entrevista com administrador: hist&#243;ria da empresa, estrat&#233;gias (mercados, qualidade), pol&#237;ticas gerais, princ&#237;pios de gest&#227;o, processo produtivo, organiza&#231;&#227;o da fun&#231;&#227;o de gest&#227;o de recursos humanos relativa &#224; administra&#231;&#227;o, caracter&#237;sticas dos recursos humanos (n&#250;meros, antiguidade, absentismo, <i>turnover,</i> clima, compet&#234;ncias);</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">b) &nbsp;&nbsp;&nbsp;entrevistas com gestores: organiza&#231;&#227;o do sector/departamento &#224; sua responsabilidade, n&#250;mero de subordinados e fun&#231;&#245;es, pr&#225;ticas de gest&#227;o de recursos humanos espec&#237;ficas do sector;</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">c) &nbsp;&nbsp;&nbsp;respons&#225;veis pelos recursos humanos: descri&#231;&#227;o detalhada dos processos de gest&#227;o de recursos humanos (recrutamento, selec&#231;&#227;o, acolhimento, forma&#231;&#227;o, avalia&#231;&#227;o do desempenho, sal&#225;rios e incentivos, carreiras, sa&#250;de (higiene e seguran&#231;a), organiza&#231;&#227;o da fun&#231;&#227;o relativa &#224; administra&#231;&#227;o, caracter&#237;sticas dos recursos humanos (n&#250;meros, antiguidade, absentismo, <i>turnover</i>, clima, compet&#234;ncias);</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">d) &nbsp;&nbsp;&nbsp;outras pessoas envolvidas na fun&#231;&#227;o de recursos humanos: detalhes dos procedimentos relativos aos recursos humanos;</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">e) &nbsp;&nbsp;&nbsp;supervisores: processo produtivo, acolhimento, forma&#231;&#227;o no posto, utiliza&#231;&#227;o dos recursos humanos;</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">f) &nbsp;&nbsp;&nbsp;directos: detalhes do percurso pessoal na empresa (recrutamento e selec&#231;&#227;o, acolhimento e forma&#231;&#227;o, avalia&#231;&#227;o do desempenho, sal&#225;rios e incentivos), satisfa&#231;&#227;o/insatisfa&#231;&#227;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><i>Observa&#231;&#227;o</i></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Durante a visita &#224; empresa e desloca&#231;&#245;es de e para as entrevistas, procurou-se observar:</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">a) &nbsp;&nbsp;&nbsp;condi&#231;&#245;es f&#237;sicas de trabalho;</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">b) &nbsp;&nbsp;&nbsp;dimens&#227;o, organiza&#231;&#227;o e estado das instala&#231;&#245;es;</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">c) &nbsp;&nbsp;&nbsp;interac&#231;&#245;es entre o acompanhante e outras pessoas (informalidade, submiss&#227;o, etc.);</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">d) &nbsp;&nbsp;&nbsp;tecnologia e processo produtivo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><i>Documentos</i></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Documentos disponibilizados espontaneamente pela empresa:</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">a) &nbsp;&nbsp;&nbsp;organograma;</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">b) &nbsp;&nbsp;&nbsp;cat&#225;logos de produtos;</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">c) &nbsp;&nbsp;&nbsp;publicidade;</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">d) exemplares de instrumentos de gest&#227;o de recursos humanos (testes, fichas de candidatura espont&#226;nea, etc.).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Descri&#231;&#227;o do caso</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><i>Historial da empresa</i></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O estudo apresentado refere-se a uma empresa metal&#250;rgica fundada h&#225; 25 anos por dois irm&#227;os, um dos quais &#233; o presente administrador. No ano de 1979, transferiu parte dos seus servi&#231;os, nos quais se encontra inclu&#237;da a &#225;rea produtiva, para a cidade de Braga. Esta empresa surgiu da constata&#231;&#227;o, nos anos 70, de uma grande car&#234;ncia de maquinaria relacionada com os produtos agr&#237;colas. A resposta a estas necessidades permitiu-lhe um desenvolvimento relativamente r&#225;pido at&#233; ao momento actual. Recentemente, e perante a necessidade de competir num mercado mais alargado, a empresa viu-se na necessidade de proceder &#224; sua certifica&#231;&#227;o em termos de qualidade. Este processo, que teve in&#237;cio aproximadamente em 1995, permitiu, segundo o seu administrador, uma revis&#227;o substancial dos processos produtivos at&#233; ent&#227;o existentes.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><i>Organiza&#231;&#227;o da empresa</i></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Actualmente a empresa tem 116 trabalhadores, estando 13% destes a ocupar posi&#231;&#245;es administrativas e de gest&#227;o (colaboradores indirectos). Cerca de metade dos colaboradores indirectos s&#227;o do sexo feminino, enquanto os directos s&#227;o todos do sexo masculino. A m&#233;dia et&#225;ria dos trabalhadores (indirectos e directos) situa-se nos 38,01 anos (DP=11, 7).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Dependente da administra&#231;&#227;o encontram-se tr&#234;s direc&#231;&#245;es (direc&#231;&#227;o administrativo-financeira; direc&#231;&#227;o industrial e direc&#231;&#227;o da qualidade) e dois departamentos (departamento comercial e departamento de engenharia) (ver <a href="#f1">figura 1</a>). A direc&#231;&#227;o industrial e a comercial s&#227;o chefiadas tamb&#233;m pelo administrador, sendo as restantes direc&#231;&#245;es e departamentos assegurados pelos dois licenciados existentes na empresa: direc&#231;&#227;o da qualidade e departamento de engenharia (engenheiro) e direc&#231;&#227;o administrativo-financeira (economista).</font></p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/psi/v13n1-2/13n1-2a12f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">De referir tamb&#233;m que na depend&#234;ncia da direc&#231;&#227;o administrativa se encontra o servi&#231;o de pessoal, chefiado por um administrativo sem forma&#231;&#227;o espec&#237;fica na &#225;rea.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Processo produtivo</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em rela&#231;&#227;o ao processo produtivo, trata-se de uma empresa caracterizada por alguma integra&#231;&#227;o vertical. Este processo encontra-se basicamente organizado de acordo com as duas &#225;reas de produ&#231;&#227;o existentes:</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">1) &nbsp;&nbsp;&nbsp;a <i>divis&#227;o da fundi&#231;&#227;o,</i> onde trabalham cerca de 30% dos colaboradores directos, tem por tarefa fundamental a produ&#231;&#227;o de componentes met&#225;licos dos v&#225;rios produtos da empresa. Algumas destas pe&#231;as s&#227;o comercializadas isoladamente, embora a maior parte seja utilizada internamente na fabrica&#231;&#227;o dos equipamentos agr&#237;colas;</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">2) &nbsp;&nbsp;&nbsp;na <i>divis&#227;o de Equipamentos Agr&#237;colas</i> trabalham os restantes 70% dos colaboradores directos. Esta divis&#227;o &#233; a respons&#225;vel pela constru&#231;&#227;o das m&#225;quinas e alfaias agr&#237;colas, executando todas as tarefas desde o acabamento das pe&#231;as fundidas at&#233; &#224; montagem e acabamento final.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Cada uma destas divis&#245;es tem um respons&#225;vel, estando divididas em v&#225;rias sec&#231;&#245;es.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A maior parte dos produtos que esta empresa fabrica s&#227;o cria&#231;&#227;o pr&#243;pria, sendo a sua gama muito variada (aproximadamente duas dezenas de produtos diferentes). As m&#225;quinas agr&#237;colas constituem o seu principal produto, o que, em termos de planeamento da produ&#231;&#227;o, implica que este se processe de forma sazonal, isto &#233;, programado de acordo com as &#233;pocas agr&#237;colas (por exemplo, &#233;poca das vindimas).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A tecnologia utilizada no processo produtivo &#233; relativamente simples. Esta simplicidade faz com que as compet&#234;ncias necess&#225;rias n&#227;o sejam muito dif&#237;ceis de adquirir, o que permite &#224; empresa recrutar trabalhadores pouco qualificados e com pouca experi&#234;ncia e trein&#225;-los directamente no posto de trabalho.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Neste momento, uma das estrat&#233;gias que a empresa est&#225; a desenvolver &#233; proceder &#224; automatiza&#231;&#227;o de algumas tarefas nos sectores que exigem uma maior experi&#234;ncia e qualifica&#231;&#227;o (por exemplo, sector dos tornos).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><i>Estrat&#233;gia da empresa</i></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A comercializa&#231;&#227;o do produto &#233; feita fundamentalmente no mercado interno. Tradicionalmente, a empresa parece ter baseado a sua estrat&#233;gia na resposta r&#225;pida aos pedidos de equipamento e no seu baixo custo. Como veremos, as pr&#225;ticas de gest&#227;o de recursos humanos s&#227;o consistentes com esta estrat&#233;gia. No ano de 1995, a empresa come&#231;a a desenvolver esfor&#231;os no sentido de proceder &#224; sua certifica&#231;&#227;o. Esta op&#231;&#227;o por parte da administra&#231;&#227;o surgiu quando a empresa foi impedida de se candidatar ao fornecimento de alguns dos seus produtos (pe&#231;as para saneamento) a empresas europeias pelo facto de n&#227;o se encontrar certificada. Perante este acontecimento, o administrador toma consci&#234;ncia da necessidade de certifica&#231;&#227;o neste sector para que no futuro n&#227;o lhe seja vedada esta via para o escoamento de alguns dos seus produtos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O processo de implementa&#231;&#227;o do sistema de qualidade est&#225; desde o seu in&#237;cio a ser coordenado externamente por uma empresa especializada. Esta detectou a necessidade de um t&#233;cnico especializado que servisse de elo de liga&#231;&#227;o entre ambas, estando o papel atribu&#237;do ao engenheiro respons&#225;vel pela direc&#231;&#227;o da qualidade e departamento de engenharia da empresa.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Internamente foi criado o n&#250;cleo da qualidade, sendo este constitu&#237;do pelos respons&#225;veis das direc&#231;&#245;es da qualidade e administrativo-financeira, pelos respons&#225;veis das duas divis&#245;es da produ&#231;&#227;o e por um representante do administrador.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Na nossa an&#225;lise deste caso, o processo de certifica&#231;&#227;o da qualidade vem trazer uma s&#233;rie de mudan&#231;as nas formas de operar que v&#227;o ter implica&#231;&#245;es importantes ao n&#237;vel das pr&#225;ticas de gest&#227;o de recursos humanos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><i>Pr&#225;ticas de gest&#227;o de recursos humanos identificadas na empresa</i></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Recrutamento</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As formas predominantemente utilizadas em termos de recrutamento s&#227;o, por um lado, a coloca&#231;&#227;o de an&#250;ncios num <i>placard</i> da empresa (especificando-se o profissional pretendido) e, por outro, atrav&#233;s do aparecimento de candidaturas espont&#226;neas. Em situa&#231;&#245;es muito pontuais, particularmente quando se pretende recrutar algu&#233;m mais qualificado, pode recorrer-se &#224; publica&#231;&#227;o de an&#250;ncios no jornal (por exemplo, vendedores).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A fonte de recrutamento &#233;, portanto, local, podendo nalguns casos recorrer-se a outras entidades tamb&#233;m locais, como &#233; o caso do Centro de Forma&#231;&#227;o Profissional de Mazag&#227;o. Por&#233;m, esta &#250;ltima situa&#231;&#227;o &#233; muito rara.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em termos de qualifica&#231;&#227;o do pessoal recrutado, n&#227;o h&#225; por parte da organiza&#231;&#227;o preocupa&#231;&#227;o nem interesse em recrutar pessoal com experi&#234;ncia ou com n&#237;veis elevados de qualifica&#231;&#227;o. Pelo contr&#225;rio, parece existir uma valoriza&#231;&#227;o do recrutamento de pessoas novas e sem grande experi&#234;ncia ou forma&#231;&#227;o profissional. Segundo o administrador, as raz&#245;es que justificam esta pr&#225;tica prendem-se, por um lado, com a ideia de que pessoas com experi&#234;ncia profissional s&#227;o pessoas mais velhas e com maiores exig&#234;ncias em termos de remunera&#231;&#227;o (aspecto que pode resultar numa fonte de conflito interno, segundo o administrador da empresa), de que a empresa j&#225; tem pessoal com experi&#234;ncia e, por &#250;ltimo, o pressuposto de que as pessoas mesmo com experi&#234;ncia n&#227;o t&#234;m necessariamente conhecimentos neste sector espec&#237;fico.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em todo o caso, no que respeita ao recrutamento de pessoal qualificado neste sector, parece assistir-se a dificuldades consider&#225;veis.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Selec&#231;&#227;o</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Como se depreende do anteriormente exposto (formas de recrutamento), a grande maioria das pessoas admitidas na empresa (para o sector produtivo) s&#227;o relativamente novas e com baixo n&#237;vel de qualifica&#231;&#227;o profissional.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O processo de selec&#231;&#227;o realizado nestes casos baseia-se fundamentalmente em dois indicadores: por um lado, na realiza&#231;&#227;o de uma entrevista com o respons&#225;vel do servi&#231;o de pessoal (onde se procura conhecer o indiv&#237;duo, explorando-se os seus conhecimentos e interesses profissionais) e, por outro, atrav&#233;s da realiza&#231;&#227;o de uma prova de avalia&#231;&#227;o de papel e l&#225;pis. Embora o primeiro procedimento j&#225; venha a ser utilizado h&#225; muito tempo, o segundo &#233; relativamente recente (tr&#234;s anos). A justifica&#231;&#227;o para a sua introdu&#231;&#227;o prende-se com a necessidade que a empresa sentiu em se conseguir uma &quot;filtragem&quot; mais eficaz do pessoal admitido. Esta prova de papel e l&#225;pis tem, de acordo com o chefe de servi&#231;o de pessoal, basicamente como objectivo avaliar a capacidade de &quot;iniciativa&quot; do candidato, ou seja, se este, perante uma tarefa que n&#227;o lhe &#233; familiar, toma a iniciativa de a resolver ou se, pelo contr&#225;rio, a recusa ou desiste.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ainda que estes dois procedimentos apresentados sejam levados a cabo pelo respons&#225;vel do servi&#231;o de pessoal, a tomada de decis&#227;o relativamente &#224; selec&#231;&#227;o do candidato est&#225; sempre centralizada no administrador da empresa com base nas informa&#231;&#245;es que o primeiro lhe forneceu e numa entrevista que este tem com o candidato.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As pessoas seleccionadas est&#227;o depois cerca de um per&#237;odo de quinze dias &quot;&#224; experi&#234;ncia&quot;, sendo a decis&#227;o de admiss&#227;o tomada apenas no seu final, no caso em que ambas as partes (empresa e trabalhador) manifestem interesse na perman&#234;ncia do candidato.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Embora o processo de selec&#231;&#227;o anteriormente descrito seja o mais largamente utilizado, existem situa&#231;&#245;es muito pontuais onde a selec&#231;&#227;o &#233; levada a cabo de uma outra forma (pessoal com maior n&#237;vel de qualifica&#231;&#227;o). Um exemplo desta &#250;ltima situa&#231;&#227;o foi a admiss&#227;o de um operador de <i>autocad,</i> em que, para al&#233;m de se ter recorrido a coloca&#231;&#227;o de um an&#250;ncio no jornal, se procedeu tamb&#233;m &#224; entrevista (levada a cabo pelo respons&#225;vel da &#225;rea de produ&#231;&#227;o e pelo respons&#225;vel do departamento de engenharia) e a realiza&#231;&#227;o de uma prova de desempenho.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Por fim, &#233; de referir tamb&#233;m que neste momento a empresa est&#225; a proceder &#224; an&#225;lise e descri&#231;&#227;o dos seus postos de trabalho no &#226;mbito do processo de certifica&#231;&#227;o da qualidade. Um dos objectivos desta descri&#231;&#227;o, e de acordo com o supervisor deste processo (engenheiro), &#233; o de permitir uma melhor selec&#231;&#227;o, uma vez que esta poder&#225; ser realizada tendo como ponto de partida os requisitos especificados na descri&#231;&#227;o dos postos de trabalho.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Forma&#231;&#227;o</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Uma das implica&#231;&#245;es mais directas que o processo de certifica&#231;&#227;o teve no que diz respeito &#224; gest&#227;o de recursos humanos foi em rela&#231;&#227;o &#224; forma&#231;&#227;o dada na empresa (por exemplo, apenas h&#225; sensivelmente dois anos &#233; que se faz o plano anual de forma&#231;&#227;o). Como resultado da tentativa de implementa&#231;&#227;o deste processo, t&#234;m sido dadas algumas de forma&#231;&#227;o que possibilitem o seu acompanhamento, nomeadamente orientadas para a sensibiliza&#231;&#227;o da quest&#227;o da qualidade e que promovam a divulga&#231;&#227;o do manual da qualidade. Para al&#233;m destas ac&#231;&#245;es, outras existiram no ano de 1997, designadamente: forma&#231;&#227;o em gest&#227;o para as chefias interm&#233;dias, curso de inform&#225;tica (pessoal administrativo), cursos inform&#225;ticos <i>(office e autocad,</i> para pessoal administrativo e t&#233;cnico), curso de soldadura (para pessoal da divis&#227;o dos equipamentos agr&#237;colas e realizada na empresa por formador externo).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em rela&#231;&#227;o a esta &#250;ltima ac&#231;&#227;o de forma&#231;&#227;o, houve a preocupa&#231;&#227;o de que os seus participantes fossem qualificados pelo Instituto de Soldadura e Qualidade. Tamb&#233;m, e no que respeita a este curso de forma&#231;&#227;o, de referir que foi dif&#237;cil o recrutamento de trabalhadores, tendo participado apenas oito. Duas raz&#245;es foram apontadas para esta dificuldade: o facto de a forma&#231;&#227;o ter sido dada em hor&#225;rio p&#243;s-laboral e de n&#227;o ser remunerada; em rela&#231;&#227;o &#224; &#250;ltima raz&#227;o e dada a pouca ades&#227;o dos trabalhadores, a administra&#231;&#227;o decidiu remunerar as horas de forma&#231;&#227;o, tendo com isso, no entanto, conseguido apenas a participa&#231;&#227;o de mais dois trabalhadores.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Para o ano corrente, preveem fazer um outro curso de soldadura, sendo tamb&#233;m um dos objectivos o de proceder &#224; qualifica&#231;&#227;o dos seus participantes.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Um bom indicador da rela&#231;&#227;o entre o processo de certifica&#231;&#227;o e a dinamiza&#231;&#227;o da forma&#231;&#227;o &#233; o facto de o levantamento das necessidades de forma&#231;&#227;o ser realizado em reuni&#227;o no n&#250;cleo da qualidade (atrav&#233;s de uma an&#225;lise sectorial pelos diferentes respons&#225;veis), sendo tamb&#233;m o respons&#225;vel pelo processo de qualifica&#231;&#227;o aquele que coordena todo o plano formativo na empresa.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Antes do processo de certifica&#231;&#227;o, a forma&#231;&#227;o existente na empresa era aquela dada unicamente no posto de trabalho e assegurada pelos respons&#225;veis das &#225;reas de produ&#231;&#227;o. Por&#233;m, e ainda que o processo de certifica&#231;&#227;o tenha contribu&#237;do para outro tipo de ac&#231;&#245;es de forma&#231;&#227;o, a que &#233; feita no posto de trabalho continua a ser a modalidade dominante.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Deste modo, e atendendo, que a maioria dos trabalhadores admitidos s&#227;o novos e sem um grande n&#237;vel de experi&#234;ncia, a estrat&#233;gia utilizada pela empresa &#233; a de os colocar, num momento inicial, em tarefas menos complexas (podendo estas, no entanto, nalguns casos ser tamb&#233;m as mais pesadas e as que os mais experientes tendem a evitar), que possam favorecer o processo de adapta&#231;&#227;o, passando o indiv&#237;duo, regra geral, por v&#225;rios sectores de forma a &quot;encaixar-se&quot; no melhor servi&#231;o, ou seja, naquele em que o respons&#225;vel da divis&#227;o considera que o indiv&#237;duo revela mais potencialidades e um maior rendimento. Assim, pelo menos no processo inicial, existe nesta empresa a pr&#225;tica de fazer com que os seus trabalhadores percorram v&#225;rias sec&#231;&#245;es. Como resultado desta pr&#225;tica (pessoas sem grande experi&#234;ncia), existe uma grande necessidade de acompanhamento por parte dos respons&#225;veis das pessoas recentemente admitidas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Avalia&#231;&#227;o de desempenho</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ainda que n&#227;o exista um procedimento sistematizado de avalia&#231;&#227;o de desempenho, esta acaba por se realizar, na empresa, de modo informal. Os indicadores que s&#227;o utilizados para esta avalia&#231;&#227;o, segundo o administrador, s&#227;o basicamente dois: por um lado, a assiduidade do trabalhador e, por outro, o seu comportamento. Dentro deste &#250;ltimo indicador s&#227;o inclu&#237;dos aspectos como aceder ou n&#227;o ao pedido de realiza&#231;&#227;o de horas extraordin&#225;rias, demonstrar ou n&#227;o uma &quot;boa educa&#231;&#227;o e um bom comportamento&quot; (sendo a implica&#231;&#227;o mais negativa a exist&#234;ncia de uma participa&#231;&#227;o interna que registe mau comportamento). Esta avalia&#231;&#227;o est&#225; totalmente centralizada no administrador da empresa, ainda que este possa solicitar aos respons&#225;veis das duas divis&#245;es informa&#231;&#227;o sobre os trabalhadores pelos quais s&#227;o respons&#225;veis. Esta informa&#231;&#227;o &#233; fundamentalmente baseada na observa&#231;&#227;o e no contacto di&#225;rio que o respons&#225;vel mant&#233;m com o seu subordinado.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Esta avalia&#231;&#227;o repercute-se de forma directa ao n&#237;vel do sal&#225;rio do trabalhador (avalia&#231;&#227;o individualizada). No entanto, e ainda que esta avalia&#231;&#227;o seja realizada continuamente, as implica&#231;&#245;es que dela decorrem poder&#227;o revelar-se apenas uma ou duas vezes por ano (habitualmente aquando da revis&#227;o salarial). Esta liga&#231;&#227;o ao vencimento-base introduz bastante rigidez no sistema, o que leva a que, mesmo que possa haver varia&#231;&#227;o nos indicadores de desempenho, o vencimento de um trabalhador permane&#231;a o mesmo durante um longo per&#237;odo de tempo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os colaboradores indirectos s&#227;o tamb&#233;m alvo da avalia&#231;&#227;o de desempenho, mas neste caso s&#227;o sempre avaliados directamente pelo administrador.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Progress&#227;o</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As promo&#231;&#245;es realizadas s&#227;o as previstas no contrato colectivo de trabalho dos metal&#250;rgicos e metalomec&#226;nicos. O crit&#233;rio-base quanto a este tipo de progress&#227;o &#233; a antiguidade do trabalhador na empresa. Para al&#233;m desta evolu&#231;&#227;o prevista no contrato, h&#225; ainda a considerar situa&#231;&#245;es pontuais (por exemplo, promo&#231;&#227;o de um operador a chefe). A maior parte dos trabalhadores tem mais de cinco anos de antiguidade, estando, na sua maioria, classificados no topo da tabela.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Pr&#233;mios e remunera&#231;&#227;o</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ao sal&#225;rio-base do trabalhador (definido pela tabela salarial) &#233; adicionado o valor de um pr&#233;mio que a empresa atribui. O valor monet&#225;rio deste pr&#233;mio &#233; determinado pela avalia&#231;&#227;o de desempenho que foi feita do trabalhador.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">H&#225; um ano que a empresa implementou um novo sistema de pagamento do referido pr&#233;mio, passando de um sistema de pagamento mensal para outro de pagamento de periodicidade trimestral (acumula&#231;&#227;o do valor do pr&#233;mio relativo a tr&#234;s meses).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Esta altera&#231;&#227;o teve basicamente como objectivo a diminui&#231;&#227;o na taxa de absentismo, cujo valor era cerca de 10%. Actualmente a taxa de absentismo &#233; cerca de 7%, tendo esta diminui&#231;&#227;o, segundo o chefe de servi&#231;o de pessoal, sido devida &#224; altera&#231;&#227;o no sistema de pagamento do pr&#233;mio.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A revis&#227;o dos valores do pr&#233;mio, ainda que possa ser feita mensalmente, na pr&#225;tica ocorre uma ou duas vezes no ano.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em termos de remunera&#231;&#227;o, a quase totalidade do pessoal tem uma remunera&#231;&#227;o superior &#224; estipulada na tabela salarial. Esta situa&#231;&#227;o verifica-se porque ao valor do sal&#225;rio base &#233; adicionado o valor do pr&#233;mio.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">De referir tamb&#233;m que a maior parte dos trabalhadores se encontra numa situa&#231;&#227;o de efectivos. A pol&#237;tica da empresa, a este n&#237;vel, &#233; o de fazer num primeiro momento contrato de um ano, renov&#225;vel por duas vezes.</font></p>     <div>       <p><font face="Verdana" size="2">No <a href="#q1">quadro 1</a> &#233; apresentada uma s&#237;ntese das pr&#225;ticas de gest&#227;o de recursos humanos identificadas nesta empresa.</font></p>       <p>&nbsp;</p>   <a name="q1"></a> <img src="/img/revistas/psi/v13n1-2/13n1-2a12q1.jpg">       
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p><font face="Verdana" size="2"><i>Interdepend&#234;ncias entre as pr&#225;ticas</i></font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">No caso em an&#225;lise, podemos detectar a influ&#234;ncia simult&#226;nea entre as pr&#225;ticas de gest&#227;o de recursos humanos e os seus efeitos ao longo do tempo sobre o sistema social e as estrat&#233;gias da administra&#231;&#227;o da empresa na sua rela&#231;&#227;o com o mercado e com a for&#231;a de trabalho (ver <a href="#f2">figura 2</a>).</font></p>       <p>&nbsp;</p>   <a name="f2"></a> <img src="/img/revistas/psi/v13n1-2/13n1-2a12f2.jpg">       
<p>&nbsp;</p>       <p><font face="Verdana" size="2"><i>Problemas identificados</i></font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">O <i>turnover &#233;</i> um dos problemas que foram apontados com frequ&#234;ncia nas entrevistas. As raz&#245;es apontadas para esta situa&#231;&#227;o s&#227;o v&#225;rias, desde os trabalhadores arranjarem outro emprego, n&#227;o se adaptarem &#224; empresa ou preferirem o subs&#237;dio de desemprego. &#233; de referir que alguns depois de permanecerem algum tempo na empresa, onde t&#234;m a possibilidade de aprender uma s&#233;rie de compet&#234;ncias (por exemplo, serralharia), acabam por sair quando j&#225; t&#234;m algum dom&#237;nio dessas compet&#234;ncias. A raz&#227;o apontada para esta situa&#231;&#227;o relaciona-se com o facto de haver grande procura destas compet&#234;ncias (por exemplo, ind&#250;stria autom&#243;vel, oficinas de serralharia mec&#226;nica). Como resultado, a empresa defronta-se com uma situa&#231;&#227;o algo perversa, que &#233; a da sa&#237;da de alguns dos seus trabalhadores quando eles j&#225; possuem uma qualifica&#231;&#227;o razo&#225;vel e poderiam come&#231;ar a contribuir de forma significativa para a produ&#231;&#227;o.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Um dos aspectos que contribuem para a ocorr&#234;ncia desta situa&#231;&#227;o &#233; a forma como o processo de recrutamento e selec&#231;&#227;o &#233; realizado. Ao recrutar preferencialmente pessoas sem experi&#234;ncia nem compet&#234;ncia, a empresa consegue manter as remunera&#231;&#245;es relativamente baixas. O processo de forma&#231;&#227;o informal no posto de trabalho leva a que os novos trabalhadores sejam colocados de in&#237;cio em tarefas mais simples (e possivelmente mais pesadas), o que pode, em conjunto com as remunera&#231;&#245;es comparativamente mais baixas praticadas pela empresa, constituir um factor de desmotiva&#231;&#227;o. Assim, o <i>turnover</i> constitui um processo de desgaste dos recursos humanos logo &#224; entrada na empresa, o que pode ser visto como constituindo um verdadeiro processo de &quot;selec&#231;&#227;o natural&quot;, o qual se foi instituindo e estabilizando ao longo do tempo. As vantagens imediatas desta &quot;selec&#231;&#227;o natural&quot;, e que contribuem para a sua manuten&#231;&#227;o, s&#227;o uma grande simplicidade e baixo custo no processo de recrutamento e forma&#231;&#227;o. Os problemas que cria n&#227;o parecem ser identificados pelo administrador da empresa.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2"><i>Processo de &quot;selec&#231;&#227;o natural&quot;</i></font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Este processo, que parece ser central quer nos problemas identificados, quer em toda a l&#243;gica de gest&#227;o de recursos humanos da empresa, pode ser visto como constitu&#237;do pela interac&#231;&#227;o n&#227;o intencional entre v&#225;rias pr&#225;ticas. Por um lado, o processo de entrada e adapta&#231;&#227;o &#224; empresa que descrevemos resulta na reten&#231;&#227;o dos trabalhadores que se adaptam n&#227;o s&#243; &#224;s tarefas, como ao estilo de gest&#227;o praticado. Por outro, o processo de avalia&#231;&#227;o do desempenho e a sua liga&#231;&#227;o com os pr&#233;mios deixa &#224; administra&#231;&#227;o uma grande margem de liberdade na determina&#231;&#227;o dos vencimentos, permitindo-lhe refor&#231;ar os comportamentos de aceita&#231;&#227;o do seu estilo. Finalmente, a progress&#227;o nas categorias profissionais, ao valorizar prioritariamente a antiguidade, vai refor&#231;ar ainda mais a aceita&#231;&#227;o e submiss&#227;o ao modo de funcionamento.</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O resultado l&#237;quido &#233; um sistema de selec&#231;&#227;o que refor&#231;a n&#227;o a compet&#234;ncia, mas a integra&#231;&#227;o n&#227;o problem&#225;tica no sistema existente. Em certa medida e se considerarmos que a empresa passa por uma fase de mudan&#231;a em termos de processos e formas de trabalho, este processo pode estabilizar demasiadamente o sistema, dificultando qualquer inova&#231;&#227;o que se pretenda introduzir.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">O interessante neste processo de selec&#231;&#227;o, no entanto, &#233; que ele existe sem que os actores entrevistados o refiram de forma integral. Embora todos contribuam para ele, n&#227;o h&#225; uma percep&#231;&#227;o da sua opera&#231;&#227;o em nenhum actor individual.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2"><b>Discuss&#227;o do caso</b></font></p>       <p><font face="Verdana" size="2"><i>Gest&#227;o de recursos humanos como uma fun&#231;&#227;o distribu&#237;da</i></font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Retomando as quest&#245;es originais, nomeadamente a da fun&#231;&#227;o de recursos humanos como uma fun&#231;&#227;o distribu&#237;da, podemos observar neste caso a exist&#234;ncia de v&#225;rios actores que interv&#234;m no processo de gest&#227;o de recursos humanos. &#233; o que se passa com o administrador, que interv&#233;m activamente no processo de recrutamento e selec&#231;&#227;o, forma&#231;&#227;o, avalia&#231;&#227;o do desempenho e progress&#227;o; dos chefes de divis&#227;o, que interv&#234;m na forma&#231;&#227;o e na avalia&#231;&#227;o do desempenho; e do chefe de servi&#231;o de pessoal, que interv&#233;m no recrutamento e selec&#231;&#227;o. No entanto, no seu conjunto, estas interven&#231;&#245;es n&#227;o se processam de forma intencional e coordenada, o que resulta, neste caso, no processo de &quot;selec&#231;&#227;o natural&quot; descrito acima. Este processo pode ser visto como emergindo, de forma n&#227;o intencional, das interac&#231;&#245;es entre os intervenientes que seguem as l&#243;gicas normais de relacionamento que foram sendo constru&#237;das e estabilizadas ao longo do tempo.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">De facto, durante o per&#237;odo anterior &#224; certifica&#231;&#227;o, esta forma de funcionamento correspondeu a um conjunto de crit&#233;rios que orientava e ainda orienta a ac&#231;&#227;o dos intervenientes. Os crit&#233;rios que se podem detectar prendem-se, por um lado, com a estrat&#233;gia de mercado referida (rapidez de resposta a baixo custo) e, por outro, com a manuten&#231;&#227;o da estrutura de controlo muito centralizada no administrador.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">O processo de certifica&#231;&#227;o da qualidade, ao trazer novos intervenientes que n&#227;o participaram no desenvolvimento destas redes de rela&#231;&#245;es, introduz potencialmente uma perturba&#231;&#227;o no processo normal de relacionamento. De facto, nas entrevistas realizadas, o processo normal de funcionamento da empresa e o processo de certifica&#231;&#227;o da qualidade aparecem como dois processos justapostos, n&#227;o integrados. Este isolamento do processo de certifica&#231;&#227;o em rela&#231;&#227;o ao processo normal da organiza&#231;&#227;o visa claramente manter as rela&#231;&#245;es de poder estabelecidas anteriormente. No entanto, estas come&#231;am a dar sinais de instabilidade, como se pode verificar, por exemplo, pela tentativa de interven&#231;&#227;o do engenheiro de qualidade no processo de recrutamento e de forma&#231;&#227;o, atrav&#233;s do processo de an&#225;lise e descri&#231;&#227;o de fun&#231;&#245;es.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Como se pode verificar, a gest&#227;o de recursos humanos est&#225; longe de ser um processo meramente t&#233;cnico, estando intimamente relacionado com todos os processos organizacionais. Neste sentido, a gest&#227;o de recursos humanos encontra-se interligada com a rede de interac&#231;&#245;es entre os diversos actores e &#233; dif&#237;cil ver como poderia ser isolada e racionalizada atrav&#233;s da aplica&#231;&#227;o de t&#233;cnicas espec&#237;ficas de gest&#227;o de recursos humanos, sem suscitar reac&#231;&#245;es de manuten&#231;&#227;o do <i>status quo</i> por parte dos actores-chave da organiza&#231;&#227;o. Dito de outra forma, a interven&#231;&#227;o t&#233;cnica espec&#237;fica da gest&#227;o de recursos humanos n&#227;o parece ter cliente neste contexto.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Assim, as quest&#245;es que se levantam e que merecem maior aprofundamento prendem-se com o papel que a gest&#227;o de recursos humanos ocupa no processo organizacional. N&#227;o parece vi&#225;vel pensar na sua altera&#231;&#227;o sem considerar a modifica&#231;&#227;o mais profunda de todos os outros processos organizacionais De facto, ela parece estar, pelo menos neste caso, envolvida com os processos fundamentais de defini&#231;&#227;o das rela&#231;&#245;es de poder e de controlo dentro da organiza&#231;&#227;o, mesmo relativos a aspectos que &#224; primeira vista nada t&#234;m a ver com quest&#245;es de gest&#227;o de recursos humanos.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2"><i>A no&#231;&#227;o de recursos humanos</i></font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Um outro aspecto que as entrevistas real&#231;am, e que se relaciona com as quest&#245;es anteriores, &#233; o da forma de refer&#234;ncia aos recursos humanos feita pelos actores entrevistados.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Ainda que esta quest&#227;o requeira muito mais aprofundamento e fundamenta&#231;&#227;o, ela &#233; apresentada, em conclus&#227;o desta an&#225;lise preliminar, a t&#237;tulo de hip&#243;tese a aprofundar futuramente. Em &#250;ltima an&#225;lise, a no&#231;&#227;o de &quot;recursos humanos&quot;, com as conota&#231;&#245;es que lhe s&#227;o dadas na literatura espec&#237;fica, &#233; completamente estranha aos participantes nesta empresa. Dado que a empresa n&#227;o foi seleccionada por os seus participante serem especialmente limitados do ponto de vista cognitivo, isto sugere que, tal como vimos na introdu&#231;&#227;o deste artigo, a linguagem t&#233;cnica da gest&#227;o de recursos humanos estabelece uma ruptura t&#227;o marcada em rela&#231;&#227;o ao senso comum que perde a sua relev&#226;ncia nos contextos de ac&#231;&#227;o. Neste sentido, o caso estudado e a reflex&#227;o sobre ele parecem apontar para uma crise do corpo de conhecimentos relativos &#224; gest&#227;o de recursos humanos. Esta crise parece passar pela perca de validade pragm&#225;tica (Santos, 1989) desta &#225;rea de conhecimento, a qual, ao aprofundar as suas quest&#245;es e discursos espec&#237;ficos, perde alguma da sua capacidade de interven&#231;&#227;o ao n&#237;vel social.</font></p>       <p>&nbsp;</p>       <p><font face="Verdana" size="2"><b>Refer&#234;ncias</b></font></p>       <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Chiavenato, I. (1981). <i>Administra&#231;&#227;o de recursos humanos.</i> S&#227;o Paulo: Atlas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=502398&pid=S0874-2049199900010001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Clegg, S., Hardy, C., &#38; Nord, W. R. (Eds.) (1996). <i>Handbook of organization studies</i>. Londres: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=502400&pid=S0874-2049199900010001200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Gomez-Mej&#237;a, L. R., Balkin, D. B., &#38; Cardy, R. L. (1995). <i>Managing human resources.</i> Englewood Cliffs, NJ: Prentice Hall.</font></p>       <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Gergen, K. J. (1992). Organization theory in the postmodern era. In M. Reed &#38; M. Hughes (Eds), <i>Rethinking Organization</i> (pp. 207-226). Londres: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=502403&pid=S0874-2049199900010001200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Guest, D. E. (1989). Personnel and HRM: Can you tell the difference? <i>Personnel Management, 21,</i> 1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=502405&pid=S0874-2049199900010001200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Guest, D. E., &#38; Kenny, T. (Eds.) (1983). <i>A textbook oftechniques and strategies in personnel management.</i> Londres: Institute of Personnel Management.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=502407&pid=S0874-2049199900010001200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Keating, J. (1993). <i>Managerial cognitions in technological innovation processes.</i> Tese de doutoramento n&#227;o publicada. Birmingham: Aston University Business School.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=502409&pid=S0874-2049199900010001200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Keating, J. (1996). Estrat&#233;gia e processo estrat&#233;gico. <i>Psicologia: Investiga&#231;&#227;o e Pr&#225;tica, 1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=502411&pid=S0874-2049199900010001200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></i></font></p>   <i>       <p><font face="Verdana" size="2">Lawrence, P. R., &#38; Lorsh, J. W. (1967) <i>Organization and environment.</i> Homewood, IL: Irwin.</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Legge, K. (1989). Human resource management: A critical analysis. In J. Storey (Ed.), <i>New perspectives on human resource management.</i> Londres: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=502414&pid=S0874-2049199900010001200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Nord, W. R., &#38; Fox, S. (1996). The individual in organization studies: The great disappearing act? In S. Clegg, C. Hardy, &#38; W. R. Nord <i>(Eds.), Handbook of organization studies</i> (pp. 148-174). Londres: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=502416&pid=S0874-2049199900010001200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Santos, B. S. (1989) <i>Introdu&#231;&#227;o a uma ci&#234;ncia p&#243;s-moderna.</i> Porto: Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=502418&pid=S0874-2049199900010001200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Silverman, D. (1985). <i>Qualitative methodology and sociology.</i> Aldershot: Gower.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=502420&pid=S0874-2049199900010001200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Stinchcombe, A. L. (1974). <i>Creating ejficient industrial administrations.</i> Nova Iorque: Academic Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=502422&pid=S0874-2049199900010001200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Strauss, A., &#38; Corbin, J. (1998). <i>Basics of qualitative research: Techniques and procedures for developing grounded theory.</i> Thousand Oaks, CA: Sage.</font></p>       <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Torrington, D., &#38; Hall, L. (1991). <i>Personnel Management: A new approach.</i> Londres: Prentice Hall.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=502425&pid=S0874-2049199900010001200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Weick, K. (1979). <i>The social psychology of organizing.</i> Reading, MA: Addison-Wesley.</font></p>       <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Weick, K., &#38; Roberts, K. H. (1993). Collective mind in organizations: Heedful interrelating on flight decks. <i>Administrative Science Quarterly, 38,</i> 357-381.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=502428&pid=S0874-2049199900010001200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Yin, R. (1984). <i>Case study research: Design and methods.</i> Nova Iorque: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=502430&pid=S0874-2049199900010001200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       <p>&nbsp;</p>       <p><font face="Verdana" size="2"><b>Notas</b></font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top1"><sup>1</sup></a><a name="1"></a>Esta investiga&#231;&#227;o foi parcialmente financiada pela bolsa Praxis/PCSH/PSI/82/96.</font></p> </i></div>      ]]></body><back>
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