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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Efeito das crenças nas diferenças entre sexos na percepção e no julgamento das práticas familiares]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The access of women to the professional world did not significantly alter the traditional roles in the family. Women still perform most of the domestic work and have less power than men in decisions that are relevant to family life. Not withstanding these facts, several studies indicate that men and women appear to be satisfied with social practices in the family. In order to further understand the obstacles to change in family roles, 418 teachers of both sexes participated in a study which analysed the effects of beliefs about sex differences on the perception and judgements of different patterns of family organisation, as well as the actors adopting these patterns. Results show that, although men and women consider the equalitarian couple as an ideal one, beliefs about sex differences contribute to more positive judgements of the traditional division of roles and more negative judgements of the equalitarian male actor. According to these results, resistances toward change in family roles can be explained by the persistence of beliefs about sex differences that are largely shared by both men and women.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="4"><b>Efeito das cren&#231;as nas diferen&#231;as entre sexos na percep&#231;&#227;o e no julgamento das pr&#225;ticas familiares</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Beliefs on sex differences and practices in the family</b></font></p>          <p>&nbsp;</p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Gabrielle Poeschl<sup>*</sup>; Aurora Silva<sup>**</sup></b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><sup>*-**</sup>Faculdade de Psicologia e de Ci&#234;ncias da Educa&#231;&#227;o, Universidade do Porto.</font></p>           <p>&nbsp;</p>     <hr size="1" noshade>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O ingresso das mulheres no mundo profissional n&#227;o alterou muito a organiza&#231;&#227;o familiar: as mulheres continuam a assumir a maior parte do trabalho familiar e a ter menos poder do que os homens em decis&#245;es relevantes para a vida familiar. No entanto, os c&#244;njuges parecem satisfeitos com as pr&#225;ticas adoptadas no casal. Procurando compreender as dificuldades na mudan&#231;a das pr&#225;ticas familiares analis&#225;mos, num estudo quase-experimental junto de 418 docentes de ambos os sexos, o efeito das cren&#231;as sobre as diferen&#231;as entre os sexos na percep&#231;&#227;o e no julgamento de diferentes modelos de organiza&#231;&#227;o familiar, assim como dos c&#244;njuges que os adoptam. Os resultados revelam que, al&#233;m dum aparente consenso acerca dum ideal de organiza&#231;&#227;o familiar igualit&#225;ria, as cren&#231;as nas diferen&#231;as entre os sexos levam a considerar como mais ideal que os c&#244;njuges desempenhem os seus pap&#233;is tradicionais e como menos ideal que o homem assuma um papel igualit&#225;rio. Sendo ainda largamente difundidas, tanto entre as mulheres como entre os homens, as cren&#231;as nas diferen&#231;as entre os sexos poderiam contribuir para explicar as resist&#234;ncias &#224; mudan&#231;a nos pap&#233;is conjugais.<a href="#1"><sup>1</sup></a><a name="top1"></a></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave</b> Pap&#233;is conjugais, fam&#237;lia, diferen&#231;as entre sexos, g&#233;nero.</font></p>          <hr size="1" noshade>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">The access of women to the professional world did not significantly alter the traditional roles in the family. Women still perform most of the domestic work and have less power than men in decisions that are relevant to family life. Not withstanding these facts, several studies indicate that men and women appear to be satisfied with social practices in the family. In order to further understand the obstacles to change in family roles, 418 teachers of both sexes participated in a study which analysed the effects of beliefs about sex differences on the perception and judgements of different patterns of family organisation, as well as the actors adopting these patterns. Results show that, although men and women consider the equalitarian couple as an ideal one, beliefs about sex differences contribute to more positive judgements of the traditional division of roles and more negative judgements of the equalitarian male actor. According to these results, resistances toward change in family roles can be explained by the persistence of beliefs about sex differences that are largely shared by both men and women.</font></p>          <p>&nbsp;</p>     <hr size="1" noshade>           <p><font face="Verdana" size="2">O ingresso em massa das mulheres no mundo profissional foi acompanhado por uma liberaliza&#231;&#227;o das opini&#245;es sobre os pap&#233;is conjugais, mas n&#227;o produziu uma grande mudan&#231;a nas pr&#225;ticas familiares (Spence, Deaux &#38; Helmreich, 1985). Os estudos sobre a divis&#227;o do trabalho dom&#233;stico mostram, de forma consistente, que a participa&#231;&#227;o dos homens nas tarefas dom&#233;sticas continua a ser pouco significativa (Poeschl, no prelo; Vicente, 1998; Stohs, 1995; Costa, 1992; Baudelot &#38; Establet, 1992). Para al&#233;m disso, embora seja cada vez maior o n&#250;mero de mulheres que trabalham apesar de terem filhos pequenos, as m&#227;es continuam a ser consideradas como as principais respons&#225;veis pelas crian&#231;as e asseguram ainda mais de metade do trabalho parental (Wille, 1995).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">No que respeita ao poder familiar, alguns autores conclu&#237;ram que a actividade profissional da mulher se reflecte numa partilha mais igualit&#225;ria das tomadas de decis&#227;o (Blood &#38; Wolfe, 1960). Por&#233;m, a desigualdade entre marido e mulher parece continuar a existir, embora seja frequentemente ocultada pelos c&#244;njuges, que afirmam tomar as decis&#245;es em conjunto (Saraceno, 1992). Outros autores salientam tamb&#233;m que, para al&#233;m do n&#237;vel das decis&#245;es quotidianas, existe um outro n&#237;vel de poder, no qual a autoridade masculina permanece intoc&#225;vel (Kellerhals, Troutot &#38; Lazega, 1993).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Sem d&#250;vida, na maioria dos casos, as pr&#225;ticas familiares reflectem uma forte desigualdade entre homens e mulheres, que contradiz, de modo flagrante, a &#233;tica igualit&#225;ria cm que se baseia a sociedade ocidental. No entanto, os estudos que procuram descrever o efeito da organiza&#231;&#227;o familiar sobre os dois c&#244;njuges evidenciam, de forma surpreendente, que tanto os homens como as mulheres consideram a organiza&#231;&#227;o que adoptam como justa e equitativa e descrevem-na, muitas vezes, como satisfat&#243;ria, independentemente da forma como distribuem entre si o poder e o trabalho (Baxter &#38; Western, 1998; M&#252;ller, 1998; Roux, 1999).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">T&#234;m sido propostas v&#225;rias explica&#231;&#245;es na tentativa de compreender este paradoxo: A manuten&#231;&#227;o da autoridade masculina no casal poderia explicar-se n&#227;o s&#243; pelo facto de os homens terem mais poder na sociedade em geral, como tamb&#233;m pela exist&#234;ncia de expectativas generalizadas de que eles tenham mais poder (Felmlee, 1994). A satisfa&#231;&#227;o feminina com a divis&#224;o do trabalho dom&#233;stico poderia provir do facto de as mulheres serem obrigadas a ajustar as suas expectativas e exig&#234;ncias, por serem confrontadas com situa&#231;&#245;es de iniquidade, tanto no trabalho assalariado como no trabalho familiar (Baxter &#38; Western, 1998). Alguns autores conclu&#237;ram tamb&#233;m que homens e mulheres poderiam ter no&#231;&#245;es diferentes da justi&#231;a (Gilligan, 1982), ou, ainda, que desigualdade n&#227;o significa for&#231;osamente injusti&#231;a e que uma reparti&#231;&#227;o desigual das tarefas dom&#233;sticas poderia ser considerada como leg&#237;tima (Roux, 1999).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Aos pontos de vista que salientam as diferen&#231;as de natureza entre homens e mulheres, ou o impacto das cren&#231;as nestas diferen&#231;as, podem confrontar-se outras explica&#231;&#245;es baseadas na assimetria das posi&#231;&#245;es dos dois sexos na estrutura social e nas rela&#231;&#245;es de poder que os unem. Por exemplo, na perspectiva de Eagly (1987), as mulheres conformam-se aos comportamentos normativos, n&#227;o necessariamente por terem internalizado as cren&#231;as que os definem, mas sim sob o efeito da press&#224;o social, ou seja, devido ao poder que t&#234;m os grupos e os indiv&#237;duos que partilham essas cren&#231;as para influenciar o seu comportamento.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Num conjunto de estudos realizados em Portugal, procur&#225;mos examinar as raz&#245;es pelas quais existem tantas dificuldades para mudar as pr&#225;ticas familiares. Em primeiro lugar (Poeschl, no prelo), a import&#226;ncia de se conformar &#224;s pr&#225;ticas normativas foi evidenciada num estudo em que se p&#244;de observar que as pr&#225;ticas efectivamente adoptadas pelos c&#244;njuges s&#224;o melhor preditas pelas suas representa&#231;&#245;es das pr&#225;ticas dos outros do que pelas suas concep&#231;&#245;es dos pap&#233;is conjugais. Estes resultados levaram-nos, em seguida, a procurar identificar a natureza das cren&#231;as que sustentam, na actualidade, as pr&#225;ticas familiares normativas. Nesse estudo (Poeschl &#38; Ser&#244;dio, 1998), base&#225;mo-nos em trabalhos que mostram que o modo como os homens representam os pap&#233;is de g&#233;nero masculinos contribui para a forma&#231;&#227;o de diferentes pap&#233;is conjugais (Mintz &#38; Mahalik, 1996). IX* forma semelhante, procur&#225;mos examinar se a forma como os indiv&#237;duos representam a organiza&#231;&#227;o familiar t&#237;pica (que deveria constituir a norma de refer&#234;ncia para a orienta&#231;&#227;o das pr&#225;ticas) est&#225; associada a opini&#245;es diferentes sobre as caracter&#237;sticas e compet&#234;ncias dos dois sexos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A an&#225;lise das opini&#245;es de dois grupos de adultos casados, um com um modelo de organiza&#231;&#227;o familiar de tipo tradicional e outro com um modelo de tipo cooperativo, evidenciou dois resultados principais. Em primeiro lugar, diferentes modelos de organiza&#231;&#227;o familiar s&#227;o associados a apenas uma diferen&#231;a relativamente aos pap&#233;is de g&#233;nero. Os respondentes que representam o casal t&#237;pico como cooperativo concordam, mais do que os outros, que os homens devem possuir os tra&#231;os t&#237;picos do seu grupo sexual, a agenticidade, e valorizar o poder. Este resultado &#233; contr&#225;rio ao que se esperava, na medida em que sugere uma covaria&#231;&#227;o entre a agenticidade do c&#244;njuge masculino e o seu grau de participa&#231;&#227;o no trabalho familiar. Esta rela&#231;&#227;o contradiz a l&#243;gica que, desde Parsons (1955), justifica a separa&#231;&#227;o dos dois sexos entre esferas p&#250;blica e privada na base dos tra&#231;os, ag&#234;nticos ou comunais, que diferenciariam os homens das mulheres.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Em segundo lugar, existem diferen&#231;as entre os respondentes dos dois sexos em quase todas as dimens&#245;es dos pap&#233;is de g&#233;nero examinadas: Os respondentes masculinos acreditam, mais do que os femininos, que &#233; importante para os homens possu&#237;rem tra&#231;os tipicamente masculinos e, para as mulheres, possu&#237;rem tra&#231;os tipicamente femininos. Os respondentes masculinos est&#227;o tamb&#233;m mais de acordo que as mulheres devem assumir o seu papel tradicional na fam&#237;lia. As respondentes de sexo feminino declaram-se mais igualitaristas do que os respondentes de sexo masculino, mas mostram-se tamb&#233;m mais inclinadas a pensar que as mulheres possuem compet&#234;ncias particulares que tornam desej&#225;vel uma separa&#231;&#227;o dos pap&#233;is conjugais e dif&#237;cil uma intermutabilidade dos c&#244;njuges. O &#250;nico ponto em que os sexos n&#227;o se diferenciam diz respeito ao papel familiar tradicional masculino.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Evidenciou-se assim que os comportamentos familiares est&#227;o associados a cren&#231;as que, tanto as mulheres como os homens, partilham acerca das diferen&#231;as entre os sexos. Inferimos que estas cren&#231;as poderiam contribuir para manter as desigualdades nas pr&#225;ticas familiares, independentemente do seu conte&#250;do ser diferente para os dois sexos. Esta conclus&#227;o incitou-nos a realizar o presente estudo, no intuito de examinar, atrav&#233;s de uma metodologia diferente, se diferen&#231;as no grau de ades&#227;o global ao princ&#237;pio da igualdade de direitos e de compet&#234;ncias dos dois sexos produzem varia&#231;&#245;es na percep&#231;&#227;o e no julgamento de diversos modelos de organiza&#231;&#227;o familiar e dos c&#244;njuges que os adoptam.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Objectivos e hip&#243;teses</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Para conhecer como s&#227;o percepcionadas e avaliadas diferentes organiza&#231;&#245;es familiares assim como os c&#244;njuges que as adoptam, inspir&#225;mo-nos num procedimento utilizado por Smoreda (1996). Assim, constru&#237;mos cinco vers&#245;es dum mesmo question&#225;rio que apresentava dois c&#244;njuges (Cristina e Filipe) que distribuem entre si o trabalho e o poder familiar de forma diversificada, e pedimos a adultos casados que avaliassem os pap&#233;is desempenhados. Mais precisamente, Cristina e Filipe s&#227;o colocados, segundo as vers&#245;es, num dos cinco pap&#233;is seguintes: (a) activo (participa maioritariamente no trabalho e nas decis&#245;es familiares); (b) executante (participa maioritariamente no trabalho e minoritariamente nas decis&#245;es familiares); (c) dirigente (participa maioritariamente nas decis&#245;es e minoritariamente no trabalho familiar); (d) passivo (participa minoritariamente no trabalho e nas decis&#245;es familiares); (e) igualit&#225;rio (participa por metade no trabalho e nas decis&#245;es familiares).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Al&#233;m de analisar a percep&#231;&#227;o e o julgamento das organiza&#231;&#245;es familiares, procur&#225;mos esclarecer duas rela&#231;&#245;es do tri&#226;ngulo cl&#225;ssico papel-tra&#231;o-sexo. Em primeiro lugar, e na sequ&#234;ncia do resultado obtido no estudo acima descrito (Poeschl &#38; Ser&#244;dio, 1998), procur&#225;mos verificar a rela&#231;&#227;o entre tra&#231;os masculinos (agenticidade, necessidade de poder) e trabalho familiar. Em segundo lugar, considerando que v&#225;rios autores s&#227;o de opini&#227;o de que os tra&#231;os atribu&#237;dos aos c&#244;njuges dependem da sua posi&#231;&#227;o de poder no casal mais do que da sua perten&#231;a sexual (Gerber, 1988; Smoreda, 1995; 1996), procur&#225;mos examinar a rela&#231;&#227;o entre tra&#231;os masculinos e sexo do c&#244;njuge.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A percep&#231;&#227;o dos c&#244;njuges foi estudada atrav&#233;s da avalia&#231;&#227;o de v&#225;rios tra&#231;os de personalidade (agenticidade, comunalidade, necessidade de poder) e da participa&#231;&#227;o em outros tipos de decis&#245;es familiares, bem como atrav&#233;s das respostas afectivas que suscitam. Por outro lado, uma s&#233;rie de proposi&#231;&#245;es serviu para obter os julgamentos sobre a organiza&#231;&#227;o familiar apresentada, nomeadamente a sua idealidade e tipicidade, assim como para determinar o grau de ades&#227;o dos respondentes ao princ&#237;pio de igualdade de direitos e de compet&#234;ncias dos dois sexos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Ainda que as pr&#225;ticas familiares n&#227;o pare&#231;am ser influenciadas pelos grupos sociais a que pertencem os c&#244;njuges (M&#252;ller, 1998), procur&#225;mos interrogar uma popula&#231;&#227;o homog&#233;nea. A nossa escolha dirigiu-se para uma popula&#231;&#227;o de docentes do ensino secund&#225;rio dos dois sexos, todos casados e com filhos, visto que, no caso de existir uma influ&#234;ncia de classe, esta parece caracterizar-se por uma homogamia profissional e cultural que favorece a modifica&#231;&#227;o da reparti&#231;&#227;o tradicional dos pap&#233;is masculinos e femininos (Bidou, 1984, citado por Herla, 1987).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Tr&#234;s conjuntos de hip&#243;teses foram colocados:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Julgamentos sobre as organiza&#231;&#245;es familiares</i> Os c&#244;njuges colocados nos pap&#233;is tradicionais (marido dirigente e mulher executante) ser&#227;o julgados como mais t&#237;picos pelo conjunto dos respondentes (hip&#243;tese la). No entanto, diferen&#231;as no grau de ades&#227;o dos respondentes ao princ&#237;pio de igualdade de direitos e de compet&#234;ncias dos dois sexos levar&#227;o a diferen&#231;as na avalia&#231;&#227;o da organiza&#231;&#227;o familiar ideal. Os respondentes que menos acreditam na igualdade entre os sexos avaliar&#227;o mais favoravelmente os pap&#233;is conjugais tradicionais (hip&#243;tese lb).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Rela&#231;&#227;o entre tra&#231;os tipicamente masculinos e trabalho familiar</i> Segundo a concep&#231;&#227;o cl&#225;ssica que associa pap&#233;is sexuais diferenciados a tra&#231;os sexuais diferenciados, a import&#226;ncia atribu&#237;da aos tra&#231;os ag&#234;nticos e &#224; necessidade de poder nos homens devia ser positivamente correlacionada com a participa&#231;&#227;o induzida do marido nas tomadas de decis&#227;o e inversamente correlacionada com a sua participa&#231;&#227;o induzida no trabalho familiar. Por conseguinte um marido dirigente ser&#225; percepcionado como mais ag&#234;ntico e mais virado para o poder do que um marido activo, e um marido passivo ser&#225; percepcionado como mais ag&#234;ntico e mais virado para o poder do que um marido executante (hip&#243;tese 2a).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Alternativamente, e de acordo com os nossos resultados (Poeschl &#38; Ser&#244;dio, 1998), a import&#226;ncia atribu&#237;da aos tra&#231;os ag&#234;nticos e &#224; necessidade de poder nos homens devia estar positivamente correlacionada com a participa&#231;&#227;o induzida do marido no trabalho familiar. Assim, um marido activo ser&#225; percepcionado como mais ag&#234;ntico e mais virado para o poder do que um marido dirigente, e um marido executante ser&#225; percepcionado como mais ag&#234;ntico e mais virado para o poder do que um marido passivo (hip&#243;tese 2b).</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><i>Rela&#231;&#227;o entre papel desempenhado e tra&#231;os de personalidade</i> A rela&#231;&#227;o, classicamente estabelecida, quer entre tra&#231;os ag&#234;nticos e sexo masculino, quer entre tra&#231;os comunais e sexo feminino, tem sido questionada por v&#225;rios autores que mostram que as caracter&#237;sticas atribu&#237;das aos dois grupos sexuais s&#227;o melhor preditas pela sua posi&#231;&#227;o de poder na rela&#231;&#227;o do que pela sua perten&#231;a sexual (Gerber, 1988; Smoreda, 1995; 1996). Por conseguinte, independentemente do sexo de perten&#231;a, um c&#244;njuge activo ou dirigente ser&#225; percepcionado como mais ag&#234;ntico e mais virado para o poder do que um c&#244;njuge passivo ou executante, enquanto que a atribui&#231;&#227;o dos tra&#231;os comunais seguir&#225; a rela&#231;&#227;o inversa (hip&#243;tese 3a).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Por outro lado, a atribui&#231;&#227;o dos tra&#231;os de personalidade &#233; baseada na perten&#231;a sexual dos c&#244;njuges e, para cada tipo de papel desempenhado, a mulher ser&#225; percepcionada como mais comunal do que o marido, e o marido como mais ag&#234;ntico e com mais necessidade de poder do que a mulher (hip&#243;tese 3b).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>M&#233;todo</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Sujeitos</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A nossa amostra &#233; constitu&#237;da por 418 adultos casados, 204 mulheres e 214 homens do Norte de Portugal. S&#227;o docentes do n&#237;vel b&#225;sico (segundo e terceiro ciclos), t&#234;m entre 24 e 70 anos, com idade m&#233;dia de 41 anos. Os respondentes t&#234;m entre um e nove filhos (dois, em m&#233;dia). S&#227;o numa forte maioria cat&#243;licos (90%), sendo 50% praticantes, e representam as diversas tend&#234;ncias pol&#237;ticas.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Question&#225;rio</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Conforme o procedimento de Smoreda (1996), a primeira p&#225;gina do question&#225;rio apresentava o estudo como uma investiga&#231;&#227;o sobre a percep&#231;&#227;o de desconhecidos e recolhia os dados sociogr&#225;ficos. A segunda p&#225;gina era destinada &#224; indu&#231;&#227;o experimental. Continha um texto introdut&#243;rio que explicava que, no quadro duma investiga&#231;&#227;o no dom&#237;nio da organiza&#231;&#227;o familiar, v&#225;rias pessoas nos tinham indicado o seu grau de participa&#231;&#227;o em diferentes tarefas e tomadas de decis&#245;es familiares. Ia-se apresentar as respostas de duas pessoas, designadas por Cristina e Filipe, descritas como casadas, trabalhando na mesma ag&#234;ncia banc&#225;ria e tendo tr&#234;s crian&#231;as, uma de dez meses, uma de quatro e uma de oito anos. Os respondentes eram convidados a ler cuidadosamente a descri&#231;&#227;o da organiza&#231;&#227;o familiar adoptada pelo casal e a imaginar Cristina (ou Filipe) com base nas respostas que tinham sido fornecidas.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Manipula&#231;&#227;o experimental</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">As respostas atribu&#237;das a Cristina e a Filipe eram registadas lado a lado num quadro que inclu&#237;a cinco tarefas dom&#233;sticas, cinco actividades parentais e cinco situa&#231;&#245;es de tomada de decis&#227;o. Os itens tinham sido seleccionados dentro das respostas que, no estudo de Poeschl e Ser&#244;dio (1998), discriminavam mais fortemente a participa&#231;&#227;o percepcionada dos dois c&#244;njuges nas actividades familiares. Os graus de participa&#231;&#227;o indicados tinham sido escolhidos dentro das estima&#231;&#245;es mais extremas, de maneira a criar a impress&#227;o de um forte ou, pelo contr&#225;rio, fraco investimento nas actividades apresentadas. A indu&#231;&#227;o experimental consistia em fazer variar os graus de participa&#231;&#227;o de Cristina e de Filipe no trabalho familiar e nas tomadas de decis&#227;o, de forma a colocar o c&#244;njuge-est&#237;mulo num dos quatro pap&#233;is conjugais em teste (activo, dirigente, passivo, executante). No que respeita ao papel igualit&#225;rio, todas as percentagens tinham sido fixadas em 50%.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Vari&#225;veis dependentes</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Em seguida, apresentavam-se, sempre na mesma sequ&#234;ncia, as quatro partes do question&#225;rio. Na primeira parte, os respondentes eram convidados a exprimir a sua opini&#227;o, numa escala de sete pontos, sobre a probabilidade de o c&#244;njuge-est&#237;mulo possuir os vinte tra&#231;os de personalidade escolhidos. Dentro destes, cinco tra&#231;os ag&#234;nticos e cinco tra&#231;os comunais tinham sido retomados dum estudo realizado por Poeschl (1996), enquanto os dez itens relativos &#224; necessidade de poder provinham duma escala de O&#39;Neil, Helms, Gable, David e Wrightsman (1986), j&#225; utilizada por Poeschl e Ser&#244;dio (1998). Na segunda parte, os respondentes deviam avaliar, em percentagem, a participa&#231;&#227;o prov&#225;vel do c&#244;njuge-est&#237;mulo em nove decis&#245;es: tr&#234;s decis&#245;es diziam respeito aos filhos e provinham do estudo de Poeschl e Ser&#244;dio (<i>op. cit).</i> Dentro das seis outras decis&#245;es familiares, tr&#234;s eram de car&#225;cter individual e tr&#234;s requeriam o acordo m&#250;tuo do casal, segundo as disposi&#231;&#245;es relativas ao direito da fam&#237;lia do C&#243;digo Civil Portugu&#234;s.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Na terceira parte, pedia-se aos respondentes que exprimissem, numa escala de sete pontos, a intensidade das emo&#231;&#245;es provocadas pelo c&#244;njuge-est&#237;mulo. Dez emo&#231;&#245;es tinham sido seleccionadas dentro dos itens da escala de Izard (Isen, 1987), que deviam representar, segundo os resultados obtidos num pr&#233;-teste, respostas afectivas de natureza negativa, depressiva, positiva ou, ainda, de surpresa (Silva, 1999). Por fim, na quarta parte, os respondentes eram convidados a indicar o seu grau de acordo, numa escala de sete pontos, com dezoito proposi&#231;&#245;es: doze diziam respeito ao car&#225;cter ideal ou t&#237;pico da organiza&#231;&#227;o familiar descrita, &#224; sua justi&#231;a, assim como &#224; estabilidade e satisfa&#231;&#227;o do casal, e seis mediam o grau de ades&#227;o dos respondentes ao princ&#237;pio de igualdade de direitos e de compet&#234;ncias dos dois sexos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Procedimento</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Depois de terem aceite participar no estudo, os respondentes preencheram individualmente o question&#225;rio. A cada respondente coube a tarefa de descrever apenas um dos dois c&#244;njuges.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Resultados e discuss&#227;o</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Come&#231;amos por efectuar uma an&#225;lise factorial em componentes principais sobre as respostas fornecidas &#225; quarta parte do question&#225;rio, para evidenciar uma eventual organiza&#231;&#227;o das opini&#245;es sobre a tipicidade e a idealidade das organiza&#231;&#245;es familiares apresentadas e sobre a igualdade de direitos e de compet&#234;ncias dos dois sexos. A an&#225;lise extraiu quatro factores principais, com valor pr&#243;prio superior a 1, que explicam, em conjunto, 63,4% da vari&#226;ncia total. A composi&#231;&#227;o dos factores, ap&#243;s rota&#231;&#227;o varimax, &#233; apresentada no <a href="/img/revistas/psi/v15n1/15n1a05q1.jpg">quadro 1</a>.</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">O primeiro factor refere a organiza&#231;&#227;o familiar ideal, caracterizada pela harmonia, a justi&#231;a, a satisfa&#231;&#227;o, a estabilidade e a aus&#234;ncia de conflitos; o segundo factor diz respeito &#224; igualdade de direitos entre os c&#244;njuges; o terceiro evoca a organiza&#231;&#227;o familiar t&#237;pica; o &#250;ltimo factor aponta para a exist&#234;ncia de diferen&#231;as de compet&#234;ncias entre homens e mulheres. Dado que os factores apresentam uma consist&#234;ncia interna satisfat&#243;ria, como se pode observar pelos valores do alfa de Cronbach (cf. <a href="/img/revistas/psi/v15n1/15n1a05q1.jpg">quadro 1</a>), constru&#237;mos quatro escalas, calculando, para cada uma, a m&#233;dia dos itens agrupados.</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">Em seguida, procur&#225;mos constituir dois grupos de indiv&#237;duos que apresentam diferen&#231;as relativamente &#224;s suas opini&#245;es sobre a igualdade de direitos e de compet&#234;ncias dos dois sexos. Para isso, aplic&#225;mos uma an&#225;lise de classifica&#231;&#227;o r&#225;pida <i>{quick cluster)</i> &#224;s escalas de igualdade de direitos e de diferen&#231;as de compet&#234;ncias, constru&#237;das a partir da solu&#231;&#227;o factorial. Os dois grupos assim constitu&#237;dos manifestam um grau de acordo elevado, apesar de significativamente diferente, com o princ&#237;pio da igualdade de direitos entre os c&#244;njuges (6,29 <i>vs.</i>5,78, t(416)=5,70, p&#60;0,001). Pelo contr&#225;rio, eles distinguem-se fortemente no que diz respeito &#224;s diferen&#231;as de compet&#234;ncias entre homens e mulheres (2,19 i&#187;s. 5,13, t(416)=32,85, p&#60;0,001). Por isso, design&#225;mos de igualitaristas os membros do primeiro grupo e de tradicionalistas os membros do segundo. Os dois grupos distribuem-se de forma aleat&#243;ria atrav&#233;s das condi&#231;&#245;es experimentais (igualitaristas: x<sup>2</sup>(4)=2,12<sub>/</sub> ns; tradicionalistas: x<sup>2</sup>(4)=2,90, ns). A sua composi&#231;&#227;o n&#227;o est&#225; associada a nenhuma das vari&#225;veis sociom&#233;tricas recolhidas, com a excep&#231;&#227;o do sexo de perten&#231;a dos respondentes, que apresenta uma rela&#231;&#227;o moderada mas significativa com as cren&#231;as evidenciadas <i>(phi=</i>0,18, p&#60;0,001). Assim, o primeiro grupo &#233; composto por 163 pessoas, 65 homens (40%) e 98 mulheres (60%), e o segundo &#233; constitu&#237;do por 255 pessoas, 149 homens (58%) e 106 mulheres (42%).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Julgamentos sobre os pap&#233;is</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Para examinarmos a influ&#234;ncia das cren&#231;as sobre as diferen&#231;as (ou semelhan&#231;as) entre os sexos nos julgamentos acerca da organiza&#231;&#227;o familiar, calcul&#225;mos os graus m&#233;dios de tipicidade e de idealidade dos cinco pap&#233;is conjugais desempenhados por Cristina e Filipe. Estas m&#233;dias s&#227;o apresentadas no <a href="/img/revistas/psi/v15n1/15n1a05q2.jpg">quadro 2</a>, juntamente com os resultados da an&#225;lise da vari&#226;ncia que testa os efeitos do Papel desempenhado (activo <i>vs.</i> executante <i>vs.</i> dirigente <i>vs.</i> passivo <i>vs.</i> igualit&#225;rio), do C&#244;njuge descrito (Cristina <i>vs.</i> Filipe) e das Cren&#231;as dos respondentes (igualitarismo <i>vs. </i>tradicionalismo).</font></p>          
]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Em primeiro lugar, pode-se notar que os dois grupos de respondentes n&#227;o se diferenciam na forma como avaliam a tipicidade das organiza&#231;&#245;es familiares descritas. O efeito significativo de Papel indica que as organiza&#231;&#245;es familiares mais t&#237;picas s&#227;o aquelas em que os c&#244;njuges s&#227;o quer dirigentes, quer executantes (3,57 e 3,53, respectivamente). Estas duas situa&#231;&#245;es distinguem-se dos modelos em que os c&#244;njuges s&#227;o passivos (2,98), enquanto que as organiza&#231;&#245;es em que os c&#244;njuges s&#227;o activos ou igualit&#225;rios s&#227;o consideradas como menos t&#237;picas (respectivamente 2,69 e 2,36; p&#60;0,05, <i>multiple range</i> t de Student).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A interac&#231;&#227;o significativa entre Papel e C&#244;njuge indica que esta ordena&#231;&#227;o global varia em fun&#231;&#227;o do sexo do c&#244;njuge: Cristina &#233; julgada mais t&#237;pica quando desempenha o papel de executante do que quando &#233; activa, e &#233; considerada como menos t&#237;pica quando &#233; colocada nos pap&#233;is igualit&#225;rio, passivo ou dirigente. Pelo contr&#225;rio, Filipe &#233; julgado como mais t&#237;pico quando desempenha o papel de dirigente do que quando &#233; passivo, e &#233; considerado como menos t&#237;pico quando &#233; descrito nos pap&#233;is igualit&#225;rio, activo ou executante. As diferen&#231;as entre c&#244;njuges s&#227;o significativas em todas as condi&#231;&#245;es. Como se pode observar no <a href="/img/revistas/psi/v15n1/15n1a05q2.jpg">quadro 2</a>, Cristina &#233; mais t&#237;pica do que Filipe nos pap&#233;is executante (t (83)=14,45, p&#60;0,001), activo (t(77,07)=4,69, p&#60;0,001), e at&#233; igualit&#225;rio (t(79)=2,19, p=0,031), enquanto que Filipe &#233; mais t&#237;pico do que Cristina nos pap&#233;is passivo (t (81)=3,22, p=0,002) e dirigente (t(79)=10,65, p&#60;0,001).</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">Em segundo lugar, o efeito significativo de Papel nos julgamentos de idealidade indica que a organiza&#231;&#227;o familiar considerada como mais ideal &#233; aquela em que os c&#244;njuges participam de forma igualit&#225;ria nas tarefas familiares (4,69). Este modelo diferencia-se significativamente dos modelos em que os c&#244;njuges s&#227;o executantes ou activos (3,47 e 3,24, respectivamente). Por fim, as organiza&#231;&#245;es familiares consideradas como menos ideais s&#227;o aquelas em que os c&#244;njuges s&#227;o passivos ou dirigentes (3,00 e 2,75, respectivamente; p&#60;0,05, <i>multiple range</i> t de Student). Pode notar-se que esta ordena&#231;&#227;o segue o grau induzido de participa&#231;&#227;o no trabalho familiar preferencialmente ao grau induzido de participa&#231;&#227;o nas tomadas de decis&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O efeito significativo de C&#244;njuge revela que os respondentes que descrevem o c&#244;njuge masculino julgam as organiza&#231;&#245;es propostas como mais ideais do que os respondentes que descrevem o c&#244;njuge feminino (Filipe: 3,53; Cristina: 3,32). A interac&#231;&#227;o significativa entre Papel e Cren&#231;a indica que os tradicionalistas consideram o papel de dirigente como mais ideal do que os igualitaristas (tradicionalistas: 3,03; igualitaristas: 2,46; t (79)=2,91, p=0,005), enquanto que estes &#250;ltimos consideram o papel igualit&#225;rio mais ideal do que os tradicionalistas (igualitaristas: 5,32; tradicionalistas: 4,42; t(79)=3,13; p=0,002). Por&#233;m, a interac&#231;&#227;o significativa entre Papel, C&#244;njuge e Cren&#231;a mostra que os igualitaristas n&#227;o diferenciam as suas respostas em fun&#231;&#227;o do sexo do c&#244;njuge descrito, enquanto que a perten&#231;a sexual do c&#244;njuge influencia o julgamento de idealidade dos tradicionalistas. Para estes respondentes, &#233; mais ideal que Cristina esteja no papel executante do que Filipe (Cristina: 4,00; Filipe: 3,38; t(45)=2,22, p=0,031), e &#233; mais ideal que Filipe esteja no papel passivo do que Cristina (Cristina: 2,66; Filipe: 3,53; t(55)=3,80, p&#60;0,001).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">As diferen&#231;as no julgamento de idealidade dos modelos familiares em fun&#231;&#227;o das cren&#231;as sugerem ainda que os tradicionalistas julgam mais ideal do que os igualitaristas que Cristina desempenhe o seu papel tradicional de executante (tradicionalistas: 4,00; igualitaristas: 3,07; t(39)=3,43, p=0,001), ou que ela assuma um papel activo (tradicionalistas: 3,44; igualitaristas: 2,67; t(43)=2,79, p=0,008). Na medida em que eles consideram tamb&#233;m menos ideal que Filipe esteja no papel igualit&#225;rio (tradicionalistas: 4,38; igualitaristas: 5,69; t(38)=2,80, p=0,008), pode-se concluir que os tradicionalistas acham mais favor&#225;vel do que os igualitaristas que Cristina assuma maioritariamente o trabalho familiar. Para al&#233;m disso, os tradicionalistas consideram tamb&#233;m como mais ideal do que os igualitaristas que Filipe desempenhe o seu papel tradicional de dirigente (tradicionalistas: 3,14; igualitaristas: 2,45; t(38)=2,59, p=0,013).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Uma compara&#231;&#227;o da rela&#231;&#227;o entre pap&#233;is t&#237;picos e ideais em fun&#231;&#227;o do c&#244;njuge descrito e das cren&#231;as dos respondentes mostra que, para os igualitaristas, os pap&#233;is masculinos mant&#233;m uma correla&#231;&#227;o inversa (r=-0,26, p=0,015), enquanto que n&#227;o h&#225; rela&#231;&#227;o entre a tipicidade e a idealidade dos pap&#233;is femininos (r=0,21, ns). Para os tradicionalistas, n&#227;o h&#225; rela&#231;&#227;o entre os dois tipos de pap&#233;is masculinos (r=0,14, ns), enquanto que existe uma rela&#231;&#227;o positiva e forte entre os pap&#233;is femininos ideal e t&#237;pico (r=0,43, p&#60;0,001).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Em suma, de acordo com a nossa hip&#243;tese la, os c&#244;njuges colocados nos pap&#233;is tradicionais (marido dirigente e mulher executante) s&#227;o julgados como sendo os mais t&#237;picos pelo conjunto de respondentes. Pelo contr&#225;rio, os dois grupos de respondentes diferem nos seus julgamentos sobre a organiza&#231;&#227;o familiar ideal. Em apoio da nossa hip&#243;tese lb, s&#227;o os respondentes que menos acreditam na igualdade entre os sexos aqueles que avaliam mais favoravelmente os pap&#233;is conjugais tradicionais. Estes pap&#233;is parecem ser considerados como desej&#225;veis, n&#227;o s&#243; por homens mas tamb&#233;m por uma grande propor&#231;&#227;o de mulheres, visto que cerca de metade das mulheres interrogadas se encontram no grupo de pessoas &#34;tradicionais&#34;. Este resultado sugere que as cren&#231;as nas diferen&#231;as de compet&#234;ncias entre homens e mulheres t&#233;m um papel importante na manuten&#231;&#227;o dos pap&#233;is tradicionais.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A an&#225;lise da percep&#231;&#227;o dos tra&#231;os dos c&#244;njuges, da forma como eles distribuem o poder e das respostas afectivas que despertam devia fornecer algumas explica&#231;&#245;es para perceber os julgamentos de tipicidade, c sobretudo de idealidade, emitidos pelos dois grupos de respondentes.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Percep&#231;&#227;o dos c&#244;njuges</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A an&#225;lise factorial em componentes principais, efectuada sobre as avalia&#231;&#245;es dos tra&#231;os de personalidade dos c&#244;njuges, extraiu tr&#234;s factores com valor pr&#243;prio superior a 1, que explicam, no conjunto, 61,3% da vari&#226;ncia total. Pode observar-se, no <a href="/img/revistas/psi/v15n1/15n1a05q3.jpg">quadro 3</a>, que os itens foram agrupados segundo as tr&#234;s dimens&#245;es previstas: o primeiro factor refere a necessidade de poder, sucesso e competi&#231;&#227;o, o segundo evoca os tra&#231;os comunais, e o terceiro os tra&#231;os ag&#234;nticos.</font></p>          
]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Apresentamos, no <a href="/img/revistas/psi/v15n1/15n1a05q4.jpg">quadro 4</a>, a probabilidade m&#233;dia de os c&#244;njuges apresentarem as tr&#234;s dimens&#245;es de personalidade, em fun&#231;&#227;o do Papel que desempenham. Indicamos, em simult&#226;neo, os resultados da an&#225;lise da vari&#226;ncia que testa os efeitos do Papel desempenhado (activo i&#62;s. executante us. dirigente <i>vs.</i> passivo <i>v$.</i> igualit&#225;rio), do C&#244;njuge descrito (Cristina &#252;s. Filipe) e das Cren&#231;as dos respondentes (igualitarismo <i>vs.</i> tradicionalismo).</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">Os efeitos significativos de Papel sugerem que as descri&#231;&#245;es dos c&#244;njuges variam em fun&#231;&#227;o do papel que desempenham na organiza&#231;&#227;o familiar. No que diz respeito &#224; necessidade de poder, a m&#233;dia mais elevada &#233; recolhida pelos c&#244;njuges colocados no papel de dirigentes (5,02). Ela difere significativamente da m&#233;dia obtida pelos c&#244;njuges activos (4,61), considerados como significativamente mais autorit&#225;rios do que os c&#244;njuges igualit&#225;rios (4,23) ou passivos (4,15), enquanto que os c&#244;njuges executantes s&#227;o os que parecem dar menos valor ao poder (3,54; p&#60;0,05 <i>multiple range</i>t de Student). Por outras palavras, a valoriza&#231;&#227;o do poder parece co-variar com o grau de participa&#231;&#227;o induzido dos c&#244;njuges nas tomadas de decis&#227;o. Essa valoriza&#231;&#227;o parece tanto mais forte quanto a participa&#231;&#227;o nas tomadas de decis&#227;o se faz acompanhar por uma fraca participa&#231;&#227;o no trabalho familiar.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">No que respeita aos tra&#231;os ag&#234;nticos, existem diferen&#231;as significativas (p&#60;0,05 <i>multiple range</i> t de Student) entre os c&#244;njuges acti vos (534) e os c&#244;njuges dirigentes (432) e igualit&#225;rios (4,76). Os c&#244;njuges colocados nestes tr&#234;s pap&#233;is diferenciam-se dos c&#244;njuges executantes (4,24), considerados, por sua vez, como mais ag&#233;nticos do que os c&#244;njuges passivos (3,45). Esta hierarquiza&#231;&#227;o co-varia igualmente com a participa&#231;&#227;o induzida dos c&#244;njuges nas tomadas de decis&#227;o, mas, ao contr&#225;rio da necessidade de poder, a agenticidade &#233; refor&#231;ada por uma maior participa&#231;&#227;o no trabalho familiar.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Por fim, os c&#244;njuges executantes s&#227;o percepcionados como os mais comunais (5,70), precedendo, por ordem, os c&#244;njuges igualit&#225;rios (5,19), os c&#244;njuges activos (4,64), os c&#244;njuges passivos (4,14), enquanto que os c&#244;njuges dirigentes s&#227;o considerados como os menos comunais (3,43; todas as m&#233;dias s&#224;o significativamente diferentes ao n&#237;vel de p&#60;0,05 <i>mui tiple range</i> t de Student). Neste caso, a percep&#231;&#227;o da comunalidad e &#233; tanto mais forte quanto a participa&#231;&#227;o no trabalho familiar &#233; elevada, e os c&#244;njuges s&#227;o julgados como tanto mais comunais quanto menos interv&#234;m nas tomadas de decis&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Com todas as condi&#231;&#245;es reunidas, os dois c&#244;njuges diferem na sua probabilidade de possuir os tr&#234;s tipos de tra&#231;os. Assim, Cristina &#233; percepcionada como sendo, simultaneamente, mais inclinada para o poder (4,53 <i>vs.</i> 4,09) e mais ag&#232;ntica (4,84 <i>vs.</i> 4,30) do que Filipe, enquanto que Filipe &#233; considerado como mais comunal do que Cristina (4,82 <i>vs.</i> 4,44). No entanto, as interac&#231;&#245;es significativas entre Papel e C&#244;njuge revelam que Cristina &#233;, de facto, percepcionada como mais ag&#232;ntica do que Filipe apenas nas tr&#234;s condi&#231;&#245;es que implicam uma participa&#231;&#227;o maiorit&#225;ria dos c&#244;njuges nas actividades familiares (poder ou trabalho), ou seja, quando ela desempenha os pap&#233;is activo (Cristina: 5,81; Filipe: 5,25; t(74,88)=3,02, p=0,003), executante (Cristina: 4,83; Filipe: 3,69; t(83)=5,29, pcO.OOl) ou dirigente (Cristina: 531; Filipe: 431; t(79)=439, p&#60;0,001). Por outro lado, Filipe &#233; considerado como mais comunal do que Cristina, quando n&#227;o ultrapassa o desempenho de Cristina nem no poder, nem no trabalho, ou seja, quando assume os pap&#233;is igualit&#225;rio (Filipe: 5,72; Cristina: 4,68; t(79)=5,95, p&#60;0,001) ou passivo (Filipe: 4,52; Cristina: 3,79; t(81)=2,97, p=0,004).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Por fim, as interac&#231;&#242;es significativas entre Papel, C&#244;njuge e Cren&#231;a indicam diverg&#234;ncias entre os dois grupos de respondentes no que diz respeito ao papel de dirigente. Com efeito, os tradicionalistas n&#227;o percepcionam Filipe e Cristina de forma diferente quando desempenham este papel (agenticidade: Cristina: 5,13; Filipe 4,61; t(40)=1,7, ns; comunal idade: Cristina: 3,21; Filipe: 3,92; t(40)=1,1, ns), mas os igualitaristas consideram Filipe como menos ag&#233;ntico e menos comunal do que Cristina (agenticidade: Cristina: 5,56; Filipe: 4,07; t(37)~ 4,56, p&#60;0,001; comunalidade: Cristina: 3,80; Filipe: 3,00; t(37) 2,11, p=0,042). Na medida em que julgam Filipe como significativamente menos comunal do que os tradicionalistas (t(38)=2,65, p=0,012), pode concluir-se que os igualitaristas percepcionam de forma particularmente desfavor&#225;vel o c&#244;njuge masculino que desempenha o seu papel tradicional.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Em resumo, a nossa hip&#243;tese 2a &#233; parcialmente verificada. Com efeito, segundo a concep&#231;&#227;o cl&#225;ssica que associa pap&#233;is sexuais diferenciados a tra&#231;os sexuais diferenciados, a participa&#231;&#227;o induzida do marido nas tomadas de decis&#227;o est&#225; correlacionada com a necessidade de poder dos homens, e esta correla&#231;&#227;o &#233; tanto maior quanto mais fraca &#233; a participa&#231;&#227;o do marido no trabalho familiar. Assim, um marido dirigente &#233; percepcionado como mais virado para o poder do que um marido activo, e um marido passivo &#233; percepcionado como mais virado para o poder do que um marido executante. No entanto, n&#227;o &#233; esta l&#243;gica que se aplica &#224; atribui&#231;&#227;o dos tra&#231;os ag&#234;nticos. Em conformidade com a hip&#243;tese 2b, e mais de acordo com os nossos resultados (Poeschl &#38; Ser&#244;dio, 1998), a agenticidade segue a participa&#231;&#227;o induzida nas tomadas de decis&#227;o, mas &#233; refor&#231;ada pela participa&#231;&#227;o masculina no trabalho familiar. Por conseguinte, um marido activo &#233; percepcionado como mais ag&#233;ntico do que um marido dirigente, e um marido executante &#233; percepcionado como mais ag&#233;ntico do que um marido passivo.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Estes resultados sobressaem tamb&#233;m na descri&#231;&#227;o da mulher. Com efeito, e de acordo com a nossa hip&#243;tese 3a, os tra&#231;os de personalidade dos c&#244;njuges parecem depender mais da sua posi&#231;&#227;o de poder no casal do que da sua perten&#231;a sexual. Se existirem diferen&#231;as entre os c&#244;njuges que desempenham o mesmo papel, estas v&#227;o no sentido oposto &#225; atribui&#231;&#227;o dos tra&#231;os com base na perten&#231;a sexual, como predito na hip&#243;tese 3b: Cristina &#233; julgada como mais ag&#234;ntica do que Filipe quando participa maioritariamente nas actividades familiares, e &#233; julgada como menos comunal do que Filipe no caso contr&#225;rio.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Verifica-se, finalmente, uma correla&#231;&#227;o global positiva e significativa entre os tra&#231;os ag&#234;nticos e a necessidade de poder (r(418)=0,47, p&#60;0,001), assim como, embora menos forte, entre os tra&#231;os ag&#234;nticos e os tra&#231;os comunais (r (418)=0,13, p=0,008), mesmo se a rela&#231;&#227;o entre a necessidade de poder e os tra&#231;os comunais &#233; negativa (r=-0,35, p&#60;0,001). Estas rela&#231;&#245;es indicam que, para que os c&#244;njuges sejam percepcionados como ag&#234;nticos, &#233; necess&#225;rio que as tomadas de decis&#227;o se acompanhem de uma participa&#231;&#227;o no trabalho familiar.</font></p>           <p><font face="Verdana" size="2"><i>Percep&#231;&#227;o da participa&#231;&#227;o nas decis&#245;es familiares</i></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Na an&#225;lise factorial da participa&#231;&#227;o nas nove decis&#245;es familiares, todos os itens foram reunidos num &#250;nico factor. com valor pr&#243;prio superior a 5, que explica 66,5% da vari&#226;ncia total. Esta organiza&#231;&#227;o sugere que a participa&#231;&#227;o induzida dos c&#244;njuges nas tomadas de decis&#227;o se estende ao conjunto de decis&#245;es, independentemente do dom&#237;nio a que dizem respeito. Sendo a consist&#234;ncia interna do factor elevada (a=0,94), calcul&#225;mos a m&#233;dia dos nove indicadores numa &#250;nica escala de tomadas de decis&#227;o. As avalia&#231;&#245;es da participa&#231;&#227;o m&#233;dia dos dois c&#244;njuges nas decis&#245;es familiares, em fun&#231;&#227;o dos pap&#233;is desempenhados, s&#227;o descritas no <a href="/img/revistas/psi/v15n1/15n1a05q5.jpg">quadro 5</a>, juntamente com os resultados da an&#225;lise da vari&#226;ncia aplicada a estas m&#233;dias segundo o plano experimental adoptado.</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">O efeito significativo de Papel indica que os respondentes preveem que os c&#244;njuges colocados nos pap&#233;is de dirigente ou activo tem uma maior participa&#231;&#227;o em todas as tomadas de decis&#227;o (respectivamente 7034% e 68,73%) do que os c&#244;njuges que partilham igualitariamente as tarefas familiares (55,90%), e que estes tr&#234;s tipos de c&#244;njuges interv&#234;m mais nas decis&#245;es do que os c&#244;njuges que desempenham os pap&#233;is executante ou passivo (respectivamente 42,20% e 41,26%; p&#60;0,05 <i>muUiple range</i> t de Student). O efeito significativo de C&#244;njuge indica que, globalmente, os respondentes consideram que Cristina participa mais do que Filipe no conjunto de decis&#245;es familiares (58,46% <i>vs.</i> 52,90%).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A interac&#231;&#227;o significativa entre Papel e Cren&#231;a revela tamb&#233;m que diferentes cren&#231;as acerca das diferen&#231;as (ou semelhan&#231;as) entre sexos s&#227;o associadas a uma percep&#231;&#227;o diferente do c&#244;njuge colocado no papel de dirigente. Os igualitaristas consideram este c&#244;njuge como mais inclinado a impor o seu modo de pensar no conjunto de decis&#245;es familiares do que o julgam os tradicionalistas (igualitaristas: 74,86; tradicionalistas: 66,15, t(79)=2,95, p=0,004). Pode-se deduzir que o facto de os igualitaristas considerarem o c&#244;njuge dirigente como particularmente autorit&#225;rio est&#225; relacionado com a sua percep&#231;&#227;o desfavor&#225;vel do c&#244;njuge masculino colocado no seu papel tradicional.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Confirma-se, ainda, a rela&#231;&#227;o entre os tra&#231;os de personalidade atribu&#237;dos aos c&#244;njuges e a sua participa&#231;&#227;o prevista nas decis&#245;es familiares: essa participa&#231;&#227;o est&#225; positivamente correlacionada quer com a necessidade de poder (r (418)=0,51, p&#60;0,001), quer com os tra&#231;os ag&#244;nticos (r(418)=0,54, p&#60;0,001), enquanto que est&#225; negativamente correlacionada com os tra&#231;os comunais (r(418)=-0,32, p&#60;0,001).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Respostas afectivas</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A an&#225;lise factorial aplicada &#224;s respostas afectivas suscitadas pelos c&#244;njuges evidenciou tr&#234;s factores principais, com valor pr&#243;prio superior a 1, que explicam, no conjunto, 70,4% da vari&#226;ncia total. Como se pode ver no <a href="/img/revistas/psi/v15n1/15n1a05q6.jpg">quadro 6</a>, o primeiro factor agrupa os sentimentos negativos, o segundo as manifesta&#231;&#245;es de surpresa, e o terceiro re&#250;ne os sentimentos positivos.</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">Apresentamos, no <a href="/img/revistas/psi/v15n1/15n1a05q7.jpg">quadro 7</a>, a intensidade m&#233;dia dos sentimentos despertados pelos C&#244;njuges em fun&#231;&#227;o do Papel que desempenham. Indicamos, simultaneamente, os resultados da an&#225;lise da vari&#226;ncia que cruza o Papel desempenhado (activo <i>vs.</i> executante rs. dirigente <i>vs.</i> passivo rs. igualit&#225;rio), o C&#244;njuge descrito (Cristina <i>vs.</i> Filipe) e as Cren&#231;as dos respondentes (igualitarismo <i>vs.</i> tradicionalismo).</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">Os efeitos significativos de Papel sugerem que os c&#244;njuges nos pap&#233;is activo (4,20), igualit&#225;rio (3,88) e executante (3,76) suscitam mais surpresa do que os c&#244;njuges dirigentes ou passivos (respectivamente 3,47 e 3,40), embora seja significativa apenas a diferen&#231;a entre estas duas &#250;ltimas m&#233;dias e a recolhida pelos c&#244;njuges no papel activo (p&#60;0,05, <i>multiple range</i> t de Student). No entanto, pode-se notar da interac&#231;&#227;o significativa entre Papel e C&#244;njuge que os respondentes se mostram mais surpreendidos quando &#233; Cristina do que quando &#233; Filipe que desempenha o papel de dirigente (Cristina: 4,18; Filipe: 2,75; t(79)=4,51, p&#60;0,001). Os respondentes tendem tamb&#233;m a manifestar mais surpresa quando &#233; Filipe do que quando &#233; Cristina que &#233; colocado no papel de executante (Cristina: 3,46; Filipe: 4,05; t(83)=1,8; p=0,051). Como se podia esperar, a intensidade da surpresa est&#225; negativamente correlacionada com o grau de tipicidade dos pap&#233;is conjugais (r(418)=-0,29, p&#60;0,001). Por fim, o efeito significativo de Cren&#231;a sugere que os igualitaristas (3,91) se declaram mais surpreendidos do que os tradicionalistas (3,65) pelo conjunto de modelos de organiza&#231;&#227;o familiar propostos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Para al&#233;m disso, os c&#244;njuges igualit&#225;rios s&#227;o aqueles que provocam os sentimentos mais positivos (4,50), destacando-se significativamente dos que assumem os pap&#233;is executante (3,80) ou activo (3,55). Por seu lado, os c&#244;njuges passivos ou dirigentes s&#227;o os que despertam os sentimentos menos positivos (respectivamente 3,20 e 3,09; p&#60;0,05 <i>multiple range</i> t de Student). Reciprocamente, estes dois &#250;ltimos c&#244;njuges provocam tamb&#233;m sentimentos mais negativos do que os c&#244;njuges colocados no papel de executante (dirigente: 2,58, passivo: 2,54; executante: 2,20), enquanto que os c&#244;njuges activos e igualit&#225;rios s&#227;o os que suscitam as reac&#231;&#245;es menos negativas (respectivamente 2,12 e 1,89; p&#60;0,05 <i>multiple range</i> t de Student). Embora os respondentes n&#227;o se diferenciem relativamente aos sentimentos negativos, a interac&#231;&#227;o significativa entre Papel e Cren&#231;a revela que os tradicionalistas manifestam sentimentos menos positivos para o c&#244;njuge igualit&#225;rio do que os igualitaristas (igualitaristas: 5,29; tradicionalistas: 4,17; t(79)=2,85, p=0,006). Este resultado permite compreender melhor a diferen&#231;a evidenciada no grau de idealidade atribu&#237;do ao c&#244;njuge igualit&#225;rio pelos dois grupos de respondentes, sugerindo que os julgamentos sobre os pap&#233;is conjugais n&#227;o s&#227;o feitos apenas numa base racional.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Pode-se observar que, com a excep&#231;&#227;o da situa&#231;&#227;o em que os c&#244;njuges partilham igualitariamente as tarefas, os sentimentos positivos co-variam positivamente com o grau induzido de participa&#231;&#227;o no trabalho familiar, enquanto que os sentimentos negativos est&#227;o negativamente correlacionados com esta participa&#231;&#227;o. Assim, os sentimentos positivos apresentam correla&#231;&#245;es significativas com a comunalidade (r(418)=0,40, p&#60;0,001) e a agenticidade (r(418)=0,27, p&#60;0,001), enquanto que os sentimentos negativos est&#227;o negativamente correlacionados com estes tra&#231;os (comunalidade: r(418)=-0,0, p&#60;0,01; agenticidade: r(418)=-0,17, p=0,001), e positivamente associados com a necessidade de poder (r(418)=0,12, p=0,015).</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Pode, ainda, evidenciar-se que os sentimentos positivos co-variam com o grau de idealidade dos pap&#233;is (r(418)=0,59, p&#60;0,001) e a tipicidade dos pap&#233;is femininos (r(211)=0,26, p&#60;0,001), enquanto que os sentimentos negativos se associam negativamente com o grau de idealidade dos pap&#233;is (r(418)=-0,27, p&#60;0,001) mas positivamente com a tipicidade do c&#244;njuge masculino (r(207)=0,14, p=0,040).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Conclus&#227;o</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Uma an&#225;lise conjunta dos nossos resultados pode, em primeiro lugar, ajudar a esclarecer como s&#227;o percepcionadas as pr&#225;ticas familiares. Com efeito, encontr&#225;mos dois grupos de dimens&#245;es correlacionadas, que correspondem aos aspectos mais caracter&#237;sticos dos pap&#233;is conjugais tradicionais. Por um lado, uma elevada participa&#231;&#227;o no trabalho familiar, t&#237;pica do papel tradicional feminino, est&#225; associada a sentimentos positivos e tra&#231;os comunais, ou seja, ao papel conjugal ideal. Por outro, uma forte participa&#231;&#227;o no poder familiar, t&#237;pica do papel tradicional masculino, est&#225; associada a sentimentos negativos e ao gosto pelo poder. A dimens&#227;o ag&#233;ntica encontra-se relacionada com estes dois p&#243;los, ao combinar o poder e o trabalho familiar.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os julgamentos recolhidos acerca das pr&#225;ticas familiares parecem, em grande parte, ser independentes da perten&#231;a sexual do c&#244;njuge que as adopta. Por&#233;m, os dois grupos de respondentes diferem relativamente &#224; percep&#231;&#227;o do papel masculino: os igualitaristas rejeitam, mais do que os tradicionalistas, o papel masculino tradicional, e consideram como mais ideal o papel masculino igualit&#225;rio. Dado que os grupos se diferenciam mais no que respeita &#224;s cren&#231;as acerca das diferen&#231;as de compet&#234;ncias do que na ades&#227;o ao principio de igualdade, a percep&#231;&#227;o da iniquidade das pr&#225;ticas familiares parece dever passar por um questionamento das finalidades dos discursos sobre as diferen&#231;as de compet&#234;ncias entre os sexos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A este respeito, deve salientar-se que cerca da metade dos respondentes femininos se encontram no grupo dos tradicionalistas, embora perten&#231;am a uma popula&#231;&#227;o reconhecida como progressista. Os tradicionalistas parecem n&#227;o s&#243; aceitar, mas tamb&#233;m defender o trabalho da mulher em casa. O facto de considerarem como mais ideal que a mulher se encontre no papel executante e o marido no papel passivo parece apoiar os pontos de vista dos autores que pretendem reflectir sobre o contributo das mulheres para a manuten&#231;&#227;o das desigualdades na fam&#237;lia. Segundo Kellerhals, Perrin, Steinhauer, Von&#232;che e Wirth (1982), o desejo de igualdade e de reciprocidade das mulheres &#233;, com efeito, desmentido na pr&#225;tica: &#34;A l&#243;gica da tradi&#231;&#227;o cultural retoma largamente os seus direitos na pr&#225;tica, em detrimento da l&#243;gica dos recursos (que desempenha um papel muito parcial) e da l&#243;gica da rela&#231;&#227;o afectiva (que postularia uma reciprocidade mais marcada)&#34; (p. 172). Para M&#252;ller (1998), esta situa&#231;&#227;o poder&#225; ter uma explica&#231;&#227;o: enquanto que os homens mostrariam o seu desprezo pelas mulheres em p&#250;blico, o desprezo das mulheres pelos homens seria expresso em privado, atrav&#233;s da infantiliza&#231;&#227;o dos homens em casa. Se estes pontos de vista se verificarem, uma mudan&#231;a das rela&#231;&#245;es entre homens e mulheres passar&#225; por uma tomada de consci&#234;ncia, por parte das mulheres, da necessidade de partilhar com os homens, quer as responsabilidades na sociedade, quer as responsabilidades na fam&#237;lia.</font></p>          <p>&nbsp;</p>         <p><font face="Verdana" size="2"><b>Refer&#234;ncias</b></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Baudelot, C., &#38; Establet, R. (1992). <i>Allez les filles!</i> Paris: Editions du Seuil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=486574&pid=S0874-2049200100010000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Baxter, J., &#38; Western, M. (1998). Satisfaction with housework: Examining the paradox. <i>Sociology,</i> 32, 101-120.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=486576&pid=S0874-2049200100010000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Bidou, C. (1984). <i>Les aventuriers du quotidien: Essai sur les nouvelles classes moyennes.</i> Paris: Presses Universitaires de France.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=486578&pid=S0874-2049200100010000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Blood, R. A., &#38; Wolfe, D. M. (1960). <i>Husbands and wifes.</i> Nova Iorque: The Free Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=486580&pid=S0874-2049200100010000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Costa, A. (1992). <i>Representa&#231;&#245;es sociais de homens e de mulheres.</i> Lisboa: Comiss&#227;o para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=486582&pid=S0874-2049200100010000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Eagly, A. H. (1987). <i>Sex differences in social behavior: A social-role interpretation.</i> Hillsdale, NJ: Lawrence Erlbaum Associates.</font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Felmlee, D. H. (1994). Who&#39;s on top? Power in romantic relationships. <i>Sex Roles, 31</i> (5/6), 275-336.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=486585&pid=S0874-2049200100010000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Gerber, G. L. (1988). Leadership roles and the gender stereotype traits. <i>Sex Roles, 18</i> (11/12), 649-668.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=486587&pid=S0874-2049200100010000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Gilligan, C. (1982). <i>In a different voice.</i> Cambridge, MA: Harvard University Press.</font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Herla, G. (1987). Partage des responsabilit&#233;s familiales, attitudes et comportements effectifs. <i>Les Cahiers de Psychologie Sociale, 35,</i>9-50.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=486590&pid=S0874-2049200100010000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Isen, A. M. (1987). Positive affect, cognitive processes and social behaviour. In L. Berkowitz (Ed.), <i>Advances in experimental social psychology</i> (vol. 20, pp. 203-253). Nova Iorque: Academie Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=486592&pid=S0874-2049200100010000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Kellerhals, J., Perrin, J. F., Steinhauer, G., Von&#232;che, L., &#38; Wirth, G. (1982). <i>Mariages au quotidien.</i> Lausana: Editions Favre.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=486594&pid=S0874-2049200100010000500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Kellerhals, J., Troutot, P. Y., &#38; Lazega, E. (1993). <i>Microsociologie de la famille.</i> Paris: Presses Universitaires de France.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=486596&pid=S0874-2049200100010000500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Mintz, R. D., &#38; Mahalik, J. R. (1996). Gender role orientation and conflict as predictors of family roles for men. <i>Sex Roles, 34</i> (11/12), 805-821.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=486598&pid=S0874-2049200100010000500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">M&#252;ller, U. (1998). The micropolitics of gender differences in family life. In V. Ferreira, T. Tavares &#38; S. Portugal (Eds.), <i>Shifting bonds, shifting bounds: ivomen, mobility and citizanship in Europe</i> (pp. 329-344). Oeiras: Celta Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=486600&pid=S0874-2049200100010000500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">O&#39;Neil, J. M., Helms, B. J., Gable, R. K&#8222; David, L&#8222; &#38; Wrightsman, L. S. (1986). Gender-role conflict scale: College men&#39;s fear of femininity. <i>Sex Roles, 14</i> (5/6), 335-350.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=486602&pid=S0874-2049200100010000500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Parsons, T. (1955). Family structure and the socialization of the child. In T. Parsons &#38; R. F. Bales (Eds.), <i>Family, socialization, and interaction process.</i> Glencore, IL: Free Press.</font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Poeschl, G. (1996). <i>Identidade sexual e actividade profissional.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=486605&pid=S0874-2049200100010000500018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></i> Comuni&#231;&#227;o apresentada no IV Simp&#243;sio Nacional de Investiga&#231;&#227;o em Psicologia, Lisboa.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Poeschl, G. (no prelo). Trabalho dom&#233;stico e poder familiar: Pr&#225;ticas efectivas, normativas, e ideais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=486607&pid=S0874-2049200100010000500019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Poeschl, G., &#38; Ser&#244;dio, R. (1998). R&#244;les de genre, travail familial et pouvoir familial: Repr&#233;sentations et relations. <i>La Revue Internationale de l&#39;Education Familiale, 2</i> (2), 5-23.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=486609&pid=S0874-2049200100010000500020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Roux, P. (1999). <i>Couple et &#233;galit&#233;: Un m&#233;nage impossible.</i> Lausana: R&#233;alit&#233;s sociales.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=486611&pid=S0874-2049200100010000500021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Saraceno, C. (1992). <i>Sociologia da fam&#237;lia.</i> Lisboa: Editorial Estampa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=486613&pid=S0874-2049200100010000500022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Silva, A. (1999). <i>Papel de g&#233;nero e pr&#225;ticas familiares.</i> Disserta&#231;&#227;o de mestrado, Universidade do Porto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=486615&pid=S0874-2049200100010000500023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Smoreda, Z. (1995). Power, gender stereotypes and perceptions of heterosexual couples. <i>British Journal of Social Psychology, 34,</i>421-435.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=486617&pid=S0874-2049200100010000500024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Smoreda, Z. (1996). <i>Repr&#233;sentations de la personnalit&#233; sexu&#233;e et des r&#244;les sociaux: Quel principe organisateur pour quelle coh&#233;rence?</i> Communica&#231;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=486619&pid=S0874-2049200100010000500025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->&#227;o apresentada na III Confer&#234;ncia sobre Representa&#231;&#245;es Sociais, Aix-en-Provence.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Spence, J. T., Deaux, K., &#38; Helmreich, R. L. (1985). Sex roles in contemporary american society. In G. Lindzey &#38; E. Aronson (Eds.), <i>The handbook of social psychology,</i> (vol. 2, pp. 149-178). Hillsdale, NJ: Lawrence Erlbaum Associates.</font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Stohs, J. H. (1995). Predictors of conflict over the household division of labor among women employed full-time. <i>Sex Roles, 33</i> (3/4), 257-275.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=486622&pid=S0874-2049200100010000500027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Vicente, A. (1998). As <i>mulheres em Portugal na transi&#231;&#227;o do mil&#233;nio.</i> Lisboa: Multinova.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=486624&pid=S0874-2049200100010000500028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Wille, D. E. (1995). The 1990s: Gender differences in parenting roles. <i>Sex Roles, 33</i> (11/12), 803-817.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=486626&pid=S0874-2049200100010000500029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <p>&nbsp;</p>         <p><font face="Verdana" size="2"><b>Nota</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top1"><sup>1</sup></a><a name="1"></a>A correspond&#234;ncia relativa a este trabalho pode ser endere&#231;ada a Gabrielle Poesch, Faculdade de Psicologia e de Ci&#234;ncias da Educa&#231;&#227;o. Universidade do Porto, Rua do Campo Alegre, 1055, 4150 Porto (e-mail: <a href="mailto:gpoeschl@psi.up.pt">gpoeschl@psi.up.pt</a>).</font></p>            ]]></body><back>
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