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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Estudo de caso de uma "perturbação Borderline da personalidade á luz do modelo de "complementaridade paradigmática"]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[A case study of borderline personality disorder in light of the Paradigmatic Complementarity model]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Based on an integrative therapeutic model, named "paradigmatic complementarity", that articulates cognitive-behavioral, trait like, interpersonal dynamic and experiential concepts, the authors discuss the case of a borderline patient. Besides the concepts mentioned, essentially used in terms of "case and problem conceptualization", the model also makes use of "process conceptualization". The therapeutic process is understood as being composed by five sequencial phases. The model put forward works as a guide-line for clinical decision making.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[complementaridade paradigmática]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="4"><b>Estudo de caso de uma &#34;perturba&#231;&#227;o <i>Borderline</i> da personalidade &#225; luz do modelo de &#34;complementaridade paradigm&#225;tica&#34;<a href="#1"><sup>1</sup></a><a name="top1"></a></b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>A case study of borderline personality disorder in light of the Paradigmatic Complementarity model</b></font></p>            <p>&nbsp;</p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Isabel C. Gon&#231;alves<sup>*</sup>; Ant&#243;nio Branco Vasco<sup>**</sup></b></font></p>           <p><font face="Verdana" size="2"><sup>*</sup>Servi&#231;o de Aconselhamento Psicol&#243;gico do Instituto Superior T&#233;cnico.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><sup>**</sup>Faculdade de Psicologia e de Ci&#234;ncias da Educa&#231;&#227;o da Universidade de Lisboa.</font></p>              <p>&nbsp;</p>     <hr size="1" noshade>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Com base num modelo terap&#234;utico integrativo, designado por &#34;complementaridade paradigm&#225;tica&#34;, que articula conceitos cognitivo-comportamentais, de tra&#231;o, interpessoais din&#226;micos e experienciais, os autores procedem a uma apresenta&#231;&#227;o exaustiva de um caso de &#34;perturba&#231;&#227;o <i>borderline</i> da personalidade&#34;. Para al&#233;m destes referenciais, que s&#227;o essencialmente utilizados para a &#34;conceptualiza&#231;&#227;o do paciente e do problema&#34;, recorre-se, igualmente, a uma &#34;conceptualiza&#231;&#227;o do processo terap&#234;utico&#34;, sendo este entendido como constitu&#237;do por cinco fases sequenciais. Este modelo funciona como um guia para a tomada de decis&#227;o cl&#237;nica.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave</b> Integra&#231;&#227;o, perturba&#231;&#227;o <i>borderline</i> da personalidade, complementaridade paradigm&#225;tica.</font></p>        <hr size="1" noshade>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Based on an integrative therapeutic model, named &#34;paradigmatic complementarity&#34;, that articulates cognitive-behavioral, trait like, interpersonal dynamic and experiential concepts, the authors discuss the case of a borderline patient. Besides the concepts mentioned, essentially used in terms of &#34;case and problem conceptualization&#34;, the model also makes use of &#34;process conceptualization&#34;. The therapeutic process is understood as being composed by five sequencial phases. The model put forward works as a guide-line for clinical decision making.</font></p>         <p><font face="Verdana" size="2"><i>Isabel C. Gon&#231;alves e Ant&#243;nio Branco Vasco</i></font></p>          <hr size="1" noshade>         <p>&nbsp;</p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Introdu&#231;&#227;o</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Num esfor&#231;o para melhor conceptualizar as interven&#231;&#245;es cl&#237;nicas, acreditamos que os objectivos &#250;ltimos de qualquer processo psicoterap&#234;utico s&#227;o os da modifica&#231;&#227;o das auto e hetero-representa&#231;&#245;es esquem&#225;ticas cognitivo-emocionais dos pacientes, subjacentes aos sintomas manifestos e/ou ciclos disfuncionais interpessoais, bem como o colmatar de eventuais d&#233;fices de aptid&#245;es que para eles possam contribuir. Tudo isto ao servi&#231;o do aumento dos &#34;graus de liberdade&#34; dos pacientes, com o objectivo de se conseguirem relacionar mais afectiva e efectivamente consigo pr&#243;prios e com os outros (Vasco, 1997).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Acreditamos, igualmente, que, ao lidar com perturba&#231;&#245;es da personalidade, &#233; necess&#225;rio introduzir modifica&#231;&#245;es na terapia cognitiva tradicional, como sugerido por Beck e colaboradores (e.g., Beck <i>et al,</i> 1990; Sperry, 1999; Young, 1994). Contudo, pensamos que as sugest&#245;es avan&#231;adas por estes autores n&#227;o s&#227;o nem suficientes, nem suficientemente expl&#237;citas, particularmente se comparadas com a conceptualiza&#231;&#227;o de Linehan (1993; Koerner &#171;Sc Linehan, 1997) relativa &#224; perturba&#231;&#227;o <i>borderline</i> da personalidade que, em nossa opini&#227;o, transforma a interven&#231;&#227;o cognitivo-comportamental em algo verdadeiramente integrativo.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Al&#233;m do mais, como v&#225;rios autores t&#234;m vindo a defender (e.g., Magnavita, 1999; Millon &#38; Davis, 1996), a terapia bem sucedida nos casos de perturba&#231;&#227;o da personalidade tem, necessariamente, de ser integrativa. Dada a crescente consci&#234;ncia das elevada taxas de co-morbilidade entre os eixos I e II do DSM-IV (e.g., Roth &#38; Fonagy, 1996.), quer parecer que muita psicoterapia deveria ser integrativa!</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Decidimos designar por &#34;complementaridade paradigm&#225;tica&#34; o quadro geral que orienta os nossos processos de conceptualiza&#231;&#227;o e de tomada de decis&#227;o cl&#237;nica. Assim, a complementaridade paradigm&#225;tica consiste num guia para a conceptualiza&#231;&#227;o e tomada de decis&#227;o cl&#237;nicas, que faz uso, de forma sequencial e/ou complementar, de instrumentos de avalia&#231;&#227;o, conceptualiza&#231;&#227;o e interven&#231;&#245;es origin&#225;rios de diferentes orienta&#231;&#245;es te&#243;ricas (e &#34;vis&#245;es do mundo&#34;) (Royce, 1964; Pepper, 1942), com o objectivo de optimizar a efic&#225;cia das interven&#231;&#245;es (Gon&#231;alves &#38; Vasco, 1997; Vasco, este n&#250;mero).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A conota&#231;&#227;o filos&#243;fica da express&#227;o &#233; intencional. Pretende veicular a nossa prefer&#234;ncia, mesmo a um n&#237;vel metate&#243;rico, por modelos integrativos em terapia, em detrimento de modelos ecl&#233;cticos de mera integra&#231;&#227;o t&#233;cnica. Acreditamos que mesmo n&#227;o sendo poss&#237;vel sintetizar as diferentes &#34;vis&#245;es do mundo&#34; inerentes &#224;s diferentes orienta&#231;&#245;es psicoterap&#234;uticas, elas podem ser coordenadas mediante o reconhecimento das condi&#231;&#245;es e contextos em que cada uma parece ser dotada de superior valor heur&#237;stico.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Prosseguiremos na seguinte sequ&#234;ncia: (1) apresentando os referenciais e as vari&#225;veis que consideramos incontorn&#225;veis ao lidar, particularmente, com pacientes com perturba&#231;&#245;es da personalidade; (2) identificando as fases do processo e sequ&#234;ncia interventiva que nos parecem mais adequados; e (3) ilustrando com um caso cl&#237;nico concreto de &#34;perturba&#231;&#227;o <i>borderline</i> da personalidade&#34; a articula&#231;&#227;o e tradu&#231;&#227;o destes elementos no trabalho cl&#237;nico.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Conceptualiza&#231;&#227;o</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Seguem-se os referenciais e vari&#225;veis que consideramos centrais para a conceptualiza&#231;&#227;o dos casos cl&#237;nicos:</font></p>             <p><font face="Verdana" size="2">1) Com base em Beck e colaboradores (Beck <i>et al,</i> 1990,1993; Persons, 1989; Persons &#38; Tompkins, 1997), consideramos central a avalia&#231;&#227;o e manuseamento das: (a) cren&#231;as absolutas do paciente sobre o <i>self,</i> sobre os outros e sobre o mundo (&#34;eu sou...&#34;; &#34;os outros s&#227;o...&#34;; o mundo &#233;...&#34;); (b) as cren&#231;as condicionais do paciente igualmente sobre o <i>self,</i> os outros e o mundo (&#34;se eu..., ent&#227;o...&#34;; &#34;se os outros..., ent&#227;o...&#34;; se o mundo..., ent&#227;o...&#34;); (c) situa&#231;&#245;es de vulnerabilidade (e.g., conflitos interpessoais); (d) estrat&#233;gias compensat&#243;rias (e.g., consumos excessivos, evitamentos, automutila&#231;&#245;es, agress&#227;o, etc.). A consci&#234;ncia de todas estas vari&#225;veis parece-nos ser essencial, n&#227;o s&#243; em termos da conceptualiza&#231;&#227;o e manuseamento do caso, mas tamb&#233;m como forma de promover o autoconhecimento, a constru&#231;&#227;o do significado das experi&#234;ncias e a auto-aceita&#231;&#227;o por parte do cliente.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">2) Ainda na linha da tradi&#231;&#227;o cognitivo-comportamental, consideramos tamb&#233;m central a identifica&#231;&#227;o das principais distor&#231;&#245;es cognitivas e dos d&#233;fices comportamentais do paciente, particularmente os relativos a: (a) comunica&#231;&#227;o; (b) resolu&#231;&#227;o de problemas; (c) gest&#227;o do stress; (d) controlo de conting&#234;ncias; e (e) controlo de impulsos (e.g., Cormier &#38; Cormier, 1998; Goldfried &#38; Davison, 1994).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">3) Com base em Beutler e colaboradores (Beutler &#38; Clarkin, 1990; Beutler &#38; Har-wood, 2000; Gaw &#38; Beutler, 1990), consideramos central a avalia&#231;&#227;o: (a) da severidade do problema; (b) da complexidade do problema; (c) do desconforto motivacional; (d) do n&#237;vel de react&#226;ncia; e (e) do estilo de <i>coping. </i>A consci&#234;ncia destas vari&#225;veis parece-nos igualmente essencial, n&#227;o s&#243; em termos de conceptualiza&#231;&#227;o e selec&#231;&#227;o de t&#233;cnicas de interven&#231;&#227;o, mas tamb&#233;m como forma de auxiliar o terapeuta a sintonizar a sua inst&#226;ncia relacional em fun&#231;&#227;o das necessidades e estilos diferenciais dos pacientes (e.g., n&#237;vel de directividade).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">4) Com base em Safran e colaboradores (Safran &#38; Muran, 1995; Safran &#171;Sc Muran, 2000; Safran &#38; Segai, 1990), consideramos tamb&#233;m essencial a identifica&#231;&#227;o de &#34;marcadores e ciclos interpessoais disfuncionais&#34; e de &#34;rupturas&#34; na alian&#231;a terap&#234;utica. A consci&#234;ncia destas vari&#225;veis auxilia o terapeuta n&#227;o s&#243; a identificar &#34;representa&#231;&#245;es esquem&#225;ticas&#34; e a estabelecer e manter a qualidade do la&#231;o terap&#234;utico, mas tamb&#233;m a promover &#34;experi&#234;ncias emocionais correctivas&#34; e repara&#231;&#245;es na alian&#231;a.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">5) Com base em Greenberg e colaboradores (Greenberg, Rice &#171;Sc Elliot 1993; Greenberg &#171;Sc Paivio, 1997), consideramos ainda central a identifica&#231;&#227;o dos &#34;marcadores emocionais&#34; que parecem capturar os dilemas e dificuldades de processamento cognitivo-emocional do paciente (i.e., &#34;vulnerabilidade&#34;, &#34;sensa&#231;&#245;es pouco claras&#34;, &#34;pontos de reac&#231;&#227;o problem&#225;tica&#34;, &#34;clivagens&#34;, e &#34;assuntos inacabados&#34;). Estes marcadores de dificuldades de processamento cognitivo-emocional indiciam a adequabilidade de tarefas terap&#234;uticas espec&#237;ficas (i.e., &#34;afirma&#231;&#227;o emp&#225;tica&#34;, &#34;focagem&#34;, &#34;desenrolar evocativo&#34;, &#34;trabalho de duas cadeiras e de cadeira vazia&#34;).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Como ser&#225; patente no caso cl&#237;nico a analisar posteriormente, todas estas vari&#225;veis podem ser harmoniosamente articuladas numa totalidade coerente e cambiante, com o objectivo de conceptualizar e conduzir o processo terap&#234;utico da melhor forma.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Consideramos igualmente que, para uma adequada condu&#231;&#227;o do processo terap&#234;utico, n&#227;o s&#227;o suficientes as vari&#225;veis atr&#225;s mencionadas (que essencialmente se prendem com a conceptualiza&#231;&#227;o do paciente e do problema), mas que tamb&#233;m &#233; necess&#225;rio conceptualizar o processo terap&#234;utico que, em nossa opini&#227;o, deve respeitar a seguinte sequ&#234;ncia interventiva, em termos de objectivos estrat&#233;gicos: (1) constru&#231;&#227;o da confian&#231;a no terapeuta e no processo terap&#234;utico; (2) atribui&#231;&#227;o de significado &#224;s experi&#234;ncias do cliente; (3) compreens&#227;o e aceita&#231;&#227;o de responsabilidade (ou co-responsabilidade) pelas experi&#234;ncias pessoais, sintomas e situa&#231;&#227;o de vida; (4) empreender de ac&#231;&#245;es (interiores e exteriores) tendentes &#224; repara&#231;&#227;o; e (5) manuten&#231;&#227;o das conquistas terap&#234;uticas efectuadas.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Consideramos, por &#250;ltimo, que os diferentes conjuntos de vari&#225;veis referidos s&#227;o dotados de adequabilidade diferencial consoante as diferentes fases do processo terap&#234;utico. De uma forma geral, as interven&#231;&#245;es interpessoais c cognitivo-comportamentais (particularmente as destinadas a lidar com situa&#231;&#245;es de crise) s&#227;o mais relevantes na fase inicial do processo (nos casos de perturba&#231;&#245;es da personalidade consideramos que as interven&#231;&#245;es interpessoais s&#227;o, regra geral, importantes ao longo de todo o processo), as interven&#231;&#245;es experienciais numa fase interm&#233;dia e, as cognitivo-comportamentais, igualmente, nas fases interm&#233;dia e final (Vasco, 1999).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Passamos &#224; descri&#231;&#227;o de um caso cl&#237;nico concreto, com o objectivo de ilustrar a utilidade das vari&#225;veis e fases do processo terap&#234;utico anteriormente mencionadas na conceptualiza&#231;&#227;o e condu&#231;&#227;o da interven&#231;&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Ilustra&#231;&#227;o cl&#237;nica</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Opt&#225;mos pelo nome fict&#237;cio de &#34;Orqu&#237;dea&#34; para a descri&#231;&#227;o do caso cl&#237;nico que escolhemos para ilustrar o modelo interventivo de &#34;complementaridade paradigm&#225;tica&#34;. Como adiante veremos, trata-se de uma cliente especialmente dotada para reflectir, em formato escrito, sobre o seu pr&#243;prio processo terap&#234;utico, a come&#231;ar precisamente pelo &#34;nome de c&#243;digo&#34; por n&#243;s escolhido, e que &#233; do seu conhecimento:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">(...) as orqu&#237;deas s&#227;o umas flores terrivelmente enganadoras. Adoptaram a forma do insecto n&#227;o-sei-qual, ou melhor da f&#233;mea do insecto. O macho v&#234;-a, fica de imediato pelo beicinho e truca-truca. Sem ele, n&#227;o h&#225; poliniza&#231;&#227;o. Uma flor que tem um grave problema: &#233; t&#227;o especializada, t&#227;o dependente daquela esp&#233;cie de insecto que, se ele se extingue, a orqu&#237;dea extingue-se com ele. De qualquer forma, todas as esp&#233;cies est&#227;o condenadas &#224; extin&#231;&#227;o (...)</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b><i>Dados de identifica&#231;&#227;o</i></b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Data de in&#237;cio do processo terap&#234;utico: Maio de 1997</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; Idade actual: 41 anos</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; Estado civil: solteira</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; Sexo: feminino</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">&#8212; Forma&#231;&#227;o acad&#233;mica: licenciatura</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; Estrutura familiar: a cliente &#233; a &#250;nica sobrevivente do seu agregado familiar (pai, irm&#227;o e m&#227;e j&#225; falecidos)</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; Habita&#231;&#227;o: a cliente ocupava uma casa num pr&#233;dio que pertencia &#224; fam&#237;lia; a casa onde vivia &#233; a casa de fam&#237;lia, onde se encontra a maior parte do seu patrim&#243;nio, incluindo uma biblioteca e uma discoteca imponentes, reunidas principalmente pelo pai; existe o risco de Orqu&#237;dea assumir o papel de guardi&#227; desses bens, mem&#243;rias de uma fam&#237;lia (em confronto, disse uma vez ao pai: &#34;eu n&#227;o sou a conservadora do museu dos teus mortos&#34;).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Modalidade de interven&#231;&#227;o</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Terapia individual com periodicidade semanal (por per&#237;odos, bisemanal); alguns contactos telef&#243;nicos entre sess&#245;es; um internamento psiqui&#225;trico imediatamente antes do in&#237;cio do processo terap&#234;utico, e outro durante.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Diagn&#243;stico</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A cliente apresenta um &#34;padr&#227;o global de instabilidade no relacionamento interpessoal, auto-imagem e afectos, e impulsividade marcada com come&#231;o no in&#237;cio da idade adulta e presente numa variedade de contextos&#34;, preenchendo todos os nove &#34;crit&#233;rios de diagn&#243;stico para perturba&#231;&#227;o <i>borderline</i> da personalidade&#34; (APA, 1994). Exemplificamos tr&#234;s desses crit&#233;rios:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; &#34;perturba&#231;&#227;o de identidade: instabilidade persistente e marcada da auto-imagem ou do sentimento de si pr&#243;prio&#34; &#8212; e.g., altera&#231;&#245;es frequentes nas prefer&#234;ncias vocacionais (educadora de inf&#226;ncia, jornalista, tradutora) ou ainda reflex&#245;es escritas de teor id&#234;ntico &#224; cita&#231;&#227;o que apresentamos &#8212; &#34;n&#227;o me sinto bem na minha pele, n&#227;o quero ser quem sou, n&#227;o quero fazer o que fa&#231;o, n&#227;o quero estar como estou&#34;;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; impulsividade em pelo menos duas &#225;reas que s&#227;o potencialmente auto-lesivas&#34; &#8212; e.g., consumo de drogas (&#225;lcool, hero&#237;na, coca&#237;na e &#34;cannabis&#34;) e gastos descontrolados, em determinadas &#233;pocas; &#233; a pr&#243;pria cliente que melhor descreve a sua pr&#243;pria impulsividade: &#34;por alguma raz&#227;o, estou no carro. Venho de algum s&#237;tio ou vou para algum s&#237;tio. O impulso que surge &#233; t&#227;o... impulso que hesito em chamar-lhe desejo ou vontade. E, apenas. E &#233; isso que &#233; assustador. Uma in&#233;rcia t&#227;o antiga que parece vinda da noite dos tempos. O desvio &#233; quase impercept&#237;vel. Quando dou por mim, estou na Meia Laranja. O Casal &#233; logo ali em baixo&#34;;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; idea&#231;&#227;o paran&#243;ide transit&#243;ria reactiva ao <i>stress</i> ou sintomas dissociativos graves &#8212; e.g., referindo-se ao ano de 1983, a cliente escreve: &#34;comecei a achar que as pessoas me queriam fazer mal. Passavam por mim e tudo quanto diziam relacionava-se comigo (...) fui dormir para casa da minha tia, o &#250;nico s&#237;tio onde me sentia protegida do mal que me podiam fazer e das frases e pensamentos em vi&#233;s que me dirigiam&#34;.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Em co-morbilidade com a perturba&#231;&#227;o <i>borderline</i> da personalidade, complicando a evolu&#231;&#227;o e tratamento da mesma, a cliente re&#250;ne ainda os crit&#233;rios para perturba&#231;&#227;o relacionada com subst&#226;ncias (APA, 1994), mais especificamente opi&#225;ceos (hero&#237;na). Orqu&#237;dea apresenta, assim, um &#34;padr&#227;o n&#227;o-adaptativo da utiliza&#231;&#227;o de opi&#225;ceos, levando a d&#233;fice ou sofrimento clinicamente significativo&#34;.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">As actividades di&#225;rias de Orqu&#237;dea tendem a ser, nas fases de consumo, &#34;planeadas em tomo da obten&#231;&#227;o e administra&#231;&#227;o&#34; da hero&#237;na. Como acontece com muitos sujeitos com depend&#234;ncia de opi&#225;ceos, a cliente apresenta sintomas depressivos breves e epis&#243;dios depressivos moderados que &#34;preenchem os crit&#233;rios sintom&#225;ticos e de dura&#231;&#227;o da perturba&#231;&#227;o depressiva major&#34; (APA, 1994). Estes sintomas poder&#227;o representar, na opini&#227;o do psiquiatra que acompanha Orqu&#237;dea, &#34;exacerba&#231;&#245;es de uma perturba&#231;&#227;o depressiva prim&#225;ria pr&#233;-existente&#34; (deste modo, a cliente tenderia a usar a hero&#237;na como &#34;antidepressivo&#34; ou, na linguagem beckiana, como &#34;estrat&#233;gia compensat&#243;ria&#34;) (Beck <i>et al.,</i> 1993). Esta interpreta&#231;&#227;o parece-nos consistente com o elevado n&#250;mero de lutos significativos vivenciados pela cliente no per&#237;odo imediatamente anterior ao in&#237;cio dos consumos (suic&#237;dio da m&#227;e). Podemos ainda supor que ter&#225; havido um agravamento e/ou reca&#237;das nos consumos associados &#224;s percas sucessivas sofridas pela cliente (morte do irm&#227;o, fim de rela&#231;&#245;es amorosas, morte do pai, licen&#231;a de parto da terapeuta).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b><i>Condi&#231;&#227;o pr&#233;-terapia</i></b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Antes de iniciado o processo terap&#234;utico, a cliente tinha sa&#237;do de um internamento numa casa de sa&#250;de. O psiquiatra que a acompanhou estabeleceu dois contratos (escritos) com um tio (em substitui&#231;&#227;o de um elemento da fam&#237;lia nuclear), regulamentando, por um lado, comportamentos relativos aos consumos (toma do Antaxone e outros medicamentos, realiza&#231;&#227;o aleat&#243;ria de an&#225;lises &#224; urina, empenhamento da cliente, bem como a aceita&#231;&#227;o de todo o apoio por parte da fam&#237;lia e amigos) e, por outro, o controlo dos comportamentos da cliente relativos aos seus bens (controlo das despesas e dos rendimentos, salvaguarda do dinheiro das heran&#231;as e das tomas de modo a que fique &#34;indispon&#237;vel nos pr&#243;ximos anos&#34;). Orqu&#237;dea encontrava-se ainda medicada com um antidepressivo (Tryptizol).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">As queixas iniciais da cliente inclu&#237;am baixo rendimento profissional, desmotiva&#231;&#227;o, incerteza vocacional; medo de eventuais reca&#237;das nos comportamentos de consumo; rela&#231;&#227;o amorosa pouco satisfat&#243;ria; baixa toler&#226;ncia &#224; frustra&#231;&#227;o e &#224; solid&#227;o; depress&#227;o e ansiedade; altera&#231;&#245;es bruscas de estados de humor.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Conceptualiza&#231;&#227;o do caso</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Conceptualiza&#231;&#227;o cognitiva</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A interven&#231;&#227;o cognitiva para as perturba&#231;&#245;es de personalidade, que conheceu grande desenvolvimento ap&#243;s o in&#237;cio dos anos 90 (e.g., Beck <i>et al,</i> 1990; Beck, 1996; Safran &#38; McMain, 1992; Sperry, 1999; Young; 1994), parte de tr&#234;s considera&#231;&#245;es que julgamos pertinente recordar (Vasco, 1999): (1) maior consciencializa&#231;&#227;o por parte dos terapeutas cognitivos relativamente &#224; preval&#234;ncia das perturba&#231;&#245;es da personalidade, quer como entidades nosol&#243;gicas isoladas, quer em situa&#231;&#227;o de co-morbilidade; (2) constata&#231;&#227;o de que muitos dos princ&#237;pios conceptuais e interventivos da terapia cognitiva n&#227;o se aplicam ou necessitam de ser modificados quando intervindo ao n&#237;vel das perturba&#231;&#245;es da personalidade e, finalmente; (3) disponibilidade e consci&#234;ncia da necessidade, por parte de muitos terapeutas cognitivos, de funcionar de forma integrativa.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Numa perspectiva que &#233; t&#237;pica do modelo cognitivo, Freeman e colaboradores (1990) apresentam a conceptualiza&#231;&#227;o de um caso cl&#237;nico que preenche os crit&#233;rios de diagn&#243;stico da perturba&#231;&#227;o <i>borderline</i> da personalidade. Ao faz&#234;-lo, identificam uma distor&#231;&#227;o cognitiva que consideram como principal respons&#225;vel pelas reac&#231;&#245;es extremas e bruscas mudan&#231;as de humor da cliente &#8212; o &#34;pensamento dicot&#244;mico&#34;. Os autores ilustram o funcionamento deste mecanismo com a no&#231;&#227;o de &#34;confian&#231;a&#34;. No pensamento dicot&#244;mico n&#227;o h&#225; espa&#231;o para categorias interm&#233;dias e, por isso, quando a percep&#231;&#227;o que o indiv&#237;duo tem de uma determinada situa&#231;&#227;o muda, muda necessariamente de um extremo a outro. Algu&#233;m que, inicialmente, &#233; visto como sendo de confian&#231;a, passa a ser totalmente suspeito logo que se verifica que est&#225; aqu&#233;m das expectativas que sobre ela foram constru&#237;das. A ideia de que uma pessoa pode ser de confian&#231;a <i>a maior parte do tempo</i> &#233; incompat&#237;vel com o pensamento dicot&#244;mico &#8212; caracter&#237;stica de muitas perturba&#231;&#245;es da personalidade, particularmente da <i>borderline.</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os mesmos autores (1990) descrevem ainda algumas cren&#231;as centrais sustentadas pela cliente &#8212; &#34;o mundo &#233; mau e perigoso&#34;, &#34;sou fraca e vulner&#225;vel&#34;, &#34;sou inerentemente inaceit&#225;vel&#34; &#8212;, cren&#231;as que t&#234;m um impacto importante no seu comportamento: &#34;se o mundo &#233; um local perigoso, ent&#227;o tenho de estar permanentemente em guarda&#34; (o que resulta em tens&#227;o e ansiedade cr&#243;nicas); &#34;se eu sou inerentemente inaceit&#225;vel, como ser humano, a possibilidade de depender dos outros para obter alguma protec&#231;&#227;o est&#225;-me vedada, uma vez que os outros, em vez de me protegerem v&#227;o acabar por me rejeitar, por me abandonar ou por me trair&#34; (na verdade, a probabilidade &#233; a de que o cliente &#34;convide os outros a este comportamento, gra&#231;as ao seu &#34;pr&#233;-conhecimento&#34; de que, mais tarde ou mais cedo, o abandono, a rejei&#231;&#227;o ou a trai&#231;&#227;o v&#227;o ocorrer, numa &#243;ptica de &#34;profecia auto-realizada&#34; &#8212; a partir desse momento, naturalmente, o ciclo &#34;fecha&#34;, validando, uma vez mais, o &#34;desfecho final antecipado&#34;).</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A combina&#231;&#227;o do pensamento dicot&#244;mico com este sistema de cren&#231;as resulta particularmente &#34;mort&#237;fera&#34;: se sou &#34;inerentemente inaceit&#225;vel (e esta cren&#231;a (particularmente dolorosa porque frequentemente o cliente com perturba&#231;&#227;o <i>borderline</i> da personalidade &#233; suficientemente l&#250;cido para compreender o seu pr&#243;prio contributo para o ciclo interpessoal acima descrito, ainda que profundamente incapaz de o descontinuar), devo esconder dos outros a minha &#34;verdadeira natureza, pois s&#243; assim poderei ser aceite por eles&#8221; (e, acrescentar&#237;amos n&#243;s,&#34; tenho de me sentir aceite por algu&#233;m, porque a solid&#227;o &#233;-me por demais insustent&#225;vel, mesmo fisicamente&#34;).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Este &#250;ltimo passo, que podemos designar por &#34;camuflagem&#34;, sendo embora um recurso de sobreviv&#234;ncia, conduz inevitavelmente &#224; frustra&#231;&#227;o do desejo de proximidade e protec&#231;&#227;o; &#233; a antecipa&#231;&#227;o desta frustra&#231;&#227;o que gera uma raiva intensa, a tal ponto que, caso seja expressa, torna-se incompat&#237;vel com o estabelecimento de uma rela&#231;&#227;o de verdadeira intimidade com outro ser humano (e, na realidade, acreditamos que a agressividade nesta popula&#231;&#227;o atinge express&#245;es de grande intensidade &#8212; predominantemente f&#237;sica, no caso dos homens, e predominantemente verbal/afectiva no caso das mulheres); o verdadeiro desespero surge porque poucas pessoas est&#227;o, de facto, dispon&#237;veis para suportar a intensidade de tamanha &#34;transfer&#234;ncia negativa&#34;. Acreditamos que este tipo de pacientes busca algo imposs&#237;vel de obter na vida adulta&#8212;o &#34;amor incondicional&#34;. S&#243; tem necessidade de &#34;amor incondicional&#34; na vida adulta quem n&#227;o o teve nas fases adequadas de desenvolvimento, facto que parece estar adequadamente documentado relativamente &#224;s experi&#234;ncias de socializa&#231;&#227;o deste tipo de pacientes.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Finalmente, nos indiv&#237;duos que apresentam perturba&#231;&#227;o <i>borderline</i> da personalidade, existe um sentido de identidade fraco ou inst&#225;vel, que origina confus&#227;o relativa a objectivos e prioridades, dificuldade essa que impede um investimento consistente e eficaz em objectivos a longo prazo. A resultante sensa&#231;&#227;o de baixa auto-efic&#225;cia conduz a uma fraca motiva&#231;&#227;o, a uma baixa persist&#234;ncia e a uma fraca expectativa de sucesso face &#224; adversidade.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">As cren&#231;as b&#225;sicas, o pensamento dicot&#244;mico e o fr&#225;gil sentido de identidade n&#227;o contribuem simples e separadamente para o aparecimento da perturba&#231;&#227;o <i>borderline</i> da personalidade &#8212; formam, outrossim, um sistema bastante complexo, que se autoperpetua e em que os v&#225;rios elementos se refor&#231;am mutuamente, como se pode verificar pela an&#225;lise da <a href="/img/revistas/psi/v15n2/15n2a02f1.jpg">figura 1</a>, constru&#237;do tomando como ponto de partida o esquema proposto por Freeman e colaboradores (1990).<a href="#2"><sup>2</sup></a><a name="top2"></a></font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">Este mesmo esquema serviu de base na conceptualiza&#231;&#227;o do caso de Orqu&#237;dea, sendo mantidos os aspectos comuns e acrescentados alguns componentes julgados essenciais: experi&#234;ncias de socializa&#231;&#227;o, cren&#231;as absolutas relativas ao <i>self</i> e aos outros, cren&#231;as condicionais relativas ao <i>self</i> e aos outros, situa&#231;&#245;es de vulnerabilidade e estrat&#233;gias compensat&#243;rias.<a href="#3"><sup>3</sup></a><a name="top3"></a></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">As &#34;experi&#234;ncias de socializa&#231;&#227;o&#34; incluem os acontecimentos mais significativos que possam ter contribu&#237;do para o desenvolvimento das cren&#231;as actuais. As &#34;cren&#231;as absolutas&#34; reflectem o modo como a cliente se v&#234; a si pr&#243;pria e aos outros, enquanto que as &#34;cren&#231;as condicionais&#34; permitem fazer dedu&#231;&#245;es em fun&#231;&#227;o das absolutas. As &#34;situa&#231;&#245;es de vulnerabilidade&#34; s&#227;o as circunst&#226;ncias problem&#225;ticas em que as cren&#231;as centrais s&#227;o activadas, e incluem interac&#231;&#245;es problem&#225;ticas com determinada(s) pessoa(s) (tipicamente, os outros significativos). As &#34;estrat&#233;gias compensat&#243;rias&#34; s&#227;o os comportamentos que ajudam os clientes a lidar com as cren&#231;as centrais e com o desconforto. A superf&#237;cie, parecem funcionar, mas n&#227;o fazem mais do que perpetuar o problema, dado serem frequentemente compulsivas, inflex&#237;veis, inapropriadas, n&#227;o dando espa&#231;o a estrat&#233;gias mais adaptativas &#8212; estrat&#233;gias compensat&#243;rias t&#237;picas ser&#227;o os evitamentos e o, j&#225; referido, uso de drogas. Mais especificamente:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Experi&#234;ncias de socializa&#231;&#227;o</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Na fam&#237;lia de Orqu&#237;dea (e falamos aqui de fam&#237;lia alargada, n&#227;o apenas da fam&#237;lia nuclear), as pessoas eram muito pouco frontais &#8212; o que sentiam, pensavam, queriam ou n&#227;o queriam n&#227;o era claro, transmitindo-se para o exterior, durante algum tempo, uma ideia de normalidade. As regras de conduta eram impl&#237;citas, mas as puni&#231;&#245;es pela quebra dessas regras bastante expl&#237;citas, nomeadamente em termos de &#34;retirada de afecto&#34;. Os pais, nomeadamente a m&#227;e, tinham dificuldades em p&#244;r limites adequados ao comportamento agressivo da cliente, o que a deixou sempre com sentimentos de culpa intensos e com dificuldades ao n&#237;vel da auto-regula&#231;&#227;o deste tipo de comportamento.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O clima emocional em casa da cliente parecia ser bastante tenso, ainda que exteriormente equilibrado &#8212; o pai, sendo um homem arrogante e autorit&#225;rio, era tamb&#233;m, e simultaneamente, muito preocupado com a educa&#231;&#227;o dos filhos. A m&#227;e, esposa dedicada e submissa, vivia para o marido e para os filhos. Era uma mulher deprimida e com forte idea&#231;&#227;o suicida.<a href="#4"><sup>4</sup></a><a name="top4"></a> Na sua fam&#237;lia, verificou-se a ocorr&#234;ncia de sete ou oito suic&#237;dios (incluindo o da sua m&#227;e, av&#243; materna da cliente). O seu suic&#237;dio, mais ou menos concomitante &#224; descoberta de uma nova infidelidade do marido, acabou por n&#227;o ser inteiramente surpreendente, at&#233; porque tinha havido algumas amea&#231;as anteriores e existia uma pr&#225;tica de consumo exagerado de medicamentos &#34;perigosos&#34; (medicamentos que o marido, sendo m&#233;dico, acabou por procurar esconder).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A express&#227;o da afectividade, nomeadamente em termos f&#237;sicos, era bastante restrita na fam&#237;lia e, deste modo, tornou-se imposs&#237;vel fazer um luto adequado pela morte da m&#227;e, at&#233; porque, pouco tempo ap&#243;s a sua morte, o pai saiu de casa, deixando a cliente, com 23 anos, e o irm&#227;o, com 19, sozinhos.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A dificuldade em fazer lutos, resultante do tipo de clima que caracterizava a fam&#237;lia e em que Orqu&#237;dea foi socializada, tornou-lhe muito dif&#237;cil a gest&#227;o das mortes que se seguiram, primeiro do irm&#227;o (Orqu&#237;dea com 32 anos), depois do pai (Orqu&#237;dea com 37 anos). Ali&#225;s, e ainda em rela&#231;&#227;o &#224; morte do irm&#227;o e, nas palavras da cliente, &#34;n&#227;o foi s&#243; a morte aos 28 anos (28!), foi tamb&#233;m aquela lenta agonia, aquele estoicismo exemplar perante um tempo t&#227;o curto e um sofrimento atroz, a consci&#234;ncia da perca de capacidades...&#34;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Ainda que a hist&#243;ria de vida da cliente seja dif&#237;cil de reconstruir, devido &#224; inexist&#234;ncia de elementos vivos da fam&#237;lia nuclear, podemos supor que o clima geral seria de invalida&#231;&#227;o, tal como descrito por Linehan (1993).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Vari&#225;veis cognitivas</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">a) cren&#231;as absolutas relativas ao <i>self</i> e aos outros: &#34;n&#227;o suporto a solid&#227;o, mas acredito estar condenada a estar s&#243;&#34;; &#34;mais tarde ou mais cedo, as pessoas de quem gosto e em quem confio v&#227;o abandonar-me ou trair-me&#34;; &#34;n&#227;o sei quem sou&#34;; &#34;n&#227;o podemos confiar em ningu&#233;m, nem mesmo em n&#243;s pr&#243;prios&#34;; &#34;o mundo &#233; frustrante e mon&#243;tono&#34;.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">b) cren&#231;as condicionais relativas ao <i>selfe</i> aos outros: &#34;sempre achei que, se algu&#233;m mostrasse amar-me, essa pessoa, pelo simples facto de me dedicar esse afecto, ent&#227;o n&#227;o podia ser digna do meu amor&#34;; &#34;se me sinto bem, ent&#227;o deixo de receber o apoio e carinho daqueles de quem mais gosto&#34;.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">c) situa&#231;&#245;es de vulnerabilidade: situa&#231;&#245;es de perda interpessoal (e.g., t&#233;rmino de rela&#231;&#245;es amorosas, morte da m&#227;e, do irm&#227;o, do pai; quando membros da famflia &#8212; pai, e.g., &#8212; saem de casa &#8212; situa&#231;&#245;es de ambival&#234;ncia e/ou incerteza (e.g., avalia&#231;&#245;es acad&#233;micas, entregas e reuni&#245;es de trabalho); situa&#231;&#245;es de abandono (e.g., licen&#231;a de parto da terapeuta; ou ent&#227;o, na sequ&#234;ncia de um internamento psiqui&#225;trico (em 1983): &#34;quando cheguei a casa, telefonei ao meu pai, a chorar como uma Madalena porque o &#39;shrink&#39; n&#227;o tinha ido ver-me&#34;) &#8212; note-se que as situa&#231;&#245;es de perda podem tamb&#233;m ser conceptualizadas como abandonos, ainda que aqui as tenhamos apresentado separadamente.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Estrat&#233;gias compensat&#243;rias</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Negativismo geral (&#34;&#201; tudo mau? Nem por isso; fundamentalmente desinteressante, in&#250;til, gratuito. Queria tanto n&#227;o sentir assim&#34;); isolamento; consumo de &#225;lcool, marijuana, hero&#237;na, coca&#237;na; rituais obsessivo-compulsivos (cuidar das plantas, corrigir dicion&#225;rios, quando est&#225; a consumir); &#34;surtos&#34; de compras mais ou menos desnecess&#225;rias.<a href="#5"><sup>5</sup></a><a name="top5"></a></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Finalmente, apresentamos a <a href="/img/revistas/psi/v15n2/15n2a02f1.jpg">figura 1</a>, que a nosso ver resume e sintetiza, sem simplificar excessivamente, os aspectos mais importantes da conceptualiza&#231;&#227;o do caso.</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2"><b><i>Distor&#231;&#245;es cognitivas e d&#233;fices comportamentais</i></b></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Ainda que seja poss&#237;vel a identifica&#231;&#227;o, no funcionamento de Orqu&#237;dea, de v&#225;rias distor&#231;&#245;es cognitivas, como sejam a catastrofiza&#231;&#227;o, o pensamento emocional, a personaliza&#231;&#227;o, a sobregeneraliza&#231;&#227;o ou a desqualifica&#231;&#227;o do positivo, centrar-nos-emos apenas, e dada a sua centralidade na perturba&#231;&#227;o <i>borderline</i> da personalidade, no <i>pensamento dicot&#244;mico.</i> Recorremos, para brevemente ilustrar este modo de funcionamento, ao in&#237;cio de um texto intitulado &#34;As couves&#34;, e datado de Janeiro de 2000, dedicado aos seus conflitos relativamente &#224; depend&#234;ncia: &#34;Gosto amo adoro detesto odeio abomino tudo tracinho me e o mundo cm geral, passando por amigos, parentes, transeuntes e at&#233; um ou outro desconhecido. Sou pois diferente de uma couve&#34;. No entanto, os exemplos deste tipo de funcionamento abundam ao longo de todo o artigo.<a href="#6"><sup>6</sup></a><a name="top6"></a></b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os principais d&#233;fices comportamentais identificados foram: deficiente capacidade de comunica&#231;&#227;o (e.g., aptid&#245;es assertivas); dificuldade em tomar decis&#245;es e em lidar eficazmente com o <i>stress</i> (e.g., procrastina&#231;&#227;o, absentismo), e deficiente controlo de impulsos (e.g., excesso de consumo de &#225;lcool e drogas e manifesta&#231;&#245;es de raiva).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b><i>Dimens&#245;es da selec&#231;&#227;o sistem&#225;tica de interven&#231;&#245;es</i></b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Tomando como referencial os trabalhos de Beutler e colaboradores (Beutler <i>ic</i> Clarkin, 1990; Beutler &#38; Harwood, 2000; Gaw &#38; Beutler, 1990), passamos a explicitar um conjunto de vari&#225;veis que julgamos igualmente de grande import&#226;ncia na conceptualiza&#231;&#227;o e tomada de decis&#227;o terap&#234;uticas, exemplificando-as para o caso cl&#237;nico em estudo.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Severidade do problema</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Severo &#8212; veja-se, acima, o diagn&#243;stico, que inclui co-morbilidade, e recordem-se alguns dos problemas mais relevantes: profissionais (incerteza sobre escolhas vocacionais, falta de motiva&#231;&#227;o, procrastina&#231;&#227;o, absentismo); baixas auto-efic&#225;cia c estima; baixa toler&#226;ncia &#224; frustra&#231;&#227;o; distimia; confus&#227;o relativa a objectivos; alguma idea&#231;&#227;o paran&#243;ide, particularmente em situa&#231;&#245;es de vulnerabilidade; fraca qualidade do sono; depend&#234;ncia de drogas que obrigou a v&#225;rios internamentos ao longo da vida da cliente.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Apesar da severidade do problema, e talvez paradoxalmente, parece haver um n&#237;vel de funcionamento no quotidiano relativamente eficaz (cliente cozinha, cuida da casa, cuida do seu carro, gere o seu dinheiro, faz as compras para a casa; produz trabalhos de qualidade reconhecida dentro da sua especialidade; concluiu um curso m&#233;dio e uma licenciatura).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Complexidade do problema</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O problema &#233; complexo: verifica-se co-morbilidade a n&#237;vel dos eixos I e II do DSM-IV; existe cronicidade; existe uma multiplicidade de sintomas; os comportamentos repetem-se ao longo de situa&#231;&#245;es dissemelhantes e constituem tentativas ritualizadas para resolver conflitos din&#226;micos e interpessoais; finalmente, aqueles conflitos remetem para rela&#231;&#245;es passadas da cliente (reflectindo-se nos conflitos interpessoais actuais).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Desconforto motivacional</b></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">No inicio do processo terap&#234;utico, a cliente apresentava um baixo grau de activa&#231;&#227;o emocional &#8212; pouca sintomatologia (ap&#243;s o &#250;ltimo internamento, encontrava-se medicada e a fazer terapia antagonista); afecto relativamente constrangido; baixo investimento na terapia &#8212; lapidar parece-nos, a este respeito, a descri&#231;&#227;o que faz das suas expectativas iniciais relativamente &#224; terapia:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">primeiro, disseram-me que era uma psicoterapia breve. Que bom! Era tudo quanto eu queria, o que eu precisava era ver-me livre daquela enrascada e estudar como era poss&#237;vel continuar a consumir comedidamente e sem trag&#233;dias.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Contudo, e nomeadamente ap&#243;s a licen&#231;a de parto da terapeuta, que ocorreu no segundo ano de terapia, a cliente passou por uma fase de elevada activa&#231;&#227;o emocional, que incluiu grande agita&#231;&#227;o motora, grande perturba&#231;&#227;o sintomatol&#243;gica (depress&#227;o, ansiedade, aumento exponencial do consumo de opi&#225;ceos), dificuldades em manter a concentra&#231;&#227;o e at&#233; mesmo a assiduidade &#224; terapia, e sentimentos de raiva, desespero e tristeza bastante intensos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">N&#237;vel de react&#226;ncia</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A tend&#234;ncia geral &#233; para uma elevada react&#226;ncia, dada a hist&#243;ria anterior da cliente, de insucesso nos contactos com profissionais de sa&#250;de mental, e de grande conflitualidade interpessoal. Contudo, podemos registar dois momentos distintos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Baixa react&#226;ncia no primeiro ano e meio de terapia, que se traduziu numa grande disponibilidade da cliente para a realiza&#231;&#227;o dos trabalhos de casa, para a aceita&#231;&#227;o das interpreta&#231;&#245;es e orienta&#231;&#245;es da terapeuta e numa grande abertura para a realiza&#231;&#227;o de novas experi&#234;ncias e para o treino de compet&#234;ncias.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Sensivelmente a partir da licen&#231;a de parto da terapeuta, registou-se um aumento da react&#226;ncia da cliente, que se traduziu pela dificuldade em cumprir os trabalhos de casa, pela necessidade intensa de manter a autonomia e pela resist&#234;ncia a todas as influ&#234;ncias externas, incluindo algumas interven&#231;&#245;es da terapeuta. Pode dizer-se que existe uma atitude de desespero e desesperan&#231;a de fundo, que levou mesmo a algumas tentativas para interromper a terapia. A react&#226;ncia parece progredir por &#34;surtos&#34;, frequentemente associados a rupturas na alian&#231;a terap&#234;utica.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Estilo de <i>coping</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Quadro misto de internaliza&#231;&#227;o (nega&#231;&#227;o, minimiza&#231;&#227;o, autopuni&#231;&#227;o, repress&#227;o... mas acima de tudo, intelectualiza&#231;&#227;o, o mecanismo de sobreviv&#234;ncia preferido de Orqu&#237;dea) e externaliza&#231;&#227;o (ambival&#234;ncia, baixa toler&#226;ncia &#224; frustra&#231;&#227;o, evitamento, manipula&#231;&#227;o dos outros, procura de estimula&#231;&#227;o, culpabiliza&#231;&#227;o dos outros e do <i>self,</i> agress&#227;o n&#227;o socializada e, finalmente, <i>acting out).</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Ciclos interpessoais disfuncionais</i></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Acreditamos que, como complemento essencial &#224;s vari&#225;veis j&#225; mencionadas para a conceptualiza&#231;&#227;o do caso, essencialmente vari&#225;veis que pudemos designar de &#34;tra&#231;o&#34; (cognitivas, comportamentais, do problema e de personalidade), s&#227;o igualmente necess&#225;rias vari&#225;veis que contemplem outra dimens&#227;o de funcionamento dos pacientes e da interac&#231;&#227;o destes com o terapeuta &#8212; trata-se das vari&#225;veis que pudemos designar de &#34;estado&#34;.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Um primeiro grupo destas vari&#225;veis &#233; o proposto por Safran e colaboradores (Safran &#38; Muran, 1995; Safran &#38; Muran, 2000; Safran &#38; Segai, 1990), nomeadamente os &#34;marcadores e ciclos interpessoais disfuncionais&#34; e as &#34;rupturas&#34; na alian&#231;a terap&#234;utica.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">No caso de Orqu&#237;dea foi poss&#237;vel identificar pelo menos dois ciclos ou conflitos interpessoais disfuncionais: <i>o ciclo confian&#231;a-desconfian&#231;a</i> foi patente na interac&#231;&#227;o terap&#234;utica, particularmente em torno dos consumos &#8212; assumira-se, expl&#237;citamente, que a terapeuta n&#227;o seria uma esp&#233;cie de detective de eventuais situa&#231;&#245;es de reca&#237;da, no entanto, a cliente voltou a consumir e a encobrir esses consumos da terapeuta, manifestando depois a sua decep&#231;&#227;o pelo facto de ela n&#227;o a ter desmascarado; <i>o ciclo de depend&#234;ncia-independ&#234;ncia &#233;</i> patente na interac&#231;&#227;o terap&#234;utica em que a cliente, simultaneamente, solicita maior direccionamento por parte da terapeuta, e depois se comporta de forma rebelde n&#227;o seguindo as suas sugest&#245;es, boicotando a agenda das sess&#245;es, ou ocultando informa&#231;&#227;o que sabe ser importante.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Marcadores emocionais</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Por &#250;ltimo, o segundo grupo de vari&#225;veis de &#34;estado&#34; baseia-se no trabalho de Greenberg e colaboradores (Greenberg, Rice &#38; Elliot, 1993; Greenberg &#38; Paivio, 1997), contemplando a identifica&#231;&#227;o dos &#34;marcadores emocionais&#34; que parecem capturar os dilemas e dificuldades de processamento cognitivo-emocional do paciente.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Inevitavelmente, e face &#224; hist&#243;ria de vida de Orqu&#237;dea, o trabalho emocional/experiencial, dando aten&#231;&#227;o sistem&#225;tica aos marcadores de &#34;vulnerabilidade intensa&#34;, mediante uma atitude de valida&#231;&#227;o, afirma&#231;&#227;o emp&#225;tica e aceita&#231;&#227;o, centrou-se nos assuntos inacabados, nomeadamente os relativos &#224; m&#227;e, ao pai e ao irm&#227;o (figuras obviamente centrais, todas elas, em termos desenvolvimentistas), expressos frequentemente sob a forma de ressentimentos. Alguns destes ressentimentos s&#227;o descritos com rigor pela cliente em alguns textos que escreveu ao longo do processo terap&#234;utico: o ressentimento pelo abandono da m&#227;e quando decidiu suicidar-se, o ressentimento pelos abra&#231;os que o pai n&#227;o lhe deu, o ressentimento pelo apoio que a fam&#237;lia n&#227;o lhe deu ap&#243;s a morte da m&#227;e, o ressentimento pelo facto de o irm&#227;o ter &#34;desistido da vida&#34;.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O complexo trabalho de luto acima descrito exigiu ainda alguma interven&#231;&#227;o direccionada para a resolu&#231;&#227;o de uma clivagem, que emergiu e foi prontamente identificada logo que se iniciou a interven&#231;&#227;o direccionada para a resolu&#231;&#227;o dos &#34;assuntos inacabados&#34;. Assim, Orqu&#237;dea foi exposta desde cedo &#224;s avalia&#231;&#245;es e expectativas negativas dos seus pais, expectativas essas que incidiram quer sobre as cren&#231;as a respeito de si mesma (t&#227;o depressa sendo vista como extremamente dotada como, no momento seguinte, m&#225; e cruel), quer sobre as cren&#231;as a respeito dos outros, do mundo e do futuro (o suic&#237;dio da m&#227;e e a morte precoce do irm&#227;o ter&#227;o influenciado, inevitavelmente, as suas esperan&#231;as em rela&#231;&#227;o ao futuro, e mesmo a sua pr&#243;pria vontade de viver e lutar face a situa&#231;&#245;es de maior adversidade). Os sentimentos de vergonha vivenciados com alguma frequ&#234;ncia pela cliente, relativamente aos seus consumos e aos seus comportamentos nesses per&#237;odos, constituem um marcador adicional de clivagem.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Implica&#231;&#245;es da conceptualiza&#231;&#227;o do caso para a conceptualiza&#231;&#227;o e condu&#231;&#227;o do processo</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Seguidamente, passamos a apresentar as implica&#231;&#245;es dos referenciais utilizados na conceptualiza&#231;&#227;o do caso para a conceptualiza&#231;&#227;o e condu&#231;&#227;o do processo terap&#234;utico. Na realidade, a &#34;dan&#231;a&#34; em que consiste o processo terap&#234;utico envolve dois actores principais: o terapeuta e o cliente. O entendimento que se estabelece entre ambos (alian&#231;a terap&#234;utica) vai ser respons&#225;vel por uma parte significativa da harmonia dessa dan&#231;a (componente art&#237;stica), contudo a t&#233;cnica, o treino e a coreografia n&#227;o podem ser negligenciados. Acreditamos que a psicoterapia &#233; &#34;uma actividade que se pretende eminentemente art&#237;stica, baseada num conhecimento que se pretende eminentemente cient&#237;fico&#34; (Vasco, 1994). A cada momento, os elementos do par corrigem-se e ajustam-se, umas vezes mais conformes &#224; coreografia, outras mais virados para o improviso, num processo cheio de microdecis&#245;es que, parecendo talvez insignificantes no momento, se revelam fundamentais para o efeito final. Na dan&#231;a, a dimens&#227;o &#34;tempo&#34; &#233; fundamental, por isso opt&#225;mos por descrever os seus momentos principais, mencionando aqui e ali algumas das microdecis&#245;es que fomos tomando, sem perder de vista o ingrediente principal: o grau de entendimento dos dan&#231;arinos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Mantendo presente a ideia de que o dado mais robusto de cinquenta anos de investiga&#231;&#227;o em psicoterapia &#233; o de que a qualidade da alian&#231;a terap&#234;utica, independentemente da orienta&#231;&#227;o te&#243;rica, &#233; o melhor preditor da efic&#225;cia das interven&#231;&#245;es psicoterap&#234;uticas (Horvath &#38; Symonds, 1991; Horvath &#38; Greenberg, 1994), passamos a descrever as fases mais importantes pelas quais a alian&#231;a terap&#234;utica passou ao longo dos tr&#234;s anos de dura&#231;&#227;o da terapia.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A formula&#231;&#227;o de alian&#231;a terap&#234;utica que re&#250;ne maior consenso &#233; a proposta por Bordin (1979) &#8212; para este autor, a alian&#231;a &#233; composta por tr&#234;s elementos, cuja combina&#231;&#227;o define a qualidade da alian&#231;a: (A) acordo relativo a tarefas terap&#234;uticas; (B) acordo relativo a objectivos terap&#234;uticos; e (C) qualidade do la&#231;o terap&#234;utico. Apresentamos o ponto de vista de Orqu&#237;dea sobre cada um deste componentes da alian&#231;a terap&#234;utica, ilustrando, desta forma, alguns dos pontos d encontro e desencontro entre terapeuta e cliente.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">(A) Dimens&#227;o &#34;tarefas&#34;: &#34;por vezes pergunto-me a raz&#227;o de tantos TPC Parec que n&#227;o t&#234;m efeitos vis&#237;veis nas sess&#245;es mas depois segue-se uma reflex&#227;o sobre uma situa&#231;&#227;o em que um TPC foi relevante, nomeadamente pela possibilidade de reler e repensar coisas que foram ditas em sess&#245;es em que ainda n&#227;o faziam muito sentido, mas que depois o adquiriram, ou seja, verifica-se algum grau de acordo relativamente a esta dimens&#227;o, entre terapeuta e cliente.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">(B) Dimens&#227;o &#34;objectivos&#34;: o processo de &#34;encaixe&#34; e negocia&#231;&#227;o entre terapeuta e cliente relativamente aos objectivos da terapia fica talvez mais claro pela apresenta&#231;&#227;o de um pequeno exerc&#237;cio de descodifica&#231;&#227;o, que julgamos particularmente heur&#237;stico &#8212; a terapeuta procedeu a um conjunto de pequena; altera&#231;&#245;es<a href="#7"><sup>7</sup></a><a name="top7"></a> num texto elaborado pela cliente a prop&#243;sito de um projecto na &#225;rea d; sa&#250;de mental em que se envolveu e que pode ser visto como um; metacomunica&#231;&#227;o (ou projec&#231;&#227;o) sobre o processo terap&#234;utico, permitindo ainda tirar algumas conclus&#245;es interessantes relativas &#224; &#34;agenda escondida&#34; da Client; para a terapia, bem como &#224;s expectativas iniciais da cliente face &#224; terapia e &#224; terapeuta:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Orqu&#237;dea &#233; um mundo: o mundo interno, o mundo externo, o pai, a m&#227;e, o irm&#227;o, o&#237; tios, os primos, os amigos, ex-toxicodependentes ou n&#227;o, os namorados c ex-namorados, os ex-terapeutas, os colegas de trabalho, a empregada, a senhora do caf&#233; (alguns dos quais tantas vezes esquecidos mas sem os quais nada funciona). Para al&#233;m deste mundo imediato, encontram-se as fam&#237;lias destas pessoas. Um pouco mais longe, encontram-se as pessoas que poder&#227;o vir a necessitar de Orqu&#237;dea e as que nunca necessitar&#227;o nem entrar&#227;o em contacto com ela, mas a quem a sa&#250;de mental interessa.<a href="#8"><sup>8</sup></a><a name="top8"></a></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O <i>apoio constante</i> da terapeuta ser-me-&#225; fundamental, pelo menos numa primeira fase, especialmente pela minha experi&#234;ncia em sa&#250;de mental ser nula. (...) as <i>altera&#231;&#245;es a introduzir dever&#227;o ser progressivas e as suas motiva&#231;&#245;es explicitadas, tendo sempre em aten&#231;&#227;o o meu feedback.</i> Tamb&#233;m a&#237; o papel da terapeuta ser&#225; fundamental...</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Ainda que tal possa ir contra os objectivos terap&#234;uticos, <i>atrevo-me a interrogar-me sobre a democraticidade total de um processo como a terapia,</i> neste caso.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Chegar &#224;s outras pessoas, &#34;emocionalmente danificadas&#34; como eu (ser&#227;o elas tamb&#233;m clientes em pot&#234;ncia?), podendo depois alargar o &#226;mbito aos outros e &#224;s suas fam&#237;lias. Alargamento progressivo e em &#34;espiral&#34; tendo sempre em conta que as pessoas se interessam por aquilo que lhes diz respeito e compreendem ou querem compreender.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A sa&#250;de mental interessa-lhes? Se sim, possibilidade de trabalhar as seguintes quest&#245;es nas sess&#245;es:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; actividades que posso desenvolver que ajudem a minha reabilita&#231;&#227;o e completem a minha forma&#231;&#227;o (ser&#225; que estou bem informada sobre a multiplicidade de actividades desenvolvidas? <i>Terei necessidade de partilhar as experi&#234;ncias vividas?<a href="#9"><sup>9</sup></a><a name="top9"></a></i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; conte&#250;dos (possibilidade: em cada sess&#227;o, de escolher uma das diversas actividades e/ou um conte&#250;do, opini&#227;o de quem me conhece &#8212; podem d&#225;-la inc&#243;gnitos, se o desejarem &#8212; e de ex-toxicodependentes.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">&#8212; sess&#245;es (e porque n&#227;o? &#201; uma situa&#231;&#227;o de emerg&#234;ncia) &#8212; as sess&#245;es funcionam?</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; experi&#234;ncias pessoais (&#34;antes&#34;, &#34;durante&#34;, &#34;depois&#34;, sendo que o durante pode ser uma crise, um internamento, uma sess&#227;o terap&#234;utica, um facto especialmente relevante da minha vida, etc.)</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Informa&#231;&#245;es de car&#225;cter mais t&#233;cnico (mas em linguagem acess&#237;vel) sobre sa&#250;de mental</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; o que &#233; a depress&#227;o, a esquizofrenia, a toxicodepend&#234;ncia (e eventualmente outros problemas menos graves);<a href="#10"><sup>10</sup></a><a name="top10"></a> o que se pode fazer perante os sintomas/as crises; o que &#233; a terapia; as actividades; alternativas de vida; a fam&#237;lia; os amigos; as ajudas existentes em termos de apoio psicol&#243;gico/psiqui&#225;trico e de forma&#231;&#227;o profissional (possibilidade: um texto escrito com informa&#231;&#245;es sobre estas quest&#245;es, criar uma din&#226;mica externa &#8212; possibilidades de colabora&#231;&#227;o mais alargada. O problema de o grupo de amigos ser flutuante poderia ser ultrapassado caso se motivassem suficientes pessoas para haver um n&#250;mero de colaboradores que possibilitasse um bom afluxo de apoios.<a href="#11"><sup>11</sup></a><a name="top11"></a></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Em minha opini&#227;o (de leiga, saliente-se), a sa&#250;de mental interessa &#224;s pessoas em geral. H&#225; uma assustadora falta de informa&#231;&#227;o e, quando a h&#225;, a abordagem nem sempre &#233; feita da melhor forma (preconceitos contra os doentes mentais, as institui&#231;&#245;es psiqui&#225;tricas e a doen&#231;a mental em si). Mas, se em termos de sa&#250;de mental h&#225; certamente muitas coisas a melhorar, j&#225; houve avan&#231;os, h&#225; muito trabalho realizado, e h&#225; sa&#237;das (= mensagem que poder&#225; ter repercuss&#245;es positivas em mim mesma, na minha fam&#237;lia e nas outras pessoas &#224; minha volta). Preciso sair do gueto (leia-se: d&#234;-me esperan&#231;a).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Import&#226;ncia de se estabelecer um objectivo temporal</i> (ainda que possa haver atrasos). Tal tornaria mais f&#225;cil a escolha e o planeamento dos conte&#250;dos (...). Seria ainda poss&#237;vel preparar conte&#250;dos para sess&#245;es muito posteriores. Eliminaria o efeito de in&#233;rcia que surge sempre naturalmente quando n&#227;o h&#225; alvos temporais.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">(...) julgo que, para as pessoas em geral, quando se fala em toxicodepend&#234;ncia, a &#250;nica imagem que surge &#233; a de doentes a pedirem dinheiro ou cigarros nos sem&#225;foros. Grades e paredes brancas. Coletes de for&#231;as e esvaziamento do eu. Que tal mudar essa opini&#227;o?</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Ainda que a cliente frequentemente confunda os objectivos com as estrat&#233;gias para l&#225; chegar, a verdade &#233; que as suas sugest&#245;es n&#227;o s&#227;o de menosprezar. Este texto serviu para aferir, com a cliente, os objectivos para o processo, estabelecendo-se um acordo mutuamente informado, como poder&#225; ser vis&#237;vel atrav&#233;s da explicita&#231;&#227;o de alguns objectivos parcelares em v&#225;rios pontos do presente artigo &#8212; e.g., constituir uma rede de suporte interpessoal que sustente as mudan&#231;as comportamentais; informar a cliente sobre a sua patologia para que activamente se possa envolver na sua pr&#243;pria recupera&#231;&#227;o de forma respons&#225;vel; discriminar as emo&#231;&#245;es prim&#225;rias de forma a &#34;preencher&#34; o <i>self;</i> confrontar os preconceitos a respeito de si mesma da sua patologia, preconceitos esses que a encerram num &#34;gueto&#34;.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">(C) Dimens&#227;o &#34;la&#231;o&#34;: quer nas fases iniciais da terapia (estabelecimento d confian&#231;a), quer posteriormente, ap&#243;s a interrup&#231;&#227;o do processo por um per&#237;odo de seis meses, esta dimens&#227;o da alian&#231;a terap&#234;utica foi, talvez, a mais saliente constituindo-se como um apoio indispens&#225;vel para o doloroso (mas inevit&#225;vel trabalho experiencial (e, sobretudo, interpessoal) realizado. Como veremos, esta dimens&#227;o foi tamb&#233;m frequentemente explicitada, quer pela terapeuta, quer pela cliente.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Passamos, finalmente, &#224; explicita&#231;&#227;o do modo como a sequencializa&#231;&#227;o da fases inerentes aos diferentes objectivos estrat&#233;gicos do processo auxilia terapeuta na tomada de decis&#245;es cl&#237;nicas, tendo como base as vari&#225;veis utilizada na conceptualiza&#231;&#227;o do caso.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>Sequencializa&#231;&#227;o Interventiva</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Constru&#231;&#227;o da confian&#231;a no terapeuta e no processo terap&#234;utico</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Consideramos que o objectivo central desta fase inicial do processo &#233; o da constru&#231;&#227;o de uma rela&#231;&#227;o de colabora&#231;&#227;o e de confian&#231;a no terapeuta e no processo terap&#234;utico, bem como o da instaura&#231;&#227;o ou restaura&#231;&#227;o da esperan&#231;a (Frank &#38; Frank 1991). Para al&#233;m deste objectivo central, e particularmente nos casos de perturba&#231;&#227;o <i>borderline, &#233;</i> essencial auxiliar o cliente a come&#231;ar a empreender ac&#231;&#245;es repara doras no sentido da regula&#231;&#227;o da sua vida quotidiana (e.g., h&#225;bitos de sono e alimentares; controlo de impulsos; regula&#231;&#227;o de consumos excessivos; aumento da toler&#226;ncia ao <i>stress</i>; efic&#225;cia interpessoal e regula&#231;&#227;o emocional) (Linehan, 1993).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Marsha Linehan (1993), proponente do modelo de &#34;terapia comportamenta dial&#233;ctica&#34;, at&#233; ao momento o modelo que a investiga&#231;&#227;o mostrou ser mais eficaz na perturba&#231;&#227;o <i>borderline</i> da personalidade, defende que, com este tipo de clientes caso o terapeuta entre excessivamente cedo num registo interventivo da &#34;processamento emocional de experi&#234;ncias traum&#225;ticas passadas&#34; ou de &#34;confronto cognitivo&#34;, pode comunicar a mesma mensagem de rejei&#231;&#227;o que c cliente tem recebido durante toda a sua vida. Deste modo, a autora defende que este tipo de interven&#231;&#245;es deve ser precedido por um longo per&#237;odo de aceita&#231;&#227;o valida&#231;&#227;o e empatia, que deve ser mantido durante todo o processo. S&#243; ap&#243;s c estabelecimento de uma forte alian&#231;a terap&#234;utica (particularmente o componente &#34;la&#231;o&#34;), quando o paciente se sinta genuinamente aceite, &#233; que estar&#225; receptivo ao reprocessamento emocional e a interven&#231;&#245;es cognitivo-comportamentais mais confrontantes (Vasco, 1997).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Regressando ao conceito de alian&#231;a terap&#234;utica, e recordando o comportamento da cliente na primeira sess&#227;o, n&#227;o deixa de ser curioso como, ao procurar seduzir a terapeuta (que geralmente n&#227;o trabalha com clientes que apresentem &#34;comportamentos aditivos&#34;), come&#231;ando pela sua hist&#243;ria de vida e n&#227;o pela hist&#243;ria dos seus consumos, Orqu&#237;dea acabou por contribuir activa e inteligentemente para o estabelecimento de uma forte empatia (componente &#34;la&#231;o&#34; da alian&#231;a terap&#234;utica) que, (descontando alguma instrumentalidade) tomou poss&#237;vel o trabalho que se seguiu. As palavras da cliente traduzem talvez melhor o passo seguinte, o passo da &#34;resposta&#34; da terapeuta:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">depois, um dia, abra&#231;ou-me. Durante muito tempo. Com muita for&#231;a. Desconfiei. Mas, afinal, o que &#233; que ela quer? Est&#225; s&#243; a fazer o trabalho dela? (Oh!, horror e maldi&#231;&#227;o, tenho de ter algu&#233;m a trabalhar-me!) Est&#225; a tentar dizer-me que me apoia, a transmitir-me for&#231;a? &#201; preciso ser assim? (...) Esmaga-me pensar que foi assim que a Isabel conseguiu romper algumas das minhas defesas.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">As condi&#231;&#245;es para que o la&#231;o/base se estabelecesse estavam criadas. Os primeiros tempos da terapia foram dedicados a identificar as raz&#245;es para o consumo e as protec&#231;&#245;es &#34;contra&#34; o mesmo, numa fase em que a cliente se encontrava em terapia agonista (Antaxone). Como teremos oportunidade de ver, as raz&#245;es para o consumo foram, nesta fase, muito dif&#237;ceis de identificar e as protec&#231;&#245;es foram sobretudo exteriores &#224; cliente.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A severidade do problema justificou algumas decis&#245;es cl&#237;nicas importantes, nomeadamente a continua&#231;&#227;o do acompanhamento psiqui&#225;trico e psicofarmaco-l&#243;gico. Sendo o grau de activa&#231;&#227;o emocional baixo no in&#237;cio do processo terap&#234;utico, a terapeuta come&#231;ou por aferir as expectativas da cliente relativamente &#224; terapia, nomeadamente ao esclarecer que o processo n&#227;o seria breve e que o trabalho de luto, face &#224; hist&#243;ria da cliente, se previa dif&#237;cil e demorado, o que, credibilizando embora o processo, causou, secundariamente, um aumento do desconforto na cliente &#8212; &#34;a primeira coisa importante que me disse foi que ia doer como o cara&#231;as. O que li: fazer a psicoterapia, n&#227;o tanto desagarrar-me&#34;. Este trabalho revelou-se fundamental na &#34;constru&#231;&#227;o da confian&#231;a no terapeuta e no processo terap&#234;utico&#34;.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Neste per&#237;odo, em que a react&#226;ncia era menor, a terapeuta assumiu uma postura mais directiva, claramente preferida pela cliente, e muitas vezes solicitada em fases posteriores do processo.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Tendo em aten&#231;&#227;o as considera&#231;&#245;es anteriormente feitas relativamente &#224; necessidade de auxiliar a cliente a empreender ac&#231;&#245;es reparadoras no sentido da regula&#231;&#227;o da sua vida quotidiana, a terapeuta deu prefer&#234;ncia, nesta fase inicial: (1) &#224; reconstru&#231;&#227;o de alguns h&#225;bitos de viv&#234;ncia quotidiana (nomeadamente, h&#225;bitos de trabalho, que tiveram como consequ&#234;ncia a finaliza&#231;&#227;o da licenciatura da cliente); (2) ao trabalho relacional em tomo da rela&#231;&#227;o amorosa que Orqu&#237;dea mantinha com um indiv&#237;duo tamb&#233;m ex-toxicodependente, trabalho que se saldou pelo t&#233;rmino dessa rela&#231;&#227;o; (3) a algum trabalho na &#225;rea da preven&#231;&#227;o da reca&#237;da e redu&#231;&#227;o do dano (Marlatt, 1998; Marlatt &#38; Gordon, 1985; Marlatt &#38; Gordon, 1998);</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">(4) ao apoio na participa&#231;&#227;o num projecto, em regime de voluntariado, na &#225;rea da sa&#250;de mental, em que Orqu&#237;dea se envolveu e que permitiu progredir na &#225;rea do treino assertivo e da gest&#227;o de conflitos; (5) ao controlo dos impulsos, quer na &#225;rea interpessoal (e.g., express&#227;o da raiva), quer na &#225;rea dos consumos; (6) ao treino de compet&#234;ncias, nomedamente na &#225;rea da assertividade, trabalho que foi retomado, num n&#237;vel de maior profundidade, logo que as rupturas que ocorreram posteriormente na alian&#231;a terap&#234;utica &#34;sararam&#34; o suficiente para o permitir.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Vemos, assim, que a confian&#231;a se constr&#243;i n&#227;o s&#243; em fun&#231;&#227;o de estrat&#233;gias interpessoais, mas tamb&#233;m mediante o alinhar de expectativas entre terapeuta e cliente e a regula&#231;&#227;o de aspectos importantes da vida deste.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Curiosamente, nesta fase, e num gesto que s&#243; podemos considerar simb&#243;lico, a cliente adoptou um animal (f&#234;mea) que se encontrava abandonado e maltratado na sua rua. F&#234;-lo depois de muitas hesita&#231;&#245;es, a pedido de algu&#233;m que o tinha recolhido temporariamente e contra a garantia de outro algu&#233;m de que poderia acolh&#234;-lo nos per&#237;odos de f&#233;rias, deste modo aligeirando o seu compromisso.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Atribui&#231;&#227;o de significado &#224;s experi&#234;ncias do cliente</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Nesta segunda fase do processo terap&#234;utico, os principais objectivos estrat&#233;gicos s&#227;o os de aumentar a consci&#234;ncia do cliente para a sua experi&#234;ncia comportamental, cognitiva, emocional e interpessoal, bem como para as rela&#231;&#245;es entre estes diferentes elementos da experi&#234;ncia e o significado das mesmas. Contudo, grande relev&#226;ncia continua a ser dada ao componente de &#34;la&#231;o&#34; da alian&#231;a terap&#234;utica, ainda que este se estabele&#231;a mais como &#34;fundo&#34; gest&#225;ltico, enquanto se come&#231;am a desenvolver as grandes linhas de trabalho (tarefas) como &#34;figura&#34; (Gon&#231;alves &#38; Vasco, 1997).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">No caso concreto de Orqu&#237;dea: (a) reconstru&#231;&#227;o da sua hist&#243;ria de vida (recorrendo &#224;s metodologias do questionamento, da elabora&#231;&#227;o e da an&#225;lise de &#225;lbuns de fam&#237;lia); (b) algum trabalho de tipo experiencial, com o objectivo de iniciar a consci&#234;ncia dos &#34;assuntos inacabados&#34; relativamente aos elementos da fam&#237;lia nuclear; (c) identificaram-se ainda algumas &#225;reas de trabalho/conte&#250;dos que pareceram relevantes, mas acabaram por ser muito incipientemente trabalhados, nomeadamente os que se relacionam com abortos realizados pela cliente e os que se prendem com algumas rela&#231;&#245;es de amizade.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A conceptualiza&#231;&#227;o do caso, apresentada na figura 1, revelou-se muito &#250;til, quer como guia de ac&#231;&#227;o para o terapeuta, quer como instrumento de trabalho com a cliente. Assim, e sobretudo no per&#237;odo da terapia anterior &#224; licen&#231;a de parto, fez-se um trabalho intenso de identifica&#231;&#227;o de situa&#231;&#245;es de vulnerabilidade, procurando-se estabelecer rela&#231;&#245;es entre essas situa&#231;&#245;es e as estrat&#233;gias compensat&#243;rias correspondentes, deste modo justificando a necessidade de treinar estrat&#233;gias alternativas para lidar com a dor e o sofrimento. Contudo, Orqu&#237;dea resistiu sempre a descodificar a liga&#231;&#227;o entre as estrat&#233;gias compensat&#243;rias (e.g., consumo de drogas) e as situa&#231;&#245;es de vulnerabilidade (e.g., abandonos). Infeliz, mas talvez inevitavelmente, essa liga&#231;&#227;o tomou-se, no entanto, &#243;bvia ap&#243;s a licen&#231;a de parto da terapeuta, permitindo um trabalho de maior profundidade (interpessoal e experiencial).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Um acontecimento que tem surgido ao longo deste artigo como um importante ponto de viragem no processo terap&#234;utico &#8212; a gravidez e posterior licen&#231;a de parto da terapeuta &#8212; sendo embora ditado pelo &#34;acaso&#34;, acabou por se revelar de grande &#34;utilidade&#34; terap&#234;utica. Assim, e sabendo que &#34;uma licen&#231;a prolongada &#233; inevitavelmente disruptiva e dolorosa para o cliente, j&#225; que &#233; baseada exclusivamente nas necessidades do terapeuta, e n&#227;o nas necessidades do cliente&#34; (Sarnat, 1991), a terapeuta procurou referenciar Orqu&#237;dea para um colega, especializado em toxicodepend&#234;ncia, uma vez que se antecipava (face ao diagn&#243;stico) que o maior risco durante o per&#237;odo de interrup&#231;&#227;o seria o de uma reca&#237;da precisamente nessa &#225;rea.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Esta op&#231;&#227;o, &#34;comunicando &#224; cliente o reconhecimento das suas necessidades de depend&#234;ncia e a consci&#234;ncia do quanto a interrup&#231;&#227;o poderia ser disruptiva&#34; (Sarnat, 1991), encontrou no entanto resist&#234;ncias muito grandes:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Como pr&#233;mio de consola&#231;&#227;o (e para ela, um belo apaziguador de consci&#234;ncia), arranjou um placebo. Um placebo de qualidade, claro. Da m&#225;xima confian&#231;a e muy competente. Ah, e saliente-se, especializado em agarradinhos. Seria ele diferente daqueles outros que conheci, que n&#227;o me aqueceram nem arrefeceram antes pelo contr&#225;rio? (...) <i>Todos</i> os clientes dela tiveram o seu processo terap&#234;utico interrompido e certamente que para muitos foi t&#227;o penoso como para mim o foi. Se ela pudesse abrir excep&#231;&#245;es.<a href="#12"><sup>12</sup></a><a name="top12"></a> Seja como for, o meu processo viu-se interrompido exactamente quando estava numa fase delicada, quando, no horizonte pr&#243;ximo, se avizinhavam nuvens de tempestade, coisas ainda mais delicadas que iriam mexer em coisas t&#227;o, t&#227;o fundas. Como se poder&#225; ent&#227;o sugerir, com toda a seriedade, com toda a candura do mundo, um substituto? (...).</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Orqu&#237;dea nunca recorreu a este terapeuta de substitui&#231;&#227;o. Os resultados desta &#34;op&#231;&#227;o&#34;, infelizmente, &#233; que foram pouco menos do que tr&#225;gicos: o facto de a terapeuta ter uma vida pr&#243;pria, separada, privada, e em que n&#227;o havia lugar para aquela cliente, levou a uma interrup&#231;&#227;o prematura e contraindicada da terapia agonista e a um regresso &#34;em toda a linha&#34; aos consumos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Ainda no per&#237;odo da gravidez, e como actividade preparat&#243;ria para a interrup&#231;&#227;o que se previa para breve, foi poss&#237;vel trabalhar algumas das quest&#245;es que est&#227;o bem descritas na literatura como emergentes nesta fase: sentimentos genuinamente temos em rela&#231;&#227;o &#224; terapeuta, identifica&#231;&#227;o com o b&#233;b&#233;, mas tamb&#233;m aumento da depend&#234;ncia, da nega&#231;&#227;o e da resist&#234;ncia (Guy, Guy &#38; Liaboe, 1986, citado em Guy, 1987); aumento da transfer&#234;ncia maternal, quest&#245;es de identidade sexual e tamb&#233;m inveja da terapeuta como uma pessoa f&#233;rtil e como m&#227;e (Nadelson <i>et al,</i> 1974, citado em Guy, 1987). No entanto, durante o per&#237;odo de interrup&#231;&#227;o da terapia, o que mais se salientou foi o aparecimento de mecanismos de defesa, tais como o isolamento do afecto, a nega&#231;&#227;o, o comportamento auto-destrutivo e (sobretudo no caso de Orqu&#237;dea) o <i>acting out</i> (Ashway, 1984, citado em Guy, 1987). Lax (1969, citado em Guy, 1987) afirma que as clientes do sexo feminino s&#227;o, precisamente, as mais suscept&#237;veis (por ocasi&#227;o da gravidez da terapeuta) &#224;quilo que designa por &#34;tempestades transferenciais&#34; (Guy, 1987).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A op&#231;&#227;o fora feita, havia que &#34;ficar&#34; na situa&#231;&#227;o e trabalhar, independentemente das consequ&#234;ncias, assim a cliente permanecesse na terapia para permitir esse trabalho... Na verdade, este tipo de interrup&#231;&#227;o, caso possa ser gerida por algu&#233;m que apresente uma hipersensibilidade ao abandono, pode constituir &#34;uma oportunidade para encorajar o desenvolvimento do cliente no sentido de rela&#231;&#245;es objectais mais integradas e de um reconhecimento da separa&#231;&#227;o&#34; (Sarnat, 1991). Uma vez mais, Orqu&#237;dea tem uma no&#231;&#227;o bastante precisa disso mesmo:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Uma parte muito consciente de mim, muito solar, n&#227;o sente qualquer m&#225;goa em rela&#231;&#227;o &#224; Isabel. D&#225;-lhe toda a raz&#227;o, fez bem, eu faria o mesmo, os beb&#233;s precisam de estar com as m&#227;es o m&#225;ximo de tempo poss&#237;vel (...) Algures, o elo quebrou-se. Aquele elo indiz&#237;vel, invis&#237;vel e omnipresente. Nada &#233; intoc&#225;vel, nada &#233; inquebr&#225;vel. Tudo se transforma. Note-se que, se n&#227;o fosse a Isabel a chamar-me a aten&#231;&#227;o, eu jamais reconheceria nesta raiva surda a m&#225;goa do abandono. Jamais reconheceria que, l&#225; bem no fundo, acho que ela n&#227;o tinha o direito de fazer o que fez. Se n&#227;o fosse a Isabel a chamar-me a aten&#231;&#227;o, guardaria esta raiva sem saber dar-lhe um nome, calaria esta incapacidade de confiar nela, de me confiar a ela.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Em resumo, usando como pretexto os acontecimentos actuais da rela&#231;&#227;o terapeuta-cliente, foi poss&#237;vel criar um enquadramento pass&#237;vel de facilitar a atribui&#231;&#227;o de um sentido &#224;s experi&#234;ncias passadas da cliente, nomeadamente &#224;s experi&#234;ncias de abandono, tornando tamb&#233;m mais acess&#237;vel a multidimensionalidade das reac&#231;&#245;es emocionais consequentes &#224;s situa&#231;&#245;es de abandono. Este trabalho permitiu criar as funda&#231;&#245;es para a compreens&#227;o e aceita&#231;&#227;o da quota-parte de responsabilidade da cliente nos seus sintomas e situa&#231;&#245;es de vida.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Voltando ao conceito de alian&#231;a terap&#234;utica, e mais especificamente &#224; dimens&#227;o &#34;la&#231;o&#34;, recordemos alguns dos passos que marcaram a sua &#34;constru&#231;&#227;o&#34;, e que de algum modo, ao poderem ser &#34;falados&#34; aberta e explicitamente na terapia, permitem atribuir um sentido &#224; experi&#234;ncia da cliente, sentido esse tanto mais rico porque simbolizado no aqui-e-agora terap&#234;utico. Comecemos, pois, pelo estabelecimento do v&#237;nculo &#34;positivo&#34;:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Neste momento come&#231;a a tornar-se-me mais claro o que &#233; a terapia. N&#227;o em termos t&#233;cnicos, obviamente, que disso n&#227;o percebo eu nada. Mas em termos do que &#233; a minha rela&#231;&#227;o com a terapia e, consequentemente, com a minha terapeuta. (...) Uma rela&#231;&#227;o un&#237;voca. Necessariamente. &#192; medida que o tempo foi avan&#231;ando, sentia-me mais e mais livre de dizer aquilo que me apetecia nas sess&#245;es. Por exemplo, falar horrores do meu pai sem a Isabel se chocar, ao contr&#225;rio dos meus amigos ou familiares, que ficam compreensivelmente arrepiados. Mas a minha vez de me arrepiar chegava quando ela me abra&#231;ava com for&#231;a e sinceridade e eu gostava. Aquilo chocava com a minha ideia de univocidade. Havia uma fronteira terapia-amizade vaga e indistinta que, por mais esfor&#231;os que fizesse, n&#227;o conseguia delimitar. (...) Mas h&#225; que separar as &#225;guas.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Chegou o tempo de separar as &#225;guas. Tanto mais que nenhum amigo meu deixaria de estar comigo por ter tido um filho ou quejandos. Tanto mais que qualquer amigo meu, mais cedo ou mais tarde, acaba por me <i>abandonar</i> ao ver-me empozinada todos os dias. Tenho tido a n&#237;tida sensa&#231;&#227;o que, nos dif&#237;ceis tempos que passei, tudo teria corrido de modo bem diferente se pudesse estar com ela. Da&#237; vai um passo para assumir que h&#225; bem no fundo de mim uma perturba&#231;&#227;o (mais chata do que eu julgava, ou queria), que h&#225; algo que n&#227;o funciona, ou funciona mal, que ando perdida de mim. (...). &#201; uma rela&#231;&#227;o &#237;ntima mas n&#227;o pessoal. Un&#237;voca, dizem eles todos pomposos. OK, pronto, estou a fazer terapia, ou melhor, preciso de fazer terapia. Como diz o povo, cada macaco no seu galho. E esta &#233; a &#225;rvore da terapia.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Passando pelas rupturas...</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">N&#227;o estou a gostar de ir &#224; Isabel. N&#227;o adianta nem atrasa. &#201; preciso ir mais al&#233;m, mas por onde come&#231;ar, por que ponta do emaranhado de novelos pegar, e depois quantos novelos fazer e como?</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Est&#225; disposta a ir comigo at&#233; onde for preciso, diz ela. Claro, eu sei que sou eu que tenho de rasgar. (...)</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Estou cansada, estou triste, n&#227;o me apetece. N&#227;o me apete&#231;o. Sempre este desespero manso. Esta falta de tes&#227;o pela vida. O que de facto pode ela fazer? &#201; impotente, n&#227;o &#233; cirurgi&#227; nem radiologista nem sequer farmac&#234;utica &#8212; &#233; que tamb&#233;m n&#227;o h&#225; p&#237;lulas para a vontade de viver. Para piorar as coisas, parece j&#225; pouco haver para dizer. (...)</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Depois, da &#250;ltima vez que estive com ela, os sil&#234;ncios foram muitos, muito longos. Eu em desespero absoluto. Nem eu sei porqu&#234;, s&#243; esta sem-raz&#227;o. Repetir-lhe outra vez o que ela j&#225; sabe? O que eu j&#225; sei? Para ouvir as mesmas respostas?</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Mas porqu&#234; o sil&#234;ncio dela? Tamb&#233;m n&#227;o sabe o que dizer sem se repetir? Queria tanto que ela tivesse dito algo de novo. Que me surpreendesse. Que me espantasse. Que me magoasse at&#233;.<a href="#13"><sup>13</sup></a><a name="top13"></a></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Mas vai-me dizendo umas coisas para me animar. T&#227;o-somente. E agora come&#231;aram a soar-me a oco, a falso. (...) E a tal frase que tantas vezes repetia. Sempre me pareceram demasiadas vezes. At&#233; parecia que se estava a convencer a si mesma. A convencer-me sem d&#250;vida. Gosto muito de si. Nunca foi capaz de dizer n&#227;o gosto disto em si.<a href="#14"><sup>14</sup></a><a name="top14"></a></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">E terminado na repara&#231;&#227;o dessas rupturas...</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Voltei ao p&#243; (...) J&#225; fui duas vezes &#224; Isabel e n&#227;o lhe disse nada. Perturbante, hoje estava em p&#243; e n&#227;o deu por nada.<a href="#15"><sup>15</sup></a><a name="top15"></a></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#34;A Isabel &#224;s vezes tem interven&#231;&#245;es pouco menos que desastrosas. Poderei, no momento, ficar irritada (at&#233; mesmo furiosa, como se deve lembrar), mas n&#227;o deixa de ser agrad&#225;vel. H&#225; a sensa&#231;&#227;o de um empenho que vem do cora&#231;&#227;o, que n&#227;o &#233; s&#243; cabe&#231;a, e por isso mesmo tem falhas. Um calor, um afecto que n&#227;o &#233; matem&#225;tico, que n&#227;o &#233; perfeito. O que d&#225; um certo toque pessoal &#224; tal rela&#231;&#227;o que n&#227;o o &#233;.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">(...) E depois n&#227;o se fecha, n&#227;o se escuda atr&#225;s da sua posi&#231;&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Acreditamos ser a gest&#227;o adequada dos objectivos e tarefas terap&#234;uticas, adentro de um la&#231;o terap&#234;utico caracterizado por empatia e autenticidade, bem como a repara&#231;&#227;o das micro (e.g., desacordos pontuais relativos a objectivo e relev&#226;ncia de tarefas) e macro-rupturas (Safran &#38; Muran, 2000) (e.g., a licen&#231;a de parto) na alian&#231;a terap&#234;utica, que inevitavelmente v&#227;o surgindo ao longo do processo, que permitem conduzir a terapia a &#34;bom porto&#34;.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><i>Compreens&#227;o e aceita&#231;&#227;o de responsabilidade (ou co-responsabilidade) pelos sintomas e situa&#231;&#245;es de vida</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Nesta terceira fase, pretende-se, essencialmente, que o cliente ganhe consci&#234;ncia do modo como contribui ou co-contribui para a constru&#231;&#227;o e manuten&#231;&#227;o das suas experi&#234;ncias, tanto adaptativas como n&#227;o adaptativas e, consequentemente, da capacidade que tem para a sua modifica&#231;&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Como consequ&#234;ncia do trabalho &#34;de atribui&#231;&#227;o de significado &#224;s experi&#234;ncias&#34;, os consumos s&#227;o reinterpretados como uma &#34;sa&#237;da&#34; encontrada pela cliente para conseguir defender-se da intrus&#227;o, no seu quotidiano, de mem&#243;rias e acontecimentos (nomeadamente, abandonos) demasiadamente dolorosos para suportar (a pr&#243;pria terapia, em certas fases, pode ser uma dessas &#34;intrus&#245;es&#34;). No entanto, e por um &#34;estranho fen&#243;meno&#34;, a cliente tende a perder o contacto com esse sofrimento e usa posteriormente o consumo para se desqualificar (e, &#34;naturalmente&#34; tamb&#233;m a todos os que, como ela, consomem), o que conduz a sentimentos de culpabilidade e pena de si mesma. Estes sentimentos geram depress&#227;o e, por sua vez, necessitam de ser &#34;neutralizados&#34; com novos consumos. Paradoxalmente, sente-se unida, no seu sofrimento, com todos aqueles que vivem na pior das mis&#233;rias e a quem, noutras ocasi&#245;es, fere com o mais real preconceito.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Recorremos &#224;s suas palavras para ilustrar esta ambiguidade que nos parece central.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O p&#243; &#233; bom. J&#225; se sabe, claro. Eu vou ter com ele, ele afasta-me de mim. Eu dou-lhe a dor, ele d&#225;-me o esquecimento. (...) Talvez o p&#243; tamb&#233;m me d&#234; raz&#245;es, fortes e boas, para me desqualificar. Fa&#231;o-o. Ou sinto-me capaz de o fazer. E aponto-o como a coisa mais ign&#243;bil e cobarde que fazer se pode. Assim n&#227;o tenho s&#243; que lutar por mim. Nem sequer contra mim. Invento um inimigo e por ele luto contra mim. Ou contra ele ponho luto por mim?</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Mas o desamparo e a fragilidade s&#227;o t&#227;o humanos. Olha para ti. Para os teus irm&#227;os. Lan&#231;as pedras a quem? E, por caminhos muito, muito &#237;nvios, numa solidariedade que salta de um abismo para outro abismo, vou at&#233; l&#225; outra vez. Encontrei o para&#237;so que os crist&#227;os inventaram: a m&#227;o com que me fustigo &#233; a m&#227;o com que me afago.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">E, finalmente, numa auto-avalia&#231;&#227;o simultaneamente demasiado rigorosa e excessivamente benevolente, Orqu&#237;dea remata: &#34;pois &#233;, meas culpas. E boas desculpas&#34;.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Surge igualmente o reconhecimento de que os consumos, sendo embora multideterminados, servem tamb&#233;m fun&#231;&#245;es comunicacionais em rela&#231;&#245;es interpessoais significativas (veja-se o que a cliente diz sobre a rela&#231;&#227;o entre o pai e os consumos), nomeadamente na rela&#231;&#227;o com a terapeuta:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">e sinto que estou novamente a usar o p&#243; como vingan&#231;a. Desta vez contra a Isabel. Entre divers&#237;ssimas outras utilidades, obviamente. Se fosse esta a &#250;nica, era tudo muito mais f&#225;cil. Por vezes, apraz-me magoar gratuitamente a Isabel. Sempre me aprouve magoar gratuitamente os outros. Gratuitamente? &#201; sempre a palavra que me ocorre quando penso nesta forma que tenho, que me &#233; t&#227;o pr&#243;pria, de ferir os demais. Mas est&#225; longe, muito longe de ser gratuito. Se fa&#231;o os outros pagarem uma factura muito alta, a que me obrigo a pagar n&#227;o &#233; inferior. Algures, n&#227;o sei bem onde, h&#225; um limiar e ai de quem l&#225; toque. D&#225;-se (dou) in&#237;cio a um processo em cadeia. Como uma reac&#231;&#227;o auto-imune. Uma alergia. E vou tocando cordas, experimentando onde &#233; que d&#243;i mais. E vou fazendo coisas mais e mais graves. At&#233; a pessoa rebentar.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Parece-nos &#243;bvio que j&#225; existe um elevado n&#237;vel de responsabilidade pessoal neste <i>insight.</i></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O trabalho da responsabiliza&#231;&#227;o dever&#225; tamb&#233;m estender-se quer &#224; actividade profissional, quer &#224;s rela&#231;&#245;es interpessoais da cliente, que se pautam, uma e outras, pela dificuldade de Orqu&#237;dea em persistir, sobretudo em situa&#231;&#245;es de maior adversidade. Neste aspecto, parece-nos que os consumos s&#227;o essencialmente &#225;libi para n&#227;o assumir responsabilidades e a sua continuidade um factor de diminui&#231;&#227;o das suas capacidades, que profissionais, quer de relacionamento interpessoal. O pr&#243;ximo passo consistir&#225; numa esp&#233;cie de recuo ao in&#237;cio do processo terap&#234;utico; a cliente assume um compromisso (perante si pr&#243;pria, a terapeuta e alguns familiares mais pr&#243;ximos) de n&#227;o consumo e de persist&#234;ncia nas actividades, com a complementar elabora&#231;&#227;o de uma listagem das poss&#237;veis sabotagens a este compromisso e das medidas a tomar caso as sabotagens ocorram, com a diferen&#231;a (fundamental) de que os esquemas internos e interpessoais que conduzem ao e mant&#234;m o consumo est&#227;o identificados.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">No entanto, um &#34;n&#243;&#34; que &#233; preciso &#34;desamarrar&#34; previamente &#233; o &#34;n&#243;&#34; cl&#225;ssico, o &#34;n&#243; da exist&#234;ncia&#34;, uma vez que uma parte do trabalho feito com Orqu&#237;dea e tendente &#224; sua responsabiliza&#231;&#227;o (e.g., relativamente aos consumos) permitiu perceber que o seu compromisso com a vida &#233; muito t&#233;nue:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">E fumo. No carro. Fumar no carro. Para fazer de conta que a minha casa n&#227;o existe. Que eu n&#227;o habito nela nem ela em mim. Sem ra&#237;zes. Rodas que levam a lado nenhum. E como parar de existir sem me matar, ou ainda:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">sinto-me s&#243;, horrivelmente s&#243;; parar de existir &#233; uma ideia doce, tranquila, transmite-me paz. No entanto, o suic&#237;dio &#233; algo que me horroriza. Exactamente porque n&#227;o &#233; tranquilo, doce, apaziguador. Recuso-me a cometer tamanha viol&#234;ncia.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Nesta fase, e porque a cliente retomou os consumos, nomeadamente de hero&#237;na, permitindo-se entrar em contacto com emo&#231;&#245;es e mem&#243;rias negativas bastante dolorosas, implementaram-se algumas estrat&#233;gias de desactiva&#231;&#227;o emocional. A principal estrat&#233;gia foi, ali&#225;s, implementada espontaneamente pela cliente, consistindo na elabora&#231;&#227;o de uma esp&#233;cie de &#34;di&#225;rio emocional err&#225;tico&#34;, onde passou a anotar alguns acontecimentos (internos e externos) disruptivos do ponto de vista emocional, tendo como objectivo o processamento posterior desses mesmos acontecimentos em terapia.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Este di&#225;rio, iniciado precisamente ap&#243;s a licen&#231;a de parto da terapeuta, veio a tornar-se progressivamente mais relevante, desempenhando um papel central no processo terap&#234;utico, nomeadamente na &#34;atribui&#231;&#227;o de sentido &#224;s suas experi&#234;ncias e condi&#231;&#245;es de vida&#34; e na &#34;compreens&#227;o e aceita&#231;&#227;o de responsabilidade (ou co-responsabilidade) pelos problemas e situa&#231;&#245;es de vida&#34;.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Ainda numa l&#243;gica de redu&#231;&#227;o do desconforto motivacional, interrompeu-se o trabalho que se tinha iniciado de explora&#231;&#227;o de fotografias de fam&#237;lia, uma vez que este provou ser excessivamente disruptivo para a cliente, pelo menos nesta fase da terapia:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">a Isabel pediu-me para lhe levar &#225;lbuns de inf&#226;ncia. N&#227;o os trabalh&#225;mos muito, acho que tenho boicotado um tanto esse mergulho num inocente mundo que adivinho prestes a perder a sua inoc&#234;ncia (...) Nas fotos, n&#227;o h&#225; quaisquer ind&#237;cios de ter sido abandonada. Os meus pais estavam ali, bem presentes, dadivosos. Exigentes tamb&#233;m, e porque n&#227;o?</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O uso dos &#34;&#225;lbuns de fam&#237;lia&#34; com esta cliente pareceu relevante para o trabalho cl&#237;nico, nomeadamente com o objectivo de promover a &#34;atribui&#231;&#227;o de significado &#224;s experi&#234;ncias da cliente&#34;, uma vez que permitiu &#34;o reviver de experi&#234;ncias e conflitos, por evoca&#231;&#227;o dos mesmos, com a consequente identifica&#231;&#227;o e processamento emocional&#34; (Butler, 1963, citado por Anderson &#38; Malloy, 1976). No entanto, constatou-se que este tipo de trabalho poderia estar a refor&#231;ar a motiva&#231;&#227;o para consumir, tendo sido interrompido, por se entender ser mais adequado, nesta fase, o retorno &#224; valida&#231;&#227;o e afirma&#231;&#227;o emp&#225;ticas do que a explora&#231;&#227;o e activa&#231;&#227;o emocionais (Greenberg &#38; Paivio, 1997; Kennedy-Moore &#38; Watson, 1999; Wiser &#38; Arnow, 2001):</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">(com o p&#243;, mergulho fundo naquele mar de todos os pesadelos, naquele mar esponjoso e fundo, mas tenho sempre um escafandro, posso suportar a dor, nada me toca. Com o p&#243; descentro-me, concentro-me, remexo, repiso, revolvo. Ando &#224;s voltas e daqui n&#227;o saio, quem me tirar&#225; daqui?).</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Uma interpreta&#231;&#227;o alternativa &#233; a de que, sem o &#34;auxiliar&#34; dos consumos, nunca este trabalho de processamento emocional seria poss&#237;vel, contudo o &#34;rem&#233;dio&#34; dever&#225; ser usado com modera&#231;&#227;o, dado a dose &#34;curativa&#34; poder ser muito pr&#243;xima da dose &#34;letal&#34;.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Dada a gravidade dos sintomas da cliente nesta fase, foi proposta (e aceite) a realiza&#231;&#227;o de um internamento, que durou uma semana.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">De igual modo, nesta fase, a react&#226;ncia foi maior, e em consequ&#234;ncia disso, a terapeuta assumiu uma postura mais explorat&#243;ria (Vasco, 1999), acompanhando o ritmo que a pr&#243;pria cliente foi imprimindo, nomeadamente nos seus di&#225;rios. Prescreveu-se, ainda, a possibilidade de &#34;n&#227;o mudan&#231;a&#34;. Ao faz&#234;-lo, a terapeuta trabalhou um pouco no &#34;fio da navalha&#34;, na medida em que n&#227;o p&#244;de inocular &#224; cliente a esperan&#231;a de que esta tanto necessitava. Contudo, trabalhar em plena crise com objectivos de mudan&#231;a que dificilmente pareciam alcan&#231;&#225;veis no curto prazo parecia uma pior op&#231;&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Como se pode verificar, e ainda que a cliente revelasse j&#225; alguma tend&#234;ncia para a internaliza&#231;&#227;o como estrat&#233;gia de <i>coping</i> (nomeadamente atrav&#233;s da tend&#234;ncia para a intelectualiza&#231;&#227;o), muito do trabalho p&#243;s-licen&#231;a de parto consistiu na promo&#231;&#227;o do <i>insight</i> e da responsabiliza&#231;&#227;o pessoal.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Como j&#225; foi salientado, o estabelecimento e manuten&#231;&#227;o de uma alian&#231;a terap&#234;utica colaborativa com clientes com perturba&#231;&#227;o <i>borderline</i> da personalidade &#233; uma tarefa complexa, e a Orqu&#237;dea n&#227;o foi excep&#231;&#227;o. Infelizmente (ou felizmente) muitos dos problemas dos pacientes com este tipo de perturba&#231;&#227;o prendem-se com as rela&#231;&#245;es interpessoais, e s&#227;o agidos na rela&#231;&#227;o com o terapeuta, tal como se verificam no meio ecol&#243;gico natural do paciente. Tal facto, ainda que de dif&#237;cil manuseamento, proporciona ao terapeuta a oportunidade de identificar, observar e participar momento a momento, agindo de modo a proporcionar ao cliente &#34;experi&#234;ncias emocionais correctivas&#34;, identificando para si e para o paciente as cren&#231;as que lhe est&#227;o associadas, bem como as situa&#231;&#245;es de vulnerabilidade interpessoal que as activam e as estrat&#233;gias compensat&#243;rias utilizadas.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A licen&#231;a de parto da terapeuta, sentida como um abandono pela cliente, eli-ciou um conjunto de respostas emocionais bastante intensas (previs&#237;veis at&#233; certo ponto, devido &#224;s caracter&#237;sticas <i>borderline</i> da paciente), que facilitaram a identifica&#231;&#227;o de, pelo menos, dois ciclos interpessoais disfuncionais. Como foi referido anteriormente, os ciclos de confian&#231;a-desconfian&#231;a e de depend&#234;ncia-independ&#234;ncia. No que se refere ao primeiro ciclo, o trabalho come&#231;ou ainda antes da licen&#231;a de parto, quando Orqu&#237;dea questionou a sua depend&#234;ncia relativamente &#224; terapia. Nessa fase, a no&#231;&#227;o de depend&#234;ncia foi redefinida, mais globalmente, como de &#34;interdepend&#234;ncia&#34;, e validada como necess&#225;ria no pr&#243;prio processo de crescer, quer no &#226;mbito do desenvolvimento da crian&#231;a, quer no &#226;mbito da terapia. Existe um texto que a cliente reescreveu ao longo da terapia (&#34;As couves&#34;) que, de certo modo, ilustra este trabalho, sobretudo se confrontarmos as diferentes vers&#245;es, que traduzem uma progressiva aceita&#231;&#227;o da necessidade/inevitabilidade de depender:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">1.<sup>a</sup> vers&#227;o: Uma couve limita-se a ser com terra e &#225;gua e a sucess&#227;o dos dias e das noites. (...) A uma couve n&#227;o ser&#225; muito dif&#237;cil chegar a um estado pr&#243;ximo da felicidade. (...) Uma couve n&#227;o depende de mais nenhuma outra couve (...) &#233; reconfortante e inc&#243;modo saber que um dos principais factores que distanciam humanos e couves &#233; essa tal depend&#234;ncia. (...) <i>Qu&#227;o duro &#233; admitir que precisamos dos outros humanos,</i> de alguns outros humanos, como de luz para a nossa fotoss&#237;ntese. Qu&#227;o duro &#233; admitir que os outros humanos, alguns outros humanos, s&#227;o o h&#250;mus das nossas ra&#237;zes, a &#225;gua da nossa seiva, o ar do nosso espelho.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">2.<sup>a</sup> vers&#227;o:<a href="#16"><sup>16</sup></a><a name="top16"></a> &#233; reconfortante e inc&#243;modo saber que um dos principais factores que distanciam humanos e couves &#233; <i>exactamente</i> essa tal <i>independ&#234;ncia.</i> (...) Qu&#227;o duro &#233; admitir que <i>preciso</i> dos outros humanos, de alguns outros humanos, como de luz para a minha fotoss&#237;ntese. Qu&#227;o duro &#233; admitir que os outros humanos, alguns outros humanos, s&#227;o o h&#250;mus das <i>minhas</i> ra&#237;zes, a &#225;gua da minha seiva, o ar do meu espelho. O problema &#233; que n&#227;o consigo decidir-me se uma vida de couve &#233; mortalmente confort&#225;vel ou dolorosamente aborrecida.<a href="#17"><sup>17</sup></a><a name="top17"></a></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Ap&#243;s a licen&#231;a de parto da terapeuta, a identifica&#231;&#227;o deste ciclo interpessoal disfuncional tornou-se mais &#243;bvia, permitindo um trabalho cl&#237;nico de maior profundidade. Na realidade, o ciclo s&#243; se fecha quando a cliente espera (emocional, inconsciente e n&#227;o explicitamente) algo &#8212; que traduz um profundo desejo de depend&#234;ncia.<a href="#18"><sup>18</sup></a><a name="top18"></a> Simult&#226;nea e previamente expressa a um n&#237;vel consciente, racional e expl&#237;cito, a sua concord&#226;ncia com uma postura de maior autonomia &#8212; o desfasamento entre o que ocorre ao n&#237;vel do impl&#237;cito/inconsciente e ao n&#237;vel do expl&#237;cito/consciente torna-se evidente quando a cliente se mostra decepcionada, surpreendida e zangada quando, na terapia como na vida real, ocorre o que tinha sido pr&#233;via e explicitamente acordado e n&#227;o o que satisfaria o seu (secret&#237;ssimo) desejo de depend&#234;ncia. A terceira vers&#227;o do texto &#34;As couves&#34; expressa, precisamente, algum entendimento desta realidade:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">3.<sup>a</sup> vers&#227;o:<a href="#19"><sup>19</sup></a><a name="top19"></a> (qu&#227;o duro &#233; admitir que preciso dos outros humanos...) <i>T&#227;o duro que muitas vezes me zango com esses humanos. E quanto mais deles dependo mais me zango. E quanto mais os amo mais os odeio.</i></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Em forma de conclus&#227;o, recorde-se o que anteriormente dissemos a respeito da no&#231;&#227;o de &#34;confian&#231;a&#34;, por refer&#234;ncia ao modelo proposto por Freeman e colaboradores (1990): existe um pensamento dicot&#244;mico que &#34;obriga&#34; a ser totalmente dependente ou totalmente independente do outro, sem pontos de equil&#237;brio interm&#233;dio, o que resulta num &#34;beco sem sa&#237;da&#34;. Esta refer&#234;ncia parece-nos ainda mais significativa, na medida em que &#34;confian&#231;a&#34; e &#34;depend&#234;ncia&#34; est&#227;o intimamente relacionadas.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Empreender de ac&#231;&#245;es (interiores e exteriores) tendentes &#224; repara&#231;&#227;o e funcionamento adaptativo</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O objectivo essencial desta fase &#233; o de o cliente iniciar e/ou consolidar o recurso a ac&#231;&#245;es (interiores e exteriores) que permitam lidar mais adequadamente com os seus problemas. Exemplos t&#237;picos s&#227;o os da utiliza&#231;&#227;o de formas diferentes de interpretar e gerir situa&#231;&#245;es problem&#225;ticas, o recurso a estrat&#233;gias de <i>coping</i> para lidar com sintomas comportamentais e activa&#231;&#227;o fisiol&#243;gica e a concretiza&#231;&#227;o de novas formas de relacionamento interpessoal.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A aprendizagem e implementa&#231;&#227;o de algumas ac&#231;&#245;es reparadoras j&#225; se verificou. Um bom exemplo deste tipo de ac&#231;&#245;es consiste na elabora&#231;&#227;o de listas de alternativas para lidar com situa&#231;&#245;es de emocionalidade negativa. Curiosamente, foi Orqu&#237;dea que, no in&#237;cio da terapia, elaborou uma extensa lista de &#34;actividades de protec&#231;&#227;o&#34;, da qual gostar&#237;amos de extrair alguns exemplos:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">abrir a janela/ir para a esplanada e ler; tomar um banho relaxante e ouvir m&#250;sica; ir ter e Estar com as pessoas; ir at&#233; &#224; praia, mergulhar os pensamentos no mar, sentir o vento e o sol na pele (se necess&#225;rio for, sozinha, de prefer&#234;ncia com Algu&#233;m); ir &#34;pastar&#34;, perder-me na floresta misteriosa, olhar para a for&#231;a das coisas que vivem, fechar os olhos e cheirar e ouvir, tocar o musgo e a casca das &#225;rvores, molhar os p&#233;s numa corrente fria; n&#227;o ter medo de redescobrir o prazer de escrever. Mesmo que os escritos n&#227;o tenham qualidade. R&#237;gidos e pouco subtis. S&#227;o meus. Sou eu; abrir as portas do cora&#231;&#227;o e <i>n&#227;o ter pena</i> de mim; ter pensamentos am&#225;veis (inclui gostar de mim) e n&#227;o me permitir perder o contacto com a realidade.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">E ainda Orqu&#237;dea que estabelece a compara&#231;&#227;o entre este tipo de estrat&#233;gias de <i>coping,</i> sobretudo as que envolvem maior intimidade entre pessoas, e as estrat&#233;gias que passam, nomeadamente, pelo consumo de subst&#226;ncias e que resultam claramente ineficazes:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">o p&#243; &#233; como uma manta muito curta, que ora te acalenta os ombros e te deixa os p&#233;s gelados, ora te gela os ombros e te aquece os p&#233;s &#8212; apenas te resta enrolares-te como um feto e respirares o ar da bolha &#224; tua volta.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Apesar de, ao longo do processo, j&#225; terem sido treinadas algumas compet&#234;ncias de comunica&#231;&#227;o assertiva e de gest&#227;o de conflitos interpessoais, consideramos, como condi&#231;&#227;o para um maior desenvolvimento e cimenta&#231;&#227;o de mudan&#231;as de car&#225;cter estrutural que permitam &#224; cliente &#34;ser e agir&#34; de formas mais gratificantes e adaptativas, ser ainda necess&#225;rio: (a) continuar a explicita&#231;&#227;o dos principais ciclos interpessoais disfuncionais em que a cliente se envolve, bem como relacion&#225;-los com as cren&#231;as que lhes est&#227;o subjacentes, encontrando alternativas; este trabalho deve ser cimentado no contexto da rela&#231;&#227;o terap&#234;utica, com o objectivo de generaliza&#231;&#227;o a outras rela&#231;&#245;es; (b) desenvolver significativo trabalho experiencial de &#34;cadeira vazia&#34;, para trabalhar os assuntos inacabados que identific&#225;mos anteriormente, de forma a poder chegar &#224; sua resolu&#231;&#227;o (auto-afirma&#231;&#227;o, responsabiliza&#231;&#227;o do outro, modifica&#231;&#227;o do modo como v&#234; os outros significativos, compreens&#227;o da posi&#231;&#227;o do outro e perd&#227;o).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Como j&#225; tivemos oportunidade de mencionar, vamos referir-nos apenas ao trabalho de &#34;cadeira vazia&#34; j&#225; efectuado, acentuando que n&#227;o foi poss&#237;vel seguir o modelo cl&#225;ssico proposto por Greenberg e colaboradores (1993), uma vez que a cliente n&#227;o se encontrava suficientemente estruturada para permitir o exerc&#237;cio de &#34;cadeira vazia&#34; em registo de <i>role-playing.</i> Contudo, algum trabalho foi sendo feito nesta &#225;rea, de certa forma em paralelo para os tr&#234;s elementos do n&#250;cleo familiar acima referidos. Vamos, mais uma vez, socorrer-nos dos textos elaborados pela cliente a este respeito desde Janeiro de 1997, organizando-os esquematicamente, e mostrando, na medida do poss&#237;vel, de que forma estes traduzem o que foi sendo trabalhado nas sess&#245;es.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O paralelismo entre os tr&#234;s &#34;lutos&#34; centrais da vida da cliente &#233; propositado, permitindo equacionar, simultaneamente, os seus &#34;assuntos inacabados&#34; com cada uma destas pessoas, bem como o facto de o trabalho terap&#234;utico ter decorrido nas tr&#234;s &#34;frentes&#34; em simult&#226;neo. Resumidamente referir-nos-emos a cada um em particular.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><i>M&#227;e:</i> parece-nos uma &#34;personagem&#34; central, &#34;rodopiando&#34; e permanecendo presente nalgumas quest&#245;es que se repetem depois nos outros assuntos inacabados; o abandono &#8212; &#233; um primeiro abandono, necessariamente tr&#225;gico porque come&#231;ou ainda em vida; &#233; um abandono unilateral, em que Orqu&#237;dea se sente e est&#225; absolutamente impotente (contudo, ao culpabilizar-se por n&#227;o ter conseguido impedir que a m&#227;e se suicidasse constr&#243;i uma fantasia negativa de poder); &#233; um abandono que compromete o pr&#243;prio projecto de vida e de maternidade da cliente; &#233; um abandono que est&#225; na origem das primeiras estrat&#233;gias compensat&#243;rias (automutila&#231;&#227;o).<a href="#20"><sup>20</sup></a><a name="top20"></a> Se procurarmos fazer a radiografia do que foi acontecendo, em termos de processo terap&#234;utico, podemos mencionar que Orqu&#237;dea n&#227;o tinha ainda encontrado explica&#231;&#227;o para o seu sentimento de vulnerabilidade e abandono pelo pai (tornado particularmente &#243;bvio a seguir &#224; morte da m&#227;e). Adicionalmente, n&#227;o tinha ainda feito a liga&#231;&#227;o entre o suic&#237;dio da m&#227;e e a sua pr&#243;pria dificuldade em ser m&#227;e, ou entre o suic&#237;dio da m&#227;e e o aparecimento das primeiras &#34;estrat&#233;gias compensat&#243;rias&#34;, sendo os seus textos resultantes do trabalho que foi sendo feito na terapia. Existe um embri&#227;o de resolu&#231;&#227;o deste &#34;assunto inacabado&#34; pela compreens&#227;o da posi&#231;&#227;o da m&#227;e, e pelas tentativas que a cliente faz no sentido de a responsabilizar pela sua escolha suicida.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Irm&#227;o:</i> aparentemente, o trabalho terap&#234;utico em rela&#231;&#227;o ao irm&#227;o foi um trabalho de despedida, de express&#227;o de tristeza pela sua morte; no entanto, s&#243; posteriormente um dos &#34;segredos por detr&#225;s&#34; deste luto foi desvendado &#8212; numa nota de rodap&#233; que constava de uma carta que escreveu a uma prima e que trouxe para a sess&#227;o, a cliente refere-se ao sentimento de &#34;culpa do sobrevivente&#34; de uma forma bastante pungente: &#34;<i>queria tanto ter morrido eu, que ele tivesse vivido, se essas coisas se pudessem fazer&#34;.</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Pai: o</i> assunto inacabado relativamente ao pai era bastante intenso. Consistia em ressentimento em rela&#231;&#227;o ao abandono ap&#243;s o suic&#237;dio da m&#227;e e morte do irm&#227;o; ressentimento relativamente &#224; nega&#231;&#227;o de afecto e apoio, quer em momentos de luto, quer em outros momentos do quotidiano. Antes da morte do pai, alguns gestos de &#34;repara&#231;&#227;o&#34; foram no entanto poss&#237;veis, talvez por aprendizagem com as situa&#231;&#245;es de luto anteriores (m&#227;e e irm&#227;o), esses gestos n&#227;o foram os suficientes contudo para que a ele n&#227;o fique associada a principal &#34;estrat&#233;gia compensat&#243;ria&#34; &#8212; o consumo de opi&#225;ceos. Podemos supor que Orqu&#237;dea desejava for&#231;ar o pai a p&#244;r-lhe limites, limites esses que n&#227;o tinham sido eficazes anteriormente em rela&#231;&#227;o aos comportamentos suicidas da m&#227;e. No entanto, a necessidade de vingan&#231;a e o desejo de o assustar (por amea&#231;a do maior abandono de todos, o abandono pela morte, eventualmente por <i>overdose),</i> poder&#227;o tamb&#233;m ter estado presentes. O trabalho terap&#234;utico ter&#225; contribu&#237;do, sobretudo, para clarificar a centralidade da quest&#227;o do abandono afectivo e para diferenciar os sentimentos de tristeza e de raiva.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Ainda que o <a href="/img/revistas/psi/v15n2/15n2a02q1.jpg">quadro 1</a> possa parecer complexo, poder&#237;amos complexific&#225;-lo um pouco mais, se nele inclu&#237;ssemos os assuntos inacabados de Orqu&#237;dea relativamente ao(s) aborto(s) que apenas mencion&#225;mos acima:</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">(aquela sensa&#231;&#227;o t&#227;o long&#237;nqua e t&#227;o presente de ter um filho nos bra&#231;os. J&#225; l&#225; v&#227;o quase duas d&#233;cadas e aquela sensa&#231;&#227;o ainda est&#225; t&#227;o v&#237;vida. Aquele sonho, no dia antes de ir fazer o meu primeiro aborto, em que aquele min&#250;sculo e gigantesco ser que tinha sa&#237;do de dentro de mim estava nos meus bra&#231;os e era algo t&#227;o eu, t&#227;o pr&#243;ximo de mim e t&#227;o outro, t&#227;o distante de mim).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Ou ainda relativamente &#224;s trai&#231;&#245;es (leia-se &#34;quebras de confian&#231;a&#34;) praticadas por amigos, namorados e at&#233; pela pr&#243;pria terapeuta (ao interromper o processo terap&#234;utico unilateralmente por um longo per&#237;odo de seis meses). No entanto, nunca seria suficientemente complexo para dar conta da trag&#233;dia de algu&#233;m que n&#227;o pode j&#225; resolver assuntos centrais (confian&#231;a, intimidade, autonomia e generatividade) com todas as principais figuras de socializa&#231;&#227;o precoce e que, para al&#233;m disso, recai sistematicamente num padr&#227;o de relacionamento interpessoal que perpetua (por interrup&#231;&#227;o e descontinuidade) esta sensa&#231;&#227;o de &#34;inacabado&#34;. E &#233; mais uma vez Orqu&#237;dea que, pelas suas pr&#243;prias palavras, revela a verdadeira extens&#227;o deste &#34;n&#243;&#34;, abrindo ali&#225;s caminho para o trabalho (posterior) das &#34;clivagens&#34; de atribui&#231;&#227;o e de conflito.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Referindo-se, primeiro a si pr&#243;pria, em rela&#231;&#227;o &#224; ambiguidade face &#224; vida e ao viver:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">(...) Conta-se que Nero, incapaz de se suicidar, pediu a um escravo que empunhasse a espada. Imperador e espada lan&#231;aram-se nos bra&#231;os um do outro, alheios e desconhecidos (...) (2.<sup>a</sup> vers&#227;o de &#34;Cobardia&#34;) &#8212; (...) A mim o que mais me custa &#233; que a uso devagar, muito devagar, sem a cravar, sem a empurrar, mas a ferida &#233; j&#225; muito funda.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">E depois &#224; sua fam&#237;lia, e ao contributo da sua hist&#243;ria pessoal para esta ambiguidade:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">(...) Talvez eu <i>os</i> inveje. Porque se revoltaram contra a vida. <i>N&#227;o, n&#227;o os invejo.</i> Porque ela avan&#231;ou para a morte como quem acolhe um abismo, como quem se deixa penetrar por ele. Porque ele desistiu da vida, da vida que &#233; feroz e nunca desiste de ser vida.<a href="#21"><sup>21</sup></a><a name="top21"></a> <i>Invejo-os.</i> Porque j&#225; n&#227;o est&#227;o. E ainda s&#227;o. Melhores do que seriam, que a mem&#243;ria esbate, ado&#231;a, atenua. Pieguice minha?</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Talvez lhes tenha raiva. Porque t&#237;nhamos ainda tanta coisa para fazer, tantas palavras para dizer, tantas zangas para discutir, tantas l&#225;grimas para chorar, tantos risos para rir. <i>N&#227;o, n&#227;o lhes tenho raiva.</i> Eu &#233; que n&#227;o sei falar com as campas, n&#227;o sei falar com ossos e cinzas, se calhar devia.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Tenho-lhes raiva.</i> Porque n&#227;o acreditaram que vale a pena, e assim me mataram um pouco e assim me deixei um pouco morrer. Fraqueza minha? Cada um usou a faca, a faca afiada, como p&#244;de, porque j&#225; n&#227;o podia. (1.<sup>a</sup> vers&#227;o de &#34;Cobardia&#34;)</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Se escolhermos outro referencial te&#243;rico, nomeadamente o da terapia comportamental-cognitiva cl&#225;ssica, podemos afirmar que estamos face a uma situa&#231;&#227;o de &#34;luto patol&#243;gico&#34;. Este excerto de &#34;Cobardia&#34; evidencia precisamente o modo como &#34;a perda se estende para al&#233;m da perda do ente querido, para uma perda de car&#225;cter mais universal &#8212; a perda do valor pr&#243;prio, a perda de gratifica&#231;&#227;o, a perda do significado da vida e ainda a perda das expectativas positivas relativamente ao futuro&#34; (Beck, 1976).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Terminamos com um pungente coment&#225;rio de Orqu&#237;dea relativamente &#224; dificuldade de um trabalho como este:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Fazer psicoterapia com mortos &#233; muito dif&#237;cil, i.e. analisar, reviver, olhar para as coisas e situa&#231;&#245;es em que as pessoas pesaram na nossa vida. Como, quanto pesaram e pesam, mortos que est&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Com os mortos n&#227;o h&#225; negocia&#231;&#245;es poss&#237;veis. O tempo e o espa&#231;o pararam, afastam-se e aproximam-se vertiginosamente, &#224; velocidade da luz e da escurid&#227;o. De s&#250;bito, amamo-los perdida e desvairadamente. E eles n&#227;o est&#227;o c&#225; para meia hora depois nos desiludirem e chatearem. De s&#250;bito, odiamo-los desvairada e perdidamente. E eles n&#227;o est&#227;o c&#225; para nos olharem com afecto e nos dizerem uma palavra am&#225;vel.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A dificuldade deste trabalho ser&#225; ainda maior no respeitante &#224; m&#227;e, uma vez que (e se descontarmos a longa tradi&#231;&#227;o em psicoterapia associada ao simbolismo da no&#231;&#227;o de m&#227;e) os lutos relativos a situa&#231;&#245;es de suic&#237;dio parecem ser particularmente complexos &#8212; &#34;os relatos cl&#237;nicos sugerem que indiv&#237;duos que se encontram enlutados devido a um suic&#237;dio t&#234;m lutos particularmente dif&#237;ceis e perturbadores, encontrando-se tamb&#233;m em risco mais elevado para sofrerem outro tipo de adversidades na sequ&#234;ncia desse luto&#34; (Ness &#38; Pfeffer, 1990). Como Shneidman (um dos primeiros psicoterapeutas a chamarem a aten&#231;&#227;o para esta quest&#227;o) apropriada e sugestivamente sugeriu, &#34;a pessoa que comete suic&#237;dio coloca o seu esqueleto psicol&#243;gico no arm&#225;rio emocional do sobrevivente, condenando este &#250;ltimo a uma conjuntura complexa de sentimentos negativos e, talvez mais relevante, &#224; necessidade de se obcecar com as raz&#245;es do suic&#237;dio&#34; (Shneidman, 1969, citado por Ness &#38; Pfeffer, 1990). Esta obsess&#227;o parece-nos bastante &#243;bvia no caso de Orqu&#237;dea (o texto mais &#34;reescrito&#34; de todos os que elaborou no contexto da terapia &#233;, precisamente, o que se intitula &#34;Azul-C&#233;u&#34;).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">S&#243; depois de conclu&#237;da esta fase, faz sentido passar &#224; fase de manuten&#231;&#227;o das conquistas terap&#234;uticas. Fase que consideramos ser essencialmente caracterizada pelo desenvolvimento de uma auto-representa&#231;&#227;o mais flex&#237;vel e eficaz. &#201; primordial que o paciente se familiarize progressivamente com o &#34;eu&#34; emergente, mediante a consciencializa&#231;&#227;o que este novo &#34;eu&#34;, n&#227;o sendo invulner&#225;vel, est&#225; mais apto a lidar com as dificuldades do quotidiano e a servir o preenchimento de necessidades e objectivos vitais. Cumpre ainda, nesta fase, auxiliar o cliente a projectar-se no futuro e a antecipar poss&#237;veis/prov&#225;veis dificuldades. Em suma, na viagem da vida, quem era e donde vim, quem fui e por onde passei, quem sou e para onde vou?</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Conclus&#245;es</b></p></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Ainda que o processo terap&#234;utico descrito se encontre em curso, pensamos que a sua explicita&#231;&#227;o e an&#225;lise constitui um bom exemplo do modelo de complementaridade paradigm&#225;tica que propomos.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Assim, pensamos que a conjuga&#231;&#227;o da conceptualiza&#231;&#227;o do caso, tomando como refer&#234;ncia os conjuntos de vari&#225;veis que seleccion&#225;mos (i.e., classifica&#231;&#227;o diagn&#243;stica; caracter&#237;sticas do cliente e do problema, cren&#231;as, distor&#231;&#245;es cognitivas e d&#233;fices comportamentais; marcadores interpessoais e emocionais), n&#227;o s&#243; por serem aqueles que mais sentido fazem em termos cl&#237;nicos, mas tamb&#233;m por estarem mais empiricamente suportados, com a conceptualiza&#231;&#227;o do processo em termos de fases, determinando estas os objectivos estrat&#233;gicos sequenciais, e aqueles as t&#225;cticas espec&#237;ficas para alcan&#231;ar esses objectivos, parece-nos a melhor forma de auxiliar o terapeuta na complexa tarefa de tomada de decis&#245;es cl&#237;nicas.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Al&#233;m do mais, consideramos que a tomada em considera&#231;&#227;o das vari&#225;veis referidas, que pretendem respeitar o cliente na sua individualidade, bem como a sequencializa&#231;&#227;o de objectivos estrat&#233;gicos inerente &#224;s fases propostas, que pretendem respeitar o desenvolvimento harmonioso do cliente ao longo do processo terap&#234;utico, s&#227;o a melhor forma de estabelecer e manter a alian&#231;a terap&#234;utica colaborativa que constitui o principal ve&#237;culo de mudan&#231;a.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Ou seja, como referimos anteriormente, particularmente no respeitante &#224;s perturba&#231;&#245;es da personalidade, &#233; frequentemente imposs&#237;vel iniciar e prosseguir o trabalho terap&#234;utico focado em objectivos e tarefas exteriores &#224; rela&#231;&#227;o terap&#234;utica sem, inicialmente, trabalhar a n&#237;vel do la&#231;o (i.e., construir a confian&#231;a e regular os comportamentos que interferem com o processo terap&#234;utico). Encontramo-nos imersos num processo din&#226;mico, sendo necess&#225;rio voltar ao la&#231;o terap&#234;utico, mesmo ap&#243;s come&#231;ar a trabalhar outros objectivos e tarefas, sempre que nos deparamos com impasses e/ou rupturas na alian&#231;a. Caso ignoremos e n&#227;o tentemos reparar estas rupturas (que se adivinham inevit&#225;veis em situa&#231;&#245;es de perturba&#231;&#227;o da personalidade) elas acabar&#227;o por neutralizar todos os esfor&#231;os de mudan&#231;a.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Desta forma, a terapia (particularmente com este tipo de pacientes) pode ser vista como uma actividade muito sens&#237;vel e din&#226;mica &#8212; por vezes encontramo-nos a fazer &#34;trabalho terap&#234;utico normal&#34; (centrado em objectivos e tarefas exteriores &#224; rela&#231;&#227;o terap&#234;utica) &#8212; fase em que o la&#231;o terap&#234;utico pode ser entendido como o &#34;fundo&#34; sobre o qual se estabelece a &#34;figura&#34; (trabalho em objectivos e tarefas), noutras (particularmente na fase inicial do processo nos impasses e rupturas na alian&#231;a) o &#34;fundo&#34; deve ganhar proemin&#234;ncia, transformando-se na &#34;figura, &#34; exigindo que a nossa aten&#231;&#227;o se foque no pr&#243;prio la&#231;o como principal objectivo e tarefa do labor cl&#237;nico (Gon&#231;alves &#38; Vasco, 1997). Tal como num desenho de Escher, deixa de ser poss&#237;vel dissociar figura e fundo. Constituem uma e a mesma coisa, apenas parecem diferentes momento a momento, &#224; medida que o paciente se revela perante os nossos olhos em toda a sua complexidade.</font></p>          <p>&nbsp;</p>         <p><font face="Verdana" size="2"><b>Refer&#234;ncias</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">American Psychiatric Association (1994). <i>Diagnostic and statistical manual of mental disorders</i> (DSM-IV). Washington, DC: American Psychiatric Association.</font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Anderson, C. M., &#38; Malloy, E. S. (1976). Family photographs: In treatment and training. <i>Family Process, 15,</i>259-264.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487883&pid=S0874-2049200100020000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Ashway, J. A. (1984). A therapist&#39;s pregnancy: An opportunity for conflict resolutionand growth in the treatment of children. <i>Clinical Social Work, 121,</i> 3-17.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487885&pid=S0874-2049200100020000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Beck, A. T. (1976). <i>Cognitive therapy and the emotional disorders.</i> Nova Iorque: International Universities Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487887&pid=S0874-2049200100020000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Beck, A. T., Freeman, A. &#38; Associates (1990). <i>Cognitive therapy of personality disorders.</i> Nova Iorque: Guilford.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487889&pid=S0874-2049200100020000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Beck, A. T., Wright, F. D., Newman, C. F., &#38; Liese, B. S. (1993). <i>Cognitive therapy of substance abuse.</i> Nova Iorque: Guilford.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487891&pid=S0874-2049200100020000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Beck, J. S. (1996). Cognitive therapy of personality disorders. In P. M. Salkovskis (Ed.), <i>Frontiers of cognitive therapy</i> (pp. 165-181). Nova Iorque: Guilford.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487893&pid=S0874-2049200100020000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Beutler, L. E., &#38; Clarkin, J. F. (1990). <i>Systematic treatment selection.</i> Nova Iorque: Brunner/Mazel.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487895&pid=S0874-2049200100020000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Beutler, L. E., &#38; Harwood, T. M. (2000). <i>Prescriptive psychotherapy.</i> Oxford, MA: Oxford University Press.</font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Bordin, E. S. (1979). The generalizability of the psychoanalytic concept of the working alliance. <i>Psychotherapy, Theory, Research and Practice, 16,</i> 252-260.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487898&pid=S0874-2049200100020000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Cormier, S., &#38; Cormier, B. (1998). <i>Interviewing strategies for helpers.</i> Pacific Grove: Brooks / Cole.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487900&pid=S0874-2049200100020000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Frank, J. D., &#38; Frank, J. B. (1991). <i>Persuasion and healing</i> (3.<sup>a</sup> Ed.). Baltimore: Johns Hopkins University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487902&pid=S0874-2049200100020000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Freeman, A., Pretzer, J., Fleming, B., &#38; Simon, K. M. (1990). <i>Clinical applications of cognitive therapy.</i> Nova Iorque: Plenum.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487904&pid=S0874-2049200100020000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Gaw, M. R., &#38; Beutler, L. E. (1990). Integrating treatment recommendations. In L. E. Beutler &#38; M. R. Berren (Eds.), <i>Integrative assessment of adult personality </i>(pp. 280-319). Nova Iorque: Guilford.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487906&pid=S0874-2049200100020000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Goldfried, M. R., &#38; Davison, G. C. (1994). <i>Clinical behavior therapy</i> (Exp. ed.). Nova Iorque: Wiley.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487908&pid=S0874-2049200100020000200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Gon&#231;alves, I. &#38; Vasco, A. B. (Abril, 1997). <i>Paradigmatic complementarity: An integrative cognitive-behaviorally based intervention for personality disorders.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487910&pid=S0874-2049200100020000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></i> Comunica&#231;&#227;o apresentada na XIII Annual Conference of the Society for the Exploration of Psychotherapy Integration, Toronto, Canada.</font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Greenberg, L. S., Rice, L. N., &#38; Elliott, R. (1993). <i>Facilitating emotional change: The moment-by-moment process.</i> Nova Iorque: Guilford.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487912&pid=S0874-2049200100020000200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Greenberg, L. S., &#38; Paivio, S. C. (1997). Working with emotions in psychotherapy. Nova Iorque: Guilford.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487914&pid=S0874-2049200100020000200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Guy, J. D. (1987). <i>The personal life of the psychotherapist.</i> Nova Iorque: John Wiley &#38; Sons.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487916&pid=S0874-2049200100020000200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Guy, J. D., Guy, M. P, &#38; Liaboe, G. P. (1986). First pregnancy: Therapeutic issues for both female and male psychotherapists. <i>Psychotherapy,</i> 23,297-302.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487918&pid=S0874-2049200100020000200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Horvath, A. O., &#38; Greenberg, L. S. (Eds.) (1994). <i>The working alliance: Theory, research and practice.</i> Nova Iorque: John Wiley &#38; Sons.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487920&pid=S0874-2049200100020000200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Horvath, A. O., &#38; Symonds, B. D. (1991). Relation between working alliance and outcome in psychotherapy: A meta-analysis. <i>Journal of Counseling psychology, 38,</i> 139-149.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487922&pid=S0874-2049200100020000200022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Hymer, S. (1991). The diary as therapy: The diary as adjunct to therapy. <i>Psychotherapy in Private Practice, 4,</i>13-29.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487924&pid=S0874-2049200100020000200023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Kennedy-Moore, E., &#38; Watson, J. C. (1999). <i>Expressing emotion: Myths, realities, and therapeutic strategies.</i> Nova Iorque: Guilford.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487926&pid=S0874-2049200100020000200024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Koerner, K., &#38; Linehan, M. M. (1997). Case formulation in dialectical behavior therapy for borderline personality disorder. In T. D. Eells (Ed.), <i>Handbook of psychotherapy case formulation</i> (pp. 340-367). Nova Iorque: Guilford.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487928&pid=S0874-2049200100020000200025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Lax, R. F. (1969). Some considerations about transference and countertransference manifestations evoked by the analyst&#39;s pregancy. <i>International Journal of Psychoanalysis, 50,</i>363-372.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487930&pid=S0874-2049200100020000200026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Linehan, M. M. (1993). <i>Cognitive-behavioral treatment of borderline personality disorder.</i> Nova Iorque: Guilford Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487932&pid=S0874-2049200100020000200027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Magnavita, J. J. (1999). Challenges in the treatment of personality disorders: When the disorder demands comprehensive integration. <i>Session: Psychotherapy in Practice,</i> 4, 5-17.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487934&pid=S0874-2049200100020000200028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Marlatt, G. A. (1998). <i>Harm Reduction.</i> Nova Iorque: Guilford.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487936&pid=S0874-2049200100020000200029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Marlatt, G. A., &#38; Gordon, J. R. (1985). <i>Relapse prevention: Maintenance strategies in the treatment of addictive behaviours.</i> Nova Iorque: Guilford Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487938&pid=S0874-2049200100020000200030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Marlatt, G. A., &#38; Gordon, J. R. (Eds.) (1998). Treatment of comorbid addictive behaviors: Harm reduction as an alternative to abstinence. <i>Session: Psychotherapy in Practice,</i> 4(1).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487940&pid=S0874-2049200100020000200031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Millon, T., &#38; Davis, D. (1996). <i>Disorders of personality: DSM-IV and beyond</i> (2.<sup>a</sup> Ed.). Nova Iorque: John Wiley &#38; Sons.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487942&pid=S0874-2049200100020000200032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Nadelson, C., Notman, M., Arons, E., &#38; Feldman, J. (1974). The pregnant therapist. <i>American Journal of Psychiatry, 131,</i>1107-1111.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487944&pid=S0874-2049200100020000200033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Ness, D. E., &#38; Pfeffer, C. R. (1990). Sequelae of bereavement resulting from suicide. <i>American Journal of Psychiatry, 3,</i>279-285.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487946&pid=S0874-2049200100020000200034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Pepper, S. C. (1942). <i>World hypotheses.</i> Berkeley: University of California Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487948&pid=S0874-2049200100020000200035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Persons, J. B. (1989). <i>Cognitive therapy in practice: A case formulation approach.</i> Nova Iorque: Norton.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487950&pid=S0874-2049200100020000200036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Persons, J. B., &#38; Tompkins, M. A. (1997). Cognitive-behavioral case formulation. In T. D. Eells (Ed.), <i>Handbook of psychotherapy case formulation</i> (pp. 314-339). Nova Iorque: Guilford.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487952&pid=S0874-2049200100020000200037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Roth, A., &#38; Fonagy, P. (1996). <i>What works for whom? A critical review of psychotherapy research.</i> Nova Iorque: Guilford.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487954&pid=S0874-2049200100020000200038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Royce, J. R. (1964). <i>The encapsulated man: An interdisciplinary essay on the search for meaning.</i> Princeton, NJ: Van Nostrand.</font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Safran, J. D., &#38; McMain, S. (1992). A cognitive-interpersonal approach to the treatment of personality disorders. <i>Journal of Cognitive Psychotherapy: An International Quarterly, </i>6,59-68.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487957&pid=S0874-2049200100020000200040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Safran, J. D., &#38; Muran, J. C. (1995). Resolving therapeutic alliance ruptures: Diversity and integration. In <i>Session: Psychotherapy in Practice, 1,</i> 81-82.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487959&pid=S0874-2049200100020000200041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Safran, J. D., &#38; Muran, J. C. (2000). <i>Negotiating the therapeutic alliance.</i> Nova Iorque: Guilford.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487961&pid=S0874-2049200100020000200042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Safran, J. D., &#38; Segal, Z. V. (1990). <i>Interpersonal processes in cognitive therapy.</i> Nova Iorque: Basic Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487963&pid=S0874-2049200100020000200043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Sarnat, J. E. (1991). When a therapist goes on leave: Toward a rationale for clinical management of the interim. <i>Psychotherapy, 4,</i> 650-659.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487965&pid=S0874-2049200100020000200044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Sperry, L. (1999). <i>Cognitive behavior therapy of DSM-IV personality disorders.</i> Filad&#233;lfia, PA: Brunner/Mazel.</font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Vasco, A. B. (1994). No reino de P&#227;: Abordagem cognitivo-comportamental do caso Jos&#233;. <i>Psicologia, IX,</i> 139-152.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487968&pid=S0874-2049200100020000200046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Vasco, A. B. (Abril, 1997). <i>A import&#226;ncia do conceito de alian&#231;a terap&#234;utica na terapia cognitivo-comportamental das perturba&#231;&#245;es da personalidade.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487970&pid=S0874-2049200100020000200047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></i> Comunica&#231;&#227;o apresentada no V Latini Dies &#8212; 3.&#176; Congresso Ib&#233;rico de Terapia Comportamental e Cognitiva, Estoril.</font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Vasco, A. B. (Janeiro, 1999). <i>Nem todos os caminkos v&#227;o dar a Roma: Sequencializa&#231;&#227;o interventiva em terapia integrativa de base cognitivo-comportamental nas perturba&#231;&#245;es da personalidade.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487972&pid=S0874-2049200100020000200048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></i> Comunica&#231;&#227;o apresentada nas Jornadas da Associa&#231;&#227;o de Terapia do Comportamento, Coimbra.</font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Vasco, A. B. (2001). Fundamentos para um modelo inegrativo de complementaridade paradigm&#225;tica. <i>Psicologia, XV</i> (2).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487974&pid=S0874-2049200100020000200049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Wiser, S., &#38; Amow, B. (2001). Emotional experiencing: To facilitate or regulate? In <i>Session: Psychotherapy in Practice, 2,</i> 157-168.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487976&pid=S0874-2049200100020000200050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Young, J. E. (1994). <i>Cognitive therapy for personality disorders: A schema-focused approach</i> (Ed. rev.). Sarasota, FL: Professional Resource Press.</font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Zittel, C. &#38; Westen, D. (1998) Conceptual issues and research findings on borderline personality disorders: What every clinician should know. In <i>Session: Psychotherapy in Practice, 2,</i> 5-20.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=487979&pid=S0874-2049200100020000200052&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>           <p>&nbsp;</p>         <p><font face="Verdana" size="2"><b>Notas</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top1"><sup>1</sup></a><a name="1"></a>Os autores agradecem a Orqu&#237;dea a sua generosidade e coragem em permitir a publica&#231;&#227;o deste estudo de caso e as sugest&#245;es e coment&#225;rios que fez ao texto, bem como o ter contribu&#237;do para o nosso enriquecimento como terapeutas e como pessoas.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top2"><sup>2</sup></a><a name="2"></a>A preto, na figura 1, os aspectos retidos pelos autores do esquema original de Free-man <i>et al.</i> (1990).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top3"><sup>3</sup></a><a name="3"></a>A cinza, na figura 1, os aspectos acrescentados pelos autores ao esquema original de Freeman e colaboradores (1990).</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top4"><sup>4</sup></a><a name="4"></a>Alguns investigadores, como Masterson, afirmam que as m&#227;es de clientes com perturba&#231;&#227;o <i>borderline</i> da personalidade apresentam, elas pr&#243;prias, essa perturba&#231;&#227;o (citado em Zittel &#38; Westen, 1998).</font></p>         <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top5"><sup>5</sup></a><a name="5"></a>Ao cuidar das plantas, nas fases iniciais de consumo, contrap&#245;e-se o seu total abandono nas fases finais desse consumo; a correc&#231;&#227;o de dicion&#225;rios, na &#225;rea profissional da cliente, pode at&#233; ser vista como uma actividade adequada e produtiva, ainda que pouco consistente ao longo do tempo.</font></p>         <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top6"><sup>6</sup></a><a name="6"></a>Como se pode verificar, as v&#225;rias vers&#245;es, em que a primeira corresponde a Janeiro de 2000, traduzem tamb&#233;m algum do trabalho que foi sendo feito, em terapia, em tomo da quest&#227;o da depend&#234;ncia; note-se ainda que a terapia foi retomada, ap&#243;s a licen&#231;a de parto da terapeuta, precisamente em Janeiro de 2000.</font></p>         <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top7"><sup>7</sup></a><a name="7"></a>Essencialmente, mudaram-se os &#34;nomes das coisas&#34; e fizeram-se algumas correc&#231;&#245;es pontuais do portugu&#234;s, bem como algumas adapta&#231;&#245;es (e.g., o termo &#34;emocionalmente danificadas&#34; &#233; da nossa autoria).</font></p>         <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top8"><sup>8</sup></a><a name="8"></a>De facto, neste caso, mais do que em qualquer outro que conduzimos at&#233; &#225; data, foram envolvidos muitos &#34;outros significativos&#34; &#8212; um tio, uma tia, amigos, uma prima &#8212; por via da correspond&#234;ncia trocada com a cliente relativa a temas da terapia.</font></p>         <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top9"><sup>9</sup></a><a name="9"></a>Manuscrito, no meu original.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top10"><sup>10</sup></a><a name="10"></a>As perturba&#231;&#245;es de personalidade tamb&#233;m, nomeadamente a perturba&#231;&#227;o <i>borderline</i> (acrescentar&#237;amos n&#243;s).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top11"><sup>11</sup></a><a name="11"></a>&#201; curioso como a cliente tem a no&#231;&#227;o do quanto &#34;c&#225;ustica&#34; &#233; a sua agressividade em termos interpessoais; contudo aqui os objectivos devem ser aferidos: n&#227;o interessa a rotatividade, interessa &#233; permanecer com qualidade nas rela&#231;&#245;es que t&#234;m um maior significado.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top12"><sup>12</sup></a><a name="12"></a>Note-se quer a tenta&#231;&#227;o para procurar o &#34;privil&#233;gio&#34; / para testar os limites, t&#227;o caracter&#237;stica da perturba&#231;&#227;o <i>borderline</i> de personalidade, quer a exemplifica&#231;&#227;o do que anteriormente foi dito a respeito do desfasamento entre o consciente/expl&#237;cito e negociado com a terapeuta e os desejos inconscientes/expl&#237;citos da cliente, absolutamente contr&#225;rios ao que foi explicitado.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top13"><sup>13</sup></a><a name="13"></a>Eis um (infelizmente) bom exemplo de como &#224;s vezes o pre&#231;o a pagar por existir pode ser a dor: melhor do que tu n&#227;o teres nada para dizer sobre mim (n&#227;o era o caso) &#233; dizeres algo que me toque, nem que esse &#34;toque&#34; seja dor...</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top14"><sup>14</sup></a><a name="14"></a>Um significativo exemplo de como a cliente filtra os <i>feedbacks</i> que recebe e que seriam desconfirmat&#243;rios da avalia&#231;&#227;o negativa que faz de si mesma, ou que se habituou a que os outros fizessem, permanecendo sempre &#34;em guarda&#34; at&#233; que o outro (finalmente) ache de si o mesmo que ela (e as suas figuras de socializa&#231;&#227;o com ela) acha(m) ou acharam. Mais uma vez, no que &#224; terapeuta diz respeito, n&#227;o era o caso.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top15"><sup>15</sup></a><a name="15"></a>Veja-se aqui expl&#237;cita a expectativa da cliente, totalmente contr&#225;ria ao contrato igualmente expl&#237;cito que fizera com a terapeuta, de n&#227;o vigil&#226;ncia face aos consumos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top16"><sup>16</sup></a><a name="16"></a>A informa&#231;&#227;o &#34;nova&#34; relativamente &#224; primeira vers&#227;o aparece em it&#225;lico.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top17"><sup>17</sup></a><a name="17"></a>Esta frase aparecia na primeira vers&#227;o como um par&#234;ntesis, sendo a conclus&#227;o da segunda vers&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top18"><sup>18</sup></a><a name="18"></a>Por exemplo, que a terapeuta vigie o grau de dilata&#231;&#227;o das pupilas para ver se consumiu droga ou n&#227;o, que a terapeuta permane&#231;a dispon&#237;vel durante a sua licen&#231;a de parto, pelo menos para situa&#231;&#245;es de grande emerg&#234;ncia.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top19"><sup>19</sup></a><a name="19"></a>A informa&#231;&#227;o &#34;nova&#34; relativamente &#224; segunda vers&#227;o aparece em it&#225;lico.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top20"><sup>20</sup></a><a name="20"></a>&#201; de notar que Orqu&#237;dea foi furar as orelhas ap&#243;s a morte da m&#227;e a um Centro de Enfermagem, n&#227;o as furou ela pr&#243;pria; este epis&#243;dio foi, ali&#225;s, recuperado da sua mem&#243;ria quando percebeu que os borderline podem recorrer a estrat&#233;gias de automutila&#231;&#227;o; o &#34;chuto&#34; pode tamb&#233;m incluir-se como outro exemplo do uso destas estrat&#233;gias.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top21"><sup>21</sup></a><a name="21"></a>Quando fala de o irm&#227;o ter desistido da vida, Orqu&#237;dea n&#227;o se refere ao per&#237;odo em que ele j&#225; estava muito, muito doente, &#34;t&#227;o doente que qualquer desiste de viver&#34;, refere-se, outrossim, a ele ter sido infectado pelo HIV numa fase em que &#34;n&#227;o havia praticamente nada c&#225; em Portugal&#34;, sobretudo porque ele consumiu droga por um curt&#237;ssimo per&#237;odo da sua vida e foi sempre fiel &#224; sua namorada, acabando por ser contaminado numa situa&#231;&#227;o de consumo fortuito fora do pa&#237;s &#8212; azar ou estranha coincid&#234;ncia?</font></p>        ]]></body><back>
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