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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Diagnóstico de demência: Uma questão de critérios DSM-IV ou ICD-10?]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Diagnosis of dementia: comparison between ICD-10 and DSM-IV]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Hospital de Santa Maria Centro de Estudos Egas Moniz Laboratório de Estudos de Linguagem]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[There are several widely used sets of criteria for the diagnosis of dementia. ICD-10 and DSM-IV are the usual criteria for the diagnosis of dementia, but they can differ in the number of subjects classified as having dementia. In this study we analyzed the agreement of the two sets of clinical diagnostic criteria. We examined 897 subjects with suspected dementia syndrome. The subjects were submitted to a neuropsychological assessment and were classified as demented based on DSM-IV and on ICD-10 or as non-demented. We found that 82,6% of the cases were classified as demented by the DSM-IV criteria while only 63,8% of subjects were given a diagnosis of dementia according ICD-10 criteria. The agreement on the two criteria was 61,4%. The different percentage of demented subjects, depending the criteria used, has significant implications for research and treatment.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Demência]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="4"><b>Diagn&#243;stico de dem&#234;ncia</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Uma quest&#227;o de crit&#233;rios DSM-IV ou ICD-10?</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Diagnosis of dementia: comparison between ICD-10 and DSM-IV</b></font></p>          <p>&nbsp;</p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Manuela Guerreiro<sup>1</sup></b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><sup>1</sup>Laborat&#243;rio de Estudos de Linguagem, Centro de Estudos Egas Moniz, Hospital de Santa Maria.</font></p>      <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Existem v&#225;rios crit&#233;rios para o diagn&#243;stico de dem&#234;ncia, sendo o DSM-IV e a ICD-10, os mais usados. Estes dois crit&#233;rios, porque apresentam algumas diferen&#231;as entre si, classificam como tendo dem&#234;ncia um n&#250;mero diferente de sujeitos. Estud&#225;mos 897 sujeitos com suspeita de dem&#234;ncia os quais foram submetidos a avalia&#231;&#227;o neuropsicol&#243;gica e foram classificados como tendo ou n&#227;o dem&#234;ncia, em fun&#231;&#227;o das exig&#234;ncias do DSM-IV e da ICD-10. Encontr&#225;mos que 82,6% dos casos eram classificados como dementes pelo DSM-IV, enquanto s&#243; 63,8% tinham este diagn&#243;stico se utiliz&#225;ssemos a ICD-10. A concord&#226;ncia de diagn&#243;stico verificava-se em 61,4% dos sujeitos. A diferen&#231;a de percentagem de sujeitos classificados com tendo dem&#234;ncia, dependendo do crit&#233;rio utilizado, tem implica&#231;&#245;es significativas, n&#227;o s&#243; na investiga&#231;&#227;o como tamb&#233;m na terap&#234;utica.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave</b> : Dem&#234;ncia, diagn&#243;stico, DSM-IV, ICD-10.</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>         <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">There are several widely used sets of criteria for the diagnosis of dementia. ICD-10 and DSM-IV are the usual criteria for the diagnosis of dementia, but they can differ in the number of subjects classified as having dementia. In this study we analyzed the agreement of the two sets of clinical diagnostic criteria. We examined 897 subjects with suspected dementia syndrome. The subjects were submitted to a neuropsychological assessment and were classified as demented based on DSM-IV and on ICD-10 or as non-demented. We found that 82,6% of the cases were classified as demented by the DSM-IV criteria while only 63,8% of subjects were given a diagnosis of dementia according ICD-10 criteria. The agreement on the two criteria was 61,4%. The different percentage of demented subjects, depending the criteria used, has significant implications for research and treatment.</b></font></p>          <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Introdu&#231;&#227;o</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">T&#234;m sido feitas v&#225;rias tentativas de especifica&#231;&#227;o dos crit&#233;rios de diagn&#243;stico, de modo a obterem-se n&#227;o s&#243; diagn&#243;sticos mais rigorosos de dem&#234;ncia, como tamb&#233;m dos diferentes tipos de dem&#234;ncia. A utiliza&#231;&#227;o de crit&#233;rios de diagn&#243;stico de dem&#234;ncia padronizados conduz &#224; possibilidade de comparar resultados de estudos realizados em pa&#237;ses diferentes, quer sejam estudos epidemiol&#243;gicos, biol&#243;gicos ou de investiga&#231;&#227;o cl&#237;nica. A variabilidade de resultados, ainda encontrada, pode ser devida, por um lado, &#224; precis&#227;o com que o observador aplica os crit&#233;rios de diagn&#243;stico, mas esta &#233; uma varia&#231;&#227;o inevit&#225;vel, e por outro lado, ao facto de existir mais de um crit&#233;rio de diagn&#243;stico, com caracter&#237;sticas diferentes.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A Organiza&#231;&#227;o Mundial de Sa&#250;de (OMS, 1992), na sua classifica&#231;&#227;o internacional das doen&#231;as, 10.<sup>a</sup> edi&#231;&#227;o (ICD-10), d&#225; a seguinte defini&#231;&#227;o de dem&#234;ncia: &#34;evid&#234;ncia de decl&#237;nio, em simult&#226;neo, da mem&#243;ria e do pensamento (capacidade de racioc&#237;nio), suficientemente marcada para interferir nas actividades da vida di&#225;ria, tendo, pelo menos, seis meses de evolu&#231;&#227;o e podendo ainda coexistir altera&#231;&#227;o nas seguintes fun&#231;&#245;es: linguagem, c&#225;lculo, julgamento, pensamento abstracto, praxias, gnosias ou personalidade&#34;. As altera&#231;&#245;es cognitivas acompanham-se, ou s&#227;o precedidas, duma altera&#231;&#227;o do controlo emocional, do comportamento social ou da motiva&#231;&#227;o. Para a ICD-10, a presen&#231;a de defeito de mem&#243;ria &#233; necess&#225;ria para o diagn&#243;stico de dem&#234;ncia, referindo ainda que este diagn&#243;stico deve ser suportado pela hist&#243;ria cl&#237;nica, estabelecido pelo exame de estado mental e assistido pelos exames de imagem. Esta defini&#231;&#227;o &#233; relativamente ampla e n&#227;o implica uma deteriora&#231;&#227;o intelectual importante, mas apenas um decl&#237;nio em rela&#231;&#227;o a um estado anterior.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Outro crit&#233;rio, usado internacionalmente, &#233; o DSM-IV, da Associa&#231;&#227;o Psiqui&#225;trica Americana (APA, 1994), para o qual a dem&#234;ncia inclui a presen&#231;a de defeito de mem&#243;ria, com altera&#231;&#245;es associadas de outras fun&#231;&#245;es nervosas superiores, tais como a linguagem, praxias ou altera&#231;&#245;es de personalidade. Este manual define a dem&#234;ncia como &#34;a perda das capacidades intelectuais, de gravidade suficiente para interferir com o funcionamento social e profissional&#34;, sendo necess&#225;ria a presen&#231;a de defeito de mem&#243;ria e de, pelo menos, outra fun&#231;&#227;o cognitiva. Tamb&#233;m este crit&#233;rio &#233; bastante amplo, deixando grande liberdade de interpreta&#231;&#227;o individual.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">De acordo com os manuais, DSM-IV (APA, 1994) e ICD-10 (OMS, 1992), o diagn&#243;stico de dem&#234;ncia &#233; baseado principalmente na sintomatologia e independente da etiologia. Os dois crit&#233;rios t&#234;m diferen&#231;as, apesar de ambos terem sido elaborados por consensos entre v&#225;rios especialistas. O DSM-IV (APA, 1994), ao contr&#225;rio da ICD-10 (OMS, 1992), n&#227;o refere tempo de dura&#231;&#227;o da s&#237;ndroma, antes do diagn&#243;stico de dem&#234;ncia ser feito, nem se refere &#224;s t&#233;cnicas de imagem cerebral ou &#224; neuropatologia. Na ICD-10 (OMS, 1992), por outro lado, as altera&#231;&#245;es no comportamento social n&#227;o s&#227;o indicadas como um crit&#233;rio de diagn&#243;stico.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Nos crit&#233;rios de diagn&#243;stico de dem&#234;ncia da ICD-10 (OMS, 1992), o defeito do funcionamento na vida di&#225;ria n&#227;o &#233; um crit&#233;rio obrigat&#243;rio, nem os defeitos af&#225;sicos, apr&#225;xicos ou agn&#243;sicos, como o s&#227;o para o DSM-IV (APA, 1994), apesar de os dois sistemas serem semelhantes, nas &#225;reas identificadas com crit&#233;rios espec&#237;ficos. Tanto a ICD-10 (OMS, 1992), como o DSM-IV (APA, 1994) d&#227;o pouca &#234;nfase ao conceito &#34;global&#34; do defeito cognitivo, salientam que o defeito de mem&#243;ria isolado n&#227;o &#233; suficiente para o diagn&#243;stico. Os dois crit&#233;rios excluem a presen&#231;a de estado confusional, para que possa ser feito o diagn&#243;stico de dem&#234;ncia. Na ICD-10 (OMS, 1992) a dem&#234;ncia &#233; considerada como &#34;geralmente de natureza cr&#243;nica ou progressiva&#34;, enquanto que, no DSM-IV (APA, 1994) este progn&#243;stico n&#227;o &#233; mencionado (<a href="/img/revistas/psi/v16n1/16n1a03q1.jpg">quadro 1</a>).</font></p>          
]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Num estudo multinacional, Baldereschi <i>et al.</i> (1994), usando os crit&#233;rios de dem&#234;ncia do DSM-III-R (APA, 1987) e da ICD-10 (OMS, 1992), analisaram a concord&#226;ncia interobservador no diagn&#243;stico cl&#237;nico da dem&#234;ncia e nos diferentes subtipos de dem&#234;ncia, tendo encontrado um valor de aproximadamente 0,70 entre ambos os crit&#233;rios. Este estudo mostra que, para culturas diferentes, estes dois crit&#233;rios para dem&#234;ncia, o DSM-III-R (APA, 1987) e a ICD-10 (OMS, 1992), apresentam discrep&#226;ncias, embora com alguma validade interobservador.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Material e m&#233;todos</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Compar&#225;mos os dois crit&#233;rios de dem&#234;ncia, DSM-IV e ICD-10, numa amostra de 897 sujeitos (410 do sexo masculino e 487 do sexo feminino), que foram enviados ao Laborat&#243;rio de Estudos de Linguagem, para confirma&#231;&#227;o de diagn&#243;stico ou para caracteriza&#231;&#227;o de dem&#234;ncia. A idade m&#233;dia dos sujeitos desta amostra &#233; de 61,8 anos (29 a 87), com 3,4 anos de tempo m&#233;dio de evolu&#231;&#227;o (1 a 29) e uma m&#233;dia de escolaridade de 5,3 anos (0 a 16) (<a href="/img/revistas/psi/v16n1/16n1a03q2.jpg">quadro 2</a>). Consider&#225;mos como tempo de evolu&#231;&#227;o o tempo decorrido entre o in&#237;cio das queixas (referidas pelo pr&#243;prio sujeito ou pelo acompanhante) e a data da avalia&#231;&#227;o neuropsicol&#243;gica, independentemente do resultado do exame neuropsicol&#243;gico, isto &#233;, mesmo que o diagn&#243;stico de dem&#234;ncia n&#227;o se confirmasse. Em cada teste e para cada sujeito, foi considerado haver &#34;defeito&#34;, sempre que o sujeito obtivesse resultados inferiores a menos um desvio-padr&#227;o, em rela&#231;&#227;o &#225; m&#233;dia do grupo de controlo a que pertencia, em fun&#231;&#227;o da idade e escolaridade, segundo os valores normativos (Garcia &#38; Guerreiro, 1983; Garcia, 1984).</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">Todos os sujeitos foram submetidos a avalia&#231;&#227;o neuropsicol&#243;gica, com a Bateria de Lisboa para Avalia&#231;&#227;o das Dem&#234;ncias (BLAD), para inferir ou n&#227;o a presen&#231;a de dem&#234;ncia. Os resultados obtidos na avalia&#231;&#227;o neuropsicol&#243;gica foram confrontados com as exig&#234;ncias de cada um dos crit&#233;rios, DSM-IV (APA, 1994) e ICD-10 (OMS, 1992). A ICD-10 (OMS, 1992) refere, numa primeira defini&#231;&#227;o, as caracter&#237;sticas fundamentais e indispens&#225;veis ao diagn&#243;stico de dem&#234;ncia (defeito de mem&#243;ria e decl&#237;nio no pensamento abstracto), mas acrescenta que o diagn&#243;stico &#233; mais preciso se forem encontradas altera&#231;&#245;es noutras fun&#231;&#245;es mentais (c&#225;lculo, linguagem, etc.) (<a href="/img/revistas/psi/v16n1/16n1a03q1.jpg">quadro 1</a>), o que nos levou a realizar duas an&#225;lises: uma considerando apenas a presen&#231;a de defeito de mem&#243;ria e de pensamento abstracto, que design&#225;mos por suberit&#233;rio 1, e a outra adicionando a estas caracter&#237;sticas as que tomam o diagn&#243;stico mais preciso, e que design&#225;mos por suberit&#233;rio 2. Acada sujeito foram aplicados os tr&#234;s crit&#233;rios (DSM-IV e as duas possibilidades da ICD-10), sendo analisado se havia concord&#226;ncia nas tr&#234;s classifica&#231;&#245;es, isto &#233;, se o sujeito era considerado &#34;demente&#34; ou &#34;n&#227;o-demente&#34; pelos tr&#234;s crit&#233;rios, ou se os diagn&#243;sticos diferiam entre os crit&#233;rios.</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2"><b>Resultados</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Nesta amostra, o DSM-IV classifica como dementes 82,6% dos casos (<a href="/img/revistas/psi/v16n1/16n1a03q3.jpg">quadro 3</a>), enquanto que, para satisfazer o suberit&#233;rio 1 da ICD-10, 63,8% dos sujeitos s&#227;o considerados com dem&#234;ncia. Esta percentagem diminui para 54,2%, quando se aplica o que design&#225;mos por suberit&#233;rio 2 da ICD-10 (<a href="/img/revistas/psi/v16n1/16n1a03q4.jpg">quadro 4</a>).</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">A an&#225;lise estat&#237;stica de distribui&#231;&#227;o de frequ&#234;ncias (qui-quadrado), entre o DSM-IV e cada um dos dois subcrit&#233;rios da ICD-10, revela heterogeneidade significativa nestas distribui&#231;&#245;es de frequ&#234;ncias <i>(x<sup>2</sup>=</i> 69,5 e x<sup>2</sup>=148,6, respectivamente para o que design&#225;mos por subcrit&#233;rio 1 e subcrit&#233;rio 2, da ICD-10; p&#60; 0,0000) (<a href="/img/revistas/psi/v16n1/16n1a03q5.jpg">quadro 5</a>).</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">O n&#250;mero de casos comuns aos dois crit&#233;rios, considerando o subcrit&#233;rio 1 da ICD-10 e o DSM-IV, independentemente de serem classificados &#34;com&#8221; ou &#34;sem&#8221; dem&#234;ncia, &#233; de 81,3% (729 casos). A concord&#226;ncia de diagn&#243;stico (sujeitos classificados do mesmo modo nos dois crit&#233;rios) verifica-se em 61,4% dos casos, sendo 15,9% a concord&#226;ncia entre aus&#234;ncia de dem&#234;ncia e 45,5% a concord&#226;ncia na presen&#231;a de dem&#234;ncia. Isto significa que 19,9% dos casos podem ser classificados como &#34;dementes&#34; num crit&#233;rio e como &#34;n&#227;o-dementes&#34; noutro crit&#233;rio.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Se analisarmos o tempo de evolu&#231;&#227;o, nos casos em que h&#225; concord&#226;ncia de diagn&#243;stico entre os dois crit&#233;rios (considerando o subcrit&#233;rio 1 da ICD-10) e os casos em que se verifica discord&#226;ncia nos crit&#233;rios, encontramos que a m&#233;dia do tempo de evolu&#231;&#227;o &#233; mais baixa no grupo em que n&#227;o h&#225; acordo de classifica&#231;&#227;o entre os crit&#233;rios, mas n&#227;o atingindo a diferen&#231;a significado estat&#237;stico, se aceitarmos o valor de signific&#226;ncia de 0,05 (t=1,7; p=0,06) (<a href="/img/revistas/psi/v16n1/16n1a03q6.jpg">quadro 6</a>).</font></p>              
<p>&nbsp;</p>     <a href="/img/revistas/psi/v16n1/16n1a03q7.jpg">quadro 7</a>         
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<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>          <p><font face="Verdana" size="2">No entanto, se considerarmos a gravidade da dem&#234;ncia, avaliada pela escala de Blessed (Blessed <i>et al,</i> 1968), encontramos diferen&#231;a significativa entre os casos em que existe concord&#226;ncia de classifica&#231;&#227;o e os casos em que existe discord&#226;ncia, tendo estes &#250;ltimos uma gravidade inferior.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Coment&#225;rios</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Apesar das v&#225;rias tentativas para uniformizar o conceito geral de dem&#234;ncia, e sendo uma realidade que, actualmente, existe muito mais consenso do que h&#225; uns anos atr&#225;s, continuam ainda a verificar-se discrep&#226;ncias evidentes entre os crit&#233;rios de diagn&#243;stico mais utilizados, o DSM-IV (APA, 1994) e a ICD-10 (OMS, 1992).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O facto de o grau de concord&#226;ncia (casos diagnosticados com e sem dem&#234;ncia), entre estes dois crit&#233;rios, ser relativamente baixo e de o n&#250;mero de casos diagnosticados como dementes ser diferente, em cada um dos crit&#233;rios usados, revela a necessidade de maior uniformiza&#231;&#227;o para os crit&#233;rios conducentes ao diagn&#243;stico de dem&#234;ncia. AICD-10 &#233; um crit&#233;rio mais exigente e mais espec&#237;fico do que o DSM-IV. O DSM-IV &#233; mais sens&#237;vel, podendo incluir um valor mais alto de falsos positivos (sujeitos normais que s&#227;o classificados como dementes) do que a ICD-10.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">As discrep&#226;ncias entre os dois crit&#233;rios n&#227;o parecem depender do tempo de evolu&#231;&#227;o dos casos, apesar de este tempo ser maior nos casos onde h&#225; concord&#226;ncia, mas a gravidade da dem&#234;ncia &#233; superior no grupo onde h&#225; concord&#226;ncia de crit&#233;rios. Este resultado sugere que a concord&#226;ncia dos dois crit&#233;rios &#233; maior quanto mais graves forem os casos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Pohjasvaara <i>et al.</i> (1997), num estudo de dem&#234;ncia, numa popula&#231;&#227;o de doentes com AVC isqu&#233;mico, encontraram uma frequ&#234;ncia de dem&#234;ncia de 18,4% com o DSM-IV e de 6% com a ICD-10. Discrep&#226;ncias semelhantes foram encontradas em estudos com doentes psiqui&#225;tricos, nomeadamente, na presen&#231;a/aus&#234;ncia de altera&#231;&#245;es de personalidade ap&#243;s altera&#231;&#245;es psic&#243;ticas agudas e transit&#243;rias, em que Jorgensen <i>et al.</i> (1997) encontraram valores de 54%, com a ICD-10, e 71%, com a DSM-IV, e Siebel <i>et al.</i> (1997) referem uma percentagem de concord&#226;ncia de 65,6% entre estes dois crit&#233;rios, num estudo de fidedignidade do sistema multiaxial do cap&#237;tulo V(F) da ICD-10. Erkinjuntti <i>et al.</i> (1997), encontraram valores igualmente discrepantes na classifica&#231;&#227;o de dem&#234;ncia, utilizando o DSM-III-R e a ICD-10.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Para al&#233;m dos efeitos que as discrep&#226;ncias entre os crit&#233;rios produzem nos estudos de diagn&#243;stico e de preval&#234;ncia, tamb&#233;m nos ensaios cl&#237;nicos poder&#227;o ter repercuss&#245;es importantes, pois a selec&#231;&#227;o de sujeitos a incluir tem de ser criteriosa e fidedigna. Muitos destes ensaios incluem doentes em fase ligeira, e &#233; neste grupo de doentes que se verifica maior discrep&#226;ncia entre os crit&#233;rios.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Consideramos que a op&#231;&#227;o por um ou outro dos crit&#233;rios poder&#225; depender dos objectivos dos estudos e da pondera&#231;&#227;o do risco em se incluir mais falsos positivos ou mais falsos negativos. No entanto, dever&#225; ter-se sempre presente que estes dois crit&#233;rios s&#227;o instrumentos que, mesmo quando utilizados numa mesma popula&#231;&#227;o, originam resultados com diferen&#231;as importantes.</font></p>          <p>&nbsp;</p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>Refer&#234;ncias</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">American Psychiatrie Association (1987). <i>Diagnosis and statistical manual of mental disorders</i> (3.<sup>a</sup> ed. revista). Washington, DC: American Psychiatric Press.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">American Psychiatric Association (1987). <i>Diagnostic and statistical manual of mental disorders</i> (4.<sup>a</sup> ed.). Washington, DC: American Psychiatric Press.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">American Psychiatric Association (1994). <i>Diagnostic and statistical manual of mental disorders</i> (4.<sup>a</sup> ed.). Washington, DC: American Psychiatric Press.</font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Baldereschi, M., Amato, M. R, Nencini, R, <i>et al.</i> (1994). Cross-national inter-rater agreement on the clinical diagnostic criteria for dementia for the WHO-PRA age-associated dementia working group, WHO-Program for research on aging, health of elderly program. <i>Neurology, 44,</i> 239-242.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=489841&pid=S0874-2049200200010000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Blessed, G., Tomlinson, B. E., &#38; Roth, M. (1968). The association between quantitative measures of dementia and of senile change in the cerebral gray matter of elderly subjects. <i>British Journal of Psychiatry, 114,</i> 797-811.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=489843&pid=S0874-2049200200010000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Erkinjuntti, T., Ostbye, T., Steenhuis, R., &#38; Hachinski, V. (1997). The effect of different diagnostic  	criteria on the prevalence of dementia. <i>The New England Journal</i>, 337, (23) 1667-74</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=489845&pid=S0874-2049200200010000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Garcia, C. (1984). <i>A doen&#231;a de Alzheimer. Problemas de diagn&#243;stico cl&#237;nico.</i> Disserta&#231;&#227;o de doutoramento, Faculdade de Medicina de Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=489846&pid=S0874-2049200200010000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Garcia, C., &#38; Guerreiro, M. (1983). <i>Pseudodementia from illiteracy.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=489848&pid=S0874-2049200200010000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></i> Paper presented to the Conference of International Neuropsychology Society, Lisboa.</font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Jorgensen, R, Bennedsen, B., Christensen, J., <i>et al.</i> (1997). Acute and transient psychotic disorder: a 1-year follow-up study. <i>Acta Psychiatrica Scandinavica, 96</i> (2), 150-154.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=489850&pid=S0874-2049200200010000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Organiza&#231;&#227;o Mundial de Sa&#250;de (1992). <i>The ICD-10 (International classification of diseases), classification of mental and behavioural disorders: Clinical descriptions and diagnostic guidelines.</i> World Health Organization, Division of Mental Health: Genebra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=489852&pid=S0874-2049200200010000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Pohjasvaara, T., Erkinjuntti, T., Vataja, R., <i>et al.</i> (1997). Dementia three months after stroke &#8212; baseline frequency and effect of different definitions of dementia in the Helsinki stroke aging memory study (SAM) cohort. <i>Stroke, 28</i> (4), 785-792.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=489854&pid=S0874-2049200200010000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Siebel, U., Michels, R., &#38; Hoff, P. (1997). The multiaxial system in Chapter V (F) of ICD-10: preliminary results of the multicenter study of practibility and reliability. <i>Nervenarzt, 68</i> (3), 231-238.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=489856&pid=S0874-2049200200010000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>             ]]></body><back>
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