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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Questões actuais em intervenção precoce]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade do Porto Faculdade de Psicologia e de Citadas da Educação Centro de Estudo e Apoio à Criança e À Família]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The authors underline the importance of Bronfenbrenner' theory of Human Development (1979,1998) for the theory and practice of Early Intervention (El). Based on the work of Bailey and Wolery (2002), conc erning the recommendations for a federal special education agenda, in particular in El, provision of special education and related services for infants, toddlers and preschoolers with disbilities and their families, the above mentioned authors in the second part of this papper made a comparaison with El programmes and provision for Portugal (BairrSo & Almeida, 2002). The authors conclude assuming that there exists a great gap between the two countries in what concerns EL They also stress the need of a good organization, planning, staffing and financing of El programmes in Portugal in order to give to poruguese children with special education needs and their families the urgent education and care they really need.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="4"><b>Quest&#245;es actuais em interven&#231;&#227;o precoce</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Present issues of early intervention</b></font></p>              <p>&nbsp;</p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Joaquim Bairr&#227;o<sup>*</sup>;  Isabel Chaves de Almeida<sup>**</sup></b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><sup>*-**</sup>Faculdade de Psicologia e de Citadas da Educa&#231;&#227;o da Universidade do Porto; Centro de Estudo e Apoio &#224; Crian&#231;a e &#192; Fam&#237;lia, MTSS</font></p>          <p>&nbsp;</p>     <hr size="1" noshade>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Tendo como quadro conceptual de refer&#234;ncia o modelo de Bronfenbrenner (1979,1998) para a teoriza&#231;&#227;o e pr&#225;ticas da Interven&#231;&#227;o Precoce, os autores v&#227;o, na primeira parte deste artigo, analisar o &#34;estado da arte&#34; da Interven&#231;&#227;o Precoce nos EUA, &#224; luz do trabalho de Bailey e Wolery (2002). Em seguida, v&#227;o confrontar os principais problemas referenciados nesta &#225;rea nos EUA, com os problemas detectados na situa&#231;&#227;o portuguesa atrav&#233;s do estudo de Bairr&#227;o e Almeida (2002). Dessa an&#225;lise comparativa ressalta a grande dist&#226;ncia que nos separa dos EUA em mat&#233;ria de Interven&#231;&#227;o Precoce, tanto no dom&#237;nio te&#243;rico como no das pr&#225;ticas. Os principais problemas que a Interven&#231;&#227;o Precoce revela entre n&#243;s, ali&#225;s comuns aos demais dom&#237;nios da educa&#231;&#227;o, s&#227;o: a inexist&#234;ncia de uma organiza&#231;&#227;o eficaz de recursos, a aus&#234;ncia de uma planifica&#231;&#227;o realizada com base em op&#231;&#245;es e objectivos bem determinados e, claro est&#225;, um financiamento ajustado &#224;s necessidades das crian&#231;as com necessidades educativas especiais e suas fam&#237;lias.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave</b> Interven&#231;&#227;o precoce, conceitos, eligibilidade, programas de interven&#231;&#227;o.</font></p>  <hr size="1" noshade>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"> The authors underline the importance of Bronfenbrenner&#39; theory of Human Development (1979,1998) for the theory and practice of Early Intervention (El). Based on the work of Bailey and Wolery (2002), concerning the recommendations for a federal special education agenda, in particular in El, provision of special education and related services for infants, toddlers and preschoolers with disbilities and their families, the above mentioned authors in the second part of this papper made a comparaison with El programmes and provision for Portugal (BairrSo &#38; Almeida, 2002). The authors conclude assuming that there exists a great gap between the two countries in what concerns EL They also stress the need of a good organization, planning, staffing and financing of El programmes in Portugal in order to give to poruguese children with special education needs and their families the urgent education and care they really need.</font></p>  <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>          <p><font face="Verdana" size="2">Bailey e Wolery (2002) d&#227;o-nos uma defini&#231;&#227;o gen&#233;rica de Interven&#231;&#227;o Precoce: <i>a Interven&#231;&#227;o Precoce abrange servi&#231;os de educa&#231;&#227;o especial e afins destinados &#224;s crian&#231;as de idades precoces e de idade pr&#233;-escolar com necessidades educativas especiais e &#224;s suas fam&#237;lias.</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Por sua vez, Dunst e Bruder (2002) consideram que a Interven&#231;&#227;o Precoce diz respeito:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">a) Aos servi&#231;os, apoios e recursos necess&#225;rios para responder &#224;s necessidades de todas as crian&#231;as que acorrem aos programas de Interven&#231;&#227;o Precoce. Com este objectivo inclui actividades e oportunidades que visam incentivar a aprendizagem e o desenvolvimento da crian&#231;a.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">b) Aos servi&#231;os, apoios e recursos necess&#225;rios para que as fam&#237;lias possam promover o desenvolvimento dos seus filhos, criando oportunidades para que tenham um papel activo neste processo.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Se aceitarmos com Bronfenbrenner, de acordo com a sua Teoria Ecol&#243;gica, que o desenvolvimento resulta do processo de interac&#231;&#227;o entre a crian&#231;a e os v&#225;rios contextos em que est&#225; inserida, &#233; f&#225;cil concluir da import&#226;ncia desta teoria para a fundamenta&#231;&#227;o te&#243;rica e pr&#225;tica da Interven&#231;&#227;o Precoce. A primeira teoriza&#231;&#227;o de Bronfenbrenner, de 1979, permite-nos localizar no espa&#231;o e no tempo os v&#225;rios cen&#225;rios de socializa&#231;&#227;o da crian&#231;a, desde os mais pr&#243;ximos em que ela est&#225; inserida, fam&#237;lia, escola e comunidade (micro e mesossistema), at&#233; aos mais distantes que v&#227;o influenciar estes cen&#225;rios (exo e macrossistema), quer do ponto de vista dos valores e da cultura, quer da organiza&#231;&#227;o de recursos para a crian&#231;a e fam&#237;lia.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Esta primeira conceptualiza&#231;&#227;o da teoria ecol&#243;gica do desenvolvimento vai evoluindo, at&#233; que, a partir de 1989, Bronfenbrenner reformula a sua defini&#231;&#227;o de ecologia do desenvolvimento humano, o que vai implicar um alargamento que tem sobretudo a ver com os processos de desenvolvimento desde as suas fases precoces.<a href="#1"><sup>1</sup></a><a name="top1"></a> Nesta reformula&#231;&#227;o, o autor encorpora alguns dos conceitos veiculados por Sameroff no seu modelo transaccional<a href="#2"><sup>2</sup></a><a name="top2"></a> e vai considerar que <i>o desenvolvimen to ocorre atrav&#233;s de processos de interac&#231;&#245;es rec&#237;procas cada vez mais complexas, entre um organismo humano biopsicol&#243;gico em evolu&#231;&#227;o e as pessoas, objectos e s&#237;mbolos do seu meio ambiente externo.</i> Por outras palavras, Bronfenbrenner vai sobretudo preocupar-se com aquelas interac&#231;&#245;es duradouras no meio circundante, que ele refere como <i>processos pr&#243;ximos.</i> S&#227;o exemplos destes processos, alimentar ou brincar com o beb&#233;, actividades de jogo ou outras situa&#231;&#245;es de aprendizagem da crian&#231;a.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Nesta nova conceptualiza&#231;&#227;o, Bronfenbrenner vai tamb&#233;m aprofundar o conte&#250;do e dura&#231;&#227;o dos processos pr&#243;ximos que afectam o desenvolvimento e que variam sistematicamente em fun&#231;&#227;o das caracter&#237;sticas, quer da pessoa em desenvolvimento, quer do ambiente, da natureza dos produtos do desenvolvimento, da continuidade e mudan&#231;as sociais que ocorrem ao longo do tempo e do per&#237;odo hist&#243;rico em que a pessoa vive (Bronfenbrenner &#38; Morris, 1998).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Assim, quando se fala duma perspectiva ecol&#243;gico-transacdonal do desenvolvimento humano, &#233; importante ter presente que tal perspectiva tem paralelamente implica&#231;&#245;es conceptuais e organizacionais. Isto &#233;, tem implica&#231;&#245;es sobre como fazer Interven&#231;&#227;o Precoce tendo em conta a complexidade do processo de desenvolvimento e, simultaneamente, sobre como organizar servi&#231;os e recursos de forma a que estes possam responder adequadamente &#224;s necessidades das crian&#231;as e das fam&#237;lias.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">De facto, tanto o modelo de Bronfenbrenner como o de Sameroff v&#227;o ligar-se de perto com os aspectos de fundo da pr&#225;tica da Interven&#231;&#227;o Precoce, desde a compreens&#227;o da ecologia da fam&#237;lia, &#224; elabora&#231;&#227;o de planos de interven&#231;&#227;o ou &#224; inclus&#227;o das interven&#231;&#245;es educativas ou terapias em contextos naturais.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Tend&#234;ncias actuais da interven&#231;&#227;o precoce</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Bailey e Wolery (2002) apresentaram perante uma comiss&#227;o presidencial sobre educa&#231;&#227;o especial uma reflex&#227;o sobre o estado da arte da Interven&#231;&#227;o Precoce nos EUA nos &#250;ltimos 30 anos. Nessa comunica&#231;&#227;o os autores elegeram cinco &#225;reas que consideram merecer especial aten&#231;&#227;o:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; identifica&#231;&#227;o precoce e elegibilidade;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; modalidades de interven&#231;&#227;o;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; avalia&#231;&#227;o dos resultados dos programas;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; legisla&#231;&#227;o espec&#237;fica e gest&#227;o de recursos humanos e financeiros;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; organiza&#231;&#227;o e apoio &#224; investiga&#231;&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Neste trabalho preocupar-nos-emos apenas com os tr&#234;s primeiros aspectos, abordando em primeiro lugar a situa&#231;&#227;o nos EUA, para posteriormente a compararmos com aquilo que se passa entre n&#243;s, sem no entanto nos pautarmos estritamente ao texto referido*</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Neste momento h&#225; nos Estados Unidos um reconhecimento generalizado dos progressos e da import&#226;ncia das respostas implementadas nos servi&#231;os de educa&#231;&#227;o precoce e no pr&#233;-escolar. Partindo de um leque muito vasto de investiga&#231;&#227;o e interven&#231;&#227;o que implicam abordagens multidisciplinares, em que campos muito diversos se entrecruzam, nomeadamente, a neurobiologia, a psicologia, a antropologia, os estudos sobre a fam&#237;lia e sobre o desenvolvimento, chegou-se a um consenso sobre o papel decisivo das idades precoces no desenvolvimento da crian&#231;a e na vida da fam&#237;lia. Assim, hoje, a principal preocupa&#231;&#227;o &#233; a de saber como prestar os servi&#231;os mais adequados, ou seja, aqueles que proporcionam melhores resultados no campo da Interven&#231;&#227;o Precoce.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Identifica&#231;&#227;o precoce e elegibilidade</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#201; consensual que, quanto mais cedo se iniciarem os programas de Interven&#231;&#227;o Precoce e quanto melhor for a sua qualidade, mais eficaz ser&#225; a interven&#231;&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Bailey e Wolery tamb&#233;m chamam a aten&#231;&#227;o para estes aspectos, referindo que nas pr&#243;ximas d&#233;cadas o debate ser&#225; sobretudo sobre a efic&#225;cia da identifica&#231;&#227;o precoce. Pondo a t&#243;nica sobre o facto de algumas crian&#231;as serem identificadas mais cedo do que outras, os autores indicam v&#225;rios t&#243;picos de reflex&#227;o, nomeadamente: a diversidade local das pr&#225;ticas e de crit&#233;rios de elegibilidade; a falta de experi&#234;ncia a n&#237;vel de diagn&#243;stico; a import&#226;ncia da exist&#234;ncia de modelos de identifica&#231;&#227;o precoce de car&#225;cter multidisciplinar ou baseados na comunidade; a exist&#234;ncia de instrumentos de rastreio eficazes; as caracter&#237;sticas pr&#243;prias das diferentes situa&#231;&#245;es de defici&#234;ncia e a consequente possibilidade de detec&#231;&#227;o precoce dos sinais* Finalmente, importa ainda chamar a aten&#231;&#227;o para os poss&#237;veis efeitos perversos da detec&#231;&#227;o precoce, nomeadamente no que diz respeito ao decr&#233;scimo das expectativas e poss&#237;vel desmobiliza&#231;&#227;o de pais e de profissionais</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Modalidades de interven&#231;&#227;o</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">0 objectivo da Interven&#231;&#227;o Precoce n&#227;o &#233; criar novos servi&#231;os, mas antes facilitar e coordenar o acesso aos servi&#231;os j&#225; existentes, completando-os se necess&#225;rio. Existem diferentes formas de prestar servi&#231;os em Interven&#231;&#227;o Precoce. Estes variam ainda, consoante os contextos em que decorrem, o tipo de actividades que desenvolvem e o modelo te&#243;rico que lhes est&#225; subjacente. Todas estas presta&#231;&#245;es variam no que diz respeito &#224; quantidade e qualidade dos servi&#231;os prestados, mas, em &#250;ltima an&#225;lise, todos t&#234;m como objectivo servir as fam&#237;lias e as crian&#231;as.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Em termos te&#243;ricos, constata-se, nos EUA, uma prefer&#234;ncia por programas de Interven&#231;&#227;o Precoce individualizados e ecol&#243;gicos. No entanto, coexistem v&#225;rios modelos de resposta, que n&#227;o foram ainda avaliados no que se refere &#224; sua efic&#225;cia. Ora &#233; interessante verificar que, de um modo geral, os pais est&#227;o satisfeitos com os servi&#231;os que recebem e que os consideram eficazes, quer para os seus filhos, quer para si pr&#243;prios.<a href="#3"><sup>3</sup></a><a name="top3"></a></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Perante a diversidade de servi&#231;os prestados, Bailey e Wolery consideram que a grande quest&#227;o que se vai colocar na pr&#243;xima d&#233;cada ser&#225; a de saber quais os melhores modelos e programas para as diferentes crian&#231;as e fam&#237;lias. Para poder responder a esta interroga&#231;&#227;o apontam v&#225;rias quest&#245;es de investiga&#231;&#227;o que pormenorizaremos em seguida.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>1</b> At&#233; que ponto se pode aumentar a efic&#225;cia dos programas de Interven&#231;&#227;o Precoce para as crian&#231;as dos 0 aos 2 anos e dos 3 aos 5 anos com incapacidades? Bailey e Wolery salientam a necessidade de levar a cabo pesquisas sobre:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">a) A efic&#225;cia dos diferentes modelos, relacionando as quest&#245;es da efic&#225;cia com as diferentes problem&#225;ticas das crian&#231;as, as suas diferentes idades e os seus diferentes antecedentes culturais e socioecon&#243;micos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">b) A import&#226;ncia da intensidade ou frequ&#234;ncia do programa. Apesquisa j&#225; sugerira que os programas mais intensos s&#227;o os mais eficazes, mas o n&#250;mero de estudos &#233; muito limitado. Importa saber agora qual o limiar abaixo do qual um programa n&#227;o tem qualquer efeito e acima do qual os benef&#237;cios s&#227;o marginais.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">c) A import&#226;ncia da qualidade do programa. A pesquisa com crian&#231;as ditas normais provou que a qualidade dos programas est&#225; directamente relacionada com resultados mais elevados a n&#237;vel do desenvolvimento da crian&#231;a. N&#227;o existem, no entanto, pesquisas referentes a programas destinados a crian&#231;as com necessidades educativas especiais. S&#227;o pois necess&#225;rios estudos que visem o desenvolvimento de instrumentos de medida da qualidade de tais programas.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">d) A identifica&#231;&#227;o de factores mediadores e moderadores que influenciam a efic&#225;cia dos programas de interven&#231;&#227;o. Pesquisas pr&#233;vias sugerem que a interven&#231;&#227;o n&#227;o pode ser definida apenas pela estrutura organizacional do servi&#231;o, pois s&#227;o os servi&#231;os que t&#234;m de se adaptar &#224;s caracter&#237;sticas das crian&#231;as e das fam&#237;lias e n&#227;o o oposto. &#201; necess&#225;ria pesquisa para identificar os factores que promovem ou impedem o fruir dos benef&#237;cios da interven&#231;&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>2</b> Quais os novos tipos de abordagens que s&#227;o necess&#225;rias para responder a dom&#237;nios e problem&#225;ticas espec&#237;ficas? &#201; prioritariamente necess&#225;ria pesquisa que permita fazer recomenda&#231;&#245;es fundamentadas relativamente a:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">a) Modelos de interven&#231;&#227;o com crian&#231;as com problem&#225;ticas espec&#237;ficas: autismo, paralisia cerebral, problemas de comportamento, etc.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">b) Interven&#231;&#227;o em situa&#231;&#245;es de interac&#231;&#227;o social nas quais &#233; primordial a utiliza&#231;&#227;o da linguagem/comunica&#231;&#227;o ou a emerg&#234;ncia das capacidades de literada.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">c) Estrat&#233;gias de interven&#231;&#227;o que permitam compreender e prevenir a emerg&#234;ncia de problemas de sa&#250;de mental, particularmente no contexto da fam&#237;lia e da comunidade.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">d) Estrat&#233;gias de interven&#231;&#227;o que surjam inseridas nas interac&#231;&#245;es continuadas da crian&#231;a com os diferentes elementos dos seus diversos contextos de socializa&#231;&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>3</b> Como podemos garantir que pr&#225;ticas empiricamente validadas sejam usadas de forma regular e apropriada? Parece existir uma discrep&#226;ncia entre as pr&#225;ticas recomendadas, fundamentadas na investiga&#231;&#227;o, e as pr&#225;ticas reais dos profissionais. &#201; necess&#225;rio desenvolver pesquisa que incida sobre estas &#250;ltimas, assim como sobre a inclus&#227;o de crian&#231;as com necessidades educativas especiais em estruturas de presta&#231;&#227;o de cuidados, identificando factores que impe&#231;am uma Interven&#231;&#227;o Precoce de qualidade nesses contextos. Finalmente, s&#227;o necess&#225;rios ainda estudos que permitam compreender os processos que possam levar os profissionais a utilizar as pr&#225;ticas mais recomendadas pela pesquisa. Este processo deveria passar pela avalia&#231;&#227;o dos programas e por incentivos &#224;s pol&#237;ticas gerais de funcionamento que se revelassem como mais eficazes.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>4</b> Quais as pr&#225;ticas que promovem o bem-estar da fam&#237;lia e que a ajudam a proporcionar um melhor desenvolvimento aos seus filhos? O papel fundamental da fam&#237;lia nos programas de Interven&#231;&#227;o Precoce &#233; unanimemente reconhecido, por&#233;m continua a ser necess&#225;ria mais pesquisa sobre esta &#225;rea tem&#225;tica. Bailey e Wolery sugerem tr&#234;s &#225;reas priorit&#225;rias:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">a) Estudos que incidam sobre fam&#237;lias que tiveram mais dificuldades em se adaptar ao facto de terem um filho com necessidades educativas especiais. &#201; necess&#225;rio saber identificar essas fam&#237;lias e ajud&#225;-las a recuperar a autoconfian&#231;a e a tornarem-se activas na resolu&#231;&#227;o de problemas e na tomada de decis&#227;o em tudo aquilo que diz respeito ao seu filho.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">b) Estudos que incidam sobre a identifica&#231;&#227;o de estrat&#233;gias que:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; se enquadrem no dia-a-dia das fam&#237;lias;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; promovam as suas compet&#234;ncias no que diz respeito &#224; aprendizagem de estilos de interac&#231;&#227;o;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; promovam a utiliza&#231;&#227;o de estrat&#233;gias comp&#243;sitas de interven&#231;&#227;o no contexto das rotinas di&#225;rias;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; promovam a comunica&#231;&#227;o pais-profissionais.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">c) Estudos que desenvolvam modelos e pr&#225;ticas de apoio &#224;s fam&#237;lias com crian&#231;as com necessidades educativas especiais, que vivam, simultaneamente, em condi&#231;&#245;es de risco social grave como: pobreza extrema, zonas de crime organizado, comunidades rurais isoladas, etc.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Avalia&#231;&#227;o dos resultados dos programas de Interven&#231;&#227;o Precoce</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Na sua reflex&#227;o Bailey e Wolery (2002) salientam a import&#226;ncia da avalia&#231;&#227;o das pr&#225;ticas de Interven&#231;&#227;o Precoce, chamando, no entanto, a aten&#231;&#227;o para a complexidade desta tarefa. De facto, avaliar programas de Interven&#231;&#227;o Precoce n&#227;o &#233; f&#225;cil, uma vez que o car&#225;cter inerentemente individualizado e simultaneamente abrangente (crian&#231;a, fam&#237;lia e comunidade) deste tipo de interven&#231;&#227;o implica a coexist&#234;ncia de um grande n&#250;mero de vari&#225;veis. Assim, temos uma grande diversidade de formas de presta&#231;&#227;o de servi&#231;os que variam, quer em fun&#231;&#227;o das problem&#225;ticas das crian&#231;as, quer em fun&#231;&#227;o das suas idades. &#201; muito diferente o apoio prestado a uma crian&#231;a com perturba&#231;&#245;es simples de linguagem, daquele outro que &#233; prestado a uma crian&#231;a com paralisia cerebral associada a atraso mental. Da mesma forma &#233; diferente a interven&#231;&#227;o com um beb&#233;, uma crian&#231;a de dois anos ou outra de idade pr&#233;-escolar.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Por outro lado, ao ser uma forma de presta&#231;&#227;o de servi&#231;os que diz essencialmente respeito &#224; crian&#231;a e &#224; fam&#237;lia, implica que sejam avaliados tamb&#233;m os efeitos dos programas a estes dois n&#237;veis:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">a) Aquilo que se espera para a crian&#231;a &#233;, por exemplo, a promo&#231;&#227;o do seu envolvimento, independ&#234;ncia e mestria, uma acelera&#231;&#227;o do seu desenvolvimento em dom&#237;nios-chave (cognitivo, social, f&#237;sico, adaptativo) e a generaliza&#231;&#227;o de compet&#234;ncias. Em s&#237;ntese, pretende-se preparar a crian&#231;a para experi&#234;ncias de vida normalizantes e prevenir a emerg&#234;ncia de comportamentos problem&#225;ticos e condi&#231;&#245;es secund&#225;rias &#224; defici&#234;ncia.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">b) Por sua vez, no que diz respeito &#224;s fam&#237;lias, esperam-se resultados referentes &#224; forma como estas percepcionam a Interven&#231;&#227;o Precoce, nomeadamente, perceber at&#233; que ponto &#233; que elas sentem que esta interven&#231;&#227;o veio imprimir uma diferen&#231;a na vida da crian&#231;a e da fam&#237;lia e trazer uma vis&#227;o mais positiva dos profissionais e dos servi&#231;os. Esperam-se ainda resultados que tenham a ver com a influ&#234;ncia que a Interven&#231;&#227;o Precoce teve na fam&#237;lia, a diferentes n&#237;veis, tais como: na forma como a ajudou a promover o desenvolvimento da crian&#231;a, a trabalhar com os profissionais, a lutar pela melhoria dos servi&#231;os, a construir uma rede de apoio eficaz, em s&#237;ntese, a ter uma melhor qualidade de vida.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">No entanto, segundo Bailey e Wolery (2002), aquilo que se passa nos EUA no que  	respeita &#224;s avalia&#231;&#245;es sobre os efeitos dos programas nas crian&#231;as e nas fam&#237;lias &#233; que estas  	avalia&#231;&#245;es s&#227;o escassas, inadequadas, e os seus resultados n&#227;o podem, na maioria dos casos, ser utilizados de forma  	generalizada.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Finalmente, os autores chamam a aten&#231;&#227;o para um &#250;ltimo aspecto que tem a ver com a dificuldade de medir adequadamente o efeito que os antecedentes &#233;tnicos, lingu&#237;sticos, culturais e econ&#243;micos das popula&#231;&#245;es abrangidas podem ter nos resultados das avalia&#231;&#245;es.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Apesar de todas estas dificuldades e tendo em conta a import&#226;ncia fundamental da avalia&#231;&#227;o, os autores apontam como priorit&#225;rias as seguintes &#225;reas de investiga&#231;&#227;o:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">1) Estudos que incidam sobre os instrumentos de avalia&#231;&#227;o dos resultados na fam&#237;lia. Na opini&#227;o de Bailey e Wolery (2002), a maioria dos instrumentos actualmente utilizados n&#227;o s&#227;o, de um modo geral, n&#227;o intrusivos, &#34;amig&#225;veis&#34;, eficazes e tecnicamente adequados, tal como seria desej&#225;vel. Enquanto n&#227;o existirem instrumentos com estas caracter&#237;sticas dificilmente se poder&#227;o conduzir avalia&#231;&#245;es seguras sobre os ganhos a n&#237;vel das fam&#237;lias.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">2) No que diz respeito &#224; melhor forma de medir os progressos das crian&#231;as que s&#227;o abrangidas pelos programas de Interven&#231;&#227;o Precoce, os autores defendem que estas medidas dever&#227;o ser abrangentes, incluindo todas as &#225;reas do desenvolvimento e ainda os efeitos que t&#234;m no seu desenvolvimento os factores de risco, assim como os factores de oportunidade, existentes na comunidade e na fam&#237;lia. H&#225; pois que estar atento aos efeitos cumulativos de risco, assim como aos de oportunidade. Ser&#225; que os programas de Interven&#231;&#227;o Precoce t&#234;m em conta esses factores? Uma segunda quest&#227;o que se levanta &#233; a de saber at&#233; que ponto factores como etnia, linguagem, cultura e pobreza v&#227;o influenciar a participa&#231;&#227;o da crian&#231;a e da fam&#237;lia nos programas e consequentemente os resultados. Nos EUA esta quest&#227;o est&#225; longe de ter uma resposta adequada e, como corol&#225;rio, os autores deixam um alerta: avalia&#231;&#245;es de programas de Interven&#231;&#227;o Precoce baseados em medidas estritas e pontuais conduzem a constata&#231;&#245;es esp&#250;rias sobre a sua efic&#225;cia.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Chegamos, assim, ao fim da an&#225;lise que nos propusemos realizar com base na comunica&#231;&#227;o apresentada por Bailey e Wolery (2002). As preocupa&#231;&#245;es destes autores revelam uma Interven&#231;&#227;o Precoce j&#225; estruturada, com largos anos de experi&#234;ncia, quer a n&#237;vel das pr&#225;ticas, quer da reflex&#227;o e da pesquisa. E interessante constatar que, em grande medida, as principais quest&#245;es que hoje se colocam sobre a Interven&#231;&#227;o Precoce em Portugal tocam os mesmos temas, embora numa ordem de grandeza muito diferente e num est&#225;dio de desenvolvimento muito inferior.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Algumas considera&#231;&#245;es sobre a Interven&#231;&#227;o Precoce em Portugal</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Na segunda parte deste trabalho, iremos ent&#227;o reflectir sobre a realidade portuguesa, tendo como pano de fundo a comunica&#231;&#227;o de Bailey e Wolery (2002). Ser&#227;o real&#231;adas algumas das conclus&#245;es do estudo nacional levado a cabo por Bairr&#227;o e Almeida (2002). Neste estudo, os autores pretendiam avaliar as pr&#225;ticas do universo dos educadores do Minist&#233;rio da Educa&#231;&#227;o que, nas dnco diferentes Direc&#231;&#245;es Regionais de Educa&#231;&#227;o existentes no pa&#237;s trabalhavam com crian&#231;as entre os 0 e os 6 anos de idade, no &#226;mbito das Equipas dos Apoios Educativos. Para tal, foram enviados 1523 question&#225;rios, predominantemente de quest&#245;es fechadas, tendo o n&#250;mero de respostas v&#225;lidas sido de 1048, o que corresponde a uma taxa de mortalidade de 31%, que se pode considerar aceit&#225;vel. Por sua vez, este conjunto de educadores atendia 5206 crian&#231;as entre os 0 e os 6 anos, correspondendo 882 &#224; faixa et&#225;ria dos 0 aos 2 anos,<a href="#4"><sup>4</sup></a><a name="top4"></a> e 4324 &#224; dos 3 aos <i>5</i> anos,<a href="#5"><sup>5</sup></a><a name="top5"></a> n&#250;meros que por si s&#243; chamam a aten&#231;&#227;o para a disparidade no atendimento &#224;s duas faixas et&#225;rias e para a baixa cobertura na faixa de crian&#231;as com idades mais precoces.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Identifica&#231;&#227;o precoce e elegibilidade<a href="#6"><sup>6</sup></a><a name="top6"></a></b></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A legisla&#231;&#227;o existente em Portugal relativa &#224; Interven&#231;&#227;o Precoce, o <i>despacho</i> conjunto 891 /99, tem sofrido fortes cr&#237;ticas e levantado problemas, nomeadamente, no que diz respeito &#224; sua implementa&#231;&#227;o, por dificuldades de adequa&#231;&#227;o &#224; realidade portuguesa, realidade essa que a lei parece desconhecer. Elaborada a partir da legisla&#231;&#227;o americana, sobretudo da <i>PL 94-457</i> e da <i>IDEA,</i> n&#227;o teve na sua base um estudo aprofundado sobre aquilo que nesta &#225;rea se passava em Portugal, o que a tomou irrealista no que diz respeito &#224; sua operadonaliza&#231;&#227;o e equ&#237;voca naquilo que tem a ver com a rela&#231;&#227;o entre necessidades e recursos, formas de implementa&#231;&#227;o no terreno, formas de organiza&#231;&#227;o e financiamento, etc. Um aspecto importante, em que a lei &#233; omissa, <i>&#233;</i> o problema da elegibilidade.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">De facto, no que diz respeito &#224; quest&#227;o da elegibilidade das crian&#231;as para os programas de Interven&#231;&#227;o Precoce, no nosso pa&#237;s n&#227;o existem nem est&#227;o previstos crit&#233;rios nacionais, e a legisla&#231;&#227;o n&#227;o os define, deixando-os &#224; considera&#231;&#227;o das v&#225;rias equipas de coordena&#231;&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Se aceitarmos com Meisels e Wasilc (1990) a defini&#231;&#227;o de risco ambiental, risco biol&#243;gico e risco estabelecido, constatamos que, pelo menos no que diz respeito ao Minist&#233;rio da Educa&#231;&#227;o, s&#227;o predominantemente os casos de risco estabelecido que s&#227;o atendidos, ficando os de risco biol&#243;gico e ambiental para segundo ou terceiro planos. De facto, para al&#233;m dos crit&#233;rios pedi&#225;tricos utilizados pelos servi&#231;os de sa&#250;de, n&#227;o existem quaisquer outras defini&#231;&#245;es de risco que possam servir de refer&#234;ncia &#224;s tomadas de decis&#227;o dos programas e servi&#231;os. fica pois ao crit&#233;rio das equipas a selec&#231;&#227;o das crian&#231;as a apoiar, arriscando-se esta a ser definida essencialmente em fun&#231;&#227;o dos recursos humanos e materiais dispon&#237;veis.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">De igual modo, no que se refere &#224; detec&#231;&#227;o e encaminhamento das crian&#231;as, verific&#225;mos no nosso estudo que a sinaliza&#231;&#227;o das situa&#231;&#245;es para os recursos de Interven&#231;&#227;o Precoce existentes &#233;, na grande maioria dos casos, tardia.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Constataram-se dificuldades a n&#237;vel dos canais de comunica&#231;&#227;o entre v&#225;rios servi&#231;os, o que vai comprometer uma organiza&#231;&#227;o e coordena&#231;&#227;o eficaz de servi&#231;os e recursos. Por sua vez, a inexist&#234;ncia de crit&#233;rios de elegibilidade traduz-se numa cobertura irregular e escassa das situa&#231;&#245;es, dependente do crit&#233;rio dos t&#233;cnicos intervenientes. Na realidade, o que se verifica &#233; que as situa&#231;&#245;es de risco estabelecido, na maioria dos casos, se arrastam nos servi&#231;os especializados de sa&#250;de com vista &#224; obten&#231;&#227;o de um diagn&#243;stico que n&#227;o deveria ser indispens&#225;vel &#224; sinaliza&#231;&#227;o/interven&#231;&#227;o. Por sua vez, as situa&#231;&#245;es de risco biol&#243;gico e/ou ambiental s&#243; com alguma dificuldade s&#227;o detectadas nos servi&#231;os de cuidados prim&#225;rios de sa&#250;de, servi&#231;os de educa&#231;&#227;o (jardins de inf&#226;ncia, equipas de coordena&#231;&#227;o dos apoios educativos) e seguran&#231;a social (creches, jardins de inf&#226;ncia, rendimento m&#237;nimo garantido) e, com maior dificuldade ainda, s&#227;o assumidas pelos programas e servi&#231;os, quer por falta de recursos humanos, quer financeiros.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Modalidades de interven&#231;&#227;o</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Passamos agora a analisar aquilo que se passa em termos de pr&#225;ticas de Interven&#231;&#227;o Precoce, sem esquecer que temos como refer&#234;ncia apenas os educadores do Minist&#233;rio da Educa&#231;&#227;o. S&#227;o de facto estes os profissionais que cobrem de uma forma mais ou menos homog&#233;nea todo o pa&#237;s, quer quando trabalham no &#226;mbito das equipas dos apoios educativos, quer quando est&#227;o inseridos em v&#225;rios projectos de Interven&#231;&#227;o Precoce realizados em parceria com outras institui&#231;&#245;es (cerca de 20% da nossa amostra).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Pelas raz&#245;es acima apontadas, no que se refere ao trabalho em equipa, s&#227;o vis&#237;veis, na maioria dos casos, dificuldades, quer na constitui&#231;&#227;o das equipas, quer na organiza&#231;&#227;o e coordena&#231;&#227;o das mesmas. A actividade pluridisciplinar n&#227;o &#233; comum no Minist&#233;rio da Educa&#231;&#227;o, e quando existe visa sobretudo aspectos avaliativos. Constatou-se, na maioria das situa&#231;&#245;es, a exist&#234;ncia de pr&#225;ticas monodisciplinares, centradas na crian&#231;a, tendo subjacente um modelo descontextualizado e parcelar, decorrente de uma deficiente coordena&#231;&#227;o de servi&#231;os e recursos e bem longe de uma interven&#231;&#227;o centrada na fam&#237;lia, tal como hoje se recomenda em Interven&#231;&#227;o Precoce. De facto, &#233; muito incipiente a participa&#231;&#227;o das fam&#237;lias nos programas de Interven&#231;&#227;o Precoce, e esta, quando existe, &#233; essencialmente a n&#237;vel da avalia&#231;&#227;o. Por sua vez, a aus&#234;ncia de recursos limita interven&#231;&#245;es diferenciadas, nomeadamente no dom&#237;nio de terapias espec&#237;ficas, o que obriga a uma constante procura de outros recursos para as crian&#231;as e fam&#237;lias, fora do &#226;mbito dos programas do Minist&#233;rio da Educa&#231;&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">No que diz respeito &#224; forma como os servi&#231;os e recursos da comunidade est&#227;o organizados para dar respostas em termos de Interven&#231;&#227;o Precoce, constata-se, de um modo geral, uma forma de organiza&#231;&#227;o prec&#225;ria. Esta precariedade decorre de indefini&#231;&#245;es em termos de pol&#237;ticas gerais e de dificuldades de coordena&#231;&#227;o no terreno. &#201; de salientar uma sobreposi&#231;&#227;o de ac&#231;&#245;es em certos dom&#237;niose a aus&#234;nda de interven&#231;&#245;es noutros, assim como uma deficiente partilha de informa&#231;&#227;o, quer dentro dos pr&#243;prios servi&#231;os, quer entre servi&#231;os.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Um aspecto que pela sua import&#226;ncia conv&#233;m ainda salientar, &#233; a grande mobilidade dos profissionais, com especial incid&#234;ncia nos educadores, o que implica uma descontinuidade nos programas com grav&#237;ssimas consequ&#234;ncias nas crian&#231;as e nas fam&#237;lias.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">As dificuldades que vimos apontando s&#227;o sobretudo mais vis&#237;veis nos programas monodisciplinares. No entanto, aparece j&#225; um n&#250;mero razo&#225;vel de educadores inseridos em projectos integrados (cerca de 20% deste universo), com pr&#225;ticas j &#225; consolidadas e de maior qualidade, em que se v&#227;o ensaiando novos m&#233;todos de interven&#231;&#227;o. Uma pol&#237;tica que incrementasse este tipo de projectos e permitisse a consolida&#231;&#227;o dos j&#225; existentes poderia, a m&#233;dio prazo, melhorar o panorama de Interven&#231;&#227;o Precoce em Portugal, passando-se de um grande n&#250;mero de situa&#231;&#245;es de simples estimula&#231;&#227;o precoce a uma verdadeira Interven&#231;&#227;o Precoce.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Alguns destes projectos procuram, a n&#237;vel regional, organizar redes mais eficazes de servi&#231;os e recursos para dar resposta &#224;s caracter&#237;sticas espec&#237;ficas das popula&#231;&#245;es a que se destinam, por&#233;m os servi&#231;os de tutela n&#227;o encorajam, definem ou estabelecem par&#226;metros que permitam balizar a efic&#225;cia de tais redes. Muitos destes projectos t&#234;m surgido ao abrigo de programas de financiamento, quer do Minist&#233;rio da Educa&#231;&#227;o (portaria 1102/97), quer do Minist&#233;rio da Seguran&#231;a Social (programa Ser Crian&#231;a). Acontece por&#233;m que, na maioria dos casos, n&#227;o est&#225; prevista a forma de continuidade de tais projectos, uma vez que este financiamento tem limites temporais. Daqui resulta que muitas destas experi&#234;ncias inovadoras e com impacte muito positivo nas popula&#231;&#245;es a que se destinam, acabem por se perder, com graves preju&#237;zos para todos os intervenientes.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Finalmente, dentro das pr&#225;ticas de Interven&#231;&#227;o Precoce, existe uma peculiaridade que devemos salientar: os programas dirigidos &#224;s crian&#231;as dos 0 aos 2 anos tendem a aproximar-se mais daqueles que se podem encontrar noutros pa&#237;ses, isto &#233;, s&#227;o programas domicili&#225;rios ou centrados em estruturas de diversa natureza, mas, em muitos casos, com um envolvimento da fam&#237;lia e alguma preocupa&#231;&#227;o em termos de organiza&#231;&#227;o de servi&#231;os e recursos. J&#225; no que se refere aos programas destinados &#224;s crian&#231;as dos 3 aos 5 anos, estes, na maioria dos casos, n&#227;o se distinguem da presta&#231;&#227;o de servi&#231;os &#224;s crian&#231;as com necessidades educativas especiais, que &#233; predominantemente realizada em estruturas formais de educa&#231;&#227;o pr&#233;-escolar.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Um aspecto que, em nossa opini&#227;o, se prende com as dificuldades e lacunas sentidas a n&#237;vel das pr&#225;ticas dos profissionais de Interven&#231;&#227;o Precoce, tem a ver com as quest&#245;es ligadas &#224; forma&#231;&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Bailey e Wolery (2002), no artigo que vimos citando, n&#227;o elegeram o problema da forma&#231;&#227;o dos profissionais de Interven&#231;&#227;o Precoce como uma das &#225;reas priorit&#225;rias de reflex&#227;o. Tal facto n&#227;o espanta se tivermos em conta as exig&#234;ncias existentes a este n&#237;vel nos EUA. J&#225; entre n&#243;s a situa&#231;&#227;o &#233; substancialmente diferente, tanto no que concerne a forma&#231;&#227;o de base, como a p&#243;s-graduada ou a forma&#231;&#227;o em servi&#231;o. No nosso estudo constat&#225;mos que apenas cerca de 50% tinham forma&#231;&#227;o especializada em qualquer &#225;rea ligada &#224;s crian&#231;as com necessidades educativas especiais. Esta grav&#237;ssima lacuna &#233; ainda agravada pela escassa forma&#231;&#227;o espec&#237;fica (n&#237;vel graduado ou p&#243;s-graduado) em Interven&#231;&#227;o Precoce, embora cerca de 39% tenham tido alguma forma de sensibiliza&#231;&#227;o/forma&#231;&#227;o neste &#226;mbito. &#201; de salientar que, mais uma vez, os educadores que participam em projectos integrados se distinguem por terem, em maior n&#250;mero, uma forma&#231;&#227;o complementar em Interven&#231;&#227;o Precoce (52% contra 31%) e tamb&#233;m maior acesso &#224; forma&#231;&#227;o em servi&#231;o (60% contra 24%). O mesmo se passa no que diz respeito &#224; supervis&#227;o sistem&#225;tica do seu trabalho, em que 42% dos educadores integrados em projectos referem a sua exist&#234;ncia, contra 27% dos n&#227;o integradas.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Estes aspectos referentes &#224; forma&#231;&#227;o proporcionada a diferentes n&#237;veis aos profissionais que est&#227;o no terreno, s&#227;o fundamentais para melhorar as suas pr&#225;ticas. Por exemplo, uma forma&#231;&#227;o em servi&#231;o prestada atrav&#233;s de uma supervis&#227;o bem organizada e estruturada poder&#225; dar um grande contributo a n&#237;vel da qualidade das pr&#225;ticas. Um trabalho continuado, quer em termos de supervis&#227;o, quer em termos de forma&#231;&#227;o conjunta das equipas, &#233; fundamental se nos quisermos aproximar de um modelo de trabalho em equipa transdisdplinar, tal como hoje se recomenda em Interven&#231;&#227;o Precoce. Tudo isto implicaria a exist&#234;ncia de uma estabilidade na constitui&#231;&#227;o das equipas, o que, como infelizmente sabemos, est&#225; em regra pouco ou nada assegurado. Seria portanto desej&#225;vel encontrar formas que permitissem incrementar essa estabilidade. Paralelamente, seria ainda desej&#225;vel alargar a forma&#231;&#227;o p&#243;s-graduada de qualidade, que actualmente apenas existe em algumas universidades, assim como desenvolver uma maior articula&#231;&#227;o entre servi&#231;os de ac&#231;&#227;o directa e universidades. Do mesmo modo, no que diz respeito ao trabalho de investiga&#231;&#227;o, seria desej&#225;vel essa articula&#231;&#227;o tendo em vista um trabalho de pesquisa a v&#225;rios n&#237;veis, desde a adequa&#231;&#227;o dos modelos dominantes em Interven&#231;&#227;o Precoce &#224; realidade portuguesa, passando pela adapta&#231;&#227;o e concep&#231;&#227;o de instrumentos mais adequados a esta realidade e pelo ensaio de novos m&#233;todos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Avalia&#231;&#227;o dos resultados dos programas de Interven&#231;&#227;o Precoce</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Em Portugal n&#227;o existe tradi&#231;&#227;o no que respeita genericamente &#224; avalia&#231;&#227;o. At&#233; &#224; data, t&#234;m sido muito raros os programas de Interven&#231;&#227;o Precoce que se t&#234;m preocupado em levar a cabo uma verdadeira avalia&#231;&#227;o das suas pr&#225;ticas. Daqui se depreende que est&#225; quase tudo por fazer nesta &#225;rea, come&#231;ando, logo &#224; partida, pela necessidade, quer de adaptar instrumentos de avalia&#231;&#227;o &#224; nossa realidade, quer, principalmente, de criar novos instrumentos que possam dar um retrato mais fiel daquilo que, entre n&#243;s, se passa neste campo. Com base nesses instrumentos, ser&#225; ent&#227;o mais f&#225;cil avaliar a influ&#234;ncia dos programas, tanto no que diz respeito aos progressos no desenvolvimento das crian&#231;as, como &#224; melhoria da qualidade de vida das fam&#237;lias.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Actualmente, em Portugal, constata-se a exist&#234;ncia de um leque de fam&#237;lias com caracter&#237;sticas muito diversificadas a acorrer aos servi&#231;os/programas de Interven&#231;&#227;o Precoce. Assim, ao lado das fam&#237;lias tradicionais com filhos com necessidades educativas especiais, existem fam&#237;lias de diferentes etnias que levantam quest&#245;es que se prendem com os seus h&#225;bitos culturais e lingu&#237;sticos. Outro tipo de fam&#237;lias, que podem ou n&#227;o coincidir com as anteriores, e que tamb&#233;m levantam problemas particulares, s&#227;o as fam&#237;lias em situa&#231;&#227;o de risco social grave, seja por se encontrarem em situa&#231;&#227;o de pobreza extrema, seja por estarem inseridas em zonas de marginalidade. Este tipo de situa&#231;&#245;es coloca grandes desafios aos t&#233;cnicos de Interven&#231;&#227;o Precoce que, na maioria das vezes, sentem uma enorme dificuldade em conseguir a sua mobiliza&#231;&#227;o para os programas. Uma &#225;rea importante de investiga&#231;&#227;o a este n&#237;vel, seria a de analisar processos e estrat&#233;gias que respondessem de forma mais adequada a estas situa&#231;&#245;es, conseguindo assim uma maior ades&#227;o das fam&#237;lias aos programas de Interven&#231;&#227;o Precoce.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Por sua vez, se nos debru&#231;armos agora sobre a problem&#225;tica das crian&#231;as, encontramos igualmente situa&#231;&#245;es muito diversificadas, desde problemas de sa&#250;de f&#237;sica e mental graves, a crian&#231;as com perturba&#231;&#245;es do espectro do autismo, paralisias cerebrais ou trissomias 21, entre outras, a implicar programas diferenciados que necessitariam de um estudo aprofundado incidindo nas pr&#225;ticas mais adequadas para responder a cada tipo de situa&#231;&#227;o.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Finalmente, no que diz respeito aos profissionais, seria desej&#225;vel fazer uma avalia&#231;&#227;o das suas ideias relativamente &#224; forma como decorre a sua interven&#231;&#227;o, constrangimentos ao seu trabalho, altera&#231;&#245;es desejadas, bem como ainda no que se refere &#224;s suas necessidades de forma&#231;&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Conclus&#227;o</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Constatar que uma grande dist&#226;ncia nos separa dos EUA a todos os n&#237;veis da Interven&#231;&#227;o Precoce, &#233; uma conclus&#227;o &#243;bvia. N&#227;o temos nem o mesmo percurso hist&#243;rico, nem os mesmos n&#237;veis de forma&#231;&#227;o, nem os mesmos recursos, nem o mesmo enquadramento legal e organizativo. Os problemas nacionais nesta &#225;rea decorrem, como ali&#225;s todos os problemas em mat&#233;ria de educa&#231;&#227;o, da falta de uma organiza&#231;&#227;o eficaz dos recursos j&#225; existentes e de uma planifica&#231;&#227;o realizada com base em op&#231;&#245;es e objectivos bem claros e, obviamente, da falta de financiamento ajustado &#224;s necessidades das popula&#231;&#245;es.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Sabemos que a Interven&#231;&#227;o Precoce em Portugal n&#227;o se esgota no Minist&#233;rio da Educa&#231;&#227;o, apesar de ser esta a &#250;nica rede com cobertura nacional e a que conta com maiores recursos humanos. Sabemos ainda que existem, principalmente nas grandes cidades - Lisboa, Porto e Coimbra -, programas que se podem considerar de qualidade, quer por o terem provado atrav&#233;s de uma j&#225; longa pr&#225;tica, quer pelos recursos materiais e humanos de que disp&#245;em, quer pelas publica&#231;&#245;es e materiais que produzem. Finalmente temos tamb&#233;m conhecimento de v&#225;rias experi&#234;ncias dignas de nota e que tamb&#233;m consideramos de qualidade, quer no &#226;mbito de servi&#231;os do Minist&#233;rio da Educa&#231;&#227;o e do Minist&#233;rio da Seguran&#231;a Social, quer atrav&#233;s das institui&#231;&#245;es por eles tuteladas. No entanto, como foi acima referido, a aus&#234;ncia de organiza&#231;&#227;o e articula&#231;&#227;o de recursos e a aus&#234;ncia de objectivos claros da parte dos diferentes minist&#233;rios implicados (Educa&#231;&#227;o, Sa&#250;de e Seguran&#231;a Social) e das estruturas por eles tuteladas, traduz-se na exist&#234;ncia de uma enorme diversidade de programas de qualidade muito diversificada e na quase inexist&#234;ncia de avalia&#231;&#227;o das suas pr&#225;ticas.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O principal objectivo dos programas de Interven&#231;&#227;o Precoce &#233; o de actuar aos diferentes n&#237;veis de preven&#231;&#227;o, no sentido, n&#227;o s&#243; de atenuar as consequ&#234;ncias dos casos de risco estabelecido, mas, igualmente, de tentar evitar que situa&#231;&#245;es de risco biol&#243;gico e social se consolidem. Isto iria traduzir-se, a m&#233;dio prazo, numa diminui&#231;&#227;o dos custos, tanto humanos como financeiros, que as estruturas especializadas exigem. No entanto, daquilo que nos tem sido dado conhecer, ficamos com s&#233;rias d&#250;vidas, quer sobre a qualidade dos programas de Interven&#231;&#227;o Precoce, quer sobre as taxas de cobertura das crian&#231;as com necessidades educativas especiais actualmente existentes em Portugal. Pensamos que os diversos programas existentes s&#243; muito pontualmente conseguir&#227;o uma real efic&#225;cia aos diferentes n&#237;veis de preven&#231;&#227;o que referimos, at&#233; porque n&#227;o lhes s&#227;o proporcionadas as condi&#231;&#245;es de que necessitam.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#201; importante n&#227;o esquecer que a Interven&#231;&#227;o Precoce &#233; predominantemente uma organiza&#231;&#227;o de servi&#231;os e recursos, portanto com car&#225;cter pluridisciplinar. Sem estruturas de sa&#250;de bem organizadas e capazes de realizar um rastreio precoce e um acompanhamento a n&#237;vel da sa&#250;de destas crian&#231;as, sem redes sociais organizadas, sem a garantia por parte da Seguran&#231;a Social de um trabalho com a fam&#237;lia e de uma rede da comunidade e sem um sistema educativo realmente capaz de presta&#231;&#245;es muito diferenciadas, a Interven&#231;&#227;o Precoce permanecer&#225; letra morta.</font></p>          <p>&nbsp;</p>         <p><font face="Verdana" size="2"><b>Refer&#234;ncias</b></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Bailey, D., &#38; Wolery, M. (2002). <i>FPG director testifies before presidential commission: Part 1 of  	2.</i> Retirado em 22/4/02 de  	<a href="http://www.fpg.unc.Edu./Medialnfo/pr/detail.cfm?PressreleaseD=83" target="_blank">http://www.fpg.unc.Edu./Medialnfo/pr/detail.cfm?PressreleaseD=83</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=477198&pid=S0874-2049200300010000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Bailey, D., &#38; Wolery, M. (2002). <i>FPG director testifies before presidential commission: Part 2 of  	2.</i> Retirado em 22/4/02 de <a href="http://www.fpg.unc.Edu./Medialnfo/pr/detail.cfm?PressreleaseD=83" target="_blank">http://www.fpg.unc.Edu./Medialnfo/pr/detail.cfm?PressreleaseD=83</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=477199&pid=S0874-2049200300010000100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Bairr&#227;o, J. (no prelo). Early Intervention in Portugal. In &#34;The future of Early Intervention &#8212; The current debate in Europe and the United States about achieving a high degree of quality and profissionalism&#34;. <i>Proceedings of the International Reseach Symposium. Excellence in Early Childhood Intervention.</i> M&#227;lardalen.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=477200&pid=S0874-2049200300010000100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Bairr&#227;o, J., &#38; Almeida, I. C. (2002). <i>Contributos para o estudo das pr&#225;ticas de Interven&#231;&#227;o Precoce em Portugal.</i> Lisboa: Minist&#233;rio da Educa&#231;&#227;o, Departamento da Educa&#231;&#227;o B&#225;sica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=477202&pid=S0874-2049200300010000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Bronfenbrenner, U. (1979). <i>The ecology of human development: Experiments by nature and design.</i> Cambridge, MA: Harvard University Press.</font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Bronfenbrenner, U. (1989). Ecological system theory. <i>Annals of Child Development,</i> 6,187- 249</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=477205&pid=S0874-2049200300010000100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Bronfenbrenner, U., &#38; Morris P. A. (1998). The ecology of developmental process. In W. Damon (Ed.), <i>Handbook of Child Psychology</i> (5<sup>a</sup> ed.). Nova Iorque: John Wiley &#38; Sons.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=477206&pid=S0874-2049200300010000100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref -->    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=477207&pid=S0874-2049200300010000100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Despacho conjunto n.&#176; 891/99. Di&#225;rio da Rep&#250;blica, II s&#233;rie, n.&#176; 244 de 19-10-99.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Dunst, C. J., &#38; Bruder, M. B. (2002). Values outcomes of service coordination, early intervention and natural environments. <i>Council for Exceptional Children,</i> vol. 68, n.&#176; 3,361-375.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=477210&pid=S0874-2049200300010000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Meisels, S. J., &#38; Wasik, B. A. (1990). Who should be served? Identifying children is need of early intervention. In S. J. Meisels &#38; J. P Shonkoff (Eds.), <i>Handbook of early childhood intervention.</i> Cambridge: Cakmbridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=477212&pid=S0874-2049200300010000100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Sameroff, A. J., &#38; Chandler, M. J. (1975). Reproductive risk and the continuum of caretaking casualty. In R D. Horowitz, M. Hetherington, S. Scarr-Salapatek &#38; G-Siegel (Eds.), <i>Review of Child Development Research</i> (vol. 4,187-244). Chicago: University of Chicago Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=477214&pid=S0874-2049200300010000100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Sameroff, A. J., &#38; Fiese, B. H. (1990). Transactional regulation and early intervention. In S. J, Meisels, &#38; J. P. Shonkoff (Eds.), <i>Handbook of Early Childhood Intervention</i>. Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=477216&pid=S0874-2049200300010000100012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Sameroff, A. J., &#38; Fiese, B, H, (2000). Transactional regulation: The developmental ecology of early intervention. In J. P. Shonkoff, &#38; S. J. Meisels, (Eds.), <i>Handbook of Early Childhood Intervention</i> (2* ed,). Cambridge: Cambridge University Press,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=477218&pid=S0874-2049200300010000100013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>           ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>         <p><font face="Verdana" size="2"><b>Notas</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top1"><sup>1</sup></a><a name="1"></a>Defini&#231;&#227;o 1: a ecologia do desenvolvimento humano &#233; o estudo cient&#237;fico da acomoda&#231;&#227;o progressiva e gradual, atrav&#233;s da vida, entre um organismo activo, em crescimento e altamente complexo - caracterizado por um conjunto complexo espec&#237;fico de capacidades interrelacionadas e em evolu&#231;&#227;o, para pensar, sentir e agir &#8212; e as propriedades em mudan&#231;a dos cen&#225;rios imediatos onde a pessoa em desenvolvimento vive, sofrendo este processo a influ&#234;ncia das rela&#231;&#245;es que se estabelecem entre estes cen&#225;rios e os contextos mais alargados nos quais estes cen&#225;rios est&#227;o inseridos (Bronfenbrenner, 1989).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top2"><sup>2</sup></a><a name="2"></a>Sameroff (1975, 83,87,90), no seu modelo transaccional, considera o desenvolvimento como um produto das interac&#231;&#245;es din&#226;micas, cont&#237;nuas e bidireccionais, que se estabelecem entre a crian&#231;a e as experi&#234;ncias que lhe s&#227;o proporcionadas pela fam&#237;lia e pelo contexto social.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top3"><sup>3</sup></a><a name="3"></a>Sobre este assunto ver artigo de Pimentel neste mesmo volume.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">    <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top4"><sup>4</sup></a><a name="4"></a>Esta faixa et&#225;ria inclui todas as crian&#231;as, desde o nascimento at&#233; &#224; data em que completam os 3 anos de idade.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">    <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top5"><sup>5</sup></a><a name="5"></a>Esta faixa et&#225;ria inclui todas as crian&#231;as, desde os 3 anos at&#233; &#224; data em que completam os 6 anos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top6"><sup>6</sup></a><a name="6"></a>Interven&#231;&#227;o Precoce e elegibilidade &#233; uma quest&#227;o que, nos Estados Unidos, ainda levanta alguns problemas, embora assente em bases legais j&#225; bem sedimentadas. Bailey e Wolery referem tr&#234;s datas decisivas no &#226;mbito da legisla&#231;&#227;o sobre Interven&#231;&#227;o Precoce: em 1968 a cria&#231;&#227;o do Handicapped Children&#39;s Early Education Program institu&#237;do no Bureau of Education for the Handicapped; em 1975 a publica&#231;&#227;o do Education for All Handicapped Children Act; em 1986 a promulga&#231;&#227;o da Public Law 99-457, salientando a Parte C desta lei, Individuals with Disabilities Education Act (IDEA, PL 101-476), que abrange as crian&#231;as em idades mais precoces e suas fam&#237;lias.</font></p>         ]]></body><back>
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