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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Um estudo longitudinal de quatro crianças com síndroma de Down: Análise dos efeitos da adaptação das mães, da Interacção mãe-criança e das formas de apoio precoce no desenvolvimento das crianças]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[A longitudinal study of four children with Down syndrome: Analysis of the effects of maternal adaptation, mother-child interaction, and early forms of support in children development]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In this paper we present a longitudinal case study involving four dyads with babies with Down syndrome from the end of the first year until the age of seven. We analyse maternal adaptation to the birth and development of their babies, the evolution of mother's expectations concerning the development of their children, mother-child interaction, early support for both the child and the family, and the way in which these aspects of the overall situation relate to the children's development. Our longitudinal study appears to prove that family characteristics and patterns - particularly mother-child interaction and the way in which the mother deals with the stress factors associated with the fact that she has a disabled child - have a decisive effect on children's development. We point out the differences of these dyads in their adaptation process, the different needs of these mothers and the specific and individualised forms of support that should be offered to each of them.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[adaptação materna]]></kwd>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[apoio precoce]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="4"><b>Um estudo longitudinal de quatro crian&#231;as com s&#237;ndroma de Down</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>An&#225;lise dos efeitos da adapta&#231;&#227;o das m&#227;es, da Interac&#231;&#227;o m&#227;e-crian&#231;a e das formas de apoio precoce no desenvolvimento das crian&#231;as</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>A longitudinal study of four children with Down syndrome: Analysis of the effects of maternal adaptation, mother-child interaction, and early forms of support in children development</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>J&#250;lia Serpa Pimentel<sup>*</sup>; Sofia Men&#233;res<sup>**</sup></b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><sup>*</sup>Mestre em psicologia educacional, assistente convidada no Instituto Superior de Psicologia Aplicada.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><sup>**</sup>Psic&#243;loga educacional, assistente estagi&#225;ria no Instituto Superior de Psicologia Aplicada.</font></p>      <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Este trabalho apresenta um estudo longitudinal de quatro d&#237;ades com crian&#231;as com s&#237;ndroma de Down entre o final do primeiro ano de vida e os sete anos. Analisamos a sua evolu&#231;&#227;o em fun&#231;&#227;o da adapta&#231;&#227;o materna ao nascimento e desenvolvimento do beb&#233;, a evolu&#231;&#227;o das expectativas maternas em rela&#231;&#227;o ao desenvolvimento dos seus filhos, a interac&#231;&#227;o m&#227;e-crian&#231;a, o apoio precoce &#224; crian&#231;a e &#224; fam&#237;lia e a forma como estes aspectos se relacionam com o desenvolvimento da crian&#231;a. Os dados do estudo permitem concluir que a interac&#231;&#227;o m&#227;e-crian&#231;a e a forma como a m&#227;e lida com factores de stresse pelo facto de ter uma crian&#231;a com defici&#234;ncia tiveram um efeito decisivo no desenvolvimento dos seus filhos. Salientam-se as caracter&#237;sticas individuais de cada d&#237;ade e a necessidade de individualizar as formas de interven&#231;&#227;o, de modo a responder adequadamente &#224;s necessidades espec&#237;ficas de cada uma.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave</b> S&#237;ndroma de Down, adapta&#231;&#227;o materna, interac&#231;&#227;o m&#227;e-crian&#231;a, apoio precoce.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>         <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>              <p><font face="Verdana" size="2"> In this paper we present a longitudinal case study involving four dyads with babies with Down syndrome from the end of the first year until the age of seven. We analyse maternal adaptation to the birth and development of their babies, the evolution of mother&#39;s expectations concerning the development of their children, mother-child interaction, early support for both the child and the family, and the way in which these aspects of the overall situation relate to the children&#39;s development. Our longitudinal study appears to prove that family characteristics and patterns - particularly mother-child interaction and the way in which the mother deals with the stress factors associated with the fact that she has a disabled child - have a decisive effect on children&#39;s development. We point out the differences of these dyads in their adaptation process, the different needs of these mothers and the specific and individualised forms of support that should be offered to each of them.</font></p>  <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Introdu&#231;&#227;o</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A influ&#234;ncia que as caracter&#237;sticas dos pais t&#234;m na sua forma de educar os filhos tem merecido a aten&#231;&#227;o de numerosos autores, dos quais destacaremos dois pelo valor heur&#237;stico dos modelos conceptuais que apresentam: Belsky (1984) e Guralnick (1997,1998).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O primeiro destes autores, cujos trabalhos se referem predominantemente &#224; influ&#234;ncia dos padr&#245;es familiares no desenvolvimento das crian&#231;as, apresenta um modelo de parentalidade em que considera que a fun&#231;&#227;o parental &#233; directamente influenciada por factores intr&#237;nsecos aos pais &#8212; personalidade de cada um &#8212;, pelas caracter&#237;sticas individuais da pr&#243;pria crian&#231;a e pelo contexto social em que a rela&#231;&#227;o pais-crian&#231;a est&#225; inserida, onde assumem particular import&#226;ncia quest&#245;es como as rela&#231;&#245;es familiares nucleares e alargadas e a ocupa&#231;&#227;o dos pais. A qualidade da fun&#231;&#227;o parental tem um efeito determinante no desenvolvimento da crian&#231;a. Guralnick (1997,1998), com trabalhos na &#225;rea da interven&#231;&#227;o junto de crian&#231;as com necessidades educativas especiais, apresenta-nos um modelo semelhante, em que considera tamb&#233;m que o desenvolvimento da crian&#231;a est&#225; directamente relacionado com as caracter&#237;sticas da fam&#237;lia, sendo a influ&#234;ncia destas caracter&#237;sticas mediatizada pelos padr&#245;es familiares. As caracter&#237;sticas pessoais dos pais, as rela&#231;&#245;es familiares e conjugais, o apoio social, os recursos financeiros e o temperamento da crian&#231;a s&#227;o alguns dos aspectos que exercem influ&#234;ncia nos padr&#245;es familiares, nomeadamente na qualidade das interac&#231;&#245;es pais-crian&#231;a, nas experi&#234;ncias proporcionadas &#224; crian&#231;a e cuidados de sa&#250;de/seguran&#231;a providenciadas pela sua fam&#237;lia. No caso de haver uma crian&#231;a em situa&#231;&#227;o de risco ou com risco estabelecido, os padr&#245;es familiares s&#227;o ainda influenciados por factores de stresse decorrentes dessa situa&#231;&#227;o, nomeadamente necessidades acrescidas de informa&#231;&#227;o e de recursos, mal-estar pessoal e familiar, com diminui&#231;&#227;o da auto-estima e dos sentimentos de compet&#234;ncia.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Neste contexto, no trabalho com crian&#231;as com defici&#234;ncia, torna-se particularmente relevante estudar o processo de adapta&#231;&#227;o materna ao nascimento e desenvolvimento de um &#34;beb&#233; diferente&#34;, a percep&#231;&#227;o que os pais t&#234;m dos seus filhos e os processos interactivos que se estabelecem entre ambos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Relativamente ao primeiro aspecto, merecem particular destaque o trabalho cl&#225;ssico de Solnit e Stark (1961), bem como as formula&#231;&#245;es mais recentes de Brown, Thurman e Pearl (1993), Crnic, Friedrich e Greenberg (1983), Hodapp (1988), Peterson (1988), Roll-Petersson (2001) e Tanaka e Niwa (1991), que nos falam das diferentes fases por que passam os pais nesse processo de adapta&#231;&#227;o e que poderemos resumir do seguinte modo: uma primeira fase de crise com sentimentos de choque e descren&#231;a, a que se segue um per&#237;odo de desorganiza&#231;&#227;o emocional em que os sentimentos dominantes s&#227;o de desapontamento, perda, tristeza, depress&#227;o e/ou zanga, para finalmente se dar uma reorganiza&#231;&#227;o emocional com aceita&#231;&#227;o da situa&#231;&#227;o e estabelecimento de uma nova concep&#231;&#227;o sobre a defici&#234;ncia em geral e sobre os indiv&#237;duos e fam&#237;lias com defici&#234;ncia.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">As percep&#231;&#245;es que os pais t&#234;m dos seus filhos parecem tamb&#233;m influenciar decisivamente o tipo de interac&#231;&#227;o que com eles estabelecem (Skinner, 1985) e, no caso das crian&#231;as com defici&#234;ncia, alguns estudos concluem que as m&#227;es destas crian&#231;as diferem das m&#227;es das crian&#231;as normais na aprecia&#231;&#227;o que fazem dos seus filhos, nas expectativas quanto aos marcos do desenvolvimento e nos seus sentimentos de efic&#225;cia e compet&#234;ncia (Smith, Selz, Bingham, Aschenbrenner, Standbury &#38; Leiderman, 1985). As percep&#231;&#245;es das m&#227;es relativamente &#224;s caracter&#237;sticas das crian&#231;as, bem como as autopercep&#231;&#245;es relativamente &#224; compet&#234;ncia, apoio familiar e rede social de apoio parecem tamb&#233;m influenciar decisivamente os sentimentos de stresse maternos (Sarimski, 1996).</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O estudo dos processos interactivos entre os pais e os seus filhos com defici&#234;ncia &#233;, aprofundadamente, revisto na obra de Marfo (1988), merecendo-nos ainda refer&#234;ncia os trabalhos de Mahoney (1988a, 1988b) e de Mahoney, Fors e Wood (1990), que reequacionam toda a problem&#225;tica da directividade materna na sua interac&#231;&#227;o com as crian&#231;as com defici&#234;ncia. Para os autores acima referidos a directividade da m&#227;e aparece negativamente correlacionada com a participa&#231;&#227;o e iniciativa da crian&#231;a nas actividades, n&#227;o sendo portanto ben&#233;fica para a promo&#231;&#227;o do seu desenvolvimento.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Ao n&#237;vel da Interven&#231;&#227;o Precoce, interessaram-nos particularmente as perspectivas baseadas no modelo transaccional (Barnard, 1997; Barnard &#38; Kelly, 1990; Bromwich, 1990; Kelly &#38; Barnard, 2000; Lester, 1992; Mahoney, Robinson, &#38; Powell, 1992; Sameroff &#38; Fiese, 1990,2000) e a abordagem centrada na fam&#237;lia (Beckwith, 1990; Brown, Thurman, &#38; Pearl, 1993; Dunst, Trivette, &#38; Deal, 1988,1994).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Destacamos o trabalho de Shonkoff, Hause-Gram, Krauss e Upshur (1992). Estes autores apresentam-nos um modelo de avalia&#231;&#227;o das mudan&#231;as ocorridas no desenvolvimento de crian&#231;as com defici&#234;ncia ap&#243;s um ano de interven&#231;&#227;o precoce. Neste modelo foram consideradas vari&#225;veis independentes relacionadas com a crian&#231;a &#8212; idade, tipo de defici&#234;ncia, severidade da incapacidade, g&#233;nero e presen&#231;a ou aus&#234;ncia de problemas card&#237;acos ou convulsivos &#8212; e com a fam&#237;lia&#8212;grau de instru&#231;&#227;o da m&#227;e, estado civil, estado de sa&#250;de e estatuto profissional. Como vari&#225;veis mediadoras os autores consideraram o temperamento da crian&#231;a e tamb&#233;m vari&#225;veis relacionadas com a ecologia da fam&#237;lia &#8212; qualidade do ambiente em casa, adaptabilidade e coes&#227;o familiar e locus de controlo materno. Foram ainda consideradas vari&#225;veis mediadoras caracter&#237;sticas do programa de interven&#231;&#227;o &#8212; intensidade, estrutura, localiza&#231;&#227;o e formato dos servi&#231;os de interven&#231;&#227;o precoce</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; e caracter&#237;sticas de outros servi&#231;os independentes do programa de interven&#231;&#227;o precoce &#8212; apoio ou terapia focada na crian&#231;a ou apoio focado na fam&#237;lia.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Relativamente &#224;s crian&#231;as com s&#237;ndroma de Down, os autores acima citados concluem que:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; nos primeiros tempos de vida a avalia&#231;&#227;o destas crian&#231;as revela atrasos ligeiros, o que cria nos pais expectativas elevadas, desadequadas ao que vai ser o seu posterior desenvolvimento;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; h&#225; grande heterogeneidade no desenvolvimento das crian&#231;as com s&#237;ndroma de Down, para as &#225;reas avaliadas no estudo &#8212; desenvolvimento global, jogo, comportamento adaptativo e comportamento de interac&#231;&#227;o m&#227;e-crian&#231;a;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; padr&#245;es interactivos m&#227;e-crian&#231;a de boa qualidade estavam associados a um maior desenvolvimento da crian&#231;a, n&#227;o podendo no entanto ser estabelecida uma rela&#231;&#227;o causal entre estas duas vari&#225;veis.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Num trabalho posterior (Hauser-Gram, Warfield, Shonkoff &#38; Kraus, 2001), em que d&#227;o continuidade ao estudo avaliativo e reportam os resultados &#224; data do d&#233;cimo anivers&#225;rio das crian&#231;as, os autores prop&#245;em um modelo conceptual para predizer o desenvolvimento da crian&#231;a&#8212;idade de desenvolvimento e comportamento adaptativo &#8212; a partir da an&#225;lise das vari&#225;veis da crian&#231;a e da fam&#237;lia, semelhantes &#224; do estudo anterior. Fazem intervir como vari&#225;veis mediadoras o processo de auto-regula&#231;&#227;o das crian&#231;as &#8212; motiva&#231;&#227;o para o sucesso e regula&#231;&#227;o do comportamento</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; e o clima familiar &#8212; interac&#231;&#227;o m&#227;e-crian&#231;a e rela&#231;&#245;es familiares. Neste trabalho os autores concluem que diferentes tipos de defici&#234;ncia conduzem a resultados diferentes e que o aumento da idade mental das crian&#231;as com defici&#234;ncia motora ou atraso de desenvolvimento est&#225; relacionado com a motiva&#231;&#227;o para o sucesso e caracter&#237;sticas da interac&#231;&#227;o m&#227;e-crian&#231;a, sendo essa mesma rela&#231;&#227;o menos forte nas crian&#231;as com s&#237;ndroma de Down que t&#234;m maior desenvolvimento nas compet&#234;ncias sociais. Verificam tamb&#233;m que h&#225; uma correla&#231;&#227;o significativa entre a idade mental e as compet&#234;ncias adapatativas, independentemente do tipo de defici&#234;ncia, podendo o funcionamento adaptativo das crian&#231;as ser previsto pelo seu processo de auto-regula&#231;&#227;o, pelo clima familiar e pela interac&#231;&#227;o m&#227;e-crian&#231;a, vari&#225;veis que estabelecem entre si complexas rela&#231;&#245;es de interdepend&#234;ncia.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Quanto &#224; investiga&#231;&#227;o sobre a efic&#225;cia da Interven&#231;&#227;o Precoce, merece destaque a obra de Guralnick (1997), nomeadamente o cap&#237;tulo de Spiker e Hopmann (1997), em que s&#227;o abordadas n&#227;o s&#243; quest&#245;es relativas a estudos sobre as caracter&#237;sticas espec&#237;ficas das crian&#231;as com s&#237;ndroma de Down, como investiga&#231;&#245;es transversais e longitudinais sobre o seu desenvolvimento e resultados da implementa&#231;&#227;o de programas de interven&#231;&#227;o precoce. Os autores referem algumas diferen&#231;as qualitativas entre as crian&#231;as com s&#237;ndroma de Down e as crian&#231;as com um desenvolvimento normal, aparentes logo no primeiro ano de vida, mas concluem que a sequ&#234;ncia inicial de desenvolvimento &#233; semelhante &#224; das crian&#231;as sem defici&#234;ncia mental e que os processos de desenvolvimento precoce est&#227;o, nestas crian&#231;as, coerentemente organizados. Os autores distinguem os estudos de avalia&#231;&#227;o do impacte da interven&#231;&#227;o em fun&#231;&#227;o dos objectivos priorit&#225;rios do programa: desenvolvimento global e cognitivo, linguagem e comunica&#231;&#227;o, promo&#231;&#227;o da interac&#231;&#227;o pais-crian&#231;a, promo&#231;&#227;o do desenvolvimento motor e f&#237;sico e inclus&#227;o. De uma forma global as conclus&#245;es dos estudos revistos apontam para a exist&#234;ncia de progresso a curto termo nas &#225;reas objecto de interven&#231;&#227;o, com decr&#233;scimo do ritmo de progresso a longo termo. Estas crian&#231;as, como provavelmente todas as crian&#231;as com risco estabelecido, necessitam de uma continuidade de cuidados para que os efeitos da interven&#231;&#227;o precoce se mantenham ao longo do tempo.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Entre n&#243;s, destacamos os trabalhos de Coutinho (1999), Leit&#227;o (1994,2000) e Pimentel que, para al&#233;m de fazerem uma importante revis&#227;o de literatura sobre s&#237;ndroma de Down, apresentam resultados de investiga&#231;&#245;es realizadas no &#226;mbito da forma&#231;&#227;o parental e da interac&#231;&#227;o m&#227;e-crian&#231;a.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O primeiro destes trabalhos (Coutinho, 1999) apresenta-nos os resultados muito positivos de um programa de forma&#231;&#227;o parental &#8212; com 11 sess&#245;es &#8212; com pais de crian&#231;as com s&#237;ndroma de Down. No final do programa de forma&#231;&#227;o verificou-se que as crian&#231;as do grupo experimental, embora apresentando um decl&#237;nio no seu quociente de desenvolvimento global, tinham decr&#233;scimos menos acentuados. Relativamente ao jogo espont&#226;neo e interac&#231;&#227;o m&#227;e-crian&#231;a, verificou-se uma evolu&#231;&#227;o positiva ap&#243;s o programa de forma&#231;&#227;o, n&#227;o sendo no entanto as diferencia&#231;&#245;es entre o pr&#233;-teste e o p&#243;s-teste significativas do ponto de vista estat&#237;stico. Relativamente &#224;s vari&#225;veis maternas &#8212; stresse materno, percep&#231;&#227;o de compet&#234;ncia e utiliza&#231;&#227;o de redes sociais de apoio &#8212; houve diferen&#231;as significativas entre a primeira avalia&#231;&#227;o e a avalia&#231;&#227;o feita ap&#243;s o programa de forma&#231;&#227;o parental.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os trabalhos de Leit&#227;o (1994,2000) examinam os padr&#245;es interactivos que as m&#227;es das crian&#231;as normais e com s&#237;ndroma de Down estabelecem com os seus filhos. As crian&#231;as com s&#237;ndroma de Down, emparelhadas com as crian&#231;as normais em termos de desenvolvimento cognitivo, mostraram-se parceiros menos competentes do ponto de vista comunicativo, interagindo com as suas m&#227;es de forma menos efectiva e inicia mais frequentemente actividades n&#227;o estruturadas e que n&#227;o se relacionam com o comportamento da m&#227;e. Perante a assincronia manifestada pelas crian&#231;as com s&#237;ndroma de Down, as suas m&#227;es aumentam a frequ&#234;ncia de comportamentos reguladores. Assim, a sua directividade, que ali&#225;s aparece nas mesmas situa&#231;&#245;es e contextos em que as m&#227;es das crian&#231;as normais usam tamb&#233;m de directividade, surge como um comportamento favorecedor do desenvolvimento das crian&#231;as com s&#237;ndroma de Down.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Pimentel (1997) faz um estudo longitudinal, durante o primeiro ano de vida, de beb&#233;s com s&#237;ndroma de Down, beb&#233;s pr&#233;-termo e beb&#233;s com um desenvolvimento normal. O estudo debru&#231;ou-se sobre a din&#226;mica interactiva e o processo global de adapta&#231;&#227;o m&#227;e-beb&#233;. Apesar de algumas semelhan&#231;as no ritmo de desenvolvimento dos beb&#233;s e nos sentimentos dominantes das m&#227;es na altura do nascimento dos seus filhos &#8212; alegria nas m&#227;es dos beb&#233;s normais, grande ansiedade nas m&#227;es dos beb&#233;s pr&#233;-termo, depress&#227;o e ansiedade nas m&#227;es dos beb&#233;s com s&#237;ndroma de Down &#8212;, ao longo do primeiro ano de vida, cada d&#237;ade encontrou uma forma espec&#237;fica de se relacionar, isto &#233;, observou-se uma &#34;continuidade tem&#225;tica&#34;. &#34;No caso dos beb&#233;s com s&#237;ndroma de Down, a forma como na primeira entrevista as v&#225;rias m&#227;es encararam a situa&#231;&#227;o dos seus filhos, os mecanismos de defesa que mobilizaram para fazer frente &#224; ang&#250;stia que a situa&#231;&#227;o lhes provocou, bem como o apoio familiar que referiram sentir, revelou-se um bom preditor da adequa&#231;&#227;o do seu processo posterior de adapta&#231;&#227;o&#34; (Pimentel, 1997, p. 421).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">S&#227;o estes os referenciais te&#243;ricos que t&#234;m norteado o estudo que agora se apresenta e que, embora n&#227;o aborde directa e exclusivamente as quest&#245;es da interven&#231;&#227;o precoce, se encontra intimamente relacionado com esta problem&#225;tica. Com efeito, os problemas na interac&#231;&#227;o m&#227;e-crian&#231;a est&#227;o potencialmente aumentados quando existe uma situa&#231;&#227;o de risco da crian&#231;a. Sendo a interac&#231;&#227;o, por natureza, rec&#237;proca, a resposta dos pais &#224; crian&#231;a pode ser, ela pr&#243;pria, um factor de risco para o processo interactivo. Na medida em que, tal como refere Barnard (1997), uma interven&#231;&#227;o atempada com o objectivo de melhorar os padr&#245;es interactivos tem provado a sua efic&#225;cia, este tipo de interven&#231;&#227;o, sob a forma de apoio, suporte ou modelagem interactiva ou sob uma forma mais directiva com instru&#231;&#227;o aos pais, deve ser considerado uma componente central de qualquer programa de interven&#231;&#227;o precoce.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O estudo agora apresentado surge na sequ&#234;ncia de trabalhos anteriores (Pimentel, 1997,1998).<a href="#1"><sup>1</sup></a><a name="top1"></a> E um estudo longitudinal com quatro das d&#237;ades com beb&#233;s com s&#237;ndroma de Down e que tem como objectivo dar continuidade &#224; an&#225;lise dos aspectos estudados durante o primeiro ano de vida: a adapta&#231;&#227;o materna ao nascimento de um &#34;beb&#233; diferente&#34;,<a href="#2"><sup>2</sup></a><a name="top2"></a> a evolu&#231;&#227;o das expectativas maternas perante o desenvolvimento dos filhos, a interac&#231;&#227;o m&#227;e-crian&#231;a, o apoio precoce &#224; crian&#231;a e &#224; fam&#237;lia e a forma como estes aspectos se relacionam com o desenvolvimento das crian&#231;as. Neste estudo apresentamos os dados referentes &#224;s crian&#231;as e fam&#237;lias desde o final do primeiro ano de vida at&#233; aos sete anos, data da &#250;ltima entrevista antes das crian&#231;as terem iniciado a escolaridade obrigat&#243;ria.<a href="#3"><sup>3</sup></a><a name="top3"></a></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>M&#233;todo</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Participantes</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os participantes deste estudo s&#227;o quatro crian&#231;as com s&#237;ndroma de Down, todas nascidas entre Fevereiro e Abril de 1994, e respectivas m&#227;es.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">No <a href="/img/revistas/psi/v17n1/17n1a05q1.jpg">Quadro 1</a> podemos ver as caracter&#237;sticas das fam&#237;lias destas d&#237;ades &#224; data do nascimento destes beb&#233;s, bem como as altera&#231;&#245;es familiares significativas decorridas entre 1994 e 2001.</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2"><i>Instrumentos e procedimentos</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Em cada um dos momentos de recolha dos dados, foi feita uma entrevista semidirectiva &#224; m&#227;e e o registo em v&#237;deo de uma situa&#231;&#227;o de interac&#231;&#227;o livre.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">[1] O roteiro de entrevista usado durante o primeiro ano de vida foi alterado para as entrevistas que decorreram at&#233; aos seis anos, e depois novamente alterado para as entrevistas dos seis e sete anos, de forma a abranger os aspectos do desenvolvimento de crian&#231;as mais velhas. Os objectivos das entrevistas semidirectivas mantiveram-se no entanto os mesmos:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; estudar as formas de adapta&#231;&#227;o das m&#227;es &#224;s caracter&#237;sticas de temperamento e desenvolvimento das crian&#231;as;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; estudar a evolu&#231;&#227;o das compet&#234;ncias de cada crian&#231;a, o conhecimento e adapta&#231;&#227;o das m&#227;es a essa evolu&#231;&#227;o e previs&#227;o de desenvolvimento futuro;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; estudar o estado emocional das m&#227;es e evolu&#231;&#227;o dos seus sentimentos, atitudes educativas e pr&#225;ticas parentais;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; analisar o programa de interven&#231;&#227;o precoce em que m&#227;es e crian&#231;as estavam a ser atendidas.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">[2] Anualmente as m&#227;es respondiam a uma <i>escala de sentimentos e atitudes</i> j&#225; utilizada, no estudo efectuado durante o primeiro ano de vida. Trata-se de uma adapta&#231;&#227;o por n&#243;s efectuada da Maternal Child Care Attitudes and Feelings de Codrenau (1984, citada por Engfer e Gravanidou, 1986) que avalia, numa escala de 1 a 5 (&#34;concordo completamente&#34; a &#34;discordo completamente&#34;) os sentimentos das m&#227;es em cinco dimens&#245;es:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; satisfa&#231;&#227;o com a crian&#231;a (seis itens) &#8212; avalia os sentimentos de efic&#225;cia, interesse e afecto pela crian&#231;a, atrav&#233;s de itens como: &#34;o meu filho tem-se desenvolvido melhor do que eu pensava&#34;; &#34;estou feliz porque vejo que o meu filho consegue aprender coisas novas&#34;; &#34;d&#225;-me imenso prazer brincar com o meu filho&#34;;</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">&#8212; sobrecarga (sete itens) &#8212; avalia a impaci&#234;ncia ou mesmo a raiva resultante da exaust&#227;o materna perante as dificuldades de uma crian&#231;a dif&#237;cil de tratar, atrav&#233;s de itens como: &#34;por mais que me esforce tenho dificuldades em lidar com o meu filho&#34;; &#34;h&#225; dias em que me sinto &#224; beira de um esgotamento&#34;; &#34;aconte&#231;a o que acontecer nunca perco a calma com o meu filho&#34;;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; frustra&#231;&#227;o em rela&#231;&#227;o ao papel maternal (nove itens) &#8212; avalia os sentimentos de desencanto perante o papel maternal, os cuidados do dia-a-dia com a crian&#231;a, atrav&#233;s de itens como: &#34;com o meu filho n&#227;o tenho um minuto de descanso&#34;; &#34;emocionalmente tratar do meu filho tem sido um peso para mim&#34;; &#34;gostava de passar uns dias sem o meu filho&#34;;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; ansiedade excessiva (cinco itens) &#8212; avalia sentimentos de superprotec&#231;&#227;o ansiosa, medo do que possa acontecer &#224; crian&#231;a, atrav&#233;s de itens como: &#34;muitas vezes tenho d&#250;vidas se fa&#231;o tudo o que deve ser com o meu filho&#34;; &#34;&#224;s vezes penso que posso perder o meu filho&#34;;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; tend&#234;ncia depressiva, (nove itens) &#8212; avalia sentimentos de sobrecarga emocional, tens&#227;o, d&#250;vidas sobre as capacidades maternais e sentimentos de isolamento, atrav&#233;s de itens como: &#34;desde que o meu filho nasceu sinto-me interiormente muito tensa&#34;, &#34;ainda &#233; frequente ter vontade de chorar quando penso no meu filho&#34;; &#34;ningu&#233;m se lembra que eu tamb&#233;m preciso de apoio&#34;.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Embora n&#227;o haja padr&#245;es referentes &#224; popula&#231;&#227;o portuguesa e, por esse facto, n&#227;o seja poss&#237;vel comparar os resultados obtidos por estas m&#227;es a uma norma, pareceu-nos que seria interessante ver como evolu&#237;am os seus sentimentos ao longo dos anos em que decorreu o estudo.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">[3] O desenvolvimento da crian&#231;a foi anualmente reavaliado atrav&#233;s da escala de Griffiths (1954), por se tratar de uma escala que permite a avalia&#231;&#227;o do desenvolvimento desde o nascimento at&#233; aos oito anos nas seguintes &#225;reas: locomotora, pessoal-social, audi&#231;&#227;o e linguagem, coordena&#231;&#227;o olho-m&#227;o, realiza&#231;&#227;o e raccioc&#237;nio pr&#225;tico, permitindo assim obter n&#227;o s&#243; os quocientes globais, mas tamb&#233;m quocientes parcelares.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">[4] A avalia&#231;&#227;o da interac&#231;&#227;o foi feita numa perspectiva global, dando-se particular aten&#231;&#227;o &#224;s qualidades maternas referidas na Mother-Child Rating Scales de Crawley e Spieker na adapta&#231;&#227;o de Goldman e Martin (1986) &#8212; ritmo, brincadeira apropriada ao n&#237;vel do desenvolvimento da crian&#231;a, clareza do comportamento manifesto e intrusividade &#8212; e &#224; avalia&#231;&#227;o global do envolvimento do adulto com a crian&#231;a a partir de cinco par&#226;metros do Parent/Caregiver Involvement Scale, de Farran, Kasari, Comfort e Jay (1986) &#8212; disponibilidade, aceita&#231;&#227;o e aprova&#231;&#227;o global, atmosfera geral, prazer e ambiente de ensino proporcionado.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os dados foram recolhidos longitudinalmente nas seguintes idades das crian&#231;as: no segundo ano de vida,<a href="#4"><sup>4</sup></a><a name="top4"></a> as d&#237;ades foram observadas aos 15 meses, 18 meses e 24 meses; no terceiro e quarto ano foram observadas duas vezes &#8212; a meio do ano e em data pr&#243;xima do seu anivers&#225;rio &#8212; e a partir dessa data, apenas uma vez por ano, pr&#243;ximo do anivers&#225;rio.<a href="#5"><sup>5</sup></a><a name="top5"></a> Apesar de o estudo decorrer <i>j&#225;</i> h&#225; bastante tempo, a disponibilidade destas m&#227;es tem-se mantido, tendo sido sempre poss&#237;vel realizar as observa&#231;&#245;es nas datas previstas.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Tal como o estudo anterior, este trabalho est&#225; feito numa perspectiva de estudo de caso (Yin, 1984) e, embora a utiliza&#231;&#227;o dos mesmos instrumentos para as quatro d&#237;ades permita estabelecer algumas compara&#231;&#245;es entre elas, interessa-nos fundamentalmente real&#231;ar a especificidade de cada uma.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Como facilmente se depreende, a vastid&#227;o do material recolhido ao longo destes sete anos, nomeadamente a informa&#231;&#227;o recolhida atrav&#233;s das entrevistas, n&#227;o permite que este seja tratado com o mesmo pormenor do estudo anterior. Assim, &#224; semelhan&#231;a do que fizemos no estudo comparativo (Pimentel, 1997) optamos por apresentar, para cada d&#237;ade, os grandes temas focados em todos os momentos de recolha dos dados:</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">1) sentimentos dominantes das m&#227;es revelados durante a entrevista;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">2) resultados da escala de sentimentos e atitudes;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">3) caracter&#237;sticas do processo interactivo;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">4) conhecimento do desenvolvimento do beb&#233; &#8212; comparando as percep&#231;&#245;es maternas com os resultados da escala de Griffiths &#8212; e expectativas das m&#227;es relativamente ao desenvolvimento futuro;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">5) programa de interven&#231;&#227;o precoce.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Utilizamos para cada crian&#231;a os mesmos nomes (fict&#237;cios) utilizados no estudo anterior (Pimentel, 1997,1998), por forma a permitir que o leitor interessado possa reconstruir a hist&#243;ria de cada d&#237;ade desde o momento do seu nascimento. No mesmo sentido, pareceu-nos ainda importante retomar, muito brevemente, coment&#225;rios feitos sobre cada uma das d&#237;ades no final do primeiro ano de vida.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Apresenta&#231;&#227;o dos dados do estudo longitudinal</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>A Catarina e a sua M&#227;e</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Quando no final do primeiro ano de vida nos permitimos resumir as caracter&#237;sticas desta d&#237;ade, escolhemos a seguinte frase: a nega&#231;&#227;o da defici&#234;ncia e da depress&#227;o. Ao sintetizar o processo de adapta&#231;&#227;o materna durante esse ano afirm&#225;mos: &#34;A evolu&#231;&#227;o do processo adaptative &#233; quase uma inc&#243;gnita j&#225; que nos &#233; dif&#237;cil prever a forma como a m&#227;e ir&#225; viver o confronto consigo pr&#243;pria e com os outros quando j&#225; n&#227;o puder negar a defici&#234;ncia da filha&#39;&#39; (Pimentel, 1997, p. 395).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Evolu&#231;&#227;o dos sentimentos da m&#227;e</i></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">&#34;Aquela 1 /2h antes de eu a ver e depois de me terem dito que ela era assim foi horr&#237;vel e fica c&#225; dentro. &#201; como se n&#227;o me sentisse realizada por ter sido m&#227;e. H&#225; uma falha que n&#227;o consigo explicar. H&#225; uma frustra&#231;&#227;o&#34;. Esta primeira frase, dita pela mae da Catarina, como coment&#225;rio a um dos itens da escala de sentimentos e atitudes ao sexto m&#234;s, parece negar a frase com que descrevemos a d&#237;ade. No entanto esta foi a &#250;nica vez, ao longo do primeiro ano de vida, em que a m&#227;e admitiu um sentimento de frustra&#231;&#227;o. Na entrevista dos 12 meses, a m&#227;e volta a negar um atraso evidente da Catarina e os seus sentimentos de depress&#227;o quando afirma: &#34;Ao fim deste ano come&#231;o a achar que ela vai fazer uma vida independente e ser uma adolescente e adulta normal... Nunca me preocupei muito com o futuro, &#233; mais com os problemas actuais e como ela est&#225; &#243;ptima n&#227;o estou nada preocupada., .? &#201; muito raro lembrar-me que ela tem problemas. N&#227;o me sinto deprimida. Sinto-me feliz porque ela tem correspondido &#224;s minhas expectativas..</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Relativamente ao apoio que sente no &#226;mbito da sua fam&#237;lia, at&#233; &#224; entrevista dos 3; 6 sempre demonstrou contar com todo o apoio, afirmando: &#34;N&#227;o estou sozinha, tenho o meu marido e os meus pais...&#34; Referia no entanto a sua dificuldade em mostrar os seus sentimentos aos outros: &#34;Quando estou preocupada, nunca desabafo,,, Nunca digo o que preciso nem mostro...&#34;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Quando tent&#225;mos marcar a entrevista dos quatro anos, atendeu-nos a av&#243; da Catarina que nos referiu que a m&#227;e estava no hospital, sem fazer qualquer coment&#225;rio que nos indicasse o que estava a passar-se. S&#243; quando, cerca de dois meses depois, fizemos a entrevista soubemos que a m&#227;e estivera internada para fazer uma cura de sono, na sequ&#234;ncia de uma depress&#227;o. Nessa entrevista, a m&#227;e n&#227;o precisou da escala de sentimentos e atitudes para falar do que se passara: &#34;Depois de c&#225; ter estado a &#250;ltima vez fui-me completamente abaixo... Comecei a beber... Nem sei se quero continuar a viver com o meu marido... Foram muitas coisas em conjunto... Eu nunca chorei quando foi da Catarina... Se calhar isto devia ter acontecido mais cedo... Depois o beb&#233; que perdi... Os meus pais, sobretudo a minha m&#227;e sempre me desvalorizou... Eu nunca fa&#231;o nada bem nem sou uma boa m&#227;e... Tento esconder o meu sofrimento de toda a gente... Por pior que me sinta ainda me rio e ainda levo cr&#237;ticas por cima... S&#243; sabem &#233; deitar abaixo...&#34; Relativamente ao marido diz: &#34;As decis&#245;es s&#227;o sempre s&#243; minhas... o meu marido n&#227;o se manifesta, n&#227;o &#233; capaz de decidir mas depois critica...&#34;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A depress&#227;o que tem&#234;ramos desde o primeiro ano de vida tinha finalmente surgido e a m&#227;e mostrava-se agora capaz de falar do atraso de desenvolvimento da Catarina e de encarar esse atraso perante os outros. N&#227;o ter&#225; certamente sido por acaso que s&#243; depois desta entrevista a m&#227;e conseguiu p&#244;r a Catarina no jardim de inf&#226;ncia, decis&#227;o sempre adiada pelas mais variadas raz&#245;es, mas que, na nossa perspectiva, se explicava apenas pela sua incapacidade de se confrontar com os outros. De facto, durante cerca de tr&#234;s anos, a m&#227;e da Catarina nunca tinha falado com nenhum dos amigos do casal da defici&#234;ncia da filha, afirmando sempre: &#34;Ainda n&#227;o consigo encarar os outros e dizer-lhes o que se passa... Quando chegar a altura as pessoas v&#227;o saber...&#34;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Em entrevistas posteriores a m&#227;e confessa que continua a viver com dificuldade o facto de todos se aperceberem da defici&#234;ncia da filha: &#34;O passo mais dif&#237;cil foi p&#244;-la no jardim de inf&#226;ncia. Ainda me custa, se l&#225; v&#227;o pais, eles come&#231;arem a olhar para ela e para mim... Quando vou &#224; rua nunca vou descontra&#237;da... Revolta-me a doen&#231;a ser t&#227;o estigmatizante... Gostava de a operar...&#34; De salientar que esta &#250;ltima frase foi dita na entrevista dos sete anos, o que mostra que a ferida continua bem aberta...</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Resultados da escala de sentimentos e atitudes<a href="#6"><sup>6</sup></a><a name="top6"></a></i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Como podemos ver no <a href="/img/revistas/psi/v17n1/17n1a05q2.jpg">Quadro 2</a>, os resultados obtidos por esta m&#227;e nas subescalas &#34;satisfa&#231;&#227;o com a crian&#231;a&#34; e &#34;frustra&#231;&#227;o em rela&#231;&#227;o ao papel maternal&#34; s&#227;o bastante elevadas ao longo do per&#237;odo que temos estado a analisar. Relativamente &#224; subescala &#34;sobrecarga&#34;, as pontua&#231;&#245;es s&#227;o mais baixas e oscilam ao longo dos v&#225;rios anos. Os resultados das subescalas &#34;ansiedade excessiva&#34; e &#34;tend&#234;ncia depressiva&#34; mostram os sentimentos que a m&#227;e da Catarina sempre tentou encobrir e a quebra acentuada na subescala &#34;tend&#234;ncia depressiva&#34;, aos quatro anos, reflecte bem a situa&#231;&#227;o por ela vivida nessa altura. Pensamos tamb&#233;m que as notas nitidamente mais baixas, aos seis e sete anos, na subescala &#34;ansiedade&#34; est&#227;o relacionadas com a ida para a escola que esteve prevista aos seis anos e que s&#243; veio a concretizar-se um ano mais tarde. &#201; curioso referir que, ao longo destes sete anos, a m&#227;e da Catarina aproveitou sempre as afirma&#231;&#245;es constantes na escala de sentimentos e atitudes com que tinha de se confrontar, para exprimir os seus pr&#243;prios sentimentos, raramente o fazendo no decurso da entrevista.</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2"><i>Caracter&#237;sticas do processo interactivo</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Durante todos estes anos, na continuidade do que acontecera no primeiro ano de vida, presenci&#225;mos uma interac&#231;&#227;o m&#227;e-crian&#231;a marcada por grande harmonia interactiva, com total disponibidade da m&#227;e e da Catarina para a interac&#231;&#227;o social. As brincadeiras iniciadas pela m&#227;e correspondiam aos interesses da Catarina &#8212; leitura de hist&#243;rias, brincadeiras com bonecas e mais tarde desenhos &#8212; e eram adequadas ao seu n&#237;vel de desenvolvimento, pelo que a crian&#231;a n&#227;o s&#243; aderia como tomava novas iniciativas que a m&#227;e aceitava e a que correspondia com sensibilidade e conting&#234;ncia. Os longos per&#237;odos de aten&#231;&#227;o da Catarina permitiam que as brincadeiras se prolongassem com evidente prazer de ambas.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Apesar de a m&#227;e afirmar n&#227;o querer ensinar coisas &#224; Catarina, a sua atitude e os materiais e actividades escolhidos e usados nos epis&#243;dios interactivos proporcionavam uma estimula&#231;&#227;o adequada do seu desenvolvimento.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Toda a atitude da m&#227;e demonstrava grande aceita&#231;&#227;o do comportamento da Catarina, a quem fazia frequentes elogios e de quem nos falava tamb&#233;m com grande alegria, referindo no entanto que se sentia inibida com a nossa presen&#231;a e que n&#243;s nem imagin&#225;vamos o que ela fazia com as filhas quando estava sozinha com elas.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Conhecimento do desenvolvimento do beb&#234; e expectativas relativamente ao desenvolvimento futuro</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Apesar de a profiss&#227;o da m&#227;e poder permitir, &#224; partida, um conhecimento m&#237;nimo das caracter&#237;sticas deste tipo de beb&#233;s, na entrevista que realiz&#225;mos ainda na maternidade eia afirmava que pensava que at&#233; &#224; entrada na escola o desenvolvimento era o mesmo de uma crian&#231;a normal. Por todos os aspectos que foc&#225;mos relativamente aos sentimentos dominantes da m&#227;e, facilmente adivinhamos que esta m&#227;e sempre nos falou do desenvolvimento da Catarina como se este se processasse normalmente, sendo a sua avalia&#231;&#227;o das compet&#234;ncias e aquisi&#231;&#245;es da filha muito desajustada relativamente ao real desenvolvimento da Catarina nas v&#225;rias &#225;reas que observ&#225;vamos aquando da realiza&#231;&#227;o da escala de Griffiths. As expectativas relativamente ao futuro eram tamb&#233;m irrealistas. Merece especial refer&#234;ncia a aprecia&#231;&#227;o relativamente &#224; &#225;rea da linguagem. De facto, embora a m&#227;e nos referisse sistematicamente que a Catarina compreendia e falava tudo e mantivesse com ela grandes di&#225;logos, ao longo das v&#225;rias entrevistas e avalia&#231;&#245;es (e a situa&#231;&#227;o mantinha-se aos sete anos), o jarg&#227;o utilizado pela Catarina era para n&#243;s absolutamente incompreens&#237;vel. Para a m&#227;e, no entanto, a Catarina sabia falar...</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Como podemos ver nos resultados da escala de Griffiths (<a href="/img/revistas/psi/v17n1/17n1a05q3.jpg">quadro 3</a>), ao longo dos v&#225;rios anos &#233; entre o segundo e o terceiro ano de vida que se d&#225; um decl&#237;nio acentuado no desenvolvimento, sobretudo nas &#225;reas do desenvolvimento motor e da linguagem, havendo nos anos posteriores uma maior homogeneidade dos resultados nas v&#225;rias &#225;reas de desenvolvimento.</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2"><i>Programa de Interven&#231;&#227;o Precoce e integra&#231;&#227;o pr&#233;-escolar</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Logo na entrevista do primeiro m&#234;s, a m&#227;e da Catarina solicitou-nos informa&#231;&#245;es sobre os servi&#231;os a que poderia recorrer e, ainda antes dos tr&#234;s meses, foi avaliada num servi&#231;o oficial que prop&#244;s um apoio domicili&#225;rio que a m&#227;e, aparentemente, aceitou. No entanto, esse apoio raramente foi concretizado. De facto, sob os mais variados pretextos, a m&#227;e da Catarina desmarcava as visitas ou... esquecia-se delas. Quando por acaso se concretizavam, a educadora respons&#225;vel deparava-se com uma m&#227;e que dizia que a Catarina estava muito bem e que n&#227;o tinha qualquer dificuldade em lidar com a filha. De salientar ainda uma atitude muito particular desta m&#227;e relativamente &#224; Interven&#231;&#227;o Precoce: &#34;Estimulo-a e ensino-lhe as coisas o menos poss&#237;vel porque ela tem de se desenrascar sozinha..Era evidente para n&#243;s que a m&#227;e lhe ensinava muitas coisas, mas ela sempre nos quis fazer crer que a Catarina aprendia tudo t&#227;o facilmente como a sua outra filha fizera...</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Como j&#225; vimos, a interac&#231;&#227;o que presenci&#225;mos entre a m&#227;e e a Catarina foi sempre marcada por uma grande harmonia e o desenvolvimento da Catarina, embora revelando um atraso significativo que, como j&#225; vimos, se tornou mais evidente a partir dos tr&#234;s anos, era adequadamente estimulado pela m&#227;e, j&#225; que s&#243; a partir dos quatro anos a Catarina foi integrada no jardim de inf&#226;ncia, onde se manteve durante dois anos a meio tempo. Assim, poderemos continuar a perguntar, como o fizemos no final do primeiro ano de vida, que programa de interven&#231;&#227;o precoce poderia ser aceite pela m&#227;e da Catarina. Sen&#227;o, vejamos:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; na sequ&#234;ncia da depress&#227;o que teve ap&#243;s os 3; 7 da Catarina, a m&#227;e tem recorrido pontualmente ao psiquiatra que a tratou;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; a m&#227;e desejava apenas que a filha fizesse terapia da fala. Apesar de lhe ter sido proposto apoio num servi&#231;o oficial, com um programa aumentativo de comunica&#231;&#227;o, que pressupunha grande envolvimento da sua parte, a m&#227;e procurou esse apoio no privado sem qualquer envolvimento no trabalho, j&#225; que para ela a linguagem da Catarina n&#227;o oferecia qualquer dificuldade;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; ap&#243;s a entrada no jardim de inf&#226;ncia uma educadora da equipa de apoio educativo da zona assumiu o trabalho com a Catarina, exclusivamente nesse contexto educativo, tamb&#233;m sem envolvimento da m&#227;e.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O adiamento de escolaridade foi uma decis&#227;o quase exclusiva da educadora de apoio e &#34;consentida&#34; a custo pela m&#227;e. A escolha da escola para a filha foi tamb&#233;m uma &#233;poca dolorosa. De facto, a m&#227;e sempre pensara que a Catarina poderia continuar no col&#233;gio onde tinha estado durante os anos de jardim de inf&#226;ncia. Mesmo sabendo que n&#227;o teria apoio oficial se l&#225; permanecesse, s&#243; desistiu da ideia quando a frequ&#234;ncia da Catarina foi rejeitada pela direc&#231;&#227;o. Tentou depois inscrev&#234;-la nos col&#233;gios privados onde a irm&#227; estava inscrita para iniciar o 2.&#176; ciclo do ensino b&#225;sico. Confrontou-se com mais recusas que a revoltaram muito. N&#227;o encarando a hip&#243;tese de matricular a filha numa escola oficial &#8212; situa&#231;&#227;o que aconselh&#225;mos por considerarmos que seria o contexto onde ela poderia ter garantias de apoio mantendo-se integrada &#8212; acabou por inscrev&#234;-la num col&#233;gio particular com integra&#231;&#227;o de crian&#231;as deficientes, onde veio a ser colocada num primeiro ano de uma classe regular, embora com o aviso de que provavelmente no pr&#243;ximo ano transitaria para uma classe de ensino especial.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A m&#227;e da Catarina nunca recorreu a n&#243;s espontaneamente nem seguiu nunca as nossas orienta&#231;&#245;es, quer no que respeita &#224; integra&#231;&#227;o pr&#233;-escolar &#8212; que, na nossa perspectiva deveria ter ocorrido mais cedo &#8212; quer no que respeita ao tipo de escola mais adequada para o 1.&#176; ciclo do ensino b&#225;sico.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O H&#233;lder e a sua m&#227;e</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Quando, no final do primeiro ano de vida, nos permitimos resumir as caracter&#237;sticas desta d&#237;ade, escolhemos a seguinte frase: ansiedade, depress&#227;o, revolta e frustra&#231;&#227;o. Ao sintetizar o processo de adapta&#231;&#227;o materna durante esse primeiro ano de vida, afirm&#225;mos: &#34;Nesta d&#237;ade foi bastante evidente o reflexo que os sentimentos da m&#227;e tiveram nas caracter&#237;sticas do processo interactivo... &#233; aquela que sentimos em maior risco no processo de adapta&#231;&#227;o&#34; (Pimentel, 1997, p. 396).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Evolu&#231;&#227;o dos sentimentos da m&#227;e</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Para al&#233;m dos sentimentos que procuramos sintetizar na frase-resumo, foram evidentes, nesta m&#227;e, sentimentos de isolamento, nomeadamente por sentir que n&#227;o era poss&#237;vel partilhar com ningu&#233;m a ansiedade que tinha em rela&#231;&#227;o ao H&#233;lder, e estas frases, ditas na entrevista dos 12 meses, mostram bem o seu isolamento e solid&#227;o: &#34;O problema existe e ningu&#233;m quer encarar a situa&#231;&#227;o. Quando eu falo, o meu marido diz l&#225; est&#225;s tu com essa mania&#39;. N&#243;s n&#227;o falamos do problema do H&#233;lder... ando muito cansada com todo este ano... ainda estou muito aflita... vou sentir sempre aquela m&#225;goa...&#34;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Embora o seu estado emocional tenha oscilado ao longo das v&#225;rias entrevistas, quase sempre h&#225; uma depress&#227;o e ansiedade evidentes: &#34;Sinto-me com stresse... n&#227;o tenho quem me ajude... &#192;s vezes s&#243; me d&#225; vontade de chorar...&#34; A dor que representou o nascimento deste beb&#233; tem-se mantido ao longo de todos estes anos e &#233; evidente em frases como: &#34;Quando penso no nascimento, na surpresa, na desilus&#227;o... (2 A)... s&#243; sabe quem passou por isto... &#233; uma coisa que n&#227;o consigo ultrapassar ... foi dif&#237;cil e continua a ser... (3A)... h&#225; alturas em que eu digo que j&#225; me conformei mas vejo que me estou a enganar a mim pr&#243;pria (4 A)... Aceito-o a 200% mas acho que nunca me vou conformar (7A)&#34;.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Relativamente ao confronto com os outros, os coment&#225;rios que a m&#227;e do H&#233;lder faz referem-se sobretudo &#224; fam&#237;lia do marido, de quem n&#227;o sente qualquer apoio. Inicialmente sente que a culpam do que aconteceu: &#34;Ainda continua a haver coment&#225;rios na fam&#237;lia que j&#225; deviam ter desaparecido... continuo a sentir que me acusam de j&#225; saber que ele era assim e n&#227;o ter feito nada... Com a minha sogra n&#227;o vale a pena falar. Ela n&#227;o percebe, anda tudo &#224; volta do atraso dele... Mesmo o meu marido diz &#224; m&#227;e que n&#227;o vale a pena estar com essas conversas&#34;.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Relativamente &#224; sociedade em geral, a m&#227;e refere frequentemente as atitudes discriminat&#243;rias de que estas crian&#231;as s&#227;o alvo, mas n&#227;o se refere especificamente &#224; situa&#231;&#227;o do H&#233;lder. Diz no entanto que alterou completamente a sua forma de encarar a defici&#234;ncia desde que o filho nasceu.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A m&#227;e nunca nos falou dos projectos que tinha relativamente a outros filhos. No entanto, em diversas ocasi&#245;es refere que o marido desejaria ter outros filhos &#34;Mas tenho muito medo que volte a acontecer tudo outra vez e uma segunda gravidez com problemas eu n&#227;o aguentava&#34;. No entanto e segundo a m&#227;e diz, para fazer a vontade ao marido, fica novamente gr&#225;vida depois dos quatro anos do H&#233;lder, tendo nascido uma rapariga, saud&#225;vel, quando o H&#233;lder tinha cerca de cinco anos.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><i>Resultados da escala de sentimentos e atitudes</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Como podemos ver no <a href="/img/revistas/psi/v17n1/17n1a05q4.jpg">Quadro 4</a>, as subescalas &#34;ansiedade&#34; e &#34;tend&#234;ncia depressiva&#34; t&#234;m valores muito baixos aos 12 meses, significando como anteriormente vimos sentimentos de grande ansiedade e depress&#227;o, e embora nas entrevistas posteriores haja alguma evolu&#231;&#227;o positiva, as m&#233;dias mant&#234;m-se quase sempre inferiores ao ponto central da escala. As restantes subescalas t&#234;m sempre valores mais elevados, embora estes oscilem bastante na subescala &#34;sobrecarga&#34;. Am&#227;e refere frequentemente sentir-se muito cansada, mas acrescenta imediatamente que esse facto n&#227;o se deve ao H&#233;lder mas &#224; sua situa&#231;&#227;o de trabalho e dona de casa, em que sente que o maior esfor&#231;o &#233; o dela.</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2"><i>Caracter&#237;sticas do processo interactivo</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Como j&#225; referimos acima, esta era a d&#237;ade que, no final do primeiro ano de vida, sent&#237;amos em maior risco quanto ao processo de adapta&#231;&#227;o. De facto, a partir do nono m&#234;s foram evidentes, no decorrer das entrevistas, os sentimentos de ambival&#234;ncia da m&#227;e em rela&#231;&#227;o ao H&#233;lder e a desarmonia interactiva que pudemos presenciar manteve-se nas entrevistas dos anos seguintes. Se por um lado a m&#227;e referia o bom desenvolvimento do H&#233;lder, logo que ele n&#227;o realizava o que ela lhe pedia/ordenava, imediatamente era repreendido com grande agressividade que se manifestava quer pelo conte&#250;do da linguagem quer pelo tom de voz utilizado. Quando solicitada a descrever o H&#233;lder, as refer&#234;ncias que surgiam em primeiro lugar eram as suas caracter&#237;sticas negativas. Descrevia-o quase sempre como um &#34;diabinho&#34; e, embora a palavra fosse utilizada de forma ternurenta, nem sempre as descri&#231;&#245;es eram do mesmo tipo: &#34;Ele n&#227;o p&#225;ra um minuto, tem de se andar sempre atr&#225;s dele... &#233; de loucos, d&#225;-me cabo da cabe&#231;a... quando &#233; contrariado levanta a m&#227;o para bater e morde as pessoas... Eu fa&#231;o mal no sentido que me deixo levar e fa&#231;o o que ele quer... Dou-lhe uma palmada e ele d&#225;-me tamb&#233;m... tem de ser o &#250;ltimo a dar...&#34;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A partir dos nove meses e at&#233; &#224; entrevista dos 3; 6, nunca presenci&#225;mos um epis&#243;dio interactivo que n&#227;o fosse marcado por acentuados sinais de desarmonia, sendo a atmosfera geral de conflito, muitas vezes manifesto: presenci&#225;mos em v&#225;rias entrevistas situa&#231;&#245;es de agress&#227;o da m&#227;e em rela&#231;&#227;o ao H&#233;lder e resposta deste &#34;agredindo&#34; a m&#227;e, batendo-lhe, tentando arranh&#225;-la ou puxando-lhe os cabelos. N&#227;o sent&#237;amos qualquer disponibilidade de nenhum dos elementos da d&#237;ade para a interac&#231;&#227;o social e parecia-nos muitas vezes que as brincadeiras que faziam &#224; nossa frente n&#227;o eram habituais no dia-a-dia.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O comportamento da m&#227;e era muito desorganizado, saltando de actividade em actividade, sem qualquer sequ&#234;ncia, tentando fixar a aten&#231;&#227;o e o interesse do H&#233;lder sem qualquer sucesso, a n&#227;o ser quando jogava &#224; bola ou o deixava andar de triciclo. Sempre que tentava ler-lhe uma hist&#243;ria ou fazer jogos de encaixe, os pedidos de resposta que fazia eram completamente desadequados em rela&#231;&#227;o &#224;s compet&#234;ncias desenvolvimentais do H&#233;lder. O quarto do H&#233;lder estava cheio de brinquedos, muitos deles &#34;em exposi&#231;&#227;o&#34;, outros exigindo compet&#234;ncias muito superiores &#224;s que ele possu&#237;a &#8212; e que quando podiam ser adequadamente utilizados j&#225; tinham desaparecido. Os &#250;nicos que o interessavam eram os triciclos&#8212;tinha tr&#234;s de v&#225;rios modelos &#8212; e um escorrega!</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A partir da entrevista dos 3; 6 houve algumas altera&#231;&#245;es no comportamento do H&#233;lder, que foi capaz de estar alguns minutos atento &#224;s actividades propostas pela m&#227;e: fazer torres, empurrar carrinhos, ver livros com imagens cuja identifica&#231;&#227;o a m&#227;e lhe solicitava. Este comportamento foi-se mantendo (embora com oscila&#231;&#245;es e retrocessos, como aconteceu na entrevista dos quatro anos) at&#233; &#224; entrevista dos sete anos, mas o conte&#250;do das brincadeiras nunca se alterou significativamente, havendo uma enorme pobreza no conte&#250;do simb&#243;lico das actividades propostas pela m&#227;e. Pensamos que a aus&#234;ncia de um ambiente de ensino adequado e as fracas qualidades de estimula&#231;&#227;o desta m&#227;e, em conjunto com a desarmonia interactiva que caracterizou esta d&#237;ade at&#233; aos tr&#234;s anos e meio influenciaram muito negativamente o desenvolvimento desta crian&#231;a.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Conhecimento do desenvolvimento do beb&#233; e expectativas relativamente ao desenvolvimento futuro</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Foi logo no primeiro ano de vida que esta m&#227;e come&#231;ou a constatar que as expectativas que tinha relativamente &#224; idade em que o H&#233;lder ia adquirir determinadas compet&#234;ncias, eram sempre frustradas. Em determinada fase, evitou mesmo responder &#224;s quest&#245;es que lhe coloc&#225;vamos. A partir do momento em que o H&#233;lder come&#231;ou a andar, v&#225;rias foram as entrevistas em que dizia que o seu desenvolvimento era normal, excepto na &#225;rea da linguagem. Mostrava-se muitas vezes incapaz de descrever as suas compet&#234;ncias espec&#237;ficas, ao contr&#225;rio da sua filha mais velha, que mostrava ter um conhecimento rigoroso e pormenorizado do que o irm&#227;o era ou n&#227;o capaz de realizar e da forma como realizava determinadas actividades. &#8217;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Apassagem da escala de Griffiths era uma altura complicada. De facto, o H&#233;lder raramente colaborava nas tarefas que lhe eram propostas, os seus per&#237;odos de aten&#231;&#227;o e concentra&#231;&#227;o eram muito pequenos, interrompia as actividades &#224; menor dificuldade e, muitas vezes, s&#243; com a ajuda da irm&#227; mais velha se conseguia um m&#237;nimo de colabora&#231;&#227;o. Quando a m&#227;e estava presente &#8212; o que a partir de determinada altura tent&#225;mos evitar &#8212; esta interferia na realiza&#231;&#227;o das tarefas, dava-lhe ordens, zangava-se e insistia demasiado, numa atitude que demostrava a sua frustra&#231;&#227;o ao ver as dificuldades do filho. Assim, os resultados que podemos analisar no <a href="/img/revistas/psi/v17n1/17n1a05q5.jpg">quadro 5</a> podem n&#227;o ser absolutamente fidedignos, j&#225; que, para conseguirmos obter a colabora&#231;&#227;o da crian&#231;a, t&#237;nhamos por vezes que adaptar as regras de aplica&#231;&#227;o.</font></p>          
]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Cremos no entanto que os valores que apresentamos representam bem as dificuldades desta crian&#231;a que, se bem que tivesse um n&#237;vel de desenvolvimento pr&#243;ximo do esperado para a sua idade aos 12 meses, mostra um decr&#233;scimo muito acentuado desse desenvolvimento entre os dois e os tr&#234;s anos, havendo a partir dessa data quebras mais pequenas mas sistem&#225;ticas em todas as &#225;reas, especialmente nas da linguagem, coordena&#231;&#227;o olho-m&#227;o, realiza&#231;&#227;o e racioc&#237;nio pr&#225;tico.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Programa de Interven&#231;&#227;o Precoce e integra&#231;&#227;o pr&#233;-escolar</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Ap&#243;s uma consulta num servi&#231;o oficial realizada cerca dos tr&#234;s meses, foi implementado um programa de interven&#231;&#227;o precoce, que se desenvolveu em contexto domicili&#225;rio a partir dos seis meses. Ap&#243;s a licen&#231;a de parto da m&#227;e, o H&#233;lder foi para uma ama, mas as visitas domicili&#225;rias, a cargo de uma educadora especializada da equipa da zona de resid&#234;ncia, coincidiam com o dia de folga da m&#227;e de modo a envolv&#234;-la, tal como era seu desejo. O apoio era no entanto centrado na crian&#231;a e desenvolvia-se no sentido de &#34;treino de compet&#234;ncias&#34;. Apesar de termos chamado a aten&#231;&#227;o para a desarmonia interactiva que se manifestou antes do final do primeiro ano de vida, estes aspectos n&#227;o foram adequadamente trabalhados e, na &#250;nica altura em que houve um apoio espec&#237;fico &#224; m&#227;e, este foi feito numa perspectiva de &#34;modifica&#231;&#227;o de comportamento&#34; do H&#233;lder e de &#34;treino de compet&#234;ncias educativas da m&#227;e&#34;, n&#227;o tendo sido dada a devida aten&#231;&#227;o &#224; sua ansiedade e depress&#227;o latente.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A data da entrada no jardim de inf&#226;ncia, que foi aconselhado pela t&#233;cnica de interven&#231;&#227;o precoce por ser um dos locais apoiados pela equipa de apoio, deixou de haver visitas domicili&#225;rias e todo o programa foi implementado no contexto educativo institucional, sem qualquer participa&#231;&#227;o da m&#227;e, que n&#227;o tornou a ter contactos regulares com mais nenhum t&#233;cnico de apoio.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Na entrevista dos seis anos n&#227;o tinha ainda havido nenhum contacto com a m&#227;e para ser definido o que seria mais conveniente: entrada na escola ou adiamento de escolaridade. Fomos n&#243;s que contact&#225;mos com a equipa para que a t&#233;cnica de apoio convocasse a m&#227;e, n&#227;o a confrontando &#224; &#250;ltima hora com a assinatura do requerimento para o adiamento de escolaridade, decis&#227;o que, para a educadora de apoio, era a &#250;nica poss&#237;vel. Ao longo do ano de adiamento de escolaridade o programa manteve-se, com a m&#227;e sempre alheada do que estava a ser feito. Os sete anos chegaram e foi proposto &#224; m&#227;e que o H&#233;lder, que continuava com enormes dificuldades de concentra&#231;&#227;o, fosse matriculado num estabelecimento de ensino especial, facto que a m&#227;e recusou. Nesta &#250;ltima entrevista a m&#227;e p&#245;e em causa todo o trabalho realizado pelo jardim de inf&#226;ncia e t&#233;cnicos de apoio, a quem responsabiliza pelo facto de o H&#233;lder manter o atraso e os problemas de comportamento e instabilidade. N&#227;o foi f&#225;cil encontrar uma solu&#231;&#227;o para o H&#233;lder, sobretudo a n&#237;vel do complemento de escolaridade em ATL e, mais uma vez, a m&#227;e se sentiu completamente sozinha, sem qualquer apoio para resolver mais esse problema.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Apesar de sempre nos termos afirmado dispon&#237;veis para a ajudar no que ela sentisse necessidade, nunca fomos contactadas por esta m&#227;e.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O Jo&#227;o Paulo e a sua m&#227;e</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Quando no final do primeiro ano de vida nos permitimos resumir as caracter&#237;sticas desta d&#237;ade, escolhemos a seguinte frase: ambival&#234;ncia e aceita&#231;&#227;o resignada. Ao sintetizar o processo de adapta&#231;&#227;o materna durante esse ano afirm&#225;mos: &#34;A expressividade e responsividade deste beb&#233; ter&#227;o contribu&#237;do para a harmonia interactiva... A ansiedade manteve-se ao longo de todo o ano, mas a depress&#227;o inicial desapareceu dando lugar a uma aceita&#231;&#227;o resignada&#34; (Pimentel, 1997, p. 397).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Evolu&#231;&#227;o dos sentimentos da m&#227;e</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Ao relembrar o choque inicial quando soube da defici&#234;ncia do Jo&#227;o Paulo, a m&#227;e refere: &#34;Foi horr&#237;vel o que passei mas foi sobretudo naqueles momentos no hospital... o choque foi a not&#237;cia... Nem me apetecia v&#234;-lo... Descreveram-me como se ele viesse a ser um deficiente profundo... Quando cheguei a casa fui-me mentalizando:..&#34;</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Ao rever o primeiro ano de vida, a m&#227;e reconhece que tudo foi diferente do que lhe tinham dito: &#34;Depois explicaram-me melhor o que ele tinha, fui lendo algumas coisas e n&#227;o o acho t&#227;o mau... O que imaginei e o que me disseram... Acabou por ser mais tudo f&#225;cil&#34;.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#34;O meu marido no in&#237;cio disse-me que era melhor que ele n&#227;o sobrevivesse... Ele nunca aceitou nem aceita o problema dele&#34;. Estas palavras da m&#227;e revelam bem que viveu sem o apoio do marido toda esta situa&#231;&#227;o. De facto, passados cerca de 15 meses ap&#243;s o nascimento do Jo&#227;o Paulo, o marido decide emigrar e se durante os primeiros tempos ainda os visitava com alguma frequ&#234;ncia, actualmente apenas telefona esporadicamente e n&#227;o vem mais do que uma vez no ano.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Todo o apoio tem vindo da fam&#237;lia materna, com quem os seus tr&#234;s filhos mais velhos viviam e junto de quem a m&#227;e acabou por fixar resid&#234;ncia.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Ainda o Jo&#227;o tinha dois anos e j&#225; a m&#227;e dizia: &#34;Preocupa-me o futuro, a escola, mas como ele &#233; uma crian&#231;a atenta, concentrada, ouve e gosta de fazer, talvez n&#227;o haja problema... estou a ficar mais preocupada... N&#227;o sei se ele vai falar como deve ser... Se eu faltar o que vai ser dele...&#34;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Nessa altura a m&#227;e come&#231;ou a ter problemas com as duas filhas mais velhas que sa&#237;ram do pa&#237;s e dizia-nos: &#34;&#192;s vezes acho que estas complica&#231;&#245;es familiares todas s&#227;o por causa do Jo&#227;o Paulo, mas depois acho que estou a misturar tudo...&#34;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">As dificuldades que teve de enfrentar para conseguir que um jardim de inf&#226;ncia aceitasse o Jo&#227;o fez com que revivesse com ang&#250;stia os sentimentos que tivera ao confrontar-se com a defici&#234;ncia do filho: &#34;Agora que foi t&#227;o dif&#237;cil que o aceitassem num jardim de inf&#226;ncia sinto-me como no princ&#237;pio... Nunca pensei passar por isto outra vez...&#34;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A entrada na escola voltou a ser uma situa&#231;&#227;o extremamente dif&#237;cil: &#34;Agora com a entrada na escola estou a viver tudo novamente... Quando no col&#233;gio me disseram que ele n&#227;o podia fazer l&#225; a prim&#225;ria... Fiquei transtornada... N&#227;o quis falar com ningu&#233;m...&#34;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Nas entrevistas que tivemos ao longo destes anos, o receio de confronto com os outros nunca aparece como uma preocupa&#231;&#227;o evidente desta m&#227;e, talvez porque a sua vida se passa num ambiente mais restrito, em que os contactos sociais parecem limitados &#224; sua fam&#237;lia materna, que sempre aceitou e incluiu muito bem o Jo&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Resultados da escala de sentimentos e atitudes</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Como podemos ver no <a href="/img/revistas/psi/v17n1/17n1a05q6.jpg">quadro 6</a>, &#233; na subescala &#34;ansiedade&#34; que esta m&#227;e tem resultados mais discrepantes, revelando, em alguns dos momentos de recolha dos dados, ansiedade excessiva. Parece-nos de interesse salientar que o valor mais baixo, no primeiro m&#234;s de vida do Jo&#227;o Paulo, volta a encontrar-se no s&#233;timo ano, provavelmente como consequ&#234;ncia da entrada inevit&#225;vel para a escola. Em todas as outras subescalas, os valores s&#227;o mais elevados e mais homog&#233;neos ao longo do tempo, revelando sentimentos positivos.</font></p>          
]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><i>Caracter&#237;sticas do processo interactivo</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Esta foi a &#250;nica d&#237;ade que, a partir do final do primeiro ano de vida foi sempre entrevistada no contexto do servi&#231;o onde recebia apoio, a pedido da m&#227;e. Torna-se portanto imposs&#237;vel avaliar o ambiente de estimula&#231;&#227;o e ensino existente, mas sabemos que as condi&#231;&#245;es habitacionais desta fam&#237;lia s&#227;o muito prec&#225;rias e que as dificuldades econ&#243;micas n&#227;o permitem a aquisi&#231;&#227;o de brinquedos e jogos educativos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A caracter&#237;stica mais relevante da interac&#231;&#227;o do Jo&#227;o Paulo e da sua m&#227;e &#233; o grande prazer que ambos retiram da situa&#231;&#227;o interactiva. A interac&#231;&#227;o &#233; claramente liderada pela m&#227;e, mas o Jo&#227;o Paulo segue todas as suas propostas, colaborando nas brincadeiras em que ela pr&#243;pria se deixa envolver. As respostas da m&#227;e nem sempre s&#227;o contingentes com as iniciativas do Jo&#227;o Paulo &#8212; por vezes s&#227;o mesmo contr&#225;rias ao que deveriam ser &#8212; mas em nenhuma situa&#231;&#227;o ao longo destes anos presenci&#225;mos epis&#243;dios de conflito.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">As brincadeiras propostas pela m&#227;e s&#227;o apropriadas ao n&#237;vel de desenvolvimento do Jo&#227;o Paulo e, quando este se desinteressa, a m&#227;e prop&#245;e outra actividade. Sempre que h&#225; jogos que exijam mais aten&#231;&#227;o, o Jo&#227;o Paulo &#233; capaz de se concentrar o tempo necess&#225;rio. A maior parte das vezes o conte&#250;do das actividades propostas &#233; pouco rico do ponto de vista simb&#243;lico &#8212; nunca vimos a m&#227;e pegar espontaneamente num livro para contar uma hist&#243;ria ou ver as imagens&#8212;mas h&#225; por vezes jogos tipo casinha de bonecas, em que o Jo&#227;o Paulo compreende e imita todas as actividades iniciadas pela m&#227;e.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A atmosfera geral &#233; de grande harmonia, n&#227;o s&#243; pelo prazer de ambos, que acima j&#225; foi referido, como pelos coment&#225;rios elogiosos que a m&#227;e faz ao Jo&#227;o Paulo e pela forma como a ele se refere: &#34;&#201; um super-homem da aprendizagem... &#201; uma j&#243;ia de crian&#231;a, &#233; um amor de Jo&#227;o que me faz rir e me faz feliz...&#34;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Conhecimento do desenvolvimento do beb&#233; e expectativas relativamente ao desenvolvimento futuro</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A m&#227;e do Jo&#227;o sempre soube avaliar com objectividade as compet&#234;ncias do Jo&#227;o e, tendo uma colega de trabalho com uma crian&#231;a com idade muito aproximada, foi-se progressivamente apercebendo do atraso do seu desenvolvimento, evitando fazer progn&#243;sticos quanto ao futuro.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Embora sempre tenha havido algumas birras e queixas de grande teimosia, foi s&#243; a partir da entrevista dos seis anos que a m&#227;e come&#231;ou a mostrar-se muito preocupada com o comportamento do Jo&#227;o Paulo. Aos sete anos os problemas n&#227;o tinham sido ultrapassados e a m&#227;e come&#231;a a p&#244;r-se em causa por pensar que este comportamento se deve &#224;s atitudes educativas que tinha com ele.: &#34;Quando &#233; contrariado faz birras, deita-se para o ch&#227;o, agride-me a mim e aos irm&#227;os... Est&#225; sempre a apanhar... N&#227;o sei se &#233; do problema dele ou se &#233; ele pr&#243;prio que &#233; assim... N&#227;o sei se a culpa &#233; minha, se lhe dou mimo a mais ou aten&#231;&#227;o demais ou de menos...&#34; Considera no entanto que o facto de a av&#243; materna lhe fazer todas as vontades quando ele chega do jardim de inf&#226;ncia a m&#227;e j&#225; est&#225; a trabalhar a essa hora&#8212;contribui para esse comportamento.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Refere tamb&#233;m que ele est&#225; &#224;s vezes muito revoltado e que sai de casa e vai para casa dos tios. Relata tamb&#233;m epis&#243;dios de ansiedade: &#34;na praia e na piscina depois do irm&#227;o o ter obrigado no ano passado a ir para a &#225;gua, agora faz xixi e coco&#34;. Todos estes comportamentos a preocupam muito.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Nos momentos de recolha dos dados, nomeadamente durante a realiza&#231;&#227;o da escala Griffiths, o comportamento do Jo&#227;o Paulo era totalmente adequado, manifestando interesse e boa colabora&#231;&#227;o nas tarefas propostas e esfor&#231;ando-se na sua realiza&#231;&#227;o.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Como podemos ver no <a href="/img/revistas/psi/v17n1/17n1a05q7.jpg">quadro 7</a>, desde o primeiro ano de vida que os resultados da subescala &#34;audi&#231;&#227;o e linguagem&#34; s&#227;o nitidamente inferiores aos das outras subescalas, com um decr&#233;scimo significativo e acentuado desde essa altura. Nas subescalas &#34;locomotora&#34; e &#34;realiza&#231;&#227;o&#34; os quocientes de desenvolvimento mant&#234;m-se bastante homog&#233;neos at&#233; ao sexto ano de vida, altura em que h&#225; uma descida significativa do seu valor. Na subescala &#34;pessoal-social&#34; o decr&#233;scimo &#233; logo entre o primeiro e o segundo ano de vida, mantendo-se depois homog&#233;neos os valores do QD at&#233; aos sete anos. Na subescala &#34;coordena&#231;&#227;o olho-m&#227;o&#34; e no quociente de desenvolvimento global &#233; entre o segundo e o terceiro ano de vida que se d&#225; o abaixamento dos valores. Assim, ao longo das v&#225;rias idades o desenvolvimento das v&#225;rias &#225;reas atinge valores pouco homog&#233;neos e s&#243; no s&#233;timo ano os valores dos quocientes parcelares se aproximam, com excep&#231;&#227;o dos das subescalas &#34;audi&#231;&#227;o e linguagem&#34; e &#34;racioc&#237;nio pr&#225;tico&#34;, que aparecem nitidamente mais baixos do que os outros.</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2"><i>Programa de Interven&#231;&#227;o Precoce</i>, <i>integra&#231;&#227;o pr&#233;-escolar e escolar</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Ap&#243;s uma primeira avalia&#231;&#227;o num servi&#231;o oficial, a situa&#231;&#227;o do Jo&#227;o Paulo come&#231;ou a ser seguida num programa domicili&#225;rio por uma enfermeira com pr&#225;tica de interven&#231;&#227;o precoce. Esta situa&#231;&#227;o, em que a m&#227;e se sentia muito apoiada quer relativamente &#224; estimula&#231;&#227;o do Jo&#227;o Paulo quer relativamente a todos os outros problemas da sua fam&#237;lia &#8212; emigra&#231;&#227;o do marido, problemas com os filhos mais velhos e situa&#231;&#227;o habitacional degradada &#8212; manteve-se at&#233; &#224; data da entrada do Jo&#227;o Paulo no jardim de inf&#226;ncia. Nessa altura a situa&#231;&#227;o foi orientada para a equipa de apoio da zona de resid&#234;ncia e do jardim de inf&#226;ncia, que passou a apoiar o Jo&#227;o no contexto escolar com uma participa&#231;&#227;o muito espor&#225;dica da m&#227;e. Esta manteve sempre o contacto com a t&#233;cnica de interven&#231;&#227;o precoce inicial mas, por altera&#231;&#245;es da situa&#231;&#227;o profissional dessa enfermeira, o apoio dado passou a ser espor&#225;dico e por solicita&#231;&#227;o da m&#227;e. Pensamos que esta mudan&#231;a do foco de apoio &#8212; de um programa nitidamente centrado na fam&#237;lia, assegurado nos primeiros anos, passou-se para um programa centrado na crian&#231;a &#8212; n&#227;o foi vantajosa nem para o <b>Jo&#227;o</b> nem para a m&#227;e. De facto, &#233; no ano da transi&#231;&#227;o que come&#231;am a surgir mais queixas de comportamento que nos parecem estar nitidamente relacionadas com comportamentos educativos menos correctos por parte da m&#227;e.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Como j&#225; referimos, a inclus&#227;o desta crian&#231;a num jardim de inf&#226;ncia da sua zona foi dif&#237;cil e, apesar dos relat&#243;rios feitos no &#226;mbito do servi&#231;o onde estava a ser seguido, dois dos jardins de inf&#226;ncia contactados recusaram a entrada. A estrutura educativa que o aceitou assegurou um bom apoio, foi poss&#237;vel que uma terapeuta da fala fosse dar apoio no pr&#243;prio jardim de inf&#226;ncia e eram grandes as expectativas da m&#227;e para que ele continuasse no mesmo estabelecimento durante o 1.&#176; ciclo do ensino b&#225;sico, o que, como tamb&#233;m j&#225; vimos, n&#227;o foi poss&#237;vel.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A m&#227;e do Jo&#227;o Paulo nunca hesitou em recorrer a n&#243;s quando necessitou de apoio ou orienta&#231;&#227;o que sabia que n&#243;s pod&#237;amos dar, nomeadamente durante um per&#237;odo em que n&#227;o p&#244;de contar com a enfermeira que inicialmente a acompanhou, por isso cremos que, embora nunca tenhamos assumido um papel activo no programa de interven&#231;&#227;o precoce, somos para esta m&#227;e um ponto de refer&#234;ncia e apoio importante.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A Mariana e a sua m&#227;e</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Quando no final do primeiro ano de vida nos permitimos resumir as caracter&#237;sticas desta d&#237;ade, escolhemos a seguinte frase: a Mariana e a sua m&#227;e &#8212; da depress&#227;o &#224; adapta&#231;&#227;o e aceita&#231;&#227;o consciente. Ao sintetizar o processo de adapta&#231;&#227;o materna durante esse ano afirm&#225;mos: &#34;A harmonia interactiva que, ao longo do ano, presenci&#225;mos, mant&#233;m-se nesta &#250;ltima entrevista e parece-nos garantida para o futuro, j&#225; que se baseia num conhecimento real das caracter&#237;sticas do beb&#233; e numa aceita&#231;&#227;o consciente da sua situa&#231;&#227;o&#34; (Pimentel, 1997, p. 262). Num outro ponto (Pimentel, <i>op. cit</i>. p. 398) referimos ainda: &#34;A aceita&#231;&#227;o plena da defici&#234;ncia da Mariana, a viv&#234;ncia pela m&#227;e de uma depress&#227;o que parece ter sido capaz de ultrapassar conscientemente, tiveram, sem d&#250;vida, grande influ&#234;ncia no estilo interactivo desta d&#237;ade que, entre todas, nos parece a mais bem adaptada&#34;.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Evolu&#231;&#227;o dos sentimentos da m&#227;e</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Duas frases ditas pela m&#227;e da Mariana resumem bem a evolu&#231;&#227;o dos seus sentimentos em rela&#231;&#227;o a ela. Foram ambas ditas na entrevista dos tr&#234;s anos: &#34;Tenho vindo a aprender a ser m&#227;e da Mariana... Quando vou ao col&#233;gio busc&#225;-la venho sempre muito feliz porque vejo que gostam dela... Tenho alturas em que me sinto muito satisfeita com as minhas duas filhas sem fazer distin&#231;&#245;es...&#34; A m&#227;e reconhece que o nascimento da irm&#227; mais nova foi muito importante em todo o processo de adapta&#231;&#227;o e que o nascimento desta filha sem problemas representou uma &#34;experi&#234;ncia boa&#34; a que ela e o marido se sentiam com direito.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Relativamente ao confronto com os outros, a m&#227;e ultrapassou os sentimentos iniciais de vergonha e a partir do ano come&#231;a a referir, com alguma frequ&#234;ncia: &#34;,.. Agora j&#225; ando com ela por todo o lado e n&#227;o me preocupa o que os outros pensam&#34;. Reconhece no entanto que nem sempre &#233; assim: &#34;H&#225; dias fiquei muito preocupada com o que as outras pessoas pensavam dela. Fiquei com remorsos e muito irritada comigo. Foi como se fosse uma reca&#237;da mas foi s&#243; um dia... Vim para casa enervada com isso, mas falei com o meu marido e passou&#34;. Na entrevista dos seis anos volta a referir: &#34;Na rua n&#227;o consigo abstrair-me que as pessoas est&#227;o a olhar para ela, mas j&#225; n&#227;o me incomoda como me incomodava... At&#233; vou com ela de metropolitano para o apoio para que ela se habitue a toda a gente&#34;.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Os projectos do casal parecem n&#227;o ter sofrido altera&#231;&#227;o significativa pelo facto de a Mariana ter s&#237;ndroma de Down, n&#227;o s&#243; no que respeita a outros filhos &#8212; o pai gostaria de ter quatro, mas a m&#227;e diz s&#243; podem ter tr&#234;s &#8212; como no que se refere a modos de guarda. De facto, at&#233; &#224; ida para o jardim de inf&#226;ncia, e durante o tempo de trabalho da m&#227;e (turnos), quem tomou conta dela foi o av&#244; materno e, nos turnos da tarde e noite, o pai sempre ficou com ela. Ap&#243;s o nascimento da irm&#227; mais nova a m&#227;e refere: &#34;&#201; um pai muito babado e vaidoso das filhas... Ele agora trata mais da Mariana e leva-a sempre ao col&#233;gio... Est&#225; muito bem com ela e ensina-lhe muitas coisas&#34;.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A partir dos quatro anos a m&#227;e come&#231;ou a preocupar-se com a ida para a escola e refere: &#34;Como &#233; que vai ser para escrever se ela n&#227;o consegue desenhar nada? Talvez ler n&#227;o seja t&#227;o dif&#237;cil, mas escrever. Mas noutras entrevistas a sua preocupa&#231;&#227;o n&#227;o &#233; t&#227;o grande porque, como refere, &#34;Aprendi a fazer as coisas a seu tempo sem estar sempre a pensar no futuro...&#34; Com a aproxima&#231;&#227;o da entrada para a escola, que se deu aos seis anos, numa escola oficial, a m&#227;e reconhece que ficou muito enervada. Estava gr&#225;vida e perdeu o beb&#233; &#224;s sete semanas de gravidez &#34;Acho que foi o stresse em que andava em rela&#231;&#227;o &#224; ida das duas para a escola nova&#34;.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Resultados da escala de sentimentos e atitudes</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Como podemos ver no <a href="/img/revistas/psi/v17n1/17n1a05q8.jpg">quadro 8</a>, os resultados obtidos pela m&#227;e da Mariana mant&#234;m-se bastante homog&#233;neos.</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">Parece-nos de salientar uma ligeira quebra nas tr&#234;s primeiras subescalas na entrevista dos quatro anos, provavelmente correspondente n&#227;o s&#243; a uma maior sobrecarga pelo facto de a irm&#227; mais nova come&#231;ar a dar mais trabalho, mas tamb&#233;m por corresponder a um per&#237;odo de &#34;teimosia&#34; da Mariana e de manifesta&#231;&#245;es de ci&#250;mes desta relativamente &#224; irm&#227;. Os valores nas subescalas &#34;ansiedade&#34; e &#34;tend&#234;ncia depressiva&#34;, a partir do final do primeiro ano de vida, mant&#234;m-se sempre muito elevados, o que, como j&#225; vimos, revela a inexist&#234;ncia desses sentimentos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Caracter&#237;sticas do processo interactivo</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A grande disponibilidade para a interac&#231;&#227;o social, a qualidade da estimula&#231;&#227;o proporcionada &#224; Mariana e a grande harmonia entre m&#227;e e crian&#231;a s&#227;o talvez as principais caracter&#237;sticas do processo interactivo desta d&#237;ade ao longo destes anos. Demonstrando grande sensibilidade e conhecimento dos interesses da Mariana, a m&#227;e sempre a conseguiu interessar por tarefas estimulantes do ponto de vista cognitivo &#8212; algumas das quais aconselhadas pela t&#233;cnica de interven&#231;&#227;o precoce &#8212; e sempre adequadas ao seu n&#237;vel de desenvolvimento: constru&#231;&#245;es, jogos de emparelhamento e identifica&#231;&#227;o de imagens, leitura e dramatiza&#231;&#227;o de hist&#243;rias infantis.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Segundo a m&#227;e referia, tudo aquilo que fazia durante os momentos de recolha dos dados era habitualmente feito com a Mariana nas alturas em que ambas estavam dispon&#237;veis. De facto, as interac&#231;&#245;es que presenci&#225;mos eram absolutamente naturais e o desgaste de alguns materiais, nomeadamente livros, mostrava-nos que estes eram frequentemente utilizados.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Desde muito cedo que a Mariana mostrou saber entreter-se sozinha, entregando-se a jogos com bonecas durante os quais ia verbalizando as suas ac&#231;&#245;es. A partir do momento em que a irm&#227; teve idade para brincar com ela, a m&#227;e sempre as envolveu &#224;s duas nas brincadeiras, ensinando-as a partilhara e a respeitar o ritmo lima da outra.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A atmosfera geral era assim de grande harmonia, havendo um prazer evidente de ambas nas actividades em que se envolviam.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><i>Conhecimento do desenvolvimento do beb&#233; e expectativas relativamente ao desenvolvimento futuro</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Desde a primeira entrevista na maternidade, esta m&#227;e soube adequar as expectativas relativas ao desenvolvimento da Mariana ao facto de esta ser portadora de s&#237;ndroma de Down. No decurso das entrevistas ao longo destes sete anos, demonstrou sempre n&#227;o s&#243; um conhecimento em pormenor das compet&#234;ncias da Mariana nas v&#225;rias &#225;reas e aspectos do seu desenvolvimento, e das evolu&#231;&#245;es conseguidas desde a &#250;ltima entrevista, assim como uma avalia&#231;&#227;o rigorosa do seu desenvolvimento quando comparada com uma crian&#231;a sem problemas. As realiza&#231;&#245;es que obt&#237;nhamos da Mariana durante a realiza&#231;&#227;o da escala de Griffiths, coincidiam, na sua grande maioria, com o que a m&#227;e nos tinha dito que ela era capaz de fazer.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Ao longo destes sete anos, os quocientes de desenvolvimento da Mariana nas v&#225;rias &#225;reas avaliadas atrav&#233;s da escala de Griffiths foram diminuindo, como &#233; habitual em crian&#231;as com s&#237;ndroma de Down que come&#231;am a ser avaliadas logo no primeiro ano de vida, sendo a maior quebra a que se registou entre os 24 e os 36 meses (<a href="/img/revistas/psi/v17n1/17n1a05q9.jpg">quadro 9</a>). A partir dessa idade, os v&#225;rios quocientes estabilizaram ou aumentaram ligeiramente, baixando novamente aos seis anos. De referir no entanto que na data da entrevista dos seis anos a Mariana estava muito pouco colaboradora, dizia abertamente que queria que fossemos embora para ela ir para a rua. Esta fraca colabora&#231;&#227;o, situa&#231;&#227;o que nela n&#227;o era habitual, pode ter levado a este abaixamento e explicar tamb&#233;m o aumento dos quocientes de desenvolvimento aos sete anos. De salientar ainda os quocientes bastante elevados nas &#225;reas pessoal social e de audi&#231;&#227;o e linguagem. O primeiro &#233; frequentemente uma &#225;rea pouco deficit&#225;ria neste tipo de crian&#231;as, mas o n&#237;vel de linguagem da Mariana &#233; claramente superior ao normal para crian&#231;as com s&#237;ndroma de Down, constituindo, no caso da Mariana, um aspecto facilitador de toda a sua integra&#231;&#227;o social e escolar.</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2"><i>Programa de Interven&#231;&#227;o Precoce</i>, <i>integra&#231;&#227;o pr&#233;-escolar e escolar</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">No primeiro m&#234;s de vida da Mariana, a m&#227;e foi a v&#225;rios servi&#231;os &#8212; alguns que lhe t&#237;nhamos indicado na primeira entrevista e outros que ela pr&#243;pria encontrou &#8212; e fez uma escolha absolutamente consciente do tipo de apoio que mais a satisfazia: apoio mensal por uma psic&#243;loga numa estrutura privada.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Embora todo o trabalho, que se mant&#233;m at&#233; hoje, tenha sido sempre feito na presen&#231;a e com a colabora&#231;&#227;o da m&#227;e, n&#227;o poderemos dizer que o programa de apoio fosse centrado na fam&#237;lia, mas podemos sem d&#250;vida alguma afirmar que esta m&#227;e se assumiu como a decisora em todo o processo, sendo suas as frases que transcrevemos, ditas ao longo destes anos e que denotam bem esse papel: &#34;Houve uma altura em que me preocupei muito com a estimula&#231;&#227;o... agora procuro que os momentos em que brinco com ela sejam agrad&#225;veis para mim e para ela... Comprei-lhe jogos did&#225;cticos e estamos-lhe a ensinar... A psic&#243;loga tem insistido no programa &#39;Aprender a ler para aprender a falar&#39; mas n&#243;s chateamo-nos muito com o trabalho de leitura dos nomes e ela tamb&#233;m, por isso n&#227;o temos insistido... A psic&#243;loga tem sido um grande apoio mas &#224;s vezes &#233; pouco flex&#237;vel... Tem ideias muito feitas e nem sempre as adapta ao que n&#243;s queremos&#34;.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Quando, aos 2; 6 a Mariana foi integrada num jardim de inf&#226;ncia regular, a psic&#243;loga passou a ir mensalmente trabalhar com a educadora da sala e, mais tarde, quando por indica&#231;&#227;o nossa passou a haver uma educadora de apoio educativo envolvida, essas reuni&#245;es contavam tamb&#233;m com a presen&#231;a dessa educadora, assegurando-se assim uma boa coordena&#231;&#227;o de servi&#231;os.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A decis&#227;o de in&#237;cio da escolaridade obrigat&#243;ria sem pedido de adiamento de escolaridade &#8212; situa&#231;&#227;o de excep&#231;&#227;o no nosso pa&#237;s em crian&#231;as com s&#237;ndroma de Down &#8212; foi tomada por todos os intervenientes no processo, por se considerar que a Mariana tinha as compet&#234;ncias necess&#225;rias para iniciar uma aprendizagem mais formal, tendo a m&#227;e plena consci&#234;ncia que as aquisi&#231;&#245;es escolares da Mariana n&#227;o seriam nunca ao ritmo das outras crian&#231;as.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Embora ao longo destes anos nunca tenhamos assumido um papel activo no programa de interven&#231;&#227;o precoce da Mariana, parece-nos importante salientar que esta m&#227;e soube recorrer a n&#243;s nas ocasi&#245;es em que sabia que poder&#237;amos ajudar: candidatura ao subs&#237;dio de educa&#231;&#227;o especial, orienta&#231;&#227;o para a equipa de coordena&#231;&#227;o dos apoios educativos da zona do jardim de inf&#226;ncia e apoio na escolha da escola b&#225;sica com melhores condi&#231;&#245;es para receber a Mariana e tamb&#233;m a irm&#227;, o que pressupunha que a escola tivesse simultaneamente jardim de inf&#226;ncia e ATL.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A sensibilidade da m&#227;e da Mariana, a complementaridade de pap&#233;is integralmente assumida no casal e o uso adequado das redes formais e informais de apoio, e a qualidade do programa de interven&#231;&#227;o precoce, permitiram que a previs&#227;o feita por n&#243;s no final do primeiro ano de vida se concretizasse em pleno e que a Mariana mantenha um adequado n&#237;vel de desenvolvimento em rela&#231;&#227;o &#224; defici&#234;ncia que tem.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Discuss&#227;o</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O primeiro aspecto a salientar destes quatro estudos de caso &#233; o facto de que, mesmo numa amostra t&#227;o reduzida como a nossa, pudemos encontrar uma variabilidade consider&#225;vel nas caracter&#237;sticas intelectuais e psicol&#243;gicas destas crian&#231;as e das suas fam&#237;lias, o que, de acordo com Mahoney, O&#39;Sullivan e Robinson (1992) e Spiker e Hopman (1997) vem contrariar o que dizem os estere&#243;tipos referentes a estas crian&#231;as, quando salientam a homogeneidade dos indiv&#237;duos portadores de s&#237;ndroma de Down. H&#225; no entanto algumas semelhan&#231;as entre as quatro situa&#231;&#245;es estudadas, que analisaremos em primeiro lugar.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Tal como referem os trabalhos de Morss (1985, citado por Coutinho, 1999) e os de Cicchetti e Beeghly (1990), as crian&#231;as do nosso estudo tiveram uma sequ&#234;ncia de desenvolvimento semelhante &#224; das crian&#231;as normais, embora com um ritmo mais lento, demonstrando uma organiza&#231;&#227;o global coerente, com estreita rela&#231;&#227;o entre as v&#225;rias &#225;reas do desenvolvimento.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os dados relativos ao desenvolvimento das crian&#231;as avaliadas atrav&#233;s da escala de Griffiths, apresentados nos <a href="/img/revistas/psi/v17n1/17n1a05q3.jpg">quadros 3</a>, <a href="/img/revistas/psi/v17n1/17n1a05q5.jpg">5</a>, <a href="/img/revistas/psi/v17n1/17n1a05q7.jpg">7</a> e <a href="/img/revistas/psi/v17n1/17n1a05q9.jpg">9</a>, mostram tamb&#233;m que, embora no final do primeiro ano de vida os quocientes de desenvolvimento tivessem um valor m&#233;dio de cerca de 80, houve, em todas as situa&#231;&#245;es, um decl&#237;nio acentuado desse desenvolvimento ao longo dos anos, tal como &#233; verificado em todos os estudos relativos a estas crian&#231;as anteriormente citados.</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">O <a href="/img/revistas/psi/v17n1/17n1a05q10.jpg">quadro 10</a> permite analisar com maior pormenor as quebras no desenvolvimento ao longo dos sete primeiros anos de vida. Tal como verific&#225;mos ao longo do estudo longitudinal de cada uma das crian&#231;as, estas tiveram evolu&#231;&#245;es diferentes nas v&#225;rias &#225;reas de desenvolvimento. Salientamos o &#250;nico desvio com sinal positivo &#8212; &#225;rea de audi&#231;&#227;o e linguagem da Mariana &#8212; que no final dos sete anos tem um quociente de desenvolvimento claramente mais elevado. Esta &#233; a &#250;nica das nossas crian&#231;as que n&#227;o tem trissomia 21 livre, mas sim uma transloca&#231;&#227;o do cromossoma 14, o que est&#225; habitualmente associado nos v&#225;rios estudos a um menor d&#233;fice intelectual (Coutinho, 1999). Contudo, e neste caso particular, parece-nos que essa n&#227;o ser&#225; a &#250;nica raz&#227;o desta diferen&#231;a. De facto, aos 12 meses, o seu OD era semelhante ao das outras crian&#231;as e, na &#225;rea da audi&#231;&#227;o e linguagem, era a que tinha um n&#237;vel mais baixo. Pensamos assim que este progresso se deve fundamentalmente &#224; qualidade da interac&#231;&#227;o m&#227;e-crian&#231;a, da vida do casal e do programa de interven&#231;&#227;o precoce.</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">Apesar das semelhan&#231;as acima referidas, diferen&#231;as entre as v&#225;rias fam&#237;lias, as caracter&#237;sticas individuais das m&#227;es e do seu estilo parental apareceram logo nas entrevistas que tivemos durante o primeiro ano de vida das crian&#231;as e foram-se acentuando ao longo destes sete anos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os dados do nosso estudo v&#227;o ao encontro dos modelos de Belsky (1984) e sobretudo de Guaralnick (1997,1998) j&#225; citados, que referem que as caracter&#237;sticas da fam&#237;lia e os padr&#245;es familiares, nomeadamente a interac&#231;&#227;o m&#227;e-crian&#231;a e a forma como a m&#227;e lida com os factores de stresse associados ao facto de ter uma crian&#231;a com defici&#234;ncia est&#227;o associados a um melhor desenvolvimento dos seus filhos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">As fases do processo de adapta&#231;&#227;o por que todas as m&#227;es passaram, assemelham-se &#224;s descritas por Tanaka e Niwa (1991) e algumas das frases que transcrevemos s&#227;o tamb&#233;m semelhantes &#224;s citadas no trabalho de Roll-Petersson (2001). No entanto h&#225; diferen&#231;as muito significativas na forma como estas quatro m&#227;es vivem a sua situa&#231;&#227;o e os modelos em que as diversas fases de luto e adapta&#231;&#227;o aparecem linear e sequencialmente ao longo dos anos, n&#227;o nos parecem poder explicar a diversidade dos sentimentos destas m&#227;es ao longo destes sete anos de vida, a sua necessidade de viver o dia-a-dia (m&#227;e da Mariana), os momentos em que tudo parece voltar ao princ&#237;pio (m&#227;e do Jo&#227;o Paulo), a revolta por ser uma doen&#231;a t&#227;o estigmatizante (m&#227;e da Catarina) e a impossibilidade de se conformar perante a situa&#231;&#227;o (m&#227;e do H&#233;lder). Os resultados da escala de sentimentos e atitudes apresentados nos <a href="/img/revistas/psi/v17n1/17n1a05q2.jpg">quadros 2</a>, <a href="/img/revistas/psi/v17n1/17n1a05q4.jpg">4</a>, <a href="/img/revistas/psi/v17n1/17n1a05q6.jpg">6</a> e <a href="/img/revistas/psi/v17n1/17n1a05q8.jpg">8</a>, nomeadamente nas subescalas &#34;ansiedade excessiva&#34; e &#34;tend&#234;ncia depressiva&#34;, apontam tamb&#233;m para a exist&#234;ncia de diferen&#231;as entre estas quatro m&#227;es.</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">A directividade excessiva, que &#233; frequentemente apontada &#224;s m&#227;es de crian&#231;as com  	defici&#234;ncia (Tannock, 1988), apenas foi aparente na m&#227;e do H&#233;lder e, na medida em que essa directividade impedia a m&#227;e de  	dar uma resposta adequada &#224;s iniciativas da crian&#231;a, teve efeitos bastante nocivos. Interrogamo-nos ali&#225;s, tal como Mahoney  	(1988) e Mahoney, Fors e Wood (1990), se o seu estilo interactivo, em que m&#227;e e filho parecem ignorar as iniciativas um do outro, n&#227;o  	ter&#225; sido resultado do tipo de programa de interven&#231;&#227;o precoce que a apoiou e que se centrou exclusivamente no treino de  	compet&#234;ncias da crian&#231;a, num estilo tamb&#233;m muito directivo. Em completa oposi&#231;&#227;o temos a m&#227;e da Catarina, que se  	&#34;deixava levar&#34; pelas iniciativas da filha e as seguia com sensibilidade, embora sem grande elabora&#231;&#227;o. As m&#227;es do  	Jo&#227;o Paulo e da Mariana sempre lideraram as situa&#231;&#245;es interactivas, conseguindo no entanto manter o interesse e a ades&#227;o  	dos seus filhos. N&#227;o podemos no entanto deixar de referir as enormes diferen&#231;as no estilo destas duas m&#227;es, nomeadamente no que  	se refere ao conte&#250;do das actividades propostas, &#224; elabora&#231;&#227;o simb&#243;lica e &#224;s qualidades de estimula&#231;&#227;o  	que, no caso da m&#227;e da Mariana, contribu&#237;ram decisivamente para o bom desenvolvimento da sua filha. O tipo de interac&#231;&#227;o  	desta d&#237;ade mostra claramente que &#233; poss&#237;vel ter um estilo interactivo directivo e simultaneamente ser sens&#237;vel e  	responder adequadamente &#224;s actividades e foco de aten&#231;&#227;o das crian&#231;as (Marfo, 1990, citado por Spiker &#38;  	Hopmann, 1997), o que Crawley e Spiker (1983) mostraram estar associado a quocientes de desenvolvimento mais elevados.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Relativamente ao apoio que estas fam&#237;lias tiveram, as quatro situa&#231;&#245;es estudadas tiveram tamb&#233;m modelos de apoio diferentes, que em certa medida espelham o que, no nosso pa&#237;s, &#233; feito no caso de crian&#231;as com defici&#234;ncia. Talvez em virtude do nosso trabalho, todos os casos foram sinalizados muito precocemente e iniciaram programas de interven&#231;&#227;o precoce nos primeiros seis meses de vida. O impacte desses programas, todavia, n&#227;o foi id&#234;ntico em todas as situa&#231;&#245;es. Enquanto no caso da m&#227;e do H&#233;lder, como j&#225; referimos, o programa nos parece ter sido totalmente desfasado das reais necessidades da m&#227;e, o apoio da m&#227;e da Mariana parece ter sido aquele que melhor se adequou aos desejos da fam&#237;lia, envolvendo a m&#227;e e, posteriormente, a educadora. Ali&#225;s, este foi o &#250;nico programa em que a m&#227;e continuou envolvida e participante mesmo ap&#243;s a entrada no jardim de inf&#226;ncia. Quanto &#224; m&#227;e da Catarina, interrogamo-nos ainda se tudo se teria passado da mesma forma se ela mantivesse o apoio que lhe fora proposto. Cremos que a crise pela qual passou cerca dos tr&#234;s anos e meio, n&#227;o teria assumido as propor&#231;&#245;es que teve se esta m&#227;e estivesse acompanhada em termos de interven&#231;&#227;o precoce. Quanto ao Jo&#227;o Paulo, j&#225; foc&#225;mos as consequ&#234;ncias negativas que teve o facto de o apoio centrado na fam&#237;lia, de que a m&#227;e beneficiou at&#233; &#224; entrada para o jardim de inf&#226;ncia, ter sido substitu&#237;do por um apoio centrado na crian&#231;a, exclusivamente no contexto pr&#233;-escolar, o que pode estar a contribuir para uma quebra no seu desenvolvimento global superior &#224; das outras crian&#231;as a partir do terceiro ano de vida (cf. <a href="/img/revistas/psi/v17n1/17n1a05q10.jpg">quadro 10</a>).</font></p>          
]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Dado o pequeno n&#250;mero de situa&#231;&#245;es analisadas, o estudo longitudinal que temos vindo a desenvolver n&#227;o pode comparar-se a nenhum dos trabalhos do mesmo tipo de que temos conhecimento, nomeadamente os de Carr (1988), Crombie, Gunn e Hayes (1991) e Rynders e Horobin (1990), todos citados por Spiker e Hopmann (1997), que seguiram um numeroso grupo de crian&#231;as at&#233; aos 21 anos, no caso do primeiro trabalho, e at&#233; &#224; adolesc&#234;ncia, no caso dos restantes. Tamb&#233;m os objectivos do trabalho de Shonkoff, Hause-Gram, Krauss e Upshur (1992) e do trabalho seguinte da mesma equipa (Hause-Gram, Warfield, Shonkoff &#38; Krauss, 2001) s&#227;o muito mais ambiciosos do que os nossos. Pensamos no entanto que o car&#225;cter qualitativo deste tipo de trabalho e o facto de nele estarem inclu&#237;dos n&#227;o s&#243; dados relativos &#224; crian&#231;a como factores relativos &#224;s fam&#237;lias pode constituir uma mais-valia no panorama actual da investiga&#231;&#227;o, nomeadamente em Portugal, onde n&#227;o conhecemos nenhum trabalho longitudinal desta natureza. Esperemos que possa contribuir para uma melhoria das condi&#231;&#245;es de atendimento &#224;s crian&#231;as e fam&#237;lias portuguesas, e que, cada vez mais, saibamos equacionar, em cada situa&#231;&#227;o, as caracter&#237;sticas do programa de apoio que melhor se adequem &#224;s caracter&#237;sticas da fam&#237;lia e &#224;s caracter&#237;sticas da crian&#231;a que recorrem aos nossos servi&#231;os.</font></p>                  <p>&nbsp;</p>         <p><font face="Verdana" size="2"><b>Refer&#234;ncias</b></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Barnard, K. (1997). Influencing parent-child interaction for children at risk. In M. Guralnick (Ed.) <i>The efectiveness of early intervention</i> (pp. 249-268). Baltimore: P. H. Brooks.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=477954&pid=S0874-2049200300010000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Barnard, K., &#38; Kelly, J. (1990). Assessment of parent-child interaction. In S. J. Meisels &#38; J. P. Shonkoff (Eds.), <i>Handbook of early intervention</i> (pp. 278-302). Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=477956&pid=S0874-2049200300010000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Beckwith, L. (1990). Adaptative and maladaptative parenting-implications for intervention. In S. J. Meisels &#38; J. P. Shonkoff (Eds.), <i>Handbook of early intervention</i> (pp. 53-77). Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=477958&pid=S0874-2049200300010000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Belsky, J. (1984). The determinants of parenting: A process model. <i>Child Development, 55,</i> 83-96.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=477960&pid=S0874-2049200300010000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Bromwich, R. (1990). The interaction approach to early intervention. <i>Infant Mental Health Journal, II</i> (1), 66-79.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=477962&pid=S0874-2049200300010000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Brown, W., Thurman, S. K., &#38; Pearl, L. (Eds.) (1993). <i>Family-centered early intervention with infants and toddlers.</i> Baltimore: P. H. Brooks.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=477964&pid=S0874-2049200300010000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Cicchetti, D., &#38; Beeghly, M. (Eds.) (1990). <i>Children with Down syndrome: A developmental perspective.</i> Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=477966&pid=S0874-2049200300010000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Coutinho, T. B. (1999). <i>Interven&#231;&#227;o Precoce: Estudo dos efeitos de um programa deforma&#231;&#227;o parental destinado a pais de crian&#231;as com s&#237;ndroma de Down.</i> Tese de doutoramento n&#227;o publicada. Lisboa: Faculdade de Motricidade Humana da Universidade T&#233;cnica de Lisboa.</font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Crawley, S. B., &#38; Spiker, D. (1983). Mother-child interactions involving two-year-olds with Down syndrome: A look at individual differences. <i>Child Development, 54, </i>1312-1323.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=477969&pid=S0874-2049200300010000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Cmic, K. A., Friedrich, W. N., &#38; Greenberg, M. T. (1983). Adaptation of families with mentally retarded children: A model of stress, coping, and family ecology. <i>American Journal of Mental Deficiency; 88</i> (2), 125-138.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=477971&pid=S0874-2049200300010000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Dunst, C. J., Trivette, C. M., &#38; Deal, A. G. (1988). <i>Enabling and empowering families: Principles and guidelines for practice.</i> Cambridge: Brookline Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=477973&pid=S0874-2049200300010000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Dunst, C. J., Trivette, C. M., &#38; Deal, A. G. (1994). <i>Supporting and strengthening families: Methods, strategies and practices.</i> Cambridge: Brookline Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=477975&pid=S0874-2049200300010000500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Engfer, A., &#38; Gavranidou, M. (1986). Antecedents and consequences of maternal sensitivity: A longitudinal study. In H. Rauh &#38; H. C. Steinhausen (Eds.), <i>Psychobiology and early development.</i> Amesterd&#227;o: North Holland.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=477977&pid=S0874-2049200300010000500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Farran, D. C., Kasari, C, Comfort, M., &#38; Jay, S. (1986). <i>Parent / caregiver involvement scale.</i> Greensboro: University of North Carolina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=477979&pid=S0874-2049200300010000500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Goldman, B. D., &#38; Johnson-Martin, N. (1986). S. <i>B. Crawley; &#38; D. Spiker mother-child rating scales-modified version.</i> Manuscript from Child Development Center. Chapel Hill: University of North Carolina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=477981&pid=S0874-2049200300010000500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Griffiths, R. (1954). <i>The abilities of babies.</i> Londres: University of London Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=477983&pid=S0874-2049200300010000500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Guralnick, M. J. (1997). <i>The effectivness of early intervention.</i> Baltimore: Paul H. Brooks.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=477985&pid=S0874-2049200300010000500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Guralnick, M. (1998). Effectiveness of early intervention for vulnerable children: A developmental perspective. <i>American Journal on Mental Retardation, 102</i> (4), 319-345.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=477987&pid=S0874-2049200300010000500018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Hauser-Gram, R, Warfield, M. E., Shonkoff, J., &#38; Krauss, M. (2001). Children with disabilities: A longitudinal study of child development and parent well being. <i>Monographs of the Society for the Research in Child Development, 66,</i> (3, serial N.&#176; 266).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=477989&pid=S0874-2049200300010000500019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Hodapp, R. M. (1988). The role of maternal emotions and perceptions in interactions with young handicapped children. In K. Morfo (Ed.), <i>Parent-child interaction and developmental disabilities-theory, research and intervention</i> (pp. 32-46). Nova Iorque: Preager.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=477991&pid=S0874-2049200300010000500020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Kelly, J., &#38; Barnard, K. (2000). Assessment of parent-child interaction: Implications for early intervention. In J. P. Shonkoff &#38; S. J. Meisels (Eds.), <i>Handbook of early intervention</i> (pp. 258-289). Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=477993&pid=S0874-2049200300010000500021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Leit&#227;o, F. R. (1994). <i>Interac&#231;&#227;o m&#227;e-crian&#231;a e actividade simb&#243;lica.</i> Lisboa: Secretariado Nacional para a Reabilita&#231;&#227;o e Integra&#231;&#227;o das Pessoas com Defici&#234;ncia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=477995&pid=S0874-2049200300010000500022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Leit&#227;o, F. R. (2000). Comportamento di&#225;dico e actividade simb&#243;lica na crian&#231;a normal e na crian&#231;a com s&#237;ndroma de Down. In F. R. Leit&#227;o (Org.), <i>A interven&#231;&#227;o precoce e a crian&#231;a com s&#237;ndroma de Down: Estudos sobre interac&#231;&#227;o.</i> Porto: Porto Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=477997&pid=S0874-2049200300010000500023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Lester, B. M. (1992). Infants and their families at risk: Assessment and intervention. <i>Infant Mental Health Journal, 13</i> (1), 54-66.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=477999&pid=S0874-2049200300010000500024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Mahoney, G. (1988a). Maternal comunication style with mentally retarded children. <i>American Journal of Mental Retardation, 92</i> (4), 352-359.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478001&pid=S0874-2049200300010000500025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Mahoney, G. (1988b). Enhancing the developmental competence of handicapped infants. In K. Marfo (Ed.), <i>Parent-child interaction and developmental disabilities-theory, research and intervention</i> (pp. 203-219). Nova Iorque: Preager.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478003&pid=S0874-2049200300010000500026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Mahoney, G., Fors, S., &#38; Wood, S. (1990). Maternal directive behaviour revisited. <i>American Journal on Mental Retardation, 94</i> (4), 398-406.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478005&pid=S0874-2049200300010000500027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Mahoney, G., O&#39;Sullivan, R, &#38; Robinson, C. (1992). The family environments of children with disabilities: Diverse but not so different. <i>Topics in Early Childhood Special Education, 12</i> (3), 386-402.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478007&pid=S0874-2049200300010000500028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Mahoney, G., Robinson, C, &#38; Powell, A. (1992). Focusing on parent-child interaction: The bridge to developmentally appropriate practices. <i>Topics in Early Childhood Special Education,</i> 22 (1), 105-120.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478009&pid=S0874-2049200300010000500029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Marfo, K. (Ed.) (1988). <i>Parent-child interaction and developmental disabilities-theory, research and intervention.</i> Nova Iorque: Preager.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478011&pid=S0874-2049200300010000500030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Peterson, N. L. (1988). <i>Early intervention for handicapped and at-risk children.</i> Denver: Love Publishing Company.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478013&pid=S0874-2049200300010000500031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Pimentel, J. S. (1997). Um beb&#233; diferente: Da individualidade da interac&#231;&#227;o &#224; especificidade da interven&#231;&#227;o. Lisboa: Secretariado Nacional para a Reabilita&#231;&#227;o e a Integra&#231;&#227;o das Pessoas com Defici&#234;ncia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478015&pid=S0874-2049200300010000500032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Pimentel, J. S. (1998). Um beb&#233; diferente. <i>An&#225;lise Psicol&#243;gica, 1</i> (XVI), 49-64.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478017&pid=S0874-2049200300010000500033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Roll-Petersson, L. (2001). Parents talk about how it feels to have a child with a cognitive desability. <i>European Journal os Special Needs Education</i>, 16 (1), 1-14.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478019&pid=S0874-2049200300010000500034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Sameroff, A. J., &#38; Fiese, B. H. (1990). Transactional regulation and early intervention. In S. J. Meisels &#38; J. P. Shonkoff (Eds.), <i>Handbook of early intervention</i> (pp. 119-149). Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478021&pid=S0874-2049200300010000500035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Sameroff, A. J., &#38; Fiese, B. H. (2000). Transactional regulation: the developmental ecology of early intervention. In S. J. Meisels &#38; J. P. Shonkoff (Eds.), <i>Handbook of early intervention</i> (pp. 135-159). Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478023&pid=S0874-2049200300010000500036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Sarimski, K. (1996). Parenting stress in early intervention. In M. Brambring, H. Rauh, &#38; A. Beemann (Eds.), <i>Early childhood intervention</i> (pp. 208-218). Berlim: Walter de Gruyter.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478025&pid=S0874-2049200300010000500037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Shonkoff, J. R, Hause-Gram, R, Krauss, M. W., &#38; Upshur, C. C. (1992). Development of infants with disabilities and their families. <i>Monographs of the Society for the Research in Child Development, 57</i> (6, serial N.&#176; 230).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478027&pid=S0874-2049200300010000500038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Skinner, E. (1985). Determinants of mother sensitive and contingent responsive behavior: The role of childrearing beliefs and socioeconomic status. In I. E. Sigel (Ed.), <i>Parental belief systems</i> (pp. 51-82). Nova Iorque: Erlbaum.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478029&pid=S0874-2049200300010000500039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Smith, C. R., Selz, L. J., Bingham, E., Aschenbrenner, B., Standbury, K., &#38; Leiderman, P. (1985). Mothers<sup>7</sup> perceptions of handicapped and normal children. In J. E. Stevenson (Ed.), <i>Recent research in developmental psychopathology</i> (pp. 111-124). Oxford: Pergamon Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478031&pid=S0874-2049200300010000500040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Solnit, A. J., &#38; Stark, M. H. (1961). Mourning at the birth of a defective child. <i>Psychoanalitic Study of the Child, 16,</i> 523-537.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478033&pid=S0874-2049200300010000500041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Spiker, D., &#38; Hopmann, M. R. (1997). The effectiveness of early intervention for children with Down syndrome. In M. J. Guralnick (Ed.), <i>The effectivness of early intervention </i>(pp. 271-305). Baltimore: Paul H. Brooks.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478035&pid=S0874-2049200300010000500042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Tanaka, C., &#38; Niwa, Y. (1991). The adaptation process of mothers to the birth of children with Down syndrome and its psychotherapeutic assistance: A retrospective approach. <i>Infant Mental Health Journal, 12</i> (1), 41-54.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478037&pid=S0874-2049200300010000500043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Tannock, R. (1988). Mother&#39;s directiveness in their interactions with their children with or without Down syndrome. <i>American Journal on Mental Retardation, 93</i> (2), 154-165.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478039&pid=S0874-2049200300010000500044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Yin, R. (1984). <i>Case-study research: Design and methods.</i> Beverley Hills: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478041&pid=S0874-2049200300010000500045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>               <p>&nbsp;</p>         <p><font face="Verdana" size="2"><b>Notas</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top1"><sup>1</sup></a><a name="1"></a>O trabalho inicial foi feito no &#226;mbito do mestrado em psicologia educacional da investigadora principal.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top2"><sup>2</sup></a><a name="2"></a>Recorde-se que um dos cinco beb&#233;s estudados durante o primeiro ano de vida faleceu aos treze meses.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top3"><sup>3</sup></a><a name="3"></a>Apenas uma das crian&#231;as iniciou a escolaridade aos seis anos, sem adiamento.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top4"><sup>4</sup></a><a name="4"></a>No primeiro ano de vida as d&#237;ades foram observadas nas primeiras 48 horas de vida e depois no primeiro, terceiro, sexto, nono e d&#233;cimo segundo meses.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top5"><sup>5</sup></a><a name="5"></a>Por motivo de acidente da investigadora principal ocorrido em 1999, n&#227;o foi poss&#237;vel realizar a observa&#231;&#227;o prevista para os cinco anos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top6"><sup>6</sup></a><a name="6"></a>Nesta escala, as pontua&#231;&#245;es v&#227;o de 1 a 5 e o valor m&#225;ximo corresponde sempre a sentimentos positivos: satisfa&#231;&#227;o com o beb&#233; e inexist&#234;ncia de sobrecarga, frustra&#231;&#227;o, ansiedade ou depress&#227;o.</font></p>         ]]></body>
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