<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0874-2049</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Psicologia]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Psicologia]]></abbrev-journal-title>
<issn>0874-2049</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Associação Portuguesa de Psicologia (APP)Edições Colibri]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0874-20492003000100008</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.17575/rpsicol.v17i1.443</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A abordagem experiencial em intervenção precoce: na formação, supervisão e intervenção]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[An experiential approach in early intervention: in training, supervision and intervention]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Portugal]]></surname>
<given-names><![CDATA[Gabriela]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Santos]]></surname>
<given-names><![CDATA[Paula]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade de Aveiro Departamento de Ciências da Educação ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>01</month>
<year>2003</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>01</month>
<year>2003</year>
</pub-date>
<volume>17</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>161</fpage>
<lpage>177</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0874-20492003000100008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0874-20492003000100008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0874-20492003000100008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[O sucesso da Intervenção Precoce (IP) depende dos processos vividos pelas famílias no seu percurso para se tomarem emancipadas, capazes, com poder, com sentido de controlo sobre as suas próprias vidas, educando e criando as suas crianças, participando nas comunidades em que vivem. O modelo de educação experiencial (EDEX), numa procura de apreensão do vivido da criança como ponto de referência para a intervenção, tem como objectivo último a formação de uma pessoa emancipada. Em EDEX e IP, o bem-estar emocional e a implicação das crianças/famílias são cruciais, sendo determinante a qualidade do suporte dos profissionais de educação e IP. Este suporte dinamiza-se em tomo de três dimensões essenciais: sensibilidade, estimulação e promoção da autonomia das crianças/famílias. Neste quadro, torna-se imperativo o desenvolvimento de supervisão suportiva do processo de crescimento e desenvolvimento dos profissionais nas dimensões assinaladas, ela própria caracterizada por estimulação, sensibilidade e autonomia do outro.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Early Intervention (El) is a family centred process, having as ultimate desired outcome, the development and well being of 0-6 children at risk of developmental delay (due to established, biological or environmental factors). Its success depends on the processes lived by their families, on their strive to become capable, empowered, in control of their own lives, raising their children, participating in the communities they live in, experiencing feelings of emotional well being and involvement. In order to support families in their strive to acquire all those strengths that make them families, the role played by professionals capable of being sensitive, stimulating and promoting autonomy of families is crucial. Scaffolding the professionals on their strive of acquiring competencies to develop the relational process underlying El, we present a training, supervision and evaluating model of El based on an experiential approach.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Intervenção precoce]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[abordagem experiencial]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[supervisão]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[estilos interactivos]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[estimulação]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[sensibilidade e autonomia]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="4"><b>A abordagem experiencial em interven&#231;&#227;o precoce na forma&#231;&#227;o, supervis&#227;o e interven&#231;&#227;o</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>An experiential approach in early intervention: in training, supervision and intervention</b></font></p>              <p>&nbsp;</p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Gabriela Portugal<sup>1</sup>; Paula Santos<sup>2</sup></b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><sup>1-2</sup>Departamento de Ci&#234;ncias da Educa&#231;&#227;o da Universidade de Aveiro.</font></p>      <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O sucesso da Interven&#231;&#227;o Precoce (IP) depende dos processos vividos pelas fam&#237;lias no seu percurso para se tomarem emancipadas, capazes, com poder, com sentido de controlo sobre as suas pr&#243;prias vidas, educando e criando as suas crian&#231;as, participando nas comunidades em que vivem. O modelo de educa&#231;&#227;o experiencial (EDEX), numa procura de apreens&#227;o do vivido da crian&#231;a como ponto de refer&#234;ncia para a interven&#231;&#227;o, tem como objectivo &#250;ltimo a forma&#231;&#227;o de uma pessoa emancipada. Em EDEX e IP, o bem-estar emocional e a implica&#231;&#227;o das crian&#231;as/fam&#237;lias s&#227;o cruciais, sendo determinante a qualidade do suporte dos profissionais de educa&#231;&#227;o e IP. Este suporte dinamiza-se em tomo de tr&#234;s dimens&#245;es essenciais: sensibilidade, estimula&#231;&#227;o e promo&#231;&#227;o da autonomia das crian&#231;as/fam&#237;lias. Neste quadro, torna-se imperativo o desenvolvimento de supervis&#227;o suportiva do processo de crescimento e desenvolvimento dos profissionais nas dimens&#245;es assinaladas, ela pr&#243;pria caracterizada por estimula&#231;&#227;o, sensibilidade e autonomia do outro.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave</b> Interven&#231;&#227;o precoce, abordagem experiencial, supervis&#227;o, estilos interactivos, estimula&#231;&#227;o, sensibilidade e autonomia.</font></p>      <hr size="1" noshade>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>              ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Early Intervention (El) is a family centred process, having as ultimate desired outcome, the development and well being of 0-6 children at risk of developmental delay (due to established, biological or environmental factors). Its success depends on the processes lived by their families, on their strive to become capable, empowered, in control of their own lives, raising their children, participating in the communities they live in, experiencing feelings of emotional well being and involvement. In order to support families in their strive to acquire all those strengths that make them <i>families,</i> the role played by professionals capable of being sensitive, stimulating and promoting autonomy of families is crucial. <i>Scaffolding</i> the professionals on their strive of acquiring competencies to develop the relational process underlying El, we present a training, supervision and evaluating model of El based on an experiential approach.</font></p>      <hr size="1" noshade>         <p>&nbsp;</p>              <p><font face="Verdana" size="2"><b>Introdu&#231;&#227;o: das rela&#231;&#245;es mais precoces ao desenvolvimento... e &#224; organiza&#231;&#227;o de um programa de interven&#231;&#227;o precoce</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Pais e profissionais da inf&#226;ncia sabem bem que os beb&#233;s necessitam de cuidados calorosos e responsivos para se desenvolverem bem. Sabem tamb&#233;m que a aprendizagem tem lugar no contexto de importantes rela&#231;&#245;es interpessoais. Se a melhor forma de ajudar crian&#231;as muito pequenas a crescerem curiosas, confiantes, aprendizes capazes, &#233; fornecer-lhes cuidados consistentes e calorosos (que estar&#227;o na base do estabelecimento de rela&#231;&#245;es de vincula&#231;&#227;o seguras com adultos significativos), a qualidade dos cuidados e rela&#231;&#245;es de vincula&#231;&#227;o seguras tamb&#233;m parece afectar as futuras capacidades de empatia, regula&#231;&#227;o emocional e controlo comportamental da crian&#231;a (Shonkoff &#38; Phillips, 2000).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Se experi&#234;ncias precoces positivas t&#234;m efeitos positivos no bem-estar emocional e desenvolvimento da crian&#231;a &#8212; promovendo a sua resili&#234;ncia &#8212;, experi&#234;ncias negativas (depress&#227;o materna, toxicodepend&#234;ncia, institucionaliza&#231;&#227;o, lares ca&#243;ticos, cuidados negligentes ou abusivos,...) associam-se comummente a n&#237;veis mais elevados de problemas comportamentais e de aprendizagem no per&#237;odo pr&#233;-escolar e escolar, acontecendo que muitas das experi&#234;ncias adversas s&#227;o exacerbadas pela pobreza. Admiravelmente, apesar dos efeitos adversos da pobreza, algumas crian&#231;as parecem desenvolver-se bem... A investiga&#231;&#227;o indica que entre os factores de protec&#231;&#227;o que tomam estas crian&#231;as mais resilientes, a exist&#234;ncia de uma rela&#231;&#227;o de vincula&#231;&#227;o segura parece ser crucial e que os factores cr&#237;ticos que parecem capacitar os adultos a cuidar bem das suas crian&#231;as, mesmo em situa&#231;&#245;es de pobreza, incluem: compreens&#227;o acerca do desenvolvimento da crian&#231;a, apoio social e psicol&#243;gico (Egeland, Carlson &#38; Sroufe, 1993). Fam&#237;lias de risco, ou fam&#237;lias que experienciam situa&#231;&#245;es de grande adversidade, que usufruem de redes de apoio social, parecem ser mais capazes de assegurar um ambiente equilibrado e psicologicamente nutriente &#224;s suas crian&#231;as, facilitando, em consequ&#234;ncia, o seu desenvolvimento* Parece n&#227;o haver d&#250;vida de que, se todos os pais beneficiam de informa&#231;&#245;es &#250;teis e de apoios adequados &#224; medida que educam as suas crian&#231;as, alguns necessitam de um apoio mais intenso e pr&#243;ximo. Os esfor&#231;os para apoiar e capacitar as fam&#237;lias parecem ter caracter&#237;sticas &#34;protectoras&#34; ao facilitarem o bem-estar e desenvolvimento da pr&#243;pria fam&#237;lia. Interven&#231;&#245;es consistentes, bem concebidas, atempadas (quanto mais cedo, melhor) podem melhorar o futuro de muitas crian&#231;as consideradas em risco de desenvolvimento cognitivo, social ou emocional. Uma interven&#231;&#227;o adequada poder&#225; mesmo melhorar situa&#231;&#245;es frequentemente consideradas inelut&#225;veis, como perturba&#231;&#245;es gen&#233;ticas ou problemas neurol&#243;gicos, tais como autismo, atraso mental, ou outras situa&#231;&#245;es normalmente designadas como necessidades educativas especiais (Shore, 1997). Assim, embora importe investir em v&#225;rios n&#237;veis da ecologia da fam&#237;lia (p. ex., investimento em creches de elevada qualidade), destacamos aqui a import&#226;ncia de programas de interven&#231;&#227;o precoce bem sustentados e organizados.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Em Portugal, a Interven&#231;&#227;o Precoce (IP) &#233; um programa dirigido a crian&#231;as com menos de seis anos de idade, com defici&#234;ncia ou em risco de atraso desenvolvimental, e suas fam&#237;lias, procurando apoiar e promover o bem-estar e desenvolvimento f&#237;sico, social, emocional e cognitivo das crian&#231;as. Envolve servi&#231;os de educa&#231;&#227;o, sa&#250;de e seguran&#231;a social, permitindo a cria&#231;&#227;o de equipas multiprofissionais, trabalhando colaborativamente a n&#237;vel local. Ao n&#237;vel de cada equipa local existe um t&#233;cnico de interven&#231;&#227;o directa junto da fam&#237;lia (a pessoa-chave para a fam&#237;lia ou visitador domicili&#225;rio). De acordo com o despacho conjunto 891/99, em cada distrito existe uma equipa de coordena&#231;&#227;o que planifica, acompanha e avalia o desenvolvimento da IP na &#225;rea geogr&#225;fica da sua coordena&#231;&#227;o. Neste contexto, foi solicitada &#224; Universidade de Aveiro &#8212; Departamento de Ci&#234;ncias da Educa&#231;&#227;o (UA), a participa&#231;&#227;o no Projecto de Interven&#231;&#227;o Precoce de Aveiro (PIPA) ao n&#237;vel da equipa de coordena&#231;&#227;o distrital, associando-se aos servi&#231;os locais de Educa&#231;&#227;o, Sa&#250;de e Seguran&#231;a Social, sendo-lhe atribu&#237;das as seguintes fun&#231;&#245;es:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; procurar garantir que o curr&#237;culo de forma&#231;&#227;o de educadores de inf&#226;ncia inclua conhecimentos que facilitem a sua inser&#231;&#227;o e estimulem a investiga&#231;&#227;o no &#226;mbito da IP;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; facilitar a elabora&#231;&#227;o, realiza&#231;&#227;o e avalia&#231;&#227;o de projectos de forma&#231;&#227;o que atendam a necessidades levantadas pelos t&#233;cnicos;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; criar dispositivos de investiga&#231;&#227;o que acompanhem a implementa&#231;&#227;o e forne&#231;am indicadores de avalia&#231;&#227;o autoformativa dos profissionais e avalia&#231;&#227;o do impacte da IP.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A monitoriza&#231;&#227;o e avalia&#231;&#227;o s&#227;o sem d&#250;vida importantes elementos num programa de IP, fundamentando uma pr&#225;tica baseada em dados e evid&#234;ncias comprovadas. Um programa de IP que procura apoiar fam&#237;lias e crian&#231;as em risco, promovendo o seu bem-estar e desenvolvimento, prev&#234; implicitamente, a longo prazo, a preven&#231;&#227;o de futuros problemas pessoais, sociais e econ&#243;micos. Assiste-se hoje a uma crescente &#234;nfase nos dados das investiga&#231;&#245;es para fundamentar pr&#225;ticas e pol&#237;ticas sociais inovadoras. As no&#231;&#245;es de &#34;o que &#233; que funciona&#34;, &#34;porqu&#234;&#34; e &#34;o que &#233; que vale a pena fazer&#34; (Glass, 2001) com e para as crian&#231;as e fam&#237;lias, parecem ser no&#231;&#245;es-chave, quer para os investigadores, quer para os decisores e interventores. Os t&#233;cnicos de interven&#231;&#227;o directa que providenciam servi&#231;os &#224;s crian&#231;as de risco, na fam&#237;lia e comunidade, defrontam-se ami&#250;de com enormes desafios e tens&#245;es emocionais, solicitando refer&#234;ncias e apoios que lhes permitam desenvolver o processo relacional subjacente &#224; IP. Consequentemente, torna-se fundamental a exist&#234;ncia de um quadro conceptual robusto, elemento de refer&#234;ncia na forma&#231;&#227;o, supervis&#227;o, interven&#231;&#227;o, avalia&#231;&#227;o e interpreta&#231;&#227;o dos dados. Por conseguinte, pede-se &#224; UA que assegure o enquadramento conceptual do projecto (elegendo um modelo e identificando padr&#245;es de qualidade), que assegure forma&#231;&#227;o (de acordo com o modelo conceptual eleito), e que crie mecanismos de investiga&#231;&#227;o que forne&#231;am indicadores para uma auto-avalia&#231;&#227;o formativa dos t&#233;cnicos e sejam esclarecedores do impacte do PIPA no terreno.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Se a abordagem experiencial tem sido, nos &#250;ltimos anos, a op&#231;&#227;o na forma&#231;&#227;o inicial de educadores de inf&#226;ncia realizada na UA, ultimamente, esta abordagem tem-se-nos afigurado igualmente valiosa no quadro da forma&#231;&#227;o, supervis&#227;o e investiga&#231;&#227;o a desenvolver em IP. Na qualidade de elementos da equipa de coordena&#231;&#227;o do PIPA, vinculados &#224; UA, pretendemos com este texto, ilustrar a pertin&#234;ncia da abordagem experiencial em IP e desde j&#225; enquadrar conceptualmente a investiga&#231;&#227;o que neste &#226;mbito vir&#225; a ser desenvolvida.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>A abordagem experiencial na educa&#231;&#227;o de inf&#226;ncia</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A educa&#231;&#227;o experiencial (EDEX) &#233; resultado de uma an&#225;lise cr&#237;tica do ensino pr&#233;-escolar belga, no in&#237;cio dos anos 70, que salientava duas conclus&#245;es fundamentais: (1) frequentemente as crian&#231;as s&#227;o encorajadas a expressar sentimentos que n&#227;o sentem verdadeiramente, n&#227;o sendo encorajadas a reconhecer e a lidar com os seus verdadeiros sentimentos; (2) apesar de uma orienta&#231;&#227;o que se pretende centrada e valorativa da crian&#231;a, das suas caracter&#237;sticas e necessidades, v&#225;rios elementos traduzem uma orienta&#231;&#227;o academizante, actuando o adulto como se fosse capaz de definir aquilo que as crian&#231;as apreendem ou n&#227;o, como se fosse capaz de programar os processos de desenvolvimento individual. Da insatisfa&#231;&#227;o relativamente &#224;s pr&#225;ticas pr&#233;-escolares surge ent&#227;o, em 1976, no &#226;mbito do <i>Research Centre for Early Childhood and Primary Education da Katholieke Universiteit ofLeuven </i>(B&#233;lgica), o projecto EDEX, dinamizado pelo professor Ferre Laevers.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Na sua fundamenta&#231;&#227;o te&#243;rica, a EDEX confere uma particular aten&#231;&#227;o aos fen&#243;menos de mal-estar e aliena&#231;&#227;o pessoal, assumindo a educa&#231;&#227;o como um motor de liberta&#231;&#227;o e emancipa&#231;&#227;o. Na operacionaliza&#231;&#227;o desta preocupa&#231;&#227;o, a abordagem humanista de Rogers (centrada no <i>cliente)</i> e de Gendlin (experiencial), articulada com alguns conceitos psicanal&#237;ticos (particularmente os desenvolvidos no &#226;mbito da terapia pelo jogo), tiveram um importante impacte. O modelo experiencial est&#225; tamb&#233;m profundamente imbu&#237;do de leituras construtivistas, integrando Piaget, Vygotsky e outros autores, bem como as din&#226;micas das interac&#231;&#245;es e organiza&#231;&#245;es humanas (tais como as contribui&#231;&#245;es ecol&#243;gicas e sist&#233;micas).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os esfor&#231;os de inova&#231;&#227;o e melhoria da qualidade da educa&#231;&#227;o pr&#233;-escolar foram acompanhados por uma constante preocupa&#231;&#227;o em desenvolver um quadro conceptual que enquadrasse a pr&#225;tica experiencial. Da&#237; resultou, em 1979, o esquema do templo (<a href="/img/revistas/psi/v17n1/17n1a08f1.jpg">figura 1</a>), que combina sete conceitos de uma forma l&#243;gica e articulada (Laevers &#38; Van Sanden, 1997).</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">A base da pr&#225;tica experiencial &#233; a atitude experiencial do educador, isto &#233;, a observa&#231;&#227;o do adulto para apreender o vivido da crian&#231;a como ponto de refer&#234;ncia. O adulto procura discernir &#8212; atrav&#233;s da express&#227;o, palavras, gestos, postura e movimento da crian&#231;a &#8212; a realidade das suas significa&#231;&#245;es, reconstruindo a sua experi&#234;ncia. Gra&#231;as a este ponto de partida, os tr&#234;s pilares que orientam as decis&#245;es pr&#225;ticas, podem ser implementados. Um diz respeito &#224; promo&#231;&#227;o da iniciativa da crian&#231;a. Inclui um conjunto de regras que evitem danos materiais, f&#237;sicos ou ps&#237;quicos, previnam o caos e garantam o direito &#224; actividade e o m&#225;ximo de liberdade para cada crian&#231;a. Outro pilar mobiliza o educador para constantemente enriquecer o meio educacional atrav&#233;s de novos materiais e actividades interessantes e estimulantes, oferecer oportunidades de explora&#231;&#227;o da realidade e funcionar como um mediador cultural. Com o &#250;ltimo pilar, di&#225;logo experiencial, procura-se dar uma aten&#231;&#227;o relevante &#224; interac&#231;&#227;o entre o educador e as crian&#231;as. Este di&#225;logo &#233; crucial para o estabelecimento de rela&#231;&#245;es interpessoais positivas, para o suporte &#224; express&#227;o e partilha de emo&#231;&#245;es e sentimentos, e para a estimula&#231;&#227;o &#224; ac&#231;&#227;o, requerendo uma sensibilidade particular &#224;s necessidades desenvolvimentais e emocionais da crian&#231;a. Estes tr&#234;s pilares ou princ&#237;pios servem duas categorias de processos que indicam o tipo de modifica&#231;&#245;es que o educador permanentemente procura induzir: processos de liberta&#231;&#227;o emocional (que se ligam com o bem-estar emocional), que s&#227;o alcan&#231;ados quando as crian&#231;as s&#227;o ajudadas a lidar com as suas dificuldades emocionais; e processos desenvolvimentais ou criativos (que se ligam com elevada implica&#231;&#227;o), que ocorrem quando novas estruturas mentais s&#227;o criadas. A perspectiva experiencial sobre os processos de desenvolvimento pode ser sumariada em dois postulados: o desenvolvimento pressup&#245;e aprendizagens profundas ou fundamentais, e o desenvolvimento &#233; um processo din&#226;mico. Ao olharmos para os efeitos da educa&#231;&#227;o, podemos distinguir entre aprendizagens superficiais ou aprendizagens fundamentais. Verdadeiras modifica&#231;&#245;es desenvolvimentais n&#227;o podem ser vistas como uma mera adi&#231;&#227;o ou colagem de elementos de conhecimento ou de compet&#234;ncias. Pelo contr&#225;rio, cada desempenho depende de uma estrutura de esquemas fundamentais que nos permite interpretar as novas situa&#231;&#245;es e agir em conformidade. Na procura de compreens&#227;o de como se passa de esquemas mentais mais simples para esquemas mais elaborados, verifica-se que nas pessoas, e nas crian&#231;as em particular, existe um &#237;mpeto desenvolvimental que as conduz a experi&#234;ncias que suscitam desenvolvimento. Aqui reside a legitima&#231;&#227;o da implica&#231;&#227;o. Uma pessoa implicada &#233; conduzida pela sua necessidade explorat&#243;ria que a coloca num estado psicol&#243;gico favor&#225;vel a aprendizagens profundas. A pessoa altamente implicada encontra-se num estado de alta concentra&#231;&#227;o, conhece a intensidade da experi&#234;ncia, percebe-se como intrinsecamente motivada, por ela perpassa um intenso fluxo de energia e elevado n&#237;vel de satisfa&#231;&#227;o conectado com a satisfa&#231;&#227;o do impulso explorat&#243;rio. A pessoa totalmente implicada opera nos limites das suas actuais capacidades <i>(em zona pr&#243;xima de desenvolvimento</i>).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O resultado ou objectivo &#250;ltimo de uma educa&#231;&#227;o experiencial &#233; uma pessoa emancipada, isto &#233;, algu&#233;m que evidencia e usufrui de sa&#250;de emocional e autenticidade, uma forte atitude explorat&#243;ria, abertura ao mundo interno e externo, sentimento de perten&#231;a e de liga&#231;&#227;o, uma forte motiva&#231;&#227;o para contribuir para o bem-estar universal (Laevers &#38; Van Sanden, 1997; Laevers, Bogaerts &#38; Moons, 1997; Laevers, 2000).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Sabemos que certos estilos de interac&#231;&#227;o do adulto/educador, ou certas qualidades atitudinais se relacionam com um melhor desenvolvimento e aprendizagem das crian&#231;as. As interven&#231;&#245;es do adulto podem variar muito, dependendo da natureza das actividades ou das respostas e iniciativas das crian&#231;as. Podemos, contudo, discernir padr&#245;es individuais de funcionamento na forma como os educadores interv&#234;m numa vasta variedade de situa&#231;&#245;es. A escala ASOS-ECE (Adult Style Observation Schedule for Early Childhood Education, de Bertram, Laevers &#38; Pascal, 1996) &#233; concebida em torno de tr&#234;s dimens&#245;es que corporizam os tr&#234;s pilares do templo: (1) estimula&#231;&#227;o (enriquecimento de actividades atrav&#233;s de informa&#231;&#227;o valiosa, ou dando impulsos que suscitem a ac&#231;&#227;o, a comunica&#231;&#227;o ou o pensamento); (2) sensibilidade (dando respostas que testemunham a compreens&#227;o emp&#225;tica das necessidades da crian&#231;a, tais como necessidade de seguran&#231;a, afecto, aten&#231;&#227;o, apoio emocional, afirma&#231;&#227;o, previsibilidade e clareza...), e (3) autonomia (respeitando a iniciativa da crian&#231;a, reconhecendo os seus interesses, dando-lhe espa&#231;o para experimenta&#231;&#227;o, implicando-a no estabelecimento de regras e na solu&#231;&#227;o de conflitos). Esta escala tem provado ser particularmente importante no campo da pesquisa educacional e no contexto da forma&#231;&#227;o de educadores, ao ajud&#225;-los a auto-analisarem os seus pontos fortes e fracos na interac&#231;&#227;o com as crian&#231;as.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Conceitos nucleares <i>em</i> IP</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O tipo ou qualidade do investimento em IP tem sofrido altera&#231;&#245;es ao longo do tempo, dando lugar a diferentes modelos de IP (Espe-Sherwindt, 2001; Correia &#38; Serrano, 1998), nem sempre mutuamente exclusivos. De forma extremada, podemos distinguir:</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">a) IP centrada no profissional &#8212; a interven&#231;&#227;o focaliza-se na crian&#231;a e as decis&#245;es s&#227;o tomadas pelos t&#233;cnicos, que disp&#245;em de conhecimentos especializados. S&#227;o os profissionais que sabem o que &#233; melhor para a crian&#231;a. A fam&#237;lia confronta-se com a sua ignor&#226;ncia e incompet&#234;ncia, e instala-se a depend&#234;ncia;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">b) IP aliada &#224; fam&#237;lia &#8212; a interven&#231;&#227;o focaliza-se na crian&#231;a mas &#233; estabelecido um contrato com a fam&#237;lia. Os pais participam nas actividades julgadas importantes para o desenvolvimento da crian&#231;a mas &#233; o profissional que decide como e que actividades ser&#227;o implementadas com a fam&#237;lia;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">c) IP focalizada na fam&#237;lia &#8212; a interven&#231;&#227;o focaliza-se na fam&#237;lia. N&#227;o existe, contudo, verdadeira colabora&#231;&#227;o e aceita&#231;&#227;o dos valores, interesses e refer&#234;ncias da fam&#237;lia. De facto, os profissionais desejariam homogeneizar todas as fam&#237;lias, fazendo confluir as suas necessidades e objectivos com os identificados pelos profissionais. Grande parte do tempo, os profissionais tentam ou desejam modificar as fam&#237;lias com vista a transform&#225;-las em fam&#237;lias iguais &#224;s suas... Existe o risco de se esquecer que o sentido da interven&#231;&#227;o &#233; o bem-estar e desenvolvimento da crian&#231;a;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">d) IP centrada na fam&#237;lia &#8212; a interven&#231;&#227;o implica colabora&#231;&#227;o com a fam&#237;lia num contexto de desenvolvimento de rela&#231;&#245;es positivas, respeitadoras e igualit&#225;rias. Inclui resolu&#231;&#227;o de problemas e tomada de decis&#245;es partilhadas com vista &#224; promo&#231;&#227;o do desenvolvimento e bem-estar da crian&#231;a.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Nesta linha de pensamento, Doan-Sampon, Wollenburg e Campbell (1999) descrevem como conceitos e pr&#225;ticas nucleares em IP, o seguinte:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; IP centrada na fam&#237;lia &#8212; significa que a IP &#233; guiada pela fam&#237;lia. A interven&#231;&#227;o respeita n&#227;o apenas o desenvolvimento da crian&#231;a mas tamb&#233;m a defini&#231;&#227;o e percep&#231;&#227;o da fam&#237;lia sobre o que &#233; considerado importante.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; IP ecol&#243;gica &#8212; a IP tem em considera&#231;&#227;o o contexto mais vasto da fam&#237;lia e comunidade, considerando que os diferentes n&#237;veis ecol&#243;gicos interagem e influenciam-se mutuamente, e n&#227;o podem ser pensados isoladamente. A cultura da fam&#237;lia e o ambiente influenciam a defini&#231;&#227;o dos objectivos da interven&#231;&#227;o e os meios para os atingir.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; IP focalizada nas rela&#231;&#245;es &#8212; as rela&#231;&#245;es pais-crian&#231;a s&#227;o o cora&#231;&#227;o da IP. Pais e crian&#231;as podem experienciar dificuldades no desenvolvimento de rela&#231;&#245;es calorosas, positivas e responsivas. O desafio, nestas circunst&#226;ncias, &#233; o de evidenciar e nutrir padr&#245;es interactivos adequados e gratificantes, facilitando a sua maior ocorr&#234;ncia e minimizando interac&#231;&#245;es menos adequadas. Neste processo, se a facilita&#231;&#227;o da constru&#231;&#227;o de uma rela&#231;&#227;o pais-crian&#231;a positiva confere forma e sentido &#224; interven&#231;&#227;o, o desenvolvimento de uma rela&#231;&#227;o de confian&#231;a entre o t&#233;cnico e a fam&#237;lia torna-se primordial.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; IP baseada nas for&#231;as &#8212; a IP n&#227;o pode ser intrusiva ou ajuizadora dos padr&#245;es de interac&#231;&#227;o familiar. O papel do profissional &#233; o de, com a fam&#237;lia, descobrir for&#231;as e capacidades, providenciar informa&#231;&#227;o necess&#225;ria e apoiar os esfor&#231;os da fam&#237;lia para optimizar os avan&#231;os desenvolvimentais da crian&#231;a e as suas compet&#234;ncias parentais.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8212; IP reflexiva &#8212; o reconhecimento do sistema complexo de vari&#225;veis que interv&#234;m em IP implica que o t&#233;cnico colha, ao longo do tempo, informa&#231;&#245;es sobre a crian&#231;a, as interac&#231;&#245;es no seio da fam&#237;lia e com a comunidade. Comunica&#231;&#227;o permanente e reflex&#227;o asseguram a flexibilidade e fluidez da interven&#231;&#227;o &#224; medida que novas informa&#231;&#245;es s&#227;o incorporadas no plano da fam&#237;lia, de acordo com a altera&#231;&#227;o das prioridades e percep&#231;&#245;es da fam&#237;lia.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Ainda que possa haver uma variabilidade substancial na natureza e abordagens dos servi&#231;os de IP de contexto para contexto, hoje em dia existe grande concord&#226;ncia quanto &#224; necessidade de realizar interven&#231;&#245;es que considerem as necessidades da crian&#231;a e da fam&#237;lia, formalizadas atrav&#233;s de um plano individualizado de apoio &#224; fam&#237;lia (PIAF), e quanto ao reconhecimento da import&#226;ncia de envolver as fam&#237;lias em todas as dimens&#245;es do programa (Doan-Sampon, Wollenburg &#38; Campbell, 1999), nomeadamente no que respeita &#224;:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">a) avalia&#231;&#227;o (recolha e registo de informa&#231;&#227;o);</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">b) tomada de decis&#245;es (defini&#231;&#227;o de objectivos e finalidades funcionais);</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">c) implementa&#231;&#227;o da interven&#231;&#227;o;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">d) monitoriza&#231;&#227;o do programa (avalia&#231;&#227;o);</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">e) defini&#231;&#227;o de novos objectivos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Trabalhar com fam&#237;lias e crian&#231;as em risco de atraso desenvolvimental, frequentemente convivendo com situa&#231;&#245;es de doen&#231;a, desestrutura&#231;&#227;o familiar e pobreza severa, evoca facilmente fortes respostas emocionais por parte dos visitadores domicili&#225;rios, abalando os seus valores e cren&#231;as pessoais, e requerendo o uso de compet&#234;ncias que poder&#227;o n&#227;o ter sido desenvolvidas em forma&#231;&#227;o ou experi&#234;ncias de trabalho pr&#233;vias (Copa <i>et al</i>., 1999). O impacte positivo da interven&#231;&#227;o depende dos processos vividos pela fam&#237;lia, no seu desejo de se tornarem capazes, com poder, com um sentido de controlo sobre a sua pr&#243;pria vida, criando as suas crian&#231;as, participando na comunidade, experienciando sentimentos de bem-estar emocional e implica&#231;&#227;o. A experi&#234;ncia indica que dar oportunidade ao t&#233;cnico de interven&#231;&#227;o precoce directa de reflectir sobre o seu trabalho, pensar e falar sobre as interac&#231;&#245;es com as crian&#231;as e fam&#237;lias, num contexto de reuni&#245;es de trabalho psicologicamente confort&#225;veis e seguras, sob orienta&#231;&#227;o de um supervisor, &#233; crucial para o sucesso da interven&#231;&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Paula: A minha experi&#234;ncia de dez anos como visitadora domicili&#225;ria (VD), formanda e formadora no campo da IP &#8212; trabalhando com crian&#231;as dos zero aos tr&#234;s anos em risco de atraso de desenvolvimento e suas fam&#237;lias, e t&#233;cnicos de IP de v&#225;rias disciplinas &#8212;, ensinou-me algumas das coisas mais importantes na minha vida, tanto na dimens&#227;o profissional, como na pessoal. Essencialmente, senti a necessidade de ver, pensar e sentir como se eu pr&#243;pria fosse a fam&#237;lia da crian&#231;a com necessidades especiais com quem estava a interagir e, num processo paralelo, tamb&#233;m compreender a experi&#234;ncia dos outros t&#233;cnicos de IR</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Desde o in&#237;cio, senti o processo de empatia com as fam&#237;lias como algo inevit&#225;vel ao crescimento da rela&#231;&#227;o. S&#243; ele tornava poss&#237;vel perceber e partilhar com a fam&#237;lia, o que eu julgava ter sentido e ser pensado como &#250;til pela fam&#237;lia, naquele particular momento das suas vidas, e compreender o seu saber sobre a vida, sobre ser pai/m&#227;e, ser parte de uma comunidade...</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Durante esse tempo, primeiro como VD e formanda, mais tarde tamb&#233;m como supervisora e formadora, aprendi a valorizar a capacidade de ser uma boa ouvinte, descobrindo as for&#231;as e factores positivos nas fam&#237;lias e nos t&#233;cnicos, confiando, refraseando o que as pessoas me diziam &#8212; oferecendo a oportunidade de compararem a minha compreens&#227;o da sua mensagem, com aquela que efectivamente queriam transmitir &#8212;, eventualmente enriquecendo o di&#225;logo com algo novo... Numa cont&#237;nua procura do meu lugar nas constela&#231;&#245;es relacionais em que participava, dependendo o meu ser e estar, dos momentos actuais que cada participante vivia, e do modo como o grupo constru&#237;a progressivamente a sua realidade...</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Quando comecei a trabalhar em IP, sentia que a minha forma&#231;&#227;o inicial e experi&#234;ncia, o meu conhecimento disciplinar (em educa&#231;&#227;o de inf&#226;ncia e educa&#231;&#227;o especial), n&#227;o me tinham preparado para trabalhar com fam&#237;lias &#8212; definitivamente, n&#227;o numa abordagem centrada na fam&#237;lia; e ouvi muitas, muitas vezes, outros t&#233;cnicos de IP partilhando o mesmo sentir.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Creio que &#233; dif&#237;cil para n&#243;s ultrapassar o modo tradicional de sermos educadores, em modelos em que o poder, as oportunidades de tomada de decis&#227;o, est&#227;o muito nas m&#227;os do t&#233;cnico, e muito pouco nas m&#227;os, cora&#231;&#227;o e cabe&#231;a do &#34;cliente&#34;, quer ele seja uma crian&#231;a, uma fam&#237;lia, uma comunidade, ou um outro profissional de IR</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Quando conheci o trabalho desenvolvido pelo Centre for Experiential Education (Lovaina &#8212; B&#233;lgica), senti-me confortada e entusiasmada. A abordagem experiential representava o enquadramento de que necessitava para encaixar o que havia aprendido ao longo das minhas anteriores experi&#234;ncias enquanto estudante, t&#233;cnica, educadora e pessoa. O modelo conceptual da educa&#231;&#227;o experiential permitiu-me integrar os meus conhecimentos e experi&#234;ncias anteriores, bem como todos os que constru&#237; a partir da&#237;, actuando como funda&#231;&#227;o e sustentando a minha constru&#231;&#227;o enquanto pessoa e profissional.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">EDEX e IP</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O essencial da IP &#233; comum &#224; EDEX: dar poder e capacitar o &#34;sujeito&#34; para crescer e desenvolver-se, experienciando sentimentos de bem-estar emocional e implica&#231;&#227;o. Em ambos os casos existe um efeito reflexo: se se pretende promover a confian&#231;a, capacitar e dar poder a algu&#233;m, necessitam os pr&#243;prios profissionais de se sentir confiantes, com poder e capazes.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O modelo experiencial constitui um quadro te&#243;rico que oferece uma forma mais respeitosa de sentir, pensar e fazer coisas em educa&#231;&#227;o de inf&#226;ncia e IP. Caracteriza-se por respeito, aten&#231;&#227;o e confian&#231;a &#8212; centrado na crian&#231;a/fam&#237;lia, procurando o adulto perceber a experi&#234;ncia da crian&#231;a/fam&#237;lia, reconstruindo atrav&#233;s da sua express&#227;o, palavra, gesto... o seu significado. E a experi&#234;ncia do outro o ponto de refer&#234;ncia para a ac&#231;&#227;o ou interven&#231;&#227;o do profissional, que se corporiza em torno de tr&#234;s dimens&#245;es: iniciativa da crian&#231;a/fam&#237;lia (autonomia), enriquecimento do meio (estimula&#231;&#227;o) e di&#225;logo experiencial (sensibilidade traduz&#237;vel em empatia, aceita&#231;&#227;o e autenticidade). Procura induzir processos de liberta&#231;&#227;o emocional e desenvolvimentais (bem-estar emocional e implica&#231;&#227;o) que, por sua vez, asseguram o desenvolvimento de uma pessoa emancipada, ou seja, algu&#233;m que est&#225; bem consigo pr&#243;prio, que n&#227;o tem de dispersar energias em sentimentos de depress&#227;o, aliena&#231;&#227;o, impot&#234;ncia,... caracter&#237;sticos de quem viveu e integrou mal certas experi&#234;ncias emocionais. A pessoa emancipada &#233; a pessoa que estabelece um bom &#34;contacto&#34; consigo pr&#243;pria, com os outros, a sociedade, a natureza, o universo... Sabe apreciar aquilo que a vida lhe oferece, tomar iniciativas, estabelecer rela&#231;&#245;es de intimidade, ajudar outros a crescer e a emancipar-se...</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O paralelismo entre uma pr&#225;tica de educa&#231;&#227;o de inf&#226;ncia centrada na crian&#231;a (experiencial) e uma pr&#225;tica de IP centrada na fam&#237;lia torna-se mais claro quando adoptamos as dimens&#245;es interpessoais previstas em Adult Style Observation Schedule &#8212; ASOS (Bertram, Laevers, &#38; Pascal, 1996; Laevers, Bogaerts, &#38; Moons, 1997; Laevers, 2000) como indicadores de desenvolvimento profissional e pessoal, amparando a reflex&#227;o e auto-avalia&#231;&#227;o (<a href="/img/revistas/psi/v17n1/17n1a08q1.jpg">quadro 1</a>). Efectivamente, este instrumento de leitura do estilo interactivo do adulto assume-se como particularmente poderoso no processo de capacita&#231;&#227;o dos profissionais para desenvolverem atitudes sens&#237;veis, estimulantes e promotoras de autonomia (sempre conectadas com um modelo ecol&#243;gico, centrado na pessoa, reflexivo, baseado nas for&#231;as e focalizado nas rela&#231;&#245;es).</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">Da supervis&#227;o &#224;s pr&#225;ticas reflexivas experienciais</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">No mundo da pr&#225;tica profissional com crian&#231;as e suas fam&#237;lias, a supervis&#227;o providencia oportunidades regulares aos t&#233;cnicos, mais ou menos experientes, de reflex&#227;o conjunta sobre as suas viv&#234;ncias profissionais. Tal como as fam&#237;lias necessitam de suporte, informa&#231;&#227;o, aten&#231;&#227;o e respeito no sentido de se tornarem mais confiantes e competentes, tamb&#233;m os profissionais necessitam de rela&#231;&#245;es suportivas, sob forma de supervis&#227;o, com vista a que eles pr&#243;prios se sintam com poder e capazes.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Como Fenichel (1999) afirma, uma supervis&#227;o eficaz inclui algumas caracter&#237;sticas essenciais: reflex&#227;o, colabora&#231;&#227;o e regularidade. &#34;Reflection can be thought of as both the means and the end of the process of supervision. Reflection involves stepping back from the immediate, intense experience of hands-on-work... The supervisor offers an enlarged perspective, another pair of eyes, a mirror... Part of the process of developing a professional identity involves recognizing the need to enlarge one&#39;s own knowledge, skills and sensitivity&#34; (p. 13). A reflex&#227;o envolve examinar os sentimentos experienciados, valores e teorias pessoais. Em suma, a reflex&#227;o envolve conceptualiza&#231;&#227;o cont&#237;nua sobre o que cada um observa e faz. Trabalhar em contextos familiares muito diversos, enfrentando desafios emocionais e intelectuais, pode ser muito perturbador. Neste quadro, a experi&#234;ncia da supervis&#227;o tem sido descrita como &#34;having a friend on a difficult journey&#34; (p. 14), pois poucos ser&#227;o os que gostar&#227;o de viajar s&#243;s em territ&#243;rio desconhecido ou obscuro e, nesse sentido, uma rela&#231;&#227;o de supervis&#227;o colaborativa e duradoira, nutriente e gratificante, &#233; um factor extremamente reconfortante.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Obviamente, o desenvolvimento de uma rela&#231;&#227;o de supervis&#227;o com as caracter&#237;sticas descritas requer regularidade (tempo para reflectir, tempo para colaborar e, acima de tudo, tempo para estabelecer uma rela&#231;&#227;o de confian&#231;a).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Embora diferentes estrat&#233;gias possam ser implementadas no contexto de uma rela&#231;&#227;o de supervis&#227;o, elegemos os estudos de caso e discuss&#245;es em grupo (Shulman, 1999), e as din&#226;micas de auto-avalia&#231;&#227;o, como particularmente elicitadoras de desenvolvimento pessoal e profissional, quer em educa&#231;&#227;o, quer em IP.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Estudos de caso e discuss&#245;es em grupo</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Podemos aprender imenso a partir da pr&#225;tica. As hist&#243;rias, os incidentes cr&#237;ticos, os casos s&#227;o importantes contributos para o  	estreitamento entre a teoria e a pr&#225;tica. No apoio aos t&#233;cnicos, os supervisores necessitam de conhecer as suas hist&#243;rias,  	perspectivas e realidades. A discuss&#227;o de casos no contexto da supervis&#227;o e de reuni&#245;es de grupo estimula a reflex&#227;o  	colaborativa na explora&#231;&#227;o de problemas complexos para os quais n&#227;o existem teorias expl&#237;citas ou respostas simples  	(Shulman, 1999): configura a g&#233;nese e an&#225;lise de diferentes pontos de vista; facilita o desenvolvimento de compet&#234;ncias de resolu&#231;&#227;o de problemas; permite um sentido de colegialidade e de compreens&#227;o partilhada numa comunidade de aprendizes; estimula uma atitude introspectiva relativamente &#224; pr&#243;pria pr&#225;tica que fundamenta a auto-an&#225;lise / auto-avalia&#231;&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Auto-an&#225;lise/auto-avalia&#231;&#227;o</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#201; comum a dificuldade de questionamento das pr&#243;prias pr&#225;ticas. Frequentemente, os profissionais do humano explicam os problemas e dificuldades com refer&#234;ncia &#224;s caracter&#237;sticas das crian&#231;as, fam&#237;lias, cultura, mentalidades, organiza&#231;&#227;o, programas, pol&#237;ticas sociais e educativas, etc., muito raramente referenciando as pr&#225;ticas e comportamentos dos profissionais como potenciais ou poss&#237;veis elementos bloqueadores de um processo de desenvolvimento e aprendizagem. Se todos trabalham da melhor forma que sabem e podem, torna-se importante desenvolver uma cultura de reflex&#227;o e auto-avalia&#231;&#227;o, uma cultura de mod&#233;stia e de humildade. Os profissionais devem perceber o impacte das suas ac&#231;&#245;es e verbaliza&#231;&#245;es nas crian&#231;as e fam&#237;lias, e compreender que se as crian&#231;as ou as fam&#237;lias s&#227;o &#34;dif&#237;ceis&#34;, pouco receptivas, desinteressadas, o profissional tem de lidar com isso n&#227;o como um problema que est&#225; para al&#233;m do seu controlo, inerente &#224; crian&#231;a, fam&#237;lia ou comunidade, mas como um problema seu, permanentemente ensaiando novas abordagens e alternativas, respeitando e confiando nas crian&#231;as e suas fam&#237;lias. A assump&#231;&#227;o da sua responsabilidade em todo este processo requer um permanente questionamento dos profissionais relativamente ao seu desempenho, caracter&#237;sticas e estilo interactivo.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">No contexto das interac&#231;&#245;es individuais com as fam&#237;lias, &#233; suposto efectuarem-se avalia&#231;&#245;es, determinar finalidades e objectives, implementar, monitorizar e avaliar as interven&#231;&#245;es, e subsequentemente determinar novos objectives... Sensibilidade, estimula&#231;&#227;o e autonomia s&#227;o dimens&#245;es cruciais no envolvimento das fam&#237;lias ao longo de todas as fases do programa.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Considerando os processos de identifica&#231;&#227;o de objectivos da interven&#231;&#227;o e de avalia&#231;&#227;o da crian&#231;a, podemos imaginar situa&#231;&#245;es como as que se descrevem nos <a href="/img/revistas/psi/v17n1/17n1a08q2.jpg">quadros 2</a> e <a href="/img/revistas/psi/v17n1/17n1a08q3.jpg">3</a> (adaptados de McWilliam &#38; Winton, 1991) e lig&#225;-las, com maior ou menor facilidade, &#224;s dimens&#245;es estimula&#231;&#227;o, sensibilidade e autonomia. De facto, a complexidade da realidade n&#227;o permite capt&#225;-la, sem a distorcer, num modelo ou esquema tridimensional organizado de forma est&#225;tica. A realidade &#233; um todo complexo e org&#226;nico que vai muito para al&#233;m do nosso conhecimento, escapando &#224;s nossas vis&#245;es parciais. Frequentemente, diferentes dimens&#245;es coexistem na mesma situa&#231;&#227;o, embora talvez possamos vislumbrar a proemin&#234;ncia de uma em rela&#231;&#227;o a outras. Diferentes perspectivas, diferentes contextos, diferentes fam&#237;lias poder&#227;o determinar an&#225;lises e respostas diferentes. O valor da abordagem aqui apresentada tem sobretudo a ver com a potencial contribui&#231;&#227;o para a reflex&#227;o, discuss&#227;o e auto-avalia&#231;&#227;o, em contexto de supervis&#227;o, na procura da melhoria da qualidade no que &#233; oferecido &#224;s fam&#237;lias e crian&#231;as.</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">A atitude experienciai em IP n&#227;o &#233; apenas importante ao n&#237;vel da interven&#231;&#227;o directa com a fam&#237;lia e crian&#231;as mas tamb&#233;m ao n&#237;vel da supervis&#227;o, sendo fundamental estar em contacto com as experi&#234;ncias emocionais e cognitivas dos t&#233;cnicos de IP. Uma adapta&#231;&#227;o do esquema do templo pode lan&#231;ar luz sobre esta ideia (<a href="/img/revistas/psi/v17n1/17n1a08f2.jpg">figura 2</a>).</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">A supervis&#227;o em IP, caracterizada por colabora&#231;&#227;o (em resultado do estabelecimento de rela&#231;&#245;es de confian&#231;a e de tempo conjunto consistente) e reflex&#227;o sobre as pr&#225;ticas, n&#227;o tem lugar se o supervisor n&#227;o estiver realmente em contacto com as experi&#234;ncias internas do t&#233;cnico, prestando aten&#231;&#227;o aos seus sentimentos e pensamentos, reconstruindo as suas experi&#234;ncias, examinando as suas situa&#231;&#245;es e problemas atrav&#233;s das suas perspectivas. O que pretende o supervisor que aconte&#231;a com as suas interven&#231;&#245;es? Bem-estar emocional, particularmente consubstanciado em confian&#231;a, e implica&#231;&#227;o, mais especificamente um sentido de compet&#234;ncia e de poder para enfrentar desafios, com vista a atingir a emancipa&#231;&#227;o dos principais sujeitos envolvidos em todo o processo. Como pode o supervisor atingir estes objectivos? Sendo sens&#237;vel, estimulante e promovendo a autonomia dos supervisandos.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>Conclus&#227;o em discurso directo... ou um caso para estreitamento entre a teoria e a pr&#225;tica</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Paula: Enquanto visitadora domicili&#225;ria de crian&#231;as e fam&#237;lias em situa&#231;&#227;o de risco, senti muitas vezes urg&#234;ncia de actuar no limite m&#225;ximo das minhas capacidades &#8212; um forte desafio de p&#244;r ao dispor da ac&#231;&#227;o todo o meu saber, toda a minha capacidade de interven&#231;&#227;o. Quando se trabalha com pessoas nestas circunst&#226;ncias e se lida com os seus problemas, cedo se compreende que n&#227;o h&#225; certezas, n&#227;o h&#225; apenas um modo de fazer as coisas. Podemos simplesmente criar o espa&#231;o para uma rela&#231;&#227;o nutriente, oferecendo &#224;s pessoas a oportunidade de escolher uma via que seja, no momento, a mais respeitadora dos seus pr&#243;prios valores e cren&#231;as, de modo que possam implicar-se e encontrar equil&#237;brio e bem-estar nas suas vidas. Esta n&#227;o &#233; uma tarefa f&#225;cil para um t&#233;cnico que est&#225; s&#243;. Um tarefa destas exige uma abordagem n&#227;o s&#243; multi-servi&#231;os e multiprofissional, mas transdisciplinar. Ent&#227;o, a &#250;nica maneira que conhe&#231;o para assimilar os valores nucleares a respeitar em IP, sendo uma profissional de IP que realiza uma interven&#231;&#227;o centrada na fam&#237;lia, ecol&#243;gica, baseada nas for&#231;as, focada nas rela&#231;&#245;es e reflexiva, &#233; participando num grupo reflexivo, de v&#225;rias pessoas com diferentes <i>backgrounds</i>, partilhando as mesmas metas, cren&#231;as e valores, dinamizado por um supervisor experiencial. Para mim, isto significa um supervisor que empatiza com os sentimentos e pensamentos dos t&#233;cnicos de IP, dando-lhes a conhecer que est&#227;o a ser compreendidos, criando assim um espa&#231;o de liberdade, tranquilidade e seguran&#231;a, promovendo abertura a cora&#231;&#245;es e mentes, partilha de medos, d&#250;vidas e alegrias experienciados ao trabalhar com as crian&#231;as e fam&#237;lias. Significa tamb&#233;m algu&#233;m que observa e aprende com o saber do t&#233;cnico, escutando activamente as suas hist&#243;rias e ajudando-o a construir pontes entre os problemas e o conhecimento dispon&#237;vel no grupo, provendo um movimento de <i>scaffolding</i> &#224; emerg&#234;ncia de um saber e compreens&#227;o &#250;nicos, transdisciplinares. Finalmente, significa apoi&#225;-los na procura de uma via para desenvolverem a sua pr&#243;pria autonomia, aprendendo como escutar as fam&#237;lias, crian&#231;as e colegas, a evocar conhecimento, a ligar eventos, assun&#231;&#245;es, ideias, e a ser proactivos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Para mim, foi crucial ter tempo, de um modo consistente, com os elementos do meu grupo e a minha supervisora. Eu precisava da certeza de que, todas as semanas ou todos os quinze dias (um per&#237;odo de tempo maior entre as reuni&#245;es resulta em demasiada dist&#226;ncia dos eventos experienciados), podia contar com o apoio do meu grupo e da minha supervisora. Isto representa uma componente de equil&#237;brio e tranquilidade, tamb&#233;m.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Num efeito sinerg&#233;tico, eu sentia (sinto) que o experienciar de uma tal situa&#231;&#227;o de supervis&#227;o me capacitava para ser mais sens&#237;vel, estimulante e capaz de promover a autonomia das fam&#237;lias.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Eu estava a trabalhar junto com a fam&#237;lia da Sara &#8212; m&#227;e e pai &#8212; h&#225; 3 meses. Encontr&#225;vamo-nos numa sala da nossa sede; os pais tinham declarado, no in&#237;cio da nossa rela&#231;&#227;o, que n&#227;o queriam o apoio de IP em sua casa. A Sara estava a evoluir muito bem: ela estava a resolver todas as tarefas desenvolvimentais que t&#237;nhamos planeado e, o que era melhor, estava feliz, relacionando-se com os seus pais com uma alegria crescente, o que pod&#237;amos ver pela sua express&#227;o, atitudes, movimento e brincar. Ent&#227;o, por altura do Natal, os pais disseram-me: &#34;Apartir de agora, gostar&#237;amos que passasse a vir a nossa casa... Sabe, quando nos perguntou o que preferir&#237;amos, se encontrarmo-nos em nossa casa ou noutro local, n&#243;s imagin&#225;mos uma brigada a entrar em nossa casa todas as semanas...&#34;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Senti que estes pais tinham verbalizado o que eu pr&#243;pria sentiria se fosse receber visitas domicili&#225;rias de um t&#233;cnico que n&#227;o conhecesse antes. Acredito que eu n&#227;o permitiria que uma pessoa desconhecida entrasse (talvez deva dizer &#34;se intrometesse&#34;?) e agisse na minha casa e na minha fam&#237;lia, assim, sem mais nem menos! Especialmente se eu j&#225; tivesse passado por situa&#231;&#245;es dif&#237;ceis com &#34;peritos&#34;, ou se estivesse a lidar com sentimentos e pensamentos negativos acerca das necessidades especiais da minha crian&#231;a.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O que iria essa pessoa pensar de mim e da minha fam&#237;lia? O que saberia ela do que &#233; ter uma crian&#231;a com defici&#234;ncia? Iria ela avaliar-me, fazer ju&#237;zos de valor acerca de mim e da minha fam&#237;lia?</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Eu precisaria de interagir com essa pessoa, de experienciar situa&#231;&#245;es de rela&#231;&#227;o e, com o tempo, se me sentisse segura, relaxaria numa rela&#231;&#227;o de confian&#231;a, buscando o apoio de que precisava, de facto... Seria importante criar um espa&#231;o confort&#225;vel para n&#243;s, onde me sentisse &#224; vontade, apreciada, valorizada &#8212; mesmo que os meus pr&#243;prios valores, cren&#231;as e modo de viver o dia-a-dia fossem muito diferentes dos desse/a profissional com quem eu estava a interagir &#8212;, capaz e com poder. Nessas condi&#231;&#245;es, penso que seria capaz de descobrir as minhas for&#231;as, quaisquer que elas fossem, e construir novas, num processo cont&#237;nuo de descoberta de capacidades e necessidades do meu filho/a, e experienciando esses momentos brilhantes, m&#225;gicos, em que eu e o meu filho/a realmente nos encontr&#225;ssemos num encaixe perfeito, num processo de descoberta m&#250;tua, agindo no melhor de n&#243;s pr&#243;prios...</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Interagindo com Sara e os seus pais durante mais de dois anos, senti-me pr&#243;xima deles, partilhando as nossas for&#231;as, os nossos sentimentos e pensamentos, as nossas d&#250;vidas,... E n&#243;s constru&#237;mos um projecto &#8212; um sonho? &#8212; sobre o bem-estar e desenvolvimento da Sara, o bem-estar e crescimento deles enquanto fam&#237;lia, e o meu pr&#243;prio bem-estar e desenvolvimento profissional e pessoal. E demos-lhe vida nas situa&#231;&#245;es do dia-a-dia que os pais da Sara lhe ofereciam... Eles encontraram tranquilidade e harmonia na rela&#231;&#227;o com a sua filha, sendo capazes de a incluir, com as suas capacidades e dificuldades, no seu projecto de vida, sentindo-se emancipados...</font></p>          <p>&nbsp;</p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>Refer&#234;ncias</b></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Bertram, T., Laevers, E, &#38; Pascal, C. (1996). L&#39;&#233;tude de la qualit&#233; de l&#39;interaction  	adulte-enfant dans le pr&#233;-scolaire: &#34;Le sch&#233;ma d&#39;observation du style de l&#39;adulte&#34;. In S. Rayna, F. Laevers,  	&#38; M. Deleau (Eds.), <i>L&#39;Education pr&#233;scolaire, quels objectifs p&#233;dagogiques?</i> Paris: INRP e Nathan.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478632&pid=S0874-2049200300010000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Copa, A., Lucinski, L., &#38; Wollenburg, K. (1999). Promoting professional and organizational development: A reflective practice model. <i>Zero to Three, August/September,</i> 3-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478634&pid=S0874-2049200300010000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Correia, L., &#38; Serrano, A. M. (1998). <i>Envolvimento parental em interven&#231;&#227;o precoce. Das pr&#225;ticas centradas na crian&#231;a &#224;s pr&#225;ticas centradas na fam&#237;lia.</i> Porto: Porto Editora (col. Educa&#231;&#227;o Especial).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478636&pid=S0874-2049200300010000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Doan-Sampon, M., Wollenburg, K., &#38; Campbell, A. (1999). <i>Growing: Birth to three. Piecing it all together</i> (The Portage Project, CESA 5). Wisconsin, USA: Portage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478638&pid=S0874-2049200300010000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Egeland, B. E., Carlson, E., &#38; Sroufe, L. A. (1993). Resilience as process. <i>Development and psychopathology, 5,</i>517-528.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478640&pid=S0874-2049200300010000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Espe-Sherwindt, M. (2001, Fevereiro). O PIAF: Mais do que um peda&#231;o de papel. Conference and Workshop apresentados na Universidade de Aveiro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478642&pid=S0874-2049200300010000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Fenichel, E. (ed.) (1999). <i>Learning through supervision and mentorship to support the development of infants, toddlers and their families: A source book.</i> Washington, DC: Zero to Three, National Center for Infants, Toddlers and Families.</font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Glass, N. (2001). What works for children &#8212; the political issues. <i>Children &#38; Society, 15</i> (1), pp. 14-20.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478645&pid=S0874-2049200300010000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Laevers, F., &#38; Van Sanden, P. (1997). <i>Pour une approche exp&#233;rientielle au niveau pr&#233;scolaire. Livre de base</i> (col. Education et Enseignement Exp&#233;rientiel, n.&#176; 1). Lovaina: Centre pour un Enseignement Exp&#233;rientiel.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478647&pid=S0874-2049200300010000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Laevers, F. (2000). Forward to basics! Deep-level-leaming and the experiential approach. <i>Early Years, 20</i> (2), pp. 20-29.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478649&pid=S0874-2049200300010000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Laevers, F., Bogaerts, M., &#38; Moons, J. (1997). <i>Experiential education at work: A setting with 5-year olds</i> (video and manual). Lovaina: Centre for Experiential Education.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478651&pid=S0874-2049200300010000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">McWilliam, P. J., &#38; Winton, P. (1991). <i>Brass Tacks.</i> Chapel Hill, NC: The Frank Porter Graham Child Development Center/The University of North Carolina.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Shonkoff, J. R, &#38; Phillips, D. A. (Eds.) (2000). <i>From neurons to neighborhoods: The science of early childhood development.</i> Washington, DC: National Academy Press.</font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Shore, R. (1997). <i>Rethinking the brain: New insights into early development</i>. Nova Iorque: Families and Work Institute.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478655&pid=S0874-2049200300010000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Shulman, J. (1999, Dezembro). Teaching cases: New approaches to the pedagogy of teacher education.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478657&pid=S0874-2049200300010000800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Workshop WestEd: Improving education through research, development and service. Aveiro: Universidade de Aveiro.</font></p>         ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bertram]]></surname>
<given-names><![CDATA[T.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Laevers]]></surname>
<given-names><![CDATA[E]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Pascal]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[L'étude de la qualité de l'interaction adulte-enfant dans le pré-scolaire: "Le schéma d'observation du style de l'adulte"]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Rayna]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Laevers]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Deleau]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[L'Education préscolaire, quels objectifs pédagogiques?]]></source>
<year>1996</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[INRP e Nathan]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Copa]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lucinski]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Wollenburg]]></surname>
<given-names><![CDATA[K.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Promoting professional and organizational development: A reflective practice model]]></article-title>
<source><![CDATA[Zero to Three]]></source>
<year>1999</year>
<volume>August/September</volume>
<page-range>3-9</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Correia]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Serrano]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Envolvimento parental em intervenção precoce: Das práticas centradas na criança às práticas centradas na família]]></source>
<year>1998</year>
<publisher-loc><![CDATA[Porto ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Porto Editora]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Doan-Sampon]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Wollenburg]]></surname>
<given-names><![CDATA[K.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Campbell]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Growing: Birth to three. Piecing it all together (The Portage Project, CESA 5)]]></source>
<year>1999</year>
<publisher-loc><![CDATA[Wisconsin ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Portage]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Egeland]]></surname>
<given-names><![CDATA[B. E.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Carlson]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Sroufe]]></surname>
<given-names><![CDATA[L. A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Resilience as process]]></article-title>
<source><![CDATA[Development and psychopathology]]></source>
<year>1993</year>
<volume>5</volume>
<page-range>517-528</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Espe-Sherwindt]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O PIAF: Mais do que um pedaço de papel]]></source>
<year>2001</year>
<month>, </month>
<day>Fe</day>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Fenichel]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Learning through supervision and mentorship to support the development of infants, toddlers and their families: A source book]]></source>
<year>1999</year>
<publisher-loc><![CDATA[Washington ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Zero to Three, National Center for Infants, Toddlers and Families]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Glass]]></surname>
<given-names><![CDATA[N.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[What works for children: the political issues]]></article-title>
<source><![CDATA[Children & Society]]></source>
<year>2001</year>
<volume>15</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>14-20</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Laevers]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Van Sanden]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Pour une approche expérientielle au niveau préscolaire: Livre de base (col. Education et Enseignement Expérientiel, n.° 1)]]></source>
<year>1997</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lovaina ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Centre pour un Enseignement Expérientiel]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Laevers]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Forward to basics!: Deep-level-leaming and the experiential approach]]></article-title>
<source><![CDATA[Early Years]]></source>
<year>2000</year>
<volume>20</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>20-29</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Laevers]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Bogaerts]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Moons]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Experiential education at work: A setting with 5-year olds (video and manual)]]></source>
<year>1997</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lovaina ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Centre for Experiential Education]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[McWilliam]]></surname>
<given-names><![CDATA[P. J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Winton]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Brass Tacks]]></source>
<year></year>
<publisher-loc><![CDATA[Chapel Hill ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[The Frank Porter Graham Child Development Center/The University of North Carolina]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Shonkoff]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. R]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Phillips]]></surname>
<given-names><![CDATA[D. A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[From neurons to neighborhoods: The science of early childhood development]]></source>
<year>2000</year>
<publisher-loc><![CDATA[Washington ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[National Academy Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Shore]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Rethinking the brain: New insights into early development]]></source>
<year>1997</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova Iorque ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Families and Work Institute]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Shulman]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Teaching cases: New approaches to the pedagogy of teacher education]]></source>
<year>1999</year>
<month>, </month>
<day>De</day>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
