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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Hegemonia e polémica na memória social do descobrimento do Brasil: Apresentação]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Hegemony and polemic in the social memory of the discovery of Brazil: Presentation of the volume]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This text tries to accomplish three aims. Firstly, to present the story and aims of the project that originated the texts presented in this volume of PSICOLOGIA - the project "O descobrimento do Brasil 500 anos depois: memória social e representações dos portugueses e brasileiros&#8220; The discovery of Brazil 500 years latter: social memory and representations of Portuguese and Brazilians&#8221;. Secondly, to propose briefly the framework that underlies this project - the analysis of the relations between social representations and social memory. Finally, to sketch a summary of the contributions to this volume, as well as their general conclusions.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Teoria das representações sociais]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[memória social]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[identidade]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="4"><b>Hegemonia e pol&#233;mica na mem&#243;ria social do descobrimento do Brasil: Apresenta&#231;&#227;o</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Hegemony and polemic in the social memory of the discovery of Brazil: Presentation of the volume</b></font></p>          <p>&nbsp;</p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Paula Castro<sup>1</sup></b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><sup>1</sup>Departamento de Psicologia Social e das Organiza&#231;&#245;es, ISCTE, Lisboa.</font></p>      <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Este texto procura cumprir tr&#234;s objectivos. O primeiro &#233; apresentar a hist&#243;ria e os objectivos do projecto de cuja realiza&#231;&#227;o resultaram os artigos que integram este n&#250;mero tem&#225;tico da revista <i>Psicologia</i> &#8212; o projecto O <i>descobrimento do Brasil 500 anos depois: mem&#243;ria social e representa&#231;&#245;es de portugueses e brasileiros.</i> O segundo &#233; propor um breve enquadramento para a quest&#227;o que estruturou este estudo &#8212; a an&#225;lise das rela&#231;&#245;es entre representa&#231;&#245;es sociais e mem&#243;ria social &#8212; de modo a esclarecer desde logo a l&#243;gica que presidiu &#224; escolha dos objectivos espec&#237;ficos do projecto. O terceiro &#233; esbo&#231;ar uma s&#237;ntese dos artigos tem&#225;ticos que se seguem, e articular as suas principais conclus&#245;es.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave</b> Teoria das representa&#231;&#245;es sociais, mem&#243;ria social, identidade.</font></p>      <hr size="1" noshade>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"> This text tries to accomplish three aims. Firstly, to present the story and aims of the project that originated the texts presented in this volume of PSICOLOGIA &#8212; the project &#34;O descobrimento do Brasil 500 anos depois: mem&#243;ria social e representa&#231;&#245;es dos portugueses e brasileiros &#8220;The discovery of Brazil 500 years latter: social memory and representations of Portuguese and Brazilians&#8221;. Secondly, to propose briefly the framework that underlies this project &#8212; the analysis of the relations between social representations and social memory. Finally, to sketch a summary of the contributions to this volume, as well as their general conclusions.</font></p>  <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>          <p><font face="Verdana" size="2">Nenhuma das v&#225;rias eternidades que planearam os homens &#8212; a do nominalismo, a do Ireneu, a de Plat&#227;o &#8212; &#233; uma agrega&#231;&#227;o mec&#226;nica do passado, do presente e do futuro. &#201; uma coisa mais simples e mais m&#225;gica: &#233; a simultaneidade desses tempos. (...) O passado est&#225; no seu presente, assim como tamb&#233;m o futuro.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Jorge Lu&#237;s Borges, <i>Hist&#243;ria da eternidade</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Introdu&#231;&#227;o</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">No ano de 1997, antecipando que a comemora&#231;&#227;o dos 500 anos da descoberta do Brasil &#8212; no dia 22 de Abril de 2000 &#8212; seria, no Brasil e em Portugal, uma oportunidade particularmente interessante para o estudo das vias que poderia tomar a actualiza&#231;&#227;o da mem&#243;ria social deste acontecimento, um grupo de investigadores brasileiros e portugueses desenhou um projecto conjunto intitulado: O <i>descobrimento do Brasil 500 anos depois: mem&#243;ria social e representa&#231;&#245;es de portugueses e brasileiros.</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">S&#227;o os resultados deste estudo o que agora se apresenta neste n&#250;mero tem&#225;tico da revista <i>Psicologia.</i></font></p>           <p><font face="Verdana" size="2">A matriz te&#243;rica a partir da qual este projecto tomou forma havia recebido um primeiro impulso num outro estudo, coordenado por Denise Jodelet, da &#201;cole des Hautes &#201;tudes en Sciences Sociales. Este primeiro trabalho havia analisado a mem&#243;ria social da descoberta da Am&#233;rica, ocorrida em 1492, e havia tamb&#233;m tomado como pretexto primeiro para esta an&#225;lise a comemora&#231;&#227;o dos 500 anos desta data. A sua participa&#231;&#227;o neste primeiro projecto sugeriu a Celso Pereira de S&#225;, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, a ideia de retomar, em moldes semelhantes, o estudo da mem&#243;ria social do descobrimento do Brasil. E foi isso mesmo que, por ocasi&#227;o de uma estadia em Portugal, prop&#244;s a Jorge Correia Jesu&#237;no, do ISCTE, e a Jorge Vala, do ISCTE e ICS, de Lisboa.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Herdeiro das preocupa&#231;&#245;es te&#243;ricas daquele primeiro trabalho, o projecto relativo &#224; mem&#243;ria social do descobrimento do Brasil &#233; assim desde o in&#237;cio formulado dentro de um quadro de refer&#234;ncia onde &#233; clara a primazia concedida &#224; teoria das representa&#231;&#245;es sociais (Moscovici, 1961/1976,1989, 2001). Igualmente claro, por&#233;m, &#233; tamb&#233;m desde o in&#237;cio o interesse deste estudo em tentar clarificar, de forma te&#243;rica e emp&#237;rica, as poss&#237;veis liga&#231;&#245;es desta teoria com outras que se t&#234;m interessado pela mem&#243;ria de acontecimentos remotos que implicam todo um grupo.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Uma vez que se tratou de um projecto que se prop&#244;s examinar a articula&#231;&#227;o entre mem&#243;ria social e representa&#231;&#245;es sociais, caber&#227;o agora algumas palavras que situem esta articula&#231;&#227;o e sirvam quer para esclarecer a l&#243;gica que presidiu &#224; escolha dos objectivos espec&#237;ficos do projecto, que ser&#227;o depois descritos, quer como breve introdu&#231;&#227;o &#224; apresenta&#231;&#227;o dos artigos tem&#225;ticos deste n&#250;mero, que o leitor poder&#225; encontrar nas p&#225;ginas que se seguem.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>Representa&#231;&#245;es sociais e mem&#243;ria social</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">N&#227;o somente os cidad&#227;os se amam e se procuram entre si de prefer&#234;ncia aos estrangeiros, como amam a sua p&#225;tria. Querem-lhe como querem a si pr&#243;prios, velam por que seja duradoura e pr&#243;spera, pois que, sem ela, h&#225; toda uma parte da sua vida ps&#237;quica cujo funcionamento ficaria entravado. Inversamente, a sociedade vela para que eles mantenham todas essas semelhan&#231;as fundamentais, j&#225; que &#233; uma condi&#231;&#227;o da sua coes&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">E. Durkheim, <i>A divis&#227;o do trabalho social</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">De acordo com Harr&#233; (1979) duas concep&#231;&#245;es muito diversas de humanidade t&#234;m atravessado as ci&#234;ncias sociais e humanas ao longo do tempo. Uma delas defende que os seres humanos s&#227;o inteiramente constitu&#237;dos pelas caracter&#237;sticas dos colectivos de que participam. Em oposi&#231;&#227;o, a outra defende que cada indiv&#237;duo &#233; um ser aut&#243;nomo, a quem as colectividades s&#227;o inteiramente externas.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Entre estas duas posi&#231;&#245;es extremadas foram, evidentemente, sendo forjadas uma grande variedade de posi&#231;&#245;es interm&#233;dias, pois esta quest&#227;o &#233; absolutamente central para as ci&#234;ncias sociais e humanas: &#233; necess&#225;rio que estas sejam capazes de desenvolver conceitos de &#8220;individual&#34; e de &#34;colectivo&#34; que sejam apropriados para conceptualizar as rela&#231;&#245;es entre ambos os dom&#237;nios e assim permitam forjar um sistema conceptual mais eficaz na an&#225;lise dos grupos humanos e dos indiv&#237;duos. De outra forma, a dicotomiza&#231;&#227;o extremada entre individual e colectivo, pessoa e sociedade, ir&#225; continuar a impedir-nos de chegar a compreender as rela&#231;&#245;es entre uns e outros (Moscovici, 1988,1989).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">No dom&#237;nio da psicologia social, a teoria das representa&#231;&#245;es sociais (TRS) &#233; uma das perspectivas que desde o seu in&#237;cio apresenta um interesse expl&#237;cito na articula&#231;&#227;o entre o individual e o colectivo, insistindo em que n&#227;o h&#225; corte entre um e outro, e que estas n&#227;o s&#227;o no&#231;&#245;es antin&#243;micas (Moscovici, 1989), assim como n&#227;o o s&#227;o as no&#231;&#245;es de cultura e raz&#227;o (Moscovici, 2001). Muito embora na actualidade o campo de pesquisa das representa&#231;&#245;es sociais seja vasto e atravessado por correntes v&#225;rias (S&#225;, 1996), parece poss&#237;vel afirmar que esta ideia permanece central para todas elas.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Tendo come&#231;ado por ir buscar a Durkheim a no&#231;&#227;o de representa&#231;&#227;o (Moscovici, 1961/1976), e reconhecendo com ele a import&#226;ncia das caracter&#237;sticas dos colectivos para a constitui&#231;&#227;o dos indiv&#237;duos, a TRS reconhece tamb&#233;m a actividade dos indiv&#237;duos e as suas capacidades para alterar e trabalhar as representa&#231;&#245;es (Vala, 1993), que para Durkheim se imp&#245;em aos indiv&#237;duos. Neste sentido, a TRS &#233; uma teoria sobre seres sociais activos, que, juntos, constroem representa&#231;&#245;es. Por isso Jesu&#237;no se refere a ela como tendo no seu centro a ideia, afinal muito simples, de que &#34;le changement du monde est d&#251; &#224; Taction de l&#39;homme et que les contraintes n&#39;ont jamais le dernier mot&#34; (2001, p. 291). Trata-se, ainda, de uma teoria que concebe as pessoas como seres suficientemente activos e criativos para serem capazes de misturar e de conciliar ideas que &#224; primeira vista poderiam parecer contradit&#243;rias (ver tamb&#233;m, a este prop&#243;sito, Billig, 1991; Wagner <i>et al,</i> 2000; Castro, 2000a). E &#233; tamb&#233;m neste sentido que esta no&#231;&#227;o de representa&#231;&#227;o &#233; concebida para explicar &#34;what, if anything, binds people together in a group, a society, and makes them act together&#34; (Moscovici, 2001, p. 21).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Para al&#233;m disso, a TRS &#233; tamb&#233;m uma teoria sobre as &#34;thinking societies&#34; (Moscovici, 1981), sociedades onde circulam constantemente cren&#231;as variadas, quase sempre em pares opostos (Moscovici, 2001), armazenadas na linguagem e alimentando o grande reservat&#243;rio do senso comum (Billig, 1991). Por sua vez, o senso comum &#233;, pela teoria, encarado como dependente da capacidade humana para repetir e redescobrir constantemente velhas ideias como se fossem novas, ao mesmo tempo que inventa novos temas para acrescentar aos que reinventa (Moscovici, 1984, cfr. p. 967). Ou seja, &#233; um senso comum que s&#243; se compreende se se levarem em conta as rela&#231;&#245;es dial&#233;cticas entre o velho e o novo, o passado e o presente.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#201; esta preocupa&#231;&#227;o em forjar conceitos capazes de explicar em simult&#226;neo o individual e o colectivo, o passado e o presente, a perman&#234;ncia e a mudan&#231;a, que percorre todos os textos de Moscovici sobre as representa&#231;&#245;es sociais, e que tamb&#233;m podemos encontrar na obra de Halbwachs (Coser, 1992). De acordo com Halbwachs &#34;While the collective memory endures and draws strength from its base in a coherent body of people, it is individuais as group members who remember&#34; (cit. <i>in</i> Coser, 1992, p. 26) &#8212; e aqui temos as quest&#245;es do colectivo e do individual formuladas de forma articulada. Uma articula&#231;&#227;o que Lazslo (2001) tamb&#233;m sublinha, ao afirmar que, partindo ambos de propostas de Durkheim, tanto Halbwachs como Moscovici tentaram conceptualizar as inter-rela&#231;&#245;es entre fen&#243;menos sociais e psicol&#243;gicos, avan&#231;ando assim para al&#233;m das propostas do primeiro.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">De acordo com a s&#237;ntese de Brockmeier (2002), &#233; ainda necess&#225;rio, por&#233;m, precisar que, para Halbwachs &#34;it is not the individual mind that organizes memory, but shared cognitive structures, or frames of memory, that inhere in any social groupings&#34; (p. 23). Porque os seres humanos s&#227;o seres sociais, eles recordam e esquecem de acordo com os &#34;quadros<i>&#8221;/frames</i> de mem&#243;ria e com as pr&#225;ticas que os grupos de que fazem parte lhes disponibilizam. &#201; neste sentido que Connerton (1993) nos previne de que, se &#34;queremos continuar a falar, seguindo Halbwachs, de mem&#243;ria colectiva, devemos reconhecer que muito daquilo que est&#225; a ser subsumido sob esse termo se refere, muito simplesmente, a factos de comunica&#231;&#227;o entre indiv&#237;duos&#34; (p. 46).</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Continuando a falar de comunica&#231;&#227;o entre indiv&#237;duos, e aceitando a advert&#234;ncia de Connerton, podemos tamb&#233;m chamar &#34;narrativas&#34; a estes &#34;quadros&#34;, dirigindo assim a nossa aten&#231;&#227;o para a import&#226;ncia da linguagem, como faz Bruner (1990). Se o fizermos, encontraremos novamente uma grande proximidade com as propostas que a TRS nos traz, ao propor que &#34;social representations are generated and patterned through conversation&#34; (Moscovici, 2001, p. 28).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">E, uma vez virada a nossa aten&#231;&#227;o para o papel da linguagem, poder&#237;amos afirmar que desde que esta surgiu a humanidade se caracteriza por ser uma esp&#233;cie em que a mem&#243;ria se situa parcialmente fora do indiv&#237;duo singular. Desde o seu in&#237;cio, a linguagem permitiu a constru&#231;&#227;o de mitos, e a finalidade destes era &#34;assegurar a sobreviv&#234;ncia do grupo, perpetuando a mem&#243;ria dos saberes da sua funda&#231;&#227;o&#34; (Cara&#231;a, 1997, p. 21). Nos mitos eram reunidas informa&#231;&#245;es cruciais, que as comunidades n&#227;o queriam esquecer, e que eram passadas de gera&#231;&#227;o em gera&#231;&#227;o, possibilitando o surgimento de indiv&#237;duos especializados em serem os seus guardi&#245;es e int&#233;rpretes quando necess&#225;rio. Neste sentido, desde que dispondo de uma linguagem, sempre as sociedades humanas contaram com uma mem&#243;ria social para organizar e dar sentido &#224;s mem&#243;rias individuais.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A inven&#231;&#227;o de uma escrita fon&#233;tica tem tamb&#233;m consequ&#234;ncias imensas para a mem&#243;ria social (Connerton, 1993). Ela gera &#34;a inova&#231;&#227;o cultural ao promover dois processos. A economia e o cepticismo&#34; (p. 91). Economia, porque a mem&#243;ria deixa de depender das capacidades mn&#233;sicas e assim dos seus <i>aide m&#233;moires,</i> como o ritmo e a repeti&#231;&#227;o; e cepticismo, porque os saberes e as ideias est&#227;o agora fixados por escrito e libertam os seres para o trabalho da reflex&#227;o e da cr&#237;tica &#8212; e assim se abre espa&#231;o para a inova&#231;&#227;o. Desta maneira se encaminham as sociedades para mudan&#231;as cada vez mais r&#225;pidas, e se p&#245;e com grande prem&#234;ncia o problema de gerir &#8212; em simult&#226;neo &#8212; a mudan&#231;a e a estabilidade. Um problema que preocupou Halbwachs (ver Coser, 1992) e preocupa Moscovici desde a formula&#231;&#227;o inicial da teoria (ver Castro, 2002b).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Assim nos torn&#225;mos numa esp&#233;cie para a qual a recorda&#231;&#227;o passar&#225; a ser um processo sempre jogado em dois tabuleiros simult&#226;neos &#8212; o individual e o social (Connerton, 1993). Neste sentido podemos olhar para a linguagem, escrita e falada, como um poderoso catalizador do social &#8212; amplia imensamente a capacidade de mem&#243;ria de cada indiv&#237;duo singular, permitindo-lhe ingressar, desde o nascimento, num mundo onde h&#225; j&#225; hist&#243;rias que s&#227;o contadas como sendo dele e estando relacionadas com ele, ainda que ele as n&#227;o tenha vivido pessoalmente. Um mundo onde existe um mecanismo pelo qual a hist&#243;ria singular de cada ente pode ser religada &#224; hist&#243;ria social do grupo a que pertence. Mais ainda, um mundo onde a hist&#243;ria individual de cada um adquire uma boa parte do seu sentido quando, e apenas quando, religada &#224; hist&#243;ria do grupo. Ou seja, um mundo onde a identidade se n&#227;o pode separar da mem&#243;ria, e vice-versa.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#201; num mundo assim que estudar a mem&#243;ria &#233; tentar compreender como &#233; que aquilo que somos &#8212; a nossa identidade &#8212; &#233; influenciado pelo que Connerton (1993) chama &#34;actos de transfer&#234;ncia&#34;. Estes s&#227;o, por exemplo, as cerim&#243;nias comemorativas, que transferem de forma ritual as mem&#243;rias de indiv&#237;duo para indiv&#237;duo, de gera&#231;&#227;o em gera&#231;&#227;o; e s&#227;o tamb&#233;m as pr&#225;ticas corporais, que ir&#227;o dar lugar &#224; mem&#243;riah&#225;bito, incorporada e frequentemente inquestionada (Connerton, 1993); mas &#34;actos de transfer&#234;ncia&#34; poder&#227;o ser tamb&#233;m as narrativas que os livros de hist&#243;ria por onde estud&#225;mos contam sobre o nosso pa&#237;s e os outros pa&#237;ses com os quais nos relacion&#225;mos; ou poder&#227;o ser aquelas narrativas que encontramos nos jornais que compramos todos os dias na esquina; e podem ser actos de transfer&#234;ncia as conversas em que convocamos representa&#231;&#245;es sociais, as quais moldamos e passamos adiante, no incessante ciclo de conversa&#231;&#227;o que constitui o nosso quotidiano em qualquer &#233;poca. Uma conversa&#231;&#227;o que incorpora e que responde &#224;s preocupa&#231;&#245;es mais long&#237;nquas que aprendemos e &#224;s mais pr&#243;ximas que eventos do presente possam estar a suscitar.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Apresenta&#231;&#227;o do projecto</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A tentativa para aprofundar o estudo das &#34;rela&#231;&#245;es estreitas entre a mem&#243;ria social ou colectiva e as representa&#231;&#245;es sociais&#34;, que, nas palavras de Celso Pereira de S&#225; e colaboradores (neste volume), animou o projecto cujos resultados agora se relatam, tentou ent&#227;o responder a algumas das quest&#245;es que ficaram acima esbo&#231;adas.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Creio que esta preocupa&#231;&#227;o se torna evidente quando se ficam a conhecer os objectos e objectivos de estudo que foram definidos para an&#225;lise neste projecto. E estes foram os seguintes.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#091;1&#093; Os cap&#237;tulos dos manuais escolares que, no Brasil e em Portugal, incidiam sobre o descobrimento do Brasil.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Partindo-se da ideia de que &#34;a aprendizagem da hist&#243;ria influencia a constru&#231;&#227;o e actualiza&#231;&#227;o de representa&#231;&#245;es sociais&#34;, no dizer de C&#233;lia Soares e Jorge Correia Jesu&#237;no (neste volume), com a an&#225;lise dos manuais escolares pretendia-se conhecer as representa&#231;&#245;es do descobrimento, e per&#237;odos anterior e posterior, a que estariam a ser expostas, no seu percurso escolar, as popula&#231;&#245;es dos dois pa&#237;ses. Estas representa&#231;&#245;es foram, assim, consideradas como a &#34;mem&#243;ria primordial do acontecimento hist&#243;rico&#34;, como lhes chamam Denize Oliveira e colaboradores (neste volume), e o seu conhecimento foi visto como indispens&#225;vel para se poder constatar se eram actualizadas, transformadas, somadas a outras ou apenas repetidas inalteradas durante o per&#237;odo da comemora&#231;&#227;o dos 500 anos.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">&#091;2&#093; As mat&#233;rias sobre o descobrimento e a sua comemora&#231;&#227;o surgidas na imprensa escrita, em Portugal e no Brasil.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Com esta an&#225;lise o objectivo era o de cartografar as prefer&#234;ncias da imprensa, em termos dos conte&#250;dos que punha em circula&#231;&#227;o, das personagens hist&#243;ricas ou actuais que mais referia, e nas formas que adoptava para organizar as not&#237;cias. Tratou-se de um objectivo que partiu do desejo expresso de reconhecer a import&#226;ncia que assume na actualidade a imprensa escrita, como uma das formas atrav&#233;s das quais &#34;os grupos humanos engendram uma mem&#243;ria colectiva actualizada&#34;, na express&#227;o de Denis Naiff e colaboradores (neste volume).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#091;3&#093; As representa&#231;&#245;es sociais sobre quest&#245;es relacionadas com o descobrimento do Brasil e a sua comemora&#231;&#227;o, manifesta&#231;&#245;es vivas dessa mem&#243;ria social.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Estas representa&#231;&#245;es &#34;actuantes nas duas popula&#231;&#245;es por ocasi&#227;o mesmo da comemora&#231;&#227;o do quinto centen&#225;rio&#34;, como escrevem Renato M&#245;ller e colaboradores (neste volume), foram examinadas atrav&#233;s de um question&#225;rio aplicado &#224;s popula&#231;&#245;es brasileira e portuguesa. Na an&#225;lise dos dados obtidos com este instrumento, a representa&#231;&#227;o social do descobrimento do Brasil foi analisada &#34;no quadro da hip&#243;tese geral de que a evoca&#231;&#227;o e mem&#243;ria de acontecimentos remotos se organiza de forma (...) suficientemente flex&#237;vel para se poder reorganizar contextualmente em fun&#231;&#227;o de princ&#237;pios identit&#225;rios&#34;, como afirmam Vala e colaboradores (neste volume).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Poder&#237;amos, ent&#227;o, dizer que este projecto procurou ver quais s&#227;o e como est&#227;o cristalizadas nos manuais escolares as representa&#231;&#245;es do descobrimento, quais s&#227;o e como foram postas a circular pela imprensa diferentes representa&#231;&#245;es deste e da sua comemora&#231;&#227;o, e quais s&#227;o e de que forma &#34;est&#227;o vivas&#34; as representa&#231;&#245;es de portugueses e brasileiros sobre o descobrimento e a sua comemora&#231;&#227;o. Entendendo-se aqui o &#34;est&#227;o vivas&#34; como uma forma de significar que se procura ver como respondem a princ&#237;pios identit&#225;rios, e &#224;s propostas que lhes s&#227;o feitas quer pelas narrativas mais cristalizadas dos manuais, quer pelas hist&#243;rias mais vol&#225;teis da imprensa.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">H&#225; ainda que dizer que, no seu conjunto, estes objectivos foram sempre atravessados por um outro, transversal a todos eles e evidentemente ligado a uma identidade formulada no quadro dos Estados-Na&#231;&#245;es &#8212; o objectivo de comparar os dois pa&#237;ses.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Foi ent&#227;o com este formato que o projecto decorreu. No Brasil durante os anos de 1998 a 2000, e em Portugal durante o per&#237;odo de 1999 a 2000 &#8212; tendo terminado, portanto, em Dezembro de 2000.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Em Abril de 2001, com os primeiros resultados j&#225; prontos, organiz&#225;mos (J. Vala, P. Castro, A. Saint Maurice, e C. Soares) o encontro O <i>descobrimento do Brasil 500 Anos Depois: Mem&#243;ria Social e Representa&#231;&#245;es de Portugueses e Brasileiros,</i> que teve lugar na Funda&#231;&#227;o Calouste Gulbenkian.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Para comentar as apresenta&#231;&#245;es de cada uma das tr&#234;s componentes do projecto, convid&#225;mos tr&#234;s colegas &#8212; Pedro Cardim comentou os estudos sobre os manuais de hist&#243;ria; Jos&#233; Sobral as an&#225;lises aos resultados dos inqu&#233;ritos; e Miguel Vale de Almeida o exame da imprensa dos dois pa&#237;ses.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os trabalhos apresentados e discutidos neste encontro e os respectivos coment&#225;rios &#8212; depois de retrabalhados e reorganizados, e enriquecidos pelo contributo da historiadora brasileira Lucia Maria Guimar&#227;es &#8212; est&#227;o agora reunidos neste n&#250;mero tem&#225;tico, que passo a apresentar.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Apresenta&#231;&#227;o do n&#250;mero</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">(...) para as sociedades sem escrita e sem arquivos a Mitologia tem por finalidade assegurar, com um alto grau de certeza &#8212; a certeza completa &#233; obviamente imposs&#237;vel &#8212;, que o futuro permanecer&#225; fiel ao presente e ao passado.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">C. L&#233;vi-Strauss (1981)</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">No primeiro dos artigos que se seguem, Celso de S&#225; e colaboradores analisam os resultados de uma tarefa de associa&#231;&#227;o livre de palavras, partindo da abordagem estrutural das representa&#231;&#245;es sociais. A preocupa&#231;&#227;o com um exame das representa&#231;&#245;es sociais que se interesse pela sua estrutura est&#225;, como referenciam os autores, bem posicionada para ter consequ&#234;ncias no estudo da mem&#243;ria social. Isto porque o n&#250;cleo central da representa&#231;&#227;o, um dos dois sistemas que esta perspectiva identifica numa representa&#231;&#227;o social, &#233; aquele onde se agregam os elementos mais antigos e determinantes, onde, portanto, continuam a ecoar, atrav&#233;s dos tempos, as ideias, imagens, conceitos e temas que d&#227;o consist&#234;ncia a uma determinada representa&#231;&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O est&#237;mulo apresentado para desencadear o trabalho evocativo foi a express&#227;o &#34;descobrimento do Brasil&#34;, e houve respostas associativas por parte de 760 brasileiros e de 497 portugueses. No caso das representa&#231;&#245;es associadas ao descobrimento do Brasil, o n&#250;cleo central da representa&#231;&#227;o parece ser muit&#237;ssimo semelhante nos dois pa&#237;ses &#8212; fala de &#237;ndios, caravelas, Pedro &#193;lvares Cabral, praia ou mar. Reflecte, em suma, e tanto tempo depois, a carta de Pero Vaz de Caminha, com as suas caravelas e &#237;ndios de cabelo escorrido. Surge como uma representa&#231;&#227;o muito f&#225;cil de evocar, a que talvez se possa chamar hegem&#243;nica, no sentido que Moscovici (1988) confere ao termo.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Tamb&#233;m muito semelhante nos dois pa&#237;ses, surge uma &#34;cr&#237;tica consolidada&#34;, nas palavras dos autores, que denuncia a escravid&#227;o e a explora&#231;&#227;o das riquezas naturais &#8212; ouro e pau-brasil. No entanto, as &#34;cr&#237;ticas recentes&#34;, de tom negativo, falando de invas&#227;o e de conquista, s&#243; no Brasil surgem. &#201; tamb&#233;m apenas em rela&#231;&#227;o a este pa&#237;s que poderemos afirmar que surge uma representa&#231;&#227;o pol&#233;mica &#8212; detectada sobretudo em jovens de orienta&#231;&#227;o de esquerda e que valorizam a identidade latino-americana &#8212;, representa&#231;&#227;o na qual o massacre dos &#237;ndios &#233; um elemento central.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O coment&#225;rio ao artigo de S&#225; e colaboradores &#233; da responsabilidade de Lucia Maria Guimar&#227;es, a qual acentua a import&#226;ncia de conceber as rela&#231;&#245;es entre a hist&#243;ria e a psicologia social como &#34;uma via de m&#227;o dupla&#34;. E sem d&#250;vida que o seu texto ilustra bem como estas rela&#231;&#245;es podem de facto ser um caminho com dois sentidos, uma vez que nos ajuda a melhor compreender os conte&#250;dos do n&#250;cleo central apresentados no texto anterior, ao descrever-nos como o primeiro impulso da historiografia de um Brasil de rec&#233;m-adquirida independ&#234;ncia, atrav&#233;s do Instituto Hist&#243;rico, foi o de &#34;dotar o pa&#237;s de um passado &#250;nico e coerente&#34;, em continuidade com o passado do imp&#233;rio a que pertencera. Foi com base neste projecto historiogr&#225;fico que se foi vertendo em manuais e relatos hist&#243;ricos, durante todo o s&#233;culo XIX, a narrativa de um Brasil como &#34;entidade mitol&#243;gica descoberta pelas caravelas de Pedro Alvares Cabral&#34;, e insistindo no &#34;encontro pac&#237;fico dos portugueses com os &#237;ndios e as belezas naturais do litoral&#34;, em total conson&#226;ncia com a carta.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">S&#243; na segunda metade do s&#233;culo XX se passa a dar destaque, na historiografia brasileira, &#224; coloniza&#231;&#227;o enquanto forma de explora&#231;&#227;o econ&#243;mica, canalizando lucros para a metr&#243;pole. Por&#233;m nos manuais de ensino b&#225;sico &#233; ainda a concep&#231;&#227;o novecentista que prevalece, enquanto que os questionamentos acerca das implica&#231;&#245;es econ&#243;micas da coloniza&#231;&#227;o ficam guardados para os alunos mais velhos. Afirma ent&#227;o Lucia Guimar&#227;es: &#34;Explica-se, deste modo, que na investiga&#231;&#227;o ora comentada a mem&#243;ria colectiva dos brasileiros tenha privilegiado a figura emblem&#225;tica de <i>Cabral,</i> o <i>mar</i> e as <i>caravelas,</i> enquanto as lembran&#231;as perif&#233;ricas reca&#237;ram sobre a <i>escravid&#227;o</i>e a <i>explora&#231;&#227;o das riquezas brasileiras. &#34;</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O artigo seguinte, da autoria de Denize Cristina de Oliveira e colaboradores, vem corroborar inteiramente o anterior. Analisando nove manuais escolares brasileiros e trazendo-nos quer uma descri&#231;&#227;o estrutural (atrav&#233;s do <i>software</i> Alceste) de como se organizam em grandes grupos tem&#225;ticos os assuntos neles tratados, quer uma rica exemplifica&#231;&#227;o da forma como essas tem&#225;ticas se concretizam, este artigo permite concluir que h&#225; uma leitura dos &#34;factos hist&#243;ricos a partir de um olhar interpretativo essencialmente econ&#243;mico, explorando as motiva&#231;&#245;es e implica&#231;&#245;es desses factos para o fortalecimento europeu e para o desenvolvimento do sistema colonial&#34;, nas palavras dos autores.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Em Portugal a tem&#225;tica do descobrimento &#233; abordada no 5.&#176;, 8.&#176; e 10.&#176; anos de escolaridade. Analisando dois manuais (correspondentes aos que tiveram n&#250;mero de vendas significativo) de cada um destes anos, C&#233;lia Soares e J. Correia Jesu&#237;no apresentam dois tipos de an&#225;lise. Em primeiro lugar prop&#245;em-nos uma descri&#231;&#227;o quantitativa das esferas privilegiadas e actores-chave presentes nos manuais. Esta primeira an&#225;lise permite-lhes mostrar a sali&#234;ncia dada &#224; esfera econ&#243;mica &#8212; corroborando as an&#225;lises anteriores. E permite-lhes tamb&#233;m mostrar a sali&#234;ncia que recebem, enquanto actores-chave deste assunto, os reis e os nobres &#8212; quase sempre mais de um quarto e, no caso de um dos manuais, mais de metade das refer&#234;ncias a actores hist&#243;ricos incidem sobre reis e nobres.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O segundo objectivo destes autores foi no sentido de tentar uma caracteriza&#231;&#227;o da estrutura associativa entre os temas abordados nos manuais. Esta segunda an&#225;lise permitiu mostrar que estes est&#227;o organizados em torno de dois grandes eixos: &#34;O primeiro designa a progress&#227;o das viagens portuguesas e representa a unifica&#231;&#227;o do mundo, que &#233; estabelecida pela liga&#231;&#227;o entre Ocidente e Oriente. Os lugares, os produtos e as rela&#231;&#245;es comerciais s&#227;o os elementos que melhor o caracterizam. O segundo vector organizador das representa&#231;&#245;es refere-se &#224;s diferentes civiliza&#231;&#245;es implicadas neste percurso, e aos resultados da hegemonia portuguesa&#34;.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O coment&#225;rio a estes dois textos, da autoria de Pedro Cardim, salienta, muito justamente, as diferen&#231;as entre a hist&#243;ria contada nos manuais portugueses e a que &#233; relatada nos manuais brasileiros. Estas relacionam-se quer com os protagonistas que recebem maior destaque, quer com os temas mais e menos tratados. Do conjunto destas diferen&#231;as ressalta, nos manuais portugueses, um retrato positivo do nosso pa&#237;s, inserindo-o num contexto hist&#243;rico onde &#233; protagonista. Este retrato positivo parece ao autor resultar de uma s&#233;rie de sil&#234;ncios &#8212; nos livros escolares a presen&#231;a lusitana no Brasil n&#227;o &#233; questionada, a forma como o desenho do territ&#243;rio &#233; estabelecido tamb&#233;m n&#227;o, a hist&#243;ria pr&#233;via do continente n&#227;o &#233; abordada. Acresce tamb&#233;m que se silencia, nestes manuais, a heterogeneidade &#8212; dos ind&#237;genas, dos colonos, do territ&#243;rio. Nos manuais brasileiros a abordagem da coloniza&#231;&#227;o &#233; mais cr&#237;tica, mas tem tamb&#233;m os seus sil&#234;ncios, que omitem, por exemplo, o papel dos bandeirantes em &#34;muitas das principais iniciativas repressivas contra ind&#237;os e africanos&#34;, nas palavras do autor.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Seguindo-se a estes artigos que abordam os relatos do passado tal como estabilizados nos livros escolares, os pr&#243;ximos dois textos falam de como, durante a &#233;poca em que se prepararam e decorreram as comemora&#231;&#245;es dos 500 anos, a imprensa dos dois pa&#237;ses abordou este assunto e outros com ele directamente relacionados.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O trabalho de Denis Naiff e colaboradores, que analisa a imprensa brasileira desde Janeiro de 1998 at&#233; Dezembro de 2000, mostra que no primeiro ano e meio os (quase) &#250;nicos protagonistas que surgem na imprensa s&#227;o os navegadores e os colonizadores, sendo que os &#237;ndios e os negros est&#227;o muito mais ausentes. Por&#233;m, no m&#234;s que inclui mesmo o dia da comemora&#231;&#227;o (Abril de 2000), 43% das men&#231;&#245;es da imprensa a &#34;sujeitos hist&#243;ricos&#34; s&#227;o relativas aos &#237;ndios, um dado que mostra bem como este grupo foi bastante discutido na imprensa por ocasi&#227;o das celebra&#231;&#245;es mais importantes. J&#225; os negros continuam durante todo o tempo de observa&#231;&#227;o a registar os n&#237;veis de men&#231;&#245;es mais baixos de todos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Tamb&#233;m no &#226;mbito das &#34;esferas privilegiadas&#34; este artigo nos aponta uma invers&#227;o de tend&#234;ncia no m&#234;s da Abril de 2000 &#8212; hist&#243;ria e cultura s&#227;o os assuntos mais tratados durante estes dois anos. Por&#233;m, em Abril de 2000, a &#34;pol&#237;tica&#34; &#233; alvo de 41,5% das not&#237;cias &#8212; mostrando bem o quanto este per&#237;odo foi um momento de discuss&#227;o pol&#233;mica para o Brasil. Um outro dado que corrobora fortemente esta ideia &#233; o que se refere &#224; &#34;orienta&#231;&#227;o subjacente&#34; das not&#237;cias. Se a difus&#227;o predomina claramente em todos os semestres, ela cai para 36,9% no m&#234;s de Abril de 2000, devido &#224; subida das not&#237;cias cotadas como propaganda, que atingem neste m&#234;s uns 50,8% absolutamente in&#233;ditos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Se h&#225; nos resultados brasileiros ind&#237;cios claros de uma comemora&#231;&#227;o que foi matizada de pol&#233;mica, os mesmos ind&#237;cios n&#227;o parecem estar presentes na imprensa portuguesa. O artigo de P. Castro mostra como, na imprensa portuguesa, os navegadores foram os protagonistas mais destacados e o componente cultural, art&#237;stico e patrimonial das comemora&#231;&#245;es o mais tratado. No entanto, no primeiro semestre de 2000, e com origem no Brasil h&#225;, apesar de tudo, alguma acentua&#231;&#227;o de not&#237;cias sobre &#34;rela&#231;&#245;es intergrupais&#34;, que atenuam um pouco a face muito institucional que a comemora&#231;&#227;o apresentou na imprensa portuguesa.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Uma an&#225;lise das modalidades comunicativas que este texto prop&#245;e mostra tamb&#233;m como os actores institucionais (governantes e respons&#225;veis pol&#237;ticos, por exemplo) aderem sobretudo a uma forma comunicativa pr&#243;xima da propaga&#231;&#227;o, tal como ela foi definida por Moscovici (1961/1976). E mostra ainda como esta forma comunicativa pode ser muito instrumental na defesa e na preserva&#231;&#227;o de uma identidade nacional positiva associada &#224; coloniza&#231;&#227;o, nomeadamente separando com clareza o passado do presente, e remetendo firmemente para o passado, e s&#243; para ele, todos os problemas e tudo o que possa ter sido menos positivo.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Esta positividade com que a coloniza&#231;&#227;o e a comemora&#231;&#227;o s&#227;o coloridas no nosso pa&#237;s, ressalta assim como contrastante com a pol&#233;mica que tamb&#233;m M. Vale de Almeida salienta ter existido no Brasil, sobretudo protagonizada por &#34;segmentos radicalizados ligados &#224;s causas dos sectores marginalizados da popula&#231;&#227;o brasileira&#34;, que escolhem como &#34;inimigo&#34; com quem polemizar j&#225; n&#227;o o &#34;irrelevante&#34; antigo colonizador, mas os seus herdeiros, as elites privilegiadas brasileiras da actualidade. Este coment&#225;rio faz ali&#225;s notar com muita clareza o qu&#227;o ligados passado e presente se encontram, e como o tempo presente &#233; herdeiro de muitos problemas n&#227;o resolvidos, muitos deles apenas &#34;escondidos&#34; pela representa&#231;&#227;o hegem&#243;nica de uma coloniza&#231;&#227;o portuguesa que teria sido mais &#34;doce&#34;, universalista e miscigenadora.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Por fim, no estudo das &#34;representa&#231;&#245;es sociais vivas&#34;, R. M&#245;ller mostra como os brasileiros reconhecem m&#233;ritos na coloniza&#231;&#227;o, e tamb&#233;m um resultado &#34;integrativo&#34; para esta, mas reconhecem muito mais os seus aspectos negativos (matan&#231;a dos &#237;ndios, por exemplo) do que os portugueses.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Mostra igualmente como no Brasil os sentimentos associados &#224; coloniza&#231;&#227;o se distribuem por muitas possibilidades, e em Portugal s&#243; o orgulho ou a indiferen&#231;a contam; como no Brasil s&#227;o mais as pessoas que afirmam que aprenderam com a Comemora&#231;&#227;o coisas novas e com fontes mais variadas, inclusive recentes, e em Portugal s&#243; o aprendido na escola &#233; relevante.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Numa an&#225;lise que prolonga esta, J. Vala e colaboradores fazem um estudo das imagens dos actores e das representa&#231;&#245;es da coloniza&#231;&#227;o que parte da ideia que estas ancoram em princ&#237;pios identit&#225;rios. Mostram como os portugueses atribuem mais intelig&#234;ncia aos colonizadores, e maior cordialidade aos &#237;ndios e escravos, distinguindo-os de forma mais acentuada do que os brasileiros. Mostram ainda como, dentro dos portugueses em geral, aqueles com uma identidade nacional elevada consideram os negros e os &#237;ndios menos cordiais e os colonizadores mais competentes. Ou seja, mostram como, para os portugueses, uma maior identifica&#231;&#227;o com o pa&#237;s resulta numa representa&#231;&#227;o mais diferenciadora dos actores da coloniza&#231;&#227;o. J&#225; no caso do Brasil, ao inv&#233;s, uma maior identidade nacional corresponde a considerar todos os actores mais competentes, reflectindo o que os autores consideram uma fun&#231;&#227;o integradora da alta identifica&#231;&#227;o com o pa&#237;s. No respeitante &#224;s representa&#231;&#245;es da coloniza&#231;&#227;o, os mesmos autores mostram como elas s&#227;o bastante consensuais dentro de cada pa&#237;s, mas diferentes entre os dois pa&#237;ses, e a brasileira apresenta um tom mais negativo, ao passo que a idealiza&#231;&#227;o da coloniza&#231;&#227;o parece ser em Portugal uma representa&#231;&#227;o hegem&#243;nica.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">No coment&#225;rio a estes resultados, o artigo de J. Sobral parece vir justamente direito a esta quest&#227;o, pois se det&#233;m na an&#225;lise dos caminhos, constrangimentos e caracter&#237;sticas da mem&#243;ria nacional e da identidade nacional. N&#227;o nos deixa esquecer &#8212; apoiando-se nomeadamente no trabalho de Billig &#8212; que a defini&#231;&#227;o do que &#233; o passado nacional &#233; algo de conflituoso, e por esse motivo a mem&#243;ria colectiva deve ser estudada enquanto ideologia. E justamente a esse prop&#243;sito o autor salienta o qu&#227;o evidente &#233; nos resultados dos inqu&#233;ritos a &#34;persist&#234;ncia entre os portugueses de uma imagem eufem&#237;stica da coloniza&#231;&#227;o portuguesa&#34;, nas suas palavras, a qual torna pouco vis&#237;veis os efeitos mais brutais da expans&#227;o colonial.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Em suma, parece ressaltar deste conjunto de trabalhos uma representa&#231;&#227;o do descobrimento do Brasil cujo n&#250;cleo hegem&#243;nico &#8212; mar/praias, caravelas, navegadores, Pedro &#193;lvares Cabral, &#237;ndios &#8212; &#233; binacional. E que &#233; a carta em todo o seu esplendor n&#227;o conflituoso, de rela&#231;&#245;es intergrupais pelo menos t&#227;o id&#237;licas quanto idil&#237;ca &#233; a natureza que descreve. &#201; caso, creio, para nos espantarmos com o assombroso poder fundador sobre as narrativas m&#237;ticas da portugalidade que parece ter tido/ter esta carta. E caso para nos perguntarmos se a descri&#231;&#227;o que ela faz das rela&#231;&#245;es entre grupos humanos como bem-aventuradas desde o in&#237;cio n&#227;o se ter&#225;, ao longo do tempo, desdobrado em diversas vers&#245;es, todas elas acentuando a n&#227;o conflitualidade ou os brandos costumes dos portugueses, e se a ideia da coloniza&#231;&#227;o &#34;pac&#237;fica&#34; portuguesa e do luso-tropicalismo n&#227;o s&#227;o apenas dois desdobramentos desta mesma ideia da carta, desdobramentos que guardam o seu cora&#231;&#227;o mais hegem&#243;nico...</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Tanto mais que esta hegemonia se relaciona com facilidade com uma outra que atravessa tamb&#233;m sem m&#225;cula os dois pa&#237;ses &#8212; o consenso sobre a cordialidade dos ind&#237;os e dos negros e a intelig&#234;ncia dos colonizadores. Ou seja, o consenso sobre a cordialidade dos grupos dominados e a intelig&#234;ncia dos dominantes. Parece claro que, por sua vez, este consenso repete e glosa uma das intermin&#225;veis muta&#231;&#245;es desta dicotomia absolutamente central para o pensamento ocidental que &#233; a que est&#225; inscrita no par <i>natureza/cultura</i> &#8212; que neste caso se desdobra no par <i>emo&#231;&#227;o(cordial)/raz&#227;o(inteligente).</i> Uma dicotomia que sempre deixou muito claro qual &#233; o termo que se associa ao poder e qual o que se associa a formas variadas de domina&#231;&#227;o (Latour, 1994; Soper, 1995).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">E uma dicotomia que parece t&#227;o fundadora para o Brasil que atenua o papel da identidade &#8212; a valoriza&#231;&#227;o das descend&#234;ncias ind&#237;gena e africana tem efeitos menos marcados do que esperado, e a identifica&#231;&#227;o com a ascend&#234;ncia africana n&#227;o acentua a centralidade nem a frequ&#234;ncia da evoca&#231;&#227;o das cr&#237;ticas recentes &#224; coloniza&#231;&#227;o, como aponta o artigo de S&#225; e colaboradores. Por sua vez, em rela&#231;&#227;o aos ind&#237;genas, h&#225; que levar em conta que a sua romantiza&#231;&#227;o enquanto seres cordiais tender&#225; mais a apag&#225;-los enquanto grupos hist&#243;ricos concretos e diversificados e a d&#225;-los a ver enquanto grupo homog&#233;neo de rom&#226;ntica liga&#231;&#227;o &#224; natureza.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">No entanto, para al&#233;m deste aparentemente inquebr&#225;vel cora&#231;&#227;o hegem&#243;nico que os dois pa&#237;ses partilham, h&#225; aspectos que diferenciam o Brasil e Portugal.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Estes dizem nomeadamente respeito &#224;s aprecia&#231;&#245;es relativas &#224; coloniza&#231;&#227;o, que s&#227;o mais cr&#237;ticas no Brasil e mais im&#243;veis em Portugal. E estas diferen&#231;as dizem certamente respeito &#224; forma como as celebra&#231;&#245;es dos 500 anos foram vividas, contadas, encenadas e aproveitadas nos dois pa&#237;ses. No Brasil, aproveitou-se para ler coisas novas sobre o assunto e outros relacionados com ele; em Portugal n&#227;o. No Brasil expressou-se um leque variado de emo&#231;&#245;es; em Portugal n&#227;o fomos para al&#233;m do habitual orgulho, de que s&#243; prescindimos a favor da indiferen&#231;a. No Brasil, em Abril de 2000, os protestos estiveram na rua e nos jornais; a propaganda teve na imprensa um lugar de grande destaque, procurando cumprir o seu papel de atear os fogos da pol&#233;mica, e o pa&#237;s aproveitou esta ocasi&#227;o simb&#243;lica para &#34;lembrar as diversas subalternidades e exclus&#245;es que marcam a sua vida social&#34;, para usar as palavras de J. Sobral (neste volume).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Em suma, no Brasil, esta ocasi&#227;o foi uma oportunidade para a pol&#233;mica em rela&#231;&#227;o &#224; mem&#243;ria social e para p&#244;r a circular representa&#231;&#245;es sociais pol&#233;micas. Em Portugal, foi uma ocasi&#227;o mais institucional, de tom conciliador, e de olhos pregados num futuro que se pretende estar j&#225; livre daquilo que no passado foi problem&#225;tico, e ter herdado apenas o que no passado foi positivo.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Conclus&#227;o</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Enquanto organizadora deste n&#250;mero, cabe-me, para terminar, o prazer de salientar os seus pontos fortes, o que farei recorrendo a um termo de resson&#226;ncias metaforicamente mar&#237;timas &#8212; o termo <i>conflu&#234;ncia,</i> a lembrar como confluem para o mar muitos rios, pequenos e grandes.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Na origem deste n&#250;mero est&#225; a conflu&#234;ncia dos esfor&#231;os daqueles que participaram no projecto de estudo da mem&#243;ria social da descoberta da Am&#233;rica, e que n&#227;o permitiram que este se ficasse por um trabalho sem continuidade, e possibilitaram o transvasar de orienta&#231;&#245;es te&#243;ricas e perguntas resultantes de resultados emp&#237;ricos para um novo esfor&#231;o, uma capacidade sem a qual a ci&#234;ncia n&#227;o pode viver.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Viabilizando este n&#250;mero est&#225; a conflu&#234;ncia da contribui&#231;&#227;o de variadas institui&#231;&#245;es, quer no Brasil quer em Portugal, que s&#227;o as institui&#231;&#245;es de perten&#231;a dos investigadores que aqui escrevem, e s&#227;o tamb&#233;m aquelas que financiaram a pesquisa, porque sem o apoio financeiro a ci&#234;ncia tamb&#233;m n&#227;o pode viver &#8212; a FAPERJ, o CNPq e a FAP/UERJ, que finaciaram os artigos de S&#225; e colaboradores, Oliveira e colaboradores, M&#245;ller e colaboradores e Naiff e colaboradores; a Funda&#231;&#227;o Calouste Gulbenkian, que financiou o artigo de Jorge Vala e Ana Saint-Maurice e o de Paula Castro sobre a imprensa; a FCT que apoiou o artigo de C&#233;lia Soares e Jorge Correia Jesu&#237;no.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Dando consist&#234;ncia e estrutura a este n&#250;mero est&#225; a conflu&#234;ncia de linhas te&#243;ricas de diferentes proveni&#234;ncias disciplinares dentro das ci&#234;ncias sociais e humanas, dando corpo a um projecto de comunica&#231;&#227;o interdisciplinas t&#227;o caro a Moscovici desde o in&#237;cio, t&#227;o acertado com o tempo actual, de preocupa&#231;&#245;es tem&#225;ticas (Wallerstein, 1996), e projecto no seio do qual a psicologia social pode assumir um lugar de disciplina dialogante. Mas projecto simultaneamente ainda relativamente raro.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Na origem deste n&#250;mero est&#225; tamb&#233;m a conflu&#234;ncia de uma s&#233;rie de leituras que configuram, se atendermos ao conjunto destes textos, uma primeira cartografia de um conjunto de autores absolutamente indispens&#225;veis ao estudo da mem&#243;ria social e da mem&#243;ria social nas suas rela&#231;&#245;es com as representa&#231;&#245;es sociais &#8212; e uma vez mais quero salientar a forma como as refer&#234;ncias bibliogr&#225;ficas no seu conjunto atravessam amplamente as ci&#234;ncias sociais e humanas e as mostram em di&#225;logo umas com as outras.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Na base dos resultados apresentados est&#225; ainda a conflu&#234;ncia de esfor&#231;os para fazer deste projecto um projecto realmente conjunto &#8212; o que implicou quer tratamentos conjuntos das bases de dados dos dois pa&#237;ses (casos dos artigos de S&#225; e colaboradores, e J. Vala e colaboradores), quer o desenvolvimento de formas de cotar e de tratar o material que foram sendo ajustadas entre as equipas ao longo do tempo do projecto, e assim resultaram em resultados muito compar&#225;veis.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">E assim, se acab&#225;mos por ver, com o conjunto dos trabalhos aqui reunidos, como a celebra&#231;&#227;o dos 500 anos teve muitas zonas de sil&#234;ncio, quer no Brasil, quer em Portugal, ou seja, se foi poss&#237;vel expor a exist&#234;ncia de v&#225;rias zonas de &#34;evita&#231;&#227;o activa&#34;, para usar a express&#227;o de Billig (1999), esperamos que este trabalho possa contribuir para tornar menos profundos alguns desses sil&#234;ncios e para mostrar o papel das hegemonias na sua reprodu&#231;&#227;o.</font></p>              <p>&nbsp;</p>         <p><font face="Verdana" size="2"><b>Refer&#234;ncias</b></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Billig, M. (1991). <i>Ideology and opinions.</i> Londres: Sage Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478773&pid=S0874-2049200300020000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Billig, M. (1999). <i>Freudian repression.</i> Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478775&pid=S0874-2049200300020000100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Brockmeier, J. (2002). Remembering and forgetting: Narrative as cultural memory. <i>Culture &#38; Psychology, 8,</i>15-43.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478777&pid=S0874-2049200300020000100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Cara&#231;a, J. (1997). O <i>que &#233; a ci&#234;ncia?</i> Lisboa: Difus&#227;o Cultural.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478779&pid=S0874-2049200300020000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Castro, P. (2000a). <i>Natrueza, ci&#234;ncia e ret&#243;rica na constru&#231;&#227;o social da ideia do ambiente.</i> Lisboa: Funda&#231;&#227;o Calouste Gulbenkian.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478781&pid=S0874-2049200300020000100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Castro, P. (2000b). Notas para uma leitura da teoria das representa&#231;&#245;es sociais em S. Moscovici. <i>An&#225;lise Social, 37,</i> 949-979.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478783&pid=S0874-2049200300020000100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Connerton, P (1993). <i>Como as sociedades recordam.</i> Lisboa: D. Quixote.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478785&pid=S0874-2049200300020000100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Coser, L. A. (1992). Introduction: Maurice Halbwachs &#8212; 1887-1945. Irv L. A. Coser (Ed.), <i>Maurice Halbwachs: On collective memory</i> (pp. 1-34). Chicago: The University of Chicago Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478787&pid=S0874-2049200300020000100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Harr&#233;, R. (1979). <i>Social being.</i> Oxford: Basil Blackwell.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478789&pid=S0874-2049200300020000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Jesu&#237;no, J. C. (2001). Ancrages. In R Buschine &#38; N. Kalampalakis (Eds.), <i>Penser la vie, le social, la nature: M&#233;langes en honneur de Serge Moscovici</i> (pp. 277-294). Paris: &#201;ditions de la Maison des Sciences de L&#39;Homme.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478791&pid=S0874-2049200300020000100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Latour, B. (1994). <i>Nous n&#39;avons jamais &#233;t&#233; modernes: Essai d&#39;anthropologie sym&#233;trique.</i> Paris: &#201;ditions La D&#233;couverte.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478793&pid=S0874-2049200300020000100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Lazslo, J. (2001, Abril). Societal psychology, history, identity and narrative.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478795&pid=S0874-2049200300020000100012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Comunica&#231;&#227;o apresentada no EAESP Small Group Meeting &#34;Theory and method in societal psychology&#34;, Pecs, Hungria.</font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Moscovici, S. (1976). <i>La Psychanalyse, son image, son pubic.</i> Paris: Presses Universitaires de France.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478797&pid=S0874-2049200300020000100013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Moscovici, S. (1981). On social representations. In J. P. Forgas (Ed.), <i>Social cognition: Perspectives on everyday understanding</i> (pp. 181-209). Londres: Academie Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478799&pid=S0874-2049200300020000100014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Moscovici, S. (1984). The myth of the lonely paradigm: A rejoinder. <i>Social Research, 51,</i> 939-967.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478801&pid=S0874-2049200300020000100015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Moscovici, S. (1988). Notes towards a description of social representations. <i>European Journal of Social Psychology, 18,</i> 211-250.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=478803&pid=S0874-2049200300020000100016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          ]]></body>
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