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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A memória primordial do descobrimento do Brasil: análise dos manuais brasileiros de história]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article synthesizes the results concerning knowledge transmission on the discovery of Brazil in the Brazilian school manuals. The fact that this kind of information is received by the students in a systematic way and starting from early age, contributes decisively to configure more than knowledge, something as a primordial memory of such important historical event. The methodology used in this study consisted of content analysis of the content of chapters of nine school manuals used in the fundamental and medium public teaching in Brazil, relatively to the period that precedes the discovery of Brazil until the colonization. The analysis of the texts was done through the technique of co-occurent lexeme analysis in simple text, using the Alceste 4. 5 software. Four corpus of text were analysed: the first contained the group of all of the texts; the remaining three were composed, respectively, by texts of the historical period of pre-discovery, of the discovery and of post-colonialism. The result of the analysis of this group of texts reveals the segmentation of its content in five thematic classes: the first inhabitants of the new earth; the Portuguese expansionism; the European trade and the search of new commercial routes; the European marine expansion, the organization of Europe in terms of politics, society and economy. In the corpus of the period of the discovery four thematic classes are observed: the intentionality of Cabral's voyage; the everyday life of the indigenous people; the arrival of the Portuguese and the wealth of the new earth; the power over the people through writing and technology. In the corpus relative to the period of post-discovery six classes were observed: the white ethnocentrism; the pre-colonial period; the hereditary "capitanias"; the black slavery in Brazil; the Portuguese colonial exploration; the dominance and the indigenous acculturation. In the four analyses results point out, with structuring effects for the memory of the discovery, two central themes: the Portuguese and European commercial themes and the indigenous theme. The results also reveal a common orientation among the authors of the different manuals, a result that can state the homogeneity frequently marked of the primordial memory. This homogeneity is characterized by a factual narrative with few analysis of the processes and historical facts; a defence positioning of the explored subjects, above all of the Indians; the privilege to an economical-commercial perspective of the discovery of Brazil, in detriment of a human and social vision of the same process. To conclude, the texts analyzed emphasize the negativity of colonization, such as expressing a critical vision of the treatment given by the colonizers to the Indians and black people, of the economical exploration and of the cultural imposition. Nevertheless, these same texts still emphasize the European enterprising character in this period of navigations and of colonial expansion.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="4"><b>A mem&#243;ria primordial do descobrimento do Brasil an&#225;lise dos manuais brasileiros de hist&#243;ria<a href="#1"><sup>1</sup></a><a name="top1"></a></b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Primordial memory of the discovery of Brazil in the Brazilian population: The content of school textbooks</b></font></p>            <p>&nbsp;</p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Denize Cristina de Oliveira<sup>*</sup>; Ma&#237;ra Cec&#237;lia Lewin<sup>**</sup>; Celso Pereira de S&#225;<sup>***</sup>;</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><sup>*</sup>Doutora em sa&#250;de p&#250;blica; professora titular; Faculdade de Enfermagem / Universidade do Estado do Rio de Janeiro.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><sup>**</sup>Graduanda em hist&#243;ria; Instituto de Filosofia e Ci&#234;ncias Humanas / Universidade do Estado do Rio de Janeiro.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><sup>***</sup>Doutor em psicologia social; professor titular; Instituto de Psicologia / Universidade do Estado do Rio de Janeiro.</font></p>      <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Este artigo sintetiza as an&#225;lises realizadas quanto ao conhecimento veiculado sobre o descobrimento do Brasil nos manuais escolares brasileiros. O facto de constituir uma informa&#231;&#227;o recebida pelos estudantes de forma sistem&#225;tica e j&#225; a partir de pouca idade, contribui decisivamente para configurar, mais do que um saber, algo como uma mem&#243;ria primordial de t&#227;o importante acontecimento hist&#243;rico. A metodologia empregue consistiu na an&#225;lise do conte&#250;do dos cap&#237;tulos relativos ao per&#237;odo que antecede o descobrimento do Brasil at&#233; &#224; coloniza&#231;&#227;o em nove manuais escolares utilizados no ensino p&#250;blico fundamental e m&#233;dio no Brasil. A an&#225;lise dos textos foi realizada atrav&#233;s da t&#233;cnica de <i>an&#225;lise de lexemas co-ocorrentes num enunciado simples de texto</i>, utilizando-se o <i>software</i> Alceste 4.5. Foram compostos quatro <i>corpus</i> de an&#225;lise: o primeiro contexto o conjunto de todos os textos; e os tr&#234;s restantes constitu&#237;dos, respectivamente, pelos textos relativos aos per&#237;odos hist&#243;ricos do pr&#233;-descobrimento, do descobrimento e do p&#243;s-colonialismo. O resultado da an&#225;lise do conjunto de textos revela a segmenta&#231;&#227;o do conte&#250;do em cinco classes tem&#225;ticas, que se referem: aos primeiros habitantes da nova terra; ao expansionismo portugu&#234;s; ao com&#233;rcio europeu e &#224; busca de novas rotas comerciais; &#224; expans&#227;o mar&#237;tima europeia; &#224; organiza&#231;&#227;o pol&#237;tica, social e econ&#243;mica da Europa. No <i>corpus</i> do per&#237;odo do descobrimento observam-se quatro classes tem&#225;ticas, a prop&#243;sito de: a intencionalidade da viagem de Cabral; o quotidiano ind&#237;gena; a chegada dos portugueses e as riquezas da nova terra; o dom&#237;nio dos povos atrav&#233;s da escrita e da tecnologia. No <i>corpus</i> relativo ao per&#237;odo do p&#243;s-descobrimento s&#227;o observadas seis classes, abordando: o etnocentrismo branco; o per&#237;odo pr&#233;-colonial; as capitanias heredit&#225;rias; a escravid&#227;o negra no Brasil; a explora&#231;&#227;o colonial portuguesa; a domina&#231;&#227;o e a acultura&#231;&#227;o ind&#237;gena. Nas quatro an&#225;lises realizadas salientam-se, com efeitos estruturantes sobre a mem&#243;ria do descobrimento, duas tem&#225;ticas centrais: as quest&#245;es comerciais portuguesas e europeias e a quest&#227;o ind&#237;gena. Os resultados revelam ainda uma orienta&#231;&#227;o comum entre os autores dos diferentes manuais, o que pode responder pela homogeneidade frequentemente assinalada da mem&#243;ria primordial. Caracteriza-se tal tratamento comum por: uma narrativa factual com pouca an&#225;lise dos processos e factos hist&#243;ricos; um posicionamento de defesa dos sujeitos explorados, sobretudo dos &#237;ndios; o privil&#233;gio a uma perspectiva econ&#243;mico-comercial do descobrimento do Brasil, em detrimento de uma vis&#227;o humana e social do mesmo processo. Concluindo, os textos analisados ressaltam a negatividade da coloniza&#231;&#227;o, ao expressarem uma vis&#227;o cr&#237;tica do tratamento dado pelos colonizadores aos &#237;ndios e negros, da explora&#231;&#227;o econ&#243;mica e da imposi&#231;&#227;o cultural. N&#227;o deixam, entretanto, de enfatizar o car&#225;cter empreendedor europeu no per&#237;odo das navega&#231;&#245;es e da expans&#227;o colonial.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave</b> Mem&#243;ria primordial, descobrimento do brasil, manuais escolares.</font></p>  <hr size="1" noshade>       <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"> This article synthesizes the results concerning knowledge transmission on the discovery of Brazil in the Brazilian school manuals. The fact that this kind of information is received by the students in a systematic way and starting from early age, contributes decisively to configure more than knowledge, something as a primordial memory of such important historical event. The methodology used in this study consisted of content analysis of the content of chapters of nine school manuals used in the fundamental and medium public teaching in Brazil, relatively to the period that precedes the discovery of Brazil until the colonization. The analysis of the texts was done through the technique of <i>co-occurent lexeme analysis in simple text,</i> using the Alceste 4. 5 software. Four <i>corpus</i> of text were analysed: the first contained the group of all of the texts; the remaining three were composed, respectively, by texts of the historical period of pre-discovery, of the discovery and of post-colonialism. The result of the analysis of this group of texts reveals the segmentation of its content in five thematic classes: the first inhabitants of the new earth; the Portuguese expansionism; the European trade and the search of new commercial routes; the European marine expansion, the organization of Europe in terms of politics, society and economy. In the <i>corpus</i> of the period of the discovery four thematic classes are observed: the intentionality of Cabral&#39;s voyage; the everyday life of the indigenous people; the arrival of the Portuguese and the wealth of the new earth; the power over the people through writing and technology. In the <i>corpus</i> relative to the period of post-discovery six classes were observed: the white ethnocentrism; the pre-colonial period; the hereditary &#34;capitanias&#34;; the black slavery in Brazil; the Portuguese colonial exploration; the dominance and the indigenous acculturation. In the four analyses results point out, with structuring effects for the memory of the discovery, two central themes: the Portuguese and European commercial themes and the indigenous theme. The results also reveal a common orientation among the authors of the different manuals, a result that can state the homogeneity frequently marked of the primordial memory. This homogeneity is characterized by a factual narrative with few analysis of the processes and historical facts; a defence positioning of the explored subjects, above all of the Indians; the privilege to an economical-commercial perspective of the discovery of Brazil, in detriment of a human and social vision of the same process. To conclude, the texts analyzed emphasize the negativity of colonization, such as expressing a critical vision of the treatment given by the colonizers to the Indians and black people, of the economical exploration and of the cultural imposition. Nevertheless, these same texts still emphasize the European enterprising character in this period of navigations and of colonial expansion.</font></p>        <hr size="1" noshade>         <p>&nbsp;</p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Introdu&#231;&#227;o</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Este trabalho faz parte do projecto de pesquisa mais amplo, conduzido no Brasil e em Portugal, sobre a mem&#243;ria social do descobrimento do Brasil, com &#234;nfase &#224; sua actualiza&#231;&#227;o em fun&#231;&#227;o das comemora&#231;&#245;es do quinto centen&#225;rio (S&#225;, 2000; S&#225; &#38; Vala, 2000). Cuidou-se, nesse projecto, da mem&#243;ria das popula&#231;&#245;es brasileira e portuguesa contempor&#226;neas acerca de um passado remoto, j&#225; tornado hist&#243;ria, que fora comum a seus antepassados directos ou a parcelas deles.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Privilegiou-se aqui o referencial te&#243;rico psicossocial das representa&#231;&#245;es sociais (Moscovici, 1976,1984; Jodelet, 1989), a partir de uma defini&#231;&#227;o da mem&#243;ria colectiva como um conjunto de representa&#231;&#245;es sociais acerca do passado (Jedlowski, 2000). Justifica ainda essa elei&#231;&#227;o te&#243;rica, no caso de eventos hist&#243;ricos, a observa&#231;&#227;o de J. Le Goff (1988) de que a utiliza&#231;&#227;o da mem&#243;ria, como conceito associado &#224; hist&#243;ria, surgiu para tratar de &#34;realidades hist&#243;ricas&#34; por muito tempo ignoradas pelos historiadores, ou seja, como uma &#34;hist&#243;ria das representa&#231;&#245;es&#34;, sob variadas formas &#8212; das ideologias, do imagin&#225;rio, das mentalidades.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Nesse sentido, para os efeitos do presente estudo, considerou-se que, al&#233;m de descrever e comparar as mem&#243;rias actualizadas do descobrimento atrav&#233;s das &#34;representa&#231;&#245;es sociais vivas&#34; manifestadas pelas popula&#231;&#245;es brasileira e portuguesa, e de buscar as fontes imediatas de tal actualiza&#231;&#227;o nas mat&#233;rias veiculadas pelos media por ocasi&#227;o das comemora&#231;&#245;es do quinto centen&#225;rio, como relatado em outros artigos neste volume, seria indispens&#225;vel conhecer o que se estar&#225; chamando aqui de uma mem&#243;ria primordial do acontecimento hist&#243;rico, a partir da qual se poderia constatar a ocorr&#234;ncia ou n&#227;o de uma actualiza&#231;&#227;o significativa.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">De facto, os livros did&#225;cticos desempenham um papel importante na constitui&#231;&#227;o primeira da mem&#243;ria social de factos hist&#243;ricos remotos, que simplesmente n&#227;o foram vivenciados pelos sujeitos que deles agora se &#34;lembram&#34;. Como afirma Ferro (1991), &#34;a hist&#243;ria tal como nos foi contada quando &#233;ramos crian&#231;as (...) deixa sua marca em n&#243;s para toda a vida&#34; (p. 9). Al&#233;m disso, diferentes gera&#231;&#245;es podem ser influenciadas em direc&#231;&#245;es distintas por essa &#34;mem&#243;ria hist&#243;rica&#34; socializada, &#224; medida que mudem as orienta&#231;&#245;es dos autores de tais livros, em fun&#231;&#227;o de interesses e perspectivas te&#243;ricas renovadas, como L. Guimar&#227;es, neste volume, mostra j&#225; ter ocorrido. Nesse sentido, os manuais escolares t&#234;m uma fun&#231;&#227;o distinta daquela atribu&#237;da &#224; pr&#243;pria hist&#243;ria, como observa FitzGerald <i>(apud</i> Wertsch, 1997):</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os manuais de hist&#243;ria para as escolas elementar e secund&#225;ria n&#227;o s&#227;o como outros tipos de hist&#243;rias. Eles servem a uma fun&#231;&#227;o diferente e t&#234;m suas pr&#243;prias tradi&#231;&#245;es, que se mant&#234;m independentes da produ&#231;&#227;o hist&#243;rica acad&#233;mica. Em primeiro lugar, s&#227;o essencialmente hist&#243;rias nacionalistas. O primeiro manual de hist&#243;ria americano foi escrito depois da Revolu&#231;&#227;o Americana, e por causa dela; e a maioria dos textos s&#227;o ainda relatos da na&#231;&#227;o-estado. Em segundo lugar, eles s&#227;o escritos n&#227;o para explorar, mas para instruir &#8212; para dizer &#224;s crian&#231;as o que os mais velhos querem que elas saibam sobre o seu pa&#237;s (p. 13)</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Desta forma, incluiu-se dentre os objectivos do estudo amplo da mem&#243;ria social do descobrimento do Brasil, como se fez tamb&#233;m em Portugal, a an&#225;lise dos conte&#250;dos veiculados pelos livros did&#225;cticos de hist&#243;ria brasileiros utilizados no ensino p&#250;blico de n&#237;veis fundamental e m&#233;dio, enquanto ve&#237;culos privilegiados de constru&#231;&#227;o e transforma&#231;&#227;o das representa&#231;&#245;es sociais que constituem essa mem&#243;ria.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Metodologia</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A metodologia utilizada consistiu na selec&#231;&#227;o, cataloga&#231;&#227;o e an&#225;lise do conte&#250;do dos cap&#237;tulos dedicados ao per&#237;odo que antecede o descobrimento do Brasil at&#233; a coloniza&#231;&#227;o, em nove manuais escolares, seleccionados com base no Cat&#225;logo Nacional do Livro Did&#225;ctico, editado pelo Minist&#233;rio da Educa&#231;&#227;o do Brasil.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O material textual dos livros did&#225;cticos foi submetido a uma an&#225;lise de conte&#250;do informatizada, utilizando-se para essa finalidade o <i>software</i> Alceste 4.5 (Reinert, 1990), que funciona em ambiente <i>Windows</i> e realiza, como indica a sigla que lhe serve de t&#237;tulo (em franc&#234;s), uma &#34;an&#225;lise lexical por contexto de um conjunto de segmentos de texto&#34;, atrav&#233;s do uso da t&#233;cnica de an&#225;lise hier&#225;rquica descendente sobre o material textual.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A t&#233;cnica de an&#225;lise hier&#225;rquica desenvolve o tratamento dos dados sobre o pr&#243;prio campo sem&#226;ntico produzido e que &#233; submetido &#224; an&#225;lise, de maneira descritiva e comparativa. Realiza o pareamento de campos sem&#226;nticos produzidos por cada unidade de an&#225;lise (neste caso, por cada livro). A an&#225;lise dos itens l&#233;xicos &#233; efectuada usando-se categorias, tais como tipo de vocabul&#225;rio, dispers&#227;o, ocorr&#234;ncias e co-ocorr&#234;ncias, completada pela composi&#231;&#227;o de classes tem&#225;ticas. Disponibiliza, assim, informa&#231;&#245;es importantes sobre a natureza do conte&#250;do da representa&#231;&#227;o. O Alceste permite ainda a an&#225;lise quantitativa de dados textuais, tomando como base as leis de distribui&#231;&#227;o do vocabul&#225;rio, e organizando o mesmo em classes ou categorias tem&#225;ticas que informam quais temas est&#227;o presentes no conjunto dos textos analisados, e qual o conte&#250;do desses temas, permitindo, assim, a sua descri&#231;&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A composi&#231;&#227;o dos <i>corpus</i> de an&#225;lise foi feita de duas formas distintas. Na primeira considerou-se o conjunto dos textos dos nove livros como sendo um <i>cc pus</i> &#250;nico de an&#225;lise; na segunda, esse material foi dividido em tr&#234;s <i>corpus</i> distinto em fun&#231;&#227;o do per&#237;odo hist&#243;rico ao qual se referiam, tendo sido constitu&#237;dos, respectivamente, pelos textos relativos aos per&#237;odos hist&#243;ricos do pr&#233;-descobrimento do descobrimento e do p&#243;s-descobrimento.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Para cada <i>corpus</i> de texto foi realizada uma an&#225;lise, a partir da qual foi poss&#237;vel identificar e comparar as tem&#225;ticas presentes e os seus respectivos conte&#250;dos espec&#237;ficos. Esses conte&#250;dos s&#227;o expressos por formas reduzidas das palavras t&#237;p cas de cada classe, pelo valor de ades&#227;o dessas formas reduzidas &#224;s classes <i>(&#935;<sup>2</sup>) </i>por unidades de contexto elementares (UCE), que s&#227;o os segmentos de texto a partir dos quais a an&#225;lise hier&#225;rquica &#233; realizada.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Resultados</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os resultados s&#227;o constitu&#237;dos por um conjunto de classes tem&#225;ticas para cada an&#225;lise  Alceste realizada. Os conte&#250;dos dessas classes ser&#227;o apresentados e discutidos a seguir.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>An&#225;lise do conjunto dos textos</i></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A an&#225;lise do conjunto dos livros foi caracterizada por apontar conte&#250;dos que se dividem formando classes. Nesta an&#225;lise s&#227;o observados dois grandes grupos tem&#225;ticos: per&#237;odos hist&#243;ricos e sujeitos hist&#243;ricos privilegiados. Os per&#237;odos hist&#243;rico: se subdividem em pr&#233;-descobrimento, descobrimento e coloniza&#231;&#227;o; e os sujeito: hist&#243;ricos privilegiados nesses factos, em &#237;ndios e negros.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os dois grandes grupos tem&#225;ticos com suas respectivas classes podem ser observados na <a href="/img/revistas/psi/v17n2/17n2a04f1.jpg">figura 1.</a></font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">Cada classe isolada atrav&#233;s do <i>software</i> Alceste foi determinada por uma parte do conjunto total de unidades de contexto elementares (UCE) em que o texto foi inicialmente decomposto. Na presente an&#225;lise evidencia-se na <a href="/img/revistas/psi/v17n2/17n2a04f1.jpg">figura 1</a> a seguinte distribui&#231;&#227;o: a classe 1 respondeu por 367 UCE (15,27% das UCE analisadas); a classe 2 por 288 UCE (11,99% das UCE); a classe 3 por 500 UCE (20,81% das UCE); a classe 4 por 387 UCE (16,10% das UCE); a classe 5 por 861 UCE (35,83% das UCE).</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">Essas classes podem ser assim denominadas, em fun&#231;&#227;o do conte&#250;do que apresentam: (1) &#34;O com&#233;rcio pr&#233;-descobrimento&#34;; (2) &#34;o descobrimento&#34;; (3) &#34;o per&#237;odo colonial&#34;; (4) &#34;a escravid&#227;o negra&#34;; (5) &#34;a quest&#227;o ind&#237;gena&#34;. Observa-se, portanto, que a tem&#225;tica da quest&#227;o ind&#237;gena &#233; aquela isolada a partir da maior quantidade de material, seguida pelo tema da coloniza&#231;&#227;o do Brasil.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O primeiro grupo observado na <a href="/img/revistas/psi/v17n2/17n2a04f2.jpg">figura 2</a> &#233; formado pelas classes 1,2 e 3 e caracteriza-se por focalizar os factos que antecederam e constitu&#237;ram o contexto do descobrimento o Brasil, bem como pela descri&#231;&#227;o desse processo e das bases territoriais e pol&#237;ticas da coloniza&#231;&#227;o do Brasil. Os sujeitos hist&#243;ricos implicados s&#227;o os portugueses descobridores e outros europeus envolvidos na expans&#227;o mar&#237;tima do velho mundo.</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">Nas classes 1 e 2 &#8212; &#34;o com&#233;rcio pr&#233;-descobrimento&#34; e &#34;o descobrimento&#34; &#8212; esses eventos s&#227;o tratados em fun&#231;&#227;o do contexto hist&#243;rico geral da Europa mercantilista e dos descobrimentos das Am&#233;ricas espanhola e portuguesa, bem como da necessidade de conhecimento da nova terra e dos seus habitantes.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Alguns trechos (UCE) retirados dos livros analisados exemplificam os conte&#250;dos dessas duas classes:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A partir das cruzadas, os europeus retomaram as trocas comerciais com os reinos mu&#231;ulmanos do Oriente M&#233;dio. Para isso, precisavam de metais preciosos, pois o com&#233;rcio com o Oriente era feito atrav&#233;s de moedas de prata e ouro, isso porque os lucros obtidos com o desenvolvimento do com&#233;rcio significariam maior riqueza e prest&#237;gio social para a burguesia, o fortalecimento do poder pol&#237;tico do rei e o enriquecimento do estado.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">As na&#231;&#245;es que participaram da expans&#227;o mar&#237;timo-comercial nos s&#233;culos XV e XVI, tomaram-se as mais poderosas da Europa. Pelo pioneirismo, destacaram-se Portugal e Espanha. Posteriormente, sobressa&#237;ram Fran&#231;a, Inglaterra e Holanda. Disputando novos mercados comerciais, geradores de lucros e riquezas, esses pa&#237;ses entraram num per&#237;odo de grande concorr&#234;ncia e rivalidades.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Pelo Tratado de Tordesilhas, originalmente chamado de capitula&#231;&#227;o da parti&#231;&#227;o do Mar Oceano, resolvia-se a controv&#233;rsia mediante verdadeira partilha do mundo entre Portugal e Espanha: &#224; coroa portuguesa pertenceriam as terras situadas aqu&#233;m de um meridiano tra&#231;ado de p&#243;lo a p&#243;lo e passando a 370 l&#233;guas a oeste da ilhas de Cabo Verde.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O caminho para as &#237;ndias estava prestes a ser descoberto pelos navegadores portugueses. Mas, em 1496, os espanh&#243;is surpreenderam a todos: Crist&#243;v&#227;o Colombo, um navegador genov&#234;s a servi&#231;o da rainha Isabel de Castela, anunciou que havia alcan&#231;ado as &#237;ndias, navegando rumo ao oeste.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Realizava-se o sonho de muitos portugueses: descobrir um novo caminho para o oriente. Em 1500, organizou uma nova expedi&#231;&#227;o portuguesa para as &#237;ndias. Por&#233;m, antes de atingir as &#237;ndias, chegou &#224;s terras que ficariam conhecidas por Brasil.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Na classe 3 &#8212; &#34;administra&#231;&#227;o da col&#243;nia&#34; &#8212; a coloniza&#231;&#227;o apresenta-se como estrat&#233;gia de desenvolvimento e explora&#231;&#227;o da nova terra, que se efectiva atrav&#233;s da m&#227;o-de-obra dos escravos africanos, como o ilustram as seguintes UCE:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O governo portugu&#234;s n&#227;o tinha recursos econ&#243;micos para investir na coloniza&#231;&#227;o brasileira. Decidiu, ent&#227;o, implantar um sistema transferindo essa tarefa para a iniciativa particular.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A partir de 1534 a coroa portuguesa instituiu, ent&#227;o, o regime de capitanias heredit&#225;rias, ou donat&#225;rias, para promover a coloniza&#231;&#227;o do Brasil. Este sistema consistia na entrega a particulares de extens&#245;es de terra divididas pela coroa.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O Governo geral foi criado em 1548, com o objectivo de coordenar as iniciativas de povoamento produtivo. O governador geral era um funcion&#225;rio subordinado &#224; coroa, com atribui&#231;&#245;es delimitadas por um regimento.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O segundo grupo &#233; formado pelas classes 4 e 5; a primeira delas apresenta como actores hist&#243;ricos complementares os &#237;ndios e brancos, tendo como contexto hist&#243;rico a naturaliza&#231;&#227;o do &#237;ndio; a segunda, os negros escravos e seus senhores, sob o contexto hist&#243;rico da opress&#227;o e da explora&#231;&#227;o do per&#237;odo colonial, em fun&#231;&#227;o dos interesses econ&#243;micos envolvidos na ocupa&#231;&#227;o da nova terra. Essas classes representam oposi&#231;&#245;es, de facto e de estilos de vida, entre popula&#231;&#245;es espec&#237;ficas, em fun&#231;&#227;o do lugar e do papel hist&#243;rico desempenhado por cada uma delas, como ilustram os seguintes trechos did&#225;cticos:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A maioria dos negros ia trabalhar nas lavouras de cana, nos engenhos de a&#231;&#250;car ou nas casas dos grandes fazendeiros. Quando chegava da &#193;frica, o negro se encontrava completamente solit&#225;rio.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Outras formas de resist&#234;ncia, mais dram&#225;ticas, eram o suic&#237;dio, o assassinato dos senhores, o aborto, e, &#224;s vezes, o infantic&#237;dio. E havia os quilombos. Cansados da sua situa&#231;&#227;o, muitos escravos fugiam dos engenhos, dirigindo-se para pontos de dif&#237;cil acesso, criando aldeias onde procuravam viver em liberdade.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Numa tribo, todos t&#234;m direitos iguais de utiliza&#231;&#227;o dos materiais fornecidos pela natureza, para fazer arcos, flechas, machados, cestas, objectos de cer&#226;mica etc. Quando os componentes da tribo praticam a agricultura, cada grupo de parentes possui sua pr&#243;pria ro&#231;a, plantando mandioca, milho, ab&#243;bora, batata-doce, inhame etc.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Com suas armas de fogo, matava muitos &#237;ndios. Tamb&#233;m matava os &#237;ndios com as doen&#231;as que trouxe, para as quais os &#237;ndios n&#227;o tinham defesas: a gripe, o sarampo, a var&#237;ola e outras.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A classe 4 &#8212; &#34;a escravid&#227;o negra&#34; &#8212; aborda a escravid&#227;o dos povos africanos, em fun&#231;&#227;o das caracter&#237;sticas econ&#243;micas envolvidas nesse processo hist&#243;rico e n&#227;o em fun&#231;&#227;o dos atributos humanos. A resist&#234;ncia &#224; escravid&#227;o &#233; abordada por refer&#234;ncia &#224; propriedade e &#224; produ&#231;&#227;o, associada &#224; intencionalidade de fuga e &#224; luta por liberdade.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A classe 5 &#8212; &#34;a quest&#227;o ind&#237;gena&#34; &#8212; apresenta uma descri&#231;&#227;o desse grupo em termos de g&#233;nero humano e identidade, diferen&#231;as culturais, modo de vida e organiza&#231;&#227;o social, assim como da inten&#231;&#227;o civilizat&#243;ria dos brancos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A an&#225;lise do conjunto dos livros pode tamb&#233;m ser apreciada em termos das tem&#225;ticas abordadas, das esferas e dos sujeitos hist&#243;ricos que privilegiam. As tem&#225;ticas espec&#237;ficas observadas na an&#225;lise indicam as maiores frequ&#234;ncias para a quest&#227;o ind&#237;gena e para os sistemas administrativos da col&#243;nia, seguidas da escravid&#227;o negra e dos interesses comerciais europeus. Deve-se destacar que as tem&#225;ticas da coloniza&#231;&#227;o e as quest&#245;es europeias est&#227;o contextualizadas no com&#233;rcio pr&#233; e p&#243;s-descobrimento, envolvendo portanto uma vis&#227;o mercantilista do descobrimento e da coloniza&#231;&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Nas esferas privilegiadas pelos textos observa-se o destaque do enfoque pol&#237;tico e econ&#243;mico da hist&#243;ria, ocupando os tra&#231;os antropol&#243;gicos e culturais um terceiro lugar. A classe 3, relacionada &#224; administra&#231;&#227;o colonial, &#233; exemplar nesse sentido, pois destaca as palavras &#34;capitania&#34;, &#34;col&#243;nia&#34; e &#34;governo&#34;, caracter&#237;sticas de um discurso pol&#237;tico relativo &#224; administra&#231;&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os sujeitos hist&#243;ricos que apresentaram as maiores frequ&#234;ncias na an&#225;lise foram os colonizadores, negros e &#237;ndios. Na classe 5, verifica-se o destaque dado &#224;s palavras &#34;&#237;ndios&#34;, &#34;brancos&#34;, &#34;diferentes&#34; e &#34;civilizados&#34;, sugerindo uma inten&#231;&#227;o civilizat&#243;ria da ocupa&#231;&#227;o portuguesa, como justifica&#231;&#227;o para a explora&#231;&#227;o econ&#243;mica predominante na coloniza&#231;&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>An&#225;lise por per&#237;odo hist&#243;rico</i> O pr&#233;-descobrimento</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">De um modo geral, o per&#237;odo anterior ao descobrimento &#233; tratado pelos autores a partir de uma perspectiva pol&#237;tica e de organiza&#231;&#227;o dos estados europeus, bem como dos interesses econ&#243;micos que marcaram a expans&#227;o mar&#237;tima portuguesa &#8364; europeia.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Neste primeiro <i>corpus</i> de an&#225;lise identificaram-se cinco classes discursivas, cada uma das quais caracterizada por um conjunto de tem&#225;ticas presentes nos textos. Essas classes foram denominadas da seguinte forma: (1) &#34;os primeiros habitantes da nova terra&#34;; (2) &#34;o expansionismo portugu&#234;s e as viagens antecedentes ao descobrimento&#34;; (3) &#34;o com&#233;rcio europeu e a busca de novas rotas comerciais&#34;; (4) &#34;A expans&#227;o mar&#237;tima europeia&#34;; (5) &#34;a organiza&#231;&#227;o pol&#237;tica, social e econ&#243;mica da Europa&#34;.</font></p>              <p>&nbsp;</p>     <a href="/img/revistas/psi/v17n2/17n2a04f3.jpg">figura 3</a>         
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>          <p><font face="Verdana" size="2">Cada classe isolada atrav&#233;s do <i>software</i> Alceste &#233; determinada por uma parte do conjunto total das UCE. Na presente an&#225;lise evidenciou-se a seguinte distribui&#231;&#227;o: a classe 1 respondeu por 145 UCE (21,8% do material analisado); a classe 2 por 96 UCE (14,4%); a classe 3 por 59 UCE (8,8%); a classe 4 por 160 UCE (24,0%); a classe 5 por 205 UCE (30,8%). Observa-se, portanto, que a tem&#225;tica da organiza&#231;&#227;o pol&#237;tica, social e econ&#243;mica da Europa foi aquela isolada a partir da maior quantidade de material, seguida pelo tema da expans&#227;o mar&#237;tima europeia.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A classe 1 engloba os discursos sobre a ocupa&#231;&#227;o das terras brasileiras a partir dos seus primeiros habitantes. Embora venha em terceiro lugar em termos do n&#250;mero de UCE a ele dedicado, este tema &#233; privilegiado, aparecendo em forma de cap&#237;tulo pr&#243;prio em quase todos os livros analisados, variando apenas a extens&#227;o dos textos e sua profundidade. O destaque desse tema talvez possa ser associado a um prop&#243;sito, assumido pelos autores dos livros did&#225;cticos, de recuperar a hist&#243;ria na sua manifesta&#231;&#227;o mais long&#237;nqua, agregando o sentido de constitui&#231;&#227;o e perman&#234;ncia dos povos &#224; hist&#243;ria moderna.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O expansionismo portugu&#234;s e as viagens mar&#237;timas que antecederam o descobrimento, tratados na classe 2, apresentam um conte&#250;do complementar ao das classes 3 e 4. S&#227;o identificadas nesta tem&#225;tica as motiva&#231;&#245;es e os factores hist&#243;ricos que levaram ao descobrimento do Brasil, independentemente de sua abordagem como intencional ou casual. Duas tem&#225;ticas principais conformam esss classe: o p&#233;riplo africano e o descobrimento da Am&#233;rica espanhola por Crist&#243;v&#227;o Colombo.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O com&#233;rcio europeu e a busca de novas rotas comerciais &#233; abordado na classe 3. Enquanto classe complementar &#224; anterior, ela engloba tr&#234;s tem&#225;ticas que se sobrep&#245;em ou se interligam &#224;s daquela classe: o monop&#243;lio italiano, a busca de uma nova rota pelos portugueses e o p&#233;riplo africano.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A expans&#227;o mar&#237;tima europeia, que consubstancia o conte&#250;do da classe 4 tamb&#233;m pode ser vista como complementar &#224;s duas anteriores, revelando quatro outros conte&#250;dos: as novas possibilidades de obten&#231;&#227;o de lucros pelos europeus ensejadas pela expans&#227;o mar&#237;tima; a disputa por parte de ingleses, franceses, holandeses, contra Portugal e Espanha, pela explora&#231;&#227;o dos entrepostos coloniais; unifica&#231;&#227;o espanhola e sua r&#225;pida entrada na expans&#227;o ultramarina; o pioneirismo portugu&#234;s.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A organiza&#231;&#227;o societ&#225;ria europeia &#233; o conte&#250;do caracter&#237;stico da classe 5, particularmente no que se refere &#224; organiza&#231;&#227;o pol&#237;tica, social e econ&#243;mica. Nesta cias se s&#227;o encontrados os seguintes temas: a associa&#231;&#227;o entre a coroa e a burguesia par; o investimento na navega&#231;&#227;o e na expans&#227;o comercial; o conceito de mercantilis mo; as tr&#234;s ordens sociais do per&#237;odo feudal; o predom&#237;nio da igreja cat&#243;lica na religi&#227;o e na cultura feudal; o financiamento da burguesia na consolida&#231;&#227;o do estado nacional moderno.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Alguns exemplos de UCE das classes desta an&#225;lise podem ser observadas abaixo</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Pesquisas arqueol&#243;gicas recentes revelam que as terras brasileiras come&#231;aram a ser ocupadas por diferentes grupos humanos h&#225; cerca de 50 mil anos. Os primeiros homens que viveram no Brasil eram ca&#231;adores e colectores de alimentos. N&#227;o conheciam a escrita e somente depois de v&#225;rios milhares de anos &#233; que come&#231;aram a trabalhar com cer&#226;mica e a praticar a agricultura.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A solu&#231;&#227;o seria os portugueses comprarem directamente no Oriente. Resolveram buscar um caminho para o Oriente, sem passar pelo Mar Mediterr&#226;neo e pelas cidades italianas.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O caminho para as &#237;ndias estava prestes a ser descoberto pelos navegadores portugueses. Mas, em 1496 os espanh&#243;is surpreenderam a todos: Crist&#243;v&#227;o Colombo, um navegador genov&#234;s a servi&#231;o da rainha Isabel de Castela, anunciou que havia alcan&#231;ado as &#237;ndias, navegando rumo ao oeste.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Porque foi exactamente Portugal o primeiro pa&#237;s europeu a se lan&#231;ar na expans&#227;o mar&#237;tima. Falar de localiza&#231;&#227;o geogr&#225;fica diz pouco. Fran&#231;a, Espanha e Inglaterra tamb&#233;m est&#227;o na beira do oceano Atl&#226;ntico e, no entanto, demoraram a sair. E n&#227;o foi por medo de &#225;gua fria.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Para o rei e para a burguesia mercantil interessava investir capital, dinheiro, na navega&#231;&#227;o e na expans&#227;o comercial. Isso porque os lucros obtidos com o desenvolvimento do com&#233;rcio significariam maior riqueza e prest&#237;gio social para a burguesia, o fortalecimento do poder pol&#237;tico do rei e o enriquecimento do estado.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O descobrimento</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A an&#225;lise do segundo <i>corpus,</i> que se refere ao per&#237;odo do descobrimento, revela a exist&#234;ncia de quatro classes tem&#225;ticas: (1) a intencionalidade da viagem de Cabral; (2) o quotidiano ind&#237;gena; (3) a chegada dos portugueses e as riquezas da nova terra; (4) o dom&#237;nio dos povos atrav&#233;s da escrita e da tecnologia.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Esta an&#225;lise apresentou a seguinte distribui&#231;&#227;o quantitativa: a classe 1 respondeu por 12 UCE (17,1% do material analisado), a classe 2 por 15 UCE (21,4%), a classe 3 por 11 UCE (15,7%), a classe 4 por 32 UCE (45,7%). Observa-se que a tem&#225;tica o dom&#237;nio dos povos atrav&#233;s da escrita e da tecnologia &#233; aquela isolada com quase metade do material analisado, seguida pelo tema do quotidiano ind&#237;gena.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Na classe 1, o descobrimento &#233; tratado como facto intencional, apoiado em supostas ordens secretas do rei que teriam feito a frota de Cabral se afastar da &#193;frica. Seguem-se, como temas caracteristicamente associados, o per&#237;odo de avalia&#231;&#227;o das riquezas da nova terra pelos descobridores e sua subsequente retomada do rumo &#224;s &#237;ndias, onde Portugal tinha o monop&#243;lio do com&#233;rcio e pretendia conserv&#225;-lo.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O quotidiano ind&#237;gena &#233; configurado na classe 2, onde se destaca a organiza&#231;&#227;o social dos &#237;ndios que habitavam o territ&#243;rio brasileiro, esta considerada pelos portugueses como primitiva. Uma tal avalia&#231;&#227;o &#233; explicada pelo facto de os &#237;ndios adoptarem uma organiza&#231;&#227;o social diversa daquela conhecida pelos europeus. A base da sociedade ind&#237;gena estava calcada no princ&#237;pio colaborativo, ou seja, da n&#227;o acumula&#231;&#227;o de riquezas, bem como na utiliza&#231;&#227;o de meios de comunica&#231;&#227;o que n&#227;o inclu&#237;am a linguagem escrita. Contrariamente, os portugueses vinham de uma cultura comercial expansionista, e efectivavam o exerc&#237;cio do poder atrav&#233;s do dom&#237;nio da linguagem escrita.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A classe 3 trata da chegada dos portugueses e das riquezas descobertas, privilegiando-se a&#237; as primeiras descri&#231;&#245;es da nova terra, encontradas na carta de Pero Vaz de Caminha, escriv&#227;o da frota, ao rei de Portugal. Os principais pontos extra&#237;dos da carta referem-se ao interesse e &#224; surpresa despertados nos portugueses. Destaca-se a&#237; o dif&#237;cil encontro entre culturas e h&#225;bitos de sociedades t&#227;o diversas quanto a europeia e a ind&#237;gena.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Na classe 4 ressalta-se o processo e as formas de dom&#237;nio dos &#237;ndios atrav&#233;s da escrita e da tecnologia. Os conte&#250;dos aqui se referem a uma rela&#231;&#227;o amistosa entre portugueses e &#237;ndios durante os primeiros tempos ap&#243;s a chegada dos descobridores e sua substitui&#231;&#227;o por uma rela&#231;&#227;o de domina&#231;&#227;o, com base principalmente na posse de certos conhecimentos tecnicamente mais eficazes por parte dos europeus.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Esta an&#225;lise pode ser exemplificada pelas UCE das classes observadas abaixo:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">E, para garantir o dom&#237;nio das especiarias e dos mercados asi&#225;ticos, o rei portugu&#234;s Dom Manuel, o venturoso, preparou uma poderosa esquadra, que entregou ao comando de Pedro &#193;lvares Cabral.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A maioria das tribos tupis era n&#244;mada ou semi-n&#243;mada. Algumas delas praticavam a agricultura: cultivavam mandioca, milho, feij&#227;o, abacaxi, batata-doce, banana e pimenta. Quando a terra come&#231;ava a produzir pouco e a ca&#231;a come&#231;ava a diminuir, eles mudavam de lugar. Isso provocava guerras entre as tribos, pois frequentemente urna tribo invadia o espa&#231;o da outra.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O capit&#227;o, quando eles vieram, estava sentado em uma cadeira, bem vestido, com um colar de ouro muito grande no pesco&#231;o. E eles entraram no navio. Nem sinal de cortesia fizeram, nem quiseram falar com o capit&#227;o, e um deles come&#231;ou a apontar para a terra, e depois para o colar, como se quisesse nos dizer que havia ouro na terra.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">.. .em 1500, portanto, nem todos os civilizados sabiam ler e escrever. Mas, para a minoria que sabia, a escrita e a leitura servia como um bom recurso para ampliar o seu poder.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O p&#243;s-descobrimento</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O per&#237;odo do p&#243;s-descobrimento &#233; marcado, nos textos analisados, pelo enfoque econ&#243;mico dado aos factos hist&#243;ricos, particularmente no que se refere aos interesses europeus nas Am&#233;ricas e ao processo de explora&#231;&#227;o das riquezas das col&#243;nias.</font></p>          <p>&nbsp;</p>     <a href="/img/revistas/psi/v17n2/17n2a04f4.jpg">figura 4</a>         
<p>&nbsp;</p>          <p><font face="Verdana" size="2">Como mostra a <a href="/img/revistas/psi/v17n2/17n2a04f5.jpg">figura 5</a>, s&#227;o observadas seis classes, abordando os seguintes temas: (1) &#34;o etnocentrismo branco&#34;; (2) &#34;o per&#237;odo pr&#233;-colonial&#34;; (3) &#34;as capitanias heredit&#225;rias&#34;; (4) &#34;o ciclo do a&#231;&#250;car e a escravid&#227;o negra no Brasil&#34;; (5) &#34;a explora&#231;&#227;o colonial portuguesa&#34;; (6) &#34;a domina&#231;&#227;o e a acultura&#231;&#227;o ind&#237;gena&#34;.</font></p>          
]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A an&#225;lise quantitativa deste per&#237;odo hist&#243;rico revela uma distribui&#231;&#227;o equitativa entre as seis classes: a classe 1 respondeu por 244 UCE (15,6% do material analisado); a classe 2 por 268 UCE (17,1%); a classe 3 por 263 UCE (16,8%); a classe 4 por 238 UCE (15,2%); a classe 5 por 266 UCE (17,0%); a classe 6 por 282 UCE (18,0%). Observa-se, portanto, que as tem&#225;ticas domina&#231;&#227;o e acultura&#231;&#227;o ind&#237;gena, o per&#237;odo pr&#233;-colonial e a explora&#231;&#227;o colonial portuguesa s&#227;o as que apresentam as maiores frequ&#234;ncias.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Na classe 1 encontram-se conte&#250;dos que caracterizam a postura etnoc&#234;ntrica do homem branco, com sua suposta capacidade de interpretar e julgar os demais tipos de sociedades humanas. Outros conte&#250;dos mostram o reflexo disto sobre os &#237;ndios, que t&#234;m sua organiza&#231;&#227;o social vista &#224; sombra da sociedade europeia.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O per&#237;odo pr&#233;-colonial (classe 2) tem como principais tem&#225;ticas as poucas expedi&#231;&#245;es de reconhecimento feitas por Portugal na nova terra durante esse per&#237;odo, a amea&#231;a das invas&#245;es estrangeiras ao dom&#237;nio portugu&#234;s e o com&#233;rcio com o Oriente como uma actividade mais lucrativa e atraente para os portugueses. Incluem-se a&#237; ainda o n&#227;o acatamento por outros pa&#237;ses europeus das determina&#231;&#245;es do tratado de Tordesilhas e a descoberta de minas de ouro e prata pelos espanh&#243;is em seu territ&#243;rio colonial, que teriam alertado Portugal para a necessidade de ocupa&#231;&#227;o efectiva de sua col&#243;nia.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O tratamento das capitanias heredit&#225;rias, na classe 3, destaca a carta de doa&#231;&#227;o e o foral, a cria&#231;&#227;o do governo geral com o objectivo de coordenar as iniciativas de povoamento produtivo, a figura de Tom&#233; de Souza, como primeiro governador-geral do Brasil, e a funda&#231;&#227;o de Salvador, como a primeira capital da col&#243;nia.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Na classe 4, relativa ao ciclo do a&#231;&#250;car e &#224; escravid&#227;o, &#233; ressaltado o papel fundamental da m&#227;o-de-obra escrava no desenvolvimento da col&#243;nia. Os conte&#250;dos explicativos mostram ter sido ela respons&#225;vel pela produ&#231;&#227;o a&#231;ucareira, sustent&#225;culo da economia colonial.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Na classe 5 s&#227;o discutidas as rela&#231;&#245;es comerciais estabelecidas pelo Brasil com Portugal. As principais tem&#225;ticas que a comp&#245;em s&#227;o: o pacto colonial; o a&#231;&#250;car como o principal produto colonial, nos s&#233;culos XVI e XVII; a produ&#231;&#227;o de cacha&#231;a e fumo, principalmente no litoral do Nordeste; o processo de montagem da empresa agro-a&#231;ucareira no Brasil, em decorr&#234;ncia da demanda europeia.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O processo de acultura&#231;&#227;o ind&#237;gena, consubstanciado nos conte&#250;dos da classe 6, &#233; tratado em termos das suas consequ&#234;ncias sobre a organiza&#231;&#227;o social, a cultura e a religi&#227;o dos povos ind&#237;genas, e at&#233; mesmo sobre a sua sa&#250;de, j&#225; que a falta de resist&#234;ncia imunol&#243;gica &#224;s doen&#231;as dos brancos os tornava muito vulner&#225;veis a doen&#231;as infecciosas como a gripe, a coqueluche e a tuberculose, que teriam chegado a dizimar aldeias inteiras.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Alguns exemplos de UCE das classes desta an&#225;lise podem ser observadas abaixo:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">... por essas raz&#245;es, o interesse de Portugal em rela&#231;&#227;o &#224; col&#243;nia americana, nos</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">primeiros 30 anos ap&#243;s a chegada de Pedro &#193;lvares Cabral, limitou-se ao envio de algumas expedi&#231;&#245;es destinadas a fazer o reconhecimento da terra e preservar sua posse.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A coroa lhes concedeu a &#225;rdua tarefa de povoar e defender as terras em troca de alguns privil&#233;gios. Os donat&#225;rios detinham os seguintes privil&#233;gios: fundar vilas e cidades e lhes conceder direitos municipais; distribuir sesmarias, ou seja, conceder extens&#245;es de terras a colonos. .faziam todo o trabalho nas fazendas. Por isso se dizia na &#233;poca que os escravos eram as m&#227;os e os p&#233;s do senhor de engenho, tamb&#233;m se dizia que o escravo tinha direito a tr&#234;s P: p&#227;o, pau e pano.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">.. .com muito lucro, tipo a&#231;&#250;car, pau-brasil, tabaco, algod&#227;o. A col&#243;nia s&#243; poderia comerciar com a metr&#243;pole. Portugal comprava barato os g&#233;neros prim&#225;rios da col&#243;nia e vendia artigos de luxo e manufacturados bem caros para o Brasil, obtendo com isso mais lucros ainda.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">... isto &#233;, diversas doen&#231;as infecciosas trazidas pelo europeu: sarampo, tifo, coqueluche, var&#237;ola, mal&#225;ria, gripe, tuberculose, etc. eram letais para os &#237;ndios, que n&#227;o tinham resist&#234;ncia imunol&#243;gica a elas. Tais doen&#231;as provocavam grandes epidemias, matando aldeias inteiras.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A t&#237;tulo de s&#237;ntese dos resultados descritos, pode-se identificar quatro categorias que emergem da an&#225;lise realizada:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">1) O embate entre o mundo civilizado (os brancos europeus) e o n&#227;o civilizado (&#237;ndios e, posteriormente, negros). O mundo civilizado &#233; identificado como composto pelos h&#225;bitos e costumes do homem branco europeu; &#237;ndios e negros s&#227;o associados ao mundo n&#227;o civilizado e, portanto, destinado a ser dominado.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">2) O expansionismo portugu&#234;s enquanto estrat&#233;gia pol&#237;tica de manuten&#231;&#227;o da hegemonia europeia, revelada pela disputa entre os pa&#237;ses europeus pela domina&#231;&#227;o do mundo, atrav&#233;s de uma pol&#237;tica expansionista e de domina&#231;&#227;o e explora&#231;&#227;o de outros povos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">3) O com&#233;rcio como estrat&#233;gia de fortalecimento e consolida&#231;&#227;o do poder europeu sobre o mundo, gerando lucros e fortalecendo determinadas classes sociais. Cumpre a fun&#231;&#227;o de manter o poder interno das coroas e a hegemonia da Europa.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">4) Express&#245;es do poder: tanto o mercantilismo quanto o expansionismo se expressam como estrat&#233;gias de domina&#231;&#227;o e de manuten&#231;&#227;o da ordem mundial, naquele per&#237;odo hist&#243;rico.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A distribui&#231;&#227;o quantitativa dos tr&#234;s <i>corpus</i> de an&#225;lise revela a sali&#234;ncia dos per&#237;odos anterior e posterior ao descobrimento. O per&#237;odo do descobrimento ocupa, comparativamente, pouco a aten&#231;&#227;o dos autores, que preferem se dedicar aos determinantes e &#224;s consequ&#234;ncias do facto hist&#243;rico e n&#227;o ao facto em si.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Como tend&#234;ncia geral dos livros analisados, observam-se dois enfoques principais: por um lado, a valoriza&#231;&#227;o dos tra&#231;os culturais das popula&#231;&#245;es de negros e &#237;ndios, indicando uma tend&#234;ncia a privilegiar a quest&#227;o &#233;tnica no tratamento dos factos hist&#243;ricos; por outro lado observa-se a leitura dos factos hist&#243;ricos a partir de um olhar interpretativo essencialmente econ&#243;mico, explorando as motiva&#231;&#245;es e implica&#231;&#245;es desses factos para o fortalecimento europeu e para o desenvolvimento do sistema colonial. Quanto ao tratamento dado &#224;s tem&#225;ticas contempor&#226;neas, recebem cuidado particular as quest&#245;es ind&#237;genas, a quest&#227;o negra, com destaque para o combate ao racismo, e a defesa da ecologia.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>Considera&#231;&#245;es finais</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Neste estudo, mais do que buscar-se inferir as orienta&#231;&#245;es impressas nos livros did&#225;cticos de hist&#243;ria por seus autores, importou caracterizar os conte&#250;dos que eles veiculam e aos quais s&#227;o assim sistematicamente expostas as crian&#231;as e os adolescentes brasileiros, nos primeiros est&#225;gios de incorpora&#231;&#227;o de informa&#231;&#245;es, ju&#237;zos e imagens acerca do descobrimento do Brasil. Isto porque &#233; a partir de tal mat&#233;ria-prima, trabalhada pelas numerosas experi&#234;ncias subsequentes envolvendo a rememora&#231;&#227;o desse marco hist&#243;rico, ao longo de toda a vida desses jovens, que neles se constituir&#225; uma mem&#243;ria, amplamente compartilhada, de um acontecimento que eles n&#227;o viveram.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Dessa forma, os livros did&#225;cticos constituem ve&#237;culos n&#227;o apenas de ensino ou transmiss&#227;o formal da hist&#243;ria, mas tamb&#233;m de efectiva constru&#231;&#227;o da mem&#243;ria social ou colectiva. Os conte&#250;dos fixados nos manuais escolares, em que, pese o facto de que a maioria deles n&#227;o ser&#225; retida com precis&#227;o, e simplesmente porque ter&#227;o sido estes e n&#227;o outros, mostrar-se-&#227;o decisivos para a configura&#231;&#227;o b&#225;sica do tipo de coisas que ser&#227;o lembradas a prop&#243;sito do descobrimento do Brasil.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Nesse sentido, em outro m&#243;dulo de pesquisa deste projecto, que visou identificar os conte&#250;dos representacionais que a popula&#231;&#227;o adulta evoca em associa&#231;&#227;o &#224; express&#227;o indutora &#34;descobrimento do Brasil&#34;, os resultados &#8212; relatados por S&#225;, Oliveira e Prado neste volume (ver tamb&#233;m S&#225; &#38; Oliveira, 2002) &#8212; demonstraram que o que permaneceu privilegiado na mem&#243;ria dessas gera&#231;&#245;es anteriores foi o conte&#250;do imag&#233;tico da chegada dos navegadores portugueses, que lhes fora apresentada pela primeira vez nos bancos escolares infantis.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Al&#233;m disso, no que respeita ao presente, os conte&#250;dos actualmente veiculados pelos livros did&#225;cticos est&#227;o ou estiveram recentemente postos em confronto com as numerosas outras inst&#226;ncias de rememora&#231;&#227;o colectiva do evento ensejadas pela passagem do quinto centen&#225;rio. Uma actualiza&#231;&#227;o da mem&#243;ria social do descobrimento do Brasil ter&#225; ocorrido &#8212; ou talvez esteja ainda ocorrendo &#8212; como resultado da interac&#231;&#227;o entre aqueles conte&#250;dos escolares, as representa&#231;&#245;es da popula&#231;&#227;o adulta e as mat&#233;rias surgidas na imprensa a prop&#243;sito do descobrimento e da comemora&#231;&#227;o do seu quinto centen&#225;rio.</font></p>          <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Refer&#234;ncias</b></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Ferro, M. (1991). <i>Como se cuenta la historia a los ninos dei mundo entero.</i> M&#233;xico: Fondo de Cultura Econ&#243;mica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=479886&pid=S0874-2049200300020000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Jedlowski, P. (2000). La sociologia y la mem&#243;ria colectiva. In A. Rosa, G. Bellelli, &#38; D. Bakhurst (Orgs.), <i>Mem&#243;ria colectiva e identidad nacional</i> (pp. 123-134). Madrid: Biblioteca Nueva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=479888&pid=S0874-2049200300020000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Jodelet, D. (1989). Repr&#233;sentations sociales: Un domaine en expansion. In D. Jodelet (Org.), <i>Les repr&#233;sentations sociales</i> (pp. 31-61). Paris: Presses Universitaires de France.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=479890&pid=S0874-2049200300020000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Le Goff, J. (1988). <i>Histoire et m&#233;moire.</i> Paris: Gallimard.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=479892&pid=S0874-2049200300020000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Moscovici, S. (1976). <i>La psychanalyse</i>, <i>son image et son public.</i> Paris: Presses Universitaires de France.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=479894&pid=S0874-2049200300020000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Moscovici, S. (1984). The phenomenon of social representations. In R. M. Farr &#38; S. Moscovici (Orgs.), <i>Social representations</i> (pp. 3-69). Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=479896&pid=S0874-2049200300020000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Reinert, M. (1990). Alceste &#8212; une m&#233;thodologie d&#39;anlyse des donn&#233;es textuelles et une application: &#34;Aur&#233;lia&#34; de G. de Nerval. <i>Bulletin de M&#233;thodologie Sociologique</i>, <i>28, </i>24-54.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=479898&pid=S0874-2049200300020000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">S&#225;, G. P. (2000). Representa&#231;&#245;es sociais e mem&#243;ria colectiva de um acontecimento remoto. In M. T. T. B. Lemos, N. A. Moraes, &#38; P. A. Leira (Orgs.), <i>Mem&#243;ria e identidade</i> (p. 27-41). Rio de Janeiro: 7 Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=479900&pid=S0874-2049200300020000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">S&#225;, C. R, &#38; Vala, J. (2000). Representaciones sociales del pasado: Los descubrimientos de Am&#233;rica y de Brasil. In A. Rosa, G. Bellelli, &#38; D. Bakhurst (Orgs.) <i>Memoria colectiva y identidad nacional</i> (pp. 27-41). Madrid: Biblioteca Nueva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=479902&pid=S0874-2049200300020000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">S&#225;, C. R, &#38; Oliveira, D. C. (2002). Sur la m&#233;moire sociale de la d&#233;couverte du Br&#233;sil. In S. Laurens &#38; N. Roussiau (Orgs.), <i>La m&#233;moire sociale</i> &#8212; <i>identit&#233;s et repr&#233;sentations sociales</i> (pp. 107-117). Rennes: Presses Universitaires de Rennes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=479904&pid=S0874-2049200300020000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <p>&nbsp;</p>         <p><font face="Verdana" size="2"><b>Notas</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top1"><sup>1</sup></a><a name="1"></a> Projeto financiado pela FAPERJ, CNPq e FAP/UERJ.</font></p>            ]]></body>
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