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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Memória social e representações sobre o descobrimento do brasil: análise dos manuais portugueses de história]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Social memory and representations of the dicovery of Brasil: Portuguese history textbooks]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The representations of the memories of the Portuguese society, and of its history, circulate and are transmitted through the media, but are also spread and (re)legitimated through the themes that compose school curricula. The aim of this study was to analyse the contents of history textbooks used in grammar and high schools. For the younger groups of our society, these textbooks are a privileged mean in the construction and actualization of the social representations of the history of the discovery of Brasil. Two textbooks were selected from three different educational levels, and they were analysed via two different methodologies. The results show differences concerning the structure and the thematic content of the textbooks, revealing some heterogeneity between them, as well as between the three educational levels. This heterogeneity suggests the existence of a qualitative differentiation at the level of social representations that are spread through young people by means of the textbooks.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Descoberta do Brasil]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[memória social]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[representações sociais]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[manuais escolares de história]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="4"><b>Mem&#243;ria social e representa&#231;&#245;es sobre o descobrimento do brasil an&#225;lise dos manuais portugueses de hist&#243;ria</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Social memory and representations of the dicovery of Brasil: Portuguese history textbooks</b></font></p>            <p>&nbsp;</p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>C&#233;lia Soares<sup>1</sup>; Jorge Correia Jesu&#237;no<sup>2</sup></b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><sup>1-2</sup>Instituto Superior de Ci&#234;ncias do Trabalho e da Empresa, Lisboa.</font></p>          <p>&nbsp;</p>     <hr size="1" noshade>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">As representa&#231;&#245;es das mem&#243;rias da sociedade portuguesa, e da pr&#243;pria hist&#243;ria, circulam e s&#227;o transmitidas no campo das comunica&#231;&#245;es sociais, mas tamb&#233;m s&#227;o difundidas, e (re)legitimadas, atrav&#233;s das tem&#225;ticas que comp&#245;em os <i>curricula</i> escolares. O objectivo deste estudo foi analisar os conte&#250;dos dos manuais de hist&#243;ria do ensino b&#225;sico e complementar, enquanto instrumentos privilegiados na constru&#231;&#227;o e actualiza&#231;&#227;o das representa&#231;&#245;es sobre a hist&#243;ria da descoberta do Brasil, nos grupos sociais mais jovens. Foram seleccionados dois manuais, em tr&#234;s n&#237;veis escolares, e o material recolhido foi submetido a duas metodologias de an&#225;lise. Os resultados obtidos permitiram verificar diferen&#231;as quanto &#224; estrutura e aos conte&#250;dos tem&#225;ticos dos manuais, o que revela alguma heterogeneidade entre eles, e entre os n&#237;veis escolares analisados. Esta heterogeneidade sugere a exist&#234;ncia duma diferencia&#231;&#227;o qualitativa ao n&#237;vel das representa&#231;&#245;es sociais que s&#227;o difundidas aos grupos mais jovens, atrav&#233;s dos manuais escolares.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave</b> Descoberta do Brasil, mem&#243;ria social, representa&#231;&#245;es sociais, manuais escolares de hist&#243;ria.</font></p>  <hr size="1" noshade>       <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"> The representations of the memories of the Portuguese society, and of its history, circulate and are transmitted through the media, but are also spread and (re)legitimated through the themes that compose school curricula. The aim of this study was to analyse the contents of history textbooks used in grammar and high schools. For the younger groups of our society, these textbooks are a privileged mean in the construction and actualization of the social representations of the history of the discovery of Brasil. Two textbooks were selected from three different educational levels, and they were analysed via two different methodologies. The results show differences concerning the structure and the thematic content of the textbooks, revealing some heterogeneity between them, as well as between the three educational levels. This heterogeneity suggests the existence of a qualitative differentiation at the level of social representations that are spread through young people by means of the textbooks.</font></p>  <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>          <p><font face="Verdana" size="2">Introdu&#231;&#227;o e objectivos do estudo</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O presente estudo foi circunscrito &#224; tem&#225;tica das descobertas portuguesas, e remete-nos para mem&#243;rias sobre as viagens dos nossos antepassados. O avistamento do Monte Pascoal a 22 de Abril de 1500 pelos navegadores portugueses e a conquista das terras de Vera Cruz s&#227;o imagens que nos chegam quinhentos anos depois, e facilmente imaginamos o marinheiro portugu&#234;s a entoar &#34;terra &#224; vista&#34; aos seus companheiros de viagem.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Passados cinco s&#233;culos de experi&#234;ncias e viv&#234;ncias nacionais, comemorou-se a chegada ao Brasil e exaltaram-se hist&#243;rias antigas que fazem parte da nossa pr&#243;pria hist&#243;ria. As celebra&#231;&#245;es relembraram mem&#243;rias, por vezes esquecidas, que regressaram do passado e passaram a estar mais dispon&#237;veis para os actores sociais do presente.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">As mem&#243;rias sociais d&#227;o-nos a consci&#234;ncia duma partilha de factores e elementos comuns e recordam-nos um passado colectivo. Transformam-nos num grupo que se relaciona entre si, e que se aproxima, pelo sentimento e pelo conhecimento da sua identidade social/nacional. Como Fentress e Wickham (1994) referem, a mem&#243;ria social &#233; uma fonte de conhecimento: mais do que fornecer um conjunto de categorias impl&#237;citas de identidade colectiva, constitui tamb&#233;m uma oportunidade de reflex&#227;o consciente. E por isso importante conhecer e reconhecer as formas como os grupos interpretam e utilizam essas fontes de conhecimento.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Ser&#225; que a forma de ler e compreender esta fase da hist&#243;ria provoca o mesmo entusiasmo nos descendentes brasileiros e portugueses? Tudo depender&#225; da forma como s&#227;o representadas as narrativas hist&#243;ricas, bem como dos significados que da&#237; emergem para as mulheres e homens de sociedades onde tais representa&#231;&#245;es nasceram e evolu&#237;ram. Introduzimos aqui o conceito de representa&#231;&#245;es sociais (Moscovici, 1969/1976), de modo a melhor enquadrarmos a diferencia&#231;&#227;o e a diversidade social das cren&#231;as e atitudes compartilhadas, que v&#234;m coexistindo e subsistindo ao longo dos tempos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Existem variadas vers&#245;es, formas e tipos de representa&#231;&#245;es sociais. As representa&#231;&#245;es s&#227;o alimentadas a partir de in&#250;meras fontes, mas a transforma&#231;&#227;o dos conhecimentos e dos saberes comuns que s&#227;o fornecidos por tais fontes &#233; uma caracter&#237;stica recorrente nas representa&#231;&#245;es sociais. As transforma&#231;&#245;es operadas em torno destes conte&#250;dos variam de acordo com os grupos sociais, e com o contexto (Flick, 1998, p. 50). Neste sentido, considera-se que as representa&#231;&#245;es sociais s&#227;o constru&#237;das por indiv&#237;duos e grupos segundo um processo que permite codificar e orientar a interpreta&#231;&#227;o e a organiza&#231;&#227;o de significados entre os indiv&#237;duos e os grupos sociais. As representa&#231;&#245;es emergem dos contextos sociais, mas estes contextos tamb&#233;m s&#227;o regulados pelas representa&#231;&#245;es.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A natureza das representa&#231;&#245;es &#233; social na medida em que a sua g&#233;nese &#233; em grande parte resultante das comunica&#231;&#245;es quotidianas dos indiv&#237;duos e dos grupos onde est&#227;o inseridos. Moscovici clarifica-nos esta &#250;ltima ideia, &#34;A palavra <i>social</i> indica que as representa&#231;&#245;es s&#227;o o resultado dum linguajar (<i>babble</i>) ininterrupto e dum di&#225;logo permanente entre indiv&#237;duos, um di&#225;logo que &#233; simultaneamente interno e externo, durante o qual as representa&#231;&#245;es individuais s&#227;o ecoadas e complementadas. As representa&#231;&#245;es adaptam-se &#224; corrente de interac&#231;&#245;es entre grupos sociais. &#34; (1984, p. 951, tradu&#231;&#227;o nossa)</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os significados partilhados por uns, diferentes para outros, viajam no tempo e chegam at&#233; n&#243;s sob a forma de mem&#243;rias diferenciadas que remetem para pessoas, grupos e mesmo sociedades. Atrav&#233;s da mem&#243;ria colectiva estabelece-se uma continuidade temporal, onde passado e futuro, mas tamb&#233;m individual e social, se misturam. A ordem social legitima aquilo que &#233; nosso, aquilo a que pertencemos e aquilo que defendemos. No reverso temos aquilo em que n&#227;o cremos, que n&#227;o queremos e que n&#227;o defendemos. Os pontos de vista dos indiv&#237;duos e dos grupos s&#227;o representados tanto nas suas formas de comunica&#231;&#227;o como nas suas formas de express&#227;o. As imagens e as opini&#245;es especificam normalmente uma posi&#231;&#227;o, uma escala de valores dum indiv&#237;duo ou duma colectividade (Moscovici, 1976).</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A hist&#243;ria dum pa&#237;s &#233; constru&#237;da pelas rela&#231;&#245;es que s&#227;o estabelecidas entre diversos grupos sociais e traduz os diferentes posicionamentos que s&#227;o adoptados pelos grupos sociais actores e seus descendentes. A diversidade dos grupos sociais relaciona-se com a diversidade das representa&#231;&#245;es sociais, e vice-versa.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">As representa&#231;&#245;es sociais n&#227;o s&#227;o um simples espelho duma realidade objectiva. A realidade &#233;, pelo contr&#225;rio, socialmente constru&#237;da atrav&#233;s do pr&#243;prio processo de representa&#231;&#227;o (Flick, 1998, p. 52). Para um melhor entendimento da ideia proposta basta recordar os acontecimentos tumultuosos que foram vividos no Brasil por altura das comemora&#231;&#245;es dos quinhentos anos, o que n&#227;o se verificou nas comemora&#231;&#245;es no nosso pa&#237;s. Pelo contr&#225;rio, a data de 22 de Abril de 1500 evoca na mem&#243;ria portuguesa a presen&#231;a de navegadores que representam a gl&#243;ria, o orgulho e a unifica&#231;&#227;o nacional.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">As representa&#231;&#245;es que cristalizam as mem&#243;rias da sociedade portuguesa, e a pr&#243;pria hist&#243;ria, circulam e s&#227;o transmitidas no campo das comunica&#231;&#245;es e das experi&#234;ncias sociais, mas tamb&#233;m s&#227;o difundidas, e (re)legitimadas, no processo de escolariza&#231;&#227;o que est&#225; inerente &#224; forma&#231;&#227;o curricular e &#224; educa&#231;&#227;o das crian&#231;as e jovens do nosso pa&#237;s. Este aspecto reflecte-se nos conte&#250;dos que integram os <i>curr&#237;cula </i>escolares, o que em muitos casos traduz o primeiro contacto dos actores descendentes com determinadas tem&#225;ticas e significados sociais do passado. Neste contexto, as formas como as hist&#243;rias de outros tempos s&#227;o relatadas transformam-se num interessante objecto de reflex&#227;o e an&#225;lise, se considerarmos que a aprendizagem da hist&#243;ria influencia a constru&#231;&#227;o e a actualiza&#231;&#227;o de representa&#231;&#245;es sociais nos grupos mais jovens. Por esse motivo, os manuais escolares s&#227;o instrumentos importantes que permitem a difus&#227;o de mem&#243;rias (sociais) em novas colectividades.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O presente estudo est&#225; enquadrado num projecto mais vasto sobre a mem&#243;ria social e as representa&#231;&#245;es sociais sobre o descobrimento do Brasil, e tem o objectivo de analisar os conte&#250;dos dos manuais escolares de hist&#243;ria do ensino b&#225;sico e complementar, enquanto instrumentos privilegiados na constru&#231;&#227;o e actualiza&#231;&#227;o de representa&#231;&#245;es sociais, nas crian&#231;as e jovens portugueses.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Quest&#245;es metodol&#243;gicas</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">De acordo com os <i>curricula</i> de hist&#243;ria vigentes no sistema de ensino p&#250;blico portugu&#234;s, foram considerados para este estudo apenas os n&#237;veis de escolaridade onde a tem&#225;tica do descobrimento do Brasil &#233; abordada. Estes n&#237;veis correspondem ao 5.&#176; ano, 8.&#176; ano e 10.&#176; ano de escolaridade. Seleccionaram-se dois manuais para cada um destes n&#237;veis de escolaridade.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A escolha dos manuais resultou duma pesquisa feita entre um conjunto de editoras escolares. Foram escolhidas duas editoras, tendo em conta a sua representatividade e antiguidade no mercado. No total, seleccionaram-se seis manuais escolares de hist&#243;ria que, segundo os dados editoriais, apresentaram um n&#250;mero de vendas significativo. Deste modo, procurou-se salvaguardar a representatividade destes manuais nas salas de aula portuguesas.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A selec&#231;&#227;o do material textual nos manuais escolares foi determinada pela delimita&#231;&#227;o duma &#233;poca hist&#243;rica que contextualizasse os acontecimentos que antecederam, e viabilizaram, a descoberta do Brasil, e aqueles que, consequentemente, se sucederam. Este per&#237;odo corresponde a uma fase pr&#233;-descobrimento, que tem in&#237;cio na segunda metade do s&#233;c. XV, com a descoberta do caminho mar&#237;timo para a &#237;ndia pelas armadas portuguesas; e estende-se at&#233; &#224; fase p&#243;s-descobrimento, com o processo de coloniza&#231;&#227;o do Brasil, at&#233; ao final do ciclo da cana-de-a&#231;&#250;car, no s&#233;c. XVII.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Foram seleccionados os cap&#237;tulos ou subcap&#237;tulos completos que abordassem o per&#237;odo hist&#243;rico considerado.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A an&#225;lise dos dados textuais foi realizada a partir de duas metodologias complementares; uma de natureza quantitativa e outra qualitativa. A integra&#231;&#227;o dos resultados destas duas perspectivas permitiu uma melhor compreens&#227;o sobre as categorias de significado, a estrutura e os conte&#250;dos caracter&#237;sticos que organizam as representa&#231;&#245;es deste per&#237;odo hist&#243;rico.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Procedimentos</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Numa primeira fase, os textos seleccionados nos seis manuais foram classificados em rela&#231;&#227;o a duas dimens&#245;es: uma sobre as esferas privilegiadas, e outra sobre os actores-chave.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">As esferas privilegiadas dizem respeito &#224; especificidade tem&#225;tica dos textos e incluem oito categorias: economia, pol&#237;tica, ci&#234;ncia, cultura/arte, educa&#231;&#227;o/religi&#227;o, territ&#243;rio, natureza e outras. Pode verificar-se a presen&#231;a de diferentes esferas ao longo de um s&#243; texto.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os actores-chave referem-se &#224;s principais personagens que participaram nos acontecimentos que decorreram ao longo deste per&#237;odo, e incluem: reis/nobres, colonizadores, colonos, religiosos, &#237;ndios, negros, portugueses, europeus e outros.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os dados textuais foram ainda submetidos a uma an&#225;lise estat&#237;stica do discurso, de modo a explorar as suas propriedades qualitativas. Este procedimento foi realizado com o <i>software</i> Alceste, vers&#227;o 4.5 (Image, 2000), que recorre &#224; an&#225;lise lexical de segmentos de texto, de forma a identificar a organiza&#231;&#227;o interna do discurso que &#233; apresentado ao longo dos textos (Reinert, 1998). A emerg&#234;ncia da organiza&#231;&#227;o interna do discurso torna-se poss&#237;vel gra&#231;as &#224; quantifica&#231;&#227;o e &#224; extrac&#231;&#227;o das estruturas que revelam ser mais significantes e mais relevantes na sua constitui&#231;&#227;o. O apuramento destas estruturas permite identificar categorias de vocabul&#225;rio que remetem para as representa&#231;&#245;es que lhe est&#227;o subjacentes, e que se tornam assim poss&#237;veis de explicitar (Reinert, 1998). A especificidade do vocabul&#225;rio que integra cada uma das categorias revela as dimens&#245;es de significado que s&#227;o pertinentes para a interpreta&#231;&#227;o do discurso hist&#243;rico dos manuais e das representa&#231;&#245;es que conduzem o processo organizador que est&#225; implicado na sua produ&#231;&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A metodologia Alceste requer a prepara&#231;&#227;o de um ficheiro de an&#225;lise, o <i>corpus</i> de an&#225;lise, que foi constitu&#237;do pelo conjunto dos seis manuais escolares.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Resultados</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Seguidamente apresentam-se os resultados obtidos atrav&#233;s das duas metodologias de an&#225;lise utilizadas.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>An&#225;lise das esferas privilegiadas e dos actores-chave</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os resultados da classifica&#231;&#227;o das esferas privilegiadas nos seis manuais s&#227;o apresentados no <a href="/img/revistas/psi/v17n2/17n2a05q1.jpg">quadro 1.</a></font></p>          
]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A classifica&#231;&#227;o dos textos seleccionados, relativamente &#224;s esferas tem&#225;ticas privilegiadas, permitiu verificar uma maior representatividade das dimens&#245;es de natureza econ&#243;mica e pol&#237;tica nos manuais dos tr&#234;s n&#237;veis escolares; e dos conte&#250;dos de ordem cient&#237;fica e t&#233;cnica, mas apenas ao n&#237;vel do 5.&#176; e 8.&#176; anos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">As representa&#231;&#245;es da esfera da religi&#227;o/educa&#231;&#227;o tamb&#233;m adquirem alguma sali&#234;ncia, mas s&#243; s&#227;o abordadas a partir do 8.&#176; ano, e &#233; neste n&#237;vel que s&#227;o mais destacadas. A esfera &#34;outras&#34; tamb&#233;m apresenta alguma representatividade, sobretudo ao n&#237;vel do 10.&#176; ano, e inclui conte&#250;dos associados &#224; miscigena&#231;&#227;o dos europeus com os povos da Am&#233;rica do Sul, e &#224; sociedade da &#233;poca.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">As restantes dimens&#245;es tem&#225;ticas s&#227;o contempladas de forma relativamente discreta, e n&#227;o s&#227;o uniformes pelos tr&#234;s n&#237;veis de escolaridade: a esfera da natureza surge no 5.&#176; e 10.&#176; anos, com maior relevo neste &#250;ltimo n&#237;vel; os conte&#250;dos associados ao territ&#243;rio s&#227;o pouco representados ao longo dos tr&#234;s n&#237;veis; e, finalmente, a esfera da cultura/arte, que &#233; a menos representada, e s&#243; &#233; explorada no 5.&#176; ano.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Uma an&#225;lise comparativa entre os v&#225;rios manuais permite verificar uma certa heterogeneidade entre eles, relativamente ao n&#250;mero de esferas representadas, e &#224; sua distribui&#231;&#227;o. Os manuais do 10.&#176; ano, 5 e 6, s&#227;o os que evidenciam maior homogeneidade relativamente ao n&#250;mero de tem&#225;ticas abordadas, mas a sua distribui&#231;&#227;o n&#227;o &#233; uniforme entre os dois.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os manuais 2 (5.&#176; ano) e 5 (10.&#176; ano) apresentam algumas particularidades face aos restantes, j&#225; que n&#227;o seguem a tend&#234;ncia geral relativamente a algumas das categorias que revelaram maior centralidade e import&#226;ncia nos programas curriculares dos tr&#234;s n&#237;veis escolares. No primeiro, manual 2, as quest&#245;es de ordem pol&#237;tica s&#227;o as menos exploradas; no manual 5, os conte&#250;dos de natureza econ&#243;mica perdem o lugar de destaque, e salientam-se outras quest&#245;es, a par com a esfera da pol&#237;tica. Este &#250;ltimo manual &#233; aquele que apresenta uma distribui&#231;&#227;o mais equitativa das diferentes esferas tem&#225;ticas.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O material textual tamb&#233;m foi classificado relativamente aos principais personagens, os actores-chave, do per&#237;odo hist&#243;rico em an&#225;lise. Os resultados s&#227;o apresentados no <a href="/img/revistas/psi/v17n2/17n2a05q2.jpg">quadro 2.</a></font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">Esta segunda dimens&#227;o de an&#225;lise permitiu verificar que as personagens hist&#243;ricas mais salientadas pelos manuais dos tr&#234;s n&#237;veis escolares s&#227;o os reis/nobres, os portugueses e os &#237;ndios. O primeiro grupo de actores &#233; o mais destacado, principalmente ao n&#237;vel do 8.&#176; ano, e inclui reis e nobres portugueses que estiveram associados &#224;s viagens mar&#237;timas e aos contactos com terras estrangeiras, verificados durante este per&#237;odo. Os portugueses, enquanto categoria gen&#233;rica de actores-chave, t&#234;m mais visibilidade nos manuais do 5.&#176; ano, e os &#237;ndios s&#227;o mais destacados nos manuais do 10.&#176; ano.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os colonizadores, os negros, e os europeus s&#227;o grupos que tamb&#233;m aparecem representados ao longo dos tr&#234;s n&#237;veis de escolaridade, mas s&#227;o personagens secund&#225;rias nos relatos deste per&#237;odo da hist&#243;ria portuguesa. A interven&#231;&#227;o dos colonizadores &#233; mais salientada a partir do 8.&#176; ano; os outros dois grupos, negros e europeus, s&#227;o mais pertinentes nos conte&#250;dos do 10.&#176; ano.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os colonos e os religiosos s&#227;o os grupos de actores menos representados nestes manuais, estando este &#250;ltimo mais referenciado ao n&#237;vel do 8.&#176; ano.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Tal como na an&#225;lise das esferas privilegiadas, a compara&#231;&#227;o entre manuais tamb&#233;m revela uma certa heterogeneidade, quanto &#224; presen&#231;a e &#224; distribui&#231;&#227;o dos actores-chave, por cada um deles. O manual mais uniforme, relativamente a estes dois aspectos, &#233; o n.&#176; 5, do 10.&#176; ano, j&#225; que contempla todas as categorias em an&#225;lise, com valores absolutos menos discrepantes, e destaca os &#237;ndios como figuras principais. Todos os outros manuais salientam essencialmente os reis/nobres, com a excep&#231;&#227;o do manual 2, do 5.&#176; ano, onde os portugueses assumem um papel de igual relevo.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Em resumo</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A an&#225;lise quantitativa que foi realizada aos manuais escolares do 5.&#176;, 8.&#176; e 10.&#176; anos permitiu verificar que as representa&#231;&#245;es que emergem dos relatos hist&#243;ricos sobre este per&#237;odo, integram principalmente as quest&#245;es e os acontecimentos ligados ao dom&#237;nio da economia, da pol&#237;tica; e da ci&#234;ncia, mas s&#243; at&#233; ao 8.&#176; ano. Os temas da religi&#227;o e da educa&#231;&#227;o s&#243; surgem nos <i>curr&#237;cula</i> a partir do 8.&#176; ano, e s&#227;o principalmente explorados neste n&#237;vel de escolaridade. As esferas da natureza e do territ&#243;rio s&#227;o pouco referenciadas ao longo dos tr&#234;s n&#237;veis escolares; o dom&#237;nio cultural e art&#237;stico &#233; o menos representado, e &#233; explorado apenas ao n&#237;vel do 5.&#176; ano de escolaridade. Outras dimens&#245;es, como a miscigena&#231;&#227;o dos povos, e quest&#245;es ligadas &#224; sociedade da &#233;poca, s&#227;o particularmente abordados no &#250;ltimo n&#237;vel de escolaridade, 10.&#176; ano.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os sujeitos e personagens hist&#243;ricas mais referenciados ao longo destes relatos s&#227;o os reis/nobres, os portugueses, enquanto categoria gen&#233;rica, e os &#237;ndios. As figuras hist&#243;ricas menos referenciadas s&#227;o os religiosos e os colonos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os manuais revelam alguma heterogeneidade quanto &#224; presen&#231;a e &#224; distribui&#231;&#227;o, das esferas privilegiadas, e dos actores-chaves, e os manuais n.&#176; 2 e n.&#176; 5 evidenciam algumas diferen&#231;as particulares face aos restantes. Este &#250;ltimo, o manual n.&#176; 5, &#233; o mais uniforme, quer em rela&#231;&#227;o ao campo das esferas tem&#225;ticas, quer em termos dos diferentes actores-chave identificados.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os primeiros resultados obtidos permitiram identificar e quantificar diferentes categorias tem&#225;ticas das representa&#231;&#245;es (sociais) das narrativas hist&#243;ricas em an&#225;lise. Torna-se, por isso, importante explorar e analisar detalhadamente as suas propriedades qualitativas, atrav&#233;s da sua caracteriza&#231;&#227;o estrutural e dos seus significados mais caracter&#237;sticos. Por este motivo, submetemos o conjunto de dados textuais a uma an&#225;lise realizada pelo <i>software</i> Alceste.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>An&#225;lise estat&#237;stica do discurso</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>O</i> material textual analisado foi organizado e associado em estruturas de vocabul&#225;rio espec&#237;fico, que objectivam as dimens&#245;es de significado mais relevantes das representa&#231;&#245;es dos manuais escolares. Os resultados que aqui se apresentam decorrem dos dois principais procedimentos da an&#225;lise Alceste: a classifica&#231;&#227;o descendente hier&#225;rquica e a an&#225;lise factorial de correspond&#234;ncias.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Da classifica&#231;&#227;o descendente hier&#225;rquica resultou a seguinte distribui&#231;&#227;o de classes ou contextos tem&#225;ticos apresentada na <a href="/img/revistas/psi/v17n2/17n2a05f1.jpg">figura 1.</a></font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">Os resultados obtidos mostram sete categorias tem&#225;ticas principais, ou classes, que foram nomeadas de acordo com o vocabul&#225;rio que melhor as caracteriza.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">As classes tem&#225;ticas s&#227;o as seguintes: 1) primeiras explora&#231;&#245;es agr&#237;colas; 2) a concorr&#234;ncia ao dom&#237;nio portugu&#234;s; 3) o oriente; 4) navegadores e viagens; 5) a descoberta do brasil; 6) a quest&#227;o ind&#237;gena e os jesu&#237;tas; e 7) a &#225;frica.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A classe 1&#8212;<i>primeiras explora&#231;&#245;es agr&#237;colas</i> &#8212; &#233; constitu&#237;da por 17,49% das UCE que foram seleccionadas do conjunto de dados textuais analisados.<sup>1</sup> As dimens&#245;es e os conte&#250;dos que emergem desta classe remetem para a implementa&#231;&#227;o e desenvolvimento das primeiras explora&#231;&#245;es agr&#237;colas e pecu&#225;rias ultramarinas, nas ilhas da Madeira e dos A&#231;ores. Estas ilhas, e as actividades econ&#243;micas desenvolvidas, agricultura e pecu&#225;ria, o seu clima e recursos naturais s&#227;o os elementos centrais desta classe. Observa-se uma associa&#231;&#227;o entre os arquip&#233;lagos da Madeira e A&#231;ores e o territ&#243;rio Brasileiro, pelo formato da organiza&#231;&#227;o administrativa, as capitanias-donat&#225;rias, pelas infra-estruturas agr&#237;colas (engenhos) e pelas explora&#231;&#245;es desenvolvidas durante a implanta&#231;&#227;o portuguesa nestas col&#243;nias.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A classe 2 &#8212; <i>a concorr&#234;ncia ao dom&#237;nio portugu&#234;s</i> &#8212; &#233; representada por 19,19% das UCE analisadas. Os seus conte&#250;dos reflectem o panorama pol&#237;tico, econ&#243;mico e social portugu&#234;s e de outros pa&#237;ses europeus, em finais do s&#233;c. XVI e na primeira metade do s&#233;c. XVII Os confrontos e as disputas com outros pa&#237;ses da Europa pelos produtos e riquezas das col&#243;nias ultramarinas, a crise na sucess&#227;o da coroa e o dom&#237;nio dos Filipes salientam uma dimens&#227;o de instabilidade e conflitualidade nas dimens&#245;es de significado que objectivam esta classe.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A classe 3 &#8212;<i>o Oriente</i>&#8212; &#233; composta por 17,49% das UCE analisadas e est&#225; claramente associada &#224;s conquistas e &#224; expans&#227;o portuguesa no continente asi&#225;tico. O vocabul&#225;rio espec&#237;fico desta classe representa a implanta&#231;&#227;o e desenvolvimento do imp&#233;rio portugu&#234;s no Oriente. Os elementos tem&#225;ticos mais salientes referem-se aos territ&#243;rios conquistados, ao estabelecimento de fortalezas e ao controlo e dom&#237;nio das rotas comerciais do Oceano &#237;ndico. Estas dimens&#245;es reflectem a prosperidade econ&#243;mica e pol&#237;tica portuguesa no Oriente, que a expans&#227;o mar&#237;tima concretizou.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A classe 4 &#233; representada por 16,93% das UCE analisadas e foi designada por <i>navegadores e viagens</i>. Est&#225; associada ao desenvolvimento da pol&#237;tica da expans&#227;o mar&#237;tima adoptada por D. Jo&#227;o II, que veio dar lugar &#224;s v&#225;rias viagens e descobertas portuguesas. Os conte&#250;dos centrais desta classe referem-se &#224; descoberta do caminho mar&#237;timo para a &#237;ndia, &#224; assinatura do tratado de Tordesilhas e aos v&#225;rios personagens hist&#243;ricos que participaram no desenvolvimento destes acontecimentos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A classe 5 agrega 10,72% das UCE analisadas e foi designada por <i>descoberta do brasil</i>. O tema principal desta classe, como o pr&#243;prio nome indica, refere-se ao momento hist&#243;rico da descoberta do Brasil, e est&#225; circunscrito aos primeiros contactos estabelecidos entre os navegadores portugueses e os nativos brasileiros. &#201; representada pelos conte&#250;dos da cl&#225;ssica carta de P&#234;ro Vaz de Caminha, e traduz o relato da chegada dos portugueses &#224; Terra de Vera Cruz, os contactos iniciais e as primeiras impress&#245;es dos navegadores sobre os &#237;ndios brasileiros.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A classe 6 &#233; representada por 10, 05% das UCE analisadas e foi denominada por <i>a quest&#227;o ind&#237;gena e os jesu&#237;tas.</i> Os seus conte&#250;dos espec&#237;ficos remetem para as diferen&#231;as culturais e civilizacionais existentes entre os &#237;ndios tupi e seus colonizadores, e para a ac&#231;&#227;o mission&#225;ria dos jesu&#237;tas junto deste povo. Destaca-se a influ&#234;ncia deste grupo religioso e da doutrina crist&#227; na acultura&#231;&#227;o e na transmiss&#227;o de conhecimentos aos ind&#237;genas. Uma segunda dimens&#227;o desta classe, menos saliente, aponta para os contactos e o interc&#226;mbio desenvolvido entre a Europa e o continente sul-americano, que a expans&#227;o concretizou.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A &#250;ltima classe, 7, &#233; aquela que menos expressividade tem, uma vez que concentra apenas 8,13% das UCE analisadas, e foi designada por <i>a &#225;frica.</i> O vocabul&#225;rio espec&#237;fico desta classe representa a presen&#231;a portuguesa nas terras e costa africanas, onde foram estabelecidas rela&#231;&#245;es comerciais fundamentais para a prosperidade econ&#243;mica portuguesa desta &#233;poca. A import&#226;ncia dos produtos outrora recolhidos em &#193;frica, como o ouro, o marfim, a malagueta, os escravos, e as feitorias estabelecidas, clarificam o significado econ&#243;mico e comercial desta classe.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A distribui&#231;&#227;o das sete classes na <a href="/img/revistas/psi/v17n2/17n2a05f1.jpg">figura 1.</a> permite distinguir uma estrutura&#231;&#227;o global do discurso hist&#243;rico dos manuais, que apresenta tr&#234;s agrupamentos principais de classes tem&#225;ticas. O primeiro agrupamento traduz a associa&#231;&#227;o entre as classes 3 &#8212; o Oriente &#8212;,7 &#8212; a &#193;frica &#8212;, e 4 &#8212; navegadores e viagens e remete para a fase pr&#233;-descobrimento do Brasil.</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">A segunda estrutura tem&#225;tica, que se associa &#224; anterior, &#233; composta pelas classes 2 &#8212; a concorr&#234;ncia ao dom&#237;nio portugu&#234;s &#8212;, e 6 &#8212; a quest&#227;o ind&#237;gena e os jesu&#237;tas e representa a fase p&#243;s-descobrimento. Por &#250;ltimo, associam-se as classes 1 &#8212; primeiras explora&#231;&#245;es agr&#237;colas &#8212;, e 5 &#8212; descoberta do Brasil &#8212;, que materializam o momento hist&#243;rico em si, a descoberta e os cen&#225;rios das ilhas atl&#226;nticas, na primeira fase.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Este desenho estrutural traduz as rela&#231;&#245;es de dissocia&#231;&#227;o e de proximidade tem&#225;tica das dimens&#245;es de ancoragem deste per&#237;odo da hist&#243;ria. Estas informa&#231;&#245;es s&#227;o importantes para uma melhor compreens&#227;o sobre a organiza&#231;&#227;o das representa&#231;&#245;es acad&#233;micas do per&#237;odo das descobertas.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Seguidamente apresenta-se um plano factorial, que respeita &#224; segunda fase principal da an&#225;lise Alceste, AFC, e que mostra a projec&#231;&#227;o do vocabul&#225;rio espec&#237;fico das sete classes apuradas, a partir dos dois primeiros factores explicativos. Deste modo ser&#225; poss&#237;vel analisar com maior precis&#227;o o posicionamento e a <a href="/img/revistas/psi/v17n2/17n2a05f2.jpg">figura 2</a> Projec&#231;&#227;o dos conte&#250;dos mais significativos das classes tem&#225;ticas din&#226;mica das rela&#231;&#245;es que s&#227;o estabelecidas entre as dimens&#245;es de ancoragem e de objectiva&#231;&#227;o das representa&#231;&#245;es acad&#233;micas.</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">O plano factorial gerado &#233; constitu&#237;do pelos primeiros dois factores organizadores das representa&#231;&#245;es que emergiram dos manuais escolares. O primeiro refere-se ao eixo horizontal, tem associada 22, 61% de in&#233;rcia (vari&#226;ncia explicada), e foi designado por &#34;do Ocidente ao Oriente&#34;; o segundo factor diz respeito ao eixo vertical, explica 19, 83% da in&#233;rcia, e designou-se por &#34;as civiliza&#231;&#245;es e as consequ&#234;ncias da hegemoniza&#231;&#227;o&#34;.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os conte&#250;dos associados ao primeiro factor &#8212; <i>do Ocidente ao Oriente</i> &#8212; remetem-nos para uma dimens&#227;o de espa&#231;o, onde s&#227;o identificados os v&#225;rios momentos das viagens e conquistas portuguesas. &#201; poss&#237;vel verificar a progress&#227;o das descobertas, que &#233; assinalada pelas v&#225;rias col&#243;nias e territ&#243;rios estrangeiros por onde os portugueses passaram e pelos seus recursos e produtos naturais.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Este eixo revela uma oposi&#231;&#227;o entre as ilhas atl&#226;nticas da Madeira e A&#231;ores e as terras do Oriente. O Brasil associa-se ligeiramente &#224;s ilhas Atl&#226;nticas por alguma proximidade de recursos naturais, e pelas semelhan&#231;as entre algumas actividades econ&#243;micas desenvolvidas durante a primeira fase de coloniza&#231;&#227;o. Existe ainda um outro contexto relativo &#224; descoberta do territ&#243;rio brasileiro, que est&#225; claramente associado ao segundo eixo, mas que se posiciona no quadrante relacionado com o Oceano Atl&#226;ntico, se o considerarmos no plano de an&#225;lise referente ao primeiro eixo. No lado do Atl&#226;ntico encontram-se ainda temas associados &#224;s quest&#245;es ind&#237;genas e aos jesu&#237;tas, durante a coloniza&#231;&#227;o do Brasil, e &#224;s disputas europeias pelas col&#243;nias ultramarinas. Os conte&#250;dos associados &#224; explora&#231;&#227;o das terras e costa africanas situam-se no centro do eixo. E no extremo oposto encontra-se o Oriente, as viagens e alguns dos actores principais do cen&#225;rio expansionista portugu&#234;s.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O factor &#34;do Ocidente ao Oriente&#34; aponta uma evolu&#231;&#227;o geogr&#225;fica das viagens portuguesas, e representa a liga&#231;&#227;o entre o Oceano Atl&#226;ntico e o Oceano Indico. A possibilidade de ligar o Ocidente ao Oriente, foi conseguida pelas pol&#237;ticas de expans&#227;o mar&#237;tima, pelas viagens que conduziram &#224; passagem do Cabo da Boa Esperan&#231;a, e &#224; descoberta do caminho mar&#237;timo para a &#237;ndia. Este tema &#233; objectivado pelo contexto dos &#34;navegadores e viagens&#34;.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O segundo factor &#8212; <i>as civiliza&#231;&#245;es e as consequ&#234;ncias da hegemoniza&#231;&#227;o</i> &#8212;, corresponde ao <i>eixo vertical</i>, e representa as v&#225;rias civiliza&#231;&#245;es envolvidas no cen&#225;rio das descobertas e das conquistas, e os resultados das movimenta&#231;&#245;es hegem&#243;nicas portuguesas.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Este eixo apresenta a oposi&#231;&#227;o entre uma fase que antecede, mas que abre caminho para a presen&#231;a dos portugueses nos v&#225;rios territ&#243;rios estrangeiros por onde passaram, e outra, onde se encontram os v&#225;rios cen&#225;rios p&#243;s-descoberta e p&#243;s-conquista, que se foram constituindo com a implanta&#231;&#227;o das col&#243;nias ultramarinas e com o dom&#237;nio das importantes rotas comerciais da &#233;poca. A primeira fase &#233; objectivada pelo contexto dos &#34;navegadores e viagens&#34;, e por &#34;a descoberta do Brasil&#34;: o primeiro cen&#225;rio refere-se aos momentos e datas hist&#243;ricas da conquista dos mares e das viagens, sem que haja refer&#234;ncia aos nativos dos locais encontrados; o contexto brasileiro apresenta unicamente o momento da chegada dos navegadores a este territ&#243;rio, e as primeiras descri&#231;&#245;es sobre o local e os seus habitantes.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Observa-se uma clara dissocia&#231;&#227;o entre o cen&#225;rio que designa os &#237;ndios brasileiros no momento da chegada portuguesa, e o contexto brasileiro p&#243;s-coloniza&#231;&#227;o, que integra a ac&#231;&#227;o jesu&#237;ta junto deste povo. Esta rela&#231;&#227;o de oposi&#231;&#227;o revela n&#227;o s&#243; diferen&#231;as de n&#237;vel civilizacional entre o momento do descobrimento e a fase p&#243;s-descobrimento, mas tamb&#233;m salienta uma dimens&#227;o de conflito entre colonizados e colonizadores. Os conte&#250;dos que evidenciam as disputas e os confrontos europeus do s&#233;culo XVII, resultantes do crescente interesse econ&#243;mico e estrat&#233;gico de v&#225;rios pa&#237;ses, face &#224;s riquezas existentes nas col&#243;nias ultramarinas e &#224;s importantes rotas comerciais, tamb&#233;m est&#227;o aqui associados.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O segundo factor, &#34;as civiliza&#231;&#245;es e as consequ&#234;ncias da hegemoniza&#231;&#227;o&#34; reflecte a constru&#231;&#227;o e a evolu&#231;&#227;o do imp&#233;rio portugu&#234;s entre os s&#233;culos XV e XVII, atrav&#233;s das variadas conquistas e das col&#243;nias que viabilizaram o desenvolvimento econ&#243;mico e um dom&#237;nio territorial bastante alargado. Evidencia diferen&#231;as de n&#237;vel civilizacional, particularmente no Brasil, e a integra&#231;&#227;o de algumas culturas intervenientes, que foi conseguida pela imposi&#231;&#227;o europeia. A dimens&#227;o conflitual deste eixo &#233; manifestada n&#227;o s&#243; pelas rela&#231;&#245;es estabelecidas com os &#237;ndios Brasileiros durante o per&#237;odo de coloniza&#231;&#227;o, mas tamb&#233;m pelos conflitos econ&#243;micos e pol&#237;ticos de Portugal com outros pa&#237;ses europeus.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A estrutura das classes tem&#225;ticas permitiu distinguir e relacionar os v&#225;rios cen&#225;rios, e as esferas mais significativas, das representa&#231;&#245;es que emergiram dos manuais escolares. Estes resultados vieram confirmar as principais dimens&#245;es identificadas na an&#225;lise anterior, mas tamb&#233;m possibilitaram conhecer as suas rela&#231;&#245;es e a natureza dos seus conte&#250;dos. .</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Seguidamente, apresenta-se a distribui&#231;&#227;o e a associa&#231;&#227;o destas categorias de significado com os diferentes manuais (ver <a href="/img/revistas/psi/v17n2/17n2a05f3.jpg">figura 3</a>). Deste modo, ser&#225; poss&#237;vel explorar os resultados que foram verificados na primeira an&#225;lise efectuada.</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">A an&#225;lise do plano de projec&#231;&#227;o permite verificar a exist&#234;ncia de associa&#231;&#245;es privilegiadas entre determinados manuais, e n&#237;veis de escolaridade, e classes tem&#225;ticas particulares.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os manuais designados para o 5.&#176; ano de escolaridade (1 e 2) apresentam uma maior proximidade com as tem&#225;ticas relativas &#224; &#34;descoberta do Brasil&#34; (classe 5) e &#224;s &#34;primeiras explora&#231;&#245;es agr&#237;colas&#34; (classe 1), embora a primeira seja mais significativa em ambos os manuais. Este resultado sugere que, a este n&#237;vel, s&#227;o privilegiados conte&#250;dos relativos &#224; fase da descoberta, que se resume &#224; carta de P&#234;ro Vaz de Caminha, e a um per&#237;odo bastante anterior, em que se implantaram as primeiras col&#243;nias, nas ilhas da Madeira e dos A&#231;ores. A distribui&#231;&#227;o das classes tem&#225;ticas e das palavras significativas permitiu verificar uma associa&#231;&#227;o entre estes dois temas, atrav&#233;s da organiza&#231;&#227;o administrativa dos territ&#243;rios, dos recursos naturais e das explora&#231;&#245;es, o que indica uma primeira forma abordagem, relativamente <i>na&#237;fe </i>naturalista, das descobertas e dos processos de coloniza&#231;&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os manuais do 8.&#176; ano (3 e 4) destacam a natureza conflitual e de disputa, que est&#225; associada &#224;s classes 2 (concorr&#234;ncia ao dom&#237;nio portugu&#234;s) e 6 (a quest&#227;o ind&#237;gena e os jesu&#237;tas). S&#227;o exploradas no&#231;&#245;es de cariz econ&#243;mico, pol&#237;tico e social, onde os conflitos de interesses s&#227;o representados. Estes resultados, particularmente a classe 6, tamb&#233;m confirmam os que foram obtidos na an&#225;lise das esferas privilegiadas, que salientava a tem&#225;tica da religi&#227;o e da educa&#231;&#227;o neste n&#237;vel escolar.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os manuais do 10.&#176; ano (5 e 6) aproximam-se mais das classes 3 (Oriente) e 7 (&#193;frica), o que sugere uma perspectiva de abordagem que est&#225; principalmente orientada para as quest&#245;es econ&#243;micas e pol&#237;ticas que emergem das rela&#231;&#245;es estabelecidas entre portugueses-africanos e portugueses-asi&#225;ticos. No entanto, o manual 5 tamb&#233;m se associa &#224;s classes 6 e 2, o que vem clarificar as especificidades verificadas anteriormente. Este resultado explica a superioridade dos conte&#250;dos de ordem pol&#237;tica e da miscigena&#231;&#227;o dos povos neste manual, que est&#227;o patentes nas classes 6 e 2.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Conclus&#245;es</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os resultados obtidos atrav&#233;s das duas perspectivas anal&#237;ticas que foram adoptadas neste estudo contribu&#237;ram para uma compreens&#227;o mais precisa sobre a natureza das representa&#231;&#245;es acad&#233;micas e sociais associadas &#224; hist&#243;ria do descobrimento do Brasil. Os manuais escolares de hist&#243;ria portuguesa analisados apresentam o cen&#225;rio hist&#243;rico mundial, entre o s&#233;c. XV e o s&#233;c. XVII, onde os portugueses s&#227;o representados como um dos povos pioneiros do panorama expansionista. O Brasil surge como uma figura discreta, j&#225; que o momento da descoberta e a fase de coloniza&#231;&#227;o constituem estruturas tem&#225;ticas pouco significativas. Os temas mais expressivos das representa&#231;&#245;es dos manuais s&#227;o a concorr&#234;ncia ao dom&#237;nio portugu&#234;s, o Oriente, as primeiras explora&#231;&#245;es agr&#237;colas, e os navegadores e as viagens.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Estas representa&#231;&#245;es s&#227;o estruturadas a partir de dois vectores principais. O primeiro designa a progress&#227;o das viagens portuguesas e representa a unifica&#231;&#227;o do mundo, que &#233; estabelecida pela liga&#231;&#227;o entre Ocidente e Oriente. Os lugares, os produtos e as rela&#231;&#245;es comerciais s&#227;o os elementos que melhor o caracterizam. O segundo vector organizador das representa&#231;&#245;es refere-se &#224;s diferentes civiliza&#231;&#245;es implicadas neste percurso, e aos resultados da hegemonia portuguesa. Os conflitos econ&#243;micos, pol&#237;ticos e sociais que surgiram entre os europeus, e entre europeus e sul-americanos, e as diferen&#231;as de n&#237;vel civilizacional dos povos colonizados, s&#227;o as suas dimens&#245;es dominantes.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A fase de pr&#233;-descoberta associa-se a temas que remetem para quest&#245;es relacionadas com as pol&#237;ticas de expans&#227;o portuguesa, destacando-se quest&#245;es econ&#243;micas e pol&#237;ticas relativas &#224;s ilhas da Madeira e A&#231;ores, a &#193;frica e ao Oriente. O momento da descoberta &#233; objectivado pela carta de P&#234;ro Vaz de Caminha, onde se relata a chegada das naus portuguesas ao Brasil e os primeiros contactos com os ind&#237;genas que ali habitavam. As representa&#231;&#245;es do per&#237;odo p&#243;s-descobrimento descrevem o contexto colonial no Brasil e a concorr&#234;ncia europeia pelo imp&#233;rio portugu&#234;s.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Tal como se pode confirmar em ambas as perspectivas de an&#225;lise, as rela&#231;&#245;es e os interesses econ&#243;micos e pol&#237;ticos portugueses em terras estrangeiras, quer se trate dos pa&#237;ses africanos, asi&#225;ticos ou sul-americanos, s&#227;o elementos centrais das narrativas analisadas.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">As personagens hist&#243;ricas mais referenciadas durante este per&#237;odo est&#227;o relacionadas com o grupo social da nobreza portuguesa, onde se destacam os reis e nobres implicados na expans&#227;o mar&#237;tima e nos processos de coloniza&#231;&#227;o. Os portugueses, enquanto grupo-chave na evolu&#231;&#227;o das descobertas e conquistas, e os povos ind&#237;genas sul-americanos, nomeadamente os &#237;ndios tupi, s&#227;o igualmente figuras centrais destes relatos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">As diferen&#231;as verificadas quanto &#224; apresenta&#231;&#227;o e &#224; distribui&#231;&#227;o das v&#225;rias tem&#225;ticas apuradas vieram confirmar a heterogeneidade entre os v&#225;rios manuais, e entre os n&#237;veis escolares analisados. Os manuais do 5.&#176; ano s&#227;o aqueles que maior destaque atribuem &#224; descoberta do Brasil.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#227; mem&#243;ria social que emerge da hist&#243;ria acad&#233;mica apresentada nos manuais escolares, integra conte&#250;dos que destacam o protagonismo expansionista portugu&#234;s. As representa&#231;&#245;es que evocam as viagens e as conquistas portuguesas integram o Brasil numa esp&#233;cie de figura/fundo (Zavalloni &#38; Louis-Gu&#233;rin, 1984), e esta descoberta surge como um ponto discreto no cont&#237;nuo dos diferentes acontecimentos e contextos hist&#243;ricos do nosso pa&#237;s. As representa&#231;&#245;es ligadas aos portugueses da &#233;poca expressam-nos a presen&#231;a dum esp&#237;rito aventureiro, o que ali&#225;s tamb&#233;m se verificou nos outros quadrantes da pesquisa, sendo a sua ac&#231;&#227;o representada e recordada num ponto de vista de neutralidade e de baixa conflitualidade com os nativos que foram alvo da ac&#231;&#227;o expansionista e dos processos de coloniza&#231;&#227;o. As representa&#231;&#245;es dos manuais portugueses, ao contr&#225;rio do que se verificou nos manuais brasileiros, n&#227;o salientam conte&#250;dos associados ao dom&#237;nio pela for&#231;a. A estrutura tem&#225;tica que designa as quest&#245;es ind&#237;genas e a ac&#231;&#227;o dos jesu&#237;tas, apesar de evidenciar dimens&#245;es de natureza conflitual, n&#227;o remete para posi&#231;&#245;es de confronto directo e de dom&#237;nio, mas para situa&#231;&#245;es que acentuam as diferen&#231;as culturais, civilizacionais e religiosas. Este resultado vem suportar a dimens&#227;o te&#243;rica da diferencia&#231;&#227;o e da diversidade das representa&#231;&#245;es sociais, e relembra a perspectiva de L&#233;vy-Bruhl, na medida em que se as representa&#231;&#245;es s&#227;o racionais para os membros de uma cultura, elas n&#227;o t&#234;m que exprimir a mesma l&#243;gica aos olhos de outra cultura diferente {Moscovici, 1998, p. 417). As representa&#231;&#245;es sociais, enquanto realidades simb&#243;licas e mentais, funcionam como guias para a ac&#231;&#227;o (Moscovici, 1976), e traduzem formas de express&#227;o que s&#227;o pertinentes para os grupos descendentes que continuam a identificar-se com elas.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A heterogeneidade verificada entre os diferentes manuais e n&#237;veis escolares tamb&#233;m nos sugere diferencia&#231;&#227;o e diversidade ao n&#237;vel das representa&#231;&#245;es que s&#227;o transmitidas no contexto curricular da disciplina de hist&#243;ria. Esta heterogeneidade aponta para a difus&#227;o e manuten&#231;&#227;o de diferen&#231;as qualitativas entre as representa&#231;&#245;es dos jovens que frequentem apenas a escolaridade m&#237;nima obrigat&#243;ria e aqueles que completem o ensino secund&#225;rio.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Este aspecto reflecte a import&#226;ncia da selec&#231;&#227;o e organiza&#231;&#227;o tem&#225;tica dos <i>curricula</i> e dos manuais escolares, uma vez que os seus conte&#250;dos t&#234;m um impacto importante sobre a actualiza&#231;&#227;o da mem&#243;ria colectiva das sociedades, e consequentemente sobre as orienta&#231;&#245;es e pr&#225;ticas sociais dos actores sociais descendentes.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">As implica&#231;&#245;es educativas e sociais destes resultados remetem para novas hip&#243;teses de investiga&#231;&#227;o, nomeadamente no que se refere &#224; cristaliza&#231;&#227;o de diferen&#231;as representacionais entre as crian&#231;as e jovens portugueses, em fun&#231;&#227;o dos manuais escolares que utilizam. Neste sentido, colocamos as seguintes quest&#245;es:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Ser&#225; que os manuais adoptados nas escolas condicionam a diferencia&#231;&#227;o das representa&#231;&#245;es sociais dos grupos sociais mais jovens? Ou, pelo contr&#225;rio, ser&#225; que estas diferen&#231;as s&#227;o minimizadas por outros meios de informa&#231;&#227;o e pelos diferentes contextos sociais onde as crian&#231;as e os jovens est&#227;o inseridos?</font></p>              <p>&nbsp;</p>         <p><font face="Verdana" size="2"><b>Refer&#234;ncias</b></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Fentress, J., &#38; Wickham, C. (1994). <i>Mem&#243;ria social.</i> Lisboa: Teorema.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=480022&pid=S0874-2049200300020000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Flick, U. (1998). Everyday knowledge in social psychology. In U. Flick (Ed.), <i>The psychology of the social.</i> Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=480024&pid=S0874-2049200300020000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Image (2000). <i>Alceste</i>, <i>version 4. 5, Analyse de donn&#233;es textuelles.</i> Toulouse: CNRS.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=480026&pid=S0874-2049200300020000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Moscovici, S. (1976). <i>La Psychanalyse</i>, <i>son image et son public</i> (2.<sup>a</sup> ed.). Paris: PUE</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=480028&pid=S0874-2049200300020000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Moscovici, S. (1984). The myth of the lonely paradigm: A rejoinder. <i>Social Research</i>, <i>51, </i>939-68.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=480029&pid=S0874-2049200300020000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Moscovici, S. (1998). Social consciousness and its history. <i>Culture &#38; Psychology</i>, <i>4</i> (3), 411-29.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=480031&pid=S0874-2049200300020000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Reinert, M. (1998). Quel objet pour une analyse statistique de discours? Quelques r&#233;flexions &#224; propos de la r&#233;ponse Alceste. In S. Mellet (Ed.), JADT 1998 (pp. 557-569). 4<sup>emes</sup> journ&#233;es internationales d&#39;analyse statistique des donne&#233;s textuelles. Nice, Universit&#233; de Nice-Sophia-Antipolis.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=480033&pid=S0874-2049200300020000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Zavalloni, M., &#38; Louis-Gu&#233;rin, C. (1984). <i>Identit&#233; sociale et conscience: Introduction &#224; V&#233;go-&#233;cologie.</i> Montr&#233;al: Les Presses de l&#39;Universit&#233; de Montr&#233;al.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=480035&pid=S0874-2049200300020000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>              <p>&nbsp;</p>         <p><font face="Verdana" size="2"><b>Notas</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top1"><sup>1</sup></a><a name="1"></a>As UCE s&#227;o unidades de contexto elementar e correspondem aos segmentos de texto que s&#227;o submetidos &#224; classifica&#231;&#227;o descendente hier&#225;rquica.</font></p>        ]]></body><back>
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