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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Representações da masculinidade e da feminilidade e retratos de homens e de mulheres na literatura portuguesa]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[An analysis of the work produced on the representations of masculinity and femininity during the past century reveals that these were object of few transformations, in spite of the important changes that occurred in women's social condition. The images of men and women transmitted by family, school and mass media also do not reflect the transformation of women's lives. Therefore, many authors conclude that those images contribute to the permanence of the traditional representations of masculinity and femininity, and, consequently, to the maintenance of the asymmetrical relations between men and women. The study presented here aims at analyzing the messages transmitted to the Portuguese pupils by the writings designated as compulsory readings at the secondary school level. We examine the differences between the portraits depicted by the authors of the 19th century and present-day images and representations of masculinity and femininity, and we discuss the reasons and consequences of the maintenance of old feminine models in present-day social representations and cultural productions.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Representações sociais]]></kwd>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[reprodução social]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="4"><b>Representa&#231;&#245;es da masculinidade e da feminilidade e retratos de homens e de mulheres na literatura portuguesa</b></font></p>              <p><font face="Verdana" size="2"><b>Representations of masculinity and femininity and portraits of men and women in Portuguese literature</b></font></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Gabrielle Poeschl<sup>*</sup>; Aurora Silva<sup>**</sup>; Alain Cl&#233;mence<sup>***</sup></b></font></p>        <p><font face="Verdana" size="2"><sup>*</sup>Universidade do Porto.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><sup>**</sup>Centro de Psicologia da Universidade do Porto, docente na Universidade Fernando Pessoa.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><sup>***</sup>Universidade de Lausana.</font></p>      <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Uma an&#225;lise dos trabalhos produzidos no &#250;ltimo s&#233;culo sobre as representa&#231;&#245;es da masculinidade e da feminilidade revela que estas foram objecto de poucas transforma&#231;&#245;es, apesar das importantes mudan&#231;as ocorridas na situa&#231;&#227;o social das mulheres. As imagens dos homens e das mulheres transmitidas pela fam&#237;lia, pela escola e pelos meios de comunica&#231;&#227;o social tamb&#233;m n&#227;o reflectem as transforma&#231;&#245;es da vida das mulheres. Por isso, muitos autores concluem que essas imagens contribuem para a perman&#234;ncia das representa&#231;&#245;es tradicionais da masculinidade e da feminilidade e, logo, para a manuten&#231;&#227;o das rela&#231;&#245;es assim&#233;tricas entre homens e mulheres. O estudo que apresentamos incide sobre as mensagens transmitidas aos alunos nas obras designadas como leituras obrigat&#243;rias no ensino secund&#225;rio. Examinam-se as diferen&#231;as entre os retratos dos autores de romance do s&#233;c. XIX e as imagens e representa&#231;&#245;es actuais da masculinidade e da feminilidade, e discutem-se as raz&#245;es e as consequ&#234;ncias da manuten&#231;&#227;o dos antigos modelos femininos nas representa&#231;&#245;es sociais e nas produ&#231;&#245;es culturais actuais.<sup>1</sup></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave</b> Representa&#231;&#245;es sociais, g&#233;nero, <i>mass media,</i> socializa&#231;&#227;o, reprodu&#231;&#227;o social.</font></p>  <hr size="1" noshade>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"> An analysis of the work produced on the representations of masculinity and femininity during the past century reveals that these were object of few transformations, in spite of the important changes that occurred in women&#39;s social condition. The images of men and women transmitted by family, school and mass media also do not reflect the transformation of women&#39;s lives. Therefore, many authors conclude that those images contribute to the permanence of the traditional representations of masculinity and femininity, and, consequently, to the maintenance of the asymmetrical relations between men and women. The study presented here aims at analyzing the messages transmitted to the Portuguese pupils by the writings designated as compulsory readings at the secondary school level. We examine the differences between the portraits depicted by the authors of the 19th century and present-day images and representations of masculinity and femininity, and we discuss the reasons and consequences of the maintenance of old feminine models in present-day social representations and cultural productions.</font></p>      <hr size="1" noshade>         <p>&nbsp;</p>          <p><font face="Verdana" size="2">As representa&#231;&#245;es da masculinidade e da feminilidade destacam-se pelas poucas transforma&#231;&#245;es de que foram objecto, apesar das mudan&#231;as ocorridas na situa&#231;&#227;o social das mulheres. Esta estabilidade &#233; tanto mais digna de nota quando se sabe que as representa&#231;&#245;es da masculinidade e da feminilidade foram estudadas ao longo de quase um s&#233;culo de investiga&#231;&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Pode-se fazer remontar, com efeito, ao in&#237;cio do s&#233;c. XX as primeiras tentativas dos psic&#243;logos  	para captar e descrever a especificidade da natureza feminina e da natureza masculina. A investiga&#231;&#227;o ent&#227;o desenvolvida  	situa-se num contexto s&#243;cio-hist&#243;rico que conv&#233;m recordar (cf. Poeschl, no prelo). Em primeiro lugar, as mudan&#231;as  	provocadas pela revolu&#231;&#227;o industrial v&#227;o suscitar, por parte de v&#225;rios segmentos populacionais, discursos destinados a  	proteger a ordem social. Para a burguesia industrial, trata-se de lutar contra o perigo que representa o pauperism&#169; da classe  	trabalhadora, visto como anti-social e fonte de criminalidade<a href="#1"><sup>1</sup></a><a name="top1"></a> (Cicchelli-Pugeot &#38;  	Cicchelli, 1998), incentivando a adop&#231;&#227;o generalizada do mo delo burgu&#234;s de organiza&#231;&#227;o familiar. Este modelo  	caracteriza-se por tr&#234;s aspectos uma educa&#231;&#227;o diferenciada para rapazes e raparigas desde a primeira inf&#226;ncia, a  	coloca&#231;&#227;o das mulheres em casa e a atribui&#231;&#227;o aos homens do papel de ganha-p&#227;o que desempenham atrav&#233;s de um  	trabalho assalariado (Cicchelli-Pugeo &#38; Cicchelli, 1998).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O modelo burgu&#234;s de organiza&#231;&#227;o familiar vai, de facto, estender-se &#224; totalidade das  	classes sociais ao longo do s&#233;c. XIX, j&#225; que os objectivos da burguesia industrial convergem com os dos sindicatos e dos  	trabalhadores, preocupados em afastar as mulheres (e as crian&#231;as) dos locais de trabalho para proteger o emprego masculino (Scott, 1994).  	Para justificar a manuten&#231;&#227;o das mulheres em casa, os sindicatos afirmam que a constitui&#231;&#227;o f&#237;sica das mulheres as  	destina a ser m&#227;es e esposas; que o corpo feminino, sendo mais fraco do que o corpo masculino, n&#227;o pode resistir ao trabalho na  	f&#225;brica; que o trabalho na f&#225;brica toma as mulheres inapta: para amamentar e dar &#224; luz filhos saud&#225;veis (Scott,  	1994).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Em segundo lugar, a adop&#231;&#227;o generalizada do modelo burgu&#234;s de organiza &#231;&#227;o familiar  	vai gerar a necessidade de justificar as posi&#231;&#245;es ocupadas pelos doi&#237; sexos na sociedade (Shields, 1986). Portanto, as  	ci&#234;ncias sociais e humanas que se desenvolvem nessa altura integram as compara&#231;&#245;es entre homens e mulheres na: suas  	diferentes tentativas para hierarquizar os grupos sociais. As conclus&#245;es acera da inferioridade das mulheres que se retiram dessas  	hierarquiza&#231;&#245;es servem, entre outros, para justificar que a educa&#231;&#227;o das raparigas seja limitada &#224;  	aquisi&#231;&#227;o das compet&#234;ncias necess&#225;rias para desempenhar os pap&#233;is de esposa e de m&#227;( (Shields, 1986). Face  	&#224; grande maioria da elite intelectual masculina do s&#233;c. XIX &#8212; por exemplo, Comte (1927), Darwin (1871), Durkheim (1893) ou  	Freud (1908) &#8212; que converge na asser&#231;&#227;o de que a superioridade masculina &#233; natural e universal raros s&#227;o os  	autores que tomam posi&#231;&#227;o a favor das mulheres. John Stuart Mil (1869) e Engels (1974) pertencem &#224; minoria dos que procuram  	mostrar que as rela&#231;&#245;es entre os sexos s&#227;o social e historicamente constru&#237;das e que denunciam a subordina&#231;&#227;o  	das mulheres.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Do lado d&#225; elite intelectual feminina, as poucas investigadoras da &#233;poca procuram combater os preconceitos acerca das mulheres. Helen Thompson Woolej publica em 1910 os resultados dos seus estudos sobre as diferen&#231;as entre os sexos, evidenciando uma grande semelhan&#231;a entre homens e mulheres. Leta Stetter Hollingworth (1916) denuncia as press&#245;es exercidas pelos grupos dominantes sobre as mulheres para que se dediquem &#224; maternidade e &#224; domesticidade. Esta autora sublinha, nomeadamente, a contradi&#231;&#227;o entre a constante refer&#234;ncia dos discursos dominantes ao instinto maternal e a exist&#234;ncia de leis que pro&#237;bem a contracep&#231;&#227;o, o aborto, o abandono de crian&#231;as e o infantic&#237;dio, e afirma que o papel atribu&#237;do &#224;s mulheres na sociedade tem como &#250;nico objectivo impedir que elas vivam uma vida pr&#243;pria. Nos anos 20, a primeira onda de feminismo consegue conquistar alguns direitos fundamentais para as mulheres da Am&#233;rica e da Europa do Norte, nomeadamente o direito de voto, o direito &#224; propriedade e o acesso &#224; educa&#231;&#227;o (Connell, 1993). Partindo do princ&#237;pio que a obten&#231;&#227;o do direito de voto para as mulheres vai assegurar a igualdade entre os sexos (Crawford &#38; Unger, 2000), o debate social sobre os sexos perde vitalidade, enquanto que se levanta, evidentemente, a quest&#227;o de saber porque &#233; que se a subordina&#231;&#227;o das mulheres n&#227;o &#233; justa e natural, se conseguiu estabelecer (Connell, 1993).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#201; neste contexto que Terman inicia cerca de vinte anos de investiga&#231;&#227;o destinada a &#34;clarificar as ideias confusas que correm actualmente sobre a masculinidade e a feminilidade da personalidade&#34; (Lorenzi-Cioldi, 1994, p. 22). Apesar de os seus trabalhos sobre a intelig&#234;ncia n&#227;o terem revelado diferen&#231;as entre homens e mulheres, e de os estudos de Wooley (1910) o obrigarem a admitir que os dois sexos s&#227;o iguais relativamente a outras habilidades &#8212; como &#34;habilidade musical, habilidade art&#237;stica, habilidade matem&#225;tica, e mesmo habilidade mec&#226;nica&#34; (Bem, 1993, p. 102) &#8212;, Terman estava convencido da exist&#234;ncia de diferen&#231;as entre os sexos. Assim, em colabora&#231;&#227;o com Miles, Terman torna a interrogar milhares de indiv&#237;duos sobre um conjunto de sentimentos, interesses, atitudes e comportamentos que deveriam traduzir essas diferen&#231;as, e leva a cabo o seu objectivo: construir o primeiro instrumento capaz de avaliar a dimens&#227;o da masculir&#250;dade-feminilidade psic&#243;logica, o <i>teste de atitudes e de interesses</i> (Terman &#38; Miles, 1936).</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Os trabalhos de Terman e Miles t&#234;m consequ&#234;ncias importantes: conferem uma legitimidade cient&#237;fica &#224; ideia de que existe uma natureza masculina, oposta &#224; natureza feminina, e que a dimens&#227;o masculir&#250;dade-feminilidade da personalidade pode ser medida (Bem, 1993). Para al&#233;m disto, definem os dois p&#243;los dessa dimens&#227;o. Contudo, visto que estes p&#243;los s&#227;o definidos combase nas representa&#231;&#245;es do que mais diferencia os homens e as mulheres, as maneiras de ser t&#237;picas dos dois sexos correspondem aos pap&#233;is mais tradicionais. Por outras palavras, a mulher t&#237;pica diferencia-se do homem t&#237;pico pela riqueza das suas emo&#231;&#245;es, pela sua timidez, pela sua docilidade, pela sua natureza ciumenta; preocupa-se com as rela&#231;&#245;es com os outros e os afazeres dom&#233;sticos, enquanto que o homem t&#237;pico se preocupa com os objectos mec&#226;nicos, as actividades financeiras, ou as actividades exteriores (Lorenzi-Cioldi, 1994). Por &#250;ltimo, estes trabalhos difundem a ideia de que a conformidade &#224;s normas dos grupos &#8212; que contribuem de forma importante para a identidade dos indiv&#237;duos &#8212; &#233; um indicador de sa&#250;de mental, enquanto que os desvios a estas normas traduzem um fraco ajustamento social ou patologias, nomeadamente a homossexualidade (Shields, 1986).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Vinte anos mais tarde, as diferen&#231;as entre homens e mulheres s&#227;o explicitamente associadas &#224;s esferas p&#250;blica e privada, pela liga&#231;&#227;o que Parsons estabelece entre os temperamentos masculino e feminino e os pap&#233;is masculino e feminino. Segundo Parsons (Parsons &#38; Bales, 1956), o papel do homem &#233; de natureza instrumental e o papel da mulher de natureza expressiva. O desempenho destes pap&#233;is orienta as personalidades de modo que, tipicamente, o homem se focaliza na realiza&#231;&#227;o de objectivos, inibe as suas emo&#231;&#245;es, age em fun&#231;&#227;o do seu interesse pessoal e estabelece rela&#231;&#245;es &#250;teis para alcan&#231;ar as suas metas, enquanto que, tipicamente, a mulher &#233; sens&#237;vel, compreensiva, flex&#237;vel, preocupa-se com as necessidades afectivas da fam&#237;lia, mostra as suas emo&#231;&#245;es e valoriza os outros pelas suas qualidades pessoais (Lorenzi-Cioldi, 1994).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Baseando-se no seu conhecimento do funcionamento dos pequenos grupos,</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Parsons e Bales (1956) afirmam que um &#250;nico membro da fam&#237;lia n&#227;o pode conciliar os comportamentos expressivos e instrumentais; apoiando-se na an&#225;lise transcultural de Zelditch (1956), declaram que a divis&#227;o dos pap&#233;is familiares &#233; universalmente efectuada em fun&#231;&#227;o do sexo; finalmente, invocando a necessidade &#8212; assumida pela teoria psicanal&#237;tica &#8212; de as crian&#231;as se identificarem com o progenitor do mesmo sexo, concluem que &#233; desej&#225;vel uma clara divis&#227;o dos pap&#233;is. Por outras palavras, as fam&#237;lias mais eficazes e mais coesivas s&#227;o aquelas em que os homens e as mulheres desempenham, respectivamente, os pap&#233;is instrumental e expressivo (cf. Brown, 1988). Estas ideias acarretam toda uma ind&#250;stria de aconselhamento, de terapia e de trabalho social, na medida em que os pap&#233;is sexuais s&#227;o concebidos como normativos e estabelecem diferentes esquemas de desvio (Connell, 1993).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">As ideias de Parsons suscitam reac&#231;&#245;es variadas. Nos meios acad&#233;micos, questiona-se a complementaridade dos pap&#233;is feminino e masculino, a impossibilidade de uma mesma pessoa desempenhar os pap&#233;is instrumental e expressivo e a satisfa&#231;&#227;o proporcionada pela divis&#227;o dos pap&#233;is familiares (Herla, 1987). Estudos realizados em meio natural revelam que em muitas fam&#237;lias os homens manifestam mais comportamentos socioemocionais positivos do que as mulheres (Waxier &#38; Mishler, 1970). O quadro te&#243;rico de Parsons inspira tamb&#233;m algumas autoras da segunda onda de feminismo. Para Friedan (1963), por exemplo, &#233; necess&#225;ria tuna mudan&#231;a na identidade e nas expectativas das mulheres. Aposi&#231;&#227;o desfavorecida das mulheres &#233;, com efeito, atribu&#237;da a expectativas tradicionais estereotipadas, partilhadas pelos homens e internalizadas pelas mulheres. Num discurso que lembra de alguma forma o de Hollingworth (1916), Friedan afirma que essas expectativas s&#227;o difundidas pelos agentes de socializa&#231;&#227;o, nome&#226;damente, a fam&#237;lia, a escola, os medias. Para eliminar as desigualdades, &#233; preciso quebrar os estere&#243;tipos oferecendo, por exemplo, uma melhor educa&#231;&#227;o &#224;s raparigas e promulgando legisla&#231;&#245;es contra as discrimina&#231;&#245;es no mundo do trabalho (Connell, 1993).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">As autoras da segunda onda de feminismo come&#231;am tamb&#233;m a questionar as conclus&#245;es da investiga&#231;&#227;o sobre as diferen&#231;as entre homens e mulheres. Como Wooley o tinha feito meio s&#233;culo atr&#225;s, elas empenham-se em mostrar que n&#227;o existem diferen&#231;as entre os sexos. Assim, Maccoby e Jacklin,(1974) analisam mais do que 1400 estudos publicados at&#233; &#224; data sobre as diferen&#231;as entre homens e mulheres, relativamente &#224;s capacidades cognitivas, aos temperamentos e aos comportamentos sociais, e concluem que existem apenas quatro diferen&#231;as consistentes: os homens possuiriam capacidades num&#233;ricas e de visualiza&#231;&#227;o espacial superiores &#224;s das mulheres e as mulheres possuiriam capacidades verbais superiores &#224;s dos homens. Os homens seriam tamb&#233;m mais agressivos do que as mulheres (Deaux, 1990).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os resultados de Maccoby e Jacklin (1974) contrastam dramaticamente com as conclus&#245;es da investiga&#231;&#227;o que se realiza, na mesma altura, sobre os estere&#243;tipos sexuais, e que evidenciam que, geralmente, os indiv&#237;duos acreditam na exist&#234;ncia de diferen&#231;as entre os sexos. Estudos baseados em tra&#231;os de personalidade concluem, com efeito, que existe um elevado consenso acerca das caracter&#237;sticas que diferenciam os homens e as mulheres (Crawford &#38; Unger, 2000). As cren&#231;as dos indiv&#237;duos sobre as diferen&#231;as entre os sexos podem resumir-se, de forma geral, em dois conjuntos de tra&#231;os fortemente correlacionados que, em conformidade com as conclus&#245;es de Parsons (1956), associam a instrumentalidade aos homens e a expressividade &#224;s mulheres (Broverman, Vogei, Broverman, Clarkson &#38; Rosenkrantz, 1972), dimens&#245;es tamb&#233;m designadas por agenticidade e comunalidade (Bakan, 1966). Por outras palavras, verifica-se, nos anos 70, que os homens s&#227;o vistos como mais activos, competentes, racionais, assertivos, independentes, agressivos, ambiciosos, dominantes, autoconfiantes, directos, aventureiros e persistentes do que as mulheres, e que as mulheres s&#227;o vistas como mais calorosas, gentis, amig&#225;veis, prest&#225;veis, sens&#237;veis, preocupadas com o bem-estar dos outros e dispostas a exprimir sentimentos positivos do que ps homens.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Na actualidade ainda, estes tra&#231;os formam a base dos estere&#243;tipos de g&#233;nero que se encontram na sociedade ocidental (Swim, 1994) e que se podem captar tamb&#233;m em Portugal (Am&#226;ncio, 1994). Eles est&#227;o presentes nas representa&#231;&#245;es dos dois sexos, que incluem, para al&#233;m disso, uma grande diversidade de elementos como pap&#233;is, comportamentos, interesses ou caracter&#237;sticas f&#237;sicas (Spence, Deaux &#38; Helmreich, 1985). Assim, num estudo recente, realizado em Portugal com jovens e adultos de ambos os sexos (Silva &#38; Poeschl, 2001-2002), encontrou-se, nas representa&#231;&#245;es dos homens e das mulheres, que ainda &#233; mais t&#237;pico dos homens terem uma vida social activa (associando aos homens bebida, futebol, noct&#237;vago, caf&#233;, desporto, jogar, mulherengo), e que ainda &#233; mais t&#237;pico das mulheres ocuparem-se principalmente da fam&#237;lia e da sua apar&#234;ncia (associando &#224;s mulheres trabalho dom&#233;stico, cabeleireiro, pintura, telenovela, filhos, arrumar, cozinhar, limpar, beleza).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Portanto, as representa&#231;&#245;es da natureza masculina e da natureza feminina t&#234;m-se mantido sem mudan&#231;as significativas desde o in&#237;cio do s&#233;c. XX, aparentemente imperme&#225;veis &#224; evolu&#231;&#227;o da situa&#231;&#227;o das mulheres que, na actualidade, participam em massa no mundo do trabalho e t&#234;m muitas vezes um n&#237;vel de escolaridade mais elevado do que os homens (Baudelot &#38; Establet, 1992). Neste sentido, a perman&#234;ncia dessas representa&#231;&#245;es n&#227;o confirma as predi&#231;&#245;es das feministas que viam na educa&#231;&#227;o das raparigas e no acesso das mulheres ao mundo do trabalho uma forma de quebrar os estere&#243;tipos (Friedan, 1963); tamb&#233;m n&#227;o responde &#224;s expectativas das autoras que multiplicaram os estudos sobre as diferen&#231;as entre os sexos com o intuito de combater os estere&#243;tipos sexuais pela demonstra&#231;&#227;o da aus&#234;ncia de tais diferen&#231;as (Eagly, 1995; Archer, 1996).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O consenso entre homens e mulheres acerca da sua natureza respectiva tamb&#233;m n&#227;o reflecte o violento debate que desde os anos 80 sacode a investiga&#231;&#227;o sobre as diferen&#231;as entre os sexos, e que questiona tanto a validade dos resultados obtidos como os <i>a priori</i> dos investigadores e os objectivos dessa investiga&#231;&#227;o (Eagly, 1995; ver tamb&#233;m Poeschl, n&#243; prelo). Pelo contr&#225;rio, as representa&#231;&#245;es da masculinidade e da feminilidade parecem conformes &#224;s imagens dos homens e das mulheres difundidas pelos agentes de socializa&#231;&#227;o, nomeadamente, a fam&#237;lia, a escola e os meios de comunica&#231;&#227;o social.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">As imagens dos homens e das mulheres</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A an&#225;lise dos conte&#250;dos dos livros de imagens ou de hist&#243;rias para crian&#231;as, dos manuais escolares, da imprensa escrita e da televis&#227;o, que se desenvolve tamb&#233;m a partir dos anos 70, evidencia in&#250;meras diferen&#231;as no modo como os dois sexos s&#227;o apresentados (Burr, 1998; Crawford &#38; Unger, 2000).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A an&#225;lise da publicidade televisiva dos anos 70 revela assim que a maioria das figuras centrais s&#227;o masculinas, sendo os homens muitas vezes apresentados no papel de peritos. Os homens proporcionam frequentemente conselhos a mulheres, sendo as mulheres geralmente apresentadas como consumidoras (McArthur &#38; Resko, 1975). Dados semelhantes encontram-se em estudos mais recentes, nomeadamente em Portugal, onde se verifica que 66% das figuras centrais s&#227;o masculinas, sendo 72% dos homens apresentados como peritos (Neto &#38; Pinto, 1998). As mulheres s&#227;o, em m&#233;dia, mais jovens do que os homens, sugerindo que o que &#233; importante para as mulheres &#233; a juventude e a beleza, ao passo que para os homens &#233; a sabedoria (Neto &#38; Pinto, 1998). Apesar de as mulheres na publicidade actual terem um maior leque de actividades profissionais do que tinham na publicidade dos anos 50 e serem descritas com menor frequ&#234;ncia no papel de dom&#233;sticas, elas continuam a desempenhar este papel com maior frequ&#234;ncia do que os homens (Allen &#38; Coltrane, 1996).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">De forma semelhante, a an&#225;lise dos programas televisivos revela que os homens se encontram em maior n&#250;mero do que as mulheres nos pap&#233;is principais. Um estudo recente revela, por exemplo, que 57% das personagens de espect&#225;culos de com&#233;dia e 71% das personagens de espect&#225;culos de ac&#231;&#227;o e de aventuras s&#227;o masculinas (Davis, 1990). Os homens aparecem em situa&#231;&#245;es ligadas &#224; vida profissional, ao passo que as mulheres s&#227;o apresentadas como centradas no casamento e na maternidade e preocupadas com a apar&#234;ncia; quando t&#234;m uma actividade profissional, essa &#233; muitas vezes de baixo estatuto (Burr, 1998). As personagens femininas s&#227;o, em m&#233;dia, dez anos mais jovens do que as personagens masculinas (Crawford &#38; Unger, 2000).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A mesma descri&#231;&#227;o dos dois sexos pode ser observada nos desenhos animados: as personagens masculinas s&#227;o mais numerosas e mais instrumentais do que as femininas e as personagens femininas s&#227;o mais comunais do que as masculinas. Apesar de se registar algum progresso na forma de apresentar as mulheres &#8212; que s&#227;o, desde 1980, mais numerosas e menos estereotipadas do que dantes&#8212;as personagens masculinas nunca desempenham o papel cuidante, enquanto as personagens femininas s&#227;o descritas neste papel 46% do tempo (Thompson &#38; Zerbinos, 1995).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Aan&#225;lise da imprensa escrita apresenta caracter&#237;sticas semelhantes. Em 1976, Goffman nota que a publicidade das revistas e dos jornais norte-americanos sugere uma diferen&#231;a de estatuto entre homens e mulheres: os homens desempenham muitas vezes o papel de peritos e s&#227;o fisicamente apresentados numa posi&#231;&#227;o superior &#224; das mulheres (cf. Burr, 1998). Na mesma altura, um estudo realizado em Portugal evidencia duas formas de apresentar as mulheres: por um lado, em imagens &#34;da vida quotidiana&#34;, elas acompanham um homem, sempre sorridentes; por outro, com atitudes sugestivas, elas utilizam o seu corpo para promover produtos de beleza ou outros produtos de consumo (Barreno, 1976). Se as mulheres s&#227;o mais frequentemente descritas num contexto profissional na actualidade do que h&#225; quarenta anos atr&#225;s, tamb&#233;m s&#227;o mais vezes apresentadas como objectos decorativos ou sexuais (Crawford &#38; Unger, 2000).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Um exame do conte&#250;do da imprensa escrita revela que, na grande maioria dos casos, a primeira p&#225;gina dos di&#225;rios se refere a homens ou apresenta coment&#225;rios masculinos (Crawford &#38; Unger, 2000). Quando se fala de mulheres em posi&#231;&#227;o de poder ou de prest&#237;gio comenta-se a sua apar&#234;ncia f&#237;sica e o seu vestido, independentemente do assunto em causa (ver tamb&#233;m Barreno, 1976). As p&#225;ginas desportivas consagram mais espa&#231;o aos desportistas masculinos do que &#224;s desportistas; d&#227;o mais aten&#231;&#227;o &#224;s ginastas e patinadoras do que &#224;s jogadoras de futebol ou de basquete; sublinham a for&#231;a e o poder do corpo masculino e a beleza e a delicadeza do corpo feminino (Crawford &#38; Unger, 2000).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">As preocupa&#231;&#245;es femininas exprimem-se nas revistas femininas. Numa an&#225;lise das tr&#234;s principais revistas norte-americanas entre 1949 e 1980, Ferguson (1983) revela que at&#233; os anos 70 os temas mais frequentes dizem respeito &#224; manuten&#231;&#227;o das rela&#231;&#245;es familiares (com o marido e os filhos) e ao cuidado com a apar&#234;ncia. Temas relacionados com a contracep&#231;&#227;o e a concilia&#231;&#227;o entre fam&#237;lia e trabalho aparecem mais tarde, sem mostrar uma mudan&#231;a nas ideias acerca da feminilidade e dos pap&#233;is tradicionalmente femininos (cf. Burr, 1998). A sexualidade aparece, hoje em dia, como uma das grandes preocupa&#231;&#245;es femininas, sendo mais importante do que o emprego e a fam&#237;lia e, sem d&#250;vida, mais importante do que a pol&#237;tica, a economia e os problemas sociais (Crawford &#38; Unger, 2000).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">As revistas para raparigas adolescentes n&#227;o procuram despertar outros interesses nas suas leitoras (Crawford &#38; Unger, 2000): a an&#225;lise de uma revista americana de grande difus&#227;o revela que mais de 60% dos artigos em cada n&#250;mero tratam de moda,beleza, alimenta&#231;&#227;o e decora&#231;&#227;o (Peirce, 1990). N&#227;o se encontraram grandes diferen&#231;as relativamente &#224;s revistas europeias, mas sim relativamente &#224;s revistas destinadas aos rapazes adolescentes, em que 30% dos artigos s&#227;o dedicados a viagens, carros e motos, e a filmes, CD e jogos de computador (Willemsen, 1998).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">As grandes dicotomias actividade-passividade e esfera p&#250;blica-esfera privada s&#227;o j&#225; definidas na imprensa infantil. Efectivamente, uma an&#225;lise das revistas de l&#237;ngua francesa destinadas &#224;s crian&#231;as dos 0 aos 7 anos revela que os her&#243;is dos epis&#243;dios apresentados mensalmente &#224;s crian&#231;as desenvolvem mais frequentemente do que as hero&#237;nas actividades exteriores em companhia de amigos. Pelo contr&#225;rio, as hero&#237;nas s&#227;o muitas vezes apresentadas no quadro familiar aparecendo, por exemplo, duas vezes mais do que os her&#243;is na cozinha usando avental (Dafflon-Novelle, 2002).</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">As representa&#231;&#245;es estereotipadas dos dois sexos n&#227;o est&#227;o ausentes dos livros escolares. Numa an&#225;lise dos livros de textos destinados aos alunos da terceira classe, Child, Potter e Levine revelam, em 1946, que esses apresentam as mulheres como dedicadas, meigas e t&#237;midas, mas raramente activas, ambiciosas ou criativas. Pelo contr&#225;rio, os homens s&#227;o descritos como espertos e s&#227;o os her&#243;is das hist&#243;rias em 73% dos casos (cf. Montagu, 1999). Nos anos 70, um estudo realizado em</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Portugal revela que, nos livros de textos para os alunos da escola prim&#225;ria, os homens, detentores do poder e do saber, s&#227;o definidos essencialmente pelo trabalho profissional e nunca desempenham tarefas dom&#233;sticas; as mulheres, sem preocupa&#231;&#245;es e inteiramente dependentes dos homens, s&#227;o definidas pela fun&#231;&#227;o maternal e raramente t&#234;m uma actividade profissional (Fontaine, 1977). Anos depois, os homens e as mulheres apresentados aos alunos continuam conformes aos estere&#243;tipos sexuais (Michel, 1986). Apesar de algumas modifica&#231;&#245;es nas actividades dos dois sexos, as personagens femininas s&#227;o descritas como sendo t&#227;o passivas e dependentes como h&#225; cinquenta anos atr&#225;s e as personagens masculinas n&#227;o s&#227;o menos instrumentais (Kortenhaus &#38; Demarest, 1993).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">As imagens difundidas pelos meios de comunica&#231;&#227;o de massa e pelas institui&#231;&#245;es de ensino continuam a propagar as ideologias desenvolvidas no s&#233;c. XIX, apesar das mudan&#231;as ocorridas na situa&#231;&#227;o das mulheres. J&#225; que muitas vezes n&#227;o se nota nada de estranho no modo como os dois sexos s&#227;o apresentados, podemos considerar que essas imagens traduzem uma representa&#231;&#227;o ainda largamente difundida da masculinidade e da feminilidade (Burr, 1998). Para alguns autores, essas imagens tamb&#233;m t&#234;m uma fun&#231;&#227;o: justificam a discrimina&#231;&#227;o das mulheres (Barreno, 1976), apresentando as diferen&#231;as entre homens e mulheres como naturais ou como conformes a uma norma que corresponde ao justo equil&#237;brio social (Fontaine, 1977).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Partindo do princ&#237;pio que as imagens difundidas contribuem tamb&#233;m para a constru&#231;&#227;o da identidade sexual dos jovens e para a sua socializa&#231;&#227;o nos pap&#233;is tradicionalmente atribu&#237;dos aos dois sexos (Dafflon-Novelle, 2002), pode-se perguntar se as leituras propostas no percurso escolar proporcionam aos adolescentes imagens alternativas da masculinidade e da feminilidade.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Retratos de homens e mulheres na literatura portuguesa</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Para responder a esta quest&#227;o, procur&#225;mos examinar como s&#227;o descritos os homens e as mulheres nas obras liter&#225;rias designadas como leituras obrigat&#243;rias no ensino secund&#225;rio portugu&#234;s.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>M&#233;todo</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Selec&#231;&#227;o dos textos liter&#225;rios</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A selec&#231;&#227;o dos retratos de homens e de mulheres a analisar foi efectuada com base em v&#225;rios crit&#233;rios. Em primeiro lugar, procur&#225;mos conhecer as obras liter&#225;rias designadas como leituras obrigat&#243;rias entre o s&#233;timo e d&#233;cimo segundo ano de escolaridade. Conseguimos obter junto do Departamento do Ensino Secund&#225;rio os programas de, portugu&#234;s e as respectivas leituras obrigat&#243;rias relativamente aos anos de 1991 e 1997.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Em segundo lugar, realiz&#225;mos um inqu&#233;rito acerca das leituras obrigat&#243;rias junto de 10 professores de portugu&#234;s, 5 do sexo masculino e 5 do sexo feminino, com um tempo de servi&#231;o que varia entre os 16 e os 30 anos. Foi solicitado a esses professores, atrav&#233;s de uma entrevista informal, que nos referissem, para cada ano que leccionavam ou que j&#225; leccionaram, os autores portugueses e as obras de leitura obrigat&#243;ria de que se recordavam. Tr&#234;s autores e obras surgiram referidos por todos os professores, a saber: Os <i>Maias</i> de E&#231;a de Queiroz, <i>Viagens na Minha Terra</i> de Almeida Garrett e <i>Amor de Perdi&#231;&#227;o</i> de Camilo Castelo Branco. Verificou-se que as obras e os autores referidos constam dos programas de portugu&#234;s obtidos junto do Departamento do Ensino Secund&#225;rio.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Uma vez que, para al&#233;m dos autores e das obras, pretend&#237;amos seleccionar algumas personagens para o estudo, elabor&#225;mos, num terceiro momento, um pequeno question&#225;rio que foi administrado a 20 adultos, 10 homens e 10 mulheres, solteiros e casados, com idades que variavam entre 21 e 68 anos. O question&#225;rio era constitu&#237;do por duas partes, que seguiam a mesma sequ&#234;ncia. Na primeira parte, apresentava-se o objectivo do question&#225;rio, explicando que fazia parte, de uma investiga&#231;&#227;o onde se procurava conhecer a opini&#227;o de leitores sobre alguns aspectos relacionados com romancistas portugueses. Em seguida, convid&#225;vamos os responderdes a pensar numa personagem que correspondesse a uma mulher t&#237;pica e numa personagem que correspondesse a um homem t&#237;pico, tendo por base os romances de autores portugueses lidos. Recolh&#237;amos ainda os dados sociodemogr&#225;ficos dos inquiridos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Na segunda parte, ped&#237;amos aos inquiridos para identificar o nome da personagem feminina e da personagem masculina em que tinham pensado e para referir algumas informa&#231;&#245;es sobre a caracteriza&#231;&#227;o das personagens e o seu papel na hist&#243;ria. Ped&#237;amos, ainda, que indicassem dez raz&#245;es pelas quais as personagens eram consideradas, respectivamente, uma mulher t&#237;pica ou um homem t&#237;pico. Este pedido tinha por objectivo promover uma escolha que reflectisse efectivamente uma personagem considerada t&#237;pica, pelo que esta informa&#231;&#227;o n&#227;o foi tratada. No <a href="/img/revistas/psi/v18n1/18n1a03q1.jpg">quadro 1</a> apresentamos uma s&#237;ntese das personagens evocadas por obra e autor.</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">Uma an&#225;lise global do <a href="/img/revistas/psi/v18n1/18n1a03q1.jpg">quadro 1</a> permite concluir que no total foram referidos seis autores, dos quais apenas dois actuais, Jos&#233; Saramago e Augustina Bessa Lu&#237;s. Os autores mais referidos s&#227;o, para al&#233;m de Jos&#233; Saramago, E&#231;a de Queiroz, Camilo Castelo Branco e Almeida Garrett. As personagens identificadas com maior frequ&#234;ncia foram, respectivamente, Maria Eduarda e Carlos da Maia de <i>Os Maias</i> de E&#231;a de Queiroz, Teresa e Sim&#227;o de Amor <i>de Perdi&#231;&#227;o</i> de Camilo Castelo Branco, e Joaninha e Carlos das <i>Viagens na Minha Terra</i> de Almeida Garrett. Estas personagens, nas respectivas obras, s&#227;o consideradas protagonistas ou personagens de relevo e mant&#234;m uma rela&#231;&#227;o amorosa em tomo da qual grande parte da trama se desenvolve. A partir do cruzamento das refer&#234;ncias fornecidas pelos docentes, das leituras obrigat&#243;rias que constam dos programas de portugu&#234;s, e das personagens identificadas como homens e mulheres t&#237;picos, decidimos reter para a an&#225;lise as seis personagens que obtiveram uma frequ&#234;ncia de evoca&#231;&#227;o mais elevada.</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">Escolhidas as personagens era necess&#225;rio encontrar as passagens dos romances em que estas s&#227;o caracterizadas. Para a selec&#231;&#227;o recorremos ao conhecimento que possu&#237;mos das obras e &#224;s sugest&#245;es apresentadas nos Cadernos de Portugu&#234;s do Ensino Secund&#225;rio (Cabral, 1997a; Mendes, Dias &#38; Geirinhas, 1999; e Cabra 1997b, respectivamente, para Maria Eduarda e Carlos da Maia de Os Maias, Sim&#227; e Teresa de Amor de Perdi&#231;&#227;o e Joaninha e Carlos das <i>Viagens na Minha Terra).</i></font></p>              <p><font face="Verdana" size="2">Material</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O material submetido &#224; an&#225;lise &#233; constitu&#237;do por um <i>corpus</i> composto por25037pa lavras e dividido em seis unidades de contexto iniciais, que correspondem &#224;s des cri&#231;&#245;es das seis personagens seleccionadas.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">An&#225;lise dos dados</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O material recolhido foi submetido a um programa de an&#225;lise de dados textuai (Alceste, vers&#227;o 4.5). Este programa, cujo objectivo &#233; quantificar um texto para ex trair as estruturas significantes mais fortes, permite estudar a estrutura formal d; co-ocorr&#234;ncia das palavras num determinado <i>corpus,</i> efectuando tuna classifica&#231;&#227;t hier&#225;rquica descendente, baseada na dist&#226;ncia do qui-quadrado, numa tabela de palavras que cruza o conjunto das formas lematizadas (reduzidas &#224; raiz) em prove ni&#234;ncia das passagens seleccionadas.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Resultados</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O <i>corpus</i> foi subdividido em 638 unidades de contexto elementares (UCE) de 15,l&#237; palavras em  	m&#233;dia. Estas unidades elementares foram definidas pelo programa e correspondem a duas ou tr&#234;s linhas de texto, ou seja, mais ou  	menos a uma frase. Dentro das 638 UCE, 544 foram classificadas, o que representa 85,27% do materialrecolhido.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Dentro das 25037 palavras que comp&#245;em o <i>corpus,</i> 5724 s&#227;o formas lexicais distintas, dentro das quais 3652 aparecem apenas uma vez. As formas distintas foram reduzidas, por lematiza&#231;&#227;o, a 973 formas; destas foram analisadas 749, citadas no m&#237;nimo 3 vezes. A an&#225;lise de classifica&#231;&#227;o hier&#225;rquica levou a uma parti&#231;&#227;o das formas reduzidas em cinco classes: duas descrevem as mulheres, duas descrevem os homens e a &#250;ltima re&#250;ne caracter&#237;sticas que s&#227;o associadas aos dois sexos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A primeira classe cont&#233;m 63 UCE, o que representa 11,58% do texto analisado. As palavras mais frequentes s&#227;o: preto, bela, brilho, desenho, veludo, gentil (x<sup>2</sup>&#62;30,00), fei&#231;&#245;es, boca, ar, rosto, vestido, verde, express&#227;o, sorrir, arte <b>(X<sup>2</sup>&#62;20,00)</b> e ainda alta, azul, cabelo, pequena, rara, seda (x<sup>2</sup>&#62;15,00). A classe faz claramente refer&#234;ncia aos atributos f&#237;sicos e &#224; apar&#234;ncia, evocando a beleza e a meiguice. Trata-se de uma dimens&#227;o especificamente feminina, uma vez que as palavras referidas s&#227;o associadas de forma significativamente menos frequente ao sexo masculino (x<sup>2</sup>=16,70). As palavras inclu&#237;das nesta classe prov&#234;m sobretudo do autor Almeida Garrett (x<sup>2</sup>=151,80), sendo menos utilizadas por Camilo Castelo Branco (x<sup>2</sup>=41,43).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A segunda classe &#233; composta de 134 UCE, ou seja 24,63% do texto analisado. Compreende sobretudo as palavras morte, esperan&#231;a, infeliz, m&#225;rtir, cora&#231;&#227;o, amiga (x<sup>2</sup>&#62;20,00), degredo, morrer, agonia, desgra&#231;a, inj&#250;ria (x<sup>2</sup>&#62;15,00) e tamb&#233;m amada, condenada, f&#233;, amor, cuidar e for&#231;as (x<sup>2</sup>&#62;10,00). A classe reflecte uma imagem de sofrimento e d&#225;diva. Tal como a classe anterior, &#233; especificamente feminina, uma vez que as palavras inclu&#237;das s&#227;o associadas de forma sigmficativamente menos frequente ao sexo masculino <i>(%<sup>z</sup>=12,77).</i> As palavras s&#227;o sobretudo usadas por Camilo Castelo Branco (x<sup>2</sup>=187,38) e menos por E&#231;a de Queiroz (x<sup>2</sup>=149,78) e Almeida Garrett (x<sup>2</sup>=4,45).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A terceira classe cont&#233;m 194 UCE, representando 35,66% do texto analisado. Inclui sobretudo as palavras bra&#231;os, erguer, gritar, repente, brutalidade, amante (x<sup>2</sup>&#62;10,00) e conhecer, arrebatamento, apertar, beijos, apar&#234;ncia, baixo, l&#225;bios, olhos, longo, ombros (x<sup>2</sup>&#62;5,00). Estes termos fazem refer&#234;ncia aos atributos f&#237;sicos e evocam a for&#231;a e a paix&#227;o. Eles s&#227;o conotados com o sexo masculino, sendo significativamente menos frequentes na descri&#231;&#227;o das personagens femininas (x<sup>2</sup>=12,88). As palavras prov&#234;m sobretudo de E&#231;a de Queiroz (x<sup>z</sup>=244,18), sendo significativamente menos utilizadas por Camilo Castelo Branco (x<sup>2</sup>=190,90) e por Almeida Garrett (x<sup>2</sup>=12,87).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Na quarta classe, que cont&#233;m 55 UCE, ou seja 10,11% do texto analisado, as palavras mais frequentes s&#227;o luxo, medicina, doente, laborat&#243;rio, doutor, cavalos, cela (x<sup>2</sup>&#62;30,00), diletante, estudos, livro, amigos, gra&#231;a, m&#233;dico (x<sup>2</sup>&#62;20,00) e conhecido, trabalhar, rico, poeta, noite, gosto e considerado (x<sup>2</sup>&#62;10,00). As palavras inclu&#237;das nesta classe sugerem uma liga&#231;&#227;o ao contexto laborai e &#224; vida social. Tal como a classe anterior, esta classe traduz uma imagem masculina, uma vez que estas palavras est&#227;o significativamente menos associadas &#224;s personagens femininas (x<sup>2</sup>=17,56). &#201; tamb&#233;m caracter&#237;stica de E&#231;a de Queiroz (x<sup>2</sup>=244,18), uma vez qt as palavras que est&#227;o inclu&#237;das nesta classe s&#227;o significativamente menos utiliz; das por Camilo Castelo Branco (x<sup>2</sup>=34,71) e por Almeida Garrett (x<sup>2</sup>=2,15).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Por &#250;ltimo, a quinta classe inclui 98 UCE, o que corresponde a 18,01% do texl analisado, e engloba as palavras pai, primo (x<sup>2</sup>&#62;45,00), filho, futuro, m&#227;e (x<sup>2</sup>&#62;10,00 assim como tia, filha e crian&#231;a (x<sup>2</sup>&#62;5,00). Esta classe, que faz uma liga&#231;&#227;o directa fam&#237;lia e parentalidade, &#233; comum aos dois sexos e &#233; sobretudo caracter&#237;stica d Camilo Castelo Branco (x<sup>2</sup>=140,53).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Discuss&#227;o</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os nossos resultados revelam alguns factos interessantes relativamente &#224;s representa&#231;&#245;es da  	masculinidade e da feminilidade. Em primeiro lugar, muitas personagens de romances de autores portugueses que correspondem a uma mulher  	t&#237;pica a um homem t&#237;pico foram escolhidas em obras do s&#233;c. XIX! Em segundo lugar, an&#225;lise dos retratos das seis personagens  	assim seleccionadas evidencia vis&#245;es es pec&#237;ficas da masculinidade e da feminilidade, que se sobrep&#245;em aos estilos dos artores.  	Com efeito, se o estilo liter&#225;rio fosse determinante na constru&#231;&#227;o da personagens, a an&#225;lise devia ter extra&#237;do  	tr&#234;s classes, fazendo corresponder a cad uma um autor diferente. N&#227;o foi isso que aconteceu, e a an&#225;lise revela&#8212;para  	al&#233;n de uma dimens&#227;o de rela&#231;&#245;es familiares comuns aos dois sexos &#8212; duas classes ca racter&#237;sticas da natureza  	masculina e duas classes caracter&#237;sticas da natureza feminina. Assim, a imagem das mulheres evoca, por um lado, a beleza e a meiguice  	sugerindo uma certa fragilidade, e apresenta as mulheres como objectos decorativos e, ao mesmo tempo, de desejo. Por outro lado, as mulheres  	s&#227;o descritas como virtuosas e com capacidade de sofrer, de perdoar e de se sacrificar, o que real&#231;a uma outra faceta da sua  	natureza passiva.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">De forma complementar, a imagem dos homens evoca a for&#231;a e a iniciativa na rela&#231;&#227;o amorosa,  	motivada pelo objecto de desejo. No entanto, a actividade que caracteriza a natureza masculina n&#227;o se esgota nessa rela&#231;&#227;o. Os  	homens s&#227;o associa dos &#224; esfera p&#250;blica por uma grande diversidade de actividades: os estudos, &#237; ocupa&#231;&#227;o  	profissional, o estatuto social e a vida social. Duas grandes dicotomia! s&#227;o assim delineadas nas obras analisadas: a fragilidade  	feminina <i>vs.</i> a for&#231;a masculina e a passividade feminina <i>vs.</i> a actividade masculina.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Em terceiro lugar, as dimens&#245;es extra&#237;das pela an&#225;lise ainda permanecem nas representa&#231;&#245;es actuais da masculinidade e da feminilidade, o que significa que as cren&#231;as acerca da natureza feminina e da natureza masculina sobreviveram &#224;s mudan&#231;as na situa&#231;&#227;o das mulheres. Pode-se notar, contudo, uma varia&#231;&#227;o nas imagens recolhidas nas obras liter&#225;rias do s&#233;c. XIX e nas produ&#231;&#245;es culturais actuais: <i>z </i>imagem da mulher sofredora foi substitu&#237;da pela imagem da mulher sedutora, m&#227;e e esposa feliz. Esta mudan&#231;a tem como consequ&#234;ncia principal tomar positivos alguns aspectos at&#233; l&#225; negativos da natureza feminina. No entanto, a valoriza&#231;&#227;o da beleza e da capacidade de sedu&#231;&#227;o feminina proporciona um prest&#237;gio &#224;s mulheres no imagin&#225;rio mas n&#227;o na sociedade real, o que possibilita a manuten&#231;&#227;o da ordem social (Chombart de Lauwe, 1984).</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Observa&#231;&#245;es conclusivas</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">As representa&#231;&#245;es da masculinidade e da feminilidade foram objecto de poucas transforma&#231;&#245;es durante os cem &#250;ltimos anos. Este facto &#233; intrigante na medida em que se registaram, neste per&#237;odo de tempo, importantes mudan&#231;as na situa&#231;&#227;o social das mulheres. Na explica&#231;&#227;o da perman&#234;ncia das representa&#231;&#245;es tradicionais pode-se incluir, sem d&#250;vida, a difus&#227;o de imagens estereotipadas dos homens e das mulheres nas produ&#231;&#245;es art&#237;sticas e culturais. Ao contr&#225;rio do que Moscovici (1961, 1976) observou acerca da psican&#225;lise no estudo em que introduziu o conceito de representa&#231;&#245;es sociais, n&#227;o h&#225; diversidade no modo de descrever os homens e as mulheres. As constantes oposi&#231;&#245;es entre a actividade masculina e a passividade feminina, e as actividades exteriores dos homens e as actividades interiores das mulheres n&#227;o s&#243; revelam as representa&#231;&#245;es veiculadas pela nossa sociedade, como tamb&#233;m propagam cren&#231;as acerca dos pap&#233;is apropriados aos homens e &#224;s mulheres.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Assim, a grande maioria das produ&#231;&#245;es culturais continuam, na actualidade, a oferecer uma vis&#227;o dos homens e das mulheres em conformidade com aquela que se estruturou nas ideologias do s&#233;c. XIX. As poucas transforma&#231;&#245;es que ocorreram nas imagens apresentadas s&#227;o as concess&#245;es indispens&#225;veis para ajustar os antigos retratos &#224;s realidades sociais actuais. Sendo assim, essas imagens podem continuar a insinuar-se nas representa&#231;&#245;es que as pessoas veiculam da masculinidade e da feminilidade, indicando o que devem ser e o que devem fazer para serem verdadeiramente homem ou mulher.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A falta de mudan&#231;a nos retratos femininos poderia, no entanto, traduzir mais do que os esfor&#231;os masculinos para preservar a sua domina&#231;&#227;o sobre as mulheres: ela poderia tamb&#233;m reflectir a dificuldade das mulheres para definir a sua identidade de uma forma que, em simult&#226;neo, seja positiva e distinta da identidade masculina (cf. Chombart de Lauwe, 1984). Pode-se inferir que, enquanto as mulheres n&#227;o mudarem as suas expectativas (Friedan, 1963) nem procurarem viver uma vida pr&#243;pria (Hollingworth, 1916), as condi&#231;&#245;es necess&#225;rias para mudar as rela&#231;&#245;es entre os sexos n&#227;o ser&#227;o preenchidas.</font></p>          <p>&nbsp;</p>         <p><font face="Verdana" size="2"><b>Refer&#234;ncias</b></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Allen, K., &#38; Coltrane, S. (1996). Gender displaying television commercials: A comparative study of television commercials in the 1950s and 1980s. <i>Sex Roles, 35,</i> 185-203.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473858&pid=S0874-2049200400010000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Am&#226;ncio, L. (1994). <i>Masculino e feminino: A constru&#231;&#227;o social da diferen&#231;a.</i> Porto: Edi&#231;&#245;es Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473860&pid=S0874-2049200400010000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Archer, J. (1996). Sex differences in social behavior: Are the social role and evolutionary explanations compatible? <i>American Psychologist, 51</i> (9), 909-917.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473862&pid=S0874-2049200400010000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Bakan, D. (1966). <i>The duality of human experience.</i> Chicago: Rand McNally.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473864&pid=S0874-2049200400010000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Barreno, M. I. (1976). <i>A imagem da mulher na imprensa.</i> Lisboa: Comiss&#227;o da Condi&#231;&#227;o Feminina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473866&pid=S0874-2049200400010000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Baudelot, C, &#38; Establet, R. (1992). <i>Allez les filles!</i> Paris: Editions du Seuil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473868&pid=S0874-2049200400010000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Bem, S. L. (1993). <i>The lenses of gender.</i> New Haven, CT: Yale University Press.</font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Broverman, I. K., Vogel, S. R., Broverman, D. M., Clarkson, F. E., &#38; Rosenkrantz, P. S. (1972). Sex-role stereotypes: A current appraisal. <i>Journal of Social Issues, 28,</i>59-78.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473871&pid=S0874-2049200400010000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Brown, R. (1988). <i>Group processes: Dynamics within and between groups.</i> Oxford: Blackwell</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473873&pid=S0874-2049200400010000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Burr, V. (1998). <i>Gender and social psychology.</i> Londres: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473874&pid=S0874-2049200400010000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Cabral (1997a). O <i>Realismo: E&#231;a de Queiroz e</i> <i>&#34;Os Maias&#34;.</i> Mem Martins: Edi&#231;&#245;es Sebenta.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473876&pid=S0874-2049200400010000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Cabral (1997b). O <i>Romantismo: Garrett e as &#34;Viagens&#34;.</i> Mem Martins: Edi&#231;&#245;es Sebenta.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473878&pid=S0874-2049200400010000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Child, I. L., Potter, E. H., &#38; Levine, E. M. (1946). Children&#39;s textbooks and personality development: An exploration in the social psychology of education. <i>Psychological Monographs, 60,</i>3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473880&pid=S0874-2049200400010000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Chombart de Lauwe, M. J. (1984). La repr&#233;sentation des cat&#233;gories sociales domin&#233;es: r&#244;le social, int&#233;riorisation. <i>Bulletin de Psychologie, XXXVII</i> (366), 877-86.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473882&pid=S0874-2049200400010000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Cicchelli-Pugeot, C., &#38; Cicchelli, V. (1998). <i>Les th&#233;ories sociologiques de la famille.</i> Paris: Editions La D&#233;couverte.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473884&pid=S0874-2049200400010000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Comte, A. (1830-1927). <i>Cours de philosophie positive.</i> Paris: Hachette.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473886&pid=S0874-2049200400010000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Connell, R. W. (1993). <i>Gender and power: Society, the person and sexual politics.</i> Cambridge: Polity Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473888&pid=S0874-2049200400010000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Crawford, M., &#38; Unger, R. (2000). <i>Women and gender: A feminist psychology</i> (3. a ed.). Nov Iorque: McGraw-Hill.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473890&pid=S0874-2049200400010000300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Dafflon-Novelle, A. (2002). Les repr&#233;sentations multidimensionnelles du masculin et du f&#233;minin v&#233;hicul&#233;es par la presse enfantine francophone. <i>Swiss Journal of Psychology 61</i> (2), 85-103.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473892&pid=S0874-2049200400010000300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Darwin, C. (1871). <i>The descent of man.</i> Londres: John Murray.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473894&pid=S0874-2049200400010000300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Davis, D. M. (1990). Portrayal of women in prime-time network television: Some demographic characteristics. <i>Sex Roles, 23,</i>325-332.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473896&pid=S0874-2049200400010000300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Deaux, K. (1990). From individual differences to social categories: Analysis of a decade&#39;s research on gender. In A. G. Halberstadt &#38; S. L. Ellyson (Eds,), <i>Social psychology readings.</i> Nova Iorque: McGraw-Hill.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473898&pid=S0874-2049200400010000300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Durkheim, E. (1893). <i>La division du travail social: Etude sur l&#39;organisation des soci&#233;t&#233;s sup&#233;rieures.</i> Paris: Alcan.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473900&pid=S0874-2049200400010000300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ,</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Eagly, A. H. (1995). The science of politics of comparing women and men. <i>American Psychologist, 50</i> (3), 145-158.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473902&pid=S0874-2049200400010000300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Engels, F. (1884,1974). <i>L&#39;origine de la famille, de la propri&#233;t&#233; priv&#233;e et de l&#39;Etat.</i> Paris: Edition: Sociales.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473904&pid=S0874-2049200400010000300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Ferguson, M. (1983). <i>Forever feminine: Women&#39;s magazines and the cult of femininity.</i> Londres: Heinemann.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473906&pid=S0874-2049200400010000300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Fontaine, A. M. (1977). A discrimina&#231;&#227;o sexual dos pap&#233;is sociais nos manuais portugueses de aprendizagem da leitura. <i>Revista Portuguesa de Pedagogia, XI,</i> 149-183.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473908&pid=S0874-2049200400010000300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> &#187;</font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Freud, S. (1908). &#220;ber infantile Sexualtheorien. <i>Gesammelte Werke, VII.</i> Londres: Imago.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473910&pid=S0874-2049200400010000300028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Friedan, B. (1963). <i>The feminine mystique.</i> Nova Iorque: Norton.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473912&pid=S0874-2049200400010000300029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Goffman, E. (1976). <i>Gender advertisements.</i> Nova Iorque e Londres: Harper and Row.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473914&pid=S0874-2049200400010000300030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Herla, G. (1987). Partage des responsabilit&#233;s familiales, attitudes et comportements effectifs. <i>Les Cahiers de Psychologie Sociale, 35,</i>9-50.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473916&pid=S0874-2049200400010000300031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Hollingworth, L. S. (1916). Social devices for impelling women to bear and rear children. <i>American Journal of Sociology,</i> 22,19-29.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473918&pid=S0874-2049200400010000300032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Kortenhaus, C. M., &#38; Demarest, J. (1993). Gender role stereotyping in children&#39;s literature: An update. <i>Sex Roles, 28,</i>219-232.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473920&pid=S0874-2049200400010000300033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Lorenzi-Cioldi, E (1994). <i>Les androgynes.</i> Paris: PUR</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473922&pid=S0874-2049200400010000300034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="Verdana" size="2">Maccoby, E. E., &#38; Jacklin, C. N. (1974). <i>The psychology of sex differences.</i> Stanford, CA: Stanford University Press.</font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">McArthur, L. Z., &#38; Resko, B. G. (1975). The portrayal of men and women in American TV commercials. <i>Journal of Social Psychology, 97,</i>209-220.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473924&pid=S0874-2049200400010000300036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Mendes, A., Dias, G., &#38; Geirinhas, R. (1999). <i>Amor de Perdi&#231;&#227;o de Camilo Castelo Branco: Proposta de an&#225;lise.</i> Mem Martins: Edi&#231;&#245;es Sebenta.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473926&pid=S0874-2049200400010000300037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Michel, A. (1986). <i>Non aux st&#233;r&#233;otypes! Vaincre le sexisme dans les livres pour enfants et les manuels scolaires.</i> Paris: UNESCO.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473928&pid=S0874-2049200400010000300038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Mill, J. S. (1869). <i>L&#39;assujettissement des femmes.</i> Paris: Guillaumin.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473930&pid=S0874-2049200400010000300039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Montagu, A. (1999). <i>The natural superiority of women</i> (5.<sup>a</sup> ed.). Walnut Creek, CA: Altamira Press.</font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Moscovici, S. (1961,1976). <i>La psychanalyse, son image et son public.</i> Paris: PUR</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473933&pid=S0874-2049200400010000300041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Neto, R, &#38; Pinto, I. (1998). Gender stereotypes in Portuguese television advertisements. <i>Sex Roles, 39</i> (1 /2), 153-164.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473934&pid=S0874-2049200400010000300042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Parsons, T., &#38; Bales, R. R (1956). <i>Family: Socialization, and interaction process.</i> Glencoe, IL: Free Press.</font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Peirce, K. (1990). A feminist theoretical perspective on the socialization of teenage girls through Seventeen Magazine. <i>Sex Roles, 23,</i>491-500.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473937&pid=S0874-2049200400010000300044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Poeschl, G. (no prelo). In&#233;galit&#233;s sexuelles dans la m&#233;moire collective et repr&#233;sentations des diff&#233;rences entre les sexes. <i>Connexions.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473939&pid=S0874-2049200400010000300045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></i></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Scott, J. W. (1994). A mulher trabalhadora. In G. Duby &#38; M. Perrot (Eds.), <i>Hist&#243;ria das mulheres no ocidente: O s&#233;culo XIX</i> (pp. 443-475). Porto: Edi&#231;&#245;es Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473941&pid=S0874-2049200400010000300046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Shields, S. A. (1986). Fonctionnalisme, darwinisme et psychologie des femmes: Etude d&#39;un mythe social. In M. C. Hurtig &#38; M. F. Pichevin (Eds.), <i>La diff&#233;rence des sexes </i>(pp. 29-61). Paris: Tierce Sciences.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473943&pid=S0874-2049200400010000300047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Silva, A., &#38; Poeschl, G. (2001/2002). Representa&#231;&#245;es das semelhan&#231;as e das diferen&#231;as entre os sexos. <i>Cadernos de Consulta Psicol&#243;gica, 17/18,</i>153-159.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473945&pid=S0874-2049200400010000300048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Spence, J. T., Deaux, K., &#38; Helmreich, R. L. (1985). Sex roles in contemporary American society. In G. Lindzey &#38; E. Aronson (Eds.), <i>The handbook of social psychology</i> (vol. 2, 3.<sup>a</sup> ed, pp. 149-178). Hillsdale, NJ: Lawrence Erlbaum Associates.</font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Swim, J. K. (1994). Perceived versus meta-analytic effect sizes: An assessment of the accuracy of gender stereotypes. <i>Journal of Personality and Social Psychology, 66,21-36.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473948&pid=S0874-2049200400010000300050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></i></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Terman, L. M., &#38; Miles, C. C. (1936). <i>Sex and personality: Studies in masculinity and femininity.</i> Nova Iorque: McGraw Hill.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473950&pid=S0874-2049200400010000300051&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Thompson, T. L., &#38; Zerbinos, E. (1995). Gender roles in animated cartoons: Has the picture changed in twenty years? <i>Sex Roles, 32,</i>651-673.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473952&pid=S0874-2049200400010000300052&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Waxier, N. E&#8222; &#38; Mishler, E. G. (1970). Experimental studies of families. In L. Berkowitz (Ed.), <i>Advances in experimental social psychology</i> (vol. 5). Nova Iorque: Academic Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473954&pid=S0874-2049200400010000300053&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Willemsen, T. (1998). Widening the gender gap: Teenage magazines for girls and boys. <i>Sex Roles, 38,</i>851-861.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473956&pid=S0874-2049200400010000300054&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Wooley, H. T. (1910). Psychological literature: A review of the recent literature on the psychology of sex. <i>Psychological Bulletin,</i> 7,335-342.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=473958&pid=S0874-2049200400010000300055&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Zelditch, M. (1956). Role diff&#233;renciation in the nuclear family. In T. Parsons &#38; R. F. Bales (Eds.), <i>Family: Socialization, and interaction process.</i> Glencoe, IL: Free Press.</font></p>          <p>&nbsp;</p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>Notas</b></font></p>              <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top1"><sup>1</sup></a><a name="1"></a>Este estudo foi realizado com o apoio da FCT e do POCTI (Projecto POCTI/36451/PSI/00/2000),comparticipado pelo FEDER. A correspond&#234;ncia relativa a este trabalho pode ser endere&#231;ada a Gabrielle Poeschl, Faculdade de Psicologia e de Ci&#234;ncias da Educa&#231;&#227;o, Universidade do Porto, Rua do Campo Alegre, 1055,4169-004 Porto (<i>e-mail</i>: <a href="mailto:gpoeschl@psi.up.pt">gpoeschl@psi.up.pt</a>).</font></p>         ]]></body><back>
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