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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A experiência da gravidez: o corpo grávido, a relação com a mãe, a percepção de mudança e a relação com o bebé]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The pregnant body, the relationship with woman's own mother, the perception of change and the mother-child relationship]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper presents a study of exploration of the experience of the pregnancy, as a contribution to the understanding of the body experience's role in the significant relationships that adults establish and their psychological development. So we evaluate the perception of personal change, the relationship with the own mother and the relationship with the baby in the pregnancy, besides the evaluation of the experience of the pregnant body. For that, the Maternal-Fetal Attachment Scale (MFA - Cranley et al., 1981-1993) and a new pregnancy questionnaire (QAG -Questionário de Avaliação da Vivência da Gravidez) were used with 329 pregnant women in the three different pregnancy stages, evaluating their relationship with the unborn baby, the experience of the pregnant body, the relationship with their own mother and their perception of personal change with the pregnancy. The QAG and the MFA were tested according to the pregnancy stages, the parity, the marital status, the pregnancy planning and the social support. The association among the mother-baby relationship and the experience of the pregnancy was also tested, finding a very significant correlation among these dimensions, standing out the values obtained for the experience of the pregnant body. These results are discussed considering the body experience role in relation to identity development in the processes of the acquisition of the maternal role, and of the construction of the mother-child relationship during pregnancy, being emphasized their potentialities for the psychological intervention.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[relação mãe-bebé]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[corpo grávido]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[desenvolvimento da identidade materna]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="4"><b>A experi&#234;ncia da gravidez: o corpo gr&#225;vido, a rela&#231;&#227;o com a m&#227;e, a percep&#231;&#227;o de mudan&#231;a e a rela&#231;&#227;o com o beb&#233;</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>The pregnant body, the relationship with woman&#39;s own mother, the perception of change and the mother-child relationship</b></font></p>              <p>&nbsp;</p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Ana Meireles<sup>1</sup>; Maria Em&#237;lia Costa<sup>2</sup></b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><sup>1</sup>Aluna de Doutoramento da Faculdade de Psicologia e de Ci&#234;ncias da Educa&#231;&#227;o da Universidade do Porto e bolseira da Funda&#231;&#227;o para a Ci&#234;ncia e a Tecnologia do Minist&#233;rio da Ci&#234;ncia e do Ensino Superior (SFRH/ BD/ 1392/ 2000).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><sup>2</sup>Professora Associada com Agrega&#231;&#227;o na Faculdade de Psicologia e de Ci&#234;ncias da Educa&#231;&#227;o da Universidade do Porto.</font></p>          <p>&nbsp;</p>     <hr size="1" noshade>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Apresenta-se um estudo de explora&#231;&#227;o da experi&#234;ncia da gravidez que utiliza o <i>Maternal-Fetal Attachment Scale</i> de Cranley (1981) para avaliar a rela&#231;&#227;o m&#227;e-beb&#233;, e o <i>Question&#225;rio de Avalia&#231;&#227;o da viv&#234;ncia da Gravidez</i> (Meireles &#38; Costa, 2004) para avaliar a viv&#234;ncia do corpo gr&#225;vido, a rela&#231;&#227;o com a pr&#243;pria m&#227;e e a percep&#231;&#227;o de mudan&#231;a pessoal com a gravidez. Os resultados obtidos com uma amostra de 329 gr&#225;vidas foram tratados em termos das diferen&#231;as quanto ao trimestre de gravidez, &#224; paridade, ao estado civil, ao planeamento da gravidez e ao apoio social. Testou-se ainda a associa&#231;&#227;o entre a rela&#231;&#227;o m&#227;e-beb&#233; e a viv&#234;ncia da gravidez, encontrando-se uma correla&#231;&#227;o muito significativa entre estas dimens&#245;es, em que se destacam os valores obtidos em rela&#231;&#227;o &#224; viv&#234;ncia do corpo gr&#225;vido, o que &#233; discutido em termos do papel da viv&#234;ncia corporal na constru&#231;&#227;o da identidade materna e na constru&#231;&#227;o da rela&#231;&#227;o m&#227;e-beb&#233; na gravidez, enfatizando-se as suas potencialidades em termos da interven&#231;&#227;o psicol&#243;gica.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Palavras-chave</b>: Gravidez, rela&#231;&#227;o m&#227;e-beb&#233;, corpo gr&#225;vido, desenvolvimento da identidade materna.</font></p>      <hr size="1" noshade>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">This paper presents a study of exploration of the experience of the pregnancy, as a contribution to the understanding of the body experience&#39;s role in the significant relationships that adults establish and their psychological development. So we evaluate the perception of personal change, the relationship with the own mother and the relationship with the baby in the pregnancy, besides the evaluation of the experience of the pregnant body. For that, the <i>Maternal-Fetal Attachment Scale </i>(MFA - Cranley <i>et al.,</i> 1981-1993) and a new pregnancy questionnaire (QAG -Question&#225;rio de Avalia&#231;&#227;o da Viv&#234;ncia da Gravidez) were used with 329 pregnant women in the three different pregnancy stages, evaluating their relationship with the unborn baby, the experience of the pregnant body, the relationship with their own mother and their perception of personal change with the pregnancy. The QAG and the MFA were tested according to the pregnancy stages, the parity, the marital status, the pregnancy planning and the social support. The association among the mother-baby relationship and the experience of the pregnancy was also tested, finding a very significant correlation among these dimensions, standing out the values obtained for the experience of the pregnant body. These results are discussed considering the body experience role in relation to identity development in the processes of the acquisition of the maternal role, and of the construction of the mother-child relationship during pregnancy, being emphasized their potentialities for the psychological intervention.</font></p>      <hr size="1" noshade>         <p>&nbsp;</p>              <p><font face="Verdana" size="2"><b>Introdu&#231;&#227;o</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>A gravidez como transi&#231;&#227;o desenvolvimental</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Numa perspectiva desenvolvimental, &#233; consensual que, ao longo do ciclo de vida, as pessoas encontram numerosos per&#237;odos de transi&#231;&#227;o que envolvem a actualiza&#231;&#227;o do autoconceito e das rela&#231;&#245;es com os outros significativos (Ruble <i>et al.,</i> 1990; Cohen &#38; Slade, 2000; Canavarro, 2001). A gravidez e a maternidade s&#227;o normalmente descritas como uma das tarefas desenvolvimentais mais significativas da idade adulta. De facto, a gravidez - especialmente a primeira, envolve uma reorganiza&#231;&#227;o a todos os n&#237;veis: biol&#243;gico, cognitivo, emocional, relacional e social, transformando a rela&#231;&#227;o da mulher com o seu corpo, o seu <i>self</i> as suas figuras significativas e a sua comunidade, constituindo-se assim como uma transi&#231;&#227;o desenvolvimental.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Tarefas psicol&#243;gicas da gravidez: identidade materna e rela&#231;&#227;o m&#227;e-beb&#233;</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Como etapa desenvolvimental, a gravidez sup&#245;e a resolu&#231;&#227;o de tarefas psicol&#243;gicas espec&#237;ficas: a constru&#231;&#227;o da identidade materna e a constru&#231;&#227;o da rela&#231;&#227;o m&#227;e-beb&#233;, em torno das quais se processa, ent&#227;o, a redefini&#231;&#227;o psicossocial pr&#243;pria desta transi&#231;&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>A constru&#231;&#227;o da identidade materna</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Ao longo da gravidez, a mulher tem que passar a ver-se como m&#227;e. A constru&#231;&#227;o da identidade materna envolve a refer&#234;ncia &#224; rela&#231;&#227;o da gr&#225;vida com a sua m&#227;e: &#8220;a pr&#243;pria m&#227;e &#233; para cada mulher o primeiro e principal modelo de comportamentos e afectos maternos&#8221; (Canavarro, 2001, p. 26). Mas, mais do que um processo de simples reprodu&#231;&#227;o de um modelo materno, ocorre uma verdadeira reavalia&#231;&#227;o desta rela&#231;&#227;o durante a grividez, que permite adoptar alguns comportamentos semelhantes aos da m&#227;e que considere adequados e outros comportamentos diferentes em substitui&#231;&#227;o dos que considera disfuncionais, ou pouco adaptados &#224; sua situa&#231;&#227;o pessoal, construindo assim a sua pr&#243;pria identidade materna (Canavarro, 2001).</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><i>A constru&#231;&#227;o da rela&#231;&#227;o com o beb&#233;</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Entrela&#231;ada com o processo de reconstru&#231;&#227;o das rela&#231;&#245;es de vincula&#231;&#227;o precoces e de constru&#231;&#227;o da identidade materna est&#225; a tarefa de estabelecer uma liga&#231;&#227;o afectiva com o beb&#233; (Condon &#38; Corklindale, 1997). O estudo da rela&#231;&#227;o m&#227;e-beb&#233; tem-se focado especialmente no seu impacto no desenvolvimento do beb&#233;, mas n&#227;o podemos esquecer as mudan&#231;as experienciadas pela mulher no desempenho do papel de m&#227;e. Efectivamente, esta rela&#231;&#227;o &#233; cr&#237;tica para a qualidade do desenvolvimento da crian&#231;a, mas n&#227;o deixa, por isso, de ter um papel incontorn&#225;vel no funcionamento e desenvolvimento psicol&#243;gico da pr&#243;pria m&#227;e. A perspectiva de responsabilidade perante um filho pode ter um forte impacto na mulher que, ter&#225; que aprender a relacionar-se com um beb&#233;, disponibilizando uma grande parte do seu investimento emocional para assegurar a seguran&#231;a e o bem-estar de um novo ser, que passar&#225; a depender de si. A constru&#231;&#227;o desta liga&#231;&#227;o afectiva inicia-se muito antes do nascimento, numa adapta&#231;&#227;o corporal, emocional e cognitiva ao beb&#233; em desenvolvimento, constituindo uma tarefa psicol&#243;gica essencial da gravidez (Cranley, 1981; Colman &#38; Colman, 1994; Condon &#38; Corklindale, 1997; Mendes, 2002).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>A viv&#234;ncia do corpo na gravidez</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Na resolu&#231;&#227;o destas duas tarefas (identidade materna e rela&#231;&#227;o com o beb&#233;), tem um papel fundamental a viv&#234;ncia do corpo e das transforma&#231;&#245;es f&#237;sicas da gravidez, pois confronta a mulher com a exist&#234;ncia do beb&#233; e com o seu novo papel de m&#227;e: o seu corpo passou a conter outra pessoa. Esta consci&#234;ncia da presen&#231;a do beb&#233; vai sendo cada vez mais forte: os chamados &#8220;pontap&#233;s&#8221; (movimentos fetais) s&#227;o o momento de contacto com o beb&#233; como um ser vivo e &#233; dos acontecimentos mais significativos da gravidez (Lee, 1995). Esta realidade f&#237;sica prepara a mulher gr&#225;vida para mudan&#231;as profundas na sua realidade psicol&#243;gica. Ali&#225;s, a percep&#231;&#227;o dos movimentos fetais tem sido consistentemente relacionada com a constru&#231;&#227;o da representa&#231;&#227;o do beb&#233; e da liga&#231;&#227;o emocional ao beb&#233; (Siddiqui, Haeggloef &#38; Eisemann, 1999). De resto, foi j&#225; poss&#237;vel confirmar esta rela&#231;&#227;o entre a viv&#234;ncia do corpo e a constru&#231;&#227;o da rela&#231;&#227;o m&#227;e-beb&#233; numa an&#225;lise pr&#233;via dos resultados obtidos (Meireles &#38; Costa, 2004).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">No estudo da influ&#234;ncia da viv&#234;ncia corporal no desenvolvimento da identidade do adulto, &#233;, assim, poss&#237;vel destacar a gravidez como um acontecimento de vida que re&#250;ne claramente os dois n&#237;veis de mudan&#231;a psicol&#243;gica, pois (a) ao n&#237;vel da viv&#234;ncia corporal, s&#227;o &#243;bvias as dr&#225;sticas mudan&#231;as e experi&#234;ncias corporais e, (b) ao n&#237;vel do processo de desenvolvimento da identidade, &#233; evidente o forte desafio que &#233; colocado pelo novo papel. No entanto, a revis&#227;o da literatura permitiu constatar as limita&#231;&#245;es existentes em termos da investiga&#231;&#227;o desenvolvida, no sentido de associar o corpo enquanto objecto de estudo da psicologia com as vari&#225;veis relacionadas com a gravidez. Assim, considera-se pertinente a compreens&#227;o da rela&#231;&#227;o da gr&#225;vida com o seu corpo na avalia&#231;&#227;o da viv&#234;ncia da gravidez. Esta proposta de explora&#231;&#227;o da experi&#234;ncia da gravidez tem como objectivo contribuir para a compreens&#227;o da viv&#234;ncia do corpo no adulto, e sua import&#226;ncia nas rela&#231;&#245;es significativas que estabelece e que s&#227;o o palco do seu desenvolvimento psicol&#243;gico.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Outros factores da viv&#234;ncia da gravidez</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A forma como o indiv&#237;duo lida com a transi&#231;&#227;o est&#225;, no entanto, sujeita a diversos constrangimentos que t&#234;m que ver n&#227;o s&#243; com as pr&#243;prias caracter&#237;sticas do indiv&#237;duo e do acontecimento, mas, tamb&#233;m, com as caracter&#237;sticas do seu contexto de vida.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Contexto relacional di&#225;dico, rela&#231;&#227;o com a m&#227;e e percep&#231;&#227;o de apoio social</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A viv&#234;ncia da gravidez &#233; fortemente influenciada pelo contexto social da mulher, em que se destaca a sua rela&#231;&#227;o com o companheiro e com a fam&#237;lia de origem. De facto, a disponibilidade do apoio social - do companheiro e dos outros elementos da rede social mais alargada - mostrou-se essencial na qualidade da adapta&#231;&#227;o &#224; gravidez (Condon &#38; Corklindale, 1997; Smith, 1999), pelo que foi introduzida a avalia&#231;&#227;o da percep&#231;&#227;o do apoio social como vari&#225;vel incontorn&#225;vel na compreens&#227;o da viv&#234;ncia da gravidez (e da adapta&#231;&#227;o a qualquer transi&#231;&#227;o, em geral). De entre as vari&#225;veis relacionais a ter em conta na compreens&#227;o da viv&#234;ncia da gravidez, destacamos, no presente trabalho, al&#233;m do apoio social, o contexto conjugal em que a gravidez se enquadra (estado civil) e a avalia&#231;&#227;o da rela&#231;&#227;o com a pr&#243;pria m&#227;e.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Caracter&#237;sticas da gravidez</i></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Nas caracter&#237;sticas associadas &#224; gravidez que se espera condicionem tamb&#233;m a forma como a mulher gr&#225;vida lida e resolve esta transi&#231;&#227;o, destacamos o facto de ser a primeira gravidez, pois &#233; o acontecimento que precipita a transi&#231;&#227;o para a maternidade e em que o principal processo de mudan&#231;a ocorre com as grandes altera&#231;&#245;es na vida pessoal, relacional, familiar, profissional e social. Outros factores relativos &#224; gravidez, incontorn&#225;veis, na compreens&#227;o da forma como a mulher gr&#225;vida experiencia esta transi&#231;&#227;o, que muito condicionam o significado que este acontecimento assumir&#225; para a futura m&#227;e, s&#227;o necessariamente o facto de a gravidez ter sido planeada e ser desejada (Fischer, Stanford, Jameson &#38; Dewitt, 1999). Associada a esta dimens&#227;o estar&#225; ainda a dificuldade em engravidar como uma vari&#225;vel que exacerbar&#225; todo o desejo de gravidez e o seu planeamento, imprimindo &#224; viv&#234;ncia de uma gravidez nestas condi&#231;&#245;es uma din&#226;mica emocional pr&#243;pria. Da mesma forma, &#233; importante ter ainda em conta a presen&#231;a de complica&#231;&#245;es m&#233;dicas associadas &#224; gravidez, o que condicionar&#225; tamb&#233;m a viv&#234;ncia desta experi&#234;ncia, envolvendo um grau de ansiedade acrescido, mas tamb&#233;m uma antecipa&#231;&#227;o e uma intensifica&#231;&#227;o de muitas das preocupa&#231;&#245;es (como a preocupa&#231;&#227;o com o bem-estar do beb&#233;) que, sendo pr&#243;prias de qualquer gravidez, assumem, nestes casos, um significado e uma din&#226;mica emocional particulares.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>O decurso do processo grav&#237;dico</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Todos estes factores que condicionam a viv&#234;ncia da gravidez s&#227;o &#8220;jogados&#8221; e reconstru&#237;dos ao longo do processo grav&#237;dico, reenquadrados em diferentes configura&#231;&#245;es psicol&#243;gicas, numa din&#226;mica desenvolvimental que dever&#225; confluir para a resolu&#231;&#227;o idiossincr&#225;tica das tarefas psicol&#243;gicas da gravidez. Assim, &#233; esperado que, ao longo da gravidez, v&#227;o sendo progressivamente constru&#237;das a identidade materna e a rela&#231;&#227;o com o beb&#233; na conflu&#234;ncia de todos estes condicionantes.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Metodologia</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Hip&#243;teses de Investiga&#231;&#227;o</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#201; no seguimento deste conjunto de objectivos e pressupostos que estabelecemos como hip&#243;teses de trabalho:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">H1. A viv&#234;ncia da gravidez e a rela&#231;&#227;o com o beb&#233; variam com o tempo de gravidez (trimestre de gravidez);</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">H2. A viv&#234;ncia da gravidez e a rela&#231;&#227;o com o beb&#233; variam em fun&#231;&#227;o de vari&#225;veis relacionais e sociais (estado civil, rela&#231;&#227;o com a m&#227;e, percep&#231;&#227;o de apoio social);</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">H3. A viv&#234;ncia da gravidez e a rela&#231;&#227;o com o beb&#233; variam em fun&#231;&#227;o de vari&#225;veis obst&#233;tricas (paridade, planeamento da gravidez, gravidez desejada, dificuldade em engravidar, gravidez de risco);</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">H4. A rela&#231;&#227;o com o beb&#233; varia em fun&#231;&#227;o da viv&#234;ncia da gravidez (viv&#234;ncia do corpo gr&#225;vido, rela&#231;&#227;o com a m&#227;e, mudan&#231;a pessoal com a gravidez).</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><i>Participantes</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Para explorar as hip&#243;teses levantadas, recorreu-se &#224; consulta externa de servi&#231;os p&#250;blicos de obstetr&#237;cia, envolvendo um total de 364 gr&#225;vidas que constituem a nossa amostra. Neste estudo, n&#227;o foram consideradas as gr&#225;vidas adolescentes (com idade inferior a 20 anos), por se entender que este grupo apresenta especificidades desenvolvimentais, psicossociais e contextuais que imprimem &#224; viv&#234;ncia da gravidez e &#224; rela&#231;&#227;o com o beb&#233;, bem como ao seu contexto de vida, uma din&#226;mica muito particular que n&#227;o cabe a este trabalho abordar. Assim, foram considerados os valores referentes a 329 participantes, distribu&#237;das de forma homog&#233;nea pelos tr&#234;s trimestres de gravidez. Na sua maioria t&#234;m entre 21 e 35 anos de idade (85,4%, M = 28,6, SD = 5,2), s&#227;o casadas ou vivem em uni&#227;o de facto (94,8%) e s&#227;o prim&#237;paras (51,4%). 18,5% das gravidezes n&#227;o foram planeadas, mas apenas 0,6% das gr&#225;vidas reagiram negativamente &#224; not&#237;cia da gravidez. 85,4% das gravidezes n&#227;o apresentavam qualquer complica&#231;&#227;o m&#233;dica ou risco para o beb&#233; ou a m&#227;e. Em termos de grau de escolaridade, 64,4% das gr&#225;vidas participantes n&#227;o tinha o 9.&#176; ano e, relativamente &#224; situa&#231;&#227;o profissional, 18,2% estavam desempregadas no momento da recolha de dados.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Procedimento de recolha e an&#225;lise dos dados</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os question&#225;rios foram administrados por uma psic&#243;loga em contexto hospitalar urbano, no Servi&#231;o de Consulta Externa - Obstetr&#237;cia, em articula&#231;&#227;o com o Pessoal M&#233;dico e de Enfermagem envolvido, que encaminhou individualmente para o espa&#231;o localmente organizado para o efeito, com condi&#231;&#245;es de privacidade e conforto, as gr&#225;vidas que voluntariamente se disponibilizassem para colaborar, depois de apresentados o enquadramento institucional e os objectivos gerais da investiga&#231;&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os dados foram depois tratados utilizando-se a estat&#237;stica param&#233;trica do programa <i>SPSS (Statistical Package for Social Sciences).</i> Os dados referentes &#224; caracteriza&#231;&#227;o da amostra foram analisados em termos de distribui&#231;&#227;o de frequ&#234;ncias e percentagens. Para testar as hip&#243;teses levantadas, recorremos &#224; an&#225;lise da vari&#226;ncia (ANOVA) e &#224; an&#225;lise de correla&#231;&#245;es (coeficiente de correla&#231;&#227;o de <i>Pearson</i>).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Instrumentos</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Question&#225;rio de Avalia&#231;&#227;o da Viv&#234;ncia da Gravidez</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O Question&#225;rio de Avalia&#231;&#227;o da viv&#234;ncia da Gravidez (Meireles &#38; Costa, 2004) avalia a viv&#234;ncia do corpo gr&#225;vido, a rela&#231;&#227;o com a m&#227;e e a gravidez como factor de mudan&#231;a pessoal, num total de 22 itens<a href="#3"><sup>3</sup></a><a name="top3"></a>. O factor 1 (&#8220;Viv&#234;ncia do Corpo Gr&#225;vido&#8221;) &#233; atravessado por conte&#250;dos associados a uma viv&#234;ncia positiva do corpo na gravidez que remetem para uma identifica&#231;&#227;o com a gravidez e a maternidade (&#8220;<i>gosto de me ver com o corpo de gr&#225;vida&#8221;),</i> com um <i>alpha</i> de 0,86; o factor 2 (&#8220;Rela&#231;&#227;o com a M&#227;e&#8221;), com um <i>alpha</i> de 0,87, remete esta avalia&#231;&#227;o para um la&#231;o emocional profundo com ra&#237;zes no passado (&#8220;<i>a minha m&#227;e fazia</i>-<i>me mimos</i>&#8221;), com apenas um item reportando-se a uma mudan&#231;a nesta rela&#231;&#227;o (&#8220;<i>desde que estou gr&#225;vida, compreendo melhor a minha m&#227;e</i> &#8221;), no sentido de uma maior cumplicidade e identifica&#231;&#227;o com a pr&#243;pria m&#227;e; o factor 3 (&#8220;Mudan&#231;a Pessoal com a Gravidez&#8221;), com um <i>alpha</i> de 0,85, aborda a percep&#231;&#227;o do impacto da gravidez e da maternidade na vida da mulher (&#8220;<i>este beb&#233; vai alterar a minha vida</i>&#8221;).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Maternal-Fetal Attachment Scale</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Desenvolvido por Mecca S. Cranley (1981), a vers&#227;o original deste instrumento de avalia&#231;&#227;o da qualidade da rela&#231;&#227;o afectiva da m&#227;e com o feto (com um <i>alpha</i> global de 0,84) &#233; constitu&#237;da por 24 itens com resposta tipo <i>Likert,</i> organizados em cinco dimens&#245;es<a href="#4"><sup>4</sup></a><a name="top4"></a>. Este instrumento tem sido utilizado especialmente no 2.&#176; e 3.&#176; trimestres de gravidez (Heidrich &#38; Cranley, 1989; Grace, 1989; Cranley, 1993; Mendes, 2002), pelo que houve a necessidade de o adaptar ao presente estudo, excluindo-se os itens espec&#237;ficos do 2.&#176; e 3.&#176; trimestres (como, por exemplo, <i>&#8220;gosto de ver a barriga a mexer quando o beb&#233; d&#225; pontap&#233;s&#8221;),</i> tendo-se utilizado uma vers&#227;o reduzida do instrumento, preparada expressamente para a avalia&#231;&#227;o da rela&#231;&#227;o m&#227;e-beb&#233; nos tr&#234;s trimestres de gravidez, com 15 itens que se organizaram em dois factores. O factor 1 (&#8220;Envolvimento Emocional com o Beb&#233;&#8221;) com um <i>alpha</i> de 0,79 est&#225; muito relacionado com a interac&#231;&#227;o actual com o beb&#233; <i>(&#8220;converso com o meu beb&#233;&#8221;)</i> e com o investimento emocional na gravidez (&#8220;<i>tenho deixado de fazer certas coisas para o beb&#233; ser saud&#225;vel</i>&#8221;), destacando-se a dimens&#227;o presente da rela&#231;&#227;o m&#227;e-beb&#233; <i>in utero.</i> O factor 2 (&#8220;Constru&#231;&#227;o da Identidade Materna&#8221;) com um <i>alpha</i> de 0,78 re&#250;ne itens mais centrados na interac&#231;&#227;o com o beb&#233; no futuro e na antecipa&#231;&#227;o do papel de m&#227;e <i>(&#8220;imagino-me a cuidar do meu beb&#233;&#8221;).</i> A distribui&#231;&#227;o dos itens por estes dois factores vai ao encontro dos pressupostos te&#243;ricos apresentados, ao enfatizar tanto a constru&#231;&#227;o do papel de m&#227;e, como a interac&#231;&#227;o com o beb&#233; na gravidez.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>Resultados</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>An&#225;lise de Diferen&#231;as</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os resultados obtidos com o QAG e o MFA foram tratados em termos da an&#225;lise de diferen&#231;as, tal como se apresentam no <a href="/img/revistas/psi/v18n2/18n2a04q1.jpg">Quadro 1</a>.</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">Diferen&#231;as entre os trimestres de gravidez</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>QAG</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Em rela&#231;&#227;o &#224; avalia&#231;&#227;o da viv&#234;ncia da gravidez (QAG) e comparando as m&#233;dias obtidas pelas gr&#225;vidas dos tr&#234;s trimestres (cf. <a href="/img/revistas/psi/v18n2/18n2a04q1.jpg">Quadro 1</a>), n&#227;o se encontraram, &#224; partida, diferen&#231;as estatisticamente significativas. No entanto, verificamos que tanto no factor 1 (&#8220;Viv&#234;ncia do Corpo Gr&#225;vido&#8221;) como no factor 3 (&#8220;Mudan&#231;a Pessoal com a Gravidez&#8221;) parecia haver uma quebra mais acentuada entre o 1.&#176; e o 2.&#176; trimestres, estabilizando depois no 3&#176; trimestre, pelo que fomos comparar estes dois grupos de gr&#225;vidas (1.&#176; <i>vs.</i> 2.&#176; e 3.&#176; trimestres) quanto a estes factores, encontrando efectivamente uma diferen&#231;a com significado estat&#237;stico para o 1.&#176; factor, relativo &#224; &#8220;Viv&#234;ncia do Corpo Gr&#225;vido&#8221; (p = 0,048) o que poder&#225; sugerir que &#233; entre o 1.&#176; e o 2.&#176; trimestres que se verifica a principal mudan&#231;a neste factor. No entanto, este efeito ter&#225; que ser confirmado em estudos futuros.</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2"><i>MFA</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Quanto aos valores obtidos no MFA, e tal como esperado, as m&#233;dias relativas aos trimestres de gravidez (<a href="/img/revistas/psi/v18n2/18n2a04q1.jpg">Quadro 1</a>) mostram que as mulheres na fase final da sua gravidez apresentam valores mais elevados de Rela&#231;&#227;o</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">M&#227;e-Beb&#233;. Mas, apesar das m&#233;dias obtidas nos factores aumentar de uma forma geral com o trimestre de gravidez, estas diferen&#231;as de m&#233;dia apenas s&#227;o significativas (p = 0,036) no factor 1 (&#8220;Envolvimento Emocional com o Beb&#233;&#8221;), nomeadamente entre as gr&#225;vidas do 1.&#176; e do 3.&#176; trimestres.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Assim, podemos verificar que, de um modo geral, as m&#233;dias tendem a aumentar com o trimestre de gravidez. Este aumento parece ser mais cont&#237;nuo, gradual e progressivo, nas dimens&#245;es da rela&#231;&#227;o com o beb&#233; (MFA) ao longo da gravidez, e mais &#8220;brusco&#8221; nas dimens&#245;es da viv&#234;ncia da gravidez (QAG) que parecem ter uma diferen&#231;a de m&#233;dias com maior amplitude entre o 1.&#176; e o 2.&#176; trimestres, estabilizando depois entre o 2.&#176; e o 3.&#176; trimestres. Assim, em rela&#231;&#227;o ao MFA, estaremos perante uma dimens&#227;o com um desenvolvimento que parece ocorrer ao longo de toda a gravidez. Em rela&#231;&#227;o ao QAG, parece ser entre o 1.&#176; e o 2.&#176; trimestres que se verifica a principal mudan&#231;a no factor &#8220;Viv&#234;ncia do Corpo Gr&#225;vido&#8221;, o que poder&#225; ser explicado pelas profundas transforma&#231;&#245;es corporais do 2.&#176; trimestre. De qualquer forma, estas mudan&#231;as no QAG n&#227;o parecem ser muito significativas, o que poder&#225; indicar que a viv&#234;ncia da gravidez estar&#225; mais relacionada com as condi&#231;&#245;es em que este acontecimento de vida se enquadra (e que, em larga medida, a precedem) e menos com o decorrer da pr&#243;pria gravidez. No entanto, apesar destes resultados poderem sugerir que estas dimens&#245;es mudam ao longo da gravidez, s&#243; com um <i>design</i> longitudinal intra-sujeito se poder&#225; concluir sobre a sua estabilidade / mudan&#231;a.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Diferen&#231;as quanto &#224; dificuldade em engravidar</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Se os resultados relativos ao trimestre de gravidez parecem poder sugerir que a rela&#231;&#227;o com o beb&#233; evolui ao longo da gravidez, as diferen&#231;as encontradas entre as gr&#225;vidas que tiveram dificuldade em engravidar e as que n&#227;o tiveram (com m&#233;dias mais elevadas para as gr&#225;vidas com dificuldade em engravidar - cf. <a href="/img/revistas/psi/v18n2/18n2a04q1.jpg">Quadro 1</a>) poder&#227;o at&#233; indicar que o processo de desenvolvimento da rela&#231;&#227;o m&#227;e-beb&#233; tem in&#237;cio ainda mais cedo, anterior &#224; pr&#243;pria concep&#231;&#227;o, associado a todo o investimento (emocional e comportamental) para conseguir a gravidez. As mulheres que tiveram que esperar e/ou esfor&#231;ar-se por engravidar puderam iniciar o processo de se imaginarem como gr&#225;vidas e como m&#227;es e de imaginarem os seus beb&#233;s ainda antes da pr&#243;pria concep&#231;&#227;o / gravidez ocorrer.</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">Uma outra explica&#231;&#227;o para estes resultados poder&#225; ser que estas gr&#225;vidas que esperaram por esta gravidez est&#227;o mais &#8220;prontas&#8221;, mais &#8220;dispon&#237;veis&#8221; para se envolverem em todo o processo grav&#237;dico, pois puderam preparar-se a si pr&#243;prias e a toda a sua vida para o aparecimento do novo beb&#233;. Assim, estas gr&#225;vidas estariam menos preocupadas com outros aspectos das suas vidas, podendo centrar-se mais na pr&#243;pria gravidez.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Diferen&#231;as quanto ao estado civil:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Neste mesmo sentido apontam tamb&#233;m as diferen&#231;as quanto ao estado civil observadas no factor &#8220;Mudan&#231;a Pessoal com a Gravidez&#8221; (p = 0,002) entre as gr&#225;vidas casadas (M = 3,12) e as gr&#225;vidas solteiras (M = 3,78) que teriam quest&#245;es adicionais para resolver, estando assim menos preparadas para esta transi&#231;&#227;o. E, de facto, as gr&#225;vidas casadas sentem significativamente menos a gravidez como factor de mudan&#231;a pessoal do que as solteiras, que s&#227;o as que apresentam m&#233;dias mais elevadas neste factor. Este factor, que parece ter sido &#8220;lido&#8221; pelas participantes em termos do impacto (negativo) da gravidez nas suas vidas, &#233; o que melhor distingue as gr&#225;vidas quanto ao seu estado civil. Assim, o contexto conjugal em que se enquadra a gravidez &#233; fundamental na percep&#231;&#227;o do impacto dessa gravidez na vida da gr&#225;vida, e em toda a mudan&#231;a pessoal que ela implicar&#225; necessariamente. Mesmo que a influ&#234;ncia de um contexto conjugal desfavor&#225;vel pare&#231;a ser minimizada em termos do seu impacto na qualidade da rela&#231;&#227;o m&#227;e-beb&#233; e da experi&#234;ncia da gravidez (como parecem indicar os nossos dados, que n&#227;o evidenciam diferen&#231;as significativas quanto a estes factores entre gr&#225;vidas casadas e solteiras), isto acontecer&#225; certamente com um maior custo para a mulher gr&#225;vida, o que justifica as diferen&#231;as significativas encontradas nas gr&#225;vidas solteiras na percep&#231;&#227;o de &#8220;Mudan&#231;a Pessoal com a Gravidez&#8221;. Portanto, a aus&#234;ncia de uma rela&#231;&#227;o conjugal que enquadre a gravidez n&#227;o est&#225; associada a diferen&#231;as significativas no envolvimento emocional com o beb&#233;, nem na constru&#231;&#227;o da identidade materna, nem na viv&#234;ncia do corpo gr&#225;vido, mas isto poder&#225; ter um custo pessoal acrescido, o que se reflecte no valor significativamente mais elevado obtido por estas gr&#225;vidas (solteiras) no factor &#8220;Mudan&#231;a Pessoal com a Gravidez&#8221;.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Diferen&#231;as quanto ao planeamento da gravidez e quanto &#224; reac&#231;&#227;o inicial &#224; gravidez</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Gravidez Planeada</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Se compararmos as gr&#225;vidas que referem n&#227;o ter planeado esta gravidez com as outras, encontramos diferen&#231;as significativas relativas &#224; &#8220;Viv&#234;ncia do Corpo Gr&#225;vido&#8221; (p = 0,005) e &#224; &#8220;Rela&#231;&#227;o com a M&#227;e&#8221; (p = 0,030), em que as gr&#225;vidas que n&#227;o planearam a sua gravidez apresentam uma rela&#231;&#227;o com o corpo gr&#225;vido e com a m&#227;e com valores mais baixos que as participantes que referem ter planeado a sua gravidez. Este efeito &#233; mais evidente em rela&#231;&#227;o &#224; dimens&#227;o da &#8220;Viv&#234;ncia do Corpo Gr&#225;vido&#8221;, que parece estar, assim, fortemente associado ao desejo da gravidez.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Importa aqui ressalvar a distin&#231;&#227;o entre estes dois conceitos, pois um construto muito associado ao &#8220;planeamento da gravidez&#8221; mas que n&#227;o se poder&#225; confundir com ele &#233; o &#8220;desejo da gravidez&#8221; (Fischer <i>et al.,</i> 1999). Apesar da &#243;bvia influ&#234;ncia do planeamento de uma gravidez na forma como esta &#233; recebida e depois conduzida, o conceito de <i>gravidez desejada</i>, de cariz mais emocional e eventualmente mais inconsciente (que poder&#225; estar ou n&#227;o em concord&#226;ncia com o conceito mais cognitivo e comportamental de <i>gravidez planeada),</i>&#233; muitas vezes mais dif&#237;cil de verbalizar e explicar, bem como de aceder em termos de avalia&#231;&#227;o psicol&#243;gica.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Foi, pois, para aceder a este construto da <i>gravidez desejada</i> que foi inclu&#237;da uma quest&#227;o relativa &#224; forma como a gr&#225;vida reagiu &#224; not&#237;cia da gravidez, quer em termos de se ter sentido<i>&#8220;feliz&#8221;,</i> quer em termos de se ter sentido <i>&#8220; preocupada&#8221;,</i> como forma de tentar contornar as &#243;bvias dificuldades na avalia&#231;&#227;o deste construto, que se colocam n&#227;o s&#243; em termos de desejabilidade social, mas, acima de tudo, em termos de protec&#231;&#227;o do sentido de coer&#234;ncia pessoal, pois poder&#225; ser sentido como paradoxal (e at&#233; amea&#231;ador) perguntar a uma mulher com uma gravidez em curso se esta gravidez foi / &#233; ou n&#227;o desejada. &#201; que, mesmo que a gravidez n&#227;o tenha sido desejada inicialmente, a mulher confrontou-se j&#225; com a &#8220;tarefa de a <i>aceitar&#8221;</i> (Colman &#38; Colman, 1994) que resultou num compromisso pessoal e profundo com o bem-estar do novo ser. Este processo de aceita&#231;&#227;o poder&#225; n&#227;o ser nada f&#225;cil e envolve sempre um certo grau de ambival&#234;ncia emocional, mas, nos casos em que &#233; conseguido (situa&#231;&#227;o em que se encontra a nossa amostra, dado o contexto de acompanhamento obst&#233;trico hospitalar), resultar&#225; num processo de identifica&#231;&#227;o e comprometimento pessoal com a gravidez. Foi com plena consci&#234;ncia da natureza melindrosa deste construto (particularmente neste contexto concreto da nossa amostra) que se optou por avaliar a &#8220;reac&#231;&#227;o inicial &#224; not&#237;cia da gravidez&#8221;, sem deixar de ter como finalidade a avalia&#231;&#227;o do construto &#8220;gravidez desejada&#8221;.</font></p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Avaliando-se ent&#227;o a <b>Reac&#231;&#227;o &#224; Gravidez</b>, quanto mais &#8220;feliz&#8221; com a not&#237;cia da gravidez, mais positiva a viv&#234;ncia do corpo gr&#225;vido e com a m&#227;e. Este efeito da reac&#231;&#227;o inicial &#224; gravidez &#233; particularmente evidente na dimens&#227;o da &#8220;Rela&#231;&#227;o com a M&#227;e&#8221; (p = 0,000), tendo tamb&#233;m significado estat&#237;stico na dimens&#227;o da &#8220;Viv&#234;ncia do Corpo Gr&#225;vido&#8221; (p = 0,003).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">As dimens&#245;es relativas &#224; rela&#231;&#227;o m&#227;e-beb&#233; (MFA) n&#227;o parecem, no entanto, ser sens&#237;veis a estas duas vari&#225;veis (Gravidez Planeada e Reac&#231;&#227;o <i>Feliz</i> &#224; Gravidez). Talvez porque a rela&#231;&#227;o com o beb&#233; dependa mais de vari&#225;veis mais estruturais, como a rela&#231;&#227;o com a pr&#243;pria m&#227;e (Siddiqui, Haeggloef &#38; Eisemann, 2000) ou as estruturas de vincula&#231;&#227;o (Fonagy, Steele &#38; Steele, 1991). Faz sentido que a constru&#231;&#227;o da rela&#231;&#227;o m&#227;e-beb&#233; - t&#227;o importante em termos ontogen&#233;ticos e filogen&#233;ticos - n&#227;o se fa&#231;a depender de factores circunstanciais como o facto da gravidez ter sido planeada ou desejada. N&#227;o que estes factores n&#227;o influenciem esse processo, mas a sua resolu&#231;&#227;o ou a forma como a mulher vai lidar com essas circunst&#226;ncias depende mais de factores associados &#224; sua estrutura psicossocial, como eventualmente o seu padr&#227;o de vincula&#231;&#227;o (Mikulincer &#38; Florian, 1999; Fonagy, Steele &#38; Steele, 1991) ou a sua rela&#231;&#227;o com o corpo (Meireles &#38; Costa, 2004).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Avaliando ainda a Reac&#231;&#227;o &#224; Gravidez, as gr&#225;vidas que referem ter encarado com &#8220;<i>preocupa&#231;&#227;o&#8221;</i> a not&#237;cia da gravidez evidenciam valores mais elevados de percep&#231;&#227;o de &#8220;Mudan&#231;a Pessoal&#8221; e valores mais baixos de &#8220;Viv&#234;ncia do Corpo Gr&#225;vido&#8221;, de &#8220;Rela&#231;&#227;o com a M&#227;e&#8221; e de &#8220;Constru&#231;&#227;o da Identidade Materna&#8221; do que as gr&#225;vidas que n&#227;o referem qualquer <i>preocupa&#231;&#227;o</i> perante a not&#237;cia da gravidez.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Esta vari&#225;vel parece ser mais sens&#237;vel &#224;s dimens&#245;es da viv&#234;ncia da gravidez e da rela&#231;&#227;o com o beb&#233; do que as vari&#225;veis anteriores, o que poder&#225; significar que a <i>preocupa&#231;&#227;o</i> com a not&#237;cia da gravidez n&#227;o est&#225; t&#227;o sujeita &#224; desejabilidade social como o referir ter ficado <i>feliz</i> com a not&#237;cia. &#201; naturalmente mais &#8220;f&#225;cil&#8221; a uma mulher que, quer tenha ou n&#227;o planeado/desejado, tem efectivamente uma gravidez em curso assumir que ficou &#8220;<i>muito preocupada</i>&#8221; com a not&#237;cia da gravidez, do que assumir que n&#227;o ficou &#8220;<i>nada feliz</i>&#8221; com a not&#237;cia da gravidez. Assim, a <i>preocupa&#231;&#227;o</i> perante a not&#237;cia da gravidez poder&#225; constituir um bom indicador do facto de esta ter sido desejada. At&#233; porque a eventual exist&#234;ncia de outros motivos de preocupa&#231;&#227;o independentes deste desejo da gravidez, como a presen&#231;a de complica&#231;&#245;es m&#233;dicas associadas, s&#243; surgem mais tarde e, em princ&#237;pio, nada t&#234;m que ver com a reac&#231;&#227;o inicial &#224; gravidez (e, de facto, as diferen&#231;as de m&#233;dias mant&#234;m-se significativas se filtrarmos as gr&#225;vidas com risco obst&#233;trico e efectuarmos a mesma an&#225;lise de vari&#226;ncia).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Diferen&#231;as entre as gr&#225;vidas prim&#237;paras e as gr&#225;vidas mult&#237;paras</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>QAG</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Em rela&#231;&#227;o &#224; paridade, as gr&#225;vidas prim&#237;paras apresentam valores de viv&#234;ncia do corpo gr&#225;vido significativamente mais elevados do que as outras gr&#225;vidas, o que poder&#225; estar associado ao impacto psicol&#243;gico da primeira experi&#234;ncia de gravidez. E, de facto, as gr&#225;vidas prim&#237;paras sentem significativamente mais a gravidez como mudan&#231;a pessoal, o que vai ao encontro dos pressupostos te&#243;ricos apresentados, segundo os quais seria precisamente na primeira gravidez que a principal mudan&#231;a na identidade da mulher ocorre, com a sua &#8220;entrada&#8221; na maternidade.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>MFA</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os resultados obtidos no primeiro factor do MFA v&#227;o ao encontro dos valores obtidos com o QAG, na medida em que as prim&#237;paras apresentam valores mais elevados de &#8220;Envolvimento Emocional com o Beb&#233;&#8221; (p = 0,001) do que as participantes que j&#225; tinham estado gr&#225;vidas.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Mas, um resultado de que n&#227;o est&#225;vamos &#224; espera era da diferen&#231;a observada entre as prim&#237;paras e as outras gr&#225;vidas quanto &#224; &#8220;Constru&#231;&#227;o da Identidade Materna&#8221;. Pois, se, por um lado, esper&#225;ssemos que as prim&#237;paras estivessem mais envolvidas com o beb&#233; (pois &#233; o seu primeiro filho, aquele que a transforma irreversivelmente em m&#227;e), admit&#237;amos, no entanto, que fosse mais dif&#237;cil para estas mulheres, gr&#225;vidas pela primeira vez, imaginar-se como m&#227;es: a constru&#231;&#227;o do papel materno. Mas, pelo contr&#225;rio, foram as prim&#237;paras que obtiveram m&#233;dias mais elevadas naquele factor. Porqu&#234;? Uma poss&#237;vel explica&#231;&#227;o poderia ser que &#233; precisamente por estas gr&#225;vidas terem que esfor&#231;ar-se mais para se imaginarem como m&#227;es e aos seus beb&#233;s. Assim, quando perguntamos a uma prim&#237;para se ela tenta imaginar como ser&#225; o seu beb&#233; e ela nos diz <i>&#8220;sim, muito</i>&#8221;, possivelmente ela estar&#225; a referir-se, n&#227;o tanto &#224; facilidade que tem em faz&#234;-lo, mas sim ao esfor&#231;o e &#224; energia que disponibiliza para o fazer. Uma mult&#237;para n&#227;o precisa (e talvez nem possa!) gastar tanto tempo e energia a preparar-se para ser m&#227;e e para aprender a relacionar-se com o beb&#233;. &#201; precisamente na 1.<sup>a</sup> gravidez que este processo de mudan&#231;a psicol&#243;gica ocorre, o que tem sido consistentemente referido por diferentes autores que se dedicam &#224; compreens&#227;o desta transi&#231;&#227;o (Ruble <i>et al.,</i> 1990; Smith, 1999; Cohen &#38; Slade, 2000; Canavarro, 2001).</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Diferen&#231;as quanto ao Apoio Social</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os resultados obtidos foram tamb&#233;m testados quanto ao apoio social (<a href="/img/revistas/psi/v18n2/18n2a04q1.jpg">Quadro 1</a>), revelando que os valores do <i>QAG</i> aumentam significativamente com o n&#237;vel de apoio social no factor &#8220;Viv&#234;ncia do Corpo Gr&#225;vido&#8221; (p = 0,024) e no factor &#8220;Rela&#231;&#227;o com a M&#227;e&#8221; (p = 0,003). Assim, as gr&#225;vidas que sentem mais apoio social apresentam m&#233;dias significativamente mais elevadas tanto na dimens&#227;o da viv&#234;ncia do corpo gr&#225;vido (que remete para a identifica&#231;&#227;o com a gravidez), como na dimens&#227;o da rela&#231;&#227;o com a m&#227;e, o que indicia a prov&#225;vel import&#226;ncia desta rela&#231;&#227;o para a percep&#231;&#227;o de apoio social na gravidez.</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">O processo de identifica&#231;&#227;o com a gravidez (patente no factor &#8220;Viv&#234;ncia do Corpo Gr&#225;vido&#8221;) parece, assim, estar ligado &#224; percep&#231;&#227;o de apoio social, permitindo induzir o papel &#8220;dos outros&#8221; no processo de constru&#231;&#227;o do significado da gravidez (Smith, 1999). A maternidade desenvolve-se no contexto de uma fam&#237;lia e do seu enquadramento sociocultural, pelo que a atitude da mulher face &#224; gravidez depende em larga medida desse mesmo enquadramento. Estes dados enfatizam o papel da aceita&#231;&#227;o e do apoio por parte das figuras mais significativas da mulher, na constru&#231;&#227;o da aceita&#231;&#227;o da gravidez e da maternidade.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Estes resultados parecem tamb&#233;m indicar que a percep&#231;&#227;o de apoio social &#233; um importante factor na avalia&#231;&#227;o da rela&#231;&#227;o com a m&#227;e, o que poder&#225; significar simplesmente que a rela&#231;&#227;o com a m&#227;e &#233; central na percep&#231;&#227;o de apoio na gravidez. Actualmente, tem-se vindo a perder o contacto, as viv&#234;ncias e a proximidade com as mulheres mais velhas (m&#227;es, av&#243;s, tias, vizinhas), portadoras e transmissoras de um envolvimento e sabedoria, antes muito valorizados, que provinham da pr&#243;pria experi&#234;ncia. Esta rede familiar e social tecida &#224; volta da gr&#225;vida conferia-lhe protec&#231;&#227;o e suporte durante as v&#225;rias fases da gravidez, assegurando tamb&#233;m os cuidados do per&#237;odo p&#243;s-parto, em que a mulher era quase t&#227;o protegida quanto o rec&#233;m-nascido (Nascimento, 2003). Mas a m&#227;e continua, ainda assim, a ser um recurso de apoio emocional e instrumental privilegiado. De facto, os pais / av&#243;s t&#234;m ainda, na nossa sociedade, uma importante fun&#231;&#227;o de suporte e tamb&#233;m pedag&#243;gica no nascimento de um beb&#233;, no sentido de &#8220;ajudar os filhos a ser pais&#8221; (Canavarro, 2001).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>An&#225;lise de Correla&#231;&#245;es - Viv&#234;ncia da Gravidez e Rela&#231;&#227;o M&#227;e-Beb&#233;</i></font></p>              <p>&nbsp;</p>     <a href="/img/revistas/psi/v18n2/18n2a04q2.jpg">Quadro 2</a>         
<p>&nbsp;</p>          <p><font face="Verdana" size="2">Correla&#231;&#227;o entre as dimens&#245;es da Rela&#231;&#227;o M&#227;e-Beb&#233; (MFA) - o &#8220;Envolvimento Emocional com o Beb&#233;&#8221; (MFA) e a &#8220;Constru&#231;&#227;o da Identidade Materna&#8221;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Tal como esper&#225;vamos, estas duas dimens&#245;es da Rela&#231;&#227;o M&#227;e-Beb&#233; est&#227;o relacionadas (r = 0,498, p &#62; 0,001), indo, portanto, ao encontro das nossas hip&#243;teses iniciais que valorizavam uma estreita liga&#231;&#227;o entre estes dois processos / tarefas psicol&#243;gicas.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Correla&#231;&#227;o entre as dimens&#245;es da Rela&#231;&#227;o M&#227;e-Beb&#233; (MFA) e a &#8220;Rela&#231;&#227;o com a M&#227;e&#8221;</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A an&#225;lise das correla&#231;&#245;es entre as dimens&#245;es evidenciou tamb&#233;m uma correla&#231;&#227;o positiva (ainda que fraca) entre a rela&#231;&#227;o com a m&#227;e e ambas as tarefas psicol&#243;gicas da gravidez, mas n&#227;o especificamente com a Constru&#231;&#227;o da Identidade Materna. Assim, a correla&#231;&#227;o da &#8220;Rela&#231;&#227;o com a M&#227;e&#8221; &#233; de 0,280 com o factor &#8220;Envolvimento Emocional com o Beb&#233;&#8221; e de 0,278 com o factor &#8220;Constru&#231;&#227;o da Identidade Materna&#8221;, reflectindo, ainda assim, de forma significativa a liga&#231;&#227;o entre a rela&#231;&#227;o com a pr&#243;pria m&#227;e e a constru&#231;&#227;o da rela&#231;&#227;o com o beb&#233; na gravidez (que poder&#225; remeter para os processos de intergeracionalidade na constru&#231;&#227;o das rela&#231;&#245;es entre pais e filhos).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Correla&#231;&#227;o entre as dimens&#245;es da Rela&#231;&#227;o M&#227;e-Beb&#233; (MFA) e a &#8220;Mudan&#231;a Pessoal com a Gravidez&#8221;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A an&#225;lise das correla&#231;&#245;es evidenciou ainda uma correla&#231;&#227;o positiva fraca entre a &#8220;Mudan&#231;a Pessoal com a Gravidez&#8221; e o &#8220;Envolvimento Emocional com o Beb&#233;&#8221; (r = 0,254), mas n&#227;o com a &#8220;Constru&#231;&#227;o da Identidade Materna&#8221;. Seria de esperar que este factor estivesse mais associado &#224; percep&#231;&#227;o de &#8220;Mudan&#231;a Pessoal com a Gravidez&#8221;, pela constru&#231;&#227;o da identidade de m&#227;e que envolve uma reorganiza&#231;&#227;o profunda da identidade da mulher. No entanto, &#233; com o factor &#8220;Envolvimento Emocional com o Beb&#233;&#8221; que este factor se correlaciona significativamente, sublinhando o potencial desenvolvimental e transformador desta rela&#231;&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Correla&#231;&#227;o entre as dimens&#245;es da Rela&#231;&#227;o M&#227;e-Beb&#233; (MFA) e a &#8220;Viv&#234;ncia do Corpo Gr&#225;vido&#8221;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Na an&#225;lise das correla&#231;&#245;es, gostar&#237;amos, no entanto, de destacar os valores encontrados para a associa&#231;&#227;o entre a &#8220;Viv&#234;ncia do Corpo Gr&#225;vido&#8221; e a Rela&#231;&#227;o M&#227;e-Beb&#233; (MFA). Assim, aquele factor do QAG evidenciou uma correla&#231;&#227;o positiva forte, quer com a dimens&#227;o do &#8220;Envolvimento Emocional com o Beb&#233;&#8221; (r = 0,473, p &#62; 0,001), como com a dimens&#227;o da &#8220;Constru&#231;&#227;o da Identidade Materna&#8221; (r = 0,464, p &#62; 0,001), enfatizando o papel da viv&#234;ncia corporal na constru&#231;&#227;o da identidade materna e na constru&#231;&#227;o da rela&#231;&#227;o m&#227;e-beb&#233; na gravidez.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Discuss&#227;o dos Resultados e Implica&#231;&#245;es para a Interven&#231;&#227;o</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Propomos aqui uma leitura transversal mais global dos resultados, que proporcione uma reflex&#227;o orientada para as suas implica&#231;&#245;es, em termos da compreens&#227;o e da promo&#231;&#227;o dos processos de funcionamento e desenvolvimento psicol&#243;gicos nesta transi&#231;&#227;o, que possa proporcionar pistas para a interven&#231;&#227;o psicol&#243;gica na gravidez.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>A Viv&#234;ncia do Corpo Gr&#225;vido</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Esta dimens&#227;o refere-se &#224; viv&#234;ncia positiva do corpo gr&#225;vido que claramente remete para uma identifica&#231;&#227;o com a gravidez e a maternidade, destacando-se o significado atribu&#237;do &#224; &#8220;barriga gr&#225;vida&#8221; que representa e evidencia a pr&#243;pria gravidez, quer em termos intra-individuais, como em termos interpessoais. Este factor recolhe m&#233;dias mais elevadas entre as gr&#225;vidas prim&#237;paras, as gr&#225;vidas cuja gravidez foi planeada e as que receberam a not&#237;cia da gravidez com uma reac&#231;&#227;o muito feliz e nada preocupada, permitindo associar este factor a um maior envolvimento emocional com a gravidez, refor&#231;ando a no&#231;&#227;o de que essa viv&#234;ncia da gravidez tem como componente psicol&#243;gico central a forma como &#233; vivenciado o corpo gr&#225;vido.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Para promover esta aceita&#231;&#227;o da gravidez e o in&#237;cio do processo de identifica&#231;&#227;o com a maternidade, poder-se-&#225; ajudar a lidar com as altera&#231;&#245;es corporais que muitas vezes ocorrem desde as primeiras semanas da gravidez, e que poder&#227;o ser bastante intensas (como os enjoos, por exemplo). Mais tarde, com o aparecimento da &#8220;barriga&#8221; a evidenciar a gravidez, as quest&#245;es em torno da viv&#234;ncia do corpo acentuam-se. A promo&#231;&#227;o de uma dieta alimentar saud&#225;vel poder&#225; ser uma forma de controlo do aumento excessivo de peso e de promo&#231;&#227;o da partilha do <i>self</i> com o beb&#233;.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Ainda em rela&#231;&#227;o &#224; interven&#231;&#227;o nas quest&#245;es da imagem corporal e da rela&#231;&#227;o com o corpo, que atravessam a gravidez, h&#225; que antecipar e trabalhar expectativas, ansiedades e dificuldades relativas ao corpo &#8220;p&#243;s-parto&#8221;, pois muitas gr&#225;vidas apresentam uma grande preocupa&#231;&#227;o com eventuais altera&#231;&#245;es permanentes no seu peso e formas corporais. Umas poder&#227;o esperar altera&#231;&#245;es exageradas, antecipando um futuro desinvestimento no seu corpo; outras poder&#227;o alimentar expectativas, eventualmente idealizadas e irrealistas, de que, depois do parto, tudo voltar&#225; &#8220;ao normal&#8221;, ao que seria antes da gravidez. Esta quest&#227;o poder&#225; ser mais ou menos valorizada pela gr&#225;vida, mas estar&#225; sempre presente sob a forma de d&#250;vidas, receios ou ansiedades, podendo constituir um ponto de partida para, na interven&#231;&#227;o psicol&#243;gica, explorar a forma como a gr&#225;vida est&#225; a lidar com a pr&#243;pria mudan&#231;a pessoal da gravidez e da maternidade. O psic&#243;logo poder&#225; ainda trabalhar estas quest&#245;es, preparando esse p&#243;s-parto e intervindo simultaneamente na rela&#231;&#227;o m&#227;e-beb&#233; e na qualidade da viv&#234;ncia da gravidez, ao promover comportamentos de cuidado do corpo gr&#225;vido (como a preven&#231;&#227;o de estrias pela aplica&#231;&#227;o de cremes pr&#243;prios, a pr&#225;tica de exerc&#237;cio f&#237;sico ou os cuidados com a pele e o cabelo que eventualmente tenham ficado afectados pelas inevit&#225;veis altera&#231;&#245;es hormonais).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Assim, se, por um lado, o &#8220;gostar&#8221; do beb&#233; dever&#225; manifestar-se atrav&#233;s de uma atitude construtiva de cuidar do corpo, por outro lado, n&#227;o podemos esquecer que, em per&#237;odos mais sens&#237;veis como a gravidez, podem emergir elementos de uma rela&#231;&#227;o negativa com o corpo, anteriores &#224; pr&#243;pria gravidez. Assim, a interven&#231;&#227;o neste dom&#237;nio dever&#225; envolver a avalia&#231;&#227;o da hist&#243;ria desenvolvimental da rela&#231;&#227;o com o corpo, no sentido da intencionaliza&#231;&#227;o de oportunidades que permitam construir uma forma mais adaptativa e satisfat&#243;ria de viv&#234;ncia do corpo.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>A Rela&#231;&#227;o com a M&#227;e</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Esta dimens&#227;o, relativa &#224; qualidade do la&#231;o emocional com a m&#227;e, apresenta valores mais elevados nas gr&#225;vidas cuja gravidez foi planeada e recebida com uma reac&#231;&#227;o muito feliz e nada preocupada, e nas que sentem ter muito apoio social.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os resultados parecem reflectir a import&#226;ncia da rela&#231;&#227;o com a m&#227;e na viv&#234;ncia da decis&#227;o de engravidar, mas, em an&#225;lises futuras, dever&#225; ser considerado o tipo de rela&#231;&#227;o de vincula&#231;&#227;o constru&#237;do com a m&#227;e para uma melhor compreens&#227;o dos processos psicol&#243;gicos que poder&#227;o estar na base destas associa&#231;&#245;es. Poderemos colocar a hip&#243;tese de que, no caso de uma vincula&#231;&#227;o segura, a m&#227;e constituir-se-&#225; como &#8220;base segura&#8221; para enfrentar uma situa&#231;&#227;o dif&#237;cil, como a que poder&#225; ser colocada por uma gravidez n&#227;o planeada. Por outro lado, esta situa&#231;&#227;o, pela crise no sistema pessoal que envolve, poder&#225; tamb&#233;m constituir uma oportunidade de reconstruir a qualidade desta rela&#231;&#227;o, pois uma m&#227;e que se constitua como figura de apoio, transmitindo seguran&#231;a nestas circunst&#226;ncias (mesmo que n&#227;o o tivesse feito no passado), poder&#225; proporcionar uma reconstru&#231;&#227;o desta rela&#231;&#227;o m&#227;e-filha, em termos de uma vincula&#231;&#227;o mais segura do que foi anteriormente.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">De qualquer forma, sabemos que a m&#227;e continua a ser um apoio (emocional e instrumental) fundamental na adapta&#231;&#227;o &#224;s mudan&#231;as da maternidade: na g&#233;nese da depress&#227;o p&#243;s-parto tem, ali&#225;s, import&#226;ncia significativa a aus&#234;ncia de factores de protec&#231;&#227;o materna, nomeadamente a aus&#234;ncia de suporte familiar (Crockenberg &#38; McCluskey, 1986).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">N&#227;o podemos, no entanto, esquecer que, por vezes, a par deste apoio, pode surgir alguma confus&#227;o entre as gera&#231;&#245;es sobre os pap&#233;is a desempenhar: estes pap&#233;is devem ser, no entanto, bem diferenciados e esta situa&#231;&#227;o dever&#225; ser breve e transit&#243;ria, pelo que cabe tamb&#233;m &#224; mulher (eventualmente apoiada pela interven&#231;&#227;o psicoterap&#234;utica) (re)negociar esta nova forma de equil&#237;brio entre apoio e autonomia face aos pais (Canavarro, 2001).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>A Percep&#231;&#227;o de Mudan&#231;a Pessoal com a Gravidez</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Verificamos que esta dimens&#227;o da viv&#234;ncia psicol&#243;gica da gravidez &#233; influenciada quer por factores associados ao pr&#243;prio acontecimento de vida (como a paridade ou a percep&#231;&#227;o de gravidez de risco), quer pelos factores relacionais e contextuais que a enquadram (como o estado civil), pelo que apresentam valores mais elevados de percep&#231;&#227;o de mudan&#231;a pessoal, com a gravidez, as gr&#225;vidas prim&#237;paras, as solteiras, as que se sentiram preocupadas com a not&#237;cia da gravidez e as que referem uma gravidez de risco. Estes resultados permitem-nos confirmar que este factor &#233; sens&#237;vel &#224;s circunst&#226;ncias psicossociais que transformam a gravidez num maior desafio ao sistema pessoal. De facto, &#233; de esperar que uma gr&#225;vida prim&#237;para enfrente um maior desafio desenvolvimental, decorrente das profundas altera&#231;&#245;es que esta transi&#231;&#227;o implica em toda a sua realidade intra, inter e extrapessoal. A interven&#231;&#227;o psicol&#243;gica na gravidez deve optimizar a oportunidade de mudan&#231;a proporcionada pela gravidez. No entanto, a forma como as &#8220;nossas&#8221; participantes perceberam o factor &#8220;Mudan&#231;a Pessoal com a Gravidez&#8221; indicia que &#233; atribu&#237;da uma significa&#231;&#227;o negativa a esta mudan&#231;a. Assim, sem nos esquecermos que, como qualquer transi&#231;&#227;o, a primeira gravidez envolve uma crise no sistema pessoal (e respectivo stresse associado), &#233; poss&#237;vel ajudar as gr&#225;vidas a lidar com esta crise, reenquadrando estes conceitos numa perspectiva integradora que atenda &#224; fun&#231;&#227;o desenvolvimental do desequil&#237;brio psicol&#243;gico provocado por um acontecimento de vida t&#227;o transformador como a gravidez. Assim, a gravidez n&#227;o deve ser apenas vista como uma ocasi&#227;o de stresse, mas como uma transi&#231;&#227;o desenvolvimental que exige uma mudan&#231;a; e a consulta psicol&#243;gica na gravidez dever&#225; privilegiar a promo&#231;&#227;o do desenvolvimento psicossocial da gr&#225;vida, em termos de objectivos de interven&#231;&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Este impacto da gravidez na vida da mulher parece variar tamb&#233;m com a sua situa&#231;&#227;o conjugal, apresentando valores mais elevados as gr&#225;vidas solteiras que parecem tamb&#233;m sentir, assim, um maior impacto da mudan&#231;a associada &#224; gravidez nas suas vidas. Gostar&#237;amos, ainda, de enfatizar o papel da rela&#231;&#227;o conjugal na resolu&#231;&#227;o desta transi&#231;&#227;o desenvolvimental. De facto, a decis&#227;o da gravidez continua a ser vivenciada maioritariamente no contexto de uma rela&#231;&#227;o conjugal, sendo o significado de uma gravidez, em grande parte, uma constru&#231;&#227;o do casal (Fischer <i>et al.,</i> 1999). Assim, a forma como ela &#233; experienciada depende muito da qualidade desta rela&#231;&#227;o. Mas h&#225; que ter presente na interven&#231;&#227;o que, embora durante este per&#237;odo o c&#244;njuge seja habitualmente considerado como a principal fonte de suporte, se verifica uma diminui&#231;&#227;o da satisfa&#231;&#227;o conjugal (Richardson, 1983). Assim, &#233; importante explorar altera&#231;&#245;es na din&#226;mica conjugal e eventuais problemas conjugais, pois a gravidez envolve tamb&#233;m um n&#237;vel de stresse acrescido, podendo suscitar dificuldades espec&#237;ficas. Muitas futuras m&#227;es sentem que o companheiro n&#227;o est&#225; suficientemente envolvido com a gravidez, sentindo-se frustradas e pouco apoiadas; os futuros pais tamb&#233;m se podem ressentir da labilidade e da irritabilidade da companheira; pode tamb&#233;m ser dif&#237;cil conciliar as diferentes perspectivas sobre a gravidez e a parentalidade. Como em outras transi&#231;&#245;es, a capacidade de falar abertamente de sentimentos positivos e negativos e a capacidade de antecipar &#225;reas problem&#225;ticas e suas solu&#231;&#245;es podem proteger o casal de um maior stresse.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Uma &#225;rea que &#233; pertinente explorar tamb&#233;m neste dom&#237;nio prende-se com a viv&#234;ncia da sexualidade na gravidez. Muitas s&#227;o as d&#250;vidas e as dificuldades sexuais que podem surgir neste per&#237;odo e, de facto, estas quest&#245;es nem sempre s&#227;o abordadas pelos t&#233;cnicos de sa&#250;de. Mesmo quando isso acontece, &#233; normalmente em termos biom&#233;dicos que poder&#227;o n&#227;o ser suficientes para lidar com a complexidade que caracteriza a sexualidade enquanto campo atravessado por quest&#245;es f&#237;sicas, mas tamb&#233;m emocionais, relacionais e culturais. Importante ser&#225; tamb&#233;m antecipar e preparar com o casal as altera&#231;&#245;es que o nascimento do beb&#233; implicar&#225; necessariamente no relacionamento conjugal. Neste sentido, &#233; pertinente explorar a poss&#237;vel idealiza&#231;&#227;o desta mudan&#231;a e preparar as mudan&#231;as da rela&#231;&#227;o conjugal no plano afectivo, da rotina di&#225;ria e do relacionamento sexual, envolvendo sempre que poss&#237;vel o pr&#243;prio &#8220;pai gr&#225;vido&#8221; neste processo de interven&#231;&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Rela&#231;&#227;o com o Beb&#233;</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#201; na medida em que se reconhece a continuidade entre a rela&#231;&#227;o m&#227;e-beb&#233;, no per&#237;odo pr&#233; e p&#243;s-natal, que se sublinha a import&#226;ncia da interven&#231;&#227;o psicol&#243;gica na gravidez como interven&#231;&#227;o precoce para a preven&#231;&#227;o de dificuldades relacionais posteriores. Assim, a interven&#231;&#227;o na rela&#231;&#227;o m&#227;e-beb&#233; &#233; poss&#237;vel e faz sentido desde a gravidez. Mas como promover a qualidade desta rela&#231;&#227;o m&#227;e-beb&#233; <i>in utero</i>? De um modo geral, trata-se de incentivar a representa&#231;&#227;o e a comunica&#231;&#227;o relativa ao beb&#233;, trata-se de dar espa&#231;o para a crescente preocupa&#231;&#227;o com o beb&#233; e com o seu bem-estar, envolvendo a gr&#225;vida na descri&#231;&#227;o e personaliza&#231;&#227;o do seu beb&#233; a partir das suas fantasias e sonhos, mas tamb&#233;m da percep&#231;&#227;o dos movimentos fetais que, ao ganharem significado, se tornam elementos reais de interac&#231;&#227;o, e da viv&#234;ncia dos momentos ecogr&#225;ficos e das tocografias que dever&#227;o ser tamb&#233;m intencionalizados em termos da promo&#231;&#227;o da rela&#231;&#227;o m&#227;e-filho.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>A Viv&#234;ncia do Corpo e a Rela&#231;&#227;o M&#227;e-Beb&#233; na Gravidez</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">De entre os resultados apresentados, destacamos a associa&#231;&#227;o encontrada entre a &#8220;Viv&#234;ncia do Corpo Gr&#225;vido&#8221; (QAG) e ambos os Factores da Rela&#231;&#227;o M&#227;e-Beb&#233; (MFA), numa correla&#231;&#227;o positiva moderada, quer com a dimens&#227;o do &#8220;Envolvimento Emocional com o Beb&#233;&#8221;, como com a dimens&#227;o da &#8220;Constru&#231;&#227;o da Identidade Materna&#8221;, sugerindo que a viv&#234;ncia do corpo est&#225; relacionada tanto no envolvimento emocional com o beb&#233; (factor 1) como na aquisi&#231;&#227;o do papel de m&#227;e (factor 2), enfatizando a import&#226;ncia da viv&#234;ncia do corpo no processo de &#8220;tornar-se&#8221; m&#227;e, i.e., de desenvolvimento psicol&#243;gico e mudan&#231;a da identidade da mulher, em que &#233; atrav&#233;s do corpo que a mulher se vai sentindo e vendo como diferente e, paralelamente, no processo de se relacionar com o beb&#233;, pois &#233; atrav&#233;s do corpo que a gr&#225;vida vai sentindo e interagindo com o beb&#233;. Esta associa&#231;&#227;o remete, portanto, para a liga&#231;&#227;o estreita entre os processos psicol&#243;gicos de constru&#231;&#227;o da identidade de m&#227;e e de rela&#231;&#227;o com o beb&#233; e toda a viv&#234;ncia e identifica&#231;&#227;o com o &#8220;novo&#8221; corpo gr&#225;vido, que parece, assim, poder traduzir o grau de ajustamento &#224; gravidez e de resolu&#231;&#227;o das tarefas desenvolvimentais em torno das quais o desenvolvimento psicol&#243;gico da transi&#231;&#227;o para a parentalidade ocorre. Por outro lado (tendo em conta que se trata de uma correla&#231;&#227;o), estes valores tamb&#233;m sugerem que uma viv&#234;ncia mais positiva do novo papel de m&#227;e e de todo o processo de rela&#231;&#227;o com o beb&#233; est&#225; relacionado com uma maior identifica&#231;&#227;o com o corpo gr&#225;vido. Assim, uma mulher gr&#225;vida mais envolvida com o seu beb&#233; e com o seu pr&#243;prio papel de m&#227;e parece ter tamb&#233;m uma rela&#231;&#227;o mais positiva com o seu corpo. Esta associa&#231;&#227;o ser&#225; naturalmente bidireccional, sendo que uma melhor viv&#234;ncia do &#8220;novo&#8221; corpo contribuir&#225; para as tarefas psicol&#243;gicas da gravidez e a melhor adapta&#231;&#227;o &#224; gravidez contribuir&#225;, tamb&#233;m, para uma viv&#234;ncia do corpo gr&#225;vido mais positiva. Assim, poder-se-&#225; trazer o &#8220;corpo vivido&#8221;, ou a forma como a gr&#225;vida est&#225; a vivenciar o seu &#8220;novo&#8221; corpo e a sua nova corporeidade, para a interven&#231;&#227;o psicoterap&#234;utica junto da gr&#225;vida, quer como instrumento &#250;til e primeiro de avalia&#231;&#227;o cl&#237;nica da forma como esse processo de desenvolvimento est&#225; (ou n&#227;o est&#225;) a decorrer, quer como alvo de interven&#231;&#227;o, pois, promovendo-se a viv&#234;ncia do &#8220;corpo gr&#225;vido&#8221;, estaremos a promover tamb&#233;m a identifica&#231;&#227;o com a pr&#243;pria gravidez e a maternidade, atrav&#233;s da constru&#231;&#227;o da rela&#231;&#227;o com o beb&#233;, ainda na fase intra-uterina.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">De salientar que estes resultados v&#227;o ao encontro das formula&#231;&#245;es que fundamentaram o presente estudo, no sentido de conceber e testar o papel desta viv&#234;ncia no desenvolvimento e funcionamento psicol&#243;gico, nomeadamente na resolu&#231;&#227;o das tarefas desenvolvimentais espec&#237;ficas da gravidez. Estes resultados, ao evidenciarem uma estreita liga&#231;&#227;o entre aspectos mais relacionais e de desenvolvimento da identidade e as quest&#245;es relativas &#224; viv&#234;ncia do corpo, colocam o corpo al&#233;m da concep&#231;&#227;o mais tradicional do corpo centrada na imagem corporal e respectivo grau de satisfa&#231;&#227;o / insatisfa&#231;&#227;o<a href="#5"><sup>5</sup></a><a name="top5"></a>, afirmando-a, deste modo, no centro de processos de funcionamento e desenvolvimento psicol&#243;gicos t&#227;o avassaladores e importantes como a constru&#231;&#227;o da rela&#231;&#227;o m&#227;e-filho e a transi&#231;&#227;o para a maternidade.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Conclus&#227;o</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A gravidez &#233; um momento cr&#237;tico em termos de interven&#231;&#227;o, pois a natureza da crise desenvolvimental torna a mulher especialmente aberta &#224; mudan&#231;a, reorganiza&#231;&#227;o e transforma&#231;&#227;o. Al&#233;m disso, &#233; um per&#237;odo em que a mulher est&#225; sujeita a um regime organizado de cuidados de sa&#250;de, para os quais, na maior parte das vezes, est&#225; motivada e desperta. No entanto, &#233; tamb&#233;m um momento em que a experi&#234;ncia emocional da mulher pode ser dominada pela depress&#227;o, a ansiedade, a somatiza&#231;&#227;o ou o desinvestimento emocional, antecipando uma gravidez complicada e dificuldades na rela&#231;&#227;o m&#227;e-beb&#233;. Assim, os sinais de dificuldade na adapta&#231;&#227;o &#224; gravidez devem ser encarados com preocupa&#231;&#227;o pelos t&#233;cnicos envolvidos no acompanhamento da gravidez devendo a interven&#231;&#227;o psicol&#243;gica ser proposta como parte integrante de todo o processo de vigil&#226;ncia / acompanhamento da gravidez no sistema de sa&#250;de que o enquadra. Assim como &#233; inquestion&#225;vel a import&#226;ncia das condi&#231;&#245;es m&#233;dicas e nutricionais para a sa&#250;de materno-infantil, n&#227;o podemos ignorar a import&#226;ncia que o contexto emocional e relacional tamb&#233;m assume para a qualidade do desenvolvimento do novo ser, bem como para a adapta&#231;&#227;o da mulher &#224; gravidez e &#224; maternidade, com implica&#231;&#245;es, por exemplo, em termos da depress&#227;o p&#243;s-parto.</font></p>          <p>&nbsp;</p>         <p><font face="Verdana" size="2"><b>Refer&#234;ncias</b></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Canavarro, M. C. (2001). Gravidez e maternidade: Representa&#231;&#245;es e tarefas de desenvolvimento. In M. C. Canavarro (Ed.), <i>Psicologia da gravidez e da maternidade.</i> Coimbra: Quarteto Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476295&pid=S0874-2049200400020000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Condon, J. T., &#38; Corklindale, C. (1997). The correlates of antenatal attachment in pregnant women. <i>British Journal of Medical Psychology, 70,</i> 359-72.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476297&pid=S0874-2049200400020000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Cohen, L. J., &#38; Slade, A. (2000). The psychology and the psychopathology of pregnancy: Reorganization and transformation. In C. H. Jr. Zeanah (Ed.), <i>Handbook of infant mental health</i> (2<sup>nd</sup> ed., pp. 20-36). Nova Iorque: The Guilford Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476299&pid=S0874-2049200400020000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Colman, L. L., &#38; Colman, A. D. (1994). <i>Gravidez: A experi&#234;ncia psicol&#243;gica.</i> Lisboa: Colibri. (Ed. Original, l991).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476301&pid=S0874-2049200400020000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Cranley, M. S. (1981). Development of a tool for the measurement of maternal attachment during pregnancy. <i>Nursing Research, 30</i> (5), 281-4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476303&pid=S0874-2049200400020000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Crockenberg, S., &#38; McCluskey, K. (1986). Change in maternal behavior during the baby&#8217;s first year of life. <i>Child Development, 57</i> (3), 746-753.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476305&pid=S0874-2049200400020000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Fischer, R. C., Stanford, J. B., Jameson, P. &#38; Dewitt, M. J. (1999). Exploring the concepts of intended, planned and wanted pregnancy. <i>Journal of Family Practice, 48</i> (2), 117-122.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476307&pid=S0874-2049200400020000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Fonagy, P., Steele, H., &#38; Steele, M. (1991). Maternal representations of attachment during pregnancy predict the organization of infant-mother attachment at one year of age. <i>Child Development, 62,</i> 891-905.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476309&pid=S0874-2049200400020000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Lee, R. E. (1995). Women look at their experience of pregnancy. <i>Infant Mental Health Journal, 16</i> (3), 192-205.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476311&pid=S0874-2049200400020000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Meireles, A., &#38; Costa, M. E. (2004). <i>Body experience and mother-child relationship in pregnant women</i> (no prelo).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476313&pid=S0874-2049200400020000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Meireles, A., &#38; Costa, M. E. (2004). <i>Constru&#231;&#227;o e valida&#231;&#227;o de um question&#225;rio de avalia&#231;&#227;o da viv&#234;ncia da gravidez</i> (no prelo).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476315&pid=S0874-2049200400020000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Mendes, I. M. (2002). <i>Liga&#231;&#227;o materno-fetal: Contributo para o estudo de factores associados ao seu desenvolvimento.</i> Coimbra: Quarteto Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476317&pid=S0874-2049200400020000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Mikulincer, M., &#38; Florian, V. (1999). Maternal-fetal bonding, coping strategies and mental health during pregnancy: The contribution of attachment style. <i>Journal of Social and Clinical Psychology, 18</i> (3), 255-276.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476319&pid=S0874-2049200400020000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Nascimento, M. J. (2003). Preparar o nascimento. <i>An&#225;lise Psicol&#243;gica, 1</i> (21), 47-51.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476321&pid=S0874-2049200400020000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Ruble, D. N., Fleming, A S., Stangor, C., Brooks-Gunn, J., Fitzmaurice, G., &#38; Deutsch, F. (1990). Transition to motherhood and the <i>self:</i> Measurement, stability and change. <i>Journal of Personality and Social Psychology, 58</i> (3), 450-63.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476323&pid=S0874-2049200400020000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Siddiqui, A., Haeggloef, B., &#38; Eisemann, M. (2000). Own memories of upbringing as a determinant of prenatal attachment in expectant women. <i>Journal of Reproductive and Infant Psychology, 18</i> (1), 67-74.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476325&pid=S0874-2049200400020000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Smith, J. A. (1999). Towards a relational self: Social engagement during pregnancy and psychological preparation for motherhood. <i>British Journal of Social Psychology, 38,</i> 409-26.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476327&pid=S0874-2049200400020000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Xavier, M. R. (2000). <i>Estatuto de risco das crian&#231;as expostas a subst&#226;ncias il&#237;citas durante a gesta&#231;&#227;o.</i> Disserta&#231;&#227;o de Doutoramento n&#227;o publicada. Porto: Instituto de Ci&#234;ncias Biom&#233;dicas Abel Salazar da Universidade do Porto.</font></p>          <p>&nbsp;</p>         <p><font face="Verdana" size="2"><b>Notas</b></font></p>              <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top3"><sup>3</sup></a><a name="3"></a>Este novo instrumento foi constru&#237;do com base em dois instrumentos j&#225; existentes: a &#8220;Escala de Avalia&#231;&#227;o da Gravidez e Maternidade&#8221; de Xavier (2000), e o &#8220;Childbearing Attitudes Questionnaire&#8221; de Ruble e colaboradores (1990), tendo sido ainda acrescentados novos itens que pudessem fortalecer a avalia&#231;&#227;o das dimens&#245;es.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top4"><sup>4</sup></a><a name="4"></a>As cinco dimens&#245;es psicol&#243;gicas em que Cranley (1981) organiza a vers&#227;o original do MFA s&#227;o: Constru&#231;&#227;o do Papel Materno <i>(&#8220;Role-taking</i>&#8221;), Diferencia&#231;&#227;o do <i>Self</i> em rela&#231;&#227;o ao Feto, Interac&#231;&#227;o com o Feto, Atribui&#231;&#227;o de Caracter&#237;sticas ao Feto e Partilha do <i>Self.</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top5"><sup>5</sup></a><a name="5"></a>A investiga&#231;&#227;o sobre a Imagem Corporal tem valorizado os aspectos avaliativos - de cariz mais cognitivo ou mais afectivo - da rela&#231;&#227;o com o corpo, normalmente com uma conota&#231;&#227;o negativa que enfatiza percep&#231;&#245;es e comportamento desajustados, especialmente no contexto das perturba&#231;&#245;es alimentares.</font></p>       ]]></body>
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