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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="4"><b>Jovens e delinqu&#234;ncias: (sobre)viv&#234;ncias na fam&#237;lia</b></font></p>          <p>&nbsp;</p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Maria Jo&#227;o Leote de Carvalho<sup>1</sup></b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><sup>1</sup>Assistente de Investiga&#231;&#227;o do SociNova - Gabinete de Investiga&#231;&#227;o em Sociologia Aplicada da Faculdade de Ci&#234;ncias Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.</font></p>          <p>&nbsp;</p>     <hr size="1" noshade>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Introdu&#231;&#227;o</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A problematiza&#231;&#227;o das pr&#225;ticas judiciais desenvolvidas junto de indiv&#237;duos referenciados a condutas desviantes ou delinquentes tem vindo a destacar-se, sobretudo na &#250;ltima d&#233;cada, como um dos temas mais vivos de debate p&#250;blico, sendo objecto de v&#225;rias an&#225;lises, tanto a n&#237;vel nacional, como internacional. Provavelmente, a &#234;nfase dada a esta problem&#225;tica estar&#225; associada &#224; import&#226;ncia que, progressivamente, vem a ser reconhecida &#224; necessidade de uma mais eficaz ac&#231;&#227;o preventiva, para a qual a detec&#231;&#227;o precoce de factores de risco se revela indispens&#225;vel<a href="#2"><sup>2</sup></a><a name="top2"></a>.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O desvio, enquanto fen&#243;meno de natureza social, remete para um abrangente campo de an&#225;lise definido pelas interac&#231;&#245;es estabelecidas entre indiv&#237;duos, sociedades e os sistemas de normas que tendem a enquadrar e orientar a ac&#231;&#227;o dos actores sociais num determinado contexto (Becker, 1963). Na perspectiva de v&#225;rios autores (Cusson, 1989; Agra e Matos, 1997), est&#225;-se perante um conceito transdisciplinar que permite encontrar racionalidade em objectos sociais aparentemente t&#227;o d&#237;spares como o crime, a sexualidade, a droga, a doen&#231;a ou a morte, entre outros. O ponto de partida deste artigo situa-se na abordagem ao desvio manifestado sob a forma de delinqu&#234;ncia, que tem por autores crian&#231;as e jovens sujeitos &#224; interven&#231;&#227;o oficial do sistema de justi&#231;a tutelar de menores, em Portugal.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Num sistema social, tudo se encontra organizado em tomo de institui&#231;&#245;es cujas fun&#231;&#245;es objectivam a manuten&#231;&#227;o da estrutura social, importando que, na sua an&#225;lise, uma especial aten&#231;&#227;o seja dada &#224; variabilidade da percep&#231;&#227;o de norma e de desvio de sociedade para sociedade, de &#233;poca para &#233;poca. Se se considerar que na vida social deve haver um determinado tipo de ordem, sem a qual os seus membros n&#227;o poderiam viver juntos, a quebra dessa ordem traz uma altera&#231;&#227;o encarada como um desvio social, cujos efeitos ser&#227;o sentidos, quer pelo autor, quer pelos restantes autores, de forma mais ou menos profunda consoante o grau de afastamento &#224; norma estabelecida (Merton, 1970). Uma infrac&#231;&#227;o &#224; norma s&#243; se torna relevante na condi&#231;&#227;o desse acto ser socialmente reconhecido como tal, dando origem a uma reac&#231;&#227;o societal. Normatividade e desvi&#226;ncia surgem n&#227;o como universos opostos, mas como a dupla face dum mesmo facto social: para se poder explicar o desvio tem de se atender &#224; normatividade pois onde existem normas existir&#225; o desvio (Cohen, 1971).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Na medida em que a primeira condi&#231;&#227;o que se coloca num sistema social &#233; a exist&#234;ncia de um acordo ou consenso entre os seus membros em torno de valores e meios institu&#237;dos na defini&#231;&#227;o de um modelo que define fronteiras quanto ao grau de liberdade que um actor social a&#237; disp&#245;e, verifica-se que as normas sociais n&#227;o se traduzem de forma autom&#225;tica em actos, exigindo dos indiv&#237;duos um controlo que, ao n&#237;vel da sua ac&#231;&#227;o, articule o pessoal e o social numa subordina&#231;&#227;o a interesses comuns (Becker, 1963).</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Ao situar-se a delinqu&#234;ncia como uma subcategoria do comportamento desviante, reportada a actos levados a cabo por crian&#231;as e jovens na quebra ou viola&#231;&#227;o do estabelecido em quadros jur&#237;dicos (Binder <i>et al., </i>2001), a sua emerg&#234;ncia e a das problem&#225;ticas associadas implicam, numa perspectiva de an&#225;lise sociol&#243;gica, que se atenda ao facto de comportamentos desta natureza integrarem duas componentes: a do comportamento em si pr&#243;prio e a da sua defini&#231;&#227;o como desviante ou delinquente (Dias e Andrade, 1984).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Se por delinquir se entende a ac&#231;&#227;o de cometer uma falta ou um delito no desrespeito pelos quadros de regras que uma sociedade legalmente tem institu&#237;dos (Matos, 1996), essa transgress&#227;o traduz uma ruptura relativamente aos limiares de toler&#226;ncia dos grupos sociais portadores de sistemas de normas e de valores de uma sociedade, num dado momento da sua evolu&#231;&#227;o (Selosse, 1976). Por efeito dessa transgress&#227;o vem a desencadear-se um mecanismo social de reprova&#231;&#227;o e de san&#231;&#227;o, que traduz uma reac&#231;&#227;o colectiva que vai para al&#233;m do quadro familiar e educativo, suscitando uma interven&#231;&#227;o de natureza administrativa ou judici&#225;ria. Configura-se, ent&#227;o, como decisivo relevar que a delinqu&#234;ncia, mais do que um problema de natureza jur&#237;dica &#233;, antes de mais, um problema eminentemente social que obriga a uma maior implica&#231;&#227;o de toda a sociedade na procura de alternativas que objectivem a sua preven&#231;&#227;o e combate (Rodrigues, 1997). Esta ser&#225; uma das mais complexas tarefas cometidas a uma comunidade como parte essencial da preven&#231;&#227;o do crime. Gradualmente, tem vindo a adquirir um conte&#250;do pr&#243;prio no estabelecimento de uma jurisdi&#231;&#227;o especial de protec&#231;&#227;o da inf&#226;ncia e juventude, corporizada, em Portugal, no sistema de justi&#231;a tutelar de menores<a href="#3"><sup>3</sup></a><a name="top3"></a>. Deste modo, consagra-se a exist&#234;ncia de direitos e deveres espec&#237;ficos nos princ&#237;pios de um quadro jur&#237;dico que d&#225; express&#227;o a um sentimento comunit&#225;rio que aponta para a necessidade de diferencia&#231;&#227;o de significado e de pol&#237;ticas de interven&#231;&#227;o, a desenvolver em resposta aos actos delitivos praticados por crian&#231;as e jovens ou por adultos (Selosse, 1995).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">De uma vis&#227;o mais tradicional que entendia a crian&#231;a ou o jovem como meros objectos da interac&#231;&#227;o social, as tend&#234;ncias mais recentes no campo da sociologia suscitam outros tipos de abordagem, destacando cada indiv&#237;duo como actor social, a diversos n&#237;veis, ao longo do seu processo de socializa&#231;&#227;o (Cario, 1999). Neste sentido, crian&#231;as e jovens passaram a ser considerados titulares de direitos pr&#243;prios cuja nega&#231;&#227;o ou viola&#231;&#227;o corresponde &#224; aplica&#231;&#227;o de san&#231;&#245;es, &#224; luz de jurisdi&#231;&#227;o espec&#237;fica ou geral. N&#227;o mais ser&#225; poss&#237;vel falar de inf&#226;ncia e juventude como se se tratassem de realidades planas, vividas ou representadas exclusivamente no singular; em cada uma destacam-se campos pr&#243;prios que remetem para a co-exist&#234;ncia de tra&#231;os diversos decorrentes de regularidades assinaladas por origens de g&#233;nero, espa&#231;o social de classes e, at&#233; mesmo, local geogr&#225;fico (Almeida, 2000).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Enquanto problema socialmente constru&#237;do, a delinqu&#234;ncia destaca a condi&#231;&#227;o de jovem como etapa de socializa&#231;&#227;o que s&#243; pode ser compreendida em rela&#231;&#227;o ao contexto em que &#233; vivida, reflectindo experi&#234;ncias com diversos agentes de socializa&#231;&#227;o, de entre os quais se salientam a fam&#237;lia, a escola, o grupo de pares e, no caso concreto do estudo que serve de base &#224; apresenta&#231;&#227;o deste artigo, institui&#231;&#245;es de controlo formal. A informa&#231;&#227;o sobre a sua incid&#234;ncia e natureza n&#227;o pode ser considerada isoladamente no mero conhecimento dos actos cometidos, tendo de ser analisada sob o ponto de vista dos quadros sociais e contextos de socializa&#231;&#227;o do meio onde se produz, acreditando-se que a compreens&#227;o da complexidade da vida social pressup&#245;e que se retenha que as estruturas e as din&#226;micas sociais dificilmente se explicam a partir de causas &#250;nicas, sendo antes o resultado de agrega&#231;&#245;es de m&#250;ltiplos factores (Boudon, 1979).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os debates mais recentes acerca desta tem&#225;tica t&#234;m vindo a enfatizar a liga&#231;&#227;o entre influ&#234;ncias de ordem social e o desenvolvimento deste tipo de comportamentos por parte dos jovens, designadamente, na rela&#231;&#227;o com consumo ou tr&#225;fico de subst&#226;ncias il&#237;citas (drogas) ou abusos de subst&#226;ncias l&#237;citas (tabaco, &#225;lcool, medicamentos), conscientes de que apenas se possui uma vis&#227;o parcelar e menor deste problema, pela multiplicidade de contextos e vari&#225;veis que o atravessam (Rodrigues <i>et al,</i> 1997). O desenvolvimento de um olhar sobre os percursos de vida destes jovens dever&#225; atender aos aspectos e limita&#231;&#245;es estruturais que dominam a interac&#231;&#227;o e as din&#226;micas familiares nas quais se integram. &#201; nos espa&#231;os de socializa&#231;&#227;o familiar que muito da sua evolu&#231;&#227;o foi influenciada, numa linha que poder&#225; ter abarcado desde a resolu&#231;&#227;o saud&#225;vel e desdramatizante de um problema, quantas das ocasi&#245;es frequentemente menor, at&#233; &#224; sua exclus&#227;o ou estigmatiza&#231;&#227;o (Queloz, 1994).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Moura Ferreira <i>et al.</i> (1993) apontam para uma generaliza&#231;&#227;o relativa de fen&#243;menos de desvio e delinqu&#234;ncia durante a juventude, podendo tais fen&#243;menos encontrar as suas raz&#245;es de ser na especificidade do desenvolvimento psicossocial juvenil e das situa&#231;&#245;es dos jovens na pr&#243;pria sociedade, mais concretamente no seio de meios e culturas eminentemente juvenis, cujas representa&#231;&#245;es, valores e normas poder&#227;o n&#227;o ser coincidentes com os que dominam o mundo dos adultos, da&#237; o emergir de um confonto entre o que ambas as partes consideram ser leg&#237;timo (Machado Pais, 1996). Da diferencia&#231;&#227;o funcional da viola&#231;&#227;o de regras sociais pelo assumir de pr&#225;ticas delinquentes, os actos antinormativos no seio de um grupo podem revestir um valor funcional n&#227;o apenas para os seus autores, mas, inclusivamente, para o pr&#243;prio grupo (Vala, 1985).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A crescente visibilidade de alguns factos desta natureza e o reconhecimento da &#8220;incapacidade ou desadequa&#231;&#227;o dos controlos informais da fam&#237;lia, da escola e da comunidade para assegurarem a conformidade (das crian&#231;as e jovens) em rela&#231;&#227;o &#224;s regras que se supunham desej&#225;veis para as crian&#231;as&#8221; (Moura Ferreira, 1997: 915) destacam a delinqu&#234;ncia como resposta a configura&#231;&#245;es sociais indesej&#225;veis para o indiv&#237;duo, n&#227;o se podendo considerar esse tipo de reposta como produtos de mecanismos sociais de n&#237;vel diferente daquele em que se produzem as respostas legalmente aceit&#225;veis. Com efeito, uma conduta que seja percepcionada &#224; luz das normas vigentes como inadequada, dever&#225; ser vista no contexto de um determinado e espec&#237;fico sistema que inclua tamb&#233;m a resposta considerada adequada: torna-se fundamental perceber que uma n&#227;o pode ser compreendida se a outra for ignorada (Catalano e Hawkins, 1996).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Em Portugal, duas novas leis, a Lei Tutelar Educativa (Minist&#233;rio da Justi&#231;a) e a Lei de Protec&#231;&#227;o de Crian&#231;as e Jovens em Perigo (Minist&#233;rio do Trabalho e da Solidariedade)<a href="#4"><sup>4</sup></a><a name="top4"></a>, entraram em vigor em 1 de Janeiro de 2001, substituindo o modelo consubstanciado na Organiza&#231;&#227;o Tutelar de Menores (OTM), diploma legal que nas &#250;ltimas d&#233;cadas serviu de enquadramento neste campo do sistema judicial. De entre o leque de medidas tutelares pass&#237;veis de aplica&#231;&#227;o a menores de 18 anos a&#237; preconizadas, a mais grave reportava-se &#224; coloca&#231;&#227;o em regime de internamento em <i>Col&#233;gio de Acolhimento, Educa&#231;&#227;o e Forma&#231;&#227;o</i> do Instituto de Reinser&#231;&#227;o Social, do Minist&#233;rio da Justi&#231;a<a href="#5"><sup>5</sup></a><a name="top5"></a>.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Falar do universo de jovens internados nestes col&#233;gios por decis&#227;o dos tribunais implica ter presente a diversidade de situa&#231;&#245;es que, sob uma mesma capa e a um primeiro e superficial olhar, se ocultava. Referenciada como uma das popula&#231;&#245;es de maior risco no desenvolvimento de potenciais traject&#243;rias de marginalidade, exclus&#227;o social e criminalidade, integrava uma pluralidade de perfis sociais, cujos pontos comuns e diferen&#231;as interessa melhor conhecer. A este n&#237;vel, s&#227;o significativos os resultados obtidos por Rodrigues <i>et al.</i> (1997) em estudo realizado, em 1993, junto da popula&#231;&#227;o de menores em regime de internato em estabelecimentos tutelares da regi&#227;o de Lisboa, que apontam para a perman&#234;ncia de certos indicadores sociogr&#225;ficos ao n&#237;vel da caracteriza&#231;&#227;o das din&#226;micas e estilos de vida familiares. Destaca-se a predomin&#226;ncia de fam&#237;lias de baixo estatuto sociocultural e socioprofissional, de grande dimens&#227;o, apresentando disfun&#231;&#245;es, em especial, quanto a rela&#231;&#245;es de autoridade, verificando-se ainda frequentemente situa&#231;&#245;es de disrup&#231;&#227;o familiar (Rodrigues <i>et al.,</i> 1997).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Partindo dos resultados obtidos recentemente numa investiga&#231;&#227;o mais vasta realizada sobre a popula&#231;&#227;o dos col&#233;gios do Instituto de Reinser&#231;&#227;o Social, do Minist&#233;rio da Justi&#231;a, na fase imediatamente anterior &#224; entrada em vigor da Lei Tutelar Educativa (2001), este artigo centra-se na problematiza&#231;&#227;o de (<i>sobre</i>)viv&#234;ncias desses jovens na fam&#237;lia consideradas a partir da caracteriza&#231;&#227;o do grupo dom&#233;stico de origem, &#224; data da sua primeira coloca&#231;&#227;o em col&#233;gio. Porque os dados recolhidos se reportam a momentos espec&#237;ficos, limitados no tempo, a vis&#227;o que aqui se obt&#233;m dos seus percursos de vida &#233; parcial e, mais do que se situar numa linha de continuidade (que seria apenas aparente), ressalva acontecimentos eventualmente cruciais na determina&#231;&#227;o da sua evolu&#231;&#227;o.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Cada traject&#243;ria est&#225; entrecruzada por outras vidas, por outros sujeitos, inscrita num quadro de rela&#231;&#245;es de interdepend&#234;ncias que apelam a indicadores mais vastos ao n&#237;vel familiar e de redes de sociabilidade no meio envolvente. A exist&#234;ncia de pessoas de refer&#234;ncia, em determinados campos da sua exist&#234;ncia, revela-se determinante, de tal modo que a rela&#231;&#227;o entre a probabilidade de desenvolvimento deste tipo de condutas por parte de crian&#231;as e jovens e a aus&#234;ncia de rela&#231;&#245;es afectivas positivas com os pais constitui-se como um dos pontos mais bem documentados das teorias dedicadas ao estudo nesta &#225;rea (Hirschi, 1969; Winnicot, 1977; Vala, 1985). No tipo de rela&#231;&#227;o mantida com os pais, &#233; a qualidade dos la&#231;os estabelecidos que se procurou conhecer, apontando-se para leituras mais abrangentes da realidade social, designadamente, em torno da import&#226;ncia da rede familiar no acesso a estruturas de oportunidades que possam dar a possibilidade de promover a evolu&#231;&#227;o para outros caminhos que n&#227;o os do desvio e da delinqu&#234;ncia.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A pesquisa desenvolvida focou-se, exclusivamente, numa das m&#250;ltiplas facetas que esta problem&#225;tica pode assumir, identificando-a unicamente com a popula&#231;&#227;o-alvo da interven&#231;&#227;o, na &#225;rea de um sistema restrito, particular e bem espec&#237;fico: o sistema de justi&#231;a tutelar de menores.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Aspectos metodol&#243;gicos</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Centrando-se sobre a problem&#225;tica do desvio e da delinqu&#234;ncia juvenis na sociedade portuguesa, a investiga&#231;&#227;o concretizada teve como ponto de partida o universo de jovens de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os nove e os 18 anos que, por decis&#227;o judicial, se encontravam em regime de internamento nos catorze col&#233;gios do Instituto de Reinser&#231;&#227;o Social, nos &#250;ltimos quatro meses de vig&#234;ncia da Organiza&#231;&#227;o Tutelar de Menores (1978), compreendendo-se, nestes termos, o per&#237;odo entre 1 de Setembro e 31 de Dezembro de 2000.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Acreditando-se que &#224; defini&#231;&#227;o de pol&#237;ticas sociais e execu&#231;&#227;o de estrat&#233;gias e modelos, a desenvolver institucionalmente neste campo, deve corresponder um mais profundo conhecimento sobre a realidade social, a pesquisa teve por principal objectivo conhecer a natureza e direc&#231;&#227;o das traject&#243;rias de vida desses jovens, em per&#237;odo anterior &#224; sua primeira coloca&#231;&#227;o num dos col&#233;gios.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Nesta linha, vieram a ser identificadas as determinantes sociais emergentes nos contextos de socializa&#231;&#227;o atravessados e nos quadros sociais onde estes jovens se inscreveram, recorrendo-se apenas a um &#226;ngulo de observa&#231;&#227;o da realidade social: o olhar dos agentes dos mecanismos de controlo formal (t&#233;cnicos de Reinser&#231;&#227;o Social, tribunais e autoridades policiais).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Para a realiza&#231;&#227;o deste estudo, optou-se por uma metologia quantitativa. O eixo metodol&#243;gico central assentou na aplica&#231;&#227;o de inqu&#233;rito por question&#225;rio, estruturado em torno de grandes &#225;reas: identifica&#231;&#227;o pessoal - sexo, idade, nacionalidade, naturalidade, origem &#233;tnica, documenta&#231;&#227;o oficial, percurso dos n&#227;o nascidos em Portugal -; grupo dom&#233;stico de origem &#224; data da coloca&#231;&#227;o em col&#233;gio; grupo parental ou seu substituto; inser&#231;&#227;o familiar/clima de relacionamento; problem&#225;ticas sociais sinalizadas na fam&#237;lia; percursos institucionais anteriores; descendentes; resid&#234;ncia e situa&#231;&#227;o habitacional; sa&#250;de e consumos (l&#237;citos e il&#237;citos); situa&#231;&#227;o jur&#237;dica; escolaridade e trabalho; natureza e caracteriza&#231;&#227;o dos factos il&#237;citos. A principal fonte de informa&#231;&#227;o foi o dossier tutelar individual para onde conflui toda a documenta&#231;&#227;o oficial relativa a cada caso (relat&#243;rio social, avalia&#231;&#227;o psicol&#243;gica, informa&#231;&#245;es judiciais, ocorr&#234;ncias por factos il&#237;citos e outros), tendo os dados sido recolhidos no local pela autora em cada um dos col&#233;gios.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Ao processo iniciado em Abril de 2000, com a realiza&#231;&#227;o de um estudo de caso numa dessas institui&#231;&#245;es, na aplica&#231;&#227;o explorat&#243;ria de diferentes t&#233;cnicas de an&#225;lise (uni, bi e multivariada-factorial de correspond&#234;ncias m&#250;ltiplas), seguiu-se a recolha de informa&#231;&#227;o junto das equipas t&#233;cnicas de todos os col&#233;gios, no per&#237;odo compreendido entre Outubro de 2000 e Mar&#231;o de 2001, e subsequente an&#225;lise documental e tratamento da informa&#231;&#227;o centrado numa an&#225;lise estat&#237;stica, descritiva, no recurso a t&#233;cnicas uni e bivariadas (tabelas cruzadas simples), estas &#250;ltimas n&#227;o apresentadas neste artigo. Esta op&#231;&#227;o, assim como o n&#227;o recurso a an&#225;lises multivariadas anteriormente exploradas, resulta, em larga medida, da inexist&#234;ncia de um quadro de fundo alargado sobre a referida popula&#231;&#227;o que pudesse ter vindo a constituir-se como refer&#234;ncia.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Daqui veio a resultar o tra&#231;ar de um retrato sociogr&#225;fico na fase de transi&#231;&#227;o entre dois modelos jur&#237;dicos claramente diferenciados: a Organiza&#231;&#227;o Tutelar de Menores (1978) e a Lei Tutelar Educativa (2001). Desse retrato, apresentam-se nestas p&#225;ginas apenas um conjunto de indicadores sociogr&#225;ficos relativos ao contexto familiar, tendo como base a informa&#231;&#227;o trabalhada num primeiro n&#237;vel de an&#225;lise univariada. Procura-se evidenciar as regularidades e singularidades relativas aos sujeitos em an&#225;lise, destacando os determinantes sociais que tendem a caracteriz&#225;-los a si e aos grupos dom&#233;sticos de onde s&#227;o oriundos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A vasta abrang&#234;ncia do campo em an&#225;lise, que inclu&#237;a casos que variavam entre a vitima&#231;&#227;o e a delinqu&#234;ncia, obrigou a que tivessem sido tomadas determinadas op&#231;&#245;es te&#243;ricas e metodol&#243;gicas. Dada a diversidade de situa&#231;&#245;es n&#227;o exclusivamente reportadas &#224; problem&#225;tica em causa, leccionou-se, para objecto de estudo, um subuniverso constitu&#237;do somente pelos indiv&#237;duos que tinham sido identificados no desenvolvimento de condutas desviantes (mendicidade e/ou prostitui&#231;&#227;o) ou na pr&#225;tica de actos qualificados pela lei penal como crime, sendo que poderiam acumular, em simult&#226;neo, as duas vertentes. De fora, ficaram os sinalizados por <i>mera </i>vitima&#231;&#227;o, internados nestes estabelecimentos como solu&#231;&#227;o de &#250;ltimo recurso, por n&#227;o sido encontrada outra resposta.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>O universo em estudo</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">No per&#237;odo em causa, o universo era constitu&#237;do por 685 jovens para uma lota&#231;&#227;o prevista de 554 lugares. Desde j&#225; evidencia-se a sobrelota&#231;&#227;o do sistema, uma linha constante ao longo das duas &#250;ltimas d&#233;cadas. Constata-se uma clara predomin&#226;ncia de indiv&#237;duos do sexo masculino, orienta&#231;&#227;o comum em diversos estudos concretizados nacional e internacionalmente sobre sistemas oficiais de justi&#231;a (Cusson, 1989; Sousa Santos <i>et al, </i>1998). Por escal&#227;o et&#225;rio, os rapazes est&#227;o representados com uma maior incid&#234;ncia nos 14-15 anos, ao passo que as raparigas nos escal&#245;es mais velhos, 16-17 anos.</font></p>              <p>&nbsp;</p>     <a href="/img/revistas/psi/v18n2/18n2a06q1.jpg">quadro 1</a>         
<p>&nbsp;</p>          <p><font face="Verdana" size="2">Relativamente aos motivos que despoletaram a interven&#231;&#227;o jurisdicional, 8,8% (58: 42 rapazes; 16 raparigas) dizia respeito exclusivamente a vitima&#231;&#227;o (maustratos, abandono ou neglig&#234;ncias), 15,2% (100: 65 rapazes; 35 raparigas) fora referenciado a condutas desviantes (mendicidade e/ou prostitui&#231;&#227;o) e 76% (499: 431 rapazes; 68 raparigas) encontrava-se identificado na pr&#225;tica de acto qualificado pela lei como crime. Mais do que ressalvar a import&#226;ncia dos actos il&#237;citos praticados, o que estava na base da escolha de uma medida tutelar era a avalia&#231;&#227;o da personalidade e das condi&#231;&#245;es de vida e situa&#231;&#227;o familiar do jovem; os factos em si mesmos n&#227;o podiam ser valorados sen&#227;o como sintoma de inadapta&#231;&#227;o, n&#227;o tendo sequer de ser provados (Gers&#227;o, 1994)<a href="#6"><sup>6</sup></a><a name="top6"></a>.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">De assinalar que, na fase final de vig&#234;ncia da OTM, os casos de vitima&#231;&#227;o ainda se mantinham presentes num valor que, &#224; data, assumia uma express&#227;o elevada. Esta situa&#231;&#227;o veio a arrastar-se no tempo e, em Outubro de 2001, eram ainda 27 os rapazes e raparigas que permaneciam nos centros educativos, em regime aberto ou semiaberto, por aus&#234;ncia de resposta de outros sistemas e da comunidade para que se concretizasse a sua sa&#237;da da &#225;rea da Justi&#231;a.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Mais de metade do subuniverso em estudo foi alvo de uma primeira interven&#231;&#227;o tutelar entre os 9 e os 12 anos, embora a primeira coloca&#231;&#227;o em col&#233;gio tenha ocorrido, com maior incid&#234;ncia, entre os 12-13 anos para o sexo masculino, e os 14-15 anos para os do sexo feminino.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">As autoridades policiais destacam-se como principal entidade participante (47,2%), seguindo-se os estabelecimentos de ensino (15,5%). O maior volume processual corresponde aos Tribunais de Fam&#237;lia e Menores de Lisboa (44,1%) e Porto (26,4%). Para 58,3 %, a coloca&#231;&#227;o em col&#233;gio foi a primeira medida tutelar a que foram sujeitos, enquanto que os restantes j&#225; tinham sido alvo de uma ou mais. Neste campo, evidencia-se a coloca&#231;&#227;o em estabelecimento oficial de educa&#231;&#227;o (mais nas raparigas) e a admoesta&#231;&#227;o (mais nos rapazes). Cerca de 9,3% dos jovens veio a dar entrada em col&#233;gio, apesar de lhe ter sido aplicada pelo tribunal uma outra medida que pressupunha a sua execu&#231;&#227;o noutro tipo de institui&#231;&#227;o que n&#227;o na &#225;rea da Justi&#231;a, num claro desfasamento entre a decis&#227;o judicial e a sua efectiva execu&#231;&#227;o pr&#225;tica.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#192; luz dos resultados obtidos, cerca de um quarto dos jovens foi anteriormente objecto de coloca&#231;&#227;o em institui&#231;&#227;o no sistema de Seguran&#231;a Social, parecendo n&#227;o ter existido uma desej&#225;vel diferencia&#231;&#227;o de ac&#231;&#245;es preventivas, situa&#231;&#227;o que se agrava consideravelmente em determinadas faixas et&#225;rias (10-15 anos) e numa maior incid&#234;ncia junto dos rapazes. Apesar destes casos terem sido sinalizados oficialmente em idades muito novas, a interven&#231;&#227;o oficial parece ter-se restringido, fundamentalmente, ao recurso &#224; institucionaliza&#231;&#227;o, quer num como noutro sistema, ignoran-do-se necessidades de apoio psicossocial &#224;s fam&#237;lias de onde s&#227;o origin&#225;rios e onde se encontram assinalados factores de risco que poder&#227;o ter afectado a evolu&#231;&#227;o dos seus membros.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O n&#250;mero de n&#227;o nascidos em territ&#243;rio nacional atinge os 7,0% do total da popula&#231;&#227;o, estando os rapazes sobrerrepresentados neste grupo. Tamb&#233;m cerca de 27,0% das m&#227;es e 30,8% dos pais nasceu noutro pa&#237;s que n&#227;o Portugal, surgindo como pa&#237;ses estrangeiros de origem quase exclusivamente os PALOPs, com larga express&#227;o para os oriundos de Cabo Verde. &#192; volta de 44,9% n&#227;o dispunha, ou n&#227;o apresentou, &#224; entrada no col&#233;gio, qualquer documento oficial de identifica&#231;&#227;o. Nem todos os jovens nascidos em Portugal tinham nacionalidade portuguesa: 16,0% possu&#237;a nacionalidade estrangeira. A registar ainda o facto de 28,9% do total ser de origem africana e 3,5% de origem cigana.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">As &#193;reas Metropolitanas de Lisboa e Porto, com uma especial relev&#226;ncia para a primeira, s&#227;o as mais representadas, quer em termos da naturalidade, quer no que concerne ao &#250;ltimo local de resid&#234;ncia conhecido. Trata-se, predominantemente, de uma popula&#231;&#227;o oriunda de meio urbano e suburbano litoral, residente em habita&#231;&#245;es de prec&#225;rias e deficit&#225;rias condi&#231;&#245;es, situadas tanto em bairros sociais de realojamento (39,4%) como em zonas de constru&#231;&#227;o ilegal (barracas; prefabricados) (25,2%). A estas condi&#231;&#245;es alia-se a exist&#234;ncia de um diminuto n&#250;mero de divis&#245;es para uma elevada dimens&#227;o dos grupos dom&#233;sticos: cerca de um ter&#231;o &#233; oriunda de grupos numerosos, com sete ou mais elementos (32,2%), destacando-se a seguir aqueles que integravam n&#250;cleos formados por quatro a seis pessoas (40,0%).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os seus percursos anteriores de escolaridade est&#227;o marcados pelo insucesso (69,4%), pelo abandono precoce (36,6%) e por uma fraca integra&#231;&#227;o em medidas pedag&#243;gicas diferenciadas (14,6%), registando as raparigas uma evolu&#231;&#227;o escolar mais positiva que os rapazes. Para ambos, a conclus&#227;o do 1.&#176; Ciclo e consequente passagem ao 2.&#176; Ciclo revela-se como o momento-charneira decisivo para o prosseguimento ou n&#227;o dos estudos. As experi&#234;ncias de trabalho ou de forma&#231;&#227;o profissional s&#227;o quase inexistentes.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Em termos globais, os actos il&#237;citos sinalizados sugerem a exist&#234;ncia de modos de vida marcadamente atravessados por necessidades diversas de consumo, desde as mais b&#225;sicas e elementares, traduzidas nos elevados valores de furtos de produtos alimentares, a outras vulgarmente n&#227;o consideradas como fundamentais, mas cujos apelos crescentes a estas faixas et&#225;rias se fazem sentir, a v&#225;rios n&#237;veis e em diferentes quadrantes, da sociedade portuguesa. Tais s&#227;o os casos das roupas de marca, dos artigos de desporto e dos telem&#243;veis. Daqui resulta um quadro de an&#225;lise que destaca a exist&#234;ncia de uma delinqu&#234;ncia especialmente centrada em torno das designadas <i>incivilidades</i> (Roch&#233;, 1998), nas pequenas ac&#231;&#245;es mais contra o patrim&#243;nio do que contra as pessoas, nos repetidos furtos com vista &#224; posse de determinados bens, em detrimento de outros, sempre perturbadores da ordem social, pela frequente visibilidade de actos concretizados quase sempre em espa&#231;os p&#250;blicos e em pequeno grupo. N&#227;o se revela muito expressiva, sob um ponto de vista meramente estat&#237;stico, a exist&#234;ncia de casos que remetam para uma maior diversifica&#231;&#227;o em termos de formas de actua&#231;&#227;o mais estruturadas e de natureza mais complexa dos actos il&#237;citos presumidamente cometidos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Apesar disso, n&#227;o deixa de ser significativo que se detectem, em alguns destes jovens, evolu&#231;&#245;es em termos de percurso delinquente que tende a reflectir uma maior quebra e crescente afastamento &#224;s normas espelhada na passagem para outros patamares de actua&#231;&#227;o mais graves, num refor&#231;o de uma traject&#243;ria acentuadamente desviante. Tamb&#233;m clara parece ser a especializa&#231;&#227;o de alguns em certas &#225;reas, muito concretamente, no campo dos actos il&#237;citos de natureza sexual.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Recordando que se trata de uma abordagem centrada exclusivamente naqueles que j&#225; foram alvo de uma etiquetagem jur&#237;dica, a vis&#227;o obtida acerca desta problem&#225;tica fica limitada aos casos recenseados oficialmente, a um momento espec&#237;fico, num sistema que se apresenta como a ponta da pir&#226;mide dos lit&#237;gios do aparelho judicial. S&#227;o, pois, alguns dos mais importantes resultados da investiga&#231;&#227;o, relativos ao contexto familiar de origem destes jovens, que se passa de seguida a apresentar.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>O grupo dom&#233;stico: espa&#231;o de contrastes</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A par das profundas transforma&#231;&#245;es demogr&#225;ficas, culturais, pol&#237;ticas, econ&#243;micas e sociais ocorridas nas &#250;ltimas d&#233;cadas na sociedade portuguesa, a realiza&#231;&#227;o recente de pesquisas centradas na fam&#237;lia tem vindo a promover o desenvolvimento de outros olhares sobre a diversidade e complexifica&#231;&#227;o de modelos e formas familiares que apontam para uma reformula&#231;&#227;o de conceitos e para novas leituras sobre a realidade social (Kellerhals <i>et al.,</i> 1979)<a href="#7"><sup>7</sup></a><a name="top7"></a>. N&#227;o sendo esta diversidade um facto novo, exclusivo do tempo presente, j&#225; a express&#227;o que alguns dos seus contornos hoje adquirem torna a defini&#231;&#227;o do conceito de fam&#237;lia objecto de especial cuidado. Diversamente da sua varia&#231;&#227;o quantitativa, &#233; ao n&#237;vel da sua estrutura e da natureza das din&#226;micas familiares que se v&#234;em reflectidas as mais importantes transforma&#231;&#245;es.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Acreditando-se que a palavra <i>fam&#237;lia</i> encobre uma tal pluralidade de situa&#231;&#245;es, Roussel (1992) vai mais longe ao defender a ideia que nos tempos actuais n&#227;o &#233; poss&#237;vel falar de fam&#237;lia se n&#227;o no plural, isto &#233;, em <i>fam&#237;lias.</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#201;, pois, &#224; luz desta diversidade e perante as caracter&#237;sticas da popula&#231;&#227;o em causa, e da natureza da pr&#243;pria informa&#231;&#227;o recolhida, que neste estudo se veio a optar por centrar o interesse na caracteriza&#231;&#227;o do designado <i>grupo dom&#233;stico,</i> sendo este definido como o espa&#231;o partilhado pelo indiv&#237;duo enquanto unidade de co-resid&#234;ncia (Almeida <i>et al.,</i> 1998). Embora possa n&#227;o cobrir a totalidade das rela&#231;&#245;es de parentesco, nem a totalidade das rela&#231;&#245;es sociais dos seus membros, acredita-se que o grupo dom&#233;stico consegue, ainda assim, &#8220;representar a parte mais percept&#237;vel e, ao mesmo tempo, mais estruturante, do universo familiar&#8221; (Burgui&#232;re, 1986: 640).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Nenhuma forma de ac&#231;&#227;o social se processa num espa&#231;o n&#227;o estruturado. Por muito que determinados espa&#231;os, &#224; primeira vista, n&#227;o o deixem transparecer, a todos subjaz um determinado tipo de estrutura, eventualmente at&#233; distante dos tipos dominantes num dado contexto. Determinante na dimens&#227;o organizacional da ac&#231;&#227;o humana, o estudo do grupo dom&#233;stico poder&#225; revelar a margem de liberdade de ac&#231;&#227;o dos actores sociais nele integrados assim como trar&#225; tamb&#233;m &#224; superf&#237;cie o conjunto de factores exteriores que, por outro lado, o condicionam e nele interferem. Estes factores, consubstanciados nas condi&#231;&#245;es materiais e sociais efectivas no seu contexto de ac&#231;&#227;o, est&#227;o enquadrados, de modo mais abrangente, pelas estruturas e padr&#245;es sociais vigentes &#224; &#233;poca. No entanto, &#233; de assinalar tamb&#233;m que as ac&#231;&#245;es e comportamentos desenvolvidos n&#227;o se podem reduzir aos constrangimentos gerais subjacentes aos contextos de ac&#231;&#227;o, embora n&#227;o possam, de igual forma e em sua consequ&#234;ncia, discernir-se deles.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">No recurso &#224; an&#225;lise do grupo dom&#233;stico de origem dos jovens que se constituem como objecto de estudo, evidencia-se a fam&#237;lia como um dos lugares privilegiados de constru&#231;&#227;o social da realidade nas suas dimens&#245;es de espa&#231;o f&#237;sico, relacional e simb&#243;lico (Saraceno, 1997). O tratamento da informa&#231;&#227;o neste campo vem revelar os contornos da organiza&#231;&#227;o familiar, ressalvando como decisiva a natureza constru&#237;da e, consequentemente, em evolu&#231;&#227;o do conceito de fam&#237;lia, geralmente difuso sob uma capa de aparente coer&#234;ncia e const&#226;ncia de ac&#231;&#227;o social.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Situar cada um no presente implica que se atenda &#224; forma como no seu passado se veio a conciliar o individual, o familiar e o colectivo. N&#227;o se trata de desenvolver aqui uma an&#225;lise de modos de vida, mas antes apenas da sinaliza&#231;&#227;o e problematiza&#231;&#227;o de indicadores associados aos espa&#231;os de socializa&#231;&#227;o atravessados nos seus percursos de vida.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Se parece certo que as fam&#237;lias sofrem constrangimentos estruturais que as moldam e afectam a sua din&#226;mica interna e de rela&#231;&#227;o com o exterior, tamb&#233;m ser&#225; verdade que, at&#233; determinado ponto, disp&#245;em de uma autonomia que lhes permitir&#225;, mesmo quando sujeitas a condi&#231;&#245;es sociais similares, apresentarem modos de resposta diferenciados &#224;s situa&#231;&#245;es.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A emerg&#234;ncia de determinadas formas de (re)composi&#231;&#227;o familiar vem p&#244;r em evid&#234;ncia outros indiv&#237;duos, para al&#233;m do pai e da m&#227;e, que vieram a ocupar um lugar de destaque nestes grupos dom&#233;sticos, a maioria das vezes de forma abrupta perante viv&#234;ncias familiares marcadas por circunst&#226;ncias pessoais e sociais de perdas, rupturas, neglig&#234;ncias e abandono. Dificilmente, as situa&#231;&#245;es s&#227;o apresentadas de forma linear e continuada, surgindo contradi&#231;&#245;es e descontinuidades num crescendo reportado a quebras sucessivas de la&#231;os sociais.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Bourdieu (1979) admite a exist&#234;ncia de traject&#243;rias de vida individuais, resultantes do desvio em rela&#231;&#227;o &#224; traject&#243;ria de vida modal, entendida esta como a traject&#243;ria mais previs&#237;vel e frequente, em fun&#231;&#227;o de determinado volume de capital herdado, isto &#233;, do capital econ&#243;mico, cultural e social possu&#237;do. No entanto, chama a aten&#231;&#227;o para o facto de as estrat&#233;gias que conduzem a essas diferentes traject&#243;rias se constitu&#237;rem como produ&#231;&#227;o de meros ajustamentos &#224;s condi&#231;&#245;es objectivas dos agentes. Nesta linha, a fam&#237;lia &#233; o lugar onde se produzem as compet&#234;ncias necess&#225;rias em dado momento, salientando-se que h&#225; estrat&#233;gias de ac&#231;&#227;o que somente se definem na rela&#231;&#227;o entre membros do grupo dom&#233;stico e que determinam a sua evolu&#231;&#227;o posterior. As traject&#243;rias individuais ter&#227;o de ser vistas como resultado de combina&#231;&#245;es particulares das estruturas englobantes com as oportunidades estrat&#233;gicas, leg&#237;timas ou n&#227;o. &#201; a&#237; que se opera e resolve, a um n&#237;vel mais restrito, a regula&#231;&#227;o dos conflitos entre os mais directamente envolvidos, assegurando-se a articula&#231;&#227;o entre interesses e objectivos de natureza individual e colectiva.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Remetendo-se para l&#243;gicas de ac&#231;&#227;o e para orienta&#231;&#245;es a curto, m&#233;dio ou longo prazo, a cuja significa&#231;&#227;o mais profunda n&#227;o se tem acesso nesta investiga&#231;&#227;o limitada que est&#225; &#224; an&#225;lise dos documentos oficiais e ao discurso dos agentes das inst&#226;ncias de controlo formal, os <i>fragmentos</i> analisados dos quadros de vida aqui postos em causa atravessam as m&#250;ltiplas dimens&#245;es da actividade pessoal e social, constituindo-se como uma complexa e emaranhada teia onde os actores sociais se entrela&#231;am numa tradu&#231;&#227;o de dupla perten&#231;a, relativamente a constrangimentos estruturais e &#224; liberdade de ac&#231;&#227;o que, eventualmente, puderam gozar.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Natureza do grupo dom&#233;stico</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Tendo como objectivo a identifica&#231;&#227;o da composi&#231;&#227;o dos grupos dom&#233;sticos de origem &#224; data da entrada em col&#233;gio, tomou-se como ponto de partida a tipologia proposta por Peter Laslett, e o designado Grupo de</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Cambridge (1972), que veio a revelar-se como a mais adequada por abranger, ainda que com as devidas adapta&#231;&#245;es, a diversidade de casos caracterizados nesta popula&#231;&#227;o. Perante os grupos originalmente constru&#237;dos<a href="#8"><sup>8</sup></a><a name="top8"></a>, mantiveram-se seis categorias, mas houve a necessidade de substituir os designados <i>isolados</i> pelos <i>n&#227;o integrados em grupo dom&#233;stico da fam&#237;lia biol&#243;gica</i> (16,3%). Para efeitos desta investiga&#231;&#227;o, integram-se nesta modalidade as situa&#231;&#245;es em que os jovens se encontravam em fam&#237;lia de acolhimento ou adop&#231;&#227;o, em coloca&#231;&#227;o institucional, ou foram sinalizados a viver <i>autonomamente.</i> Consideram-se nestes &#250;ltimos aqueles em que n&#227;o foi poss&#237;vel a detec&#231;&#227;o de um grupo dom&#233;stico onde pudessem estar integrados por, na maioria das vezes, se encontrarem a viver na rua h&#225; algum tempo. As restantes categorias s&#227;o constitu&#237;das pelos grupos dom&#233;sticos <i>n&#227;o conjugais</i> (4,8%)<a href="#9"><sup>9</sup></a><a name="top9"></a>, <i>simples</i> (51,3%)<a href="#10"><sup>10</sup></a><a name="top10"></a>, <i>alargados</i> (18,1%)<a href="#11"><sup>11</sup></a><a name="top11"></a>, <i>extensos </i>(1,7%)<a href="#12"><sup>12</sup></a><a name="top12"></a>, e, por fim, <i>outras combina&#231;&#245;es</i> (7,8%)<a href="#13"><sup>13</sup></a><a name="top13"></a>.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Somente 83,7% se mantinha ligado directamente a familiares, destacando-se os que provinham da fam&#237;lia nuclear, seguidos pelos oriundos de fam&#237;lias monoparentais, onde o adulto presente era, com maior incid&#234;ncia, a mulher.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Da an&#225;lise do <a href="/img/revistas/psi/v18n2/18n2a06q2.jpg">quadro 2</a>, real&#231;a-se o n&#250;mero de n&#227;o integrados em qualquer grupo dom&#233;stico com liga&#231;&#227;o &#224; fam&#237;lia (16,3%) e, de entre estes, os sinalizados <i>a viver autonomamente</i> (8,2%), tendencialmente na rua, porque a&#237; se esconde uma diversidade de situa&#231;&#245;es que n&#227;o pode ser ignorada. &#192; semelhan&#231;a do que verificou Jo&#227;o Sebasti&#227;o, em estudo realizado na cidade de Lisboa (1995), tornou-se necess&#225;rio distinguir os principais contornos identificados neste grupo.</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">Trata-se, na &#243;ptica dos autores dos documentos oficiais, de jovens cujas redes sociais, pass&#237;veis de conhecimento &#224; data da interven&#231;&#227;o, assentavam fundamentalmente em grupo(s) de pares e, a determinados n&#237;veis mas em muito menor n&#250;mero, na liga&#231;&#227;o a uma ou outra figura adulta, cuja caracteriza&#231;&#227;o raras vezes era feita. Como referenciado, isso decorre, sobretudo, de dificuldades de contacto e obten&#231;&#227;o de mais informa&#231;&#227;o, ficando-se restrito, na maioria das vezes, a uma descri&#231;&#227;o vaga feita por terceiros ou pelas indica&#231;&#245;es dadas pelo pr&#243;prio jovem. O desconhecimento sobre os seus modos de vida, para al&#233;m das viv&#234;ncias descritas como tidas na rua, &#233; o que sobressai pela inexist&#234;ncia de elos de liga&#231;&#227;o &#224; fam&#237;lia ou a grupo dom&#233;stico substituto que ter&#227;o integrado anteriormente.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Dificilmente se pode falar, nestes casos, de um processo de autonomiza&#231;&#227;o consistente, estruturado e devidamente procurado; antes pelo contr&#225;rio, sobrep&#245;em-se viv&#234;ncias marcadas por rupturas aos mais diversos n&#237;veis, em idades muito novas que apontam para uma falsa e <i>desesperada autonomia.</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Neste campo, perante o corte de relacionamento entre o jovem e a fam&#237;lia, emergem tr&#234;s processos de natureza (aparentemente) oposta, mas que tender&#227;o a refor&#231;ar-se mutuamente na reprodu&#231;&#227;o de um c&#237;rculo dif&#237;cil de quebrar.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O primeiro parte de uma rejei&#231;&#227;o por parte dos pais, contemplando dois n&#237;veis de actua&#231;&#227;o: um em que essa rejei&#231;&#227;o &#233; assumida claramente, traduzindo-se na expuls&#227;o directa do jovem para fora de casa ou do espa&#231;o que habitariam, impedindo-o de voltar a entrar a&#237;; outro em que a rejei&#231;&#227;o se revela sob a forma de neglig&#234;ncia, desamparo ou abandono, havendo um movimento, at&#233; certo ponto, diverso na medida em que s&#227;o os pais que deixam o grupo dom&#233;stico e quebram os la&#231;os que poderiam existir, quanto mais n&#227;o fosse pela sua presen&#231;a f&#237;sica.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Um segundo processo abrange os casos em que a sa&#237;da para a rua parece centrar-se numa iniciativa do pr&#243;prio jovem, culminando, geralmente, um percurso anterior marcado por constantes fugas. No entanto, quando olhada mais profundamente, esta ac&#231;&#227;o parece surgir como produto de uma organiza&#231;&#227;o e din&#226;micas familiares em que a face vis&#237;vel de ruptura acabar&#225; por traduzir um conjunto de quebras de la&#231;os familiares, expressas sob as formas de abandono, neglig&#234;ncia ou viol&#234;ncia dom&#233;stica, que t&#234;m como principal agente n&#227;o o jovem mas, especialmente, os seus familiares. Apenas em poucos casos parecem, de facto, resultar de uma actua&#231;&#227;o do pr&#243;prio indiv&#237;duo, no sentido de uma op&#231;&#227;o possivelmente marcada pelo desejo de independ&#234;ncia e de aventura, na fuga ao controle familiar (Castro, 1997).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O terceiro processo diz respeito &#224;s situa&#231;&#245;es em que se regista a perda por falecimento ou a aus&#234;ncia decorrente de deten&#231;&#227;o ou hospitaliza&#231;&#227;o de um dos progenitores. A dada altura, a estrutura familiar viu-se atingida, na maior parte das vezes de forma inesperada, reflectindo-se isso na aus&#234;ncia de refer&#234;ncias est&#225;veis. Nos casos extremos, os mais novos acabaram por ficar exclusivamente entregues a si pr&#243;prios, de um momento para o outro. A rua parece, ent&#227;o, emergir como mero prolongamento da casa, numa esp&#233;cie de vaiv&#233;m em que a n&#227;o exist&#234;ncia de supervis&#227;o familiar &#233; o ponto dominante.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Todos estes processos, n&#227;o sendo estanques, uma vez que em determinados momentos se podem ter cruzado e sobreposto, apontam para a exist&#234;ncia de percursos de vida marcados por altera&#231;&#245;es constantes na esfera do relacionamento familiar. &#192; luz dos resultados obtidos, estas situa&#231;&#245;es dificilmente surgem de modo isolado, constantemente marcadas por quebras de la&#231;os familiares e sociais que assumem contornos potencialmente violentos e dolorosos em idades precoces.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os mais atingidos s&#227;o, predominantemente, os rapazes, variando o escal&#227;o et&#225;rio em que isso aconteceu. A dura&#231;&#227;o do per&#237;odo temporal relativo ao momento compreendido entre essa sa&#237;da e o conhecimento oficial da situa&#231;&#227;o, decorrente da interven&#231;&#227;o tutelar, &#233; tamb&#233;m vari&#225;vel: pode ter acontecido no pr&#243;prio dia, ao fim de poucos dias ou semanas, meses ou at&#233; mesmo ap&#243;s um per&#237;odo superior a um ano. N&#227;o se verifica neste campo a predomin&#226;ncia de um tipo de estrutura familiar em rela&#231;&#227;o a outro.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Outro dado relevante nesta an&#225;lise prende-se com o facto de nos agregados onde surge um maior n&#250;mero de pessoas isoladas junto do jovem (um tio ou uma tia, um av&#244; ou uma av&#243;, um irm&#227;o) existir, tamb&#233;m, uma maior associa&#231;&#227;o &#224; presen&#231;a de indiv&#237;duos do sexo masculino. Estes dados poder&#227;o configurar uma actua&#231;&#227;o diferenciada em situa&#231;&#245;es de risco, &#224; partida tendencialmente similares, por parte dos familiares, conforme o g&#233;nero do jovem. Neste sentido, poder-se-&#225; apontar para uma eventual maior mobiliza&#231;&#227;o de membros da fam&#237;lia biol&#243;gica, nos casos em que se trata de raparigas (sobrerrepresentadas nas fam&#237;lias recompostas e outras combina&#231;&#245;es), ao contr&#225;rio do que parece vir a ocorrer com os rapazes, geralmente, mais entregues a si pr&#243;prios ou a apenas um familiar isolado desde muito cedo.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Bastante significativo &#233; o facto de apenas 23,2% da popula&#231;&#227;o em estudo ter integrado sempre o mesmo grupo dom&#233;stico at&#233; &#224; sua entrada em col&#233;gio. Existe um n&#250;mero elevado em que as mudan&#231;as conhecidas e as passagens por grupos diferenciados foram sucessivamente acontecendo (76,8%), geralmente, por curtos per&#237;odos de tempo.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Como se de um mero objecto se tratasse, tipo uma <i>bola de ping-pong,</i> o jovem viu-se entregue a um sem-n&#250;mero de situa&#231;&#245;es diversas que, de comum, ter&#227;o uma carga emocional negativa. Reportando-se a mudan&#231;as, tendencialmente, abruptas, traduzidas num corte na interac&#231;&#227;o com os que lhes estavam mais pr&#243;ximos, a instabilidade e a constante altera&#231;&#227;o do quadro familiar e do(s) grupo(s) dom&#233;stico(s), ou do meio institucional que integrava, potenciaram a aus&#234;ncia de relacionamentos mais est&#225;veis e duradouros que, de uma forma ou outra, se repercutem no seu desenvolvimento psicossocial (Winnicot, 1977) e no qual as condutas desviantes ou delinquentes constituir&#227;o apenas a face vis&#237;vel de uma complexa e emaranhada teia dif&#237;cil de desfazer (Ferreira, 2002).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Entre pais e filhos</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Ao analisar a estrutura familiar, apenas em 24,9% da popula&#231;&#227;o se mantinha a presen&#231;a f&#237;sica dos pais, em simult&#226;neo, no grupo dom&#233;stico (fam&#237;lias nucleares e extensas), emergindo nos restantes 75,1% diversas problem&#225;ticas associadas a uma 1.<sup>a</sup> ruptura identificada no grupo parental. Destaque para os 28,9% que n&#227;o contavam nem com a presen&#231;a do pai, nem com a da m&#227;e, ficando aqui bem claro o &#8220;equil&#237;brio perdido&#8221; (Ferreira, 2002: 51) que marca os ainda curtos percursos de vida de muitos destes jovens, v&#237;timas em idades precoces de viv&#234;ncias decorrentes de abandono e de aus&#234;ncia de uma adequada supervis&#227;o por parte dos seus progenitores.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Quando se toma em linha de conta o motivo apontado nos documentos analisados como estando na base da primeira ruptura do grupo parental conhecida oficialmente<a href="#14"><sup>14</sup></a><a name="top14"></a>, o abandono &#233; a modalidade mais representada, abrangendo mais de um ter&#231;o da popula&#231;&#227;o (34,9%)<a href="#15"><sup>15</sup></a><a name="top15"></a>. Trata-se de situa&#231;&#245;es em que pai ou m&#227;e, ou os dois em conjunto (15%), abandonaram, sem raz&#227;o aparente ou identificada, a casa, na maioria das vezes, sem refer&#234;ncia a um outro motivo que n&#227;o o do mero acto em si. Se, por um lado, o abandono de ambos atinge mais os rapazes, num sentido inverso s&#227;o as raparigas que se v&#234;em sobrerrepresentadas nos casos de abandono isolado por parte de um, seja a m&#227;e, seja o pai.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A estas situa&#231;&#245;es acrescem outras da mesma natureza, em que o motivo identificado da 1<sup>a</sup> ruptura no grupo parental foi o falecimento ou a deten&#231;&#227;o de um dos pais, seguido do abandono posterior, imediato ou num muito curto prazo, do outro. Revela-se uma faceta do abandono que permanece oculta &#224; primeira vista e que agrava a exist&#234;ncia desta problem&#225;tica no seio da popula&#231;&#227;o em estudo, por estar associada a uma outra perda<a href="#16"><sup>16</sup></a><a name="top16"></a>.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">S&#227;o indicadores que mesmo com um reduzido valor estat&#237;stico n&#227;o devem, de forma alguma, ser subavaliados sob um ponto de vista social por se reportarem a franjas da sociedade portuguesa onde processos de sucessivas rupturas e perdas a n&#237;vel familiar v&#234;m a repercurtir-se num conjunto de necessidades, em termos de apoio, em &#225;reas como a seguran&#231;a social, educa&#231;&#227;o, sa&#250;de, emprego e outras que nem sempre encontrar&#227;o a resposta mais adequada.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Outro dado desta investiga&#231;&#227;o aponta para a exist&#234;ncia de uma elevada taxa de mortalidade no seio destas fam&#237;lias, em idades relativamente novas. Considerando apenas o falecimento de um dos progenitores, 13,1% dos pais e 4,5% das m&#227;es morreram numa idade que corresponde ao per&#237;odo da vida profissional activa. Em 1,4% do total da popula&#231;&#227;o ocorreu o falecimento de ambos, num per&#237;odo de tempo muito curto (inferior a 6 meses), sobretudo junto de raparigas. Neste campo, a figura paterna &#233; claramente a mais atingida. As causas da morte conhecidas est&#227;o associadas, na maioria das vezes, a consumos abusivos de subst&#226;ncias l&#237;citas e il&#237;citas. Neste ponto, registam-se diferen&#231;as relativamente aos indicadores nacionais sobre mortalidade que destacam em Portugal as mortes por acidente de trabalho, sendo que, aqui, est&#227;o mais referenciadas as associadas ao abuso de &#225;lcool e drogas e a doen&#231;as infecto-contagiosas. Existe um restrito n&#250;mero de casos em que pai ou m&#227;e foram v&#237;timas de homic&#237;dio. O suic&#237;dio abrangeu 4,3% dos progenitores, n&#227;o se diferenciando de forma significativa por sexo.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">No que diz respeito &#224; deten&#231;&#227;o (15,9%), os que viram ambos os pais ser detidos em simult&#226;neo ou num per&#237;odo de tempo relativamente curto (inferior a 6 meses) adquirem uma certa express&#227;o no seio da popula&#231;&#227;o em causa (4,1%). A deten&#231;&#227;o como causa da 1.<sup>a</sup> ruptura conhecida no grupo parental &#233; mais elevada quando veio a suceder em rela&#231;&#227;o ao pai (3,8%) do que &#224; m&#227;e (1,2%). Finalmente, para 13,8%, esta ruptura deveu-se a div&#243;rcio/separa&#231;&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Atendendo &#224; legisla&#231;&#227;o e natureza dos procedimentos judiciais em vigor, no que concerne &#224; averigua&#231;&#227;o das situa&#231;&#245;es de paternidade, o n&#250;mero de casos que permanecia sem registo de paternidade (2,3%) configura a exist&#234;ncia de teias de rela&#231;&#245;es sociais demasiado fr&#225;geis ou vol&#250;veis &#224; volta da m&#227;e. Relativamente &#224; natureza da rela&#231;&#227;o do grupo parental, quando do nascimento do jovem, existia uma preval&#234;ncia de rela&#231;&#245;es oficializadas sob a forma de casamento (56,6%), seguindo-se as uni&#245;es de facto (30,7%), enquanto 10,0% tinham nascido de rela&#231;&#245;es ocasionais.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Mais de metade dos jovens viveu esta quebra de relacionamento entre os pais at&#233; aos cinco anos de idade e 1/3 entre os seis e os nove anos. Estes valores diminuem &#224; medida que a idade aumenta, o que parece ir ao encontro de algumas correntes te&#243;ricas sobre o desvio e a delinqu&#234;ncia juvenis. Salientam-se, neste ponto particular, os autores situados numa linha de orienta&#231;&#227;o psicossociol&#243;gica que tendem a revelar como decisivas para o desenvolvimento de comportamentos desta natureza a exist&#234;ncia de fortes perdas e distor&#231;&#245;es, em termos da constru&#231;&#227;o das imagens parentais na primeira inf&#226;ncia, decorrentes de experi&#234;ncias traum&#225;ticas, geralmente intensas e profundas, ao n&#237;vel da pr&#243;pria qualidade do relacionamento e natureza da comunica&#231;&#227;o e interac&#231;&#227;o entre a crian&#231;a e os que, &#224; partida, se supunha lhe estariam mais pr&#243;ximos, os seus progenitores (Winnicot, 1977; Walgrave, 1992).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">No aprofundamento desta linha, &#233; importante sistematizar alguma da informa&#231;&#227;o oficial, no que diz respeito &#224; qualidade da rela&#231;&#227;o entre o jovem e o pai e a m&#227;e, considerando-a a partir de tr&#234;s modalidades que procuram sintetizar alguns dos dados obtidos.</font></p>          <p>&nbsp;</p>     <a href="/img/revistas/psi/v18n2/18n2a06q3.jpg">Quadro 3</a>         
<p>&nbsp;</p>              <p><font face="Verdana" size="2">&#192; volta de 56,0% n&#227;o tinha contacto com o pai, enquanto o mesmo tipo de situa&#231;&#227;o, em rela&#231;&#227;o &#224; figura da m&#227;e, est&#225; assinalado em 30,9%. Daqui ressalta, mais uma vez, a ideia n&#227;o s&#243; da aus&#234;ncia do pai no processo educativo, mas tamb&#233;m a exist&#234;ncia de uma rela&#231;&#227;o predominantemente conflitual quando est&#225; presente. Sabendo-se bem como nesse per&#237;odo a vida interior &#233; dependente da realidade externa, a qualidade do meio envolvente de cada um tender&#225; a facilitar ou a impedir uma constru&#231;&#227;o equilibrada da personalidade (Ferreira, 2002), estando este subuniverso marcado por traject&#243;rias onde se viveu aos cuidados de muitos e de ningu&#233;m, em especial (Strecht, 2001).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Indo um pouco mais longe no cruzamento entre o tipo de rela&#231;&#227;o entre pai e filho, verifica-se que a rejei&#231;&#227;o tende a partir mais do pai do que do filho. Em resposta, este assume uma atitude conflitual ou de indiferen&#231;a ou tamb&#233;m de rec&#237;proca rejei&#231;&#227;o. S&#227;o ainda relativamente expressivos os casos em que a indiferen&#231;a <i>(apenas aparente ou n&#227;o)</i> &#233; o principal sinal manifestado por uns e outros.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">J&#225; no que concerne ao relacionamento entre a m&#227;e e o jovem e o jovem e a m&#227;e, a situa&#231;&#227;o &#233;, a um primeiro olhar, um pouco mais satisfat&#243;ria, sendo que, para pouco mais de um quarto do total, &#233; apontada a exist&#234;ncia de uma rela&#231;&#227;o positiva. A conflitualidade, mais do que a rejei&#231;&#227;o, tende a surgir com maior incid&#234;ncia por parte dos jovens do que pela m&#227;e; no entanto, a esta linha de orienta&#231;&#227;o n&#227;o ser&#225; indiferente o facto de ela estar representada com maior incid&#234;ncia nos casos de rejei&#231;&#227;o para com o filho.Tamb&#233;m nas rela&#231;&#245;es em que a indiferen&#231;a &#233; a marca dominante, tende a ser a m&#227;e a manifestar mais este tipo de atitude, sendo relativamente baixos os valores reportados &#224;s situa&#231;&#245;es em que o filho, mesmo quando rejeitado ou em conflito, se revela <i>(aparentemente(?))</i> indiferente face &#224; m&#227;e.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Da leitura destes dados transparece a ideia de como a presen&#231;a f&#237;sica em si mesma est&#225; longe de ser suficiente, nem sempre correspondendo &#224; adequada presen&#231;a emocional, decisiva para um equilibrado desenvolvimento psicossocial. Em suma, o tra&#231;ar deste quadro de fundo reflecte, como defendia Teresa Ferreira (2002), a crescente necessidade de tomada de consci&#234;ncia de um &#8220;decl&#237;nio de afectos&#8221; que, caracterizando as sociedades modernas, adquire neste estudo uma particular (e <i>dram&#225;tica)</i> visibilidade.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Neste campo, e considerando outros familiares que s&#227;o apontados nos relat&#243;rios, destacam-se, de forma positiva, os relacionamentos com as av&#243;s e, numa segunda linha, com os av&#244;s e os irm&#227;os e, de forma negativa, as figuras substitutivas de um dos progenitores - padrasto/companheiro da m&#227;e ou madrasta/companheira do pai -, muito especialmente a figura substitutiva do pai junto das raparigas.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Passando &#224; abordagem da informa&#231;&#227;o recolhida sobre a viol&#234;ncia dom&#233;stica e vitima&#231;&#227;o, perto de 2/3 destes jovens est&#225; claramente identificado como v&#237;tima regular de maus tratos na fam&#237;lia e 3/4 foi v&#237;tima de neglig&#234;ncias diversas por parte de diversos familiares. A associa&#231;&#227;o entre maus tratos/abusos f&#237;sicos e psicol&#243;gicos &#233; de longe a mais referenciada (47,5%), seguindo-se a sobreposi&#231;&#227;o entre maus tratos/abusos f&#237;sicos, psicol&#243;gicos e sexuais. As descri&#231;&#245;es dos factos assinalam quase sempre a exist&#234;ncia de padr&#245;es de comportamento de extrema viol&#234;ncia, seja qual for o tipo de mau trato mencionado. H&#225; ainda o registo, em v&#225;rios grupos dom&#233;sticos, de frequentes internamentos hospitalares da&#237; decorrentes e, em cinco, de homic&#237;dio conjugal que culminou na morte da mulher.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Na identifica&#231;&#227;o dos agentes e v&#237;timas mais directamente envolvidos nesta problem&#225;tica, os valores mais expressivos destacam o pai como agressor, quer para a mulher e filhos (19,5% da popula&#231;&#227;o), exclusivamente para os filhos (6,4%), ou somente contra a m&#227;e (6,2%). Com n&#250;meros mais reduzidos surgem os casos em que &#233; a m&#227;e que atinge os filhos (5,0%). Para al&#233;m dos pais, outros familiares est&#227;o tamb&#233;m referenciados, sobretudo figuras masculinas (tios, av&#244;, primos, cunhados), existindo uma especial incid&#234;ncia para o padrasto, nos casos das raparigas. De igual modo, existe um n&#250;mero de refer&#234;ncias a indiv&#237;duos ligados ocasionalmente ao pai ou m&#227;e, a maior parte associado &#224; prostitui&#231;&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Numa mesma linha, realca-se os 3,8% de jovens que passaram &#224; condi&#231;&#227;o de agressores no quadro familiar. Uma particularidade &#233;-lhes comum: em todos os grupos dom&#233;sticos de origem est&#227;o assinalados, ao mesmo tempo, outros agressores e outras v&#237;timas. A viol&#234;ncia exercida pelos mais novos, e em que a m&#227;e &#233; o principal alvo, n&#227;o &#233; manifestada de forma isolada ou meramente pontual, surgindo como a face mais vis&#237;vel de uma complexa teia de rela&#231;&#245;es, na qual dificilmente se percepcionam os pap&#233;is desempenhados por cada um.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Por g&#233;nero, as raparigas (58,3%) est&#227;o mais representadas como v&#237;timas do que os rapazes (38,3%), evidenciando-se mais esta orienta&#231;&#227;o no campo dos abusos sexuais. A&#237;, metade delas est&#225; referenciada, enquanto que os rapazes se ficam pelos 12,4%, embora se tenha a consci&#234;ncia que estes n&#250;meros poder&#227;o n&#227;o revelar toda esta realidade.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#201; neste contexto que se salienta uma conflitualidade que se gera no seio das rela&#231;&#245;es familiares, estendendo-se &#224;s pr&#243;prias rela&#231;&#245;es inter-geracionais. Nestes quadros sociais revela-se significativa a aus&#234;ncia de modelos familiares est&#225;veis de refer&#234;ncia, em rela&#231;&#227;o aos quais as constantes rupturas e altera&#231;&#245;es sinalizadas v&#234;m a marcar a natureza e dimens&#227;o da interac&#231;&#227;o afectiva. Emerge um conjunto de dados que aponta para fortes perturba&#231;&#245;es nos processos de vincula&#231;&#227;o da crian&#231;a &#224;(s) pessoa(s) que dela cuidara(m) nos primeiros anos de vida, elementos estes considerados pelos mais diversos autores como decisivos para a constru&#231;&#227;o e desenvolvimento equilibrados da personalidade da crian&#231;a e jovem (Muchielli, 1979; Chaillou, 1995).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os presentes resultados sugerem a incapacidade, consciente ou n&#227;o, por parte dos adultos, supostamente mais respons&#225;veis pelas crian&#231;as, de exercerem de modo minimamente consistente e coerente a supervis&#227;o educativa que, por direito e dever, lhes &#233; cometida.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Levanta-se, na an&#225;lise deste ponto, um conjunto de profundas interroga&#231;&#245;es, que n&#227;o encontram resposta nesta pesquisa, mas que se prendem com a natureza da efectiva aplica&#231;&#227;o dos direitos da crian&#231;a, consagrados nacional e internacionalmente, quando os pais, por motivos de diversa ordem, se revelam incapazes ou se demitem voluntariamente do seu papel. Como efectivar a aplica&#231;&#227;o real de direitos dos mais novos se n&#227;o se encontravam previstos, &#224; data da realiza&#231;&#227;o deste trabalho, mecanismos de educa&#231;&#227;o, apoio e maior responsabiliza&#231;&#227;o parental (Vidal, 1998)?</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">No fundo, n&#227;o se poder&#225; restringir esta quest&#227;o apenas ao patamar de uma necess&#225;ria responsabiliza&#231;&#227;o parental, que se acredita ser de grande complexidade e de contornos dif&#237;ceis de precisar, at&#233; mesmo de concretizar, em termos pr&#225;ticos. Pela dimens&#227;o e natureza da informa&#231;&#227;o recolhida, defende-se que se estar&#225; perante uma situa&#231;&#227;o mais alargada de desresponsabiliza&#231;&#227;o social por parte da comunidade que muito facilmente parece tender a deixar cair para al&#233;m das suas margens aqueles que maiores dificuldades de integra&#231;&#227;o nela enfrentam.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Sabendo-se como a falta de modelos de identifica&#231;&#227;o familiar capazes de potenciar um desenvolvimento psicossocial equilibrado &#8220;encaminha os jovens para uma &#8216;autonomia&#8217; precoce que disfar&#231;a a rejei&#231;&#227;o precoce&#8221; (Matos, 199: 25), a fraca e distorcida qualidade dos la&#231;os familiares entre pais e filhos, traduzida na inexist&#234;ncia de rela&#231;&#245;es pr&#243;ximas e intensas, parece tender a criar condi&#231;&#245;es que colocam o jovem numa situa&#231;&#227;o de maior vulnerabilidade perante as influ&#234;ncias desviantes do meio. Potencialmente, a fam&#237;lia ter&#225; mesmo deixado de se assumir como fonte de motiva&#231;&#245;es para este se conformar &#224;s normas e regras sociais (Moura Ferreira, 1997).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Destacar-se-&#225;, assim, a sobreposi&#231;&#227;o de condi&#231;&#245;es negativas que acentuam a necessidade de uma interven&#231;&#227;o precoce centrada em diferentes &#225;reas de apoio social cuja capacidade de resposta, perante os dados dispon&#237;veis, parece n&#227;o ter existido ou ter sido escassa, acabando por se refor&#231;ar muito negativamente o quadro social, j&#225; por si demasiado negro, onde estes jovens se <i>(des)integravam.</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Da leitura da informa&#231;&#227;o recolhida parece configurar-se uma certa dicotomia entre os pap&#233;is desempenhados por m&#227;e e por pai, emergindo, sobretudo, uma imagem de desresponsabiliza&#231;&#227;o parental mais fortemente ligada &#224; figura masculina. A caracteriza&#231;&#227;o do grupo parental aponta para a exist&#234;ncia de uma diferencia&#231;&#227;o de estatuto e pap&#233;is associados aos diferentes sexos, sendo muito pertinente a constante aus&#234;ncia de informa&#231;&#227;o relativamente ao pai decorrente da sua aus&#234;ncia do agregado familiar ou, mesmo quando presente, por desconhecimento sobre o seu modo de vida. A m&#227;e tende a situar-se em idades mais novas, a possuir um n&#237;vel de instru&#231;&#227;o mais baixo e a estar mais representada nos n&#227;o activos e nas situa&#231;&#245;es de activos em condi&#231;&#245;es mais prec&#225;rias do que o pai. As profiss&#245;es referenciadas mais expressivamente a um e a outro remetem para uma n&#227;o especializa&#231;&#227;o com uma forte vertente de trabalho manual em situa&#231;&#245;es de grande precariedade econ&#243;mica e social. &#201; elevado o n&#250;mero de pais (8,1%) e de m&#227;es (5,1%) que se encontravam detidos, em cumprimento de pena de pris&#227;o preventiva ou efectiva.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A esmagadora maioria destes jovens n&#227;o s&#243; tem irm&#227;os (93,0%) como ainda residia com algum (78,5%). Analisando a natureza das rela&#231;&#245;es no seio da fratria considerando exclusivamente os irm&#227;os conhecidos, destaca-se o facto de ser, fundamentalmente, constitu&#237;da por filhos do mesmo casal (63,0%). Seguem-se as que englobam filhos de outras uni&#245;es da m&#227;e (19,6%), por parte do pai (8,1%) e as que acabam por reunir outros filhos de outras rela&#231;&#245;es do pai e da m&#227;e (7,5%), desconhecendo-se a natureza das restantes (1,8%). No que concerne &#224; sua coloca&#231;&#227;o na fratria, para al&#233;m do reduzido n&#250;mero de filhos &#250;nicos (4,8%), o seguinte valor mais baixo refere-se aos mais velhos; com uma elevada express&#227;o est&#227;o os que se situam em posi&#231;&#227;o intercalar ou de mais novo.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Poder-se-iam aqui real&#231;ar as poss&#237;veis maiores dificuldades no exerc&#237;cio de uma mais eficaz supervis&#227;o parental, &#224; medida que a idade dos filhos &#233; menor e mais elevada a dos pais. No entanto, este argumento parece cair por terra quando se vem a perceber que tal &#233; extensivo aos restantes elementos da fratria, independentemente da sua idade, dada a exist&#234;ncia de um elevado n&#250;mero de jovens que tem, ou teve muito recentemente, um ou mais irm&#227;os em situa&#231;&#227;o id&#234;ntica de coloca&#231;&#227;o institucional em col&#233;gio do Instituto de Reinser&#231;&#227;o Social (27,9%), passando-se o mesmo em rela&#231;&#227;o a 25,4% quando se considera este tipo de coloca&#231;&#227;o no sistema da Seguran&#231;a Social. H&#225; um significativo n&#250;mero de casos em que estas duas situa&#231;&#245;es s&#227;o cumulativas, ligeiramente mais representadas nos indiv&#237;duos do sexo feminino do que nos do masculino.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Acaba por ficar bem claro que a quest&#227;o do exerc&#237;cio da supervis&#227;o parental vai para al&#233;m do jovem mais directamente envolvido neste estudo, estendendo-se a pr&#225;tica de entrada em institui&#231;&#227;o a grande parte das fratrias consideradas, existindo um elevado n&#250;mero de fam&#237;lias em rela&#231;&#227;o &#224;s quais se centra a ac&#231;&#227;o directa de ambos os sistemas. Se isso corresponde a uma necessidade efectiva ou se, ao inv&#233;s, real&#231;a uma interven&#231;&#227;o, fortemente enraizada em Portugal, de promo&#231;&#227;o quase exclusiva de institucionaliza&#231;&#227;o, em detrimento de uma interven&#231;&#227;o preventiva precoce centrada na pr&#243;pria fam&#237;lia, &#233; algo que fica por responder.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Problem&#225;ticas sinalizadas no grupo dom&#233;stico</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Num patamar diferenciado de an&#225;lise, atendeu-se &#224; exist&#234;ncia de problem&#225;ticas sociais identificadas oficialmente no seio dos grupos domesticos. Realce para os 73,5% associados a pobreza; seguem-se elevadas percentagens de casos de alcoolismo (71,2%) e de viol&#234;ncia dom&#233;stica (52,8%). De entre outras apresentadas, distinguem-se, em particular, dois grupos. Um primeiro envolve as designadas condutas desviantes sem pr&#225;tica de crime (mendicidade e prostitui&#231;&#227;o) e a toxicodepend&#234;ncia, atingindo valores na ordem dos 47,2% e 39,4%, respectivamente. O segundo abrange pr&#225;ticas criminais recenseadas no sistema prisional por parte de membros do grupo dom&#233;stico, seja no passado (27,2%), seja &#224; data da entrada em col&#233;gio do jovem (18,6%). Neste &#250;ltimo, destacam-se, sobretudo, os pais detidos, a maioria associada ao tr&#225;fico ou consumo de droga.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Apenas em 6,4% da popula&#231;&#227;o n&#227;o se encontra assinalada qualquer uma destas problem&#225;ticas, havendo, pelo menos, a refer&#234;ncia a uma nos restantes 93,6% que destacam poss&#237;veis agrega&#231;&#245;es entre um conjunto de factores de risco social. Tal coloca os actores sociais directamente atingidos em situa&#231;&#245;es de maior vulnerabilidade e, at&#233; mesmo, marginalidade, que tender&#225; a ser refor&#231;ada na aus&#234;ncia de uma interven&#231;&#227;o social que n&#227;o tenha como ponto de partida uma vis&#227;o integrada e coerente do todo.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Conclus&#227;o</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A informa&#231;&#227;o sobre a incid&#234;ncia e natureza das condutas desviantes e delinquentes n&#227;o pode ser considerada isoladamente no mero conhecimento dos actos cometidos, tendo de ser analisada sob os pontos de vista sociocultural e econ&#243;mico do meio onde se produzem. Recordando que este artigo se limita &#224; apresenta&#231;&#227;o de uma parte dos resultados da an&#225;lise univariada relativa ao contexto familiar de uma investiga&#231;&#227;o mais vasta, importa reter que a informa&#231;&#227;o obtida remete para processos de objectiva-&#231;&#227;o da actividade humana desenvolvidos por agentes de mecanismos de controlo formal, &#224; luz de quadros jur&#237;dicos espec&#237;ficos reportados a um tempo e espa&#231;o determinados, n&#227;o sendo poss&#237;vel a sua directa transposi&#231;&#227;o para outro contexto que n&#227;o exclusivamente o aqui considerado.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Este trabalho centrado no discurso constru&#237;do por determinados actores sociais patente nos documentos oficiais consultados em dossier tutelar, n&#227;o tem em linha de conta o que os pr&#243;prios sujeitos envolvidos teriam para dar a conhecer acerca dessa leitura e de si, numa perspectiva que assentaria na constru&#231;&#227;o prov&#225;vel de um outro discurso (Luckam e Berger, 1973), imprescind&#237;vel para um melhor conhecimento sobre esta realidade.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Dos condicionamentos decorrentes do acesso ao pr&#243;prio objecto de estudo e da natureza e dimens&#227;o desta pesquisa<a href="#17"><sup>17</sup></a><a name="top17"></a>, o conjunto de op&#231;&#245;es metodol&#243;gicas reflecte um determinado olhar tra&#231;ado &#224; luz de objectivos espec&#237;ficos que potenciam uma certa perspectiva em detrimento de outras. Na base desta linha de orienta&#231;&#227;o, salienta-se a pertin&#234;ncia de trazer para discuss&#227;o os principais contornos de uma vis&#227;o constru&#237;da sobre a realidade social, vis&#227;o esta que fora determinante na aplica&#231;&#227;o da Lei por parte dos Tribunais, centrada numa aparente factualidade que n&#227;o era objecto de maior discuss&#227;o, ou at&#233;, sequer, de necessidade de qualquer prova.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Como sugere Cusson (1989), a prop&#243;sito do funcionamento das inst&#226;ncias judiciais um pouco por todo o mundo, quanto mais uma crian&#231;a ou jovem provir de um meio familiar e social desfavorecido, mais elevadas ser&#227;o as suas probabilidades de ser colocado perante as inst&#226;ncias judiciais, radicando o cerne desta quest&#227;o, ainda segundo esse autor, na natureza e efic&#225;cia dos mecanismos de controlo informal, designadamente, a fam&#237;lia. A esta acresce o olhar selectivo e segregador que, &#224; partida, tende a condicionar a ac&#231;&#227;o dos mecanismos de controlo formal (Le Blanc, 1977). Na coloca&#231;&#227;o em jogo de certos &#8220;factos&#8221; originados a partir de uma situa&#231;&#227;o de den&#250;ncia, esta realidade, constru&#237;da como parte de uma realidade mais vasta, revela um outro sentido do <i>real,</i> na plena medida em que o tribunal age sobre ela determinando a sua evolu&#231;&#227;o. Servindo de &#237;ndice mais ou menos duradouro de processos que partem de um grau de intersubjectividade dos seus produtores, permitindo que se estendam para al&#233;m da situa&#231;&#227;o face a face em que dever&#227;o ter sido directamente apreendidos, como se de retratos ordenados se tratassem, os documentos oficiais evidenciam a tentativa de estrutura&#231;&#227;o espacial e temporal da vida dos jovens que foi tornada acess&#237;vel para este efeito (Luckmann e Berger, 1973).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Nesta ordem de ideias, teve-se oportunidade de verificar, ao longo da investiga&#231;&#227;o, como os percursos de vida individuais s&#243; far&#227;o sentido mais completo quando lidos numa perspectiva que integre as condi&#231;&#245;es estruturais que constrangem e condicionam a ac&#231;&#227;o individual, constituindo o pano de fundo sobre o qual cada indiv&#237;duo continuamente exprime, sofre, interpreta e refaz a sua interac&#231;&#227;o com os outros.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Dificilmente se poder&#225; ignorar, &#224; luz da express&#227;o de muitos dos resultados obtidos, a forma como um conjunto de vari&#225;veis, individuais e sociais, parece destacar-se na associa&#231;&#227;o a comportamentos e actos desta natureza, evidenciando-se uma interac&#231;&#227;o social de contornos negativos e onde a qualidade das rela&#231;&#245;es na fam&#237;lia emerge como um dos aspectos centrais, acentuando uma vulnerabilidade social j&#225; de si atravessada por deficientes condi&#231;&#245;es socioecon&#243;micas e habitacionais.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Ao privilegiar-se a identifica&#231;&#227;o da plasticidade e variabilidade dos sistemas familiares, os espa&#231;os de socializa&#231;&#227;o familiar destes jovens revelam-se oficialmente sinalizados pela exist&#234;ncia de rela&#231;&#245;es de natureza conflitual e pela necessidade da sua adapta&#231;&#227;o permanente a grupo dom&#233;stico caracterizado pela priva&#231;&#227;o afectiva, quebras de la&#231;os familiares e aus&#234;ncia (f&#237;sica e/ou emocional) das figuras parentais, sobretudo por parte do pai.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Dos riscos intr&#237;nsecos a estes processos identificados por diversos autores - fam&#237;lias numerosas, supervis&#227;o parental insuficiente ou inadequada; aus&#234;ncia de um ou dos dois progenitores do processo educativo, envolvimento da fam&#237;lia em pr&#225;ticas criminais, distor&#231;&#227;o nas rela&#231;&#245;es intrafamiliares (Farrington, 2001; Kumpfer e Alvarado, 2003) -, n&#227;o se detectou em contraposi&#231;&#227;o uma efectiva ac&#231;&#227;o de outros mecanismos de controlo informal, designadamente, em termos de poss&#237;veis redes de vizinhan&#231;a que pudessem ter vindo a constituir-se como refer&#234;ncia adequada para estes jovens. Os quadros identificados apontam, em muitos dos casos, para percursos de inf&#226;ncia, por vezes reportados at&#233; ao per&#237;odo anterior da gravidez ou &#224; sua fase imediata, caracterizados por sucessivas rupturas e quebras n&#227;o apenas nos la&#231;os familiares, mas tamb&#233;m a outros de natureza social.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Tende a emergir uma diversidade de factores adversos no seio do n&#250;cleo familiar, que r&#225;pida e frequentemente se desfaz, mas dificilmente se (re)comp&#245;e, numa multiplicidade de formas em que a instabilidade, a viol&#234;ncia recorrente e a aus&#234;ncia de figuras permanentes de refer&#234;ncia transparecem como imagem de marca, apontando para que este n&#250;cleo tenha deixado de funcionar como efectivo e, mais que necess&#225;rio, equilibrado suporte afectivo.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Em fun&#231;&#227;o de influ&#234;ncias sociais que jovens e fam&#237;lias sofrem atrav&#233;s de interac&#231;&#245;es rec&#237;procas em planos similares, e a cujas conting&#234;ncias reagem das formas poss&#237;veis, a viol&#234;ncia poder&#225; ter sido a mais forte ou, at&#233; mesmo, a &#250;nica forma de comunica&#231;&#227;o a&#237; existente. O peso destrutivo do abandono (f&#237;sico e/ou emocional), dos maus tratos, da neglig&#234;ncia, da solid&#227;o, aqui traduzida de maneira intensa em modos de vida assentes numa <i>falsa (e desesperada) autonomia</i> em percursos em que muito cedo estes jovens se viram entregues a si pr&#243;prios, contrasta com a necessidade de satisfa&#231;&#227;o de necessidades psicossociais b&#225;sicas fundamentais &#224; sua futura evolu&#231;&#227;o e &#224; constru&#231;&#227;o da sua identidade social. S&#227;o situa&#231;&#245;es que se revelam nos seus contornos mais graves, na exist&#234;ncia de cerca de 17% da popula&#231;&#227;o que, &#224; entrada em col&#233;gio, j&#225; n&#227;o residia com qualquer familiar; com realce para os 8,2% identificados em viv&#234;ncias nas margens da sociedade, sozinhos ou em grupos de pares, em condi&#231;&#245;es muito pouco claras. A profundidade com que esta quest&#227;o se revela aponta, neste estudo, para que o deficiente, ou at&#233; mesmo inexistente, grau de monitoriza&#231;&#227;o ou supervis&#227;o parental se destaque como factor de risco preponderante em todo este processo. Tal deriva de altera&#231;&#245;es no grupo parental em que mais do que o div&#243;rcio/separa&#231;&#227;o &#233; o abandono de um dos progenitores (ou de ambos) que constitui o principal motivo deste tipo de ruptura. Segue-se um elevado n&#250;mero de casos em que, especialmente, o pai faleceu em idade relativamente nova. Trata-se de um cont&#237;nuo de intensas perdas relativamente a quem se esperaria pudesse estar mais pr&#243;ximo: os pr&#243;prios pais.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Mais do que encontrar respostas, este trabalho obriga ao levantamento de quest&#245;es sobre as din&#226;micas e mudan&#231;as sociais em Portugal, na certeza, por&#233;m, de que o universo aqui retratado, reportado a um modelo de interven&#231;&#227;o jurisdicional que deu lugar a outro diferenciado, constituir&#225; apenas a face mais vis&#237;vel, porque mais desfavorecida e j&#225; recenseada oficialmente, da problem&#225;tica da delinqu&#234;ncia juvenil em Portugal, no per&#237;odo estudado.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Da necessidade de efectiva&#231;&#227;o de uma interven&#231;&#227;o precoce integrada, focalizada na fam&#237;lia que estes dados deixam transparecer, tem sido privilegiadas ac&#231;&#245;es de remedia&#231;&#227;o, como a que &#233; levada a cabo no sistema de justi&#231;a tutelar de menores, em idades muito mais tardias e quando os problemas assumem uma outra visibilidade e contornos de maior gravidade. A identifica&#231;&#227;o da fam&#237;lia como n&#250;cleo central das pol&#237;ticas de ac&#231;&#227;o social ter&#225; de atender a necessidades de diversa ordem, para a qual a responsabiliza&#231;&#227;o parental s&#243; poder&#225; fazer sentido se associada &#224;s &#225;reas da educa&#231;&#227;o e apoio parental, forma&#231;&#227;o em compet&#234;ncias parentais e familiares, terapia e media&#231;&#227;o familiar, em programas de longa dura&#231;&#227;o (Kumpfer e Alvarado, 2003), sem os quais dificilmente as situa&#231;&#245;es aqui retratadas de abandono e neglig&#234;ncias deixar&#227;o de existir.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Da identifica&#231;&#227;o de factores de risco referenciados em v&#225;rios estudos (Farrington, 2001), alguns dos quais tamb&#233;m aqui sinalizados, torna-se necess&#225;rio passar para um modelo de preven&#231;&#227;o comunit&#225;ria que combine medidas de ac&#231;&#227;o social com outras de &#226;mbito situacional, fortalecendo a fam&#237;lia como unidade em si mesma. Mais do que a mera actua&#231;&#227;o oficial com vista &#224; diminui&#231;&#227;o dos factores de risco, dever&#225; ser proporcionado o desenvolvimento dos mecanismos familiares de resili&#234;ncia e protec&#231;&#227;o, designadamente, ao n&#237;vel das rela&#231;&#245;es entre pais e filhos, da monitoriza&#231;&#227;o e supervis&#227;o parental e do refor&#231;o da educa&#231;&#227;o da pr&#243;pria fam&#237;lia.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Porque os n&#250;meros apresentados n&#227;o s&#227;o n&#250;meros em abstracto, reportam-se a momentos e acontecimentos espec&#237;ficos na vida destes jovens, aguarda-se apenas que n&#227;o se fique &#224; espera da pr&#225;tica de um acto il&#237;cito, agora fundamental e decisiva para a coloca&#231;&#227;o em centro educativo, para que determinados mecanismos sociais venham a ser accionados junto da fam&#237;lia e n&#227;o exclusivamente junto do jovem, ignorando-se todos os sinais anteriores, como ter&#225; acontecido em grande parte da popula&#231;&#227;o que foi objecto deste estudo.</font></p>          <p>&nbsp;</p>         <p><font face="Verdana" size="2"><b>Refer&#234;ncias</b></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Agra, C., &#38; Matos, A. (1997). <i>Traject&#243;rias desviantes</i> (Colec&#231;&#227;o Droga-Crime: Estudos Interdisciplinares, vol. 11). Lisboa: Gabinete de Planeamento e Coordena&#231;&#227;o do Combate &#224; Droga, Minist&#233;rio da Justi&#231;a.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476762&pid=S0874-2049200400020000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Almeida, A., Andr&#233;, I., &#38; Almeida, H. (1998). Rela&#231;&#245;es familiares: Mudan&#231;a e diversidade. In A. Costa &#38; J. Viegas (Eds.), <i>Portugal, que modernidade? </i>(pp. 45-76). Oeiras: Celta Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476764&pid=S0874-2049200400020000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Almeida, A. (2000). A sociologia e a descoberta da inf&#226;ncia: Contextos e saberes, <i>Forum Sociol&#243;gico,</i> 3-4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476766&pid=S0874-2049200400020000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Becker, H. (1963). <i>Outsiders.</i> New York: Free Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476768&pid=S0874-2049200400020000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Berger, P. L., &#38; Luckmann, T. (1973). <i>A Constru&#231;&#227;o Social da Realidade.</i> S&#227;o Paulo. Editora Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476770&pid=S0874-2049200400020000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Binder, A., Geis, G., &#38; Dickson, D. (2001). <i>Juvenile delinquency.</i> Ohio: Anderson Publishing Co.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476772&pid=S0874-2049200400020000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Boudon, R. (1979). <i>La logique du social.</i> Paris: Hachette.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476774&pid=S0874-2049200400020000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Bourdieu, P. (1979). <i>La distinction. Une critique sociale du jugement.</i> Paris: Les &#201;ditions de Minuit.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476776&pid=S0874-2049200400020000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Burgui&#233;re, A. (1996). &#8220;Pour une typologie des formes d&#8217;organisation domestique de l&#8217;Europe moderne (XVIe-XIX si&#232;cles)&#8221;, <i>Annales,</i> 3,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476778&pid=S0874-2049200400020000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ??- ??.</font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Cario, R. (1999). <i>Jeunes d&#233;linquants. A la recherche de la socialization perdue.</i> Paris: L&#8217;Harmattan.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476780&pid=S0874-2049200400020000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Carvalho, M. J. (2003). <i>Entre as malhas do desvio. Jovens, espa&#231;os, traject&#243;rias e delinqu&#234;ncias.</i> Oeiras: Celta Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476782&pid=S0874-2049200400020000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Catalano, R., &#38; Hawkins, D. (1996). <i>Delinquency and Crime. Current Theories.</i> Nova Iorque. Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476784&pid=S0874-2049200400020000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Castro, J. (1997). Socializa&#231;&#227;o das Crian&#231;as de Rua e L&#243;gicas de Interven&#231;&#227;o das Redes de Suporte Social. <i>Cadernos do CEJ, 19.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476786&pid=S0874-2049200400020000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></i></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Chaillou, Philippe (1995). <i>Violence des jeunes, l&#8217;autorit&#233; parental en question.</i> Paris: Gallimard.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476788&pid=S0874-2049200400020000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Cohen, A. (1971). <i>La d&#233;viance.</i> Gemblaux: &#201;ditions J. Duculot, SA.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476790&pid=S0874-2049200400020000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Cusson, M. (1989). <i>D&#233;linquants pourquoi?.</i> Quebeque: Biblioth&#232;que Nationale du Qu&#233;bec.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476792&pid=S0874-2049200400020000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Cusson, M. (1998). <i>Criminologie actuelle.</i> Paris: Presses Universitaires de France.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476794&pid=S0874-2049200400020000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Dias e Andrade (1984). <i>Criminologia, o homem delinquente e a sociedade crimin&#243;gena.</i> Coimbra Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476795&pid=S0874-2049200400020000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Epif&#226;nio, R., &#38; Farinha, A. (1997). <i>Organiza&#231;&#227;o tutelar de menores: Contributo para uma vis&#227;o interdisciplinar do direito de menores e da fam&#237;lia</i> (vol I, 2<sup>a </sup>ed.). Coimbra: Almedina (reimpress&#227;o de Organiza&#231;&#227;o Tutelar de Menores, 1978).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476797&pid=S0874-2049200400020000600019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Farrington, D. (2001). Preven&#231;&#227;o centrada no risco, <i>Inf&#226;ncia e Juventude, 3,</i> 9-31.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476799&pid=S0874-2049200400020000600020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Ferreira, T. (2002). <i>Em defesa da crian&#231;a. Teoria e pr&#225;tica psicanal&#237;tica da inf&#226;ncia.</i> Lisboa: Ass&#237;rio e Alvim.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476800&pid=S0874-2049200400020000600021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Gers&#227;o, E. (1994). Menores agentes de infrac&#231;&#245;es: Interroga&#231;&#245;es acerca de velhas e novas respostas. <i>Revista Portuguesa de Ci&#234;ncia Criminal, 4</i> (2), 241-259.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476802&pid=S0874-2049200400020000600022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Hirschi, T. (1969). <i>Causes of delinquency.</i> Nova Jersey: Transaction Publishers.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476804&pid=S0874-2049200400020000600023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Kellerhals, J., Troutor, J. Y., &#38; Lazega, E. (1989). <i>Microssociologia da fam&#237;lia. </i>Mem Martins: Edi&#231;&#245;es Europa Am&#233;rica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476806&pid=S0874-2049200400020000600024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Kumpfer, K., &#38; Alvarado, R. (2003). Interven&#231;&#245;es eficazes de refor&#231;o da fam&#237;lia. <i>Inf&#226;ncia e Juventude, 2,</i> 89-136.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476808&pid=S0874-2049200400020000600025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Laslett, P., &#38; Wall, R. (Eds) (1978). <i>Household and family in past time.</i> Londres: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476810&pid=S0874-2049200400020000600026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">LeBlanc, M. (1977). La d&#233;linquance &#224; l&#8217;adolescence. La d&#233;linquance cach&#233;e &#224; la d&#233;linquance apparente. <i>Annales de Vaucresson, 14,</i> 15-50.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476812&pid=S0874-2049200400020000600027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Louren&#231;o, N., &#38; Carvalho, M. J. (2001), Viol&#234;ncia dom&#233;stica: Conceito e &#226;mbito. Tipos e espa&#231;os. <i>Themis, II</i> (3), 95-121.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476814&pid=S0874-2049200400020000600028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Machado Pais, J. (1996). <i>Culturas juvenis.</i> Lisboa: Imprensa Nacional.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476816&pid=S0874-2049200400020000600029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Matos, M. (1996). Adolescer e delinquir. <i>An&#225;lise Psicol&#243;gica, 1</i> (XIV), 23-29.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476818&pid=S0874-2049200400020000600030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Merton, R. (1970). <i>Sociologia, teoria e estrutura.</i> S&#227;o Paulo: Editora Mestre Jou.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476820&pid=S0874-2049200400020000600034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref -->    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476821&pid=S0874-2049200400020000600033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref -->    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476822&pid=S0874-2049200400020000600032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref -->    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476823&pid=S0874-2049200400020000600031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Minist&#233;rio da Justi&#231;a (1978). <i>Organiza&#231;&#227;o tutelar de menores</i>, Decreto-Lei n&#176;314/78, de 27 de Outubro.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Minist&#233;rio da Justi&#231;a (1999). <i>Lei tutelar educativa</i>, Decreto-Lei n&#176;166/99, de 14 de Setembro</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Minist&#233;rio do Trabalho e Solidariedade Social (1999). <i>Lei de protec&#231;&#227;o de crian&#231;as e jovens em perigo</i>, Decreto-Lei n&#176;147/99, de 1 de Setembro.</font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Moura Ferreira, P., Garcia, L., &#38; Vala, J. (1993). Delinqu&#234;ncia e criminalidade recenseada dos jovens em Portugal (1980-1989). <i>Cadernos do Instituto de Ci&#234;ncias Sociais, 4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476828&pid=S0874-2049200400020000600035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></i></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Moura Ferreira, P. (1997). &#8216;Delinqu&#234;ncia juvenil&#8217;, fam&#237;lia e escola. <i>An&#225;lise Social, XXXII</i> (143), 913-924.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476830&pid=S0874-2049200400020000600036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Muchielli, R. (1979). <i>Comment ils deviennent delinquants.</i> Paris: Les &#201;ditions ESF.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476832&pid=S0874-2049200400020000600037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Queloz, N. (1994). Fen&#243;menos e dissocia&#231;&#227;o do la&#231;o social, comportamentos desviantes dos jovens e interven&#231;&#245;es sociais. <i>Inf&#226;ncia e Juventude, 4,</i> 9-32.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476834&pid=S0874-2049200400020000600038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Roch&#233;, S. (1998). Soci&#233;t&#233; complexe, modernit&#233; et insecurit&#233;. <i>R&#233;vue Internationale de Criminologie et de Police Technique et Scientifique, LI</i> (4), 387-394.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476836&pid=S0874-2049200400020000600039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Rodrigues, L. , Antunes, C., &#38; Mendes, Z. (1997). <i>Padr&#245;es de consumos e desv&#226;n-cia em menores sob tutela</i> (Colec&#231;&#227;o Droga-Crime: Estudos Interdisciplinares). Lisboa: Gabinete de Planeamento e Coordena&#231;&#227;o do Combate &#224; Droga, Minist&#233;rio da Justi&#231;a.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476838&pid=S0874-2049200400020000600040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Roussel, L. (1992). O futuro da fam&#237;lia. <i>Sociologia, Problemas e Pr&#225;ticas, 11,</i>165-179.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476840&pid=S0874-2049200400020000600041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Saraceno, C. (1992). <i>Sociologia da fam&#237;lia.</i> Lisboa: Editorial Estampa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476842&pid=S0874-2049200400020000600042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Sebasti&#227;o, J. (1995). Modos de vida marginais: O caso das crian&#231;as da rua de Lisboa. <i>Inf&#226;ncia e Juventude, 2,</i> 47-69.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476844&pid=S0874-2049200400020000600043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Selosse, J. (1995). <i>Adolescence, violences et d&#233;viances (1952-1995).</i>Paris: &#201;ditions Matrice.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476846&pid=S0874-2049200400020000600044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Selosse, J. (1976). As causas da delinqu&#234;ncia juvenil. <i>Inf&#226;ncia e Juventude,</i>3, 24-28.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476848&pid=S0874-2049200400020000600045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Sousa Santos, B. et <i>al.</i> (1998). <i>A justi&#231;a de menores. As crian&#231;as entre o risco e crime</i> (Relat&#243;rio do Observat&#243;rio Permanente da Justi&#231;a Portuguesa, vol. 4). Coimbra: Centro de Estudos Sociais da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476850&pid=S0874-2049200400020000600046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Strecht, P. (2001). <i>Interiores: Uma ajuda aos pais sobre a vida emocional dos filhos.</i> Lisboa: Ass&#237;rio e Alvim.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476852&pid=S0874-2049200400020000600047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Vala, J. (1985). Contribui&#231;&#245;es para uma an&#225;lise psicossocial da delinqu&#234;ncia. <i>Inf&#226;ncia e Juventude, 2,</i>53-65.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476854&pid=S0874-2049200400020000600048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Vidal, J (Ed..) (1998). O Direito de menores: Reforma ou revolu&#231;&#227;o. <i>Cadernos da Revista do Minist&#233;rio P&#250;blico</i>, <i>9</i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476856&pid=S0874-2049200400020000600049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Walgrave, L. (1992). <i>D&#233;linquance systematisee des jeunes et vulnerabilite societale</i> (Collection D&#233;viance et Soci&#233;t&#233;). Genebra: &#201;ditions M&#233;decine et Hygi&#232;ne.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476858&pid=S0874-2049200400020000600050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Winnicot, D. (1977). <i>Deprivation and delinquency.</i> Londres: Karnac Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=476860&pid=S0874-2049200400020000600051&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>              <p>&nbsp;</p>         <p><font face="Verdana" size="2"><b>Notas</b></font></p>              <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top2"><sup>2</sup></a><a name="2"></a>Este artigo tem origem numa disserta&#231;&#227;o de mestrado em Sociologia, especializa&#231;&#227;o em Sociologia do Crime e da Viol&#234;ncia, realizada sob a orienta&#231;&#227;o do Prof. Doutor Nelson Louren&#231;o, na Faculdade de Ci&#234;ncias Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. A investiga&#231;&#227;o em que assenta foi concretizada no &#226;mbito de um protocolo firmado entre o SociNova e o Instituto Portugu&#234;s da Droga e da Toxicodepend&#234;ncia, o qual apoiou financeiramente o projecto.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top3"><sup>3</sup></a><a name="3"></a>Sistema que n&#227;o tem natureza c&#237;vel relativamente a crian&#231;as ou jovens em risco social, nem natureza penal para menores de 16 anos; at&#233; esta idade s&#227;o considerados inimput&#225;-veis perante a lei penal, s&#243; podendo ser-lhes impostas medidas tutelares.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top4"><sup>4</sup></a><a name="4"></a>A interven&#231;&#227;o tutelar educativa est&#225; reservada a jovens que, entre os 12 e os 16 anos, tenham praticado facto qualificado pela lei como crime, colocando em causa os valores jur&#237;dicos essenciais &#224; vida social. A interven&#231;&#227;o tutelar de protec&#231;&#227;o desenvolve-se relativamente a casos em que se verifique a amea&#231;a dos direitos essenciais (c&#237;vicos, sociais, econ&#243;micos e culturais) da crian&#231;a, requerendo-se, deste modo, a actua&#231;&#227;o do Estado.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top5"><sup>5</sup></a><a name="5"></a>Actuais Centros Educativos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top6"><sup>6</sup></a><a name="6">No &#226;mbito da OTM, ao menor de 16 anos apenas podia ser considerada a <i>suspeita</i> da pr&#225;tica de um facto il&#237;cito. A lei n&#227;o previa a realiza&#231;&#227;o de julgamento em sede pr&#243;pria que asseguraria a consequente prova dos factos, n&#227;o estando salvaguardas quaisquer garantias processuais, ficando a an&#225;lise do caso sujeita a uma eventual discricionaridade por parte das entidades oficiais (Gers&#227;o, 2000).</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top7"><sup>7</sup></a><a name="7">As &#8220;formas familiares&#8221; s&#227;o aqui entendidas &#224; luz do defendido por Almeida <i>et al.</i> (1998, p. 50), isto &#233;, na considera&#231;&#227;o da &#8220;dimens&#227;o, e no tipo de fam&#237;lia e de agregado dom&#233;stico em que est&#227;o inseridos os indiv&#237;duos&#8221;.</font></p>              <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top8"><sup>8</sup></a><a name="8">A tipologia de Laslett (1972) compreendia seis grandes grupos: isolados; agregados n&#227;o conjugais, agregados familiares simples, agregados familiares alargados, agregados familiares multiconjugais e outras combina&#231;&#245;es.</font></p>              <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top9"><sup>9</sup></a><a name="9">Grupos onde o jovem vive com um ou mais familiares sem que haja a presen&#231;a de um n&#250;cleo conjugal (casal). S&#227;o os casos dos que viviam com irm&#227;o(s), com um av&#244; ou uma av&#243; (linha ascendente) ou com outro(s) familiar(es) em linha colateral, podendo at&#233; haver em simult&#226;neo a presen&#231;a das linhas familiares mencionadas.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top10"><sup>10</sup></a><a name="10">Incluem-se nesta categoria a fam&#237;lia monoparental (um dos progenitores + filhos); a fam&#237;lia nuclear (pai e m&#227;e + filhos); e a fam&#237;lia recomposta (um dos progenitores + substituto do outro - madrasta/padrasto/companheiro(a) + filhos).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top11"><sup>11</sup></a><a name="11">Partindo dos 3 tipos de grupos simples - monoparental, nuclear ou recomposta -, s&#227;o aqui designados aqueles que integram tamb&#233;m outros familiares, seja em linha ascendente, seja em linha colateral.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top12"><sup>12</sup></a><a name="12">Tendo presente a fam&#237;lia nuclear, estes grupos referem-se a arranjos multinucleares que podem compreender outro(s) casal(is) em linha ascendente e/ou colateral.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top13"><sup>13</sup></a><a name="13">N&#227;o est&#225; presente qualquer dos progenitores, sendo os restantes elementos do grupo dom&#233;stico familiares em linha ascendente e/ou colateral sob a forma de grupo nuclear (1 casal) ou multinuclear (mais do que 1 casal).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top14"><sup>14</sup></a><a name="14">Teve-se em linha de conta o motivo identificado nos relat&#243;rios como o da 1.a ruptura conhecida no grupo parental, conscientes que outras poder&#227;o ter ocorrido e n&#227;o ser do conhecimento oficial &#224; altura.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top15"><sup>15</sup></a><a name="15">Houve a necessidade de introduzir uma categoria relativa ao <i>abandono</i> que n&#227;o se sobrepusesse &#224; de <i>div&#243;rcio/separa&#231;&#227;o,</i> por esta dizer respeito aos casos de rela&#231;&#245;es de natureza conjugal (casamento, uni&#227;o de facto) em que tal foi identificado em momento anterior ao do abandono.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top16"><sup>16</sup></a><a name="16">Em 2,8% da popula&#231;&#227;o, ao falecimento do pai tem lugar o abandono quase de seguida por parte da m&#227;e. Na situa&#231;&#227;o inversa existem 2,5%. Existem 1,2% de casos em que &#224; deten&#231;&#227;o do pai se seguiu o abandono por parte da m&#227;e e 0,9% em que &#224; deten&#231;&#227;o da m&#227;e sucedeu o abandono do pai.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top17"><sup>17</sup></a><a name="17">No in&#237;cio da pesquisa estava prevista uma abordagem complementar, a concretizar junto dos jovens e das fam&#237;lias, orienta&#231;&#227;o que, por imperativos de ordem legal (impedimento de acesso &#224;s fam&#237;lias atrav&#233;s do dossier tutelar nos termos do parecer emitido pela Comiss&#227;o de Acesso a Documentos Administrativos, sediada na Assembleia da Rep&#250;blica) e a antecipa&#231;&#227;o da entrada em vigor da Lei Tutelar Educativa de 1 de Setembro para 1 de Janeiro de 2001, por Resolu&#231;&#227;o do Conselho de Ministros de Agosto de 2000, na sequ&#234;ncia de acontecimentos amplamente mediatizados sobre condutas delinquentes de jovens nesse Ver&#227;o, levaram a que se tivesse limitado o estudo &#224; identifica&#231;&#227;o dos percursos de vida dos jovens afectos, a n&#237;vel nacional, aos 14 col&#233;gios do Instituto de Rein-ser&#231;&#227;o Social. A n&#227;o exist&#234;ncia de um quadro de fundo sobre este sistema que reunisse um m&#237;nimo de indicadores estat&#237;sticos inviabilizou a constitui&#231;&#227;o de uma amostra representativa e refor&#231;ou a necessidade de tra&#231;ar o retrato sociogr&#225;fico aprofundado sobre esta popula&#231;&#227;o, na fase final de aplica&#231;&#227;o do modelo legal ent&#227;o vigente.</font></p>           ]]></body><back>
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