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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Influência de factores socioculturais e da dimensão independência-interdependência no foco da ansiedade social]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The objective of this review article is the highlighting of the importance and potential effect of socio-cultural variables and the independence-interdependence dimension on how social anxiety will manifest itself. To accomplish that goal, a review is presented of the symptoms commonly associated with maladaptive social anxiety as described in DSM-IV-TR and CID-10 (associated thus with western culture, especially contemporary European and North-American). In addition, an analysis of bibliographical accounts of such kinds of anxiety as experienced in other cultures (Asian cultures in particular, with special emphasis on Japanese culture), and a bibliographical review of the literature concerning this topic are presented. These form the basis for the discussion of the proposed topic, and for the raising of questions relevant to future investigation and clinical practice.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Ansiedade social]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="4"><b>Influ&#234;ncia de factores socioculturais e da dimens&#227;o independ&#234;ncia-interdepend&#234;ncia no foco da ansiedade social</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Influence of socio-cultural factors and the independence-interdependence dimension on the focus of Social Anxiety</b></font></p>              <p>&nbsp;</p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Jos&#233; Paulo Mota<sup>1</sup></b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><sup>1</sup>Licenciado e Mestre em Psicologia pela Faculdade de Psicologia e de Ci&#234;ncias da Educa&#231;&#227;o da Universidade do Porto. Membro do Centro de Desenvolvimento Vocacional e Forma&#231;&#227;o ao Longo da Vida (Centro de Psicologia da Universidade do Porto). Email: <a href="mailto:jpmota_05@yahoo.com">jpmota_05@yahoo.com</a>.</font></p>           <p>&nbsp;</p>     <hr size="1" noshade>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Neste artigo de revis&#227;o, procura-se salientar a import&#226;ncia e potencial efeito de determinantes  	socioculturais e da dimens&#227;o independ&#234;ncia-interdepend&#234;ncia na forma de manifesta&#231;&#227;o subjectiva da ansiedade social.  	Para cumprir esse objectivo, s&#227;o revistos os sintomas geralmente associados &#224; ansiedade social desadaptativa tal como descritos no  	DSM-IV-TR e no CID-10 (associados portanto &#224; cultura ocidental, particularmente europeia e norte-americana moderna), procura-se analisar  	relatos bibliogr&#225;ficos de viv&#234;ncias desse tipo de ansiedade em outras culturas (nomeadamente em culturas asi&#225;ticas, com especial  	&#234;nfase na cultura japonesa), e faz-se uma revis&#227;o bibliogr&#225;fica de literatura relativa a esta tem&#225;tica. Formam-se assim as  	bases para discuss&#227;o do t&#243;pico proposto, e para o levantamento de quest&#245;es relevantes para a investiga&#231;&#227;o futura e  	para a pr&#225;tica cl&#237;nica<sup>2</sup>.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-Chave</b>: Ansiedade social, <i>Taijin-kyofu-sho,</i> vari&#225;veis socioculturais, dimens&#227;o independ&#234;ncia-interdepend&#234;ncia, embara&#231;o, antropologia cultural.</font></p>      <hr size="1" noshade>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>              ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">The objective of this review article is the highlighting of the importance and potential effect of socio-cultural variables and the independence-interdependence dimension on how social anxiety will manifest itself. To accomplish that goal, a review is presented of the symptoms commonly associated with maladaptive social anxiety as described in DSM-IV-TR and CID-10 (associated thus with western culture, especially contemporary European and North-American). In addition, an analysis of bibliographical accounts of such kinds of anxiety as experienced in other cultures (Asian cultures in particular, with special emphasis on Japanese culture), and a bibliographical review of the literature concerning this topic are presented. These form the basis for the discussion of the proposed topic, and for the raising of questions relevant to future investigation and clinical practice.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Keywords</b>: Social anxiety, Taijin-kyofu-sho, socio-cultural variables, independence-interdependence dimension, embarassment, cultural anthropology.</font></p>      <hr size="1" noshade>         <p>&nbsp;</p>              <p><font face="Verdana" size="2"><b>1. A viv&#234;ncia da ansiedade social</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>1.1. A ansiedade social na cultura ocidental</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Apesar de j&#225; existirem refer&#234;ncias m&#233;dicas relativas &#224; ansiedade social desde o tempo de Hip&#243;crates, o conceito contempor&#226;neo deste tipo de ansiedade foi inicialmente formulado por Marks e Gelder (1966), tendo sido posteriormente desenvolvido no seguimento da sua inclus&#227;o no DSM-III em 1980 (Heimberg &#38; Becker, 2002). Refere-se, em termos gerais, ao aumento de ansiedade num indiv&#237;duo quando este se encontra em situa&#231;&#245;es de interac&#231;&#227;o social, seja de uma forma generalizada ou em situa&#231;&#245;es espec&#237;ficas. Pode variar num <i>continuum</i> entre uma leve ansiedade (frequentemente adaptativa e promotora da ac&#231;&#227;o), at&#233; um extremo de fobia social generalizada (forte ansiedade numa variedade de situa&#231;&#245;es sociais, frequentemente incapacitante), induzindo mecanismos de defesa como a fuga ou o evitamento social. Aos casos mais graves de ansiedade social est&#225; geralmente associado o abandono precoce da vida escolar, depend&#234;ncia econ&#243;mica, baixo rendimento e instabilidade no emprego, dificuldades afectivas, e baixo suporte social (Gouveia, 2000). Butler (1999, p. 4) descreve a ansiedade social como &#8220;o <i>medo, nervosismo, e apreens&#227;o que muitas pessoas sentem na sua rela&#231;&#227;o com outras pessoas</i>&#8221;, acrescentando que <i>&#8220;afecta as pessoas quando estas pensam estar a fazer algo que possa ser humilhante ou embara&#231;oso (...), fazendo-as achar que os outros a est&#227;o a julgar, de forma negativa, por algo que disse ou fez (...), inibindo a pessoa e tornando-a auto-consciente&#8221;.</i> Para Gouveia (2000), a ansiedade social &#233; uma experi&#234;ncia humana comum, intimamente relacionada com a estrutura social de grupo e sua organiza&#231;&#227;o hier&#225;rquica. Este autor refere ainda (citando Clark &#38; Wells, 1995), que os esquemas cognitivos de incompet&#234;ncia social associados a esta perturba&#231;&#227;o s&#227;o inst&#225;veis, ou seja, fora das situa&#231;&#245;es sociais em que podem ser avaliados e que consideram amea&#231;adoras, os f&#243;bicos sociais possuem uma vis&#227;o mais favor&#225;vel de si pr&#243;prios.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A <i>Classifica&#231;&#227;o Internacional das Doen&#231;as e Problemas de Sa&#250;de Relacionados,</i> na sua classifica&#231;&#227;o de perturba&#231;&#245;es mentais e de comportamento (OMS, 1993), e o <i>Manual de Diagn&#243;stico e Estat&#237;stica das Perturba&#231;&#245;es Mentais - 4<sup>a</sup> Edi&#231;&#227;o - Texto Revisto</i> (APA, 2002), enquanto principais manuais de refer&#234;ncia no que respeita a perturba&#231;&#245;es mentais na cultura ocidental, apresentam os seguintes crit&#233;rios de diagn&#243;stico de ansiedade social desadaptativa (Fobia Social):</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">a) Medo intenso e persistente de uma ou mais situa&#231;&#245;es sociais nas quais o indiv&#237;duo est&#225; exposto a pessoas desconhecidas ou ao poss&#237;vel escrut&#237;nio de outros, receando exibir comportamentos embara&#231;osos ou sintomas de ansiedade (havendo um reconhecimento por parte do indiv&#237;duo de que o medo &#233; excessivo ou irracional);</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">b) Frequ&#234;ncia elevada da resposta de ansiedade face &#224; exposi&#231;&#227;o a situa&#231;&#245;es sociais receadas (podendo predispor situacionalmente a um ataque de p&#226;nico), em que a ansiedade sentida n&#227;o &#233; devida a efeitos fisiol&#243;gicos duma subst&#226;ncia ou a uma condi&#231;&#227;o f&#237;sica geral, e n&#227;o &#233; melhor explicada por outra perturba&#231;&#227;o mental;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">c) Pode apresentar-se na forma de rubor, tremores ou n&#225;useas, e pode levar ao evitamento das situa&#231;&#245;es sociais ou de desempenho receadas, ou a um confronto com as mesmas feito com intensa ansiedade ou desconforto;</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">d) O evitamento, ansiedade antecipat&#243;ria ou desconforto interferem significativamente no funcionamento normal do indiv&#237;duo;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">e) Divide-se em dois sub-tipos poss&#237;veis: <i>Fobia Social Espec&#237;fica </i>(ocorrendo em uma ou duas situa&#231;&#245;es sociais espec&#237;ficas) e <i>Fobia Social Generalizada</i> (manifestando-se na maioria das situa&#231;&#245;es sociais), considerando-se geralmente que o segundo sub-tipo afecta mais a qualidade de vida dos indiv&#237;duos, dada a variedade de situa&#231;&#245;es abrangidas;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">f) O in&#237;cio ocorre frequentemente na adolesc&#234;ncia, sendo igualmente comum em homens e mulheres, e est&#225; associado a baixa auto-estima e medo de cr&#237;ticas.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Estas constituem as formas predominantes de manifesta&#231;&#227;o da ansiedade social, em culturas ocidentais, embora lhes sejam por vezes apontadas algumas limita&#231;&#245;es. Gouveia (2000, pp. 22-23) considera que &#8220;<i>apesar destes crit&#233;rios de diagn&#243;stico</i> [DSM-IV] <i>constitu&#237;rem um avan&#231;o no sentido de uma melhor clarifica&#231;&#227;o do quadro cl&#237;nico da perturba&#231;&#227;o de ansiedade social e das suas rela&#231;&#245;es com outros dist&#250;rbios de eixo I, mant&#234;m-se algumas dificuldades na sua utiliza&#231;&#227;o</i>&#8221;, dando como exemplo central a n&#227;o-exist&#234;ncia de limiares claros acerca do grau de desconforto e de interfer&#234;ncia dos sintomas na vida do indiv&#237;duo, necess&#225;rios para um diagn&#243;stico de fobia social. Pelos crit&#233;rios referidos compreende-se a interac&#231;&#227;o entre aspectos cognitivos e f&#237;sicos, surgindo os elementos comportamentais enquanto respostas psicofisiol&#243;gicas ou mecanismos de defesa perante a ansiedade resultante de uma situa&#231;&#227;o de amea&#231;a percebida, n&#227;o sendo no entanto devidamente equacionadas as influ&#234;ncias poss&#237;veis de vari&#225;veis culturais e sociais nessa interac&#231;&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Na &#250;ltima d&#233;cada, tem surgido um crescente movimento no sentido de alargar os crit&#233;rios de diagn&#243;stico psicopatol&#243;gico em geral, actualizando os sistemas existentes, de forma a ser devidamente considerada a influ&#234;ncia de vari&#225;veis socioculturais na viv&#234;ncia de perturba&#231;&#245;es mentais e comportamentais (Kirmayer, 2001). Em concord&#226;ncia com esta orienta&#231;&#227;o, no campo da interven&#231;&#227;o psicol&#243;gica os c&#243;digos de &#233;tica e conduta internacionais apelam para esta consci&#234;ncia e complemento, no sentido de melhorar o atendimento em contextos multiculturais (Gielen, Draguns &#38; Fish, 2008). Estas vari&#225;veis t&#234;m estado progressivamente no centro de v&#225;rios estudos, dada a crescente aceita&#231;&#227;o do seu papel fundamental para uma melhor compreens&#227;o da viv&#234;ncia psicopatol&#243;gica e das suas interac&#231;&#245;es com os diversos contextos de vida do indiv&#237;duo. Ora, manifestando-se o tipo de ansiedade aqui discutido exclusivamente em situa&#231;&#245;es de interac&#231;&#227;o social (real ou percebida), esta perturba&#231;&#227;o tem necessariamente uma forte componente sociocultural, apenas podendo ser compreendida numa perspectiva biopsicosocial (resultando de uma interac&#231;&#227;o entre factores psicol&#243;gicos, f&#237;sicos e socioculturais). Neste artigo, focar-se-&#227;o essencialmente os aspectos sociais e culturais, mas tendo sempre em mente a sua indissociabilidade dos restantes.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>1.2. Varia&#231;&#245;es culturais na viv&#234;ncia da ansiedade social</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A an&#225;lise comparativa de manifesta&#231;&#245;es psicol&#243;gicas e som&#225;ticas entre culturas constitui muitas vezes um instrumento privilegiado para a observa&#231;&#227;o dos efeitos da cultura e sociedade sobre a psicopatologia.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">No DSM-IV-TR, &#233; feita refer&#234;ncia a um conceito denominado &#8220;S&#237;ndrome Ligada &#224; Cultura&#8221;, referindo-se a s&#237;ndromes cuja exist&#234;ncia est&#225; limitada a culturas espec&#237;ficas. Mais concretamente, &#233; definido como &#8220;<i>um padr&#227;o localmente espec&#237;fico e recorrente de comportamentos aberrantes e experi&#234;ncias perturbadoras que pode ou n&#227;o estar associado a uma determinada categoria diagn&#243;stica do DSM-IV</i>&#8217;, acrescentando que estas <i>&#8220;s&#227;o geralmente limitadas a sociedades espec&#237;ficas ou zonas culturais e s&#227;o categorias diagn&#243;sticas localizadas e folcl&#243;ricas que enquadram significados culturais para certos conjuntos de experi&#234;ncias e observa&#231;&#245;es repetitivas, padronizadas e perturbadoras</i>&#8221; (APA, 2002, p. 898). Por sua vez, no CID-10 (OMS, 1993) &#233; rejeitada a ideia da exist&#234;ncia de perturba&#231;&#245;es com especificidade cultural total, com base na aus&#234;ncia de estudos epidemiol&#243;gicos que possam sustentar essa afirma&#231;&#227;o, apontando-se antes para manifesta&#231;&#245;es particulares de ansiedade, depress&#227;o e perturba&#231;&#245;es somatoformes ou de ajustamento.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Dentro da referida classifica&#231;&#227;o especial do DSM-IV-TR faz-se refer&#234;ncia a um quadro cl&#237;nico presente na literatura psiqui&#225;trica japonesa, denominado <i>taijin-kyofu-sho</i><a href="#3"><sup>3</sup></a><a name="top3"></a> (TKS), referindo-se a sintomas de medo perante situa&#231;&#245;es de contacto social face-a-face (Gouveia, 2000). Mais concretamente, este pode ser definido como uma forma de ansiedade social, na qual o indiv&#237;duo relata um medo de magoar, ofender ou embara&#231;ar outras pessoas, por oposto a embara&#231;ar-se a si pr&#243;prio ou ser julgado por outrem como socialmente inapto. Este receio tem como base a ideia de que, ao ter esse efeito negativo noutras pessoas, se traz embara&#231;o para o grupo (fam&#237;lia, empresa, etc.). Salienta-se assim a poss&#237;vel influ&#234;ncia de um modelo de sociedade colectivista neste quadro de ansiedade. Nesta popula&#231;&#227;o, a auto-imagem &#233; predominantemente interdependente relativamente ao grupo, ou seja, o indiv&#237;duo &#233; definido essencialmente por refer&#234;ncia ao seu grupo (Kleinknecht, Dinnel, Kleinknecht, Himura &#38; Harada, 1997), sendo portanto o embara&#231;o pessoal desvalorizado e o grupal acentuado. Considera-se que existem quatro sub-tipos atrav&#233;s dos quais a TKS se pode manifestar: medo de corar <i>(sekimen-kyofu);</i> medo de ter o corpo deformado <i>(shubo-kyofu);</i> medo de contacto ocular directo <i>(jikoshiken-kyofu</i>); e medo de ter um odor corporal ofensivo <i>(jikoshu-kyofu</i>). Tal como no quadro ocidental de ansiedade social, parecem existir comportamentos de seguran&#231;a associados, tais como o uso de cremes faciais para disfar&#231;ar a ruboriza&#231;&#227;o, ou o simples evitamento das situa&#231;&#245;es temidas (Gouveia, 2000). Uma classifica&#231;&#227;o alternativa, que ilustra a continuidade dos sintomas que caracterizam a TKS e demonstra que este &#233; um conceito relativamente mais lato que o da ansiedade social, prop&#245;e que esta pode ser classificada em quatro sub-tipos: tipo transiente (ansiedade social caracter&#237;stica da adolesc&#234;ncia), tipo f&#243;bico (correspondente &#224; defini&#231;&#227;o tradicional de ansiedade social), tipo delirante (caracterizada pela obsess&#227;o com defeitos corporais e comportamentos imaginados ou exagerados), e perturba&#231;&#227;o f&#243;bica acompanhada de esquizofrenia.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Como foi anteriormente referido, tamb&#233;m esta caracteriza&#231;&#227;o da TKS como s&#237;ndrome culturalmente especifica n&#227;o &#233; consensual, havendo autores que consideram que esta n&#227;o &#233; uma patologia espec&#237;fica &#224; cultura do Jap&#227;o, mas sim algo de mais generalizado e aproximado das categorias principais do DSM-IV-TR, apesar de pouco estudado (Suzuki, Takei, Kawai, Minabe &#38; Mori, 2003). Estes autores consideram que nenhum dos sub-tipos inicialmente referidos &#233; culturalmente distinto no Jap&#227;o, argumentando que o primeiro constitui um sintoma comum de fobia social, que o segundo se enquadra nos crit&#233;rios para a &#8220;Perturba&#231;&#227;o Dism&#243;rfica Corporal&#8221; do DSM-IV-TR (APA, 2002), enquanto que os dois restantes n&#227;o encontram enquadramento nas categorias mais estudadas mas sim em casos descritos em outras refer&#234;ncias bibliogr&#225;ficas ocidentais (Pryse-Phillips, 1971; McNally, Cassiday &#38; Calamari, 1990). Estes dados s&#227;o confirmados por Kleinknecht e co-autores (1997), que referem relatos de casos de TKS na Coreia, Estados Unidos da Am&#233;rica, e em alguns pa&#237;ses da Europa (nomeadamente, Reino Unido, Alemanha e It&#225;lia). As semelhan&#231;as entre Fobia Social e TKS, bem como a presen&#231;a desta &#250;ltima em outros contextos culturais, s&#227;o igualmente salientadas por Gouveia (2000), que refere a presen&#231;a de sintomas de ambos em casos acompanhados na sua pr&#243;pria experi&#234;ncia cl&#237;nica em contexto cultural portugu&#234;s. Segundo Dinnel, Kleinknecht e Tanaka-Matsumi (2002), os sintomas de TKS s&#227;o tendencialmente relatados por indiv&#237;duos que apresentam menores valores de independ&#234;ncia, e valores mais altos de interdepend&#234;ncia.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Refor&#231;ando esta ideia de varia&#231;&#245;es culturais, Seedat e Nagata (2004) destacam a relev&#226;ncia do estudo das taxas de preval&#234;ncia da ansiedade social em diferentes pa&#237;ses, referindo os resultados de estudos baseados nos crit&#233;rios da terceira edi&#231;&#227;o do DSM que apontaram para uma discrep&#226;ncia elevada entre pa&#237;ses orientais (Taiwan e Coreia) e ocidentais (Alemanha, Estados Unidos da Am&#233;rica, Fran&#231;a e Nova Zel&#226;ndia), podendo estes &#250;ltimos apresentar taxas de preval&#234;ncia ao longo da vida no m&#237;nimo quatro vezes superiores (&#224; volta de 0,4 a 0,6% nos pa&#237;ses orientais, e 2,5 a 4,0% nos pa&#237;ses ocidentais). Aquando da reformula&#231;&#227;o dos crit&#233;rios de ansiedade social na quarta edi&#231;&#227;o do DSM, no entanto, as diferen&#231;as nestas taxas diminu&#237;ram, tornando-se mais compar&#225;veis. Para os autores, as causas dessa discrep&#226;ncia podem ser atribu&#237;das a diferen&#231;as de metodologia, de h&#225;bitos sociais, e taxas de resposta da popula&#231;&#227;o-alvo, e tamb&#233;m ao facto da formula&#231;&#227;o da perturba&#231;&#227;o de ansiedade social ser de origem ocidental. Este &#250;ltimo factor &#233; apontado como relevante, podendo resultar na invisibilidade de sintomas culturalmente espec&#237;ficos potencialmente relevantes, e consequentemente levar a avalia&#231;&#245;es de valores de preval&#234;ncia erroneamente reduzidas.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Revistas as particularidades da viv&#234;ncia de duas culturas distintas relativamente ao que se considera ser o mesmo fen&#243;meno subjacente, a ansiedade social, conclui-se que ambos os quadros cl&#237;nicos podem porventura ser equiparados, tendo em conta aspectos de co-morbilidade, e chamando a aten&#231;&#227;o para varia&#231;&#245;es de ordem cultural (e individual) determinantes na forma como cada perturba&#231;&#227;o &#233; vivenciada.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>2. Influ&#234;ncias culturais e pessoais na viv&#234;ncia da ansiedade social</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Pela utiliza&#231;&#227;o do termo &#8220;factores socioculturais&#8221;, pretende-se designar factores derivados da interac&#231;&#227;o entre uma determinada cultura e uma sociedade espec&#237;fica. Para Kluckhohn (1954, citado por Neto, 2003), a cultura est&#225; para a sociedade como a mem&#243;ria est&#225; para os indiv&#237;duos, apontando para uma concep&#231;&#227;o de sociedade indissoci&#225;vel da sua cultura de origem e funcionando a cultura como o ponto de refer&#234;ncia pelo qual uma sociedade define as suas regras e viv&#234;ncias (analogamente, a personalidade de um indiv&#237;duo &#233; influenciada pelas suas viv&#234;ncias passadas). Segundo este autor, na cultura de origem estar&#227;o inclu&#237;das influ&#234;ncias sobre a forma como as pessoas percepcionam o seu meio, a si pr&#243;prias, e ju&#237;zos sobre o que &#233; o mundo e como as pessoas se deveriam comportar. Para Kirmayer (2001), a cultura exerce um papel determinante em v&#225;rios aspectos da vida humana, inclusivamente na psicopatologia, nas suas manifesta&#231;&#245;es, e no seu tratamento (tanto do ponto de vista do sujeito que sofre como do terapeuta). Acrescenta ainda que a vis&#227;o do termo &#8220;cultura&#8221; se refere hoje em dia n&#227;o a algo est&#225;tico, mas a um conjunto de constru&#231;&#245;es tempor&#225;rias e em permanente mudan&#231;a, que emergem das interac&#231;&#245;es entre indiv&#237;duo, comunidade, e pr&#225;ticas ideol&#243;gicas e institucionais. Significa isto que as influ&#234;ncias da cultura de origem de um indiv&#237;duo n&#227;o se manifestam de forma pura, mas sim em interac&#231;&#227;o com diversos factores de v&#225;rias ordens, gerando uma variabilidade intra-grupal que n&#227;o pode ser ignorada por profissionais que exercem a sua actividade em contextos multiculturais.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>2.1 - Modelo de sociedade e a vari&#225;vel independ&#234;ncia-interdepend&#234;ncia</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Ao discutir os principais elementos que caracterizam e distinguem as culturas ocidental e oriental, deve-se ter em conta que essa n&#227;o representa de forma alguma uma vari&#225;vel dicot&#243;mica, mas sim cont&#237;nua e complexa. Tendo em conta o que foi previamente referido, deve haver uma consci&#234;ncia de que cada sociedade evolui de forma semi-aut&#243;noma, ainda que sob a influ&#234;ncia de uma determinada cultura geral, dando origem a uma variabilidade inter e intra-grupal que se traduz num conjunto diverso de pr&#225;ticas e cren&#231;as (Costigan, Bardina, Cauce, Kim &#38; Latendresse, 2006). Isto ocorre n&#227;o s&#243; entre pa&#237;ses, mas tamb&#233;m dentro de diferentes grupos de cada pa&#237;s, como resultado de diferen&#231;as nas condi&#231;&#245;es sociais, pol&#237;ticas e/ou econ&#243;micas. Na pr&#225;tica psicol&#243;gica multicultural, &#233; importante procurar compreender tanto as particularidades individuais como grupais e socioculturais do cliente, evitando estere&#243;tipos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Em pa&#237;ses asi&#225;ticos (por exemplo Coreia e Jap&#227;o, com especial &#234;nfase neste &#250;ltimo) imperam alguns valores distintos dos que caracterizam as culturas ocidentais europeias e norte-americana, sendo estas &#250;ltimas tradicionalmente individualistas (Neto, 2003). Uma das principais diferen&#231;as culturais entre ambos os tipos de sociedade reside no facto de vigorar nos pa&#237;ses asi&#225;ticos, tendencialmente, um modelo de sociedade mais colectivista, havendo uma primazia do grupo sobre o indiv&#237;duo. Triandis (1988, citado por Neto, 2003) caracteriza o estilo colectivista da seguinte forma:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">a) Coloca &#234;nfase nas perspectivas, necessidades e objectivos do colectivo;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">b) O comportamento &#233; fun&#231;&#227;o das normas e dos deveres impostos pelo colectivo;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">c) &#234;nfase em cren&#231;as partilhadas, naquilo que o indiv&#237;duo e o colectivo partilham;</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">d) O comportamento social &#233; cooperativo e altru&#237;sta em rela&#231;&#227;o aos membros do endogrupo, mas indiferente e at&#233; hostil com os membros do exogrupo.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Paralelamente a este modelo de organiza&#231;&#227;o social, encontram-se tamb&#233;m costumes diferentes que podem muitas vezes originar &#8220;choques culturais&#8221; no contacto entre elementos dos v&#225;rios tipos de culturas, assumindo frequentemente a forma de embara&#231;o. Apresenta-se como exemplo disto o desconforto provocado pelo contacto visual prolongado, na cultura japonesa, sendo esse tipo de contacto ocular relativamente comum em sociedades ocidentais, particularmente durante o estabelecimento de conversas (Okano, 1994). Alguns autores referem v&#225;rias diferen&#231;as culturais a ter em conta, no contexto relacional, e tamb&#233;m na pr&#225;tica de consulta psicol&#243;gica (Sommers-Flanagan &#38; Sommers-Flanagan, 2004), sendo que neste &#250;ltimo contexto se devem considerar sempre eventuais especificidades culturais.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Para Dinnel e co-autores (2002), uma das componentes fundamentais da dimens&#227;o social individualismo-colectivismo &#233; a vari&#225;vel independ&#234;ncia-interdepend&#234;ncia: a caracteriza&#231;&#227;o da auto-imagem, por parte dos indiv&#237;duos, como independente ou interdependente (associando-se geralmente uma maior independ&#234;ncia a estilos mais individualistas). Referem no entanto que a cultura de origem representa apenas um tend&#234;ncia geral dessa caracteriza&#231;&#227;o, e n&#227;o uma certeza. O conceito de auto-imagem e a vari&#225;vel a ele associado t&#234;m vindo a receber particular aten&#231;&#227;o desde os anos 80, enquanto elementos fundamentais no estudo da rela&#231;&#227;o entre o indiv&#237;duo e a sociedade, tendo j&#225; sido aplicados em diferentes estudos (Gouveia, Singelis &#38; Coelho, 2002). Kleinknecht e co-autores (1997) defendem que o tra&#231;o independ&#234;ncia-interdepend&#234;ncia n&#227;o &#233; dicot&#244;mico nem culturalmente restrito, podendo um indiv&#237;duo apresentar elementos de ambas as formas de caracteriza&#231;&#227;o, em graus vari&#225;veis, independentemente da cultura de origem. A cultura exerce uma influ&#234;ncia, que depois se processa de diferentes formas, em interac&#231;&#227;o com factores individuais, sociais, e at&#233; contextuais.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Estabelecendo a liga&#231;&#227;o entre a interac&#231;&#227;o de factores culturais e pessoais e o tema da ansiedade social, Gouveia (2000) salienta de forma breve o papel da vari&#225;vel independ&#234;ncia-interdepend&#234;ncia como a principal diferen&#231;a entre os focos da ansiedade social tal como vivenciada nas culturas ocidental e oriental. A liga&#231;&#227;o entre esta vari&#225;vel e a ansiedade social &#233; igualmente referida por outros autores (Dinnel <i>et al,</i> 2002; Kleinknecht <i>et al,</i> 1997), associando-se tendencialmente os sintomas de TKS a valores mais elevados de interdepend&#234;ncia. Em termos gen&#233;ricos, considera-se que a forma como o indiv&#237;duo constr&#244;i a sua auto-imagem ser&#225; determinante para a forma&#231;&#227;o das cren&#231;as deste relativamente ao que pode constituir uma amea&#231;a &#224; mesma, e em que grau. Como tal, os est&#237;mulos sociais que s&#227;o percepcionados como mais amea&#231;adores s&#227;o tamb&#233;m aqueles que provavelmente originar&#227;o maior ansiedade.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>2.2. Embara&#231;o</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#201; pertinente definir o que constitui o embara&#231;o, e o que &#233; um acto embara&#231;oso, defini&#231;&#245;es essas que podem variar consoante a cultura de refer&#234;ncia<a href="#4"><sup>4</sup></a><a name="top4"></a>. Segundo Neto (2003, p. 249), alguns autores (Buss, 1981; Schlenker &#38; Leary, 1982) defendem que o embara&#231;o &#233; geralmente visto como <i>&#8220;uma forma de ansiedade social, intimamente relacionada com a timidez, a ansiedade em p&#250;blico e a vergonha</i>&#8221;, sendo as suas caracter&#237;sticas compar&#225;veis &#224;s de uma qualquer emo&#231;&#227;o. Embora o conceito de &#8220;vergonha&#8221; lhe seja frequentemente associado, a distin&#231;&#227;o entre estas duas emo&#231;&#245;es auto-conscientes &#233; geralmente dificultada pela aus&#234;ncia de consenso cient&#237;fico (Tangney, Miller, Flicker &#38; Barlow, 1996). De acordo com uma das diferentes perspectivas, aqui adoptada, &#233; argumentado que o embara&#231;o resulta de uma percep&#231;&#227;o de viola&#231;&#227;o p&#250;blica de costumes sociais (de natureza n&#227;o-moral), ao passo que a vergonha resulta da percep&#231;&#227;o de viola&#231;&#227;o de uma conduta moral, podendo esta ocorrer tanto em contexto p&#250;blico como privado (Harris, 2003). Como tal, o embara&#231;o &#233; definido como sendo derivado de um acto p&#250;blico, percebido como socialmente reprov&#225;vel (por oposto a moralmente errado), tomando-se assim um conceito mais relevante no &#226;mbito desta discuss&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Edelman (1985 e 1987, citado por Neto, 2003) apresenta um modelo para a explica&#231;&#227;o da experi&#234;ncia de embara&#231;o, propondo que:</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">a) O processo [de embara&#231;o] &#233; activado por uma preocupa&#231;&#227;o com as regras sociais e o desejo de evitar uma perda de aprova&#231;&#227;o social. Uma discrep&#226;ncia indesejada entre o comportamento que se est&#225; a desenrolar e o padr&#227;o estabelecido &#233; pass&#237;vel de levar a focar a aten&#231;&#227;o no aspecto p&#250;blico da auto-imagem, com uma activa&#231;&#227;o consequente de preocupa&#231;&#227;o acerca da sua pr&#243;pria identidade e da gera&#231;&#227;o de afecto negativo;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">b) O indiv&#237;duo usa, ent&#227;o, informa&#231;&#227;o dos seus pr&#243;prios comportamentos expressivos associados a este afecto negativo, tais como pistas viscerais e mem&#243;ria de epis&#243;dios passados de quebra de regras, para categorizar a experi&#234;ncia como embara&#231;o;</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">c) Como &#233; dif&#237;cil esconder o embara&#231;o, pode ser adoptado um n&#250;mero de estrat&#233;gias remediativas para recuperar a percep&#231;&#227;o de aprova&#231;&#227;o social perdida e repor a imagem p&#250;blica do actor.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O embara&#231;o &#233; geralmente definido como a viv&#234;ncia de um estado emocional desagrad&#225;vel, no decurso de um acto ou condi&#231;&#227;o socialmente inaceit&#225;vel, testemunhada por, ou revelada a, outras pessoas. Tratando-se de uma emo&#231;&#227;o mediada pela aquisi&#231;&#227;o de uma consci&#234;ncia de si pr&#243;prio e pela aprendizagem de normas sociais, o embara&#231;o n&#227;o &#233; caracterizado como uma emo&#231;&#227;o prim&#225;ria (as quais s&#227;o consideradas inatas, n&#227;o necessitando de ser precedidas por compet&#234;ncias cognitivas espec&#237;ficas), mas sim como uma emo&#231;&#227;o auto-consciente secund&#225;ria (Lewis, Sullivan Stanger &#38; Weiss, 1998). Segundo estes autores, o embara&#231;o surge por volta dos dois anos de idade, tal como a empatia e a inveja, constituindo este grupo um primeiro tipo de emo&#231;&#245;es auto-conscientes. Refor&#231;ando a diferencia&#231;&#227;o entre os conceitos de embara&#231;o e vergonha, os autores acrescentam que um segundo tipo de emo&#231;&#245;es auto-conscientes surge ap&#243;s estas primeiras, caracterizado por uma natureza auto-avaliativa e requerendo n&#227;o s&#243; uma maior capacidade cognitiva como tamb&#233;m a aprendizagem de padr&#245;es e regras de conduta, incluindo-se nesta segunda categoria a vergonha, o orgulho e a culpa.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Com base no conceito de embara&#231;o discutido, &#233; previs&#237;vel que alguns dos est&#237;mulos considerados embara&#231;osos (e geradores de ansiedade social) na cultura ocidental n&#227;o o sejam noutras culturas, da mesma forma que o que &#233; &#8220;socialmente reprov&#225;vel&#8221; numa sociedade pode n&#227;o o ser noutra. Consequentemente, importa compreender a experi&#234;ncia de embara&#231;o como uma cren&#231;a por parte do indiv&#237;duo de que se encontra numa situa&#231;&#227;o que acredita ser considerada socialmente reprov&#225;vel (no seu contexto social de vida), despoletando-se os mecanismos de protec&#231;&#227;o que este tiver adquirido ao longo do seu ciclo vital (adaptativos ou desadaptativos). Mesmo dentro duma cultura espec&#237;fica, as situa&#231;&#245;es nas quais essa cren&#231;a pode surgir n&#227;o s&#227;o uniformes, sendo influenciadas por factores individuais. Um indiv&#237;duo pode, por exemplo, encontrar-se numa situa&#231;&#227;o socialmente reprov&#225;vel e, ao contr&#225;rio das pessoas que o rodeiam, n&#227;o a considerar embara&#231;osa ou sequer reprov&#225;vel, e vice-versa.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Para uma melhor compreens&#227;o da experi&#234;ncia de embara&#231;o, esta pode ser enquadrada numa perspectiva evolutiva: estando a sobreviv&#234;ncia e subsist&#234;ncia do Ser Humano estreitamente ligadas aos seus pares, atrav&#233;s de uma interac&#231;&#227;o produtiva em contexto social, a imagem social do indiv&#237;duo assume-se como algo que deve idealmente ser protegido de afectos negativos alheios, de acordo com as regras espec&#237;ficas da sociedade envolvente, no sentido de manter vi&#225;veis e funcionais as rela&#231;&#245;es significativas. A esta imagem p&#250;blica est&#227;o frequentemente associadas quest&#245;es de relacionamento, integra&#231;&#227;o e estatuto (Beck &#38; Emery, 1985), ocorrendo a experi&#234;ncia de embara&#231;o quando o indiv&#237;duo de alguma forma valoriza o julgamento da pessoa ou pessoas que testemunham a viola&#231;&#227;o da norma social. Consequentemente, perante situa&#231;&#245;es de percep&#231;&#227;o de amea&#231;a a essa mesma imagem, a emo&#231;&#227;o auto-consciente de embara&#231;o surge como motivadora de ac&#231;&#227;o no sentido de lidar com essa amea&#231;a, de forma a repor o cumprimento da norma social em causa e procurar recuperar a percep&#231;&#227;o de aprova&#231;&#227;o social. Para Gouveia, Singelis, Guerra, Santos e Vasconcelos (2005), o embara&#231;o pode ser considerado como tendo a fun&#231;&#227;o de actuar como um mecanismo emocional que permite &#224;s pessoas manter a estabilidade das suas comunidades e das interac&#231;&#245;es sociais quotidianas.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>2.3. Interac&#231;&#227;o entre as vari&#225;veis apresentadas</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Kleinknecht e co-autores (1997), no seu estudo, procuraram investigar a interac&#231;&#227;o entre as vari&#225;veis apresentadas, tendo aplicado escalas de ansiedade social e de <i>taijin-kyofu-sho</i> em conjunto com uma escala de avalia&#231;&#227;o da dimens&#227;o independ&#234;ncia-interdepend&#234;ncia, em amostras n&#227;o-cl&#237;nicas estudantis (em contexto americano e japon&#234;s). Nas suas conclus&#245;es, referem que devido ao facto de cada pa&#237;s definir a sua s&#237;ndrome de acordo com o modelo geral de sociedade (como individualista ou como colectivista), os seus cl&#237;nicos teriam menos tend&#234;ncia para solicitar aos seus pacientes relatos de sintomas do tipo oposto, ou seja, relatos de sintomas de ansiedade social protectores do grupo em sociedades individualistas, e protectores do indiv&#237;duo em sociedades colectivistas. Acrescentam que apesar disto, sintomas de ambas as variantes de ansiedade social existem de facto nas duas culturas estudadas, devendo os profissionais alargar a sua perspectiva sobre a ansiedade social. Conclu&#237;ram tamb&#233;m que uma auto-imagem caracterizada por valores mais elevados de independ&#234;ncia funciona geralmente como um factor de resili&#234;ncia face a ansiedade social, podendo resultar numa menor interpreta&#231;&#227;o do julgamento negativo de outras pessoas como uma amea&#231;a. Para al&#233;m disso, afirmam que, da mesma forma que o tra&#231;o independ&#234;ncia-interdepend&#234;ncia n&#227;o &#233; dicot&#243;mico (podendo um indiv&#237;duo de cada uma das culturas apresentar elementos de ambas as formas de caracteriza&#231;&#227;o, em graus vari&#225;veis), tamb&#233;m cada indiv&#237;duo pode apresentar diferentes graus de cada tipo de viv&#234;ncia da ansiedade social, individual ou grupal. Finalmente, n&#227;o tendo sido observada na amostra de popula&#231;&#227;o japonesa uma rela&#231;&#227;o significativa entre valores mais elevados de interdepend&#234;ncia e os resultados da escala de TKS, ao contr&#225;rio do que era esperado, os autores levantam a hip&#243;tese de que a aplica&#231;&#227;o das escalas a uma amostra cl&#237;nica de TKS permitiria um melhor estudo de como essas vari&#225;veis se relacionam.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Por sua vez, Gouveia e co-autores (2005) procuraram observar a rela&#231;&#227;o entre as duas formas de caracteriza&#231;&#227;o da auto-imagem e o sentimento de embara&#231;o (a&#237; definido como &#8220;constrangimento&#8221;), vivenciado em diversas circunst&#226;ncias sociais. Para tal, utilizaram uma escala de constrangimento e uma escala de auto-imagem, aplicada a uma amostra brasileira composta por uma maioria de estudantes universit&#225;rios e do ensino secund&#225;rio. Entre os resultados obtidos, destaca-se a exist&#234;ncia de uma correla&#231;&#227;o significativa negativa entre o embara&#231;o e valores mais acentuados de independ&#234;ncia, e uma correla&#231;&#227;o significativa positiva entre o embara&#231;o e valores mais acentuados de interdepend&#234;ncia. Este resultado veio ao encontro da hip&#243;tese inicialmente levantada pelos autores, formulada com base em estudos pr&#233;vios realizados numa outra popula&#231;&#227;o (estudantes da Universidade do Havai). Como tal, conclu&#237;ram que uma auto-imagem tendencialmente interdependente actua como um melhor preditor da experi&#234;ncia de embara&#231;o, ao passo que os indiv&#237;duos com valores mais elevados de independ&#234;ncia tenderam a demonstrar menos embara&#231;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>3. A problem&#225;tica dos sintomas secund&#225;rios e de estigmas sociais</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Analisemos os poss&#237;veis efeitos deste tipo de ansiedade a n&#237;vel pessoal e social. Muitas vezes, a ansiedade social nas suas diferentes formas pode levar ao desenvolvimento de consequ&#234;ncias e sintomas secund&#225;rios, tais como dificuldades de desempenho e integra&#231;&#227;o sociais, depress&#227;o, e at&#233; o isolamento social. Este isolamento constitui um extremo do evitamento das situa&#231;&#245;es sociais anxiog&#233;neas, sendo para muitos indiv&#237;duos uma fuga subjectiva &#224;s dificuldades de integra&#231;&#227;o social. No m&#237;nimo, existe uma redu&#231;&#227;o da qualidade de vida, podendo a viv&#234;ncia da ansiedade provocar no indiv&#237;duo n&#237;veis de sofrimento consider&#225;veis.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">No contexto da cultura japonesa onde, como discutido, predominam valores colectivistas e onde se verificam acentuadas press&#245;es dos sistemas educativo e profissional sobre o indiv&#237;duo, a ansiedade de origem social pode actuar como um dos factores facilitadores de um outro fen&#243;meno conhecido como &#8220;<i>hikikomori&#8221;</i> (significando literalmente &#8220;reclus&#227;o / estar confinado&#8221;)<a href="#5"><sup>5</sup></a><a name="top5"></a>. Este quadro &#233; referente a indiv&#237;duos, geralmente jovens, entre os 15 e os 26 anos, que se isolam no quarto durante um per&#237;odo superior a seis meses (chegando nos casos mais extremos a anos ou mesmo d&#233;cadas), com evidentes preju&#237;zos para as suas capacidades j&#225; diminutas de socializa&#231;&#227;o e em termos de custos familiares e sociais. Origina-se um isolamento social agudo que, segundo estimativas, afecta entre 100.000 a 320.000 adolescentes japoneses, de acordo com as perspectivas mais conservadoras (Jones, 2006). Segundo a mesma refer&#234;nca, ao passo que na d&#233;cada de 80 estas ocorr&#234;ncias eram ainda interpretadas como algo pontual e consequentemente ignorado pelos sistemas de sa&#250;de do pa&#237;s, restringido a jovens que se refugiavam no quarto a ver televis&#227;o e a jogar jogos de v&#237;deo, tornou-se nas d&#233;cadas seguintes uma crescente preocupa&#231;&#227;o nacional. No entanto, no Jap&#227;o esta problem&#225;tica n&#227;o &#233; considerada pela maioria da popula&#231;&#227;o como uma perturba&#231;&#227;o mental, mas sim como um problema familiar (Furlong, 2008; Rees, 2002a; Rees, 2002b). Neste contexto cultural, &#233; geralmente atribu&#237;do ao estabelecimento de uma rela&#231;&#227;o de depend&#234;ncia entre m&#227;e e filho/filha (estando este fen&#243;meno particularmente associado a primog&#233;nitos, com maior predomin&#226;ncia de jovens do sexo masculino), e &#224;s fortes press&#245;es do sistema educativo e profissional que se fazem sentir, tanto sobre os pais como sobre os filhos. Dada esta vis&#227;o n&#227;o-medicalizada, que atribui responsabilidades &#224; fam&#237;lia, existe ainda um forte estigma social, em rela&#231;&#227;o tanto aos indiv&#237;duos &#8220;<i>hikikomori</i>&#8221; como aos seus familiares, devido em grande parte &#224; &#234;nfase colocada no colectivo enquanto unidade funcional. Este estigma suscita muitas vezes dificuldades de re-integra&#231;&#227;o social para os indiv&#237;duos, surgindo actualmente associa&#231;&#245;es destinadas exclusivamente &#224; tentativa de facilita&#231;&#227;o gradual desse processo de re-inser&#231;&#227;o social, de outra forma quase imposs&#237;vel. O medo de revela&#231;&#227;o p&#250;blica de uma situa&#231;&#227;o destas no seio familiar origina tamb&#233;m frequentemente uma maior passividade por parte dos pais, resist&#234;ncia em procurar ajuda especializada exterior e, consequentemente, um maior prolongamento do problema.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O isolamento social de adolescentes, no decurso de uma maior dificuldade de integra&#231;&#227;o social e/ou de depress&#227;o, &#233; verific&#225;vel em v&#225;rias partes do mundo, embora tamb&#233;m com as respectivas varia&#231;&#245;es culturais. Nas sociedades ocidentais, apesar de o estigma relativo a dificuldades de integra&#231;&#227;o e desempenho social ser menos acentuado, &#233; igualmente sentido de diferentes formas. Os indiv&#237;duos com elevada ansiedade social, particularmente do tipo generalizado, tendem a ter uma menor possibilidade de acesso a oportunidades sociais e profissionais, devido ao evitamento de situa&#231;&#245;es de interac&#231;&#227;o social. Baseando-se a sociedade actual cada vez mais num modelo de competi&#231;&#227;o, onde as capacidades de relacionamento interpessoal, comunica&#231;&#227;o e dinamismo s&#227;o cada vez mais valorizadas (Okano, 1994), verifica-se uma &#243;bvia desvantagem a n&#237;vel profissional que, por sua vez, origina tamb&#233;m uma maior incerteza e consequente press&#227;o psicol&#243;gica sobre os indiv&#237;duos. Est&#225; ainda por determinar de forma cient&#237;fica e objectiva a sensibilidade das entidades empregadoras e da sociedade em geral em rela&#231;&#227;o a indiv&#237;duos com problem&#225;ticas de ansiedade e/ou isolamento social. O isolamento social, por sua vez, &#233; visto como um problema m&#233;dico, sendo a fam&#237;lia vista como um factor de risco ou de protec&#231;&#227;o, e n&#227;o necessariamente a causa central (dependendo dos casos). Uma quest&#227;o fundamental se coloca: poder&#227;o as crescentes press&#245;es educacionais e profissionais, sentidas tamb&#233;m nas sociedades ocidentais<a href="#6"><sup>6</sup></a><a name="top6"></a>, fazer sentir-se de igual forma no contexto de uma cultura tendencialmente individualista como a ocidental?</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Evidenciam-se assim outros pontos de contacto e distin&#231;&#245;es em viv&#234;ncias psicopatol&#243;gicas decorrentes de varia&#231;&#245;es sociais ou culturais. Por este motivo, torna-se necess&#225;ria uma maior aten&#231;&#227;o aos factores socio-culturais que originam e promovem a continuidade de viv&#234;ncias psicopatol&#243;gicas, de forma a procurar compreender e atenuar os seus efeitos. Apesar de alguns fen&#243;menos terem uma clara marca cultural, fundamental no seu surgimento e manuten&#231;&#227;o, possuem tamb&#233;m outros factores determinantes que n&#227;o devem ser de forma alguma ignorados, de ordem social, contextual, e individual, porventura comuns &#224; viv&#234;ncia humana.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>4. Discuss&#227;o e Conclus&#227;o</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Na <a href="/img/revistas/psi/v22n2/22n2a04f1.jpg">Figura 1</a> (em anexo) procura-se ilustrar as principais fontes de influ&#234;ncia de aspectos socioculturais na manifesta&#231;&#227;o da ansiedade social. Pretende-se representar tamb&#233;m a import&#226;ncia dos factores individuais, que assumem um papel central relativamente aos outros elementos, ao influenciarem e serem influenciados pela aprendizagem social dos indiv&#237;duos.</font></p>          
<p><font face="Verdana" size="2">Ao estudar a ansiedade social e suas variantes &#233; poss&#237;vel observar os pontos de contacto entre elas, embora alguns aspectos da actual vis&#227;o da ansiedade social e da TKS caracterizem estes quadros cl&#237;nicos como algo distinto e n&#227;o como quadros semelhantes com determinantes culturais, n&#227;o se tendo muitas vezes em conta os factores que os originam. A &#234;nfase &#233; geralmente colocada nos sintomas, por oposi&#231;&#227;o &#224; origem dos mesmos, o que leva a uma classifica&#231;&#227;o distinta de problemas que se podem considerar equipar&#225;veis, no sentido de representarem diferentes formas do mesmo quadro. No entanto, tem havido um movimento crescente no sentido de expandir a forma como se conceptualiza a ansiedade social, perante a tentativa de compreens&#227;o dos factores culturais e pessoais que a determinam.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Seria &#250;til a introdu&#231;&#227;o de uma vari&#225;vel de clarifica&#231;&#227;o, destinada a fazer a ponte entre as duas formas de ansiedade social discutidas ao ter em conta aspectos sociais. A distin&#231;&#227;o entre dois tipos de manifesta&#231;&#227;o do quadro geral de ansiedade social (que podem tamb&#233;m manifestar-se simultaneamente em diferentes graus), caracterizados pelo foco subjectivo atribu&#237;do pelo indiv&#237;duo &#224; sua viv&#234;ncia ansiosa: uma <i>ansiedade social auto-centrada</i> (estando o foco ansioso na imagem social do pr&#243;prio indiv&#237;duo), e uma <i>ansiedade social hetero-centrada</i> (estando o foco da ansiedade nas outras pessoas e na imagem social dos grupos de perten&#231;a, tais como a fam&#237;lia, elementos do local trabalho, ou outras figuras significativas). A primeira, geralmente associada a uma auto-imagem caracterizada por valores mais elevados de independ&#234;ncia, e a segunda associada a n&#237;veis mais elevados de interdepend&#234;ncia. H&#225; no entanto uma pequena ressalva: sendo os valores mais altos de independ&#234;ncia considerados como potencialmente protectores em rela&#231;&#227;o &#224; manifesta&#231;&#227;o de sintomas de ansiedade (Kleinknecht <i>et al.,</i> 1997), gerando no indiv&#237;duo uma menor percep&#231;&#227;o do julgamento negativos dos outros enquanto amea&#231;a, como se justifica a associa&#231;&#227;o desses mesmos valores de independ&#234;ncia &#224; <i>ansiedade auto-centrada?</i> A explica&#231;&#227;o pode estar relacionada com o facto de que, por mais elevado que seja o grau de independ&#234;ncia de um indiv&#237;duo, nunca &#233; colocada em causa a sua necessidade geral de integra&#231;&#227;o social, mas sim a forma como esta se processa em termos de qualidade e quantidade.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Na pr&#225;tica cl&#237;nica &#233; importante relacionar os diversos factores e as suas interac&#231;&#245;es, devendo adoptar-se uma vis&#227;o do indiv&#237;duo enquanto Ser biopsicosocial complexo que influencia e &#233; influenciado pelo seu meio, e da ansiedade social enquanto quadro cl&#237;nico multi-determinado. Exploramos aqui a import&#226;ncia de dois factores predominantemente socioculturais relevantes: a dimens&#227;o independ&#234;ncia-interdepend&#234;ncia e o conceito de &#8220;socialmente reprov&#225;vel&#8221; como origem da experi&#234;ncia de embara&#231;o. Tal como Kleinknecht e co-autores (1997) sugerem, &#233; fundamental que os investigadores e psicoterapeutas expandam as suas defini&#231;&#245;es de ansiedade social, sendo essencial que estas incluam o papel de influ&#234;ncias culturais. Deriva da&#237; a possibilidade de que, quando tal n&#227;o ocorre, possam ser desconsiderados sintomas que n&#227;o se enquadram na defini&#231;&#227;o textual culturalmente restrita, podendo assim originar-se avalia&#231;&#245;es e interven&#231;&#245;es n&#227;o totalmente condizentes com as reais necessidades do cliente.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Uma vez que um dos modelos que tem vindo a ser mais utilizado na interven&#231;&#227;o nesta problem&#225;tica tem sido o cognitivo-comportamental (Butler, 1999; Gouveia, 2000), &#233; fundamental uma apropriada explora&#231;&#227;o do tipo, grau e foco de ansiedade exibidos pelo indiv&#237;duo para melhor compreender os seus padr&#245;es de funcionamento, permitindo assim uma adequa&#231;&#227;o correcta da reestrutura&#231;&#227;o cognitiva e estrat&#233;gias comportamentais a aplicar. Tomando-se como um dos focos poss&#237;veis para a disputa racional o conceito subjectivo que cada cliente tem do que constitui um epis&#243;dio embara&#231;oso (socialmente reprov&#225;vel) para si ou outros, e quais as suas consequ&#234;ncias, &#233; importante perceber, juntamente com este, qual considera ser o comportamento esperado de si enquanto indiv&#237;duo e enquanto membro de um grupo espec&#237;fico, trabalhando no sentido de tornar adaptativas eventuais cren&#231;as desadaptativas ou de corrigir eventuais d&#233;fices em termos de compet&#234;ncias sociais e de gest&#227;o de ansiedade. De igual relev&#226;ncia &#233; procurar avaliar que modalidade de terapia, individual ou em grupo, se adequa melhor a cada caso. Estes factores assumem particular relev&#226;ncia na pr&#225;tica de consulta psicol&#243;gica em contextos multi-culturais (Sommers-Flanagan &#38; Sommers-Flanagan, 2004).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Procurou-se valorizar e incentivar um olhar antropol&#243;gico-cultural sobre aspectos psicol&#243;gicos e sobre a pr&#243;pria interven&#231;&#227;o psicol&#243;gica, promovendo uma vis&#227;o abrangente e trans-disciplinar do Ser Humano e suas viv&#234;ncias, por oposi&#231;&#227;o a uma abordagem centrada no campo individual e som&#225;tico (que muitas vezes ignora factores sociais e/ou culturais). Para Kirmayer (2001), a investiga&#231;&#227;o psiqui&#225;trica convencional n&#227;o tem sido totalmente adequada no que concerne &#224; explora&#231;&#227;o do significado cultural do sofrimento, devido ao facto de tentar reduzir a complexidade das narrativas da doen&#231;a a uma lista de sintomas e sinais significativos. Este autor salienta, no entanto, que se tem verificado um n&#250;mero crescente de investiga&#231;&#245;es epidemiol&#243;gicas que recorrem &#224; Antropologia Cultural (tamb&#233;m referenciada como Etnografia, Antropologia Social, ou Etnologia), para complementar as suas observa&#231;&#245;es, no sentido de identificar varia&#231;&#245;es culturais fundamentais. A acultura&#231;&#227;o, processo atrav&#233;s do qual as reac&#231;&#245;es individuais se v&#227;o ajustando aos padr&#245;es de uma sociedade, e a aprendizagem social, processo atrav&#233;s da qual a cultura &#233; transmitida aos indiv&#237;duos, assumem-se aqui como factores centrais na forma geral de manifesta&#231;&#227;o de algumas formas de sofrimento, ideia refor&#231;ada no DSM-IV-TR: &#8220;<i>podem ser encontradas apresenta&#231;&#245;es conformes com a maioria das categorias do DSM-IV praticamente por todo o mundo, sendo os sintomas particulares, a evolu&#231;&#227;o e a resposta social muitas vezes influenciados por factores cultu-rais locais</i>&#8221; (APA, 2002, p. 898). O papel da acultura&#231;&#227;o, por sua vez, est&#225; ainda por determinar objectivamente.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Teve-se aqui como objectivo central fazer uma revis&#227;o de conceitos relativos aos efeitos da cultura sobre vari&#225;veis pessoais com rela&#231;&#227;o &#224; problem&#225;tica da ansiedade social, defendendo-se a ideia de que a ansiedade social &#233; um fen&#243;meno relativamente universal no que respeita &#224; vida em sociedade (tal como defendido por Kleinknecht <i>et al.,</i> 1997) devido em grande parte a quest&#245;es hier&#225;rquicas e de integra&#231;&#227;o, havendo no entanto varia&#231;&#245;es decorrentes da interac&#231;&#227;o ente aspectos culturais e aspectos individuais. Procurou-se fazer uma breve caracteriza&#231;&#227;o de quais s&#227;o essas varia&#231;&#245;es, usando como exemplo central a compara&#231;&#227;o entre culturas ocidentais (europeia e americana) e culturas orientais (asi&#225;ticas, particularmente a japonesa), e determinar quais as suas implica&#231;&#245;es em termos de concep-tualiza&#231;&#227;o e de interven&#231;&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A vida em sociedade e a integra&#231;&#227;o nesta, por muita m&#237;nima que seja, sempre foram condi&#231;&#245;es <i>sine qua non</i> para a sobreviv&#234;ncia / subsist&#234;ncia dos indiv&#237;duos que a ela pertencem, condicionando a vida pessoal e profissional de cada um. Citando Titiev (2002, p. 19), <i>&#8220;(...) n&#227;o nos podemos comportar como seres humanos a n&#227;o ser que interactuemos, pelo menos ocasionalmente, com outros membros da nossa esp&#233;cie</i>&#8221;. Quando os indiv&#237;duos falham nessa tentativa de integra&#231;&#227;o, incorrem em elevados n&#237;veis de sofrimento psicol&#243;gico e/ou encontram por vezes um refugio subjectivo no evitamento ou isolamento social (entre outras alternativas n&#227;o abordadas neste artigo), com os respectivos custos pessoais, grupais e sociais que isso acarreta. Tendo em conta a quantidade de pessoas afectadas pela ansiedade social desadaptativa nas suas mais diversas formas e o efeito desta na qualidade de vida desses indiv&#237;duos, torna-se essencial uma especial aten&#231;&#227;o para este quadro na sua generalidade, juntamente com a an&#225;lise de elementos culturais, sociais e individuais (e seus significados), por oposto &#224; focaliza&#231;&#227;o exclusiva em factores individuais e som&#225;ticos.</font></p>               ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>         <p><font face="Verdana" size="2"><b>Refer&#234;ncias</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">American Psychiatric Association [APA] (2002). <i>Manual de Diagn&#243;stico e Estat&#237;stica das Perturba&#231;&#245;es Mentais - 4<sup>a</sup> Edi&#231;&#227;o - Texto Revisto.</i>Lisboa: Climepsi Editores.</font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Azevedo, J. (1999). <i>Voos de Borboleta: Escola, Trabalho e Profiss&#227;o.</i>Porto: Asa Editores.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=461083&pid=S0874-2049200800020000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Beck, A. &#38; Emery, G. (1985). <i>Anxiety Disorders and Phobias: a Cognitive Perspective.</i> New York: Basic Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=461085&pid=S0874-2049200800020000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Butler, G. (1999). <i>Overcoming Social Anxiety and Shyness.</i>London: Robinson Publishing Ltd.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=461087&pid=S0874-2049200800020000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Costigan, C., Bardina, P., Cauce, A., Kim, G., &#38; Latendresse, S. (2006). Inter- and Intra-Group Variability in Perceptions of Behavior among Asian Americans and European Americans. <i>Cultural Diversity and Ethnic Minority Psychology, 12</i> (4), 710-724.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=461089&pid=S0874-2049200800020000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Dinnel, D., Kleinknecht, R., &#38; Tanaka-Matsumi, J. (2002). A Cross-Cultural Comparison of Social Phobia Symptoms. <i>Journal of Psychopathology and Behavioral Assessment, 24</i> (2), 75-84.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=461091&pid=S0874-2049200800020000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Furlong, A. (2008). The Japanese Hikikomori Phenomenon: Acute Social Withdrawal among Young People. <i>Sociological Review, 56</i> (2), 309-325.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=461093&pid=S0874-2049200800020000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Gielens, U., Draguns, J., &#38; Fish, J. (2008). <i>Principles of Multicultural Counseling and Therapy.</i> New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=461095&pid=S0874-2049200800020000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Gouveia, J. (2000). <i>Ansiedade Social: da Timidez &#224; Fobia Social.</i>Coimbra: Quarteto Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=461097&pid=S0874-2049200800020000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Gouveia, V., Singelis, T., &#38; Coelho, J. (2002). Escala de Auto-Imagem: Comprova&#231;&#227;o da sua Estrutura Fatorial. <i>Avalia&#231;&#227;o Psicol&#243;gica, 1,</i> 49-59.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=461099&pid=S0874-2049200800020000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Gouveia, V., Singelis, T., Guerra, V., Santos, W., &#38; Vasconcelos, T. (2005). Auto-Imagem e Sentimento de Constrangimento. <i>Psico, 36</i> (3), 231-241.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=461101&pid=S0874-2049200800020000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Harris, N. (2003). Reassessing the dimensionality of the moral emotions. <i>British Journal of Psychology, 94</i> (4), 457-473.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=461103&pid=S0874-2049200800020000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Heimberg, R., &#38; Becker, R. (2002). <i>Cognitive-Behavioral Group Therapy for Social Phobia.</i>New York: The Guilford Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=461105&pid=S0874-2049200800020000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Lewis, M., Sullivan, M., Stanger, C., &#38; Weiss, M. (1998). Self-Development and Self-Conscious Emotions. In J. Jenkins, K. Oatley &#38; N. Stein (Eds.). <i>Human Emotions: A Reader</i> (pp. 158-167). 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Cultural Variations in the Clinical Presentation of Depression and Anxiety: Implications for Diagnosis and Treatment. <i>Journal of Clinical Psychiatry, 62</i> (13), 22-30.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=461111&pid=S0874-2049200800020000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Kleinknecht, R., Dinnel, D., Kleinknecht, E., Himura, N., &#38; Harada, N. (1997). Cultural Factors in Social Anxiety: A Comparison of Social Phobia Symptom and Taijin Kyofusho. <i>Journal of Anxiety Disorders, 11,</i>157-177.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=461113&pid=S0874-2049200800020000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Marks, I., &#38; Gelder, M. (1966). Different Ages of Onset in Varieties of Phobia. <i>American Journal of Psychiatry, 123,</i>218-221.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=461115&pid=S0874-2049200800020000400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">McNally, R., Cassiday, K., &#38; Calamari, J. (1990). Taijin-Kyofu-Sho in a Black American Woman: Behavioral Treatment of a &#8220;Culture-Bound&#8221; Anxiety Disorder. <i>Journal of Anxiety Disorders, 4,</i> 83-87.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=461117&pid=S0874-2049200800020000400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Neto, F. (2003). <i>Estudos de Psicologia Intercultural: N&#243;s e os Outros</i>(2<sup>a</sup> Edi&#231;&#227;o). Lisboa: Funda&#231;&#227;o Calouste Gulbenkian.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=461119&pid=S0874-2049200800020000400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Okano, K. (1994). Shame and Social Phobia: a Trans-Cultural Viewpoint. <i>Bulletin of the Menninger Clinic, 58</i> (3), 323-338.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=461121&pid=S0874-2049200800020000400021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Okazaki, S. (2003). Expressions of Social Anxiety in Asian-Americans. <i>Psychiatric Times, 20,</i> nr.10.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=461123&pid=S0874-2049200800020000400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Organiza&#231;&#227;o Mundial de Sa&#250;de [OMS] (1993). <i>Classifica&#231;&#227;o de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10.</i> Porto Alegre: Artes M&#233;dicas.</font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Pryse-Phillips, W. (1971). An Olfactory Reference Syndrome. <i>Acta Psychiatry Scandinavia, 47,</i> 484-509.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=461126&pid=S0874-2049200800020000400024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Rees, P. (correspondente) (2002a). <i>The Mystery of the Missing Million</i>[document&#225;rio]. Reino Unido: British Broadcasting Corporation (BBC Two).</font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Rees, P. (2002b, 20 de Novembro). 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New York: Marcel Dekker Inc.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=461131&pid=S0874-2049200800020000400027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Sommers-Flanagan, J. &#38; Sommers-Flanagan, R. (2004). <i>Counseling and Psychoter-apy Theories in Context and Practice.</i> New Jersey: John Wiley &#38; Sons.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=461133&pid=S0874-2049200800020000400028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Suzuki, K., Takei, N., Kawai, M., Minabe, Y., &#38; Mori, N. (2003). Is Taijin Kyofu-sho a Culture-Bound Syndrome?. <i>American Journal of Psychiatry, 160</i> (7), 1358.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=461135&pid=S0874-2049200800020000400029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Tangney, J., Miller, R., Flicker, L., &#38; Barlow, D. (1996). Are shame, guilt, and embarrassment distinct emotions?. <i>Journal of Personality and Social Psychology, 70</i>(6), 1256-1269.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=461137&pid=S0874-2049200800020000400030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Takahashi, T. (1989). Social Phobia Syndrome in Japan. <i>Comprehensive Psychiatry, 30,</i>45-52.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=461139&pid=S0874-2049200800020000400031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Titiev, M. (2002). <i>Introdu&#231;&#227;o &#224; Antropologia Cultural (9<sup>a</sup>Edi&#231;&#227;o).</i>Lisboa: Funda&#231;&#227;o Calouste Gulbenkian.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=461141&pid=S0874-2049200800020000400032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <p>&nbsp;</p>         <p><font face="Verdana" size="2"><b>Notas</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><sup>2</sup>Abreviaturas Utilizadas: <i>Taijin-kyofu-sho</i> (TKS) / Manual de Diagn&#243;stico e Estat&#237;stica das Perturba&#231;&#245;es Mentais (DSM) / Classifica&#231;&#227;o Internacional das Doen&#231;as e Problemas de Sa&#250;de Relacionados (CID).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top3"><sup>3</sup></a><a name="3"></a>Significando &#8220;taijin&#8221; contacto face-a-face entre duas pessoas, &#8220;kyofu&#8221; medo, e &#8220;sho&#8221; sintomas; em conjunto, refere-se a sintomas de medo perante situa&#231;&#245;es sociais de contacto face-a-face.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top4"><sup>4</sup></a><a name="4"></a>Um exemplo disto ocorre relativamente ao uso de vestu&#225;rio, ou aus&#234;ncia deste, em contexto social (Titiev, 2002): ser&#225; pouco prov&#225;vel que um indiv&#237;duo pertencente a uma sociedade onde os indiv&#237;duos andem parcialmente sem vestu&#225;rio possa ficar embara&#231;ado por ser surpreendido com o corpo exposto.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top5"><sup>5</sup></a><a name="5"></a>Sendo este tema ainda pouco estudado fora do Jap&#227;o, as principais fontes utilizadas para recolher informa&#231;&#227;o consistiram em artigos e v&#237;deos de divulga&#231;&#227;o (n&#227;o-cient&#237;ficos) produzidos por correspondentes de meios de comunica&#231;&#227;o da BBC e New York Times (cf. Jones, 2006; Rees, 2002a; Rees, 2002b).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top6"><sup>6</sup></a><a name="6"></a>Derivadas, em parte, de um aumento das taxas de desemprego e da precariedade do trabalho (Azevedo, 1999), pelo menos no que respeita &#224; sociedade portuguesa.</font></p>        ]]></body>
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