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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Factores protectores e de vulnerabilidade na adaptação emocional e académica dos filhos ao divórcio dos pais]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Until the 70&#8217;s separation/divorce was mainly analysed from a moral and legal point of view and it was conceptualized as a situation with very negative consequences for children. Since then, less linear and more integrative points of view have been offering a new perspective on divorce, conceptualizing it as a complex process which includes many components (psychological, legal, economic, parental and social) and requires family and individual adaptations, both to parents and to children.This new perspective requires attention to the diversity of developmental trajectories and a new focus on the mechanisms and processes responsible for this diversity. The aim of this study is to characterize the adaptation (measured by the emotional and academic adjustment) of children from divorced families, compared to the adaptation of children from intact families. Our sample includes 426 children from third and fourth grades, their parents and teachers and it was collected in public and private schools in the North, Centre and South of Portugal.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[divórcio]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="4"><b>Factores protectores e de vulnerabilidade na adapta&#231;&#227;o emocional e acad&#233;mica dos filhos ao div&#243;rcio dos pais</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="3"><b>Risk and resilience factors in children&#8217;s academic and emotional adjustment to their parents&#8217; divorce</b></font></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Tatiana Carvalho Homem<sup>1</sup>; Maria Cristina Canavarro<sup>2</sup>; Ana Isabel Leite de Freitas Pereira<sup>3</sup></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><sup>1</sup>Unidade de Psicologia do Departamento de Psiquiatria e Sa&#250;de Mental do Hospital Infante Pedro, Aveiro.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><sup>2</sup>Faculdade de Psicologia e Ci&#234;ncias da Educa&#231;&#227;o, Unidade de Interven&#231;&#227;o Psicol&#243;gica (UnIP). Universidade de Coimbra. Maternidade Dr. Daniel de Matos - HUC, Coimbra.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><sup>3</sup>Escola Superior de Educa&#231;&#227;o Jo&#227;o de Deus, Lisboa.</font></p>      <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">At&#233; &#224; d&#233;cada de 70, a separa&#231;&#227;o/div&#243;rcio conjugal era preponderantemente analisada do ponto de vista moral e jur&#237;dico e conceptualizada como um acontecimento com consequ&#234;ncias muito negativas para o desenvolvimento dos filhos do casal. Desde essa altura, progressivamente, abordagens menos lineares e disciplinarmente mais integradoras, t&#234;m oferecido uma perspectiva sobre o div&#243;rcio como um processo complexo, que envolve v&#225;rias componentes (psicol&#243;gicas, legais, econ&#243;micas, parentais e sociais) e que exige adapta&#231;&#245;es familiares e individuais diversas, aos pais e aos filhos. Esta nova perspectiva implica uma aten&#231;&#227;o &#224; diversidade de traject&#243;rias desenvolvimentais e um foco nos mecanismos e processos respons&#225;veis por essas diferen&#231;as. Este trabalho tem como tarefa caracterizar a adapta&#231;&#227;o (avaliada atrav&#233;s do ajustamento emocional e acad&#233;mico) de crian&#231;as filhas de pais divorciados, comparando-a com a apresentada por crian&#231;as pertencentes a fam&#237;lias intactas. A amostra da investiga&#231;&#227;o, constitu&#237;da por 426 crian&#231;as do 3&#176; e 4&#176; ano do 1&#176; ciclo, os seus pais e professores, foi recolhida em v&#225;rias escolas p&#250;blicas e privadas das regi&#245;es Norte, Centro e Sul de Portugal.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave:</b> div&#243;rcio, ajustamento emocional, ajustamento acad&#233;mico, desenvolvimento.</font></p>  <hr size="1" noshade>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Until the 70&#8217;s separation/divorce was mainly analysed from a moral and legal point of view and it was conceptualized as a situation with very negative consequences for children. Since then, less linear and more integrative points of view have been offering a new perspective on divorce, conceptualizing it as a complex process which includes many components (psychological, legal, economic, parental and social) and requires family and individual adaptations, both to parents and to children.This new perspective requires attention to the diversity of developmental trajectories and a new focus on the mechanisms and processes responsible for this diversity. The aim of this study is to characterize the adaptation (measured by the emotional and academic adjustment) of children from divorced families, compared to the adaptation of children from intact families. Our sample includes 426 children from third and fourth grades, their parents and teachers and it was collected in public and private schools in the North, Centre and South of Portugal.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>KeyWords:</b> divorce, emotional adjustment, academic adjustment, child development</font></p>  <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Introdu&#231;&#227;o</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Desde o in&#237;cio do s&#233;culo XX que a estabilidade do casamento tem vindo a decrescer nas sociedades ocidentais. Portugal, a partir de 1974, tem acompanhado os outros pa&#237;ses no aumento do n&#250;mero de rupturas conjugais e no ano de 2002, segundo dados do INE, por cada 100 casamentos celebrados ocorreram 49 div&#243;rcios decretados, com um acentuado predom&#237;nio dos div&#243;rcios por m&#250;tuo consentimento (cerca de 90.9%).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Este aumento da taxa de div&#243;rcios parece estar relacionado com o aparecimento de diversos factores, entre os quais destacamos: (a) a entrada da mulher no mundo do trabalho, durante e ap&#243;s a segunda grande guerra, tornando poss&#237;vel a sua independ&#234;ncia econ&#243;mica (Pinto &#38; Pereira, 2005); (b) o aparecimento de contraceptivos orais nos anos 60, que veio permitir delinear novas estrat&#233;gias de fecundidade das fam&#237;lias; (c) a emerg&#234;ncia de valores &#8220;individualistas&#8221;, onde &#233; dado o privil&#233;gio &#224; procura da auto-realiza&#231;&#227;o em detrimento do compromisso com a fam&#237;lia e com a institui&#231;&#227;o casamento (Pryor &#38; Rogers, 2001; Torres, 1996); (d) e, finalmente, o facto de, actualmente, o div&#243;rcio j&#225; n&#227;o ser percepcionado pela sociedade como um acto marginal e culpabilizante. De facto, na Europa, o Catolicismo Romano imp&#244;s, durante muito tempo, doutrinas de indissolubilidade do casamento e em muitos pa&#237;ses da Europa o div&#243;rcio civil s&#243; passou a ser poss&#237;vel j&#225; no s&#233;culo XX (em It&#225;lia em 1970; Portugal em 1910; Espanha apenas em 1981, Torres, 1996).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Estas modifica&#231;&#245;es levaram a uma mudan&#231;a profunda ao n&#237;vel dos pap&#233;is e responsabilidades do homem e da mulher, da comunica&#231;&#227;o entre o casal e do poder relativo &#224; tomada de decis&#227;o dentro da fam&#237;lia. As rela&#231;&#245;es conjugais tornaram-se menos est&#225;veis do que anteriormente, tornando-se comum para muitas crian&#231;as viver o per&#237;odo de transi&#231;&#227;o correspondente &#224; separa&#231;&#227;o e/ou div&#243;rcio dos pais, situa&#231;&#227;o que requer uma adapta&#231;&#227;o a novas realidades familiares. Embora cada vez mais frequentes, estas modifica&#231;&#245;es na estrutura familiar n&#227;o s&#227;o, normalmente, previstas (nem desejadas) pelas crian&#231;as e acabam por conduzir &#224; necessidade de reorganiza&#231;&#227;o a diferentes n&#237;veis (familiar, econ&#243;mico e, fundamentalmente, de rela&#231;&#245;es interpessoais).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">No entanto, e apesar da frequ&#234;ncia de div&#243;rcios nas sociedades actuais, s&#243; a partir dos anos 70 &#233; que a separa&#231;&#227;o conjugal passou a ser considerada como um processo complexo de transi&#231;&#245;es envolvendo v&#225;rias componentes - emocionais, legais, econ&#243;micas, parentais e sociais - que pode comportar diversos desfechos desenvolvimentais e n&#227;o como um acontecimento inequivocamente associado a consequ&#234;ncias negativas (Amato, 2001; Emery, 1988).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Inicialmente, o div&#243;rcio foi conceptualizado como um desvio &#224; normalidade e a investiga&#231;&#227;o (Blechman, 1982; Levitin, 1979) tentava relacionar esta estrutura familiar menos desej&#225;vel com consequ&#234;ncias negativas para o ajustamento das crian&#231;as e para o seu desenvolvimento psicol&#243;gico. Este <i>modelo patog&#234;nico</i> conduziu ao estudo de amostras cl&#237;nicas durante o per&#237;odo de crise que se segue &#224; situa&#231;&#227;o de div&#243;rcio.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#192; medida que come&#231;aram a ser utilizadas amostras n&#227;o cl&#237;nicas, os investigadores foram descobrindo que, embora a maioria das crian&#231;as experiencie um per&#237;odo de crise quando os pais se separam, a longo-prazo os efeitos do div&#243;rcio dos pais s&#227;o diferentes de crian&#231;a para crian&#231;a (Hetherington, Cox &#38; Cox, 1982). Estes resultados conduziram ao abandono do modelo patog&#233;nico e as consequ&#234;ncias da separa&#231;&#227;o parental passaram a ser enquadradas de acordo com <i>modelos de stress</i> e com <i>modelos desenvolvimentais</i>.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Wallerstein e Blackeslee (1989) perspectivam a separa&#231;&#227;o parental como um poderoso factor de stress social que exige &#224;s crian&#231;as que lidem com determinadas tarefas para as quais n&#227;o est&#227;o, muitas vezes, preparadas. Completar estas tarefas com sucesso, levando as crian&#231;as a n&#227;o se desviarem de uma traject&#243;ria desenvolvimental adaptativa depende das estrat&#233;gias de <i>coping</i> das crian&#231;as e do suporte social que lhes &#233; disponibilizado para lidar com estes factores de stress.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Assim, tem-se vindo a salientar a import&#226;ncia de conceptualizar o div&#243;rcio, n&#227;o como um acontecimento discreto, mas antes como mais um elo na cadeia de transi&#231;&#245;es familiares, que deve ser analisado a diferentes n&#237;veis. A resposta a estas transi&#231;&#245;es/crises familiares depende sempre daquilo que as precede e do que sucede posteriormente (Furstenberg &#38; Kiernan, 2001).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O div&#243;rcio representa uma transi&#231;&#227;o prolongada nas vidas de pais e filhos e, para estes &#250;ltimos, a situa&#231;&#227;o de div&#243;rcio pode tornar-se particularmente dif&#237;cil devido &#224;s capacidades parentais dos progenitores se encontrarem habitualmente diminu&#237;das em muitas das suas dimens&#245;es (disciplina, tempo de brincar, apoio emocional).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Nos &#250;ltimos anos, a investiga&#231;&#227;o nesta &#225;rea (Ahrons, 2007; Amato &#38; Keith, 1991; Cowan &#38; Cowan, 1990; Heatherington, 1981; Wallerstein &#38; Kelly, 1980) tem sido muito prof&#237;cua e dela resulta a ideia consensual segundo a qual a maior parte das crian&#231;as filhas de pais separados/divorciados passa por uma fase inicial em que a separa&#231;&#227;o parental &#233; considerada como um factor causador de grande stress.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Alguns estudos (Ahrons, 2007; Edwards, 2002; Heatherington, Cox &#38; Cox, 1982) consideram que o div&#243;rcio representa uma perturba&#231;&#227;o &#224; qual a maior parte dos indiv&#237;duos acaba por se adaptar com o tempo. Ap&#243;s um per&#237;odo de perturba&#231;&#227;o emocional e de crise, que segundo alguns autores teria a dura&#231;&#227;o aproximada de tr&#234;s anos (Wallerstein &#38; Kelly, 1980), os filhos acabariam por voltar ao seu n&#237;vel de funcionamento pr&#233;-div&#243;rcio.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">No entanto, autores como Emery (1982) apontam numa direc&#231;&#227;o oposta, considerando que estar divorciado implica press&#245;es persistentes, tais como as dificuldades econ&#243;micas ou a solid&#227;o. Assim, o bem-estar psicol&#243;gico das crian&#231;as n&#227;o aumenta &#224; medida que o tempo decorre ap&#243;s a situa&#231;&#227;o de div&#243;rcio, ocorrendo antes o contr&#225;rio. Diferentes investigadores (Heatherington, Stanley-Hagan &#38; Anderson, 1989; Wallestein &#38; Kelly, 1980) t&#234;m vindo a sugerir que as crian&#231;as filhas de pais divorciados apresentam n&#237;veis de perturba&#231;&#227;o mais elevados do que as crian&#231;as filhas de fam&#237;lias intactas. Os conflitos conjugais e/ou a consequente separa&#231;&#227;o parecem estar associados &#224; emerg&#234;ncia, a longo-prazo, de situa&#231;&#245;es de depress&#227;o, desinvestimento, compet&#234;ncia social baixa, problemas de sa&#250;de e baixo rendimento acad&#233;mico dos filhos (Amato &#38; Keith, 1991; Cowan &#38; Cowan, 1990; Emery &#38; O&#8217;Leary, 1982).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">De acordo com as investiga&#231;&#245;es que acab&#225;mos de referir, as consequ&#234;ncias do div&#243;rcio para o sistema familiar n&#227;o podem ser abordadas de forma simples e linear. Pelo contr&#225;rio, elas s&#227;o influenciadas por uma multiplicidade de factores que determinam a resposta da fam&#237;lia a esta situa&#231;&#227;o. A presen&#231;a de factores de stress como o conflito, a perda, a mudan&#231;a e a incerteza, presentes no per&#237;odo durante e imediatamente ap&#243;s o div&#243;rcio, leva a que os v&#225;rios membros da fam&#237;lia estejam sujeitos a diversas modifica&#231;&#245;es nas suas vidas (Heatherington <i>et al,</i> 1982).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">De facto, t&#234;m sido propostas in&#250;meras explica&#231;&#245;es para justificar a forma como o div&#243;rcio poder&#225; ter consequ&#234;ncias negativas na vida das crian&#231;as e alterar as suas traject&#243;rias desenvolvimentais.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">De acordo com Amato e Keith (1991), as abordagens compreensivas sobre os efeitos a curto-prazo do div&#243;rcio dos pais na vida das crian&#231;as s&#227;o habitualmente orientadas por um de tr&#234;s vectores: (1) aus&#234;ncia parental; (2) desvantagem econ&#243;mica e (3) conflito familiar.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Apresentamos em seguida, de forma sum&#225;ria, cada um destes vectores:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Aus&#234;ncia Parental</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A abordagem centrada na aus&#234;ncia parental atribui os presum&#237;veis efeitos negativos do div&#243;rcio a d&#233;fices no processo de socializa&#231;&#227;o, resultantes do facto das crian&#231;as crescerem acompanhadas preponderantemente por um dos progenitores (Easterbrooks &#38; Emde, 1998; Emery, 1982). Baseia-se num pressuposto muito linear: se os progenitores s&#227;o recursos muito importantes para o desenvolvimento das crian&#231;as, ent&#227;o, a presen&#231;a dos dois progenitores ser&#225; melhor que a de um s&#243;.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Esta perspectiva tem vindo a ser criticada pelo facto de colocar a &#234;nfase na estrutura familiar, desvalorizando os processos familiares e por ser politicamente conservadora.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">V&#225;rios estudos (Amato, 1987; Heatherington <i>et al,</i> 1982) mostram que o div&#243;rcio est&#225; associado a um decr&#233;scimo na quantidade e qualidade do contacto entre as crian&#231;as e os progenitores. Por raz&#245;es &#243;bvias, este facto verifica-se em rela&#231;&#227;o ao progenitor que n&#227;o fica com a sua cust&#243;dia. Para al&#233;m disto, como habitualmente o progenitor que det&#233;m a cust&#243;dia das crian&#231;as tem de trabalhar, tamb&#233;m ele tem constrangimentos quanto ao tempo e energia que pode dedicar aos filhos. Por estas raz&#245;es, as crian&#231;as filhas de pais divorciados passam muitas vezes pela experi&#234;ncia de terem menos aten&#231;&#227;o, carinho e disponibilidade por parte dos seus pais. Este decr&#233;scimo no apoio parental pode aumentar a probabilidade de aparecerem determinados problemas como baixo rendimento acad&#233;mico, baixa auto-estima e problemas de comportamento. Por outro lado, a falta de modelos parentais no lar pode resultar numa aprendizagem inadequada das compet&#234;ncias sociais necess&#225;rias para ter sucesso no mundo exterior.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Desvantagem Econ&#243;mica</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A valoriza&#231;&#227;o deste vector, considera que o div&#243;rcio leva, habitualmente, a um decl&#237;nio nos padr&#245;es de vida das mulheres/m&#227;es, muitas vezes levando-as mesmo a viver na pobreza. Assim, seriam as dificuldades econ&#243;micas as principais respons&#225;veis pelo mal-estar nas crian&#231;as (Demo, Fine &#38; Ganong, 2000).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Esta falta de recursos econ&#243;micos aumenta o risco de aparecimento de determinados problemas nas crian&#231;as (por exemplo, nas &#225;reas de nutri&#231;&#227;o e sa&#250;de). Para al&#233;m disto, as m&#227;es sozinhas, frequentemente, n&#227;o t&#234;m capacidade econ&#243;mica que lhes permita pagar explica&#231;&#245;es, comprar brinquedos educativos, computadores e outro tipo de materiais que facilitam o sucesso acad&#233;mico das crian&#231;as. Os recursos limitados levam ainda a que, muitas vezes, as crian&#231;as tenham de viver em bairros problem&#225;ticos e com poucos recursos dispon&#237;veis. Nestes bairros as crian&#231;as t&#234;m menos acompanhamento e s&#227;o menos monitorizadas por parte dos adultos, estando mais expostas &#224; influ&#234;ncia de grupos de pares marginais.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Deste vector decorrem diferentes hip&#243;teses. Em primeiro lugar, que o bem-estar da crian&#231;a aumenta se a m&#227;e se casar de novo, j&#225; que esta uni&#227;o melhoraria as suas condi&#231;&#245;es financeiras. No entanto, v&#225;rios estudos revistos numa meta-an&#225;lise de Amato e Keith (1991) n&#227;o confirmam esta hip&#243;tese. Em segundo lugar, que as crian&#231;as ter&#227;o menos problemas se viverem com o pai, j&#225; que este, habitualmente, ganha mais do que a m&#227;e. Tamb&#233;m aqui, v&#225;rias investiga&#231;&#245;es (Dunlop &#38; Burns, 1988; Gibson, 1969; Gregory, 1965; Peterson &#38; Zill, 1986; Steinhausen <i>et al.,</i> 1987; Stephens &#38; Day, 1979, cit. por Amato &#38; Keith, 1991) sugerem que os rapazes que ficam a viver com as m&#227;es revelam um pior ajustamento psicol&#243;gico, por compara&#231;&#227;o com as raparigas, enquanto que as raparigas que ficavam a viver com os pais apresentam um pior ajustamento, por compara&#231;&#227;o com os rapazes. Se os efeitos da cust&#243;dia variam de acordo com o g&#233;nero das crian&#231;as e dos progenitores (compara&#231;&#227;o tamb&#233;m realizada por C&#226;mara &#38; Resnick, 1988), ent&#227;o este padr&#227;o parece apoiar mais uma perspectiva baseada na aus&#234;ncia parental do que a da desvantagem econ&#243;mica.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><i>Conflito Familiar</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A &#234;nfase colocada neste vector salienta que o conflito conjugal antes e durante o per&#237;odo de separa&#231;&#227;o &#233; o principal factor de stress para as crian&#231;as. A hostilidade inter parental cria um ambiente familiar de tens&#227;o, no qual as crian&#231;as experienciam stress, infelicidade e inseguran&#231;a.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">De acordo com Easterbrooks e Emde (1988) diferentes mecanismos podem explicar os resultados negativos do conflito no casal. Por um lado, as crian&#231;as podem assumir os sintomas do conflito em si pr&#243;prios, isto &#233;, receando o div&#243;rcio dos pais, as crian&#231;as podem exibir mais comportamentos desadequados, numa tentativa de distrair os pais dos seus conflitos conjugais. Por outro lado, ao serem expostas a situa&#231;&#245;es de conflito conjugal, as crian&#231;as aprendem por modelagem padr&#245;es negativos de resolu&#231;&#227;o de conflitos, e com maior probabilidade utilizam estes mesmos padr&#245;es na gest&#227;o dos seus pr&#243;prios conflitos (Easterbrooks &#38; Emde, 1988; Emery, 1982).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Heatherington <i>et al.,</i> (1982), formularam ainda uma hip&#243;tese de socializa&#231;&#227;o, sugerindo que os conflitos conjugais podem tamb&#233;m levar &#224; inconsist&#234;ncia da disciplina dada aos filhos, que por sua vez teria consequ&#234;ncias negativas para a adapta&#231;&#227;o dos filhos.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#201; tamb&#233;m poss&#237;vel que certas caracter&#237;sticas como a hostilidade ou o desinvestimento na rela&#231;&#227;o conjugal possam tornar as interac&#231;&#245;es particularmente perturbadoras para as crian&#231;as. A frequ&#234;ncia e a intensidade do conflito, bem como o grau em que as crian&#231;as s&#227;o expostas directamente a estes conflitos, t&#234;m sido identificadas como dimens&#245;es com um grande impacto no desenvolvimento infantil (Heatherington <i>et</i> al.,1982).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">De salientar que a hip&#243;tese do conflito familiar como principal factor de stress &#233; aquela que tem recolhido maior suporte emp&#237;rico (Easterbrooks e Emde, 1988; Heatherington <i>et</i> al.,1982; Pruett <i>et al,</i> 2003).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Ainda relativamente aos efeitos do div&#243;rcio dos pais a curto-prazo na vida das crian&#231;as, consideramos pertinente referir tamb&#233;m a import&#226;ncia de uma quarta vari&#225;vel, a qualidade da rela&#231;&#227;o entre pais e filhos.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A rela&#231;&#227;o emocional ou de vincula&#231;&#227;o entre os progenitores e as crian&#231;as pode ser perturbada pelo conflito parental, havendo uma tend&#234;ncia para as crian&#231;as que vivem em lares mais conflituosos desenvolverem um estilo de vincula&#231;&#227;o mais inseguro (Cummings, Davies &#38; Campbell, 2000). Tamb&#233;m neste sentido apontam diferentes investiga&#231;&#245;es (por exemplo, Edwards, 2002; Frosch &#38; Mangelsdor, 2001) que consideram que a rela&#231;&#227;o conjugal influencia de forma significativa o comportamento parental e os seus resultados ao n&#237;vel do desenvolvimento das crian&#231;as, referindo que o conflito conjugal est&#225; associado a rela&#231;&#245;es de vincula&#231;&#227;o inseguras.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Assim, o conflito conjugal e o stress parecem afectar o funcionamento da crian&#231;a atrav&#233;s do impacto negativo que t&#234;m sobre o comportamento parental. De um modo mais espec&#237;fico, a interac&#231;&#227;o entre o comportamento conjugal e o comportamento parental &#233; muito importante para compreendermos a associa&#231;&#227;o entre comportamento conjugal, comportamento parental e problemas de comportamento nas crian&#231;as, isto &#233;, a combina&#231;&#227;o entre uma rela&#231;&#227;o conjugal menos positiva e uma parentalidade menos apoiante e carinhosa, parece ser verdadeiramente problem&#225;tica para as crian&#231;as (Frosch &#38; Mangelsdor, 2001).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Em s&#237;ntese, inicialmente, o estudo dos efeitos do div&#243;rcio na fam&#237;lia foi perspectivado em torno da emerg&#234;ncia de problemas de comportamento ap&#243;s a separa&#231;&#227;o. No entanto, investiga&#231;&#245;es recentes (Edwards, 2002; Furstenberg &#38; Kiernan, 2001) t&#234;m colocado a &#234;nfase num variado leque de respostas &#224;s transi&#231;&#245;es de vida. Embora ainda se debata hoje a magnitude e dura&#231;&#227;o dos efeitos da separa&#231;&#227;o parental nas crian&#231;as, as investiga&#231;&#245;es realizadas nos &#250;ltimos dez anos t&#234;m conclu&#237;do que, para compreendermos a variedade de respostas &#224; situa&#231;&#227;o de div&#243;rcio parental, temos de analisar as interac&#231;&#245;es entre as diferen&#231;as individuais e familiares e caracter&#237;sticas extra-familiares.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Este reconhecimento de que o div&#243;rcio faz parte de uma cadeia de transi&#231;&#245;es familiares e de experi&#234;ncias de vida e que a resposta individual a esta situa&#231;&#227;o &#233; muito variada, tem tido uma grande influ&#234;ncia sobre os modelos te&#243;ricos que procuram explicar a forma como as crian&#231;as se adaptam &#224; situa&#231;&#227;o de separa&#231;&#227;o parental (Furstenberg &#38; Kiernan, 2001).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Assim, ao abordarmos as consequ&#234;ncias do div&#243;rcio para o desenvolvimento infantil a longo prazo, torna-se mais &#250;til a utiliza&#231;&#227;o de uma grelha de leitura desenvolvimentista, como a que &#233; oferecida pela Psicopatologia do Desenvolvimento, que considera que os factores que antecedem e precedem a transi&#231;&#227;o familiar interagem com mudan&#231;as estruturais como o div&#243;rcio ou a forma&#231;&#227;o de uma nova fam&#237;lia, conceptualizando cada consequ&#234;ncia como o resultado de um processo din&#226;mico que envolve diferentes componentes.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Uma abordagem desenvolvimentista permite-nos uma compreens&#227;o mais clara das implica&#231;&#245;es do div&#243;rcio para o desenvolvimento infantil e permite ainda, de uma forma mais precisa, o conhecimento dos factores protectores e dos factores de risco que podem promover ou dificultar um bom ajustamento emocional e acad&#233;mico &#224; situa&#231;&#227;o de div&#243;rcio parental.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Neste contexto, a presente investiga&#231;&#227;o, realizada com crian&#231;as em idade escolar, tem como principal objectivo caracterizar e comparar s&#243;cio-demograficamente crian&#231;as de fam&#237;lias divorciadas e crian&#231;as de fam&#237;lias intactas, bem como comparar estes dois grupos em rela&#231;&#227;o ao seu n&#237;vel de ajustamento emocional e acad&#233;mico.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O presente estudo, tem ainda como objectivo analisar os factores sexo e tempo de div&#243;rcio enquanto poss&#237;veis moderadores do efeito do div&#243;rcio no ajustamento emocional e acad&#233;mico da crian&#231;a. Em rela&#231;&#227;o &#224; primeira vari&#225;vel, o tempo decorrido desde o div&#243;rcio, v&#225;rios estudos sugerem que ap&#243;s uma fase inicial de perturba&#231;&#227;o, a maioria das crian&#231;as atinge os n&#237;veis de funcionamento pr&#233;-div&#243;rcio (Ahrons, 2007; Edwards, 2002; Heatherington <i>et al,</i> 1982).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Quanto &#224; vari&#225;vel sexo da crian&#231;a, alguns estudos sugerem que os conflitos conjugais e a separa&#231;&#227;o parental est&#227;o associados a problemas de controlo comportamental nos rapazes, enquanto que as raparigas parecem apresentar mais problemas de depress&#227;o e ansiedade (Amato &#38; Keith, 1991; Cowan &#38; Cowan, 1990; Emery &#38; O&#8217;Leary, 1982). Assim, o presente estudo, avaliando o ajustamento emocional atrav&#233;s da considera&#231;&#227;o simult&#226;nea das duas principais dimens&#245;es de psicopatologia na inf&#226;ncia, problemas de interioriza&#231;&#227;o e problemas de externaliza&#231;&#227;o, torna poss&#237;vel a averigua&#231;&#227;o do impacto diferencial do div&#243;rcio em fun&#231;&#227;o do sexo das crian&#231;as.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>M&#233;todo</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A amostra total &#233; constitu&#237;da por 426 crian&#231;as que frequentavam o 1&#176; ciclo do ensino b&#225;sico. As crian&#231;as tinham idades compreendidas entre os 8 e os 10 anos, sendo a idade m&#233;dia de 8,95. O grupo de crian&#231;as apresenta uma propor&#231;&#227;o equilibrada de crian&#231;as do sexo feminino e do sexo masculino (52,5% de crian&#231;as do sexo masculino).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Foram constitu&#237;dos dois grupos de participantes designados <i>grupo de crian&#231;as filhas de pais divorciados,</i> constitu&#237;do por 67 crian&#231;as (presen&#231;a de separa&#231;&#227;o/div&#243;rcio parental) e <i>grupo de compara&#231;&#227;o,</i> constitu&#237;do por 362 crian&#231;as (perten&#231;a a fam&#237;lias intactas).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A an&#225;lise comparativa dos grupos revelou que, relativamente ao sexo, ao n&#237;vel de escolaridade, &#224; idade das crian&#231;as e &#224; idade dos pais das crian&#231;as n&#227;o existem diferen&#231;as estatisticamente significativas entre os dois grupos. Tamb&#233;m em rela&#231;&#227;o ao n&#237;vel s&#243;cio-econ&#243;mico n&#227;o h&#225; diferen&#231;as significativas entre os grupos.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Foram encontradas diferen&#231;as estatisticamente significativas quanto &#224; idade da m&#227;e <i>(t</i> = 3,372, <i>p</i> &#60; 0,001) e ao n&#250;mero de irm&#227;os (x<sup>2</sup> = 15,62<i>p</i> &#60; 0,001).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Quanto ao grupo de crian&#231;as filhas de pais divorciados, salientamos que cerca de 31,3% das m&#227;es e 32,8% dos pais destas crian&#231;as voltaram a casar. No que diz respeito ao tempo de dura&#231;&#227;o do div&#243;rcio dos progenitores, h&#225; uma maior percentagem de crian&#231;as filhas de pais divorciados h&#225; mais de 3 anos (54,8%).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Importa salientar que a categoriza&#231;&#227;o desta vari&#225;vel em apenas duas categorias (div&#243;rcio h&#225; tr&#234;s ou menos anos e div&#243;rcio h&#225; mais de tr&#234;s anos) teve por base a literatura na &#225;rea (por exemplo, Wallerstein &#38; Kelly, 1980) onde &#233; referido que os tr&#234;s anos p&#243;s-div&#243;rcio correspondem ao per&#237;odo de maior crise na adapta&#231;&#227;o ao div&#243;rcio.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Procedimentos</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Depois de concedida autoriza&#231;&#227;o pelas Direc&#231;&#245;es Regionais de Educa&#231;&#227;o do Norte, Centro e Sul, os dados foram recolhidos em Escolas da Associa&#231;&#227;o de Jardins Escolas Jo&#227;o de Deus e em Escolas da Rede P&#250;blica, nas seguintes zonas geogr&#225;ficas: Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, entre Mar&#231;o de 2003 e Julho de 2003. A maior percentagem de crian&#231;as &#233; oriunda da zona de Lisboa e da zona do Porto.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O facto da recolha da amostra ter sido efectuada com crian&#231;as de diferentes zonas do pa&#237;s teve como objectivo analisar a influ&#234;ncia da perten&#231;a a diferentes zonas geogr&#225;ficas, com valores culturais distintos, na adapta&#231;&#227;o ao div&#243;rcio dos pais.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Foi utilizado um protocolo constitu&#237;do por diversos question&#225;rios para ser preenchido pelas crian&#231;as, pelos pais e pelos professores. O presente estudo recorreu apenas a alguns instrumentos que faziam parte de um protocolo de avalia&#231;&#227;o mais alargado realizado no &#226;mbito do Projecto de Investiga&#231;&#227;o: <i>Dimens&#245;es Relacionais da Inf&#226;ncia e Ajustamento Emocional e Acad&#233;mico -Um estudo longitudinal com crian&#231;as do 1&#176; e 2&#176; ciclos do ensino b&#225;sico.</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Para a selec&#231;&#227;o da amostra, foram contactados professores do 1&#176; ciclo que leccionavam turmas de alunos dos 3&#176; e 4&#176; anos de escolaridade, tendo cada professor seleccionado aleatoriamente entre 3 a 11 alunos. Em seguida, foi tamb&#233;m pedida a autoriza&#231;&#227;o dos pais para a recolha de dados e a sua colabora&#231;&#227;o para o preenchimento dos question&#225;rios.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Instrumentos</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A bateria de avalia&#231;&#227;o utilizada na presente investiga&#231;&#227;o inclui diferentes tipos de instrumentos de avalia&#231;&#227;o. Para al&#233;m do <i>Question&#225;rio de Identifica&#231;&#227;o da Crian&#231;a e da Fam&#237;lia,</i> preenchido pelos professores de todas as crian&#231;as que participaram no estudo e cujos dados se destinam &#224; caracteriza&#231;&#227;o da amostra em termos s&#243;cio-demogr&#225;ficos (idade, sexo, quest&#245;es relativas &#224; situa&#231;&#227;o escolar da crian&#231;a, composi&#231;&#227;o do agregado familiar, habilita&#231;&#245;es liter&#225;rias e situa&#231;&#227;o profissional dos pais, situa&#231;&#227;o conjugal dos pais), no presente estudo foram utilizados o <i>Child Behaviour Checklist </i>de Achenbach (CBCL) e o <i>Teacher&#39;s Report Form</i> (TRF), tamb&#233;m desenvolvido por Achenbach, nas vers&#245;es para a popula&#231;&#227;o portuguesa de Fonseca, Sim&#245;es, Rebelo, Ferreira e Cardoso, respectivamente de 1994 e 1995.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O CBCL &#233; um question&#225;rio que permite registar, de forma estandardizada, as compet&#234;ncias e os problemas de comportamento da crian&#231;a e do adolescente, com base na informa&#231;&#227;o fornecida pelos pais ou seus substitutos. Inclui vinte perguntas relativas &#224;s compet&#234;ncias do indiv&#237;duo em &#225;reas como a participa&#231;&#227;o em desportos, passatempos, trabalhos, interac&#231;&#245;es sociais, desempenho escolar (quantitativa e qualitativamente) e 120 itens (dois deles itens abertos) relativos a diferentes problemas de comportamento e/ou perturba&#231;&#245;es emocionais registados numa escala de 0 a 2 (&#8216;n&#227;o &#233; verdadeiro&#39; at&#233; &#8216;&#233; muito verdadeiro&#39;).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">No presente estudo s&#227;o utilizados os resultados do question&#225;rio relativos &#224; pontua&#231;&#227;o global e os resultados para cada uma de duas dimens&#245;es (problemas de comportamento exteriorizados e problemas internalizados).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O TRF &#233; um question&#225;rio que permite registar de forma estandardizada as compet&#234;ncias e os problemas de comportamento da crian&#231;a e do adolescente, com base na informa&#231;&#227;o fornecida pelos professores. Consta de uma primeira parte com itens relativos a dados demogr&#225;ficos, avalia&#231;&#245;es do rendimento escolar e avalia&#231;&#227;o do funcionamento geral em sala de aula e 120 itens (dois deles itens abertos), 25 dos quais especificamente escolares e os restantes iguais aos da vers&#227;o correspondente para pais. Os itens s&#227;o registados numa escala de 0 a 2 (&#8216;n&#227;o &#233; verdadeiro&#8217; at&#233; &#8216;&#233; muito verdadeiro&#8217;).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">No presente estudo s&#227;o utilizados os resultados do question&#225;rio relativos &#224; pontua&#231;&#227;o global, os resultados para cada uma de duas dimens&#245;es (problemas de comportamento exteriorizados e problemas internalizados) e o resultado relativamente &#224; compet&#234;ncia acad&#233;mica.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os estudos psicom&#233;tricos das vers&#245;es portuguesas de ambos os question&#225;rios indicam n&#237;veis adequados de fiabilidade e de validade (Fonseca <i>et al,</i> 1994, Fonseca <i>et al,</i> 1995; Pereira, 2007).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os resultados dos estudos (Fonseca <i>et al,</i> 1994; Fonseca <i>et al,</i> 1995) relativos &#224; fiabilidade revelam &#237;ndices de consist&#234;ncia interna elevados para as pontua&#231;&#245;es globais do CBCL (a =0,93) e para as pontua&#231;&#245;es globais do TRF (a =0,93). No mesmo sentido os estudos (Pereira, 2007), relativos &#224; fiabilidade das dimens&#245;es de internaliza&#231;&#227;o e externaliza&#231;&#227;o, tamb&#233;m apresentam n&#237;veis elevados de consist&#234;ncia interna (a =0,84 para o CBCL internaliza&#231;&#227;o, <i>a</i> = 0,88 para o CBCL externaliza&#231;&#227;o, <i>a</i> =0,89 para o TRF internaliza&#231;&#227;o e <i>a</i> = 0,95 para o TRF externaliza&#231;&#227;o).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Procedimentos estat&#237;sticos</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Num primeiro momento, foram realizados testes Qui-Quadrado (com correc&#231;&#227;o de Yates no caso das tabelas de conting&#234;ncia 2x2), de forma a explorar a exist&#234;ncia de diferen&#231;as entre os dois grupos, crian&#231;as filhas de pais divorciados e crian&#231;as de &#8220;fam&#237;lias intactas&#8221;, quanto &#224;s caracter&#237;sticas s&#243;cio-demogr&#225;ficas.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Num segundo momento, foram analisadas as diferen&#231;as entre os dois grupos quanto aos diferentes indicadores de ajustamento. De forma a podermos recorrer &#224; utiliza&#231;&#227;o de testes param&#233;tricos, as seis vari&#225;veis relativas ao ajustamento emocional - TRF total, TRF internaliza&#231;&#227;o, TRF externaliza&#231;&#227;o, CBCL total, CBCL internaliza&#231;&#227;o, CBCL externaliza&#231;&#227;o - que n&#227;o seguiam uma distribui&#231;&#227;o normal, foram sujeitas a transforma&#231;&#245;es logar&#237;tmicas, com o objectivo de obter distribui&#231;&#245;es mais aproximadas &#224; normal. De seguida recorremos a testes <i>t</i> de <i>Student</i> para amostras independentes, de forma a explorarmos a exist&#234;ncia de diferen&#231;as entre os dois grupos quanto ao ajustamento emocional e acad&#233;mico.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Por &#250;ltimo, foram realizadas an&#225;lises suplementares, an&#225;lises de vari&#226;ncia a dois factores, (3x2), considerando os efeitos das vari&#225;veis situa&#231;&#227;o conjugal e tempo de div&#243;rcio (n&#227;o divorciado, divorciado h&#225; menos de 3 anos e divorciado h&#225; mais de 3 anos) e sexo das crian&#231;as (masculino e feminino), uma vez que na literatura o tempo de div&#243;rcio e o sexo das crian&#231;as s&#227;o referidos como influenciando o ajustamento infantil &#224; situa&#231;&#227;o de div&#243;rcio parental. Quando se verificaram efeitos estatisticamente significativos realizaram-se compara&#231;&#245;es m&#250;ltiplas par a par recorrendo ao procedimento Tukey HSD, ap&#243;s ter sido verificado o pressuposto da igualdade de vari&#226;ncias.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Para o tratamento estat&#237;stico dos dados utilizou-se a vers&#227;o 12,0 do programa SPSS (<i>Statistical Package for the Social Sciences).</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Resultados</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Caracter&#237;sticas s&#243;cio-demogr&#225;ficas</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">No <a href="/img/revistas/psi/v23n1/23n1a01q1.jpg">Quadro 1</a>, podemos analisar as diferen&#231;as entre o grupo de crian&#231;as de fam&#237;lias divorciadas e o grupo de crian&#231;as de fam&#237;lias intactas quanto aos dados s&#243;cio-demogr&#225;ficos. Como podemos observar, verificam-se apenas diferen&#231;as estatisticamente significativas entre os dois grupos quanto ao tipo de resid&#234;ncia e n&#250;mero de irm&#227;os. Os resultados revelam um maior n&#250;mero de crian&#231;as que s&#227;o filhas &#250;nicas e de crian&#231;as residentes em zona urbana no grupo de crian&#231;as de fam&#237;lias divorciadas por compara&#231;&#227;o ao grupo de crian&#231;as de fam&#237;lias intactas.</font></p>        
<p><font face="Verdana" size="2"><i>Ajustamento emocional e acad&#233;mico</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Posteriormente, procedemos &#224; compara&#231;&#227;o dos resultados obtidos pelas crian&#231;as pertencentes a fam&#237;lias intactas com os resultados obtidos pelas crian&#231;as pertencentes a fam&#237;lias separadas/divorciadas nos question&#225;rios de ajustamento emocional e acad&#233;mico <i>(Teacher&#39;s Report Form</i> e <i>Child Behaviour Checklist)</i>.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Como podemos observar no <a href="/img/revistas/psi/v23n1/23n1a01q2.jpg">Quadro 2</a>, n&#227;o se verificam diferen&#231;as estatisticamente significativas em nenhum dos indicadores de ajustamento emocional e acad&#233;mico, avaliados pelos pais e pelos professores</font></p>       
<p><font face="Verdana" size="2">Por &#250;ltimo, foram realizadas an&#225;lises suplementares e an&#225;lises de vari&#226;ncia a dois factores considerando os efeitos de interac&#231;&#227;o entre as vari&#225;veis sexo e situa&#231;&#227;o conjugal/tempo de div&#243;rcio.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">De acordo com os resultados das an&#225;lises apresentadas no <a href="/img/revistas/psi/v23n1/23n1a01q3.jpg">Quadro 3</a>, observam-se efeitos principais do factor sexo da crian&#231;a para a sub-escala exterioriza&#231;&#227;o do TRF, ou seja, os professores percepcionam os rapazes como exibindo mais problemas de comportamento do que as raparigas.</font></p>        
<p><font face="Verdana" size="2">Observam-se igualmente efeitos principais do factor situa&#231;&#227;o conjugal dos pais/tempo de dura&#231;&#227;o do div&#243;rcio para a sub-escala internaliza&#231;&#227;o do CBCL. As an&#225;lises de compara&#231;&#245;es m&#250;ltiplas recorrendo ao teste Tukey revelam que as crian&#231;as filhas de pais divorciados h&#225; tr&#234;s ou menos anos percepcionadas pelos pais como tendo mais problemas de internaliza&#231;&#227;o do que as crian&#231;as de fam&#237;lias intactas ou crian&#231;as filhas de pais divorciados h&#225; mais de tr&#234;s anos. De notar que n&#227;o encontr&#225;mos efeitos de interac&#231;&#227;o entre o sexo e o tempo de div&#243;rcio.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>Discuss&#227;o</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">At&#233; meados da d&#233;cada de 70, a maior parte da literatura conceptualizava as consequ&#234;ncias da separa&#231;&#227;o parental para o desenvolvimento infantil de uma forma negativa. Actualmente, v&#225;rios autores caracterizam o div&#243;rcio como um processo complexo e que engloba uma multiplicidade de factores, focalizando-se nos diferentes mecanismos de protec&#231;&#227;o e de vulnerabilidade infantil.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O presente estudo enquadra-se assim numa perspectiva mais desenvolvimentista, procurando analisar os factores que antecedem e sucedem &#224; situa&#231;&#227;o de div&#243;rcio.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os resultados da presente investiga&#231;&#227;o revelam que, ao comparar uma amostra de crian&#231;as oriundas de fam&#237;lias divorciadas com uma amostra de crian&#231;as oriundas de fam&#237;lias intactas, h&#225; diferen&#231;as estatisticamente significativas no que toca ao tipo de resid&#234;ncia e n&#250;mero de irm&#227;os. Os resultados revelam um maior n&#250;mero de crian&#231;as filhas &#250;nicas no grupo de fam&#237;lias divorciadas por compara&#231;&#227;o ao grupo de crian&#231;as de fam&#237;lias intactas. Estes resultados v&#227;o no mesmo sentido dos resultados de outros estudos, que indicam que nos casais com mais filhos &#233; menos prov&#225;vel a ocorr&#234;ncia de div&#243;rcio do que nos casais que n&#227;o t&#234;m filhos (por exemplo, Waite, Haggstrom &#38; Kanouse, 1985). Uma hip&#243;tese que colocamos para explicar os dados da presente investiga&#231;&#227;o &#233; o facto do maior n&#250;mero de filhos nas fam&#237;lias intactas ser indicativo de uma rela&#231;&#227;o conjugal satisfat&#243;ria ou mais est&#225;vel, ou ainda, o facto de nas fam&#237;lias com mais filhos a sobrecarga financeira poder ser um constrangimento ao div&#243;rcio.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">J&#225; em rela&#231;&#227;o &#224; zona de resid&#234;ncia, os resultados da nossa investiga&#231;&#227;o parecem corroborar a ideia que nas zonas urbanas, por toda uma cultura mais individualista, pela crescente urbaniza&#231;&#227;o e pelo papel profissional e econ&#243;mico que a mulher tem vindo a assumir (Pinto &#38; Pereira, 2005), a probabilidade de haver div&#243;rcios aumente.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">No que diz respeito ao ajustamento emocional e acad&#233;mico, e ao contr&#225;rio dos resultados de outras investiga&#231;&#245;es (Amato &#38; Keith, 1991; Cowan &#38; Cowan, 1990; Emery, 1982; Emery &#38; O&#8217;Leary, 1982; Hetherington &#38; Stanley-Hagan,1999) que sugerem que as crian&#231;as filhas de pais divorciados apresentam n&#237;veis de perturba&#231;&#227;o mais elevados do que as crian&#231;as filhas de fam&#237;lias intactas, os dados aqui apresentados parecem indicar que, para a amostra em estudo, os &#237;ndices de ajustamento acad&#233;mico e emocional n&#227;o se mostraram discriminadores dos dois grupos de crian&#231;as.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Uma explica&#231;&#227;o poss&#237;vel para estes dados &#233; o facto de a maior parte das fam&#237;lias do grupo de fam&#237;lias separadas/divorciadas da nossa amostra (54,8%) encontrar-se divorciada h&#225; mais de tr&#234;s anos, podendo ter j&#225; ultrapassado o per&#237;odo que na literatura &#233; descrito como per&#237;odo de crise e encontrando-se, por isso, mais adaptada &#224; situa&#231;&#227;o de div&#243;rcio. De facto, este resultado &#233; confirmado pelos resultados das an&#225;lises que consideram a vari&#225;vel tempo do div&#243;rcio: &#233; no grupo de fam&#237;lias separadas h&#225; menos de tr&#234;s anos que se verificam mais problemas de internaliza&#231;&#227;o, avaliados pelos pais, dados que corroboram os resultados referidos por diferentes investiga&#231;&#245;es (Emery, 1988; Long &#38; Forehand, 1987; Wallerstein &#38; Kelly, 1980) que salientam que os efeitos mais negativos do div&#243;rcio parental tendem a desaparecer nos dois/tr&#234;s anos ap&#243;s a sua ocorr&#234;ncia. Parece ser consensual que, durante este per&#237;odo de tempo, poder&#227;o emergir algumas altera&#231;&#245;es comportamentais e quebra no rendimento acad&#233;mico das crian&#231;as, sendo por isso considerado um per&#237;odo de crise. Ap&#243;s este per&#237;odo, o comportamento das crian&#231;as tende a estabilizar.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os resultados do presente trabalho v&#227;o ao encontro do que acima referimos, j&#225; que as crian&#231;as cujos pais est&#227;o separados h&#225; tr&#234;s ou menos anos s&#227;o percepcionadas pelos pais como revelando, globalmente, maiores dificuldades de ajustamento emocional. No entanto, importa salientar que estes resultados, para al&#233;m de poderem representar diferen&#231;as &#8220;reais&#8221; no ajustamento deste grupo de crian&#231;as, podem dever-se tamb&#233;m a diferen&#231;as na percep&#231;&#227;o dos progenitores. &#201; poss&#237;vel que os pais destas crian&#231;as estejam mais atentos a poss&#237;veis altera&#231;&#245;es de comportamento e mais preocupados com o seu bem-estar psicol&#243;gico, podendo mesmo sobrevalorizar alguns comportamentos das crian&#231;as e justificando-se assim as pontua&#231;&#245;es mais elevadas obtidas por este grupo no CBCL.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O sexo das crian&#231;as e o seu impacto no ajustamento emocional e acad&#233;mico ap&#243;s o div&#243;rcio parental, tem sido uma das vari&#225;veis mais estudadas nesta &#225;rea (Amato &#38; Keith, 1991; Emery &#38; O&#8217;Leary, 1982; Heatherington &#38; Stanley-Hagan, 1999; Wallerstein &#38; Kelly, 1980), n&#227;o sendo os resultados apresentados consensuais. Alguns autores (por exemplo, Amato &#38; Keith, 1991; Wallerstein &#38; Kelly, 1980) sugerem que o div&#243;rcio origina mais problemas de comportamento nos rapazes do que nas raparigas, sobretudo quando s&#227;o mais jovens, enquanto que outros (por exemplo, Hetherington &#38; Stanley Hagan, 1999) salientam um aumento de problemas de comportamento nas raparigas adolescentes em rela&#231;&#227;o aos rapazes adolescentes. A investiga&#231;&#227;o tem mostrado tamb&#233;m que os rapazes respondem &#224; situa&#231;&#227;o de separa&#231;&#227;o parental com um aumento de problemas do comportamento exteriorizado, enquanto que as raparigas teriam mais problemas ao n&#237;vel do comportamento internalizado (Emery &#38; O&#8217;Leary, 1982).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">No presente estudo, os resultados n&#227;o parecem corroborar os dados acima descritos, uma vez que n&#227;o se verificaram efeitos moderadores da vari&#225;vel sexo, considerando as diferentes dimens&#245;es de ajustamento estudadas.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">No geral, estes resultados parecem apoiar a vis&#227;o mais recente sobre as consequ&#234;ncias da separa&#231;&#227;o parental para o desenvolvimento infantil, vis&#227;o esta que des-catastrofiza o car&#225;cter traumatizante deste acontecimento de vida, defendendo antes a exist&#234;ncia de uma grande variabilidade nas respostas das crian&#231;as a esta situa&#231;&#227;o, que ir&#225; depender da interac&#231;&#227;o entre as caracter&#237;sticas individuais, familiares e extra-familiares da crian&#231;a.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#201; importante salientar algumas limita&#231;&#245;es do nosso estudo, que colocam reservas &#224; generaliza&#231;&#227;o dos resultados e &#224;s conclus&#245;es inferidas.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Uma primeira limita&#231;&#227;o est&#225; relacionada com os m&#233;todos de recolha de dados. Embora tenham sido utilizadas m&#250;ltiplas fontes de informa&#231;&#227;o (crian&#231;as, pais e professores), a utiliza&#231;&#227;o de question&#225;rios de auto-preenchimento como metodologia de avalia&#231;&#227;o apresenta algumas limita&#231;&#245;es decorrentes, por exemplo, de factores relacionados com a compreens&#227;o das escalas, com a motiva&#231;&#227;o dos sujeitos e com poss&#237;veis enviesamentos. Ainda em termos metodol&#243;gicos, o estudo n&#227;o permite estabelecer a causalidade emp&#237;rica das rela&#231;&#245;es encontradas, sendo o seu sentido determinado atrav&#233;s do quadro conceptual de refer&#234;ncia.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Para al&#233;m disto, as dimens&#245;es muito diferentes das amostras e o facto de, quando analis&#225;mos os efeitos do div&#243;rcio, n&#227;o termos controlado factores importantes como o n&#237;vel de conflito entre os progenitores, as outras transi&#231;&#245;es p&#243;s-div&#243;rcio (por exemplo, o <i>recasamento</i> de um dos progenitores), o n&#237;vel s&#243;cio-econ&#243;mico e a qualidade da rela&#231;&#227;o entre pais e filhos, constituem tamb&#233;m limita&#231;&#245;es do nosso estudo.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Apesar destas limita&#231;&#245;es, consideramos que o presente estudo tem alguns pontos fortes que julgamos importante salientar, nomeadamente, a dimens&#227;o da amostra, o recurso a m&#250;ltiplos informadores para avaliar o ajustamento da crian&#231;a, o facto de termos tido em considera&#231;&#227;o os diferentes dom&#237;nios de ajustamento, incluindo as dimens&#245;es de internaliza&#231;&#227;o e de exterioriza&#231;&#227;o.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Assim, torna-se importante passarmos, numa segunda fase do nosso estudo, &#224; an&#225;lise de algumas vari&#225;veis que poder&#227;o estar a funcionar como factores protectores para estas crian&#231;as, permitindo-lhes assim manifestarem comportamentos ajustados e bem-estar psicol&#243;gico. Este objectivo vai ao encontro da perspectiva de v&#225;rios autores (Heatherington <i>et al.,</i> 1982; Wallerstein, 1989) que defendem que as consequ&#234;ncias da separa&#231;&#227;o parental para o desenvolvimento infantil dependem, sobretudo, das suas estrat&#233;gias de <i>coping</i> e do suporte social que &#233; disponibilizado para lidar com estes factores de stress. Para al&#233;m disto, enquadra-se tamb&#233;m nos objectivos das grelhas de leitura desenvolvimentistas, interessando-se pelas crian&#231;as filhas de pais divorciados enquanto grupo de risco (em termos de ajustamento emocional e acad&#233;mico) e tornando importante a compreens&#227;o de quais os mecanismos e processos que moderam as consequ&#234;ncias dos factores de risco.</font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Refer&#234;ncias</b></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Ahrons. C. (1983). Divorce: Before, during and after. In H. McCubbin &#38; C. Figley (Eds), <i>Stress and the family: Coping with normative transitions</i> (pp. 102-115). New York: Brunner/ Mazel Publishers.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=462547&pid=S0874-2049200900010000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Amato, P. (2001). Children of divorce in the 1990s: An update of the Amato and Keith (1991) meta-analysis. <i>Journal of Family Psychology, 15,</i> 355-370.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=462549&pid=S0874-2049200900010000100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Amato, P., &#38; Keith, B. (1991). Parental divorce and the well being of children: A meta-analysis. <i>Psychological Bulletin, 110</i> (1), 26-46.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=462551&pid=S0874-2049200900010000100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Blechman, E. A. (1982). Are children with one parent at psychiatric risk? A methodological review. <i>Jornal of Marriage and the Family, 44,</i> 179-195.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=462553&pid=S0874-2049200900010000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Camara, K., &#38; Resnick, G. (1988). Interparental conflict and cooperation: Factors moderating children&#8217;s post-divorce adjustment. In M. Hetherington &#38; J. Arasteh (Eds.), <i>Impact of divorce, single parenting, and stepparenting on children</i> (pp. 169-195). New Jersey: Erlbaum Publishers.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=462555&pid=S0874-2049200900010000100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Cowan, P. A., &#38; Cowan, C. P. (1990). Becoming a family: Research and intervention. In I. Siegel &#38; G. Brody (Eds.), <i>Family Research</i> (pp. 1-51). Hillsdale, N. J.: Lawrence Erlbaum Associates.</font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Cummings, E., Davies, P., &#38; Campbell, S. (2000). <i>Developmental psychopathology and family process: Theory, Research and clinical implications.</i> New York: The Guilford Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=462558&pid=S0874-2049200900010000100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Demo, D., Fine, M., &#38; Ganong, L. (2000). Divorce as a family stressor. In P. McKenry &#38; S. Price, (Eds.), <i>Families &#38; Change: Coping with stressful events and transitions</i> (pp. 279-302). Sage Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=462560&pid=S0874-2049200900010000100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Easterbrooks, M., &#38; Emde, R. (1998). Marital and parent-child relationships: The role of affect in the family system. In K. Hinde &#38; J. Stevenson-Hinde (Eds.), Relationships within families: Mutual influences</i> (pp. 83-103). Oxford: University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=462562&pid=S0874-2049200900010000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Edwards, M. (2002). Attachment, mastery and interdependence: A model of parenting processes. <i>Family Process,</i> 41(3), 389-404.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=462564&pid=S0874-2049200900010000100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Emery, R. (1982). Interparental conflict and the children of discord and divorce. Psychological Bulletin, 92,</i> 310-330.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=462566&pid=S0874-2049200900010000100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Emery, R. (1988). <i>Marriage, divorce and children&#8217;s adjustment.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=462568&pid=S0874-2049200900010000100012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></i> USA: Sage Publications.</font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Emery, R. E., &#38; O&#8217;Leary, K. D. (1982). 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Um Invent&#225;rio de compet&#234;ncias sociais e de problemas de comportamento em crian&#231;as e adolescentes: O <i>Child Behaviour Checklist</i> de Achenbach (CBCL).Psychologica, 12,</i> 55-78.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=462572&pid=S0874-2049200900010000100014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Fonseca, A. C., Sim&#245;es, A., Rebelo, J. A., Ferreira, J. A., &#38; Cardoso, F. (1995). 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(1991). The role of individual differences and family relationships in children&#8217;s coping with divorce an marriage. In P. Cowan &#38; M. Hetherington (Eds.), <i>Family transitions</i> (pp. 165-194). Lawrence Erlbaum Associates, Publishers.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=462580&pid=S0874-2049200900010000100018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Hetherington, E., Cox, M., &#38; Cox, R. (1982). Effects of divorce on parents and children. In M. Lamb (Ed.), <i>Nontraditional families: Parenting and child development</i> (pp. 233-287). Hillsdale, N. J.: Lawrence Erlbaum Associates.</font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Hetherington, E., &#38; Stanley-Hagan, M. (1999). 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Marital transitions: A child&#8217;s perspective. <i>American Psychologist,</i> 44(2), 303-312.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=462585&pid=S0874-2049200900010000100021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Levitin, T. E. (1979). Children of Divorce. <i>Journal of Social Issues, 35,</i> 1-25.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=462587&pid=S0874-2049200900010000100022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Long, M., &#38; Forehand, R. (1987). The effects of parental divorce and parental conflict on children: An overview. <i>Developmental and Behavioural Paediatrics, 8,</i> 292-296.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=462589&pid=S0874-2049200900010000100023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Pinto, H., &#38; Pereira, M. (2005). <i>Separa&#231;&#227;o e div&#243;rcio: Um olhar no feminino.</i> Coimbra: Quarteto Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=462591&pid=S0874-2049200900010000100024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Pryor, J., &#38; Rodgers, B. (2001). <i>Children in changing families: Life after parental separation.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=462593&pid=S0874-2049200900010000100025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></i> USA: Blackwell Publishers.</font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Pruett, M., Williams, T., Insabella, G., &#38; Little, T. (2003). Family and legal indicators of child adjustment to divorce among families with young children. <i>Journal of Family Psychology,</i> 17(2), 169-180.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=462595&pid=S0874-2049200900010000100026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Torres, A. (1996). <i>Div&#243;rcio em Portugal: Ditos e interditos.</i> Oeiras: Celta Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=462597&pid=S0874-2049200900010000100027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Waite, L. J., Haggstroom, G.W., &#38; Kanouse, D. E. (1985). The consequences of parenthood for the marital stability of young adults. <i>American Sociological Review, 50</i>, 850-857.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=462599&pid=S0874-2049200900010000100028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Wallerstein, J., &#38; Blakeslee, S. (1989). <i>Second chances.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=462601&pid=S0874-2049200900010000100029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></i> UK: Bantam Press.</font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Wallerstein, J., &#38; Kelly, J. (1980). <i>Surviving the breakup.</i> New York: Basic Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=462603&pid=S0874-2049200900010000100030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Financiado por</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Este projecto foi aprovado parcialmente pela Funda&#231;&#227;o Calouste Gulbenkian -Ref 56575 - e pela linha de investiga&#231;&#227;o - MEDVOC - do Instituto de Psicologia Cognitiva e Desenvolvimento Vocacional e Social, Unidade de I&#38;D - FEDER/POCTI-SFA-160-192.</font></p>       ]]></body><back>
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