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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Aversão sexual sob uma perspectiva freudiana]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Sexual aversion under a Freudian perspective]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Aversion is not properly a Freudian concept but it comprises a number of affects and reactions, such as disgust and repugnance, which play a capital role in the subjective constitution of the civilized man. It also takes part in the repulsive reactions to sexual acts and objects as expressed in various forms. Aversion is not given as a natural trait but is culture dependent, constituting the initial stage, post castration complex, where barriers emerge against the perverse polymorphic infantile sexuality leading to cultural acquisitions through repression, sublimation, identification, etc. Aversion is an affective-bodily latency signal where the infantile sexuality is negated to open the way to subjective entrance of the young into the social and cultural life.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[psicanálise]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="4"><b>Avers&#227;o sexual sob uma perspectiva freudiana</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="3"><b>Sexual aversion under a Freudian perspective</b></font></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Antonios Terzis<sup>1</sup>; Gustavo Pres&#237;dio de Oliveira<sup>2</sup></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><sup>1</sup>PUC-Campinas, Brasil, <a href="http://www.cefas.com.br" target="_blank">www.cefas.com.br</a></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><sup>2</sup>PUC-Campinas, Brasil, <a href="mailto:gugapre@hotmail.com">gugapre@hotmail.com</a></font></p>      <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">A avers&#227;o n&#227;o adquiriu um estatuto de conceito na obra de Freud, por&#233;m abriga nela a s&#233;rie de afetos e rea&#231;&#245;es, tais como o nojo e a repugn&#226;ncia, tendo grande import&#226;ncia na constitui&#231;&#227;o e na vida do homem civilizado, assim como participa nas manifesta&#231;&#245;es da repulsa &#224; sexualidade e aos seus objetos. A avers&#227;o n&#227;o &#233; dada de antem&#227;o, mas &#233; uma conseq&#252;&#234;ncia da vida em cultura, constituindo o est&#225;gio inicial, ap&#243;s o complexo de castra&#231;&#227;o, em que se erguem as barreiras &#224; sexualidade infantil perversa e polimorfa em dire&#231;&#227;o &#224;s aquisi&#231;&#245;es culturais via o recalcamento, a sublima&#231;&#227;o, a identifica&#231;&#227;o, etc. Trata-se do sinal afetivo-corporal em que a sexualidade perversa polimorfa se negativa na lat&#234;ncia para dar vez a uma entrada subjetiva no &#226;mbito social e cultural.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave</b>: psican&#225;lise, sexualidade infantil, avers&#227;o, desamparo.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Aversion is not properly a Freudian concept but it comprises a number of affects and reactions, such as disgust and repugnance, which play a capital role in the subjective constitution of the civilized man. It also takes part in the repulsive reactions to sexual acts and objects as expressed in various forms. Aversion is not given as a natural trait but is culture dependent, constituting the initial stage, post castration complex, where barriers emerge against the perverse polymorphic infantile sexuality leading to cultural acquisitions through repression, sublimation, identification, etc. Aversion is an affective-bodily latency signal where the infantile sexuality is negated to open the way to subjective entrance of the young into the social and cultural life.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Keywords: psychoanalysis, infantile sexuality, aversion, helplessness.</font></p>  <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2">Nos textos de Freud os termos avers&#227;o e avers&#227;o sexual n&#227;o s&#227;o freq-&#252;entes sendo, portanto, desprovidos de estatuto conceituai, embora o primeiro possa ser encontrado esporadicamente nas cartas enviadas a Fliess, <i>Carta 75</i> (1897/1996), e nas obras <i>Estudos sobre a histeria</i> (1893-1895/1996), <i>Um caso de histeria</i> (1905/1996) e, tamb&#233;m, em <i>Tr&#234;s ensaios sobre a teoria da sexualidade</i> (1905/1996). Nelas, a palavra avers&#227;o parece ganhar significado semelhante a outras, como repugn&#226;ncia, nojo e asco.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A avers&#227;o, portanto, estaria significando algo repulsivo ao sujeito, de tamanha intensidade e for&#231;a em rela&#231;&#227;o a uma representa&#231;&#227;o. No caso Dora (1905/1996), Freud se refere &#224; avers&#227;o ao nomear a repugn&#226;ncia que sua paciente sentia em certas situa&#231;&#245;es de ass&#233;dio de cunho sexual e amoroso por parte do Sr. K., como se as excita&#231;&#245;es suscitadas na jovem mo&#231;a fossem ainda mergulhadas no sangue representativo da realiza&#231;&#227;o do incesto, provocando a defesa aversiva no plano da oralidade da sexualidade infantil, esta que culmina, em sua trajet&#243;ria, no drama ed&#237;pico. A id&#233;ia aqui, na histeria, &#233; a impossibilidade de atravessar a trama ed&#237;pica. Diante dela, a libido recua para postos anteriores de sua trajet&#243;ria, em que deixou, como diz Freud, uma parte de suas tropas. Por&#233;m, estas ser&#227;o marcadas, <i>retroativamente</i>, em fun&#231;&#227;o do recalcamento oriundo da proibi&#231;&#227;o do incesto, por uma defesa, no plano corporal afetivo (sem deixar de incluir, de uma forma velada, a realiza&#231;&#227;o alucinat&#243;ria do incesto sob uma modalidade oral, em que se realiza o gozo hist&#233;rico), invertendo os afetos - de um bom gosto para o nojo e a ojeriza. Assim sendo, a libido fica estancada no ponto de sua elabora&#231;&#227;o simb&#243;lica, e isto a partir do per&#237;odo da lat&#234;ncia, no qual s&#227;o erigidas, em fun&#231;&#227;o do &#201;dipo, as barreiras em prol da inser&#231;&#227;o da crian&#231;a no mundo social e cultural.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A passagem acima cont&#233;m, de forma condensada, uma s&#233;rie de pressupostos da teoria freudiana relativos ao desenvolvimento sexual e &#224; constitui&#231;&#227;o de sujeito. A t&#237;tulo de esclarecimento inicial, diremos que a sexualidade perversa polimorfa, incitada pelo adulto durante os cuidados vitais prestados &#224; crian&#231;a, &#233; de natureza parcial, sendo que os objetos servem de apoio para uma satisfa&#231;&#227;o <i>inadi&#225;vel</i> pelas puls&#245;es parciais, ativadas (pelo contato com o adulto) em toda a superf&#237;cie do corpo e na atividade muscular. Esse car&#225;ter ilimitado e inadi&#225;vel de satisfa&#231;&#227;o e posse, que n&#227;o &#233; modulado por nenhum princ&#237;pio da realidade, not&#243;rio pelo respeito da espera diante da falta que o caracteriza, torna a sexualidade perversa polimorfa infantil incompat&#237;vel com a realidade, com a viv&#234;ncia em sociedade. Uma lei com seus limites deve ser imposta, supondo a aquisi&#231;&#227;o progressiva interna dessa lei e restri&#231;&#227;o para a inser&#231;&#227;o na cultura.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">No in&#237;cio, &#233; o ambiente do mundo adulto que garante o privil&#233;gio de um desfrute onipotente dessa sexualidade. Por&#233;m, com as frustra&#231;&#245;es necess&#225;rias do desmame e do controle dos esf&#237;ncteres, assim como de movimentos e restri&#231;&#245;es de posse, a crian&#231;a ter&#225; uma toler&#226;ncia relativa dessas imposi&#231;&#245;es frustradoras em fun&#231;&#227;o da garantia amorosa, narcisista, de propiciar esse terreno da satisfa&#231;&#227;o infantil; do contr&#225;rio, a crian&#231;a ficar&#225; sujeita ao horror da volta ao desamparo origin&#225;rio, da intrus&#227;o dolorosa e de abandono. Por&#233;m, &#233; somente com uma separa&#231;&#227;o do objeto, que se esbo&#231;a com o primado do investimento no falo e a configura&#231;&#227;o da cena ed&#237;pica, que todas as limita&#231;&#245;es anteriores v&#227;o ser, em um longo processo, subjetivadas sob a lei da proibi&#231;&#227;o do incesto, quando ocorre o recalcamento da sexualidade infantil, a aceita&#231;&#227;o da castra&#231;&#227;o e o caminho em dire&#231;&#227;o &#224; sexualidade adulta.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O in&#237;cio dessa empreitada &#233; marcado pelo eclipse da sexualidade perversa polimorfa, a entrada em lat&#234;ncia, quando barreiras internas s&#227;o erigidas contra tal sexualidade, atestando-se na invers&#227;o de afetos; ou seja, o que dava outrora prazer imediato &#233; objeto de avers&#227;o, para ser recalcado, simbolizado e transformado em empreendimento de la&#231;os sociais em torno da lei comum a todos. A &#8220;n&#227;o aceita&#231;&#227;o&#8221; da castra&#231;&#227;o na neurose barra o processo de simboliza&#231;&#227;o, deixando o sujeito estancando nas pr&#243;prias barreiras da lei, o que &#233; atestado pela invers&#227;o dos afetos, que indica o recalcamento do desejo incestuoso, mas sem o desprendimento do mesmo.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Para elucidar essa trama, vamos iniciar com um breve resumo do desenvolvimento da libido que desemboca na lat&#234;ncia para fornecer as bases do entendimento da avers&#227;o.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Breve explana&#231;&#227;o sobre os est&#225;gios de desenvolvimento psicossexual</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">No livro <i>Tr&#234;s ensaios sobre a teoria da sexualidade</i> (1905/1996), Freud postulou a exist&#234;ncia da sexualidade infantil, bem como ampliou o conceito do sexual para al&#233;m do &#243;rg&#227;o genital.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Poucos dos achados da psican&#225;lise tiveram tanta contesta&#231;&#227;o universal ou despertaram tamanha explos&#227;o de indigna&#231;&#227;o como a afirmativa de que a fun&#231;&#227;o sexual se inicia no come&#231;o da vida e revela sua presen&#231;a por importantes ind&#237;cios mesmo na inf&#226;ncia. E, contudo, nenhum outro achado da an&#225;lise pode ser demonstrado de maneira t&#227;o f&#225;cil e completa (FREUD, 1925 [1924]/1996, p. 39).</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A indigna&#231;&#227;o ressaltada no trecho acima faz pensar como, h&#225; s&#233;culos, e na sua pr&#243;pria investiga&#231;&#227;o, a sexualidade suscita algo de t&#227;o recalcado, inc&#244;modo e agressivo. Em uma confer&#234;ncia que comemorava o anivers&#225;rio de Freud no Centro Anna Freud em 27 de abril de 1995 (apud Rev. <i>Psican&#225;lise e Universidade,</i> 2003, p. 12), Green discutia a import&#226;ncia da sexualidade para a psican&#225;lise e alertava para o descaso que tem recebido no seio da psican&#225;lise atual, quando escutou de um psicanalista: &#8220;voc&#234;s franceses s&#227;o freudianos demais, e, al&#233;m disso, voc&#234;s se at&#234;m muito ao p&#234;nis&#8221;. Green respondeu: &#8220;velha obje&#231;&#227;o: Freud, segundo seus detratores, era um obcecado sexual; se somos freudianos demais, este &#233;, portanto, igualmente nosso caso&#8221;<a href="#3"><sup>3</sup></a><a name="top3"></a>. A sexualidade ainda &#233;, ent&#227;o, um forte alvo de repulsa, de avers&#227;o.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Freud (1905/1996) mostrou a exist&#234;ncia e a viv&#234;ncia da sexualidade na crian&#231;a, atrav&#233;s de est&#225;gios do desenvolvimento sexual. Estimulada pelo adulto, em meio &#224; provis&#227;o das necessidades vitais, a crian&#231;a busca a cada momento e em cada regi&#227;o do corpo a descarga e a obten&#231;&#227;o de al&#237;vio e prazer.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Assim, como consta em nota de Abraham (1970, p. 52), &#8220;a express&#227;o sexual n&#227;o &#233; um fen&#244;meno independente, mas depende de uma fun&#231;&#227;o importante para a preserva&#231;&#227;o da vida, a saber, o ato de sugar em busca de nutri&#231;&#227;o, de maneira que &#233; a reprodu&#231;&#227;o de um est&#237;mulo agrad&#225;vel que a crian&#231;a experimentou durante a alimenta&#231;&#227;o&#8221;. Nesse momento, predominantemente oral, mamar no seio &#233; a fonte estimuladora da puls&#227;o sexual.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O segundo est&#225;gio da organiza&#231;&#227;o da libido &#233; a analidade. Nela, a crian&#231;a obt&#233;m satisfa&#231;&#227;o ao evacuar ou reter as fezes no intestino. Essa atividade favorece o relacionamento com o mundo, n&#227;o s&#243; pela absor&#231;&#227;o, como tamb&#233;m pela expuls&#227;o de conte&#250;dos, atrav&#233;s de suas fezes, entendidas, no &#226;mbito narc&#237;sico e com a configura&#231;&#227;o da separa&#231;&#227;o do outro, como sendo presentes para o adulto ou usadas para agredi-lo.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">No est&#225;gio f&#225;lico, a crian&#231;a tender&#225; a exacerbar determinado valor ao &#243;rg&#227;o genital masculino, j&#225; que nessa fase n&#227;o existe uma diferencia&#231;&#227;o entre masculino e feminino; o que &#233; preponderante na concep&#231;&#227;o do infante &#233; ter um p&#234;nis ou n&#227;o t&#234;-lo, uma vez que este constitui fonte principal do prazer e gozo. Desta maneira, j&#225; se pode inferir que existe a substitui&#231;&#227;o do conjugado ativo - passivo (encontrado na fase anal-s&#225;dica) para quem possui falo ou quem &#233; castrado. Os genitais s&#227;o excitados e estimulados pela masturba&#231;&#227;o, atividade que &#233; favorecida por conta da &#8220;posi&#231;&#227;o anat&#244;mica, pelas secre&#231;&#245;es em que est&#227;o banhadas, pela lavagem e fric&#231;&#227;o advindas dos cuidados com o corpo e por certas excita&#231;&#245;es acidentais (como as migra&#231;&#245;es de vermes intestinais)&#8221; (Freud, 1905/1996, p. 177).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Dinamismo da libido e suas fontes de excita&#231;&#227;o</i></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A descri&#231;&#227;o sum&#225;ria acima, por&#233;m, necessita de melhor contextualiza&#231;&#227;o para compreendermos o que segue: vimos que a sexualidade infantil polimorfa &#233; provocada pelo adulto em meio aos cuidados que este presta ao beb&#234;. Essa erotiza&#231;&#227;o, que abrange toda a superf&#237;cie do corpo, tem, no entanto, um destacado roteiro desde a oralidade at&#233; o investimento f&#225;lico, com as distintas modalidades de cada regi&#227;o corporal e est&#225;gio. As manifesta&#231;&#245;es sensoriais e musculares crescentes da descarga e de busca de prazer da sexualidade infantil revelam, por&#233;m, uma atividade auto-er&#243;tica, como se reiterando, em loco, as excita&#231;&#245;es se desdobrando sobre si, que outrora foram incitadas pelo adulto. Aparentemente mec&#226;nica, essa passagem, em que nasce a manifesta&#231;&#227;o propriamente pulsional, condensa importantes transforma&#231;&#245;es.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>&#201; instrutivo que a crian&#231;a, sob a influ&#234;ncia da sedu&#231;&#227;o, possa tornar-se perversa polimorfa e ser induzida a todas as transgress&#245;es poss&#237;veis. Isso mostra que traz em sua disposi&#231;&#227;o a aptid&#227;o para elas; por isso sua execu&#231;&#227;o encontra pouca resist&#234;ncia, j&#225; que, conforme a idade da crian&#231;a, os diques an&#237;micos contra os excessos sexuais - a vergonha, o asco e a moral - ainda n&#227;o foram erigidos ou est&#227;o em processo de constru&#231;&#227;o (FREUD, 1905/1996, p. 180).</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Assim, nos est&#225;gios prim&#225;rios da vida, o beb&#234; n&#227;o tem no&#231;&#227;o de seu corpo, de estar separado do ambiente; todas suas atividades se d&#227;o no terreno narc&#237;sico prim&#225;rio. Por&#233;m, em certo momento, afirma Freud, o beb&#234; nota que o seio ao qual se endere&#231;ava buscando alimento e al&#237;vio pertence a um corpo separado, dando-se conta, concomitantemente, da exist&#234;ncia-separa&#231;&#227;o do seu corpo. Nesse instante, &#8220;a puls&#227;o se torna auto-er&#243;tica&#8221; (para essa descri&#231;&#227;o cf. Freud, in&#237;cio do V cap&#237;tulo do terceiro ensaio de 1905); ou seja, as propriedades de prazer pr&#243;prio e a no&#231;&#227;o do pr&#243;prio corpo come&#231;am a se esbo&#231;ar na mente do beb&#234;.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O <i>auto,</i> esse recuo para si, significa, entre outros aspectos, o nascimento das fantasias, como sementes do mundo ps&#237;quico da crian&#231;a que acompanham as atividades sexuais infantis. Embora Freud n&#227;o precisasse o momento, ele coincide com a configura&#231;&#227;o do narcisismo secund&#225;rio, concomitantemente &#224; entrada no &#201;dipo (perto de 2 anos de idade), como se a reuni&#227;o em torno do falo na primeira configura&#231;&#227;o da trama ed&#237;pica esbo&#231;asse junto a ela o corpo separado do ambiente: uma transposi&#231;&#227;o transitiva da libido, do falo sobre o corpo e do corpo sobre o falo (cf. Freud, 1914/1996, a respeito do investimento narc&#237;sico do falo).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Freud nos coloca, nesse instante, uma s&#233;rie de quest&#245;es que podemos apenas mencionar. Em primeiro lugar, &#233; preciso entender que a sexualidade perversa polimorfa ocorre num terreno do narcisismo prim&#225;rio, ou seja, onde h&#225; uma indistin&#231;&#227;o ou pouqu&#237;ssima distin&#231;&#227;o entre si e o mundo (Freud afirma que o eu da crian&#231;a nesse est&#225;gio &#233; indiferente em rela&#231;&#227;o ao mundo 1915/1996). &#201; apenas com o avan&#231;o da libido em dire&#231;&#227;o ao falo que reporta ao narcisismo secund&#225;rio, ou seja, que incide com a distin&#231;&#227;o eu-outro. Trata-se de uma afirma&#231;&#227;o problem&#225;tica, j&#225; que Freud jamais a afirma com essa contund&#234;ncia, embora esta possa ser inferida em seus estudos. Perguntamos, ent&#227;o, como ocorre esse direcionamento ao falo e &#224; cena ed&#237;pica?</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Trata-se de uma converg&#234;ncia de duas fontes, uma apoiada na outra: de um lado o ambiente &#233; estruturado pela l&#243;gica ed&#237;pica (por exemplo, pensamos nos significantes menino e menina com os quais se reporta o ambiente junto &#224; crian&#231;a); por&#233;m, ela encontra uma sustenta&#231;&#227;o filogen&#233;tica, por esquemas j&#225; propostas no sujeito, das fantasias origin&#225;rias que articulam o &#201;dipo. De outro lado, a experi&#234;ncia viva lida com a processual necessidade da separa&#231;&#227;o dos corpos, ou seja, da aquisi&#231;&#227;o da no&#231;&#227;o de estar separado. As fantasias origin&#225;rias permitem que, nessa trajet&#243;ria, advenha, com a constru&#231;&#227;o das zonas er&#243;genas, o mundo das fantasias e das teorias sexuais infantis que articulam a elabora&#231;&#227;o da sexualidade infantil em torno do &#201;dipo. Lembramos que as fantasias origin&#225;rias lidam com a origem da sexualidade (sedu&#231;&#227;o), da gera&#231;&#227;o (cena prim&#225;ria) e dos sexos (castra&#231;&#227;o), as tr&#234;s se remetendo uma &#224; outra e articulando a trama de &#201;dipo, al&#233;m de uma quarta fantasia, acrescida mais tarde por Freud, focada no retorno ao seio materno.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">As teorias sexuais infantis se reportam, tamb&#233;m, ao questionamento das origens; por&#233;m, em sua revela&#231;&#227;o positiva, compartilham com as fantasias filogen&#233;ticas uma aten&#231;&#227;o &#224; cena prim&#225;ria (via de regra agressiva em rela&#231;&#227;o &#224; m&#227;e), al&#233;m de erigir uma teoria sobre a ubiq&#252;idade do p&#234;nis nos seres do mundo (em paralelo com a fantasia filogen&#233;tica de castra&#231;&#227;o), mas se voltam primordialmente sobre a origem dos beb&#234;s, que faz paralelo com a do retorno ao seio materno das fantasias filogen&#233;ticas. As teorias sexuais infantis nascem com a entrada na fase ed&#237;pica, quando notamos o in&#237;cio sob a constitui&#231;&#227;o ed&#237;pica do narcisismo, ou seja, da separa&#231;&#227;o do ambiente, pela regress&#227;o defensiva, em que o questionamento de onde vem os beb&#234;s &#233; atribu&#237;do, conforme &#8220;a concentra&#231;&#227;o de tropas&#8221; da libido, a um dos est&#225;gios desta: concep&#231;&#227;o, nascimento ou devora&#231;&#227;o dos beb&#234;s na e pela boca, ou concep&#231;&#227;o, nascimento e destrui&#231;&#227;o dos beb&#234;s na e pela cloaca, etc.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Vejamos, pois, que o ambiente e a filogenia prop&#245;em os significantes, as rotas e o programa ed&#237;pico para a libido, cuja significa&#231;&#227;o e finalidade, pela castra&#231;&#227;o, &#233; a constitui&#231;&#227;o de um sujeito separado. As teorias infantis atestam, claramente, como indicamos acima, da perlabora&#231;&#227;o dessa separa&#231;&#227;o, dentro da trama ed&#237;pica, em que se luta contra o vi&#233;s narcisista que resiste ao luto impl&#237;cito e &#224; separa&#231;&#227;o do objeto prim&#225;rio, luto inerente &#224; aceita&#231;&#227;o da castra&#231;&#227;o para a entrada em cultura. A perlabora&#231;&#227;o carrega consigo essa transposi&#231;&#227;o retroativa e defensiva, ou seja, em meio ao ref&#250;gio narc&#237;sico da castra&#231;&#227;o e da libido sobre os est&#225;gios da libido, oral e anal. Estes adquirem uma configura&#231;&#227;o fantasm&#225;tica (da problem&#225;tica ed&#237;pica), ou seja, de significantes culturais, por&#233;m sob o modo narc&#237;sico (ubiq&#252;idade do p&#234;nis, concep&#231;&#227;o, nascimento e beb&#234;s).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Queremos assinalar com isso algo que Freud sempre frisou e que diz respeito ao tempo ps&#237;quico, como tempo misturado entre uma re-significa&#231;&#227;o, <i>apr&#232;s-coup,</i> e uma determina&#231;&#227;o vetorial do tempo: um recuo diante da proibi&#231;&#227;o do incesto, retomando as tropas deixadas para tr&#225;s no caminho da libido ou dificuldade de reconhecer plenamente essa proibi&#231;&#227;o (como na pervers&#227;o e na psicose), j&#225; que traumas precoces geram fixa&#231;&#245;es significativas nos est&#225;gios prim&#225;rios da libido. Estes articulam a possibilidade no vai e vem da re-significa&#231;&#227;o, fantasm&#225;tica em dire&#231;&#227;o &#224; aquisi&#231;&#227;o simb&#243;lica da castra&#231;&#227;o, ou, respectivamente, a uma verdadeira atua&#231;&#227;o fantasm&#225;tica nos est&#225;gios regressivos da libido.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Avers&#227;o sexual na constitui&#231;&#227;o ps&#237;quica</i></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Os par&#225;grafos anteriores versavam sobre a estrat&#233;gia e a l&#243;gica do desenvolvimento da libido que culmina com o &#201;dipo e a castra&#231;&#227;o. Entretanto, precisamos voltar aos aspectos corporais e afetivos dessa perlabora&#231;&#227;o, que diz respeito &#224; economia afetiva do recalcamento em que se implica a avers&#227;o na constitui&#231;&#227;o ps&#237;quica.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Na fase f&#225;lica existe uma constru&#231;&#227;o imagin&#225;ria da teoria infantil, j&#225; mencionada, de que todas as pessoas possuem um p&#234;nis, sendo que, posteriormente, os infantes descobrem (pela manipula&#231;&#227;o genital e no prazer deste ato) que existem pessoas com falo e outras n&#227;o. Essa diferencia&#231;&#227;o far&#225; com que seja dada maior e mais intensa valoriza&#231;&#227;o a esse objeto. Na manipula&#231;&#227;o masturbat&#243;ria, a crian&#231;a acaba por conceber uma aten&#231;&#227;o, que antes n&#227;o era dada com tanta veem&#234;ncia, aos seus pr&#243;prios &#243;rg&#227;os genitais. Por&#233;m, essa aten&#231;&#227;o n&#227;o se restringir&#225; apenas ao seu corpo e, servindo-se da puls&#227;o escopof&#237;lica, ela tamb&#233;m ser&#225; atra&#237;da a observar os &#243;rg&#227;os genitais das outras pessoas, sejam estas pai, m&#227;e, irm&#227;os, coleguinhas, de animais e at&#233; mesmo os seres inanimados. Importante ressaltar que, antes disso, o menino n&#227;o faz nessa fase uma distin&#231;&#227;o entre os sexos e nem mesmo diferencia os &#243;rg&#227;os das outras pessoas do dele. Ou seja, para ele &#8220;&#233; natural presumir que todos os outros seres vivos, humanos e animais, possuem um &#243;rg&#227;o genital como o seu pr&#243;prio&#8221;.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A crian&#231;a adentra a trama ed&#237;pica que abriga o conflito incestuoso do complexo de &#201;dipo e a decorrente ang&#250;stia de castra&#231;&#227;o. A m&#227;e e, possivelmente, a irm&#227; podem se tornar, ent&#227;o, alvos desejados pela crian&#231;a do sexo masculino, havendo a necessidade preponderante de se interromper as investidas ao objeto desejado incestuoso, para que o indiv&#237;duo se torne sujeito de seus pr&#243;prios desejos e agente na constru&#231;&#227;o e manuten&#231;&#227;o da cultura, pertinentes para o bem-estar da sociedade.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A ang&#250;stia de ser castrado recai no menino a partir do momento em que este recebe as amea&#231;as externas. Freud (1933[1932]/1996, p. 90) ressalta que a castra&#231;&#227;o n&#227;o pode ser entendida como uma a&#231;&#227;o real de retirar o p&#234;nis do menino, ou como uma a&#231;&#227;o resultante do fato de ele ter se apaixonado pela genitora; ao contr&#225;rio, na ang&#250;stia de castra&#231;&#227;o &#8220;o que &#233; decisivo &#233; que o perigo amea&#231;a de fora e a crian&#231;a acredita nele&#8221;. Essas amea&#231;as geralmente adv&#234;m das pessoas que, ao brincarem com a crian&#231;a, dizem que v&#227;o cortar o p&#234;nis dela, da pr&#243;pria m&#227;e que tenta punir seu filho por estar manipulando o p&#234;nis, e tamb&#233;m do fato de a crian&#231;a se masturbar ou at&#233; mesmo quando tem enurese noturna. A avers&#227;o sexual da m&#227;e ante a masturba&#231;&#227;o do infante possui, por&#233;m, uma importante e necess&#225;ria fun&#231;&#227;o para a separa&#231;&#227;o simb&#243;lica entre ambos, contribuindo na instaura&#231;&#227;o do complexo de castra&#231;&#227;o<a href="#4"><sup>4</sup></a><a name="top4"></a>.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A fantasia de castra&#231;&#227;o ocorre prioritariamente quando a crian&#231;a se sente amea&#231;ada em perder seu p&#234;nis (Freud, 1924/1996, p. 195). No entanto, outras experi&#234;ncias anteriores a esse per&#237;odo tornam-se preparat&#243;rias para o momento do complexo ed&#237;pico, como: &#8220;a retirada do seio materno &#8212; a princ&#237;pio de modo intermitente, e mais tarde, definitivamente &#8212; e a exig&#234;ncia cotidiana que lhes &#233; feita para soltarem os conte&#250;dos do intestino&#8221;. Para sermos mais precisos, esses &#8220;cortes&#8221; s&#227;o re-significados <i>a posteriori</i> &#224; luz da amea&#231;a de castra&#231;&#227;o na fase f&#225;lica. A ang&#250;stia de castra&#231;&#227;o, ao ser vivenciada pela crian&#231;a, far&#225; com que, conseq&#252;entemente, ocorra a dissolu&#231;&#227;o do complexo ed&#237;pico, quando o menino deixar&#225; de investir sua libido no objeto incestuoso desejado, por conta do &#8220;temor da castra&#231;&#227;o &#8212; isto &#233;, pelo interesse narc&#237;sico nos &#243;rg&#227;os genitais&#8221;, e tender&#225; a sublimar seus impulsos sexuais para atividades sociais.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Nesse per&#237;odo, tamb&#233;m, ao defrontar-se com a aus&#234;ncia do p&#234;nis nas meninas, os meninos ter&#227;o a fantasia de que elas fizeram algo de errado e, por isso, foram punidas com a castra&#231;&#227;o. Mediante isso, eles tendem a desprez&#225;-las e se comportam como se fossem superiores a elas.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Contudo, esses comportamentos e as experi&#234;ncias dessa fase podem trazer conseq&#252;&#234;ncias futuras para alguns homens, como o aparecimento de sintomas neur&#243;ticos na vida adulta, caracterizados pela avers&#227;o &#224; aus&#234;ncia do p&#234;nis nas mulheres, al&#233;m do desprezo pelo fato de elas n&#227;o o possu&#237;rem, o que ocorre com alguns homossexuais.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">No Complexo de &#201;dipo feminino, a menina manipular&#225; seu clit&#243;ris, extraindo prazer dessa atividade. No entanto, da mesma maneira que o menino, tender&#225; a observar se outros seres vivos ou inanimados possuem o mesmo &#243;rg&#227;o que o dela, e se extraem, da mesma maneira, prazeres ao manipul&#225;-lo. Ao deparar-se com o fato de o menino possuir um &#243;rg&#227;o genital maior e diferente do seu, tender&#225; a hesitar e relutar contra essa descoberta. Desta atitude, segundo Freud (1931/1996, p. 241), &#8220;aferra-se obstinadamente &#224; expectativa de que um dia tamb&#233;m ter&#225; um &#243;rg&#227;o genital do mesmo tipo, e seu desejo por ele sobrevive at&#233; muito tempo ap&#243;s sua esperan&#231;a ter-se expirado&#8221;. Inicialmente, a menina aceita essa castra&#231;&#227;o como uma puni&#231;&#227;o de algo que desejou, por&#233;m, mais adiante perceber&#225; que outras pessoas n&#227;o possuem o p&#234;nis, como a sua pr&#243;pria m&#227;e, sofrendo uma desilus&#227;o que a leva a culpar sua genitora por n&#227;o ter lhe dado um p&#234;nis. &#201; nesse per&#237;odo que o complexo de &#201;dipo feminino comporta-se com um car&#225;ter masculino; e somente com o decorrer do tempo, torna-se feminino.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Ao se descontentar por ter nascido sem p&#234;nis, a menina se afastar&#225; de sua m&#227;e e buscar&#225; uma aproxima&#231;&#227;o com seu pai, a fim de possuir um substituto do p&#234;nis que n&#227;o teve, por meio de um filho gerado com esse pai. Vale ressaltar que este seria um caminho para a dissolu&#231;&#227;o satisfat&#243;ria de seu complexo de &#201;dipo, no qual se constitui a feminilidade. Contudo, existe a possibilidade de, insatisfeita com o seu &#243;rg&#227;o genital, a menina ser aversiva &#224; masturba&#231;&#227;o e/ou ao interesse sexual em geral, ou mesmo de manter o desejo de possuir um p&#234;nis no futuro e, com isso, buscar se auto-afirmar na masculinidade por longo per&#237;odo. Assim sendo, para Freud, esta &#250;ltima escolha pode levar a uma orienta&#231;&#227;o homossexual na fase adulta.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A fase de lat&#234;ncia surge ap&#243;s a sa&#237;da da crian&#231;a do complexo ed&#237;pico; ou seja, o sujeito entra em lat&#234;ncia em fun&#231;&#227;o da necessidade de recalcar a sexualidade infantil quando esta desemboca nos desejos incestuosos, decorrentes do investimento narc&#237;sico do falo, que compreende o &#250;ltimo est&#225;gio da trajet&#243;ria da libido.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A lat&#234;ncia, esse caldeir&#227;o efervescente em que se constitui o sujeito, &#233; o per&#237;odo mais relevante para nosso estudo. O crep&#250;sculo da atividade perversa polimorfa ocorre porque essa esp&#233;cie paradis&#237;aca narc&#237;sica da inf&#226;ncia deve ser abdicada em fun&#231;&#227;o da realidade da castra&#231;&#227;o. A crian&#231;a se v&#234; obrigada a abrir m&#227;o do amor dos pais, buscando seu lugar entre outros sujeitos. A sexualidade infantil passa por uma transforma&#231;&#227;o sublimat&#243;ria radical: a bissexualidade &#233; sublimada para que possa servir aos la&#231;os sociais, submetendo-se &#224;s leis sociais que passam a ser internalizados em um supereu. As puls&#245;es sofrem inibi&#231;&#245;es dos fins a servi&#231;o das mo&#231;&#245;es afetivas, sendo que a sublima&#231;&#227;o das puls&#245;es se coloca a servi&#231;o das fun&#231;&#245;es simb&#243;licas do pensamento, da racionaliza&#231;&#227;o e dos encargos do trabalho no &#226;mbito das institui&#231;&#245;es propostas pela sociedade (escola, tarefas grupais ordenadas no campo da arte e do esporte, etc.).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Segundo Freud (1917[1916]/1996, p. 330), a partir do quinto ano de vida at&#233; aproximadamente o oitavo, a crian&#231;a passa por uma etapa do seu desenvolvimento psicossexual em que, <i>a priori,</i> haver&#225; uma calmaria em suas mo&#231;&#245;es sexuais: &#8220;podemos observar uma parada e um retrocesso no desenvolvimento sexual, que, nos casos em que culturalmente h&#225; mais condi&#231;&#245;es, podemos chamar de per&#237;odo de lat&#234;ncia&#8221;.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#201; essa etapa que torna o desenvolvimento sexual bi-temporal relevante, por favorecer o homem a investir na cultura e no conv&#237;vio social, sendo, por&#233;m, um fator preponderante para &#8220;tend&#234;ncia &#224; neurose&#8221;.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>A instaura&#231;&#227;o bi-temporal do desenvolvimento sexual nos seres humanos, ou seja, sua interrup&#231;&#227;o pelo per&#237;odo de lat&#234;ncia, pareceu-nos digna de uma aten&#231;&#227;o especial. Ela se figura como uma das condi&#231;&#245;es da aptid&#227;o do homem para o desenvolvimento de uma cultura superior, mas tamb&#233;m de sua tend&#234;ncia &#224; neurose. Ao que saibamos, nada de an&#225;logo &#233; demonstr&#225;vel entre os parentes animais do homem. A origem dessa peculiaridade humana deveria ser buscada na proto-hist&#243;ria da esp&#233;cie (FREUD, 1905/1996, p. 220).</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Para Freud (1923/1996, p. 58), nesse per&#237;odo, as puls&#245;es sexuais submetem-se a uma orienta&#231;&#227;o negativa de sua costumeira descarga, dando vez a destinos diversos. Uma press&#227;o defensiva, diante da proibi&#231;&#227;o do incesto e do correlato horror de castra&#231;&#227;o, faz desviar essas mo&#231;&#245;es sexuais de seus fins. Os elementos representativos sendo recalcados, seus correspondentes afetivos acabam sendo invertidos: em vez de expectativa e descarga prazerosa, h&#225; um rep&#250;dio, vergonha, asco e ojeriza. Uma grande parte da energia sexual &#233; &#8220;dessexualizada e sublimada (coisa que provavelmente acontece com toda transforma&#231;&#227;o que resulta em uma <i>identifica&#231;&#227;o</i>) e &#233;, em parte, inibida em seus fins e transformada em impulsos de afei&#231;&#227;o&#8221;. Vejamos que, em vez da descarga (em dire&#231;&#227;o ao objeto), h&#225; uma volta sobre si (negativa&#231;&#227;o) necess&#225;ria para a identifica&#231;&#227;o, utilizada para a aquisi&#231;&#227;o de la&#231;os e sentimentos sociais, sublimando as correntes bissexuais da sexualidade infantil. Essa mesma conten&#231;&#227;o de descarga promove, em vez de descarga, uma inibi&#231;&#227;o dos fins, refor&#231;ando os la&#231;os ternos das correntes afetivas do amor primitivo prim&#225;rio.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Assistimos, pois, &#224;s apari&#231;&#245;es dos comportamentos aversivos &#224; sexualidade infantil, edificando-se e se tornando, ao mesmo tempo, bastante claras aos olhos do observador. A diferencia&#231;&#227;o dos sexos, impl&#237;cita &#224; castra&#231;&#227;o, assim como o incesto impl&#237;cito &#224; rela&#231;&#227;o corporal entre sexos opostos, gera uma avers&#227;o &#224; sexualidade genital heterossexual (e de seus precursores pr&#233;-genitais polimorfos), ao mesmo tempo em que se refor&#231;am os la&#231;os grupais e a valoriza&#231;&#227;o de bens culturais, da higiene e do julgamento moral: &#233; quando vemos os grupos, meninos de um lado, meninas de outro, sendo que em cada um viceja os la&#231;os da homossexualidade sublimada e a forma&#231;&#227;o social. A avers&#227;o &#233;, ent&#227;o, inerente &#224; entrada na cultura e na viv&#234;ncia em sociedade; por&#233;m, cede aos poucos com a estabiliza&#231;&#227;o, pela aquisi&#231;&#227;o sublimat&#243;ria, no interior do sujeito do c&#243;digo e valores sociais.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Ent&#227;o, &#8220;tem-se a impress&#227;o de que a constru&#231;&#227;o desses diques &#233; obra da educa&#231;&#227;o e, certamente, a educa&#231;&#227;o tem muito a ver com isso&#8221; (FREUD, 1905/1996, p. 167); contudo, esta apenas fornece o conte&#250;do, direcionando-o para um processo cujo projeto, <i>timing</i> e realiza&#231;&#227;o s&#227;o determinados pela filogenia, ou melhor, na interlocu&#231;&#227;o desta com a trama singular do &#201;dipo de certo sujeito cuja articula&#231;&#227;o e a configura&#231;&#227;o inicial, como mostramos acima, nos &#233; denotada no trabalho das teorias sexuais infantis.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O recalcamento imp&#245;e a amn&#233;sia infantil, a qual Freud (1905/1996, p. 164) explicita como sendo um esquecimento parcial ou total das lembran&#231;as vivenciadas pelo infante na primeira efloresc&#234;ncia da sua sexualidade. Assim, o recalcamento atuaria como sendo um bloqueio dessas viv&#234;ncias, que, &#8220;na maioria das pessoas (mas n&#227;o em todas!), encobre os primeiros anos da inf&#226;ncia, at&#233; os seis ou oito anos de idade&#8221;. Ser&#227;o reprimidas e apagadas pela consci&#234;ncia as experi&#234;ncias sexuais dos est&#225;gios oral, anal e a masturba&#231;&#227;o f&#225;lica, tais como o brincar com as fezes, ou seja, o prazer de sentir o cheiro ou a consist&#234;ncia dos excrementos, de ret&#234;-las ou expelir com for&#231;a; a satisfa&#231;&#227;o de chupar, morder o seio materno; colocar tudo que &#233; objeto na boca; de friccionar o p&#234;nis e/ou clit&#243;ris e todas as fantasias sexuais desse per&#237;odo.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O recalque instaurado com maior intensidade na dissolu&#231;&#227;o do Complexo de &#201;dipo far&#225; com que o pr&#233;-p&#250;bere recalque as representa&#231;&#245;es e as puls&#245;es sexuais vivenciadas nos est&#225;gios anteriores. No entanto, surgir&#227;o na consci&#234;ncia pensamentos opostos aos encontrados no inconsciente. A forma&#231;&#227;o reativa surgir&#225; como barreira, mecanismo que auxilia o recalcamento nos seus fins, fazendo com que as atitudes ou os costumes exercidos pelo sujeito sejam opostos aos desejos recalcados no inconsciente: &#8220;a esse processo chamo refor&#231;o reativo e designo por <i>pensamento reativo</i> o pensamento que se afirma na consci&#234;ncia com hiper-intensidade e que, a maneira de preconceito, mostra-se indestrut&#237;vel&#8221; (Freud, 1905/1996, p. 60). Portanto, observa-se na lat&#234;ncia um comportamento caracter&#237;stico de avers&#227;o &#224;s atividades perversas polimorfas das experi&#234;ncias sexuais infantis. O ascetismo e a intelectualiza&#231;&#227;o s&#227;o dois estados que ser&#227;o mais valorizados pelos pr&#233;-p&#250;beres durante esse per&#237;odo.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Em suas atividades rotineiras, esses aspirantes jovens acabam temendo a quantidade de suas puls&#245;es em vez da qualidade; ou seja, o excesso &#233; prestes a evocar a rememora&#231;&#227;o e o ati&#231;amento da sexualidade infantil e suas puls&#245;es parciais, as quais foram reprimidas nesta etapa de sua vida.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Contrariar qualquer tipo de anseio tomar-se-&#225; a maneira mais correta de renunciar &#224;s avalanches pulsionais, que tanto amedrontam, pelo poder de as possu&#237;rem. Para o eu, a sa&#237;da encontrada &#233; vet&#225;-las com o maior rigor. A avers&#227;o sexual encontra-se em a&#231;&#227;o nessas intera&#231;&#245;es temerosas, com maior notoriedade e limpidez.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Conforme Anna Freud (2006), quando n&#227;o compensada, a pol&#237;tica de contrariar os desejos mais urgentes (o que pode ser compreendido, em nosso estudo, como avers&#227;o sexual) poder&#225; generalizar-se e tornar-se perigosa.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Podemos compreender que existe uma conex&#227;o entre a absten&#231;&#227;o de bonitas e atraentes roupas e a proibi&#231;&#227;o de sexualidade. Come&#231;amos, por&#233;m, a ficar inquietos quando essa ren&#250;ncia se estende a coisas que s&#227;o inofensivas e necess&#225;rias, como no caso de um jovem que recusa qualquer prote&#231;&#227;o contra o frio, mortificando o corpo de todos os modos poss&#237;veis e expondo sua sa&#250;de a riscos desnecess&#225;rios; quando n&#227;o s&#243; renuncia a determinadas esp&#233;cies de prazer oral, mas, &#8220;em princ&#237;pio&#8221;, reduz sua alimenta&#231;&#227;o di&#225;ria ao m&#237;nimo; quando, pelo fato de ter gozado de longas noites de profundo sono, se obriga a estar de p&#233; muito cedo; quando &#233; relutante ao riso ou ao sorriso; ou quando, em casos extremos, ret&#233;m a defeca&#231;&#227;o e a mic&#231;&#227;o o maior tempo poss&#237;vel, baseando-se em que n&#227;o deve ceder imediatamente a todas as necessidades f&#237;sicas (Anna Freud, 2006, p. 111).</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Para Freud (1924/1996), o equil&#237;brio conquistado pelo eu durante a lat&#234;ncia, a despeito das investidas pulsionais do isso, ensaia uma poss&#237;vel desestrutura&#231;&#227;o, em decorr&#234;ncia da entrada do sujeito na maturidade, em que se implicam altera&#231;&#245;es nas condi&#231;&#245;es fisiol&#243;gicas, dos pulsos sexuais secund&#225;rios (em rela&#231;&#227;o &#224; efloresc&#234;ncia libidinal infantil). Neste sentido, tais condi&#231;&#245;es favorecer&#227;o estimula&#231;&#245;es pulsionais, as quais s&#227;o transportadas para a esfera ps&#237;quica, na forma de um influxo de libido.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A sa&#237;da da fase de lat&#234;ncia e a entrada na puberdade ser&#227;o marcadas por muito conflito ps&#237;quico, pelo fato de o eu n&#227;o conseguir, na maioria das vezes, estabelecer a mesma ordem e equil&#237;brio presenciados na fase de lat&#234;ncia. Segundo Anna Freud (2006, p. 104), na adolesc&#234;ncia &#8220;os interesses orais e anais h&#225; muito submersos voltam &#224; superf&#237;cie. Os h&#225;bitos de limpeza, laboriosamente adquiridos durante o per&#237;odo de lat&#234;ncia, cedem seu lugar ao prazer na imund&#237;cie e na desordem&#8221;.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Na puberdade, os impulsos e as rela&#231;&#245;es de objeto dos primeiros anos de uma crian&#231;a se tornam reanimados e entre eles os la&#231;os emocionais do seu complexo de &#201;dipo. Na vida sexual da puberdade, verifica-se uma luta entre os anseios dos primeiros anos e as inibi&#231;&#245;es do per&#237;odo de lat&#234;ncia (FREUD, 1926 [1925J/1996, p. 42).</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Essa re-ascens&#227;o, desta vez bastante violenta, do conflito ed&#237;pico e seus precursores infantis sexuais marcam uma segunda elabora&#231;&#227;o da trama ed&#237;pica para o processo com uma finalidade diferente da etapa inicial (entre 2 e 5 anos), pois, desta vez h&#225; necessidade e condi&#231;&#227;o para uma abdica&#231;&#227;o definitiva (com seus poss&#237;veis fracassos) dos objetos incestuosos em prol do encontro com o &#8220;objeto externo&#8221; (Feud, 1905/1996). Novamente, a considera&#231;&#227;o do tempo de elabora&#231;&#227;o ps&#237;quica obrigar&#225;, na incita&#231;&#227;o secund&#225;ria da libido, o tratamento regressivo dos resqu&#237;cios n&#227;o dissolvidos do complexo de castra&#231;&#227;o infantil que carregam consigo seus precursores de origem da sexualidade perversa polimorfa. Aqui s&#227;o pass&#237;veis de serem evocados, e de forma mais violenta e penosa, os diques da avers&#227;o sexual e suas ambiguidades, tais como encontramos na histeria, o que levou Freud (1895/1996) a afirmar que toda adolesc&#234;ncia &#233; impregnada de uma histeria. Nesse abalo sofrido pelo eu, as mo&#231;&#245;es sexuais tendem a voltar &#224; consci&#234;ncia, e o mecanismo do recalque torna-se menos r&#237;gido, em compara&#231;&#227;o &#224;quele presente na fase de lat&#234;ncia. As forma&#231;&#245;es reativas que apoiavam o recalque perdem sua for&#231;a. Fantasias do Complexo de &#201;dipo surgem e tendem a vir &#224; consci&#234;ncia de maneira deformada - nos meninos, cada vez mais com representa&#231;&#245;es da castra&#231;&#227;o, e nas meninas, da inveja do p&#234;nis.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Para Anna Freud (2006, p. 104), &#8220;h&#225; muito poucos elementos novos nas for&#231;as invasoras. Sua investida apenas traz outra vez &#224; superf&#237;cie o conte&#250;do familiar da sexualidade infantil nas crian&#231;as de tenra idade&#8221;. De fato, esses comportamentos denunciam que o complexo ed&#237;pico n&#227;o se dissolveu como era esperado ap&#243;s o recalque e o complexo de castra&#231;&#227;o. A avers&#227;o sexual se instaura nesse momento, o que fomenta contra as recorrentes investidas do conflito incestuoso e agressivo da sexualidade infantil.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">As exig&#234;ncias do isso em expressar suas puls&#245;es e, em contrapartida, as exig&#234;ncias do supereu, atrav&#233;s da consci&#234;ncia moral, das forma&#231;&#245;es de ideais e obedi&#234;ncia da lei, fazem com que o eu procure restaurar a normalidade experimentada anteriormente na lat&#234;ncia. Neste caso, o eu usar&#225; de todos os mecanismos de defesa que possam conter tanto essas investidas pulsionais do isso como as reaquisi&#231;&#245;es do supereu. Para Freud (1924/1996, p. 205), ap&#243;s sofrer uma frustra&#231;&#227;o no per&#237;odo do complexo ed&#237;pico, o eu p&#250;bere poder&#225; ceder &#224;s exig&#234;ncias do supereu e inibir as investidas do isso, gerando uma neurose de transfer&#234;ncia. Ou, tamb&#233;m, ceder &#224;s requisi&#231;&#245;es do isso e &#8220;se afastar de um fragmento da realidade&#8221;, podendo desenvolver uma psicose. No caso da neurose narc&#237;sica, na melancolia, o eu entraria em conflito com o supereu.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A partir da dissolu&#231;&#227;o do Complexo de &#201;dipo iniciada na esteira da lat&#234;ncia, bem como o direcionamento do eu, na sua negocia&#231;&#227;o entre o isso, o supereu e o mundo externo, consolidam-se as estruturas ps&#237;quicas. &#201; em meio &#224;s suas forma&#231;&#245;es que se coloca a avers&#227;o sexual. Sendo assim, na neurose de transfer&#234;ncia, a avers&#227;o pode ser observada nos sintomas hist&#233;ricos conversivos, nos pensamentos obsessivos ou mesmo nas fobias a ambientes ou a objetos, os quais podem representar alguma repugn&#226;ncia sexual recalcada. J&#225; os del&#237;rios persecut&#243;rios e paran&#243;icos da psicose s&#227;o as express&#245;es da avers&#227;o sexual existente no sujeito, sendo a sujeira, no del&#237;rio, infligida ou atribu&#237;da ao sujeito, como se fosse advindo de fora - do outro. No que se refere &#224; pervers&#227;o, a avers&#227;o pode ser encontrada nos rituais fetichistas, no nojo expressado pelos homossexuais com rela&#231;&#227;o ao &#243;rg&#227;o genital do sexo oposto, entre outros.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>Considera&#231;&#245;es</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Portanto, buscamos precisar aqui o significado atribu&#237;do por Freud ao sentimento de avers&#227;o. E tamb&#233;m esclarecer que avers&#227;o, para o autor, tem a mesma conota&#231;&#227;o que repugn&#226;ncia, afastamento horrorizado da sexualidade, nojo e repulsa a qualquer objeto, fantasia e a situa&#231;&#245;es que pudessem vir a denotar algum aspecto da sexualidade perversa polimorfa. A avers&#227;o sexual, deste modo, &#233; uma via contr&#225;ria &#224; sexualidade infantil at&#233; a matriz incestuosa que se instaura somente com a configura&#231;&#227;o ed&#237;pica e a amea&#231;a de castra&#231;&#227;o, como parte do recalcamento das mo&#231;&#245;es incestuosas e como parte do complexo conjunto de processos que permitem a entrada do sujeito na cultura. Entretanto, a avers&#227;o deve, com essa transforma&#231;&#227;o, dar lugar &#224; simboliza&#231;&#227;o, &#224; sublima&#231;&#227;o e &#224; cria&#231;&#227;o de la&#231;os sociais. Sua perman&#234;ncia alude para o estancamento de tal processo.</font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Refer&#234;ncias</b></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Abraham, K. (1970). <i>Teoria psicanal&#237;tica da libido: sobre o car&#225;ter e o desenvolvimento da libido.</i> Rio de Janeiro: Imago.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463985&pid=S0874-2049200900010000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Freud, A. (2006). <i>O ego e os mecanismos de defesa.</i> Porto Alegre: Artmed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463987&pid=S0874-2049200900010000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Freud, S. (1924). A dissolu&#231;&#227;o do Complexo de &#201;dipo. In <i>Edi&#231;&#227;o standard brasileira das obras completas de Sigmund Freud (E.S.B.).</i> v. XIX. Rio de Janeiro: Imago, 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463989&pid=S0874-2049200900010000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Freud, S. (1923). A organiza&#231;&#227;o genital infantil: uma interpola&#231;&#227;o na teoria da sexualidade. In <i>Edi&#231;&#227;o standard brasileira das obras completas de Sigmund Freud (E.S.B.).</i> v. XIX. Rio de Janeiro: Imago, 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463991&pid=S0874-2049200900010000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Freud, S. (1897). Carta 75. In <i>Edi&#231;&#227;o standard brasileira das obras completas de Sigmund Freud (E.S.B.).</i> v. I. Rio de Janeiro: Imago, 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463993&pid=S0874-2049200900010000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Freud, S. (1933 [1932]). Novas confer&#234;ncias introdut&#243;rias sobre psican&#225;lise. In <i>Edi&#231;&#227;o standard brasileira das obras completas de Sigmund Freud (E.S.B.).</i> v. XXII. Rio de Janeiro: Imago, 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463995&pid=S0874-2049200900010000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Freud, S. (1940 [1938]). Esbo&#231;o de psican&#225;lise. In <i>Edi&#231;&#227;o standard brasileira das obras completas de Sigmund Freud (E.S.B.).</i> v. XXIII. Rio de Janeiro: Imago, 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463997&pid=S0874-2049200900010000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Freud, S. (1893-1895). Estudos sobre a histeria. In <i>Edi&#231;&#227;o standard brasileira das obras completas de Sigmund Freud (E.S.B.).</i> v. II. Rio de Janeiro: Imago, 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=463999&pid=S0874-2049200900010000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Freud, S. (1905 [1901]). Fragmento da an&#225;lise de um caso de histeria. In <i>Edi&#231;&#227;o standard brasileira das obras completas de Sigmund Freud (E.S.B.).</i> v. VII. Rio de Janeiro: Imago, 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=464001&pid=S0874-2049200900010000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Freud, S. (1931). Sexualidade feminina. In <i>Edi&#231;&#227;o standard brasileira das obras completas de Sigmund Freud (E.S.B.).</i> v. XXI. Rio de Janeiro: Imago, 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=464003&pid=S0874-2049200900010000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Freud, S. (1914). Sobre o narcisismo: uma introdu&#231;&#227;o. In <i>Edi&#231;&#227;o standard brasileira das obras completas de Sigmund Freud (E.S.B.).</i> v. XIV. Rio de Janeiro: Imago, 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=464005&pid=S0874-2049200900010000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Freud, S. (1905). Tr&#234;s ensaios sobre a sexualidade. In <i>Edi&#231;&#227;o standard brasileira das obras completas de Sigmund Freud (E.S.B.).</i> v. VII. Rio de Janeiro: Imago, 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=464007&pid=S0874-2049200900010000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Freud, S. (1925 [1924]). Um estudo autobiogr&#225;fico. In <i>Edi&#231;&#227;o standard brasileira das obras completas de Sigmund Freud (E.S.B.).</i> v. XX. Rio de Janeiro: Imago, 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=464009&pid=S0874-2049200900010000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Freud, S. (1916-1917 [1915]). Confer&#234;ncias introdut&#243;rias sobre psican&#225;lise. In <i>Edi&#231;&#227;o standard brasileira das obras completas de Sigmund Freud (E.S.B.).</i> v. XV. Rio de Janeiro: Imago, 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=464011&pid=S0874-2049200900010000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Green, A. (2003). <i>A sexualidade tem alguma rela&#231;&#227;o com a psican&#225;lise.</i> Rev. Psican&#225;lise e Universidade, S&#227;o Paulo, n. 18, pp. 11-32.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=464013&pid=S0874-2049200900010000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Kuhn, T. S. (1972). <i>La structure des r&#233;volutions scientifiques.</i> Paris: Flammarion.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=464015&pid=S0874-2049200900010000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Notas</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top3"><sup>3</sup></a><a name="3">Esse trecho de um artigo de Green mostra como a sexualidade ainda gera, em muitos, psicanalistas ou n&#227;o, certo desd&#233;m e certa deprecia&#231;&#227;o, nas ra&#237;zes dos quais se encontra o recalcamento e sua acoplada avers&#227;o &#224; sexualidade infantil.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top4"><sup>4</sup></a><a name="4">N&#227;o somente a repreens&#227;o da m&#227;e &#224;s atividades da masturba&#231;&#227;o do seu filho caracteriza-se como uma avers&#227;o &#224; sexualidade, contribuindo na instaura&#231;&#227;o do complexo de castra&#231;&#227;o. Existe, na fase anal, uma avers&#227;o dos cuidadores &#224;s atividades executadas pela crian&#231;a, em pegar, cheirar as fezes, comer, reter e expulsar, entre outros. Neste momento surgem as primeiras e mais expl&#237;citas repulsas.</font></p>      ]]></body>
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