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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="2"><b>O que &#233; a psicologia?</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Joaquim Bairr&#227;o</i><sup>1</sup></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><sup>1</sup>Professor Em&#233;rito, Faculdade de Psicologia e de Ci&#234;ncias da Educa&#231;&#227;o, Universidade do Porto</font></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Nota Explicativa</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>O presente texto apresenta a vers&#227;o editada da Ora&#231;&#227;o de Sapi&#234;ncia proferida pelo Professor Joaquim Bairr&#227;o, no &#226;mbito das cerim&#243;nias da sua jubila&#231;&#227;o que decorreram a 23 de Novembro de 2005. Havendo dispon&#237;vel uma grava&#231;&#227;o fielmente transcrita de toda a comunica&#231;&#227;o<a href="#2"><sup>2</sup></a><a name="top2"></a>, opt&#225;mos por n&#227;o reproduzi-la na &#237;ntegra, mas por compor a presente vers&#227;o.</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>De facto, evidenciando, uma vez mais, as suas extraordin&#225;rias qualidades de comunicador, o Professor Joaquim Bairr&#227;o fez a apresenta&#231;&#227;o sem o suporte de qualquer texto. Produziu uma pe&#231;a orat&#243;ria fascinante ajudada pela projec&#231;&#227;o de in&#250;meros slides sobre os quais elaborava pequenos coment&#225;rios para destacar um ou outro aspecto relevante. Transcrever na integralidade o que foi dito, sem a possibilidade de restituir pela forma escrita todo o contexto audiovisual que contribuiu para dar sentido &#224;s palavras faladas, afectaria a legibilidade da comunica&#231;&#227;o. Da&#237; a decis&#227;o de reproduzirmos a aula do professor Joaquim Bairr&#227;o sob a forma de texto editado.</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>N&#227;o obstante, procur&#225;mos que o texto respeitasse, na medida do poss&#237;vel, a forma. Mas, mais do que a forma, preocupou-nos, essencialmente, devolver o conte&#250;do. Na verdade, o que a&#237; foi transmitido reveste-se de um interesse crucial para todos aqueles que pensam a Psicologia e empenham os seus esfor&#231;os no avan&#231;o desta Ci&#234;ncia.</i></font></p>      <p align="right">Pedro Lopes dos Santos</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Em primeiro lugar, queria agradecer ao Sr. Vice-reitor, que representa a Universidade, pelo facto de estar aqui e pelo simbolismo das suas palavras.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Chegamos ao fim de uma carreira, em que fizemos um servi&#231;o que pensamos ter sido o melhor para os alunos e para os colegas, e &#233; gratificante ver esse trabalho reconhecido por todos. &#091;...&#093; Foi extremamente agrad&#225;vel entrar numa sala e ouvir um n&#227;o mais acabar de coisas agrad&#225;veis &#091;...&#093;. Nomeadamente o que disse a presidente do Conselho Directivo e as palavras do Presidente do Conselho Cient&#237;fico &#091;...&#093;. N&#227;o s&#227;o coisas que se improvisam. Por mais que quisessem improvisar, n&#227;o improvisaram &#091;...&#093;. Tudo isso torna este evento particularmente dif&#237;cil!</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Ora bem, dois colegas disseram-me: &#8220;Tu n&#227;o fa&#231;as grandes coisas, contas a tua vida, e tens a li&#231;&#227;o passada! Falas das hist&#243;rias da tua vida!&#8221;. Disseram-me isso, mas eu disse: &#8220; N&#227;o posso desaproveitar as conversas que tive convosco, e sobretudo os &#250;ltimos anos em que trabalh&#225;mos mais de perto! &#091;...&#093;. Portanto, eu pe&#231;o desculpa mas a conversa n&#227;o vai ser s&#243; de anedotas. Vai meter um bocadinho de epistemologia, porque a Psicologia est&#225; a precisar!</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Vemos na televis&#227;o alguns colegas falarem do que quer que seja, terem uma resposta para tudo e, sobretudo, pedirem &#224;s Ci&#234;ncias Humanas coisas que elas &#091;...&#093; provavelmente n&#227;o podem dar. Posto isto, hesitei nas anedotas a escolher e optei por um leque que pode ser o <i>leitmotiv</i> para a nossa conversa.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A primeira foi quando, jovem licenciado em letras, fui parar - n&#227;o sei por que carga de &#225;gua - ao Centro de Investiga&#231;&#227;o Pedag&#243;gica da Funda&#231;&#227;o Gulbenkian, que recrutava investigadores. Era a primeira institui&#231;&#227;o que, em Portugal, ia fazer investiga&#231;&#227;o no dom&#237;nio. Um dia, passava eu nos corredores com um livro debaixo do bra&#231;o que se chamava <i>Nonparametric Statistics.</i> Um colega meu, professor de Matem&#225;tica no Instituto Superior de Agronomia, disse-me ent&#227;o: &#8220;&#243; Bairr&#227;o, para que queres tu um livro de Estat&#237;stica se &#233;s de Letras?&#8221;. E eu disse: &#8220;Eu sou de Letras, o que n&#227;o sou &#233; atrasado mental!&#8221;.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Isto, nos finais dos anos sessenta, era paradigm&#225;tico da imagem das Ci&#234;ncias Humanas &#091;...&#093;. Hoje em dia, qualquer um de n&#243;s, nesta casa, sente-se psic&#243;logo. Mas eu n&#227;o me sentia psic&#243;logo nos anos sessenta. Primeiro, porque n&#227;o t&#237;nhamos refer&#234;ncia identit&#225;ria. Segundo, porque t&#237;nhamos uns predadores chamados psicoterapeutas e psiquiatras. Em terceiro lugar, porque n&#227;o sab&#237;amos qual era o nosso espa&#231;o.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#091;Em termos hist&#243;ricos&#093;, na Europa, foi preciso esperar umas largas d&#233;cadas para que houvesse uns senhores que se dissessem <i>psic&#243;logos seulement. Only psychologist. What you are? I&#8217;m just... only a psychologist.</i> Ningu&#233;m era s&#243; <i>psychologist.</i> &#091;...&#093; Helmholtz era f&#237;sico, Brocca neuro-anatomista, outro era linguista, etc., etc. Portanto, essa primeira identidade tamb&#233;m a senti na pele e s&#243; a partir de determinada altura as pessoas se identificaram com essa profiss&#227;o, que tem a ver com o tema da nossa conversa: O que &#233; a Psicologia? Para que &#233; que a Psicologia serve? Que Psicologia temos hoje? Quais s&#227;o os grandes aforismos da Psicologia?</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Uma outra anedota foi quando entrei no laborat&#243;rio de Psicologia, na Faculdade de Letras de Lisboa. O meu professor de Psicologia era muito culto... em hist&#243;ria! Um eminente historiador especializado em cartografia &#091;...&#093;. Mas teve o azar de ter feito um curso de seis meses nos Estados Unidos e veio com uma ideia da Psicologia um pouco curta. Ent&#227;o, dado dia dissemos: &#8220;Amanh&#227; a aula &#233; no laborat&#243;rio de Psicologia&#8221;. Eu devia ter uns 18 anos. Estava na Faculdade e n&#227;o pus gravata porque n&#227;o era costume, mas disse l&#225; em casa: &#8220;Amanh&#227; vou ao laborat&#243;rio de Psicologia!&#8221; O meu av&#244;, o meu tio e o meu primo, que eram farmac&#234;uticos, disseram: &#8220;V&#234; l&#225; se te sujas!&#8221; &#201; verdade! A fam&#237;lia, da parte do meu pai, era toda farmac&#234;utica, e era costume dizerem-me: &#8220;N&#227;o tomes rem&#233;dio que te faz mal!&#8221; Como eles, digo igualmente: cuidado com a Psicologia, que a Psicologia &#224;s vezes tamb&#233;m &#233; perigosa! E no outro dia, l&#225; fui ent&#227;o eu ao laborat&#243;rio de Psicologia. Digo-vos exactamente o que encontrei: um cr&#226;nio, que, n&#227;o sei bem, devia ter vindo da Academia das Ci&#234;ncias, porque a Faculdade de Letras de Lisboa era na rua da Academia das Ci&#234;ncias. Havia um aparelho que servia aos antrop&#243;logos para medir o cr&#226;nio. Havia as Tabelas de Ishihara, para ver os dalt&#243;nicos, provavelmente. Havia papel de seda de v&#225;rias cores, com quadradinhos, com as cores principais, para fazer o &#250;nico trabalho pr&#225;tico que pod&#237;amos fazer naquela altura, que era analisar as cores complementares! Havia tamb&#233;m alguns cronosc&#243;pios pr&#233;-hist&#243;ricos (havia um <i>d&#8217;Arsonval, </i>ainda havia um!), que eu nunca vi trabalhar. E havia a promessa de se ter um dia um taquistosc&#243;pio!</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Ent&#227;o reparem, a hist&#243;ria est&#225; a compor-se e eu agora pe&#231;o desculpa porque vou ser um pouco erudito.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#091;...&#093; A Psicologia - felizmente com as neuroci&#234;ncias talvez tenhamos outra via aberta - afirmou-se como uma ci&#234;ncia muito pragm&#225;tica e pouco cient&#237;fica. Como podem apreciar, Canguilhem diz coisas muito parecidas &#091;a passagem a seguir transcrita constitui um dos slides projectados&#093;:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Si nous ne pouvons pas d&#233;finir cette psychologie par une id&#233;e de l&#8217;homme, c&#8217;est-&#224;-dire, situer la psychologie dans la philosophie, nous n&#8217;avons pas le pouvoir, bien entendu, d&#8217;interdire &#224; qui que ce soit de se dire psychologue et d&#8217;appeler psychologie ce qu &#8217;il fait. Mais nul ne peut davantage interdire &#224; la philosophie de continuer &#224; s&#8217;interroger sur le statut mal d&#233;fini de la psychologie, mal d&#233;fini du c&#244;t&#233; des sciences comme du c&#244;t&#233; des techniques. (Canguilhem, 1958)</i></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">&#091;...&#093; Os psic&#243;logos s&#227;o, assim, definidos por aquilo que fazem e n&#227;o em fun&#231;&#227;o dos objectos que estudam ou questionam. Isto significa que o exerc&#237;cio da Psicologia n&#227;o tem sido legitimado pelos fUndamentos de uma verdadeira reflex&#227;o epistemol&#243;gica. Lembro-me que tal ideia era, h&#225; v&#225;rios anos, motivo de acesas discuss&#245;es em Fran&#231;a, &#224;s quais parece que estamos a retornar.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#201; bom que numa Faculdade de Psicologia - as faculdades s&#227;o, por excel&#234;ncia, os locais onde se cultiva o avan&#231;o cient&#237;fico - se pense exactamente nos fundamentos desta Ci&#234;ncia. Nenhum f&#237;sico conhecido no mundo partiu para estudar F&#237;sica sem saber o que era o objecto da F&#237;sica. Pelo contr&#225;rio, os psic&#243;logos lan&#231;aram-se no estudo da personalidade ou da intelig&#234;ncia apoiados em vagas defini&#231;&#245;es, frequentemente engendradas na depend&#234;ncia das t&#233;cnicas usadas para as medir. &#091;Deste modo&#093;, a Psicologia foi, muitas vezes, teoricamente at&#237;pica. Ali&#225;s, nos livros americanos e ingleses &#233; costume dizer-se <i>this is a phase, a method or an atheoretical approach.</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#091;...&#093; Porque &#233; que come&#231;&#225;mos exactamente por uma Ci&#234;ncia ate&#243;rica? &#091;De facto, para corresponder a uma certa ideia de ci&#234;ncia&#093;, a Psicologia mimou, macaqueou a F&#237;sica e as ci&#234;ncias naturais, usou e abusou de m&#233;todos quantitativos. Ficou extremamente contente quando p&#244;de fazer trabalho estat&#237;stico. regress&#245;es. E importa faz&#234;-lo, quando deve! Na mira de se libertar do seu passado filos&#243;fico, a Psicologia adoptou um empirismo que a fez deitar fora a &#225;gua da banheira com o beb&#233; l&#225; dentro.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Daqui nasceu uma Psicologia que se contrap&#244;s a uma outra que tem horror a n&#250;meros e que acha que o fen&#243;meno psicol&#243;gico ainda &#233; hoje o vivido, o entendido, o assumido. Pierre Gr&#233;co coloca esta dualidade com grande frontalidade ao descrever a &#8220;infelicidade&#8221; do psic&#243;logo nos seguintes termos:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>C&#8217;est le malheur du psychologue: il n &#8217;est jamais s&#251;r qu &#8217;il &#8220;fait de la science&#34;. S&#8217;il en fait il n&#8217;est jamais s&#251;r qu&#8217;il fait de la psychologie (Gr&#233;co, 1969).</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Ou seja, quando fa&#231;o Psicologia, nunca sei se &#233; Ci&#234;ncia. Se fa&#231;o Ci&#234;ncia, nunca sei se &#233; Psicologia.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Curiosamente, os psic&#243;logos t&#234;m cada vez mais, os mesmos problemas dos fil&#243;sofos. Reparem, qual &#233; o tema avan&#231;ado de Harvard ou Oxford sobre Psicologia Cognitiva: As rela&#231;&#245;es mente-esp&#237;rito, as rela&#231;&#245;es corpo-mente. &#201; um problema da Filosofia ou da Psicologia? Cada vez mais as duas est&#227;o juntas, t&#234;m os mesmos problemas. E mais, completam-se uma &#224; outra em quest&#245;es de natureza complicada de interface e de interdisciplinari-dade. Centremo-nos, por exemplo, no problema bem real do d&#233;fice da aten&#231;&#227;o que ainda ontem estive a estudar. Trata-se de um problema que est&#225;, hoje, a ser abordado por neurologistas, por psic&#243;logos e, sobretudo, por fil&#243;sofos, exactamente porque p&#245;e uma quest&#227;o de raiz, que &#233; o problema do reducionismo. Ser&#225; que todo o comportamento humano se reduz &#224; actividade cerebral? Ou o que &#233; que a iman&#234;ncia do psicol&#243;gico vai buscar &#224; base neural?</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#091;...&#093; Gottlieb, num trabalho not&#225;vel sobre a neuropsicologia do autismo, coloca as mesmas interroga&#231;&#245;es. Discutindo as dificuldades de auto-regula&#231;&#227;o nas crian&#231;as com desordens da fam&#237;lia do autismo, argumenta que o problema n&#227;o consiste em identificar ou descrever os eventuais correlatos neurol&#243;gicos da desordem, mas sim entender o que a n&#237;vel da fun&#231;&#227;o neuronal subjacente inibe o desencadeamento dos mecanismos cognitivos suscept&#237;veis de serem os referenciais da conduta.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Vemos, portanto, que em m&#250;ltiplos dom&#237;nios come&#231;a, cada vez mais, a haver a necessidade de equipas interdisciplinares. Por exemplo, com a informa&#231;&#227;o recolhida atrav&#233;s das t&#233;cnicas n&#227;o invasivas, como as da tomografia computorizada ou da emiss&#227;o de positr&#245;es, &#233; poss&#237;vel juntar v&#225;rias teorias. E aqui, o fundamental &#233; ter boas teorias. Porque o que tamb&#233;m est&#225; a suceder - e isso acontecer&#225; &#224; m&#225; Neuropsicologia, &#233; que a Neuropsicologia ir&#225; basear-se naquilo que &#233; a m&#225; Psicologia. Assim sendo, rapidamente adop-taremos pontos de vista que far&#227;o equivaler estados org&#226;nicos a estados mentais. Mas a&#237; podemos ver a import&#226;ncia de posi&#231;&#245;es n&#227;o reducionistas e mais elaboradas.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Mas porque falo eu em reducionismo? Porque estou a falar da Psicologia como Ci&#234;ncia, que na sua preocupa&#231;&#227;o em afirmar-se como tal e no seu esquecimento de ser Ci&#234;ncia, passou a ser s&#243; Psicologia? Porque estou a falar do passado?</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Primeiro, porque esse passado &#233; recente. Segundo, porque esse passado &#233; presente. E em terceiro lugar, porque, se n&#227;o tomarmos em devida conta esse passado, dificilmente saberemos como ter Ci&#234;ncia. A Psicologia est&#225; a passar maus dias. Est&#225; a passar maus dias, exactamente porque houve como que um d&#233;bito excessivo de teorias tradicionais, falta de criatividade e, sobretudo, uma aus&#234;ncia de reflex&#227;o sobre o que os americanos ou os ingleses chamam os <i>fundamentals:</i> ou seja, olhar atento &#224;s bases te&#243;ricas que, por exemplo, os f&#237;sicos n&#227;o deixaram por m&#227;os alheias.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Talvez a quest&#227;o dos m&#233;todos pouco importe. Enquanto alguns se v&#227;o dando conta do que h&#225; de fundamental neste mal-estar, muitos continuamos, ainda, divididos pela quest&#227;o das metodologias quantitativas ou quantitativas.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>A psicologia do nosso tempo est&#225; claramente em mudan&#231;a, das preocupa&#231;&#245;es behavioristas (a psicologia como ci&#234;ncia natural), que assumiu que o observ&#225;vel existe por si mesmo e &#233; objecto de ci&#234;ncia (ci&#234;ncia emp&#237;rica) e logo mensur&#225;vel e implicando metodologias do mesmo tipo (quantitativas), a uma tend&#234;ncia para ultrapassar a limitada epistemologia que seguia situando-se num continuo entre um novo e um velho paradigma (Smith et al., 1996).</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#192;s vezes, propomos, at&#233;, m&#233;todos mistos, pensando, assim que resolvemos o problema, sem nos perguntarmos como &#233; que chegamos aos diferentes tipos de metodologia. &#091;Os autores acabados de transcrever&#093; tra&#231;am as linhas que em sua opini&#227;o dividem o velho e o novo paradigma.</font></p>      <p>&nbsp;</p> <a name="t1"> <img src="/img/revistas/psi/v23n2/23n2a01f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2">Estas palavras est&#227;o separadas, mas deviam estar juntas, porque a Psicologia &#233; as duas coisas ao mesmo tempo. &#201; compreender, descrever, mas tamb&#233;m &#233; medir, contar e diagnosticar, e interpretar... S&#227;o duas faces da mesma moeda, mas que n&#243;s usamos numa vis&#227;o dicot&#244;mica. Quer dizer, a Psicologia ainda est&#225; eivada de uma dicotomia que dificilmente ser&#225; ultrapassada ao longo do tempo.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">E antes de vos recordar coisas b&#225;sicas, vou-vos contar algumas coisas que me parecem importantes.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Sabem uma coisa engra&#231;ada? Quando se fala em Wilhelm Wundt, muita gente est&#225; convencida de que ele foi o pai da Psicologia Experimental. Mas ele n&#227;o foi o pai. Ali&#225;s, nunca teve filhos!</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Porqu&#234; esta cren&#231;a generalizada? Em grande parte porque o seu nome surge incontornavelmente associado &#224; funda&#231;&#227;o do Laborat&#243;rio de Leipzig. Mas esse laborat&#243;rio de Psicologia Experimental foi, apenas, uma cria&#231;&#227;o sem&#226;ntica. Isso &#233;-nos dito de uma maneira espantosa por um senhor chamado Sigmund Koch. Koch escreve o seguinte: &#8220;Que ci&#234;ncia anuncia que vai ser criada, provavelmente, por uma l&#225;pide ou pelo hastear de alguma bandeira?&#8221;. Quando nasceu a F&#237;sica? Ningu&#233;m sabe! Talvez algures no s&#233;culo II, no tempo de Arist&#243;teles. E n&#227;o consta que Arist&#243;teles tenha dito a algum colega, talvez a Plat&#227;o que passeava ali na Arc&#225;dia ou na &#193;gora: &#8220;olha, parece que amanh&#227; vai haver a F&#237;sica&#8221;. Ou ser&#225; que Her&#243;doto teria dito: &#8220;essa coisa do Egipto est&#225;-me a cheirar mal. Acho que a gente tem mesmo que estudar aquilo. Ent&#227;o o melhor &#233; criarmos a Hist&#243;ria.&#8221;</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Pois esta brincadeira de que voc&#234;s se est&#227;o a rir e com muita raz&#227;o foi o que aconteceu com a Psicologia. A Psicologia, e o laborat&#243;rio de Wundt, foi criado por raz&#245;es de ordem sociol&#243;gica. Havia realmente uma clientela &#224; espera que a Psicologia se tornasse experimental.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Havia uns <i>na&#239;fs</i>, como o senhor chamado Th&#233;odule Ribot, que tem esta frase bonita que cito de mem&#243;ria: &#8220;Est&#225; pr&#243;xima a nova ci&#234;ncia, uma ci&#234;ncia que n&#227;o se vai basear na metaf&#237;sica, que n&#227;o se vai basear na introspec&#231;&#227;o, naquilo que as pessoas pensam. Vai ser como as ci&#234;ncias biol&#243;gicas, vai ser objectiva&#8221;. E Koch pergunta: Ser&#225; que no tempo de Ribot haveria algu&#233;m preparado &#091;para conduzir tal empreendimento&#093;? Qual era a forma&#231;&#227;o do Wilhelm Wundt? Wundt tinha escrito uma obra de 20 volumes chamada <i>Volkerpsychologie</i> - para quem sabe alem&#227;o, &#233; bonito dizer estes termos, numa assembleia destas! - que quer dizer, a Psicologia do Povo. Naquele tempo, do conjunto de cientistas &#8220;dispon&#237;veis&#8221; para trabalharem no projecto do laborat&#243;rio de Leipzig, dois eram f&#237;sicos, outros eram metaf&#237;sicos e os restantes fisi&#243;logos. Ent&#227;o, como foi Wundt criar uma nova ci&#234;ncia, que n&#227;o existia, com gente que n&#227;o existia, para fazer n&#227;o sei o qu&#234;... &#091;...&#093; Criou um laborat&#243;rio sem&#226;ntico e n&#227;o um laborat&#243;rio real. O que l&#225; se fazia, nada tinha a ver com a Psicologia Experimental. Inclusivamente, os pr&#243;prios instrumentos n&#227;o existiam, a n&#227;o ser alguns de determinado tipo, apropriados &#224; medi&#231;&#227;o dos tempos de reac&#231;&#227;o e pouco mais. Urgia, de facto, responder a uma expectativa e ir ao encontro dos muitos estudantes que na &#226;nsia de conhecerem a nova ci&#234;ncia invadiam Leipzig. E esse n&#250;mero era t&#227;o grande que &#8220;obrigou&#8221; Wundt a lan&#231;ar-se no empreendimento de fundar uma ci&#234;ncia independente e experimental. E a&#237; come&#231;ou provavelmente o nosso drama.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">N&#227;o resisto, aqui, a esta frase de Ribot: &#8220;A velha ci&#234;ncia est&#225; possu&#237;da de um esp&#237;rito metaf&#237;sico, &#233; a ci&#234;ncia da alma, da observa&#231;&#227;o interna. A an&#225;lise e o racioc&#237;nio s&#227;o os processos favoritos de uma investiga&#231;&#227;o, fraca e velha; ela n&#227;o faz progressos e pede apenas que a deixem sossegada&#8221;. Ent&#227;o qual &#233; a nova ci&#234;ncia para Ribot? A nova Psicologia difere da velha no seu esp&#237;rito. N&#227;o &#233; metaf&#237;sico (quando eles eram todos metaf&#237;sicos naquele tempo), estuda apenas fen&#243;menos e nos seus procedimentos pede de empr&#233;stimo, o mais poss&#237;vel &#224;s ci&#234;ncias biol&#243;gicas. Mas, pergunto eu, o que &#233; que s&#227;o fen&#243;menos? Ribot queria dizer provavelmente factos. E o que &#233; um facto psicol&#243;gico? N&#227;o tinha sido inventado ainda. Estavam j&#225; a fazer coisas que ainda n&#227;o tinham sido inventadas.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Depois, a Am&#233;rica aparece sempre. Com 100 laborat&#243;rios de Psicologia, com 100 alunos enviados para Leipzig, etc., teve mesmo que se arranjar uma ci&#234;ncia! Mas eu n&#227;o estou a brincar. S&#243; de pensar que &#233; t&#227;o est&#250;pido e que nunca tinha dado conta disto! Nunca me tinha dado &#224; preocupa&#231;&#227;o de ler atentamente Wundt. J&#225; tinha lido Ribot, j&#225; tinha lido esses indiv&#237;duos todos separadamente, mas nunca os tinha lido em conjunto e nunca me dera conta de como &#233; que tivemos uma ci&#234;ncia. S&#243; pelo espantoso motivo de simplesmente a termos!</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#091;...&#093; Passamos a uma nova etapa. Durante a primeira metade do s&#233;culo vinte emerge a ci&#234;ncia comportamentalista.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A ideia de uma ci&#234;ncia constru&#237;da sobre factos replic&#225;veis, objectivos e mensur&#225;veis era t&#227;o forte que, ainda hoje, a praticamos em v&#225;rios quadrantes. Mas esta nova ci&#234;ncia teve que fazer uma acrobacia, &#224; semelhan&#231;a daquela que veio substituir. Ou seja, pediu princ&#237;pios de empr&#233;stimo a outros dom&#237;nios do conhecimento cient&#237;fico. Assumiu um conceito de objectividade identificado com o directamente observ&#225;vel e verific&#225;vel (recusando a tenta&#231;&#227;o do mentalismo), adoptou o empirismo associacionista, insistiu na import&#226;ncia dos factores situacionais, defendeu o determinismo. Tinha, enfim, todas as caracter&#237;sticas das ci&#234;ncias exactas e naturais, tal como o positivismo do s&#233;culo dezanove as concebia.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Pagou-se, igualmente, um pre&#231;o caro. Ao sustentar a sua ontologia em m&#233;todos pedidos de empr&#233;stimo a outras ci&#234;ncias, a Psicologia ficou vulner&#225;vel a reducionismos de toda a ordem. Na verdade, a estrita depend&#234;ncia do objecto relativamente ao m&#233;todo possibilita que certos factos ou fen&#243;menos psicol&#243;gicos sejam redut&#237;veis a outros n&#237;veis de explica&#231;&#227;o. Isso sucede, em grande parte, quando vemos comportamentos ou processos psicol&#243;gicos explicados pelas neuroci&#234;ncias pelo recurso &#224; biologia ou a fen&#243;menos de outra natureza.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Contudo, como Overton (2002) sublinha, a claridade exige que se fa&#231;a uma distin&#231;&#227;o entre an&#225;lise e s&#237;ntese. A an&#225;lise diz respeito &#224; diferencia&#231;&#227;o das partes do todo e afasta-nos do reducionismo. Em contraste, o reducionismo implica a s&#237;ntese localizada numa oposi&#231;&#227;o. Mas este reducionismo, pedra de toque de um certo ideal positivista, j&#225; n&#227;o podemos usar porque,</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>&#091;...&#093; Implica um corte em ci&#234;ncia, assentando num fundamentalismo, num materialismo e num objectivismo que era um curto passo para a formula&#231;&#227;o de uma metodologia cient&#237;fica completa, denominada explica&#231;&#227;o mec&#226;nica (Overton, 2002)</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">H&#225;, por&#233;m, zonas de converg&#234;ncia pelas quais podemos entrar, n&#227;o pela via do reducionismo, mas pelo caminho da concilia&#231;&#227;o. Os epistem&#243;logos, fil&#243;sofos da ci&#234;ncia, ou psic&#243;logos que se interessam pela teoria da Psicologia encaram a concilia&#231;&#227;o como processo feito de an&#225;lises e de s&#237;nteses que assentam numa rela&#231;&#227;o dial&#233;ctica de partes e todo. Trata-se de uma busca efectuada &#224; custa de compara&#231;&#245;es complexas.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">&#091;...&#093; Esta tentativa de concilia&#231;&#227;o pode estender-se a posi&#231;&#245;es tidas como antit&#233;ticas ou antin&#243;micas. Como Gergen (1995) dizia, as m&#250;ltiplas interpreta&#231;&#245;es da experi&#234;ncia s&#227;o leg&#237;timas e desej&#225;veis. A total concord&#226;ncia dentro de um grupo pode ser ou um sinal de vis&#245;es minorit&#225;rias reprimidas ou de conformidade. Nesse sentido, &#233; prefer&#237;vel o conflito ao consenso, como processo de gerar conhecimento. &#091;...&#093; At&#233; porque havendo quest&#245;es objectivamente correctas e incorrectas acerca do mundo, as pessoas conceituadas poder&#227;o chegar a um comum acordo.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Enfim, eu tomo a liberdade de dizer mais a ess&#234;ncia do conhecimento do que vos dar o pr&#243;prio conhecimento. Hoje em dia, as nossas metodologias podem n&#227;o se afastar tanto das metodologias objectivas, replic&#225;veis e mensur&#225;veis, como das metodologias qualitativas, subjectivas ou construtivistas. &#091;...&#093; Para tal, importa que adoptemos princ&#237;pios da Metodologia Cr&#237;tica. &#091;...&#093;. A metodologia cr&#237;tica &#233; um empreendimento criativo, complementar, de v&#225;rios m&#233;todos, que funciona n&#227;o pelos m&#233;todos em si, mas pelo objecto em estudo. Em fun&#231;&#227;o disso, &#233; poss&#237;vel o uso de m&#233;todos tradicionais quantitativos, qualitativos e mistos. A metodologia cr&#237;tica &#233; uma teoria de inquiri&#231;&#227;o contextual e em evolu&#231;&#227;o e, portanto, pode propor-se uma progressiva clarifica&#231;&#227;o, contribuindo para que se complementem evid&#234;ncias, se refinem argumentos ou se gerem novas assump&#231;&#245;es persuasivas, moralmente defens&#225;veis, internamente consistentes e suscept&#237;veis de criar mudan&#231;as positivas ou aprender algo essencial para a experi&#234;ncia humana.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Moral da hist&#243;ria: psic&#243;logos como aqueles da televis&#227;o est&#227;o em vias de extin&#231;&#227;o. E com essa gente televisiva, me fico. Agrade&#231;o muito a vossa aten&#231;&#227;o. Pe&#231;o desculpa pelo sint&#233;tico da minha mensagem, mas achei que era bastante aliciante para uma assembleia como esta, que faz investiga&#231;&#227;o, trazer alguns destes elementos que provavelmente ser&#227;o caminhos de futuro para que consigamos ultrapassar coisas velhas e relhas que j&#225; n&#227;o se podem ouvir, como o diagn&#243;stico psicol&#243;gico, como as doen&#231;as mentais, como as caracter&#237;sticas psicol&#243;gicas est&#225;veis e imut&#225;veis do indiv&#237;duo, e pensemos a partir dos problemas.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Muito obrigado pela vossa aten&#231;&#227;o.</font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Refer&#234;ncias</b></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Anglin, J. M. (1988). The science of mind: The making of cognitive science. <i>Science,</i> 241, 1837-1839.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=464475&pid=S0874-2049200900020000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Canguilhem, G. (1958). Qu&#8217;est-ce que la Psychologie. <i>Revue de M&#233;taphysique et de Morale,</i> 367.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=464477&pid=S0874-2049200900020000100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Gergen, K. J. (1995). Social construction and the educational process. In L. P. Steffe &#38; J. Gale (Eds.), <i>Constructivism in education</i> (pp. 17-39). Hillsdale, NJ: Erlbaum.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=464479&pid=S0874-2049200900020000100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Grace, R. C. (2001). On the failure of operationism. <i>Theory &#38; Psychology, 11,</i> 5-33.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=464481&pid=S0874-2049200900020000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Greco, P. (1967). &#201;pist&#233;mologie de la psychologie, In J. Piaget (Ed.), <i>Logique et connaissance scientifique</i>. Encyclop&#233;die de la Pl&#233;iade, Paris.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=464483&pid=S0874-2049200900020000100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Hibberd, F. J. (2001). Gergen&#8217;s social constructionism, logical positivism and the continuity of error: Part 1: Conventionalism. <i>Theory Psychology, 11,</i> 297-321.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=464485&pid=S0874-2049200900020000100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Koch, S. (1992). Foreword: Wundt&#8217;s creature at age zero-and as centenarian: Some aspects of the institutionalization of the &#8220;New Psychology&#8221;. In S. Koch &#38; D. E. Leary (Eds.), <i>A century of Psychology as a science.</i> Washington, D.C.: American Psychological Association.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=464487&pid=S0874-2049200900020000100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Overton, W. F. (2002). Understanding, explanation, and reductionism: Finding a cure for Cartesian anxiety. In L. Smith &#38; T. Brown (Eds.), <i>Reductionism </i>(pp. 29-51). Mahwah, N.J.: Lawrence Erlbaum Associates.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=464489&pid=S0874-2049200900020000100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Smith, J. A., Harr&#233;, R., &#38; Langenhove, L. V. (1996). <i>Rethinking Psychology.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=464491&pid=S0874-2049200900020000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></i> United Kingdom: SAGE.</font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Soczka, L. (2005). <i>Contextos humanos e psicologia ambiental.</i> Lisboa: Funda&#231;ao Calouste Gulbenkian.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=464493&pid=S0874-2049200900020000100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Yanchar, S. C., Gantt, E. E., &#38; Samuel L. C. (2005). On the nature of a critical methodology. <i>Theory &#38; Psychology, 15,</i> 27-50.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=464495&pid=S0874-2049200900020000100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Notas</b></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top2"><sup>2</sup></a><a name="2"></a>Transcri&#231;&#227;o realizada por S. Barros, J. Cadima, C. Peixoto, &#38; H. Ros&#225;rio</font></p>       ]]></body><back>
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