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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A emergência dos comportamentos de obediência e de desobediência: relação com as estratégias de controlo materno]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Children develop behavioural self-regulation skills early in their lives within the context of social interactions with significant adults. This study analyses the relationship between child compliance and non-compliance behaviours, as well as maternal control strategies, observed during a toys pick-up procedure. A total of 120 mother-child dyads participated in this study. Children were randomly selected from 30 day-care classrooms and evenly distributed by gender and age (ranged between 14 and 49 months). Results showed the influence of child age and maternal control strategies in child compliance and non-compliance behaviours. Elder children presented less passive non-compliance as well as simpler refusal and negotiation behaviours. Situational compliance is explained by maternal use of specific demands and directive strategies; while different child non-compliance behaviours are explained by different maternal strategies.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[comportamentos de obediência versus desobediência]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[estratégias de controlo maternos]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[estudo descritivo mediante observação]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="2"><b>A emerg&#234;ncia dos comportamentos de obedi&#234;ncia e de desobedi&#234;ncia: rela&#231;&#227;o com as estrat&#233;gias de controlo materno</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Development of child compliance and non-compliance behaviours, and maternal control strategies</b></font></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Orlanda Cruz<sup>1</sup>; Ana Paula Pereira<sup>2</sup>; Em&#237;lia Moreira<sup>3</sup></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><sup>1</sup>Faculdade de Psicologia e de Ci&#234;ncias da Educa&#231;&#227;o, Universidade do Porto, <a href="mailto:orlanda@fpce.up.pt">orlanda@fpce.up.pt</a></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><sup>2-3</sup>Faculdade de Psicologia e de Ci&#234;ncias da Educa&#231;&#227;o, Universidade do Porto</font></p>        <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A aprendizagem da auto-regula&#231;&#227;o inicia-se precocemente no contexto das interac&#231;&#245;es sociais que a crian&#231;a mant&#233;m com os adultos que lhe s&#227;o mais pr&#243;ximos. Este artigo apresenta um estudo sobre a emerg&#234;ncia dos comportamentos de obedi&#234;ncia e de desobedi&#234;ncia da crian&#231;a, observados numa situa&#231;&#227;o de arruma&#231;&#227;o de brinquedos, e sua rela&#231;&#227;o com os comportamentos de controlo maternos. Participaram nesta investiga&#231;&#227;o 120 m&#227;es e respectivos filhos com idades compreendidas entre 14 e 49 meses, homogeneamente distribu&#237;dos por g&#233;nero e seleccionados aleatoriamente a partir de 30 salas de creche. Os resultados revelam a influ&#234;ncia diferencial da idade das crian&#231;as, bem como dos comportamentos de controlo utilizados pelas m&#227;es, na determina&#231;&#227;o da qualidade dos comportamentos de obedi&#234;ncia e de desobedi&#234;ncia das crian&#231;as. &#192; medida que a idade aumenta, as crian&#231;as apresentam menos comportamentos de desobedi&#234;ncia passiva, e mais comportamentos de recusa simples e de negocia&#231;&#227;o. A obedi&#234;ncia situacional &#233; explicada pelo uso de ordens espec&#237;ficas e de estrat&#233;gias directivas por parte da m&#227;e, em que os quatro comportamentos de desobedi&#234;ncia das crian&#231;as aparecem associados a diferentes estrat&#233;gias de controlo materno.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave</b>: comportamentos de obedi&#234;ncia <i>versus</i> desobedi&#234;ncia, estrat&#233;gias de controlo maternos, estudo descritivo mediante observa&#231;&#227;o</font></p>  <hr size="1" noshade>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Children develop behavioural self-regulation skills early in their lives within the context of social interactions with significant adults. This study analyses the relationship between child compliance and non-compliance behaviours, as well as maternal control strategies, observed during a toys pick-up procedure. A total of 120 mother-child dyads participated in this study. Children were randomly selected from 30 day-care classrooms and evenly distributed by gender and age (ranged between 14 and 49 months). Results showed the influence of child age and maternal control strategies in child compliance and non-compliance behaviours. Elder children presented less passive non-compliance as well as simpler refusal and negotiation behaviours. Situational compliance is explained by maternal use of specific demands and directive strategies; while different child non-compliance behaviours are explained by different maternal strategies.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Keywords</b>: compliance /non-compliance behaviours, maternal control strategies, observational descriptive study</font></p>      <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Introdu&#231;&#227;o</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A aquisi&#231;&#227;o da capacidade de orientar e controlar voluntariamente a sua pr&#243;pria ac&#231;&#227;o em fun&#231;&#227;o das expectativas e exig&#234;ncias colocadas pela comunidade &#233; um aspecto fundamental do processo de socializa&#231;&#227;o da crian&#231;a. Esta compet&#234;ncia, habitualmente designada por auto-controlo ou auto-regula&#231;&#227;o, tem a sua g&#233;nese ao longo do segundo ano de vida, desenvolvendo-se ao longo do per&#237;odo pr&#233;-escolar (Kopp, 1982; 1987).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">No contexto das interac&#231;&#245;es com o adulto, a auto-regula&#231;&#227;o traduz-se em comportamentos de conformidade (obedi&#234;ncia) ou n&#227;o conformidade (desobedi&#234;ncia) com as directrizes que aquele coloca &#224; crian&#231;a. H&#225; j&#225; alguma evid&#234;ncia emp&#237;rica consistente que indica que os comportamentos de resist&#234;ncia &#224;s directrizes parentais na idade pr&#233;-escolar est&#227;o associados a n&#237;veis mais baixos de compet&#234;ncia social (Kochanska, 2002) e a problemas de externaliza&#231;&#227;o (Briggs-Gowan, Carter, Bosson-Heenan, Guyer, Horwitz., 2006; Mathiesen &#38; Sanson, 2000; van Zeijl, Mesman, Stolk, Alink, van Ijzendoorn, Bakermans-Kranenburg, Juffer, &#38; Koot, 2006). Por outro lado, &#233; durante esta fase que a crian&#231;a desenvolve o seu sentido de Eu enquanto pessoa aut&#243;noma, com vontade pr&#243;pria e capaz de afirmar os seus interesses e vontades. Da&#237; que, do ponto de vista desenvolvimental, n&#227;o seja linear a rela&#231;&#227;o entre obedi&#234;ncia e adapta&#231;&#227;o, por um lado, e desobedi&#234;ncia e perturba&#231;&#227;o, por outro.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">De facto, a investiga&#231;&#227;o que tem sido realizada neste dom&#237;nio mostra que estes comportamentos nem sempre assumem a conota&#231;&#227;o positiva/negativa que habitualmente lhes &#233; atribu&#237;da, ou seja, existem diversos tipos de comportamentos de obedi&#234;ncia e de desobedi&#234;ncia que se distinguem pelo grau de asser&#231;&#227;o e de maturidade.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Parece haver um acordo entre os investigadores quanto ao facto de nem todos os comportamentos de obedi&#234;ncia da crian&#231;a serem indicativos da sua capacidade de auto-regula&#231;&#227;o (Dix, Stewart, Gershoff &#38; Day, 2007; Kochanska, 2002; Kochanska &#38; Aksan, 1995; Koenig, Cicchetti &#38; Rogosch, 2000; Maccoby &#38; Martin, 1983). Haver&#225; assim a distinguir, por um lado, a obedi&#234;ncia situacional ou imediata e, por outro, a obedi&#234;ncia auto-regulada ou comprometida. No primeiro caso, <i>obedi&#234;ncia situacional,</i> existe uma proximidade temporal not&#243;ria entre a directriz apresentada pelo adulto e o comportamento de obedi&#234;ncia da crian&#231;a, o que leva os autores a considerar que a crian&#231;a s&#243; obedece porque o adulto exerce um controlo imediato sobre a sua ac&#231;&#227;o. Pelo contr&#225;rio, quando h&#225; <i>obedi&#234;ncia auto-regulada,</i> a crian&#231;a apresenta comportamentos conformes &#224;s directrizes do adulto independentemente do controlo que este possa exercer, o que leva a pensar que a crian&#231;a ter&#225; internalizado essas directrizes, assumindo-as como suas, e apresentando-se portanto intrinsecamente motivada para se comportar em conformidade. Assim, s&#243; este &#250;ltimo tipo de obedi&#234;ncia funcionar&#225; como um indicador de auto-regula&#231;&#227;o (Kochanska, 2002; Kochanska, Tjebkes &#38; Forman, 1998). A investiga&#231;&#227;o tem revelado que a obedi&#234;ncia situacional predomina nas crian&#231;as mais novas e tende a diminuir com a idade, enquanto a obedi&#234;ncia auto-regulada, pelo contr&#225;rio, tende a aumentar (Kochanska &#38; Askan, 1995; Power, McGrath, Hughes &#38; Manire, 1994).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Relativamente &#224; desobedi&#234;ncia, foi identificado um conjunto de comportamentos que podem ser classificados de acordo com o n&#237;vel de assertividade e com o n&#237;vel de maturidade impl&#237;citos (Kuczynski &#38; Kochanska, 1990; Power <i>et al.,</i> 1994). Assim, a investiga&#231;&#227;o tem revelado diferen&#231;as entre os comportamentos de desobedi&#234;ncia passiva, de recusa simples, de desafio directo e de negocia&#231;&#227;o. A <i>desobedi&#234;ncia passiva</i> &#233; considerada uma forma n&#227;o assertiva e imatura de desobedi&#234;ncia, diminuindo com a idade; a crian&#231;a ignora a exig&#234;ncia colocada pelo adulto, ou porque n&#227;o a entendeu, ou porque n&#227;o &#233; capaz de lhe dar uma resposta, ou ainda ignora-a de uma forma aparentemente mais deliberada (Dix <i>et al.</i>, 2007; Kuczynski &#38; Kochanska, 1990; Kuczynski, Kochanska, Radke-Yarrow &#38; Girnius-Brown, 1987). A <i>recusa simples</i> &#233; considerada um comportamento de desobedi&#234;ncia directo mas n&#227;o aversivo, tendendo, ao contr&#225;rio da desobedi&#234;ncia passiva, a aumentar com a idade (Dix <i>et al.,</i> 2007; Kuczynski &#38; Kochanska, 1990). Quando apresenta uma resposta de <i>desafio directo,</i> a crian&#231;a resiste activamente &#224; directriz do adulto, sendo n&#227;o s&#243; assertiva, mas tamb&#233;m agressiva e provocat&#243;ria, colocando em causa a autoridade do adulto; &#233; considerada uma resposta imatura que tende a diminuir ao longo da idade (Dix <i>et al.,</i> 2007; Kuczynski &#38; Kochanska, 1990). Finalmente os comportamentos de <i>negocia&#231;&#227;o</i> consistem em tentativas de persuas&#227;o assertivas utilizadas pela crian&#231;a, podendo incluir tentativas de estabelecimento de compromissos e pedidos de explica&#231;&#227;o colocados ao adulto no sentido de tentar influenciar, de forma mais ou menos subtil, uma mudan&#231;a nas directrizes inicialmente apresentadas por este. Trata-se de um comportamento mais exigente do ponto de vista cognitivo e, como tal, tende a aumentar ao longo da idade (Kuczynski &#38; Kochanska, 1990; Power <i>et al.,</i> 1994).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Apesar dos comportamentos de desobedi&#234;ncia da crian&#231;a porem em causa a autoridade do adulto, estes podem ser considerados normativos entre os 18 e os 36 meses, dadas as caracter&#237;sticas desenvolvimentais deste grupo et&#225;rio, marcado por uma forte necessidade de afirma&#231;&#227;o do Eu e de desenvolvimento da autonomia pessoal (Erikson, 1963; Kopp, 1982). Uma an&#225;lise mais aprofundada dos tipos de desobedi&#234;ncia mostra que, ao longo da idade pr&#233;-escolar, o desafio directo e a desobedi&#234;ncia passiva s&#227;o as formas mais frequentes numa fase inicial e a recusa simples e a negocia&#231;&#227;o as formas mais frequentes numa fase final (Kuczynski &#38; Kochanska, 1990).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Relativamente ao g&#233;nero, a investiga&#231;&#227;o revela genericamente que as raparigas obedecem mais frequentemente (Kuczynsky <i>et al.,</i> 1987) e desobedecem menos frequentemente do que os rapazes (Kalb &#38; Loeber, 2003); apresentam valores mais elevados de obedi&#234;ncia auto-regulada (Kochanska, 2002; Kochanska &#38; Aksan, 1995), valores mais baixos de desobedi&#234;ncia passiva (Kochanska, 1995, Kochanska &#38; Aksan, 1995), bem como formas mais assertivas de desobedi&#234;ncia (Power <i>et al.,</i> 1994). Alguns estudos realizados com crian&#231;as mais novas (entre um e dois anos) constituem excep&#231;&#245;es a esta tend&#234;ncia (Londerville &#38; Main, 1981; Power &#38; Chapieski, 1986).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A investiga&#231;&#227;o tem mostrado ainda a exist&#234;ncia de uma rela&#231;&#227;o entre os comportamentos de obedi&#234;ncia e de desobedi&#234;ncia da crian&#231;a, por um lado, e os comportamentos de controlo parental, por outro. Os pais mais responsivos aos interesses da crian&#231;a constroem um ambiente afectivo mais positivo que potencia a motiva&#231;&#227;o da crian&#231;a para cooperar com os pais e, consequentemente, os seus comportamentos de obedi&#234;ncia auto-regulada (Kochanska &#38; Aksan, 1995; Wahler &#38; Meginnis, 1997). Em rela&#231;&#227;o &#224; directividade materna, os resultados mostram que as m&#227;es que usam mais directrizes e exig&#234;ncias t&#234;m maior probabilidade de obter comportamentos de desobedi&#234;ncia por parte dos seus filhos. A directividade traduz-se muitas vezes num acompanhamento mais directo e mais pr&#243;ximo da ac&#231;&#227;o da crian&#231;a (e at&#233; em atitudes coercivas) que prejudica o desenvolvimento da sua autonomia e capacidade de auto-regula&#231;&#227;o (Kuczynski <i>et al.,</i> 1987). A idade da crian&#231;a &#233; por&#233;m uma vari&#225;vel importante na determina&#231;&#227;o dos comportamentos de controlo utilizados pelos pais; por exemplo, com as crian&#231;as mais novas as directrizes s&#227;o formuladas de uma forma mais directa, o que estar&#225; provavelmente relacionado com o n&#237;vel de compreens&#227;o mais baixo destas crian&#231;as. Por outro lado, nas crian&#231;as mais novas, a maior directividade e especificidade das directrizes pode estar associada a n&#237;veis superiores de obedi&#234;ncia e, em particular, de obedi&#234;ncia situacional (Kalb &#38; Loeber, 2003).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O estudo que aqui apresentamos pretende analisar a rela&#231;&#227;o entre diversos tipos de comportamentos de obedi&#234;ncia e de desobedi&#234;ncia e os comportamentos de controlo utilizados pelas m&#227;es, em crian&#231;as de um a quatro anos de idade. Da revis&#227;o da literatura efectuada verificamos que os comportamentos da crian&#231;a variam em fun&#231;&#227;o do g&#233;nero e da idade e, como tal, o controlo destas vari&#225;veis deve ser considerado nas an&#225;lises a realizar. Relativamente &#224; directividade materna, esperamos encontrar uma rela&#231;&#227;o positiva com os comportamentos de obedi&#234;ncia situacional e uma rela&#231;&#227;o negativa com os comportamentos de obedi&#234;ncia auto-regulada. A obedi&#234;ncia situacional dever&#225; ser mais frequente do que a obedi&#234;ncia auto-regulada, dada a faixa et&#225;ria das crian&#231;as do estudo. Em rela&#231;&#227;o aos comportamentos de desobedi&#234;ncia, esperamos que a desobedi&#234;ncia passiva e o desafio directo diminuam com a idade da crian&#231;a e se relacionem positivamente com a directividade materna, enquanto os comportamentos de recusa simples e de negocia&#231;&#227;o dever&#227;o aumentar com a idade e relacionar-se negativamente com a directividade materna.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>M&#233;todo</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Participantes</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Participaram neste estudo 120 d&#237;ades m&#227;e-crian&#231;a, sendo 60 meninas e 60 meninos. As crian&#231;as foram escolhidas de forma aleat&#243;ria a partir de 15 institui&#231;&#245;es privadas com val&#234;ncia de creche situadas na &#193;rea Metropolitana do Porto. Em cada institui&#231;&#227;o foram contempladas duas salas de creche - a sala que albergava crian&#231;as de um a dois anos e a sala que albergava crian&#231;as de dois a tr&#234;s anos - num total de 30 salas, tendo sido seleccionados aleatoriamente em cada sala duas meninas e dois meninos.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">As crian&#231;as tinham entre 14 e 49 meses de idade <i>(M</i> = 26,19; <i>DP</i> = 7,07) (situando-se o primeiro quartil aos 20 meses, o segundo aos 25 meses e o terceiro aos 31 meses) e um quociente de desenvolvimento avaliado atrav&#233;s das Escalas de Desenvolvimento Mental de Ruth Griffiths (1996), dentro dos par&#226;metros considerados normais (M = 103,56; <i>DP</i> = 9,87). N&#227;o foram inclu&#237;das crian&#231;as identificadas como possuindo necessidades educativas especiais. As m&#227;es apresentavam em m&#233;dia 30,9 anos de idade <i>(DP</i> = 5,3) e 10,83 anos de escolaridade <i>(DP</i> = 4,47).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Procedimento</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Selec&#231;&#227;o da amostra</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">As 15 institui&#231;&#245;es, a partir das quais as crian&#231;as foram escolhidas, foram seleccionadas aleatoriamente com base numa listagem fornecida pelo Departamento de Ac&#231;&#227;o Social do Servi&#231;o Sub-Regional do Porto do Instituto de Solidariedade e Seguran&#231;a Social.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Em cada uma das 30 salas de creche, organizou-se uma lista ordenada aleatoriamente com os nomes de todas as crian&#231;as, tendo sido seleccionados as primeiras duas meninas e os primeiros dois meninos. As fam&#237;lias destas crian&#231;as foram contactadas num primeiro momento pelas educadoras de inf&#226;ncia ou auxiliares de ac&#231;&#227;o educativa respons&#225;veis pela sala respectiva, no sentido de obter a sua ades&#227;o &#224; participa&#231;&#227;o no estudo. No caso de recusa em participar, foi contactada a menina ou o menino que se seguiam na lista ordenada. A taxa de participa&#231;&#227;o das fam&#237;lias contactadas foi de 71%.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Recolha de dados</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">As d&#237;ades m&#227;e-crian&#231;a foram observadas em interac&#231;&#227;o no decurso de tr&#234;s sess&#245;es de jogo livre, cada uma com 15 minutos de dura&#231;&#227;o. Em cada sess&#227;o foi dada &#224; m&#227;e uma instru&#231;&#227;o no sentido de brincar com o/a seu/sua filho/a &#8220;como se estivesse em sua casa&#8221;, utilizando todos os brinquedos de uma caixa transparente fornecida pelo observador para este efeito; ao fim de 10 minutos, o observador instru&#237;a a m&#227;e, atrav&#233;s de um sinal, no sentido de pedir &#224; crian&#231;a para guardar os brinquedos. Eram atribu&#237;dos cinco minutos adicionais para esta tarefa de arruma&#231;&#227;o que constitui o alvo de an&#225;lise exclusivo deste estudo. Por&#233;m, nalguns casos as sess&#245;es de observa&#231;&#227;o apresentaram uma dura&#231;&#227;o inferior a cinco minutos, uma vez que a tarefa de arruma&#231;&#227;o dos brinquedos era conclu&#237;da antes do t&#233;rmino deste per&#237;odo.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">As sess&#245;es decorreram numa sala disponibilizada pela creche para este efeito, em tr&#234;s dias diferentes. Todas as sess&#245;es foram gravadas em v&#237;deo para posterior observa&#231;&#227;o e an&#225;lise.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Codifica&#231;&#227;o dos comportamentos das crian&#231;as e das m&#227;es</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Foram constru&#237;dos dois sistemas de categorias com base na literatura previamente revista - um relativo aos comportamentos de obedi&#234;ncia da crian&#231;a e outro relativo aos comportamentos de controlo maternos (Kuczynski &#38; Kochanska, 1990; Power <i>et al.,</i> 1994).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os comportamentos da crian&#231;a foram organizados em comportamentos de obedi&#234;ncia e em comportamentos de desobedi&#234;ncia. Os comportamentos de obedi&#234;ncia podiam ser auto-regulados ou situacionais. Os comportamentos de desobedi&#234;ncia inclu&#237;am a desobedi&#234;ncia passiva, a recusa simples, o desafio directo e a negocia&#231;&#227;o (<a href="/img/revistas/psi/v23n2/23n2a11q1.jpg">Quadro 1</a>).</font></p>      
<p><font face="Verdana" size="2">Os comportamentos de controlo materno aqui considerados s&#227;o predominantemente de car&#225;cter verbal e foram codificados a tr&#234;s n&#237;veis: especifica&#231;&#227;o, directividade sint&#225;ctica e directividade sem&#226;ntica (<a href="/img/revistas/psi/v23n2/23n2a11q2.jpg">Quadro 2</a>). A <i>especifica&#231;&#227;o</i> refere-se ao car&#225;cter gen&#233;rico ou espec&#237;fico da directriz verbalizada pela m&#227;e, em que uma directriz mais espec&#237;fica (&#8220;arruma o carro&#8221;) &#233; mais directa e clara do que uma directriz gen&#233;rica (&#8220;arruma os brinquedos&#8221;). A <i>directividade sint&#225;ctica</i> diz respeito ao tipo de sintaxe utilizado: fazer uma pergunta, enunciar uma asser&#231;&#227;o ou dar uma ordem s&#227;o tr&#234;s categorias organizadas segundo uma ordem crescente de directividade. A <i>directividade sem&#226;ntica</i> corresponde ao tipo e natureza dos atenuantes e agravantes inclu&#237;dos nas verbaliza&#231;&#245;es de controlo. Por <i>atenuantes</i> entende-se os comportamentos que incluem um n&#237;vel baixo de afirma&#231;&#227;o do poder e apelam &#224; motiva&#231;&#227;o da crian&#231;a para dar uma resposta positiva ao que lhe &#233; pedido. Os <i>agravantes</i> referem-se aos comportamentos em que a m&#227;e apela &#224; sua posi&#231;&#227;o superior de poder sobre a ac&#231;&#227;o da crian&#231;a, focalizando-se directamente no resultado da ac&#231;&#227;o desta. Tanto os atenuantes como os agravantes podem posicionar-se num crescendo de directividade. Assim, negociar e explicar (indu&#231;&#227;o) s&#227;o atenuantes menos directivos do que demonstrar, e repetir uma ordem (insist&#234;ncia) &#233; um agravante menos directivo (implicando menos afirma&#231;&#227;o do poder) do que amea&#231;ar e repreender (coer&#231;&#227;o verbal).</font></p>      
<p><font face="Verdana" size="2">Finalmente, revelou-se obrigat&#243;ria a inclus&#227;o de uma &#250;ltima categoria, dada a frequ&#234;ncia com que surgiu: <i>a m&#227;e arruma</i>, impossibilitando assim a crian&#231;a de o fazer. Este comportamento, a que alguns autores chamaram &#8220;obedi&#234;ncia n&#227;o possibilitada&#8221;, considerando-o um comportamento da crian&#231;a (Power <i>et al.</i> 1994), foi integrado, neste estudo, dentro da lista de comportamentos maternos, uma vez que traduz uma ac&#231;&#227;o realizada pela pr&#243;pria m&#227;e.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A codifica&#231;&#227;o dos comportamentos das crian&#231;as e das m&#227;es foi feita segundo um procedimento de amostragem no tempo, sendo realizada no final de cada segmento de 15 segundos. Assim, em cada uma das sess&#245;es de observa&#231;&#227;o (300 segundos), foram considerados 20 segmentos temporais, perfazendo no total das tr&#234;s sess&#245;es, 60 segmentos temporais de 15 segundos cada; este n&#250;mero poder&#225; ser inferior no caso de sess&#245;es de observa&#231;&#227;o mais curtas do que os cinco minutos inicialmente previstos.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Ao longo das tr&#234;s sess&#245;es de observa&#231;&#227;o, as frequ&#234;ncias de cada categoria comportamental foram somadas e divididas pelo n&#250;mero total de segmentos temporais de cada d&#237;ade.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">As cota&#231;&#245;es foram realizadas por duas observadoras, sendo 25% das sess&#245;es de observa&#231;&#227;o (correspondentes a 30 d&#237;ades num total de 90 epis&#243;dios de controlo) cotadas independentemente por ambas, tendo em vista a verifica&#231;&#227;o do acordo inter-observador.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A percentagem de acordo variou entre 94% e 99% (com uma m&#233;dia de 97%) para os comportamentos da crian&#231;a, e entre 91% e 99% (com uma m&#233;dia de 97%) para os comportamentos de controlo maternos; o coeficiente <i>weighted kappa</i> situou-se entre 0,67 e 0,93 (com uma m&#233;dia de 0,79) para os comportamentos da crian&#231;a, e entre 0,39 e 0,88 (com uma m&#233;dia de 0,78) para os comportamentos maternos.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Resultados</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O n&#250;mero de d&#237;ades m&#227;e-filho considerado na an&#225;lise de resultados &#233; apenas de 119, j&#225; que, numa das d&#237;ades, n&#227;o se observou qualquer tentativa de controlo por parte da m&#227;e. Uma vez que as sess&#245;es de observa&#231;&#227;o podiam demorar menos de 5 minutos, foi calculado o n&#250;mero de segmentos temporais para cada d&#237;ade, tendo-se verificado uma varia&#231;&#227;o entre um m&#237;nimo de 11 e o m&#225;ximo previsto de 60 segmentos (M = 36,87; <i>DP</i> = 13,12). As frequ&#234;ncias absolutas das categorias foram divididas pelo n&#250;mero total de segmentos temporais (das tr&#234;s sess&#245;es) de cada d&#237;ade. As an&#225;lises subsequentes foram realizadas a partir destas frequ&#234;ncias relativas.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Para as an&#225;lises de compara&#231;&#227;o de grupos e multivarida, procedeu-se &#224; verifica&#231;&#227;o da normalidade da distribui&#231;&#227;o de todas as vari&#225;veis, utilizando a an&#225;lise gr&#225;fica com o histograma e o teste Kolmogorov-Smirnov. As vari&#225;veis cuja distribui&#231;&#227;o diferia significativamente da distribui&#231;&#227;o normal foram transformadas atrav&#233;s da aplica&#231;&#227;o do logaritmo de base 10 (declarativa, refor&#231;o positivo, demonstra&#231;&#227;o, declara&#231;&#227;o de obrigatoriedade, insist&#234;ncia, obedi&#234;ncia auto-regulada, recusa simples, desafio directo, negocia&#231;&#227;o). Ap&#243;s a transforma&#231;&#227;o, verificou-se que apenas a distribui&#231;&#227;o da obedi&#234;ncia auto-regulada continuava a apresentar uma distribui&#231;&#227;o assim&#233;trica, tendo-se optado por&#233;m pela sua an&#225;lise com testes param&#233;tricos, dada a resist&#234;ncia destes face a pequenos afastamentos das distribui&#231;&#245;es relativamente &#224; curva normal.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>An&#225;lises descritivas</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O <a href="/img/revistas/psi/v23n2/23n2a11q3.jpg">Quadro 3</a> apresenta as frequ&#234;ncias relativas dos comportamentos de obedi&#234;ncia e de desobedi&#234;ncia da crian&#231;a, a sua compara&#231;&#227;o entre os grupos de g&#233;nero, assim como a sua rela&#231;&#227;o com a idade cronol&#243;gica das crian&#231;as.</font></p>      
<p><font face="Verdana" size="2">Globalmente, o comportamento de obedi&#234;ncia mais frequente &#233; a obedi&#234;ncia situacional <i>(M</i> = 0,35; <i>DP</i> = 0,21), enquanto o comportamento de desobedi&#234;ncia mais usado &#233; a desobedi&#234;ncia passiva (M = 0,32; <i>DP</i> = 0,19). Tanto a obedi&#234;ncia auto-regulada, como os restantes comportamentos de desobedi&#234;ncia apresentaram uma frequ&#234;ncia relativa m&#233;dia inferior a 10%. Os resultados do teste <i>t de Student,</i> utilizado para comparar a frequ&#234;ncia dos comportamentos de obedi&#234;ncia e desobedi&#234;ncia entre os dois grupos de g&#233;nero, n&#227;o revelou diferen&#231;as estatisticamente significativas, indicando que as estrat&#233;gias de obedi&#234;ncia e desobedi&#234;ncia eram utilizadas de modo equivalente por crian&#231;as de sexo masculino e feminino.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A an&#225;lise das correla&#231;&#245;es <i>(Pearson)</i> entre os comportamentos de obedi&#234;ncia/desobedi&#234;ncia e a idade cronol&#243;gica da crian&#231;a mostra que ambas as estrat&#233;gias de obedi&#234;ncia apresentam uma correla&#231;&#227;o positiva com a idade, apesar de n&#227;o muito forte (obedi&#234;ncia situacional: <i>r</i> = 0,23; obedi&#234;ncia auto-regulada: <i>r</i> = 0,26). Relativamente &#224;s estrat&#233;gias de desobedi&#234;ncia, a recusa simples e a negocia&#231;&#227;o aumentam &#224; medida que a idade cronol&#243;gica aumenta, enquanto a desobedi&#234;ncia passiva diminui; a negocia&#231;&#227;o e a desobedi&#234;ncia passiva destacam-se por apresentarem correla&#231;&#245;es mais fortes (negocia&#231;&#227;o: <i>r</i> = 0,41; desobedi&#234;ncia passiva: <i>r</i> = -0,56).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O <a href="/img/revistas/psi/v23n2/23n2a11q4.jpg">Quadro 4</a> apresenta as estat&#237;sticas descritivas relativas aos comportamentos de controlo materno de acordo com o n&#237;vel de especifica&#231;&#227;o, directividade sint&#225;ctica e directividade sem&#226;ntica (atenuantes e agravantes), a sua compara&#231;&#227;o entre os grupos de g&#233;nero, assim como sua rela&#231;&#227;o com a idade cronol&#243;gica das crian&#231;as.</font></p>      
<p><font face="Verdana" size="2">No que respeita ao n&#237;vel de especifica&#231;&#227;o, verifica-se que as m&#227;es utilizam mais as ordens espec&#237;ficas do que as gen&#233;ricas. Em rela&#231;&#227;o &#224; directividade sint&#225;ctica, a forma de controlo &#224; qual as m&#227;es mais recorrem &#233; a imperativa. No que respeita &#224; directividade sem&#226;ntica, o atenuante mais usado &#233; a orienta&#231;&#227;o conjunta, enquanto o agravante mais frequente &#233; a insist&#234;ncia.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A compara&#231;&#227;o da frequ&#234;ncia dos comportamentos de controlo na Interac&#231;&#227;o com crian&#231;as de sexo masculino e feminino (utilizando o teste <i>t</i> de <i>Student)</i> mostra que apenas a orienta&#231;&#227;o conjunta aparece como uma estrat&#233;gia significativamente mais utilizada com meninas.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Relativamente &#224; rela&#231;&#227;o entre os comportamentos de controlo materno e a idade das crian&#231;as, os valores de correla&#231;&#227;o baixos a moderados permitem afirmar que: (1) o n&#237;vel de especifica&#231;&#227;o vai diminuindo de forma significativa ao longo da idade da crian&#231;a, ou seja, quanto maior &#233; a idade da crian&#231;a, mais as m&#227;es recorrem a ordens gen&#233;ricas e menos a ordens espec&#237;ficas; (2) a directividade sint&#225;ctica encontra-se igualmente relacionada de forma negativa com a idade da crian&#231;a, no sentido em que as m&#227;es tendem a usar menos formas imperativas &#224; medida que a crian&#231;a vai crescendo; (3) no que diz respeito aos atenuantes sem&#226;nticos, a indu&#231;&#227;o e a orienta&#231;&#227;o conjunta correlacionam-se positivamente com a idade da crian&#231;a, na medida em que as m&#227;es explicam mais e fazem mais apelo a uma orienta&#231;&#227;o conjunta na realiza&#231;&#227;o da tarefa, &#224; medida que a idade da crian&#231;a aumenta, e tendem a usar menos estrat&#233;gias mais directivas como a demonstra&#231;&#227;o; (4) o recurso a estrat&#233;gias sem&#226;nticas agravantes, como a insist&#234;ncia, diminui com o aumento da idade, ao contr&#225;rio do apelo assertivo a regras, feito atrav&#233;s da declara&#231;&#227;o de obrigatoriedade, que aumenta com a idade da crian&#231;a. Finalmente, verifica-se que as m&#227;es das crian&#231;as mais velhas tendem a apresentar com menor frequ&#234;ncia o comportamento de arrumar (em vez da crian&#231;a).</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2"><i>Rela&#231;&#227;o entre os comportamentos de controlo materno e os comportamentos da crian&#231;a</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Com o objectivo de explicar a vari&#226;ncia dos comportamentos de obedi&#234;ncia e desobedi&#234;ncia da crian&#231;a, atendendo &#224; sua rela&#231;&#227;o com os comportamentos de controlo maternos e &#224; idade cronol&#243;gica da crian&#231;a, foram constru&#237;dos modelos de regress&#227;o m&#250;ltipla (<a href="/img/revistas/psi/v23n2/23n2a11q5.jpg">Quadro 5</a>), para todas as estrat&#233;gias de obedi&#234;ncia e desobedi&#234;ncia da crian&#231;a. A selec&#231;&#227;o das vari&#225;veis independentes a integrar nos modelos de regress&#227;o m&#250;ltipla (comportamentos de controlo maternos e idade cronol&#243;gica), foi realizada com base na dimens&#227;o e signific&#226;ncia das suas correla&#231;&#245;es com as vari&#225;veis dependentes (<a href="/img/revistas/psi/v23n2/23n2a11q5.jpg">Quadro 5</a>).</font></p>      
<p><font face="Verdana" size="2">Com excep&#231;&#227;o da obedi&#234;ncia auto-regulada, foi poss&#237;vel construir modelos explicativos de uma percentagem consider&#225;vel da vari&#226;ncia de todos os comportamentos das crian&#231;as.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O primeiro modelo procura explicar a obedi&#234;ncia situacional, introduzida como vari&#225;vel dependente. Foram inclu&#237;das como vari&#225;veis independentes as categorias maternas relativas a ordens espec&#237;ficas, declarativas e refor&#231;os positivos, e a categoria m&#227;e arruma. O modelo revela-se estatisticamente significativo <i>(R<sup>2</sup> =</i> 0,42, <i>F</i> (4,114) = 20,99, <i>p &#60;</i> 0,001). A an&#225;lise mostra que a maioria da vari&#226;ncia da obedi&#234;ncia situacional &#233; explicada pelas categorias maternas declarativa, espec&#237;fica e m&#227;e arruma; controlando o efeito de todas as vari&#225;veis presentes no modelo, as duas primeiras vari&#225;veis apresentam uma associa&#231;&#227;o positiva com a obedi&#234;ncia situacional, enquanto &#8216;a m&#227;e arruma&#8217; apresenta uma associa&#231;&#227;o negativa.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O modelo para a desobedi&#234;ncia passiva integra as categorias maternas ordem espec&#237;fica, orienta&#231;&#227;o conjunta, demonstra&#231;&#227;o, insist&#234;ncia e a m&#227;e arruma e ainda a idade cronol&#243;gica da crian&#231;a. O modelo &#233; estatisticamente significativo: <i>R =</i> 0,54, <i>F</i> (6,112) = 21,83, <i>p &#60;</i> 0,001). Os resultados revelam que as vari&#225;veis insist&#234;ncia, orienta&#231;&#227;o conjunta e m&#227;e arruma apresentam uma contribui&#231;&#227;o positiva, enquanto a idade cronol&#243;gica contribui negativamente para a desobedi&#234;ncia passiva.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O modelo explicativo da recusa simples integra a idade cronol&#243;gica da crian&#231;a e as vari&#225;veis maternas ordem espec&#237;fica, interrogativa, imperativa e refor&#231;o positivo <i>R =</i> 0,22, <i>F</i> (5,113) = 6,49, <i>p &#60;</i> 0,001). A vari&#226;ncia &#233; explicada de forma positiva pela idade cronol&#243;gica da crian&#231;a, e pelas directrizes formuladas de forma espec&#237;fica na interrogativa e na imperativa e, ainda, de forma negativa pelos refor&#231;os utilizados.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O modelo explicativo do desafio directo inclui as vari&#225;veis gen&#233;rica, interrogativa, orienta&#231;&#227;o conjunta e coer&#231;&#227;o verbal. Este modelo &#233; estatisticamente significativo, <i>R =</i> 0,11, <i>F</i> (4,114) = 3,56, <i>p &#60;</i> 0,01). Controlando o efeito das restantes vari&#225;veis, apenas a coer&#231;&#227;o verbal apresenta uma contribui&#231;&#227;o parcial estatisticamente significativa, estando associada a uma maior frequ&#234;ncia do desafio directo.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Para a constru&#231;&#227;o do modelo de regress&#227;o da negocia&#231;&#227;o, foram inclu&#237;das as categorias maternas espec&#237;fica, imperativa, indu&#231;&#227;o e insist&#234;ncia, e a idade cronol&#243;gica da crian&#231;a, que, no seu conjunto explicam uma percentagem consider&#225;vel da vari&#225;vel <i>(R<sup>2</sup> =</i> 0,56, <i>F</i> (5,113) = 28,57, <i>p &#60;</i> 0,001). No entanto, controlando o efeito de todas, apenas a indu&#231;&#227;o apresenta uma contribui&#231;&#227;o parcial estatisticamente significativa.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Discuss&#227;o</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Este estudo pretendeu analisar a rela&#231;&#227;o entre os comportamentos de obedi&#234;ncia e de desobedi&#234;ncia e os comportamentos de controlo materno, em crian&#231;as de idades compreendidas entre um e quatro anos de idade. O facto de incluirmos crian&#231;as de um ano permitiu observar os comportamentos de conformidade (ou n&#227;o) &#224;s directrizes do adulto no seu formato mais precoce, j&#225; que &#233; precisamente nesta altura que eles emergem. A idade cronol&#243;gica das crian&#231;as parece ser ali&#225;s um dos principais factores a explicar a rela&#231;&#227;o entre os comportamentos das crian&#231;as e os comportamentos maternos, como veremos mais &#224; frente.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os resultados obtidos permitiram apoiar apenas parcialmente os dados dispon&#237;veis na literatura no que toca &#224; evolu&#231;&#227;o dos comportamentos de obedi&#234;ncia ao longo da idade. Assim, de facto, a obedi&#234;ncia situacional &#233; bastante mais frequente do que a obedi&#234;ncia auto-regulada nas crian&#231;as que participaram neste estudo; por&#233;m, ambas apresentam correla&#231;&#245;es positivas com a idade cronol&#243;gica o que contraria resultados de estudos anteriores que apontam para uma diminui&#231;&#227;o da obedi&#234;ncia situacional (cf. Kochanska &#38; Askan, 1995; Power, McGrath, Hughes &#38; Manire, 1994). Parece-nos, no entanto, de salientar que o que ressalta dos nossos resultados &#233; o facto de os comportamentos de obedi&#234;ncia, no seu todo, aumentarem ao longo da idade. Na discuss&#227;o destes resultados devemos tomar em considera&#231;&#227;o pelo menos dois aspectos. Por um lado, o facto de a amostra ser constitu&#237;da por crian&#231;as muito jovens e, portanto, de estarmos face a uma situa&#231;&#227;o de emerg&#234;ncia dos comportamentos de obedi&#234;ncia face a um adulto. Por outro lado, foi utilizada uma situa&#231;&#227;o de interac&#231;&#227;o di&#225;dica de car&#225;cter laboratorial que, ao contr&#225;rio da situa&#231;&#227;o naturalista, implica uma maior proximidade f&#237;sica da m&#227;e face &#224; ac&#231;&#227;o da crian&#231;a, e que tender&#225; a promover uma maior frequ&#234;ncia de obedi&#234;ncia situacional do que de obedi&#234;ncia auto-regulada.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Em rela&#231;&#227;o aos comportamentos de desobedi&#234;ncia, os mais frequentes s&#227;o nitidamente os comportamentos de desobedi&#234;ncia passiva, o que est&#225; de acordo com a literatura. Estes comportamentos apresentam uma correla&#231;&#227;o negativa significativa com a idade das crian&#231;as, mais uma vez de acordo com a literatura revista (cf. Kuczynski &#38; Kochanska, 1990). Todos os outros comportamentos de desobedi&#234;ncia s&#227;o menos frequentes. Tal como seria de esperar, a recusa simples e a negocia&#231;&#227;o tendem a aumentar com a idade (Kuczynski <i>et al.,</i> 1987; Power <i>et al.,</i> 1994).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Relativamente aos comportamentos de controlo maternos, as correla&#231;&#245;es observadas com a idade cronol&#243;gica das crian&#231;as permitem verificar que as m&#227;es de crian&#231;as mais velhas fazem uso de directrizes menos espec&#237;ficas, e com um n&#237;vel inferior de directividade sint&#225;ctica; do ponto de vista sem&#226;ntico, recorrem mais a atenuantes mais exigentes cognitivamente (como a indu&#231;&#227;o) e menos a agravantes com pouca afirma&#231;&#227;o do poder (como a insist&#234;ncia). De facto, as crian&#231;as mais velhas precisam menos de pistas claras espec&#237;ficas para orientar a sua ac&#231;&#227;o (tarefa de arrumar os brinquedos), bastando-lhe indica&#231;&#245;es de car&#225;cter gen&#233;rico para perceber o que t&#234;m a fazer. Da mesma forma, as m&#227;es usam menos frases no imperativo, mostrando-se assim menos directivas. No que respeita aos atenuantes sem&#226;nticos, o uso de menor directividade &#233; not&#243;rio na utiliza&#231;&#227;o estatisticamente significativa de mais explica&#231;&#245;es e orienta&#231;&#245;es conjuntas e no menor uso de demonstra&#231;&#245;es (tamb&#233;m pouco frequente). Relativamente aos agravantes sem&#226;nticos, as verbaliza&#231;&#245;es com menos afirma&#231;&#227;o do poder (insist&#234;ncia) diminuem &#224; medida que a idade das crian&#231;as aumenta e as verbaliza&#231;&#245;es com mais afirma&#231;&#227;o do poder aumentam (declara&#231;&#227;o de obrigatoriedade), o que pode indicar uma atitude de maior exig&#234;ncia por parte das m&#227;es; as verbaliza&#231;&#245;es mais coercivas s&#227;o, por&#233;m, pouco utilizadas neste contexto. A t&#237;tulo de s&#237;ntese, podemos afirmar que, &#224; medida que a idade das crian&#231;as aumenta, assiste-se a uma tend&#234;ncia para as m&#227;es a) utilizarem directrizes menos espec&#237;ficas e mais gen&#233;ricas, b) do ponto de vista sint&#225;ctico, serem menos directivas, c) do ponto de vista sem&#226;ntico, utilizarem directrizes mais elaboradas que fazem apelo &#224; colabora&#231;&#227;o e menos directrizes simplistas e, ainda, afirmarem claramente o que pretendem usando menos a repeti&#231;&#227;o. A tend&#234;ncia para a menor directividade sint&#225;ctica e para a maior elabora&#231;&#227;o e exig&#234;ncia observada ao longo da idade estar&#225; possivelmente relacionada com a compreens&#227;o mais complexa que a crian&#231;a tem do que lhe &#233; pedido j&#225; que, por um lado, como vimos atr&#225;s, as crian&#231;as obedecem mais e, por outro lado, as m&#227;es realizam menos a tarefa em vez destas.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Uma vez explicitada a tend&#234;ncia desenvolvimental que caracteriza, quer os comportamentos das crian&#231;as, quer os comportamentos das m&#227;es, interessa-nos perceber se, para al&#233;m da idade cronol&#243;gica da crian&#231;a, os comportamentos de controlo maternos tamb&#233;m influenciam os comportamentos de obedi&#234;ncia e de desobedi&#234;ncia da crian&#231;a. Foram assim desenvolvidos modelos de regress&#227;o para cada um dos comportamentos da crian&#231;a, &#224; excep&#231;&#227;o da obedi&#234;ncia auto-regulada. Estes modelos permitem perceber o jogo de influ&#234;ncias dos comportamentos de controlo maternos e da idade cronol&#243;gica da crian&#231;a.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A obedi&#234;ncia situacional &#233; explicada em grande parte pelos comportamentos de controlo materno mais espec&#237;ficos e usados na forma declarativa. Estes dados est&#227;o de acordo com as conclus&#245;es de Kalb e Loeber (2003) de que, nas crian&#231;as mais novas, as directrizes mais espec&#237;ficas est&#227;o associadas a n&#237;veis superiores de obedi&#234;ncia. O facto de os resultados n&#227;o permitirem avan&#231;ar para um modelo de regress&#227;o explicativo da vari&#226;ncia da obedi&#234;ncia auto-regulada n&#227;o nos permite estabelecer uma vis&#227;o comparativa. Parece por&#233;m claro que este comportamento de obedi&#234;ncia da crian&#231;a decorre de instru&#231;&#245;es precisas dadas pela m&#227;e e do facto desta n&#227;o arrumar em vez da crian&#231;a, permitindo-lhe o cumprimento da tarefa.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A desobedi&#234;ncia passiva &#233;, de entre os comportamentos de desobedi&#234;ncia, o mais frequente. Apresenta uma associa&#231;&#227;o negativa com a idade cronol&#243;gica, o que apoia a conota&#231;&#227;o de imaturidade atribu&#237;da a este comportamento (Kuczynski &#38; Kochanska, 1990). Os comportamentos de insist&#234;ncia (agravante de baixa intensidade) e de orienta&#231;&#227;o conjunta (atenuante) revelam-se como estrat&#233;gias que contribuem para que a crian&#231;a ignore as directrizes da m&#227;e. &#201; prov&#225;vel que estas estrat&#233;gias pouco directivas provoquem na crian&#231;a alguma in&#233;rcia face &#224;s directrizes maternas. Finalmente, o facto de a m&#227;e realizar a tarefa em vez da crian&#231;a parece tanto um consequente como um antecedente, ou seja, se a crian&#231;a n&#227;o arruma, a m&#227;e f&#225;-lo-&#225;, o que por sua vez refor&#231;a a desobedi&#234;ncia passiva.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A recusa simples tende a aumentar com a idade cronol&#243;gica da crian&#231;a (o que est&#225; de acordo com Kuczynski e Kochanska, 1990), e a ser mais frequente quando as m&#227;es se posicionam como parceiras na realiza&#231;&#227;o da tarefa, n&#227;o usando refor&#231;os positivos nem insist&#234;ncias. &#201; um comportamento considerado &#8220;interm&#233;dio&#8221;, no que respeita &#224; compet&#234;ncia da crian&#231;a, pois sendo directo, n&#227;o &#233; aversivo (Kuczynski &#38; Kochanska, 1995). De acordo com os resultados deste estudo, para al&#233;m da idade cronol&#243;gica, a sua exist&#234;ncia &#233; em parte explicada pela inexist&#234;ncia de refor&#231;os positivos. Estes resultados salientam a import&#226;ncia das conting&#234;ncias externas na determina&#231;&#227;o do comportamento adequado da crian&#231;a na faixa et&#225;ria estudada.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O desafio directo, como foi referido atr&#225;s, &#233; um comportamento aversivo apresentado pela crian&#231;a; neste estudo, n&#227;o aparece relacionado com a idade cronol&#243;gica mas sim, em exclusivo, com as verbaliza&#231;&#245;es coercivas utilizadas pelas m&#227;es. A literatura tem mostrado que pais responsivos aos interesses da crian&#231;a promovem nesta comportamentos de obedi&#234;ncia &#224;s suas directrizes, ou seja, comportamentos considerados responsivos (Kochanska &#38; Aksan, 1995; Wahler &#38; Meginnis, 1997). Nesta mesma linha, os resultados por n&#243;s encontrados mostram que o comportamento n&#227;o responsivo (aversivo) das crian&#231;as &#233; explicado pelo comportamento n&#227;o responsivo (aversivo) das suas m&#227;es.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Finalmente, a negocia&#231;&#227;o &#233; uma forma de desobedi&#234;ncia mais elaborada por parte da crian&#231;a e &#233; explicada positivamente pelos comportamentos indutivos utilizados pelas m&#227;es. Estes dados est&#227;o de acordo com os estudos que apontam para o efeito modelador dos comportamentos argumentativos e explicativos dos pais em rela&#231;&#227;o aos seus filhos. Estas crian&#231;as aprendem desde cedo a argumentar e percebem que existe espa&#231;o na sua rela&#231;&#227;o com as m&#227;es para negociar formas de ac&#231;&#227;o mais adequadas aos seus interesses.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Ao tentarmos identificar os comportamentos de controlo maternos que melhor explicam o comportamento da crian&#231;a, refor&#231;amos a ideia de que os comportamentos de desobedi&#234;ncia por parte da crian&#231;a n&#227;o devem ser considerados de forma homog&#233;nea. De facto, alguns destes comportamentos -desobedi&#234;ncia passiva e recusa simples - s&#227;o explicados em grande parte pela idade cronol&#243;gica, enquanto o desafio directo e a negocia&#231;&#227;o est&#227;o associados apenas a comportamentos maternos.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Nos modelos de regress&#227;o criados assumimos a exist&#234;ncia de rela&#231;&#245;es de causalidade entre o comportamento da m&#227;e e o comportamento da crian&#231;a. Estamos, por&#233;m, cientes que o estudo mais aprofundado destas rela&#231;&#245;es passa pela considera&#231;&#227;o de dois aspectos: (1) a influ&#234;ncia das caracter&#237;sticas da crian&#231;a no seu pr&#243;prio comportamento e (2) a bidireccionalidade das influ&#234;ncias na d&#237;ade m&#227;e-filho. Relativamente ao primeiro aspecto, para al&#233;m da idade cronol&#243;gica, haver&#225; a considerar outras vari&#225;veis da crian&#231;a, nomeadamente o temperamento e o n&#237;vel de desenvolvimento. Relativamente ao segundo aspecto, estando o estudo aqui apresentado inscrito num projecto de investiga&#231;&#227;o mais amplo que contempla a recolha de dados em v&#225;rios momentos, segundo um planeamento longitudinal, esperamos poder construir modelos mais complexos que permitam contemplar a riqueza de influ&#234;ncias presente nas rela&#231;&#245;es entre m&#227;es e filhos.</font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Refer&#234;ncias</b></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Briggs-Gowan M. J., Carter A. S., Bosson-Heenan J., Guyer A. E., &#38; Horwitz, S. M. (2006). Are infant-toddler social-emotional and behavioral problems transient?. Journal of the American Academy of Child Adolescence and Psychiatry, 45,</i> 849-858.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=465873&pid=S0874-2049200900020001100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Dix, T., Stewart, A., Gershoff, E., &#38; Day, W. (2007). Autonomy and children&#8217;s reactions to being controlled: Evidence that both compliance and defiance may be positive markers in early development. <i>Child Development, 78,</i> 1204-1221.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=465875&pid=S0874-2049200900020001100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Erikson, E. (1963). <i>Childhood and society.</i> New York: Norton.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=465877&pid=S0874-2049200900020001100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Griffiths, R. (1996). <i>The Griffith&#8217;s Mental Development Scales, from birth to 2 years: Manual.</i> S. L.: The Test Agency.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=465879&pid=S0874-2049200900020001100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Kalb, L. M., &#38; Loeber, R. (2003). Child disobedience and noncompliance: A review. <i>Pediatrics, 111,</i> 641-652.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=465881&pid=S0874-2049200900020001100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Kochanska, G. (1995). Children&#8217;s temperament, mothers&#8217; discipline, and security of attachment: Multiple pathways to emerging internalization. <i>Child Development, 66,</i> 597-615.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=465883&pid=S0874-2049200900020001100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Kochanska, G. (2002). Committed compliance, moral self, and internalization: A mediational model. <i>Developmental Psychology, 38,</i> 339-351.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=465885&pid=S0874-2049200900020001100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Kochanska, G., &#38; Aksan, N. (1995). Mother-child mutually positive affect, the quality of child compliance to requests and prohibitions, and maternal control as correlates of early internalization. <i>Child Development, 66,</i> 236-254.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=465887&pid=S0874-2049200900020001100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Kochanska, G., Tjebkes, T. L., &#38; Forman, D. R. (1998). Children&#8217;s emerging regulation of conduct: Restraint, compliance, and internalization from infancy to the second year. <i>Child Development, 69,</i> 1378-1389.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=465889&pid=S0874-2049200900020001100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Koenig, A. M., Cicchetti, D., &#38; Rogosch, F. (2000). Child compliance/ noncompliance and maternal contributors to internalization in maltreating and nonmaltreating dyads. <i>Child Development, 71,</i> 1018-1032.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=465891&pid=S0874-2049200900020001100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Kopp, C. B. (1982). Antecedents of self-regulation: A developmental perspective. <i>Developmental Psychology, 18</i>, 199-214.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=465893&pid=S0874-2049200900020001100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Kopp, C. B. (1987). The growth of self-regulation: Caregivers and children. In N. Eisenberg (Ed.), <i>Contemporary topics in developmental psychology</i> (pp. 34-52). New York: John Wiley &#38; Sons.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=465895&pid=S0874-2049200900020001100012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Kuczynski, L., &#38; Kochanska, G. (1990). Development of children&#8217;s noncompliance strategies from toddlerhood to age 5. <i>Developmental Psychology, 26,</i> 398-405.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=465897&pid=S0874-2049200900020001100013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Kuczynski, L., &#38; Kochanska, G. (1995). Function and content of maternal demands: Developmental significance of early demands for competent action. <i>Child Development, 66</i>, 616-628.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=465899&pid=S0874-2049200900020001100014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Kuczynski, L., Kochanska, G., Radke-Yarrow, M., &#38; Girnius-Brown, O. (1987). A developmental interpretation of young children&#8217;s noncompliance. <i>Developmental Psychology, 23</i>, 799-806.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=465901&pid=S0874-2049200900020001100015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Londerville, S., &#38; Main, M. (1981). Security of attachment, compliance, and maternal training methods in the second year of life. <i>Developmental Psychology, 17,</i> 289-299.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=465903&pid=S0874-2049200900020001100016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Maccoby, E. E., &#38; Martin, J. A. (1983). Socialization in the context of the family: Parent-child interaction. In P. H. Mussen (Series Ed.) &#38; E. M. Hetherington (Vol. Ed.), <i>Handbook of Child Psychology: Vol. 4. Socialization, personality, and social development</i> (4th ed., pp. 1-101). New York: Wiley.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=465905&pid=S0874-2049200900020001100017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Mathiesen, K. S., &#38; Sanson, A. (2000). Dimensions of early childhood behaviour problems: Stability predictors of change from 18 to 30 months. <i>Journal of Abnormal Child Psychology, 28,</i> 15-31.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=465907&pid=S0874-2049200900020001100018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Power, T. G., &#38; Chapieski, M. L. (1986). Childrearing and impulse control in toddlers: A naturalistic investigation. <i>Developmental Psychology, 22,</i> 271-275.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=465909&pid=S0874-2049200900020001100019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Power, T. G., McGrath, M. P., Hughes, S. O., &#38; Manire, S. H. (1994). Compliance and self-assertion: Young children&#8217;s responses to mothers versus fathers. <i>Developmental Psychology, 30,</i> 980-989.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=465911&pid=S0874-2049200900020001100020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">van Zeijl, J., Mesman, J., Stolk, M. N., Alink, L. R., van Ijzendoom, M. H., Bakermans-Kranenburg, M. J., Juffer, F., &#38; Koot, H. M. (2006). Terrible ones? Assessment of externalizing behaviours in infancy with the child behaviour checklist. <i>Journal of Child Psychology and Psychiatry, 4,</i> 801-810.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=465913&pid=S0874-2049200900020001100021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Wahler, R. G., &#38; Meginnis, K. L. (1997). Strengthening child compliance through positive parenting practices: What works?. <i>Journal of Clinical Child Psychology, 26,</i> 433-440.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=465915&pid=S0874-2049200900020001100022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Financiado por</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Esta investiga&#231;&#227;o foi financiada pela <i>Funda&#231;&#227;o para a Ci&#234;ncia e a Tecnologia</i> (Refer&#234;ncia: POCTI/PSI/35207/2000). O presente artigo desenvolve e aprofunda uma comunica&#231;&#227;o, integrada num painel tem&#225;tico sobre &#8220;Interac&#231;&#245;es entre pais e filhos&#8221;, apresentada no contexto do VI Simp&#243;sio Nacional de Investiga&#231;&#227;o em Psicologia, &#201;vora, Portugal, 28 a 30 de Novembro de 2006 e uma comunica&#231;&#227;o apresentada na <i>13th European Conference on Developmental Psychology,</i> Jena, Alemanha, 2007.</font></p>       ]]></body><back>
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