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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Contextos de socialização frequentados por crianças de quatro anos em Portugal: Uma sondagem nacional realizada em 1988]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Child socialisation settings as well and the way they intertwine to form daily and weekly routines, play an outstanding role in children&#8217;s development. In order to know the organization and diversity of Portuguese four-year-olds&#8217; socialisation settings, a survey was conducted on a national representative sample, within the scope of a larger international project. 581 four-year old Portuguese children and their families participated in this study: 298 were boys and 283 were girls. A face-to-face interview at the family home was used to collect data. Results characterised children&#8217;s weekly and daily routines, as well as the settings they attended and their main features.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="4"><b>Contextos de socializa&#231;&#227;o frequentados por crian&#231;as de quatro anos em Portugal: Uma sondagem nacional realizada em 1988<a name="top1"></a><a href="#1"><sup>1</sup></a></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="3"><b>Socialisation settings attended by four-year old children in Portugal: A national survey, 1988</b></font></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Joaquim Bairr&#227;o<sup>2</sup>; Maria Isolina Borges<sup>3</sup>; Isabel Abreu-Lima<sup>4</sup>; Maria Barbosa<sup>5</sup>; Orlanda Cruz<sup>6</sup>; Margarida Henriques</b><sup>7</sup></font></p>      <p><sup>2-7</sup>Faculdade de Psicologia e de Ci&#234;ncias da Educa&#231;&#227;o, Universidade do Porto</p>      <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os contextos de socializa&#231;&#227;o da crian&#231;a, bem como a sua articula&#231;&#227;o em rotinas di&#225;rias e semanais, desempenham um papel primordial no seu desenvolvimento. Com o objectivo de conhecer a diversidade e organiza&#231;&#227;o dos contextos de socializa&#231;&#227;o frequentados pelas crian&#231;as de quatro anos em Portugal, foi conduzida em 1988 uma sondagem com uma amostra representativa a n&#237;vel nacional, no &#226;mbito de um projecto de investiga&#231;&#227;o transnacional. Participaram nesta sondagem 581 fam&#237;lias com crian&#231;as de quatro anos, das quais 298 eram do sexo masculino e 283 do sexo feminino. Os dados foram recolhidos atrav&#233;s de uma entrevista face a face realizada no domic&#237;lio familiar. Os resultados permitiram caracterizar as rotinas di&#225;ria e semanal das crian&#231;as, nomeadamente os contextos frequentados e suas principais caracter&#237;sticas.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave:</b> contextos de socializa&#231;&#227;o infantil, sondagem, rotina di&#225;ria, rotina semanal</font></p>  <hr size="1" noshade>       <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Child socialisation settings as well and the way they intertwine to form daily and weekly routines, play an outstanding role in children&#8217;s development. In order to know the organization and diversity of Portuguese four-year-olds&#8217; socialisation settings, a survey was conducted on a national representative sample, within the scope of a larger international project. 581 four-year old Portuguese children and their families participated in this study: 298 were boys and 283 were girls. A face-to-face interview at the family home was used to collect data. Results characterised children&#8217;s weekly and daily routines, as well as the settings they attended and their main features.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Keywords</b>:children socialization settings, survey, daily routine, weekly routine</font></p>  <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="3"><b>Introdu&#231;&#227;o</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">No &#226;mbito da <i>International Association for the Evaluation of Educational Achievement </i>(IEA), j&#225; no final da d&#233;cada de 80, foi desenhado um projecto de investiga&#231;&#227;o transnacional &#8211; <i>Pre-primary Project </i>(IEA-PPP) &#8211; sobre a situa&#231;&#227;o de cuidados prestados &#224;s crian&#231;as de quatro anos<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a> (Katz, Crahay, Tietze, Wolf, Rossbach, &#38; Indrasuta, 1984).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O Projecto Pr&#233;-Prim&#225;rio enquadra-se numa &#225;rea de investiga&#231;&#227;o necessariamente complexa &#8211; desenvolvimento infantil em contexto &#8211; cuja relev&#226;ncia nas sociedades actuais &#233; ineg&#225;vel, j&#225; que a fun&#231;&#227;o educativa n&#227;o &#233; apan&#225;gio exclusivo da fam&#237;lia, sendo partilhada com uma multiplicidade de contextos extra-familiares. &#201; de sublinhar que, &#224; data em que foi realizado, n&#227;o se conheciam outros estudos no dom&#237;nio, tendo sido este a lan&#231;ar a aten&#231;&#227;o nacional sobre a import&#226;ncia da investiga&#231;&#227;o no dom&#237;nio da educa&#231;&#227;o pr&#233;-escolar.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">A Psicologia do Desenvolvimento e da Educa&#231;&#227;o contribuiu j&#225; com um corpo amplo de conhecimentos que permite compreender o processo de desenvolvimento humano, as suas etapas e as tarefas que o indiv&#237;duo tem de aprender a desempenhar ao longo da vida. Por&#233;m, como afirmava Bronfenbrenner (1979), sabia-se mais acerca das crian&#231;as do que acerca dos contextos onde o desenvolvimento se processa, levantando-se ent&#227;o a quest&#227;o de saber de que forma os diversos contextos de vida do indiv&#237;duo influenciam e determinam esse desenvolvimento. Um dos conceitos chave &#233; a <i>qualidade de vida</i>, enquanto produto das v&#225;rias experi&#234;ncias vivenciadas pela cri&#231;a nos v&#225;rios contextos de socializa&#231;&#227;o em que participa.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O modelo ecol&#243;gico enquadra as preocupa&#231;&#245;es subjacentes a este estudo, bem como a defini&#231;&#227;o do seu objecto de estudo e a metodologia eleita para o abordar. De acordo com este modelo, o conhecimento do contexto (mais distal ou mais proximal) em que a crian&#231;a vive &#233; fundamental para percebermos a sua traject&#243;ria desenvolvimental ou, seguindo as palavras do pr&#243;prio Bronfenbrenner, define-se como<i>&#8220;o estudo cientifico da progressiva e m&#250;tua acomoda&#231;&#227;o, ao longo do curso de vida, entre um organismo biopsicol&#243;gico muito complexo, activo e em crescimento (&#8230;) e as propriedades em mudan&#231;a dos cen&#225;rios imediatos que envolvem a pessoa em desenvolvimento, na medida em que esse processo &#233; afectado pelas rela&#231;&#245;es entre cen&#225;rios e pelos contextos mais vastos em que estes cen&#225;rios est&#227;o inseridos&#8221; </i>(Bronfenbrenner, 1993, p. 7).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Um dos objectivos gerais do IEA-PPP foi a an&#225;lise das dimens&#245;es dos diversos contextos de socializa&#231;&#227;o frequentados pelas crian&#231;as que contribuem de forma relevante para o seu desenvolvimento e qualidade de vida. S&#227;o de distinguir a dimens&#227;o estrutural (que remete, por exemplo, para o espa&#231;o dispon&#237;vel para as crian&#231;as e para o <i>ratio </i>adulto-crian&#231;a), a dimens&#227;o processual (que inclui, por exemplo, as interac&#231;&#245;es verbais e l&#250;dicas) e a dimens&#227;o contextual propriamente dita (que se refere &#224; zona habitacional e aos recursos da comunidade, entre outros aspectos).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A fim de dar resposta a este objectivo, foi necess&#225;rio proceder ao levantamento dos contextos de socializa&#231;&#227;o frequentados pelas crian&#231;as de idade pr&#233;-escolar, no final dos anos 80, na medida em que as estat&#237;sticas oficiais apenas informavam sobre a taxa de frequ&#234;ncia dos contextos formais (Bairr&#227;o, Barbosa, Borges, Cruz, &#38; Macedo-Pinto, 1989), verificando-se lacunas importantes e a v&#225;rios n&#237;veis nos dados dispon&#237;veis. Em primeiro lugar, n&#227;o existia informa&#231;&#227;o relativa &#224;s dimens&#245;es estrutural, processual e contextual dos contextos formais. A n&#237;vel dos contextos informais frequentados pelas crian&#231;as, havia um desconhecimento total no que dizia respeito &#224; sua identifica&#231;&#227;o e caracteriza&#231;&#227;o. Finalmente, ignorava-se a forma como estes contextos, formais e informais, se articulavam nas rotinas di&#225;ria e semanal das crian&#231;as.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"> Atendendo a que o processo de socializa&#231;&#227;o ocorre em todo e qualquer contexto, bem como na articula&#231;&#227;o existente entre os v&#225;rios contextos &#8211; pressupostos da teoria ecol&#243;gica &#8211; e que a fam&#237;lia &#233; o sistema organizador do quotidiano da crian&#231;a, esta foi a principal fonte de informa&#231;&#227;o utilizada neste estudo. De facto, a situa&#231;&#227;o de cuidados vivida por cada crian&#231;a &#233; o resultado da percep&#231;&#227;o que a fam&#237;lia tem dos recursos existentes na comunidade envolvente, assim como das suas pr&#243;prias possibilidades de organiza&#231;&#227;o para assegurar a presta&#231;&#227;o de cuidados &#224; crian&#231;a. Por um lado, a fam&#237;lia filtra e selecciona os factores ambientais que influenciam a crian&#231;a e, por outro, organiza os diversos aspectos da sua rotina, em fun&#231;&#227;o dos recursos dispon&#237;veis. Nesta perspectiva, os conceitos de contexto de socializa&#231;&#227;o e de fam&#237;lia, enquanto sistema organizador, constituem o ponto de partida para a compreens&#227;o do processo de desenvolvimento da crian&#231;a.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O IEA-PPP, iniciado em 1986 incluiu tr&#234;s fases (com dura&#231;&#227;o total prevista de 10 anos), cada uma das quais com objectivos espec&#237;ficos. A primeira fase consistiu numa sondagem nacional, com o objectivo de proceder ao levantamento e caracteriza&#231;&#227;o da diversidade de contextos de socializa&#231;&#227;o frequentados pelas crian&#231;as de quatro anos. A segunda fase foi constitu&#237;da pelo estudo da qualidade de vida destas crian&#231;as e a terceira incidiu sobre o seu acompanhamento longitudinal. Em Portugal apenas se concretizou a Fase 1 do IEA-PPP, entre 1986 e 1990. Ao longo deste trabalho ser&#225; feita a sua descri&#231;&#227;o, apresentados alguns dos principais resultados, bem como uma reflex&#227;o acerca do contributo inovador deste projecto &#224; data da sua realiza&#231;&#227;o.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O objectivo priorit&#225;rio da Fase 1 foi inventariar todos os contextos de socializa&#231;&#227;o dispon&#237;veis para as crian&#231;as de quatro anos. Tornava-se crucial que a operacionaliza&#231;&#227;o de contexto reflectisse o conceito base de <i>&#8220;um padr&#227;o de actividades, pap&#233;is e rela&#231;&#245;es interpessoais experienciadas pela pessoa em desenvolvimento num dado cen&#225;rio com caracter&#237;sticas f&#237;sicas, sociais e simb&#243;licas que encorajam, permitem ou inibem esse envolvimento, em interac&#231;&#227;o progressivamente mais complexa com o ambiente imediato e em actividade nesse mesmo ambiente&#8221; </i>(Bronfenbrenner, 1993, p.15; Bronfenbrenner &amp; Morris, 1998, p. 1013). Com efeito, o conceito de contexto foi definido como a <i>combina&#231;&#227;o entre o local em que a crian&#231;a est&#225; e a pessoa respons&#225;vel pela crian&#231;a </i>(Tietze &amp; Rossbach, 1984). Mais especificamente pretendeu-se: (1) Elaborar uma tipologia de crian&#231;as em fun&#231;&#227;o dos padr&#245;es de contextos frequentados semanalmente; (2) Descrever os diversos tipos de itiner&#225;rios percorridos pelas crian&#231;as durante um dia t&#237;pico; (3) Identificar as vari&#225;veis relativas &#224; fam&#237;lia e &#224; comunidade que contribuem para a compreens&#227;o dos padr&#245;es de rotina encontrados.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="3"><b>M&#233;todo</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Amostra</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A constitui&#231;&#227;o da amostra seguiu um processo de estratifica&#231;&#227;o que implicou a caracteriza&#231;&#227;o da totalidade dos concelhos de Portugal Continental com base em 57 vari&#225;veis socio-econ&#243;mico-demogr&#225;fico-culturais e a sua distribui&#231;&#227;o por 23 estratos. Procedeu-se &#224; selec&#231;&#227;o aleat&#243;ria de 57 concelhos, dos quais, tamb&#233;m aleatoriamente, se escolheram as crian&#231;as da amostra a partir dos registos de nascimento. De uma amostra alargada (<i>oversampling</i>) de 760 crian&#231;as, com o efeito de uma taxa de atrito de 23,6%, obteve-se uma amostra de 581 fam&#237;lias com crian&#231;as de quatro anos, das quais 298 (51%) s&#227;o do sexo masculino e 283 (49%) s&#227;o do sexo feminino.<p/>      <p><font face="Verdana" size="2">Relativamente ao n&#237;vel educativo, a maior parte das m&#227;es possu&#237;a um a quatro anos de escolaridade (56%), 15% completou entre 5 e 6 anos, 14% realizou entre 7 a 9 anos, 8% frequentou o ensino secund&#225;rio, 5% tinha mais de 12 anos de estudo e 2% eram analfabetas. A distribui&#231;&#227;o dos pais pelos diversos n&#237;veis de escolaridade era bastante semelhante &#224; das m&#227;es. No que se refere &#224; situa&#231;&#227;o profissional, 95% dos pais e 58% das m&#227;es trabalhavam fora de casa, 3% dos pais e 7% das m&#227;es desenvolviam a sua actividade profissional em casa, 2% dos pais estavam desempregados, reformados ou eram estudantes e 35% das m&#227;es eram donas de casa, estudantes ou estavam desempregadas.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Instrumento</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Com o objectivo de recolher informa&#231;&#227;o aprofundada sobre os contextos de socializa&#231;&#227;o frequentados pelas crian&#231;as de quatro anos, foi constru&#237;da a n&#237;vel transnacional uma entrevista semi-estruturada, a ser conduzida junto da m&#227;e, enquanto pessoa respons&#225;vel pela organiza&#231;&#227;o da rotina da crian&#231;a. No desenvolvimento do protocolo de entrevista foram tidos em conta tr&#234;s tipos de vari&#225;veis:</font></p>  	    <li>Vari&#225;veis de estatuto: caracter&#237;sticas relativamente est&#225;veis da fam&#237;lia, como o n&#237;vel de estudos dos pais, l&#237;ngua falada em casa, dimens&#227;o do agregado familiar,etc;</li> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Vari&#225;veis situacionais relativas &#224; fam&#237;lia, caracterizadoras das condi&#231;&#245;es de vida (e.g. n&#250;mero de divis&#245;es da casa, conforto da habita&#231;&#227;o, exist&#234;ncia de zonas de recreio) e da percep&#231;&#227;o das necessidades e recursos (situa&#231;&#227;o de cuidados desejada, custos e condi&#231;&#245;es de acesso aos contextos extra-familiares, servi&#231;os prestados por esses contextos, etc.);</li> 	    <li>Vari&#225;veis processuais relativas &#224;s experi&#234;ncias vividas pelas crian&#231;as durante o dia, incluindo a rotina di&#225;ria, caracter&#237;sticas das v&#225;rias situa&#231;&#245;es de cuidados e ainda as actividades que os pais realizam com as crian&#231;as. 	</li>     </ol>     <p><font face="Verdana" size="2">O gui&#227;o da entrevista foi constitu&#237;do por oito conjuntos de quest&#245;es, a saber:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">a)<i>Estrutura da fam&#237;lia</i>: enumera&#231;&#227;o de todas as pessoas que pertencem ao agregado familiar, indicando para cada uma a rela&#231;&#227;o com a crian&#231;a, o sexo e a idade</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">b)<i>Situa&#231;&#227;o de cuidados da crian&#231;a</i>: identifica&#231;&#227;o dos contextos frequentados e caracteriza&#231;&#227;o do modo como s&#227;o utilizados (tempo no contexto, pagamento, refei&#231;&#245;es, dist&#226;ncia, etc.)</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">c) <i>Situa&#231;&#245;es de cuidados desejadas pelos pais</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">d) <i>Actividades pais-filhos</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">e) <i>Grelha de rotinadi&#225;ria: </i>quadro de dupla entrada em que se pede &#224; m&#227;e que identifique, para cada hora do dia, o contexto em que o filho se encontra</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">f) <i>Condi&#231;&#245;es de habita&#231;&#227;o: </i>caracteriza&#231;&#227;o da zona residencial e do grau de conforto da habita&#231;&#227;o</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">g) <i>Estatuto de sa&#250;de da crian&#231;a</i>      <p><font face="Verdana" size="2">h)<i>Situa&#231;&#227;o socio-profissional dos pais</i></font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><i>Procedimento</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">As entrevistas foram realizadas entre Abril e Junho de 1988, no domic&#237;lio das fam&#237;lias, por licenciados em Psicologia, previamente treinados para este efeito. Cada entrevista teve uma dura&#231;&#227;o m&#233;dia de uma hora.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="3"><b>Resultados</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Em primeiro lugar ser&#227;o apresentados os resultados relativos &#224;s rotinas semanais das crian&#231;as, ou seja, os contextos utilizados pelas crian&#231;as numa base regular durante a semana. Seguidamente, proceder-se-&#225; a uma caracteriza&#231;&#227;o vertical, tomando em conta as suas rotinas di&#225;rias. Recorde-se que o contexto de socializa&#231;&#227;o se define pela combina&#231;&#227;o do local e pessoa respons&#225;vel.</font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><i>Rotina semanal</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Tendo em vista a explora&#231;&#227;o dos dados relativos &#224; rotina semanal, ser&#225; feita uma apresenta&#231;&#227;o do n&#250;mero e tipo de contextos frequentados, das raz&#245;es apontadas pela m&#227;e para a sua escolha, bem como das caracter&#237;sticas de frequ&#234;ncia do contexto principal (definido mais &#224; frente).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Foi poss&#237;vel constatar que cerca de 30% das crian&#231;as da amostra (171 crian&#231;as) permaneciam exclusivamente com a m&#227;e, na sua pr&#243;pria casa. Das restantes 410 crian&#231;as, cerca de 49% frequentavam um contexto extra-materno, cerca de 18% frequentavam dois contextos extra-maternos e 3% frequentavam tr&#234;s ou mais contextos extra-maternos, at&#233; um m&#225;ximo de quatro.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No grupo de crian&#231;as que permanecia em casa exclusivamente com a m&#227;e, esta foi questionada acerca dos motivos pelos quais era a &#250;nica pessoa a tomar conta da crian&#231;a ao longo do dia e da semana, podendo apresentar at&#233; um m&#225;ximo de tr&#234;s raz&#245;es. A principal raz&#227;o apresentada por 110 m&#227;es (64,3%) foi o facto de se encontrar em casa e, como tal, estar dispon&#237;vel para tomar conta da crian&#231;a. A segunda raz&#227;o mais importante e usada por 65 m&#227;es (38%) foi a inexist&#234;ncia de alternativas para cuidar da crian&#231;a. Em terceiro lugar surgiu como justifica&#231;&#227;o a vontade expressa da m&#227;e em assumir o papel de cuidadora	principal, o que aconteceu com 57 m&#227;es (33.3%). O custo elevado de outras alternativas foi a raz&#227;o apresentada por 29 m&#227;es (16.9%). Finalmente, surgiram outras raz&#245;es relativas &#224; crian&#231;a e relativas aos contextos dispon&#237;veis, as primeiras usadas por 17 m&#227;es e as segundas por 6 m&#227;es (9.9% e 3.5%, respectivamente). Este grupo de crian&#231;as era aquele cujos pais possu&#237;am habilita&#231;&#245;es acad&#233;micas mais baixas e em que predominavam as categorias profissionais mais indiferenciadas e um maior n&#250;mero de m&#227;es dom&#233;sticas.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">No grupo de 289 crian&#231;as que frequentavam apenas um contexto extra-materno durante a semana, foi poss&#237;vel verificar que em 32% dos casos este contexto era o jardim-de-inf&#226;ncia e que nos restantes 68% era um contexto informal.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os locais mais frequentemente referidos pelas m&#227;es como aqueles onde as crian&#231;as permaneciam numa base regular durante a semana eram, por ordem de import&#226;ncia, o jardim-de-inf&#226;ncia, a casa da crian&#231;a, a casa de familiares, outras casas, e o parque. O jardim-de-inf&#226;ncia era a op&#231;&#227;o mais desejada pela quase totalidade das fam&#237;lias.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Quando o jardim-de-inf&#226;ncia era referido como contexto extra-materno, o que aconteceu com 177 crian&#231;as (30.5% da amostra), verificava-se que, para cerca de metade das crian&#231;as, era o &#250;nico contexto frequentado. Por outro lado, a educadora foi tamb&#233;m a &#250;nica pessoa referida como pessoa respons&#225;vel pela crian&#231;a no contexto. Os pais das crian&#231;as deste grupo eram os que tinham um n&#237;vel educativo mais elevado (mais de nove anos de escolaridade) e profiss&#245;es mais diferenciadas. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A casa de familiares foi referida para 162 crian&#231;as, e as pessoas respons&#225;veis nomeadas eram as av&#243;s e, menos frequentemente, outros familiares. A casa da crian&#231;a foi um local referido para 151 crian&#231;as, sendo os respons&#225;veis nomeados os irm&#227;os, as av&#243;s e, menos frequentemente, outros familiares e as empregadas dom&#233;sticas. Quando as casas de outrem eram referidas como local de cuidados, o que aconteceu com 55 crian&#231;as, as pessoas respons&#225;veis eram a ama e os vizinhos. Finalmente, o parque era um local nomeado para 26 crian&#231;as, sendo outras as pessoas respons&#225;veis ou, muito raramente, ningu&#233;m.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"> Os contextos de cuidados informais s&#227;o apontados como os &#250;nicos contextos frequentados na rotina semanal pelas m&#227;es com habilita&#231;&#245;es mais baixas (menos de 9 anos de escolaridade) e com hor&#225;rios de trabalho muito dilatados, sendo que cerca de 60% das m&#227;es deste grupo passam mais de 45 horas por semana fora de casa.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"> Quando, na rotina semanal da crian&#231;a, existia mais do que um contexto extra-familiar, houve necessidade de definir o <i >contexto principal</i>, operacionalizado como aquele onde a crian&#231;a passava mais tempo, durante a semana.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">No grupo de 410 crian&#231;as que frequentavam mais do que um contexto extra-materno, o contexto principal era, em 41% dos casos, o jardim-de-inf&#226;ncia, seguindo-se a av&#243;, quer na sua pr&#243;pria casa, quer em casa da crian&#231;a (cerca de 40% dos casos). Quando nomeado na rotina semanal, o jardim-de-inf&#226;ncia era quase sem excep&#231;&#245;es (apenas nove casos o foram), o contexto mais relevante. A av&#243;, quer na sua pr&#243;pria casa quer em casa da crian&#231;a, apesar de constituir o contexto referido com mais frequ&#234;ncia, n&#227;o era aquele onde as crian&#231;as passavam mais tempo durante a semana, aparentando funcionar como um contexto complementar. De facto, de entre as 49% m&#227;es que nomeavam a av&#243; como contexto de cuidados semanal, esta s&#243; era o contexto principal em 34% dos casos, funcionando como segundo contexto e complemento ao jardim-de-inf&#226;ncia para 63 crian&#231;as.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A ama foi o terceiro contexto mais relevante, sendo o contexto principal para 8% das crian&#231;as, seguido de familiares, quer em casa da crian&#231;a, quer na pr&#243;pria casa.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Foi tamb&#233;m obtida informa&#231;&#227;o relativamente ao tempo que as crian&#231;as passavam no contexto principal, verificando-se que o n&#250;mero de horas variava entre um m&#237;nimo de 10 horas e um m&#225;ximo de 60 horas, o que, em m&#233;dia, corresponde a um m&#237;nimo de 2 horas por dia e a um m&#225;ximo de 12 horas di&#225;rias. Foi poss&#237;vel verificar que cerca de 32% destas crian&#231;as passava entre 31 e 45 horas no contexto principal, e que cerca de 30% o faziam entre 46 e 60 horas, o que constitui uma quantidade de tempo consider&#225;vel, tendo em conta que em muitos casos existiam ainda contextos adicionais.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Relativamente aos custos inerentes &#224; frequ&#234;ncia dos contextos, verificou-se que cerca de 36% das fam&#237;lias n&#227;o pagavam os contextos extra-maternos. Quanto &#224; dist&#226;ncia di&#225;ria percorrida pelas crian&#231;as na desloca&#231;&#227;o para os contextos, cerca de 35.5% das crian&#231;as da amostra viviam a menos de 500 metros de dist&#226;ncia do contexto extra-materno, e que apenas 7,8% das crian&#231;as percorriam mais de tr&#234;s quil&#243;metros. A maior parte das desloca&#231;&#245;es era feita a p&#233; (47%), e o autom&#243;vel era o meio de transporte mais comummente utilizado (15.4%), surgindo o autocarro escolar em apenas 12.2% dos casos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Rotina di&#225;ria</i></font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">A fim de conhecer a forma como as crian&#231;as passavam um dia t&#237;pico, recolheu-se informa&#231;&#227;o, para cada hora do dia e da noite, relativamente ao local onde estava a crian&#231;a, &#224; pessoa respons&#225;vel e &#224; presen&#231;a de outras crian&#231;as e adultos, nomeadamente da m&#227;e e do pai.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Com vista a identificar os contextos frequentados ao longo do dia, e tendo em conta a forma como foi operacionalizada a no&#231;&#227;o de contexto de socializa&#231;&#227;o, a informa&#231;&#227;o relativa ao local e &#224; pessoa respons&#225;vel foi cruzada, verificando-se que 56 contextos apareciam com express&#227;o num&#233;rica. Usando como procedimento uma an&#225;lise factorial de correspond&#234;ncias, esta informa&#231;&#227;o foi simplificada, destacando-se os per&#237;odos hor&#225;rios mais relevantes e os contextos mais frequentados que lhes estavam associados. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"> O per&#237;odo nocturno, <i>entre as 20h e as 8 horas</i>, corresponde aproximadamente ao jantar e noite, encontrando-se as crian&#231;as em casa com os pais, e assumindo-se a m&#227;e com frequ&#234;ncia como a principal respons&#225;vel, apesar do pai se encontrar normalmente tamb&#233;m presente.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os per&#237;odos <i>entre as 9h e 12 horas </i>e <i>entre as 14h e 17 horas</i>, correspondem essencialmente &#224; frequ&#234;ncia de contextos extra maternos, coincidindo com o hor&#225;rio escolar/laboral, sendo t&#237;picos o jardim de inf&#226;ncia, a casa dos av&#243;s, a casa da crian&#231;a com os av&#243;s e a ama. No per&#237;odo da tarde era frequente o contexto em casa com irm&#227;o mais velho ou em casa sozinha. Igualmente t&#237;pico, embora menos frequente, era o parque/jardim/rua com a m&#227;e, usado provavelmente por crian&#231;as que passavam o dia todo apenas com a m&#227;e.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os per&#237;odos <i>entre as 8h e 9 horas </i>e <i>as 17h e 20 horas </i>correspondem a momentos de transi&#231;&#227;o, ou seja, coincidem com a mudan&#231;a de contextos. As crian&#231;as encontram-se essencialmente em casa com um dos pais ou com outra pessoa, na rua em transi&#231;&#227;o com um dos pais, no parque/jardim/rua com a m&#227;e ou com irm&#227;o e, ainda, no emprego da m&#227;e ou do pai.</font></p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="3"><b>Discuss&#227;o</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#201; importante salientar o car&#225;cter essencialmente descritivo destes dados, e o seu enquadramento temporal, j&#225; que correspondem a uma realidade vigente h&#225; cerca de 20 anos atr&#225;s, pelo que o seu valor reside sobretudo nas quest&#245;es que levantam e como eventual base para an&#225;lise das transforma&#231;&#245;es que entretanto se produziram.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A articula&#231;&#227;o dos contextos frequentados pelas crian&#231;as na rotina semanal e na rotina di&#225;ria sugerem, &#224; partida, ideias bastante distintas. A rotina semanal das crian&#231;as parece ser relativamente est&#225;vel, no sentido em que a maioria das crian&#231;as permanece em casa ou frequenta apenas um ou dois contextos extra-maternos. Contudo, a an&#225;lise da rotina di&#225;ria revela uma maior quantidade e diversidade de contextos frequentados pelas crian&#231;as ao longo do dia (56 contextos), apontando para uma menor regularidade das rotinas.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Esta discrep&#226;ncia entre a an&#225;lise horizontal (ao longo da semana) e a an&#225;lise vertical (ao longo do dia) tem a ver essencialmente com tr&#234;s aspectos. Em primeiro lugar, a exclus&#227;o, na rotina semanal, de toda a informa&#231;&#227;o referente aos contextos maternos. Em segundo lugar, a exclus&#227;o, tamb&#233;m na rotina semanal, das situa&#231;&#245;es de car&#225;cter transit&#243;rio e ocasional, dado que apenas foram considerados os contextos frequentados pela crian&#231;a, pelo menos duas horas, numa base regular. Em terceiro lugar, a rotina di&#225;ria, sendo exaustiva, permitiu a identifica&#231;&#227;o da totalidade dos contextos frequentados pela crian&#231;a, independentemente do seu car&#225;cter mais ou menos sistem&#225;tico e da sua dura&#231;&#227;o.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A discrep&#226;ncia observada &#233; pois justific&#225;vel e seria esperada. Assim, se a rotina semanal nos permite identificar contextos relevantes para an&#225;lise posterior, nomeadamente em termos de promo&#231;&#227;o da qualidade de vida das crian&#231;as, a rotina di&#225;ria permitir&#225; identificar o n&#250;mero e o tipo de transi&#231;&#245;es e, entre outras an&#225;lises poss&#237;veis, estabelecer compara&#231;&#245;es de car&#225;cter internacional. Constituem assim duas abordagens complementares que, no seu todo, possibilitam uma an&#225;lise ecol&#243;gica, que se traduz na reconstitui&#231;&#227;o de padr&#245;es de itiner&#225;rios t&#237;picos para as crian&#231;as portuguesas desta faixa et&#225;ria e na sua rela&#231;&#227;o com factores diversos do meio familiar e cultural pr&#243;ximos.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Um dado que merece relevo prende-se com o tempo passado por semana em contextos extra-maternos. De facto, verifica-se que uma percentagem importante de crian&#231;as (62%) passa mais de 30 horas por semana (m&#233;dia de seis horas por dia) com outros que n&#227;o os pais, e de entre estas, cerca de 30% est&#227;o mesmo mais de 45 horas (m&#233;dia de nove horas por dia) nesta situa&#231;&#227;o. Estes dados chamam a aten&#231;&#227;o para a organiza&#231;&#227;o da rotina das m&#227;es, cuja ocupa&#231;&#227;o profissional parece impedir um contacto mais prolongado com os filhos em idade t&#227;o precoce. Por outro lado, torna-se evidente a necessidade de garantir a qualidade dos contextos extra-familiares frequentados pelas crian&#231;as de quatro anos, dada a grande quantidade de tempo que elas a&#237; passam. Se tal garantia ser&#225; eventualmente poss&#237;vel tratando-se de contextos formais (o que acontece nesta amostra em 30% das crian&#231;as), o mesmo n&#227;o acontece no que respeita aos contextos informais.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O IEA-PPP constituiu um projecto implementado entre 1986 e 1990 na Faculdade de Psicologia e de Ci&#234;ncias da Educa&#231;&#227;o da Universidade do Porto, sob a direc&#231;&#227;o dos Professores Joaquim Bairr&#227;o e Maria Isolina Borges. Este projecto permitiu descrever as situa&#231;&#245;es de cuidados prestados &#224;s crian&#231;as de idade pr&#233;-escolar, levantar quest&#245;es e desenvolver metodologias de investiga&#231;&#227;o que se revelaram fundamentais no desenvolvimento do Centro de Psicologia do Desenvolvimento e Educa&#231;&#227;o da Crian&#231;a. A apresenta&#231;&#227;o deste projecto e de alguns dos seus resultados neste n&#250;mero especial<a name="top9"></a><a href="#9"><sup>9</sup></a> pretendeu caracterizar de forma sucinta a realidade vivenciada pelas crian&#231;as de quatro anos numa &#233;poca em que escasseava informa&#231;&#227;o de cariz quantitativo, mas tamb&#233;m e principalmente, prestar tributo ao papel pioneiro assumido pelo Prof. Bairr&#227;o no contexto da pesquisa em educa&#231;&#227;o pr&#233;-escolar. Neste papel destacam-se, a adop&#231;&#227;o e implementa&#231;&#227;o de um referencial te&#243;rico ecol&#243;gico-sist&#233;mico, que desde ent&#227;o tem norteado muitos dos trabalhos de investiga&#231;&#227;o desenvolvidos pelo grupo, e a inser&#231;&#227;o da sua equipa em redes de investiga&#231;&#227;o internacional, a maior parte das quais perdura at&#233; ao presente.</font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Refer&#234;ncias</b></font></p>      <!-- ref --><p>Bairr&#227;o, J., Barbosa, M. A., Borges, M. I., Cruz, O., &amp; Macedo-Pinto, I. (1989). Care and education for children under age six in Portugal. In P. Olmsted &amp; D. Weikart (Eds.), <i> How nations serve young children: Profiles of child care and education in 14 countries </i>(pp. 273-302). Ypsilanti: TheHigh Scope Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=466178&pid=S0874-2049201000010000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>Bronfenbrenner, U. (1979). <i>The ecology of human development: Experiments by nature and design. </i>Cambridge, M. A.: Harvard University Press.</p>      <p>Bronfenbrenner, U. (1993). The ecology of cognitive development: Research models and fugitive findings. In R. H. Wosniak &amp; Fischer (Eds.), <i>Scientific environments </i>(pp. 3-44). Hillsdale, NJ: Erlbaum.</p>      <!-- ref --><p>Bronfenbrenner, U., &amp; Morris, P. (1998). The ecology of developmental processes. In W. Damon &amp; M. Lerner (Eds.),<i>Handbook of child psychology. Vol 1</i>(pp. 993-1028). New York: Wiley &amp; Sons.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=466182&pid=S0874-2049201000010000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Katz, L., Crahay, M., Tietze, W., Wolf, R., Rossbach, H.-G., &amp; Indrasuta, C. (1984). <i>Preprimary Study. </i>International Association for the Evaluation of Educational Achievement. Manuscrito n&#227;o publicado.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=466184&pid=S0874-2049201000010000100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Tietze, W., &amp; Rossbach, H.-G. (1984, September). A conceptual framework for the analysis of socialization environments. <i>European Conference of the International Society for the Study of Behavioural Development</i>. Groninger, Holanda.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=466186&pid=S0874-2049201000010000100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="3">Financiado por:</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Este estudo foi financiado pelo Servi&#231;o de Educa&#231;&#227;o da Funda&#231;&#227;o Calouste Gulbenkian e pela Junta Nacional de Investiga&#231;&#227;o Cient&#237;fica e Tecnol&#243;gica (JNICT). Este artigo constitui uma vers&#227;o revista de uma comunica&#231;&#227;o apresentada pelo Prof. Joaquim Bairr&#227;o e restante equipa no Congresso Nacional de Educa&#231;&#227;o Infantil e B&#225;sica que se realizou em Braga em Abril de 1990.</font></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="3"><b>Notas</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top1"><sup>1</sup></a><a name="1"></a><i>Por lapso, este artigo n&#227;o foi inclu&#237;do no Vol. XXIII, 2 (2009), N&#250;mero especial de Homenagem a Joaquim Bairr&#227;o, da revista Psicologia. Pelo facto, a direc&#231;&#227;o da Revista pede desculpa.</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top8"><sup>8</sup></a><a name="8"></a><i>Para al&#233;m de Portugal, participaram neste projecto os seguintes pa&#237;ses: B&#233;lgica, Rep&#250;blica Federal da Alemanha, Finl&#226;ndia, It&#225;lia, Espanha, Hungria, Nig&#233;ria, Tail&#226;ndia, China, Filipinas, Qu&#233;nia, Hong-Kong e Estados Unidos da Am&#233;rica. A coordena&#231;&#227;o internacional do projecto foi assumida pela High/Scope Educational Research Foundation, nas pessoas de David Weikart e Patricia Olmsted. A n&#237;vel da Faculdade de Psicologia e de Ci&#234;ncias da Educa&#231;&#227;o da Universidade do Porto, este foi o primeiro projecto de investiga&#231;&#227;o de &#226;mbito internacional.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top9"><sup>9</sup></a><a name="9"></a>Por lapso, este artigo n&#227;o foi inclu&#237;do no Vol. XXIII, 2 (2009), N&#250;mero especial de Homenagem a Joaquim Bairr&#227;o</font></p>       ]]></body><back>
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