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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article examined whether individual differences, such as gender and emotional intelligence, contribute to detecting lying and honesty. Additionally, the cues used in judgments about lying were analysed. Ninety male and female university students were exposed to eight videotapes showing adult persons (four men and four women) answering the same questions in an interview (half were telling the truth; the other half were lying). Overall, the percentage of accurate lie detection was nearly what would be expected by chance; accurate honesty detection was below chance. Participants also responded more often that targets were &#8220;dishonest&#8221;, suggesting that a bias occurred in their judgments. Accuracy was unrelated to most emotional intelligence dimensions. Regarding gender differences, male participants were significantly more accurate in detecting lying, whereas women were more accurate in detecting honesty, regardless of the gender of the target. Several possible explanations were raised and discussed based on research and theory in this area.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="4"><b>Haver&#225; diferen&#231;as individuais na capacidade para detectar a mentira e a honestidade nos outros?</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="3"><b>Are there individual differences in the ability to detect lie and honesty in others?</b></font></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Andreia Rodrigues<sup>1</sup>; Patr&#237;cia Arriaga<sup>2,*</sup></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><sup>1</sup>BioEpi, Clinical &#38; Translational Research Center</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><sup>2</sup>Instituto Universit&#225;rio de Lisboa (ISCTE-IUL), Centro de Investiga&#231;&#227;o e Interven&#231;&#227;o Social (Cis-IUL), Lisboa, Portugal. E-mail</i>: <a href="mailto:patricia.arriaga@iscte.pt">patricia.arriaga@iscte.pt</a></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><sup>*</sup><a href="#c0">Autor para correspond&#234;ncia</a><a name="topc0"></a></font></p>      <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Este artigo investigou se diferen&#231;as individuais, como o g&#233;nero e a intelig&#234;ncia emocional, contribuem para a detec&#231;&#227;o da mentira e da honestidade. Adicionalmente, foram analisados os ind&#237;cios usados nos julgamentos de mentira. Noventa estudantes universit&#225;rios de ambos os sexos foram expostos a oito grava&#231;&#245;es em v&#237;deo que exibiam pessoas adultas (quatro homens e quatro mulheres) a responder &#224;s mesmas quest&#245;es numa entrevista (metade mentiu; a outra metade foi honesta). No geral, a percentagem de respostas correctas para a detec&#231;&#227;o da mentira foi aproximadamente o que seria de esperar em respostas ao acaso; para a detec&#231;&#227;o da honestidade a precis&#227;o foi inferior a valores ao acaso. Os participantes tamb&#233;m responderam com maior frequ&#234;ncia que os alvos foram &#8220;desonestos&#8221;, sugerindo um enviesamento nos seus julgamentos. Os acertos n&#227;o se mostraram associados &#224; maioria das dimens&#245;es de intelig&#234;ncia emocional. Em rela&#231;&#227;o a diferen&#231;as de g&#233;nero, os participantes do sexo masculino foram significativamente mais precisos na detec&#231;&#227;o da mentira, enquanto as mulheres foram mais precisas na detec&#231;&#227;o da honestidade, independentemente do g&#233;nero do alvo. V&#225;rias poss&#237;veis explica&#231;&#245;es emergiram e foram discutidas com base na pesquisa e teoria nesta &#225;rea.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave</b>: detec&#231;&#227;o da mentira e honestidade, diferen&#231;as individuais, g&#233;nero, intelig&#234;ncia emocional</font></p>  <hr size="1" noshade>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">This article examined whether individual differences, such as gender and emotional intelligence, contribute to detecting lying and honesty. Additionally, the cues used in judgments about lying were analysed. Ninety male and female university students were exposed to eight videotapes showing adult persons (four men and four women) answering the same questions in an interview (half were telling the truth; the other half were lying). Overall, the percentage of accurate lie detection was nearly what would be expected by chance; accurate honesty detection was below chance. Participants also responded more often that targets were &#8220;dishonest&#8221;, suggesting that a bias occurred in their judgments. Accuracy was unrelated to most emotional intelligence dimensions. Regarding gender differences, male participants were significantly more accurate in detecting lying, whereas women were more accurate in detecting honesty, regardless of the gender of the target. Several possible explanations were raised and discussed based on research and theory in this area.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Keywords</b>: detecting lying and honesty, individual differences, gender, emotional intelligence</font></p>  <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2">Para o senso comum, mentir &#233; considerado um acto imoral e que facilmente &#233; detectado (Masip, 2005). A mentira faz parte do nosso desenvolvimento social, sendo um aspecto marcante nas nossas rela&#231;&#245;es sociais (Gervais, Tremblay, &#38; H&#233;roux, 1998). Aprendemos a diferenciar os contextos onde a mentira pode ser usada e o tipo de mentira que &#233; mais adequado. Mentir &#233;, assim, um comportamento complexo, que pode estar associado a caracter&#237;sticas individuais bem como ao contexto social. Embora v&#225;rias defini&#231;&#245;es de &#8220;mentira&#8221; tenham sido propostas, no presente artigo este conceito &#233; definido como &#8220;a mensagem que uma pessoa transmite a outra, na qual est&#225; deliberadamente a engan&#225;-la&#8221; (Ennis, Vrij, &#38; Chance, 2008, p. 105).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A maioria dos estudos sobre detec&#231;&#227;o da mentira tem avaliado a precis&#227;o com que as pessoas conseguem detectar a mentira e os ind&#237;cios utilizados. O procedimento mais comum &#233; a apresenta&#231;&#227;o de entrevistas em v&#237;deo, onde se pede uma avalia&#231;&#227;o ao observador sobre a veracidade ou a mentira das afirma&#231;&#245;es de outras pessoas. Por vezes, tamb&#233;m se questiona os ind&#237;cios usados pelo observador e a sua confian&#231;a no julgamento efectuado.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A investiga&#231;&#227;o tem revelado que a probabilidade de detectar a mentira &#233; pouco superior a 50%, indicativa de acertos ligeiramente acima do acaso <i>(e.g.,</i> Crossman, &#38; Lewis, 2006; Ekman, Franck, &#38; O&#8217;Sullivan, 1999; Vrij, 2004). Assim, ao contr&#225;rio da ideia de senso comum de que somos facilmente capazes de detectar a mentira nos outros, a investiga&#231;&#227;o tem mostrado a dificuldade em o fazer.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">De um modo geral, os julgamentos sobre a mentira baseiam-se em ind&#237;cios n&#227;o-verbais e verbais, embora haja uma maior tend&#234;ncia para inferir a mentira a partir de ind&#237;cios n&#227;o verbais (Vrij &#38; Taylor, 2003). Os comportamentos que s&#227;o percebidos como mais denunciadores da mentira s&#227;o: desviar o olhar, estar nervoso, corar, exibir muitos movimentos corporais (sobretudo com bra&#231;os e m&#227;os), hesitar, fazer pausas no discurso, ter um discurso inconsistente e incoerente <i>(The Global Deception Team,</i> 2006). A investiga&#231;&#227;o tem tamb&#233;m mostrado que as cren&#231;as sobre o modo como as pessoas reagem quando mentem s&#227;o partilhadas pelas pessoas em geral e por profissionais que trabalham nessa &#225;rea, embora sejam na sua maioria incorrectas (Mann, Vrij, &#38; Bull, 2004; Vrij, 2004; Vrij &#38; Taylor, 2003). Estes resultados podem estar relacionados com dificuldades dos observadores em identificar a mentira, com a capacidade dos observados em ocultar a mentira, ou com ambos os factores (Edelstein, Goodman, Ekman &#38; Luten, 2006). Um dos argumentos a favor da manifesta dificuldade das pessoas em detectar a mentira prende-se com o facto de se basearem em ind&#237;cios opostos &#224; presen&#231;a de mentira. Efectivamente, ao contr&#225;rio das ideias de senso comum, a investiga&#231;&#227;o tem mostrado que, quando mentem, as pessoas procuram controlar as suas emo&#231;&#245;es (i.e., suprimir o nervosismo), o que geralmente se traduz na falta de espontaneidade, pouco envolvimento, reduzida manifesta&#231;&#227;o de movimentos corporais, e pouca frequ&#234;ncia de desvio do olhar e do pestanejar (Vrij, 2004).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Parece tamb&#233;m existir ainda uma maior tend&#234;ncia para julgar os outros como honestos do que mentirosos (Levine, Park &#38; McCornack, 1999). Na maioria das vezes, as pessoas tendem a formar uma boa impress&#227;o sobre a honestidade dos outros (Stapel, Koomen, &#38; van der Pligt, 1996). A forma&#231;&#227;o de julgamentos sociais positivos baseados na honestidade e na credibilidade do outro pode ter vantagens sociais importantes, justificando por isso o facto de dirigirmos mais a aten&#231;&#227;o para ind&#237;cios que sugerem que a pessoa est&#225; a ser honesta. Sendo assim, &#233; mais f&#225;cil julgar a mentira como verdade do que julgar a verdade como mentira. H&#225;, no entanto, excep&#231;&#245;es. Por exemplo, as pesquisas desenvolvidas por Ekman e colaboradores (Ekman &#38; O&#8217;Sullivan, 1991; Ekman, O&#8217;Sullivan, &#38; Frank, 1999) evidenciaram resultados opostos em amostras de agentes policiais; no geral, estes indiv&#237;duos foram mais precisos na identifica&#231;&#227;o da mentira do que da honestidade. Segundo os autores, o facto de estes grupos de profissionais lidarem com criminosos, pode explicar a maior desconfian&#231;a nos alvos e um maior enviesamento na detec&#231;&#227;o da mentira. Relativamente &#224; percep&#231;&#227;o dos adultos em detectar a mentira em crian&#231;as, Crossman e Lewis (2006) tamb&#233;m verificaram que, quando na folha de resposta lhes era retirada a hip&#243;tese de resposta &#8220;n&#227;o sei&#8221;, os adultos tendiam a percepcionar as crian&#231;as como sendo mais mentirosas do que honestas. Edelstein e co-autores (2006) compararam a detec&#231;&#227;o da mentira em adultos e crian&#231;as-alvo, tendo verificado que a mentira foi detectada com mais precis&#227;o nas crian&#231;as do que nos adultos, e que a verdade foi melhor detectada nos adultos. Verificaram tamb&#233;m uma forte rela&#231;&#227;o entre a capacidade para detectar a mentira nas crian&#231;as e a detec&#231;&#227;o de mentira nos adultos, o que sugere a poss&#237;vel exist&#234;ncia de caracter&#237;sticas individuais nesta capacidade.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Entre os v&#225;rios factores que podem contribuir para a detec&#231;&#227;o da mentira, a motiva&#231;&#227;o do autor para mentir, a prepara&#231;&#227;o e a experi&#234;ncia do observador, t&#234;m sido referidos como os mais relevantes (Bond &#38; De Paulo, 2006). Esta maior aptid&#227;o foi igualmente verificada em indiv&#237;duos que, por raz&#245;es profissionais, lidavam com a detec&#231;&#227;o da mentira (agentes de servi&#231;os secretos, ju&#237;zes, psic&#243;logos). No estudo de Ekman e O&#8217;Sullivan (1991), entre os v&#225;rios grupos de profissionais estudados, o grupo de agentes de servi&#231;os secretos foi o que obteve uma percentagem de acertos superior. &#201; importante destacar que, embora os profissionais consigam detectar com maior precis&#227;o a mentira do que a popula&#231;&#227;o em geral, a percentagem de acertos tamb&#233;m tem sido ligeiramente acima dos 50%, embora seja superior quando se baseia simultaneamente em ind&#237;cios verbais e n&#227;o verbais (Vrij, 2004).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A pesquisa sobre as vari&#225;veis individuais do observador associadas a maior capacidade de detectar a mentira n&#227;o tem evidenciado resultados consistentes. Em termos de diferen&#231;as de g&#233;nero, alguns estudos t&#234;m mostrado que as mulheres tendem a ser mais precisas do que os homens em descodificar comunica&#231;&#227;o n&#227;o verbal (Hall, 1984). Por&#233;m, ao n&#237;vel da detec&#231;&#227;o da mentira, a investiga&#231;&#227;o sugere que n&#227;o h&#225; diferen&#231;as de g&#233;nero, embora possam existir factores moderadores que evidenciem diferen&#231;as de g&#233;nero. Por exemplo, a meta-an&#225;lise conduzida por Aamodt e Custer (2006) mostra que, no geral, n&#227;o h&#225; diferen&#231;as de g&#233;nero na detec&#231;&#227;o da mentira. Por&#233;m, ao verificarem que a percentagem da variabilidade devido a erro da amostragem era inferior a 75%, foram investigar potenciais moderadores. Verificaram que os homens respons&#225;veis pela aplica&#231;&#227;o da lei <i>(e.g.,</i> corpora&#231;&#245;es policiais) eram os mais eficientes a detectar a mentira, enquanto no grupo de n&#227;o profissionais na &#225;rea, as mulheres eram ligeiramente mais eficientes do que os homens. No entanto, os autores alertam para o facto de estas diferen&#231;as serem marginais e estatisticamente n&#227;o significativas. Em meta-an&#225;lises conduzidas por outros autores n&#227;o foram identificadas diferen&#231;as de g&#233;nero (Bond &#38; DePaulo, 2006, 2008). Parece-nos, no entanto, relevante ter em considera&#231;&#227;o, n&#227;o apenas a capacidade de detectar a mentira, mas outros factores que poder&#227;o evidenciar formas distintas na avalia&#231;&#227;o da honestidade e da mentira. Por exemplo, a investiga&#231;&#227;o tem sido inconclusiva a prop&#243;sito dos ind&#237;cios que os homens e as mulheres sinalizam durante a avalia&#231;&#227;o da mentira. A este prop&#243;sito, Hurd e Noller (1988) verificaram que as mulheres recorrem a um maior n&#250;mero de ind&#237;cios do que os homens e demoram mais tempo a tomar uma decis&#227;o, em particular quando se trata de avaliar a mentira e a honestidade dos homens. Verificaram ainda que as mulheres tendem a prestar mais aten&#231;&#227;o a ind&#237;cios expl&#237;citos do que encobertos, quando avaliam alvos do sexo oposto. Por contraste, os homens expressam maior confian&#231;a nos seus julgamentos em geral (embora maior desconfian&#231;a quando avaliam a honestidade do que a mentira) e demoram menos tempo a formar uma opini&#227;o.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Numa outra perspectiva, a investiga&#231;&#227;o tamb&#233;m n&#227;o tem mostrado diferen&#231;as de g&#233;nero na frequ&#234;ncia com que os homens e as mulheres mentem, apesar de se diferenciarem na forma e tipo de mentira, dependendo da natureza da rela&#231;&#227;o <i>(e.g.,</i> DePaulo, Epstein, &#38; Wyer, 1993; DePaulo, Kirkendol, Kashy, Wyer, &#38; Epstein, 1996). Apesar de as pessoas terem tend&#234;ncia para mentir em benef&#237;cio pr&#243;prio, DePaulo e co-autores (1993, 1996) referem diferen&#231;as de g&#233;nero nas motiva&#231;&#245;es e tipo de mentira: por compara&#231;&#227;o com os homens, as mulheres tendem a mentir com motiva&#231;&#245;es mais orientadas para os outros e a mentir menos para benef&#237;cio pr&#243;prio. Mas o mais interessante nos resultados obtidos por DePaulo e co-autores (1996) foi o facto de este tipo de mentira - orientada para o outro - ser mais predominante nas interac&#231;&#245;es entre mulheres do que na interac&#231;&#227;o de mulheres com elementos do sexo oposto. A investiga&#231;&#227;o em outros dom&#237;nios mostra diferen&#231;as de g&#233;nero nas interac&#231;&#245;es sociais. Por exemplo, em interac&#231;&#245;es com elementos do mesmo sexo, as mulheres tendem a exibir menos comportamentos de valoriza&#231;&#227;o pessoal do que quando interagem com um homem; este tipo de comportamento tende a ocorrer com menor frequ&#234;ncia quando comparado com as interac&#231;&#245;es dos homens com o mesmo sexo ou com o sexo oposto (DePaulo <i>et al.,</i> 1996). Efectivamente, os homens e as mulheres manifestam, desde a inf&#226;ncia, experi&#234;ncias de socializa&#231;&#227;o distintas, havendo uma maior tend&#234;ncia para o desenvolvimento de la&#231;os de maior proximidade entre elementos do mesmo sexo (Maltz &#38; Borker, 1982). A maior proximidade entre elementos do mesmo sexo poder&#225; contribuir para uma maior precis&#227;o na compreens&#227;o do outro e na partilha de estilos de comunica&#231;&#227;o.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">As diferen&#231;as atr&#225;s mencionadas levam-nos a considerar a import&#226;ncia de analisar, n&#227;o apenas diferen&#231;as de g&#233;nero na capacidade de detectar a mentira, mas tamb&#233;m de explorar a interac&#231;&#227;o entre o sexo do observador e o sexo do alvo em julgamentos de mentira e de honestidade.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">V&#225;rios autores sugerem ainda que a capacidade de detectar a mentira poder&#225; estar associada a certas aptid&#245;es individuais. A investiga&#231;&#227;o nesta &#225;rea &#233; reduzida e por esta raz&#227;o torna-se dif&#237;cil concluir sobre o papel de tra&#231;os ou de outras caracter&#237;sticas individuais na detec&#231;&#227;o da mentira. Por exemplo, Aamodt e Custer (2006) identificaram apenas tr&#234;s estudos que mediram o Neuroticismo, cinco estudos que avaliaram a Extrovers&#227;o e quatro estudos a Auto-monitoriza&#231;&#227;o. Apesar da impossibilidade de extrair uma conclus&#227;o com base neste limitado n&#250;mero de estudos, os autores destacam como potencial preditora da detec&#231;&#227;o da mentira, a auto-monitoriza&#231;&#227;o, i.e., a tend&#234;ncia de um indiv&#237;duo para monitorizar, no ambiente e nos outros, ind&#237;cios que lhe permitam regular e controlar o seu comportamento, de modo a adequar-se a situa&#231;&#245;es sociais e rela&#231;&#245;es interpessoais. Destaque-se ainda que a investiga&#231;&#227;o de Schutte e colaboradores (2001) mostrou uma rela&#231;&#227;o positiva entre a auto-monitoriza&#231;&#227;o e a intelig&#234;ncia emocional (IE), sugerindo que caracter&#237;sticas como a capacidade de compreens&#227;o das emo&#231;&#245;es dos outros e de empatia (centrais ao conceito de IE) possam facilitar a auto-monitoriza&#231;&#227;o, no sentido de uma melhor adapta&#231;&#227;o &#224;s circunst&#226;ncias sociais.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Nesta perspectiva, consider&#225;mos a possibilidade de a IE poder estar associada &#224; capacidade de detectar com maior precis&#227;o a mentira (cf. Edelstein <i>et al.,</i> 2006). Segundo Ekman e O&#8217;Sullivan (1991), os indiv&#237;duos com mais acertos na detec&#231;&#227;o da mentira possuiriam uma maior capacidade para detectar e descodificar a informa&#231;&#227;o que &#233; transmitida pelo outro. &#201; neste sentido que introduzimos nesta investiga&#231;&#227;o a eventual relev&#226;ncia da IE na detec&#231;&#227;o da mentira e da honestidade nos outros.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O conceito de IE surgiu nos anos 90 atrav&#233;s de Salovey e Mayer (cf. Rego &#38; Fernandes, 2005) e tem sido definido como a capacidade de percepcionar e expressar as emo&#231;&#245;es, perceber, utilizar e gerir as emo&#231;&#245;es pr&#243;prias e dos outros. Este conceito tem sido muito debatido na comunidade cient&#237;fica, existindo ainda alguns problemas ao n&#237;vel da sua defini&#231;&#227;o e do seu enquadramento enquanto factor de &#8220;intelig&#234;ncia&#8221; ou como dimens&#227;o de &#8220;personalidade&#8221;. De um modo geral, a IE engloba quatro capacidades b&#225;sicas: a regula&#231;&#227;o de emo&#231;&#245;es; a compreens&#227;o e an&#225;lise de emo&#231;&#245;es; o acesso a emo&#231;&#245;es que auxiliem processos cognitivos e a aptid&#227;o para percepcionar, avaliar e expressar emo&#231;&#245;es (Rego &#38; Fernandes, 2005). Para avaliar este conceito, a maioria das medidas desenvolvidas tem sido de auto-avalia&#231;&#227;o ou de desempenho (Bueno &#38; Primi, 2003). Nas medidas de desempenho, a avalia&#231;&#227;o &#233; externa e a sua administra&#231;&#227;o tende a ser complexa. Nas avalia&#231;&#245;es por auto-relato tende a ocorrer maior enviesamento nas respostas, visto a avalia&#231;&#227;o ser interna, muito influenciada pela desejabilidade social e, por estas raz&#245;es, poder n&#227;o corresponder &#224; realidade (Zeidner, Roberts &#38; Matthews, 2008).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A presente investiga&#231;&#227;o surgiu com o prop&#243;sito de tentar preencher uma lacuna na investiga&#231;&#227;o relativa ao estudo da capacidade de detectar a mentira e da honestidade e sua rela&#231;&#227;o com factores individuais, entre os quais destac&#225;mos para an&#225;lise o g&#233;nero (do observador e do alvo) e a IE. Ser&#227;o ainda estudados os ind&#237;cios em que os participantes se baseiam durante este tipo de julgamentos.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Atendendo aos resultados de outras investiga&#231;&#245;es <i>(e.g.,</i> Crossman &#38; Lewis, 2006; Ekman <i>et al.,</i> 1999), &#233; esperado que ocorram dificuldades na detec&#231;&#227;o da mentira, o que corresponder&#225; a uma m&#233;dia de acertos pouco superior a 50%.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Pelo facto de se efectuar a avalia&#231;&#227;o junto de alvos adultos, &#233; esperado que os participantes detectem melhor a honestidade do que a mentira (cf. Levine <i>et al.,</i> 1999), pelo que se espera um maior n&#250;mero de acertos quando o alvo &#233; honesto do que quando &#233; desonesto.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Em rela&#231;&#227;o &#224;s vari&#225;veis individuais (g&#233;nero e IE), as an&#225;lises ser&#227;o explorat&#243;rias, na medida em que os resultados da literatura n&#227;o s&#227;o conclusivos. Por&#233;m, em termos te&#243;ricos, &#233; poss&#237;vel avan&#231;ar com algumas hip&#243;teses.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">De um modo geral, a pesquisa tem mostrado que a precis&#227;o deste tipo de julgamentos &#233; semelhante para ambos os sexos. No entanto, &#233; poss&#237;vel que existam diferen&#231;as em fun&#231;&#227;o do sexo do observador, do tipo de julgamento efectuado e dos ind&#237;cios usados na forma&#231;&#227;o dos julgamentos. As diferen&#231;as de g&#233;nero no modo de estabelecimento das rela&#231;&#245;es interpessoais e estilos de comunica&#231;&#227;o, levam-nos a colocar a possibilidade de as d&#237;ades do mesmo sexo manifestarem maior capacidade para detectar com precis&#227;o ind&#237;cios de mentira e de honestidade nos alvos.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A n&#237;vel de tra&#231;os ou de outras caracter&#237;sticas disposicionais, a pesquisa n&#227;o tem encontrado evid&#234;ncias da sua associa&#231;&#227;o &#224; capacidade de efectuar julgamentos precisos de mentira e de honestidade <i>(e.g.,</i> Bond &#38; DePaulo, 2006, 2008). No entanto, a n&#237;vel te&#243;rico ser&#225; de esperar que certas dimens&#245;es interpessoais de IE, como a compreens&#227;o das emo&#231;&#245;es nos outros e a empatia, possam estar associadas &#224; capacidade de detectar com maior precis&#227;o ind&#237;cios de mentira e de honestidade nos outros (e.g., Edelstein <i>et al.,</i> 2006).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b></a>M&#233;todo</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Participantes</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Participaram 90 estudantes universit&#225;rios, 61 do sexo feminino (67,8%) e 29 do sexo masculino (32,2%). Os participantes tinham entre 18 e 41 anos (M = 23,70; <i>DP</i> = 4,58). As suas habilita&#231;&#245;es liter&#225;rias variavam entre 12 e 16 anos de escolaridade completos (M = 13,70; <i>DP</i> = 1,6).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Medidas</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Honestidade e Mentira do alvo.</i> Para a manipula&#231;&#227;o intra-sujeitos da honestidade (vs. mentira) do alvo, filmaram-se oito entrevistas a estudantes de Psicologia entre os 22 e 30 anos de idade. Estes indiv&#237;duos aceitaram colaborar na investiga&#231;&#227;o e assinaram um consentimento informado para autorizar o uso do v&#237;deo na experi&#234;ncia. Foram constitu&#237;dos dois grupos: um grupo honesto e outro grupo que mentiu em todas as perguntas da entrevista. Cada grupo ficou composto por quatro elementos: dois rapazes e duas raparigas. Foi-lhes apenas dito que iriam participar num jogo, seguido de uma entrevista e filmagem. Aos estudantes do grupo que mentiu foi-lhes pedido que mentissem da melhor forma poss&#237;vel a todas as perguntas, como se estivessem a representar. A sess&#227;o de &#8220;jogo&#8221; foi adaptada do estudo de Edelstein e co-autores (2006), na qual uma assistente toca uma vez no nariz, na barriga, na orelha e no pesco&#231;o dos indiv&#237;duos; o grupo que mentiu n&#227;o assistiu a essa sess&#227;o. Em seguida, todos os indiv&#237;duos foram submetidos a uma entrevista filmada em <i>close-up,</i> sem dissimula&#231;&#227;o da c&#226;mara de v&#237;deo. Nessas entrevistas foram colocadas nove quest&#245;es, baseadas na lista de perguntas usadas por Edelstein e co-autores (2006). A entrevista era assim composta pelas seguintes quest&#245;es: (1) &#8220;Quantos anos tem?&#8221;; (2) &#8220;A assistente tocou-lhe?&#8221;; (3) &#8220;Ela tocou-lhe no nariz?&#8221;; (4) &#8220;Quantas vezes &#233; que ela tocou no seu nariz?&#8221;; (5) &#8220;A assistente tocou-lhe na barriga?&#8221;; (6) &#8220;Quantas vezes &#233; que ela lhe tocou?&#8221;; (7) &#8220;A assistente tocou-lhe na orelha?&#8221;; (8) &#8220;A assistente tocou-lhe no pesco&#231;o?&#8221;; (9) &#8220;Est&#225; a ser sincero?&#8221;. As quest&#245;es eram de resposta fechada. Para que o entrevistador n&#227;o influenciasse as respostas dos indiv&#237;duos, as quest&#245;es foram previamente gravadas e colocadas durante a entrevista mediante o recurso a um gravador. Cada entrevista teve a dura&#231;&#227;o aproximada de um minuto. No fim da entrevista, foi dada uma informa&#231;&#227;o <i>(debriefing)</i> sobre os principais objectivos da investiga&#231;&#227;o e agradeceu-se a colabora&#231;&#227;o dos volunt&#225;rios. As entrevistas foram editadas para um <i>DVD, </i>onde cada indiv&#237;duo-alvo foi identificado por um n&#250;mero, no menu principal.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Detec&#231;&#227;o da mentira e da honestidade</i>. A capacidade de detectar a mentira e a honestidade dos alvos foi operacionalizada atrav&#233;s do n&#250;mero de acertos dos participantes. Para este efeito, foi desenvolvido um question&#225;rio de resposta fechada, solicitando-se a avalia&#231;&#227;o da mentira ou da honestidade de cada alvo, com duas op&#231;&#245;es de resposta: honesto ou desonesto. Se o participante avaliasse o alvo como desonesto, era-lhe pedido que assinalasse os tipos de comportamentos que lhe permitiram afirmar que o alvo teria mentido. Os tipos de comportamentos que o participante podia assinalar foram baseados nos ind&#237;cios do estudo desenvolvido pelos autores do grupo de investiga&#231;&#227;o <i>&#8220;The Global Deception Team&#8221;</i> (2006), i.e., desvio do olhar, nervosismo, hesitar, corar, movimentos corporais, a express&#227;o facial, as pausas no discurso, a inconsist&#234;ncia e a incoer&#234;ncia do discurso. Neste inqu&#233;rito foi ainda pedido que o participante assinalasse se conhecia os indiv&#237;duos sob observa&#231;&#227;o e avalia&#231;&#227;o.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Intelig&#234;ncia Emocional.</i> Para avaliar a IE foi usada a escala de auto-relato de Intelig&#234;ncia Emocional da autoria de Rego e Fernandes (2005). Esta escala &#233; composta por 21 itens com formato de resposta de sete pontos, que variam entre 1 (&#8220;A afirma&#231;&#227;o n&#227;o se aplica rigorosamente nada a mim&#8221;) e 7 (&#8220;A afirma&#231;&#227;o aplica-se completamente a mim&#8221;). A escala avalia as seguintes seis dimens&#245;es: (1) <i>Sensibilidade Emocional,</i> que engloba a percep&#231;&#227;o das emo&#231;&#245;es do pr&#243;prio e dos outros e o auto-controlo quando submetido a cr&#237;ticas (e.g., &#8220;Tenho dificuldade em conversar com pessoas que n&#227;o partilham pontos de vista id&#234;nticos aos meus&#8221;); (2) <i>Empatia,</i> correspondente &#224; capacidade de sintonia com os outros (e.g., &#8220;Quando algum amigo meu ganha um pr&#233;mio, sinto-me feliz por ele&#8221;); (3) <i>Compreens&#227;o das pr&#243;prias emo&#231;&#245;es,</i> referente &#224; percep&#231;&#227;o, avalia&#231;&#227;o e express&#227;o das emo&#231;&#245;es (e.g., &#8220;Sei bem o que sinto&#8221;); (4) <i>Auto-encorajamento,</i> respeitante ao uso das emo&#231;&#245;es (e.g., &#8220;Normalmente encorajo-me a mim pr&#243;prio para dar o meu melhor&#8221;); (5) <i>Compreens&#227;o das emo&#231;&#245;es dos outros (e.g.,</i> &#8220;Consigo compreender as emo&#231;&#245;es e sentimentos dos meus amigos vendo os seus comportamentos&#8221;); e (6) <i>Auto-controlo emocional,</i> abrangendo o controlo das emo&#231;&#245;es em situa&#231;&#245;es de carga emocional (e.g., &#8220;Reajo com calma quando estou sob tens&#227;o&#8221;). O estudo de Rego e Fernandes (2005) mostrou que a IE apresenta boas qualidades psicom&#233;tricas no geral, nomeadamente em termos de fidelidade, com valores de consist&#234;ncia interna adequados para todas as dimens&#245;es (i.e., alfa de Cronbach &#62; 0,70).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><i>Procedimentos</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os participantes foram abordados numa universidade de Lisboa, onde lhes foi solicitada a colabora&#231;&#227;o. No consentimento informado a experi&#234;ncia foi descrita de forma breve. De in&#237;cio foram preenchidos os dados sociodemogr&#225;ficos (e.g., idade, sexo, habilita&#231;&#245;es acad&#233;micas, estado civil, etnia, religi&#227;o) e a escala de IE. Em seguida, foi descrito o tipo de cen&#225;rio das entrevistas e explicada a tarefa, que consistia em responder a um breve question&#225;rio sobre a percep&#231;&#227;o da honestidade ou da mentira de v&#225;rias pessoas. Cada participante visionou individualmente as oito entrevistas em sequ&#234;ncias aleat&#243;rias. Foi pedido que indicasse o n&#250;mero do v&#237;deo que tinha visualizado, que assinalasse se j&#225; tinha visto ou se tinha conhecimento anterior acerca dos indiv&#237;duos sob observa&#231;&#227;o. N&#227;o foi fornecida qualquer outra informa&#231;&#227;o ao participante durante a experi&#234;ncia. No fim da sess&#227;o foi dada informa&#231;&#227;o (d<i>ebriefing)</i>, tendo sido explicados com maior detalhe os objectivos da experi&#234;ncia.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Resultados</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Detec&#231;&#227;o da mentira e da honestidade</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Numa primeira fase, avaliou-se os resultados para os acertos em geral (honestidade e mentira, em conjunto). Verificou-se que o m&#237;nimo foi de zero acertos e o m&#225;ximo de seis acertos, com uma m&#233;dia abaixo dos quatro acertos <i>(M</i> = 3,20; <i>DP</i> = 1,21). Efectivamente, em m&#233;dia apenas 40% responderam correctamente a mais de tr&#234;s v&#237;deos sobre a honestidade/desonestidade dos alvos.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Com o intuito de testar se o n&#250;mero de acertos dependeu da honestidade ou da mentira do alvo, em fun&#231;&#227;o do sexo do participante e do sexo do alvo, foi efectuada uma An&#225;lise de Vari&#226;ncia (ANOVA) com os seguintes tr&#234;s factores: 2 (Sexo do participante) X 2 (Sexo do alvo) x 2 (Honestidade do alvo: honesto vs desonesto). O primeiro factor (Sexo do participante) &#233; inter-sujeito e os restantes dois (Sexo do alvo e Honestidade do alvo) s&#227;o intra-sujeitos. Para facilitar a compreens&#227;o dos resultados, apresentamos os valores em termos das m&#233;dias de percentagens de acertos (Ver <a href="/img/revistas/psi/v24n2/24n2a03f1.jpg">Figura 1</a>).</font></p>      
<p><font face="Verdana" size="2">Registou-se um efeito principal da Honestidade do alvo, <i>F</i> (1, 88) = 26,47, <i>p</i> &#60;0,001, &#951;<sup>2</sup><sub>p</sub> = 0,23, e efeitos de interac&#231;&#227;o entre Honestidade do alvo X Sexo do participante, <i>F</i> (1, 88) = 6,26, <i>p</i> &#60;0,05, q<sup>2</sup><sub>p</sub> = .07, e entre Sexo do alvo x Sexo do participante, <i>F</i> (1, 88) = 5,12, <i>p</i> &#60;0,05, q<sup>2</sup><sub>p</sub> = .06. As interac&#231;&#245;es foram analisadas com base em an&#225;lises de efeitos simples da interac&#231;&#227;o, com ajustamentos <i>Bonferroni.</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O efeito principal da condi&#231;&#227;o Honestidade do alvo mostra que ocorreram mais acertos quando o alvo mentiu (M = 50,56%; <i>DP</i> = 27,79) do que quando foi honesto (M = 29,44%; <i>DP</i> = 26,65). O n&#250;mero de acertos na detec&#231;&#227;o da mentira mostrou-se negativamente associado &#224; detec&#231;&#227;o da honestidade, <i>r</i> (90) = -0,38, <i>p</i> &#60; 0,001, sugerindo que quanto maior o n&#250;mero de acertos na mentira, menor o n&#250;mero de acertos na honestidade do alvo, e vice-versa. No entanto, tendo em conta que metade dos alvos na presente investiga&#231;&#227;o mentiu e a outra metade testemunhou a verdade, &#233; poss&#237;vel que tenham ocorrido enviesamentos nos julgamentos (i.e., tend&#234;ncia para julgar os alvos como honestos ou, por contraste, como mentirosos). Por esta raz&#227;o, avaliou-se a diferen&#231;a entre o n&#250;mero de respostas para julgamentos de mentira e o n&#250;mero de respostas de julgamentos sobre a honestidade dos alvos. Valores &#8220;zero&#8221; indicam a aus&#234;ncia de enviesamento. Verificou-se que a maioria dos participantes (70%) manifestou tend&#234;ncia para responder que os alvos mentiram; 20% manifestou enviesamentos sobre a honestidade dos alvos; e apenas 10 % n&#227;o manifestaram enviesamentos.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">No que se refere &#224; interac&#231;&#227;o entre a Honestidade do alvo e o Sexo do participante, os resultados evidenciaram que, quando o alvo &#233; honesto, o sexo feminino identifica mais vezes a honestidade <i>(M</i> = 33,61%; <i>DP</i> = 28,09%) do que o sexo masculino (M = 20,69%; <i>DP</i> = 21,20%), <i>F</i> (1, 88) = 4,81, <i>p</i> &#60;0,05, &#951;<sup>2</sup><sub>p</sub> = .05. Quando o alvo mente, o resultado tende a inverter-se, havendo uma tend&#234;ncia para os participantes do sexo masculino identificarem mais correctamente a mentira (M = 58,62%; <i>DP</i> = 21,42%) do que o sexo feminino (M = 46,72; <i>DP</i> = 29,75%), <i>F</i> (1, 88) = 3,71, <i>p</i> = 0,057, &#951;<sup>2</sup><sub>p</sub> = .04. Por&#233;m, &#233; de notar que, com excep&#231;&#227;o da identifica&#231;&#227;o da mentira por parte do sexo masculino, nas restantes situa&#231;&#245;es a percentagem de acertos foi inferior a 50%. &#201; igualmente importante ter em considera&#231;&#227;o o enviesamento nos julgamentos. Assim, apesar de ambos os sexos mostrarem um enviesamento para julgamentos de &#8220;mentira&#8221;, houve diferen&#231;as de g&#233;nero significativas, <i>t</i> (88) = 2,50, <i>p</i> &#60; 0,05. Os homens responderam um maior n&#250;mero de vezes que os alvos mentiram do que as mulheres (M = 3,03 vs. <i>M</i> = 1,05) (note-se que os valores positivos indicam que houve uma maior tend&#234;ncia para julgar os alvos como mentirosos do que honestos, j&#225; que corresponde &#224; diferen&#231;a no n&#250;mero de respostas para julgamentos de mentira em rela&#231;&#227;o a respostas de julgamentos sobre a honestidade).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Quanto ao efeito de interac&#231;&#227;o Sexo do alvo x Sexo do participante, verificou-se no sexo masculino que o n&#250;mero de acertos, quando o alvo &#233; feminino, &#233; marginalmente superior (M = 44,83%; <i>DP</i> = 20,46%) ao n&#250;mero de acertos quando o alvo &#233; masculino (M = 34,48; <i>DP</i> = 20,50), <i>F</i> (1, 88) = 3,13, <i>p</i> = 0,08, &#951;<sup>2</sup><sub>p</sub> = .03. Para os participantes do sexo feminino, o resultado, embora inverso (M = 43,03%, <i>DP</i> = 24,64% para alvo masculino e <i>M</i> = 37,30%, <i>DP</i> = 20,22 para alvo feminino), foi praticamente semelhante, n&#227;o se registando diferen&#231;as significativas nas m&#233;dias de acertos em fun&#231;&#227;o do sexo do alvo, <i>F</i> (1, 88) = 2,02, <i>p</i> &#62; 0,10.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><i>Indicadores de mentira</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A maioria dos ind&#237;cios de mentira considerados neste estudo (cf. <i>The Global Deception Team</i>, 2006) foi assinalada em percentagem superior a 50%. Dos nove ind&#237;cios em an&#225;lise, foram referidos em m&#233;dia cerca de cinco ind&#237;cios <i>(M</i> = 4,82; <i>DP</i> = 1,67). Os mais mencionados foram a &#8220;express&#227;o facial&#8221; (95,3%), o &#8220;nervosismo&#8221; (82,6%), &#8220;desviar o olhar&#8221; (73,3%), os &#8220;movimentos corporais&#8221; (62,8%) e &#8220;hesitar&#8221; (61,6%). O indicador considerado menos relevante foi a &#8220;incoer&#234;ncia&#8221; (14%).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Houve diferen&#231;as de g&#233;nero no n&#250;mero de ind&#237;cios mencionados, de modo que os homens referiram maior n&#250;mero de ind&#237;cios do que as mulheres (M = 5,39 vs. <i>M</i> = 4,55), <i>t</i> (68) = 2,45, <i>p</i> &#60; 0,05. Por outro lado, os participantes do sexo masculino (por compara&#231;&#227;o com as mulheres) reportaram com maior frequ&#234;ncia que a &#8220;inconsist&#234;ncia&#8221;, <i>x</i><sub>1</sub> (1, <i>n</i> = 86) = 5,50, <i>p</i> &#60; 0,05, a &#8220;incoer&#234;ncia&#8221;, <i>y2</i> (1, <i>n</i> = 86) = 4,22, <i>p</i> &#60;0,05, e os &#8220;movimentos corporais&#8221;, <i>x</i><sub>2</sub> (1, <i>n</i> = 86) = 4,43, <i>p</i> &#60;0,05, s&#227;o os indicadores que tiveram em considera&#231;&#227;o na avalia&#231;&#227;o da mentira dos alvos. Por contraste, &#8220;corar&#8221; foi referido pelas mulheres maior n&#250;mero de vezes quando os alvos eram percebidos como desonestos, <i>x</i><sub>2</sub> (1, <i>n</i> = 86) = 4,17,<i>p</i> &#60;0,05.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Correla&#231;&#245;es entre o n&#250;mero de acertos e a Intelig&#234;ncia Emocional</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Por &#250;ltimo, foram efectuadas correla&#231;&#245;es de Pearson entre as dimens&#245;es da escala IE e o n&#250;mero de acertos, para o conjunto da amostra e em fun&#231;&#227;o da honestidade/mentira dos alvos de ambos os sexos. Apenas foi estatisticamente significativa a associa&#231;&#227;o positiva entre a dimens&#227;o &#8220;Compreens&#227;o das emo&#231;&#245;es pr&#243;prias&#8221; e o n&#250;mero de acertos quando o alvo era do sexo feminino, <i>r</i> (90) = 0,21 , p &#60; 0 ,05, embora o valor da correla&#231;&#227;o fosse reduzido.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Discuss&#227;o</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O presente estudo teve como principal objectivo testar a capacidade na detec&#231;&#227;o da mentira e da honestidade em fun&#231;&#227;o do sexo do participante e do sexo do alvo, bem como analisar os ind&#237;cios que as pessoas mais referem quando detectam a mentira no alvo. Pretendeu-se ainda verificar a associa&#231;&#227;o entre essa capacidade e a IE.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Em primeiro lugar, destaca-se que a m&#233;dia de acertos no geral foi muito reduzida (40%). A literatura neste &#226;mbito tem referido valores globais de acertos inferir a 55%, sendo 50% consideradas estimativas ao acaso (Bond &#38; DePaulo, 2008). Os resultados obtidos mostram assim dificuldades dos participantes em detectarem a mentira e a honestidade nos outros. O m&#225;ximo de acertos n&#227;o ultrapassou os seis, dos oito poss&#237;veis (correspondente a 75%), n&#227;o havendo quem conseguisse identificar a honestidade e a mentira na totalidade. O valor m&#225;ximo de acertos &#233; pr&#243;ximo do referido na literatura. Por exemplo, na meta-an&#225;lise efectuada por Bond e DePaulo (2008), foi observada em m&#233;dia uma percentagem m&#225;xima de 75.70% de acertos com base em 93 amostras sob an&#225;lise. S&#227;o poss&#237;veis v&#225;rias interpreta&#231;&#245;es para estes resultados. Assim, &#224; semelhan&#231;a de outros estudos, a presente investiga&#231;&#227;o n&#227;o recorreu a avalia&#231;&#245;es presenciais dos comportamentos em que participante e alvo s&#227;o apresentados face a face; por outro lado, os alvos n&#227;o foram sujeitos a um julgamento em que a necessidade de mentir fosse eminente, como habitualmente ocorre em julgamentos efectuados em contexto prisional. Estes procedimentos podem ter contribu&#237;do para aumentar a dificuldade dos participantes em identificar ind&#237;cios de honestidade e de mentira que lhes permitissem uma maior precis&#227;o nas suas respostas (cf. Ekman <i>et al.,</i> 1999).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#201; igualmente importante destacar que houve uma maior percentagem de acertos quando o alvo mentiu (50,56%) do que quando foi honesto (29,44%). Numa primeira leitura, os resultados parecem contradizer a investiga&#231;&#227;o na &#225;rea, que mostra a maior facilidade das pessoas em identificar a verdade do que a mentira <i>(e.g.,</i> Levine <i>et al.,</i> 1999). No entanto, &#233; poss&#237;vel que as instru&#231;&#245;es fornecidas - &#8220;detectar a mentira e a honestidade nos outros&#8221; - possa ter tornado saliente a presen&#231;a de &#8220;mentira&#8221; nos alvos, contribuindo assim para enviesamentos nas respostas dos participantes. Verificou-se, efectivamente, que a maioria das respostas dos participantes foi no sentido de julgar os alvos como mais mentirosos do que honestos. De qualquer modo, destaca-se ainda que o n&#250;mero de acertos na detec&#231;&#227;o da mentira n&#227;o aumentou para valores superiores ao que &#233; referido na literatura, embora se verificasse que o n&#250;mero de acertos na detec&#231;&#227;o da honestidade tivesse sido muito reduzido e inferior ao esperado. A maior aten&#231;&#227;o focada na detec&#231;&#227;o da mentira pode assim explicar a maior precis&#227;o na sua detec&#231;&#227;o do que na da honestidade. &#201; poss&#237;vel que, em contextos naturais, as pessoas n&#227;o estejam t&#227;o alerta para a mentira. Mas como referem Hurd e Noller (1988), torna-se dif&#237;cil estudar a mentira em contexto de laborat&#243;rio, sem que o engano se torne muito saliente. Por outro lado, atendendo a que os participantes foram explicitamente solicitados a avaliar o comportamento de outros, tamb&#233;m n&#227;o &#233; poss&#237;vel afirmar algo sobre a sua espontaneidade (cf. Ambady &#38; Rosenthal, 1992). Outra interpreta&#231;&#227;o para estes resultados prende-se com o modo como as entrevistas aos alvos foram efectuadas. &#201; poss&#237;vel que a presen&#231;a da c&#226;mara de v&#237;deo influenciasse os comportamentos dos alvos durante a entrevista, contribuindo para que se sentissem pouco &#224;-vontade. A manifesta&#231;&#227;o de desconforto ou de pouca espontaneidade do alvo pode ter contribu&#237;do para uma maior desconfian&#231;a dos participantes sobre os testemunhos dos alvos. &#201; igualmente poss&#237;vel que existam diferen&#231;as individuais na capacidade destes indiv&#237;duos em mentir e reproduzir os ind&#237;cios que s&#227;o espontaneamente usados para a ocultar. Assim, para minimizar os efeitos da simula&#231;&#227;o no comportamento dos indiv&#237;duos e posterior influ&#234;ncia no julgamento, parece-nos relevante que futuras investiga&#231;&#245;es incluam um grupo de desonestos &#8220;espont&#226;neos&#8221;, ao inv&#233;s da utiliza&#231;&#227;o de entrevistas a indiv&#237;duos a quem &#233; pedido que &#8220;minta&#8221;. Ser&#225; tamb&#233;m importante que cada pessoa-est&#237;mulo seja filmada a mentir e a dizer a verdade, para controlo de diferen&#231;as individuais. O recurso a um maior n&#250;mero de pessoas-est&#237;mulo ser&#225; igualmente importante para aumentar a confian&#231;a na validade externa dos resultados obtidos.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Quanto &#224; compara&#231;&#227;o entre g&#233;neros, observou-se um efeito de interac&#231;&#227;o entre o sexo do participante e a honestidade do alvo, indicador de que as mulheres identificam com mais precis&#227;o a honestidade, enquanto os homens s&#227;o mais precisos a detectar a mentira. Este resultado &#233; interessante e &#233; contr&#225;rio &#224; pesquisa existente, que mostra n&#227;o existirem diferen&#231;as de g&#233;nero neste tipo de julgamentos, em particular no que se refere &#224; mentira. No entanto, devemos ter em considera&#231;&#227;o que os homens apresentaram um maior enviesamento para julgar os alvos como mentirosos. A investiga&#231;&#227;o tem mostrado que as pessoas c&#233;pticas e desconfiadas em rela&#231;&#227;o aos outros t&#234;m maior tend&#234;ncia para acreditar que os outros s&#227;o desonestos (Levine &#38; McCornack, 1991). A este prop&#243;sito, Hurd e colaboradores (1988) verificaram que os homens tinham tend&#234;ncia para suspeitar mais da honestidade do que da mentira. &#201; poss&#237;vel que esta maior desconfian&#231;a nos outros por parte dos homens possa ter contribu&#237;do para o maior enviesamento nas suas respostas, o que por sua vez pode explicar a maior precis&#227;o na detec&#231;&#227;o da mentira e menor precis&#227;o quando os alvos eram honestos. Seria assim importante, em futuras investiga&#231;&#245;es, determinar os processos psicol&#243;gicos explicativos dos resultados obtidos.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Verificou-se ainda uma tend&#234;ncia marginal para maiores acertos em participantes do sexo masculino quando o alvo era feminino sugerindo, numa primeira leitura, a maior capacidade dos homens em detectar ind&#237;cios nas mulheres do que em pessoas do mesmo sexo. No entanto, alguma cautela &#233; necess&#225;ria neste tipo de conclus&#227;o. Em primeiro lugar, porque a diferen&#231;a &#233; marginalmente significativa; em segundo lugar, porque a percentagem de acertos &#233; baixa; em terceiro lugar, porque os resultados sobre a detec&#231;&#227;o da mentira e da honestidade sugerem algum cuidado na generaliza&#231;&#227;o deste resultado para os dois tipos de julgamento; e em quarto lugar, por ser um resultado oposto &#224; teoria e &#224; investiga&#231;&#227;o na &#225;rea, que sugere que d&#237;ades do mesmo sexo poder&#227;o estar mais habilitadas a identificar com precis&#227;o ind&#237;cios de comportamento n&#227;o verbal e verbal. Por estas raz&#245;es, este resultado parece-nos inconclusivo e merecedor de investiga&#231;&#227;o adicional.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os resultados relativos aos ind&#237;cios comportamentais na detec&#231;&#227;o da mentira v&#227;o, de um modo geral, ao encontro das cren&#231;as do senso comum a este prop&#243;sito e mostram-se consistentes com a investiga&#231;&#227;o na &#225;rea <i>(e.g., The Global D&#233;ception Team,</i> 2006; Vrij, 2004; Vrij &#38; Taylor, 2003). Efectivamente, a maioria dos participantes referiu como mais relevantes para a detec&#231;&#227;o da mentira os indicadores n&#227;o verbais, entre os quais se destacam aqueles que a literatura tem mostrado serem inadequados na sua detec&#231;&#227;o (i.e., &#8220;nervosismo&#8221;, &#8220;desviar o olhar&#8221; e os acentuados &#8220;movimentos corporais&#8221;). Por contraste, os ind&#237;cios verbais, como a &#8220;incoer&#234;ncia&#8221;, as &#8220;pausas&#8221; e a &#8220;inconsist&#234;ncia&#8221;, foram assinalados como menos relevantes. De qualquer modo, foram os homens que referiram basear-se em maior n&#250;mero de ind&#237;cios do que as mulheres, embora seja de assinalar a exist&#234;ncia de diferen&#231;as de g&#233;nero no tipo de ind&#237;cios. As mulheres, por compara&#231;&#227;o com os homens, levam menos em considera&#231;&#227;o indicadores verbais, como a &#8220;inconsist&#234;ncia&#8221; ou a &#8220;incoer&#234;ncia&#8221;, e como mais relevante &#8220;corar&#8221;. &#201; poss&#237;vel que estes resultados possam estar relacionados com a maior aten&#231;&#227;o que geralmente as mulheres dedicam aos ind&#237;cios emocionais <i>(e.g.,</i> Freudenthaler, Neubauer, &#38; Haller, 2008).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Quanto &#224; relev&#226;ncia da IE para a detec&#231;&#227;o da mentira e da honestidade, os resultados foram pouco reveladores. A investiga&#231;&#227;o sobre a exist&#234;ncia de diferen&#231;as individuais na detec&#231;&#227;o da mentira e da honestidade &#233; reduzida embora, no geral, n&#227;o tenha identificado com consist&#234;ncia tra&#231;os que se associem a maior precis&#227;o neste tipo de julgamentos (ver meta-an&#225;lises de Aamodt &#38; Custer, 2006; Bond &#38; DePaulo, 2006, 2008). No presente estudo, verificou-se apenas que um maior relato de compreens&#227;o das pr&#243;prias emo&#231;&#245;es se associa a um maior n&#250;mero de acertos em alvos do sexo feminino. No entanto, o valor da correla&#231;&#227;o foi reduzido. O facto de o valor ser baixo e por ter sido a &#250;nica dimens&#227;o da IE associada ao n&#250;mero de acertos, leva-nos a minimizar a relev&#226;ncia deste resultado e a considerar a possibilidade de ser esp&#250;rio. De facto, entre as diferentes dimens&#245;es da IE, seria de esperar que fossem as dimens&#245;es interpessoais (e.g., compreens&#227;o das emo&#231;&#245;es nos outros e empatia) as principais preditoras da detec&#231;&#227;o da mentira e da honestidade. De qualquer modo, seria interessante conduzir investiga&#231;&#227;o adicional sobre a relev&#226;ncia da compreens&#227;o das pr&#243;prias emo&#231;&#245;es no tipo de julgamentos em estudo, no sentido de perceber a consist&#234;ncia deste resultado. Estudos anteriores evidenciaram que a auto-monitoriza&#231;&#227;o parece ser relevante para a detec&#231;&#227;o de mentira (cf. Aamodt &#38; Custer, 2006). Algumas das caracter&#237;sticas centrais em indiv&#237;duos com elevada auto-monitoriza&#231;&#227;o s&#227;o a capacidade de prestar aten&#231;&#227;o, regular, controlar e alterar o seu comportamento, de modo a ajustar-se &#224;s circunst&#226;ncias sociais. Esta capacidade de adapta&#231;&#227;o e de mudan&#231;a poder&#225; implicar maior consci&#234;ncia de si pr&#243;prio, em termos de sentimentos e pensamentos, estando associado &#224; IE (Schutte <i>et al., </i>2001). &#201; poss&#237;vel, por isso, que uma maior compreens&#227;o das pr&#243;prias emo&#231;&#245;es se mostre associada a maior capacidade para fazer julgamentos mais precisos sobre a mentira e a honestidade dos outros. De qualquer forma, deve-se tamb&#233;m ter em conta que a IE foi medida atrav&#233;s um instrumento de auto-avalia&#231;&#227;o e portanto sujeita a limita&#231;&#245;es pr&#243;prias (e.g., desejabilidade social). Os resultados obtidos evidenciam a necessidade de ser realizada investiga&#231;&#227;o adicional sobre este conceito, nomeadamente atrav&#233;s de outro tipo de medida. Na actualidade, a investiga&#231;&#227;o sobre vari&#225;veis individuais &#233; reduzida e baseada fundamentalmente em escalas de auto-relato. Seria interessante em estudos futuros analisar vari&#225;veis desta natureza com recurso a medidas indirectas.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Apesar das limita&#231;&#245;es referidas, gostar&#237;amos de concluir reafirmando a reduzida capacidade que as pessoas t&#234;m para detectar a mentira e a honestidade nos outros. Salientamos tamb&#233;m que a identifica&#231;&#227;o de factores que afectam a sua precis&#227;o continua por esclarecer. No presente trabalho investig&#225;mos o papel do g&#233;nero, considerando o sexo do alvo e a honestidade/mentira do alvo. Avaliou-se ainda a rela&#231;&#227;o entre a precis&#227;o neste tipo de julgamentos e a IE. Embora tenham sido detectadas diferen&#231;as de g&#233;nero, a maioria das dimens&#245;es da IE n&#227;o se mostrou associada a maior precis&#227;o nos julgamentos efectuados.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A import&#226;ncia da identifica&#231;&#227;o de factores individuais e contextuais que ajudem a detectar a mentira permanece central para a Psicologia, nomeadamente em &#225;reas t&#227;o diversas como a Psicologia Forense, Psicologia Organizacional, Psicologia Social e Psicologia Cl&#237;nica. Trata-se portanto de um fen&#243;meno social de extrema relev&#226;ncia, pelo que ser&#225; necess&#225;rio dar continuidade a estudos nesta &#225;rea de investiga&#231;&#227;o.</font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Refer&#234;ncias</b></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Aamodt, M., &#38; Custer, H. (2006). Who can best catch a liar?. <i>Forensic Examiner, 15,</i> 6-11.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468252&pid=S0874-2049201000020000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Ambady, N., &#38; Rosenthal, R. (1992). Thin slices of expressive behavior as predictors of interpersonal consequences: A meta-analysis. <i>Psychological Bulletin, 111,</i> 256-274.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468254&pid=S0874-2049201000020000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Bond, C. F., &#38; DePaulo, B. M. (2006). Accuracy of deception judgments. <i>Personality and Social Psychology Review, 10,</i> 214-234.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468256&pid=S0874-2049201000020000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Bond, C. F., &#38; DePaulo, B. M. (2008). Individual differences in judging deception: Accuracy and bias. <i>Psychological Bulletin, 134,</i> 477-492.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468258&pid=S0874-2049201000020000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Bueno, J., &#38; Primi, R. (2003). Intelig&#234;ncia emocional: Um estudo de validade sobre a capacidade de perceber emo&#231;&#245;es. <i>Psicologia: Reflex&#227;o e Cr&#237;tica, 16,</i> 279-291.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468260&pid=S0874-2049201000020000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Crossman, A., &#38; Lewis, M. (2006). Adults&#8217; ability to detect children&#8217;s lying. <i>Behavioral Sciences and the Law, 24,</i> 703-715.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468262&pid=S0874-2049201000020000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">DePaulo, B. M., Epstein, J. A., &#38; Wyer, M. M. (1993). Sex differences in lying: How men and women deal with the dilemma of deceit. In M. Lewis &#38; C. Saarni (Eds.), <i>Lying and deception in everyday life</i> (pp. 126-147). New York: Guilford.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468264&pid=S0874-2049201000020000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">DePaulo, B. M., Kirkendol, S. E., Kashy, D. A., Wyer, M. M., &#38; Epstein, J. A. (1996). Lying in everyday life. <i>Journal of Personality and Social Psychology, 70,</i> 979-995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468266&pid=S0874-2049201000020000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Edelstein, R. S., Goodman, G. S., Ekman, P., &#38; Luten, T. L. (2006). Detecting lies in children and adults. <i>Law and Human Behaviour, 30,</i> 1-10.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468268&pid=S0874-2049201000020000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Ekman, P., Franck, M. G., &#38; O&#8217;Sullivan, M. (1999). A few can catch a liar. <i>Psychological Science, 10,</i> 263-266.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468270&pid=S0874-2049201000020000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Ekman, P., &#38; O&#8217; Sullivan, M. (1991). Who can catch a liar?. <i>American Psychologist, 46,</i> 913-920.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468272&pid=S0874-2049201000020000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Ennis, E., Vrij, A., &#38; Chance, C. (2008). Individual differences and lying in everyday life. <i>Journal of Social and Personal Relationships, 25,</i> 105-118.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468274&pid=S0874-2049201000020000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Freudenthaler, H., Neubauer, A., &#38; Haller, U. (2008). Emotional intelligence: Instruction effects and sex differences in emotional management abilities. <i>Journal of Individual Differences, 29,</i> 105-115.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468276&pid=S0874-2049201000020000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Gervais, J., Tremblay, R., &#38; H&#233;roux, D. (1998). Boys&#8217; lying and social adjustment in pre-adolescence: Teachers&#8217;, peers&#8217; and self-reports. <i>Criminal Behaviour and Mental Health, 8,</i> 127-138.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468278&pid=S0874-2049201000020000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Hall, J. A. (1984). <i>Nonverbal sex differences: Communication accuracy and expressive style.</i> Baltimore: The John Hopkins University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468280&pid=S0874-2049201000020000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Hurd, K., &#38; Noller, P. (1988). Decoding deception: A look at the process. <i>Journal of Nonverbal Behavior, 12,</i> 217-233.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468282&pid=S0874-2049201000020000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Levine, T. R., Park, H. S., &#38; McCornack, S. A. (1999). Accuracy in detecting truths and lies: Documenting the &#8220;veracity effect.&#8221; <i>Communication Monographs, 66, </i>125-144.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468284&pid=S0874-2049201000020000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Maltz, D. N., &#38; Borker, R. A. (1982). A cultural approach to male-female miscommunication. In J. J. Gumperz (Ed.), <i>Language and social identity </i>(pp. 196-216). 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Popular wisdom versus scientific knowledge on the non-verbal detection of deception. <i>Papeles del Psic&#243;logo, 26,</i> 78-91.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468290&pid=S0874-2049201000020000300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Rego, A., &#38; Fernandes, C. (2005). Intelig&#234;ncia emocional: Contributos adicionais para a valida&#231;&#227;o de um instrumento de medida. <i>Psicologia, XIX,</i> 139-167.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468292&pid=S0874-2049201000020000300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Schutte, N. S., Malouff, J. M., Bobik, C., Coston, T. D., Greeson, C., Jedlicka, C., Rhodes, E., &#38; Wendorf, G. (2001). Emotional intelligence and interpersonal relations. <i>Journal of Social Psychology, 141,</i> 523-536.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468294&pid=S0874-2049201000020000300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Stapel, D. A., Koomen, W., &#38; van der Pligt, J. (1996). The referents of trait inferences: The impact of trait concepts versus actor-trait links on subsequent judgments. <i>Journal of Personality and Social Psychology, 70,</i> 437-450.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468296&pid=S0874-2049201000020000300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">The Global Deception Team (2006). A world of lies. <i>Journal of Cross-Cultural Psychology, 37,</i> 60-74.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468298&pid=S0874-2049201000020000300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Vrij, A. (2004). Why professionals fail to catch liars and how they can improve. <i>Legal and Criminological Psychology, 9,</i> 159-181.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468300&pid=S0874-2049201000020000300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Vrij, A., &#38; Taylor, R. (2003). Police officers&#39; and students&#39; beliefs about telling and detecting little and serious lies. <i>International Journal of Police Science and Management, 5,</i> 1-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468302&pid=S0874-2049201000020000300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Zeidner, M., Roberts, R., &#38; Matthews, G. (2008). The science of emotional intelligence: Current consensus and controversies. <i>European Psychologist, 13,</i> 64-78.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=468304&pid=S0874-2049201000020000300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>*</sup><a href="#topc0">Autor para correspond&#234;ncia: </a><a name="c0"></a></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Patr&#237;cia Arriaga, Instituto Universit&#225;rio de Lisboa (ISCTE-IUL), Centro de Investiga&#231;&#227;o e Interven&#231;&#227;o Social (Cis-IUL), Avenida das For&#231;as Armadas, 1649-026 Lisboa.</font></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os autores contribu&#237;ram de igual forma para o presente artigo. Os resultados preliminares deste estudo foram publicados nas Actas do VII Simp&#243;sio Nacional de Investiga&#231;&#227;o em Psicologia, da Associa&#231;&#227;o Portuguesa de Psicologia. Universidade do Minho, Braga, Fevereiro de 2010.</font></p>       ]]></body><back>
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