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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Tráfico de mulheres brasileiras para fins de exploração sexual em portugal e interseccionalidade: um estudo de caso]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Trafficking of Brazilian women for sexual exploitation in Portugal and Intersectionality: A case study]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper discusses the phenomenon of trafficking of women for sexual exploitation, using as reference the intersectionality theory. Based on a case study, we analyze the experiences of a Brazilian woman victim of human trafficking. The evidences found in this study clarify what the literature points out as the association between social structural conditions of inequality and vulnerability to trafficking for sexual exploitation]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="4"><b>Tr&#225;fico de mulheres brasileiras para fins de explora&#231;&#227;o sexual em portugal e interseccionalidade: um estudo de caso</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="3"><b>Trafficking of Brazilian women for sexual exploitation in Portugal and Intersectionality: A case study</b></font></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Sofia Neves<sup>1</sup></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><sup>1</sup>Instituto Superior da Maia (ISMAI), Maia, Portugal</font></p>      <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Este artigo discute o fen&#243;meno do tr&#225;fico de mulheres para fins de explora&#231;&#227;o sexual, usando como refer&#234;ncia a teoria da interseccionalidade. A partir de um estudo de caso, analisam-se as viv&#234;ncias de uma mulher brasileira v&#237;tima de tr&#225;fico de seres humanos. As evid&#234;ncias encontradas neste estudo clarificam os dados apontados na literatura no que respeita &#224; associa&#231;&#227;o entre condi&#231;&#245;es estruturais de desigualdade social e vulnerabilidade ao tr&#225;fico para fins de explora&#231;&#227;o sexual.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave:</b> tr&#225;fico de mulheres, explora&#231;&#227;o sexual, interseccionalidade</font></p>  <hr size="1" noshade>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">This paper discusses the phenomenon of trafficking of women for sexual exploitation, using as reference the <i>intersectionality theory</i>. Based on a case study, we analyze the experiences of a Brazilian woman victim of human trafficking. The evidences found in this study clarify what the literature points out as the association between social structural conditions of inequality and vulnerability to trafficking for sexual exploitation</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Keywords:</b> women trafficking, sexual exploitation, intersectionality theory</font></p>  <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Introdu&#231;&#227;o</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O crescente tr&#226;nsito de pessoas e de bens, fruto das pol&#237;ticas de livre circula&#231;&#227;o, embora constitua um ganho civilizacional importante, tem vindo a acentuar as desigualdades sociais, a fomentar as assimetrias no acesso &#224;s oportunidades laborais e a refor&#231;ar a precariedade das condi&#231;&#245;es de trabalho (Miko, 2003), especialmente entre as mulheres <i>(United Nations Development Programme - UNDP,</i> 2006). Algumas formas de exclus&#227;o no feminino t&#234;m sido, nos &#250;ltimos anos, fortemente condicionadas pela <i>feminiza&#231;&#227;o</i> das migra&#231;&#245;es (Miranda, 2009), um processo cada vez mais evidente, quer na Europa, quer no resto do mundo, e que se constitui como uma das caracter&#237;sticas mais marcantes da era actual das migra&#231;&#245;es (Castles &#38; Miller, 2003). Ainda que a viol&#234;ncia e a discrimina&#231;&#227;o de g&#233;nero possam n&#227;o ser o resultado directo da <i>feminiza&#231;&#227;o</i> das migra&#231;&#245;es, o aproveitamento deste processo por parte de quem se envolve activamente na explora&#231;&#227;o de mulheres socialmente vulner&#225;veis tem tido como consequ&#234;ncia um aumento substancial da vitima&#231;&#227;o feminina.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O tr&#225;fico de mulheres para fins de explora&#231;&#227;o sexual, sendo uma das formas de opress&#227;o feminina que melhor espelha os efeitos da <i>feminiza&#231;&#227;o </i>das migra&#231;&#245;es, tem vindo a ser estudado a partir de uma an&#225;lise de g&#233;nero (Raymond, 2002; Conselho da Europa, 2005), mas cada vez mais com base numa grelha te&#243;rica interseccional (Schecter, 1998). O tr&#225;fico de seres humanos, especialmente o que envolve explora&#231;&#227;o sexual, reveste-se de particularidades muito espec&#237;ficas, de entre as quais se destacam as especificidades de g&#233;nero, de classe e de perten&#231;a &#233;tnica (Neves, 2010). A institui&#231;&#227;o do trabalho feminino for&#231;ado, no decurso das migra&#231;&#245;es, reflecte rela&#231;&#245;es sociais de g&#233;nero e de classe desequilibradas e assentes numa distribui&#231;&#227;o n&#227;o equitativa de poder entre homens e mulheres (Moghadam, 1999; Nolin, 2006). N&#227;o existindo num vazio social, o g&#233;nero emerge e constitui-se no &#226;mago de matrizes sociais nutridas por rela&#231;&#245;es estreitas entre as quest&#245;es da etnicidade, da cultura e da classe (Hondagneu-Sotelo, 2005). As din&#226;micas dos processos de migra&#231;&#227;o n&#227;o s&#227;o aleat&#243;rias, nem biologicamente determinadas, estando antes dependentes de condi&#231;&#245;es s&#243;cio-demogr&#225;ficas como a etnia, o sexo, a classe social e a idade, assim como de outras condi&#231;&#245;es como o n&#237;vel educacional, a ocupa&#231;&#227;o, o estatuto conjugal e as press&#245;es pol&#237;ticas e econ&#243;micas associadas a zonas geogr&#225;ficas particulares (O.McKee, 2000).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os dados do Relat&#243;rio Anual sobre Tr&#225;fico de Seres Humanos, de 2009, produzido pelo Minist&#233;rio da Administra&#231;&#227;o Interna, confirmam a tend&#234;ncia global. O tr&#225;fico para fins de explora&#231;&#227;o sexual tende a materializar-se quando se intersectam determinadas perten&#231;as identit&#225;rias. A perten&#231;a sexual, aliada &#224; perten&#231;a &#233;tnica e de classe, &#233; um factor de risco para o envolvimento em situa&#231;&#245;es de explora&#231;&#227;o sexual. Assim, constata-se que as v&#237;timas de tr&#225;fico para fins de explora&#231;&#227;o sexual s&#227;o sobretudo mulheres estrangeiras, com idades compreendidas entre os 20 e os 30 anos, que prov&#234;m de pa&#237;ses com n&#237;tidos contrastes sociais, onde as taxas de pobreza e de precariedade social s&#227;o muito elevadas.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A discrimina&#231;&#227;o interseccional &#233; o produto das posi&#231;&#245;es de marginaliza&#231;&#227;o que as mulheres migrantes s&#227;o for&#231;adas a assumir, sendo crucial analisar-se o modo como estas m&#250;ltiplas perten&#231;as determinam a vulnerabilidade &#224; vitima&#231;&#227;o (Crenshaw, 1991), nomeadamente &#224; vitima&#231;&#227;o sexual.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Enunciaremos de seguida os contributos da teoria da interseccionalidade para o estudo das migra&#231;&#245;es e do tr&#225;fico de mulheres para fins de explora&#231;&#227;o sexual.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Interseccionalidade, migra&#231;&#245;es femininas e tr&#225;fico de mulheres para fins de explora&#231;&#227;o sexual</b></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A consci&#234;ncia internacional face aos diferentes rostos que a discrimina&#231;&#227;o pode apresentar come&#231;ou a despontar na Primeira Confer&#234;ncia Mundial sobre as Mulheres, organizada em 1975, cimentando-se verdadeiramente 20 anos depois em Beijing, com a realiza&#231;&#227;o da Quarta Confer&#234;ncia Mundial sobre as Mulheres (Pittaway &#38; Bartolomei, 2001). As recomenda&#231;&#245;es produzidas no &#226;mbito deste &#250;ltimo evento exortaram a indispensabilidade de se reconhecer a import&#226;ncia da idade, da defici&#234;ncia, da posi&#231;&#227;o socioecon&#243;mica e da perten&#231;a a um determinado grupo &#233;tnico ou racial na an&#225;lise da discrimina&#231;&#227;o de g&#233;nero. O pressuposto da interseccionalidade come&#231;ava ent&#227;o a afirmar-se, determinando assim a necessidade de se contemplarem as diversas perten&#231;as identit&#225;rias na compreens&#227;o das situa&#231;&#245;es de desigualdade social.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Tendo surgido, enquanto formula&#231;&#227;o te&#243;rica, no &#226;mbito dos estudos feministas n&#243;rdicos, a teoria da interseccionalidade &#233; hoje porventura a abordagem multidisciplinar mais importante da teoriza&#231;&#227;o feminista e anti-racista no que respeita &#224; an&#225;lise da opress&#227;o (Nash, 2008). Claramente influenciada pelos feminismos negros e pelas teorias p&#243;s-coloniais, a teoria da interseccionalidade resgata a reflex&#227;o sobre o impacto das hierarquias sociais e culturais de g&#233;nero e de classe.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Cunhado por Kimberl&#233; Crenshaw, durante a d&#233;cada de 90 do s&#233;culo XX, o termo interseccionalidade pretende firmar a rela&#231;&#227;o de interac&#231;&#227;o e de interdepend&#234;ncia que se estabelece entre algumas categorias identit&#225;rias potencialmente vulnerabilizantes. A autora, uma te&#243;rica da &#225;rea legal, publicou dois textos fundamentais, <i>Demarginalizing the intersection of race and sex: A black feminist critique of antidiscrimination doctrine, feminist theory and antiracist politics</i> e <i>Mapping the margins: Intersectionality, identity, politics and violence against women of color,</i> em 1989 e em 1991 respectivamente, no &#226;mbito dos quais salientava a incapacidade da lei para tornar vis&#237;veis as experi&#234;ncias de discrimina&#231;&#227;o das mulheres negras, argumentando que a discrimina&#231;&#227;o sofrida por este grupo era de natureza interseccional (Berger &#38; Guidroz, 2009).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Na tentativa de encontrar similitudes e pontos de encontro entre os movimentos anti-racistas e os estudos feministas (que nem sempre equacionaram a discrimina&#231;&#227;o a partir de uma concep&#231;&#227;o racial), Crenshaw prop&#244;s uma matriz de an&#225;lise das rela&#231;&#245;es sociais que n&#227;o se limitasse a considerar a multiplica&#231;&#227;o das categorias identit&#225;rias. A proposta da autora parte de uma base estrutural e din&#226;mica, sendo a interseccionalidade n&#227;o a justaposi&#231;&#227;o de tipos de discrimina&#231;&#227;o, mas antes a interac&#231;&#227;o desses elementos.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A no&#231;&#227;o de interac&#231;&#227;o entre formas de subordina&#231;&#227;o, segundo Piscitelli (2008), permite transpor a ideia de &#8220;(...) sobreposi&#231;&#227;o de opress&#245;es. Por exemplo, a ideia de que uma mulher negra &#233; duplamente oprimida, &#224; opress&#227;o por ser mulher deve ser adicionada a opress&#227;o por ser negra&#8221; (p. 6). N&#227;o se trata de somar diferentes modalidades de discrimina&#231;&#227;o, mas de compreender como elas se intersectam.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Assim, a teoria da interseccionalidade pretende examinar como as diversas categorias identit&#225;rias interagem a m&#250;ltiplos n&#237;veis para se manifestarem em termos de desigualdade social. Os modelos cl&#225;ssicos de compreens&#227;o dos fen&#243;menos de opress&#227;o, como os baseados no sexo/g&#233;nero, na ra&#231;a/etnicidade, na classe, na religi&#227;o, na nacionalidade, na orienta&#231;&#227;o sexual ou na defici&#234;ncia, n&#227;o agem de forma independente uns dos outros, interrelacionando-se e criando um sistema que reflecte a intersec&#231;&#227;o de m&#250;ltiplas formas de discrimina&#231;&#227;o (Nogueira, em publica&#231;&#227;o).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A discrimina&#231;&#227;o interseccional afecta especialmente as mulheres. A opress&#227;o feminina, fruto da ra&#231;a/etnia, religi&#227;o, casta, nacionalidade e de outras categorias sociopol&#237;ticas, &#233; agravada pela discrimina&#231;&#227;o de g&#233;nero. Como resultado, as mulheres, mais do que os homens, s&#227;o sujeitas a m&#250;ltiplas formas de viola&#231;&#227;o dos direitos humanos (Pittaway &#38; Bartolomei, 2001). Como Judith Butler admitiu, em 1990, o g&#233;nero intersecta outras identidades constitu&#237;das discursivamente, como a ra&#231;a, a classe e a sexualidade, o que torna imposs&#237;vel separar o g&#233;nero das intersec&#231;&#245;es pol&#237;ticas e culturais no dom&#237;nio das quais o g&#233;nero se produz e &#233; mantido.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Nessa &#243;ptica, e segundo Nogueira (em publica&#231;&#227;o), a experi&#234;ncia inter-seccional &#233; maior do que a soma do racismo e do sexismo. A interseccionalidade enfatiza por isso a multidimensionalidade das experi&#234;ncias vividas dos sujeitos marginalizados, salientando que propostas de an&#225;lise da identidade como camadas remov&#237;veis e separadas redundam em generaliza&#231;&#245;es abusivas (Nogueira, em publica&#231;&#227;o). Como salienta Crenshaw, em 2002,</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#8216;A discrimina&#231;&#227;o interseccional &#233; particularmente dif&#237;cil de ser identificada em contextos onde for&#231;as econ&#243;micas, culturais e sociais silenciosamente moldam o pano de fundo, de forma a colocar as mulheres em uma posi&#231;&#227;o onde acabam sendo afetadas por outros sistemas de subordina&#231;&#227;o. Por ser t&#227;o comum, a ponto de parecer um facto da vida, natural ou pelo menos imut&#225;vel, esse pano de fundo (estrutural) &#233;, muitas vezes, invis&#237;vel. O efeito disso &#233; que somente o aspecto mais imediato da discrimina&#231;&#227;o &#233; percebido, enquanto que a estrutura que coloca as mulheres na posi&#231;&#227;o de &#8220;receber&#8221; tal subordina&#231;&#227;o permanece obscurecida&#8217; (p. 176).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Crenshaw observou as din&#226;micas da interseccionalidade estrutural sobretudo no trabalho que desenvolveu em casas de acolhimento situadas em comunidades pobres de Los Angeles, com mulheres v&#237;timas de viol&#234;ncia na intimidade (Crenshaw, 1991). Na maioria dos casos, a viol&#234;ncia f&#237;sica que levou estas mulheres a procurar apoio nas referidas casas de acolhimento, era a manifesta&#231;&#227;o mais imediata das suas viv&#234;ncias de subordina&#231;&#227;o. Muitas destas mulheres estavam desempregadas ou tinham empregos prec&#225;rios e eram pobres. &#192; experi&#234;ncia da viol&#234;ncia perpetrada pelos companheiros somavam-se outras experi&#234;ncias de vulnerabilidade, de igual gravidade, contribuindo esta interac&#231;&#227;o para uma situa&#231;&#227;o de elevado risco social.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O risco social acentua-se quando a estas experi&#234;ncias se adicionam outras perten&#231;as identit&#225;rias espec&#237;ficas. As mulheres migrantes s&#227;o particularmente vulner&#225;veis &#224; discrimina&#231;&#227;o (Crenshaw, 1991). As migra&#231;&#245;es trazem consigo experi&#234;ncias de discrimina&#231;&#227;o interseccional, na medida em que as mulheres migrantes s&#227;o afectadas pelas suas m&#250;ltiplas perten&#231;as identit&#225;rias, encerrando estas o somat&#243;rio de diferentes formas de opress&#227;o.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Como salienta Machado, em 2005, &#8220;(...) a coisifica&#231;&#227;o do migrante permite a explora&#231;&#227;o radical a que est&#227;o sujeitos, tanto no pa&#237;s de origem, antes do ato de emigrar, como no pa&#237;s de recep&#231;&#227;o, ap&#243;s a entrada na nova sociedade&#8221; (p. 5). A migra&#231;&#227;o pode ser, pois, um <i>continuum</i> de experi&#234;ncias de discrimina&#231;&#227;o, n&#227;o s&#243; no pa&#237;s de origem, mas tamb&#233;m no pa&#237;s receptor. Na verdade, as realidades sociais recentes (ou pelo menos de aprecia&#231;&#227;o mais recente) convidam-nos a reconhecer a import&#226;ncia da interseccionalidade nos estudos migrat&#243;rios. Ao assumir que a ra&#231;a/etnicidade, a classe e o g&#233;nero s&#227;o processos culturalmente definidos, a teoria da interseccionalidade reconhece que as posi&#231;&#245;es sociais ocupadas por cada um/a influem na decis&#227;o de permanecer ou n&#227;o no pa&#237;s de origem, na decis&#227;o de migrar ou n&#227;o migrar. A observa&#231;&#227;o das inter-influ&#234;ncias a que as migrantes est&#227;o sujeitas, n&#227;o s&#243; permite compreender como as estruturas sociais condicionam as decis&#245;es migrat&#243;rias, mas tamb&#233;m como &#233; produzida a <i>praxis</i> dessas decis&#245;es (Collins, 2005).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A segrega&#231;&#227;o de g&#233;nero nas estat&#237;sticas e na pesquisa sobre migra&#231;&#245;es deve dar lugar a uma observa&#231;&#227;o atenta e rigorosa das especificidades de g&#233;nero, mas tamb&#233;m de outras perten&#231;as identit&#225;rias. Trabalhar com m&#250;ltiplas categorias de perten&#231;a &#233;, como defende Piscitelli (2008), dispor de ferramentas anal&#237;ticas para apreender a associa&#231;&#227;o de m&#250;ltiplas diferen&#231;as e desigualdades: &#8220;(...) n&#227;o se trata apenas de observar a diferen&#231;a sexual, nem a rela&#231;&#227;o entre g&#233;nero e etnia/ra&#231;a ou g&#233;nero e sexualidade, mas da diferen&#231;a, em sentido amplo, para dar cabida &#224;s intera&#231;&#245;es entre poss&#237;veis diferen&#231;as presentes em contextos espec&#237;ficos&#8221; (Piscitelli, 2008, p. 266). Os sistemas de opress&#227;o sobrep&#245;em-se e cruzam-se, criando intersec&#231;&#245;es complexas nas quais dois, tr&#234;s ou quatro eixos se tocam (Crenshaw, 2002).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#201; recorrente, na literatura, a compara&#231;&#227;o das diferen&#231;as existentes entre homens e mulheres migrantes, n&#227;o sendo essas diferen&#231;as problematizadas com o intuito de se sistematizar o que as constr&#243;i, as condiciona ou as mant&#233;m. Parte-se igualmente do princ&#237;pio de que as experi&#234;ncias das mulheres s&#227;o homog&#233;neas entre si, assim como as experi&#234;ncias dos homens, n&#227;o se assumindo que existem diferentes grupos de mulheres e de homens e que as especificidades desses diferentes grupos ocasionam diferentes experi&#234;ncias de subordina&#231;&#227;o.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Por outro lado, os estudos migrat&#243;rios t&#234;m privilegiado os factores econ&#243;micos na explica&#231;&#227;o da decis&#227;o de migrar (Lee 1965; Ritchey 1976, <i>cit. in</i> Brooks &#38; Redlin, 2009), esquecendo que a quest&#227;o econ&#243;mica &#233; apenas parte do problema e n&#227;o <i>o</i> problema.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">As leituras insuficientes e inquinadas de um fen&#243;meno que &#233;, na sua natureza, multideterminado, estreitam a vis&#227;o compreensiva que &#233; necess&#225;rio desenvolver sobre as mais diversas formas de injusti&#231;a social. Qualquer an&#225;lise que n&#227;o tome a interseccionalidade em conta, falha na observa&#231;&#227;o de como a subordina&#231;&#227;o opera (Nogueira, em publica&#231;&#227;o). Como recorda Crenshaw, em 2002,</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#8216;As mulheres racializadas freq&#252;entemente est&#227;o posicionadas em um espa&#231;o onde o racismo ou a xenofobia, a classe e o g&#234;nero se encontram. Por conseq&#252;&#234;ncia, est&#227;o sujeitas a serem atingidas pelo intenso fluxo de tr&#225;fego em todas essas vias. As mulheres racializadas e outros grupos marcados por m&#250;ltiplas opress&#245;es, posicionados nessas intersec&#231;&#245;es em virtude de suas identidades espec&#237;ficas, devem negociar o &#8220;tr&#225;fego&#8221; que flui atrav&#233;s dos cruzamentos. Esta se torna uma tarefa bastante perigosa quando o fluxo vem simultaneamente de v&#225;rias dire&#231;&#245;es&#8217; (p. 177).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O tr&#225;fico de mulheres para fins de explora&#231;&#227;o sexual, assim como os processos migrat&#243;rios, poder&#225; traduzir (e traduz muitas vezes) uma forma de discrimina&#231;&#227;o interseccional. As v&#237;timas s&#227;o, como sublinha Crenshaw (2002), oriundas de grupos marcados por m&#250;ltiplas opress&#245;es. Como sugerem Peixoto e colaboradores/as (2005), &#8220;o tr&#225;fico deve entender-se no contexto das migra&#231;&#245;es, e, nesse sentido, deveremos procurar a explica&#231;&#227;o para o seu surgimento e expans&#227;o nas teorias tradicionais das migra&#231;&#245;es&#8221; (p. 30).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Todas as estimativas apontam para o facto das mulheres e das crian&#231;as de sexo feminino serem as principais v&#237;timas deste tipo particular de tr&#225;fico, o que tamb&#233;m se deve, em grande medida, &#224; crescente <i>feminiza&#231;&#227;o</i> da pobreza. Mas o tr&#225;fico n&#227;o &#233; meramente o resultado de rela&#231;&#245;es sociais de g&#233;nero hierarquizadas (Langevin &#38; Belleau, 2000). Por tr&#225;fico de mulheres entende-se um amplo conjunto de situa&#231;&#245;es de explora&#231;&#227;o baseadoa no desequil&#237;brio de poder entre as partes: as v&#237;timas e os traficantes. Este desequil&#237;brio pode caracterizar-se por desigualdade de g&#233;nero, desigualdade &#233;tnica, desigualdade econ&#243;mica, desigualdade et&#225;ria, entre outras manifesta&#231;&#245;es de desigualdade (Langevin &#38; Belleau, 2000).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A discrimina&#231;&#227;o de g&#233;nero sofrida nos pa&#237;ses de origem, especialmente no que respeita ao acesso ao emprego, torna as mulheres mais suscept&#237;veis &#224; explora&#231;&#227;o sexual, sendo esta muitas vezes promovida por outras mulheres (Carling, 2006). A oportunidade das mulheres migrarem em condi&#231;&#245;es regulares, estando limitada pelas suas parcas qualifica&#231;&#245;es acad&#233;micas e pelos seus diminutos recursos econ&#243;micos, leva-as a aceitar mais facilmente as falsas promessas dos/as angariadores/as e a migrar clandestinamente (Banda &#38; Chinkin, 2004). Em contextos social e economicamente desfavorecidos, o baixo estatuto das mulheres e a persistente viola&#231;&#227;o dos seus direitos, s&#227;o factores de risco para o seu envolvimento em pr&#225;ticas sexuais for&#231;adas. A obstru&#231;&#227;o &#224; escolariza&#231;&#227;o e &#224; educa&#231;&#227;o das meninas, a vincula&#231;&#227;o do papel das mulheres a responsabilidades dom&#233;sticas e familiares e o impedimento destas &#224; participa&#231;&#227;o pol&#237;tica e &#224; viv&#234;ncia da sua sexualidade plena faz com que a desigualdade de g&#233;nero seja refor&#231;ada e legitimada <i>(Global Alliance Against Traffic in Women,</i> 2000).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A vulnerabilidade ao tr&#225;fico parece estar tamb&#233;m dependente da subordina&#231;&#227;o &#233;tnica ou racial, sendo alguns grupos frequentemente mais visados do que outros. Uma vez nos pa&#237;ses receptores, as v&#237;timas continuam a sofrer os efeitos dessa subordina&#231;&#227;o, j&#225; que a ilegalidade as remete, ou para a invisibilidade, ou para a visibilidade <i>distorcida</i>. Muitas vezes tratadas pelas popula&#231;&#245;es dos pa&#237;ses receptores como estrangeiras e prostitutas, as v&#237;timas de tr&#225;fico resistem em pedir ajuda e s&#227;o frequentemente privadas dos seus direitos fundamentais (como o direito &#224; assist&#234;ncia m&#233;dica) (Banda &#38; Chinkin, 2004).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A usual confus&#227;o entre tr&#225;fico e prostitui&#231;&#227;o motiva que muitas v&#237;timas permane&#231;am na obscuridade e n&#227;o sejam devidamente apoiadas. Se estas mulheres tiverem nacionalidades conotadas com o trabalho sexual, a indiferen&#231;a social &#233; ainda mais evidente. As v&#237;timas brasileiras s&#227;o especialmente negligenciadas em termos de protec&#231;&#227;o social. Ao assumir-se que a nacionalidade brasileira &#233; predominante na ind&#250;stria do sexo em Portugal, toma-se a sua situa&#231;&#227;o como uma op&#231;&#227;o &#8220;laboral migrat&#243;ria&#8221;, o que faz com que passem despercebidas evid&#234;ncias de explora&#231;&#227;o e tr&#225;fico Santos <i>et al., </i>2007). Mais ainda, a cren&#231;a na <i>naturaliza&#231;&#227;o</i> da viol&#234;ncia associada &#224; prostitui&#231;&#227;o, faz com que muitas vezes a viol&#234;ncia seja legitimada, n&#227;o s&#243; por quem a pratica mas tamb&#233;m por quem dela &#233; alvo.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">As condi&#231;&#245;es que levam as mulheres a ser vulner&#225;veis ao tr&#225;fico para fins de explora&#231;&#227;o sexual, nomeadamente o desemprego e a precariedade social, d&#227;o lugar a outras, igualmente incapacitantes.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A manuten&#231;&#227;o das situa&#231;&#245;es de tr&#225;fico perpetua a no&#231;&#227;o de coisifica&#231;&#227;o do/a migrante (Machado, 2005). &#8220;O tr&#225;fico n&#227;o &#233; uma esfera distante do universo da legalidade, restrito ao submundo do crime; o tr&#225;fico compartilha com a sociedade uma &#8220;inscri&#231;&#227;o simb&#243;lica&#8221; que permite a sua pr&#243;pria exist&#234;ncia&#8221; (Machado, 2005, p. 14).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Mulheres brasileiras v&#237;timas de tr&#225;fico para fins de explora&#231;&#227;o sexual em Portugal</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">De acordo com Santos e colaboradores/as (2007), em Portugal, o tr&#225;fico de mulheres para fins de explora&#231;&#227;o sexual atinge sobretudo v&#237;timas de nacionalidade brasileira, seguindo-se as v&#237;timas da Europa de Leste (especialmente as Romenas) e as Africanas (sobretudo Nigerianas). Este dado havia sido j&#225; aferido, em 2004, no &#226;mbito da investiga&#231;&#227;o <i>O Tr&#225;fico de Migrantes em Portugal: Perspectivas Sociol&#243;gicas, Jur&#237;dicas e Pol&#237;ticas</i>, coordenada por Jo&#227;o Peixoto. Em ambos os estudos aponta-se o facto das redes de tr&#225;fico de mulheres oriundas do Brasil serem geralmente compostas por portugueses e brasileiros, de ambos os sexos, sendo as regi&#245;es de origem, quer dos/as angariadores/as, quer das v&#237;timas, diversificadas. Os/as angariadores/as identificados/as neste estudo eram sobretudo da regi&#227;o do Nordeste, de S&#227;o Paulo e do Rio de Janeiro. No caso das v&#237;timas, mulheres entre os 20 e os 30 anos de idade, a sua regi&#227;o de origem &#233; predominantemente o Nordeste brasileiro. As v&#237;timas provinham de meios sociais desfavorecidos das regi&#245;es mais pobres do Brasil, muitas eram analfabetas ou tinham baixa escolaridade e algumas j&#225; exerciam a prostitui&#231;&#227;o no seu pa&#237;s. Uma vez em Portugal eram obrigadas a exercer actividades sexuais, em situa&#231;&#245;es de elevada precariedade e sob viol&#234;ncia (ou amea&#231;a de viol&#234;ncia), destinando o pouco dinheiro que conseguiam amealhar &#224;s fam&#237;lias, que geralmente permaneciam no pa&#237;s de origem. Para estas mulheres, a imigra&#231;&#227;o &#233; entendida como uma estrat&#233;gia de sobreviv&#234;ncia, sendo a decis&#227;o de abandonar o pa&#237;s de origem motivada por raz&#245;es econ&#243;micas. A maior parte das mulheres traficadas quer regressar ao Brasil depois de concretizar os seus objectivos financeiros (Peixoto <i>et al.,</i> 2005).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Segundo o Servi&#231;o de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) o perfil da v&#237;tima de tr&#225;fico para fins de explora&#231;&#227;o sexual, em Portugal, pode ser descrito da seguinte forma:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#8220;Mulher brasileira, com idade compreendida entre os 22 e os 30 anos, solteira, com n&#237;vel m&#233;dio de instru&#231;&#227;o (id&#234;ntico ao 12.&#176; ano de escolaridade em Portugal) e emprego no sector terci&#225;rio no pais de origem, oriunda maioritariamente do estado de Goi&#225;s, viajando pelos seus pr&#243;prios meios e vontade para Portugal&#8221; <i>(cit. in</i> Santos <i>et al.,</i> 2007, p. 229).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">As estat&#237;sticas nacionais e internacionais s&#227;o igualmente inequ&#237;vocas quanto &#224; nacionalidade das v&#237;timas. Durante o ano de 2009 foram sinalizadas em Portugal cerca de 84 v&#237;timas de tr&#225;fico, sendo 61 mulheres, maioritariamente de nacionalidade brasileira (Minist&#233;rio da Administra&#231;&#227;o Interna, 2009).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">As explica&#231;&#245;es para este facto s&#227;o variadas. De um modo geral poder-se-&#225; observar que o n&#250;mero expressivo de v&#237;timas de tr&#225;fico para fins de explora&#231;&#227;o sexual de nacionalidade brasileira acompanha a crescente presen&#231;a de imigrantes brasileiros/as, especialmente de mulheres, em Portugal.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Padilla (2006) salienta que os/as brasileiros/as procuram Portugal porque o associam &#224; &#8220;velha p&#225;tria m&#227;e&#8221; (p. 49). Os la&#231;os hist&#243;ricos, o idioma comum, o acesso a redes sociais de apoio, a presen&#231;a de familiares ou conhecidos/as em Portugal, a proximidade cultural e a n&#227;o necessidade de visto de entrada no pa&#237;s s&#227;o factores de atrac&#231;&#227;o que impulsionam fortemente a migra&#231;&#227;o brasileira para Portugal. Embora a primeira vaga de imigrantes brasileiros/as (d&#233;cada de 80 e princ&#237;pios da d&#233;cada de 90) fosse constitu&#237;da maioritariamente por pessoas qualificadas (dentistas, inform&#225;ticos/as e publicit&#225;rios/as), as vagas mais recentes trazem a Portugal profissionais menos qualificados/as, o que limita substancialmente a sua inser&#231;&#227;o no mercado de trabalho e potencia a precariedade laboral. Verifica-se uma percentagem elevada de imigrantes brasileiros/as a trabalhar na ind&#250;stria de hotelaria, na constru&#231;&#227;o civil e em actividades dom&#233;sticas (s&#227;o as mulheres quem ocupa posi&#231;&#245;es laborais menos diferenciadas) (Padilla, 2006). Mesmo os/as imigrantes com mais habilita&#231;&#245;es s&#227;o inseridos/as em actividades que n&#227;o fazem jus &#224; sua forma&#231;&#227;o, havendo um claro desajuste entre a qualifica&#231;&#227;o desses/as imigrantes e os empregos que t&#234;m em Portugal (Fran&#231;a, 2010).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os fluxos migrat&#243;rios desenvolvidos com o aux&#237;lio de traficantes parecem responder aos mesmos factores de repuls&#227;o no pa&#237;s de origem e de atrac&#231;&#227;o nos pa&#237;ses de destino que outros fluxos migrat&#243;rios &#8220;simples&#8221; (Impe, 2000 <i>cit. in</i> Peixoto <i>et al,</i> 2005).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A precariedade econ&#243;mica dos pa&#237;ses de origem e a promessa de maior dignidade social e laboral dos pa&#237;ses receptores constituem-se como alavancas para a mobilidade das pessoas. A Pesquisa Nacional sobre o Tr&#225;fico de Mulheres, Crian&#231;as e Adolescentes para fins de Explora&#231;&#227;o Sexual Comercial do Brasil (PESTRAF) elabora frequentemente uma an&#225;lise do tr&#225;fico de mulheres para fins de explora&#231;&#227;o sexual comercial com base em indicadores socioecon&#243;micos (rela&#231;&#245;es de mercado/consumo/projectos de desenvolvimento/trabalho e migra&#231;&#227;o), tentando compreender e explicar como se conjugam os factores de repuls&#227;o com os factores de atrac&#231;&#227;o. O que se tem verificado &#233; que a rela&#231;&#227;o entre os indicadores socioecon&#243;micos em aprecia&#231;&#227;o favorece as desigualdades sociais, de g&#233;nero, ra&#231;a/etnia e gera&#231;&#227;o e determina, em larga medida, a vulnerabilidade das mulheres brasileiras ao tr&#225;fico (Leal &#38; Leal, 2005).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">As migrantes brasileiras s&#227;o afectadas pela interac&#231;&#227;o das no&#231;&#245;es de sexualidade, g&#233;nero, ra&#231;a, etnicidade e nacionalidade, como sugere Piscitelli (2008). As imagens sobre o Brasil e sobre as mulheres brasileiras, difundidas e representadas pela sociedade portuguesa, mas n&#227;o s&#243;, s&#227;o marcadas pela simbologia da sexualidade e corporalidade espec&#237;fica, no &#226;mbito da qual as mulheres s&#227;o apresentadas como erotizadas e pouco intelectualizadas (Fran&#231;a, 2010). Como lembra Tha&#237;s Fran&#231;a (2010),</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#8220;&#201; dentro dessa l&#243;gica que se d&#225; a subordina&#231;&#227;o &#224; qual muitas brasileiras est&#227;o submetidas em Portugal. Para al&#233;m de serem relegadas a ocupa&#231;&#245;es mais prec&#225;rias no mercado de trabalho portugu&#234;s, com baixo prest&#237;gio social, baixa remunera&#231;&#227;o, hor&#225;rios estendidos e demais tipos de explora&#231;&#227;o, essas mulheres encontram-se presas dentro das imagens de alegres e festivas, sensuais e ex&#243;ticas. Aqui, a experi&#234;ncia laboral exerce forte influ&#234;ncia na forma como as identidades devem ser interpretadas, neste caso: um desfile de carnaval ininterrupto&#8221; (p. 10).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A constru&#231;&#227;o do com&#233;rcio sexual no Brasil &#233; apan&#225;gio de um processo hist&#243;rico de desigualdades e injusti&#231;as, sobretudo para as mulheres, sendo que as contradi&#231;&#245;es econ&#243;micas e sociais vividas dentro do pa&#237;s favorecem a exist&#234;ncia e a prolifera&#231;&#227;o de redes nacionais e internacionais promotoras da prostitui&#231;&#227;o e do tr&#225;fico de mulheres (Cavalcanti, s/d). O facto de o Brasil ter sido, nos &#250;ltimos anos, inclu&#237;do nos circuitos mundiais do turismo sexual, fez com que a representa&#231;&#227;o social das mulheres brasileiras como prostitutas fosse refor&#231;ada (Piscitelli, 2004). Assim, no panorama global, a nacionalidade brasileira, mais do que a cor da pele, parece conferir &#224;s mulheres uma condi&#231;&#227;o sexualizada (Piscitelli, 2007, 2008), sobretudo quando a esta se associa a condi&#231;&#227;o de migrante:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#8220;A ideia de que elas s&#227;o portadoras de uma disposi&#231;&#227;o naturalmente intensa para fazer sexo e uma propens&#227;o &#224; prostitui&#231;&#227;o, combinadas com no&#231;&#245;es amb&#237;guas sobre seus estilos de feminilidade, tidos como submissos, com uma alegre disposi&#231;&#227;o para a domesticidade e a maternidade, tende a atingir indiscriminadamente essas migrantes&#8221; (Piscitelli, 2008, p. 269).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A constru&#231;&#227;o do estere&#243;tipo da mulher brasileira assente na imagem de figura ex&#243;tica e orientada para pr&#225;ticas sexuais a troco de dinheiro e com um estatuto jur&#237;dico de marginalidade &#233;, assim, uma evid&#234;ncia incontorn&#225;vel em Portugal (Santos, 2005).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">N&#227;o fornecendo a conjuntura social e o mercado brasileiro condi&#231;&#245;es de sustentabilidade econ&#243;mica, muitas mulheres brasileiras optam por projectos migrat&#243;rios, esperando a partir deles garantir a sua subsist&#234;ncia e a das suas fam&#237;lias. Se em alguns casos a decis&#227;o de migrar &#233; acompanhada da decis&#227;o de se prostitu&#237;rem no pa&#237;s receptor, em outros casos a inten&#231;&#227;o n&#227;o &#233; a do envolvimento em actividades sexuais. Muitas mulheres brasileiras imigram esperando obter emprego na ind&#250;stria hoteleira ou de restaura&#231;&#227;o, dom&#237;nio onde se encontram efectivamente a trabalhar.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Ainda que algumas mulheres saibam previamente que v&#227;o trabalhar na ind&#250;stria do sexo ou como empregadas dom&#233;sticas, desconhecem que no destino ir&#227;o ser sujeitas a explora&#231;&#227;o laboral ou sexual, tendo que entregar aos &#8220;empregadores&#8221; quase tudo (muitas vezes tudo) o que ganham com o seu &#8220;trabalho&#8221;. As v&#237;timas de tr&#225;fico ficam habitualmente alojadas em lugares sem seguran&#231;a, vivendo na clandestinidade e trabalhando ilegalmente (Cavalcanti, s/d).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">&#201; poss&#237;vel, assim, concluir que, na busca de melhores condi&#231;&#245;es de vida, as mulheres brasileiras migrantes confrontam-se muitas vezes com novas experi&#234;ncias de discrimina&#231;&#227;o interseccional. S&#227;o v&#237;timas de viol&#234;ncia e de opress&#227;o pelo facto de serem mulheres, brasileiras, migrantes e pobres, assim como pelo facto de serem conotadas como prostitutas.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Estudo de caso</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">No &#226;mbito de uma investiga&#231;&#227;o qualitativa mais alargada sobre tr&#225;fico de mulheres para fins de explora&#231;&#227;o sexual em Portugal, elaborou-se um estudo de caso com uma mulher de nacionalidade brasileira. O estudo de caso &#233; uma metodologia de investiga&#231;&#227;o que procura recolher, de modo intensivo e profundo, informa&#231;&#245;es acerca de uma pessoa, organiza&#231;&#227;o, situa&#231;&#227;o ou local (Guerra, 2006). Assim, permite focar unidades sociais complexas a partir da observa&#231;&#227;o e an&#225;lise de realidades singulares, com vista &#224; compreens&#227;o exaustiva dos fen&#243;menos (VanWynsberghe &#38; Khan, 2007).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Este caso foi seleccionado pela sua <i>intensidade</i> (Flick, 2005, p. 71), representando o que tem vindo a ser descrito na literatura como um caso t&#237;pico de tr&#225;fico de mulheres brasileiras para fins de explora&#231;&#227;o sexual em Portugal.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Caracteriza&#231;&#227;o da participante</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Maria</i><a href="#2"><sup>2</sup></a><a name="top2"></a> &#233; origin&#225;ria do Nordeste do Brasil, Goi&#225;s, e tem 21 anos de idade. Frequentou a escola at&#233; ao equivalente, em Portugal, ao 9.&#176; ano de escolaridade. Tem 8 irm&#227;os mais velhos (todos rapazes) e prov&#233;m de uma fam&#237;lia de parcos recursos socioecon&#243;micos, cuja subsist&#234;ncia est&#225; ligada &#224; agricultura. Os pais de Maria s&#227;o analfabetos e nenhum dos seus irm&#227;os tem habilita&#231;&#245;es liter&#225;rias superiores &#224;s suas. &#201; divorciada e n&#227;o tem filhos. Encontra-se em Portugal h&#225; cerca de um ano.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A Maria foi sinalizada como v&#237;tima de tr&#225;fico para fins de explora&#231;&#227;o sexual pelo SEF, em consequ&#234;ncia de uma ac&#231;&#227;o de fiscaliza&#231;&#227;o a casas nocturnas na zona norte do pa&#237;s.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Procedimentos, t&#233;cnicas de recolha e tratamento dos dados</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Depois de obtido o consentimento informado, foi realizada uma entrevista semi-estruturada (Protocolo de entrevista para mulheres v&#237;timas de tr&#225;fico para fins de explora&#231;&#227;o sexual, Neves, 2008) &#224; Maria, com o prop&#243;sito de recolher dados sobre a sua hist&#243;ria de vida. O objectivo da entrevista era caracterizar as suas viv&#234;ncias desde a inf&#226;ncia &#224; idade adulta, procurando evid&#234;ncias de discrimina&#231;&#227;o interseccional, quer no que respeita &#224;s diferentes fases do seu desenvolvimento, quer no que respeita &#224; situa&#231;&#227;o concreta do tr&#225;fico para fins de explora&#231;&#227;o sexual. A condu&#231;&#227;o da entrevista, cuja dura&#231;&#227;o foi de 1h30m, obedeceu &#224;s directrizes internacionais em mat&#233;ria de boas pr&#225;ticas de atendimento a v&#237;timas de tr&#225;fico de seres humanos</i><a href="#3"><sup>3</sup></a><a name="top3"></a> e aos princ&#237;pios da investiga&#231;&#227;o feminista, nomeadamente o balanceamento de poder e a reflexividade (Neves &#38; Nogueira, 2004).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A entrevista foi gravada em &#225;udio e posteriormente transcrita, respeitando-se e registando-se literalmente todos os aspectos do discurso. Para o seu tratamento usou-se o m&#233;todo de an&#225;lise cr&#237;tica do discurso, o qual permitiu a identifica&#231;&#227;o de padr&#245;es de linguagem e a sua associa&#231;&#227;o com pr&#225;ticas e representa&#231;&#245;es sociais (Nogueira, 2001). A partir das categorias que foram emergindo da an&#225;lise, foram efectuadas conex&#245;es entre tem&#225;ticas, viv&#234;ncias, traject&#243;rias e significados.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Ser&#227;o apresentados excertos da entrevista de forma a ilustrar a an&#225;lise efectuada.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Resultados</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A Maria descreveu a sua inf&#226;ncia como particularmente dif&#237;cil, intitulando-a <i>&#8216;infelicidade&#8217;</i>. As dificuldades econ&#243;micas contribu&#237;ram, segundo a entrevistada, para a exist&#234;ncia de um ambiente familiar pautado pelo conflito emocional, sendo a figura paterna especialmente problem&#225;tica. Embora a fam&#237;lia do pai fosse muito abastada, renegou-o pelo facto de ele ter decidido casar-se com a m&#227;e dela. A viol&#234;ncia f&#237;sica e psicol&#243;gica do pai para com as crian&#231;as e para com a esposa era uma constante, o que levou a Maria a desejar, desde muito cedo, ser independente:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#8220;Ele sempre nos batia muito.. .batia em nossa m&#227;e at&#233; sangrar (...). Eu chorava baixinho com medo dele (...) fazia de tudo para ele n&#227;o me ouvir chorar.. .meus irm&#227;o apanhavam mais do que eu, eu era a ca&#231;ula.. .meu pai dizia que eu era a sua menina. Mas me batia tamb&#233;m. (...) N&#227;o tinha casa farta.. .era pobre, muito pobre (...). Queria ir embora para ser modelo&#8221;.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O modelo educativo adoptado por esta fam&#237;lia parecer ter sido caracterizado por uma evidente rigidez e inflexibilidade ao n&#237;vel dos pap&#233;is de g&#233;nero. Rapazes e raparigas participavam apenas em actividades pretensamente adequadas ao seu sexo. Os rapazes ajudavam na ro&#231;a e a Maria colaborava com a m&#227;e nas lides dom&#233;sticas. Este dado sobressai sobretudo a partir da adolesc&#234;ncia de Maria, que ela apelida como <i>triste.</i> Por ser rapariga, foi remetida quase exclusivamente para a esfera familiar e dom&#233;stica, convivendo por isso muito pouco com outras raparigas ou com rapazes da sua idade em contextos n&#227;o escolares. Lembra a escola como um espa&#231;o de liberdade e a casa como uma <i>pris&#227;o.</i> Nunca foi estimulada pela sua fam&#237;lia para estudar:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#8220;Vivia numa pris&#227;o.era um inferno a minha vida. N&#227;o sa&#237;a, n&#227;o ia a festas, n&#227;o podia namorar.. .ca&#231;ula e garota, j&#225; viu n&#233;? Mulher foi feita para estar em casa: era sempre o que minha m&#227;e dizia. Eu tinha era que aprender a fazer marmita, lavar e passar. (...) N&#243;s somos 9 irm&#227;os, mas eu sou filha &#250;nica, a &#250;nica mulher, e por eu ser uma menina muito bonita, muito bonita mesmo, as pessoas me queriam para desfiles e essas coisas (...) ele (pai) tinha ci&#250;mes de mim (...) ele sempre me acorrentava pela perna e me deixava trancada numa sala, n&#233;? (...) Para mim n&#227;o sair de casa. (...) Meus irm&#227;os faziam tudo e eu n&#227;o fazia nada (...). Na escola eu era livre.a&#237; namorava muito (...). (Altura da inf&#226;ncia em que era mais feliz) Quando eu vinha da escola com os amigos e amigas, a gente vinha e ficava nos p&#233;s de manga a brincar, nas espigas de milho fazendo bonecas. Aquilo ali foi a melhor coisa da minha inf&#226;ncia&#8221;.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A rela&#231;&#227;o da fam&#237;lia de Maria (e da pr&#243;pria) com a igreja e com as suas pr&#225;ticas foi descrita como muito intensa, quer durante a sua inf&#226;ncia, quer durante a adolesc&#234;ncia. As quest&#245;es da sexualidade eram tratadas como tabu pela fam&#237;lia, sendo entendidas como pecado.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#8220;Viv&#237;amos rezando e na igreja. Meu pai era o que rezava mais (risos). Mas minha m&#227;e tamb&#233;m era muito crente. Todo o mundo tinha que ir na missa para pedir perd&#227;o a Deus. Eu pedia a Deus que me deixasse fugir e ser modelo&#8221;.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A Maria foi v&#237;tima de abuso sexual pelo pai na adolesc&#234;ncia. Decidiu casar para fugir &#224; viol&#234;ncia infligida pelo pai:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#8220;Com 13 anos fiquei assim esse mulher&#227;o...eu ia desfilar e ele ia l&#225; para me buscar, me trazia pelos cabelos para casa, tava sempre a judiar de mim. Ele n&#227;o queria que homem nenhum tocasse em mim (...). Um dia minha m&#227;e viajou e ele pronto (hesita&#231;&#227;o).. .minha m&#227;e perguntou se eu queria ficar na casa de uma vizinha.. .eu tava l&#225;, meus irm&#227;os ficaram na casa da minha av&#243; e ele me pegou e queria ter rela&#231;&#227;o sexual comigo e eu falei para ele que se ele me obrigasse eu espetava uma faca em mim e deixava uma carta l&#225;. Ele se masturbou na minha frente.. .deixei de ter pai nesse dia. Ele n&#227;o me deixava dormir de noite, pegava nos meus seios, pegava nas minhas partes &#237;ntimas e ningu&#233;m acreditava em mim. Eu tinha um irm&#227;o e pedi que vigiasse eu, mas n&#227;o adiantou (...). Eu casei muito nova para fugir dele (do pai)&#8221;.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Para Maria, a sua idade adulta, a que chamava <i>sofrimento,</i> come&#231;ou com o casamento. A experi&#234;ncia conjugal foi, ao contr&#225;rio do que imaginava, muito negativa. Apesar de, na fase inicial, o marido a tratar bem, a rela&#231;&#227;o foi-se deteriorando progressivamente, culminando no div&#243;rcio:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#8220;Ent&#227;o no come&#231;o ele me tratava muito bem. Era como sabe, todos os homens (risos), que no come&#231;o era flores, depois come&#231;a (...) Ele tinha ci&#250;mes de mim e come&#231;ou a sair com outras mulheres. Me tra&#237;a muito e me xingava. Eu gostava muito dele mas n&#227;o dava para levar aquela vida&#8221;.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O div&#243;rcio favoreceu o envolvimento na situa&#231;&#227;o de tr&#225;fico para fins de explora&#231;&#227;o sexual. N&#227;o querendo voltar para casa dos pais, Maria viu na proposta de migra&#231;&#227;o uma oportunidade para se autonomizar financeiramente. Foi aliciada por um indiv&#237;duo de nacionalidade brasileira, que era conhecido na regi&#227;o por recrutar mulheres jovens para viajar para Portugal, com a promessa de trabalho e dignifica&#231;&#227;o das suas condi&#231;&#245;es de vida. Foi este indiv&#237;duo quem lhe comprou a passagem a&#233;rea e lhe emprestou dinheiro, resultando da&#237; uma d&#237;vida que teria que pagar quando instalada em Portugal. Maria nunca tinha estado envolvida anteriormente em actividades afectas &#224; ind&#250;stria do sexo e viajou para Portugal com a indica&#231;&#227;o de que iria trabalhar como auxiliar numa cl&#237;nica m&#233;dica. No seu caso, o projecto de emigra&#231;&#227;o teve uma motiva&#231;&#227;o estritamente econ&#243;mica, pretendendo regressar ao Brasil uma vez amealhado algum dinheiro:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#8220;Eu queria trabalhar, ganhar o meu dinheiro, sabe? Para chegar l&#225; no Brasil e ter alguma coisa para mim mais digna. Eu vim para c&#225; inocentemente, eu me sentia muito humilhada na casa da minha fam&#237;lia e a&#237; encontrei essa pessoa que disse que ia me dar um emprego numa cl&#237;nica, ou de pessoas idosas, e que eu ia conseguir os meus objectivos. Era tudo mentira. A&#237; me colocaram dentro da prostitui&#231;&#227;o&#8221;.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Contra a sua vontade, Maria foi obrigada a prostituir-se em casas de alterne da zona norte do pa&#237;s. Relatou v&#225;rias hist&#243;rias de viol&#234;ncia e de discrimina&#231;&#227;o, sobretudo pelo facto de ser brasileira:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#8220;Ter que suportar aqueles homens...voc&#234; n&#227;o tem no&#231;&#227;o do que &#233; voc&#234; ter que ir para a cama com um homem que voc&#234; nunca viu por dinheiro. Nojentos, asquerosos. (...) eu n&#227;o sei como muitas conseguem, eu n&#227;o consigo. (...) Fiquei doente de parar no hospital, passei necessidades. (...) Ele (o gerente da casa) me pediu dinheiro e a&#237;, como n&#227;o tinha, ele pegou e me bateu muito, muito mesmo. Ele disse que me matava e fiquei com medo. Fiquei toda machucada e ele disse que no dia seguinte eu ia trabalhar do mesmo jeito. (...) Ele me obrigou a cortar meu cabelo que era grande, acima do quadril. Nunca tinha cortado o cabelo na minha vida porque a minha religi&#227;o n&#227;o permite e ele me obrigou a usar lentes. Ele disse que eu parecia uma cigana. Foi a coisa mais dif&#237;cil da minha vida. Sou brasileira, n&#227;o sou cigana. Mas brasileira parece que atrai&#8221;.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Neste historial de viol&#234;ncia destaca-se igualmente a obrigatoriedade de pagar a d&#237;vida que havia contra&#237;do no Brasil com as despesas da passagem e outras:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#8220;A d&#237;vida n&#227;o acabava mais. O dinheiro que ganhava com os clientes era sempre pouco e nunca chegava (apontando para o caderno onde registava tudo). Depois havia as multas. Se n&#227;o transava com os clientes que ele queria, multa, se estava menstruada, multa, se engordava, multa.nunca mais acabavam as multas&#8221;.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A Maria mencionou sentir-se discriminada tamb&#233;m pelas mulheres portuguesas que, segundo ela, a v&#234;em invariavelmente como uma prostituta. O estigma parece acompanhar, na sua &#243;ptica, as mulheres brasileiras em geral, que s&#227;o acusadas de vir para Portugal <i>roubar os maridos &#224;s portuguesas.</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Na altura em que a entrevista foi realizada, Maria encontrava-se sob protec&#231;&#227;o do SEF, depois de ter sido desmantelada a rede de tr&#225;fico na qual estava envolvida. Procurava retomar a sua vida, longe da prostitui&#231;&#227;o, esperando regressar ao Brasil quanto antes para recome&#231;ar a vida que sentia ter sido interrompida. Maria designou o seu futuro como <i>vit&#243;ria,</i> acreditando que iria ser capaz de concretizar todos os seus objectivos: constituir fam&#237;lia e ter uma casa.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>Discuss&#227;o dos resultados/Conclus&#245;es</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Este estudo de caso aponta, de modo claro, para a necessidade de se analisar e compreender o fen&#243;meno do tr&#225;fico de mulheres brasileiras para fins de explora&#231;&#227;o sexual a partir de uma grelha te&#243;rica interseccional. Como j&#225; tivemos ocasi&#227;o de mencionar, as mulheres migrantes s&#227;o particularmente vulner&#225;veis &#224; discrimina&#231;&#227;o interseccional (Crenshaw, 1991), na medida em que s&#227;o afectadas pelas suas m&#250;ltiplas perten&#231;as identit&#225;rias, encerrando estas o somat&#243;rio de diferentes formas de opress&#227;o.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#201; nesta investiga&#231;&#227;o bem evidente a forma como se intersectam essas m&#250;ltiplas perten&#231;as identit&#225;rias. A interac&#231;&#227;o entre as perten&#231;as et&#225;ria, de g&#233;nero, de nacionalidade e de classe parece ter potenciado a exposi&#231;&#227;o de Maria a diferentes modalidades de discrimina&#231;&#227;o e de viol&#234;ncia, as quais, por sua vez, parecem ter favorecido o seu envolvimento na situa&#231;&#227;o concreta de tr&#225;fico para fins de explora&#231;&#227;o sexual.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A precariedade socioecon&#243;mica que caracteriza o seu contexto de origem, Goi&#225;s (e que de acordo com a PESTRAF &#233; o local de onde prov&#233;m a maioria das mulheres brasileiras traficadas), ter&#225; limitado as suas oportunidades de autonomiza&#231;&#227;o, a par do modelo patriarcal em torno do qual a sua educa&#231;&#227;o familiar foi sustentada. A rigidez e inflexibilidade no que respeita &#224;s pr&#225;ticas e aos discursos de g&#233;nero, ter&#225; acentuado a desigualdade de g&#233;nero no seio familiar (nomeadamente entre a Maria e os seus irm&#227;os rapazes, mas tamb&#233;m entre o pai e a m&#227;e), revelando-se essa desigualdade na separa&#231;&#227;o entre os espa&#231;os p&#250;blico e privado (sendo a Maria e a m&#227;e confinadas ao espa&#231;o privado) e na viol&#234;ncia f&#237;sica e emocional perpetrada pelo pai quer sobre os filhos, quer sobre a esposa. De real&#231;ar ainda o facto deste modelo patriarcal favorecer a legitima&#231;&#227;o da viol&#234;ncia sexual que os pais homens exercem sobre as suas filhas mulheres, sendo estas encaradas como propriedade dos patriarcas. Como recordam Narvaz e Koller, em 2006,</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#8220;A hist&#243;ria da institui&#231;&#227;o familiar, no Brasil, tem como ponto de partida o modelo patriarcal, importado pela coloniza&#231;&#227;o e adaptado &#224;s condi&#231;&#245;es sociais do Brasil de ent&#227;o, latifundi&#225;rio e escravagista. O patriarca era o detentor das posses, n&#227;o apenas de seu latif&#250;ndio, mas de sua fam&#237;lia, de seus agregados e escravos (p. 397).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Como pudemos constatar, Maria foi cronicamente v&#237;tima de abuso por parte do pai. A ades&#227;o a valores religiosos muito tradicionais impedia a fam&#237;lia de abordar e discutir quest&#245;es relacionadas com a sexualidade, sendo os comportamentos sexuais (com estranhos) antes do casamento reprovados. Esta <i>cultura tabu</i> n&#227;o s&#243; contribu&#237;a para a manuten&#231;&#227;o do sil&#234;ncio face ao abuso, como visava associar a sexualidade ao pecado, restringindo-a.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Embora a escola tivesse sido um contexto marcante na vida de Maria, permitindo-lhe experimentar a liberdade que n&#227;o conhecia, n&#227;o constituiu um efectivo factor de compensa&#231;&#227;o na vida desta jovem. A interrup&#231;&#227;o do seu percurso escolar quando frequentava o 9.&#176; ano, motivada pelo desejo de ser modelo e pela vontade de casar cedo para abandonar a fam&#237;lia (o pai especialmente), ter&#225; limitado certamente os seus recursos para fazer face &#224;s dificuldades econ&#243;micas que enfrentava. Os empregos de Maria sempre foram indiferenciados e inst&#225;veis, pelo que nunca chegou a adquirir independ&#234;ncia financeira. O casamento com um homem mais velho, que ela pr&#243;pria designou como precoce, n&#227;o se constituiu todavia como a melhor solu&#231;&#227;o para os seus problemas, j&#225; que a rela&#231;&#227;o com o marido foi igualmente marcada pela viol&#234;ncia. Assim, o casamento p&#244;s termo &#224; viol&#234;ncia sexual infligida pelo pai, mas n&#227;o &#224; viol&#234;ncia psicol&#243;gica, desta feita exercida pelo marido.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O div&#243;rcio, a resist&#234;ncia em voltar a casa dos pais, a necessidade de subsistir, as dificuldades econ&#243;micas e o sentimento instalado de des&#226;nimo aprendido constitu&#237;ram-se como factores de repuls&#227;o, promotores da decis&#227;o de imigrar. A promessa de um futuro condigno em Portugal, a proximidade com a l&#237;ngua e com a cultura, o conhecimento de outros <i>casos de sucesso, </i>funcionaram como factores de atrac&#231;&#227;o no caso de Maria. A conjuga&#231;&#227;o destes factores de repuls&#227;o e de atrac&#231;&#227;o concorreu para a escolha de Portugal como destino migrat&#243;rio e para o seu envolvimento involunt&#225;rio numa rede de tr&#225;fico de seres humanos. O perfil de Maria coadunava-se, pois, com o perfil de uma potencial v&#237;tima de tr&#225;fico para fins de explora&#231;&#227;o sexual: mulher estrangeira, jovem, bonita e oriunda de um pa&#237;s com n&#237;tidos contrastes sociais, onde as taxas de pobreza e de precariedade social s&#227;o muito elevadas (econ&#243;mica e socialmente vulner&#225;vel portanto).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Defraudando todas as suas expectativas, a emigra&#231;&#227;o intensificou as suas condi&#231;&#245;es de vulnerabilidade social. Inserida na ind&#250;stria do sexo contra a sua vontade, Maria foi confrontada com experi&#234;ncias de discrimina&#231;&#227;o &#233;tnico-cultural e com epis&#243;dios de viol&#234;ncia severa (f&#237;sica, psicol&#243;gica, sexual e social). De acordo com a pr&#243;pria, o facto de ser brasileira agravou a discrimina&#231;&#227;o e a viol&#234;ncia, uma vez que sobre as mulheres brasileiras recai o estigma da prostitui&#231;&#227;o (independentemente de serem ou n&#227;o prostitutas). Este dado vai ao encontro do que est&#225; documentado na literatura sobre os estere&#243;tipos constru&#237;dos em torno das mulheres brasileiras, fruto de representa&#231;&#245;es sociais assentes na ideia de uma sexualidade erotizada (Piscitelli, 2008; Fran&#231;a, 2010) que coisifica as migrantes (Machado, 2005) e as despersonaliza. A manuten&#231;&#227;o dos estere&#243;tipos n&#227;o s&#243; contribui para a invisibilidade da viol&#234;ncia e da discrimina&#231;&#227;o, como priva as mulheres brasileiras migrantes da protec&#231;&#227;o legal e social a que t&#234;m direito.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A hist&#243;ria de vida de Maria &#233; um exemplo entre muitos de uma mulher que &#233; enredada numa teia de discrimina&#231;&#227;o interseccional, que nos parece ser, acima de tudo, estrutural. A vulnerabilidade de Maria, ou de outras v&#237;timas de tr&#225;fico para fins de explora&#231;&#227;o sexual, n&#227;o &#233; intr&#237;nseca, mas socialmente determinada. A vulnerabilidade destas mulheres &#233; o produto de for&#231;as pol&#237;ticas, econ&#243;micas e culturais que actuam em v&#225;rios eixos das suas identidades e que as fragilizam nas suas op&#231;&#245;es e escolhas.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Refer&#234;ncias</b></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Banda, F., &#38; Chinkin, C. (2004). <i>Gender, minorities and indigenous peoples.</i>Minority Rights Group International. Retrieved from <a href="http://www.psicologi-nelmondo.org/pdf/minorityrights-aug2004.pdf" target="_blank">http://www.psicologi-nelmondo.org/pdf/minorityrights-aug2004.pdf</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=469977&pid=S0874-2049201000020000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="Verdana" size="2">Berger, M., &#38; Guidroz, K. (2009). Introduction. In M. Berger &#38; K. Guidroz (Eds.), The intersectional approach: Transforming academy through race, class and gender</i> (pp. 1-22). Durham NC: The University of North Carolina Press.</font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Brooks, W., &#38; Redlin, M. (2009). Occupational aspirations, rural to urban migration, and intersectionality: A comparison of White, Black, and Hispanic male and female group chances for leaving rural counties. <i>Southern Rural Sociology, 24(1),</i> 130-152.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=469979&pid=S0874-2049201000020000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Butler, J. (1990). <i>Gender trouble.</i> London: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=469981&pid=S0874-2049201000020000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Carling, J. (2006). <i>Migration, human smuggling and trafficking from Nigeria to Europe.</i>Oslo: International Organization for Migration.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=469983&pid=S0874-2049201000020000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Castles, S., &#38; Miller, M. (2003). <i>The age of migration: International population movements in the modern world.</i> Basingstoke, Nova Iorque, Macmillan.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=469985&pid=S0874-2049201000020000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Cavalcanti, V. (n.d.). <i>Tr&#225;fico de pessoas, pol&#237;ticas p&#250;blicas e o 4&#176;poder: Migra&#231;&#245;es que revelam vulnerabilidade e invisibilidade da condi&#231;&#227;o feminina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=469987&pid=S0874-2049201000020000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></i> Brasil: Universidade Cat&#243;lica do Salvador.</font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Collins, P. (2005). <i>Black sexual politics: African-Americans, gender, and the new racism.</i>New York: Routledge</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=469989&pid=S0874-2049201000020000900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Conselho de Europa (2005). <i>Council of Europe Convention on Action against Trafficking in Human Beings.</i> Retirado de <a href="http://www.coe.intA/dg2/trafficking/campaign/Source/PDF_Conv_197_Trafficking_E.pdf" target="_blank">http://www.coe.intA/dg2/trafficking/campaign/Source/PDF_Conv_197_Trafficking_E.pdf</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=469990&pid=S0874-2049201000020000900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Crenshaw, K. (1991). Mapping the margins: Intersectionality, identity, politics and violence against women of color. <i>Stanford Law Review. 43,</i> 1241-99.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=469991&pid=S0874-2049201000020000900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Crenshaw, K. (2002). Documento para o encontro de especialistas em aspectos da discrimina&#231;&#227;o social relativos ao g&#233;nero. <i>Revista dos Estudos Feministas. 10(1),</i>171-188.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=469993&pid=S0874-2049201000020000900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Fran&#231;a, T. (2010). Alternando entre o trabalho e o prazer: Considera&#231;&#245;es de uma doutoranda brasileira. O Cabo dos Trabalhos: <i>Revista Electr&#243;nica dos Programas de Mestrado e Doutoramento do CES/FEUC/FLUC.</i> 4, 1-12. Retirado de <a href="http://cabodostrabalhosZces.uc.pt/n4/ensaios.php" target="_blank">http://cabodostrabalhosZces.uc.pt/n4/ensaios.php</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=469995&pid=S0874-2049201000020000900012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Global Alliance Against Traffic in Women (2000). <i>Human Rights and Trafficking in Persons: A Handbook</i>. Bangkok, Thailand: Global Alliance Against Traffic in Women.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=469996&pid=S0874-2049201000020000900013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Guerra, I. (2006). <i>Pesquisa qualitativa e an&#225;lise de conte&#250;do. Sentidos e formas de uso.</i>Estoril: Principia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=469998&pid=S0874-2049201000020000900014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Hondagneu-Sotelo, P. (2005). <i>Gendering migration: Not for &#8220;feminists only&#8221; - and not only in the household.</i> The Center for Migration and Development: Princeton University. Retrieved from <a href="http://cmd.princeton.edu/papers/wp0502f.pdf" target="_blank">http://cmd.princeton.edu/papers/wp0502f.pdf</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=470000&pid=S0874-2049201000020000900015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">International Organization for Migration (2007). <i>The IOM Handbook on Direct Assistance for Victims of Trafficking.</i> Geneva: International Organization for Migration.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=470001&pid=S0874-2049201000020000900016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Langevin, L., &#38; Belleau, M. (2000). <i>Trafficking in women in Canada: A critical analysis of the legal framework governing immigrant live-in caregivers and mail-order brides.</i> Ontario: Status of Women Canada.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=470003&pid=S0874-2049201000020000900017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Leal, M., &#38; Leal, M. (2005). <i>Tr&#225;fico de mulheres, crian&#231;as e adolescentes para fins de explora&#231;&#227;o sexual comercial: Um fen&#244;meno transnacional</i>. Lisboa: SO-CIUS - Centro de Investiga&#231;&#227;o em Sociologia Econ&#243;mica e das Organiza&#231;&#245;es. Retirado de <a href="http://pascal.iseg.utl.pt/~socius/publicacoes/wp/wp200504.pdf" target="_blank">http://pascal.iseg.utl.pt/~socius/publicacoes/wp/wp200504.pdf</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=470005&pid=S0874-2049201000020000900018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Machado, I. (2005). <i>Implica&#231;&#245;es da imigra&#231;&#227;o estimulada por redes ilegais de aliciamento - O caso dos Brasileiros em Portugal.</i> Lisboa: SOCIUS - Centro de Investiga&#231;&#227;o em Sociologia Econ&#243;mica e das Organiza&#231;&#245;es. Retirado de <a href="http://pascal.iseg.utl.pt/~socius/publicacoes/wp/wp200503.pdf" target="_blank">http://pascal.iseg.utl.pt/~socius/publicacoes/wp/wp200503.pdf</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=470006&pid=S0874-2049201000020000900019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Minist&#233;rio da Administra&#231;&#227;o Interna (2009). <i>Relat&#243;rio Anual sobre Tr&#225;fico de Seres Humanos.</i>Retirado de <a href="http://www.otsh.mai.gov.pt/cms/files/conteudos/Manual_portugues.pdf" target="_blank">http://www.otsh.mai.gov.pt/cms/files/conteudos/Manual_portugues.pdf</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=470007&pid=S0874-2049201000020000900020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Moghadam, V. M. (1999). Gender and globalization: Female labor and women&#8217;s mobilization. <i>Journal of World-Systems Research. 2,</i> 367-388.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=470008&pid=S0874-2049201000020000900021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Miko, F. (2003). Trafficking in women and children: The U.S. and international response. In A. Troubnikoff (Ed.), <i>Trafficking in women and children: Current issues and developments</i> (pp. 1-25). New York: Nova Science Publishers.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=470010&pid=S0874-2049201000020000900022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Miranda, J. (2009). <i>Mulheres imigrantes em Portugal. Mem&#243;rias, dificuldades de integra&#231;&#227;o e projectos de vida.</i> Lisboa: CEMRI.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=470012&pid=S0874-2049201000020000900023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Narvaz, M., &#38; Koller, S. (2006). A concep&#231;&#227;o de fam&#237;lia de uma mulher-m&#227;e de v&#237;timas de incesto. <i>Psicologia Reflex&#227;o e Cr&#237;tica. 19(3),</i> 395-406. DOI: 10.1590/S0102-79722006000300008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=470014&pid=S0874-2049201000020000900024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Neves, S. (2010). Sonhos traficados (escravaturas modernas?): Tr&#225;fico de mulheres para fins de explora&#231;&#227;o sexual em Portugal. In S. Neves &#38; M. F&#225;vero (Coords.), <i>Vitimologia: Ci&#234;ncia e activismo</i> (pp. 195-226). Coimbra: Almedina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=470016&pid=S0874-2049201000020000900025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Neves, S., &#38; Nogueira, C. (2004). Metodologias feministas na psicologia social cr&#237;tica: A ci&#234;ncia ao servi&#231;o da mudan&#231;a social. <i>Ex-Aequo: Revista da Associa&#231;&#227;o Portuguesa de Estudos sobre as Mulheres, 11,</i> 122-138.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=470018&pid=S0874-2049201000020000900026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Nogueira, C. (2001) A an&#225;lise do discurso. In L. Almeida &#38; E. Fernandes (Coords.), <i>M&#233;todos e t&#233;cnicas de avalia&#231;&#227;o: Novos contributos para a pr&#225;tica e investiga&#231;&#227;o</i> (pp. 15-48). Braga: CeEp.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=470020&pid=S0874-2049201000020000900027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Nogueira, C. (no prelo). Introdu&#231;&#227;o &#224; teoria da interseccionalidade nos estudos de g&#233;nero. In S. Neves (Coord.), <i>G&#233;nero e ci&#234;ncias sociais.</i> Cast&#234;lo da Maia: Edi&#231;&#245;es ISMAI.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=470022&pid=S0874-2049201000020000900028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Nolin, C. 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(2005). <i>O tr&#225;fico de migrantes em Portugal: Perspectivas sociol&#243;gicas, jur&#237;dicas e pol&#237;tica.</i> Lisboa: ACIME/Observat&#243;rio da Imigra&#231;&#227;o.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=470029&pid=S0874-2049201000020000900032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Piscitelli, A. (2004). On gringos and natives, gender and sexuality in the context of international sex tourism. <i>Vibrant - Virtual Brazilian Anthropology, 1,</i>87-114. Retrieved form <a href="http://www.vibrant.org.br/portugues/artigos2004.htm" target="_blank">http://www.vibrant.org.br/portugues/artigos2004.htm</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=470031&pid=S0874-2049201000020000900033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Piscitelli, A. (2007). Brasileiras na ind&#250;stria transnational do sexo. <i>Nuevo Mundo-Mundos Nuevos,</i> 7, 20.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=470032&pid=S0874-2049201000020000900034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Piscitelli, A. (2008). Interseccionalidades, categorias de articula&#231;&#227;o e experi&#234;ncias de migrantes brasileiras. <i>Sociedade e cultura,</i> 11(2), 263-274.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=470034&pid=S0874-2049201000020000900035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Pittaway, E., &#38; Bartolomei, L. (2001). Refugees, race, and gender: The multiple discrimination against refugee women. <i>Xeno-Racism and International Migration, 19</i>(6), 21-32.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=470036&pid=S0874-2049201000020000900036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Raymond, J. (2002). Intersections between migration and trafficking. In J. Raymond (Coord.), <i>Comparative study of women trafficked in the migration process. Patterns, profiles and health consequences of sexual exploitation in five countries (Indonesia, the Philippines, Thailand, Venezuela and the United States). </i>(pp. 8-15). 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(2007). <i>Tr&#225;fico de mulheres em Portugal para fins de explora&#231;&#227;o sexual.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=470040&pid=S0874-2049201000020000900038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></i> Portugal. Projecto CAIM.</font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Santos, C. A. (2005). Mulheres imigrantes na imprensa Portuguesa. In SOS Racismo (Org.), <i>Imigra&#231;&#227;o e etnicidade - viv&#234;ncias e traject&#243;rias de mulheres em Portugal</i>(pp. 51-62). Lisboa: SOS Racismo</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=470042&pid=S0874-2049201000020000900039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Schecter, T. (1998). <i>Race, class, women and the state: The case of domestic labour.</i> Montr&#233;al: Black Rose Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=470043&pid=S0874-2049201000020000900040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">United Nations Development Programme (UNDP, 2006). <i>Taking gender equality seriously. Making progress, meeting new challenges.</i> New York: United Nations Development Programme. Retrieved form <a href="http://www.undp.org.pl/publikacje/TakingGenderEqualitySeriously.pdf" target="_blank">http://www.undp.org.pl/publikacje/TakingGenderEqualitySeriously.pdf</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=470045&pid=S0874-2049201000020000900041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">VanWynsberghe, R., &#38; Khan, S. (2007). Redefining case study. <i>International Journal of Qualitative Methods.</i> 6(2). Retrieved from <a href="http://www.ualberta.ca/~iiqm/backissues/6_2/vanwynsberghe.pdf" target="_blank">http://www.ualberta.ca/~iiqm/backissues/6_2/vanwynsberghe.pdf</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=470046&pid=S0874-2049201000020000900042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Notas</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top2"><sup>2</sup></a><a name="2"></a>Nome fict&#237;cio</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top3"><sup>3</sup></a><a name="3"></a>Especialmente as expressas no <i>International Organization for Migration Handbook on Direct Assistance for Victims of Trafficking</i> (2007): respeito pela privacidade e confidencialidade, preven&#231;&#227;o da re-vitima&#231;&#227;o, promo&#231;&#227;o da capacita&#231;&#227;o <i>(empowerment),</i> informa&#231;&#227;o sobre os direitos.</font></p>       ]]></body><back>
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