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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Violência entre pares na adolescência: Um estudo com estudantes no início e no final do 3.º ciclo do ensino básico]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This study aims at characterizing behaviours of peer violence, according to school level, gender and socio affective variables. Participants include a sample of 80 students attending the 3rd level of elementary education (grades 7 - 9), which were evaluated with QEVE, in two distinct moments: 7th and 9th grades. The results show that: i) the most frequent conducts of victimization and aggression are social exclusion and verbal aggression; ii) the victimization rates decrease from 7th to 9th grade although the aggression rates remain stable; iii) boys find themselves more involved in physical bullying situations than girls; vi) the felling towards school (i.e., school liking) and the perception of having friends are revealed has important protective aspects in victimization and aggression conducts. These results are suggestive of a differential educational intervention, oriented to socioemotional literacy, highlighting the role of peers in prevention of school violence.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="4"><b>Viol&ecirc;ncia entre pares na adolesc&ecirc;ncia: Um estudo com estudantes no in&iacute;cio e no final do 3.&ordm; ciclo do ensino b&aacute;sico</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="3"><b>Peer violence in adolescence: A study with students in the beginning in the end or the 3<sup>rd</sup> cicle of basic education</b></font></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Ana Cristina Ros&aacute;rio<sup>I</sup>, Adelinda Candeias<sup>II</sup> &amp; Madalena Melo<sup>II</sup></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><sup>I</sup>Universidade de &Eacute;vora</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><sup>I, II</sup> CIDEHUS- U&Eacute;</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><sup>c</sup><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></font></p>   <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Este estudo prop&otilde;e-se caraterizar comportamentos de viol&ecirc;ncia entre pares, em fun&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel de escolaridade, g&eacute;nero e vari&aacute;veis socioafetivas. Os participantes incluem uma amostra de 80 estudantes do 3.&ordm; ciclo do ensino b&aacute;sico (7.&ordm; &ndash; 9.&ordm; anos), avaliados com o QEVE, em dois momentos (7.&ordm; e 9.&ordm; anos). Os resultados demonstram que: i) as condutas de vitima&ccedil;&atilde;o e agress&atilde;o mais frequentes s&atilde;o a exclus&atilde;o social e a agress&atilde;o verbal; ii) a taxa de vitima&ccedil;&atilde;o diminui do 7.&ordm; para o 9.&ordm; ano, enquanto a taxa de agress&atilde;o mant&eacute;m-se est&aacute;vel; iii) os rapazes encontram-se mais envolvidos em situa&ccedil;&otilde;es de <i>bullying</i> f&iacute;sico do que as raparigas; iv) o sentimento face &agrave; escola (i.e., gostar da escola) e a perce&ccedil;&atilde;o de ter amigos revelam-se aspetos protetores especialmente importantes das condutas de vitima&ccedil;&atilde;o e agress&atilde;o entre os alunos do n&iacute;vel de escolaridade mais baixo. Estes resultados sugerem uma interven&ccedil;&atilde;o educativa diferenciada e orientada para a literacia socioemocional, destacando o papel dos pares na preven&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia escolar.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave:</b>Agress&atilde;o; Vitima&ccedil;&atilde;o; Bullying; Escola; Adolescentes.</font></p>  <hr size"1" noshade>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">This study aims at characterizing behaviours of peer violence, according to school level, gender and socio affective variables. Participants include a sample of 80 students attending the 3<sup>rd</sup> level of elementary education (grades 7 &ndash; 9), which were evaluated with QEVE, in two distinct moments: 7<sup>th</sup> and 9<sup>th</sup> grades. The results show that: i) the most frequent conducts of victimization and aggression are social exclusion and verbal aggression; ii) the victimization rates decrease from 7th to 9th grade although the aggression rates remain stable; iii) boys find themselves more involved in physical bullying situations than girls; vi) the felling towards school (i.e., school liking) and the perception of having friends are revealed has important protective aspects in victimization and aggression conducts. These results are suggestive of a differential educational intervention, oriented to socioemotional literacy, highlighting the role of peers in prevention of school violence.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Keywords:</b> Aggression; Victimization; Bullying; School; Adolescents.</font></p>      <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>      <p><font face="Verdana" size="2">A viol&ecirc;ncia entre pares &ndash; <i>bullying</i> &ndash; constitui-se como um fen&oacute;meno preocupante em contextos educativos. Nos &uacute;ltimos anos tem-se assistido a um aumento substancial da investiga&ccedil;&atilde;o nesta &aacute;rea, n&atilde;o s&oacute; porque estamos perante um problema com contornos cada vez mais complexos, mas tamb&eacute;m porque parece afetar todo o clima escolar (Rose, Nickerson, &amp; Stormont, 2015; UNESCO, 2017) e deixar marcas profundas nos seus intervenientes (NASEM, 2016).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O termo <i>bullying</i> pode definir-se como um subtipo do comportamento agressivo (Martins &amp; Silva, 2014), que pretende designar determinadas condutas de vitima&ccedil;&atilde;o e agress&atilde;o que ocorrem entre pares, de modo intencional e continuado, em que o abuso perpetrado pelo mais forte sobre o mais fraco, ou o abuso de um grupo sobre uma v&iacute;tima indefesa parece ser a carater&iacute;stica mais saliente (Rose et al., 2015).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O <i>bullying</i> manifesta-se atrav&eacute;s de condutas de distinta natureza (NASEM, 2016), podendo caraterizar-se como: (i) <i>direto e f&iacute;sico</i>, que implica atacar fisicamente outra pessoa, roubar ou danificar os seus pertences; (ii) <i>direto e verbal</i>, que implica chamar nomes, opor-se com uma atitude desafiadora e amea&ccedil;ar; (iii) <i>indireto</i>, que implica espalhar rumores pejorativos ou isolar socialmente.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A maioria dos estudos sobre o <i>bullying</i> entre pares coloca tamb&eacute;m em destaque a dimens&atilde;o grupal deste fen&oacute;meno (Rodkin, Espelage, &amp; Hanish, 2015; Thornberg, 2015), sendo poss&iacute;vel identificar diferentes pap&eacute;is de participa&ccedil;&atilde;o no <i>bullying,</i> nomeadamente: v&iacute;timas, agressores, v&iacute;timas/agressoras (tamb&eacute;m designadas por v&iacute;timas provocadoras) e observadores (cujo papel pode variar do apoio aos agressores principais &ndash; assistentes ou refor&ccedil;adores, at&eacute; &agrave; ajuda &agrave; v&iacute;tima &ndash; defensores, passando pela indiferen&ccedil;a ou pela ignor&acirc;ncia das ocorr&ecirc;ncias &ndash; <i>outsiders</i>; Salmivalli, 2014). Alguns estudos t&ecirc;m investigado as carater&iacute;sticas destes diferentes intervenientes, sobretudo aquilo que distingue as v&iacute;timas dos agressores (para uma revis&atilde;o ver NASEM, 2016).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">De acordo com os dados da investiga&ccedil;&atilde;o, os comportamentos de <i>bullying</i> s&atilde;o comuns em contexto escolar (UNESCO, 2017), embora haja grandes disparidades na preval&ecirc;ncia destes fen&oacute;menos entre os v&aacute;rios tipos de <i>bullying</i> e entre pa&iacute;ses, o que provavelmente tamb&eacute;m se deve &agrave;s diferentes metodologias e instrumentos utilizados nos v&aacute;rios estudos (Hymel &amp; Swearer, 2015; Olweus, 2010).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">No que respeita &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de <i>bullying</i> mais frequentes na adolesc&ecirc;ncia, t&ecirc;m-se destacado as condutas de agress&atilde;o indireta e direta verbal (UNESCO, 2017). Salienta-se que apesar do <i>bullying</i> indireto ou relacional ser uma forma de agress&atilde;o mais encoberta, esta parece apresentar consequ&ecirc;ncias mais danosas e persistentes sobre as v&iacute;timas (Lucas-Molina, Pulido, &amp; Mart&iacute;n-Seoane, 2010).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os estudos apontam ainda para diferen&ccedil;as nos comportamentos de <i>bullying</i> em fun&ccedil;&atilde;o do g&eacute;nero, da idade e do n&iacute;vel de escolaridade. No que diz respeito ao g&eacute;nero, os rapazes aparecem envolvidos no <i>bullying</i>, quer enquanto v&iacute;timas quer no papel de agressores mais frequentemente do que as raparigas (Matos, Sim&otilde;es, Camacho, Reis, &amp; Equipa Aventura Social, 2015; NASEM, 2016). As diferen&ccedil;as de g&eacute;nero parecem n&atilde;o ser s&oacute; quantitativas como tamb&eacute;m qualitativas, na medida em que os rapazes tendem a envolver-se mais em epis&oacute;dios de viol&ecirc;ncia que revestem maior gravidade em compara&ccedil;&atilde;o com as raparigas (Rose et al., 2015).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os estudos indicam tamb&eacute;m que os rapazes tendem a estar mais envolvidos em situa&ccedil;&otilde;es de <i>bullying</i> f&iacute;sico, quer no papel de agressores, quer de v&iacute;timas (Luxenberg, Limber, &amp; Olweus, 2015; NASEM, 2016), enquanto as raparigas tendem a estar mais envolvidas em situa&ccedil;&otilde;es de <i>bullying</i> indireto (Rose et al., 2015; NASEM, 2016). Quanto &agrave; agress&atilde;o verbal, as diferen&ccedil;as de g&eacute;nero s&atilde;o menos consistentes (Kokkinos, 2013).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">No que diz respeito &agrave; idade e n&iacute;vel de escolaridade, os estudos nacionais e internacionais apontam para uma rela&ccedil;&atilde;o inversa entre a idade (ou n&iacute;vel de escolaridade) e as condutas de viol&ecirc;ncia entre pares (Matos et al., 2015; NASEM, 2016), com alguns estudos a apontar para um pico de ocorr&ecirc;ncias nas fases iniciais da adolesc&ecirc;ncia (Luxenberg et al., 2015; NASEM, 2016).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os distintos tipos de viol&ecirc;ncia entre pares parecem tamb&eacute;m sofrer altera&ccedil;&otilde;es em fun&ccedil;&atilde;o da idade e/ou n&iacute;vel de escolaridade. Ou seja, enquanto as agress&otilde;es f&iacute;sicas tendem a diminuir consideravelmente com a idade, a viol&ecirc;ncia verbal tende a manter-se, e a viol&ecirc;ncia indireta ou relacional parece aumentar (Lucas-Molina et al., 2010). Por exemplo, em estudos realizados em Portugal, tem-se encontrado um maior envolvimento dos alunos mais novos (1.&ordm; e 2.&ordm; ciclos) em situa&ccedil;&otilde;es de <i>bullying</i> f&iacute;sico, em compara&ccedil;&atilde;o com alunos mais velhos (3.&ordm; ciclo e ensino secund&aacute;rio) (Seixas, Coelho, &amp; Nicolas-Fischer, 2013). Estes &uacute;ltimos, quando se envolvem neste tipo de condutas, tendem a recorrer mais ao <i>bullying</i> indireto e relacional (Bizai, Melo, &amp; Candeias, 2016).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Outro dado a destacar &eacute; que o n&uacute;mero de agressores parece apresentar uma maior estabilidade atrav&eacute;s dos diferentes n&iacute;veis de escolaridade, enquanto as v&iacute;timas tendem a apresentar um decr&eacute;scimo com o n&iacute;vel de escolaridade (Luxenberg et al., 2015; Seixas et al., 2013).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">No que diz respeito &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre <i>bullying</i> e vari&aacute;veis de natureza socioafetiva, os dados da investiga&ccedil;&atilde;o parecem evidenciar que os sentimentos face &agrave; escola e a perce&ccedil;&atilde;o de ter amigos constituem-se como fatores importantes nas situa&ccedil;&otilde;es de vitima&ccedil;&atilde;o e de agress&atilde;o. As rela&ccedil;&otilde;es sociais com pares e, em especial, ter amigos de qualidade, parecem constituir-se como fatores potenciais de prote&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as evitando que se tornem v&iacute;timas (Espelage &amp; Colbert, 2016; Melo &amp; Duarte, 2011; Ros&aacute;rio &amp; Duarte, 2010). V&aacute;rios estudos mostram tamb&eacute;m que os sentimentos face &agrave; escola (gostar ou n&atilde;o da escola) se relacionam com os fen&oacute;menos de <i>bullying</i>. Assim, crian&ccedil;as e adolescentes envolvidos em <i>bullying</i> (como <i>bullies</i>, v&iacute;timas ou <i>bully</i>-v&iacute;tima) gostam significativamente menos da escola do que estudantes n&atilde;o envolvidos neste fen&oacute;meno (Luxenberg et al., 2015).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Estes dados evidenciam a import&acirc;ncia de um clima social escolar que propicie as rela&ccedil;&otilde;es de amizade, bem como a colabora&ccedil;&atilde;o e interajuda entre pares, aspeto que tem vindo a ser considerado fundamental ao n&iacute;vel da interven&ccedil;&atilde;o, nomeadamente na preven&ccedil;&atilde;o do <i>bullying</i> em contexto escolar (e.g. Blatchford, Pellegrini &amp; Baines, 2016; Cornell &amp; Bradschow, 2015; Espelage &amp; Colbert, 2016; Thapa, Cohen, Guffey &amp; Higgins-D`Alessandro, 2013). H&aacute; ainda que considerar que a escola, enquanto microssistema central na vida das pessoas, &eacute; um espa&ccedil;o privilegiado para o fortalecimento de rela&ccedil;&otilde;es saud&aacute;veis, cooperativas e amistosas, constituindo-se, assim, como um contexto prop&iacute;cio ao desenvolvimento de compet&ecirc;ncias sociais e emocionais. Este &uacute;ltimo aspeto &eacute; de primordial import&acirc;ncia, se tivermos em conta que alguns estudos (e.g. Espelage &amp; Colbert, 2016; Matos, Gaspar, Ferreira, &amp; Equipa Aventura Social, 2013) indicam que as crian&ccedil;as e adolescentes envolvidos no <i>bullying</i> carecem de determinadas compet&ecirc;ncias sociais e emocionais, que lhes permitam interagir de forma eficaz com os seus pares e responder de forma adaptativa a situa&ccedil;&otilde;es desagrad&aacute;veis ou amea&ccedil;adoras.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Tamb&eacute;m o clima da escola (designadamente a qualidade e a consist&ecirc;ncia das rela&ccedil;&otilde;es interpessoais, o sentimento de perten&ccedil;a &agrave; comunidade escolar e a perce&ccedil;&atilde;o de seguran&ccedil;a que a escola veicula) se relaciona com os fen&oacute;menos de <i>bullying</i>. Diversas investiga&ccedil;&otilde;es mostram que escolas com clima escolar mais positivo evidenciam menores taxas de <i>bullying</i> e discrimina&ccedil;&atilde;o, bem como menos problemas comportamentais (Bear et al., 2016; Voight &amp; Hanson, 2017). De uma forma mais global, as investiga&ccedil;&otilde;es mostram que gostar e estar envolvido na escola, bem como ter boas rela&ccedil;&otilde;es com pares, faz diminuir a probabilidade de participar em fen&oacute;menos de <i>bullying</i>, quer como v&iacute;tima, quer como agressor; pelo contr&aacute;rio, quanto maior o envolvimento em situa&ccedil;&otilde;es de <i>bullying</i>, mais negativas ser&atilde;o as perce&ccedil;&otilde;es da experi&ecirc;ncia escolar destes estudantes (Espelage &amp; Colbert, 2016).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Feita a carateriza&ccedil;&atilde;o dos principais dados da investiga&ccedil;&atilde;o, que se t&ecirc;m revelado fundamentais, quer para documentar a extens&atilde;o do problema, quer para compreender a sua natureza, passamos a apresentar o presente estudo emp&iacute;rico, que tem como principais objetivos: 1) caraterizar os comportamentos relacionados com situa&ccedil;&otilde;es de <i>bullying</i> (vitima&ccedil;&atilde;o, agress&atilde;o e observa&ccedil;&atilde;o), no in&iacute;cio e no final do 3.&ordm; ciclo do ensino b&aacute;sico; e, 2) analisar diferen&ccedil;as nas condutas de vitima&ccedil;&atilde;o e agress&atilde;o em fun&ccedil;&atilde;o de vari&aacute;veis desenvolvimentais (ano de escolaridade), sociodemogr&aacute;ficas (g&eacute;nero) e socioafetivas (sentimento pela escola e perce&ccedil;&atilde;o de ter amigos na escola e na turma).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Este estudo &eacute; relevante no contexto educativo portugu&ecirc;s porque carateriza os comportamentos de vitima&ccedil;&atilde;o e agress&atilde;o de um mesmo grupo de estudantes em dois momentos distintos do seu percurso escolar (7.&ordm; e 9.&ordm; anos), permitindo uma an&aacute;lise desenvolvimental. Em termos de aplica&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica, o nosso objetivo &eacute; a partir da an&aacute;lise dos resultados definir estrat&eacute;gias de interven&ccedil;&atilde;o adequadas ao contexto onde se insere esta investiga&ccedil;&atilde;o.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>M&eacute;todo</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Participantes</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Participaram neste estudo 80 estudantes do 3.&ordm; ciclo do ensino b&aacute;sico (36 rapazes e 44 raparigas) avaliados em dois momentos distintos do seu percurso escolar, nomeadamente: no 7.&ordm; ano e no 9.&ordm; ano de escolaridade. Embora tratando-se da mesma amostra, por raz&otilde;es de salvaguarda da confidencialidade requerida pelo estabelecimento de ensino em que decorreu o estudo, acautelou-se o anonimato dos alunos em ambas as aplica&ccedil;&otilde;es.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os estudantes inquiridos, com uma m&eacute;dia de idades de 12.65 (<i>DP</i>&plusmn;.84) no 7.&ordm; ano e de 14.65 (<i>DP</i>&plusmn;.84) no 9.&ordm; ano, foram os mesmos, e observa-se que as carater&iacute;sticas se mant&ecirc;m est&aacute;veis, quer nos rapazes, quer nas raparigas, em termos de sentimento pela escola, perce&ccedil;&atilde;o de amigos na escola e na turma e n&uacute;mero de reten&ccedil;&otilde;es (as raparigas com um m&aacute;ximo de 2 reten&ccedil;&otilde;es e os rapazes com um m&aacute;ximo de 3) (<a href="/img/revistas/psi/v31n2/31n2a05t1.jpg">Tabela 1</a>).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Instrumento</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Para a recolha de dados utilizou-se o Question&aacute;rio de Exclus&atilde;o Social e Viol&ecirc;ncia Escolar (QEVE), adaptado para estudantes do 3.&ordm; Ciclo e Secund&aacute;rio por Martins (2003; 2005). O QEVE &eacute; constitu&iacute;do por tr&ecirc;s subescalas, com 15 itens cada, para avaliar as condutas de vitima&ccedil;&atilde;o, de agress&atilde;o e de observa&ccedil;&atilde;o de vitima&ccedil;&atilde;o e agress&atilde;o na escola. Os itens s&atilde;o iguais nas tr&ecirc;s subescalas, sendo a sua reda&ccedil;&atilde;o adaptada para refletir a diferen&ccedil;a das situa&ccedil;&otilde;es de vitima&ccedil;&atilde;o, agress&atilde;o e observa&ccedil;&atilde;o. No conjunto, cada subescala inclu&iacute; 4 itens relativos a situa&ccedil;&otilde;es de exclus&atilde;o social ou vitima&ccedil;&atilde;o/agress&atilde;o indireta (e.g., ignorar algu&eacute;m, falar mal de algu&eacute;m); 2 itens relativos a situa&ccedil;&otilde;es de agress&atilde;o verbal (e.g., insultar, chamar nomes); e 9 itens relativos a situa&ccedil;&otilde;es de vitima&ccedil;&atilde;o/agress&atilde;o f&iacute;sica de v&aacute;rios n&iacute;veis de gravidade (e.g., bater, amea&ccedil;ar para meter medo, amea&ccedil;ar com armas). As respostas s&atilde;o dadas numa escala tipo <i>likert</i> de 4 pontos (1= nunca; 2= algumas vezes; 3= muitas vezes; 4= quase sempre).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O question&aacute;rio utilizado neste estudo inicia-se com algumas quest&otilde;es de carateriza&ccedil;&atilde;o pessoal (idade, sexo, n.&ordm; de reten&ccedil;&otilde;es) e alguns itens sobre a perce&ccedil;&atilde;o dos alunos relativamente ao sentimento perante a escola e &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es sociais/amizades na escola e na turma.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">De acordo com os estudos de valida&ccedil;&atilde;o deste instrumento para a popula&ccedil;&atilde;o adolescente portuguesa (Martins, 2003; 2005), cada uma das subescalas do QEVE avalia diferentes dimens&otilde;es, na mesma linha da escala original (Diaz-Aguado, Martinez Arias, &amp; Mart&iacute;n-Seoane, 2004), ainda que com ligeiras diferen&ccedil;as. Assim, a an&aacute;lise fatorial do estudo de Martins (2003, 2005), atrav&eacute;s do m&eacute;todo de componentes principais, com rota&ccedil;&atilde;o Promax, devido &agrave; rela&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica entre as vari&aacute;veis, evidenciou na subescala de<i> Vitima&ccedil;&atilde;o</i> dois fatores explicativos de 46.8 % da vari&acirc;ncia total (&alpha; = .84). O 1.&ordm; fator, com um valor pr&oacute;prio de 4.48, agrupa 6 itens relacionados com a agress&atilde;o verbal e relacional e com o isolamento social (os meus colegas ignoram-me, impedem-me de participar nas atividades, falam mal de mim, rejeitam-me, insultam-me e gozam-me, chamam-me nomes que me ofendem e ridicularizam), tendo sido denominado de <i>Exclus&atilde;o Social e Agress&atilde;o Verbal</i>. O 2.&ordm; fator, com um valor pr&oacute;prio de 4.61, agrupa 9 itens relacionados com a agress&atilde;o f&iacute;sica (os meus colegas escondem-me coisas, estragam-me coisas, roubam-me coisas, batem-me, amea&ccedil;am-me para me meter medo, obrigam-me a fazer coisas que eu n&atilde;o quero, intimidam-me com frases ou insultos de car&aacute;cter sexual, obrigam-me a participar em situa&ccedil;&otilde;es de car&aacute;cter sexual, amea&ccedil;am-me com armas), tendo sigo denominado de <i>Agress&atilde;o F&iacute;sica.</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A an&aacute;lise fatorial da subescala de <i>Agress&atilde;o</i> permitiu obter uma estrutura fatorial com os mesmos 2 fatores, explicativos de 48.1% da vari&acirc;ncia total (&alpha; = .80) e com valores pr&oacute;prios de 4.92 e 3.57, respetivamente. O fator 1 &ndash; <i>Agress&atilde;o F&iacute;sica</i> &ndash; agrupa 8 itens diretamente relacionados com comportamentos de agress&atilde;o f&iacute;sica (estraguei coisas, roubei, bati, ameacei para meter medo, obriguei, atrav&eacute;s de amea&ccedil;as, a fazer coisas que n&atilde;o quer, intimidei com frases e insultos de car&aacute;cter sexual, obriguei a ter comportamentos e a participar em situa&ccedil;&otilde;es de car&aacute;cter sexual, ameacei com armas). O fator 2 &ndash; <i>Exclus&atilde;o Social e Agress&atilde;o Verbal</i> &ndash; agrupa 7 itens relacionados com comportamentos de agress&atilde;o verbal e isolamento social (ignorei um colega, impedi de participar nas minhas atividades, falei mal, rejeitei, insultei ou gozei, chamei nomes que ofendem e ridicularizam, escondi coisas).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A an&aacute;lise fatorial da subescala de<i> Observa&ccedil;&atilde;o</i> mostrou a exist&ecirc;ncia de 3 fatores explicativos de 62.9 % da vari&acirc;ncia total (<i>&alpha;</i> = .89) e com valores pr&oacute;prios de 5.28, 4.58 e 3.58, respetivamente. O 1.&ordm; fator &ndash; <i>Observa&ccedil;&atilde;o de Agress&atilde;o Menor</i> &ndash; agrupa 5 itens relacionados com a observa&ccedil;&atilde;o de agress&otilde;es consideradas menos graves (esconderem coisas, estragarem coisas, roubarem, baterem, amea&ccedil;arem para meter medo). O 2.&ordm; fator &ndash; <i>Observa&ccedil;&atilde;o de Exclus&atilde;o Social e Agress&atilde;o Verbal</i> &ndash; agrupa os 6 itens equivalentes aos do fator 1 da subescala de <i>Vitima&ccedil;&atilde;o</i> (ignorarem um colega, impedirem de participar nas atividades, falarem mal de, rejeitarem, insultarem e gozarem, chamarem nomes que ofendem e ridicularizam). J&aacute; o 3.&ordm; fator &ndash; <i>Observa&ccedil;&atilde;o de Agress&atilde;o Grave</i> &ndash;, agrupa 4 itens relacionados com agress&otilde;es de maior gravidade (obrigarem com amea&ccedil;as a fazer coisas que n&atilde;o quer, intimidarem com frases e insultos de car&aacute;cter sexual, obrigarem a comportamentos ou a participar em situa&ccedil;&otilde;es de car&aacute;cter sexual, amea&ccedil;arem com armas).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Para a amostra do presente estudo, o grau de consist&ecirc;ncia interna do instrumento foi avaliado por meio do &iacute;ndice <i>alpha</i> de Cronbach, no primeiro e no segundo momento de avalia&ccedil;&atilde;o (7.&ordm; e 9.&ordm; anos). Na subescala de <i>vitima&ccedil;&atilde;o</i> obteve-se no 7.&ordm; ano &alpha;=.84 (14 itens) e no 9.&ordm; ano &alpha;=.71 (12 itens); na subescala de <i>agress&atilde;o</i> obteve-se no 7.&ordm; ano &alpha;=.78 (13 itens) e no 9.&ordm; ano &alpha;=.88 (14 itens); e na subescala de <i>observa&ccedil;&atilde;o</i> &alpha;=.93 (15 itens), em ambos os anos de escolaridade. Atendendo &agrave; dimens&atilde;o da amostra (N=80) e ao n&uacute;mero de itens do instrumento (45 itens), n&atilde;o estavam reunidas as condi&ccedil;&otilde;es para proceder &agrave; an&aacute;lise fatorial do QEVE para os participantes deste estudo (Tabachnick &amp; Fidell, 2013), raz&atilde;o pela qual recorremos &agrave; estrutura fatorial identificada no estudo de Martins (2003, 2005).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Procedimento</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O QEVE foi aplicado em dois momentos distintos do percurso escolar de um grupo de estudantes duma escola da cidade de &Eacute;vora (no ano inicial e no ano final do 3.&ordm; ciclo do ensino b&aacute;sico &ndash; 7.&ordm; e 9.&ordm; anos de escolaridade). Em ambos os momentos, o Question&aacute;rio foi aplicado por uma das investigadoras, em contexto de sala de aula no in&iacute;cio do 2.&ordm; per&iacute;odo letivo (janeiro). Todos os participantes e respetivos encarregados de educa&ccedil;&atilde;o foram informados do objetivo do estudo e deram o seu consentimento informado por escrito, tendo-se salvaguardado a confidencialidade dos dados recolhidos e o seu uso para fins de investiga&ccedil;&atilde;o.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Ainda que no primeiro momento todos os alunos a frequentar o 7.&ordm; ano do estabelecimento de ensino onde decorreu o estudo, tenham sido avaliados com o QEVE, neste estudo apenas foram consideradas as turmas que mantiveram a sua composi&ccedil;&atilde;o ao longo do 3.&ordm; ciclo. Para assegurar a estabilidade da perman&ecirc;ncia dos alunos nas turmas, recorreu-se &agrave; an&aacute;lise e compara&ccedil;&atilde;o das listas com os nomes dos alunos por turma em ambos os momentos, de modo a garantir que est&aacute;vamos perante a mesma amostra, embora n&atilde;o seja poss&iacute;vel emparelhar os participantes pela condi&ccedil;&atilde;o de anonimato. Este procedimento ainda que condicione a realiza&ccedil;&atilde;o de compara&ccedil;&otilde;es intraindividuais, salvaguarda a condi&ccedil;&atilde;o de estarmos perante o mesmo grupo.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O tratamento estat&iacute;stico dos dados obtidos foi efetuado atrav&eacute;s do programa IBM SPSS <i>Statistics</i>, vers&atilde;o 21. Nestas an&aacute;lises recorreu-se &agrave; estat&iacute;stica descritiva e &agrave; compara&ccedil;&atilde;o de m&eacute;dias, por meio do teste <i>t</i> de <i>Student</i>, considerando a signific&acirc;ncia <i>p</i>Ë‚.05. Complementou-se a an&aacute;lise das diferen&ccedil;as de m&eacute;dias com o estudo do tamanho do efeito (TDE) atrav&eacute;s do <i>d</i> de Cohen, para grupos independentes e desvios-padr&atilde;o similares (Cohen, 1988; Esp&iacute;rito-Santo, &amp; Daniel, 2015). Para interpreta&ccedil;&atilde;o dos tamanhos do efeito, utilizou-se a proposta de Cohen (1988): insignificante (&lt;.19), pequeno (.20 a .49), m&eacute;dio (.50 a .79) e grande (.80 a 1.29).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">No estudo de compara&ccedil;&atilde;o de m&eacute;dias, os resultados obtidos no QEVE foram convertidos em pontua&ccedil;&otilde;es estandardizadas de m&eacute;dia 50 e desvio-padr&atilde;o 10, dado que as subescalas e respetivas dimens&otilde;es apresentam diferente n&uacute;mero de itens.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Para analisar as diferen&ccedil;as em fun&ccedil;&atilde;o do ano de escolaridade e do g&eacute;nero, consideraram-se os resultados nas subescalas de vitima&ccedil;&atilde;o e agress&atilde;o, bem como as respetivas dimens&otilde;es, de acordo com a estrutura fatorial encontrada nos estudos de valida&ccedil;&atilde;o do QEVE para a popula&ccedil;&atilde;o adolescente portuguesa (e.g. Martins, 2003, 2005). A an&aacute;lise das diferen&ccedil;as em fun&ccedil;&atilde;o das vari&aacute;veis socioafetivas (sentimento pela escola, perce&ccedil;&atilde;o de ter amigos na escola e na turma) incidiu apenas nos resultados totais das subescalas de vitima&ccedil;&atilde;o e agress&atilde;o.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESULTADOS</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>An&aacute;lise descritiva dos resultados do QEVE</b></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Na an&aacute;lise descritiva dos resultados no QEVE teve-se em conta a an&aacute;lise das frequ&ecirc;ncias de respostas por item, para cada uma das tr&ecirc;s subescalas do QEVE (vitima&ccedil;&atilde;o, agress&atilde;o e observa&ccedil;&atilde;o) e tendo em conta os dois momentos de avalia&ccedil;&atilde;o (7.&ordm; e 9.&ordm; anos), considerando a m&eacute;dia do somat&oacute;rio das percentagens relativas &agrave;s alternativas de resposta <i>algumas vezes</i>,<i> muitas vezes</i> e<i> quase sempre</i> (<a href="/img/revistas/psi/v31n2/31n2a05t2.jpg">Tabela 2</a>).</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Uma an&aacute;lise geral dos valores apresentados na <a href="/img/revistas/psi/v31n2/31n2a05t2.jpg">Tabela 2</a> evidencia que, em ambos os momentos de avalia&ccedil;&atilde;o (7.&ordm; e 9.&ordm; anos), bem como em todos os itens, as situa&ccedil;&otilde;es de observa&ccedil;&atilde;o apresentam maior frequ&ecirc;ncia do que as situa&ccedil;&otilde;es de agress&atilde;o ou vitima&ccedil;&atilde;o. Estes dados v&atilde;o no sentido de que a observa&ccedil;&atilde;o de situa&ccedil;&otilde;es de agress&atilde;o entre pares &eacute; recorrente entre adolescentes desta faixa et&aacute;ria (ou n&iacute;vel de escolaridade) (Tsang, Hui, &amp; Law, 2011).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Analisando ainda a <a href="/img/revistas/psi/v31n2/31n2a05t2.jpg">Tabela 2</a> verifica-se que, nas tr&ecirc;s subescalas do QEVE (vitima&ccedil;&atilde;o, agress&atilde;o e observa&ccedil;&atilde;o), os itens com maior frequ&ecirc;ncia s&atilde;o os que se referem &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es de vitima&ccedil;&atilde;o/agress&atilde;o indireta (itens 1, 2, 3 e 4) e de agress&atilde;o verbal (itens 5 e 6), bem como o item 7 (&ldquo;esconder coisas&rdquo;), no mesmo sentido do que se verificado noutras investiga&ccedil;&otilde;es com este instrumento (Martins, 2003, 2005; Melo &amp; Duarte, 2011; Ros&aacute;rio &amp; Duarte, 2010). Por sua vez, a conduta que se destaca em termos de maior frequ&ecirc;ncia &eacute; &ldquo;falar mal de&rdquo;, o que tamb&eacute;m tem sido evidenciado em outros estudos (e.g. Ros&aacute;rio &amp; Duarte, 2010). De real&ccedil;ar, por &uacute;ltimo, que os itens referentes a situa&ccedil;&otilde;es de agress&atilde;o f&iacute;sica grave s&atilde;o os que apresentam menor frequ&ecirc;ncia, inclusivamente, nas subescalas de vitima&ccedil;&atilde;o e de agress&atilde;o, alguns apresentam mesmo uma frequ&ecirc;ncia nula (itens 14 e 15).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>A vitima&ccedil;&atilde;o e agress&atilde;o em fun&ccedil;&atilde;o do ano de escolaridade </b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O estudo das diferen&ccedil;as nos resultados do QEVE (subescalas/dimens&otilde;es) em fun&ccedil;&atilde;o do ano de escolaridade contemplou a amostra total (N=80) e as subamostras em fun&ccedil;&atilde;o do g&eacute;nero (44 raparigas e 36 rapazes) (<a href="/img/revistas/psi/v31n2/31n2a05t3.jpg">Tabela 3</a>).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Pela an&aacute;lise da <a href="/img/revistas/psi/v31n2/31n2a05t3.jpg">Tabela 3</a>, tomando a amostra total, verifica-se que os resultados de vitima&ccedil;&atilde;o apresentam um decr&eacute;scimo do primeiro para o segundo momento de avalia&ccedil;&atilde;o (7.&ordm; e 9.&ordm; anos, respetivamente), sendo essa diferen&ccedil;a estatisticamente significativa (<i>p</i>&lt;.05), quer para o total da subescala de vitima&ccedil;&atilde;o quer para as respetivas dimens&otilde;es, mas com tamanho de efeito pequeno (os valores de <i>d</i> de Cohen situam-se entre .30 e .40). Por sua vez, os resultados de agress&atilde;o tendem a apresentar uma maior estabilidade temporal, n&atilde;o se encontrando diferen&ccedil;as estatisticamente significativas entre os dois momentos de avalia&ccedil;&atilde;o (7.&ordm; e 9.&ordm; anos). Estes dados est&atilde;o de acordo com a investiga&ccedil;&atilde;o que aponta para uma diminui&ccedil;&atilde;o da vitima&ccedil;&atilde;o ao longo da escolaridade (Lucas-Molina et al. 2010; NASEM, 2016; Rose et al., 2015), enquanto a agress&atilde;o se mant&eacute;m mais est&aacute;vel ao longo da escolaridade (Luxenberg et al., 2015).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Regista-se outro dado digno de realce quando comparamos as diferen&ccedil;as, entre o primeiro e o segundo momentos da avalia&ccedil;&atilde;o, separadamente para os rapazes e para as raparigas. Nas raparigas, as diferen&ccedil;as s&atilde;o estatisticamente significativas (<i>p</i>&lt;.05), quer na subescala de vitima&ccedil;&atilde;o quer na dimens&atilde;o <i>v&iacute;tima de exclus&atilde;o social e agress&atilde;o verbal,</i> no sentido de uma diminui&ccedil;&atilde;o do 7.&ordm; ano para o 9.&ordm;. De destacar, que estas diferen&ccedil;as apresentam tamanhos de efeito moderados (<i>d</i>=.47 e<i> d</i>=.50, respetivamente).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Nos rapazes encontram-se apenas diferen&ccedil;as estatisticamente significativas na dimens&atilde;o <i>v&iacute;tima de agress&atilde;o f&iacute;sica</i>, com um tamanho de efeito m&eacute;dio (<i>d</i>=.49). Esta diferen&ccedil;a aponta tamb&eacute;m para uma diminui&ccedil;&atilde;o deste tipo de conduta do 7.&ordm; ano para o 9.&ordm; (<a href="/img/revistas/psi/v31n2/31n2a05t3.jpg">Tabela 3</a>).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>A vitima&ccedil;&atilde;o e agress&atilde;o em fun&ccedil;&atilde;o do g&eacute;nero</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Na <a href="/img/revistas/psi/v31n2/31n2a05t4.jpg">Tabela 4</a> s&atilde;o apresentados os resultados obtidos no estudo das diferen&ccedil;as nos resultados do QEVE (subescalas/dimens&otilde;es) em fun&ccedil;&atilde;o do g&eacute;nero, para cada um dos momentos de avalia&ccedil;&atilde;o (7.&ordm; e 9.&ordm; anos).</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><a href="/img/revistas/psi/v31n2/31n2a05t4.jpg">Tabela 4</a>. Diferen&ccedil;as no QEVE (subescalas/dimens&otilde;es) em fun&ccedil;&atilde;o do g&eacute;nero.</font></p>        <p><font face="Verdana" size="2">A an&aacute;lise da <a href="/img/revistas/psi/v31n2/31n2a05t4.jpg">Tabela 4</a> permite concluir que as diferen&ccedil;as entre rapazes e raparigas s&oacute; se revelaram estatisticamente significativas no primeiro momento de avalia&ccedil;&atilde;o (7.&ordm; ano), nomeadamente: no total da subescala de <i>vitima&ccedil;&atilde;o</i> no limiar de signific&acirc;ncia (<i>p</i>= .05) e com express&atilde;o mais significativa na dimens&atilde;o <i>v&iacute;tima de agress&atilde;o f&iacute;sica</i> (<i>p</i>&lt; .05); e, no total da escala de <i>agress&atilde;o</i> (<i>p</i>&lt;.05), em especial na dimens&atilde;o <i>agressor de agress&atilde;o f&iacute;sica</i> (<i>p</i>&lt;.01). Estas diferen&ccedil;as apresentam um tamanho de efeito pequeno a m&eacute;dio, destacando-se a dimens&atilde;o <i>agressor de agress&atilde;o f&iacute;sica</i> com o tamanho de efeito mais elevado (<i>d=</i>.62) (<a href="/img/revistas/psi/v31n2/31n2a05t4.jpg">Tabela 4</a>).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Estes dados apontam para um maior envolvimento dos rapazes em idades mais jovens nas situa&ccedil;&otilde;es de <i>bullying</i> f&iacute;sico (quer como v&iacute;timas, quer como agressores), em compara&ccedil;&atilde;o com as raparigas.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">De destacar n&atilde;o se terem encontrado diferen&ccedil;as estatisticamente significativas em fun&ccedil;&atilde;o do g&eacute;nero nas condutas de vitima&ccedil;&atilde;o e agress&atilde;o do tipo exclus&atilde;o social e agress&atilde;o verbal, tal como se tem verificado noutros estudos com o QEVE (e.g. Martins, 2005; Ros&aacute;rio &amp; Duarte, 2010). No entanto, alguma investiga&ccedil;&atilde;o aponta para a exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as, quer na agress&atilde;o verbal (normalmente, a favor dos rapazes), quer nas situa&ccedil;&otilde;es de <i>bullying</i> indireto ou relacional (normalmente, a favor das raparigas) (e.g. Lucas-Molina et al., 2010). Uma poss&iacute;vel explica&ccedil;&atilde;o pode dever-se ao QEVE reunir num &uacute;nico fator as condutas de vitima&ccedil;&atilde;o/agress&atilde;o indireta e de agress&atilde;o verbal.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>A vitima&ccedil;&atilde;o e agress&atilde;o em fun&ccedil;&atilde;o de vari&aacute;veis de natureza socioafetiva </b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A vari&aacute;vel &ldquo;sentimento pela escola&rdquo; foi avaliada numa escala de tipo <i>likert</i> de 4 pontos, mas como as respostas se agruparam essencialmente em torno dos dois pontos interm&eacute;dios (2 e 3), decidiu-se proceder &agrave; compara&ccedil;&atilde;o de apenas dois grupos de participantes: grupo 1 &ndash; N&atilde;o gosta (inclui os alunos que responderam &ldquo;n&atilde;o gosto nada&rdquo; e &ldquo;gosto pouco&rdquo;) e grupo 2 &ndash; Gosta (inclui os alunos que responderam &ldquo;gosto&rdquo; e &ldquo;gosto muito&rdquo;); por sua vez, nas vari&aacute;veis &ldquo;perce&ccedil;&atilde;o de ter amigos na escola&rdquo; e &ldquo;perce&ccedil;&atilde;o de ter amigos na turma&rdquo; compararam-se os seguintes grupos de participantes: grupo 1 &ndash; Poucos ou nenhuns amigos (que inclui os alunos que responderam &ldquo;nenhum amigo&rdquo;, &ldquo;poucos amigos&rdquo; e &ldquo;alguns amigos&rdquo;) e grupo 2 &ndash; que inclui os alunos que responderam &ldquo;muitos amigos&rdquo;. Nestas an&aacute;lises foram apenas considerados os resultados totais das subescalas de vitima&ccedil;&atilde;o e de agress&atilde;o do QEVE, quer no primeiro momento de avalia&ccedil;&atilde;o (7.&ordm; ano) quer no segundo momento (9.&ordm; ano).&nbsp;</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Em rela&ccedil;&atilde;o ao sentimento pela escola (<a href="/img/revistas/psi/v31n2/31n2a05t5.jpg">Tabela 5</a>), verifica-se que os alunos que n&atilde;o gostam da escola tendem a apresentar resultados m&eacute;dios mais elevados nos dois tipos de conduta (vitima&ccedil;&atilde;o e agress&atilde;o), ainda que as diferen&ccedil;as de m&eacute;dias entre aqueles que n&atilde;o gostam e os que gostam da escola s&oacute; se tenham revelado estatisticamente significativas no 7.&ordm; ano de escolaridade para a conduta de agress&atilde;o (<i>p</i>&lt;.05), com um tamanho de efeito m&eacute;dio (<i>d</i>=.54) Esta tend&ecirc;ncia dos alunos que n&atilde;o gostam da escola apresentarem mais comportamentos agressivos tem sido real&ccedil;ada noutras investiga&ccedil;&otilde;es (e.g. Luxenberg et al., 2015).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Relativamente &agrave; perce&ccedil;&atilde;o de ter amigos na escola (<a href="/img/revistas/psi/v31n2/31n2a05t6.jpg">Tabela 6</a>), verifica-se que os alunos que consideram ter poucos ou nenhuns amigos apresentam resultados mais elevados nas condutas de vitima&ccedil;&atilde;o e agress&atilde;o, quer no 7.&ordm;, quer no 9.&ordm; ano. No entanto, as diferen&ccedil;as entre aqueles que percecionam ter poucos ou nenhuns amigos e aqueles que percecionam ter muitos amigos s&oacute; se revelaram estatisticamente significativas no 7.&ordm; ano para a conduta de vitima&ccedil;&atilde;o (<i>p</i>&lt;.001), com um tamanho de efeito grande (<i>d</i>=.85).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Quanto &agrave; perce&ccedil;&atilde;o de ter amigos na turma (<a href="/img/revistas/psi/v31n2/31n2a05t7.jpg">Tabela 7</a>), verifica-se que os alunos que consideram ter poucos ou nenhuns amigos apresentam resultados m&eacute;dios mais elevados nas condutas de vitima&ccedil;&atilde;o e agress&atilde;o nos dois anos de escolaridade. Quando comparamos as diferen&ccedil;as de m&eacute;dias entre o grupo de alunos que considera ter poucos ou nenhuns amigos e o grupo de alunos que considera ter muitos amigos, as mesmas s&oacute; se revelam estatisticamente significativas na conduta de vitima&ccedil;&atilde;o, quer no 7.&ordm; ano (<i>p</i>&lt;.001) com um tamanho de efeito grande (<i>d</i>=.98), quer no 9.&ordm; ano (<i>p</i>&lt;.05) com um tamanho de efeito m&eacute;dio (<i>d</i>=.51) Estas diferen&ccedil;as, mais uma vez, v&atilde;o no sentido de resultados de vitima&ccedil;&atilde;o mais altos para os alunos que consideram ter menos amigos, tal como se tem verificado noutros estudos (e.g. Espelage &amp; Colbert, 2016; Melo &amp; Duarte, 2011; Ros&aacute;rio &amp; Duarte, 2010).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Em s&iacute;ntese, os resultados relativos &agrave; perce&ccedil;&atilde;o de amigos mostram que os alunos que consideram ter &ldquo;muitos amigos&rdquo; tendem a apresentar menor n&uacute;mero de comportamentos de vitima&ccedil;&atilde;o e agress&atilde;o, o que parece confirmar a ideia defendida por diversos autores (Espelage &amp; Colbert, 2016; Blatchford et al., 2016), de que a exist&ecirc;ncia de amigos pode funcionar como um fator protetor, particularmente na condi&ccedil;&atilde;o de vitima&ccedil;&atilde;o (Mishna et al., 2016).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>Discuss&Atilde;O</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Este estudo permitiu uma carateriza&ccedil;&atilde;o da perce&ccedil;&atilde;o dos comportamentos de viol&ecirc;ncia entre pares no in&iacute;cio e no final do 3.&ordm; ciclo do ensino b&aacute;sico, bem como a an&aacute;lise das condutas de vitima&ccedil;&atilde;o e agress&atilde;o em fun&ccedil;&atilde;o de vari&aacute;veis desenvolvimentais (ano de escolaridade), sociodemogr&aacute;ficas (g&eacute;nero) e socioafetivas (sentimento pela escola e perce&ccedil;&atilde;o de ter amigos na escola e na turma), tomando-se uma amostra de 80 estudantes duma escola da cidade de &Eacute;vora.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Dos resultados deste estudo, decorrem cinco grandes conclus&otilde;es.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Em primeiro lugar, os tipos de <i>bullying</i> mais frequentes no 3.&ordm; ciclo do ensino b&aacute;sico s&atilde;o a vitima&ccedil;&atilde;o e a agress&atilde;o indireta e verbal, tal como tem sido verificado noutros trabalhos (Luxenberg et al., 2015; NASEM, 2016). O n&uacute;mero de jovens que referiu j&aacute; ter observado situa&ccedil;&otilde;es de <i>bullying</i> &eacute; bastante elevado face ao n&uacute;mero que afirmou j&aacute; ter sido v&iacute;tima ou agressor, sugerindo que o n&uacute;mero de v&iacute;timas e o n&uacute;mero de agressores poder&aacute; estar aqu&eacute;m da realidade, quer pela poss&iacute;vel dificuldade dos jovens em admitirem estas condutas (mesmo que o question&aacute;rio seja an&oacute;nimo), quer pelo efeito da desejabilidade social muitas vezes presente em question&aacute;rios de autorrelato (Rose et al., 2015).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A segunda conclus&atilde;o &eacute; que, quando comparamos as diferen&ccedil;as entre o primeiro momento de avalia&ccedil;&atilde;o (7.&ordm; ano) e o segundo momento de avalia&ccedil;&atilde;o (9.&ordm; ano), a taxa de vitima&ccedil;&atilde;o diminu&iacute; do 7.&ordm; para o 9.&ordm; ano, enquanto a taxa de agress&atilde;o mant&eacute;m-se est&aacute;vel. Quando tomamos as subamostras em fun&ccedil;&atilde;o do g&eacute;nero, nas raparigas a diminui&ccedil;&atilde;o da taxa de vitima&ccedil;&atilde;o ocorre na conduta de <i>v&iacute;tima de exclus&atilde;o social e agress&atilde;o verbal</i>, enquanto nos rapazes essa diminui&ccedil;&atilde;o ocorre na conduta de <i>v&iacute;tima de agress&atilde;o f&iacute;sica.</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Terceiro, na compara&ccedil;&atilde;o de g&eacute;neros, os rapazes mais novos encontram-se mais envolvidos em situa&ccedil;&otilde;es de <i>bullying</i> f&iacute;sico (quer como v&iacute;timas, quer como agressores) em compara&ccedil;&atilde;o com as raparigas, aspeto tamb&eacute;m j&aacute; referido noutras investiga&ccedil;&otilde;es (Luxenberg et al., 2015).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Quarto, o sentimento face &agrave; escola mostrou-se relevante na condi&ccedil;&atilde;o de agress&atilde;o, sobretudo quando os estudantes s&atilde;o mais novos (primeiro momento de avalia&ccedil;&atilde;o - 7.&ordm; ano). Estes resultados est&atilde;o de acordo com os dados de outras investiga&ccedil;&otilde;es que evidenciam que os agressores tendem a apresentar sentimentos mais negativos face &agrave; escola (e.g. Luxenberg et al., 2015; Melo &amp; Duarte, 2011; Ros&aacute;rio &amp; Duarte, 2010).&nbsp;</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Quinto, a perce&ccedil;&atilde;o de ter amigos na escola e na turma revelou ter um efeito significativo na condi&ccedil;&atilde;o de vitima&ccedil;&atilde;o. Em ambos os momentos de avalia&ccedil;&atilde;o (7.&ordm; e 9.&ordm; anos), o ter poucos amigos parece constituir um fator de risco nas situa&ccedil;&otilde;es de <i>bullying</i>, mais marcante na condi&ccedil;&atilde;o de ser v&iacute;tima. Estes dados v&atilde;o no sentido de outras investiga&ccedil;&otilde;es que t&ecirc;m apontado para uma baixa perce&ccedil;&atilde;o de suporte social por parte das v&iacute;timas (Espelage &amp; Colbert, 2016), destacando-se, assim, a necessidade de fortalecer as redes de apoio social dentro da institui&ccedil;&atilde;o escolar, onde os amigos parecem ter um papel primordial (Mishna et al., 2016).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Apesar das vantagens inerentes &agrave; recolha de dados num contexto educativo real em dois momentos temporalmente distintos com os mesmos estudantes, os resultados obtidos neste estudo devem ser analisados com algumas precau&ccedil;&otilde;es decorrentes da reduzida dimens&atilde;o da amostra, recolhida num &uacute;nico contexto, condicionando a sua generaliza&ccedil;&atilde;o.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A finalizar, destacamos algumas implica&ccedil;&otilde;es para a pr&aacute;tica psicol&oacute;gica e educativa em contexto escolar, decorrentes deste estudo.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Uma primeira implica&ccedil;&atilde;o &eacute; a necessidade de planear a interven&ccedil;&atilde;o de modo diferenciado em fun&ccedil;&atilde;o do grupo et&aacute;rio e do g&eacute;nero dos estudantes, dado que o tipo de condutas se revela distinto. Com os mais novos &eacute; importante sensibiliz&aacute;-los para as consequ&ecirc;ncias das condutas de vitima&ccedil;&atilde;o e agress&atilde;o, enquanto com os mais velhos pode ser determinante insistir na import&acirc;ncia do papel ativo e construtivo que os observadores podem e devem desempenhar. Por outro lado, &eacute; importante adotar uma perspetiva diferenciadora em fun&ccedil;&atilde;o do g&eacute;nero, o mais precocemente poss&iacute;vel, quer em termos de investiga&ccedil;&atilde;o, quer em termos de preven&ccedil;&atilde;o deste tipo de condutas de modo a compreender e prevenir situa&ccedil;&otilde;es de maior risco para os rapazes e para as raparigas, tal como tem sido sugerido em estudos neste &acirc;mbito (e.g. Luxenberg et al., 2015; UNESCO, 2017).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Uma segunda implica&ccedil;&atilde;o &eacute; a import&acirc;ncia de atender a vari&aacute;veis de natureza socioafetiva e atitudinal no planeamento da interven&ccedil;&atilde;o. Estas vari&aacute;veis podem ser facilitadoras do envolvimento dos alunos na escola e das rela&ccedil;&otilde;es interpessoais na escola e na turma, destacando-se o valor diferenciador do suporte dos amigos nas situa&ccedil;&otilde;es de vitima&ccedil;&atilde;o. Deste modo, o desenvolvimento socioemocional deve ser privilegiado em contexto de turma, atrav&eacute;s do curr&iacute;culo formal e informal, funcionando como um ativador das rela&ccedil;&otilde;es afetivas e de atitudes mais proativas por parte dos pares.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Em s&iacute;ntese, este estudo contribui para real&ccedil;ar a import&acirc;ncia que desempenham os observadores de <i>bullying</i>, quer prevenindo comportamentos incentivadores de agress&otilde;es, quer promovendo comportamentos de ajuda &agrave; v&iacute;tima. A literatura mais recente tem vindo a destacar a relev&acirc;ncia dos observadores nos seus distintos pap&eacute;is &ndash; assistentes e refor&ccedil;adores dos agressores, defensores das v&iacute;timas e <i>outsiders</i> (Salmivalli, 2014) e a necessidade premente das interven&ccedil;&otilde;es psicoeducativas atuarem no sentido de fortalecer redes de apoio social, que parecem funcionar como um agente de prote&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as e jovens em situa&ccedil;&atilde;o de maior vulnerabilidade (Mishna et al., 2016, Rose et al, 2015). Este mesmo estudo refor&ccedil;a esta necessidade ao mostrar o peso que as amizades t&ecirc;m na redu&ccedil;&atilde;o da vitima&ccedil;&atilde;o, em especial no contexto de turma, o que constituir&aacute;, tamb&eacute;m entre n&oacute;s, um indicador importante a explorar em estudos futuros.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Tal como Olweus e Limber (2010), consideramos que a preven&ccedil;&atilde;o do <i>bullying</i> &eacute; uma quest&atilde;o de direitos humanos e que importa criar uma Escola em que todas as crian&ccedil;as se sintam seguras e estejam livres das agress&otilde;es e humilha&ccedil;&otilde;es que o <i>bullying</i> acarreta. Para tal, urge criar condi&ccedil;&otilde;es para que os observadores (que s&atilde;o a maioria dos estudantes) se transformem em intervenientes ativos na preven&ccedil;&atilde;o das situa&ccedil;&otilde;es de <i>bullying</i>.</font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Bear, G. G., Holst, B., Lisboa, C., Chen, D., Yang, C., &amp; Chen, F. F. (2016). A Brazilian Portuguese survey of school climate: Evidence of validity and reliability. <i>International Journal of School &amp; Educational Psychology</i>, <i>4</i>(3), 165-178. <a href="https://doi.org/10.1080/21683603.2015.1094430" target="_blank">https://doi.org/10.1080/21683603.2015.1094430</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=496507&pid=S0874-2049201700020000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Bizai, E., Melo, M., &amp; Candeias, A. A. (2016). Compet&ecirc;ncias emocionais e comportamentos agressivos entre pares em estudantes de 2.&ordm; e 3.&ordm; ciclos de escolaridade<i>.</i> In F. H. Veiga (Coord.), <i>Envolvimento dos alunos na escola: Perspetivas da Psicologia e Educa&ccedil;&atilde;o - Motiva&ccedil;&atilde;o para o desempenho acad&eacute;mico / Students&acute; engagement in school: Perspectives of Psychology and Education - Motivation for academic performance</i> (pp. 249-267). Lisboa: Instituto de Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade de Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=496508&pid=S0874-2049201700020000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Blatchford, P., Pellegrini, A., &amp; Baines, E. (2016). <i>The child at school. Interactions with peers and teachers</i> (2<sup>nd</sup> ed.)<i>.</i> New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=496510&pid=S0874-2049201700020000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Cohen, J. (1988). <i>Statistical power analysis for the behavioral sciences</i> (2<sup>nd</sup> ed.). Hillsdale: Lawrence Erlbaum Associates.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=496512&pid=S0874-2049201700020000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Cornell, D., &amp; Bradshaw, C. (2015). From a Culture of Bullying to a Climate of Support: The Evolution of Bullying Prevention and Research. <i>School Psychology Review</i>, <i>44</i> (4), 499 &ndash;503. <a href="https://doi.org/10.17105/spr-15-0127.1" target="_blank">https://doi.org/10.17105/spr-15-0127.1</a></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Diaz-Aguado, M., Martinez Arias, R., &amp; Mart&iacute;n-Seoane, G. (2004). <i>Prevenci&oacute;n de la violencia y lucha contra la exclusi&oacute;n desde la escuela. Volumen uno. La violencia entre iguales en la escuela y en el ocio. Estudios comparativos e instrumentos de evaluaci&oacute;n.</i> Madrid: Instituto de la Juventud. Retirado de: <a href="http://www.injuve.es/conocenos/ediciones-injuve/materiales-prevencion-de-la-violencia-y-lucha-contra-la-exclusion-desde-la-adolescencia-volumen1" target="_blank">http://www.injuve.es/conocenos/ediciones-injuve/materiales-prevencion-de-la-violencia-y-lucha-contra-la-exclusion-desde-la-adolescencia-volumen1</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=496515&pid=S0874-2049201700020000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="Verdana" size="2">Espelage, D. L., &amp; Colbert, C. L. (2016). School-based interventions to prevent bullying and promote prosocial behaviors. In K. R. Wentzel &amp; G. B. Ramani (Eds.), <i>Handbook of social influences in school contexts: Social-emotional, motivation, and cognitive outcomes</i> (pp. 405 &ndash; 422). New York, NY: Routledge.</font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Esp&iacute;rito-Santo, H., &amp; Daniel, F. (2015). Calcular e apresentar tamanhos do efeito em trabalhos cient&iacute;ficos: As limita&ccedil;&otilde;es do p &lt; 0,05 na an&aacute;lise de diferen&ccedil;as de m&eacute;dias de dois grupos. <i>Revista Portuguesa de Investiga&ccedil;&atilde;o Comportamental e Social</i>, <i>1</i> (1), 3-16. <a href="http://dx.doi.org/10.7342/ismt.rpics.2015.1.1.14" target="_blank">http://dx.doi.org/10.7342/ismt.rpics.2015.1.1.14</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=496517&pid=S0874-2049201700020000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Hymel, S., &amp; Swearer, S. M. (2015). Four decades of research on school bullying. <i>American Psychologist, 70</i>, 293-299. <a href="https://doi.org/10.1037/a0038928" target="_blank">https://doi.org/10.1037/a0038928</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=496518&pid=S0874-2049201700020000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Kokkinos, C. M. (2013). Bullying and victimization in early adolescence: Associations with attachment style and perceived parenting. <i>Journal of School Violence, 12</i> (2), 174-192. <a href="https://doi.org/10.1080/15388220.2013.766134" target="_blank">https://doi.org/10.1080/15388220.2013.766134</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=496519&pid=S0874-2049201700020000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Lucas-Molina, B., Pulido, R., &amp; Mart&iacute;n-Seoane, G. (2010). An&aacute;lisis de las situaciones de violencia entre iguales en Educaci&oacute;n Primaria: Diferencias en funci&oacute;n del g&eacute;nero y del curso.&nbsp;<i>Contextos Educativos. Revista de Educaci&oacute;n, 13</i>, 11-26. <a href="http://dx.doi.org/10.18172/con.623" target="_blank">http://dx.doi.org/10.18172/con.623</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=496520&pid=S0874-2049201700020000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="Verdana" size="2">Luxenberg, H., Limber, S. P., &amp; Olweus, D. (2015<i>). Bullying in U.S. schools: 2014 Status Report</i>. Center City, MN: Hazelden Publishing.</font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Martins, M. J. (2003). <i>Agress&atilde;o e vitima&ccedil;&atilde;o entre adolescentes, em contexto escolar. Vari&aacute;veis sociodemogr&aacute;ficas, psicossociais e sociocognitivas.</i> Disserta&ccedil;&atilde;o de doutoramento n&atilde;o publicada. Universidade da Extremadura (Espanha).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=496522&pid=S0874-2049201700020000500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Martins, M. J. (2005). Agress&atilde;o e vitima&ccedil;&atilde;o entre adolescentes, em contexto escolar: Um estudo emp&iacute;rico. <i>An&aacute;lise psicol&oacute;gica</i>, <i>4</i> (XXIII), 401-425.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=496524&pid=S0874-2049201700020000500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Martins, M. J., &amp; Silva, M. (2014). Condutas agressivas, <i>bullying</i> e integra&ccedil;&atilde;o social em crian&ccedil;as em idade escolar. <i>International Journal of Developmental and Educational Psychology</i>, <i>1</i> (1), 99-506. <a href="http://dx.doi.org/10.17060/ijodaep.2014.n1.v1.397" target="_blank">http://dx.doi.org/10.17060/ijodaep.2014.n1.v1.397</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=496526&pid=S0874-2049201700020000500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Matos, M. G., Gaspar, T., Ferreira, M., &amp; Equipa Aventura Social (2013). Aventura Social no CED: Interven&ccedil;&atilde;o numa comunidade educativa. Lisboa: Aventura Social.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=496527&pid=S0874-2049201700020000500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Matos, M. G., Sim&otilde;es, C., Camacho, I., Reis, M., &amp; Equipa Aventura Social (2015). <i>Relat&oacute;rio do estudo HBSC 2014. A sa&uacute;de dos adolescentes portugueses em tempo de recess&atilde;o &ndash; Dados nacionais do estudo HBSC de 2014.</i> Lisboa: FMH. Retirado de: <a href="http://aventurasocial.com/arquivo/1437158618_RELATORIO%20HBSC%202014e.pdf" target="_blank">http://aventurasocial.com/arquivo/1437158618_RELATORIO%20HBSC%202014e.pdf</a></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Melo, M., &amp; Duarte, M. (2011). Comportamentos agressivos entre pares e vincula&ccedil;&atilde;o: um estudo com jovens adolescentes. <i>Revista AMAz&ocirc;nica, 4</i> (1), 7-26.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=496530&pid=S0874-2049201700020000500018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Mishna, F., Kloury-Kassabri, M., Schawan, K., Wiener, J., Craig, W., Beran, T., Pepler, D., &amp; Daciuk, J. (2016). The contribution of social support to children and adolescents self-perception: The mediating role of bullying victimization. <i>Children and Youth Services Review</i>, <i>63</i>, 120-127. <a href="https://doi.org/10.1016/j.childyouth.2016.02.013" target="_blank">https://doi.org/10.1016/j.childyouth.2016.02.013</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=496532&pid=S0874-2049201700020000500019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="Verdana" size="2">NASAM - National Academies of Sciences, Engineering, and Medicine (2016). <i>Preventing bullying through science, policy, and practice</i>. Washington, DC: The National Academy Press. <a href="https://doi.org/10.17226/23482" target="_blank">https://doi.org/10.17226/23482</a></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Olweus, D. (2010). Understanding and researching bullying: Some critical issues. In S. R. Jimerson, S. M. Swearer, &amp; D. L. Espelage (Eds.), <i>Handbook of bullying in schools: An international perspective</i> (pp. 9 &ndash; 34). New York, NY: Routledge.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Olweus, D., &amp; Limber, S. (2010). <i>Bullying</i> in School: Evaluation and dissemination of the Olweus <i>Bullying</i> Prevention Program. <i>American Journal of Orthopsychiatry</i>, <i>80</i>, 124 &ndash; 134. <a href="https://doi.org/10.1111/j.1939-0025.2010.01015.x" target="_blank">https://doi.org/10.1111/j.1939-0025.2010.01015.x</a></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Rodkin, P. C., Espelage, D. L., &amp; Hanish, L. D. (2015). A relational framework for understanding bullying: developmental antecedents and outcomes. <i>American Psychologist, 70</i>, 311-321. <a href="https://doi.org/10.1037/a0038658" target="_blank">https://doi.org/10.1037/a0038658</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=496536&pid=S0874-2049201700020000500023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Ros&aacute;rio, A. C., &amp; Duarte, M. (2010). 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<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Seixas, S. R., Coelho, J. P., &amp; Nicolas-Fischer, G. (2013). Bullies, victims, and bully-victims. Impact on health profile. <i>Educa&ccedil;&atilde;o, Sociedade &amp; Culturas, 38</i>, 53-75.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=496541&pid=S0874-2049201700020000500027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Tabachnick, B., &amp; Fidell, L. (2013). <i>Using multivariate statistics</i> (6<sup>th</sup> ed.). Boston: Pearson Education, Inc.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=496543&pid=S0874-2049201700020000500028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Thapa, A., Cohen, J., Guffey, S., &amp; Higgins-D`-Alessandro, A. (2013). A review of school climate research. <i>Review of Educational Research</i>, <i>83</i>, 357-385. <a href="https://doi.org/10.3102/0034654313483907" target="_blank">https://doi.org/10.3102/0034654313483907</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=496545&pid=S0874-2049201700020000500029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="Verdana" size="2">Thornberg, R. (2015). School bullying as a collective action: Stigma processes and identity struggling. <i>Children &amp; Society, 29</i>, 310 &ndash; 320. <a href="https://doi.org/10.1111/chso.12058" target="_blank">https://doi.org/10.1111/chso.12058</a></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Tsang, S., Hui, E., &amp; Law, B. (2011). Bystander position taking in school bullying: the role of positive identity, self-efficacy, and self-determination. <i>The Scientific World Journal</i>, <i>11</i>, 2278&ndash;2286. <a href="https://doi.org/10.1100/2011/531474" target="_blank">https://doi.org/10.1100/2011/531474</a></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">UNESCO (2017). <i>School violence and bullying: Global status report</i>. Paris: United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=496548&pid=S0874-2049201700020000500032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="Verdana" size="2">Voight, A., &amp; Hanson, T. (2017). <i>How are middle school climate and academic performance related across schools and over time?</i> (REL 2017&ndash;212). Washington, DC: U.S. Department of Education. Retirado de: <a href="https://ies.ed.gov/ncee/edlabs/projects/project.asp?projectID=4523" target="_blank">https://ies.ed.gov/ncee/edlabs/projects/project.asp?projectID=4523</a></font></p>      <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
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