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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Impacto das missões internacionais nos jovens filhos de pais militares e a importância do apoio da comunidade escolar]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This study intends to acknowledge the impact of international missions on the well-being of military children, and how school community can promote a positive adjustment during missions. In this exploratory and qualitative study participated nine students, whose parents are military, and eight teachers dealing and/or dealt with such students (N = 17). There were three focus groups whose transcriptions were analyzed according to the thematic analysis procedures, using the software QSR Nvivo 10. The results showed that difficulties associated with adaptation of youngsters during the international mission are related to emotional changes and changes in family routines, emphasizing the role of peers and the mother as important sources of support. To a positive adjustment of these students the school community can contribute significantly, in articulation with their parents and the military organization. Guidelines to develop programs about these youngsters&#8217; adjustment are discussed.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="4"><b>Impacto das miss&otilde;es internacionais nos jovens filhos de pais militares e a import&acirc;ncia do apoio da comunidade escolar</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="3"><b>Impact of international missions on military youth and the importance of school comunnity&rsquo; support</b></font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Rita Pinto<sup>I, c</sup>; Rita Francisco<sup>II</sup>; Renato Pessoa dos Santos<sup>III</sup></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><sup>I-III</sup>Universidade de Lisboa, Faculdade de Psicologia</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><sup>II</sup>Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa, Faculdade de Ci&ecirc;ncias Humanas</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><sup>III</sup>Ex&eacute;rcito Portugu&ecirc;s</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2"><sup>c</sup><a href="#c0">Address for correspondence</a><a name="topc0"></a></font></p>  <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Pretende-se com este estudo conhecer o impacto das miss&otilde;es internacionais no bem-estar dos filhos de militares e a forma como a comunidade escolar pode promover um ajustamento positivo destes durante uma miss&atilde;o. Neste estudo explorat&oacute;rio e qualitativo participaram nove alunos, filhos de militares, e oito professores que lidam e/ou lidaram com este tipo de estudantes (N = 17). Realizaram-se tr&ecirc;s <i>focus groups</i>, cujas transcri&ccedil;&otilde;es foram analisadas atrav&eacute;s de procedimentos de an&aacute;lise tem&aacute;tica, com recurso ao software QSR Nvivo 10. Os resultados revelaram que as dificuldades associadas &agrave; adapta&ccedil;&atilde;o dos jovens durante a miss&atilde;o est&atilde;o relacionadas com altera&ccedil;&otilde;es emocionais e com mudan&ccedil;as nas rotinas familiares, salientando-se os pares e a m&atilde;e como importantes fontes de suporte. Para um ajustamento positivo destes alunos a comunidade escolar pode contribuir significativamente atrav&eacute;s da articula&ccedil;&atilde;o com os pais e com a institui&ccedil;&atilde;o militar. S&atilde;o discutidas algumas linhas orientadoras para o desenvolvimento de programas de promo&ccedil;&atilde;o do ajustamento destes jovens.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave:</b> Fam&iacute;lias Militares; Miss&atilde;o Internacional; Adolescentes; Adapta&ccedil;&atilde;o; Comunidade Escolar.</font></p>  <hr size"1" noshade>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">This study intends to acknowledge the impact of international missions on the well-being of military children, and how school community can promote a positive adjustment during missions. In this exploratory and qualitative study participated nine students, whose parents are military, and eight teachers dealing and/or dealt with such students (N = 17). There were three focus groups whose transcriptions were analyzed according to the thematic analysis procedures, using the software QSR Nvivo 10. The results showed that difficulties associated with adaptation of youngsters during the international mission are related to emotional changes and changes in family routines, emphasizing the role of peers and the mother as important sources of support. To a positive adjustment of these students the school community can contribute significantly, in articulation with their parents and the military organization. Guidelines to develop programs about these youngsters&rsquo; adjustment are discussed.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Keywords:</b> Military Families; International Mission; Adolescents; Adaptation; Academic Community.</font></p>      <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>      <p><font face="Verdana" size="2">Ao longo das &uacute;ltimas d&eacute;cadas v&aacute;rios pa&iacute;ses, nomeadamente os Estados Unidos da Am&eacute;rica (EUA), t&ecirc;m identificado a necessidade de melhor conhecer os desafios e as dificuldades sentidas pelas fam&iacute;lias militares, com o intuito de minorar as consequ&ecirc;ncias do impacto das miss&otilde;es nos v&aacute;rios elementos da fam&iacute;lia. Apesar das diferen&ccedil;as entre as entidades castrenses dos diferentes pa&iacute;ses, &eacute; de referir a semelhan&ccedil;a no <i>stress</i> associado &agrave; profiss&atilde;o militar, bem como a aus&ecirc;ncia e afastamento da fam&iacute;lia (Baltazar &amp; Salvador, 2012). Este <i>stress</i> faz com que a fam&iacute;lia esteja sujeita a uma grande press&atilde;o externa, o que fomenta mudan&ccedil;a, adapta&ccedil;&atilde;o e reorganiza&ccedil;&atilde;o em todos os sub-sistemas familiares, ao longo do ciclo da miss&atilde;o. Com efeito, e de acordo com Mart&iacute;nez-S&aacute;nchez (2014), qualquer opera&ccedil;&atilde;o militar no exterior pode afectar o bem-estar psicol&oacute;gico e a integridade f&iacute;sica dos militares destacados, o que certamente ter&aacute; repercuss&otilde;es nas rela&ccedil;&otilde;es familiares. Al&eacute;m disso, estas rela&ccedil;&otilde;es possivelmente medeiam o impacto que o deslocamento tem no bem-estar das crian&ccedil;as (Paley, Lester, &amp; Mogil, 2013), sendo que este se vai reflectir n&atilde;o s&oacute; no dom&iacute;nio familiar como tamb&eacute;m no acad&eacute;mico. Assim, &eacute; fundamental &ldquo;olhar&rdquo; para estas fam&iacute;lias com lentes sist&eacute;micas, permitindo intervir atrav&eacute;s da compreens&atilde;o da complexidade do impacto dos deslocamentos militares em todos os elementos da fam&iacute;lia (Paley et al., 2013), contemplando n&atilde;o s&oacute; os sub-sistemas familiares, como tamb&eacute;m os sistemas externos &agrave; fam&iacute;lia nuclear (e.g., sistema escolar). No entanto, poucas investiga&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m examinado o papel de ambientes escolares apoiantes no desenvolvimento psicol&oacute;gico, emocional e social dos estudantes filhos de militares (Astor, De Pedro, Gilreath, Esqueda, &amp; Benbenishty, 2013).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Miss&otilde;es internacionais das For&ccedil;as Armadas Portuguesas</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Actualmente, a fun&ccedil;&atilde;o militar continua a obedecer a uma estrutura hier&aacute;rquico-disciplinar e a uma s&eacute;rie de fundamentos, nomeadamente a disponibilidade permanente para o servi&ccedil;o, as restri&ccedil;&otilde;es de direitos, o dever de aceitar os riscos f&iacute;sicos e psicol&oacute;gicos resultantes das miss&otilde;es (mesmo as humanit&aacute;rias) e a disponibiliza&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria vida em defesa do seu pa&iacute;s (Carreiras, 2015; Jorge, Nascimento, &amp; Lopes, 2014). Desde a d&eacute;cada de 50, precisamente no ano de 1952, que Portugal participa em miss&otilde;es intituladas &ldquo;Opera&ccedil;&otilde;es de Paz&rdquo; &ndash; miss&otilde;es de paz e humanit&aacute;rias, podendo estas ser por parte da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), <i>North Atlantic Treaty Organization</i> (NATO) ou Uni&atilde;o Europeia (UE). Este tipo de miss&otilde;es tem como objectivo central manter a paz em territ&oacute;rio internacional, geralmente em pa&iacute;ses governados pela viol&ecirc;ncia e pela guerra. Nos &uacute;ltimos 20 anos foram destacados militares Portugueses em miss&otilde;es internacionais para pa&iacute;ses como Litu&acirc;nia, Iraque, Afeganist&atilde;o, L&iacute;bano, Kosovo, B&oacute;snia, Timor Leste, entre outros (Sousa, 2011).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Podendo ocorrer em diversos locais, ter diferentes objectivos e tempo de perman&ecirc;ncia (de v&aacute;rios meses a v&aacute;rios anos), em geral as miss&otilde;es internacionais dos militares Portugueses costumam decorrer durante seis meses. As fases que comp&otilde;em uma miss&atilde;o s&atilde;o o pr&eacute;-deslocamento, deslocamento e p&oacute;s-deslocamento (Mart&iacute;nez-S&aacute;nchez, 2014). Numa perspectiva do impacto emocional da miss&atilde;o, alguns autores consideram uma divis&atilde;o em cinco etapas (pr&eacute;-deslocamento, deslocamento, manuten&ccedil;&atilde;o, re-deslocamento e p&oacute;s-deslocamento; Padden &amp; Agazio, 2013; Pincus, House, Christenson &amp; Alder, 2001) ou em sete est&aacute;dios: antecipa&ccedil;&atilde;o da partida, desvincula&ccedil;&atilde;o e retirada, desorganiza&ccedil;&atilde;o emocional, recupera&ccedil;&atilde;o e estabiliza&ccedil;&atilde;o, antecipa&ccedil;&atilde;o do regresso, ajustamento do regresso e renegocia&ccedil;&atilde;o, e por fim, reintegra&ccedil;&atilde;o e estabiliza&ccedil;&atilde;o (Morse, 2006; Van Breda, 1996).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>Altera&ccedil;&otilde;es familiares e sa&uacute;de mental dos filhos de militares</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Mudan&ccedil;as frequentes e deslocamentos, consequentes das miss&otilde;es internacionais, levam a v&aacute;rias separa&ccedil;&otilde;es que causam impacto no ajustamento dos militares e das suas fam&iacute;lias (Carreiras, 2015). Na fase do deslocamento, a separa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica do casal ap&oacute;s a partida do militar pode ser uma fonte de <i>stress</i> para o sub-sistema conjugal (e.g., Barbudo, Francisco, &amp; Santos, 2014), e tamb&eacute;m para o sub-sistema co-parental, pois o progenitor que fica (geralmente a m&atilde;e) acarreta todas as responsabilidades da casa e dos filhos (Gewirtz, McMorris, Hanson, &amp; Davis, 2014; Martins, Santos, &amp; Francisco, 2014; Padden &amp; Agazio, 2013). Tal mudan&ccedil;a poder&aacute; alterar a hierarquia e as regras praticadas no seio familiar. Al&eacute;m disso, quando existe um filho adolescente ou pr&eacute;-adolescente, este fica geralmente encarregue de ajudar nas tarefas que eram realizadas pelo progenitor militar (Paley et al., 2013), o que pode modificar as fronteiras intergeracionais, isto &eacute;, as fronteiras entre os pais e os filhos. Assim, o irm&atilde;o mais velho pode sentir-se sobrecarregado por ter de ajudar n&atilde;o s&oacute; a cuidar da casa como tamb&eacute;m do irm&atilde;o mais novo (Paley et al., 2013).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Por outro lado, a liga&ccedil;&atilde;o emocional ou a vincula&ccedil;&atilde;o que se estabelece com os pais providencia &agrave;s crian&ccedil;as um sentido de seguran&ccedil;a e uma fonte externa da sua regula&ccedil;&atilde;o emocional. Sendo as crian&ccedil;as e jovens os elementos mais vulner&aacute;veis, a sua regula&ccedil;&atilde;o emocional pode ficar comprometida quando ocorre uma separa&ccedil;&atilde;o de uma das principais figuras de vincula&ccedil;&atilde;o (Paley et al., 2013). De facto, e apesar de existirem na literatura resultados em direc&ccedil;&otilde;es opostas, s&atilde;o numerosos os estudos que sugerem que crian&ccedil;as e adolescentes de fam&iacute;lias militares tendem a estar sujeitos a mais desafios e a experienciarem as suas viv&ecirc;ncias de forma mais negativa psicol&oacute;gica, social e emocionalmente (e.g., Cederbaum et al., 2013; Williams, 2013). V&aacute;rios estudos t&ecirc;m sugerido que crian&ccedil;as de fam&iacute;lias militares podem estar em maior risco de apresentarem problemas emocionais (e.g., sintomas depressivos) ou de comportamento, na medida em que os cuidadores reportam n&iacute;veis mais elevados de dificuldades emocionais nestas crian&ccedil;as, quando comparadas com fam&iacute;lias &ldquo;civis&rdquo; (e.g., Cederbaum et al., 2013; Chandra et al., 2010). Estes problemas podem ainda ser exacerbados por um evento stressor na fam&iacute;lia ou pela diminui&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de emocional do cuidador que fica em casa, geralmente a m&atilde;e (Chandra et al., 2010). Contudo, v&aacute;rios estudos apontam tamb&eacute;m para o apoio materno como um dos importantes factores protectores do desenvolvimento desta sintomatologia (Maholmes, 2012; Morris &amp; Age, 2009). Concomitantemente, a qualidade do cuidado materno est&aacute; ligada &agrave; seguran&ccedil;a da crian&ccedil;a, estando por sua vez ambos relacionados com as compet&ecirc;ncias sociais desta para com os pares (Misra &amp; Singh, 2014).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Mmari e colaboradores (2010) referem que a maioria das crian&ccedil;as reporta preocupa&ccedil;&atilde;o e medo de ter o pai deslocado. Estas dificuldades s&atilde;o ainda mais sentidas pelas crian&ccedil;as quando o progenitor com quem ficam n&atilde;o tem uma forte rede social de apoio. Al&eacute;m do mais, os filhos referem tamb&eacute;m os desafios que ocorrem com o regresso do pai militar, tais como perda de liberdade e imposi&ccedil;&atilde;o de novas regras (Misra &amp; Singh, 2014), al&eacute;m do reajustamento necess&aacute;rio face ao retorno do mesmo. Contudo, sabe-se que um dos mais importantes eventos stressores de viver numa fam&iacute;lia militar &ndash; frequentes mudan&ccedil;as e fazer novos amigos &ndash; tamb&eacute;m torna as crian&ccedil;as mais maduras, adapt&aacute;veis e auto-suficientes, comparativamente &agrave;s crian&ccedil;as de fam&iacute;lias n&atilde;o militares (Mmari et al., 2010).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Al&eacute;m dos factores supramencionados, que podem ter influ&ecirc;ncia na adapta&ccedil;&atilde;o dos filhos ao deslocamento do pai militar (e.g., apoio materno), a idade da crian&ccedil;a e o seu n&iacute;vel de desenvolvimento s&atilde;o tamb&eacute;m considerados muito importantes. De acordo com Paley et al. (2013), estes trazem implica&ccedil;&otilde;es para a forma como os filhos integram e percepcionam o deslocamento dos seus pais militares, significando tamb&eacute;m diferentes vulnerabilidades e capacidades que afectam o modo como lidam com estes eventos. Sendo a adolesc&ecirc;ncia caracterizada como um per&iacute;odo intenso de mudan&ccedil;as (nos n&iacute;veis f&iacute;sico, psicol&oacute;gico e social, como da pr&oacute;pria autonomia; Papalia, Olds, &amp; Feldman, 2001), comparativamente com crian&ccedil;as mais pequenas os adolescentes t&ecirc;m uma maior consci&ecirc;ncia do risco das miss&otilde;es dos seus progenitores e desenvolvem diferentes estrat&eacute;gias para lidar melhor com eventos adversos. Al&eacute;m disso, podem ter uma maior rede social de suporte, nomeadamente materializada pelos pares, alguns com experi&ecirc;ncias semelhantes (Paley et al., 2013).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O estudo qualitativo de Mmari e colaboradores (2010) revelou que uma das maiores dificuldades para os adolescentes, filhos de pais militares, n&atilde;o est&aacute; relacionada com o deslocamento em si, mas sim com o per&iacute;odo de reajustamento que se segue ao regresso do pai militar. Os jovens tiveram v&aacute;rias experi&ecirc;ncias e adaptaram-se de tal modo que, quando o progenitor volta da miss&atilde;o &eacute;-lhes mais dif&iacute;cil relacionar-se novamente com este. Outros referiram ainda que lhes custa n&atilde;o ter o progenitor militar presente em eventos especiais (e.g., desporto, festas de anos, eventos da escola). Por outro lado, e tendo em conta a sua fase de desenvolvimento, os adolescentes podem vir a ter mais dificuldades com o deslocamento e com o regresso do seu progenitor do que as crian&ccedil;as, pois os primeiros assumem mais responsabilidades em casa e para com os irm&atilde;os durante a aus&ecirc;ncia do pai militar e, consequentemente tendem a experienciar uma maior mudan&ccedil;a de pap&eacute;is durante a miss&atilde;o (Chandra et al., 2010; Paley et al., 2013).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Assim, torna-se evidente que para os adolescentes a negocia&ccedil;&atilde;o da sua identidade na fam&iacute;lia, aquando das separa&ccedil;&otilde;es induzidas pelas miss&otilde;es do progenitor militar, nem sempre seja clara. Isto porque por um lado existe geralmente maior liberdade, o que agrada aos jovens, e por outro lado maior responsabilidade, que poder&aacute; ser considerada como avassaladora e que poder&aacute; originar a desist&ecirc;ncia de certas actividades extra-curriculares. Apesar destes desafios, o progenitor que fica em casa, o apoio dos pares, vizinhos e outros membros da fam&iacute;lia s&atilde;o factores protectores que ajudam a lidar com o deslocamento do pai militar (Misra &amp; Singh, 2014).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Comunidade escolar e as fam&iacute;lias militares</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Tamb&eacute;m as escolas t&ecirc;m um papel fundamental no ajustamento das crian&ccedil;as/adolescentes durante o deslocamento do pai militar, tendo em conta que durante este per&iacute;odo estes t&ecirc;m maior probabilidade de revelarem problemas de comportamento, dificuldades emocionais (e.g., elevada ansiedade) e baixo rendimento escolar (Misra &amp; Singh, 2014; Rossen &amp; Carter, 2011). Por outro lado, e segundo Aronson, Caldwell e Perkins (2011), &eacute; importante ter em conta que as miss&otilde;es militares implicam frequentemente desloca&ccedil;&otilde;es de resid&ecirc;ncia, e estas por sua vez envolvem mudan&ccedil;as de escola. Estas mudan&ccedil;as s&atilde;o geralmente experienciadas como dif&iacute;ceis para os estudantes porque requerem alguns ajustamentos, tais como deparar-se com maiores ou menores exig&ecirc;ncias na nova escola, mudar-se para uma escola com melhores ou piores recursos, e ter de se integrar num novo ambiente cultural e escolar. Al&eacute;m disso, as escolas podem n&atilde;o ter informa&ccedil;&atilde;o adequada no que diz respeito aos estudantes realocados, pelo que podem n&atilde;o providenciar o apoio necess&aacute;rio a estes jovens alunos (Aronson et al., 2011).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Assim, e por forma a instruir o melhor poss&iacute;vel os estudantes, filhos de pais militares, a comunidade escolar deve antecipar e compreender as necessidades dos mesmos e das suas fam&iacute;lias (Williams, 2013). Uma comunidade escolar apoiante e compreensiva pode tornar-se num factor protector para estes alunos, no sentido de prevenir o aparecimento de um conjunto de sintomas psicol&oacute;gicos, emocionais e sociais desadaptativos. Al&eacute;m disso, este tipo de ambiente escolar pode ainda ser um contexto de promo&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio desenvolvimento destes jovens e crian&ccedil;as, mesmo em per&iacute;odos de <i>stress</i> (Astor, De Pedro, Gilreath, Esqueda, &amp; Benbenishty, 2013).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Rossen e Carter (2011) mencionam algumas estrat&eacute;gias promotoras da adapta&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica de crian&ccedil;as em idade escolar com pais militares, nomeadamente: falar acerca das fam&iacute;lias militares e das miss&otilde;es; manter uma comunica&ccedil;&atilde;o frequente com o cuidador que est&aacute; em casa; e garantir a mesma rotina e estrutura (i.e., ser compreensivo e aceitar um determinado tempo de ajustamento mas ser consistente com as regras habituais). Por outro lado, Williams (2013) refere tamb&eacute;m algumas estrat&eacute;gias que podem contribuir para um melhor apoio a estudantes filhos de militares: providenciar ferramentas &agrave; comunidade escolar, de modo a actuarem o melhor poss&iacute;vel face &agrave;s necessidades destes alunos; garantir que a comunidade escolar est&aacute; informada acerca dos alunos que s&atilde;o filhos de pais militares; e encorajar grupos de estudantes, por forma a promover a integra&ccedil;&atilde;o de novos alunos militares na escola. V&aacute;rios estudos apoiam este tipo de interven&ccedil;&otilde;es nas escolas, pois estas tendem a promover desempenhos positivos nestes estudantes (Astor et al., 2013; Rossen &amp; Carter, 2011).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Programas de apoio &agrave;s fam&iacute;lias militares</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Tendo em conta o que foi referido previamente, &eacute; necess&aacute;rio juntar esfor&ccedil;os para apoiar estas crian&ccedil;as/jovens e as suas fam&iacute;lias, sensibilizando a comunidade escolar e os servi&ccedil;os prim&aacute;rios de sa&uacute;de para as necessidades desta popula&ccedil;&atilde;o, providenciando as ferramentas necess&aacute;rias ao trabalho com estas fam&iacute;lias (Marek &amp; D&rsquo;Aniello, 2014). Estas entidades podem ser importantes aquando das miss&otilde;es internacionais, pois as crian&ccedil;as est&atilde;o possivelmente mais vulner&aacute;veis (Acion, Ramirez, Jorge, &amp; Arndt, 2013). Este apoio pode ser garantido de diversas maneiras, nomeadamente atrav&eacute;s de partilha de informa&ccedil;&atilde;o acerca dos sinais de risco nas crian&ccedil;as e jovens filhos de militares, em escolas, servi&ccedil;os de sa&uacute;de mental e na comunidade em geral, por forma a haver um encaminhamento adequado sempre que necess&aacute;rio (Cederbaum et al., 2013).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Al&eacute;m disso, existem variados programas de preven&ccedil;&atilde;o e interven&ccedil;&atilde;o destinados a estes jovens e a estas fam&iacute;lias, como &eacute; o caso do programa escolar <i>LIAISON</i> &ndash; criado com o intuito de reunir recursos comunit&aacute;rios, militares e escolares, por forma a ajudar as fam&iacute;lias e os alunos a adaptarem-se quando integram novas escolas e a alcan&ccedil;arem bons resultados acad&eacute;micos (Aronson et al., 2011; Aronson &amp; Perkins, 2012) &ndash; e do programa <i>FOCUS</i> (<i>Families OverComing Under Stress</i>), que se prop&otilde;e a apoiar os pais, providenciando psicoeduca&ccedil;&atilde;o acerca do deslocamento, do processo de reintegra&ccedil;&atilde;o, e sobre estrat&eacute;gias parentais (Mogil et al., 2015), ambos desenvolvidos nos EUA.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Com o presente estudo, pretende-se conhecer o impacto das miss&otilde;es internacionais no bem-estar dos filhos de militares Portugueses e a forma como a comunidade escolar pode promover um ajustamento positivo destes durante uma miss&atilde;o militar. Assim, os objectivos espec&iacute;ficos s&atilde;o os seguintes: (a) compreender as dificuldades dos jovens, filhos de militares, durante o per&iacute;odo de miss&atilde;o dos pais; (b) compreender as dificuldades sentidas pela comunidade escolar que contacta com estes jovens; e (c) conhecer os recursos j&aacute; existentes e identificar novas formas de apoio.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>M&Eacute;TODO</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Participantes</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A amostra foi constitu&iacute;da por 17 participantes Portugueses (Portugal Continental e Arquip&eacute;lago dos A&ccedil;ores), especificamente nove alunos (seis do sexo masculino) e oito professores (sete do sexo feminino). Os alunos t&ecirc;m idades entre 10 e 18 anos (<i>M</i> = 14.67, <i>DP</i> = 2.39) e os professores entre 38 e 58 anos (<i>M</i> = 44.88, <i>DP</i> = 7.14). Na altura da realiza&ccedil;&atilde;o deste estudo, cinco alunos residiam no arquip&eacute;lago dos A&ccedil;ores e os restantes em Portugal Continental (Mafra, Sintra e Const&acirc;ncia). Todos os alunos eram filhos de pais militares que tinham participado numa miss&atilde;o internacional h&aacute; pelo menos 1 ano e meio, e alunos do 2.&ordm; ciclo (n = 1), 3.&ordm; ciclo (n = 2) ou ensino secund&aacute;rio (n = 6). Todos os professores participantes j&aacute; tinham lidado com alunos com esta particularidade.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Procedimento</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Inicialmente foram definidos os crit&eacute;rios de selec&ccedil;&atilde;o dos alunos &ndash; (1) serem filhos de pais militares, (2) terem mais de 10 anos, (3) os pais militares j&aacute; terem realizado, pelo menos, uma miss&atilde;o internacional e (4) a &uacute;ltima miss&atilde;o em que os pais participaram ter ocorrido h&aacute; pelo menos um ano e meio; e dos professores &ndash; terem tido contacto com alunos com os crit&eacute;rios supracitados, pelo menos uma vez.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Ap&oacute;s contactos com as escolas e os encarregados de educa&ccedil;&atilde;o realizaram-se tr&ecirc;s <i>focus group</i> (dois com alunos e um com professores), com dura&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia de 40 minutos cada. Antes do in&iacute;cio de cada <i>focus group</i> eram explicitados os objectivos gerais do estudo, bem como garantida a confidencialidade dos dados fornecidos pelos participantes. Ap&oacute;s assinado o consentimento informado, os participantes preencheram o question&aacute;rio sociodemogr&aacute;fico. As entrevistas foram gravadas em formato &aacute;udio, tendo esta grava&ccedil;&atilde;o sido autorizada antes da realiza&ccedil;&atilde;o das mesmas, e destru&iacute;da ap&oacute;s a sua transcri&ccedil;&atilde;o, de forma a garantir a confidencialidade dos dados. Com o mesmo objectivo, durante o processo de codifica&ccedil;&atilde;o dos dados, os nomes dos participantes foram substitu&iacute;dos por nomes fict&iacute;cios, sendo estes tamb&eacute;m usados nas cita&ccedil;&otilde;es que a seguir se apresentam.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">As transcri&ccedil;&otilde;es das entrevistas foram analisadas segundo os procedimentos da an&aacute;lise tem&aacute;tica (Braun &amp; Clarke, 2006), com recurso ao <i>software</i> QSR Nvivo 10. Esta consistiu de in&iacute;cio na identifica&ccedil;&atilde;o de padr&otilde;es/temas nas experi&ecirc;ncias dos participantes, levando ao processo de codifica&ccedil;&atilde;o em categorias criadas n&atilde;o s&oacute; a partir das partilhas dos participantes, como tamb&eacute;m dos fen&oacute;menos descritos na literatura. Construiu-se, assim, uma &aacute;rvore de categorias final, com categorias superiores e inferiores, que especificam as categorias superiores. Considerando que a triangula&ccedil;&atilde;o pelos investigadores ajuda a garantir a fiabilidade e a validade do estudo (Miles &amp; Huberman, 1994), as respostas dos participantes foram inicialmente identificadas e agrupadas pelo primeiro pesquisador, e posteriormente revistas e validadas por um segundo investigador.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Instrumentos</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b><i>Question&aacute;rio sociodemogr&aacute;fico</i></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Desenvolvido especificamente para este estudo, teve como objetivo recolher dados sociodemogr&aacute;ficos (e.g., no caso dos jovens: nome, idade, sexo, zona de resid&ecirc;ncia, agregado familiar; no caso dos professores: nome, idade e profiss&atilde;o) e dados complementares dos participantes (e.g., no caso dos jovens: situa&ccedil;&atilde;o do pai militar, qual dos pais &eacute; militar e dura&ccedil;&atilde;o da &uacute;ltima miss&atilde;o).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b><i>Gui&atilde;o de entrevista de focus group</i></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O <i>focus group</i> foi o m&eacute;todo de recolha de dados qualitativos seleccionado, tendo em conta o car&aacute;cter explorat&oacute;rio do estudo e o objectivo de aceder &agrave;s necessidades dos alunos e dos professores, permitindo criar um ambiente de partilha e compara&ccedil;&atilde;o de ideias entre os participantes, o que potencia a variabilidade da informa&ccedil;&atilde;o recolhida. Assim, foram constru&iacute;dos dois gui&otilde;es de <i>focus group</i>, especificamente um para os alunos e outro para a comunidade escolar (<a href="/img/revistas/psi/v31n2/31n2a08t1.jpg">Tabela 1</a>).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESULTADOS E DISCUSS&Atilde;O</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A an&aacute;lise tem&aacute;tica realizada originou 71 categorias diferentes, organizadas de forma hier&aacute;rquica, isto &eacute;, com categorias superiores e com sub-categorias que se relacionam entre si (<a href="/img/revistas/psi/v31n2/31n2a08t2.jpg">Tabela 2</a>). Foram definidas duas categorias principais: 1) impacto nos filhos da participa&ccedil;&atilde;o dos pais numa miss&atilde;o internacional, abrangendo consequ&ecirc;ncias, factores que promovem a adapta&ccedil;&atilde;o dos filhos e sugest&otilde;es que possam ajudar os jovens durante as miss&otilde;es internacionais dos seus pais; e 2) necessidades da comunidade escolar, remetendo para as dificuldades sentidas por parte dos professores enquanto pedagogos destes alunos. Na primeira categoria principal encontram-se refer&ecirc;ncias tanto de alunos como de professores, enquanto na segunda surgem apenas refer&ecirc;ncias de professores.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">De seguida, s&atilde;o explicitadas todas as sub-categorias que emergiram das duas categorias supramencionadas e interpretadas de acordo com a literatura, sendo acompanhadas de cita&ccedil;&otilde;es dos participantes, que ajudam a compreender o significado das mesmas.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>Impacto nos filhos da participa&ccedil;&atilde;o dos pais numa miss&atilde;o internacional</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Esta categoria principal diz respeito ao impacto que a miss&atilde;o internacional pode ter na vida dos filhos de militares. Tendo por base o estado da arte e as experi&ecirc;ncias relatadas pelos participantes, desta categoria surgiram cinco sub-categorias: emo&ccedil;&otilde;es associadas, altera&ccedil;&otilde;es, fontes de suporte, factores promotores de adapta&ccedil;&atilde;o e eventuais formas de apoio.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b><i>Emo&ccedil;&otilde;es associadas</i></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Uma grande diversidade de emo&ccedil;&otilde;es surgiu associada ao deslocamento e p&oacute;s-deslocamento dos pais militares, duas das fases do ciclo emocional das miss&otilde;es internacionais (19.87% do total de refer&ecirc;ncias codificadas nesta categoria).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Deslocamento.</i> Durante esta fase a saudade foi a emo&ccedil;&atilde;o mais relatada pelos participantes, seguida da preocupa&ccedil;&atilde;o (com o pai e depois com a m&atilde;e), da tristeza e da ansiedade. Das 16 refer&ecirc;ncias existentes tr&ecirc;s foram feitas por professores, que identificaram a preocupa&ccedil;&atilde;o dos jovens relativamente &agrave; m&atilde;e (que no caso dos participantes deste estudo foi sempre o progenitor que ficou em casa), com tristeza e ansiedade. De facto, os professores referem o seu receio relativamente a estes alunos, no que concerne ao impacto emocional que a aus&ecirc;ncia do pai pode trazer, relatando alguns exemplos da sua experi&ecirc;ncia profissional com alunos que tiveram dificuldades aquando da miss&atilde;o dos pais (apesar de n&atilde;o atribu&iacute;rem a este facto uma causalidade linear).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>&ldquo;No caso de um menino da minha direc&ccedil;&atilde;o de turma, eu tenho conversado com a m&atilde;e, n&atilde;o sabemos se &eacute; decorrente da aus&ecirc;ncia do pai, de vez em quando, mas ele tem diversas crises de ansiedade, fortes...&rdquo;</i> (Professora, 43 anos)</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Apesar de este caso demonstrar reac&ccedil;&otilde;es comportamentais e fisiol&oacute;gicas intensas, e de no geral n&atilde;o servir de exemplo para os restantes casos mencionados pelos professores (que foram de melhor ou pior adapta&ccedil;&atilde;o dos alunos, mas sem sintomas psicopatol&oacute;gicos associados), importa salientar a possibilidade de tais situa&ccedil;&otilde;es ocorrerem, j&aacute; que este facto &eacute; referido em diversos estudos internacionais (e.g., Cederbaum et al., 2013; Chandra et al., 2010; Morris &amp; Age, 2009).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Por outro lado, no que diz respeito &agrave; preocupa&ccedil;&atilde;o destes jovens para com os seus pais, &eacute; relevante referir a distin&ccedil;&atilde;o existente entre a preocupa&ccedil;&atilde;o para com a m&atilde;e ou o pai, tendo em conta que s&atilde;o preocupa&ccedil;&otilde;es diferentes.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>&ldquo;O que eu sinto &eacute; que passo a ser o homem da casa (risos). A minha m&atilde;e pede mais ajuda, tamb&eacute;m reparo que ela se esfor&ccedil;a mais, por exemplo para ir buscar &agrave; escola ou fazer certas tarefas di&aacute;rias e n&oacute;s tentamos ajud&aacute;-la ao m&aacute;ximo.&rdquo;</i> (Filipa, 18 anos, pai militar com 3 miss&otilde;es)</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>&ldquo;Eu penso muito no que pode acontecer quando ele est&aacute; l&aacute;, e como &eacute; que ele est&aacute;.&rdquo;</i> (In&ecirc;s, 15 anos, pai militar com 3 miss&otilde;es)</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Quando os jovens relatam a preocupa&ccedil;&atilde;o que sentem com a figura parental destacada, &eacute; uma preocupa&ccedil;&atilde;o relacionada com a incerteza do seu bem-estar (Mmari, Roche, Sudhinaraset &amp; Blum, 2009; Mmari et al., 2010) e seguran&ccedil;a, enquanto com a m&atilde;e &eacute; uma preocupa&ccedil;&atilde;o em ajud&aacute;-la e apoi&aacute;-la.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>P&oacute;s-Deslocamento.</i> Quanto &agrave;s emo&ccedil;&otilde;es associadas &agrave; etapa do p&oacute;s-deslocamento (que inclui refer&ecirc;ncias apenas de alunos), a sub-categoria mais relevante foi a felicidade face ao regresso do pai, seguida da ansiedade e explos&atilde;o de energia e, por fim, o sentimento de al&iacute;vio. Muitas destas emo&ccedil;&otilde;es est&atilde;o tamb&eacute;m relacionadas, especificamente, com a etapa do re-deslocamento e com o est&aacute;dio da <i>antecipa&ccedil;&atilde;o da chegada</i>, que sugerem efectivamente uma excita&ccedil;&atilde;o e explos&atilde;o de energia face &agrave; expectativa do regresso do militar a casa (Morse, 2006; Pincus et al., 2001; Van Breda, 1996).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>&ldquo;Muito energ&eacute;tica e feliz</i>.&rdquo; (Catarina, 15 anos, pai militar com 3 miss&otilde;es)</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b><i>Altera&ccedil;&otilde;es</i></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">As altera&ccedil;&otilde;es sentidas pelos jovens devido ao deslocamento dos pais militares (19.23% do total de refer&ecirc;ncias), dizem respeito n&atilde;o s&oacute; ao contexto familiar (18 refer&ecirc;ncias), como tamb&eacute;m ao contexto escolar (2 refer&ecirc;ncias). Al&eacute;m destas, tendo em conta a experi&ecirc;ncia relatada pelos participantes, surgiu a necessidade de criar ainda outra sub-categoria, que inclui refer&ecirc;ncias relativas &agrave; inexist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as marcantes com o deslocamento (12 refer&ecirc;ncias). Em geral, estas altera&ccedil;&otilde;es podem estar relacionadas com modifica&ccedil;&otilde;es comportamentais (e.g., maior isolamento, desist&ecirc;ncia de actividades do seu interesse), emocionais (e.g., irritabilidade, ansiedade, tristeza) ou funcionais/instrumentais (e.g., nas rotinas familiares). Nas tr&ecirc;s sub-categorias relativas &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es existem refer&ecirc;ncias tanto por parte dos professores como dos alunos, excepto nas altera&ccedil;&otilde;es escolares, unicamente mencionadas pelos professores.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Inexistentes</i>. A maioria dos participantes, tanto alunos como professores, referiram-se &agrave; aus&ecirc;ncia de altera&ccedil;&otilde;es com a participa&ccedil;&atilde;o dos militares em miss&otilde;es internacionais. Por um lado, os jovens mencionaram n&atilde;o terem sentido altera&ccedil;&otilde;es significativas, principalmente a n&iacute;vel escolar, enquanto os professores indicaram n&atilde;o ter presenciado mudan&ccedil;as comportamentais na maioria dos seus alunos. De facto, v&aacute;rios estudos t&ecirc;m sugerido que n&atilde;o h&aacute; diferen&ccedil;as pertinentes entre os jovens filhos de militares e os da popula&ccedil;&atilde;o civil (e.g., Watanabe, 1985), apesar de serem cada vez mais numerosos os estudos que indicam que adolescentes de fam&iacute;lias militares tendem a ter mais desafios e a experienciarem as suas viv&ecirc;ncias de forma mais negativa (e.g., Paley et al., 2013; Williams, 2013). Como veremos de seguida, foram referidas altera&ccedil;&otilde;es por parte dos jovens, relativamente ao contexto familiar, e pelos professores, em rela&ccedil;&atilde;o ao contexto escolar.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Altera&ccedil;&otilde;es em casa</i>. Os jovens mencionaram mudan&ccedil;as nas rotinas familiares, nomeadamente falta de ajuda para realizar os trabalhos de casa, mais tarefas para realizarem e concomitantemente uma maior liberdade associada &agrave; crescente responsabilidade.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Relativamente &agrave; altera&ccedil;&atilde;o na rotina di&aacute;ria, estes jovens referiram-na de modo geral, como sendo a falta de ajuda na elabora&ccedil;&atilde;o dos seus trabalhos escolares, ou ainda o facto de deixarem de ter o transporte at&eacute; &agrave; escola assegurado, atrav&eacute;s de autom&oacute;vel, pois era o pai que assegurava estas tarefas. Realmente, todos os membros da fam&iacute;lia precisam de estabelecer novas rotinas e apoiarem-se mutuamente, por forma a gerir as responsabilidades da casa e as actividades das crian&ccedil;as e jovens (Padden &amp; Agazio, 2013; Rossen &amp; Carter, 2011).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Outro efeito da aus&ecirc;ncia parental devido &agrave; participa&ccedil;&atilde;o na miss&atilde;o &eacute; o aumento da liberdade, descrito pelos jovens com bastante satisfa&ccedil;&atilde;o. Os jovens participantes referiram ser mais f&aacute;cil terem aprova&ccedil;&atilde;o e autoriza&ccedil;&atilde;o para as suas actividades no grupo de pares durante o deslocamento dos seus pais. Simultaneamente, indicaram um aumento de responsabilidades, por terem de realizar mais tarefas (principalmente as que o pai fazia), quer sejam relativas &agrave; casa ou ao cuidar de irm&atilde;os mais novos.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>&ldquo;Ah sim, enquanto est&aacute; fora eu tive mais liberdade do que com ele c&aacute;, porque &eacute; mais f&aacute;cil pedir &agrave; minha m&atilde;e para sair do que ao meu pai.&rdquo;</i> (Joana, 18 anos, pai militar com 3 miss&otilde;es)</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><i>&ldquo;N&oacute;s fazemos as tarefas que o meu pai faz, temos que passar a ser n&oacute;s todos a faz&ecirc;-las por exemplo cortar a relva e essas tarefas mais duras n&oacute;s passamos a faz&ecirc;-las, &eacute; mais dif&iacute;cil quando ele n&atilde;o est&aacute; c&aacute;.&rdquo;</i> (Francisca, 13 anos, pai militar com 2 miss&otilde;es)</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Tais factos est&atilde;o de acordo com v&aacute;rios estudos, que indicam que durante a miss&atilde;o dos pais &eacute; frequente os filhos mais velhos (quando existe uma fratria) darem mais apoio ao progenitor que ficou em casa, adquirindo por um lado mais responsabilidade e por outro uma maior liberdade (e.g., Misra &amp; Singh, 2014). Esta difus&atilde;o de pap&eacute;is pode tornar-se negativa para os jovens, na medida em que possivelmente abdicam de certas actividades com o grupo de pares (Paley et al., 2013).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Al&eacute;m disso, o apoio providenciado &agrave; m&atilde;e (ou ao progenitor que fica em casa) &eacute; bastante importante para os jovens, pois por um lado sentem-se &uacute;teis ao ajudarem e colaborarem nas tarefas e no que for necess&aacute;rio, e por outro lado sabem que est&atilde;o a contribuir para o bem-estar e uma adapta&ccedil;&atilde;o positiva da m&atilde;e relativamente ao deslocamento parental. Consequentemente, torna-se mais f&aacute;cil a m&atilde;e conseguir apoiar os seus filhos, promovendo um desenvolvimento saud&aacute;vel e minorando a possibilidade destes jovens desenvolverem problemas emocionais ou de comportamento. Portanto, este apoio m&uacute;tuo entre os jovens e o cuidador que fica ao seu encargo parece ser bastante importante.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Altera&ccedil;&otilde;es na escola</i>. Os professores salientaram o isolamento e a diminui&ccedil;&atilde;o do rendimento escolar como duas consequ&ecirc;ncias do deslocamento dos pais dos seus alunos em miss&atilde;o, sendo que estas altera&ccedil;&otilde;es comportamentais tamb&eacute;m alarmavam os familiares. Efectivamente, estudos realizados com esta popula&ccedil;&atilde;o mostram que, mesmo depois do primeiro m&ecirc;s do deslocamento, os adolescentes continuam a ter sentimentos de tristeza, ansiedade e tend&ecirc;ncia a isolar-se (Rossen &amp; Carter, 2011; Williams, 2013).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b><i>Fontes de suporte</i></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Esta sub-categoria (9.61% do total de refer&ecirc;ncias codificadas) envolve a rede de suporte referida pelos participantes como fundamental. Estes mencionaram o apoio dos pares (8 refer&ecirc;ncias), da m&atilde;e (5 refer&ecirc;ncias), da fam&iacute;lia em geral (2 refer&ecirc;ncias) e dos professores (1 refer&ecirc;ncia) como fontes de tranquiliza&ccedil;&atilde;o face &agrave; miss&atilde;o dos pais. Nestas categorias existem maioritariamente refer&ecirc;ncias por parte dos alunos, sendo que apenas relativamente ao apoio materno se encontram tamb&eacute;m refer&ecirc;ncias dos professores.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>M&atilde;e</i>. Os jovens referiram o apoio materno como essencial e diferente de todos os outros, talvez pelo facto de a m&atilde;e representar uma base segura e manter a fam&iacute;lia unida, como &eacute; mencionado pelos professores. Estes ainda relacionam o suporte proveniente da m&atilde;e como fundamental para o bem-estar psicol&oacute;gico e sucesso acad&eacute;mico destes jovens.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Apesar das dificuldades associadas ao impacto que as miss&otilde;es t&ecirc;m nos jovens filhos de militares, o apoio materno tem sido um dos factores descritos como preponderantes no processo de adapta&ccedil;&atilde;o a esta realidade, podendo prevenir inclusive problemas emocionais ou de comportamento (Maholmes, 2012; Morris &amp; Age, 2009). Da mesma forma, tal sintomatologia tem maior probabilidade de se desenvolver caso a sa&uacute;de emocional da m&atilde;e esteja fragilizada (Chandra et al., 2010), estando a qualidade deste cuidado materno tamb&eacute;m relacionado com as compet&ecirc;ncias sociais dos jovens (Misra &amp; Singh, 2014).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Pares</i>. Os adolescentes referiram tamb&eacute;m como importante o suporte proveniente dos seus pares, por sentirem que s&atilde;o os que melhor os compreendem, recorrendo frequentemente ao seu apoio. De facto, uma das carater&iacute;sticas desta faixa et&aacute;ria &eacute; o envolvimento com o grupo de pares, sendo este extremamente importante para o desenvolvimento normativo dos jovens (Sprinthall &amp; Collins, 2003). O envolvimento com os pares traz um contributo positivo para os adolescentes, sendo uma fonte fundamental de apoio emocional (Papalia et al., 2001).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Professores</i>. No que concerne o apoio por parte dos professores, os estudantes revelaram que &eacute; dif&iacute;cil poder contar com este, nas situa&ccedil;&otilde;es em geral que acontecem. Apesar de alguns professores provavelmente se mostrarem sens&iacute;veis &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es dos seus alunos, torna-se complicado estes recorrerem &agrave; sua ajuda quando ocorrem constantes mudan&ccedil;as do quadro docente das escolas. Esta circunst&acirc;ncia vigente no panorama educacional portugu&ecirc;s pode originar altera&ccedil;&otilde;es frequentes dos directores de turma, al&eacute;m dos professores das disciplinas leccionadas. Assim, sem existir uma rela&ccedil;&atilde;o previamente estabelecida, os estudantes referiram ser pouco prov&aacute;vel recorrer aos seus professores ou directores de turma como uma fonte de suporte.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Al&eacute;m disso, estes jovens revelaram que nem os professores nem os directores de turma tinham tido conhecimento das miss&otilde;es dos seus pais, e que isso tamb&eacute;m dificultaria a partilha dessa situa&ccedil;&atilde;o familiar. No entanto, mencionaram o apoio dos professores como importante, caso j&aacute; conhe&ccedil;am o professor em quest&atilde;o e precisem do apoio de um adulto fora do n&uacute;cleo familiar. Realmente, na literatura destaca-se bastante o papel que a comunidade escolar (e.g., professores) pode vir a ter na estabilidade emocional e acad&eacute;mica destes estudantes filhos de pais militares (Astor et al., 2013).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b><i>Factores promotores de adapta&ccedil;&atilde;o</i></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Esta categoria envolve factores que, de acordo com as experi&ecirc;ncias e partilhas dos participantes, facilitam a adapta&ccedil;&atilde;o dos jovens filhos de pais militares (34.62% do total de refer&ecirc;ncias).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Habitua&ccedil;&atilde;o e Prepara&ccedil;&atilde;o</i>. A habitua&ccedil;&atilde;o, referida tanto por alunos como por professores (11 refer&ecirc;ncias), diz respeito ao facto dos alunos j&aacute; terem experienciado v&aacute;rias participa&ccedil;&otilde;es dos pais em miss&otilde;es internacionais, tendo a habitua&ccedil;&atilde;o sido considerada como um factor promotor de uma adapta&ccedil;&atilde;o positiva ao deslocamento dos pais.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>&ldquo;Falou-me bastante satisfeita do facto de o pai ir em miss&atilde;o porque era h&aacute;bito mesmo, j&aacute; n&atilde;o era a primeira, ent&atilde;o j&aacute; era rotineiro.&rdquo;</i> (Professor, 52 anos)</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Contudo, de cada vez que o progenitor militar vai em miss&atilde;o, a flexibilidade familiar &eacute; testada, pois ocorrem altera&ccedil;&otilde;es tanto na organiza&ccedil;&atilde;o como na estrutura deste sistema (Riggs &amp; Riggs, 2011).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A prepara&ccedil;&atilde;o est&aacute; relacionada com o envolvimento parental desde a altura em que sabem que o pai militar ir&aacute; participar numa miss&atilde;o internacional. Mais concretamente tem que ver com a forma como os pais lidam e partilham esta not&iacute;cia com os filhos, isto &eacute;, se preparam os filhos atempadamente e logo que t&ecirc;m conhecimento da exist&ecirc;ncia da miss&atilde;o, ou se por outro lado escondem esta informa&ccedil;&atilde;o, deixando-os assimilar a situa&ccedil;&atilde;o apenas aquando da partida dos pais ou at&eacute; quando estes j&aacute; partiram. No presente estudo apenas os professores mencionaram a import&acirc;ncia que o tipo de prepara&ccedil;&atilde;o pode ter nos jovens (6 refer&ecirc;ncias), relativamente ao impacto causado pelas miss&otilde;es.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>&ldquo;H&aacute; aqui um ponto muito importante que &eacute; o facto dos pais se preocuparem com a prepara&ccedil;&atilde;o da ida para a miss&atilde;o ou n&atilde;o. (&hellip;) a forma como as fam&iacute;lias lidam tem muita import&acirc;ncia depois na forma como eles v&atilde;o reagir ao facto dos pais estarem fora ou n&atilde;o&hellip;&rdquo;</i> (Professora, 43 anos)</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Talvez o facto de j&aacute; estarem habituados &agrave; situa&ccedil;&atilde;o fa&ccedil;a com que se sintam mais preparados para lidar com a mesma. Apesar de serem sempre miss&otilde;es diferentes, em locais e com dura&ccedil;&otilde;es distintas, o impacto pode n&atilde;o ser t&atilde;o grande pois os jovens j&aacute; tiveram experi&ecirc;ncias passadas. Neste sentido, j&aacute; conhecem os procedimentos militares e as etapas do ciclo emocional, o que pode ser promotor de uma adapta&ccedil;&atilde;o positiva a novas miss&otilde;es.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Rela&ccedil;&atilde;o Parental e Temperamento/Personalidade</i>. Estes dois factores est&atilde;o relacionados, respectivamente, com o tipo de rela&ccedil;&atilde;o estabelecida entre os filhos e o progenitor deslocado, e com o temperamento do adolescente. O tipo de rela&ccedil;&atilde;o que existe com o progenitor deslocado pode influenciar a adapta&ccedil;&atilde;o do jovem &agrave; sua aus&ecirc;ncia. Nesta sub-categoria existem refer&ecirc;ncias tanto dos professores como dos alunos (num total de 5 refer&ecirc;ncias).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><i>&ldquo;Acho que isso depois vai dependendo do tipo de pai e do tipo de filho e do tipo de rela&ccedil;&atilde;o entre eles.&rdquo;</i> (Carlota, 17 anos, pai militar com 1 miss&atilde;o)</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A reac&ccedil;&atilde;o dos jovens ao deslocamento dos seus pais pode depender, em parte, do tipo de vincula&ccedil;&atilde;o estabelecida com ambos os progenitores (n&atilde;o s&oacute; o militar mas tamb&eacute;m o que fica em casa), mas tamb&eacute;m das diferen&ccedil;as individuais dos adolescentes (Riggs &amp; Riggs, 2011), j&aacute; que o temperamento/personalidade do adolescente (i.e., as suas caracter&iacute;sticas pessoais) certamente influenciam a forma como lidam com a aus&ecirc;ncia dos pais deslocados.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Comunica&ccedil;&atilde;o</i>. Esta categoria alberga duas sub-categorias: comunica&ccedil;&atilde;o no geral (assim designada pelo facto de os participantes n&atilde;o terem especificado a forma como esta ocorria) e aquela efectuada atrav&eacute;s das Tecnologias de Informa&ccedil;&atilde;o e Comunica&ccedil;&atilde;o (TIC), tendo um total de 11 refer&ecirc;ncias (apenas por parte dos alunos).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A comunica&ccedil;&atilde;o aparece como um factor de adapta&ccedil;&atilde;o na medida em que ajuda a &ldquo;matar&rdquo; as saudades dos pais. Os participantes referiram a comunica&ccedil;&atilde;o como ben&eacute;fica para tranquilizarem a sua preocupa&ccedil;&atilde;o e saberem novidades dos pais. Efectivamente, os estudos revelam que manter a comunica&ccedil;&atilde;o e confirmar que todos est&atilde;o bem durante o per&iacute;odo do deslocamento revela ser importante n&atilde;o s&oacute; para os membros da fam&iacute;lia mas tamb&eacute;m para o militar (B&oacute;ia, Marques, Francisco, Ribeiro, &amp; Santos, 2017; Padden &amp; Agazio, 2013). Para isso mencionaram v&aacute;rias vezes as TIC, afirmando recorrer &agrave; Internet e especificamente ao <i>Skype</i> para comunicarem com o progenitor deslocado. Pelo contr&aacute;rio, os jovens deste estudo mencionaram tamb&eacute;m que por vezes ajuda n&atilde;o falar com os seus pais, porque acabam por se distrair e por se lembrar menos da aus&ecirc;ncia destes.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Distrac&ccedil;&atilde;o, Actividades Curriculares e Actividades Extra-curriculares</i>. Estas tr&ecirc;s categorias est&atilde;o relacionadas com actividades que sirvam de distrac&ccedil;&atilde;o (9 refer&ecirc;ncias) aos adolescentes, pois estes referiram-nas v&aacute;rias vezes como sendo importantes, tal como estar com o grupo de pares, ou o simples facto de estar na escola e nas aulas (onde est&atilde;o focados nas actividades curriculares; 5 refer&ecirc;ncias). Al&eacute;m disso, referiram tamb&eacute;m o desporto (e.g., karat&eacute;, nata&ccedil;&atilde;o, <i>e-sports</i>), a dan&ccedil;a e actividades extra-curriculares no geral (8 refer&ecirc;ncias) como importantes fontes de distrac&ccedil;&atilde;o. Estas categorias t&ecirc;m apenas refer&ecirc;ncias por parte dos alunos, exceptuando as actividades extra-curriculares, igualmente referidas pelos professores.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b><i>Eventuais formas de apoio</i></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Esta categoria est&aacute; relacionada com pequenas actividades ou tipos de apoio que foram sugeridos pela entrevistadora como podendo ajudar os adolescentes e a comunidade escolar a lidarem com as miss&otilde;es (25% do total de refer&ecirc;ncias codificadas). Estas sugest&otilde;es (apenas apresentadas aos jovens, e n&atilde;o aos professores) tinham como objectivo explorar o tipo de ajuda/apoio que pudesse vir a ser mais importante e &uacute;til durante as v&aacute;rias etapas da participa&ccedil;&atilde;o dos pais nas miss&otilde;es internacionais. A maioria das vezes que os jovens argumentaram n&atilde;o concordar com determinado apoio ou sugest&atilde;o da entrevistadora tal acontecia por n&atilde;o o considerarem necess&aacute;rio. No entanto, afirmaram que as mesmas actividades eventualmente poderiam ser &uacute;teis em alturas mais dif&iacute;ceis ou para colegas que n&atilde;o se adaptassem de forma positiva &agrave; aus&ecirc;ncia dos pais.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Actividades</i>. Esta &eacute; uma sugest&atilde;o considerada importante tendo em conta os v&aacute;rios estudos que existem acerca do desenvolvimento de interven&ccedil;&otilde;es preventivas com fam&iacute;lias militares, dado que frequentemente envolvem diversos tipos de actividades (e.g., Aronson et al., 2011; Kim, Kirchhoff, &amp; Whitsett, 2011; Mmari et al., 2010). Nesta categoria (8 refer&ecirc;ncias) os jovens referiram actividades em fam&iacute;lia &ndash; actividades realizadas em conjunto, por todos os membros da fam&iacute;lia nuclear &ndash;, e actividades no geral (e.g., desporto, sa&iacute;das com o grupo de pares).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">No geral, e como j&aacute; foi mencionado, actividades que sejam prazerosas para os jovens podem servir como factores distractores, podendo minorar sintomas como ansiedade e tristeza, que possam sentir face &agrave;s saudades e &agrave; aus&ecirc;ncia do progenitor deslocado. Al&eacute;m disso, podem promover a uni&atilde;o dos membros familiares, o que pode ser bastante ben&eacute;fico para a adapta&ccedil;&atilde;o dos jovens ao deslocamento dos seus pais.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>&ldquo;De confian&ccedil;a e assim, acho que isso ia ser giro... Ent&atilde;o porque... para saber que eles est&atilde;o ali mas que n&atilde;o v&atilde;o estar mas que ao mesmo tempo est&atilde;o, qualquer coisa assim.&rdquo;</i> (Catarina, 15 anos, pai militar com 3 miss&otilde;es)</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><i>Apoio Psicol&oacute;gico.</i> Quatro participantes concordaram que o facto de existir nas escolas apoio psicol&oacute;gico pode igualmente ser um contributo importante para estes jovens. De facto, o psic&oacute;logo educacional pode ser bastante &uacute;til para estes alunos, n&atilde;o s&oacute; para aconselhamento e reencaminhamento caso seja necess&aacute;rio, como tamb&eacute;m para auxiliar no desenvolvimento de estrat&eacute;gias que permitam aos estudantes, filhos de pais miliares, manter o seu rendimento acad&eacute;mico (Rossen &amp; Carter, 2011).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>Director de Turma ter conhecimento da miss&atilde;o</i>. Nove participantes concordaram que manter o director de turma informado acerca das miss&otilde;es dos pais poderia ser &uacute;til, sendo que depois poderia partilhar com os restantes professores essa informa&ccedil;&atilde;o. O fundamental seria os professores estarem conscientes das necessidades dos seus alunos, sendo para tal necess&aacute;rio que saibam quais s&atilde;o filhos de pais militares e quais est&atilde;o destacados para miss&otilde;es internacionais. Assim, seria essencial a fam&iacute;lia comunicar com o director de turma estas situa&ccedil;&otilde;es. Contudo, segundo os estudantes revelaram, esta partilha n&atilde;o existe, pelo que os seus professores nunca souberam das miss&otilde;es dos seus pais. Por isso, inicialmente os jovens n&atilde;o consideraram necess&aacute;rio o director de turma ter esta informa&ccedil;&atilde;o mas alguns mudaram a sua opini&atilde;o, talvez por se terem apercebido da diferen&ccedil;a que poderia significar na altura das miss&otilde;es.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>&ldquo;Ent&atilde;o talvez a ideia do nosso director de turma saber, ter conhecimento e de alguma forma tentar ajudar.&rdquo;</i> (Carlota, 17 anos, pai militar com 1 miss&atilde;o)</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Efectivamente, e apesar de alguns estudantes poderem sentir-se constrangidos (por serem diferentes dos outros e poderem ter mais aten&ccedil;&atilde;o por parte dos professores), outros pensam que seria reconfortante saberem que os professores t&ecirc;m conhecimento do deslocamento dos seus pais (Mmari et al., 2009).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>F&oacute;rum</i>. Cinco participantes concordaram que a exist&ecirc;ncia de um f&oacute;rum de partilha pode dar a possibilidade aos jovens de conhecerem outros na mesma situa&ccedil;&atilde;o, e o facto de ser atrav&eacute;s da Internet pode fazer com que fiquem mais confort&aacute;veis para comunicar, sentindo que n&atilde;o s&atilde;o os &uacute;nicos a passar pelo deslocamento dos pais. Efectivamente, os participantes deste estudo n&atilde;o sabiam que tinham colegas tamb&eacute;m filhos de pais militares na mesma escola, antes da realiza&ccedil;&atilde;o do <i>focus group</i>. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; partilha atrav&eacute;s de um f&oacute;rum <i>on-line</i>, mostraram-se interessados e entusiasmados, por n&atilde;o terem de comunicar e de se expor pessoalmente.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Reuni&otilde;es com pares na mesma situa&ccedil;&atilde;o. Sete participantes mencionaram alguma curiosidade face &agrave; possibilidade da exist&ecirc;ncia de reuni&otilde;es com colegas tamb&eacute;m filhos de pais militares, por considerarem interessante conhecer pares na mesma situa&ccedil;&atilde;o, com perspectivas diferentes. O facto de poderem ter o apoio de um grupo de pares na mesma situa&ccedil;&atilde;o pode efectivamente ser importante, na medida em que pode originar um sentimento de perten&ccedil;a e compreens&atilde;o, que n&atilde;o existe com outros alunos ou professores (Williams, 2013).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Necessidades da comunidade escolar</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Importa referir que as sub-categorias emergentes nesta categoria principal surgem apenas da experi&ecirc;ncia relatada pelos professores durante os <i>focus groups</i>, por forma a compreender as suas principais dificuldades e prem&ecirc;ncias face a este tipo de alunos. Tanto a articula&ccedil;&atilde;o com as fam&iacute;lias militares (44.4% de refer&ecirc;ncias) como com o CPAE (55.6%) mostraram ter grande relev&acirc;ncia para estes professores, tendo estes referido a import&acirc;ncia do di&aacute;logo entre estas tr&ecirc;s grandes &ldquo;institui&ccedil;&otilde;es&rdquo;: escola, ex&eacute;rcito e fam&iacute;lia.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b><i>Articula&ccedil;&atilde;o com a fam&iacute;lia</i></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Esta sub-categoria diz respeito &agrave; facilidade das fam&iacute;lias militares no geral comunicarem com a escola (e.g., acerca da profiss&atilde;o do pai militar e daquilo que esta implica, acerca da ocorr&ecirc;ncia de miss&otilde;es). Desta emergiram duas tem&aacute;ticas distintas, ainda que relacionadas: pais informarem das miss&otilde;es (3 refer&ecirc;ncias) e abertura para falarem do assunto (1 refer&ecirc;ncia). Neste &acirc;mbito, os professores revelaram uma grande dificuldade nesta partilha por parte da maioria dos pais, no que toca a assuntos relacionados com as miss&otilde;es internacionais. Alguns acrescentaram ainda que o facto de os pais informarem a escola (principalmente o director de turma) da ocorr&ecirc;ncia de miss&otilde;es poder&aacute; ter uma influ&ecirc;ncia muito positiva, n&atilde;o s&oacute; no tipo de interven&ccedil;&atilde;o que podem vir a ter junto destes alunos, como tamb&eacute;m no desempenho acad&eacute;mico destes.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><i>&ldquo; (&hellip;) Essa preocupa&ccedil;&atilde;o que os pais t&ecirc;m em dizer ou n&atilde;o acho que influencia muito a forma como vai correr a miss&atilde;o&hellip; Ser filho de pai militar n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil (&hellip;) porque &eacute; preciso um envolvimento muito grande e uma prepara&ccedil;&atilde;o muito grande dos mi&uacute;dos que &agrave;s vezes n&atilde;o h&aacute;. Quando h&aacute;, as coisas resultam bem, como foi o caso das duas alunas (&hellip;) que s&atilde;o irm&atilde;s, mas s&atilde;o pais que preparam n&atilde;o s&oacute; na escola, mas tamb&eacute;m em casa, ou seja, os mi&uacute;dos n&atilde;o est&atilde;o alheados da situa&ccedil;&atilde;o nem s&atilde;o confrontados com a situa&ccedil;&atilde;o em cima da hora, por exemplo este meu aluno foi confrontado com a situa&ccedil;&atilde;o em cima da hora, eu soube antes dele.</i> (Professora, 38 anos)</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">As lacunas por vezes existentes no apoio escolar, juntamente com poss&iacute;veis dificuldades na adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; aus&ecirc;ncia parental, podem contribuir para a ocorr&ecirc;ncia de perturba&ccedil;&otilde;es no desempenho acad&eacute;mico (Chandra et al., 2010). Muitos jovens filhos de militares n&atilde;o s&oacute; t&ecirc;m de lidar com o deslocamento dos seus pais, como tamb&eacute;m se v&ecirc;em obrigados a deslocar-se para outras localidades do pa&iacute;s e consequentemente outras escolas. Deste modo, estes adolescentes podem ter dificuldade no estabelecimento de rela&ccedil;&otilde;es com os seus pares, quando existe uma insensibilidade destes e dos professores para a vida e cultura das fam&iacute;lias militares, e consequentemente uma car&ecirc;ncia no apoio escolar (Astor et al., 2013). Contudo, n&atilde;o pode deixar de ser mencionado que os professores n&atilde;o s&atilde;o, na esmagadora maioria dos casos, informados acerca da afilia&ccedil;&atilde;o dos seus alunos (Bradshaw, Sudhinaraset, Mmari, &amp; Blum, 2010), o que complica bastante o processo de identifica&ccedil;&atilde;o das necessidades destes estudantes (Williams, 2013).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Em suma, os estudos supramencionados sugerem que a aus&ecirc;ncia de conhecimento (i.e., o facto de desconhecerem a exist&ecirc;ncia de miss&otilde;es e das suas implica&ccedil;&otilde;es na vida familiar e escolar), sensibilidade, e apoio pela comunidade escolar e pares possivelmente contribui para a vulnerabilidade psicol&oacute;gica de estudantes filhos de militares (Astor et al., 2013).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b><i>Articula&ccedil;&atilde;o com o CPAE</i></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Esta liga&ccedil;&atilde;o surge como uma necessidade da comunidade escolar na medida em que os professores sentem falta de apoio relativamente a esta tem&aacute;tica, por parte dos psic&oacute;logos da institui&ccedil;&atilde;o militar. Os mesmos referiram estar atentos e sensibilizados com a especificidade dos alunos filhos de militares, e por isso gostariam de estar mais informados, n&atilde;o s&oacute; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; exist&ecirc;ncia de miss&otilde;es (1 refer&ecirc;ncia) como tamb&eacute;m a pistas para os professores agirem (5 refer&ecirc;ncias). Por outro lado, mencionam o eventual apoio psicol&oacute;gico nas escolas (2 refer&ecirc;ncias), por parte do ex&eacute;rcito (em parceria com a escola), como fundamental, ao inv&eacute;s de recorrerem ao psic&oacute;logo educacional. Os professores revelam, ainda, sentir mais confian&ccedil;a nos profissionais do Ex&eacute;rcito, devido &agrave; experi&ecirc;ncia e conhecimento aprofundado que estes t&ecirc;m na &aacute;rea das fam&iacute;lias militares.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>&ldquo;Haver essa preocupa&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de psicologia do ex&eacute;rcito (&hellip;) que nos ajudassem a n&oacute;s a perceber o que &eacute; que se passa ao longo das fases (&hellip;) se calhar n&oacute;s aqui e at&eacute; a psic&oacute;loga da escola n&atilde;o est&aacute; t&atilde;o preparada na escola para lidar com elas do que os servi&ccedil;os de psicologia do ex&eacute;rcito.&rdquo;</i> (Professora, 43 anos)</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Tendo em conta estudos efectuados com esta popula&ccedil;&atilde;o, &eacute; evidente o suporte que as escolas podem dar a alunos filhos de militares (e.g., Acion et al., 2013; Astor et al., 2013; Rossen &amp; Carter, 2011). No entanto, a comunidade escolar muitas vezes encontra dificuldades na forma como deve transmitir este apoio (Williams, 2013), podendo experienciar um sentimento de incerteza relativamente &agrave; postura a adquirir perante estudantes com estas caracter&iacute;sticas (Bradshaw et al., 2010). Por outro lado, &eacute; ainda importante referir o facto da comunidade escolar no geral e at&eacute; a maioria dos pais percepcionar a forma&ccedil;&atilde;o dos psic&oacute;logos escolares como fulcral, para lidar com estes estudantes o melhor poss&iacute;vel, principalmente durante a etapa do deslocamento (Mmari et al., 2009), o que &eacute; congruente com as refer&ecirc;ncias dos professores que participaram neste estudo. Um outro facto que vai ao encontro da partilha dos professores &eacute; a necessidade de melhorar a comunica&ccedil;&atilde;o entre a escola e a base militar, igualmente mencionada na literatura (Mmari et al., 2010).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Conclus&atilde;o</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Com o presente estudo pretendeu-se compreender a perspectiva de adolescentes, filhos de pais militares Portugueses, quanto ao impacto das miss&otilde;es internacionais no seu bem-estar, bem como a forma como a comunidade escolar pode promover um ajustamento positivo destes durante uma miss&atilde;o militar, com base na perspectiva dos professores que lidam com estes jovens. Aquando do deslocamento dos pais numa miss&atilde;o militar surgem algumas altera&ccedil;&otilde;es na vida dos jovens, tais como a mudan&ccedil;a nas rotinas familiares, o aumento da responsabilidade, da liberdade, e da realiza&ccedil;&atilde;o de tarefas dom&eacute;sticas, sendo estas congruentes com a literatura (e.g., Misra &amp; Singh, 2014). Por outro lado, a comunidade escolar aponta diversas dificuldades e real&ccedil;a a import&acirc;ncia da articula&ccedil;&atilde;o entre a escola, a institui&ccedil;&atilde;o militar e os pais destes alunos, para que haja partilha de informa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o s&oacute; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; exist&ecirc;ncia de miss&otilde;es, mas tamb&eacute;m no que concerne a pistas para lidar com estes alunos. Em rela&ccedil;&atilde;o aos recursos j&aacute; existentes, os participantes no presente estudo mostraram ser factores fundamentais o apoio dos pares e da m&atilde;e, a comunica&ccedil;&atilde;o com o progenitor deslocado e o recurso a tarefas distractoras (e.g., actividades curriculares e extra-curriculares).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O estudo apresenta algumas limita&ccedil;&otilde;es, nomeadamente a reduzida dimens&atilde;o da amostra, a aus&ecirc;ncia de considera&ccedil;&atilde;o do sexo dos jovens na altura da selec&ccedil;&atilde;o da amostra, a exist&ecirc;ncia de apenas dois tipos de informantes (professores e alunos), e o facto deste estudo apenas retratar um dos ramos das For&ccedil;as Armadas Portuguesas (Ex&eacute;rcito). Al&eacute;m disso, a reduzida dimens&atilde;o da amostra tamb&eacute;m n&atilde;o permitiu a an&aacute;lise dos resultados por etapa de desenvolvimento (e.g., pr&eacute;-adolesc&ecirc;ncia vs. adolesc&ecirc;ncia). Assim, seria importante em estudos futuros, ampliar a amostra no sentido de analisar os resultados considerando o sexo e a idade dos jovens, permitindo explorar as diferen&ccedil;as e semelhan&ccedil;as que existem entre rapazes e raparigas de diferentes idades, a par da forma como estas podem influenciar uma interven&ccedil;&atilde;o eficaz. Por outro lado, o facto deste estudo ter como base a metodologia qualitativa, especificamente atrav&eacute;s de entrevistas <i>focus group</i>, traz outras limita&ccedil;&otilde;es, como o impacto do pr&oacute;prio grupo e da sua interac&ccedil;&atilde;o, que pode ter reduzido a partilha das experi&ecirc;ncias por parte dos participantes, especialmente dos mais jovens. Tendo em conta que o estudo se baseia numa metodologia qualitativa, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel a generaliza&ccedil;&atilde;o dos resultados &agrave; popula&ccedil;&atilde;o de jovens filhos de pais militares. Neste sentido, estudos futuros dever&atilde;o adoptar tamb&eacute;m metodologias quantitativas em amostras maiores, que permitam uma caracteriza&ccedil;&atilde;o mais abrangente desta popula&ccedil;&atilde;o, especificamente no que diz respeito ao bem-estar dos adolescentes filhos de militares. Tendo em conta os resultados obtidos, parece ser pertinente continuar a investiga&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea das fam&iacute;lias militares, mais concretamente acerca do papel que a comunidade escolar pode ter no ajustamento destes estudantes &agrave;s miss&otilde;es internacionais dos seus pais militares.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">&Eacute; ainda fundamental desenvolver projectos ou programas no &acirc;mbito da promo&ccedil;&atilde;o de uma adapta&ccedil;&atilde;o positiva aos deslocamentos militares, cuja efic&aacute;cia possa ser avaliada. Na constru&ccedil;&atilde;o destes projectos, &eacute; necess&aacute;rio ter em conta os desafios pelos quais os jovens passam ao longo de uma miss&atilde;o internacional, nomeadamente a reorganiza&ccedil;&atilde;o do sub-sistema parental e fraternal, e a dificuldade que pode ser sentida com o p&oacute;s-deslocamento. Nesta medida, pode ser &uacute;til reunir equipas de psic&oacute;logos em zonas geogr&aacute;ficas de grande aflu&ecirc;ncia de fam&iacute;lias militares, que acompanhem especificamente estes jovens, que elaborem programas de preven&ccedil;&atilde;o (e.g., <i>workshops</i> &agrave; comunidade escolar; actividades de aproxima&ccedil;&atilde;o dos militares aos filhos e fam&iacute;lia no regresso da miss&atilde;o) e interven&ccedil;&atilde;o (e.g., estabelecendo uma rede de reencaminhamentos, garantindo o acompanhamento psicol&oacute;gico sempre que este seja necess&aacute;rio).</font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Acion, L., Ramirez, M. R., Jorge, R. E., &amp; Arndt, S. (2013). Increased risk of alcohol and drug use among children from deployed military families. <i>Addiction, 108</i>, 1418-1425. <a href="https://doi.org/10.1111/add.12161" target="_blank">https://doi.org/10.1111/add.12161</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=497377&pid=S0874-2049201700020000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Aronson, K. R., &amp; Perkins, D. F. (2012). Challenges faced by military families: Perception of United States marine corps school liaisons. <i>Journal of Child and Family Studies, 22</i>, 516-525. <a href="https://doi.org/10.1007/s10826-012-9605-1" target="_blank">https://doi.org/10.1007/s10826-012-9605-1</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=497378&pid=S0874-2049201700020000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Aronson, K. R., Caldwell, L. L., &amp; Perkins, D. F. (2011). Assisting children and families with military-related disruptions: The United-States marine corps school liaison program. <i>Psychology in the Schools, 48</i>, 998-1015. <a href="https://doi.org/10.1002/pits.20608" target="_blank">https://doi.org/10.1002/pits.20608</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=497379&pid=S0874-2049201700020000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="Verdana" size="2">Astor, R. A., De Pedro, K. T., Gilreath, T. D., Esqueda, M. C., &amp; Benbenishty, R. (2013). The promotional role of school and community contexts for military students. <i>Clinical Child and Family Psychology Review, 16</i>, 233-244. c10.1007/s10567-013-0139-x</font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Baltazar, M. S., &amp; Salvador, R. (2012, Junho). Impactos da profiss&atilde;o militar nos padr&otilde;es familiares: Reconfigura&ccedil;&otilde;es a partir do caso particular do comando de instru&ccedil;&atilde;o e doutrina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=497381&pid=S0874-2049201700020000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Comunica&ccedil;&atilde;o oral apresentada no <i>VII Congresso Portugu&ecirc;s de Sociologia</i>, Porto.</font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Barbudo, M., Francisco, R., &amp; Santos, R. P. (2014). Viv&ecirc;ncias de militares em miss&otilde;es internacionais: O impacto nas rela&ccedil;&otilde;es conjugais. <i>Revista de Psicologia Militar, 23</i>, 9-35.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=497383&pid=S0874-2049201700020000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">B&oacute;ia, A., Marques, T., Francisco, R., Ribeiro, M.T., &amp; Santos, R.P. (2017). International missions, marital relationships and parenting in military families: An exploratory study. <i>Journal of Child and Family Studies</i>. Advance online publication. <a href="https://doi.org/10.1007/s10826-017-0873-7" target="_blank">https://doi.org/10.1007/s10826-017-0873-7</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=497385&pid=S0874-2049201700020000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Bradshaw, C. P., Sudhinaraset, M., Mmari, K., &amp; Blum, R. W. (2010). School transitions among military adolescents: A qualitative study of stress and coping.&nbsp;<i>School Psychology Review</i>,&nbsp;<i>39</i>(1), 84-105.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=497386&pid=S0874-2049201700020000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Braun, V., &amp; Clarke, V. (2006). Using thematic analysis in psychology. <i>Qualitative Research in Psychology, 3</i>, 77-101. <a href="https://doi.org/10.1191/1478088706qp063oa" target="_blank">https://doi.org/10.1191/1478088706qp063oa</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=497388&pid=S0874-2049201700020000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Carreiras, H. (2015). The invisible families of Portuguese soldiers. From colonial wars to contemporary missions. In Moelker, R., Andres, M., Bowen, G. &amp; Manigart, P. (Eds.), <i>Military Families and War in the 21st Century</i>. London: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=497389&pid=S0874-2049201700020000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Cederbaum, J. A., Gilreath, T. D., Benbenishty, R., Astor, R. A., Pineda, D, DePedro, K. T., Esqueda, M. C., &amp; Atuel, H. (2013). Well-being and suicidal ideation of secondary school students from military families. <i>Journal of Adolescent Health</i>, 1-6. <a href="https://doi.org/10.1016/j.jadohealth.2013.09.006" target="_blank">https://doi.org/10.1016/j.jadohealth.2013.09.006</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=497391&pid=S0874-2049201700020000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Chandra, A., Lara-Cinisomo, S., Jaycox, L. H., Tanielian,T., Burns, R. M., Ruder, T., &amp; Han, B. (2010). Children on the homefront: Experience of children from military families. <i>Pediatrics, 125</i>, 16-25. <a href="https://doi.org/10.1542/peds.2009-1180" target="_blank">https://doi.org/10.1542/peds.2009-1180</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=497392&pid=S0874-2049201700020000800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Gewirtz, A. H., McMorris, B. J., Hanson, S., &amp; Davis, L. (2014). Family adjustment of deployed and nondeployed mothers in families with a parent deployed to Iraq or Afghanistan.&nbsp;<i>Professional Psychology: Research and Practice</i>,&nbsp;<i>45</i>, 465-477. <a href="https://doi.org/10.1037/a0036235" target="_blank">https://doi.org/10.1037/a0036235</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=497393&pid=S0874-2049201700020000800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Jorge, A. P., Nascimento, J. L., &amp; Lopes, L. M. (2014). A rela&ccedil;&atilde;o dos militares com as For&ccedil;as Armadas: A influ&ecirc;ncia do tipo de contrato formal na orienta&ccedil;&atilde;o para o trabalho e no tipo de contrato psicol&oacute;gico. <i>Revista de Psicologia Militar, 2</i>3, 89-107.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=497394&pid=S0874-2049201700020000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Kim, J. B., Kirchhoff, M., &amp; Whitsett, S. (2011). Expressive arts group therapy with middle-school aged children from military families. <i>The Arts in Psychotherapy, 38</i>, 356-362. <a href="https://doi.org/10.1016/j.aip.2011.08.003" target="_blank">https://doi.org/10.1016/j.aip.2011.08.003</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=497396&pid=S0874-2049201700020000800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Maholmes, V. (2012). Adjustment of children and youth in military families: Toward developmental understandings. <i>Child Development Perspectives</i>, 1-6. <a href="https://doi.org/10.1111/j.1750-8606.2012.00256.x" target="_blank">https://doi.org/10.1111/j.1750-8606.2012.00256.x</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=497397&pid=S0874-2049201700020000800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="Verdana" size="2">Marek, L. I., &amp; D&rsquo;Aniello, C. (2014). Reintegration stress and family mental health: Implications for therapists working with reintegrating military families. <i>Contemporary Family Therapy, 36</i>, 443-451. <a href="https://doi.org/10.1007/s10591-014-9316-4" target="_blank">https://doi.org/10.1007/s10591-014-9316-4</a></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Mart&iacute;nez-S&aacute;nchez, J. A. (2014). Psychological intervention in the Spanish militar deployed on international operations. <i>Psicothema, 26</i>, 193-199. <a href="https://doi.org/10.7334/psicothema2013.254" target="_blank">https://doi.org/10.7334/psicothema2013.254</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=497399&pid=S0874-2049201700020000800018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Martins, T., Santos, R. P., &amp; Francisco, R. (2014). Mudan&ccedil;as familiares e rede social dos c&ocirc;njuges de militares em miss&atilde;o: Um estudo explorat&oacute;rio. <i>Revista de Psicologia Militar, 23</i>, 131-155.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=497400&pid=S0874-2049201700020000800019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Miles, M. B., &amp; Huberman, A. M. (1994). <i>Qualitative data analysis: An expanded sourcebook</i> (2nd ed.). Thousand Oaks, CA: SAGE Publications.</font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Misra, P., &amp; Singh, V. (2014). Exploring the impact of parental military deployment/field posting on adolescents in Indian military families. <i>Psychological Studies, 59</i>, 36-43. <a href="https://doi.org/10.1007/s12646-013-0224-8" target="_blank">https://doi.org/10.1007/s12646-013-0224-8</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=497403&pid=S0874-2049201700020000800021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Mmari, K., Bradshaw, C. P., Sudhinaraset, M., &amp; Blum, R. (2010). Exploring the role of social connectedness among military youth: Perceptions from youth, parents, and school personnel. <i>Child Youth Care Forum, 39</i>, 351-366. <a href="https://doi.org/10.1007/s10566-010-9109-3" target="_blank">https://doi.org/10.1007/s10566-010-9109-3</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=497404&pid=S0874-2049201700020000800022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Mmari, K., Roche, K. M., Sudhinaraset, M., &amp; Blum, R. (2009). When a parent goes off to war: Exploring the issues faced by adolescents and their families. <i>Youth &amp; Society, 40</i>, 455-475. <a href="https://doi.org/10.1177/0044118X08327873" target="_blank">https://doi.org/10.1177/0044118X08327873</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=497405&pid=S0874-2049201700020000800023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="Verdana" size="2">Mogil, C., Hajal, N., Garcia, E., Kiff, C., Paley, B., Milbrun, N., &amp; Lester, P. (2015). FOCUS for early childhood: A virtual home visiting program for military families with young children. <i>Contemporary Family Therapy, 37,</i> 199&ndash;208. <a href="https://doi.org/10.1007/s10591-015-9327-9" target="_blank">https://doi.org/10.1007/s10591-015-9327-9</a></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Morris, A. S., &amp; Age, T. R. (2009). Adjustment among youth in military families: The protective roles effortful control and maternal social support. <i>Journal of Applied Developmental Psychology, 30</i>, 695-707. <a href="https://doi.org/10.1016/j.appdev.2009.01.002" target="_blank">https://doi.org/10.1016/j.appdev.2009.01.002</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=497407&pid=S0874-2049201700020000800025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="Verdana" size="2">Morse, J. (2006). <i>New emotional cycles of deployment for service members and their families</i>. U.S. Department of Defense: Deployment Health and Family Readiness Library. San Diego, CA. Retirado de: <a href="http://deploymenthealthlibrary.fhp.osd.mil/Product/RetrieveFile?prodId=241" target="_blank">http://deploymenthealthlibrary.fhp.osd.mil/Product/RetrieveFile?prodId=241</a></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Padden, D., &amp; Agazio, J. (2013). Caring for military families across the deployment cycle. <i>Journal of Emergency Nursing, 39</i>, 562-568. <a href="https://doi.org/10.1016/j.jen.2013.08.004" target="_blank">https://doi.org/10.1016/j.jen.2013.08.004</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=497409&pid=S0874-2049201700020000800027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Paley, B., Lester, P., &amp; Mogil, C. (2013). Family systems and ecological perspectives on the impact of deployment on military families. <i>Clinical Child and Family Psychology Review, 16</i>, 245-265. <a href="https://doi.org/10.1007/s10567-013-0138-y" target="_blank">https://doi.org/10.1007/s10567-013-0138-y</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=497410&pid=S0874-2049201700020000800028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Papalia, D., Olds, S., &amp; Feldman, R. (2001). <i>O Mundo da Crian&ccedil;a</i> (8&ordf; ed.). Lisboa: McGraw-Hill.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=497411&pid=S0874-2049201700020000800029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Pincus, S., House, R., Christenson, J., &amp; Alder, L. (2001). <i>The emotional cycle of deployment: A military family perspective</i>. Retirado de: <a href="http://www.hooah4health.com/deployment/familymatters/emotionalcycle.htm" target="_blank">http://www.hooah4health.com/deployment/familymatters/emotionalcycle.htm.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=497413&pid=S0874-2049201700020000800030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></a></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Riggs, S. A., &amp; Riggs, D. S. (2011). 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Retirado de: <a href="http://www.vanbreda.org/adrian/pubs/emotional_cycles_of_deployment.pdf" target="_blank">http://www.vanbreda.org/adrian/pubs/emotional_cycles_of_deployment.pdf</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=497421&pid=S0874-2049201700020000800035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="Verdana" size="2">Watanabe, H. (1985). A survey of adolescent military family members&rsquo; self-image. <i>Journal of Youth and Adolescence, 14</i>, 99-107. <a href="https://doi.org/10.1007/BF02098650" target="_blank">https://doi.org/10.1007/BF02098650</a></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Williams, B. (2013). 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<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Rua Soares dos Passos, N&ordm;9, 1&ordm;Esq., 2790-344 Queijas - Oeiras. E-mail: <a href="mailto:ritapinto.8@gmail.com" target="_blank">ritapinto.8@gmail.com</a></font></p>       ]]></body><back>
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