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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Trabalho por turnos e vida familiar e social: Perspetivas do trabalhador(a) e do cônjuge]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Research on the impact of shift work on family and social life tends to privilege the perspective of workers, being rare the research that compares the perspective of third parties. Considering this limitation, the present study includes the perspective of the spouses of rotating shift workers in the understanding of the impact of shift work on family and social life dimensions, trying to assess whether there are differences in the perception of impacts on the dyad. 51 couples participated in the study. There was a moderate agreement in the analyses of differences of dyads with regard to the impact of shift work. On the other hand, considering the different working hours of each member of the couple, the results showed a significant difference among the two groups of dyads in the correlations between the spouse's point of view and the worker's point of view on the “Life of Couple “dimension.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="4"><b>Trabalho por turnos e vida familiar e social: Perspetivas do trabalhador(a) e do c&ocirc;njuge</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="3"><b>Shift work and family and social life: Worker and spouse perspectives.</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Joana Pereira<sup>1</sup>, Isabel Soares Silva<sup>1</sup> &amp; Jos&eacute; Keating<sup>1</sup></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><sup>1</sup> Escola de Psicologia da Universidade do Minho</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b><sup>c</sup><a href="#c0">Autor para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></b></font></p>  <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A investiga&ccedil;&atilde;o sobre o impacto do trabalho por turnos na vida familiar e social tende a privilegiar apenas a perspetiva dos trabalhadores, sendo rara a investiga&ccedil;&atilde;o que compara a perspetiva de terceiros. Considerando esta limita&ccedil;&atilde;o, o presente estudo contempla a perspetiva dos c&ocirc;njuges de trabalhadores por turnos rotativos na compreens&atilde;o do impacto do trabalho por turnos em dimens&otilde;es da vida familiar e social, procurando avaliar se existem diferen&ccedil;as na perce&ccedil;&atilde;o dos impactos na d&iacute;ade. Participaram no estudo 51 casais. Verificou-se um acordo moderado nas an&aacute;lises de diferen&ccedil;as das d&iacute;ades, no que diz respeito ao impacto do trabalho por turnos. Por outro lado, tendo em conta os diferentes hor&aacute;rios de trabalho de cada membro do casal, os resultados mostraram uma diferen&ccedil;a significativa, entre os dois grupos de d&iacute;ades, nas correla&ccedil;&otilde;es entre o ponto de vista do c&ocirc;njuge e o ponto de vista do trabalhador sobre a dimens&atilde;o &ldquo;Vida de Casal&rdquo;.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave:</b> Trabalho por turnos; vida social; vida familiar; perspetiva do casal.</font></p>  <hr size="1" noshade>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Research on the impact of shift work on family and social life tends to privilege the perspective of workers, being rare the research that compares the perspective of third parties. Considering this limitation, the present study includes the perspective of the spouses of rotating shift workers in the understanding of the impact of shift work on family and social life dimensions, trying to assess whether there are differences in the perception of impacts on the dyad. 51 couples participated in the study. There was a moderate agreement in the analyses of differences of dyads with regard to the impact of shift work. On the other hand, considering the different working hours of each member of the couple, the results showed a significant difference among the two groups of dyads in the correlations between the spouse's point of view and the worker's point of view on the &ldquo;Life of Couple &ldquo;dimension.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Keywords:</b> Shift work; social life; family life; couple&rsquo;s perspective.</font></p>      <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>      <p><font face="Verdana" size="2">A evolu&ccedil;&atilde;o para uma <i>sociedade de 24 horas</i>, motivada por fatores como a globaliza&ccedil;&atilde;o da economia, a crescente competitividade entre mercados, o desenvolvimento de novas tecnologias ou a expans&atilde;o dos servi&ccedil;os para a popula&ccedil;&atilde;o, introduz altera&ccedil;&otilde;es significativas no modo de organiza&ccedil;&atilde;o do tempo de trabalho (Baker, Ferguson, &amp; Dawson, 2003; Costa, 2003; Iskra-Golec et al., 2016), sendo que as fronteiras entre o trabalho e os tempos sociais n&atilde;o s&atilde;o mais fixas e rigidamente determinadas pelo dia de trabalho diurno normal (Iskra-Golec et al., 2016). Com efeito, tal processo de mudan&ccedil;a deu origem a um n&uacute;mero maior de trabalhadores a laborar para al&eacute;m do hor&aacute;rio convencional, isto &eacute;, hor&aacute;rio compreendido entre as 08:00 &ndash; 9:00 e as 17:00 &ndash; 18:00 de segunda a sexta-feira (Baker et al., 2003; Costa et al., 2004; Dhande &amp; Sharma, 2011). A semana de trabalho constitu&iacute;da por 8 horas de trabalho di&aacute;rio, 5 dias por semana, deu lugar a dias e semanas de trabalho mais longos (Perrucci et al., 2007).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Neste contexto, ganha relev&acirc;ncia o termo trabalho por turnos, o qual, segundo o C&oacute;digo de Trabalho portugu&ecirc;s, &eacute; definido como &ldquo;qualquer organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho em equipa em que os trabalhadores ocupam sucessivamente os mesmos postos de trabalho, a um determinado ritmo, incluindo o rotativo, cont&iacute;nuo ou descont&iacute;nuo, podendo executar o trabalho a horas diferentes num dado per&iacute;odo de dias ou semanas&rdquo; (Artigo 115.&ordm;). Segundo o Sexto Inqu&eacute;rito Europeu sobre a Vida e as Condi&ccedil;&otilde;es de Trabalho, inqu&eacute;rito esse que &eacute; realizado de cinco em cinco anos nos pa&iacute;ses da Uni&atilde;o Europeia (UE) desde 1991, cerca de 21% dos trabalhadores referiram trabalhar por turnos no ano de 2015. Comparativamente com os dados obtidos nos dois per&iacute;odos anteriores (2005 e 2010), verifica-se um aumento de 4% (Eurofound, 2016).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O impacto do hor&aacute;rio de trabalho por turnos estende-se para al&eacute;m do(a) pr&oacute;prio(a) trabalhador(a), interferindo nas suas fam&iacute;lias e meio social. De facto, como referem Baker et al. (2003) a prop&oacute;sito de tal abrang&ecirc;ncia, a organiza&ccedil;&atilde;o do tempo de trabalho pode definir n&atilde;o s&oacute; a situa&ccedil;&atilde;o financeira, a localiza&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica, o estado de sa&uacute;de, mas tamb&eacute;m o n&iacute;vel da intera&ccedil;&atilde;o com a comunidade e a vida familiar. Neste contexto, Newey e Hood (2004) tamb&eacute;m referem que o impacto do trabalho por turnos pode emergir a um n&iacute;vel multidimensional, podendo traduzir-se, por exemplo, a priva&ccedil;&otilde;es e perturba&ccedil;&otilde;es de sono (quantidade e qualidade), problemas de sa&uacute;de (<i>stress</i>) e perturba&ccedil;&atilde;o da vida social e familiar, perturba&ccedil;&atilde;o esta que ser&aacute; descrita com mais detalhe no ponto seguinte. Os problemas nas esferas familiar e social tornam-se ainda mais complexos quando os dois membros do casal trabalham e ambos trabalham por turnos, podendo tal combina&ccedil;&atilde;o representar dificuldades acrescidas, n&atilde;o s&oacute; nas rela&ccedil;&otilde;es conjugais, mas tamb&eacute;m nos pap&eacute;is parentais e na educa&ccedil;&atilde;o dos filhos (Iskra-Golec et al., 2016). Por outro lado, o impacto do trabalho por turnos pode ser sentido de forma diferente dependendo do g&eacute;nero, tanto no que diz respeito &agrave; vida familiar como &agrave; vida social (Craig &amp; Brown, 2014; Presser, 1994). Por exemplo, no estudo de Craig e Brown (2014), enquanto os homens relatam ver televis&atilde;o acompanhados da sua parceira como uma atividade de lazer, as mulheres realizam as tarefas dom&eacute;sticas ao mesmo tempo que v&ecirc;m televis&atilde;o.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Impacto do trabalho por turnos a n&iacute;vel familiar e social</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Embora o trabalho por turnos seja maioritariamente associado a aspetos negativos, esta modalidade hor&aacute;ria pode manifestar-se de forma positiva sobre a vida n&atilde;o-laboral do(a) trabalhador(a) (Iskra-Golec et al., 2017). Alguns autores (e.g., Baker et al., 2003; Costa, 2003, 2016; Silva, 2012; Wilson et al., 2007) identificaram os seguintes aspetos positivos: i) a maior facilidade no acesso a servi&ccedil;os (e.g., ir ao banco ou ir ao m&eacute;dico) cujos hor&aacute;rios de funcionamento decorrem similares ao hor&aacute;rio de trabalho convencional; ii) compensa&ccedil;&otilde;es a n&iacute;vel monet&aacute;rio (sobretudo majora&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas associadas a determinados hor&aacute;rios de trabalho como o &ldquo;subsidio de turno&rdquo;); iii) permitir ao/&agrave; trabalhador(a) disponibilizar tempo a meio da semana para as suas atividades de lazer &ndash; <i>hobbies</i>; iv) evitar as confus&otilde;es que os servi&ccedil;os podem ter aos fins de semana; v) dispor de intervalos mais longos de tempo livre, entre os ciclos de mudan&ccedil;a de turno; vi) permitir maior flexibilidade na gest&atilde;o das responsabilidades familiares/dom&eacute;sticas, tendo esta vantagem sido associada particularmente no caso de trabalhadoras por turnos. No contexto do &uacute;ltimo aspeto identificado, Hossain e Shapiro (1999) mencionam tamb&eacute;m que o trabalho por turnos pode facilitar gest&atilde;o no tempo passado com as crian&ccedil;as e na vida dom&eacute;stica entre os membros do casal, para al&eacute;m de poder satisfazer prefer&ecirc;ncias individuais quanto ao tempo de trabalho.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Numa perspetiva distinta, e de um modo geral dominante na literatura (Silva, 2012), o trabalho por turnos tem sido associado a aspetos negativos da vida conjugal, familiar e social do(a) trabalhador(a) (e.g., Costa, 1997; Costa &amp; Silva, 2019; Demerouti et al., 2004; Louren&ccedil;o et al., 2008; Martins &amp; Martins, 1999; Silva, 2012). O aspeto mais destacado na literatura diz respeito &agrave; dessincroniza&ccedil;&atilde;o entre o tempo de trabalho e o resto da sociedade, onde as atividades sociais e familiares tendem a estar organizadas de acordo com os ritmos orientados para o hor&aacute;rio convencional, ou seja, finais de tarde e noite, assim como os fins-de-semana (Costa, 2003; Monk et al., 1996). O facto do(a) trabalhador(a) por turnos estar muitas vezes a trabalhar nestes per&iacute;odos pode conduzir a dificuldades acrescidas na gest&atilde;o da vida entre o trabalho e a fam&iacute;lia (Tuttle &amp; Garr, 2012), sobretudo a n&iacute;vel do relacionamento conjugal, realiza&ccedil;&atilde;o de atividades dom&eacute;sticas, encontros intrafamiliares e no relacionamento e educa&ccedil;&atilde;o dos filhos (Iskra-Golec et al., 2017; Louren&ccedil;o et al., 2008).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">No estudo de Greenwood (1983), o principal objetivo foi compreender os poss&iacute;veis efeitos do sistema de turnos rotativo na qualidade de vida dos trabalhadores, comparando trabalhadores por turnos com trabalhadores diurnos, tendo sido solicitado aos entrevistados para indicarem em que medida lhes eram aplic&aacute;veis 14 afirma&ccedil;&otilde;es sobre a sua vida familiar e social e mencionar a facilidade ou dificuldade de realizar 18 atividades. Os trabalhadores por turnos apontaram como maior dificuldade as atividades que exigiam comprometimento regular (e.g., acompanhar programas de televis&atilde;o, fazer parte de uma equipa desportiva), manter um relacionamento, seguir interesses pessoais e tempo gasto para atividades com amigos, esposa e filhos. Em compara&ccedil;&atilde;o com os trabalhadores diurnos, o &uacute;nico aspeto positivo apontado pelos trabalhadores por turnos foi a facilidade em realizar tarefas durante o dia. Apesar da interfer&ecirc;ncia familiar, n&atilde;o foram encontradas quaisquer diferen&ccedil;as na qualidade da vida familiar entre os dois grupos. Em todo o caso, como salienta o pr&oacute;prio autor do estudo, os resultados obtidos apontaram para um elevado grau de isolamento da vida familiar e social por parte do trabalhador por turnos devido aos seus hor&aacute;rios de trabalho.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">No que diz respeito aos pap&eacute;is parentais, outros autores (e.g., Li et al., 2014; Volger et al., 1988) verificaram que pais que laboram por turnos apresentam uma menor possibilidade de acompanhamento escolar dos filhos (e.g., trabalhos de casa), comparativamente com os trabalhadores diurnos. Neste &acirc;mbito, as horas trabalhadas principalmente durante a tarde, parecem exercer um impacto elevado na intera&ccedil;&atilde;o pais &ndash; crian&ccedil;as (Rapoport &amp; Le Bourdais, 2008), embora tal impacto possa diferir de acordo com a idade da crian&ccedil;a. Por exemplo, no estudo de Volger et al. (1988), no caso de crian&ccedil;as em idade pr&eacute;-escolar, pais que trabalham por turnos quando comparados com pais que trabalham em hor&aacute;rio diurno, mostraram mais tempo livre comum com os filhos, mas j&aacute; em idade escolar a situa&ccedil;&atilde;o invertia-se. Por outro lado, nos per&iacute;odos em que os trabalhadores por turnos laboram nos turnos da tarde e da noite o tempo comum entre pais e crian&ccedil;as encontra-se reduzido. A n&iacute;vel social, s&atilde;o apontadas interfer&ecirc;ncias na programa&ccedil;&atilde;o de atividades, vida associativa e rela&ccedil;&otilde;es de amizade, assim como o tempo dedicado ao lazer (Prata &amp; Silva, 2013; Silva et al., 2014). Dhande e Sharma (2011), referem que para al&eacute;m do fim de semana ser apontado como uma ocasi&atilde;o importante para atividades como, por exemplo, recreativas e religiosas, a necessidade de estabilizar o tempo de sono, devido ao cansa&ccedil;o causado pelo trabalho por turnos, tamb&eacute;m pode ser um fator determinante da interfer&ecirc;ncia no tempo para as atividades sociais. Desta forma, o trabalhador por turnos poder&aacute; ter uma participa&ccedil;&atilde;o diminu&iacute;da nesta esfera importante da vida, o que poder&aacute; levar a <i>stress</i> adicional (Baker et al., 2003; Costa, 1997; Martins &amp; Martins, 1999; Sim&otilde;es et al., 2010; Strazdins et al., 2004). O estudo de Craig e Brown (2014), analisou a associa&ccedil;&atilde;o entre o trabalho ao fim de semana e o tempo de lazer partilhado com os parceiros, as crian&ccedil;as e outros (fam&iacute;lia e amigos). Especificamente, analisou as associa&ccedil;&otilde;es entre o trabalho ao fim de semana e o tempo de lazer partilhado no dia de trabalho no sentido de averiguar se o tempo de lazer partilhado era compensado nos restantes dias da semana seguinte, tendo tal an&aacute;lise sido feita em tr&ecirc;s tipos de fam&iacute;lias, i) casais com filhos, ii) casais sem filhos e iii) solteiros sem filhos. Os resultados mostraram uma maior associa&ccedil;&atilde;o no lazer partilhado com o c&ocirc;njuge e com os filhos. Para os casais com filhos, o trabalho ao domingo mostrou uma associa&ccedil;&atilde;o ainda mais negativa que o s&aacute;bado. A oportunidade dos trabalhadores de fim de semana para reprogramar o tempo de lazer compartilhado &eacute; limitada uma vez que os outros est&atilde;o menos dispon&iacute;veis durante a semana. Apenas os trabalhadores de fim de semana que trabalhavam a tempo parcial, recuperavam algum tempo de lazer durante a semana seguinte (principalmente com amigos).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Por sua vez, o estudo de Shen e Dicker (2008) analisou o impacto do trabalho por turnos diretamente junto dos trabalhadores por turnos, tendo verificado que estes, de modo geral, reportaram dificuldade em manter um relacionamento conjugal saud&aacute;vel e que, em termos de vida social, esta era sobretudo afetada quando o hor&aacute;rio de trabalho ocorria aos fins de semana, dificultando as rela&ccedil;&otilde;es de amizade (o contacto com os amigos). No estudo de Silva et al. (2014), onde o impacto do trabalho por turnos foi avaliado junto dos pr&oacute;prios trabalhadores, foram analisados os coment&aacute;rios destes acerca do impacto de tal modalidade hor&aacute;ria em rela&ccedil;&atilde;o a dimens&otilde;es de sa&uacute;de e da vida familiar e social, tendo a propor&ccedil;&atilde;o dos coment&aacute;rios &ndash; positivos e negativos &ndash; variado consoante o turno em quest&atilde;o. Especificamente, o hor&aacute;rio de turno da manh&atilde; e da tarde apresentam mais aspetos positivos do que negativos, ao passo que os turnos que solicitam trabalho noturno (tanto em regime permanente como rotativo) exibiram, aspetos mais negativos.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Para al&eacute;m da perspetiva do pr&oacute;prio trabalhador, os c&ocirc;njuges podem ser uma fonte de grande valor no que diz respeito &agrave; compreens&atilde;o do impacto do trabalho por turnos nas esferas familiar e social. Estes ser&atilde;o as pessoas mais pr&oacute;ximas dos trabalhadores por turnos, encontrando-se, por conseguinte, numa situa&ccedil;&atilde;o privilegiada para compreender os problemas enfrentados pelo trabalhador por turnos, al&eacute;m de poderem mesmo influenciar a experi&ecirc;ncia de trabalhar em turnos pelo suporte que podem dar ao trabalhador sujeito a esse regime hor&aacute;rio (Newey &amp; Hood, 2004). Smith e Folkard (1993b), no seu estudo sobre o impacto do trabalho por turnos na perspetiva das esposas/companheiras dos trabalhadores por turnos (todos os trabalhadores por turnos eram do sexo masculino e os respetivos c&ocirc;njuges todos do sexo feminino), indicaram a exist&ecirc;ncia de um elevado n&iacute;vel de insatisfa&ccedil;&atilde;o. Com efeito, mais de metade das companheiras relataram estar descontentes, ou muito descontentes pelo facto dos seus companheiros trabalharem por turnos. Este n&iacute;vel de descontentamento foi transmitido nas aprecia&ccedil;&otilde;es da &ldquo;conflitualidade com o c&ocirc;njuge&rdquo;, &ldquo;necessidade de adaptar a organiza&ccedil;&atilde;o da vida familiar e social ao sistema de turnos&rdquo; e &ldquo;empobrecimento da vida social realizada em conjunto&rdquo;. As companheiras associaram ainda o turno noturno a maiores problemas para o trabalhador a n&iacute;vel da fadiga/sono, sa&uacute;de, familiares e sociais bem como a &ldquo;mudan&ccedil;as de humor e personalidade&rdquo;. O estudo de Costa e Silva (2019), alicer&ccedil;ando-se tamb&eacute;m no instrumento utilizado no estudo anteriormente mencionado, analisou a interfer&ecirc;ncia do trabalho por turnos na vida familiar e social com base numa amostra constitu&iacute;da por 515 c&ocirc;njuges/companheiros(as) de pol&iacute;cias portugueses, sendo que 403 eram c&ocirc;njuges/companheiros(as) de trabalhadores por turnos e 112 de trabalhadores diurnos. Os resultados obtidos indicaram um impacto moderado a elevado do trabalho por turnos em todos os itens do question&aacute;rio, com especial interfer&ecirc;ncia nas dimens&otilde;es &ldquo;reorganiza&ccedil;&atilde;o/planeamento constante da vida pessoal e familiar&rdquo; e &ldquo;vida social pessoal ou conjunta&rdquo;.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Quanto &agrave; compara&ccedil;&atilde;o do impacto do trabalho por turnos na vida familiar e social integrando ambas as perspetivas &ndash; &ldquo;trabalhador(a) e seu c&ocirc;njuge&rdquo; &ndash; a investiga&ccedil;&atilde;o &eacute; bastante escassa e apenas realizada em contexto internacional como &eacute; o caso do estudo de Handy (2010) e o de Newey &amp; Hood (2004). De modo espec&iacute;fico, o estudo de Newey &amp; Hood (2004) avaliou o n&iacute;vel de congru&ecirc;ncia entre trabalhador(a) por turnos e os(as) seus/suas parceiros(as) em rela&ccedil;&atilde;o ao impacto do trabalho por turnos a n&iacute;vel do sono/fadiga, sa&uacute;de, <i>stress</i> e vida social e familiar. Foram aplicadas duas vers&otilde;es do question&aacute;rio de Smith e Folkard (1993a, b) para avaliar as perce&ccedil;&otilde;es dos dois membros do casal no que diz respeito &agrave;s &aacute;reas mencionadas anteriormente tendo em conta os diferentes hor&aacute;rios (dia, tarde e noite). A amostra foi constitu&iacute;da por 59 profissionais de enfermagem (dos quais, 54 trabalhavam por turnos rotativos) e seus/suas parceiros(as) (24 deles(as) tamb&eacute;m trabalhadores(as) por turnos) na Austr&aacute;lia. Os resultados indicaram que as perce&ccedil;&otilde;es dos/as trabalhadores/as por turnos e dos seus/suas parceiros(as) eram congruentes face ao impacto percecionado do trabalho por turnos na &ldquo;vida familiar&rdquo; e na &ldquo;vida social&rdquo;, tendo estas duas esferas da vida sido avaliadas pelos membros do casal como as mais afetadas pelo trabalho por turnos quando comparadas com as restantes (sono/fadiga, sa&uacute;de e <i>stress</i>), congru&ecirc;ncia essa que segundo os autores, poderia advir do facto de muitos dos(as) parceiros(as) serem tamb&eacute;m eles(as) pr&oacute;prios(as) trabalhadores(as) por turnos. Por outro lado, ambos os membros consideraram que tais esferas da vida eram menos afetadas quando o turno era realizado durante o dia e eram mais afetadas em conex&atilde;o com o turno da noite.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">No estudo de Handy (2010), por sua vez, foram entrevistados 27 trabalhadores por turnos e 17 das respetivas parceiras, incluindo 12 casais, tendo sido analisado o impacto do trabalho por turnos a longo prazo nas fam&iacute;lias dos trabalhadores de uma empresa petroqu&iacute;mica da Nova Zel&acirc;ndia. O estudo concluiu que as rotinas familiares e a vida social tinham de se adaptar ao hor&aacute;rio do trabalhador por turnos. Embora esse impacto fosse sentido nas duas perspetivas, a sua concentra&ccedil;&atilde;o variava. Assim, enquanto as preocupa&ccedil;&otilde;es dos trabalhadores por turnos se concentravam na dificuldade em adaptar-se &agrave;s rotinas familiares depois de um turno noturno, as parceiras concentravam-se nas estrat&eacute;gias para coordenar as rotinas familiares de modo a garantir a acomoda&ccedil;&atilde;o aos hor&aacute;rios dos trabalhadores.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Objetivos</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Partindo da revis&atilde;o de literatura descrita e da falta de estudos que analisem o impacto do trabalho por turnos na vida familiar e social tendo em conta a perspetiva do/a trabalhador/a e do seu c&ocirc;njuge, o presente estudo tem como principal objetivo analisar o impacto do trabalho por turnos na vida familiar e social no casal, tendo em conta a perspetiva do(a) pr&oacute;prio(a) trabalhador(a) e a do(a) seu/sua c&ocirc;njuge/companheiro(a). Especificamente pretende-se: i) analisar se existem diferen&ccedil;as do impacto do trabalho por turnos rotativos na vida familiar e social entre os dois membros da d&iacute;ade trabalhador(a) &ndash; c&ocirc;njuge e ii) analisar o impacto do trabalho por turnos na d&iacute;ade comparando diferentes hor&aacute;rios de trabalho (Rotativo &ndash; Rotativo; Rotativo &ndash; Normal).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>M&Eacute;TODO</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Participantes</b></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A amostra &eacute; composta por 51 casais, onde pelo menos um dos membros trabalha por turnos rotativos (grupo dos(as) trabalhadores(as)) e o outro membro &eacute; o(a) seu/sua respetivo(a) c&ocirc;njuge/companheiro(a) (por quest&otilde;es de facilidade passaremos a designar este grupo ao longo do texto como grupo dos c&ocirc;njuges).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">No que diz respeito ao grupo dos(as) trabalhadores(as), com 51 participantes, em m&eacute;dia, estes t&ecirc;m idades compreendidas entre os 24 e os 57 anos (<i>M</i> = 38.51, <i>DP</i> = 8.02), dos quais 52.9% s&atilde;o do sexo masculino. Quanto aos n&iacute;veis de escolaridade, o 3.&ordm; ciclo do ensino b&aacute;sico e o ensino secund&aacute;rio s&atilde;o os mais representativos, ambos com 37.3%. Em m&eacute;dia, os(as) trabalhadores(as) encontram-se na profiss&atilde;o atual h&aacute; 14.20 anos (<i>DP</i> = 8.96) e laboram no mesmo hor&aacute;rio de trabalho h&aacute; 13.48 anos (<i>DP</i>= 8.23).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Por sua vez, no grupo dos c&ocirc;njuges, as idades est&atilde;o compreendidas entre os 21 e os 63 anos (<i>M</i> = 38.76, <i>DP</i> = 8.83), dos quais 47.1% s&atilde;o do sexo masculino. No que diz respeito ao n&iacute;vel de escolaridade, 41.2% da amostra deste grupo tem o ensino secund&aacute;rio. Quanto ao hor&aacute;rio de trabalho praticado pelos c&ocirc;njuges, um ter&ccedil;o tem o hor&aacute;rio normal e outro um ter&ccedil;o tem um hor&aacute;rio de trabalho por turnos rotativos. A m&eacute;dia de anos de uni&atilde;o &eacute; 12.84 (<i>DP</i> = 7.87). Uma an&aacute;lise mais detalhada dos elementos caracterizadores de cada grupo encontra-se na <a href="/img/revistas/psi/v34n1/34n1a08t1.jpg">Tabela 1</a>.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A maioria dos agregados familiares &eacute; composto por 4 pessoas. 70.6% dos casais t&ecirc;m filhos. Destes, a maioria tem um filho sendo a classe &ldquo;7 aos 12 anos&rdquo; a mais prevalente (29.6%). Em termos de distribui&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica (concelhos), os dados estavam distribu&iacute;dos da seguinte forma: Braga (72.6 %), Barcelos (3.9%), Famalic&atilde;o (3.9 %), Fafe (2.0 %), Terras de Bouro (2.0 %) e Amares (1.0 %).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Sistema de Rota&ccedil;&atilde;o. </b>Os(as) trabalhadores(as) por turnos rotativos que comp&otilde;em esta amostra encontram-se divididos por quatro equipas de trabalho, sendo que todas elas trabalham segundo o mesmo sistema rotativo. Este hor&aacute;rio &eacute; estruturado em tr&ecirc;s turnos de oito horas cada, sete/seis dias por semana. Ou seja, sete dias a trabalhar das 8:00-16:00, com dois dias de folga subsequentes; sete dias a trabalhar das 16:00-24:00, com dois dias de folga subsequentes e seis dias a trabalhar das 24:00-8:00 com quatro dias de folga subsequentes. Considerando uma das escalas elaboradas, um exemplo seria: enquanto a equipa A realiza o turno das 8:00-16:00 durante sete dias, a equipa B, nesse mesmo tempo, folga os dois primeiros dias e nos restantes come&ccedil;a o hor&aacute;rio das 16:00-24:00, por sua vez a equipa C, trabalha dois dias das 16:00-24:00, folga dois dias e inicia nos restantes tr&ecirc;s dias o turno das 24:00-8:00, por fim a equipa D encontra-se nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s dias no turno das 24:00-8:00 e segue com quatro dias de folga.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Instrumentos</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Na recolha de dados foram utilizados dois protocolos de avalia&ccedil;&atilde;o constitu&iacute;dos por duas partes: a primeira correspondia ao question&aacute;rio sociodemogr&aacute;fico e profissional, enquanto a segunda englobava o question&aacute;rio para avaliar os impactos do trabalho por turnos na vida familiar e social.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Enquanto a primeira parte dos protocolos de avalia&ccedil;&atilde;o era igual e tinha como finalidade recolher informa&ccedil;&atilde;o sociodemogr&aacute;fica dos participantes (e.g., estado civil), assim como dados sobre a sua situa&ccedil;&atilde;o familiar (e.g., n&uacute;mero de filhos) e profissional (e.g., hor&aacute;rio de trabalho), a segunda parte diferenciava-se entre os grupos de participantes, pois a cada um correspondia uma vers&atilde;o do <i>Question&aacute;rio sobre o impacto do trabalho por turnos</i> &ndash; &ldquo;vers&atilde;o trabalhador&rdquo; ou &ldquo;vers&atilde;o c&ocirc;njuge&rdquo;.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O <i>Question&aacute;rio sobre o impacto do trabalho por turnos na perspetiva dos familiares</i> (Costa, 2016; Costa &amp; Silva, 2019) corresponde &agrave; tradu&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o para o contexto portugu&ecirc;s do &ldquo;<i>Shiftworker partners questionnaire&rdquo;</i>de Smith e Folkard (1993b). Este question&aacute;rio tinha como objetivo avaliar o impacto do trabalho por turnos na esfera familiar e social dos trabalhadores por turnos, segundo a perspetiva dos(as) seus/suas c&ocirc;njuges/companheiros(as).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A vers&atilde;o portuguesa era constitu&iacute;da por 15 itens, avaliados numa escala tipo <i>Likert</i> de 0 a 10 pontos, significando os valores mais altos, maior disrup&ccedil;&atilde;o. Da an&aacute;lise das caracter&iacute;sticas psicom&eacute;tricas da escala utilizada, realizada por Costa e Silva (2019), emergiram dois fatores: um primeiro fator que englobava itens mais relacionados com o planeamento e a reorganiza&ccedil;&atilde;o da vida familiar e social (e.g., &ldquo;<i>O trabalho por turnos (a) seu(sua) c&ocirc;njuge/companheiro(a) interfere com a vida social conjunta? (ou seja, se o trabalho por turnos do(a) seu(sua) c&ocirc;njuge/companheiro(a) impediu as sa&iacute;das em conjunto, tanto quanto voc&ecirc; gostaria?)</i>&rdquo;), por quest&otilde;es de facilidade, passaremos a design&aacute;-lo ao longo do texto por &ldquo;Vida Familiar e Social&rdquo;, enquanto o segundo fator englobava itens mais focados no relacionamento entre o(a) trabalhador(a) por turnos e os seus familiares, principalmente c&ocirc;njuges (e.g., &ldquo;<i>Alguma vez j&aacute; teve alguma desaven&ccedil;a ou conflito com o(a) seu(sua) c&ocirc;njuge/companheiro(a) que sinta que foi devido ao seu hor&aacute;rio de trabalho por turnos?</i>&rdquo;) e &agrave; semelhan&ccedil;a do anterior, passaremos a design&aacute;-lo por &ldquo;Vida do Casal&rdquo;. O fator &ldquo;Vida Familiar e Social&rdquo; era constitu&iacute;do por nove itens e apresentava um alfa de Cronbach de 0.95, enquanto o fator &ldquo;Vida do Casal&rdquo;, constitu&iacute;do por seis itens, revelou um alfa de Cronbach de 0.84. Al&eacute;m desta escala, o question&aacute;rio continha ainda nove quest&otilde;es complementares, algumas das quais inclu&iacute;mos no presente estudo, nomeadamente tr&ecirc;s perguntas referentes ao contacto entre o(a) trabalhador(a) por turnos e os(as) seus/suas filhos(as), em tr&ecirc;s momentos diferentes do dia (manh&atilde;, tarde e noite), tamb&eacute;m avaliadas numa escala tipo <i>Likert</i> de 0-10 pontos, e duas perguntas abertas: uma referente &agrave; perce&ccedil;&atilde;o que o grupo dos(as) c&ocirc;njuges tinha do impacto que o trabalho por turnos dos(as) seus/suas c&ocirc;njuges (neste caso, o grupo dos(as) trabalhadores(as) por turnos) provocava nas crian&ccedil;as e outra sugest&otilde;es/coment&aacute;rios acerca do tema abordado. A partir desta &ldquo;vers&atilde;o c&ocirc;njuge&rdquo;, foi constru&iacute;da uma vers&atilde;o para o pr&oacute;prio trabalhador por isomorfismo, tendo tal vers&atilde;o sido submetida a uma aplica&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-teste (descrita no ponto seguinte).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>Procedimento</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Ap&oacute;s o projeto de investiga&ccedil;&atilde;o ter sido submetido &agrave; Comiss&atilde;o de &Eacute;tica da Universidade do Minho e ter obtido parecer favor&aacute;vel (Refer&ecirc;ncia SECSH 043/2017), foi estabelecido contacto com uma organiza&ccedil;&atilde;o do setor industrial, a qual se mostrou interessada no estudo. Previamente, foi realizada uma reuni&atilde;o com a respons&aacute;vel de Recursos Humanos e o respons&aacute;vel do setor do trabalho por turnos da organiza&ccedil;&atilde;o, para clarifica&ccedil;&atilde;o do prop&oacute;sito do estudo. Uma vez autorizada a recolha de dados pela organiza&ccedil;&atilde;o, foi efetuada uma reuni&atilde;o para efeitos de aplica&ccedil;&atilde;o do pr&eacute;-teste de ambas as vers&otilde;es do question&aacute;rio, onde estiveram presentes tr&ecirc;s trabalhadores do setor de turnos para explicita&ccedil;&atilde;o do procedimento e solicita&ccedil;&atilde;o de entrega aos respetivos c&ocirc;njuges. Tanto a &ldquo;vers&atilde;o trabalhador&rdquo; como a &ldquo;vers&atilde;o c&ocirc;njuge&rdquo; foram preenchidas em casa, por quest&otilde;es de tempo de produ&ccedil;&atilde;o, tendo neste contexto sido refor&ccedil;ada junto dos trabalhadores a import&acirc;ncia de os question&aacute;rios serem preenchidos individualmente. Desta aplica&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-teste foram introduzidas algumas melhorias no question&aacute;rio, sobretudo o n&iacute;vel do seu <i>layout</i>.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Na impossibilidade da recolha de dados ser realizada pelos investigadores, esta foi conduzida pelo respons&aacute;vel do setor onde estava implementado o regime de trabalho por turnos. Assim, foi necess&aacute;rio efetuar reuni&otilde;es onde o procedimento de recolha foi explicado, de forma clara, deixando um documento escrito com todos os passos a serem seguidos. A recolha de dados foi dividida em dois momentos, sendo a primeira recolha aplicada em duas equipas e a segunda nas duas restantes. Foram considerados como crit&eacute;rios de inclus&atilde;o: i) estar num relacionamento conjugal; ii) trabalhador(a) e c&ocirc;njuge coabitarem juntos e iii) trabalhador(a) estar a exercer a sua fun&ccedil;&atilde;o em trabalho por turnos rotativos h&aacute; pelo menos um m&ecirc;s. Ambos os question&aacute;rios estavam identificados por um c&oacute;digo alfanum&eacute;rico, que meramente ajudava a identificar as duas pessoas como casal, para a realiza&ccedil;&atilde;o da an&aacute;lise &ldquo;trabalhadores e seus c&ocirc;njuges&rdquo;. Em momento algum este m&eacute;todo quebrou as regras de confidencialidade e anonimato.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A recolha de dados ocorreu entre o final de fevereiro e in&iacute;cio de abril de 2018, tendo implicado sempre uma reuni&atilde;o de aplica&ccedil;&atilde;o da recolha de dados com o respons&aacute;vel do setor antes das mesmas sucederem, para explicita&ccedil;&atilde;o de todas as fases do processo. Pretendeu-se que a amostra fosse o mais representativa poss&iacute;vel, aplicando-se 160 question&aacute;rios na primeira recolha e 160 na segunda. No entanto, apenas foram devolvidos 102 e 21 respetivamente. Dos primeiros 102 question&aacute;rios n&atilde;o foram utilizados 18, por casos de troca de question&aacute;rios (trabalhador(a) preencheu o do c&ocirc;njuge e vice-versa), n&atilde;o preenchimento de ambos os question&aacute;rios ou preenchimento apenas de um question&aacute;rio. Dos 21, n&atilde;o foram utilizados seis, devido a troca do question&aacute;rio como nos casos anteriores.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Procedimento de an&aacute;lise de dados. </b>Na an&aacute;lise dos dados quantitativos foi utilizado o programa <i>Statistical Package for the Social Sciences</i>(IBM&reg; SPSS&reg;, vers&atilde;o 24) para realiza&ccedil;&atilde;o de an&aacute;lises descritivas (m&eacute;dias, desvios-padr&atilde;o), an&aacute;lises inferenciais para associa&ccedil;&atilde;o entre vari&aacute;veis (coeficiente de correla&ccedil;&atilde;o de <i>Spearman</i>) e para compara&ccedil;&atilde;o de grupos (teste <i>t de Student</i>) seguindo as recomenda&ccedil;&otilde;es de Field (2013). Por sua vez, os dados qualitativos resultantes das duas quest&otilde;es abertas foram analisados com o m&eacute;todo de an&aacute;lise de conte&uacute;do (Bardin, 2009).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESULTADOS</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Nesta sec&ccedil;&atilde;o ser&atilde;o apresentados os resultados da an&aacute;lise de diferen&ccedil;as da perce&ccedil;&atilde;o do impacto do trabalho por turnos rotativos na vida conjugal e social entre os dois membros da d&iacute;ade trabalhador(a) &ndash; c&ocirc;njuge, ou seja, em que medida a avalia&ccedil;&atilde;o do impacto do trabalho por um dos membros da d&iacute;ade &eacute; influenciada pela avalia&ccedil;&atilde;o feita pelo outro membro da d&iacute;ade; ser&atilde;o ainda apresentados resultados da an&aacute;lise do impacto do trabalho por turnos na d&iacute;ade, tendo em conta os diferentes hor&aacute;rios de trabalho de cada membro do casal, assim como uma an&aacute;lise de conte&uacute;do da resposta dos(as) trabalhadores(as) e dos seus c&ocirc;njuges &agrave; quest&atilde;o opcional.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A an&aacute;lise de dados teve por base a an&aacute;lise fatorial de Costa e Silva (2019), onde as autoras dividem as dimens&otilde;es do question&aacute;rio que aplicamos nesta an&aacute;lise em duas dimens&otilde;es: i) uma dimens&atilde;o referente ao impacto do trabalho por turnos na vida de casal e ii) uma dimens&atilde;o relativa &agrave; vida familiar e social, como podemos ver na <a href="/img/revistas/psi/v34n1/34n1a08t2.jpg">Tabela 2</a>. No entanto, nesta an&aacute;lise introduzimos tamb&eacute;m as quest&otilde;es adicionais avaliadas numa escala tipo <i>Likert</i> de 0-10 pontos, alusivas aos/&agrave;s filhos(as) (i.e., contacto parental do trabalhador durante os tr&ecirc;s turnos: manh&atilde;, tarde e noite) como anteriormente mencionado na descri&ccedil;&atilde;o do question&aacute;rio.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>An&aacute;lise de diferen&ccedil;as do impacto do trabalho por turnos rotativos na vida familiar e social entre os dois membros da d&iacute;ade trabalhador(a) &ndash; c&ocirc;njuge</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Come&ccedil;amos por analisar o comportamento dos itens individuais na amostra geral, nomeadamente quanto ao grau de acordo e quanto ao grau de perturba&ccedil;&atilde;o na d&iacute;ade atribu&iacute;da ao trabalho por turnos (<a href="/img/revistas/psi/v34n1/34n1a08f1.jpg">Figura 1</a>), tendo nessa an&aacute;lise seguido as recomenda&ccedil;&otilde;es de Kenny et al. (2006).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Embora as correla&ccedil;&otilde;es sejam todas significativas (<i>p (spearman) &lt;</i>0.05, <i>n</i> = 51 pares) (eixo das ordenadas do gr&aacute;fico), estas correla&ccedil;&otilde;es variam de item para item, o que pode sugerir varia&ccedil;&atilde;o quanto &agrave; coordena&ccedil;&atilde;o dentro da d&iacute;ade. A aus&ecirc;ncia de outras diferen&ccedil;as estatisticamente significativas entre as respostas de trabalhadores(as) e c&ocirc;njuges, a par com as correla&ccedil;&otilde;es significativas, pode sugerir tamb&eacute;m que as avalia&ccedil;&otilde;es se estabelecem de formas semelhantes na d&iacute;ade, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; grande maioria das quest&otilde;es levantadas pelo question&aacute;rio. A explora&ccedil;&atilde;o das varia&ccedil;&otilde;es item a item no interior das d&iacute;ades, al&eacute;m de excessivamente fragmentada, julg&aacute;mos que n&atilde;o traria muito mais informa&ccedil;&atilde;o para compreendermos o impacto do trabalho por turnos nas d&iacute;ades. Assim sendo, na restante an&aacute;lise destes dados, opt&aacute;mos por usar as vari&aacute;veis agregadas nas duas subescalas do question&aacute;rio no sentido de explorar as diferen&ccedil;as entre agrupamentos de d&iacute;ades.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>An&aacute;lise de diferen&ccedil;as entre agrupamentos de d&iacute;ades</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Com base na an&aacute;lise fatorial descrita na <a href="/img/revistas/psi/v34n1/34n1a08t2.jpg">Tabela 2</a>, foram calculadas quatro vari&aacute;veis diferentes: a) &ldquo;vida familiar e social&rdquo; do ponto de vista do/a trabalhador/a; b) &ldquo;vida familiar e social&rdquo; do ponto de vista do c&ocirc;njuge; c) &ldquo;vida de casal&rdquo; do ponto de vista do/a trabalhador/a e d) &ldquo;vida de casal&rdquo; do ponto de vista do c&ocirc;njuge.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A an&aacute;lise de acordo dentro das d&iacute;ades quanto a estas vari&aacute;veis (ver <a href="/img/revistas/psi/v34n1/34n1a08t3.jpg">Tabela 3</a>) mostra uma associa&ccedil;&atilde;o moderada entre os dois conjuntos de itens, com m&eacute;dias semelhantes, o que sugere um acordo moderado dentro das d&iacute;ades. Provavelmente tal resulta da inclus&atilde;o, na nossa amostra, de situa&ccedil;&otilde;es muito diversas perante o trabalho, pelo que procuramos estudar o efeito de uma dessas condi&ccedil;&otilde;es (neste caso, o tipo de hor&aacute;rio de trabalho) sobre as avalia&ccedil;&otilde;es das d&iacute;ades.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>An&aacute;lise do impacto do trabalho por turnos na d&iacute;ade tendo em conta os diferentes hor&aacute;rios de trabalho de cada membro do casal</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Um dos agrupamentos realiz&aacute;veis desta an&aacute;lise, dado tratar-se da compreens&atilde;o dos efeitos do trabalho por turnos rotativos, &eacute; a divis&atilde;o das d&iacute;ades entre aquelas em que ambos os membros trabalham por turnos rotativos e as d&iacute;ades em que apenas um dos membros trabalha dessa forma. Relembramos que no modo como a recolha dos dados foi definida (crit&eacute;rios de inclus&atilde;o), existe sempre um membro da d&iacute;ade que trabalha por turnos rotativos, no entanto a situa&ccedil;&atilde;o dos c&ocirc;njuges pode variar (cf., descri&ccedil;&atilde;o da <a href="/img/revistas/psi/v34n1/34n1a08t1.jpg">Tabela 1</a>, &ldquo;Hor&aacute;rio de trabalho&rdquo; do c&ocirc;njuge).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Descri&ccedil;&atilde;o dos agrupamentos de d&iacute;ade. </b>Os dois grupos de d&iacute;ades (rotativo-rotativo e rotativo-normal), representados na <a href="/img/revistas/psi/v34n1/34n1a08t4.jpg">Tabela 4</a>, correspondem a cerca de dois ter&ccedil;os da nossa amostra. O restante ter&ccedil;o inclui situa&ccedil;&otilde;es muito diferentes perante o trabalho no que respeita ao c&ocirc;njuge (desempregado, reformado, faz outros tipos de hor&aacute;rios, etc.), pelo que opt&aacute;mos por excluir este grupo desta compara&ccedil;&atilde;o.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">No que respeita &agrave;s m&eacute;dias das vari&aacute;veis nos dois grupos, h&aacute; apenas uma diferen&ccedil;a marginalmente significativa entre os dois grupos na vari&aacute;vel &ldquo;Vida de Casal&rdquo;, do ponto de vista do trabalhador (<i>t</i><sub><i>(Welch)</i></sub>= 1.32, <i>g.l.</i>= 31.17; <i>p</i>= 0.10), com os trabalhadores das d&iacute;ades rotativo-rotativo avaliando mais negativamente o impacto deste hor&aacute;rio.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">J&aacute; no que respeita &agrave;s correla&ccedil;&otilde;es, um teste de igualdade de correla&ccedil;&otilde;es (dado as correla&ccedil;&otilde;es serem n&atilde;o param&eacute;tricas seguimos a sugest&atilde;o de Myers e Sirois (2014), de tratar estas compara&ccedil;&otilde;es como se ambas as correla&ccedil;&otilde;es fossem param&eacute;tricas) mostrou que existe uma diferen&ccedil;a significativa, entre os dois grupos de d&iacute;ades, das correla&ccedil;&otilde;es entre o ponto de vista do c&ocirc;njuge e o ponto de vista do trabalhador sobre dimens&otilde;es da vida conjugal (<i>z</i> = -2.129; <i>p</i>= 0.02): no grupo rotativo-rotativo esta correla&ccedil;&atilde;o &eacute; significativamente mais baixa do que no grupo rotativo-normal.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Perce&ccedil;&atilde;o dos impactos do trabalho por turnos nas dimens&otilde;es avaliadas</b></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O gr&aacute;fico apresentado anteriormente na <a href="/img/revistas/psi/v34n1/34n1a08f1.jpg">Figura 1</a>, permite tamb&eacute;m analisar o grau de perturba&ccedil;&atilde;o provocado pelo hor&aacute;rio de trabalho por turnos rotativo na perce&ccedil;&atilde;o do trabalhador e do c&ocirc;njuge (eixo das abcissas) nos itens/quest&otilde;es avaliados (relembramos que esta avalia&ccedil;&atilde;o foi feita numa escala de 10 pontos sendo que quanto maior o valor, maior a perce&ccedil;&atilde;o de interfer&ecirc;ncia do trabalho por turnos).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">De um modo geral, pode dizer-se que o impacto do trabalho por turnos na maioria dos itens varia entre moderado a elevado. De modo mais espec&iacute;fico, os dois itens melhor avaliados quer na perspetiva dos trabalhadores(as) quer na do c&ocirc;njuges correspondem ao item 14.1.&ldquo;<i>Contacto parental entre trabalhador e o(s) filho(s) durante a manh&atilde;.</i>&rdquo;, tendo os valores m&eacute;dios obtidos sido de 4.24 (<i>DP</i> = 2.97) e 4.12 (<i>DP</i> = 2.77) e ao item 3.&ldquo;<i>Conflito conjugal</i>&rdquo;: perspetiva do trabalhador(a) (<i>M</i> = 4.62, <i>DP</i> = 3.02) e perspetiva do c&ocirc;njuge (<i>M</i> = 4.28, <i>DP</i> = 2.95).Em contrapartida, os itens avaliados como existindo uma perce&ccedil;&atilde;o de maior interfer&ecirc;ncia do trabalho por turnos em ambas as perspetivas foram os seguintes: item 14.2.&ldquo;<i>Contacto parental entre o trabalhador e o(s) filho(s) durante a tarde.</i>&rdquo; (trabalhador(a): <i>M</i> = 8.64, <i>DP</i> = 2.19 e c&ocirc;njuge: <i>M</i> = 8.36, <i>DP</i> = 2.10) e item 6.&ldquo;<i>Vida social conjunta</i>&rdquo; (trabalhador(a): <i>M</i> = 8.41, <i>DP</i> = 2.52 e c&ocirc;njuge: <i>M</i> = 7.76, <i>DP</i> = 3.06).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>An&aacute;lise de conte&uacute;do das respostas dos(as) trabalhadores(as) e dos seus c&ocirc;njuges &agrave;s quest&otilde;es abertas</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Como referido anteriormente, a an&aacute;lise das respostas dos participantes &agrave;s quest&otilde;es abertas foi feita utilizando o m&eacute;todo de an&aacute;lise de conte&uacute;do (Bardin, 2009). Primeiramente, foi realizada uma leitura aprofundada, sendo de seguida explorado o conte&uacute;do das respostas por duas pessoas de forma independente, tendo por base a literatura. Posteriormente, a an&aacute;lise foi realizada conjuntamente, de modo a discutir poss&iacute;veis desacordos na cria&ccedil;&atilde;o do sistema de categoriza&ccedil;&atilde;o. Num segundo momento, os resultados desta an&aacute;lise foram discutidos no grupo de investiga&ccedil;&atilde;o a que a equipa de autores pertence, no intuito de afinar o sistema de categoriza&ccedil;&atilde;o elaborado.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Relativamente &agrave; quest&atilde;o aberta que abordou o <i>impacto do trabalho por turnos rotativos no contacto entre o trabalhador(a) e a(s) crian&ccedil;a(s)</i>, foram obtidas 25 (56.8%) respostas dos trabalhadores(as) e 19 (43.2%) respostas dos c&ocirc;njuges. Foi poss&iacute;vel identificar quatro categorias alusivas &agrave; perspetiva dos(as) trabalhador(as) e tr&ecirc;s &agrave; perspetiva dos c&ocirc;njuges. Como podemos verificar na <a href="/img/revistas/psi/v34n1/34n1a08t5.jpg">Tabela 5</a>, duas dessas categorias mostraram-se mais frequentes em cada grupo. Tanto os(as) trabalhadores(as) como os seus c&ocirc;njuges reportaram com maior frequ&ecirc;ncia as categorias &ldquo;<i>Acompanhar desenvolvimento das crian&ccedil;as</i>&rdquo; e &ldquo;<i>Disponibilidade para comunica&ccedil;&atilde;o/intera&ccedil;&atilde;o familiar</i>&rdquo; como sendo as mais afetadas pelo trabalho por turnos rotativos. Dentro da primeira categoria, podemos identificar o impacto negativo no acompanhamento dos trabalhadores na vida e crescimento do(s) seu(s) filho(s) com maior express&atilde;o nas subcategorias, &ldquo;<i>Escolar</i>&rdquo; e &ldquo;<i>Atividades de lazer</i>&rdquo; nos dois grupos. Alguns exemplos dados pelos trabalhadores nestas subcategorias foram &ldquo;<i>N&atilde;o poder estar dispon&iacute;vel quando acontece algo na escola, por exemplo, reuni&otilde;es escolares, feiras.</i>&rdquo;; &ldquo;<i>Acompanhamento escolar e tempo livre de lazer.</i>&rdquo;. Um dos exemplos dados pelos c&ocirc;njuges englobando as duas subcategorias foi &ldquo;<i>Indisponibilidade para atuar nas atividades escolar e outras (sociais, desportivas, pessoais, etc.).</i>&rdquo;. Dentro da segunda categoria mais afetada pelo trabalho por turnos rotativos, as subcategorias &ldquo;<i>Turno da tarde</i>&rdquo; e &ldquo;<i>Intera&ccedil;&atilde;o nos fins-de-semana</i>&rdquo; foram as mais destacadas nos dois grupos, indicativa do pouco tempo que o(a) trabalhador(a) tinha dispon&iacute;vel para intera&ccedil;&atilde;o com a(s) crian&ccedil;a(s) durante o dia/semana. Um dos trabalhadores referiu &ldquo;<i>Principalmente ao fim-de-semana quando estamos a trabalhar e no turno das 16 &agrave;s 24, praticamente s&oacute; nos vemos de manh&atilde;!</i>&rdquo;. Alguns dos exemplos mencionados pelos c&ocirc;njuges foram &ldquo;<i>A semana que faz das 16 &agrave;s 24 horas, praticamente n&atilde;o fala com os filhos. Quando chega, os filhos j&aacute; dormem e de manh&atilde; ou se levanta cedo para estar com eles antes de sa&iacute;rem para a escola ou ent&atilde;o n&atilde;o fala com os filhos a semana toda.</i>&rdquo;, &ldquo;<i>Os meus filhos deveriam passar mais tempo com o pai, n&atilde;o conseguimos ter um fim de semana completo por causa dos turnos.</i>&rdquo;.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">No que diz respeito &agrave; segunda quest&atilde;o aberta - &ldquo;<i>coment&aacute;rios</i> sobre o impacto do hor&aacute;rio de trabalho do(a) trabalhador(a)&rdquo; (<a href="/img/revistas/psi/v34n1/34n1a08t6.jpg">Tabela 6</a>) foram obtidas 12 (54.5%) respostas por parte dos(as) trabalhadores(as) e 10 (45.5%) por parte dos(as) seus c&ocirc;njuges. No que concerne aos <i>coment&aacute;rios</i>, as categorias destacadas como mais afetadas pelo hor&aacute;rio rotativo foram &ldquo;<i>Impacto a n&iacute;vel da sa&uacute;de</i>&rdquo; e &ldquo;<i>Impacto a n&iacute;vel familiar/conjugal</i>&rdquo;. Na primeira categoria foi dado destaque pelos(as) trabalhadores(as) &agrave; interfer&ecirc;ncia no ritmo de sono, a n&iacute;vel f&iacute;sico e na sa&uacute;de e bem-estar, j&aacute; na segunda o impacto foi mencionado como tendo interfer&ecirc;ncia no tempo dedicado &agrave; fam&iacute;lia. - <i>&ldquo;A rotatividade de hor&aacute;rio afeta n&atilde;o s&oacute; a vida familiar, (&hellip;) essencialmente a reposi&ccedil;&atilde;o das horas de sono; com as consequ&ecirc;ncias que isto acarreta para a sa&uacute;de e o bem-estar</i>&rdquo;. No que diz respeito aos c&ocirc;njuges, as categorias mais afetadas por esta modalidade hor&aacute;ria foram similares &agrave;s dos(as) trabalhadores(as), embora com menos frequ&ecirc;ncia. Na primeira categoria foi dado maior destaque ao n&iacute;vel psicol&oacute;gico, j&aacute; na segunda categoria o impacto foi mencionado a n&iacute;vel conjugal, tempo com os filhos e o esfor&ccedil;o de ajustamento dos filhos aos hor&aacute;rios dos progenitores que laboram por turnos rotativos.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>DISCUSS&Atilde;O</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O presente estudo assumiu como principais objetivos analisar se existiam diferen&ccedil;as do impacto do trabalho por turnos rotativos na vida familiar e social entre os dois membros da d&iacute;ade trabalhador(a) &ndash; c&ocirc;njuge e analisar o impacto do trabalho por turnos na d&iacute;ade comparando diferentes hor&aacute;rios de trabalho (Rotativo - Rotativo; Rotativo - Normal).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os resultados, de um modo global, revelaram existir um impacto moderado a elevado na maioria dos itens (em 15 dos 18 dom&iacute;nios avaliados) e relativamente baixo nos restantes tr&ecirc;s. As &aacute;reas apontadas como menos afetadas e mais afetadas pelo trabalho por turnos na vida familiar e social s&atilde;o similares nas duas perspetivas (trabalhadores(as) &ndash; c&ocirc;njuges). Neste contexto, destacam-se os itens &ldquo;<i>Contacto parental entre trabalhador(a) e o(s) seu(s) filho(s) durante a manh&atilde;</i>&rdquo; como o dom&iacute;nio menos afetado pelo impacto do trabalho por turnos, e &ldquo;<i>Contacto parental entre trabalhador(a) e o(s) seus(s) filho(s) durante a tarde</i>&rdquo; como o mais afetado. Estes resultados v&atilde;o de encontro aos resultados de Rapaport e Le Bourdais (2008), onde o impacto do trabalho por turnos no tempo com as crian&ccedil;as parece ser maior aquando do turno da tarde. Este hor&aacute;rio mostra-se importante para a intera&ccedil;&atilde;o, pois &eacute; o momento em que as crian&ccedil;as chegam a casa da escola (Rapoport &amp; Le Bourdais, 2008; Volger et al., 1988). No estudo de Prata e Silva (2013), realizado em contexto portugu&ecirc;s, o turno da tarde (quer integrado num sistema rotativo quer fixo) foi o menos bem avaliado do ponto de vista da satisfa&ccedil;&atilde;o com a vida familiar e social. No estudo de Costa e Silva (2019), no entanto, o turno da noite foi o percecionado como o mais prejudicial (seguindo-se-lhe em todo o caso o turno da tarde) na perspetiva dos c&ocirc;njuges quanto ao impacto do trabalho por turnos na rela&ccedil;&atilde;o trabalhador(a)-crian&ccedil;a(s). De facto, se pensarmos nos momentos de intera&ccedil;&atilde;o entre pais e filhos, o final da tarde e os fins de semana parecem ser momentos cruciais ao conv&iacute;vio parental, dado que essas alturas s&atilde;o tradicionalmente os tempos livres dos quais os filhos disp&otilde;em e necessitam do acompanhamento parental em atividades escolares (e.g., ajuda nos trabalhos de casa) ou atividades de lazer (e.g., acompanhamento em atividades desportivas aos fins de semana).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A dimens&atilde;o &ldquo;<i>Conflito conjugal</i>&rdquo; foi percecionada como a menos afetada pelo trabalho por turnos, enquanto a &ldquo;<i>Vida social conjunta</i>&rdquo; foi percecionada como a mais afetada. Estes resultados s&atilde;o consistentes com os obtidos no estudo de Costa e Silva (2019), onde o impacto do trabalho por turnos no conflito conjugal foi avaliado tamb&eacute;m como reduzido, contrariando assim os resultados obtidos no estudo de Smith e Folkard (1993b) onde esta &aacute;rea foi das piores avaliadas pelas esposas dos trabalhadores por turnos rotativos. Estas diferen&ccedil;as com o estudo original podem surgir devido a mudan&ccedil;as temporais, culturais e na sociedade que ocorreram entre a realiza&ccedil;&atilde;o dos dois estudos. Contudo, a investiga&ccedil;&atilde;o deste dom&iacute;nio &eacute; escassa pelo que se torna necess&aacute;rio gerar mais conhecimento de modo a que se possam tirar ila&ccedil;&otilde;es melhor fundamentadas e atualizadas. No que concerne &agrave; vida social conjunta, tamb&eacute;m Costa e Silva (2019) observaram um impacto negativo elevado no que diz respeito &agrave; perspetiva dos c&ocirc;njuges. Na perspetiva do(a) trabalhador(a), Baker et al. (2003) e Sim&otilde;es et al. (2010) apontam a dificuldade de concilia&ccedil;&atilde;o do tempo livre comum do trabalhador com a sua fam&iacute;lia e amigos.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Quando os itens foram agrupados em duas dimens&otilde;es e foi medido o grau de acordo dentro das d&iacute;ades, os resultados mostram acordo moderado dentro do casal no que diz respeito ao impacto do trabalho por turnos na vida familiar e social. Estes resultados v&atilde;o de encontro ao estudo de Newey e Hood (2004), onde trabalhador(a) e c&ocirc;njuge mostraram-se congruentes no que requer ao impacto do trabalho por turnos na vida familiar e social. A vida familiar e social foram as &aacute;reas da vida do indiv&iacute;duo apontadas como as mais afetadas pelo trabalho por turnos, sendo avaliadas de forma mais negativa pelos dois membros do casal comparativamente com outras dimens&otilde;es - sono, fadiga, sa&uacute;de e <i>stress</i>. Esta congru&ecirc;ncia, como referem os pr&oacute;prios autores do estudo, pode advir do facto de muitos dos(as) parceiros(as) serem tamb&eacute;m eles(as) pr&oacute;prios(as) trabalhadores(as) por turnos, o que dever&aacute; ser sustentado em estudos posteriores.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Quanto ao segundo objetivo, analisamos o grau de acordo nas d&iacute;ades tendo em conta o tipo de hor&aacute;rio de cada membro do casal, visto que a nossa amostra de c&ocirc;njuges &eacute; composta por um ter&ccedil;o de pessoas a laborar por turnos rotativos. Dividimos a an&aacute;lise sobre o impacto do trabalho por turnos em casais em que ambos os membros trabalhavam por turnos rotativos ou em que apenas um dos membros trabalha por turnos rotativos (trabalhador) e o outro trabalha em hor&aacute;rio normal (c&ocirc;njuge). Os resultados revelaram uma diferen&ccedil;a marginalmente significativa entre os dois grupos, do ponto de vista do trabalhador, no que diz respeito ao impacto do trabalho por turnos na &ldquo;Vida de Casal&rdquo;. Trabalhadores do grupo com hor&aacute;rio rotativo-rotativo avaliaram de forma mais negativa este item. Embora n&atilde;o possa ser feita uma rela&ccedil;&atilde;o direta, o estudo de Shen e Dicker (2008) (em que s&oacute; avaliava a perce&ccedil;&atilde;o do trabalhador) aponta o impacto negativo gerado pelo trabalho por turnos rotativos no relacionamento conjugal. Esta modalidade hor&aacute;ria, na perspetiva dos trabalhadores, colocava os relacionamentos sob <i>stress</i>. No que respeita &agrave;s an&aacute;lises das correla&ccedil;&otilde;es entre os dois grupos de d&iacute;ades, das correla&ccedil;&otilde;es entre o ponto de vista do c&ocirc;njuge e o ponto de vista do trabalhador, no grupo rotativo-rotativo esta correla&ccedil;&atilde;o mostrou-se significativamente mais baixa do que no grupo rotativo-normal na dimens&atilde;o &ldquo;Vida de Casal&rdquo;. Como refere Iskra-Golec et al. (2016), quando os dois membros do casal s&atilde;o trabalhadores por turnos o impacto do trabalho por turnos tem um efeito mais negativo nas rela&ccedil;&otilde;es conjugais. Tamb&eacute;m Newey e Hood (2004) observaram que os parceiros, que eram eles pr&oacute;prios trabalhadores por turnos, relataram uma perturba&ccedil;&atilde;o pessoal semelhante &agrave; experi&ecirc;ncia do pr&oacute;prio trabalhador por turnos; por outro lado, os c&ocirc;njuges que n&atilde;o trabalhavam numa modalidade hor&aacute;ria similar, relatavam uma perturba&ccedil;&atilde;o pessoal significativamente menor relativamente ao impacto do trabalho por turnos. Estas diferen&ccedil;as podem refletir as dificuldades de manter um relacionamento e estilo de vida congruentes com os dois hor&aacute;rios rotativos do casal (Newey &amp; Hood, 2004).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Quanto &agrave; compara&ccedil;&atilde;o de perspetivas nas quest&otilde;es abertas, foi poss&iacute;vel constatar tamb&eacute;m a congru&ecirc;ncia entre trabalhadores(as) &ndash; c&ocirc;njuges nas duas quest&otilde;es (opini&atilde;o dos participantes acerca do contacto insuficiente entre os(as) trabalhadores(as) - crian&ccedil;as; coment&aacute;rios sobre o impacto do hor&aacute;rio de trabalho dos(as) trabalhadores(as)). Foi observado na primeira quest&atilde;o, pelos participantes que identificaram o contacto como insuficiente, um maior impacto do trabalho por turnos rotativos nas categorias &ldquo;<i>Acompanhar desenvolvimento das crian&ccedil;as</i>&rdquo; (subcategorias: escolar; atividades de lazer) e &ldquo;<i>Disponibilidade para comunica&ccedil;&atilde;o/intera&ccedil;&atilde;o familiar</i>&rdquo; (subcategorias: turno da tarde; intera&ccedil;&atilde;o aos fins de semana) nas duas perspetivas. Estes resultados s&atilde;o consistentes com a literatura (e.g., Li et al., 2014; Louren&ccedil;o et al., 2008; Rapoport &amp; Le Bourdais, 2008) que referem que esta modalidade hor&aacute;ria pode ser prejudicial para as crian&ccedil;as, quer a n&iacute;vel de acompanhamento do desenvolvimento (e.g., a n&iacute;vel escolar) quer a n&iacute;vel de intera&ccedil;&atilde;o/comunica&ccedil;&atilde;o &ndash; ter tempo para dedicar &agrave; fam&iacute;lia (e.g., finais de tarde livres que &eacute; quando os filhos chegam da escola e fins de semana). Relativamente aos coment&aacute;rios da experi&ecirc;ncia do trabalho por turnos, tanto os(as) trabalhadores(as) como os c&ocirc;njuges percecionaram o hor&aacute;rio rotativo como causador de impacto negativo a n&iacute;vel da sa&uacute;de e familiar, havendo diferen&ccedil;as apenas a n&iacute;vel das subcategorias apresentadas por cada grupo. De um modo global, os resultados obtidos s&atilde;o tamb&eacute;m consistentes com a literatura (e.g., Newey &amp; Hood, 2004; Sim&otilde;es et al., 2010).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Em jeito de conclus&atilde;o, os resultados obtidos no nosso estudo s&atilde;o consistentes com estudos anteriores (e.g., Costa &amp; Silva, 2019; Iskra-Golec et al.,2016; Li et al., 2014) em que se encontram evid&ecirc;ncias do impacto negativo do trabalho por turnos na vida familiar e social, tanto a n&iacute;vel parental como conjugal ou, ainda, a n&iacute;vel social. Estas consequ&ecirc;ncias parecem advir, em grande parte, da dessincroniza&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores com os restantes membros do seu agregado familiar e amigos, dado que em momentos temporais importantes como os finais de tarde e os fins de semana os trabalhadores por turnos est&atilde;o a trabalhar. Contudo, este estudo abordou uma perspetiva pouco explorada na literatura ao comparar a perspetiva dos trabalhadores com a perspetiva dos(as) seus/suas c&ocirc;njuges/companheiros(as) e obteve resultados similares a estudos que apenas abordaram a perspetiva dos(as) trabalhadores(as). O que pode significar que n&atilde;o s&atilde;o apenas os(as) pr&oacute;prios(as) trabalhadores(as) por turnos que percecionam os impactos e s&atilde;o afetados pelo hor&aacute;rio de trabalho que praticam, mas tamb&eacute;m os(as) seus/suas c&ocirc;njuges/companheiros(as). Neste sentido, &eacute; importante continuar os estudos sobre esta tem&aacute;tica e encontrar estrat&eacute;gias de interven&ccedil;&atilde;o que ajudem a minimizar o conflito trabalho-fam&iacute;lia suscitado por este regime hor&aacute;rio.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Na interpreta&ccedil;&atilde;o dos resultados, devem ter-se em conta algumas limita&ccedil;&otilde;es. Em primeiro lugar, a recolha ser concentrada apenas numa empresa do setor industrial, n&atilde;o podendo haver generaliza&ccedil;&atilde;o dos resultados. Em segundo lugar, este estudo debru&ccedil;a-se sobre um tipo espec&iacute;fico de rota&ccedil;&atilde;o de trabalho por turnos, n&atilde;o incluindo aqui a an&aacute;lise do impacto do trabalho por turnos a n&iacute;vel familiar e social de outros sistemas de rota&ccedil;&atilde;o de trabalho por turnos (e.g., rota&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida). Para tentar ultrapassar as limita&ccedil;&otilde;es referidas, sugere-se o alargamento do estudo a outras empresas que laborem tamb&eacute;m em regime de turnos e a diferentes configura&ccedil;&otilde;es de sistemas de turnos. Em terceiro lugar, o n&uacute;mero de participantes ser relativamente reduzido dentro de cada grupo (trabalhador(a) &ndash; c&ocirc;njuge), o que n&atilde;o nos permitiu an&aacute;lises mais espec&iacute;ficas (e.g., diferen&ccedil;as de g&eacute;nero e diferen&ccedil;as entre casais com filhos e sem filhos na d&iacute;ade), sugerindo igualmente possibilidades de aprofundamento nesta &aacute;rea. Al&eacute;m da integra&ccedil;&atilde;o da perspetiva dos c&ocirc;njuges na compreens&atilde;o dos efeitos do trabalho por turnos &ndash; bastante escassa na literatura &ndash; outra possibilidade aprofundamento da compreens&atilde;o da tem&aacute;tica seria a de alargar a perce&ccedil;&atilde;o de tais efeitos na perspetiva dos filhos(as) de trabalhadores(as) por turnos.</font></p>       <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Baker, A., Ferguson, S., &amp; Dawson, D. (2003). The perceived value of time. <i>Time &amp;Society, 12</i>(1), 27&ndash;39. <a href="https://doi.org/10.1177/0961463X03012001444" target="_blank">https://doi.org/10.1177/0961463X03012001444</a></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Bardin, L. (2009). <i>An&aacute;lise de conte&uacute;do</i>. Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=510838&pid=S0874-2049202000010000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Costa, D. (2016). <i>Trabalho por turnos e vida familiar e social: A perspetiva dos familiares</i> (Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado n&atilde;o publicada). Escola de Psicologia, Universidade do Minho, Braga</font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Costa, D., &amp; Silva, I. S. (2019). Social and family life impact of shift work from the perspective of family members. <i>Revista de Administra&ccedil;&atilde;o de Empresas, 59</i>(2), 108-120. <a href="https://doi.org/10.1590/s0034-759020190204" target="_blank">https://doi.org/10.1590/s0034-759020190204</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=510841&pid=S0874-2049202000010000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="Verdana" size="2">Costa, G. (1997). The problem: Shiftwork. <i>Chronobiology International, 14</i>(2), 89&ndash;98. <a href="https://doi.org/10.3109/07420529709001147" target="_blank">https://doi.org/10.3109/07420529709001147</a></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Costa, G. (2003). Shift work and occupational medicine: An overview. <i>Occupational Medicine, 53</i>(2), 83&ndash;88. <a href="https://doi.org/10.1093/occmed/kqg045" target="_blank">https://doi.org/10.1093/occmed/kqg045</a></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Costa, G., &Aring;kerstedt, T., Nachreiner, F., Baltieri, F., Carvalhais, J., Folkard, S., Dresen, M. F., Gadbois, C., Gartner, J., Sukalo, H. G., H&auml;rm&auml;, M., Kandolin, I., Sartori, S., &amp; Silv&eacute;rio, J. (2004). Flexible working hours, health, and well-being in Europe: Some considerations from a SALTSA project. <i>Chronobiology International, 21</i>(6), 831&ndash;844. <a href="https://doi.org/10.1081/CBI-200035935" target="_blank">https://doi.org/10.1081/CBI-200035935</a></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Craig, L., &amp; Brown, J. E. (2014). Weekend work and leisure time with family and friends: Who misses out? <i>Journal of Marriage and Family, 76</i>(4), 710&ndash;727. <a href="https://doi.org/10.1111/jomf.12127" target="_blank">https://doi.org/10.1111/jomf.12127</a></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Demerouti, E., Geurts, S. A. E., Bakker, A. B., &amp; Euwema, M. (2004). The impact of shiftwork on work-home conflict, job attitudes and health. <i>Ergonomics, 47</i>(9), 987&ndash;1002. <a href="https://doi.org/10.1080/00140130410001670408" target="_blank">https://doi.org/10.1080/00140130410001670408</a></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Dhande, K. K., &amp; Sharma, S. (2011). Influence of shift work in process industry on workers&rsquo; occupational health, productivity, and family and social life: An ergonomic approach. <i>Human Factors and Ergonomics in Manufacturing, 21</i>(3), 260&ndash;268. <a href="https://doi.org/10.1002/hfm" target="_blank">https://doi.org/10.1002/hfm</a></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Eurofound. (2016). <i>European Working Conditions Survey &ndash; Overview report. Office of the European Union</i>. Luxembourg. <a href="https://doi.org/10.2806/518312" target="_blank">https://doi.org/10.2806/518312</a></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Field, A. P. (2013). <i>Discovering statistics using IBM SPSS Statistics: And sex and drugs and rock 'n' roll</i> (4<sup>th</sup> ed.). Sage</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=510849&pid=S0874-2049202000010000800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="Verdana" size="2">Greenwood, K. (1983). A report on the SECV quality of life of shiftworkers survey 1982. <i>Asia Pacific Journal of Human Resources, 21</i>(4), 35&ndash;39. <a href="https://doi.org/10.1177/103841118302100410" target="_blank">https://doi.org/10.1177/103841118302100410</a></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Handy, J. (2010). Maintaining family life under shiftwork schedules: A case study of a New Zealand petrochemical plant. <i>New Zealand Journal of Psychology, 39</i>(1), 29&ndash;37.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Hossain, J. L., &amp; Shapiro, C. M. (1999). Considerations and possible consequences of shift work. <i>Journal of Psychosomatic Research, 47</i>(4), 293&ndash;296. <a href="https://doi.org/10.1016/S0022-3999(99)00073-2" target="_blank">https://doi.org/10.1016/S0022-3999(99)00073-2</a></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Iskra-Golec, I., Barnes-Farrell, J., &amp; Bohle, P. (Eds.) (2016). <i>Social and Family Issues in Shift Work and Non Standard Working Hours.</i> Springer International Publishing. <a href="https://doi.org/10.1007/978-3-319-42286-2" target="_blank">https://doi.org/10.1007/978-3-319-42286-2</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=510853&pid=S0874-2049202000010000800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="Verdana" size="2">Iskra-Golec, I., Smith, L., Wilczek-RuÅ¼yczka, E., Siemiginowska, P., &amp; WÄ…troba, J. (2017). 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Implica&ccedil;&otilde;es do trabalho por turnos na vida familiar de enfermeiros: Viv&ecirc;ncia dos parceiros. <a href="http://www.psicologia.pt/artigos/textos/A0417.pdf" target="_blank">http://www.psicologia.pt/artigos/textos/A0417.pdf</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=510858&pid=S0874-2049202000010000800020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="Verdana" size="2">Martins, P., &amp; Martins, A. (1999). O regime de hor&aacute;rio de trabalho e a vida social e dom&eacute;stica: Satisfa&ccedil;&atilde;o e estrat&eacute;gias de coping - Um estudo numa amostra de enfermeiros. <i>An&aacute;lise Psicol&oacute;gica, 17</i>(3), 529&ndash;546. <a href="http://search.proquest.com/docview/619440822?accountid=17225" target="_blank">http://search.proquest.com/docview/619440822?accountid=17225</a></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Monk, T., Folkard, S., &amp; Wedderburn, A. (1996). Maintaining safety and high performance on shiftwork. <i>Applied Ergonomics, 27</i>(1), 17&ndash;23.</font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Myers, L., &amp; Sirois, M. J. (2014). Spearman Correlation Coefficients, Differences between. In <i>Wiley StatsRef: Statistics Reference Online</i>. John Wiley &amp; Sons, Ltd. <a href="https://doi.org/10.1002/9781118445112.stat02802" target="_blank">https://doi.org/10.1002/9781118445112.stat02802</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=510861&pid=S0874-2049202000010000800023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="Verdana" size="2">Newey, C. A., &amp; Hood, B. M. (2004). Determinants of shift-work adjustment for nursing staff: The critical experience of partners. <i>Journal of Professional Nursing, 20</i>(3), 187&ndash;195. <a href="https://doi.org/10.1016/j.profnurs.2004.04.007" target="_blank">https://doi.org/10.1016/j.profnurs.2004.04.007</a></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Perrucci, R., MacDermid, S., King, E., Tang, C.-Y., Brimeyer, T., Ramadoss, K., Kiser, S. J., &amp; Swanberg, J. E. (2007). The significance of shift work: Current status and future directions. <i>Journal of Family &amp; Economic Issues, 28</i>(4), 600&ndash;617. <a href="https://doi.org/10.1007/s10834-007-9078-3" target="_blank">https://doi.org/10.1007/s10834-007-9078-3</a></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Prata, J., &amp; Silva, I. (2013). Efeitos do trabalho em turnos na sa&uacute;de e em dimens&otilde;es do contexto social e organizacional: Um estudo na ind&uacute;stria eletr&ocirc;nica. <i>Revista Psicologia: Organiza&ccedil;&otilde;es e Trabalho, 13</i>(2), 141&ndash;154.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Presser, H. B. (1994). Employment schedules among dual-earner spouses and the division of household labor by gender. <i>American Sociological Review, 59</i>(3), 348&ndash;364. <a href="https://doi.org/10.2307/2095938" target="_blank">https://doi.org/10.2307/2095938</a></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Rapoport, B., &amp; Le Bourdais, C. (2008). Parental time and working schedules. <i>Journal of Population Economics, 21</i>(4), 903&ndash;932. <a href="https://doi.org/10.1007/s00148-007-0147-6" target="_blank">https://doi.org/10.1007/s00148-007-0147-6</a></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Shen, J., &amp; Dicker, B. (2008). The impacts of shiftwork on employees. <i>The International Journal of Human Resource Management, 19</i>(2), 392&ndash;405. <a href="https://doi.org/10.1080/09585190701799978" target="_blank">https://doi.org/10.1080/09585190701799978</a></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Silva, I. (2012). <i>As condi&ccedil;&otilde;es de trabalho no trabalho por turnos: Conceitos, efeitos e interven&ccedil;&otilde;es</i>. Climepsi Editores.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=510868&pid=S0874-2049202000010000800030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Silva, I., Prata, J., Ferreira, A., &amp; Veloso, A. (2014). Shiftwork experience: Worker&rsquo;s vision of its impacts. In P. Arezes et al. (Eds.), <i>Occupational Safety and Hygiene II</i> (pp. 651&ndash;656). Taylor &amp; Francis Group.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Sim&otilde;es, M., Marques, F., &amp; Rocha, A. (2010). O trabalho em turnos alternados e seus efeitos no cotidiano do trabalhador no beneficiamento de gr&atilde;os. <i>Revista Latino-Americana de Enfermagem, 18</i>(6), 1070&ndash;1075. <a href="https://doi.org/10.1590/S0104-11692010000600005" target="_blank">https://doi.org/10.1590/S0104-11692010000600005</a></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Smith, L., &amp; Folkard, S. (1993a). The impact of shiftwork on personnel at a nuclear power plant: An exploratory survey study. <i>Work and Stress, 7</i>(4), 341&ndash;350. <a href="https://doi.org/10.1080/02678379308257073" target="_blank">https://doi.org/10.1080/02678379308257073</a></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Smith, L., &amp; Folkard, S. (1993b). The perceptions and feelings of shitwokers partners. <i>Ergonomics, 36</i>(1&ndash;3), 299&ndash;305. <a href="https://doi.org/10.1080/00140139308967885" target="_blank">https://doi.org/10.1080/00140139308967885</a></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Strazdins, L., Korda, R., Lim, L., Broom, D., &amp; D&rsquo;Souza, R. (2004). Around-the-clock: Parent work schedules and children&rsquo;s well-being in a 24-h economy. Social <i>Science and Medicine, 59</i>(7), 1517&ndash;1527. <a href="https://doi.org/10.1016/j.socscimed.2004.01.022" target="_blank">https://doi.org/10.1016/j.socscimed.2004.01.022</a></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Tuttle, R., &amp; Garr, M. (2012). Shift work and work to family fit: Does schedule control matter? <i>Journal of Family and Economic Issues, 33</i>(3), 261&ndash;271. <a href="https://doi.org/10.1007/s10834-012-9283-6" target="_blank">https://doi.org/10.1007/s10834-012-9283-6</a></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Volger, A., Ernst, G., Nachreiner, F., &amp; H&auml;necke, K. (1988). Common free time of family members under different shift systems. <i>Applied Ergonomics, 19</i>(3), 213&ndash;218. <a href="https://doi.org/10.1016/0003-6870(88)90139-1" target="_blank">https://doi.org/10.1016/0003-6870(88)90139-1</a></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Wilson, M. G., Polzer-Debruyne, A., Chen, S., &amp; Fernandes, S. (2007). Shift work interventions for reduced work-family conflict. <i>Employee Relations, 29</i>(2), 162&ndash;177. <a href="https://doi.org/10.1108/01425450710719996" target="_blank">https://doi.org/10.1108/01425450710719996</a></font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><i>Historial do artigo</i></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Recebido</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">03/2019</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Aceite</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">07/2020</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Publicado</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">08/2020</font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>c</sup><a href="#topc0">Morada para correspond&ecirc;ncia:</a><a name="c0"></a></font></p>  Isabel Soares Silva, Escola de Psicologia da Universidade do Minho, Campus de Gualtar, 4710-057 Braga, Portugal. E-mail: <a href="mailto:isilva@psi.uminho.pt" >isilva@psi.uminho.pt</a></font></p>       ]]></body><back>
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