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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A congruência de valores e o stress ocupacional em guardas prisionais: Congruência de valores e stress ocupacional]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Assuming that organizations and prison guards possess a set of values about the best way to reduce crime - corresponding to a rehabilitative and/or punitive approach - which can either coincide or not, is intended to exploit, based on the P-E Fit Model, the relationship between congruence of values and occupational stress experienced by Portuguese prison guards. The data were collected through documental analysis and individual semi structured interviews performed to eight prison guards. It is concluded that the values punish and resocialize are independent and interact with each other and that the congruence of values, which manifests itself through three independent concepts (fit, misfit and conflict of values) is a critical element of prisons. In fact, we found two distinct types of conflict and the absence of fit is not an indicator of conflict. These results are interpreted considering the theoretical and practical implications for organizations and prison guards.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="4"><b>A congru&ecirc;ncia de valores e o stress ocupacional em guardas prisionais: Congru&ecirc;ncia de valores e stress ocupacional</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="3"><b>The congruence of values and occupational stress in prison guards: Congruence of values and occupational stress</b></font></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2">Ana Catarina Moreira Leal<sup>1,c</sup> &amp; Filomena Jord&atilde;o<sup>2</sup></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><sup>1</sup>Faculdade de Psicologia e Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade do Porto</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><sup>2</sup>Departamento de Psicologia, Faculdade de Psicologia e Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade do Porto</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><sup>c</sup><a href="#c0">Autor para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></font></p>  <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Pressupondo que as organiza&ccedil;&otilde;es e os guardas prisionais det&ecirc;m um conjunto de valores sobre como reduzir o crime, correspondente a uma abordagem reabilitativa e/ou punitiva, que podem, ou n&atilde;o, coincidir, pretende-se explorar com base no Modelo Person-Environment fit, a rela&ccedil;&atilde;o entre a congru&ecirc;ncia de valores e o stress ocupacional vivenciado por guardas prisionais portugueses. Os dados foram recolhidos atrav&eacute;s da an&aacute;lise documental e entrevista semiestruturada individual realizada a oito guardas prisionais. Conclui-se que os valores, punir e ressocializar, s&atilde;o independentes e interagem entre si e que a congru&ecirc;ncia de valores, que se manifesta atrav&eacute;s de tr&ecirc;s conceitos independentes, fit, misfit e conflito de valores, &eacute; um elemento cr&iacute;tico da vida nas pris&otilde;es. Constata-se, de facto, a exist&ecirc;ncia de dois tipos distintos de conflito e que a aus&ecirc;ncia de fit n&atilde;o &eacute; indicador de conflito. Estes resultados s&atilde;o interpretados considerando-se as implica&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas e pr&aacute;ticas para as organiza&ccedil;&otilde;es e guardas prisionais.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave:</b> Stress ocupacional; Person-Environment fit; Congru&ecirc;ncia de valores; Guardas prisionais.</font></p>  <hr size="1" noshade>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Assuming that organizations and prison guards possess a set of values about the best way to reduce crime - corresponding to a rehabilitative and/or punitive approach - which can either coincide or not, is intended to exploit, based on the P-E Fit Model, the relationship between congruence of values and occupational stress experienced by Portuguese prison guards. The data were collected through documental analysis and individual semi structured interviews performed to eight prison guards. It is concluded that the values punish and resocialize are independent and interact with each other and that the congruence of values, which manifests itself through three independent concepts (fit, misfit and conflict of values) is a critical element of prisons. In fact, we found two distinct types of conflict and the absence of fit is not an indicator of conflict. These results are interpreted considering the theoretical and practical implications for organizations and prison guards.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Keywords:</b> Occupational Stress; Person-Environment fit; Congruence of Values; Prison Guards.</font></p>      <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>      <p><font face="Verdana" size="2">O facto de o mundo do trabalho ser cada vez mais competitivo, leva a que os trabalhadores tenham a dif&iacute;cil tarefa de responderem de forma adaptativa &agrave;s exig&ecirc;ncias constantes que o ambiente lhes coloca. Quando esta adapta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; bem-sucedida o trabalhador experiencia stress (Isenhardt et al., 2019). Segundo a teoria do P-E fit, o stress resulta do desajustamento entre as caracter&iacute;sticas da pessoa e do ambiente (Edwards &amp; Cable, 2009). Sendo que o ambiente de trabalho &eacute;, em grande parte, determinado pelos valores organizacionais, &eacute; importante estudar a rela&ccedil;&atilde;o entre a congru&ecirc;ncia de valores e o stress ocupacional, j&aacute; que um dos aspetos fundamentais e duradouros, tanto das organiza&ccedil;&otilde;es como das pessoas, s&atilde;o os seus valores (Lambert et al., 2019).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Segundo Arruda (2013), &eacute; particularmente relevante investigar a congru&ecirc;ncia de valores em fun&ccedil;&otilde;es da &aacute;rea das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a p&uacute;blica, como &eacute; o caso da fun&ccedil;&atilde;o de guarda prisional.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">As institui&ccedil;&otilde;es prisionais enquadram-se no sistema penal e foram durante muitos s&eacute;culos tidas como espa&ccedil;os repressivos, de castigo, em que a reclus&atilde;o n&atilde;o era considerada uma medida de execu&ccedil;&atilde;o penal (Pereira, 2011). Contudo, no s&eacute;culo XX, a reclus&atilde;o passa a ser reconhecida como uma forma de preven&ccedil;&atilde;o, corresponsabiliza&ccedil;&atilde;o e ressocializa&ccedil;&atilde;o (Cardoso, 2014), emergindo um modelo prisional que considera o potencial ressocializador da pris&atilde;o. Neste sentido, o sistema prisional portugu&ecirc;s apresenta atualmente uma dupla orienta&ccedil;&atilde;o: punir e ressocializar e o guarda prisional passa a ter um papel simultaneamente, &ldquo;violento e coercivo e (&hellip;) humanizador e direcionado para a reinser&ccedil;&atilde;o social&rdquo; (Pereira, 2011, p.21). Ora estas duas orienta&ccedil;&otilde;es s&atilde;o encaradas, pela maioria dos autores (e.g., Isenhardt et al., 2019), como sendo contradit&oacute;rias, incompat&iacute;veis e mutuamente exclusivas configurando um modelo baseado na competi&ccedil;&atilde;o de valores. Este modelo baseia-se na necessidade do ser humano em procurar um sentido de coer&ecirc;ncia e consist&ecirc;ncia entre as cogni&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o essenciais para a sua autoidentidade, uma vez que, de acordo com a teoria da disson&acirc;ncia cognitiva (Festinger, 1957), as pessoas n&atilde;o conseguem viver com a tens&atilde;o que deriva do conflito de valores, gerador de stress ocupacional.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Person-Environment (P-E) Fit</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">As teorias de <i>P-E fit </i>assumem que &eacute; necess&aacute;rio conhecer a intera&ccedil;&atilde;o que ocorre entre as caracter&iacute;sticas da pessoa e do ambiente de modo a compreender realmente as causas de stress (Cooper &amp; Marshall, 1976). Neste &acirc;mbito, French e colaboradores (1982) prop&otilde;em o <i>P-E fit model</i> cuja premissa b&aacute;sica &eacute; a de que quando as caracter&iacute;sticas das pessoas e do ambiente de trabalho s&atilde;o similares, surgem consequ&ecirc;ncias positivas para os indiv&iacute;duos, nomeadamente menores n&iacute;veis de stress (Edwards &amp; Cable, 2009). Segundo esta teoria, um <i>misfit</i> entre as caracter&iacute;sticas do indiv&iacute;duo e as do ambiente pode causar problemas, sendo que quanto maior for a discrep&acirc;ncia entre a pessoa e o ambiente maior ser&aacute; a tens&atilde;o fisiol&oacute;gica, psicol&oacute;gica e comportamental experienciada pelo indiv&iacute;duo (Lambert et al., 2019).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Este modelo considera dois tipos de <i>fit</i> entre a pessoa e o ambiente: o <i>P-E fit</i> objetivo e o <i>P-E fit</i> subjetivo (Edwards &amp; Cable, 2009). O <i>P-E fitobjetivo</i> descreve a congru&ecirc;ncia entre as caracter&iacute;sticas reais da pessoa e as do meio objetivos, e o <i>P-E fit subjetivo</i> descreve o <i>fit</i> entre a pessoa e o ambiente subjetivos. No entanto, este modelo considera que o stress deriva, principalmente, do <i>misfit</i> subjetivo entre a pessoa e o meio (Edwards &amp; Cable, 2009), uma vez que as perce&ccedil;&otilde;es dos indiv&iacute;duos s&atilde;o as principais respons&aacute;veis pelas suas atitudes e comportamentos (Schiff &amp; Leip, 2019). Deste modo, este modelo considera que o <i>misfit </i>subjetivo entre a pessoa e o meio pode levar a respostas f&iacute;sicas, psicol&oacute;gicas e comportamentais (Edwards &amp; Cable, 2009), que ocorrem &ldquo;como uma manifesta&ccedil;&atilde;o da tens&atilde;o nos ambientes organizacionais, produtos da intera&ccedil;&atilde;o entre fatores ambientais, condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, perce&ccedil;&otilde;es e comportamentos do indiv&iacute;duo no plano da cultura das organiza&ccedil;&otilde;es&rdquo; (Ramos e Jord&atilde;o, 2013, p. 400).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Person-Organization Fit</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A cultura organizacional &eacute; o conjunto de valores nucleares, normas de comportamento, artefactos e padr&otilde;es de comportamento que governam a forma como as pessoas interagem numa organiza&ccedil;&atilde;o e o modo como se empenham no trabalho e na organiza&ccedil;&atilde;o (Schein, 2010). Este conjunto de premissas impl&iacute;citas, compartilhadas e assumidas por um grupo, modela os seus comportamentos e permite a forma&ccedil;&atilde;o de uma identidade corporativa (Schein, 2010; Ramos &amp; Jord&atilde;o, 2013) que &eacute; particularmente evidente em culturas organizacionais de cariz militar, como &eacute; o caso dos estabelecimentos prisionais. Estes contextos s&atilde;o marcados por uma forte imposi&ccedil;&atilde;o de comportamentos, valores e regras, a qual &eacute; feita logo desde o in&iacute;cio do percurso profissional dos guardas prisionais na sua forma&ccedil;&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o em contexto prisional (Roseira, 2017).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os valores s&atilde;o o elemento que, em grande medida, afeta a cultura da organiza&ccedil;&atilde;o, sendo perpetuados atrav&eacute;s do processo de socializa&ccedil;&atilde;o (Schein, 2010) atrav&eacute;s do qual s&atilde;o transmitidos aos novos membros da organiza&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o s&oacute;, um conjunto de valores formais e expl&iacute;citos, como tamb&eacute;m, um conjunto de valores informais e impl&iacute;citos, baseado no companheirismo dos membros da organiza&ccedil;&atilde;o (Schein, 2010). Um aspeto fundamental e duradouro, tanto das organiza&ccedil;&otilde;es como das pessoas, s&atilde;o os seus valores (Ramos &amp; Jord&atilde;o, 2013), os quais constituem princ&iacute;pios ou cren&ccedil;as duradouras sobre comportamentos sociais ou estados de exist&ecirc;ncia - que transcendem situa&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas -, que guiam a sele&ccedil;&atilde;o ou avalia&ccedil;&atilde;o de comportamentos ou eventos e que s&atilde;o ordenados hierarquicamente a partir da sua import&acirc;ncia relativa (Schein, 2010). A n&iacute;vel organizacional identificam-se valores individuais e valores organizacionais (Ramos &amp; Jord&atilde;o, 2013). Enquanto que os valores individuais t&ecirc;m como fun&ccedil;&atilde;o orientar as atitudes e os comportamentos das pessoas, os valores organizacionais orientam a vida da organiza&ccedil;&atilde;o e os comportamentos dos seus membros (Edwards &amp; Cable, 2009).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A rela&ccedil;&atilde;o que se estabelece entre os valores pessoais e os valores organizacionais ter&aacute; um impacto significativo tanto nos trabalhadores como na pr&oacute;pria organiza&ccedil;&atilde;o (Ramos &amp; Jord&atilde;o, 2013), sendo que o alinhamento entre estes dois tipos de valores conduz ao conceito de <i>Person-Organization (P-O) fit,</i> que reflete o grau de compatibilidade entre o trabalhador e a organiza&ccedil;&atilde;o (Ramos &amp; Jord&atilde;o, 2013). Embora este conceito possa ser definido de diversas formas, a literatura evidencia que a maioria das investiga&ccedil;&otilde;es tende a estudar o <i>P-O fit</i> a partir da congru&ecirc;ncia de valores. Esta concetualiza&ccedil;&atilde;o encontra-se, normalmente, associada ao conceito de <i>fit</i> subjetivo, que traduz as perce&ccedil;&otilde;es que os trabalhadores t&ecirc;m sobre o facto de os seus valores irem ao encontro dos valores organizacionais (Edwards &amp; Cable, 2009). No entanto, segundo o modelo de congru&ecirc;ncia de valores proposto por Liedtka (1989), a congru&ecirc;ncia de valores &eacute; um conceito muito mais amplo que o conceito de <i>fit</i>, uma vez que aquela pode manifestar-se atrav&eacute;s do <i>fit</i>, <i>misfit</i> e conflito de valores (Ramos &amp; Jord&atilde;o, 2013). Neste trabalho iremos abordar a congru&ecirc;ncia de valores segundo esta perspetiva.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Rela&ccedil;&atilde;o entre Stress Ocupacional e Congru&ecirc;ncia de valores em Guardas Prisionais</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">V&aacute;rios estudos t&ecirc;m indicado que o <i>fit</i> de valores ter&aacute; um impacto fundamentalmente positivo tanto para a organiza&ccedil;&atilde;o como para os pr&oacute;prios trabalhadores (Butler et al., 2019; Lambert et al., 2019), uma vez que quando os indiv&iacute;duos possuem valores que v&atilde;o ao encontro dos valores da sua organiza&ccedil;&atilde;o est&atilde;o mais satisfeitos com o seu trabalho, identificam-se e vinculam-se &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o, evidenciam um maior comprometimento organizacional e demonstram menores n&iacute;veis de stress e sintomas psicossom&aacute;ticos, maior bem-estar emocional e satisfa&ccedil;&atilde;o a n&iacute;vel familiar (Edwards &amp; Cable, 2009; Trounson et al., 2019 ).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Uma vez que o que o indiv&iacute;duo procura no seu trabalho &eacute;, em grande medida, determinado pelas suas necessidades e valores (Butler et al., 2019; Ramos &amp; Jord&atilde;o, 2013), quando existe uma incongru&ecirc;ncia ou incompatibilidade entre o que o trabalhador espera alcan&ccedil;ar no seu trabalho e aquilo que os valores da organiza&ccedil;&atilde;o o permite, realmente, obter, &eacute; muito prov&aacute;vel que o trabalhador experiencie stress (Ramos &amp; Jord&atilde;o, 2013). Neste sentido, o stress tende a atingir n&iacute;veis mais severos quando os indiv&iacute;duos acreditam que foram obrigados a comprometer os seus valores individuais de modo a responderem &agrave;s exig&ecirc;ncias organizacionais &ndash; conflito de valores (Trounson et al., 2019). Por outro lado, as pessoas experienciam bem-estar quando enaltecem os mesmos valores que prevalecem no seu ambiente de trabalho (Isenhard et al., 2019).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Em Portugal, a congru&ecirc;ncia de valores tem sido um tema negligenciado na investiga&ccedil;&atilde;o (Ramos &amp; Jord&atilde;o, 2013), uma vez que os estudos realizados tendem apenas a focar-se no <i>P-O fit</i>. No entanto, Ramos e Jord&atilde;o (2013) desenvolveram dois estudos que demonstraram que o <i>fit</i> e o conflito entre a pessoa e a organiza&ccedil;&atilde;o devem ser tratados como vari&aacute;veis independentes, sendo que o conflito de valores &eacute; a &uacute;nica vari&aacute;vel que est&aacute; associada a experi&ecirc;ncias negativas na organiza&ccedil;&atilde;o, como o stress ocupacional. A partir dos estudos de caso desenvolvidos por estas autoras numa empresa portuguesa, concluiu-se que o stress ocupacional est&aacute; correlacionado positivamente com o conflito de valores e negativamente com o <i>P-O fit. </i>De facto, os trabalhadores evidenciavam n&iacute;veis de stress significativos quando percecionavam que os seus valores pessoais eram incompat&iacute;veis com os valores da sua organiza&ccedil;&atilde;o (Ramos &amp; Jord&atilde;o, 2013).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">De um modo geral, as investiga&ccedil;&otilde;es realizadas no dom&iacute;nio dos estabelecimentos prisionais, corroboram, direta ou indiretamente, a teoria do <i>P-E fit</i>. Todavia, a maioria dos estudos tende a focar-se no <i>Person-Job (P-J) fit</i>, havendo poucos estudos que explorem a rela&ccedil;&atilde;o existente entre o <i>P-O fit</i> e o stress ocupacional (Butler et al., 2019; Lambert et al., 2019).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Lambert et al. (2019) demonstraram que vari&aacute;veis como conflito e/ou ambiguidade de pap&eacute;is est&atilde;o relacionadas com n&iacute;veis mais elevados de stress ocupacional. Os autores sugerem que aspetos como a justi&ccedil;a organizacional, comunica&ccedil;&atilde;o instrumental, e a participa&ccedil;&atilde;o no processo de tomada de decis&atilde;o, levam a que os trabalhadores prisionais reportem menores n&iacute;veis de stress ocupacional (Lambert et al., 2019). Este estudo conclui que as organiza&ccedil;&otilde;es e os trabalhadores prisionais t&ecirc;m melhores resultados, quando os trabalhadores percecionam que as suas necessidades s&atilde;o satisfeitas. Quando tal n&atilde;o acontece, segundo a teoria da Atra&ccedil;&atilde;o-Sele&ccedil;&atilde;o-Atrito (Schneider, 1987), os trabalhadores tendem a abandonar a organiza&ccedil;&atilde;o (Butler et al., 2019)</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Trounson et al. (2017) desenvolveram um estudo, junto dos colaboradores de um estabelecimento prisional de alta seguran&ccedil;a nos EUA, cujos valores organizacionais estavam, maioritariamente, orientados para a ressocializa&ccedil;&atilde;o dos reclusos. Concluiu-se que os trabalhadores que detinham uma orienta&ccedil;&atilde;o predominantemente punitiva &ndash; <i>P-Omisfit</i> &ndash; evidenciavam n&iacute;veis significativamente mais elevados de stress e conflito de papel e, significativamente, mais baixos de satisfa&ccedil;&atilde;o com a vida, comprometimento moral e perce&ccedil;&atilde;o de justi&ccedil;a organizacional, quando comparados com os trabalhadores que detinham uma orienta&ccedil;&atilde;o predominantemente reabilitativa &ndash; <i>P-O fit.</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Em Portugal s&atilde;o escassos os estudos sobre os guardas prisionais (Costa et al., 2017). Destaca-se o trabalho de Gon&ccedil;alves e Vieira (2005), no qual os autores defendem a forma&ccedil;&atilde;o dos guardas prisionais como recurso auxiliador e facilitador em situa&ccedil;&otilde;es de dificuldades complexas. J&aacute; o estudo de Silva e Gon&ccedil;alves (1999) salienta que as caracter&iacute;sticas ambientais do local de trabalho e relacionamento com os reclusos contribuem para a instabilidade emocional dos guardas prisionais, evidenciando o que Cunha (1996) j&aacute; havia salientado: que os riscos de sa&uacute;de a que os guardas prisionais poder&atilde;o estar sujeitos colocam em causa o seu bem-estar pessoal e o sucesso da sua organiza&ccedil;&atilde;o. Coelho (2008) refere que atualmente se atribui import&acirc;ncia ao papel dos guardas prisionais, pois eles garantem a seguran&ccedil;a dos reclusos, dos funcion&aacute;rios, e da sociedade, j&aacute; que uma das suas fun&ccedil;&otilde;es, dentro dos par&acirc;metros legais, &eacute; procurar a ressocializa&ccedil;&atilde;o do recluso, promover a sua seguran&ccedil;a, orienta&ccedil;&atilde;o e disciplina, independentemente do crime (Pereira, 2011). Neste sentido, Cardoso (2014) real&ccedil;a a contraditoriedade existente em situa&ccedil;&otilde;es adversas repetitivas e desafiantes que tal como podem originar oportunidade para desenvolver estrat&eacute;gias adequadas, podem, por outro lado, potenciar um mal-estar cont&iacute;nuo que vulnerabiliza os sujeitos influenciando a sa&uacute;de e o desempenho organizacional dos mesmos. O autor frisa assim a import&acirc;ncia de aprofundar o estudo do stress ocupacional no Corpo da Guarda Prisional, uma vez que estes profissionais est&atilde;o sujeitos a uma s&eacute;rie de potenciais stressores que n&atilde;o est&atilde;o presentes no dia a dia das restantes for&ccedil;as de seguran&ccedil;a.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">J&aacute; anteriormente alguns autores tinham salientado esta necessidade. Santos (2010), por exemplo, defendeu um maior interesse e preocupa&ccedil;&atilde;o pelos fatores de risco a que os guardas prisionais est&atilde;o sujeitos. Gon&ccedil;alves e Vieira (2005) chamaram a aten&ccedil;&atilde;o para a import&acirc;ncia de refletir sobre a profiss&atilde;o do guarda prisional enquanto profiss&atilde;o exigente, stressante, dura e desgastante que exige e depende de uma boa gest&atilde;o e equil&iacute;brio emocional. Considerando que a atividade ocupacional dos profissionais de seguran&ccedil;a, nomeadamente a de guarda prisional, &eacute; das mais stressantes do mundo (Gon&ccedil;alo et al., 2010), Afonso e Gomes (2009) destacam ainda a import&acirc;ncia de alargar a investiga&ccedil;&atilde;o da viv&ecirc;ncia do stress ocupacional a outras for&ccedil;as policiais, nomeadamente &agrave; de guarda prisional, que, segundo os mesmos, &eacute; a for&ccedil;a de seguran&ccedil;a mais negligenciada ao n&iacute;vel da investiga&ccedil;&atilde;o nacional.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Verifica-se, assim, que j&aacute; foram realizados esfor&ccedil;os para estudar o burnout e stress nesta popula&ccedil;&atilde;o que al&eacute;m de assumir fun&ccedil;&otilde;es de vigil&acirc;ncia e controlo, assume um papel proeminente na ressocializa&ccedil;&atilde;o dos internos e de apaziguamento da vida na pris&atilde;o (Arruda, 2013; Gon&ccedil;alo et al., 2010; Moreira, 2016; Gon&ccedil;alves e Vieira, 2005). Estes estudos apontam os fatores que mais contribuem para o stresse ocupacional no trabalho prisional: problemas de relacionamento (com colegas, supervisores ou reclusos); sobrecarga de trabalho; baixo status social da profiss&atilde;o e a falta de apoio social. Tamb&eacute;m foram citados o &ldquo;conflito de pap&eacute;is&rdquo; (papel punitivo <i>vs.</i> papel reabilitativo) e as poucas oportunidades de promo&ccedil;&atilde;o, que ao interagirem com fatores individuais como personalidade e conflitos familiares, podem gerar problemas na sa&uacute;de mental e f&iacute;sica dos guardas prisionais. Todavia, nos estudos que consideram o &ldquo;conflito de pap&eacute;is&rdquo; um fator potenciador de stress nesta profiss&atilde;o, os investigadores consideram que ainda &eacute; necess&aacute;rio desenvolver mais estudos que identifiquem os m&uacute;ltiplos fatores a ele associados Costa et al., 2017; Gon&ccedil;alo et al., 2010; Moreira, 2016).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica permite destacar a transversalidade da opini&atilde;o de distintos autores em rela&ccedil;&atilde;o ao impacto das caracter&iacute;sticas individuais (g&eacute;nero, etnia, idade, n&iacute;vel educacional, experi&ecirc;ncias na pris&atilde;o) nos n&iacute;veis de stresse ocupacional destes profissionais. A vari&aacute;vel &ldquo;satisfa&ccedil;&atilde;o no trabalho&rdquo; est&aacute; intimamente ligada ao stress sendo, at&eacute; &agrave; data, a mais forte preditora sobre quaisquer outras vari&aacute;veis (Costa et al., 2017). No entanto, segundo Moreira (2016), ainda &eacute; necess&aacute;rio compreender melhor quais s&atilde;o os fatores que realmente condicionam a perce&ccedil;&atilde;o de &ldquo;satisfa&ccedil;&atilde;o no trabalho&rdquo; e qual &eacute; o impacto que a presen&ccedil;a, ou aus&ecirc;ncia, desses fatores t&ecirc;m na viv&ecirc;ncia do stress ocupacional.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Foram identificados alguns estudos que relacionam a orienta&ccedil;&atilde;o dos guardas prisionais relativamente &agrave; melhor forma de reduzir o crime e os n&iacute;veis de stress experienciados por estes &uacute;ltimos. Estes estudos indicam que os guardas prisionais que det&ecirc;m, maioritariamente, valores reabilitativos tendem a demonstrar menores n&iacute;veis de stress ocupacional do que aqueles que privilegiam valores punitivos (Cardoso, 2014). Uma vez que os guardas prisionais det&ecirc;m um conjunto de valores sobre a melhor forma de reduzir o crime &ndash; atrav&eacute;s de uma abordagem reabilitativa ou uma abordagem punitiva (Lambert et al., 2019) - que pode coincidir, ou n&atilde;o, com os valores punitivos e/ou reabilitativos, defendidos expl&iacute;cita ou implicitamente pelo seu estabelecimento prisional, justifica-se explorar a rela&ccedil;&atilde;o entre a congru&ecirc;ncia de valores e o stress ocupacional vivenciado por estes profissionais.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Assim, considerando a perspetiva dos guardas prisionais, pretende-se responder &agrave;s seguintes quest&otilde;es de investiga&ccedil;&atilde;o: QI.1) Quais s&atilde;o os valores pessoais e organizacionais que s&atilde;o reconhecidos pelos guardas prisionais?; QI.2) Em que medida &eacute; percecionada congru&ecirc;ncia de valores pelos guardas prisionais?; QI.2.1) Em que medida &eacute; percecionado <i>P-O fit </i>subjetivo pelos guardas prisionais?; QI.2.2) Em que medida os guardas prisionais percecionam conflito entre os seus valores individuais e os valores organizacionais que reconhecem?; QI.3) Qual a rela&ccedil;&atilde;o entre a congru&ecirc;ncia de valores e o stress vivenciado pelos guardas prisionais?; QI.3.1) Qual a rela&ccedil;&atilde;o entre o <i>P-O fit</i> subjetivo e o stress vivenciado pelos guardas prisionais? QI.3.2) Qual a rela&ccedil;&atilde;o entre o conflito de valores e o stress vivenciado pelos guardas prisionais?</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>M&Eacute;TODO</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Considerando o exposto, optamos metodologicamente por uma abordagem qualitativa explorat&oacute;ria e descritiva (Sampieri et al., 2014; Yin, 2011) ao tema. Atendendo ainda a que as fronteiras entre o fen&oacute;meno em estudo e o contexto n&atilde;o est&atilde;o claramente diferenciadas, adotou-se como desenho metodol&oacute;gico o estudo de caso, mais especificamente o estudo de caso simples (caso &uacute;nico) embutido - com v&aacute;rias unidades de an&aacute;lise (Yin, 2011). Neste sentido, a fun&ccedil;&atilde;o de guarda prisional &eacute; o caso e as unidades de an&aacute;lise, os participantes no estudo.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>Participantes</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os participantes deste estudo s&atilde;o guardas prisionais que desempenham a sua fun&ccedil;&atilde;o em estabelecimentos prisionais portugueses. A amostra &eacute; n&atilde;o probabil&iacute;stica, por conveni&ecirc;ncia, &eacute; por bola de neve (Yin, 2011), tendo sido estabelecido inicialmente o contacto com dois guardas prisionais atrav&eacute;s dos quais se acedeu aos restantes participantes do estudo. O tamanho da amostra foi definido ap&oacute;s se ter atingido a satura&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica dos dados (Patton, 2015).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Neste estudo colaboraram oito guardas prisionais (cf. <a href="/img/revistas/psi/v34n2/34n2a08t1.jpg">Tabela 1</a>) de estabelecimentos prisionais com diferentes n&iacute;veis de seguran&ccedil;a com idades compreendidas entre os 30 e os 57 anos (<i>M</i> = 39.7; <i>DP </i>= 10.01), sendo a maioria do sexo feminino (62.5%). Metade s&atilde;o casados, possui o 12.&ordm; ano de escolaridade e trabalha, atualmente, num estabelecimento prisional com um n&iacute;vel de seguran&ccedil;a alto. Os participantes t&ecirc;m entre 4 a 32 anos (<i>M </i>= 13.75; <i>DP </i>= 10.69) de servi&ccedil;o e desempenham fun&ccedil;&otilde;es no atual estabelecimento prisional entre os 2 e os 21 anos (<i>M </i>= 10.5;<i> DP </i>= 7.43).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>T&eacute;cnicas de Recolha de Dados</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">De acordo com os objetivos do estudo, e uma vez que &eacute; importante num estudo de caso o acesso a m&uacute;ltiplas fontes de informa&ccedil;&atilde;o (Yin, 2011), as t&eacute;cnicas de recolha de dados selecionadas foram a an&aacute;lise de documentos e a entrevista.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Numa fase inicial do estudo, e com o objetivo de conhecer mais aprofundadamente os valores e outras caracter&iacute;sticas do sistema prisional portugu&ecirc;s, assim como as principais tarefas dos guardas prisionais, foi consultada alguma da legisla&ccedil;&atilde;o relacionada com a Dire&ccedil;&atilde;o Geral de Reinser&ccedil;&atilde;o e Servi&ccedil;os Prisionais (2020) que se considerou relevante para o tema em estudo<a href="#1"><sup>2</sup></a><a name="top1"></a>. Tamb&eacute;m se visitou a p&aacute;gina web do Sindicato do Corpo da Guarda Prisional, de modo a conhecer melhor a hist&oacute;ria, os valores, as caracter&iacute;sticas, as fun&ccedil;&otilde;es e as reivindica&ccedil;&otilde;es expl&iacute;citas do sistema prisional portugu&ecirc;s e dos guardas prisionais Al&eacute;m disso, foram analisados alguns blogs e p&aacute;ginas das redes sociais (grupos) ligadas a este grupo profissional o que permitiu obter informa&ccedil;&otilde;es sobre as suas opini&otilde;es, reivindica&ccedil;&otilde;es e preocupa&ccedil;&otilde;es. Da abordagem interpretativa (Jupp &amp; Norris, 1983 cit in Bloor &amp; Wood, 2006) destes documentos foi poss&iacute;vel obter um conjunto de informa&ccedil;&otilde;es altamente valiosas, nomeadamente a de que os guardas manifestavam explicitamente dificuldade em conciliar simultaneamente o papel de &ldquo;c&aacute;rcere&rdquo; e o de agente de ressocializa&ccedil;&atilde;o. Este dado foi uma mais-valia para compreender a pertin&ecirc;ncia desta investiga&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o unicamente para a produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento, mas, acima de tudo, era tida como necess&aacute;ria e valiosa para o grupo profissional que visava investigar.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Com base nas informa&ccedil;&otilde;es recolhidas a partir da an&aacute;lise de documentos, da entrevista explorat&oacute;ria e da revis&atilde;o da literatura efetuada, elaborou-se de raiz um gui&atilde;o de entrevista semiestruturada constitu&iacute;do por um conjunto de perguntas abertas formuladas a partir do objetivo e das quest&otilde;es de investiga&ccedil;&atilde;o (Sampieri et al., 2014). Este gui&atilde;o foi validado atrav&eacute;s de duas entrevistas piloto (gravadas em sistema &aacute;udio e posteriormente transcritas), de modo a testar o instrumento (Bardin, 2011). Na sequ&ecirc;ncia destas entrevistas, foi reformulada a reda&ccedil;&atilde;o de algumas das quest&otilde;es consideradas pouco compreens&iacute;veis como tamb&eacute;m foi decidido introduzir no in&iacute;cio do gui&atilde;o um pequeno texto introdut&oacute;rio sobre os valores, dada a dificuldade dos guardas - nas entrevistas explorat&oacute;ria e piloto -, em identificar e diferenciar &lsquo;valores pessoais e organizacionais&rsquo;.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A vers&atilde;o final do gui&atilde;o da entrevista &eacute; composta por tr&ecirc;s partes: a primeira parte onde era explicado ao participante o objetivo do estudo e clarificadas todas as quest&otilde;es relativas &agrave; confidencialidade da investiga&ccedil;&atilde;o; a segunda, constitu&iacute;da por quest&otilde;es biogr&aacute;ficas e profissionais, nomeadamente, o sexo, a idade, estado civil, habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias, antiguidade na fun&ccedil;&atilde;o de guarda prisional, antiguidade no estabelecimento prisional atual e o n&iacute;vel de seguran&ccedil;a do estabelecimento prisional em que o participante trabalha atualmente, de modo a caracterizar os participantes do estudo; e, por fim, a terceira parte constitu&iacute;da por um pequeno texto acerca da tem&aacute;tica estudada, seguido de um conjunto de perguntas abertas. O texto tinha como principal objetivo tornar claro para os participantes alguns dos conceitos centrais deste estudo, nomeadamente, o de stress ocupacional (<i>distress </i>e <i>eustress</i>), os valores individuais e organizacionais e os principais valores que caracterizam o sistema prisional e os estabelecimentos prisionais portugueses &ndash; punir/vigiar e ressocializar (Cardoso, 2014; DGRSP, 2020). As perguntas abertas pretendiam explorar os valores pessoais e organizacionais que s&atilde;o reconhecidos pelos guardas prisionais e compreender, a partir da descri&ccedil;&atilde;o de situa&ccedil;&otilde;es concretas, o modo como os participantes percecionam a exist&ecirc;ncia de <i>P-O fit</i> e conflito de valores, e o impacto que tal tem no stress que por eles &eacute; vivenciado.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Procedimento</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os documentos consultados foram acedidos atrav&eacute;s da internet e a informa&ccedil;&atilde;o por eles fornecida mostrou-se relevante para a compreens&atilde;o do enquadramento legal e institucional da fun&ccedil;&atilde;o em estudo como referimos anteriormente. Com este conhecimento, e tendo em considera&ccedil;&atilde;o as caracter&iacute;sticas da popula&ccedil;&atilde;o e dos estabelecimentos prisionais, deu-se in&iacute;cio ao contacto com os guardas prisionais. Foi estabelecido o contacto formal com os participantes atrav&eacute;s de correio eletr&oacute;nico, a partir do qual lhes foi enviado um pedido de colabora&ccedil;&atilde;o; posteriormente, acordou-se o local e a hora das entrevistas. Uma vez que se pretendia ter uma amostra com guardas prisionais de estabelecimentos prisionais com diferentes n&iacute;veis de seguran&ccedil;a, algumas das entrevistas foram realizadas por videochamada, via <i>Skype</i>.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Antes de se iniciar a entrevista, apresentou-se, oralmente e por escrito, o objetivo do estudo, afirmando o car&aacute;ter confidencial e volunt&aacute;rio da participa&ccedil;&atilde;o, e a possibilidade de desist&ecirc;ncia a qualquer momento da entrevista. Os participantes tiveram igualmente a informa&ccedil;&atilde;o de que os dados iriam ser unicamente utilizados para fins de investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Os participantes preencheram um consentimento informado relativamente &agrave; sua participa&ccedil;&atilde;o no estudo e &agrave; autoriza&ccedil;&atilde;o para registo &aacute;udio das entrevistas.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>T&eacute;cnica de An&aacute;lise dos Dados</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Recolhidos os dados e validadas as entrevistas por todos os participantes, foi realizada uma pr&eacute;-an&aacute;lise do material recolhido atrav&eacute;s da sua leitura flutuante (Bardin, 2011). De seguida, procedeu-se &agrave; redu&ccedil;&atilde;o dos dados (Miles &amp; Huberman, 1994), recorrendo-se &agrave; an&aacute;lise de conte&uacute;do tem&aacute;tica (Bardin, 2011; Sampieri et al., 2014) que permite fazer uma descri&ccedil;&atilde;o e interpreta&ccedil;&atilde;o objetiva e organizada do conte&uacute;do de um grande volume de informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o estruturada (Bardin, 2011). Todo o material que constituiu o <i>corpus</i> de an&aacute;lise, documentos e transcri&ccedil;&otilde;es das entrevistas, foram inseridos no software de an&aacute;lise qualitativa<i> NVivo</i>, vers&atilde;o 11 (QRS), onde se procedeu &agrave; categoriza&ccedil;&atilde;o e &agrave; codifica&ccedil;&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es recolhidas de modo a ser efetuada a an&aacute;lise de conte&uacute;do tem&aacute;tica.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A fim de testar a consist&ecirc;ncia do sistema de categorias ao n&iacute;vel da clareza e da coer&ecirc;ncia das defini&ccedil;&otilde;es operacionais das categorias, procedeu-se &agrave; valida&ccedil;&atilde;o inter-codificadores. Deste modo, foi partilhado com outro investigador 10% do material a codificar, bem como o sistema de categorias, tendo-se alcan&ccedil;ado - usando a ferramenta <i>coding comparasion query </i>do software<i> NVivo -</i>, uma percentagem de concord&acirc;ncia de 96%, o que indica uma boa consist&ecirc;ncia do sistema de categorias e codifica&ccedil;&atilde;o (Miles &amp; Huberman, 1994).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESULTADOS E DISCUSS&Atilde;O</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Redu&ccedil;&atilde;o da Informa&ccedil;&atilde;o</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A informa&ccedil;&atilde;o foi tratada atrav&eacute;s do processo de codifica&ccedil;&atilde;o, o que implicou a cria&ccedil;&atilde;o de um sistema de categorias (Bardin, 2011) desenhado e concebido a partir dos temas emergentes da revis&atilde;o da literatura e das entrevistas &ndash; sistema de categorias criado a partir de uma l&oacute;gica dedutiva e indutiva (Bardin, 2011). Por forma a garantir a qualidade das categorias definidas, procurou-se que estas fossem exclusivas, homog&eacute;neas, pertinentes, objetivas e exaustivas (Bardin, 2011). No final, obteve-se um sistema com um total de 31 categorias: 10 categorias livres, as <i>Free Nodes</i>, e 21 categorias interligadas, as <i>Tree Nodes</i> (cf. Ap&ecirc;ndice). Estas, incluem 3 categorias gerais de primeiro n&iacute;vel e 18 subcategorias (6 de segundo n&iacute;vel, 10 de terceiro n&iacute;vel e 2 de quarto n&iacute;vel).&nbsp;</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Os valores pessoais e organizacionais reconhecidos pelos guardas prisionais</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Valores pessoais</b><i>. </i>A partir dos relatos dos participantes relativamente aos seus valores pessoais (c.f. <a href="/img/revistas/psi/v34n2/34n2a08t2.jpg">Tabela 2</a>), &eacute; poss&iacute;vel identificar dois padr&otilde;es de resposta distintos: um padr&atilde;o claramente punitivo representado pelo P04 e um padr&atilde;o misto (orienta&ccedil;&atilde;o punitiva e reabilitativa) representado pelos restantes participantes. Como tal, ao contr&aacute;rio do que a maioria da literatura fazia prever (Edward &amp; Cable, 2009), esses valores n&atilde;o se encontram necessariamente em extremos opostos de um continuum &ndash; puni&ccedil;&atilde;o vs. ressocializa&ccedil;&atilde;o (Zhang et al., 2018) -, mas formam dimens&otilde;es relativamente independentes que interagem entre si correspondendo ao preconizado pelo modelo de pluralidade de valores (Tetlock et al., 1996). Deste modo, &ldquo;valores aparentemente conflituosos, n&atilde;o s&atilde;o mutuamente exclusivos ou de natureza dicot&oacute;mica&rdquo;, podendo ser mantidos, simultaneamente, valores que aparentam ser contradit&oacute;rios e incompat&iacute;veis entre si, para a maioria dos indiv&iacute;duos (Zhang et al., 2018, p. 28).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O modelo do pluralismo de valores (Tetlock et al., 1996), tal como a teoria da disson&acirc;ncia cognitiva (Festinger, 1957), preconiza que quando os valores conflituosos s&atilde;o de import&acirc;ncia desigual, os indiv&iacute;duos tendem a negar o valor menos importante e refor&ccedil;ar o valor mais importante (Festinger, 1957; Tetlock et al., 1996) de modo a reduzir o desconforto derivado deste conflito interno, tal como &eacute; evidenciado em P02. Todavia, P03 valoriza igualmente a puni&ccedil;&atilde;o e a ressocializa&ccedil;&atilde;o. Nestas situa&ccedil;&otilde;es, este modelo refere que quando ambos os valores s&atilde;o de alta import&acirc;ncia, alguns indiv&iacute;duos podem usar um racioc&iacute;nio complexo integrador que os combina num n&iacute;vel superior (Tetlock et al., 1996). Neste sentido, os guardas prisionais podem n&atilde;o considerar a puni&ccedil;&atilde;o/vigil&acirc;ncia e ressocializa&ccedil;&atilde;o como valores incompat&iacute;veis e mutuamente exclusivos tendendo a considerar a ordem e a seguran&ccedil;a como fatores essenciais para a cria&ccedil;&atilde;o de um ambiente favor&aacute;vel &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o de um meio ben&eacute;fico e prop&iacute;cio &agrave; ado&ccedil;&atilde;o de um tratamento penitenci&aacute;rio favor&aacute;vel &agrave; ressocializa&ccedil;&atilde;o (Zhang et al., 2018), como &eacute; exemplificado por P08.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>Valores organizacionais. </b>Ao observar a <a href="/img/revistas/psi/v34n2/34n2a08t3.jpg">Tabela 3</a> verifica-se que os participantes distinguem dois tipos de valores organizacionais: os valores do sistema prisional em geral e os valores do seu estabelecimento prisional.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Segundo Butler et al. (2019), para a maioria dos guardas prisionais os valores do sistema prisional s&atilde;o mais abstratos e gerais do que servem para guiar o funcionamento dos estabelecimentos prisionais e socializar os novos guardas prisionais, o que &eacute; bem ilustrado por P01<i>&ldquo;Eu sei que os valores do sistema prisional em geral &eacute; castigar os reclusos que cometeram um crime e ao mesmo tempo dar-lhe as compet&ecirc;ncias e os meios necess&aacute;rios para que eles possam voltar a inserir-se na sociedade&rdquo;</i>. Como tal, os guardas prisionais tendem a encarar os valores do sistema prisional como valores te&oacute;ricos e os valores do estabelecimento prisional como valores pr&aacute;ticos, que traduzem a idiossincrasia de cada estabelecimento prisional (e.g. n&iacute;vel de seguran&ccedil;a e grau de complexidade de gest&atilde;o) e de quem ocupa os cargos de chefia (Cardoso, 2014). Exemplo disto s&atilde;o as afirma&ccedil;&otilde;es de P06 &ldquo;<i>Por isso &eacute; que eu acho que apesar de o sistema prisional ter como valores o punir e o ressocializar, depois o modo e o grau em que cada uma destas coisas &eacute; feita, acaba por variar consoante as caracter&iacute;sticas da pris&atilde;o e dos reclusos e tamb&eacute;m do pr&oacute;prio diretor e dos chefes&rdquo;</i>. Tornou-se, assim, necess&aacute;rio estabelecer duas categorias de terceiro n&iacute;vel que evidenciassem esta diferencia&ccedil;&atilde;o dos valores do estabelecimento prisional: valores impl&iacute;citos e valores expl&iacute;citos. Apresenta-se na <a href="/img/revistas/psi/v34n2/34n2a08t4.jpg">Tabela 4</a> algumas verbaliza&ccedil;&otilde;es relativas a estes dois tipos de valores.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Tal como referem Costa et al. (2017), verifica-se dentro da pris&atilde;o a exist&ecirc;ncia de uma estrutura interna com valores formais e informais, impl&iacute;cita, que se configura numa cultura particular capaz de promover a reabilita&ccedil;&atilde;o dos reclusos ou o refor&ccedil;o de uma orienta&ccedil;&atilde;o punitiva. No entanto, tamb&eacute;m se pode concluir que, na maioria dos estabelecimentos prisionais analisados, a pena tem cumprido apenas o seu car&aacute;ter retributivo, apenas impondo um castigo ao condenado, sem lhe proporcionar a sua recupera&ccedil;&atilde;o e consequente reinser&ccedil;&atilde;o social. Existe, ent&atilde;o, uma discrep&acirc;ncia entre os valores expl&iacute;citos dos estabelecimentos prisionais e os valores impl&iacute;citos dos mesmos. Tal poder&aacute; traduzir o problema de delega&ccedil;&atilde;o de autoridade identificado por Selznick (1949), caracter&iacute;stico de v&aacute;rias organiza&ccedil;&otilde;es com um modelo de gest&atilde;o burocr&aacute;tico. Tal leva a que a organiza&ccedil;&atilde;o burocr&aacute;tica se afaste cada vez mais dos valores formais da organiza&ccedil;&atilde;o, centrando-se nos valores informais dos subgrupos dos estabelecimentos prisionais, ou seja, no &ldquo;modelo do carcereiro&rdquo; (Pereira, 2011).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Perce&ccedil;&atilde;o de congru&ecirc;ncia de valores pelos guardas prisionais</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Ao observar a <a href="/img/revistas/psi/v34n2/34n2a08t5.jpg">Tabela 5</a>, verifica-se que a congru&ecirc;ncia de valores, tal como &eacute; percecionada pelos participantes deste estudo, pode manifestar-se atrav&eacute;s do <i>fit</i>, <i>misfit</i> e conflito de valores, de acordo com o modelo da congru&ecirc;ncia de valores proposto por Liedtka (1989).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Verifica-se uma predomin&acirc;ncia de <i>P-O fit</i> subjetivo (56%), comparativamente ao conflito de valores percecionado pelos guardas prisionais (44%). Tal poder&aacute; indicar que na amostra estudada os indiv&iacute;duos evidenciam um fit ligeiramente maior entre os seus valores pessoais e os valores da sua organiza&ccedil;&atilde;o do que conflito entre estes dois tipos de valores.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Perce&ccedil;&atilde;o de P-O fit subjetivo pelos guardas prisionais.</b> Tal como est&aacute; representado na <a href="/img/revistas/psi/v34n2/34n2a08t5.jpg">Tabela 5</a>, existe uma relativa superioridade de verbaliza&ccedil;&otilde;es relativas ao<i> Fit </i>(53%), comparativamente &agrave;s de<i> Misfit </i>(47%). Por outro lado, todos os participantes verbalizaram, em alguma altura, perce&ccedil;&otilde;es de <i>fit</i> entre os seus valores pessoais e os valores do seu estabelecimento prisional. Seria de esperar, tal como referem Lambert et al. (2019), que os guardas prisionais percecionassem <i>fit</i> quando os seus valores pessoais fossem similares aos valores do estabelecimento. Todavia, a maioria dos participantes acaba por percecionar o seu <i>P-O fit</i> de um modo distinto do que a maioria dos autores fazia prever (e.g. Edwards &amp; Cable, 2009), uma vez que, e tal como j&aacute; foi referido anteriormente, encaram os valores punir/vigiar e ressocializar como valores independentes (Butler et al., 2019). Tal leva a que estes possam percecionar um <i>fit</i> distinto para cada um destes valores, ou seja, &eacute; poss&iacute;vel que um guarda prisional percecione simultaneamente um elevado <i>fit</i> a n&iacute;vel da ressocializa&ccedil;&atilde;o e um elevado <i>misfit </i>a n&iacute;vel da puni&ccedil;&atilde;o ou vice-versa.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Por outro lado, ao n&iacute;vel do <i>misfit</i> subjetivo, sete dos oito participantes verbalizaram perce&ccedil;&otilde;es de <i>misfit </i>entre os seus valores pessoais e os valores organizacionais. Neste sentido, as verbaliza&ccedil;&otilde;es dos participantes v&atilde;o ao encontro do defendido por Ramos e Jord&atilde;o (2013) de que &ldquo;a falta de <i>fit</i> entre os valores individuais e organizacionais n&atilde;o &eacute; sin&oacute;nimo de <i>misfit</i> ou conflito&rdquo; (p. 17), uma vez que as diferen&ccedil;as cognitivas que se podem encontrar entre o <i>fit</i> e o <i>misfit</i> s&atilde;o categorias independentes e n&atilde;o necessariamente contradit&oacute;rias (Ramos &amp; Jord&atilde;o, 2013). Assim, e tal como o P04 refere (cf. <a href="/img/revistas/psi/v34n2/34n2a08t6.jpg">Tabela 6</a>), o indiv&iacute;duo pode sentir que existe uma fraca correspond&ecirc;ncia entre os seus valores e os da organiza&ccedil;&atilde;o, sem que tal signifique, obrigatoriamente, a perce&ccedil;&atilde;o de um conflito entre as partes (Ramos &amp; Jord&atilde;o, 2013). Desta forma, o <i>misfit</i> nos guardas prisionais, e tal como P07 esclarece, sucede quando os valores da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o apoiados pelo trabalhador, manifestando-se a partir de uma subordina&ccedil;&atilde;o dos valores pessoais dos guardas prisionais aos valores impl&iacute;citos do seu estabelecimento prisional. Tal, considerando Pereira (2011), pode dever-se ao facto de os estabelecimentos prisionais serem organiza&ccedil;&otilde;es altamente militarizadas e burocratizadas, fundamentadas, acima de tudo, no respeito pela hierarquia.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Perce&ccedil;&atilde;o de conflito pelos guardas prisionais entre os seus valores individuais e os valores organizacionais reconhecidos. </b>Ao contr&aacute;rio do que o modelo de congru&ecirc;ncia de valores de Liedtka (1989) defende, o conflito de valores percecionado pelos guardas prisionais entrevistados, n&atilde;o ocorre somente quando o trabalhador perceciona os valores pessoais e os valores organizacionais como contradit&oacute;rios, mas ocorre, igualmente, em situa&ccedil;&otilde;es em que os indiv&iacute;duos percecionam conflito entre o grau de puni&ccedil;&atilde;o/vigil&acirc;ncia e ressocializa&ccedil;&atilde;o que defendem, e o grau aplicado pela sua organiza&ccedil;&atilde;o (cf. <a href="/img/revistas/psi/v34n2/34n2a08t7.jpg">Tabela 7</a>).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Tais dados, v&ecirc;m mais uma vez, corroborar a pertin&ecirc;ncia da aplica&ccedil;&atilde;o do modelo da pluralidade de valores, que defende que os indiv&iacute;duos, tal como as organiza&ccedil;&otilde;es, podem perseguir, simultaneamente, valores aparentemente contradit&oacute;rios (Zhang et al., 2018). Assim, os valores individuais entram em conflito com os valores organizacionais, n&atilde;o s&oacute; por estes serem opostos entre si, mas tamb&eacute;m devido ao facto de os guardas prisionais percecionarem que o seu estabelecimento prisional n&atilde;o pune/vigia ou ressocializa os reclusos no grau que eles acreditam ser o mais indicado. Ao analisar as verbaliza&ccedil;&otilde;es da <a href="/img/revistas/psi/v34n2/34n2a08t7.jpg">Tabela 7</a>, verifica-se que um dos motivos pelos quais existe conflito de valores deve-se ao facto, e tal como P02 refere, de os guardas prisionais percecionarem um conflito entre os seus valores pessoais e os valores impl&iacute;citos e expl&iacute;citos da organiza&ccedil;&atilde;o.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Neste sentido, salienta-se que, na maioria dos casos, os participantes apenas percecionam um conflito entre os seus valores pessoais e os valores expl&iacute;citos do seu estabelecimento prisional em rela&ccedil;&atilde;o ao grau de puni&ccedil;&atilde;o/vigil&acirc;ncia e/ou ressocializa&ccedil;&atilde;o. Por outro lado, as verbaliza&ccedil;&otilde;es demonstram que os participantes tendem a percecionar conflito entre os seus valores pessoais e os valores impl&iacute;citos da sua organiza&ccedil;&atilde;o quando existe um confronto entre os seus valores individuais e os valores dos seus chefes &ndash; valores impl&iacute;citos.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Rela&ccedil;&atilde;o entre a congru&ecirc;ncia de valores e o stress vivenciado pelos guardas prisionais</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Analisando o papel da congru&ecirc;ncia de valores, entre os valores pessoais dos guardas prisionais e os valores da sua organiza&ccedil;&atilde;o, destaca-se o facto de esta vari&aacute;vel se ter assumido como um dos fatores que potenciam o stress ocupacional nesta fun&ccedil;&atilde;o (c.f. <a href="/img/revistas/psi/v34n2/34n2a08t8.jpg">Tabela 8</a>).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Tal tamb&eacute;m foi verificado em outros estudos (por ex. Edwards &amp; Cable, 2009; Ramos &amp; Jord&atilde;o, 2013), que demonstraram que o conflito de valores &eacute; um importante preditor de stress ocupacional. Por outro lado, &eacute; poss&iacute;vel verificar que existe mais verbaliza&ccedil;&otilde;es que associam o conflito de valores (58%) do que o <i>P-O fit</i> (42%) ao stress ocupacional. Assim, a partir dos resultados obtidos foi poss&iacute;vel esclarecer que o <i>fit</i> e o<i> misfit</i> entre os valores pessoais dos guardas e os valores do seu estabelecimento prisional s&atilde;o aspetos cognitivos independentes (Ramos &amp; Jord&atilde;o, 2013), e que a aus&ecirc;ncia de <i>fit</i> entre estes dois tipos de valores n&atilde;o &eacute; sin&oacute;nimo de conflito entre a organiza&ccedil;&atilde;o e o guarda prisional.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Rela&ccedil;&atilde;o entre o P-O fit subjetivo e o stress vivenciado pelos guardas prisionais. </b>Atrav&eacute;s das verbaliza&ccedil;&otilde;es apresentadas na <a href="/img/revistas/psi/v34n2/34n2a08t9.jpg">Tabela 9</a>, pode-se concluir que a perce&ccedil;&atilde;o de <i>P-O fit</i> leva a que os guardas prisionais percecionem menos <i>distress </i>e mais <i>eustress</i>.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Neste sentido, tal como proposto no modelo <i>P-E fit</i> (French et al., 1982), quando os valores do guarda prisional e os do seu estabelecimento prisional s&atilde;o similares surgem consequ&ecirc;ncias positivas para estes indiv&iacute;duos, nomeadamente menores n&iacute;veis de stress, uma vez que os guardas consideram que t&ecirc;m os recursos necess&aacute;rios para fazer face &agrave;s exig&ecirc;ncias da sua organiza&ccedil;&atilde;o (Edwards &amp; Cable, 2009). A partir dos dados obtidos, podemos admitir que os guardas prisionais capazes de compatibilizar os valores punir e ressocializar sejam mais eficientes a lidar com as exig&ecirc;ncias da organiza&ccedil;&atilde;o. Na verdade, estes trabalhadores podem resistir a este conflito de valores devido ao facto de acreditarem tanto na ressocializa&ccedil;&atilde;o como na puni&ccedil;&atilde;o/vigil&acirc;ncia, podendo, assim, ser capazes de gerir este potencial conflito de valores por n&atilde;o considerarem necessariamente a reabilita&ccedil;&atilde;o e puni&ccedil;&atilde;o como inerentemente incompat&iacute;veis, sendo capazes de encontrar significado e valor em ambos os aspetos do seu trabalho e, assim, ser menor o risco de experienciarem stress ocupacional (Zhang et al., 2018). Simultaneamente, o facto de os guardas prisionais deterem estes dois valores pode potenciar o aumento do interesse e da motiva&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores em rela&ccedil;&atilde;o ao seu trabalho, o que pode levar a que estes interpretem as exig&ecirc;ncias do seu trabalho como desafiantes e n&atilde;o limitativas, pelo que o indiv&iacute;duo se sente autoconfiante e motivado para ultrapassar as dificuldades. Tal &eacute; evidenciado por alguns participantes que verbalizaram experienciar um <i>&ldquo;stress bom&rdquo;</i> quando percecionam <i>P-O fit</i>. Neste sentido, os guardas prisionais podem considerar que este tipo de congru&ecirc;ncia de valores pode assumir uma forma positiva e ben&eacute;fica, representando uma condi&ccedil;&atilde;o de stress que &eacute; dinamizadora e que contribui para o seu progresso, constituindo, assim, uma fonte de <i>eustress</i> (Cardoso, 2014).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Por outro lado, a partir das verbaliza&ccedil;&otilde;es relativas ao papel do <i>misfit</i> na viv&ecirc;ncia do stress ocupacional pelos guardas prisionais, foi poss&iacute;vel constatar que este <i>misfit</i> n&atilde;o tem um papel preponderante na experi&ecirc;ncia de stress ocupacional por estes profissionais, uma vez que, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia este <i>misfit</i> ir&aacute; conduzir a um reajustamento de valores, normalmente por parte do trabalhador (Liedtka, 1989). Apesar de ainda n&atilde;o terem sido desenvolvidas teorias que expliquem o modo atrav&eacute;s do qual o<i> misfit</i> conduz a resultados distintos do <i>fit</i>, Ramos e Jord&atilde;o (2013) reconhecem que &eacute; poss&iacute;vel estarem associados ao <i>misfit</i> um conjunto de processos psicol&oacute;gicos distintos dos relacionados com o <i>fit.</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Rela&ccedil;&atilde;o entre o conflito de valores e o stress vivenciado pelos guardas prisionais. </b>A partir das verbaliza&ccedil;&otilde;es da <a href="/img/revistas/psi/v34n2/34n2a08t10.jpg">Tabela 10</a> &eacute; poss&iacute;vel verificar que o conflito de valores tem um papel preponderante na viv&ecirc;ncia negativa do stress ocupacional pelos guardas prisionais.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Estas evid&ecirc;ncias confirmam que o impacto negativo da congru&ecirc;ncia de valores se manifesta a partir do conflito entre os valores individuais e os valores organizacionais (Ramos &amp; Jord&atilde;o, 2013). Tal como Edwards e Cable (2009) defendem, o facto de o trabalhador percecionar que n&atilde;o tem os recursos necess&aacute;rios para fazer face &agrave;s exig&ecirc;ncias que adv&ecirc;m deste conflito de valores, leva a resultados negativos, nomeadamente ao <i>distress</i>. Uma explica&ccedil;&atilde;o mais detalhada pode ser encontrada na teoria da disson&acirc;ncia cognitiva (Festinger, 1957). Assim, se um guarda prisional apoiar convictamente ambos os tipos de valores &ndash; punir/vigiar e ressocializar -, e considerar que no seu dia a dia de trabalho a sua organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o lhe permite p&ocirc;r em pr&aacute;tica as suas cren&ccedil;as, provavelmente tender&aacute; a sentir-se inconsistente e hip&oacute;crita. Tal causar-lhe-&aacute; disson&acirc;ncia cognitiva, que, por sua vez, gera tens&atilde;o. Como tal, estes profissionais ir&atilde;o experienciar <i>distress,</i> pois consideram que n&atilde;o possuem os recursos psicol&oacute;gicos necess&aacute;rios para lidar com esta disson&acirc;ncia.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Salienta-se ainda o facto de os participantes terem percecionado um <i>distress</i> maior nas situa&ccedil;&otilde;es em que os seus valores pessoais colidiam n&atilde;o com os valores expl&iacute;citos da sua organiza&ccedil;&atilde;o, mas antes com os valores impl&iacute;citos da mesma. Tal &eacute; particularmente evidente nas verbaliza&ccedil;&otilde;es do P08 que refere que o <i>&ldquo;real fator de stress&rdquo; </i>dos guardas prisionais adv&eacute;m do conflito entre os seus valores pessoais e os valores dos seus superiores, uma vez que os guardas prisionais consideram que os seus superiores imediatos t&ecirc;m uma postura de lideran&ccedil;a desadequada (Arruda, 2013; Cardoso, 2014).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Finalmente, o conflito no grau de puni&ccedil;&atilde;o/vigil&acirc;ncia e ressocializa&ccedil;&atilde;o tende a ser reportado pela maioria dos participantes como menos problem&aacute;tico que a perce&ccedil;&atilde;o de conflito entre estes dois tipos de valores. Neste sentido, os participantes referem que ao longo do tempo se foram adaptando a estas situa&ccedil;&otilde;es e que, atualmente, j&aacute; disp&otilde;em de mais recursos para lidar com esta incompatibilidade. No entanto, &eacute; percet&iacute;vel nas verbaliza&ccedil;&otilde;es destes guardas prisionais uma demarcada desmotiva&ccedil;&atilde;o, uma vez que n&atilde;o conseguem atuar como punidor/vigilante e/ou ressocializador no grau que acreditam ser o correto. Assim, e de modo a lidar com a tens&atilde;o que adv&eacute;m deste conflito, evidenciam descomprometimento organizacional, enquanto mecanismo de defesa (Lambert et al. 2019). Por outro lado, e tal como defendem Lazarus e Folkman (1984), uma vez que a for&ccedil;a dos stressores depende maioritariamente do modo como a pessoa os valoriza, &eacute; poss&iacute;vel que o facto de os guardas prisionais percecionarem este tipo de conflito como menos grave do que o conflito derivado da exist&ecirc;ncia de dois sistemas de valores opostos (individuais vs. organizacionais), leva a que estes n&atilde;o encarem o primeiro como um fator de stress t&atilde;o preponderante para a viv&ecirc;ncia do stress ocupacional como o conflito punir/vigiar e ressocializar, uma vez que este n&atilde;o p&otilde;e em causa a sua autoidentidade (Lambert et al., 2019).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>CONCLUS&Otilde;ES</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os tr&ecirc;s principais resultados deste estudo encontram-se esquematizados na <a href="/img/revistas/psi/v34n2/34n2a08f1.jpg">Figura 1</a>.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Assim, e em primeiro lugar, este estudo permitiu esclarecer que os valores punir/vigiar e ressocializar, ao contr&aacute;rio do que a maioria da literatura organizacional e social fazia prever (Festinger, 1957; Zhang et al., 2018), s&atilde;o encarados pela maioria dos participantes como dimens&otilde;es relativamente independentes que interagem entre si (Zhang et al., 2018). Torna-se, assim, necess&aacute;rio analisar os valores dos participantes com base no modelo do pluralismo de valores (Tetlock et al., 1996), de modo a ter uma vis&atilde;o aprofundada acerca dos valores individuais reconhecidos pelos guardas prisionais. De facto, a maioria dos guardas prisionais consideram deter estes dois tipos de valores, o que, na maioria dos casos, facilita o seu trabalho. Isto levanta uma quest&atilde;o acerca da defini&ccedil;&atilde;o de valores conflituosos: estar&atilde;o estes valores, realmente, em conflito se a maioria dos indiv&iacute;duos n&atilde;o os encara como tal e, consequentemente, pode apoiar ambos? Tal poder&aacute; ter implica&ccedil;&otilde;es na literatura organizacional que, muitas vezes, assume uma natureza demasiado simplista dos valores, analisando-os como valores conflituosos, com o objetivo de facilitar o estudo desta vari&aacute;vel.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Em segundo lugar, os nossos resultados corroboram as ideias propostas por Ramos e Jord&atilde;o (2013) e pelo modelo da congru&ecirc;ncia de valores (Liedtka, 1989), uma vez que a congru&ecirc;ncia de valores pode manifestar-se atrav&eacute;s do <i>fit</i>, <i>misfit</i> e conflito de valores. Assim, uma vez que estes tr&ecirc;s conceitos s&atilde;o independentes, a aus&ecirc;ncia de <i>fit</i> n&atilde;o &eacute; indicador de conflito de valores, pois como os nossos resultados demonstraram, n&atilde;o s&oacute; estas vari&aacute;veis n&atilde;o correspondem ao mesmo fen&oacute;meno (Ramos &amp; Jord&atilde;o, 2013), como tamb&eacute;m os pr&oacute;prios participantes as interpretam como fen&oacute;menos distintos que t&ecirc;m um impacto diferenciado no seu bem-estar e, consequentemente, no tipo de stress ocupacional vivenciado.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Finalmente, importa salientar o facto de os participantes deste estudo verbalizarem dois tipos distintos de conflito: o conflito entre os valores pessoais e os valores organizacionais (punir/vigiar e ressocializar), e o conflito entre o grau em que os guardas prisionais consideram que os reclusos deveriam ser punidos/vigiados e ressocializados e o grau de puni&ccedil;&atilde;o/vigil&acirc;ncia e ressocializa&ccedil;&atilde;o aplicado pelo seu estabelecimento prisional. Se o primeiro tipo de conflito aparece frequentemente na literatura (Arruda; 2013; Lambert et al., 2019), at&eacute; &agrave; data n&atilde;o foram encontrados estudos que evidenciassem a exist&ecirc;ncia deste segundo g&eacute;nero de conflito. Apesar de o conflito punir/vigiar e ressocializar ter, na opini&atilde;o dos participantes, um impacto negativo muito maior no stress ocupacional percecionado n&atilde;o se deve menosprezar o impacto que o conflito no grau de puni&ccedil;&atilde;o/vigil&acirc;ncia e ressocializa&ccedil;&atilde;o tem no bem-estar destes profissionais, especialmente porque este tipo de conflito parece conduzir ao descomprometimento organizacional, o qual parece ter uma fun&ccedil;&atilde;o moderadora na viv&ecirc;ncia do stress (Butler et al., 2019).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>LIMITA&Ccedil;&Otilde;ES DO ESTUDO E PISTAS PARA FUTURAS INVESTIGA&Ccedil;&Otilde;ES</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os resultados por n&oacute;s encontrados devem ser lidos considerando algumas limita&ccedil;&otilde;es. Em primeiro lugar, aponta-se o facto de a vari&aacute;vel &ldquo;valores&rdquo; ser uma vari&aacute;vel dif&iacute;cil de estudar, especialmente quando utilizada uma metodologia qualitativa, uma vez que existe o risco de as respostas dos participantes estarem enviesadas por m&aacute; interpreta&ccedil;&atilde;o do conceito ou at&eacute; por alguma confus&atilde;o com outros conceitos similares, nomeadamente as atitudes (Schein, 2010). Por outro lado, &eacute; poss&iacute;vel que possa ter havido alguns enviesamentos, tanto por parte dos participantes como das investigadoras na identifica&ccedil;&atilde;o dos valores organizacionais impl&iacute;citos e expl&iacute;citos. Salienta-se, assim, que as t&eacute;cnicas utilizadas para o reconhecimento dos valores, na perspetiva dos guardas prisionais, s&atilde;o insuficientes para caracterizar e analisar a cultura de cada um dos estabelecimentos prisionais investigados. Paralelamente, e ainda em rela&ccedil;&atilde;o a esta quest&atilde;o, os participantes podem ter respondido segundo o crit&eacute;rio da desejabilidade social, que poder&aacute; ter sido potenciado pelo texto introdut&oacute;rio, inclu&iacute;do na terceira parte do gui&atilde;o.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Ainda dentro da tem&aacute;tica dos valores, e face aos resultados obtidos acerca da natureza dos valores conflituosos, seria importante desenvolver mais estudos que analisassem a possibilidade de, e ao contr&aacute;rio do que uma grande parte dos autores defende (Festinger, 1957; Zhang et al., 2018), as pessoas serem capazes de apoiar, simultaneamente, valores aparentemente conflituosos e viver com uma certa dose de disson&acirc;ncia cognitiva. Tal poderia ser uma mais-valia para compreender melhor as perce&ccedil;&otilde;es de congru&ecirc;ncia de valores e de stress ocupacional numa s&eacute;rie de profiss&otilde;es que diariamente lidam com valores conflituosos.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Por &uacute;ltimo, ressalva-se o facto de os participantes considerarem que a profiss&atilde;o de guarda prisional, apesar de ser uma das mais stressantes do mundo (Afonso e Gomes, 2009; Gon&ccedil;alo et al., 2010; Moreira, 2016; Roseira, 2017), ser uma das fun&ccedil;&otilde;es mais negligenciadas ao n&iacute;vel da investiga&ccedil;&atilde;o nacional (Cardoso, 2014; Costa et al., 2017; Roseira, 2017). Como tal, a partir das entrevistas realizadas e da an&aacute;lise dos <i>free nodes</i>, foram identificados uma s&eacute;rie de outros fatores potenciadores de stress - as m&aacute;s condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, a rela&ccedil;&atilde;o com os reclusos, colegas e chefia, hor&aacute;rios por turnos, sobrelota&ccedil;&atilde;o das pris&otilde;es (que gera sentimentos de inseguran&ccedil;a) &ndash; que deveriam merecer a aten&ccedil;&atilde;o dos investigadores portugueses especialmente quando considerados alguns dos acontecimentos recentes ocorridos nos estabelecimentos prisionais (e.g. fuga de reclusos, greves, agress&otilde;es). Por outro lado, a an&aacute;lise dos <i>free nodes</i> permitiu n&atilde;o s&oacute; compreender que existe um conjunto de barreiras que dificultam o sucesso do processo de ressocializa&ccedil;&atilde;o e/ou vigil&acirc;ncia/puni&ccedil;&atilde;o dos reclusos, como tamb&eacute;m evidenciou que as caracter&iacute;sticas sociodemogr&aacute;ficas aparentam ser um dos fatores que podem moderar a viv&ecirc;ncia do conflito de valores e stress ocupacional pelos guardas prisionais. Neste sentido, a partir das verbaliza&ccedil;&otilde;es dos participantes, emerge a perspetiva de que os indiv&iacute;duos do sexo feminino, mais novos e/ou com menos anos de servi&ccedil;o tendem a relatar maiores dificuldades em lidar com o conflito entre os seus valores pessoais e os valores da sua organiza&ccedil;&atilde;o, evidenciando maiores n&iacute;veis de stress ocupacional; enquanto indiv&iacute;duos do sexo masculino, mais velhos e/ou com mais anos de servi&ccedil;o tendem a evidenciar menores n&iacute;veis de stress ocupacional uma vez que tendem a aceitar e/ou desvalorizar o conflito de valores vivenciado. Por outro lado, os guardas prisionais que trabalham em estabelecimentos prisionais com n&iacute;veis de seguran&ccedil;a mais elevados tendem a percecionar menor conflito de valores, e logo menos distress, do que os guardas prisionais que exercem a sua profiss&atilde;o em pris&otilde;es com n&iacute;veis de seguran&ccedil;a mais baixos.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Tais dados parecem ser uma mais-valia para compreender mais aprofundadamente os motivos pelos quais muitos guardas prisionais &ldquo;entram nas suas carreiras com elevadas expectativas, motiva&ccedil;&atilde;o e investimento pessoal e sentem-se futuramente defraudados nos seus objetivos e valores&rdquo; (Cardoso, 2014, p.15). Como tal, consideramos que seria importante desenvolver mais estudos que analisassem o impacto destas vari&aacute;veis no bem-estar dos guardas prisionais, nomeadamente, na viv&ecirc;ncia do stress ocupacional e perce&ccedil;&atilde;o de &ldquo;satisfa&ccedil;&atilde;o no trabalho&rdquo;.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">De uma forma geral, este estudo alerta para a import&acirc;ncia de se realizarem investiga&ccedil;&otilde;es no &acirc;mbito da cultura organizacional, pois, tal como afirma Schein (2010), esta &eacute; baseada em assun&ccedil;&otilde;es relacionadas com as cren&ccedil;as e valores dos seus membros acerca de como a organiza&ccedil;&atilde;o funciona, afetando todo o sistema de estrat&eacute;gias organizacionais, processos e comportamentos.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">J&aacute; no caso do sistema e estabelecimentos prisionais, os resultados apresentados abrem perspetivas e suscitam outras investiga&ccedil;&otilde;es que nos permitam efetuar uma an&aacute;lise profunda do sistema tendo em vista a sua melhoria com o objetivo de providenciar as condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias a fim de evitar a reincid&ecirc;ncia criminal. Neste sentido, e de modo a alcan&ccedil;ar a adapta&ccedil;&atilde;o, educa&ccedil;&atilde;o e humaniza&ccedil;&atilde;o do Sistema Prisional que tanto almejamos, consideramos que seria importante desenvolver estudos que (re)analisassem a a&ccedil;&atilde;o profissional dos Dirigentes dos EP&acute;s e das Chefias do Corpo da Guarda Prisional; as necessidades formativas do Corpo da Guarda Prisional; especializa&ccedil;&otilde;es na miss&atilde;o do Corpo da Guarda Prisional; o Circuito de Informa&ccedil;&atilde;o na DGRSP; as vantagens a n&iacute;vel de organiza&ccedil;&atilde;o hier&aacute;rquica com a cria&ccedil;&atilde;o de um Comando &Uacute;nico para o Corpo da Guarda Prisional; e a dimens&atilde;o social da profiss&atilde;o de Guarda Prisional do ponto de vista da pr&oacute;pria sociedade.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os valores s&atilde;o o n&uacute;cleo do que as pessoas s&atilde;o. Estes influenciam as suas escolhas, em quem confiam, a quem respondem e o modo como investem o seu tempo e energia. Os valores s&atilde;o um elemento cr&iacute;tico da cultura organizacional, tendo impacto tanto no desempenho individual como organizacional (Schein, 2010). Hoje em dia, os valores come&ccedil;am a assumir uma import&acirc;ncia cada vez maior nas organiza&ccedil;&otilde;es, uma vez que os valores partilhados surgem como uma vantagem competitiva (Isenhardt et al., 2019). Os novos trabalhadores da gera&ccedil;&atilde;o atual j&aacute; n&atilde;o se juntam &ldquo;&agrave;s cegas&rdquo; a uma organiza&ccedil;&atilde;o. Tal &eacute; particularmente evidente nos relatos dos participantes mais jovens, que al&eacute;m de um sal&aacute;rio, procuram uma sensa&ccedil;&atilde;o de significado no seu trabalho. Esperam sentir-se confort&aacute;veis com os valores da sua organiza&ccedil;&atilde;o. Querem uma sensa&ccedil;&atilde;o de vincula&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica e se n&atilde;o a encontrarem s&atilde;o capazes de procurar noutro s&iacute;tio (Ramos &amp; Jord&atilde;o, 2013). No entanto, ser&aacute; que isto se aplica &agrave; conjuntura atual das pris&otilde;es? N&atilde;o estar&atilde;o os jovens a juntar-se a uma organiza&ccedil;&atilde;o precisamente porque precisam de emprego e de uma componente monet&aacute;ria para sobreviver, esquecendo a parte da congru&ecirc;ncia entre valores? Muitos dos guardas prisionais, especialmente os que detinham o grau acad&eacute;mico de licenciado, explicitaram que ingressaram nesta profiss&atilde;o porque n&atilde;o conseguiram encontrar emprego na sua &aacute;rea de forma&ccedil;&atilde;o. Se tal se verificar, uma eventual incongru&ecirc;ncia de valores ir&aacute; trazer consequ&ecirc;ncias negativas para o bem-estar do indiv&iacute;duo, incluindo uma maior propens&atilde;o para vivenciar stress ocupacional, tal como foi evidenciado neste e noutros estudos. Esta investiga&ccedil;&atilde;o permite, ent&atilde;o, alertar para a import&acirc;ncia de os estabelecimentos prisionais terem guardas cujos valores v&atilde;o ao encontro dos valores organizacionais, j&aacute; que, para al&eacute;m de esta congru&ecirc;ncia ter vantagens competitivas, est&aacute; tamb&eacute;m associada a uma menor perce&ccedil;&atilde;o de stress ocupacional &ndash; o qual, como se sabe, tamb&eacute;m tem custos para a organiza&ccedil;&atilde;o e para a sociedade.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Assim, os resultados deste estudo destacam a import&acirc;ncia desta congru&ecirc;ncia de valores, nos processos de recrutamento, sele&ccedil;&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o, uma vez que o processo de sele&ccedil;&atilde;o permite &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es localizar pessoas que compartilham dos seus valores e o processo de integra&ccedil;&atilde;o constitui uma forma de moldar os valores individuais, alinh&aacute;-los com os valores organizacionais e diminuir poss&iacute;veis conflitos derivados das diferentes perce&ccedil;&otilde;es da realidade da organiza&ccedil;&atilde;o (Roseira, 2017). Neste sentido, os processos de socializa&ccedil;&atilde;o anteriormente referidos assumem particular import&acirc;ncia em indiv&iacute;duos que ir&atilde;o assumir posi&ccedil;&otilde;es de chefias, pois s&oacute; assim &eacute; poss&iacute;vel garantir que os indiv&iacute;duos de n&iacute;veis hierarquicamente superiores abandonem, definitivamente, o &ldquo;modelo do guarda prisional carcereiro&rdquo; (Pereira, 2011, p. 38) e defendam o potencial ressocializador da pris&atilde;o. Uma vez que a progress&atilde;o na carreira de guarda prisional ocorre atrav&eacute;s da antiguidade na categoria (Santos, 2010), torna-se, assim, necess&aacute;rio repensar todo este processo de progress&atilde;o, de modo a garantir que os indiv&iacute;duos que chegam &agrave; categoria de chefe compartilham dos valores expl&iacute;citos do seu estabelecimento prisional.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Por outro lado, o guarda tem um desenvolvimento pessoal pr&oacute;prio que deve ser compat&iacute;vel com o restante grupo profissional, mas ser&aacute; espect&aacute;vel que um conjunto de pessoas atuem da mesma forma, apenas porque receberam a mesma forma&ccedil;&atilde;o? Assistimos a uma nova dimens&atilde;o: um profissional que foi formado, sabe o seu papel dentro do sistema prisional, mas age com base na sua identidade e, simultaneamente, constr&oacute;i-se um ser solit&aacute;rio que muitas vezes &eacute; posto de lado pelo seu grupo profissional &ldquo;por remar contra a mar&eacute;&rdquo; (P03) ou &ldquo;ir contra os valores arcaicos do sistema&rdquo; (P06). Isto tem um impacto tremendo quer no seu bem-estar, como, inevitavelmente, no pr&oacute;prio funcionamento do sistema prisional. S&oacute; assim, podemos almejar a humaniza&ccedil;&atilde;o do sistema prisional portugu&ecirc;s, que continua a ser, ano ap&oacute;s ano, um fator preocupante para o Comit&eacute; da ONU contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cru&eacute;is, Desumanos ou Degradantes (Costa et al.,2017).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Esta &eacute; uma profiss&atilde;o de sentidos que influenciam na tomada de decis&atilde;o dentro de uma mescla de tarefas a que o exerc&iacute;cio da fun&ccedil;&atilde;o o obriga. A pan&oacute;plia de tarefas de um guarda prisional revela a import&acirc;ncia de uma aprendizagem diversificada, evidencia a import&acirc;ncia do saber escolher, do saber gerir estrat&eacute;gias, que perante situa&ccedil;&otilde;es id&ecirc;nticas culminem numa tomada de decis&atilde;o de forma id&ecirc;ntica entre o grupo de guardas prisionais. Todavia, parece n&atilde;o haver preocupa&ccedil;&atilde;o da parte das entidades respons&aacute;veis no estudo e na poss&iacute;vel mudan&ccedil;a que poder&aacute; ser requerida nos seus corpos de interven&ccedil;&atilde;o. Sendo o guarda prisional o elemento mais pr&oacute;ximo do recluso, &eacute; de extrema import&acirc;ncia analisar as suas atitudes e os seus comportamentos, avaliando a sua componente relacional, concluindo se vai de encontro - ou n&atilde;o -, do que prima nos objetivos do sistema prisional e do seu c&oacute;digo de execu&ccedil;&atilde;o de penal e medidas privativas da liberdade. Caso tal n&atilde;o aconte&ccedil;a, o car&aacute;cter ressocializador das pris&otilde;es n&atilde;o passar&aacute;, para j&aacute;, de uma utopia.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Uma vez que a &ldquo;satisfa&ccedil;&atilde;o no trabalho&rdquo;, apontada como um dos maiores fatores preditivos de stress nesta profiss&atilde;o, &eacute; uma atitude que resulta da avalia&ccedil;&atilde;o que periodicamente cada trabalhador faz relativamente ao grau de realiza&ccedil;&atilde;o dos seus valores, necessidades, prefer&ecirc;ncias e expetativas profissionais (Costa et al., 2017), dando seguimento a esta linha de investiga&ccedil;&atilde;o estar-se-&aacute; a contribuir para que a Psicologia Organizacional continue a fazer jus ao desafio a que se prop&otilde;e &ndash; &ldquo;a busca do trabalhador feliz/produtivo &ndash;, um objetivo que pode ser alcan&ccedil;ado se incrementarmos fortemente o nosso conhecimento acerca das atitudes, comportamentos e valores dos trabalhadores&rdquo; (Arruda, 2013, p. 50).</font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Arruda, P. F. M. (2013). <i>Stress, burnout e estrat&eacute;gias de coping nos guardas prisionais da Regi&atilde;o Aut&oacute;noma dos A&ccedil;ores</i> (Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado n&atilde;o publicada). Universidade dos A&ccedil;ores.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=514899&pid=S0874-2049202000020000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Afonso, J., &amp; Gomes, R. (2009) Stress Ocupacional em Profissionais de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica &ndash; Um estudo com militares da GNR. P<i>sicologia: Reflex&atilde;o e Cr&iacute;tica</i>, <i>22</i>(2), 294-303. <a href="https://doi.org/10.1590/S0102-79722009000200017" target="_blank">https://doi.org/10.1590/S0102-79722009000200017</a></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Bardin, L. (2011). <i>An&aacute;lise de conte&uacute;do</i>. Edi&ccedil;&otilde;es 70, Lda.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=514902&pid=S0874-2049202000020000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Bloor, M. &amp; Wood, F. (2006). <i>Keywords in Qualitative Research: A Vocabulary of Research Concepts</i>. Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=514904&pid=S0874-2049202000020000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Butler,D., Tasca, M., Zhang, Y. &amp; Carpenter, C. (2019). A systematic and meta-analytic review of the literature on correctional officers: Identifying new avenues for research.&nbsp;<i>Journal of Criminal Justice</i>, <i>60</i>(1), 84-92. <a href="https://doi.org/10.1016/j.jcrimjus.2018.12.002" target="_blank">https://doi.org/10.1016/j.jcrimjus.2018.12.002</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=514906&pid=S0874-2049202000020000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="Verdana" size="2">Cardoso, C. (2014). <i>Guardas Prisionais &ldquo;Presos&rdquo; ao Burnout: Estudo Comparativo entre EP.s de Alta e M&eacute;dia Seguran&ccedil;a, com Elevado e M&eacute;dio Grau de Complexidade de Gest&atilde;o</i> (Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado n&atilde;o publicada). Universidade Lus&oacute;fona do Porto.</font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Coelho, C. (2008).<i> Atitudes de Guardas Prisionais Relativamente a Contactos Sexuais Entre Reclusos e &agrave; Sua Preven&ccedil;&atilde;o </i>(Disserta&ccedil;&atilde;o Mestrado n&atilde;o publicada). Universidade do Minho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=514908&pid=S0874-2049202000020000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Cooper, C. L., &amp; Marshall, J. (1976). Occupational sources of stress: A review of the literature relating to coronary heart disease and mental ill health. <i>Journal of Occupational Psychology</i>, <i>49</i>(1), 11-28. <a href="https://doi.org/10.1111/j.2044-8325.1976.tb00325.x" target="_blank">https://doi.org/10.1111/j.2044-8325.1976.tb00325.x</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=514910&pid=S0874-2049202000020000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="Verdana" size="2">Costa, V., Monteiro, S., Esgalhado, &amp; Pereira, H. (2017). Investiga&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica em contexto prisional portugu&ecirc;s: Uma revis&atilde;o sistem&aacute;tica da literatura e desafios futuros para a investiga&ccedil;&atilde;o. <i>Psicologia</i>, <i>31</i>(1), 49&ndash;58. <a href="http://dx.doi.org/10.17575/rpsicol.v31i1.1238." target="_blank">http://dx.doi.org/10.17575/rpsicol.v31i1.1238.</a></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Cunha, I. (1996<i>). O corpo reclu&iacute;do: controlo e resist&ecirc;ncia numa pris&atilde;o feminina.</i> Celta Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=514912&pid=S0874-2049202000020000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Dire&ccedil;&atilde;o Geral da Reinser&ccedil;&atilde;o e dos Servi&ccedil;os Prisionais (2020). <i>Portal da Dire&ccedil;&atilde;o Geral da Reinser&ccedil;&atilde;o e dos Servi&ccedil;os Prisionais</i>. Acedido a abril, 9 de 2020 em <a href="https://dgrsp.justica.gov.pt/" target="_blank">https://dgrsp.justica.gov.pt/</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=514914&pid=S0874-2049202000020000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Edwards, J. R., &amp; Cable, D. A. (2009). The value of value congruence. <i>Journal of Applied Psychology</i>, <i>94</i>(3), 654-677. <a href="https://doi.org/10.1037/a0014891" target="_blank">https://doi.org/10.1037/a0014891</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=514915&pid=S0874-2049202000020000800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Festinger L. (1957). <i>A theory of cognitive dissonance</i>. Row &amp; Peterson.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=514916&pid=S0874-2049202000020000800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">French, J. R., Caplan, R. D., &amp; Harrison, R. V. (1982). <i>The mechanisms of job stress and strain</i>. Wiley.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=514918&pid=S0874-2049202000020000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Gon&ccedil;alo, H., Gomes R. Barbosa, F., &amp; Afonso J. (2010). Stresse ocupacional em for&ccedil;as de seguran&ccedil;a: Um estudo comparativo (vers&atilde;o electr&oacute;nica). <i>An&aacute;lise Psicol&oacute;gica</i>, <i>28</i>, 165-178. <a href="https://doi.org/10.1590/S0104-12902013000300005" target="_blank">https://doi.org/10.1590/S0104-12902013000300005</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=514920&pid=S0874-2049202000020000800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Gon&ccedil;alves, R. A. &amp; Vieira, S. (2005). Atitudes face aos reclusos em guardas prisionais: implica&ccedil;&otilde;es para a forma&ccedil;&atilde;o do pessoal penitenci&aacute;rio. <i>Temas Penitenci&aacute;rios</i>, <i>3</i>(1), 23-28.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=514921&pid=S0874-2049202000020000800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Isenhardt, A., Hostettler, U., &amp; Ramseier, E. (2019). Effects of Social Relations at Work and Support From Family and Friends on the Consequences of Inmate Violence on Correctional Staff Burnout. <i>Criminal Justice and Behaviour</i>, <i>46</i>(10), 1-22. <a href="https://doi.org/10.1177/0093854819846529" target="_blank">https://doi.org/10.1177/0093854819846529</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=514923&pid=S0874-2049202000020000800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Lambert, E., Keena,Haynes, S., May, D., Ricciardelli, R., &amp; Leone, M. (2019). Testing a path model of organizational justice and correctional staff job stress among southern correctional staff. <i>Criminal Justice and Behaviour</i>, <i>46</i>(10), 1-18. <a href="https://doi.org/10.1177/0093854819843336" target="_blank">https://doi.org/10.1177/0093854819843336</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=514924&pid=S0874-2049202000020000800018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Lazarus, R. S., &amp; Folkman, S. (1984). <i>Stress, appraisal, and coping</i>. Springer.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=514925&pid=S0874-2049202000020000800019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Liedtka, J. M. (1989). Value congruence: The interplay of individual and organizational value systems. <i>Journal of Business Ethics, 8</i>(10), 805&ndash;815. <a href="https://doi.org/10.1007/bf00383780" target="_blank">https://doi.org/10.1007/bf00383780</a></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Miles, M. B., &amp; Huberman, A. M. (1994). <i>Qualitative data analysis</i>.SAGE Publications, Inc.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=514928&pid=S0874-2049202000020000800021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Moreira, C. D. F. (2016). <i>Guarda prisional: For&ccedil;a de seguran&ccedil;a ou agente de ressocializa&ccedil;&atilde;o </i>(Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado n&atilde;o publicada). Universidade Nova de Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=514930&pid=S0874-2049202000020000800022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Patton, M. Q. (2015). <i>Qualitative research and evaluation methods. Integrating theory and practice</i> (4<sup>th</sup> Ed.)<i>. </i>Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=514932&pid=S0874-2049202000020000800023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Pereira, J. (2011). <i>Ser guarda prisional o informal na forma&ccedil;&atilde;o das identidades profissionais dos guardas prisionais</i> (Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado n&atilde;o publicada). Universidade do Porto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=514934&pid=S0874-2049202000020000800024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Ramos, V., &amp; Jord&atilde;o, F. (2013). Are public workers more stressed than private workers? The relationship between work stress and value congruence. <i>Psychology Research</i>, <i>3</i>(7), 396-408. <a href="https://doi.org/10.17265/2159-5542/2013.07.005" target="_blank">https://doi.org/10.17265/2159-5542/2013.07.005</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=514936&pid=S0874-2049202000020000800025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="Verdana" size="2">Roseira, A.P. (2017). O estigma na vida pessoal do guarda prisional. <i>Configura&ccedil;&otilde;es Revista de Sociologia</i>, <i>20</i>, 93&ndash;108. <a href="https://doi.org/10.4000/configuracoes.4228" target="_blank">https://doi.org/10.4000/configuracoes.4228</a></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Sampieri, R. H., Collado, C. F., &amp; Lucio, P. B. (2014). <i>Metodolog&iacute;a de la Investigaci&oacute;n</i> (6&ordf; Ed.). McGraw-Hill/Interamericana Editores, S. A. de C. V.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=514938&pid=S0874-2049202000020000800027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">&nbsp;Santos, M.H. (2010); <i>Agente penitenci&aacute;rio: trabalho no c&aacute;rcere</i> (Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado n&atilde;o publicada). Universidade Federal do Rio Grande do Norte.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=514940&pid=S0874-2049202000020000800028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Schein, E. H. (2010). Organizational Culture and Leadership (4th Ed.). Jossey-Bass A Wiley Imprint.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=514942&pid=S0874-2049202000020000800029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Schiff, M. &amp; Leip, L. (2019). The impact of job expectations, workload, and autonomy on work- related stress among prison wardens in the United States. <i>Criminal Justice and Behaviour</i>, <i>46</i>(1), 136&ndash;153. <a href="https://doi.org/10.1177/0093854818802876" target="_blank">https://doi.org/10.1177/0093854818802876</a></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Tetlock, P. E., Peterson, R. S., &amp; Lerner, J. S. (1996). Revising the value pluralism model: Incorporating social content and context postulates. In C. Seligman, J. Olson, &amp; M. Zanna (Eds.), <i>The Psychology of Values: The Ontario Symposium </i>(Vol.8, pp.25-51). Erlbaum.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=514945&pid=S0874-2049202000020000800031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Trounson, J., Pfeifer, E., &amp; Skues, J. L. (2019). Perceived workplace adversity and correctional officer psychological well-being: an international examination of the impact of officer response styles. <i>The Journal of Forensic Psychiatry &amp; Psychology</i>, <i>30</i>(1), 17-37. <a href="https://doi.org/10.1080/14789949.2018.1441427" target="_blank">https://doi.org/10.1080/14789949.2018.1441427</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=514947&pid=S0874-2049202000020000800032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Yin, R. K. (2011). <i>Applications of case study research</i>. London: SAGE Publications, Inc.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=514948&pid=S0874-2049202000020000800033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Zhang, T., Gino, F., &amp; Margolis, J. (2018). Does &lsquo;Could&rsquo; Lead to Good? On the Road to Moral Insight.&nbsp;<i>Academy of Management Journal</i>, <i>61</i>(3), 857-895. <a href="https://doi.org/10.5465/amj.2014.0839" target="_blank">https://doi.org/10.5465/amj.2014.0839</a></font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><i>Historial do artigo</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Recebido&nbsp;</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">03/2019</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Aceite</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">07/2020</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Publicado</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">12/2020</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>c</sup><a href="#topc0">Morada para correspond&ecirc;ncia:</a><a name="c0"></a></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Ana Catarina Moreira Leal, Rua do Capel&atilde;o, n&deg; 68, 1&deg; esquerdo, 4580-650, Duas Igrejas, Paredes. E-mail: <a href="mailto:analeal22993@gmail.com">analeal22993@gmail.com</a></font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Notas:</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><font face="Verdana" size="2"><a href="#top1"><sup>2</sup></a><a name="1"></a>A saber: a Org&acirc;nica da Dire&ccedil;&atilde;o-Geral de Reinser&ccedil;&atilde;o e Servi&ccedil;os Prisionais (Despacho n.&ordm; 8140-A/2019, de 13 de setembro, republicado pela; Declara&ccedil;&atilde;o de Retifica&ccedil;&atilde;o n.&ordm; 863/2019, de 7 de novembro - Constitui&ccedil;&atilde;o de equipas multidisciplinares; Despacho n.&ordm; 8140-B/2019, de 13 de setembro - Cria&ccedil;&atilde;o e defini&ccedil;&atilde;o das compet&ecirc;ncias das unidades org&acirc;nicas flex&iacute;veis; Portaria n.&ordm; 300/2019, de 11 de setembro - Fixa a estrutura nuclear dos servi&ccedil;os centrais da DGRSP; Decreto-Lei n.&ordm; 215/2012, de 28 de setembro -Aprova a Lei org&acirc;nica da DGRSP; Declara&ccedil;&atilde;o de Retifica&ccedil;&atilde;o n.&ordm; 63/2012, de 9 de novembro - Retifica o disposto no n.&ordm; 1 do artigo 4.&ordm; da Lei org&acirc;nica da DGRSP; Portaria n.&ordm; 286/2013, de 9 de setembro - Define a estrutura org&acirc;nica, regime de funcionamento e compet&ecirc;ncias dos &oacute;rg&atilde;os e servi&ccedil;os dos Estabelecimentos Prisionais); (2) o Regulamento interno (Despacho n.&ordm; 3624/2019, de 1 de abril - Regulamento Interno da Dire&ccedil;&atilde;o-Geral de Reinser&ccedil;&atilde;o e Servi&ccedil;os Prisionais; (3) o Estatuto do Pessoal do Corpo da Guarda Prisional (Decreto-Lei n.&ordm; 3/2014, de 9 de janeiro - Aprova o Estatuto do Pessoal do Corpo da Guarda Prisional; Despacho n.&ordm; 7109/2015, de 29 de junho - Regulamento da Guarda, Seguran&ccedil;a e Conserva&ccedil;&atilde;o de Equipamentos e Armamento da DGRSP; Portaria n.&ordm; 247/2015, de 17 de agosto - Modelo de Cart&atilde;o de Identifica&ccedil;&atilde;o dos elementos do Corpo da Guarda Prisional); (4) o C&oacute;digo da Execu&ccedil;&atilde;o das Penas e Medidas Privativas da Liberdade (Lei n.&ordm; 115/2009, de 12 de outubro); (5) o Regulamento Geral dos Estabelecimentos Prisionais (Decreto-Lei n.&ordm; 51/2011, de 11 de abril); e (6) a Classifica&ccedil;&atilde;o dos Estabelecimentos Prisionais (Portaria n.&ordm; 13/2013, de 11 de janeiro). Tamb&eacute;m foram analisados alguns dos documentos que se encontram, em acesso p&uacute;blico, na p&aacute;gina web da DGRSP, designadamente, a Carta de Miss&atilde;o, o Quadro de Avalia&ccedil;&atilde;o e Responsabiliza&ccedil;&atilde;o (QUAR), o Plano e Relat&oacute;rio de atividades, o Balan&ccedil;o social, a Contrata&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica e Gest&atilde;o Patrimonial, e os Recursos Financeiros e Humanos desta organiza&ccedil;&atilde;o.</font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Ap&ecirc;ndice</b></font></p>      <p>&nbsp;</p> <a href="/img/revistas/psi/v34n2/34n2a08a1.jpg">Ap&ecirc;ndice 1</a>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
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