<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0874-4890</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Toxicodependências]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Toxicodependências]]></abbrev-journal-title>
<issn>0874-4890</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Instituto da Droga e da Toxicodependência, I.P.]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0874-48902010000200008</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Programa de redução de riscos e minimização de danos em Torres Vedras - Avaliação e reflexões]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Seabra]]></surname>
<given-names><![CDATA[Paulo]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Negrão]]></surname>
<given-names><![CDATA[Rui]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Barbosa]]></surname>
<given-names><![CDATA[Sandra]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A03"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Massano]]></surname>
<given-names><![CDATA[Sónia]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,RRMD do CRI Oeste - Centro de Respostas Integradas do Oeste  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,ET de Torres Vedras  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A03">
<institution><![CDATA[,ET de Peniche  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2010</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2010</year>
</pub-date>
<volume>16</volume>
<numero>2</numero>
<fpage>79</fpage>
<lpage>86</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0874-48902010000200008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0874-48902010000200008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0874-48902010000200008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[O objectivo do presente artigo consiste na apresentação e avaliação de uma intervenção em redução de riscos e minimização de danos, implementada em Torres Vedras, desde Dezembro de 2005. Este programa, que teve início antes da reorganização formal do IDT, assume hoje uma nova dimensão, com a consolidação da redução de riscos enquanto área de missão.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="fr"><p><![CDATA[Le but de cet article est de présenter une intervention pour réduire les risques et minimiser les méfaits, mis en oevre à Torres Vedras, depuis Décembre 2005. Ce programme, commencé avant la réorganisation formelle de l’IDT, prend aujourd’hui une dimension nouvelle, avec la consolidation de la réduction des risques comme mission à atteindre.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The aim of this paper is to present an intervention on risk reduction and harm minimization, carried out in Torres Vedras, since December 2005. The program, which began before the formal reorganization of the IDT, assumes a new dimension, nowadays, with the consolidation of risk reduction as a mission area.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[El objetivo del presente artículo consiste en la presentación y evalua­ción de una intervención en reducción de riesgos y minimización de daños, implementada en Torres Vedras, desde Diciembre de 2005. Este programa, que empezó antes de la reorganización formal del IDT, asume hoy una nueva dimensión, con la consolidación de la reducción de riesgos en cuanto área de misión.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Redução de Riscos]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Minimização de Danos]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Metadona]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Consumidores de Droga]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Baixo Limiar]]></kwd>
<kwd lng="fr"><![CDATA[Réduction des Risques]]></kwd>
<kwd lng="fr"><![CDATA[Minimisation des Méfaits]]></kwd>
<kwd lng="fr"><![CDATA[Métha­done]]></kwd>
<kwd lng="fr"><![CDATA[Consommateurs de Drogue]]></kwd>
<kwd lng="fr"><![CDATA[Seuil inférieur]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Risk Reduction and Harm Minimization]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Methadone]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Drug Users]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Low Threshold]]></kwd>
<kwd lng="es"><![CDATA[Reducción de Riesgos]]></kwd>
<kwd lng="es"><![CDATA[Minimización de Daños]]></kwd>
<kwd lng="es"><![CDATA[Metadona]]></kwd>
<kwd lng="es"><![CDATA[Consumidores de Droga]]></kwd>
<kwd lng="es"><![CDATA[Exigencia Reducida]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p><B>Programa de redução de riscos e minimização de danos em Torres Vedras –    Avaliação e reflexões </B></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><b>Paulo Seabra<sup>1</sup>, Rui Negrão<sup>2</sup>, Sandra Barbosa<sup>3</sup>, Sónia Massano<sup>4</sup> </b></P>     <p><sup>1</sup>Enfermeiro Especialista; Coordenador da RRMD do CRI Oeste. </P>     <p><sup>2</sup>Psicólogo Clínico; Coordenador da ET de Torres Vedras e ET de Peniche.</P>     <p><sup>3</sup>Psicóloga Clínica. ET de Peniche. </p>     <p><sup>4</sup>Técnica Psicossocial. ET de Torres Vedras.</p>     <p><a name="top0"></a><a href="#0">Contactos</a></P>      <p>&nbsp;</P>     <p><B>RESUMO </B></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O  objectivo do presente artigo consiste na apresentação e avaliação de uma  intervenção em redução de riscos e minimização de danos, implementada em Torres  Vedras, desde Dezembro de 2005.</p>     <p>Este programa, que teve início antes da  reorganização formal do IDT, assume hoje uma nova dimensão, com a consolidação  da redução de riscos enquanto área de missão.</p>     <p><B>Palavras-chave: </B>Redução  de Riscos e Minimização de Danos; Metadona;  Consumidores de Droga; Baixo Limiar.</p>     <p>&nbsp;</P>     <p><B>RÉSUMÉ </B></P>     <p>Le but de cet article est de présenter une intervention pour réduire  les risques et minimiser les méfaits, mis en oevre à  Torres Vedras, depuis Décembre 2005.</p>     <p>Ce programme,  commencé avant la réorganisation formelle de l’IDT, prend aujourd’hui une  dimension nouvelle, avec la consolidation de la réduction des risques comme  mission à atteindre.</p>     <p><B>Mots-clé</B><B>:  </B>Réduction des Risques e Minimisation des Méfaits; Métha&shy;done;  Consommateurs de Drogue; Seuil inférieur.</p>     <p>&nbsp;</P>     <p><B>ABSTRACT </B></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>The aim of this paper is to present an intervention on risk reduction  and harm minimization, carried out in Torres Vedras,  since December 2005. The program, which began before the formal reorganization  of the IDT, assumes a new dimension, nowadays, with the consolidation of risk  reduction as a mission area.</P>     <p><B>Key Words: </B>Risk Reduction and Harm Minimization; Methadone; Drug Users; Low  Threshold. </P>     <p>&nbsp;</P>     <p><B>RESUMEN </B></P>     <p>El objetivo del presente artículo consiste en la presentación y  evalua&shy;ción de una intervención en reducción de riesgos y minimización de  daños, implementada en Torres Vedras, desde Diciembre  de 2005. Este programa, que empezó antes de la reorganización formal del IDT,  asume hoy una nueva dimensión, con la consolidación de la reducción de riesgos  en cuanto área de misión.</P>     <p><B>Palabras Clave: </B>Reducción de Riesgos y Minimización de Daños; Metadona; Consumidores  de Droga; Exigencia Reducida. </P>     <p><B>&nbsp;</B></P>     <p><B>&nbsp;</B></P>     <p><B>1  – Introdução </B></P>     <p>Actualmente, no contexto do direito aos cuidados de saúde, a população que    servimos pode contar com o enquadramento legal necessário – baseado nos princípios    do humanismo e do pragmatismo – que permite intervir ao nível da prevenção e    redução de comportamentos de risco e na minimização de danos individuais e sociais,    provocados pelo consumo de drogas. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Vimos cumpridas expectativas fundamentais e legítimas que surgiam do trabalho    no terreno, cenário que, desta forma, sofreu mudanças significativamente positivas.    Ao longo dos últimos anos, a intervenção em redução de riscos e minimização    de danos tem sido balizada e legitimada formalmente, sendo a sua regulação social    assumida e transmitida através da própria legislação e orientações específicas:    “<I>A primeira meta da intervenção de redução de danos é tentar estabilizar    o comportamento problemático do indivíduo e prevenir uma maior exacerbação das    consequências prejudiciais. Tende a estimular a manutenção da mudança de comportamento    e a não permitir que o problema se agrave. A redução de danos promove o acesso    a serviços de baixa exigência como alternativa às respostas tradicionais de    alta exigência.” </I>(“Estratégia nacional de luta contra a droga 2005-2012”,    p. 6851) </p>     <p>&nbsp;</P>     <p><B>2  – Características do programa </B></P>     <p>Desde sempre, a equipa de tratamento de Torres Vedras sentiu necessidade de    intervir na área da redução de riscos e minimização de danos, nomeadamente através    de um programa de metadona de “baixo limiar”. Em 2005, através do estabelecimento    de uma pareceria local com a Câmara Municipal de Torres Vedras e da articulação    com os serviços regionais do I.D.T., I.P., criámos um “programa de baixo limiar    de exigência” com o objectivo de reduzir riscos e minimizar danos em doentes    que não tinham condições para cumprir um programa de tratamento estruturado    na unidade local de tratamento, assim como atrair doentes que nunca tinham iniciado    qualquer processo de trata&shy;mento em nenhuma unidade especialidade do I.D.T.,    I.P. funcionando, no fundo, como um instrumento “de mediação” dos doentes para    outros programas de tratamento que mais se adequassem a cada realidade individual.</p>     <p> Assim, foi delineada a estratégia de separar os espaços físicos dos programas    de baixo e alto limiar. </p>     <p>De facto, sempre considerámos que as diferenças (de objectivos) entre os programas    de alto e de baixo limiar de exigência remetem para a necessidade do estabe&shy;lecimento    da diferenciação, também entre os espaços. Consideramos que seria uma discriminação    positiva. </p>     <p>As evidências da prática clínica que funcionaram como fundamentos para esta    acção basearam-se na consta&shy;tação de que os doentes em fases de consumos    têm, frequentemente, comportamentos de desestabilização que passam pelo incumprimento    de regras e por outros comportamentos, inclusivamente de risco, em relação às    substâncias. Ora, a conhecida influência interpessoal faz com que, potencialmente,    outros doentes, até aí em cumprimento do tratamento, também se pudessem desorganizar.  </p>     <p>Faz parte do protocolo de entrada em programa de redu&shy;ção de riscos e minimização    de danos, a obrigatoriedade de consulta médica, a avaliação por um técnico psicos&shy;social    sempre que necessário, a indução de metadona sob avaliação médica, ou de enfermagem,    consoante sintomatologia e protocolo de serviço, e a realização e entrega dos    exames complementares de diagnóstico solicitados no espaço de 4 semanas (condição    que é indispensável para a permanência em programa). </p>     <p>A equipa do programa de redução de riscos e minimização de danos é multidisciplinar,    sendo com&shy;posta por uma médica psiquiatra, uma técnica de ser&shy;viço social,    enfermeiros, técnicos psicossociais e um psicólogo clínico que intervém em contexto    de crise quando necessário. </p>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>3  – Evolução do movimento clínico </B></P>     <p>Entre Dezembro de 2005 e Maio de 2009, o número total de doentes admitidos    no programa foi de <b>241</b> (204 homens e 37 mulheres). </P>     <p>Ao longo dos anos, a admissão de <b>novos doentes</b> atingiu o seu patamar    mais alto no ano de 2008, com um número de 83 doentes que entraram no programa    de redução de riscos e minimização de danos. </P>     <p><B>&nbsp;</B></P>     <p><B>GRÁFICO  1 </B>–  Movimento clínico. </P>     <p><img src="/img/revistas/tox/v16n2/16n2a07g1.jpg" width="395" height="283"></P>     
<p>&nbsp;</P>     <p>O facto de, em 3,5 anos, terem passado 241 pessoas diferentes por este programa    é revelador de um ele&shy;vado índice de procura. Especificamente, a média de    procura anual é de 69 pessoas, ou seja, 6 pessoas novas por mês. Estes números    são ainda valorizáveis se atendermos à percentagem de pessoas sem experi&shy;ência    de contacto prévio com unidades de tratamento. Assim, para <b>75 pessoas</b>    (31,2%) foi a resposta que, pelas mais diferentes razões, fez sentido em determi&shy;nada    altura da sua vida. </P>     <p>Entendemos ainda, em relação aos objectivos do pro-grama, salientar a opção    pela intervenção de primeira linha, defendida também por Coutinho R. (2004,    p. 86) quando preconiza estas intervenções face a respostas dos serviços de    tratamento mais estruturados. Este autor salienta a importância de termos programas    compatíveis com as capacidades e necessidades dos consumidores. </P>     <p><b>3.1 – Transição entre o programa de baixo e alto limiar de exigência </b></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em relação à transição entre programas, importa referir que um dos objectivos    iniciais – dar resposta <b>aos doentes que não cumpriam o programa na Equipa    de Tratamento</b> – revelou-se uma valiosa medida para 9 doentes que, durante    este intervalo de tempo, necessitaram de outra resposta (por incumprimento dos    programas). Representam apenas <b>2,2% do total de seguimentos</b>, o que revela    que o programa da Equipa de Tratamento continua empenhado em reter as pessoas    num programa de tratamento estruturado. Muitas vezes, isso representa não recorrer    a esta resposta, que seria prática, mas os técnicos não a têm assumido sempre,    pelo respeito pelos projectos dos utentes e na expectativa de que a sua capacidade    de reorganização os faça prosseguir o seu objectivo de manutenção da abstinência.  </p>     <p>No que respeita à passagem dos <b>doentes do baixo limiar para a Equipa de    Tratamento</b>, os números que consideramos mais importantes referem-se às <b>123    pessoas que foram transferidas para o programa de tratamento</b>. Estes dados    podem significar o trabalho de motivação e a reorganização de comportamentos    dos nossos doentes, executados sempre com base no respeito pelos tempos das    pessoas, pelas suas opções e, na essência, promovendo a redução de riscos e    a minimização de danos. </p>     <p><b>3.2 – Outros Encaminhamentos </b></P>     <p>Do total de saídas do programa de redução de riscos e minimização de danos,    12 doentes foram encaminhados para desabituação física de opiáceos, sendo que,    10 destes doentes prosseguiram tratamento em comuni&shy;dade terapêutica. </p>     <p>Estes encaminhamentos foram feitos já depois da entrada em programa de redução    de riscos e minimi&shy;zação de danos.</p>     <p> Ao reflectirmos sobre os abandonos, verificamos que representam 49% dos seguimentos.    Este aspecto pode revelar a dificuldade, ou a incapacidade de reorgani&shy;zação    de alguns doentes. No entanto, sublinhe-se que se trata mesmo de apenas alguns    doentes, pois muitos <U>destes abandonos são múltiplos na mesma pessoa. </U></p>     <p><b>3.3 – Grávidas (incluindo as detectadas no programa) </b></P>     <p>No  programa foram acompanhadas 6 grávidas, tendo sido encaminhadas, com a maior  celeridade possível, para o programa de tratamento, mesmo que não estivessem  asseguradas todas as condições gerais definidas. Este dado reflecte a  preocupação em dar respostas específicas e especializadas, de acordo com a  problemática/situação de cada doente. </p>     <p><b>3.4 – Caracterização sociodemográfica da população </b></P>     <p>Relativamente à idade dos doentes, verifica-se que 52% têm mais de 30 anos,    sendo a idade média de 34,7 anos. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p><B>GRÁFICO  2 </B>–  Idade. </P>     <p><img src="/img/revistas/tox/v16n2/16n2a07g2.jpg" width="395" height="282"></P>     
<p>&nbsp;</P>     <p>Se, por um lado, o tipo de intervenção em questão é indicada para esta faixa    etária, não podemos deixar de reflectir nos doentes abaixo desta faixa etária    que foram admitidos neste programa. Alguns deles, muito jovens, foram aceites    devido à perigosidade dos riscos a que estavam expostos com os consumos que    praticavam, associados a outros actos ilícitos e, consequentemente, aos danos    inerentes a esses comportamentos. Sempre foi uma preocupação prioritária desta    equipa trabalhar a motivação destes jovens, para poderem transitar para outro    tipo de resposta da Equipa de Tratamento. </P>     <p>No  que se refere ao grau de escolaridade e ao tra&shy;balho, verifica-se que 68%  dos doentes não possui a escolaridade obrigatória, e o maior grupo (39%) tem  apenas o 2º ciclo, o que pode ajudar a perceber a sua considerável dependência  de trabalhos ocasionais e sazonais que, apesar de precários, constituem ganhos  importantes. </P>     <p><B>&nbsp;</B></P>     <p><B>GRÁFICO  3 </B>–  Escolaridade. </P>     <p><img src="/img/revistas/tox/v16n2/16n2a07g3.jpg" width="395" height="280"></P>     
<p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ao entrar no programa de redução de riscos e minimi&shy;zação de danos, 58%    dos utentes estavam desempre&shy;gados. Este valor reforça a importância desta    interven&shy;ção, enquanto base/plataforma para uma reorganização socioprofissional    destas pessoas. </P>     <p>&nbsp;</P>            <p><B>GRÁFICO       4 </B>–       Situação Profissional.        </P>     <p><img src="/img/revistas/tox/v16n2/16n2a07g4.jpg" width="395" height="281"></P>     
<p>&nbsp;</P>     <p>Verifica-se, segundo os dados destacados, um aspecto relevante: 42% dos doentes    que já passaram por este programa pertencem a outros concelhos que não Torres    Vedras. Isto significa que, geograficamente, a intervenção contempla uma área    supra-concelhia con&shy;siderável. É, portanto, de realçar, o esforço que muitos    doentes fazem para garantir a sua assiduidade, condi&shy;ção necessária para    a transição de programa. </P>     <p>Importa também salientar a forma como o programa vai sendo conhecido pelos    seus utilizadores. Temos a certeza que esta informação é feita pelos próprios    doentes entre os seus pares. </P>     <p><B>&nbsp;</B></P>     <p><B>GRÁFICO 5  </B>–  Concelhos de Residência. </P>     <p><img src="/img/revistas/tox/v16n2/16n2a07g5.jpg" width="395" height="281"></P>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p>Sobre a caracterização familiar, consta que 35% dos doentes têm filhos e 80%    dos doentes têm algum tipo de apoio em termos de coabitação. Existem, portanto,    poucos doentes sem abrigo, o que é característico desta região, onde, na maior    parte dos casos, há ainda um importante suporte familiar. </P>     <p>&nbsp;</P>     <p><B>GRÁFICO 6 </B>– Filhos.</P>     <p><img src="/img/revistas/tox/v16n2/16n2a07g6.jpg" width="395" height="282"></P>     
<p><B>&nbsp;</B></P>     <p><B>GRÁFICO 7 – </B>Coabitação</P>     <p><img src="/img/revistas/tox/v16n2/16n2a07g7.jpg" width="395" height="282"></P>     
<p>&nbsp;</P>     <p>Outro  aspecto relevante da caracterização social desta população remete para os  problemas judiciais. No nosso programa, constatámos que 6,2% dos doentes já  cumpriram prisão efectiva.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p><B>4  – Tempo de permanência no programa </B></P>     <p>Relativamente  à permanência em programa, o tempo médio é de 2,3 meses, o que pode ser  relevante, pois, embora muitos doentes necessitem apenas de 5 semanas para  transitar, a maioria necessita de mais tempo. Há muitos abandonos, com períodos  mais curtos, mas também existem doentes já com 3 anos de programa, dado que  nunca conseguiram, ou quiseram, alterar o seu percurso.  </p>     <p>&nbsp;</P>     <p><B>5  – Comportamentos de risco </B></P>     <p>Entre  a população que acedeu a este serviço, 16,5% tinha consumos EV no momento de  entrada no programa de redução de riscos e minimização de danos. Sendo este um  número significativo, não tem existido, no entanto, correspondência com o número  de seringas trocadas. Não podemos deixar de pensar: será que o número reduzido  de troca de seringas se deve à postura da equipa? Pensamos que não. Temos total  abertura e incentivamos a troca de seringas, enquanto este comportamento for a  opção do doente. Sabemos que a maioria abandona consumos EV na fase inicial do  programa com metadona. </P>     <p><B>&nbsp;</B></P>     <p><B>GRÁFICO 8 </B>– Seringas Trocadas no Programa. </P>     <p><img src="/img/revistas/tox/v16n2/16n2a07g8.jpg" width="395" height="282"></P>     
<p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>À  semelhança de outros programas, neste programa de redução de riscos e  minimização de danos o poli&shy;consumo é uma  realidade: 49,3% dos doentes referem consumos de cocaína, à entrada,  concomitantes com os de heroína, assim como outras substâncias,  nome&shy;adamente <I>cannabis</I>. </p>     <p>&nbsp;</P>     <p><B>6  – Co-morbilidades </B></P>     <p>Em  relação à co-morbilidade, é de referir que 46% dos doentes são portadores de HCV  (110 pessoas). Este número é preocupante, pois é conhecida a resistência dos  serviços especializados em iniciar tratamento para esta patologia aos doentes  que mantêm consumos. </P>     <p>&nbsp;</P>     <p><B>GRÁFICO 9 </B>– HCV. </P>     <p><img src="/img/revistas/tox/v16n2/16n2a07g9.jpg" width="395" height="281"></P>     
<p>&nbsp;</P>     <p>Sobre  o VIH, 9% dos doentes são portadores de VIH tendo sido, na sua totalidade,  encaminhados para con&shy;sultas de especialidade e estando alguns a aderir à  terapêutica antiretroviral. </P>     <p><B>&nbsp;</B></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>GRÁFICO 10 </B>– HIV. </P>     <p><img src="/img/revistas/tox/v16n2/16n2a07g10.jpg" width="395" height="280"></P>     
<p>&nbsp;</P>     <p>Registam-se  2 casos de tuberculose diagnosticados e apenas 1 doente com hepatite B. Em  relação à co-morbilidade psiquiátrica, importa referir que 3 doentes já fizeram  ou fazem medicação antipsicótica oral.  </P>     <p><B>&nbsp;</B></P>     <p><B>7  – Algumas características do progra-ma de redução de  riscos e minimização de danos da equipa de tratamento de Torres Vedras  </B></P>     <p>Se compararmos o estudo da nossa população de consumidores com o estudo de    Godinho <I>et</I><I> al. </I>(2007) sobre uma população que acede a programas    de redução de riscos e minimização de danos em unidade móvel e em centro de    abrigo, em Lisboa, verificamos que esta última é uma população ligeiramente    mais velha, com mais co-morbilidade, mais excluída socialmente (mais desemprego,    menor escolaridade, menor apoio familiar), com mais problemas com a justiça    e com mais consumos EV. Relevante é ainda o facto de, no nosso programa, existir    uma maior percentagem de encaminhamentos para programas mais estruturados e    trabalharmos com uma população com maior apoio sociofamiliar. </P>     <p>Existem, no entanto, indicadores semelhantes aos do nosso estudo: a média de    idade dos doentes que frequentaram o programa corresponde a 34,7 anos, um número    elevado de utentes desempregados, uma elevada taxa de infecção VHC, consumos    significativos de cocaína à entrada em programa, baixa escolariza&shy;ção, assim    como um número importante de utentes que nunca procuraram ajuda assistencial    para a sua problemática de toxicodependência. </P>     <p>À semelhança do estudo de Godinho <I>et</I><I> al. </I>(2007), o número de    abandonos no nosso programa foi signi&shy;ficativo. No entanto, pensamos que    tal se deve às grandes dificuldades de acessibilidade por parte dos doentes    dos concelhos limítrofes e à fraca rede de transportes que servem as freguesias    do concelho de Torres Vedras. </P>     <p>Ao contrário da descrição efectuada por Godinho <I>et</I><I> al. </I>(2007),    no nosso programa a utilização de substâncias psicoactivas por via EV é pouco    comum, a prevalência da infecção VIH é reduzida, a transição dos doentes no    Programa de Baixo Limiar para um programa de trata&shy;mento estruturado é significativa,    os problemas judiciais são pouco prevalentes e existe um número muito signi&shy;ficativo    de utentes com suporte familiar, o que poderá significar que a população que    frequentou o programa não apresenta índices de exclusão tão marcados como o    estudo realizado por Godinho <I>et</I><I> al. </I>(2007). </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>&nbsp;</B></P>     <p><B>8  – Reflexão final </B></P>     <p>Tal como preconizado na Estratégia nacional de luta contra a droga 2005-2012    (pág. 6851) “A primeira meta da intervenção de redução de danos é tentar estabilizar    o comportamento problemático do indivíduo e prevenir uma maior exacerbação das    consequências…”. </P>     <p>Tem sido esta, claramente, a premissa orientadora desta equipa. Para consumidores    de opiáceos, os consumos continuam a ser danosos, os riscos inerentes a estes    consumos continuam a ser elevados individualmente, mas também para a sociedade    que os rodeia. </P>     <p>Este programa, inserido numa cidade caracterizada pelos traços rurais típicos    da região a que pertence, serve uma população de 7 concelhos. </P>     <p>Consideramos que é uma intervenção simplificadora de processos. É atraente    para os doentes, pois a resposta medicamentosa, que é a sua necessidade prioritária,    está desde o primeiro momento assegurada. Esta intervenção tem trazido pessoas    para junto do sistema de saúde, sendo que, após a estabilização de comporta&shy;mentos,    algumas delas têm conseguido pensar no seu percurso. A possibilidade de ter    espaço e tempo para reorganizar a dependência de opiáceos, pode, como sabemos,    funcionar como instrumento de mudança, que, por mais ténue, irá certamente no    sentido da pro&shy;moção da saúde individual e pública. </P>     <p>O nosso trabalho mantém-se como uma intervenção de primeira linha e contraria    a ideia de que os programas de redução de danos significam uma atitude de desistência    do tratamento. Afirmamos também o respeito pela pessoa, nas suas diferentes    opções e assumimos o nosso papel enquanto técnicos de saúde.</P>     <p> Concluindo, importa salientar que este programa nas&shy;ceu como uma intervenção    necessária e identificada pelos técnicos da equipa de tratamento de Torres Vedras,    antes da remodelação do I.D.T., I.P., que trouxe a reorganização em Centros    de Respostas Integradas e as áreas de missão, como resposta a um novo para&shy;digma.    Uma resposta da equipa em termos de horário pós-laboral era recomendável, assim    houvesse meios. </P>     <p><B>&nbsp;</B></P>     <p><B>Referências  Bibliográficas </B></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Coutinho,  R. (2004). “A propósito da procura de tratamento nos CAT, a realidade da área  metropolitana de Lisboa”, <I>Toxicodependências</I>, 10 (3): 83-86. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S0874-4890201000020000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Godinho,  J., Marques, R., Gonçalves, N., Vultos, J. (2007). “Avaliação de uma população  sem abrigo a residir num centro de acolhimento, e  integrado em programa de manutenção com metadona”.  <I>Toxicodependências</I>, 13 (1): 3-10.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0874-4890201000020000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><b>Legislação</b> </P>     <p>RESOLUÇÃO  DO CONSELHO DE MINISTROS nº 115/2006. D.R.I Série 180 (2006-09-18) 6835-6881.  </p>     <p>&nbsp;</P>     <p><B>Bibliografia Consultada </B></P>     <!-- ref --><p>Cruz,  M. (2005). “Antes Intervir que desviar o olhar – como a redução de riscos se fez  incontornável, <I>Toxicodependências</I>, 11 (2): 65-72. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S0874-4890201000020000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Leitão,  M., Miguel, N., Coutinho, R. (2004) – “Ares do pinhal, um trajecto de  recuperação dos toxicodependentes mais marginalizados”.</P>     <p>Lisboa: consultado em 27.7.09. Disponível em <a href="http://dependencias.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=48:Ares-dopinhal-um-trajecto-de-recupera%E7%E3o-dos-toxicodependentes-mais-marginalizados" target="_blank">http://dependencias.pt/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=48:Ares-dopinhal-um-trajecto-de-recuperação-dos-toxicodependentes-mais-marginalizados</a>.</p>     <p><b>Legislação</b> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>RESOLUÇÃO  do Conselho de Ministros nº46/99 de 26 de Maio. </P>     <p>Dec.-Lei  nº 183/2001 de 21 de Junho. </p>     <p>&nbsp;</P>     <p><B><a name="0"></a><a href="#top0">Contactos</a>:</B></p>      <p>Paulo Seabra: <a href="mailto:paulorcseabra@sapo.pt">paulorcseabra@sapo.pt</a></P>     <p>CRI Oeste: </P>     <p>Praceta Padre Joaquim Maria de Sousa, n.º 47</p>     <p>2560-649 – Torres Vedras. </p>     <p>Rui Negrão: <a href="mailto:rui.negrao@idt.min-saude.pt">rui.negrao@idt.min-saude.pt</a></P>     <p>Sandra Barbosa: <a href="mailto:sandra.barbosa@idt.min-saude.pt">sandra.barbosa@idt.min-saude.pt</a>  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Sónia Massano: <a href="mailto:sonia.massano@idt.min-saude.pt">sonia.massano@idt.min-saude.pt</a><B>    </B></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>Artigo recebido em 26/01/10; versão final aceite em 16/06/10. </P>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Coutinho]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[“A propósito da procura de tratamento nos CAT, a realidade da área metropolitana de Lisboa”]]></article-title>
<source><![CDATA[Toxicodependências]]></source>
<year>2004</year>
<volume>10</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>83-86</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Godinho]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Marques]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Gonçalves]]></surname>
<given-names><![CDATA[N.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Vultos]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Avaliação de uma população sem abrigo a residir num centro de acolhimento, e integrado em programa de manutenção com metadona]]></article-title>
<source><![CDATA[Toxicodependências]]></source>
<year>2007</year>
<volume>13</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>3-10</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Cruz]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Antes Intervir que desviar o olhar - como a redução de riscos se fez incontornável]]></article-title>
<source><![CDATA[Toxicodependências]]></source>
<year>2005</year>
<volume>11</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>65-72</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
