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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A igualdade de género no quadro da responsabilidade social - o projecto Equal Diálogo Social e Igualdade nas Empresas]]></article-title>
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<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[L’égalité de genre dans le cadre de la résponsabilité sociale - le projet EQUAL Dialogue Social et Égalité dans les Entreprises]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Social Dialogue and equality in Companies, a project developed under the scope of the EQUAL Community Initiative, aims at responding to the needs felt by companies regarding the recognition and identification of sex based discrimination situations and in the promotion of gender equality. With this aim, the following instruments were developed: Self-evaluation Guide on Gender Equality in Companies; Training Referential on Gender Equality for Consultants and Auditors; Solutionary - an instrument for the promotion of good practices in gender equality in companies. In this article, the framework, the objectives, the methodologies and the results of the Project are presented, building on the respective products.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="fr"><p><![CDATA[Le Projet Dialogue Social et Égalité dans les Entreprises, développé dans le cadre de l’Initiative Communautaire EQUAL, vise à répondre aux difficultés vécues par les entreprises à reconnaître et à identifier des situations de discrimination en fonction du sexe et à promouvoir l’égalité de genre. Dans ce sens, les instruments suivants ont été conçus: Guide d’Auto-évaluation de l’Égalité de Genre dans les Entreprises; Référentiel de Formation en Égalité de Genre pour des Consultants/tes et Auditeurs/Auditrices; Solutionaire - un instrument pour la promotion de bonnes pratiques en égalité de genre dans les entreprises. Cet article, présente l’encadrement, les objectifs, les méthodologies et les résultats du Projet, matérialisés par ses produits.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[   	     <p><b>A igualdade de g&eacute;nero no quadro da responsabilidade social – o projecto    Equal Di&aacute;logo Social e Igualdade nas Empresas</b></p>     <p align="right"><b>Heloísa Perista <sup>1</sup></b></p>     <p align="right"><b> Maria das Dores Guerreiro<sup>2</sup></b></p>     <p align="right"><b> Clara de Jesus<sup>3</sup></b></p>     <p align="right"><b> Maria Luísa Moreno<sup>3</sup></b></p>     <p align="right">&nbsp;</p>     <p align="right"><sup>1</sup>CESIS – Centro de Estudos para a Intervenção Social</p>     <p align="right"> <sup>2</sup>CIES-ISCTE - ISCTE</p>     <p align="right"><sup>3</sup>CITE - Comissão para a Igualdade no Trabalho e no    Emprego</p> 			     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> 			     <p><b>Resumo </b></p>     <p>O Projecto Diálogo Social e Igualdade nas Empresas, desenvolvido no âmbito    da Iniciativa Comunitária EQUAL, procura responder a dificuldades sentidas pelas    empresas no reconhecimento e identificação de situações de discriminação em    função do sexo e na promoção da igualdade de género. Neste sentido, concebeu    os seguintes instrumentos: Guia de Auto-avaliação da Igualdade de Género nas    Empresas; Referencial de Formação em Igualdade de Género para Consultores/as    e Auditores/as; Solucionário – um instrumento para a promoção de boas práticas    em igualdade de género nas empresas. Neste artigo apresenta-se, o enquadramento,    os objectivos, as metodologias e os resultados do Projecto, traduzidos nos respectivos    produtos.</p> 			    <p><b>Palavras-chave</b> igualdade de género, empresas,  			responsabilidade social, diálogo social</p> 			    <p>&nbsp;</p>    <p><b>Abstract</b></p>    <p><b> 	Gender equality and social responsibility – the EQUAL project Social 	Dialogue and Equality in Companies</b></p>    <p> 	Social Dialogue and equality in Companies, a project developed under the  	scope of the EQUAL Community Initiative, aims at responding to the needs  	felt by companies regarding the recognition and identification of sex based  	discrimination situations and in the promotion of gender equality. With this  	aim, the following instruments were developed: Self-evaluation Guide on  	Gender Equality in Companies; Training Referential on Gender Equality for  	Consultants and Auditors; Solutionary – an instrument for the promotion of  	good practices in gender equality in companies. In this article, the  	framework, the objectives, the methodologies and the results of the Project  	are presented, building on the respective products.</p> 			    <p><b>Keywords</b> gender equality, companies, social responsibility,  			social dialogue</p> 			    <p>&nbsp;</p> 			    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Résumé</b></p>     <p> <b>L’égalité de genre dans le cadre de la résponsabilité sociale – le projet    EQUAL Dialogue Social et Égalité dans les Entreprises</b></p>     <p> 			Le Projet Dialogue Social et Égalité dans les Entreprises, développé  			dans le cadre de l’Initiative Communautaire EQUAL, vise à répondre  			aux difficultés vécues par les entreprises à reconnaître et à  			identifier des situations de discrimination en fonction du sexe et à  			promouvoir l’égalité de genre. Dans ce sens, les instruments  			suivants ont été conçus: Guide d’Auto-évaluation de l’Égalité de  			Genre dans les Entreprises; Référentiel de Formation en Égalité de  			Genre pour des Consultants/tes et Auditeurs/Auditrices; Solutionaire  			–&nbsp; un instrument pour la promotion de bonnes pratiques en  			égalité de genre dans les entreprises. Cet article, présente  			l’encadrement, les objectifs, les méthodologies et les résultats du  			Projet, matérialisés par ses produits.</p> 			    <p><b>Mots-clés</b> égalité de genre, entreprises, résponsabilité  			sociale, dialogue social</p> 			    <p align="left">&nbsp;</p> 			    <p><b>Introdução</b></p> 	    <p>O mercado de trabalho é, hoje, atravessado por intensas dinâmicas de  	mudança, numa sociedade marcada por diferentes contextos organizacionais  	atípicos, transformações significativas nas relações de género, novos  	padrões de relacionamento familiar, novas formas de trabalho e emprego mas,  	invariavelmente, marcada pela persistência de elevada assimetria dos  	indicadores de género.</p> 	    <p>As assimetrias entre homens e mulheres em matéria de trabalho e de  	emprego subsistem, apesar de os princípios consagrados na legislação laboral  	portuguesa assegurarem a umas e a outros o direito a:</p> 	    <p>– igual acesso ao trabalho, ao emprego, à formação profissional e à  	progressão na carreira;</p> 	    <p>– igualdade salarial para trabalho igual ou de valor igual;</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>– eliminação dos diferentes tipos de segregação no mercado de trabalho;</p> 	    <p>– uma participação equilibrada dos homens e das mulheres na vida  	profissional e na vida familiar, nomeadamente com a partilha entre pais e  	mães dos direitos associados à paternidade e à maternidade e à prestação de  	cuidados a filhos e filhas ou a outras pessoas em situação de dependência.</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p>É hoje reconhecido que tal se deve à persistência de papéis sociais  	tradicionalmente atribuídos a homens e a mulheres em função do seu sexo, o  	que continua a gerar, também na actividade profissional, opções desiguais,  	recursos desiguais, carreiras desiguais (Cunha Rêgo, 2007: 2):</p> 	    <p>– homens e mulheres concentram-se em profissões diferentes, sendo muitos  	grupos profissionais fortemente masculinizados ou feminizados;</p> 	    <p>– são poucas as mulheres, mesmo nos sectores onde a sua presença  	prevalece, que preenchem os lugares de topo das hierarquias profissionais;</p> 	    <p>– a população activa feminina apresenta menores possibilidades de acesso  	à formação profissional e aufere remuneração inferior à dos homens;</p> 	    <p>– apesar de a licença por maternidade/paternidade, de acordo com a lei,  	poder ser partilhada pela mãe e pelo pai, os homens utilizam este direito  	ainda pouco frequentemente;</p> 	    <p>– no quadro familiar, continua a recair sobre as mulheres a  	responsabilidade das tarefas domésticas e do cuidado às crianças e a outras  	pessoas em situação de dependência, o que se reflecte numa maior dificuldade  	de progressão profissional;</p> 	    <p>– as empresas tendem ainda a privilegiar como modelo ideal-típico de  	profissional competente, «um indivíduo do sexo masculino, sem  	responsabilidades familiares que façam perigar a sua disponibilidade quase  	total para o exercício da sua profissão»; por esse motivo, os homens, quando  	pretendem colocar as responsabilidades familiares a par com as  	profissionais, sentem-se estigmatizados e discriminados nos seus locais de  	trabalho (Guerreiro e Pereira, 2006: 12).</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> 	    <p>Impõe-se, assim, neste contexto, a indispensabilidade de agir sobre os  	estereótipos, no sentido de uma mudança de paradigma, em especial no que  	toca ao papel dos homens na vida familiar como factor de dessegregação do  	mercado de trabalho e de promoção da igualdade de género.</p> 	    <p>Merece, também, hoje, reconhecimento crescente o facto de a persistência  	das desigualdades de género no mercado de trabalho só ser eficazmente  	combatida com a participação activa das empresas. Por outro lado, as  	próprias empresas, em particular aquelas que adoptam uma postura de empresas  	socialmente responsáveis, assumem cada vez mais como seu desígnio a promoção  	da igualdade de género, da conciliação do trabalho e da vida familiar e  	pessoal e da protecção da maternidade e da paternidade, integrando na sua  	gestão políticas e práticas nestes domínios. Estamos assim perante lógicas  	de cidadania empresarial que encaram o investimento nestas matérias como uma  	opção estratégica das empresas que lhes traz benefícios e vantagens  	competitivas, enquanto organizações compostas por mulheres e por homens, por  	trabalhadoras e trabalhadores.</p> 	    <p>A responsabilidade social das empresas vai actualmente muito para além  	das responsabilidades económicas e ambientais no seu exercício; hoje, a sua  	actuação é observada e avaliada numa nova dimensão, a social. </p> 	    <p>Na base desta nova postura estão direitos humanos fundamentais  	consagrados na Constituição da República Portuguesa e em convenções  	internacionais, como é o caso do princípio da igualdade entre mulheres e  	homens, também designada igualdade de género, que significa a igual  	visibilidade, poder e participação de homens e de mulheres em todas as  	esferas da vida pública e privada.</p> 	    <p>A missão, os princípios e os valores de uma empresa fornecem-lhe o quadro  	conceptual que suporta as suas opções e decisões. O sistema de valores  	transmite a trabalhadores e trabalhadoras o que a empresa espera que façam  	em determinada situação, sem, contudo, pôr em causa os princípios mais  	amplos da sociedade em que se integram. Uma empresa que integra a igualdade  	entre mulheres e homens ao nível dos seus princípios ou valores e que  	pretende investir na construção de relações de género igualitárias, deverá  	definir, ao nível da sua política de recursos humanos, objectivos concretos  	quanto à eliminação da segregação profissional, designadamente promovendo a  	participação de mulheres em funções de gestão e o favorecimento da  	integração dos homens em sectores predominantemente femininos, entre outros.  	Deverá incluir ainda objectivos ao nível da não discriminação que visem  	regular práticas e decisões em áreas como o recrutamento e selecção ou a  	igualdade salarial. Assumirá, deste modo, a transversalidade do princípio da  	igualdade de género nas suas politicas e planos de acção.</p> 	    <p>O Projecto DIÁLOGO SOCIAL E IGUALDADE NAS EMPRESAS, desenvolvido no  	âmbito da Iniciativa Comunitária EQUAL, procura responder a dificuldades  	sentidas pelas empresas no reconhecimento e identificação de situações de  	discriminação em função do sexo e na promoção da igualdade de género:</p> 	<ul> 		    <li>apoiando as empresas na promoção da igualdade e da não discriminação  		entre mulheres e homens, criando, com elas e para elas, instrumentos e  		soluções que dêem resposta a problemas concretos existentes neste  		domínio;</li> 		    <li>reforçando os mecanismos de encorajamento, reconhecimento,  		acompanhamento e divulgação de práticas promotoras da igualdade de  		género em contexto laboral;</li> 		    <li>integrando e dando visibilidade à dimensão da igualdade entre  		mulheres e homens no quadro da responsabilidade social das empresas.</li> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[</ul> 	    <p>Neste sentido, o Projecto concebeu os seguintes instrumentos:</p> 	<ul> 		    <li>Guia de Auto-avaliação da Igualdade de Género nas Empresas;</li> 		    <li>Referencial de Formação em Igualdade de Género para Consultores/as e  		Auditores/as;</li> 		    <li>Solucionário – Uma metodologia de demonstração pelas empresas e para  		as empresas de boas práticas em igualdade de género.</li> 	    </ul> 	    <p>O Projecto, desenvolvido em parceria, envolveu entidades públicas (CITE –  	Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego, coordenadora do  	Projecto, IAPMEI – Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à  	Inovação), parceiros sociais (CGTP-IN – Confederação Geral dos Trabalhadores  	Portugueses – Intersindical Nacional, UGT – União Geral de Trabalhadores,  	CCP – Confederação do Comércio e Serviços de Portugal), empresas públicas  	(RTP – Rádio e Televisão de Portugal), universidades (ISCTE – Instituto  	Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa), associações (APEE –  	Associação Portuguesa de Ética Empresarial), centros de investigação (CESIS  	– Centro de Estudos para a Intervenção Social) e nove empresas associadas (Auchan,  	AXA, Estoril Sol, Grafe, IBM Portugal, Microsoft, Somague, TAP, Xerox).</p> 	    <p>Nos parágrafos que se seguem apresenta-se, de forma breve, os resultados  	do Projecto, traduzidos nos respectivos produtos.</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>O Guia de Auto-Avaliação da Igualdade de Género nas Empresas</b></p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A promoção de políticas de igualdade de género nas empresas, a exemplo do  	que acontece com qualquer outro tipo de intervenção organizacional, requer a  	realização de um diagnóstico da situação sobre a qual se pretende intervir.  	Neste domínio, o diagnóstico é ainda mais justificado uma vez que as  	assimetrias existentes entre mulheres e homens no emprego não são em geral  	reconhecidas, entendendo-se comummente, aos diversos níveis da estrutura da  	empresa, haver um tratamento «neutro» e não discriminatório de qualquer  	sexo, como o ilustram pesquisas realizadas por elementos da equipa deste  	projecto (Guerreiro e Pereira, 2007) e também os estudos de avaliação  	técnica das candidaturas ao Prémio Igualdade é Qualidade, coordenados por  	duas das autoras deste artigo<sup><u><a name="top2" href="#2">1</a></u></sup>.</p> 	    <p>O carácter «genderizado» das empresas, não sendo reconhecido durante  	muito tempo pelos estudos da área da gestão, tem vindo recentemente a  	adquirir evidência. Broadbridge e Hearn (2008) assinalam um conjunto de  	traços nas organizações reveladores da existência de práticas  	diferenciadoras de ambos os sexos: a) o predomínio dos interesses  	organizacionais em detrimento da vida privada de cada profissional; b)  	actividades profissionais especializadas segundo o sexo; c) prevalência de  	práticas e valores masculinos; d) maior presença masculina em funções  	directivas e técnicas; e) sistemas de comunicação e imagem reprodutores de  	estereótipos de género.</p> 	    <p>A função de um instrumento de diagnóstico será, assim, a de focar o  	conjunto de elementos que tendem a passar despercebidos no quotidiano da  	actividade empresarial a respeito da situação de mulheres e homens. Com base  	em indicadores concretos, através do diagnóstico pode proceder-se à  	caracterização da empresa a nível das políticas e práticas que apresentem  	implicações directas ou indirectas nas assimetrias de género,  	identificáveis, com maior ou menor expressão, na generalidade dos locais de  	trabalho.</p> 	    <p>No âmbito do Projecto a que o presente texto se refere, o guia de  	auto-avaliação da igualdade de género nas empresas foi estruturado de modo  	a, numa primeira parte, contextualizar a problemática da igualdade de género  	no quadro dos direitos humanos, dos compromissos políticos internacionais,  	comunitários e nacionais, e especificamente enquanto dimensão da  	responsabilidade social empresarial. Procura-se também que contribua para  	fundamentar a importância da implementação de uma política de igualdade de  	género por parte das empresas, nos planos externo e interno. Por fim,  	permitirá evidenciar as vantagens da aplicação do instrumento de  	diagnóstico, em termos de operacionalização dos indicadores de igualdade de  	género, de conciliação trabalho-família e de protecção da maternidade e da  	paternidade; de caracterização das políticas e práticas organizacionais; de  	planeamento de acções futuras. A segunda parte contém a apresentação do  	questionário de auto-diagnóstico, acompanhado de um conjunto de instruções  	de preenchimento e apuramento de resultados quando aplicado pelas empresas.</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><i>O questionário de diagnóstico sobre a igualdade de género</i></p> 	    <p>O questionário, seguindo os princípios do <i>mainstreaming</i>, centra-se  	num conjunto de dimensões e indicadores basilares para identificar as  	práticas de gestão que contribuem para a igualdade de género, bem como os  	aspectos onde se registam desigualdades e desequilíbrios. Estes últimos,  	sendo identificados, permitem à organização definir uma política de actuação  	futura que contrarie as desigualdades existentes, fomente o tratamento de  	profissionais de ambos os sexos em moldes não discriminatórios e activamente  	contribua para a efectiva igualdade entre mulheres e homens nos locais de  	trabalho, com repercussões nas demais esferas da vida em sociedade.</p> 	    <p>São nove as dimensões da igualdade de género constitutivas do  	questionário, desdobradas por sua vez em cerca de seis dezenas de  	indicadores. Não cabendo aqui a sua apresentação detalhada, procede-se à  	respectiva enunciação sucinta:</p> 	    <p><i>a) Missão e valores da empresa</i></p> 	    <p>A missão da empresa permite, a quem nela trabalha e à sociedade  	envolvente, conhecer a sua razão de ser e por que valores e princípios se  	rege, de modo a guiar comportamentos e a definir objectivos. Importa  	verificar se a política da empresa contempla o princípio da igualdade de  	género na sua missão e nos seus valores estratégicos, enquanto factor de  	desenvolvimento organizacional, e se essa orientação está formalmente  	expressa. A existência de um plano de acção, com medidas e metas, e de um  	orçamento, são aqui indicadores cruciais.</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>b) Recrutamento e selecção</i></p> 	    <p>Esta dimensão centra-se na política de gestão dos recursos humanos da  	empresa, para verificar se a selecção e o recrutamento assentam no princípio  	da igualdade e não discriminação em função do sexo. Verifica também o  	cumprimento da legislação quanto ao anúncio de ofertas de emprego e à  	manutenção de informação, tratada por sexo, relativa aos processos de  	recrutamento e selecção ocorridos nos últimos anos. Integra também questões  	sobre a consideração do princípio da paridade na constituição das equipas de  	selecção e sobre a existência de práticas de encorajamento de candidaturas  	de homens ou de mulheres a profissões onde o respectivo sexo esteja  	sub-representado.</p> 	    <p><i>c) Aprendizagem ao longo da vida</i></p> 	    <p>A dimensão aprendizagem ao longo da vida encontra-se aqui considerada em  	dois domínios: a educação e a formação. Estes são analisados tendo em conta  	um conjunto de possíveis acções ou medidas, reflexo da importância que a  	empresa lhes confere. Procura-se aferir se a empresa tem presente o  	princípio da igualdade e da não discriminação entre mulheres e homens quando  	elabora planos de formação, e se assegura a ambos os sexos acesso idêntico à  	educação e à formação, nomeadamente quanto ao que possa ser considerado  	aprendizagem continuada. Outras questões interpelam a empresa sobre o  	cumprimento do número mínimo de horas de formação certificada, a priorização  	de homens ou mulheres em programas de formação dirigidos a funções onde  	estejam sub-representados/as e a incorporação de módulos formativos em  	igualdade de género nos planos de aquisição de competências.</p> 	    <p><i>d) Remunerações e gestão da carreira</i></p> 	    <p>Através desta dimensão fica-se a saber se a empresa contempla a igualdade  	e a não discriminação entre mulheres e homens na sua política de  	remunerações, promoções e processos de ascensão na carreira. A igualdade de  	remuneração por trabalho de valor igual, a existência de critérios claros de  	promoção e progressão que garantam a igualdade de acesso a categorias ou  	níveis hierárquicos mais elevados, bem como a possibilidade de uma gestão da  	carreira em moldes igualitários para homens e mulheres são questões aqui  	contempladas.</p> 	    <p><i>e) Diálogo social, participação de trabalhadores/as e suas  	organizações representativas</i></p> 	    <p>O diálogo social e a participação de trabalhadores e trabalhadoras na  	vida das organizações estão contemplados a vários níveis na legislação do  	trabalho, enquanto referencial de democratização e cidadania, no pressuposto  	de que, através dessa participação e diálogo, as empresas mobilizam vontades  	para alcançar os objectivos da modernização e da competitividade, atendendo  	também aos interesses e necessidades de quem nelas exerce a sua actividade  	profissional. Através desta dimensão apreende-se o modo de relacionamento da  	empresa com os seus recursos humanos e as organizações que os representam,  	de forma a apurar em que medida o diálogo social é parte integrante da  	cultura da empresa.</p> 	    <p><i>f) Dever de respeito pela dignidade de mulheres e de homens no local  	de trabalho</i></p> 	    <p>O dever de respeito por mulheres e homens no local de trabalho é  	garantido através de atitudes e comportamentos que não ponham em causa a  	dignidade de cada indivíduo. As questões respeitantes a esta dimensão  	pretendem captar a existência de princípios éticos e de normas que assegurem  	essa dignidade e previnam comportamentos indesejados, manifestados sob forma  	verbal, não verbal, física, de índole sexual ou outra. Verifica-se também se  	estão previstos mecanismos formais para apresentação de queixa em casos de  	assédio ou discriminação em função do sexo e para reparação de danos  	decorrentes da violação do respeito da dignidade de mulheres e homens no  	local de trabalho.</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>g) Informação, comunicação e imagem</i></p> 	    <p>As questões relativas a esta dimensão têm por objectivo conhecer os  	procedimentos da empresa em matéria de igualdade de género, no que concerne  	aos conteúdos comunicacionais transmitidos interna e externamente, bem como  	à existência e tratamento de dados estatísticos e de outra informação. É  	pertinente saber se a empresa utiliza uma linguagem (escrita, não escrita e  	imagens) neutra, inclusiva, sem impacto diferencial sobre mulheres e homens  	nos vários processos de comunicação, não reprodutora de estereótipos de  	género. Outras questões permitem apurar se a empresa possui e divulga  	informação relativa a direitos e deveres de trabalhadores/as e se procede ao  	tratamento desagregado por sexo dos dados e da informação onde tal prática  	se justifique.</p> 	    <p><i>h) Conciliação da vida profissional, familiar e pessoal</i></p> 	    <blockquote> 		    <p><i>h.1. Novas formas de organização do trabalho</i></p> 	</blockquote> 	    <p>As modalidades flexíveis de organização do trabalho constituem um dos  	indicadores mais importantes de conciliação da vida profissional, familiar e  	pessoal. Entendendo o tempo e o modo de organizar o trabalho como elementos  	reguladores do equilíbrio entre trabalho, família e vida pessoal, este grupo  	de questões visa saber de que forma a empresa os considera e atende às  	necessidades dos seus recursos humanos. Verifica-se aqui se a empresa  	contempla modos flexíveis de organização do trabalho, designadamente  	trabalho a partir de casa, tele-trabalho ou trabalho por objectivos. São  	também inventariadas as medidas previstas pela empresa para se atender a  	solicitações pessoais e familiares, e identificados possíveis regimes de  	trabalho em horário semanal compactado, bem como normas existentes para  	adequação do horário de trabalho por turnos às necessidades de conciliação  	da vida profissional, familiar e pessoal. Outras questões identificam,  	ainda, as possibilidades de trabalhar a tempo parcial ou de partilha do  	posto de trabalho.</p> 	    <blockquote> 		    <p><i>h.2. Benefícios directos a trabalhadores e trabalhadoras</i></p> 	</blockquote> 	    <p>A conciliação da vida profissional, familiar e pessoal pode ser alcançada  	através de políticas promovidas pela empresa, dirigidas directamente a  	trabalhadores e trabalhadoras ou a familiares. Esta dimensão capta a  	existência dos diversos tipos de medidas que, enquanto benefícios directos,  	contribuam para essa conciliação e para o bem-estar de quem trabalha na  	empresa. Designadamente, identifica medidas destinadas ao equilíbrio  	trabalho-família-vida pessoal de quem viva situações familiares especiais,  	como sejam as famílias monoparentais, com crianças com deficiência ou  	doenças crónicas, com netos/as filhos/as de mães adolescentes, entre outros  	casos. Capta também medidas que consagrem a concessão de períodos de tempo  	de assistência a familiares – ascendentes, descendentes ou cônjuges – para  	além do instituído por lei. Este ponto inventaria, igualmente, a existência  	de serviços, actividades ou outros benefícios promotores de saúde e  	bem-estar, de serviços de proximidade protocolizados e, ainda, de programas  	para a reintegração na vida activa de trabalhadores e trabalhadoras que dela  	tenham estado ausentes.</p> 	    <blockquote> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>h.3. Benefícios directos a familiares de trabalhadores e  		trabalhadoras</i></p> 	</blockquote> 	    <p>Entre as medidas que promovem a conciliação da vida profissional,  	familiar e pessoal contam-se aquelas dirigidas directamente a familiares de  	trabalhadores e das trabalhadoras – crianças, pessoas idosas ou outras em  	situação de dependência – a quem se tem o dever de prestar apoio e cuidados,  	podendo ou não ser coabitantes do agregado familiar. Neste ponto recolhe-se  	informação sobre benefícios directos proporcionados pela empresa a tais  	familiares. Inscrevem-se aqui as infra-estruturas próprias de acolhimento e  	prestação de cuidados, como o apoio de carácter permanente ou pontual e a  	criação de protocolos com estabelecimentos especializados na prestação de  	serviços a crianças, pessoas idosas ou com deficiência. Uma outra modalidade  	pode contemplar o apoio financeiro para pagamento de despesas com a  	aquisição desses serviços ou a educação de crianças e jovens em idade  	escolar. Esses benefícios contemplam ainda instalações próprias no domínio  	dos cuidados de saúde, extensivos ao agregado familiar ou planos de saúde  	inclusivos de familiares. São também aqui considerados os serviços de  	informação criados pela empresa para divulgar recursos existentes na sua  	área geográfica ou da residência de trabalhadores e trabalhadoras, os quais  	sejam facilitadores da conciliação da vida profissional, familiar e pessoal.</p> 	    <p><i>i) Protecção na maternidade, paternidade e assistência à família</i></p> 	    <p>A protecção na maternidade e na paternidade e o direito de assistência à  	família são reconhecidos como condição essencial para a promoção de uma  	relação equilibrada entre vida profissional e vida familiar. Para além dos  	mecanismos legalmente consagrados, as culturas organizacionais socialmente  	responsáveis incorporam valores que não impedem o uso desses direitos e  	contemplam incentivos de vária ordem, dirigidos aos pais e às mães, bem como  	a quem tenha familiares ao seu cuidado. Através desta dimensão verifica-se  	se a empresa, a exemplo do que a lei institui, reconhece de igual modo, o  	exercício de direitos de maternidade e de paternidade. Examina-se também a  	existência de benefícios por maternidade ou paternidade, por adopção ou pelo  	acompanhamento de filhos/as menores ou com deficiência, para além do  	previsto na legislação, tanto a nível monetário como de tempo de duração das  	licenças. Está também aqui contemplado o incentivo ao gozo do período de  	licença parental, de uso exclusivo do pai, remunerado pela Segurança Social.  	Uma outra medida a identificar reporta à política de contratação em regime  	de trabalho temporário, de quem substitua pais e mães a usufruírem licenças  	por paternidade, maternidade ou adopção.</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><i>Pontuação e apuramento de resultados</i></p> 	    <p>As perguntas inscritas nas dimensões do questionário estão classificadas  	em duas categorias, A e B, correspondendo o tipo A a questões sancionadas  	pela legislação. As respostas negativas registadas neste conjunto  	representam alguma forma de incumprimento da lei. Nas questões tipo B as  	empresas podem contabilizar uma pontuação entre 0 e 1000 pontos, o que as  	situa numa das 4 posições possíveis. Quanto maior for essa pontuação melhor  	posicionada se encontra a empresa, a nível de práticas de responsabilidade  	social em igualdade de género, conciliação da vida profissional com a vida  	familiar e pessoal, e protecção da maternidade e paternidade. As posições 1  	(&gt;= 750 pontos) e 2 (&gt;=500 e &lt;750) correspondem, respectivamente, a práticas  	de excelência e a boas práticas nos domínios acima referidos. A posição 3  	(&gt;=250 e &gt;500) indicia ter a empresa algumas práticas implementadas mas com  	reduzida expressão, correspondendo a posição 4 (&lt; 250) a uma insuficiente ou  	nula existência de práticas. A aferição das questões B não pontuadas vai  	permitir à empresa identificar as lacunas das suas políticas e práticas,  	relativamente às quais poderá definir e implementar medidas que integrem um  	plano de acção.</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>O Referencial de Formação em Igualdade de Género para Consultores/as e  	Auditores/as</b></p> 	    <p>O Referencial de Formação em Igualdade de Género para Consultores/as e  	Auditores/as foi perspectivado conjuntamente com o Guia de Auto-Avaliação da  	Igualdade de Género nas Empresas, tendo em vista produzir um instrumento  	formativo que contribuísse para dar resposta à necessidade de desenvolver  	competências em igualdade de género junto de um público-alvo particularmente  	estratégico para apoiar as empresas no diagnóstico e implementação de boas  	práticas em igualdade entre mulheres e homens – consultores/as e  	auditores/as.</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O perfil visado e delineado, assente nas competências profissionais deste  	corpo profissional, no que diz respeito às competências inerentes à  	capacitação de realizar auditorias sociais, tem o objectivo de integrar a  	perspectiva da igualdade de género na análise de contexto empresarial com  	vista à implementação de uma política da igualdade entre mulheres e homens  	nas empresas. Pretende-se assim, no final da formação, que estes e estas  	profissionais fiquem com aptidão para realizar as seguintes actividades  	principais:</p> 	<ul> 		    <li>Apoiar as empresas no processo de reflexão sobre as vantagens da  		implementação de uma política de igualdade de género transversal à  		organização;</li> 		    <li>Apoiar as empresas no diagnóstico da assimetria de género e na  		identificação das acções a desenvolver com vista a promover a igualdade  		de género na empresa;</li> 		    <li>Elaborar o plano para a igualdade de género nas empresas;</li> 		    <li>Assessorar as empresas de forma a criar e optimizar competências  		internas no domínio da igualdade de género;</li> 		    <li>Recomendar metodologias e medidas consistentes para a concretização  		da igualdade de homens e de mulheres (acções de formação, consultoria  		especializada, acções positivas, soluções inovadoras, por exemplo).</li> 	    </ul> 	    <p>A proposta de conteúdos que é apresentada colhe da longa reflexão que a  	CITE vem desenvolvendo<sup><u><a name="top3" href="#3">2</a></u></sup>,  	sobre a intervenção da formação em igualdade de género e da participação em  	projectos, designadamente no Sub-projecto DELFIM «Igualdade de Oportunidades  	entre Mulheres e Homens», que permitiu o questionamento de como fazer a  	formação em igualdade de género, a produção de materiais formativos e a  	testagem de diversos modos de sensibilização.</p> 	    <p>O percurso formativo, que aponta para uma duração mínima de 21 horas,  	está estruturado em torno de duas componentes de formação:</p> 	    <p>– Formação de base em igualdade de género centrada na aquisição de  	competências- chave em igualdade de género;</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>– Formação específica em mainstreaming de igualdade de género para o  	reforço de competências inerentes à elaboração de planos para a igualdade  	nas empresas.</p> 	    <p>A componente de Formação de Base em Igualdade de Género obedece ao  	Referencial de Formação de Formadores/as em Igualdade entre Mulheres e  	Homens (CITE, 2000) e ao Referencial de Formação Contínua de Formadores  	«Para uma Cidadania Activa: A Igualdade de Homens e Mulheres» (Cunha Rêgo/IEFP-CNFF,  	2004), e percorre as três grandes etapas formativas da formação em Igualdade  	entre mulheres e homens:</p> 	    <p>– Conhecer a realidade da situação dos homens e das mulheres no mercado  	do trabalho;</p> 	    <p>– Reflectir sobre a realidade e falar do mesmo;</p> 	    <p>– Intervir para a mudança.</p> 	    <p>A Formação Específica é estruturada em função de uma estratégia formativa  	coerente com os princípios de gestão da mudança. Assim, propõe-se um  	percurso formativo assente no processo de intervenção e que contempla  	sequencialmente os seguintes conteúdos:</p> 	    <p>– A Igualdade de género no quadro da Responsabilidade Social;</p> 	    <p>– Em que consiste uma política de igualdade de género;</p> 	    <p>– Implementar uma política de Igualdade de Género nas empresas;</p> 	    <p>– Diagnóstico da situação da empresa no que respeita à Igualdade de  	Género;</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>– O Plano para a Igualdade de Género.</p> 	    <p>O Referencial de Formação em Igualdade de Género para Consultores/as e  	Auditores/as contem um capítulo de Documentos de Apoio, constituído por um  	conjunto de textos e instrumentos de trabalho concebidos de origem ou  	seleccionados a partir de outros produtos, directamente relacionados com os  	conteúdos formativos, com o objectivo de permitir monitorar o desempenho  	dos/as formadores/as e que deverão constituir instrumentos de trabalho de  	referência para o desenvolvimento das acções de formação. São exemplo destes  	documentos: o questionário de diagnóstico em igualdade de género; exemplos  	de medidas e boas práticas das empresas associadas do Projecto; a  	disponibilização de um guião para elaboração do plano para a igualdade de  	género, que apresenta uma ficha-modelo e um exemplo do seu preenchimento  	relativo à dimensão da comunicação e linguagem.</p> 	    <p>Faz parte, ainda, do Referencial um capítulo relativo à aplicação do  	referencial de formação em duas acções-piloto, já realizadas, com a  	documentação aí utilizada – o programa da formação, os documentos de  	powerpoint de apresentação dos conteúdos temáticos de cada uma das sessões  	de formação, fichas de actividade dos exercícios e trabalhos de grupo  	realizados ao longo das sessões, relativas aos seguintes temas «Como se  	implementa uma política de igualdade de género nas empresas» e «Em que  	consiste um plano para a igualdade de género».</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>O Solucionário – Um Instrumento para a Promoção de Boas Práticas nas  	Empresas</b></p> 	    <p>O Solucionário constitui uma ferramenta fundamental para qualquer empresa  	que esteja interessada em integrar nas suas políticas e práticas medidas no  	domínio da igualdade de género, da conciliação da vida profissional,  	familiar e pessoal e da protecção da maternidade e da paternidade. Nele se  	apresenta a metodologia desenvolvida pelo Projecto com um grupo de nove  	empresas, de várias dimensões e de diversos sectores de actividade,  	demonstrando as suas boas práticas, dificuldades encontradas e formas de as  	ultrapassar. O Solucionário será, igualmente, um importante instrumento de  	trabalho para outras entidades, públicas ou privadas, que se proponham  	apoiar empresas no desenvolvimento/reforço de medidas e práticas neste  	domínio.</p> 	    <p>Na construção do Solucionário privilegiou-se, de forma inovadora, uma  	abordagem entre pares, empresas associadas e entidades parceiras do  	Projecto, que conjuntamente identificaram e demonstraram boas práticas e  	soluções em matéria de igualdade de género.</p> 	    <p>O Projecto DIÁLOGO SOCIAL E IGUALDADE NAS EMPRESAS, através do processo  	de diagnóstico desenvolvido na sua Acção 1, verificou que, em geral, as  	empresas e outras entidades empregadoras evidenciam dificuldades no  	reconhecimento e na promoção da igualdade entre mulheres e homens. A este  	problema estão associadas, nomeadamente, as seguintes causas:</p> 	    <p>– um desconhecimento relativo da temática da igualdade entre mulheres e  	homens, bem como a desvalorização da sua importância por se considerar ser  	extemporânea no actual contexto de desenvolvimento e tendo em conta o quadro  	jurídico, que salvaguarda a igualdade entre os sexos;</p> 	    <p>– representações sociais dominantes que desvalorizam os papéis femininos  	face aos masculinos;</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>– desconhecimento de como promover a igualdade e não discriminação entre  	mulheres e homens e a conciliação entre a vida profissional, familiar e  	pessoal;</p> 	    <p>– tendência para abordar a temática da igualdade de oportunidades em  	sentido lato, subvalorizando a dimensão da igualdade de género;</p> 	    <p>– insuficiente disponibilização de metodologias de intervenção e  	instrumentos de monitorização no domínio da promoção da igualdade e não  	discriminação em contexto laboral;</p> 	    <p>– dificuldade em associar a igualdade entre mulheres e homens às  	vantagens competitivas que daí advêm para a empresa;</p> 	    <p>– visão tradicional e essencialista da maternidade, pouco conforme com os  	novos princípios legais e valores sociais que vão no sentido de uma  	crescente valorização do papel do pai;</p> 	    <p>– algum conformismo por parte das empresas no que se refere à segregação  	horizontal e vertical em função do género, evidenciando um desconhecimento  	acerca de medidas activas que possam contribuir para a dessegregação;</p> 	    <p>– insuficientes mecanismos de reconhecimento e de acompanhamento da  	promoção da igualdade entre mulheres e homens em contexto laboral e da  	conciliação da vida profissional, familiar e pessoal.</p> 	    <p>Face a este diagnóstico, foi concebida e desenvolvida, no âmbito do  	Projecto, a actividade da qual decorre este Solucionário, visando o  	encorajamento de boas práticas nas empresas, promovendo a igualdade de  	género, a conciliação da vida profissional e da vida familiar e a protecção  	da maternidade e da paternidade.</p> 	    <p>Esta actividade assentou numa metodologia de trabalho que assentou no  	envolvimento e na participação activa de empresas com boas práticas  	publicamente reconhecidas nestes domínios. A perspectiva adoptada  	privilegiou, assim, o trabalho intra e inter empresas para que conjuntamente  	identificassem e partilhassem, numa lógica de demonstração, soluções de  	sucesso com vista a darem resposta a alguns dos problemas e dificuldades  	sentidos e à incorporação ou reforço de medidas promotoras da igualdade de  	género e da conciliação da vida profissional, familiar e pessoal nas suas  	políticas e práticas empresariais.</p> 	    <p>O Solucionário surge como produto desta actividade, com um duplo  	objectivo: o de narrar o processo, com particular enfoque na metodologia de  	trabalho adoptada, uma vez que esta se constitui, sem dúvida, como factor  	crítico de sucesso da mesma; e o de apresentar algumas das soluções  	inovadoras e bem sucedidas no domínio da igualdade de género e da  	conciliação da vida profissional e da vida familiar e pessoal, identificadas  	nas empresas associadas do Projecto.</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Entenderam associar-se ao Projecto (tal como acima referido) as seguintes  	empresas: Grafe, IBM, Microsoft, Somague, Xerox, Auchan, AXA, Estoril Sol e  	TAP. No conjunto das empresas associadas, as quatro últimas têm organizações  	representativas de trabalhadores/as.</p> 	    <p>O desenvolvimento do trabalho com as empresas teve lugar em dois  	momentos:</p> 	    <p>– um primeiro, de diagnóstico, no sentido de identificar e caracterizar  	boas práticas, por um lado, e fragilidades ou áreas de melhoria, por outro,  	com vista à implementação/reforço de boas práticas no domínio da igualdade  	de género, da conciliação da vida profissional e da vida familiar e pessoal  	e da protecção da maternidade e da paternidade;</p> 	    <p>– um segundo, de diálogo e cooperação inter-empresas, no sentido da  	demonstração/incorporação de boas práticas empresariais neste domínio.</p> 	    <p>Com vista ao desenvolvimento do trabalho com as empresas, foram criados  	dois instrumentos: um, de caracterização de boas práticas no domínio da  	igualdade de género e outro com carácter de instrumento de diagnóstico da  	igualdade de género na empresa.</p> 	    <p>Quanto à sua estrutura, o instrumento de caracterização de boas práticas  	no domínio da igualdade de género está organizado da seguinte forma:</p> 	<ol type="a"> 		    <li>Identificação da empresa</li> 		    <li>Identificação da prática</li> 		    <li>Construção e implementação da prática</li> 		    <li>Resultados e mais-valias da prática</li> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Potencial de transferibilidade e sustentabilidade da prática.</li> 	    </ol> 	    <p>A aplicação deste instrumento envolveu a auscultação, na maior parte dos  	casos, do director ou da directora de recursos humanos ou sua/seu  	representante, bem como de profissionais alguns recursos humanos da empresa  	que beneficiam das práticas identificadas.</p> 	    <p>O instrumento de diagnóstico da igualdade de género na empresa teve como  	objectivo a identificação de boas práticas mas também de problemas e  	obstáculos sentidos pela empresa no domínio da igualdade de género. Para  	tal, o instrumento de apoio ao diagnóstico da empresa estruturou-se em torno  	de 10 dimensões, cada uma delas subdividida num conjunto de indicadores que  	permitem caracterizar as práticas de gestão da empresa em matéria de  	igualdade de género, conciliação da vida profissional, familiar e pessoal e  	protecção da maternidade e da paternidade<sup><u><a name="top4" href="#4">3</a></u></sup>:  	missão e valores da empresa; selecção e recrutamento de pessoal;  	aprendizagem ao longo da vida; promoções e progressão na carreira;  	remunerações; diálogo e participação de trabalhadores e trabalhadoras; dever  	de respeito pela dignidade de mulheres e homens no local de trabalho;  	informação, comunicação e imagem; conciliação da vida familiar, profissional  	e pessoal; protecção na maternidade e paternidade e assistência à família.</p> 	    <p>Na parte final, este documento apresenta um quadro síntese, no qual são  	identificadas boas práticas e fragilidades, com vista a possibilitar à  	empresa a definição de áreas possíveis de intervenção no âmbito da igualdade  	de género.</p> 	    <p>O processo de recolha de informação nas empresas envolveu o recurso à  	seguinte estratégia: realização de entrevistas, com vista ao preenchimento  	do instrumento; complementarmente, solicitação às empresas de informação  	e/ou documentação adicional para maior consolidação/esclarecimento de cada  	um dos tópicos, que veio a ser objecto de cuidadosa análise e interpretação.</p> 	    <p>O trabalho inter-empresas concretizou-se através de um conjunto de  	sessões orientadas por uma lógica de cooperação, partilha de experiências e  	demonstração mútua de boas práticas que fossem de encontro às necessidades e  	interesses manifestados pelas várias empresas.</p> 	    <p>Nestas sessões de trabalho as empresas assumiram um papel central, ora no  	papel de «demonstradoras» ora de interessadas em virem a incorporar a  	prática demonstrada. Privilegiou-se, assim, uma abordagem inovadora, de  	trabalho entre pares, de empresa para empresa (embora sempre com o apoio e  	enquadramento da equipa do Projecto), para que conjuntamente identificassem  	e demonstrassem soluções.</p> 	    <p>Tiveram lugar seis sessões de trabalho inter-empresas. Importa referir  	que duas destas assumiram um carácter distinto da lógica de demonstração  	interempresas. Tratou-se, nestes casos, de corresponder a necessidades  	sentidas pelas empresas, recorrendo ao contributo de formadoras externas ao  	Projecto, peritas, respectivamente, em igualdade de género e em linguagem e  	imagem inclusivas como instrumento de promoção da igualdade de mulheres e de  	homens nas empresas.</p> 	    <p>As práticas a demonstrar/incorporar pelas empresas enquadraram-se nas  	seguintes áreas temáticas:</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>– formas de organização do tempo de trabalho facilitadoras da conciliação  	com a vida familiar;</p> 	    <p>– instrumentos e indicadores de monitorização de medidas promotoras da  	igualdade de género: um contributo para o desenvolvimento de planos de acção  	para a igualdade de género nas empresas;</p> 	    <p>– mulheres e liderança;</p> 	    <p>– dessegregação do mercado de trabalho: sensibilização de raparigas para  	as áreas das engenharias e das tecnologias.</p> 	    <p>As boas práticas identificadas nas empresas associadas foram, ainda,  	objecto de registo audiovisual, através da concepção de um vídeo. Este  	pretende mostrar exemplos de práticas empresariais bem sucedidas em matéria  	de igualdade de género e de conciliação da vida profissional, familiar e  	pessoal, evidenciando as mais valias da sua implementação, tanto para as  	empresas como para os trabalhadores e as trabalhadoras que delas beneficiam.  	Nesse sentido, o Vídeo integra depoimentos de quadros dirigentes,  	trabalhadores/as e membros das respectivas 	organizações representativas das diversas empresas associadas.</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>Algumas Notas Finais em Jeito de Avaliação</b></p> 	    <p><i>«Estas coisas fazem-nos pensar»</i>, dizia, a certo momento, a pessoa  	responsável por uma empresa parceira deste projecto. Contudo, mais do que  	fazer pensar, o projecto <i>DIÁLOGO SOCIAL E IGUALDADE NAS EMPRESAS</i>  	contribuiu, de facto, para fazer agir. Agir em prol da igualdade de género  	nas empresas. Agir envolvendo neste processo de mudança responsáveis de  	empresas, trabalhadores e trabalhadoras e suas organizações representativas.</p> 	    <p>E a mudança foi, de facto, acontecendo. Muitas vezes em pequenas  	(grandes) coisas, que vão (re)modelando a cultura organizacional, como o  	evidencia o excerto retirado do depoimento do dirigente de uma outra empresa  	envolvida no projecto:</p> 	    <blockquote> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote> 			    <p><i>Neste momento, temos duas directoras de obra. A este nível  			houve até uma situação que vale a pena lembrar: contactámos uma  			engenheira civil para uma entrevista, para o cargo de directora de  			obra e apercebemo-nos da dificuldade que, na prática, as mulheres  			têm em se poder disponibilizar para estes cargos. Esta engenheira  			estava desempregada e respondeu-nos que até poderia vir à entrevista  			mas teria de trazer os dois filhos pequenos que estavam a seu cargo  			naquele momento. Ora, com certeza, não seria uma entrevista muito  			pacífica, então decidimos que essa entrevista seria feita por  			telefone. Temos perfeita noção de que é muito difícil conciliar a  			vida familiar com a vida profissional e para as mulheres ainda  			continua a ser pior do que para os homens. É um facto. É verdade que  			se deve dar mais oportunidade às mulheres nestes cargos, de  			responsável de obra por exemplo, mas também é verdade que, muitas  			vezes, damos essas oportunidades e são elas que as rejeitam. No  			nosso sector não podemos garantir que irão ficar numa obra perto de  			casa e este é um trabalho que pode demorar alguns meses. Este é, sem  			dúvida, um obstáculo tanto para mulheres como para homens, mas mais  			para mulheres. É preciso forçar a mudança. A [empresa] tem feito um  			esforço nesse sentido, mas não é fácil. A pouco e pouco vai-se  			criando a outro nível condições para se conseguir essa mudança.</i></p> 		</blockquote> 	</blockquote> 	    <p>Uma outra empresa criou incentivos específicos aos homens que nela  	trabalham para quando do nascimento dos/as filhos/as utilizarem pelo menos  	um mês da licença de maternidade/paternidade, promovendo assim uma maior  	participação e envolvimento do pai com a criança recém-nascida. Noutra,  	ainda, foi desenvolvido um programa para promover maior participação das  	mulheres em cargos de liderança.</p> 	    <p>A mudança ocorreu também noutros domínios, num processo de partilha e de  	troca, empoderador de quem nele participou, ao longo do qual que se foi  	aprofundando a reflexão, se alargaram perspectivas, descobriram novos  	caminhos e soluções para promover a igualdade de mulheres e de homens nas  	empresas.</p> 	    <p>Tratou-se, contudo, de um processo experimental, de amplitude confinada,  	que requer acções futuras e continuadas de modo a poder abranger maior  	número de organizações empresariais dispostas a encetar este tipo de  	mudanças. Como verbalizou uma das empresas associadas ao projecto:</p> 	    <blockquote> 		    <blockquote> 			    <p><i>(...) é pertinente mencionar que este foi o primeiro passo a  			dar e que este projecto é inovador pelo facto de ter conseguido  			juntar um conjunto de empresas que se reuniram e que abriram as suas  			portas, mostrando os seus aspectos bons, mas também as suas  			fragilidades e os pontos onde podem evoluir. Neste sentido, esta é  			uma situação inovadora e que pode ser catalisadora de outras  			iniciativas nestes domínios.</i></p> 		</blockquote> 	</blockquote> 	    <p>Catalisar a mudança é, pois, um bom desígnio para a disseminação deste  	projecto e dos instrumentos que desenvolveu, tendo em vista a promoção de  	boas práticas em igualdade de género nas empresas, numa lógica de diálogo e  	no quadro da responsabilidade social.</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Referências bibliográficas</b></p> 	    <!-- ref --><p>Broadbridge, Adelina e Hearn, Jeff (2008), «Gender and management: new  	directions in research and continuing patterns in practice», British Journal  	of Management, Vol. 19, Issue s1, pp. S38-S49.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000184&pid=S0874-5560200800020000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>CITE (2003), Referencial de Formação de Formadores/as em Igualdade entre  	Mulheres e Homens, produzido no âmbito do Sub-projecto DELFIM «Igualdade de  	Oportunidades entre Mulheres e Homens», Lisboa, CITE.</p> 	    <p>Cunha Rêgo, Maria do Céu da/IEFP-CNFF (2004), Referencial de Formação  	Contínua de Formadores «Para uma Cidadania Activa: A Igualdade de Homens e  	Mulheres», IEFP – CNFF.</p> 	     <p>Cunha Rêgo, Maria do Céu da (2007), Conferência Conciliação entre a Vida Profissional,    a Vida Pessoal e Familiar – novos desafios para os parceiros sociais e as políticas    públicas, EU2007.PT, Lisboa, 13 de Julho de 2007, [em linha] disponível em <a href="http://www.cite.gov.pt" target="_blank">www.cite.gov.pt</a>    [consultado em Março de 2008].</p> 	    <p>Guerreiro, Maria das Dores e Pereira, Inês (2006), Responsabilidade  	Social das Empresas, Igualdade e Conciliação Trabalho-Família. Experiências  	do Prémio «Igualdade é Qualidade», Lisboa, CITE.</p> 			    <p>&nbsp;</p> 			    <p><b>Notas</b></p> 			    <p><a name="2" href="#top2">1</a> Maria das Dores Guerreiro e  			Heloísa Perista têm coordenado equipas, respectivamente, do Centro  			de Investigação e Estudos de Sociologia, CIES-ISCTE e do Centro de  			Estudos para a Intervenção Social, CESIS, as quais, desde 1999, têm  			procedido à avaliação técnica das candidaturas ao «Prémio Igualdade  			é Qualidade», promovido pela CITE, Comissão para a Igualdade no  			Trabalho e no Emprego.</p> 	    <p><a name="3" href="#top3">2</a> No sentido de dar resposta às exigências  	do Plano Nacional de Emprego nesta área, bem como às das Iniciativas  	Comunitárias e do QCA III.</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="4" href="#top4">3</a> A estrutura deste instrumento serviu de  	base, de forma adaptada, ao questionário proposto num outro produto do  	Projecto: Guia de auto-avaliação da igualdade de género nas empresas.</p> 			    <p>&nbsp;</p> 			     <p><b>Heloísa Perista</b>, Socióloga, investigadora sénior e membro da Direcção    do CESIS – Centro de Estudos para a Intervenção Social. Contactos: Rua Rodrigues    Sampaio, n.º 31-S/L-Dta. – 1150-278 Lisboa. E-mail: <a href="mailto:heloisa.perista@cesis.org">heloisa.perista@cesis.org</a></p> 	     <p><b>Maria das Dores Guerreiro</b>, socióloga, professora do Departamento de    Sociologia do ISCTE e investigadora-coordenadora do CIES-ISCTE. Contactos: ISCTE,    Av. Forças Armadas, 1649-026 Lisboa. E-mail: <a href="mailto:maria.guerreiro@iscte.pt">maria.guerreiro@iscte.pt</a></p> 	     <p><b>Clara Maria Marques Soares de Jesus</b>, Licenciada em Serviço Social pelo    ISSS de Lisboa (1971), Pós-graduação em Gestão de Projectos em Parceria, U.A.,    e em Gestão de Recursos Humanos; Coordenadora do Projecto Diálogo Social e Igualdade    nas Empresas, em representação da CITE, Perita, consultora e formadora em Igualdade    de Oportunidades entre Homens e Mulheres e em Recursos Humanos. Contactos: Rua    dos Soeiros, 320 – 2.º Esq – 1500-582 Lisboa. E-mail: <a href="mailto:claradejesus@sapo.pt">claradejesus@sapo.pt</a>  </p>     <p><b>Maria Luísa Moreno</b>, Licenciatura em Ciências Sociais e Políticas, Assessora    Principal da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE). Contactos:    Rua Professor Mark Athias, Lote A1, 2&ordm; A - 1600 Lisboa. E-mail: <a href="mailto:lmoreno@cite.gov.pt">lmoreno@cite.gov.pt</a>  </p>     <p>&nbsp; </p> 	    <p><i>Artigo recebido em 31 de Maio de 2008 e aceite para publicação em 9 de Outubro    de 2008.</i></p>           ]]></body><back>
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