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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Mulher e mãe no contexto de violência doméstica]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Woman and mother in the context of domestic violence]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade do Minho Serviço de Consulta Psicológica e Desenvolvimento Humano Unidade de Consulta em Psicologia da Justiça]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The present paper aims to identify and to argue some central aspects contained in the relationship of domestic violence on the woman and the effect produced in her identity, role and parental experience. Some of the direct and indirect consequences of this phenomenon are pointed with respect to mother. Some of the particularities in the parenting performance whether or not the victim remains in the relationship and the eventual emergent conflicts of interest of this experience are analyzed. Finally, the idea of the importance of the aid to parenting in cases of domestic violence is supported, and some directives for further research are suggested.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="fr"><p><![CDATA[Ce texte a comme but identifier et discuter quelques aspects fondamentaux dans la relation entre la violence domestique sur la femme et les effets produits au niveau de son identité, son rôle et l’expérience parentale. On énumère quelques conséquences directes et indirectes de ce phénomène pour la mère. On débat quelques particularités dans l’accomplissement de la parentalité, en étant ou pas la victime dans la relation et les éventuels conflits d’intérêt issus de cette expérience. Finalement, on soutient l’idée de l’importance du support à l’exercice de la parentalité en cas de violence domestique et on suggère quelques directives dans la recherche de cette thématique.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[   	     <p><b>Mulher e m&atilde;e no contexto de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica</b></p> 	     <p align="right"><b>Ana Sani<sup></sup></b></p>     <p align="right">&nbsp;</p>     <p align="right">Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Fernando    Pessoa</p>          <p>&nbsp;</p> 			     <p><b>Resumo </b></p>     <p>O presente texto pretende identificar e discutir alguns aspectos centrais contidos    na relação entre a violência doméstica sobre a mulher e os efeitos produzidos    ao nível da sua identidade, papel e experiência parental. Apontam-se algumas    das consequências directas e indirectas deste fenómeno para a mãe. Debatem-se    algumas das particularidades no desempenho da parentalidade, permanecendo ou    não a vítima na relação e os eventuais conflitos de interesse emergentes desta    experiência. Por fim, sustenta-se a ideia da importância do suporte ao exercício    da parentalidade em casos de violência doméstica e sugerem-se algumas directrizes    na investigação desta temática.</p> 			    <p><b>Palavras-chave</b> mulher, violência doméstica, mãe,  			parentalidade</p> 			    <p>&nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Abstract</b></p>    <p><b> 	Woman and mother in the context of domestic violence</b></p>    <p> 	The present paper aims to identify and to argue some central aspects  	contained in the relationship of domestic violence on the woman and the  	effect produced in her identity, role and parental experience. Some of the  	direct and indirect consequences of this phenomenon are pointed with respect  	to mother. Some of the particularities in the parenting performance whether  	or not the victim remains in the relationship and the eventual emergent  	conflicts of interest of this experience are analyzed. Finally, the idea of  	the importance of the aid to parenting in cases of domestic violence is  	supported, and some directives for further research are suggested.</p> 			    <p><b>Keywords</b> woman, domestic violence, mother, parenting</p> 			    <p>&nbsp;</p> 			    <p><b>Résumé</b></p>    <p> 			<b>Femme et mère dans le contexte de violence domestique</b></p>    <p> 			Ce texte a comme but identifier et discuter quelques aspects  			fondamentaux dans la relation entre la violence domestique sur la  			femme et les effets produits au niveau de son identité, son rôle et  			l’expérience parentale. On énumère quelques conséquences directes et  			indirectes de ce phénomène pour la mère. On débat quelques  			particularités dans l’accomplissement de la parentalité, en étant ou  			pas la victime dans la relation et les éventuels conflits d’intérêt  			issus de cette expérience. Finalement, on soutient l’idée de  			l’importance du support à l’exercice de la parentalité en cas de  			violence domestique et on suggère quelques directives dans la  			recherche de cette thématique.</p> 			    <p><b>Mots-clés</b> femme, violence domestique, mère, parentalité</p> 			     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> 			    <p><b>Introdução</b></p> 	    <blockquote> 		    <blockquote> 			    <p><i>«Não sou comunicativa com eles como eles mereciam. Estou  			cansada. (...) Eu quero dar apoio aos meus filhos, quero ajudá-los  			mais do que até agora». Mãe e vítima de violência doméstica</i></p> 		</blockquote> 	</blockquote> 			    <p>A crescente consciência social sobre o problema da violência  			doméstica e o reforço legislativo (cf. lei 48/2007) operado no seu  			reconhecimento constituem passos importantes para a detecção e  			combate de um dos maiores flagelos da nossa sociedade.</p> 	    <p>A violência doméstica é um fenómeno que abarca uma diversidade de  	tipologias de vitimação (e.g., violência conjugal, maus tratos infantis,  	violência sobre idosos), estando legalmente identificada como crime. Neste é  	dado uso a um conjunto de práticas violentas e/ou não violentas (e.g.,  	omissões, controlo), cujo propósito do ofensor é dominar o outro. No caso da  	violência sobre a mulher, o intuito é infligir deliberadamente dano, induzir  	medo, subordinar, desvalorizar, fazer sentir-se incompetente, através de  	práticas abusivas (e.g., violência física, psicológica ou sexual), com  	tendência a escalarem de frequência e intensidade com o tempo (Matos, 2005).</p> 	    <p>A mulher vítima de violência no contexto doméstico continua a  	protagonizar o cenário das estatísticas criminais portuguesas. Os dados de  	2007 da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV, 2007) apontam que  	87,2% do crime registado foi de violência doméstica, sendo a residência  	comum (da vítima e ofensor) o espaço habitual (em 67,3% dos locais  	registados) para o cometimento desta vitimação, tipicamente uma vitimação  	continuada (78%). O perfil traçado quanto à vítima de crime distingue o  	género feminino e revela que são, geralmente, mulheres entre os 26 e os 45  	anos que vivem em família nuclear com filhos.</p> 	    <p>Na origem do fenómeno podem estar diversos factores de natureza  	individual (e.g., psicopatologia do ofensor), relacional (e.g.,  	transgeracionalidade da violência), conjectural (e.g., divórcio) ou  	sóciocultural (e.g., socialização para a desigualdade de género; tolerância  	da violência sobre o cônjuge) (Matos, 2002).</p> 	    <p>Comecemos a nossa discussão teórica por analisar alguns dos efeitos,  	directos e indirectos, da violência doméstica sobre a mulher, para depois  	percebermos os diversos desafios emergentes no exercício do seu papel  	enquanto mãe. Antes de concluir, avançamos com breves recomendações para a  	intervenção e para a investigação.</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> 	    <p><b>Os efeitos da violência doméstica sobre a mulher</b></p> 	    <p>Viver num ambiente familiar hostil e violento é extremamente debilitante  	para a vítima, geralmente uma mulher, afectando-a de forma directa, física e  	psicologicamente, e indirecta ao interferir necessariamente com a sua  	capacidade de gestão da relação com os filhos, com a qualidade da vinculação  	e o nível de ajustamento das crianças (Levendosky, Huth-Bocks, Shapiro e  	Semel, 2003). Uma das conclusões mais aceites pelos teóricos e  	investigadores que trabalham nesta área é a de que as mulheres que  	experienciam violência doméstica apresentam níveis de stress superiores às  	que não vivenciam essa situação (Levendosky e Graham-Bermann, 2001). A  	mulher vítima de violência doméstica pode experienciar uma baixa  	auto-estima, depressão, ansiedade, sentimentos de impotência e culpa, os  	quais afectam as suas competências de coping, as suas capacidades parentais  	(Sudermann e Jaffe, 1999) e o sentimento de segurança na vinculação com os  	seus filhos (Levendosky et al., 2003).</p> 	    <p>A concretização efectiva do seu papel enquanto progenitora transforma-se  	numa tarefa complicada quando a violência integra o quotidiano da família.  	Durante um episódio violento a vítima direcciona grande parte da sua atenção  	e energia para a monitorização e avaliação do estado afectivo do companheiro  	e a tendência para ser violento. Neste ambiente é provável que a vítima se  	preocupe com questões como a sua segurança e a dos filhos e possa descuidar  	a satisfação das necessidades das suas crianças (Holden, Stein, Ritchie,  	Harris e Jouriles, 1998; Osofsky, 1999; Zuckerman, 1999). Para além disso, a  	experiência de violência destrói a crença acerca da capacidade parental da  	vítima para proteger e tornar a vida da criança segura. A própria criança  	pode percepcionar o progenitor abusado como incapaz de dar protecção e  	segurança, comprometendo-se fortemente uma vinculação segura (Lawson, 2001),  	o que torna a criança mais vulnerável a estados afectivos variáveis,  	imprevisíveis e negativos (Davies e Cummings, 1994). Levendosky e  	colaboradores/as (2003) concluem a partir de um estudo em que examinaram o  	papel mediador da relação mãe-criança no funcionamento de 103 crianças em  	idades pré-escolares com experiência de violência doméstica, que as mulheres  	que estavam deprimidas devido à violência apresentavam uma menor eficácia  	parental e uma vinculação mais insegura com as suas crianças. Os autores  	revelam ainda, relativamente ao comportamento observados das crianças, que  	estas interagem menos positivamente com elas, isto é, mostram menor foco de  	atenção, afecto menos positivo, menores interacções verbais e menor  	proximidade (Levendosky et al., 2003), no caso das suas mães terem sido  	maltratadas.</p> 	    <p>Durante a permanência no relacionamento ou, mesmo, após terem deixado a  	relação abusiva, muitas das mães enfrentam com stress as mudanças  	inesperadas no comportamento dos filhos, o que constitui para elas um enorme  	desafio. As progenitoras percebem que a vivência de conflitos familiares é  	extremamente difícil para os filhos, os quais podem sentir simpatia e  	suporte por elas, mas simultaneamente sentirem-se ressentidos e  	desrespeitarem-nas, devido à opinião que têm sobre as suas escolhas (Sudermann,  	Jaffe e Watson, 1996). O protelar pelas mães de decisões importantes  	desencadeia nestes jovens, raiva e frustração, que em situações mais  	dramáticas podem resultar em fugas de casa ou envolvimento em comportamentos  	delinquentes (Jaffe, Wolfe e Wilson, 1990). Algumas crianças, em particular  	as mais velhas, podem adoptar um comportamento abusivo com a progenitora e,  	à semelhança do que testemunharam, desafiar a sua autoridade e limites (Sudermann  	e Jaffe, 1999).</p> 	    <p>O aumento dos níveis de dominação e criticismo dos filhos tende a  	coincidir com mudanças consideráveis na forma da progenitora exercer o seu  	papel parental e tal pode perturbar a relação que mantêm com os seus filhos.  	As mães vítimas de violência podem tornar-se inconsistentes em termos  	parentais por causa do abuso sofrido (Hester, Pearson e Harwin, 2002). É  	possível que a mãe na presença do ofensor altere as suas práticas por uma  	questão de segurança e as suas atitudes possam ser interpretadas pelo menor  	como comportamento de submissão. As expectativas de respeito da parte dos  	seus filhos, contrastam extremamente com o comportamento exibido pelo pai da  	criança sobre a mãe, daí as mudanças de atitude de alguns menores. Em certos  	casos, a relação mãe-filho é afectada de forma tão negativa que algumas  	progenitoras passam, elas próprias, a adoptar comportamentos coercivos como  	estratégia parental para lidar com os filhos ou como forma de minimizar ou  	evitar acções mais severas da parte do companheiro. A literatura (e.g.,  	Cecconello, De Antoni e Koller, 2003) demonstra que as práticas  	disciplinares coercivas por parte dos pais acarretam uma série de  	consequências negativas e aumentam o risco quer de perpetração quer de  	vitimação nas relações futuras. Acrescente-se, porém, que as mães podem  	tender a ser agressivas para com os seus filhos quando vivem em violência,  	sendo a probabilidade de agressão muito menor quando estas se encontram numa  	situação de segurança (Edleson, Mbilinyi e Shetty, 2003).</p> 	    <p>O que interfere com a parentalidade das mães abusadas são, muitas vezes,  	os esforços do ofensor para minar esse exercício pela mãe, inclusive após a  	separação (Bancroft e Silverman, 2002 cit. Jaffe e Crooks, 2005). Por  	exemplo, o ofensor pode culpar a mãe da criança pela dissolução da família  	ou mesmo instruir explicitamente a criança para não obedecer às suas ordens  	(Jaffe, Crooks e Bala, 2006). Outras vezes, o ofensor pode tentar instalar  	na criança o sentimento de que a mãe não quer saber dos filhos dizendo-lhes  	«a mãe não vos ama» ou «a mãe não se preocupa convosco» (Bancroft, 2002).  	Segundo este autor, a influência negativa exercida por estes ofensores na  	criança traduz-se no sustentar de modelos que perpetuam a violência, no  	arruinar da autoridade materna, nas retaliações contra a mãe pelos seus  	esforços de protecção da criança, no mostrar divisões na família e/ou no uso  	da criança como arma contra a mãe (Bancroft, 2002).</p> 	    <p>O contexto violento afecta negativamente o funcionamento psicológico da  	vítima e consequentemente as suas capacidades de uma parentalidade  	normativa, mas importa também salientar que outros problemas adicionais  	(e.g., o divórcio, os problemas económicos, o desemprego, o risco de despejo  	de casa) podem interferir com a capacidade da mãe para dar resposta às  	preocupações e medos da criança.</p> 	    <p>Por fim, importa clarificar que não obstante o elevado nível de stress  	causado pela experiência de vitimação, a vítima pode nem sempre vivenciar  	uma parentalidade dominada. Por vezes as experiências de vida negativas  	podem originar novas aprendizagens e fortalecer competências. Alguns estudos  	(e.g., Levendosky, Lynch e Graham-Bermann, 2000; Van Horn e Lieberman, 2002)  	analisam os efeitos da violência sobre o companheiro, partindo das  	percepções de mulheres vítimas, concluindo que ao nível da parentalidade  	estas reconhecem não só a existência de efeitos negativos, mas também  	positivos. Entre os vários exemplos apontados está a mobilização de recursos  	para responder à violência em defesa das suas crianças, o providenciar  	estrutura, a melhoria no afecto pelos filhos, a disponibilidade emocional  	para as crianças ou a orientação para as reforçar positivamente. Estes dados  	contrariam as concepções teóricas que vêem a mulher vítima de violência  	doméstica como passiva, indefesa ou focada somente nas necessidades do  	ofensor. Tal quer significar que mesmo em situações de elevado stress o ser  	humano consegue mobilizar recursos pessoais para responder da melhor forma.  	A existência de uma rede de suporte social é, como veremos, um apoio  	importante para que a mulher vítima de violência consiga superar os efeitos  	indesejáveis resultantes dessa experiência abusiva.</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>O exercício da parentalidade e o conflito de interesses</b></p> 	    <p>Os desafios de ser mãe no contexto de violência doméstica são muito  	grandes. O ambiente autoritário imposto pelo ofensor, dificulta à vítima o  	tomar decisões no seio da família. Ser vítima de agressões afecta a sua  	capacidade de mãe. Ser mãe afecta as suas decisões em torno da vitimação  	sofrida. Relacionado com isto pode estar, por exemplo, a decisão de abandono  	da relação abusiva, pesando muitas vezes o seu entendimento sobre o melhor  	interesse da sua criança (Edleson, Mbilinyi e Shetty, 2003). Nestas  	circunstâncias, muitas das preocupações das mães passam por questões de  	sobrevivência (e.g., alojamento, alimentação) e por preocupações pela  	intervenção dos serviços de protecção de crianças devido ao dano causado  	pelo abuso nos filhos. Muitos destes serviços podem centrar a preocupação na  	criança e retirá-la do contexto doméstico. É importante que essas entidades  	reconheçam o contexto no qual muitas mães exercem o seu papel parental e  	possam funcionar como mediadores de serviços de cuidado e formação. A  	promoção de estratégias que visem o empowerment das mulheres que permanecem  	com os parceiros abusivos ou que estão dispostas a terminar a violência, mas  	sem deixar a relação (cf. Peled, Eisinkovits, Enosh e Winstock, 2000)  	constitui um ponto importante de intervenção.</p> 	    <p>Quando acontece a separação do casal, garantir com sucesso a relação  	parental com a criança pelo progenitor ausente é um outro desafio marcante.  	Por vezes as mães abusadas colocam-se em risco ao manter o contacto com o  	seu companheiro com o objectivo de facilitar a relação pai-criança, muito  	suportada pela ideia de que «mais vale ter um pai, do que pai nenhum».  	Algumas mulheres reconhecem esse risco, mas valorizam o relacionamento  	pai-criança, sem certeza desta poder estar segura. Para além da dinâmica  	imposta pelo relacionamento abusivo, o ofensor é vulgarmente um fraco modelo  	para a criança. Outros aspectos que pode interferir com a segurança são a  	competitividade com a mãe ou uso das visitas para obter acesso à mãe (Bancroft  	e Silverman, 2002). Ademais, o ofensor pode envolver-se em comportamentos de  	alienação e culpabilização, que geram muitas vezes na criança conflitos de  	lealdade e comprometem a capacidade desta lidar com a separação ou divórcio  	dos pais. No caso de se tratarem de conflitos conjugais severos, o confronto  	da criança com a Justiça deve atender a uma série de considerações muito  	especiais no sentido do melhor interesse da criança, devendo o foco  	colocar-se nos relacionamentos parentais separados, na cooperação, no  	cuidado e educação da criança (Bancroft e Silverman, 2002; Jaffe, Crooks e  	Wong, 2005; Sani, 2006).</p> 	    <p>Reclama-se com bastante sentido a presença do pai na educação dos filhos,  	mas há certas excepções, designadamente em casos em que este é um ofensor (Jaffe  	e Crooks, 2005). Jaffe, Crooks e Bala (2006) num relatório que resultou de  	uma revisão aprofundada da literatura nas áreas de violência familiar,  	custódia e disputa de acesso à criança e, ainda, de divórcios de alto  	conflito sugerem que nos casos em que exista violência familiar, pode ser  	apropriado para um progenitor ter mais limitado, controlado, ou mesmo nenhum  	contacto com a criança, devido aos potenciais riscos que a situação  	representa para esta e para o progenitor não ofensor. Estes autores a partir  	da avaliação da validade e contexto de alegações de violência familiar  	construíram uma base crítica para as modalidades adequadas de parentalidade  	pós-separação. Na sua opinião, as dinâmicas impostas pela violência  	doméstica contrariam os princípios fundamentais da igualdade, respeito mútuo  	e confiança impossibilitando um exercício pleno da parentalidade partilhada  	ou da co-parentalidade. Tal contra-indicação é comprovada pelo historial de  	comunicação pobre, interacções coercivas, incapacidade para resolver  	problemas, falta de centração de um ou ambos os pais na criança, sérios  	problemas de saúde mental, entre outros (Jaffe, Crooks e Bala, 2006).</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>Apoio ao exercício da parentalidade em casos de violência doméstica</b></p> 	    <p>As dinâmicas impostas pela violência doméstica tem efeitos negativos  	sobre a vítima e na consideração dos diversos factores intervenientes, o  	suporte social tem uma especial importância na compreensão do seu  	funcionamento psicológico. A presença de uma rede de suporte reduz o impacto  	negativo. O facto é que por vezes este não existe ou está disponível. As  	vítimas de violência são frequentemente isoladas pelos seus companheiros,  	pelo que o desenvolvimento do seu sistema de suporte constitui um importante  	ponto de intervenção (Walker, 1978 cit. Levendosky et al., 2003).</p> 	    <p>Retira-se do que foi dito a importância de haver grupos de suporte para  	as vítimas de violência doméstica (cf. Henriksen Jr. e Johnson II, 2006),  	além de que o desenvolvimento de uma rede de apoio é útil na redução do  	impacto negativo da experiência de vitimação e posterior recuperação da  	vítima (Levendosky e Graham-Bermann, 2001). A literatura demonstra que a  	mulher vítima de violência doméstica é capaz de adoptar várias estratégias  	para lidar com a violência, como por exemplo, envolver-se em tarefas fora de  	casa que reforcem o seu sentimento de competência (Merrit-Gary e Wuest,  	1995). Groves e Zuckerman (1997) propõem ainda que se trabalhe com vista ao  	restabelecimento um sentido de organização e rotina em casa, que se explique  	às crianças os acontecimentos violentos e se dê resposta aos receios e  	preocupações infantis de uma forma honesta e tranquilizadora.</p> 	    <p>Muitas das mães abusadas, mais que mulheres incapacitadas, tal como  	muitos estereótipos querem fazer crer, são, antes, mulheres sobreviventes  	que necessitam de suporte e dos recursos da comunidade para gerir o trauma  	que sofreram nas suas relações íntimas (Bilinkoff, 1995; Holden, Geffner e  	Jouriles, 1998). Os próprios filhos beneficiam também desses esforços  	comunitários que asseguram o plano de segurança, apoiam a recuperação e o  	restabelecimento de um novo sistema familiar que não se coaduna com a  	violência. Seguindo a proposta interventiva de Sudermann e Jaffe (1999)  	podemos traçar como objectivos na intervenção junto das mães, os seguintes  	aspectos: apoio na sua recuperação física e emocional e no desenvolvimento  	de um plano de segurança; assistência em assuntos práticos como a habitação,  	emprego ou educação; suporte para assegurar às crianças a manutenção dos  	laços comunitários, da frequência da escola e de actividades, ainda que a  	mãe dedique tempo e espaço à sua própria recuperação física e emocional;  	auxílio parental para promover o confronto com exigências específicas da  	criança, que pode apresentar sintomas significativos, tais como problemas  	emocionais e comportamentais; encaminhamento para lidar com os procedimentos  	legais e assegurar que as decisões do tribunal não vão minar o plano de  	segurança (e.g. acesso à criança pelo pai de forma a permitir novas ameaças  	ou oportunidades de dano); trabalhar os sentimentos de destruição como  	progenitor (citando Bilinkoff, 1995) e as ligações a pessoas de suporte;  	prevenir a exclusão por parte da comunidade ou da família alargada por  	«destruir a família» (citando Kazarian e Kazarian, 1998).</p> 	    <p>Por fim e no que respeita a legislação, em determinados países (e.g.,  	EUA, Austrália, Nova Zelândia) algumas mudanças a este nível têm vindo a  	reforçar o reconhecimento da violência sobre o cônjuge como um factor  	crítico no que respeita à parentalidade após a separação (Jaffe e Crooks,  	2004, cit. Jaffe, Crooks e Bala, 2005). Alguns dos programas contemplam, por  	exemplo, fundos e assistência técnica para visitas supervisionadas em casos  	de violência sobre o cônjuge e novas directrizes para os juízes em casos que  	envolvem custódia de menores (Jaffe, Crooks e Bala, 2005).</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> 	    <p><b>Parentalidade em casos de violência doméstica: directrizes para  	investigação</b></p> 	    <p>Em Portugal, a literatura clínica e de investigação no domínio da  	parentalidade em contexto de violência doméstica começa agora a  	desenvolver-se, havendo imensas questões ainda por responder. A investigação  	toma assim um lugar importante com vista a melhorar o conhecimento e a  	intervenção, baseados na prática, isto é, na vivência dos actores principais  	destes cenários, contribuindo também para a criação de políticas e programas  	de base empírica.</p> 	    <p>Entre as possíveis orientações e cuidados suscita-nos especial interesse  	alguns dos aspectos apontados por Edleson, Mbilinyi e Shetty (2003). O  	conhecimento deve estender-se não só às populações já analisadas, algumas  	delas residentes em casas abrigo, mas a outros grupos, até porque a vivência  	em acolhimento por si só altera a experiência de vida e as práticas das  	vítimas, enquanto mulheres e mães. Certo é que as dificuldades de amostragem  	são muitas, pelo que recorrentemente os participantes dos estudos são os já  	sinalizados por diversos organismos e instituições que intervêm na área da  	violência doméstica.</p> 	    <p>A investigação deve ainda permitir a comparação entre várias tipologias  	de conflito confrontando, por exemplo, situações conflituosas não violentas  	com situações que envolvem violência doméstica. Não só as tipologias dos  	conflitos como um outro conjunto de factores funcionam como mediadores do  	impacto, podendo com estes compreender as diferenças individuais em casos de  	exposição à violência.</p> 	    <p>As questões culturais associadas à prática da violência não devem ser  	descuradas, pois podem esconder diferenças no que toca à construção de  	programas, quer para vítimas quer para ofensores<sup><u><a name="top2" href="#2">1</a></u></sup>.  	A intervenção deve dirigir-se aos diversos protagonistas e contextos  	associados, numa apreciação multi-sistémica e factorial que garanta  	eventuais mudanças individuais e sociais.</p> 	    <p>Os programas orientados para a parentalidade em contexto de violência  	doméstica podem beneficiar de informação proveniente de estudos (e.g.,  	Matos, 2006; Sani, 2003) que examinam o impacto da violência nas vítimas,  	adultas e menores, mas também de dados recolhidos a partir de novas fontes  	(e.g., profissionais de saúde, juristas). Assiste-se com entusiasmo à  	participação de profissionais, outrora menos, ligados ao fenómeno da  	violência doméstica, mas cada vez mais conscientes das implicações negativas  	deste decorrentes.</p> 	    <p>Por fim, a criação e utilização de instrumentos específicos para avaliar  	o impacto da violência nas vítimas (Matos, 2005; Sani, 2005) tem contribuído  	para a melhoria dos procedimentos na realização de perícias em contexto  	forense, algumas delas ligadas a questões de parentalidade, como são os  	casos que envolvem a regulação do exercício do poder paternal, decorrentes  	de situações de separação e divórcio dos progenitores.</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>Conclusão</b></p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As consequências decorrentes da violência doméstica na mulher estendem-se  	em termos pessoais, a nível físico e psicológico, afectam o seu papel como  	progenitora e a maneira como se reconhece como mãe e como pessoa. Os  	desafios que a vítima enfrenta, no âmbito da relação abusiva ou já longe  	desta, questionam primeiramente sua segurança e a dos seus filhos, mas  	alargam-se ao confronto com as instituições sociais e legais que funcionam  	segundo o interesse superior da criança, não incorporando ou não  	reconhecendo, muitas vezes, as necessidades da vítima e as circunstâncias em  	que esta exerce a parentalidade. Por último, as preocupações partilhadas  	quanto à intervenção e à investigação no domínio da parentalidade em casos  	de violência doméstica sublinham a mais valia de uma abordagem de  	empowerment, o envolvimento do sistema social e a pesquisa numa lógica de  	investigação-acção, que fundamente as práticas e promova a mudança e a  	criação de políticas e de programas interventivos.</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>Referências bibliográficas</b></p> 	     <p>APAV – Associação Portuguesa de Apoio à vítima (2007), Estatísticas – totais    nacionais 2007 – 1.º semestre, [em linha] disponível em <a href="http://www.apav.pt/pdf/APAV_Totais_Nacionais_2007.pdf" target="_blank">http://www.apav.pt/pdf/APAV_Totais_Nacionais_2007.pdf</a>    [consultado em 3 de Dezembro de 2007].</p> 	     <p>Bancroft, Lundy (2002), «The batterer as a parent», Synergy, 6 (1), 6-8. Newsletter    of the National Council of Juvenile and Family Court Judges, [em linha] disponível    em <a href="http://www.dcf.state.fl.us/admin/dependency/docs/battererasparent.pdf" target="_blank">http://www.dcf.state.fl.us/admin/dependency/docs/battererasparent.pdf</a>    [consultado em 10 de Dezembro de 2007].</p> 	     <p>Bancroft, Lundy; Silverman, Jay (2002), «Impeding recovery: The batterer in    custody and visitation», in Lundy Bancroft (org.), The Batterer as Parent: Addressing    the Impact of Domestic Violence on Family Dynamics, 146-167, [em linha] disponível    em <a href="http://www.abuseofpower.info/Bancroft_BattererParent.pdf" target="_blank">http://www.abuseofpower.info/Bancroft_BattererParent.pdf</a>    [consultado em 10 de Maio de 2008].</p> 	    <p>Bilinkoff, Joan (1995), «Empowering battered women as mothers», in Einet  	Peled, Peter Jaffe; Jeffrey Edleson (org.), Ending the cycle of violence –  	Community responses to children of battered women, Thousand Oaks, Sage  	Publications, pp. 97-105.</p> 	    <!-- ref --><p>Cecconello, Alessandra, De Antoni, Clarissa; Koller, Silvia (2003),  	«Práticas educativas, estilos parentais e abuso físico no contexto  	familiar», Psicologia em Estudo, 8, pp. 45-54.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000070&pid=S0874-5560200800020000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Davies, Patrick; Cummings, Mark. (1994), «Marital conflict and child  	adjustment: an emotional security hypothesis», Psychological Bulletin, 116,  	pp. 387-411.</p> 	     <p>Edleson, Jeffrey; Mbilinyi, Lyungai; Shetty, Sudha (2003), Parenting in the    Context of Domestic Violence. San Francisco: Judicial Council of California,    Administrative Office of the Court, Center for Families, Children &amp; the    Courts, [em linha] disponível em <a href="http://www.courtinfo.ca.gov/programs/cfcc/pdffiles/fullReport.pdf" target="_blank">http://www.courtinfo.ca.gov/programs/cfcc/pdffiles/fullReport.pdf</a>    [consultado em 7 de Dezembro de 2007].</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Groves, Betsy; Zuckerman, Barry (1997). «Interventions with parents and  	caregivers of children who exposed to violence» in Joy Osofsky (Ed.),  	Children in a Violent Society, New York, The Guilford Press, pp. 183-201.</p> 	     <p>Henriksen Jr., Richard; Johnson II, Benton (2006), «Parenting Group for Parents    of Children Exposed to Violence, 59-62» [em linha] disponível em <a href="http://www.counselingoutfitters.com/vistas/vistas06/vistas06.12.pdf" target="_blank">http://www.counselingoutfitters.com/vistas/vistas06/vistas06.12.pdf</a>    [consultado em 18 de Dezembro de 2007].</p> 	    <p>Hester, Mariane; Pearson, Chris; Harwin, Nicola (2002), Making an Impact:  	Children and Domestic Violence: A reader, 3rd ed., London, Jessica Kingsley  	Publishers.</p> 	    <p>Holden, George; Geffner, Robert; Jouriles, Ernest (1998), Children  	Exposed to Marital Violence. Theory, research and applied issues,  	Washington, DC, American Psychology Association.</p> 	    <p>Holden, George; Stein, Joshua; Ritchie, Kathy; Harris, Susan; Jouriles,  	Ernest (1998), «Parenting Behaviors and beliefs of battered woman», in  	George Holden, Robert; Ernest Jouriles (eds.), Children Exposed to Marital  	Violence. Theory, research and applied issues, Washington, American  	Psychological Association, pp. 293-334.</p> 	     <p>Jaffe, Peter; Crooks, Claire (2005), Understanding Woman’s Experiences Parenting    in the Context of Domestic Violence: Implications for Community and Court –    related service providers, [em linha] disponível em <a href="http://www.vaw.umn.edu/documents/commissioned/parentingindv/parentingindv.html" target="_blank">http://www.vaw.umn.edu/documents/commissioned/parentingindv/parentingindv.html</a>    [consultado em 16 Novembro de 2007].</p> 	     <p>Jaffe, Peter; Crooks, Claire; Bala, Nick (2006), Making Appropriate Parenting    Arrangements in Family Violence Cases: Applying the Literature to Identify Promising    Practices. Family, Children and Youth Section. Research Report 2005-FCY-3. Department    of Justice Canada. Consultado em 7 de Maio de 2008 fonte: <a href="http://canada.justice.gc.ca/eng/pi/pad-rpad/rep-rap/2005_3/2005_3.pdf" target="_blank">http://canada.justice.gc.ca/eng/pi/pad-rpad/rep-rap/2005_3/2005_3.pdf</a></p> 	     <p>Jaffe, Peter; Crooks, Claire; Wong, Hon (2005), «Parenting arrangements after    domestic violence. Safety as a priority in judging children’s best interest»,    Journal of the Centre for Families, Children and the Courts, 81-93, [em linha]    disponível em <a href="http://www.courtinfo.ca.gov/programs/cfcc/pdffiles/5_Jaffe.pdf" target="_blank">http://www.courtinfo.ca.gov/programs/cfcc/pdffiles/5_Jaffe.pdf</a>    [consultado em 7 de Dezembro de 2007].</p> 	    <p>Jaffe, Peter; Wolfe, David; Wilson, Susan (1990), Children of Battered  	Woman, USA, Sage Publications.</p> 	    <p>Lawson, David (2001), «The development of abusive personality: a trauma  	response». Journal of Counselling &amp; Development, 79, pp– 505-509.</p> 	     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Lei 48/2007 – Diário da República, 1.ª série – N.º 166 – 29 de Agosto de 2007,    [em linha] disponível em <a href="http://dre.pt/pdf1s/2007/08/16600/0584405954.pdf" target="_blank">http://dre.pt/pdf1s/2007/08/16600/0584405954.pdf</a>    [consultado em 7 de Dezembro de 2007].</p> 	    <p>Levendosky, Alytia; Graham-Bermann, Sandra (2001), «Parenting battered  	woman: the effects of domestic violence on woman and their children»,  	Journal of Family Violence, 16 (2), pp. 171-192.</p> 	    <p>Levendosky, Alytia; Huth-Bocks, Alissa; Shapiro, Deborah; Semel, Michael  	(2003), «The impact of domestic violence on the maternal-child relationship  	and preschool-age children’s functioning», Journal of Family Violence, 17  	(3), pp. 275-287.</p> 	    <p>Levendosky, Alytia; Lynch, Shannon; Graham-Bermann, Sandra (2000), «Mothers’  	perceptions of the impact of woman abuse on their parenting», Violence  	Against Women, 6 (3), pp. 247-271.</p> 	    <p>Manita, Celina (2005), A Intervenção em Agressores no Contexto da  	Violência Doméstica. Estudo preliminar de caracterização. Comissão para a  	Igualdade e para os Direitos das Mulheres. Presidência do Conselho de  	Ministros.</p> 	    <p>Matos, Marlene (2002), «Violência conjugal» in Rui Abrunhosa Gonçalves;  	Carla Machado (org.), Violência e Vítimas de Crime, Vol. II, Coimbra,  	Quarteto Editora, pp. 81-130.</p> 	    <p>_____ (2005), «Avaliação psicológica de vítimas de maus tratos conjugais»  	in Rui Abrunhosa Gonçalves; Carla Machado (org.), Psicologia Forense,  	Coimbra, Quarteto Editora, pp. 159-186.</p> 	    <p>_____ (2006), Violência nas Relações de Intimidade: Estudo sobre a  	Mudança Psicoterapêutica na Mulher, Dissertação de Doutoramento não  	publicada. Universidade do Minho, Braga.</p> 	    <p>Merrit-Gary, Marylin; Wuest, Judith (1995), «Counteracting abuse and  	breaking free: the process of leaving revealed through women’s voices»,  	Health Care for Women International, 16, pp. 399-412.</p> 	     <p>Osofsky, Joy (1999), «The impact of violence on children», in David and Lucile    Packard Foundation (1999). Domestic violence and children, The Future of Children,    9 (3), pp. 33-49, [em linha] disponível em <a href="http://www.futureofchildren.org/usr_doc/vol9no3Art3.pdf" target="_blank">http://www.futureofchildren.org/usr_doc/vol9no3Art3.pdf</a>    [consultado em 7 de Dezembro de 2007].</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Peled, Einat; Eisinkovits, Zvi; Enosh, Guy; Winstock, Zeev (2000), «Choice  	and empowerment for battered woman who stay: toward a constructivist model»,  	Social Work, 45, pp. 9-25.</p> 	    <p>Sani, Ana (2003), As Crenças, o Discurso e a Acção: As Construções de  	Crianças Expostas à Violência Interparental, Dissertação de Doutoramento não  	publicada. Universidade do Minho, Braga.</p> 	    <p>_____ (2005), «Avaliação de crianças expostas à violência interparental»,  	in Rui Abrunhosa Gonçalves; Carla Machado (org.), Psicologia Forense,  	Coimbra, Quarteto Editora, pp. 247-271.</p> 	    <p>_____ (2006), «Avaliação de crianças expostas à violência interparental  	em processos de separação e divórcio», Revista da Faculdades de Ciências  	Humanas e Sociais, Universidade Fernando Pessoa, 3, pp. 289-296.</p> 	     <p>Sudermann, Marlies; Jaffe, Peter (1999), A Handbook for Health and Social Service    Providers and Educators on Children Exposed to Woman Abuse/Family Violence.    The National Clearinghouse on Family Violence, [em linha] disponível em <a href="http://www.phac-aspc.gc.ca/ncfv-cnivf/familyviolence/html/femexpose_e.html" target="_blank">http://www.phac-aspc.gc.ca/ncfv-cnivf/familyviolence/html/femexpose_e.html</a>    [consultado em 17 de Dezembro de 2007].</p> 	     <p>Sudermann, Marlies; Jaffe, Peter; Watson, Lynn (1996), Wife Abuse – The Impact    on Children. The National Clearinghouse on Family Violence. Canada: Minister    of Public Works and Government Services Canada, [em linha] disponível em <a href="http://dsp-psd.pwgsc.gc.ca/Collection/H72-22-7-1996E.pdf" target="_blank">http://dsp-psd.pwgsc.gc.ca/Collection/H72-22-7-1996E.pdf</a>    [consultado em 17 de Dezembro de 2007].</p> 	    <p>Van Horn, Patricia; Lieberman, Alicia (2002), Domestic Violence and a  	Parenting: A Review of Literature. San Francisco: Judicial Council of  	California, Administrative Office of the Court, Center for Families,  	Children &amp; the Courts.</p> 	    <p>Zuckerman, Barry (1999), «Silent victims: children who witness violence»,  	in Stress e Violência na Criança e no Jovem, Universidade de Lisboa,  	Faculdade de Medicina de Lisboa, pp. 349-364.</p> 			    <p>&nbsp;</p> 			    <p><b>Notas</b></p> 			    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="2" href="#top2">1</a> A respeito da intervenção com  			agressores conjugais consultar Manita (2005).</p> 			    <p>&nbsp;</p> 			     <p><b>Ana Sani</b> é Professora Auxiliar na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais    da Universidade Fernando Pessoa. Doutora em Psicologia da Justiça pela Universidade    do Minho (UM) (2004); Mestrado em Psicologia da Justiça pela UM (2000); Licenciada    em Psicologia pela UM (1996). Psicoterapeuta na Unidade de Consulta em Psicologia    da Justiça do Serviço de Consulta Psicológica e Desenvolvimento Humano da Universidade    do Minho (desde 1998); Publicação a destacar: Livro «As Crianças e a Violência»,    editado em 2002 pela Quarteto. E-mail: <a href="mailto:anasani@ufp.pt">anasani@ufp.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p> 	     <p><i>Artigo recebido em 31 de Maio de 2008 e aceite para publicação em 12 de    Setembro de 2008.</i></p>            ]]></body><back>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Práticas educativas, estilos parentais e abuso físico no contexto familiar]]></article-title>
<source><![CDATA[Psicologia em Estudo]]></source>
<year>2003</year>
<volume>8</volume>
<page-range>45-54</page-range></nlm-citation>
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