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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Género e mudanças tecnológicas: o caso das indústrias gráficas]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Gender and technological change: the case of printing industries]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper is based on a research focusing the processes of social construction of masculinity in contexts of male dominance, both numerical and symbolic, and the specificities of the masculine identity that emerge within these contexts. Considering the printing industry’s case with all the technological changes occurred in production processes and work organization, but also the opening of a typically male profession to women, 12 speeches of men and women involved in this context are considered. Results highlight the anchorage of professionals’ ideal on a representation of hegemonic masculinity. On the other hand, men stress specificities of women, away from that representation, while women refer to strategies that help to deal with and be accepted in that changing professional world.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="fr"><p><![CDATA[Cet article se fonde dans une des études d'une recherche sur le processus de construction sociale de masculinité dans des contextes professionnels caractérisés par la domination numérique et symbolique masculine. Soutenu par l’exemple des transformations technologiques des processus de production et d’organisation du travail de l’industrie graphique et de l’ouverture aux femmes d’un métier typiquement masculin, on analyse le discours de 12 hommes et femmes appartenant à ce contexte. Les éléments d’analyse permettent de souligner l’ancrage de l’idéal des professionnels dans la représentation de la masculinité hégémonique, la mise en évidence, par les hommes, des particularités des femmes, qui les écartent de cet idéal, et leurs stratégies d’adaptation dans le but d’être intégrées dans cet univers professionnel en changement.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[   	     <p><b>G&eacute;nero e mudan&ccedil;as tecnol&oacute;gicas:</b> <b>o caso das ind&uacute;strias    gr&aacute;ficas</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><b>António Manuel Marques</b></p>     <p align="right">Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Setúbal</p>          <p>&nbsp;</p> 			     <p><b>Resumo </b></p>     <p>Este artigo baseia-se num dos estudos de uma pesquisa sobre os processos da    construção social da masculinidade em contextos de dominância numérica e simbólica    masculina e nas especificidades da identidade masculina que emergem nestes contextos.    A partir do exemplo das transformações tecnológicas ocorridas nos processos    de produção e de organização do trabalho da indústria gráfica e da abertura    de uma profissão tipicamente masculina às mulheres, são analisados os discursos    de 12 homens e mulheres envolvidos nesse contexto. Os elementos de análise permitem    salientar a ancoragem do ideal dos profissionais na representação da masculinidade    hegemónica, a acentuação, por parte dos homens, das particularidades das mulheres,    afastando-as desse ideal, e as estratégias destas para se adaptarem e serem    aceites neste universo profissional em mudança.</p> 	    <p><b>Palavras-chave</b> Tecnologia, indústria gráfica, género, discurso.</p> 			    <p>&nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Abstract</b></p>     <p> <b>Gender and technological change: the case of printing industries</b></p>     <p> 	</b>This paper is based on a research focusing the processes of social  	construction of masculinity in contexts of male dominance, both numerical  	and symbolic, and the specificities of the masculine identity that emerge  	within these contexts. Considering the printing industry&#8217;s case with all the  	technological changes occurred in production processes and work organization,  	but also the opening of a typically male profession to women, 12 speeches of  	men and women involved in this context are considered. Results highlight the  	anchorage of professionals&#8217; ideal on a representation of hegemonic  	masculinity. On the other hand, men stress specificities of women, away from  	that representation, while women refer to strategies that help to deal with  	and be accepted in that changing professional world.</p> 			    <p><b>Keywords</b> Technology, printing industry, gender, discourse.</p> 			    <p>&nbsp;</p> 			    <p><b>Résumé</b></p>    <p> 			<b>Genre et changements technologiques: l&#8217;exemple des industries  			graphiques</b></p>    <p> 			Cet article se fonde dans une des études d'une recherche sur le  			processus de construction sociale de masculinité dans des contextes  			professionnels caractérisés par la domination numérique et  			symbolique masculine. Soutenu par l&#8217;exemple des transformations  			technologiques des processus de production et d&#8217;organisation du  			travail de l&#8217;industrie graphique et de l&#8217;ouverture aux femmes d&#8217;un  			métier typiquement masculin, on analyse le discours de 12 hommes et  			femmes appartenant à ce contexte. Les éléments d&#8217;analyse permettent  			de souligner l&#8217;ancrage de l&#8217;idéal des professionnels dans la  			représentation de la masculinité hégémonique, la mise en évidence,  			par les hommes, des particularités des femmes, qui les écartent de  			cet idéal, et leurs stratégies d&#8217;adaptation dans le but d&#8217;être  			intégrées dans cet univers professionnel en changement.</p> 	    <p><b>Mots-clés</b> Technologie, industrie graphique, genre, discours.</p> 			    <p>&nbsp;</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Introdução</b></p> 	    <p>Até à década de 1970, assumia-se como pressuposto o  	determinismo tecnológico como uma força externa e autónoma que,  	naturalmente, influenciava a sociedade (Liff, 1986; Mackay &amp; Gillespie,  	1992; Wajcman, 2000, 2002). Por essa perspectiva, apenas seria possível  	aceitar acriticamente as mudanças tecnológicas, procurar a adaptação a elas  	ou rejeitá-las (Wajcman, 2002). Os chamados estudos sociais sobre a ciência  	e a tecnologia<sup><b><a name="top1" href="#1">1</a></b></sup>, com início  	nessa década, introduziram a ideia de que a mudança tecnológica não resulta  	apenas de imperativos tecnológicos racionais, pois as opções são criadas e  	decididas em função do que se considera ser superior numa determinada  	circunstância (<i>op. cit.</i>: 351).</p> 	    <p>Esta conceptualização foi importante para as posteriores  	leituras feministas, pois serviu de base para as análises centradas na  	possível ligação entre a mudança tecnológica e as relações sociais de  	género. De facto, se a mudança tecnológica não é autodeterminada,  	legitimaram-se as interrogações acerca do seu impacto na divisão sexual do  	trabalho, bem como da hipótese das relações de poder entre homens e mulheres  	serem um dos factores determinantes das tais opções tecnológicas (<i>op.  	cit.</i>: 356).</p> 	    <p>A partir de meados da década de 1970, a análise feminista  	recusou a visão sociológica simplista de que a mudança tecnológica se  	reflectiria, sobretudo ou somente, na conflitualidade das relações sociais  	de classe (entre trabalhadores e empregadores), pois seria necessário  	introduzir a mediação do género na avaliação do impacto dessa mudança (Bradley,  	1986; Grieco &amp; Whipp, 1986; Liff, 1986; Wajcman, 1991, 2000).</p> 	    <p>Esta alegação assenta numa crítica ao silêncio do marxismo  	face ao género, mesmo sabendo que a divisão do trabalho pago tem subjacente  	uma hierarquia sexual, a qual não é casual (Collinson &amp; Knights, 1986;  	Grieco &amp; Whipp, 1986; Macdonald, 1995; Wajcman, 2000; Witz, 1990, 1992).  	Este pensamento sociológico feminista começou por defender a necessidade de  	saber se o controlo sobre o processo de produção e sobre a relação  	capital-trabalho decorre de forma independente do sexo de quem está ser a  	controlado, complexificando, portanto, as análises centradas unicamente nas  	questões de classe. Argumenta-se, assim, que existe interesse dos  	empregadores e dos homens empregados em manter a segregação entre sexos e  	que o género é um factor de sustentação da organização do trabalho  	resultante da mudança tecnológica.</p> 	    <p>Estas perspectivas complexificam e aprofundam a óptica  	marxista acerca das oposições de classe e dão visibilidade ao género no  	domínio dos estudos sobre a tecnologia, explorando os efeitos desta na  	formação da identidade de ambos os sexos, reconhecendo que a representação  	simbólica da tecnologia é profundamente <i>genderizada</i>. Outro foco de  	interesse é a análise das competências de homens e de mulheres para o uso  	das tecnologias, as quais, pelo menos na óptica dos estudos sociais da  	ciência e da tecnologia, e até cerca da década de 1980, não foram encaradas  	como tema com suficiente interesse para ser discutido pela teoria social (Wajcman,  	1991). Através desta óptica, foi possível clarificar que as organizações de  	trabalhadores especializados lutaram, estrategicamente, para construir e  	manter uma sobreposição entre a identidade dos homens e as suas competências  	específicas como forma de perpetuarem a sua dominância no local de trabalho  	e de conter a admissão de mulheres ou de as manter numa posição de  	subordinação (<i>op. cit.</i>: 32-33).</p> 	    <p>Será, portanto, essencial reter que os processos de mudança  	nas organizações de trabalho, desencadeados ou não pela adopção de novas  	tecnologias, «não resultam apenas do conflito contínuo entre capital e  	trabalho, mas do conflito entre quem trabalha, especialmente entre os  	trabalhadores de ambos os sexos» (<i>op. cit.</i>: 33), algo bem demonstrado  	por Cynthia Cockburn (1983, 1985, 1988), relativamente à indústria gráfica  	inglesa.</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>O caso da indústria gráfica</b></p> 	    <p>A indústria gráfica e as profissões que lhe estão associadas  	são paradigmáticas quanto às suas tradições corporativas (Barreto, 1981,  	1982; Cockburn, 1981, 1983; Durão, 2003; Durão &amp; Marques, 2001; Wallace &amp;  	Kalleberg, 1982) e foram, durante décadas, ocupadas quase exclusivamente por  	homens (Cockburn, 1981, 1983). A introdução dos métodos computadorizados &#8211;  	lentamente, durante a década 70 do Século XX e, francamente, a partir da  	década de 80 (Cockburn, 1981, 1983; Wajcman, 1991; Wallace &amp; Kalleberg,  	1982) &#8211; colocou sérios problemas aos compositores (tradicionalmente,  	homens), ameaçando uma profissão que sempre teve uma identidade bem definida  	e foi numérica e simbolicamente atribuída aos homens (Cockburn, 1981, 1983).</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A definição do perfil de competências e dos critérios de  	recrutamento para as profissões deste sector viria, inevitavelmente, a  	modificar-se, devido aos interesses dos empregadores<sup><b><a name="top2" href="#2">2</a></b></sup>  	e também pelas alterações na natureza das tarefas (Cockburn, 1983). Os  	computadores e os recursos electrónicos possibilitaram a admissão de pessoas  	capazes de executar tarefas complexas, as quais eram, anteriormente, um  	domínio exclusivo de trabalhadores seniores, como resultado de uma  	aprendizagem longa e colectivamente regulada (<i>op. cit.</i>). Por outro  	lado, muitos destes novos trabalhadores &#8211; nomeadamente de sexo feminino &#8211;  	eram detentores de competências criativas (do domínio do <i>design</i>  	gráfico, por exemplo), resultado de uma aprendizagem escolar e académica,  	sem um conhecimento empírico de todo o processo gráfico (Durão &amp; Marques,  	2001).</p> 	    <p>Outra das consequências das alterações tecnológicas  	introduzidas neste sector diz respeito à admissão de mulheres para as  	profissões em causa, sobretudo para a chamada fase da pré-impressão (desde a  	criação, à montagem e à &#8216;<i>arte-final</i>&#8217;), o que viria a por em causa a  	exclusividade masculina neste contexto ocupacional. Os protestos dos homens  	desta indústria foram diversos e incisivos, dirigindo-os, aparentemente e  	apenas, no sentido da defesa do simbolismo e da &#8216;nobreza&#8217; da sua profissão (Cockburn,  	1983).</p> 	    <p>A presença das mulheres nos locais de trabalho e nas novas  	funções não transpareceu como motivo explícito principal das suas  	reivindicações e da sua oposição à mudança, pois as alterações tecnológicas  	foram assumidas como causa fundamental da situação de incerteza e de ruptura  	(<i>op. cit.</i>).</p> 	    <p>A ameaça à dominação masculina concretiza-se, segundo  	Wajcman (1991), pela opção estratégica dos empregadores em investirem nas  	novas tecnologias, o que descaracteriza as competências requeridas paras as  	funções e diminui os custos de produção. Por outro lado, os homens até aí  	dominantes, pela via do seu número e da exclusividade dos seus saberes,  	perdem claramente com essa entrada de mulheres, pois a mudança tecnológica  	associa-se, muito frequentemente, à feminização das profissões, como forma  	de conseguir baixar os custos em vencimentos (<i>op. cit.</i>: 36). As  	perdas, contudo, não são apenas para os homens, pois também as mulheres que  	ficarão ligadas às profissões, sentirão a diminuição dos salários, em grande  	medida, sob o argumento da simplificação dos processos de produção (<i>op.  	cit.</i>: 36).</p> 	    <p>Como a introdução de novos processos de produção e de  	organização do trabalho é coincidente com a entrada crescente de mulheres na  	profissão (Cockburn, 1983) a indústria gráfica, e a montagem de <i>offset</i><sup><b><a name="top3" href="#3">3</a></b></sup>  	em particular, constituem-se como um campo privilegiado de observação da  	construção social do género na sua relação com as mudanças tecnológicas, bem  	como com as dinâmicas de construção, defesa e alteração das identidades  	profissionais. Daí, a importância das vozes e das versões de quem vivenciou  	directamente estes processos, os homens e as mulheres participantes desta  	pesquisa.</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>Método</b></p> 	    <p>Este estudo enquadra-se numa pesquisa sobre os processos da  	construção social da masculinidade em contextos profissionais de dominância  	numérica e simbólica masculina e nas especificidades da identidade masculina  	que emergem nestes contextos, assumindo-se os seguintes objectivos gerais:  	identificar a possível ligação entre a definição da identidade profissional  	e a construção da masculinidade, identificar e caracterizar as estratégicas  	de adaptação das mulheres a esses contextos profissionais e a manifestação,  	pelos homens, de ameaça percebida pela adesão das mulheres profissões  	tradicionalmente ocupadas por homens.</p> 	    <p>Os elementos de análise apresentados dizem respeito a 12  	participantes, metade de cada sexo, todos montadores de <i>offset</i>, em  	exercício ou em fase de reciclagem profissional, e resultaram de entrevistas  	semiestruturadas, seguindo um guião elementar constituído por cerca de 20  	questões focalizadas nos objectivos formulados.</p> 	    <p>A análise do <i>corpus</i> constituído pelas transcrições  	das entrevistas foi orientada pelas perspectivas discursivas da psicologia  	social (Billig, 1987, 1997; Edwards, 2004; Parker, 1997; Potter &amp; Wetherell,  	1987). Na aproximação analítica aos discursos dos participantes, foram  	considerados os objectivos gerais referidos, como dimensões de análise de  	orientação elementar, mas admitindo a emergência de outras, assumindo a  	identificação de padrões de regularidade nas narrativas, de forma a  	salientar a sua variabilidade e consistência potenciais, ideando formas de  	interpretar o que é e porque é dito de determinada forma (Gill, 2003; Potter  	&amp; Wetherell, 1987).</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> 	    <p><b>Elementos de análise</b></p> 	    <p>Tradicionalmente, o envolvimento na profissão, a  	interiorização dos seus valores próprios e o desenvolvimento das  	competências necessárias foi sendo feito pela via da experiência concreta,  	junto com os mais experientes e mais antigos, tal como refere a literatura  	(Barreto, 1981, 1982; Cockburn, 1981, 1983; Durão, 2003; Durão &amp; Marques,  	2001; Wallace &amp; Kalleberg, 1982). A ascensão nos patamares da profissão  	tenderia a ser lenta e regulada pela passagem do conhecimento e à medida que  	aumentava o grau de autonomia de cada trabalhador, tal como narram os  	participantes:</p> 	    <blockquote> 		    <blockquote> 			    <p>Nessa altura aprendíamos uns com os outros, quer  			dizer&#8230; Era assim: <b>entrávamos para aprendizes, ajudávamos os mais  			velhos, íamos vendo, depois iam-nos dando alguns trabalhos simples</b>,  			a gente ia fazendo e um mais velho, ou um oficial ia corrigindo, e  			tal&#8230; e era assim. Com o tempo <i>iam vendo se</i> <b>nós nos  			ajeitávamos ou não</b>. Alguns não davam mesmo, não saíam do mesmo.  			Entende? Era assim (H, 50)<sup><b><a name="top4" href="#4">4</a></b></sup>.</p> 		</blockquote> 	</blockquote> 	    <p>A representação da profissão de montador de <i>offset</i> é  	definida pelas suas tarefas bem delimitadas, exigentes do ponto de vista  	físico e intelectual, enquadradas pelo cultivo da aprendizagem por  	transmissão oficial-aprendiz e por uma tradição corporativa (Barreto, 1981,  	1982).</p> 	    <blockquote> 		    <blockquote> 			    <p><b>Conhecimentos intelectuais, sem dúvida, e a tal  			acuidade</b>. Portanto, tínhamos que ter os órgãos da percepção ali  			presentes, desde ver bem, <b>imaginar e executar</b>. <b>Estava na  			mente, estava nos olhos, estava nas mãos, em simultâneo </b>(H, 38).  			Portanto, é uma <b>concentração total</b>. Um tipo&#8230; a pessoa tem que  			ser uma pessoa muito concentrada, isto é verdade, <b>tem que ser  			muito concentrada e extremamente concentrada</b>&#8230; estar sempre com o  			cérebro bem, porque o trabalho é muito caro &#8211; isso é fundamental &#8211;  			(&#8230;) <b>Bem, depois, também, saber, não é</b>? (H, 47).</p> 		</blockquote> 	</blockquote> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A representação do ideal de montador de <i>offset</i>  	associa, portanto, o seguimento de uma ética tradicionalmente construída,  	baseada na entrega e empenhamento totais na qualidade do trabalho, o qual  	tem uma natureza eminentemente intelectual, mas que se expressa,  	fisicamente, na utilização dos sentidos e no esforço da concentração.</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>Feminilidade na montagem de <i>offset</i></b></p> 	    <p>Na história da profissão, a entrada de mulheres foi  	relativamente tardia e, em grande medida, associada à introdução de  	inovações tecnológicas, como a informatização. Por isso, os homens  	entrevistados referem ter conhecido poucas profissionais e estas afirmam,  	com frequência, que foram sempre minoritárias ou as únicas num grupo  	masculino alargado.</p> 	    <p>Nos discursos dos homens, identificam-se algumas  	particularidades femininas, associadas à sua pertença sexual e, portanto,  	inerentes à sua &#8216;natureza&#8217;, nomeadamente a dificuldade em atingirem o rigor  	necessário, mostrando alguma desadequação face ao que se define como ideal  	na profissão e nos profissionais:</p> 	    <blockquote> 		    <blockquote> 			    <p>Agora, sinceramente, ultimamente trabalhei com  			várias colegas minhas, espectáculo!, <b>não havia diferença nenhuma</b>,  			antes pelo contrário, algumas até com um nível que <b>raramente  			falham</b>.(&#8230;). As mulheres, sinceramente, e eu vou dizer isto com  			toda a sinceridade, não eram&#8230; <i>não percebiam</i> (&#8230;) Só que o  			problema era não entenderem o grau de precisão das coisas.</p> 			    <p>(&#8230;), no meu tempo, <b>a mulher&#8230; às vezes, a gente  			até se ria e é verdade&#8230; que falhava muito</b>, j<i>á mesmo depois de  			saber, já depois de quatro ou cinco anos daquilo</i>, falhava muito  			ainda&#8230; «<b>isso foi uma mulher que fez!</b>»&#8230; (&#8230;). <b>Era assim,  			havia essa diferença</b> (H, 47).</p> 		</blockquote> 	</blockquote> 	    <p>As alegações iniciais de que as mulheres, enquanto  	profissionais, atingem o mesmo grau de desempenho que os homens, facilmente  	dão lugar à enumeração do que, a partir da visão dos homens, as torna  	distintas como profissionais e indistintas enquanto mulheres. O discurso  	seguinte sintetiza muito bem essa dinâmica discursiva:</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote> 		    <blockquote> 			    <p>Quer dizer, eu acho que elas se ajeitam, <b>mal ou  			bem ajeitam-se</b>. Eu&#8230; eu, não é por nada, mas na altura só as  			achava assim <b>menos aplicadas</b> e tal. Que é que eu quero dizer? 			<b>Não ligam tanto aos pormenores</b>, ás vezes não dão valor&#8230; acham  			que não é nada e depois no trabalho final dava mau resultado. É  			isso. E depois tinha outra coisa&#8230; <b>quando estavam numa de saírem e  			irem para casa não eram muito maleáveis </b>(&#8230;). É por isso que eu  			acho que não é por não serem capazes, mas sempre há aquelas coisas&#8230; 			<b>a casa, os maridos, os filhos e isso que não dava muito para  			trabalhar fora de horas e fins-de-semana e isso</b>. (&#8230;) Dá-me ideia  			que, antes delas virem, havia guerras e conflitos e volta e meia a  			coisa azedava-se, discutia-se, e tal, mas parece que com elas&#8230;  			Parece que <b>as mulheres têm tendência para arranjar confusões,  			intrigas, sei lá</b>. (&#8230;) com elas&#8230; havia confusões a toda a hora  			por isto, por aquilo&#8230; (H, 50).</p> 		</blockquote> 	</blockquote> 	    <p>Assim, a identificação de um nível menor de acuidade, tão  	importante na definição da profissão, a indisponibilidade para trabalhar  	para além das horas estabelecidas, devido às tarefas domésticas  	tradicionalmente atribuídas às mulheres, e a tendência feminina para a  	conflitualidade (alimentada pela intriga) parecem servir, neste discurso,  	para reanalisar e contradizer a afirmação de que o nível de desempenho  	profissional é igual nos dois sexos. A homogeneização das mulheres, enquanto  	grupo ou categoria, é tentada, pelo recurso à menorização da sua capacidade  	ou do seu investimento no rigor do trabalho e à acentuação de traços  	estereotípicos e dos papéis sóciosexuais que lhes são associados.</p> 	    <p>Nos discursos, os temas de conversa desempenham o papel de  	exemplo ou de indicador de alguma tensão entre a identidade profissional,  	associada à masculinidade, e a gestão da dominação numérica de um ou outro  	sexo. A feminilidade, trazida pelas mulheres e pela sua especificidade, será  	sujeita a acções de delimitação e de sujeição, evitando que, visivelmente,  	passem a fazer parte da identidade da montagem.</p> 	    <blockquote> 		    <blockquote> 			    <p>Quando alguma coisa tocasse, tivesse a ver comigo,  			então a conversa&#8230; apesar delas, sendo pessoas que me dava muito bem  			com elas, falávamos de tudo&#8230; <b>eu até falava, às vezes, dizia  			coisas que não devia dizer, mas, pronto, porque já tinha uma  			confiança muito grande com elas</b>. (&#8230;) &#8230; Por vezes, a gente  			fartava-se de rir&#8230; <b>«é, pá, pára aí, deixa de falar de saldos e  			dessas coisas e fala de outra coisa qualquer»</b>&#8230; pronto&#8230; <i>e  			quando é o contrário&#8230; Mas no caso dos homens, aquilo que me parece é  			que</i>&#8230; A gente, às vezes, só tinha uma mulher na secção&#8230; A gente  			procurava &#8230; <i>eu não estou a ser machista, nem nada</i>&#8230; [risos]&#8230;  			mas <b>procurávamos sempre ter uma conversa que também a abrangesse,  			nem que fosse só uma </b>(H, 47).</p> 		</blockquote> 	</blockquote> 	    <p>É justo admitir que estes discursos também constroem a  	uniformização dos homens desta profissão, pois, no fundo, afirma-se que  	(todos) estes não participam (ou não devem participar) dos traços da  	feminilidade, como a dedicação ao mundo doméstico ou ter interesse por temas  	supostamente específicos das mulheres, como as compras.</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Estratégias das mulheres</b></p> 	    <p>As análises dos discursos anteriores já permitiram a  	aproximação à diversidade de narrativas acerca da localização da  	feminilidade nas identidades de cada uma das profissões. Foi suficientemente  	clarificado que, genericamente, a presença das mulheres, em maior ou menor  	número, não abalou a hegemonia da masculinidade neste contexto ocupacional.  	Há, então, fundamento para a interrogação acerca das estratégias seguidas  	pelas mulheres para se incluírem em tais contextos e culturas. Com efeito,  	sabendo-se minoritárias e admitidas para um trabalho que, potencialmente,  	contraria os estereótipos sociais de género, o que, desde logo, leva a  	baixas expectativas de desempenho (Aronson &amp; Quinn, 1998; Stangor &amp; Sechrist,  	1998; Wajcman, 1991), é pertinente analisar como as mulheres descrevem as  	suas estratégias de superação dessa dificuldade.</p> 	    <p>Os discursos que negam a existência de acções de  	discriminação negativa, protagonizada pelos homens, e as dificuldades de  	integração são absolutamente prevalecentes, ainda que em diferentes versões.  	Nas narrativas resultantes da primeira referência às suas experiências nas  	profissões são apresentados argumentos que defendem a plena aceitação, a  	naturalidade desse processo, bem como a ausência de distinção significativa  	entre os sexos.</p> 	    <p>Contudo, após estas primeiras expressões acerca das  	experiências nos contextos profissionais, as suas alegações fazem emergir um  	conjunto de estratégias possíveis para que tenham mantido e mantenham a  	presença nas profissões, assim como discursos de alguma complexidade e  	profundidade, muitos deles pautados pela contradição de afirmações  	precedentes.</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>Elevação dos graus de exigência e evidência de  	capacidades</b></p> 	    <p>Os discursos de todas as participantes expressam o seu  	conhecimento de que, por tradição, os homens foram únicos e são  	numericamente maioritários na profissão que partilham com elas. A estranheza  	pela sua entrada nesta profissão terá sido manifesta por expressões de  	expectativa face ao desempenho, sob o augúrio de insucesso provável:</p> 	    <blockquote> 		    <blockquote> 			    <p>E &#8211; E os seus colegas aceitaram-na bem?</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p> 			Agora, houve casos, colegas, alguns, em que eu não me senti muito  			bem recebida e acho mesmo que era por ser mulher, não tenho dúvida.  			Assim, tipo, «<b>deixa cá ver se esta aselha é capaz de dar conta  			disto</b>». E nos primeiros tempos andavam ali com o olho em cima de  			nós para tentar apanhar-nos em falta, ou assim. E era nesse caso que 			<i>nós tínhamos de</i>&#8230; Dava algum stress, a gente saber que <b>se  			falhasse eles não deixavam passar em branco</b> e faziam logo  			conversa disso, para nos chatear. Senti muito isso (M, 37).</p> 		</blockquote> 	</blockquote> 	    <p>Este extracto é bastante explícito quanto à necessidade  	sentida pelas mulheres para contrariar as expectativas de insucesso e à  	premência para demonstrar níveis de competência iguais aos dos homens. Os  	níveis de execução podem ser, de forma deliberada, aumentados pelas  	mulheres, com o objectivo de sublinhar as suas capacidades de superação  	desses níveis e de se &#8216;imporem&#8217;, ainda que tal implique um esforço acrescido  	e uma atenção redobrada.</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>Ocultação e não acentuação da feminilidade</b></p> 	    <p>Aquelas que classifico como estratégias de ocultação  	(tentada) da sua presença manifestam-se de formas diversas, ainda que o  	objectivo se aproxime de uma afirmação paradoxal como &#8220;<i>estou entre vós,  	mas não quero ser vista (como mulher</i>)&#8221;, o que me parece transparecer no  	excerto seguinte pelo uso de metáforas como &#8220;<i>não criar problemas</i>&#8221; e &#8220;<i>não  	levantar ondas</i>&#8221;:</p> 	    <blockquote> 		    <blockquote> 			    <p>É assim, quando nós queremos, corre bem, se nós <b> 			não criarmos problemas</b>, acaba por correr bem. Fazemos o nosso  			trabalho o melhor possível, <b>não levantamos ondas</b>&#8230; entende? Se  			for assim, acaba por correr bem (M, 37).</p> 		</blockquote> 	</blockquote> 	    <p>A consecução desse objectivo paradoxal de ocultação  	concretiza-se pela não ocupação do espaço do convívio e do diálogo com  	assuntos que consideram típicos das mulheres e do mundo doméstico, evitando  	aflorá-los junto dos colegas homens:</p> 	    <blockquote> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote> 			    <p>Eles falavam entre eles e se eu quisesse também  			podia falar, mas&#8230; É assim: a gente sente quando está a mais ou&#8230; Eu  			sentia que eles não me queriam ali. <b>Depois, o que é que eu ia  			falar? Das compras, dos miúdos, de um livro que estava a ler? </b> 			(&#8230;) Não dava mesmo&#8230; (M, 37).</p> 		</blockquote> 	</blockquote> 	    <p>Falar dos filhos, das compras, da roupa, das &#8216;áreas  	tipicamente femininas&#8217;, é apontado pelas mulheres como um comportamento a  	evitar, pelo menos na presença de elementos masculinos, ilustrando a  	eficácia da cultura ocupacional ao nível da incorporação das normas. No  	entanto, o teor das conversas entre colegas de profissão é um tema  	insistentemente desenvolvido pelas entrevistadas:</p> 	    <blockquote> 		    <blockquote> 			    <p>Tive que eu adaptar-me a eles. (&#8230;) <b>Adaptei-me ao  			pé de um ambiente masculino</b> onde, realmente, o tipo de conversas  			é outro, o tipo de brincadeiras é outro e, no fundo, eu nunca quis  			que fossem eles a adaptar-se a mim. (&#8230;). Eu sempre os pus à vontade&#8230;  			às vezes, lá deixavam escapar uma asneira ou assim. «Ah, desculpe!».  			«Não tem nada de desculpar! Eu se estiver mal mudo-me ou então finjo  			que não ouvi, porque vocês estão no vosso ambiente, eu só tenho é  			que, se não gostar de ouvir, finjo que não ouvi». Sempre os pus à  			vontade nisso. Depois, fui ficando mais à vontade e <b>já era eu que  			participava nas brincadeiras e nas conversas</b>&#8230; (M, 37).</p> 			    <p>(&#8230;) As pessoas têm que se ir adaptando aos meios,  			não é? Não podia chegar ali e, agora, começar a entrar em guerra com  			os homens todos por causa de &#8230; «<b>olhe, vejam lá, não digam isso!».  			Não! Somos todos pessoas</b> e nunca achei que tivesse, que tivesse  			de ser especial só porque&#8230; por ser mulher (M, 42).</p> 		</blockquote> 	</blockquote> 	    <p>A adesão aos conteúdos e estilos da conversa dos homens  	parece ser, pois, um imperativo («<i>tive de adaptar-me</i>»), o que, aliás,  	é encarado como um indicador de integração no grupo dos homens, até ao  	limite da indistintividade entre os sexos («<i>somos todos pessoas</i>»).  	Contudo, os discursos clarificam que essa indistintividade é conseguida  	através da adaptação e elevada tolerância das mulheres e que o sentido do  	contributo de cada sexo não é arbitrário nem biunívoco. Quer dizer, as  	mulheres adoptam a norma (masculina) da profissão e a sua presença parece  	não abalar, nem modificar, em permanência, os comportamentos dos homens.  	Provavelmente, se tal objectivo não fosse bem sucedido, pôr-se-ia em perigo  	a plena integração das mulheres na cultura ocupacional, pois tornar-se-iam  	demasiado visíveis.</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>Vivências da discriminação</b></p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A continuidade do diálogo, a pormenorização das práticas  	profissionais quotidianas, a recuperação de memórias e, provavelmente, o  	maior grau de à-vontade na relação permitiram ou suscitaram a narração de  	múltiplas vivências consideradas pelas mulheres como práticas de  	discriminação negativa. Estas narrativas coexistem, na mesma entrevista, com  	aquelas que negam a discriminação, ilustrando, com emoção e sob a forma de  	denúncia, as diferentes vozes para se referirem a este tema:</p> 	    <blockquote> 		    <blockquote> 			    <p>No meu último emprego eram 7 homens e eu. Eu até  			dizia que era a Branca de Neve e os sete anões. Eles fizeram-me a  			vida negra. <b>Fizeram-me a vida negra, porque eu ganhava mais do  			que eles e tinha entrado há menos tempo do que eles</b> e, então&#8230;  			Adaptei-me à situação, aprendi rapidamente o que era necessário,  			eles tinham algumas dificuldades. Ganhava mais e, então, fizeram-me  			a vida negra&#8230; (M, 55).</p> 		</blockquote> 	</blockquote> 	    <p>Esta narrativa mostra que a remuneração superior à dos  	colegas se tornou motivo para a rejeição desta mulher no seio do grupo e  	exemplifica como a credenciação desafia as vias tradicionais de admissão e  	de progressão na profissão e como os seus efeitos podem ser <i>genderizados</i>.  	Neste caso, trata-se de alguém que inaugurou o uso da informática naquela  	empresa, pelo que a oposição à tecnologia e a marginalização das mulheres  	que a manuseiam se confundem, uma reflexão que Judy Wajcman (1991, 2002) já  	havia realizado<sup><b><a name="top5" href="#5">5</a></b></sup>.</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>Discussão e conclusões</b></p> 	    <p>A definição do perfil ideal destes profissionais evidencia  	as capacidades de abstracção e intelectualização do trabalho e de  	autodisciplina, expressas através da concentração, resistência à pressão do  	ambiente de trabalho, exigência e orgulho na cultura da profissão. Através  	da interpretação dos significados destes atributos desejáveis, salienta-se  	uma forma hegemónica de inteligibilidade (Wetherell &amp; Edley, 1999; Connell,  	1995; 2001) acerca do que significa ser homem e, ao mesmo tempo, montador de 	<i>offset</i>. Por desenvolverem, predominantemente, actividades de natureza  	intelectual, é uma representação que partilha de alguns dos traços da  	masculinidade heróica, como a eficácia, a energia, a firmeza e a frieza de  	pensamento (Wetherell &amp; Edley, 1999: 351).</p> 	    <p>A representação das mulheres com esta ocupação profissional  	resulta da articulação de duas versões diferentes: uma que as descreve como  	indistintas e outra que as afasta dos traços normativos da profissão, devido  	à sua &#8220;natureza feminina&#8221;. Admite-se, em potência, que as mulheres da  	profissão poderão ter níveis de produtividade semelhantes aos dos homens,  	mas também se defende que terão tendência a ser menos precisas, a investir  	menos no trabalho, a ter um menor envolvimento nas actividades extralaborais  	do grupo e a serem conflituosas.</p> 	    <p>Os argumentos que dão corpo a essa representação  	relacionam-se, do ponto de vista discursivo, com o &#8220;natural&#8221; desempenho dos  	papéis conjugais e familiares, por parte das mulheres, o que pressupõe que  	os homens desta profissão não terão interesses relacionados com esse  	universo e que a feminilidade não deve contribuir para o ideal normativo,  	pois é encarada como marginal e exclusiva do ser feminino (Amâncio, 2003;  	Amâncio &amp; Oliveira, 2006).</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por serem mulheres e terem optado por uma profissão que não  	se justapõe aos estereótipos sociais de género, espera-as, por princípio e  	consequência, um cenário de expectativas de insucesso (Aronson &amp; Quinn,  	1998; Stangor &amp; Sechrist, 1998; Wajcman, 1991). Enquanto grupo minoritário e  	simbolicamente dominado, ser-lhes-ão necessárias capacidades de sustentação  	da sua presença e de enquadramento no grande grupo, ou seja, o uso de  	mecanismos de adaptação que articulem esse estatuto grupal, a vigilância das  	suas realizações e a permanência. Trata-se, portanto, de um conjunto de  	estratégias de sobrevivência e de inclusão (Aronson &amp; Quinn, 1998;  	Branscombe &amp; Ellemers, 1998; Stangor &amp; Sechrist, 1998; Marques &amp; Amâncio,  	2004), podendo ou não passar pelo desejo de atenuar a diferença face ao  	grupo dominante (Branscombe &amp; Ellemers, 1998; Fine, 1987).</p> 	    <p>As mulheres envolvidas neste estudo recorrem a um reportório  	discursivo de negação ou desvalorização das dificuldades de adaptação a um  	universo profissional dominado simbólica e numericamente por homens e a uma  	cultura ocupacional assente na masculinidade hegemónica. Não se trata de uma  	originalidade destas mulheres, pois este reportório foi identificado noutras  	investigações e em profissionais da gestão (Nogueira, 1996; Collison &amp; Hearn,  	2001), da condução de táxis (Kimberly, 1997; Marques, 2007) e da cirurgia  	geral e da magistratura judicial (Marques, 2004).</p> 	    <p>As elevadas expectativas e a vigilância face ao desempenho  	feminino são-lhes directamente relembradas por aqueles que encontram nos  	contextos de trabalho ou são simplesmente deduzidas pelo conhecimento de que  	foram admitidas num espaço em que a sua presença não é habitual.</p> 	    <p>A tentativa de afirmação de que estão plenamente integradas  	e que abdicam, enquanto profissionais, do que distingue a sua pertença  	sexual é muito evidente nas estratégias narradas pelas profissionais,  	confirmando um fenómeno comum a condutoras de táxi (Boyd, 1997; Marques,  	2007), advogadas (Quinn, 2000) e cirurgiãs (Riska, 2001; Marques &amp; Amâncio,  	2004; Sanfey, 2006) . O esforço para a integração manifesta-se na ocultação  	ou subvalorização dos seus interesses, no evitamento da condução das  	conversas e na cedência ao protagonismo e imposição de temas e palavras dos  	colegas, ilustrando o forte poder performativo da fala e do discurso (Foucault,  	1980; Potter &amp; Wetherell, 1987; Augoustinos, 1999).</p> 	    <p>As afirmações das mulheres sobre a aceitação pelos colegas  	são ilustradas por práticas entendidas como de discriminação positiva ou  	como sinal evidente de sucesso, ainda que, contraditoriamente, esses  	discursos e experiências assinalem a presença de situações de efectiva  	coacção e acentuação da desigualdade e da diferença neste contexto e nesta  	cultura <i>genderizados</i>.</p> 	    <p>Algumas das narrativas assumidas pelas participantes como de  	ilustração de experiências de discriminação negativa são melhor  	compreendidas quando as experiências são histórica e sociologicamente  	enquadradas. Possivelmente, por terem dado início a processos de abertura da  	profissão às mulheres, as narrativas recorrem a um passado longínquo para  	ilustrar essas experiências. Contudo, este não é um tema unicamente do  	passado e, portanto, desactualizado, o que justifica um investimento na  	compreensão acerca dos processos mais ou menos subtis de construção da  	diferença e de acentuação das desigualdades de género, bem como a  	identificação de estratégias de intervenção que garantam a mudança e a  	emancipação.</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>Referências Bibliográficas</b></p> 	    <p>Amâncio, Lígia (2003), «Género e assimetria simbólica. O lugar da  	história na psicologia social», in Luísa Lima, Paula Castro e Margarida  	Garrido (eds.), <i>Temas e Debates em Psicologia Social</i>, Lisboa, Livros  	Horizonte, 111-124.</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Amâncio, Lígia e Oliveira, João M. (2006), «Men as individuals, women as  	a sexed category: implications of symbolic asymmetry for feminist practice  	and feminist psychology », <i>Feminism &amp; Psychology</i>, 16,1, 36-44.</p> 	    <p>Aronson, Joshua e Quinn, Diane M. (1998), «Stereotype threat and the  	academic underperformance of minorities and women», in Janet K. Swin e  	Charles Stangor (eds.), <i>Prejudice. The targuet&#8217;s perspective</i>, San  	Diego, Academic Press, 83-103.</p> 	    <p>Augoustinos, Martha (1999), «Ideology, false consciousness and psychology», 	<i>Theory &amp; Psychology</i>, 9, 3, 295-312.</p> 	    <p>Baran, Barbara (1987), «The technological transformation of white-collar  	work: a case study of the insurance industry», in Heidi Hartman (ed.), <i> 	Computer Chips and Paper Clips</i>, Washington DC, National Academy Press,  	vol. 2, 25-62.</p> 	    <!-- ref --><p>Barreto, José (1981), «Os tipógrafos e o despontar da contratação  	colectiva em Portugal (I)»,. <i>Análise Social</i>, XVII, 66, 253-291.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S0874-5560200900020001400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Barreto, José (1982), «Os tipógrafos e o despontar da contratação  	colectiva em Portugal (II)», <i>Análise Social</i>, XVIII, 70, 183-211.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S0874-5560200900020001400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Billig, Michael (1987), <i>Arguing and Thinking: a rhetorical approach to  	social psychology</i>, Cambridge, Cambridge University Press.</p> 	    <p>Billig, Michael (1997), «Rhetorical and discursive analysis: how families  	talk about the royal family», in Nicky Hayes (ed.), <i>Doing Qualitative  	Analysis in Psychology</i>, Londres, Psychology Press, 39-54.</p> 	    <p>Boyd, Cynthia (1997), «&#8216;Just like one of the boys&#8217;: Tactics of women taxi  	drivers», in Diane Tye e Pauline Greenhill (Eds.), <i>Undisciplined Women:  	Tradition and Culture</i>, Montréal, McGill-Queen&#8217;s University Press,  	213-222.</p> 	    <p>Bradley, Harriet (1986), «Technological change, management strategies,  	and the development of gender-based job segregation on the labour process»,  	in David Knights &amp; Hugh Willmott (eds.), <i>Gender and the Labour Process</i>,  	Aldershot, Gower, 54-73.</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Branscombe, Nyla B. e Ellemers, Naomi (1998), «Coping with group-based  	discrimination: individualistic versus group-level strategies», in Janet K.  	Swim e Charles Stangor (eds.), <i>Prejudice. The target&#8217;s perspective</i>,  	San Diego, Academic Press, 243-266.</p> 	    <p>Cockburn, Cynthia (1981), «The material of male power», <i>Feminist  	Review</i>, 9, 41-58.</p> 	    <p>Cockburn, Cynthia (1983), <i>Brothers: male dominance and technological  	change</i>, Londres, Pluto Press.</p> 	    <p>Cockburn, Cynthia (1985), <i>Machinery of dominance: women, men and  	technical know-how</i>, Londres, Pluto Press.</p> 	    <p>Cockburn, Cynthia (1988), «The gendering of jobs: workplace relations and  	the reproduction of sex segregation», in Sylvia Walby (ed.), <i>Gender  	Segregation at Work</i>, Milton Keynes, Open University Press, 29-42.</p> 	    <p>Collinson, David e Knights, David (1986), «&#8220;Men only&#8221;: theories and  	practices of Job segregation in insurance», in David Knights e Hugh Willmott  	(eds.), <i>Gender and the Labour Process</i>, Aldershot, Gower, 140-178.</p> 	    <p>Collinson, David e Hearn, Jeff (2001), «Naming men as men: implications  	for work, organization and management», in Stephen M. Whitehead &amp; Frank J.  	Barrett (eds.), <i>The Masculinities Reader</i>, Cambridge, Polity Press,  	144-169.</p> 	    <p>Connell, Robert W. (1995), <i>Masculinities</i>, Cambridge, Polity Press.</p> 	    <p>Connell, Robert W. (2001), «The social organization of masculinity», in  	Stephen M. Whitehead &amp; Frank J. Barrett (eds.), <i>The Masculinities Reader</i>,  	Cambridge, Polity Press, 30-50.</p> 	    <p>Durão, Susana (2003), <i>Oficinas e Tipógrafos. Culturas e quotidianos de  	trabalho</i>, Lisboa, D. Quixote.</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Durão, Susana e Marques, Emília M. (2001), «Os vidreiros e a máquina, o  	tipógrafo e o designer: reflexões sobre a antropologia do trabalho», <i> 	Etnográfica</i>, V, 1, 47-68.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S0874-5560200900020001400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Edwards, Derek (2004), «Discursive Psychology», in Kristine L. Fitch e  	Robert E. Sanders (eds.), <i>Handbook of Language and Social Interaction</i>,  	Mahwah, NJ, Lawrence Erlbaum, 257-273.</p> 	    <p>Fine, Gary A. (1987), «One of the boys. Women in male-dominated settings»,  	in Michael Kimmel (ed.), <i>Changing Men: new directions in research on men  	and masculinity</i>, Newbury Park, CA, Sage Publications, 131-147.</p> 	    <p>Foucault, Michel (1980), <i>Power/Knowledge: selected interviews and  	other writings &#8211; 1972/1977</i>, Brighton, Harvester Press.</p> 	    <p>Gill, Rosalind (2003), «Análise de discurso», in Martin W. Bauer e George  	Gaskell (eds.), <i>Pesquisa Qualitativa com Texto, Imagem e Som. Um manual  	prático</i>, Petropólis, Editora Vozes, 244-270.</p> 	    <p>Grieco, Margaret e Whipp, Richard (1986), «Women and the workplace:  	gender and control in the labour process», in David Knights e Hugh Willmott  	(eds.), <i>Gender and the Labour Process</i>, Aldershot, Gower, 117-139.</p> 	    <p>Kimberly, Berry (1997), <i>She&#8217;s no Lady: The experience and expression  	of gender among women taxi drivers</i>, Tese Policopiada, Saint Mary&#8217;s  	University, Halifax, Nova Scotia.</p> 	    <p>Liff, Sonia (1986), «Technical change and occupational sex-typing», in  	David Knights &amp; Hugh Willmott (eds.), <i>Gender and the Labour Process</i>,  	Aldershot, Gower, 74-93.</p> 	    <p>Macdonald, Keith M. (1995), <i>The Sociology of Professions</i>, Londres,  	Sage Publications.</p> 	    <p>Mackay, Hughie e Gillespie, Gareth (1992), «Extending the social shaping  	of technology approach: ideology and appropriation», <i>Social Studies of  	Science</i>, 22, 685-716.</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Marques, António M. e Amâncio, Lígia (2004), «Medicina e masculinidade:  	da predominância numérica à dominação simbólica», in Jorge Vala, Margarida  	Garrido e Paulo Alcobia (eds.), <i>Percursos da Investigação em Psicologia  	Social e Organizacional</i>, Lisboa, Edições Colibri, 201-220.</p> 	    <p>Marques, António M. (2004), «Os trabalhos da masculinidade. Culturas  	ocupacionais sob hegemonia masculina», in Lígia Amâncio (ed.), <i>Aprender a  	Ser Homem. Construindo masculinidades</i>, Lisboa, Livros Horizonte, 29-50.</p> 	    <p>Marques, António M. (2007), <i>Profissões Masculinas. Discursos e  	resistências</i>, Tese de Doutoramento, policopiada, Instituto Superior de  	Ciências do Trabalho e da Empresa, Lisboa.</p> 	    <p>Nogueira, Maria Conceição O. C. (1996), <i>Um Novo Olhar sobre as  	Relações Sociais de Género. Perspectiva feminista crítica na Psicologia  	Social</i>, Tese de Doutoramento, policopiada, Instituto de Educação e  	Psicologia da Universidade do Minho, Braga.</p> 	    <p>Parker, Ian (1997), «Discursive psychology», in Dennis Fox &amp; Isaac  	Prilleltensky (eds.), <i>Critical Psychology. An introduction</i>, Londres,  	Sage Publications, 287-298.</p> 	    <p>Potter, Jonathan e Wetherell, Margaret (1987), <i>Discourse and Social  	Psychology: Beyond attitudes and behaviour</i>, Londres, Sage Publications.</p> 	    <p>Potter, Jonathan e Wetherell, Margaret (1998), «Social representations,  	discourse analysis, and racism», in Uwe Flick (ed.), <i>The Psychology of  	the Social</i>, Cambridge, Cambridge University Press, 138-155.</p> 	    <p>Quinn, Beth A. (2000), «The paradox of complaining: law, humor, and  	harassment in the everyday work world», <i>Journal of the American Bar  	Foundation</i>, 25, 4, 1151-1185.</p> 	    <p>Riska, Elianne (2001), «Towards gender balance: but will women physician  	have impact on medicine?», <i>Social Science &amp; Medicine</i>, 52, 179-187.</p> 	    <p>Sanfey, Hilary A. (2006), «Influences on medical student career choice», 	<i>Archives of Surgery</i>, 141, 1086-1094.</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Stangor, Charles e Sechrist, Gretchen B. (1998), «Conceptualizing the  	determinants of academic choice and task performance across social groups»,  	in Janet K. Swim e Charles Stangor (eds.), <i>Prejudice. The targuet&#8217;s  	perspective</i>, San Diego, Academic Press, 105-124.</p> 	    <p>Wajcman, Judy (1991), «Patriarchy, technology, and conceptions of skill», 	<i>Work and Occupations</i>, 18, 1, 29-45.</p> 	    <p>Wajcman, Judy (2000), «Reflections on gender and technology studies: in  	what state is the art?», <i>Social Studies of Science</i>, 30, 3, 447-464.</p> 	    <p>Wajcman, Judy (2002), «Addressing technological change: the challenge to  	social theory», <i>Current Sociology</i>, 50, 3, 347-363.</p> 	    <p>Wallace, Michael e Kalleberg, Arne L. (1982), «Industrial transformation  	and the decline of craft: the decomposition of skill in the printing  	industry», 1931-1978, <i>Asian Survey, 47</i>, 3, 307-327.</p> 	    <p>Wetherell, Margaret e Edley, Nigel (1999), «Negotiating hegemonic  	masculinity: imagery positions and psycho-discursive practices», <i>Feminism  	&amp; Psychology</i>, 9, 3, 335-356.</p> 	    <p>Witz, Anne (1990), «Patriarchy and professions: the gendered politics of  	occupational closure», <i>Sociology</i>, 24, 4, 675-690.</p> 	    <p>Witz, Anne (1992), <i>Professions and Patriarchy</i>, Londres, Routledge.</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	     <p><b>Notas</b></p> 			    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="1" href="#top1">1</a> Na nomenclatura internacional STS  			(Social Studies of Science and Technology).</p> 	    <p><a name="2" href="#top2">2</a> O que, segundo Cockburn (1981, 1983), Liff  	(1986) e Baran (1987), corresponde a uma estratégia típica dos detentores do  	capital, quando introduzem inovações tecnológicas, nomeadamente, pela  	contratação de pessoal não especializado ou menos remunerado, como é o caso,  	em geral, das mulheres. Judy Wajcman (1991: 35), a este propósito e com base  	na revisão de literatura, afirma peremptoriamente: «Para os empregadores, a  	nova tecnologia representou, entre outras coisas, uma oportunidade para  	substituir os homens por mulheres trabalhadoras com menores salários».</p> 	    <p><a name="3" href="#top3">3</a> Sem o suporte informático, a montagem de  	offset consiste na realização de um conjunto de operações de colagem,  	selecção de cores e de montagem fotográfica, dando origem aos fotolitos  	(filmes), a partir dos quais se criam as matrizes para a reprodução em papel  	(livros, jornais, cartazes&#8230;). No processo de produção gráfica, em moldes  	tradicionais, faz parte da fase da pré-impressão, mediando as fases da  	criação e da impressão, uma organização radicalmente alterada com a  	informatização.</p> 	    <p><a name="4" href="#top4">4</a> Em cada excerto, identificam-se o sexo (H  	ou M) e a idade.</p> 	    <p><a name="5" href="#top5">5</a> Do ponto de vista diacrónico, a vantagem  	de &#8220;<i>ganhar mais</i>&#8221; viria, contudo, a atenuar-se e a produzir o efeito  	contrário, dada a diminuição salarial que se foi instalando até à  	actualidade.</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	     <p><b>António Manuel Marques</b> é licenciado em Sociologia e mestre e doutor    em Psicologia Social e Organizacional, Professor-Coordenador da Escola Superior    de Saúde do Instituto Politécnico de Setúbal. Desde 1987, tem participado em    projectos no domínio da Educação Sexual e da Educação para a Saúde, envolvendo    diferentes grupos etários e contextos. Desde 1995, tem desenvolvido, a título    individual e em parceria, investigações no domínio da Psicologia Social do Género    e da Psicologia da Saúde. </p> 			     <p><b>Correio electrónico</b>: <a href="mailto:antonio.marques@ess.ips.pt">antonio.marques@ess.ips.pt</a></p> 	    <p>&nbsp;</p> 			     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Artigo recebido em 01 de Maio de 2009 e aceite para publicação em 28 de    Outubro de 2009.</i></p>      ]]></body><back>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Os tipógrafos e o despontar da contratação colectiva em Portugal (I)]]></article-title>
<source><![CDATA[Análise Social]]></source>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Os tipógrafos e o despontar da contratação colectiva em Portugal (II)]]></article-title>
<source><![CDATA[Análise Social]]></source>
<year>1982</year>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Os vidreiros e a máquina, o tipógrafo e o designer: reflexões sobre a antropologia do trabalho]]></article-title>
<source><![CDATA[Etnográfica]]></source>
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