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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Diversidade e psicoterapia: expectativas e experiências de pessoas LGBT acerca das competências multiculturais de psicoterapeutas]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Diversity and Psychotherapy: Expectations and Experiences of LGBT Persons about Psychotherapists Multicultural Competencies]]></article-title>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[Diversité et Psychothérapie: expectatives et expériences des personnes LGBT sur les compétences multiculturelles des psychothérapeutes]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The present papers addresses the issues related to psychotherapy practices with Lesbian, Gay, Bissexual and Transgendered (LGBT) individuals. A historical review of clinical interventions with non-heterossexual clients is presented, as well as the present international ethical guidelines for psychotherapy with LGBT people. The tridimensional model of multicultural competencies of psychotherapists or counsellors (awareness, knowledge and skills) is proposed as a reference base for the development of more ethical and effective practices with clients from minority groups, including LGBT. A study is presented, with a qualitative and exploratory approach. Four interviews were conducted to four participants - one lesbian woman, one gay man, a bisexual woman, and a transgender male. The interviews aimed to explore their representations of psychological health and illness, as well as their experiences and expectations relative to psychotherapeutic processes. The results of the interviews are presented, voicing the participants by presenting excerpts of the interviews. Discriminatory experiences were related as a central part of the lives of all the participants, including in the access to health care. The expectations they hold of psychotherapists, however, include the ability to separate their values and attitudes from their clinical work, and the capacity to help they in the resolution of problems resulting from discrimination and social isolation. Theses expectations are discussed in light of the national and international literature, highlighting the fundamentally interpersonal nature of the therapeutic relationship and the relevance of the specific training of the psychotherapist.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="fr"><p><![CDATA[Cette étude aborde les pratiques psychothérapiques avec des personnes Lesbiennes, Gays, Bisexuelles et Transgenre (LGBT). Le cadre théorique examine l’évolution historique des interventions sur l’orientation sexuelle non-hétérosexuelle dans le domaine de la psychologie clinique, en considèrent les directives éthiques internationales pour l’intervention avec des personnes LGBT. On propose le modèle tridimensionnelle des compétences multiculturelles des psychothérapeutes (conscience, connaissance et compétences) comme référence pour le développement des pratiques psychothérapiques plus étiques e plus efficientes avec des clientes de groupes minoritaires, y compris les LGBT. On présente une étude qualitative et exploratoire. On a réalisé interviews à quatre participantes LGBT avec le propos spécifique d’explorer ses représentations de la santé et maladie psychologique, ainsi que explorer ses expériences et expectatives relativement aux processus d’aide clinique. Les résultats des interviews sont reportés en donnant la voix aux participantes avec des extraits des interviews. Les expériences de discrimination ont été relatées de façon centrale pour tous les participants, même sur l’accès à la santé. Les expectatives que les participantes ont des psychothérapeutes comprennent la capacité qu’ils ont de s’abstenir de leurs valeurs et attitudes dans le travail clinique, et d’aider les clients à résoudre des problèmes qui résultent de la discrimination et de l’isolement sociale. Ces expectatives sont examinées considérant la littérature nationale et internationale, en soulignent la nature essentiellement interpersonnelle de la relation thérapeutique et l’importance de la formation du psychothérapeute.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Pessoas LGBT]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[   	     <p><b>Diversidade e psicoterapia: expectativas e experi&ecirc;ncias de pessoas    LGBT acerca das compet&ecirc;ncias multiculturais de psicoterapeutas</b></p> 	     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><b>Carla Moleiro e Nuno Pinto </b></p>     <p align="right">ISCTE-IUL - Instituto Universitário de Lisboa</p>          <p><b>Resumo</b></p>     <p>O presente estudo aborda as práticas psicoterapêuticas com pessoas Lésbicas,    <i>Gays</i>, Bissexuais e Transgénero (LGBT). O enquadramento teórico reporta    a evolução histórica das intervenções na orientação sexual não-heterossexual    no domínio da psicologia clínica, revendo as directrizes éticas internacionais    para a intervenção com pessoas LGBT. O modelo tridimensional das competências    multiculturais dos/as psicoterapeutas (consciência, conhecimento e competências)    é sugerido como referencial para o desenvolvimento de práticas psicoterapêuticas    mais éticas e eficazes com clientes de grupos minoritários, incluindo LGBT.    É apresentado um estudo de natureza qualitativa e exploratória. Foram efectuadas    entrevistas a quatro participantes &#8211; uma mulher lésbica, um homem <i>    gay</i>, uma mulher bissexual e um homem transexual &#8211; com o objectivo    específico de explorar as suas representações de saúde e doença psicológicas,    bem como experiências e expectativas relativamente aos processos de ajuda clínica.    Os resultados das entrevistas são reportados, dando voz às/aos intervenientes    com excertos das entrevistas. As experiências de discriminação foram relatadas    de forma central por todos os/as participantes, incluindo no acesso à saúde.    As expectativas que detêm dos/as psicoterapeutas, contudo, envolvem a capacidade    dos/as mesmos/as se absterem da influência dos seus valores e atitudes no trabalho    clínico e de auxiliarem as/os/as clientes na resolução de problemas resultantes    da discriminação e isolamento social. Essas expectativas são discutidas à luz    da literatura nacional e internacional, salientando a natureza essencialmente    interpessoal da relação terapêutica e a relevância do papel da formação do/a    psicoterapeuta.</p> 	    <p><b>Palavras-chave</b> Pessoas LGBT, Psicoterapia, Competências  	Multiculturais, Estudo qualitativo.</p> 			    <p>&nbsp;</p>    <p><b>Abstract</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <b>Diversity and Psychotherapy: Expectations and Experiences of LGBT Persons    about Psychotherapists Multicultural Competencies</b></p>     <p> 	</b>The present papers addresses the issues related to psychotherapy  	practices with Lesbian, <i>Gay</i>, Bissexual and Transgendered (LGBT)  	individuals. A historical review of clinical interventions with  	non-heterossexual clients is presented, as well as the present international  	ethical guidelines for psychotherapy with LGBT people. The tridimensional  	model of multicultural competencies of psychotherapists or counsellors (awareness,  	knowledge and skills) is proposed as a reference base for the development of  	more ethical and effective practices with clients from minority groups,  	including LGBT. A study is presented, with a qualitative and exploratory  	approach. Four interviews were conducted to four participants &#8211; one lesbian  	woman, one gay man, a bisexual woman, and a transgender male. The interviews  	aimed to explore their representations of psychological health and illness,  	as well as their experiences and expectations relative to psychotherapeutic  	processes. The results of the interviews are presented, voicing the  	participants by presenting excerpts of the interviews. Discriminatory  	experiences were related as a central part of the lives of all the  	participants, including in the access to health care. The expectations they  	hold of psychotherapists, however, include the ability to separate their  	values and attitudes from their clinical work, and the capacity to help they  	in the resolution of problems resulting from discrimination and social  	isolation. Theses expectations are discussed in light of the national and  	international literature, highlighting the fundamentally interpersonal  	nature of the therapeutic relationship and the relevance of the specific  	training of the psychotherapist.</p> 			    <p><b>Keywords</b> LGBT People, Psychotherapy, Multicultural  			Competencies, Qualitative Study.</p> 			    <p>&nbsp;</p> 			    <p><b>Résumé</b></p>    <p> 			<b>Diversité et Psychothérapie: expectatives et expériences des  			personnes LGBT sur les compétences multiculturelles des  			psychothérapeutes</b></p>    <p> 			Cette étude aborde les pratiques psychothérapiques avec des  			personnes Lesbiennes, <i>Gays</i>, Bisexuelles et Transgenre (LGBT).  			Le cadre théorique examine l&#8217;évolution historique des interventions  			sur l&#8217;orientation sexuelle non-hétérosexuelle dans le domaine de la  			psychologie clinique, en considèrent les directives éthiques  			internationales pour l&#8217;intervention avec des personnes LGBT. On  			propose le modèle tridimensionnelle des compétences multiculturelles  			des psychothérapeutes (conscience, connaissance et compétences)  			comme référence pour le développement des pratiques  			psychothérapiques plus étiques e plus efficientes avec des clientes  			de groupes minoritaires, y compris les LGBT. On présente une étude  			qualitative et exploratoire. On a réalisé interviews à quatre  			participantes LGBT avec le propos spécifique d&#8217;explorer ses  			représentations de la santé et maladie psychologique, ainsi que  			explorer ses expériences et expectatives relativement aux processus  			d&#8217;aide clinique. Les résultats des interviews sont reportés en  			donnant la voix aux participantes avec des extraits des interviews.  			Les expériences de discrimination ont été relatées de façon centrale  			pour tous les participants, même sur l&#8217;accès à la santé. Les  			expectatives que les participantes ont des psychothérapeutes  			comprennent la capacité qu&#8217;ils ont de s&#8217;abstenir de leurs valeurs et  			attitudes dans le travail clinique, et d&#8217;aider les clients à  			résoudre des problèmes qui résultent de la discrimination et de  			l&#8217;isolement sociale. Ces expectatives sont examinées considérant la  			littérature nationale et internationale, en soulignent la nature  			essentiellement interpersonnelle de la relation thérapeutique et  			l&#8217;importance de la formation du psychothérapeute.</p> 	    <p><b>Mots-clés</b> Personnes LGBT, Psychothérapie, Compétences  	Multiculturelles, Étude qualitative.</p> 			    <p align="left">&nbsp;</p> 	    <p align="left"><b>Introdução</b></p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="left">A natureza essencialmente interpessoal do processo de  	psicoterapia, associada a uma cada vez maior diversidade cultural presente  	na sociedade, tem criado novos desafios para os/as psicoterapeutas na gestão  	das semelhanças e diferenças na díade terapêutica. A investigação sobre o  	que se faz em psicoterapia com pessoas Lésbicas, <i>Gays</i>, Bissexuais e  	Transgénero (LGBT) tem ganho relevo nos últimos anos, tendo surgido em  	oposição ao contexto histórico de patologização e discriminação desta  	população no domínio da saúde mental (King, Semleyn, Killasy, Nazareth et  	al., 2007). De facto, as taxas relativamente altas de utilização de  	psicoterapia por minorias sexuais (Bieschke, McCanahan, Tozer et al., 2000;  	King et al., 2007) são coerentes com a frequência elevada de experiências de  	discriminação, decorrentes da marcada homofobia que se vive nos mais  	variados contextos sociais. Estes factores colocam as populações LGBT em  	maior risco para problemas associados à sua saúde psicológica (Cochran,  	Sullivan e Mays, 2003; Meyer, 2003). Apesar dos últimos 20 anos terem  	testemunhado mudanças significativas na conceptualização e desenvolvimento  	de intervenções específicas nos serviços destinados a pessoas LGBT, muitas  	áreas continuam a ser pouco investigadas. Em Portugal, em particular,  	torna-se fundamental perceber que experiências de psicoterapia têm as  	pessoas LGBT e os/as seus/suas psicoterapeutas, nesse encontro de  	co-construção de significados e de procura de maior bem-estar e qualidade de  	vida.</p> 	     <p align="left">Recordamos que foi apenas em 1973 que a <i>American Psychiatric    Association</i> despatologizou a homossexualidade, retirando-a da segunda edição    do Manual Diagnóstico e Estatístico das Perturbações Mentais (DSM-II; ApA, 1973).    No seguimento dessa decisão, a <i>American Psychological Association </i>(APA)    tornou público um parecer defendendo que a homossexualidade, por si, não implica    qualquer desajustamento na pessoa homossexual, e que os/as profissionais de    saúde mental têm uma responsabilidade ética, social e profissional, relativamente    à remoção do estigma associado às pessoas não heterossexuais, em parte devido    aos mesmos profissionais e à história da Psicologia (Garnets, Hancock, Cochran    et al., 1991). Foi a partir da década de 80 que se começou a delinear, no domínio    da intervenção psicológica, o que se tem vindo a designar como o modelo afirmativo    <i>gay</i> &#8211; um conjunto de princípios que orientam a intervenção psicológica    junto de pessoas LGB e que redirecciona o foco de atenção da pessoa individual    para o contexto homofóbico em que esta se desenvolve (Carneiro, 2009). Nesta    abordagem, os objectivos terapêuticos não se prendem com a orientação sexual    das pessoas LGB, mas sim com os problemas que possam decorrer de experiências    relacionadas com o preconceito, o estigma e a discriminação, ou outras queixas    como conflitos familiares, nas relações amorosas, no local de trabalho, depressão,    ou procura de desenvolvimento pessoal (e.g. Sorensen e Roberts, 1997). Questões    como a «saída do armário», a redução da homofobia e do heterossexismo internalizados,    e o desenvolvimento da identidade são centrais nesta abordagem (Jordan e Deluty,    1995).</p> 	    <p align="left">Em consonância com as propostas afirmativas, a APA (2000)  	publicou uma série de linhas orientadoras que se pretendem constituir como  	«boas práticas» para a psicoterapia com clientes LGB. Essas recomendações  	éticas salientam a importância de os/as psicoterapeutas reconhecerem que as  	suas próprias atitudes e conhecimentos acerca das vivências de pessoas LGB  	são relevantes para o processo terapêutico com esta população e que, por  	isso, devem procurar literatura, formação e supervisão específicas.  	Salientam ainda o papel da estigmatização social e do preconceito no risco  	para a saúde mental e bem-estar de clientes não heterossexuais. No que diz  	respeito a questões familiares, as orientações recomendam que os clínicos  	estejam informados acerca do impacto que a revelação da orientação sexual  	não normativa pode ter nas famílias de origem de pessoas LGB, bem como  	reconheçam as diversas estruturas familiares que clientes LGB podem  	estabelecer (incluindo, ou não, laços genéticos e/ou protegidos pela lei nos  	diversos países). Finalmente, a APA reforça a existência de diferenças entre  	as próprias pessoas com orientação sexual não heterossexual, no sentido de  	evitar os estereótipos dos/as clientes, nomeadamente as relacionadas com a  	idade, a etnia ou a religião dos indivíduos, ou ainda às particularidades  	que pessoas bissexuais enfrentam.</p> 	    <p align="left">De facto, temos assistido ao incremento internacional no  	número de psicoterapeutas que usa as abordagens afirmativas com clientes  	LGBT, bem como ao decréscimo no número daqueles/as que encaram a  	homossexualidade e a bissexualidade como psicopatologias (Kilgore, Sideman,  	Bohanske et al., 2005). Contudo, há ainda registos do uso de técnicas  	psicoterapêuticas com vista à mudança da orientação sexual de clientes não  	heterossexuais, bem como da conceptualização da homossexualidade como uma  	perturbação de personalidade, ou outra, por parte de psicólogos/as (Liszcz e  	Yarhouse, 2005; Jordan e Deluty, 1995).</p> 	    <p align="left">No contexto português, o estudo de Moita (2001; 2006)  	constituiu-se como um primordial contributo para o conhecimento das práticas  	psicoterapêuticas com clientes homossexuais. Através da análise dos  	discursos de clientes e de terapeutas, a autora concluiu que, apesar de na  	generalidade dos casos não haver por parte dos clínicos a intenção explícita  	de alteração da orientação sexual homossexual, implicitamente ela ainda  	existe em algumas situações. A representação que os/as psicoterapeutas  	participantes do estudo revelaram ter sobre os/as clientes lésbicas e <i> 	gays</i> foi, em geral, negativa, enquadrando-se numa visão da  	homossexualidade que a encara como uma orientação «não-natural», um défice  	ou uma falha no desenvolvimento, e que se reflectia na procura de causas  	para a mesma. Destacou-se, igualmente, uma visão negativa das dimensões  	intrapessoais de clientes lésbicas e <i>gays</i> (encarados/as como  	individualistas, agressivos/as, ou com dificuldades de relacionamento), em  	detrimento de dimensões mais positivas e/ou contextuais. Um outro exemplo  	prende-se com a valorização da necessidade de os/as seus/suas clientes  	definirem uma orientação sexual exclusiva, em despeito por orientações  	bissexuais. Esta tendência para patologizar experiências próprias de  	clientes minoritários foi também documentada noutros contextos (Neufeldt,  	Pinteris, Moleiro et al., 2006), nomeadamente em relação a clientes de  	grupos étnicos.</p> 	    <p align="left">Estes dados são consistentes com alguma literatura  	internacional, onde se tem confirmado a presença de enviesamentos no  	diagnóstico (e.g. Beutler, Malik, Alimohamed et al., 2004), manifestado numa  	sobrepatologização de comportamentos, e uma maior tendência de atribuição de  	responsabilidade a estes/as clientes pelos seus problemas (Hayes e Erkis,  	2000). Contudo, outros estudos têm encontrado psicoterapeutas que não  	evidenciam tais enviesamentos (e.g. Liddle, 1996), ou ainda em que se  	encontra um enviesamento inverso (Glenn e Russell, 1986).</p> 	    <p>Neste sentido, alguns e algumas autores/as têm procurado explorar que  	variáveis influenciam os processos e a interacção terapeuta-cliente com  	pessoas LGBT. Alguns desses estudos têm-se focado na relação entre o sexo do  	cliente e do/a psicoterapeuta e a orientação sexual de ambos. Parece  	relativamente consensual que terapeutas do sexo feminino tendem a encarar  	os/as clientes LGBT de forma mais favorável, revelam atitudes mais  	positivas, e são mais tolerantes e apoiantes de um estilo de vida e de  	identidades LGBT (Liddle, 1996; Bowers e Bieschke, 2005; Barret e McWhirten,  	2002; Twist, Murphy, Green et al., 2006), quando comparados com terapeutas  	do sexo masculino. Esta tendência acentua-se quando não há congruência entre  	a orientação sexual do/a cliente e do/a terapeuta, sendo que os terapeutas  	homossexuais do sexo masculino são considerados tão afirmativos e apoiantes  	como terapeutas mulheres (independentemente da sua orientação sexual), em  	contraste com terapeutas homens heterossexuais (Liddle, 1996).</p> 	    <p>Mais recentemente, as questões LGBT têm vindo a ser debatidas por uma  	literatura mais abrangente relativa às competências multiculturais de  	aconselhamento e psicoterapia. Tradicionalmente direccionada para o estudo  	de outras populações minoritárias, especialmente as étnicas, a abordagem  	multicultural veio salientar o papel das diferenças entre grupos  	minoritários e a cultura dominante no processo clínico, reforçando numa  	perspectiva afirmativa o papel não só da etnia mas também do género,  	orientação sexual, idade, nível socioeconómico (Greene, 2007). Neste  	domínio, a competência dos/as psicoterapeutas para trabalhar com clientes  	culturalmente diferentes sustenta-se em três dimensões (Sue, Arredondo e  	McDavis, 1992): (1) consciência &#8211; das próprias atitudes, comportamentos,  	crenças, valores e preconceitos; (2) conhecimento &#8211; acerca dos grupos  	minoritários, a sua história, valores, práticas, processos de discriminação  	e estigmatização, bem como dos modelos de aculturação e/ou desenvolvimento  	da identidade; e (3) competências específicas &#8211; para avaliar e intervir  	ética e eficazmente com clientes minoritários. Propõe-se (Israel e Selvidge,  	2003) que a literatura psicológica LGBT se associe aos modelos de  	competência multicultural, contribuindo para a construção de uma visão mais  	abrangente e consolidada do trabalho psicoterapêutico com clientes  	culturalmente diversos. Nestes modelos, a formação específica em questões  	LGBT assume um carácter essencial e premente.</p> 	    <p>De facto, os/as psicólogos/as que recebem formação específica em questões  	LGBT tendem a perspectivar os modelos afirmativos como a melhor prática  	psicoterapêutica em termos éticos, considerando inaceitável a visão da  	homossexualidade como um défice de desenvolvimento, bem como o tratamento  	que visa a mudança da orientação sexual ou dos comportamentos homossexuais (Liszcz  	e Yarhouse, 2005). Assim, a formação sobre diversidade dirigida a  	psicoterapeutas, no que diz respeito às temáticas LGBT, deverá envolver: (1)  	questões como o conhecimento das vivências próprias de pessoas com  	orientação sexual e/ou identidade de género não normativas; (2) as crenças e  	valores pessoais (mais ou menos homofóbicos e/ou heterocêntricos) do/a  	psicoterapeuta &#8211; e que manifestamente influenciam a sua prestação clínica (Jordan  	e Deluty, 1995; Barret e McWhirter, 2002; Twist et al., 2006; Liszcz e  	Yarhouse, 2005); (3) o uso competente das abordagens afirmativas &#8211; de  	reconhecida utilidade pelos/as próprios/as terapeutas (Israel, Gorcheva,  	Walther, et al., 2008) ou, ainda, (4) o reconhecimento do papel do clima  	sentido no contexto onde decorre a psicoterapia nos seus resultados (Israel  	et al., 2008).</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>1. Definição do problema e objectivos do estudo</b></p> 	    <p>O objectivo global do presente estudo consiste na contribuição para a  	discussão sobre a psicoterapia com clientes LGBT em Portugal, procurando  	estimular uma linha de investigação que esperamos resulte em práticas mais  	afirmativas e sensíveis para a diversidade. Os seus objectivos específicos  	foram explorar as expectativas e/ou experiências que pessoas LGBT têm dos  	serviços de saúde, especialmente no que concerne à saúde psicológica,  	caracterizando as suas necessidades específicas e/ou os obstáculos sentidos  	tanto no acesso a serviços como nas relações com os/as psicoterapeutas.  	Procurou-se, ainda, identificar representações de saúde mental e bem-estar  	psicológico.</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>2. Método</b></p> 	     <p>Do ponto de vista metodológico, optámos pela recolha e análise de dados qualitativos    através do recurso a entrevistas semiestruturadas realizadas a pessoas que se    identificaram como LGBT no momento do estudo. A opção pela metodologia qualitativa    inscreveu-se, epistemologicamente, numa abordagem naturalista em que pretendemos    compreender as necessidades, expectativas e representações dos fenómenos em    termos dos significados que os/as participantes lhes conferem e no seu próprio    contexto. Reconhecemos os contributos das correntes pós-estruturalistas e construcionistas    para a investigação com grupos historicamente discriminados, incluindo a relevância    do carácter discursivo da realidade social propostas pela chamada teoria queer    (Warner, 2004). Reconhecemos também as críticas que têm sido feitas às abordagens    <i>queer</i> que, ao situarem-se em demasia no nível da análise discursiva,    não atendem devidamente à urgência de soluções para as dificuldades reais e    quotidianas que pessoas discriminadas enfrentam (Gamson, 2006). Deste modo,    foi nossa intenção, por um lado, (i) dar visibilidade ao discurso dos próprios    actores sociais que historicamente têm sido oprimidos, e cuja voz tem sido relegada    para segundo plano em primazia do discurso de técnicos e especialistas (Goldfried    e Pachankis, 2007) centrando esse discurso nas dificuldades relacionadas com    a discriminação real e quotidiana; e, por outro, (ii) fazê-lo recorrendo a material    narrativo que, contrariamente a dados quantitativos, permite aceder directamente    às experiências nos mesmos termos em que estas realmente são sentidas e subjectivamente    construídas. Esta opção metodológica vai de encontro às recomendações que têm    sido feitas para a investigação psicológica com minorias ou grupos discriminados,    nomeadamente LGBT (Warner, 2004).</p>     <p>A unidade elegida foi o discurso de quatro participantes &#8211; uma mulher    lésbica, um homem <i>gay</i>, uma mulher bissexual e um homem transgénero. Não    foi nosso objectivo determinar padrões discursivos generalizados e representativos    da população em causa, mas antes analisar de forma mais aprofundada o discurso    específico e subjectivo destes/as quatro participantes. Os/as participantes    reportados neste artigo foram seleccionados de um grupo de cerca de 40 entrevistados/as    pertencentes a minorias étnicas, religiosas, sexuais e com incapacidades, no    âmbito de um projecto mais amplo sobre a saúde psicológica de minorias em Portugal.    Os/as participantes foram angariados através de uma amostra de conveniência    e entrevistados por estudantes de mestrado com experiência prévia em técnicas    de entrevista. Os resultados conseguidos com as restantes entrevistas, nomeadamente    a grupos étnicos, encontra-se noutra investigação (Moleiro, Silva, Rodrigues    et al., 2009). As quatro entrevistas aqui analisadas foram seleccionadas tendo    em conta a sua riqueza narrativa, complexidade e pertinência para o presente    estudo. Foi intencional a análise das representações que actores sociais individuais    e concretos têm acerca das suas próprias vidas, em detrimento da análise da    construção discursiva que indivíduos &#8211; como por exemplo informantes privilegiados    &#8211; fazem acerca de outros, normalmente recorrendo à tentação de categorização    identitária tão contestada pela já referida teoria <i>queer</i>. As idades dos/as    quatro participantes variavam entre os 22 e os 34 anos, na altura da entrevista.    Todos tinham, pelo menos, o 12.º ano de escolaridade completo. No que respeita    à etnia, três dos/as entrevistados/as identificaram-se como brancos e um não    forneceu essa informação.</p>     <p>O guião da entrevista foi desenvolvido em formato de entrevista  	semiestruturada, adaptado a partir do trabalho de Gervais e Jovchelovich  	(1998). Este guião envolvia quatro grandes áreas: (i) caracterização da  	comunidade e experiência pessoal enquanto LGBT em Portugal; (ii)  	representações globais de saúde e bem-estar; (iii) representações e  	experiências de saúde e doença psicológica; (iv) acesso e experiências em  	psicoterapia. As entrevistas foram posteriormente transcritas e o seu  	conteúdo foi analisado através de uma análise de conteúdo clássica.</p>    <p> 	Esta decorreu em dois passos. O primeiro passo prendeu-se com a divisão do  	texto em unidades de análise e organização em categorias. Estas foram  	derivadas de forma mista, isto é, por um lado, aberta à informação que  	surgia a partir dos dados (i.e. transcrições) e, por outro lado, guiada  	pelos temas das perguntas semiestruturadas. O segundo passo teve um carácter  	mais interpretativo, envolvendo a determinação do significado destas  	categorias no que diz respeito aos objectivos do estudo. Para assegurar a  	validade da análise realizada, esta foi efectuada de forma autónoma por dois  	investigadores, que integraram a sua análise por consenso. Por fim, foram  	extraídas citações representativas de algumas das categorias com maior  	relevância para o estudo.</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>3. Resultados</b></p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Todos/as os/as entrevistados/as descreveram experiências de discriminação  	com base na sua orientação sexual ou identidade de género nos mais variados  	contextos &#8211; como a família, a escola, o emprego, ou em situações do  	dia-a-dia. Referindo-se ao facto de ser bissexual, uma participante relatou  	«<i>A minha mãe aceita, que remédio, mas sei que isso a incomoda, que é  	coisa que até a repugna</i>», enquanto que o entrevistado <i>gay</i> indicou  	que teve «<i>(&#8230;) uma infância normal, o único problema que me afectava, lá  	está, é o facto de ser gay</i>» e que por isso «<i>(&#8230;) tinha mais problemas  	psicológicos, passava por mais depressões, por tentativas de suicídio</i>».  	De um modo geral, todos/as os/as entrevistados/as indicaram não revelar a  	sua orientação sexual ou identidade de género em variados momentos e  	contextos, como forma de evitamento da discriminação directa. Uma  	participante revelou que «<i>a nível profissional é o único círculo onde  	sinto mesmo medo que essa informação passe. Já ouvi comentários mais ou  	menos depreciativos em relação à comunidade homossexual (&#8230;) e tive que  	engolir</i>, <i>calada</i>», enquanto outra relatou « (&#8230;) <i>só revelo a  	alguns amigos, procuro ser discreta</i>». Adicionalmente, foram descritas  	situações de isolamento, especialmente na infância e adolescência: «<i>Não  	partilhava os meus sentimentos com ninguém, até porque achava que era único  	no mundo, que era a única pessoa que me sentia assim, que não era normal,  	(&#8230;) eu vivia meio escondido e não me dava assim com as pessoas</i>».</p> 	    <p>Em paralelo, todos/as os/as participantes reconheceram &#8211; e de um modo  	significativo &#8211; a existência de heterogeneidade intragrupo. O discurso  	dos/as quatro entrevistados/as indicou claramente que partilham o facto de  	serem alvo de processos de estigmatização e discriminação em função da sua  	orientação sexual ou identidade de género (ou actualmente ou ao longo do seu  	desenvolvimento, como na adolescência), mas que em simultâneo são «(&#8230;) <i> 	todos pessoas diferentes, com comportamentos e formas de estar diferentes</i>»  	e que «<i>não é por ser homossexual que se deixa de ser uma pessoa única</i>»,  	como indica a entrevistada lésbica.</p> 	    <p>Os significados atribuídos à saúde mental e ao bem-estar psicológico  	apareceram relacionados, por um lado, com a gestão individual que decorre da  	capacidade de resolução de problemas e de experiências de auto-reflexão e  	auto-avaliação e, por outro, com a possibilidade de procura de ajuda nas  	redes sociais próximas, nomeadamente família e amigos/as: «[estar bem  	psicologicamente] é ter sempre muita calma, pedir opinião dos familiares,  	amigos mais próximos, namorada ou namorado». Adicionalmente, para a maioria  	dos/as entrevistados/as, as experiências de discriminação assumem um  	carácter ameaçador da sua saúde psicológica. Um exemplo encontra-se nas  	seguintes palavras: «<i>Os problemas que podem advir do facto de ser  	bissexual e tudo o que isso implica (&#8230;). O mais difícil é eu ter que estar  	sistematicamente a controlar-me. (&#8230;) Isso até, inclusivamente, pode provocar  	problemas de saúde</i>».</p> 	    <p>A possibilidade de consultar psicólogos/as surgiu como um recurso  	possível, especialmente na ausência de outras formas de apoio como a família  	ou os/as amigos/as, sendo que estes/as profissionais foram encarados/as como  	capazes de «(&#8230;) <i>conseguir chegar à raiz do problema, saber ajudar a  	pessoa a resolvê-lo</i>». O significado que, em geral, os/as participantes  	atribuíram à psicoterapia prendeu-se com a procura de uma solução para  	diversos problemas, especialmente aqueles relacionados com a sua condição  	minoritária. A ajuda psicológica foi, deste modo, percepcionada como uma  	estratégia para gerir as dificuldades decorrentes da discriminação e da  	homofobia: «(&#8230;)<i> se calhar os grupos minoritários têm mais tendência para  	terem mais dificuldades em gerir os seus dilemas, porque não os podem  	partilhar, ou não são bem compreendidos. E, se calhar, um psicólogo terá  	esse papel</i>». De um modo geral, o discurso de todos/as os/as  	entrevistados/as indicou que percepcionam os/as psicólogos/as como  	profissionais competentes e esperam que estejam adequadamente preparados/as  	para lidar com as especificidades de pessoas LGBT e que, na sua prática  	clínica, ou seriam livres de preconceitos homofóbicos ou «(&#8230;) <i>conseguem  	preparar-se minimamente</i>».</p> 	    <p>Contrariamente aos/às psicólogos/as e, de uma forma geral, os resultados  	indicam que os outros/as profissionais de saúde (como médicos/as e  	enfermeiros/ /as) foram encarados/as como potencialmente homofóbicos/as e  	capazes de permitir que os preconceitos se atravessem na sua prática  	profissional. Esta distinta percepção acerca do trabalho de psicólogos/as e  	de outros/as técnicos/as de saúde, transversal ao discurso de todos/as os/as  	participantes, foi clara nas palavras da entrevistada bissexual, que indicou  	que «[os médicos] <i>têm preconceitos como todas as pessoas. (&#8230;) Eu própria  	tenho receio em abordar um médico</i>», mas que, por outro lado, «<i>No  	fundo, o psicólogo é uma pessoa como outra qualquer, só que tem uma  	preparação para lidar seja com o que for</i>».</p> 	    <p>Dos/as quatro participantes, dois revelaram ter tido experiências  	enquanto clientes de psicoterapia, mas apenas um &#8211; o participante  	transgénero &#8211; indicou procurar a psicoterapia na sequência de problemas  	relacionados com a sua condição minoritária. Aliás, o relato do entrevistado  	transgénero destacou-se dos restantes, no que diz respeito a experiências  	nos serviços de saúde. Este participante narrou um extenso percurso pautado  	por diversas experiências em serviços de saúde públicos e privados, sendo as  	experiências que relatou variadas. Referindo-se a profissionais de saúde &#8211;  	médicos/as e psicólogos/as &#8211; especialistas no acompanhamento de pessoas  	transgénero, indicou que alguns têm «[&#8230;] <i>sensibilidade para perceber  	aquilo que a pessoa, que o transexual, possa estar a sentir, têm cuidado na  	forma como tratam</i>», enquanto que outros </p> 	    <blockquote> 		    <blockquote> 			    <p>[&#8230;] não têm a mínima sensibilidade e parece que não percebem o  			que é ser transexual. Parece que sabem tudo a nível teórico, mas não  			se conseguem pôr no papel do transexual para perceber minimamente o  			que está a sentir, o que o perturba ou não. Uma insensibilidade  			enorme. Que se fez muitos estudos e que se sabe muita coisa, mas  			falta a parte humana.</p> 		</blockquote> 	</blockquote> 	    <p>Em simultâneo, este participante indicou ter contactado com profissionais  	de saúde mental &#8211; psicólogos/as e psiquiatras &#8211; cuja visão acerca de papéis  	de género se sustentam em pressupostos estereotipados, como por exemplo «[&#8230;] 	<i>se és mulher, não podes andar com botas de tropa e tens que ter o cabelo  	comprido e usar florinhas no cabelo, se possível</i>».</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> 	    <p><b>4. Discussão</b></p> 	    <p>O intuito deste estudo foi analisar o discurso de pessoas LGBT acerca das  	suas visões de saúde e saúde mental, procurando perceber as suas eventuais  	expectativas e necessidades específicas. Os resultados evidenciam o papel  	central da discriminação na vida destes/as participantes, em diversos  	contextos, incluindo no acesso à saúde. Foram relatadas experiências  	diversas que podem constituir-se como factores de risco para a saúde  	psicológica. Ainda assim, os/as participantes revelaram uma consistente  	expectativa positiva em relação à sensibilidade e competência dos/as  	psicoterapeutas no que diz respeito ao trabalho clínico específico com  	pessoas LGBT.</p> 	    <p>A literatura tem revelado que muitos/as psicoterapeutas estão longe do  	«ideal» descrito pelos/as participantes deste estudo. Durante décadas, os/as  	clientes LBGT têm sido alvo de discriminação por psicoterapeutas (Goldfried,  	2001; Goldfried e Pachankis, 2007), por vezes na forma de invisibilidade  	(e.g. assumir a normatividade da orientação heterossexual), outras de forma  	subtil (e.g. apresentação de explicações para a orientação sexual), e outras  	ainda de forma clara (e.g. terapias de mudança de orientação sexual). Como  	anteriormente referido, também em Portugal a investigação tem mostrado que,  	de um modo geral, os/as psicólogos/as não têm consciência, conhecimento, e  	competências específicas no que diz respeito à intervenção afirmativa e  	sensível à diversidade com clientes LGBT (Moita, 2001, 2006).</p> 	     <p>A natureza interpessoal da relação terapêutica, onde não são negligenciáveis    os efeitos das variáveis do/a terapeuta, reforça a necessidade deste/a último/a    estar consciente dos seus valores e atitudes face às orientações sexuais não    heterossexuais. Enquanto terapeuta, como se sente em relação ao/seu/sua cliente    LGBT? Que semelhanças e diferenças assume no trabalho com estes/as clientes?    O que significam essas diferenças para si e para o/a cliente? E, em alguns casos,    de que forma a sua própria homofobia internalizada pode ser actuada na relação    e, se sim, será capaz de ser um/a bom/boa terapeuta para esta pessoa (criança,    adolescente, adulto, casal ou família)? Estas questões tornam-se mais relevantes    quando reconhecemos que a qualidade da aliança terapêutica é fundamental para    a mudança dos/as clientes (Horvath e Simons, 1991; Norcross, 2002) e que as    discrepâncias entre as expectativas dos/as clientes e dos/as psicoterapeutas    afectam negativamente a relação terapêutica e potenciam o abandono precoce da    psicoterapia (Glass, Arnkoff e Shapiro, 2001).</p>     <p>Para além dos impactos da consciência pessoal do/a terapeuta na relação,  	também o conhecimento técnico e competências específicas são relevantes na  	psicoterapia com pessoas LGBT. Os resultados indicam que os/as participantes  	do presente estudo assumem que os/as psicólogos/as não só não deixam os seus  	preconceitos interferirem com o seu trabalho clínico, como têm conhecimento  	para os ajudar na procura de estratégias para lidar com a discriminação e  	estratégias para a promoção do seu bem-estar pessoal e social. Contudo,  	apenas recentemente têm sido desenvolvidos esforços junto da APA para  	adicionar ao conteúdo formativo de psicoterapeutas as teorias de  	desenvolvimento infantil LGBT, relações íntimas entre pessoas do mesmo sexo,  	parentalidade e famílias homoparentais, violência doméstica entre pessoas do  	mesmo sexo, entre outros temas (Goldfreid, 2001; AFFIRM &#8211; Stambor, 2005). As  	noções de homofobia e heterossexismo internalizados (Pereira e Leal, 2002)  	são desconhecidos de muitos/as psicoterapeutas, bem como os processos de  	desenvolvimento da identidade (Carneiro e Menezes, 2006) e as fases de  	«saída do armário» (Frazão e Rosário, 2008), apesar destes conhecimentos  	serem apenas o ponto de partida para o encontro com aquele/a cliente  	particular, cuja história e características são únicas. O reconhecimento da  	heterogeneidade intragrupal de grupos minoritários tem sido avançado como um  	marco de desenvolvimento multicultural dos/as terapeutas (Neufeldt et al.,  	2006), e também os/as entrevistados/as salientaram a sua relevância. O  	discurso dos/as quatro participantes foi revelador das especificidades e  	idiossincrasias de cada percurso de vida, denunciando a diversidade contida  	na categoria a que habitualmente nos referimos com a sigla LGBT.</p> 	    <p>Torna-se, assim, fundamental que os clínicos sejam capazes de responder  	às elevadas expectativas que clientes LGBT podem trazer para o processo  	terapêutico, maximizando as possibilidades de sucesso do mesmo. Essa é, no  	nosso entender, também uma exigência ética profissional, de acordo com as  	«boas práticas» definidas internacionalmente (APA, 2000). Para que tal  	aconteça, torna-se central a formação académica e pós-graduada dos clínicos  	no que diz respeito à diversidade sexual &#8211; como tem sido sugerido por  	diversos/as autores/as (Barret e McWhirter, 2002; Garnets et al., 1991;  	Bowers e Bieschke, 2005; Carneiro, 2009) &#8211;, bem como à multiculturalidade  	nas suas mais variadas formas (incluindo identidades múltiplas, como  	mulheres lésbicas de minorias étnicas; Greene, 2007).</p> 	    <p>Os resultados deste estudo devem ser lidos no contexto do seu carácter  	exploratório e tendo em conta o desenho metodológico escolhido. Estudos  	futuros devem optar por outras metodologias e recorrer a amostras mais  	alargadas e representativas, contribuindo para uma maior compreensão do  	panorama da psicoterapia com clientes LGBT em Portugal. Apesar destas  	limitações, acreditamos que o estudo aqui apresentado demonstra a urgente  	necessidade da introdução das temáticas LGBT nos curricula académicos das  	formações graduadas e pós-graduadas em Psicologia.</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Referências Bibliográficas</b></p> 	    <p>American Psychiatric Association (1973), <i>Diagnostic and Statistical  	Manual of Mental Disorders</i>, Second Edition, Revised, Washington DC,  	American Psychiatric Association.</p> 	    <p>American Psychological Association (2000), «Guidelines for Psychotherapy  	With Lesbian, Gay, and Bisexual Clients», <i>American Psychologist</i>,  	55(12), 1440-1451.</p> 	    <p>Barret, Kathleen A. e McWhirter, Benedict T. (2002), «Counselor Trainees&#8217;  	Perceptions of Clients Based on Client Sexual Orientation», <i>Counselor  	Education &amp; Supervision</i>, 41, 219-232.</p> 	    <p>Beutler, Larry E., Malik, Mary, Alimohamed, Shabia, Harwood, T. Mark,  	Talebi, Hani, Noble, Sharon e Wong, Eunice (2004), «Therapist variables», in  	Michael Lambert (Ed.), <i>Bergin and garfield&#8217;s Hanbook of Psychotherapy and  	Behavior Change</i> (227-306), New York, NY: John Wiley Sons.</p> 	    <p>Bowers, Amy M. V. e Bieschke, Kathleen (2005), «Psychologists&#8217; Clinical  	Evaluations and Attitudes: An Examinations of the Influence of Gender and  	Sexual Orientation», <i>Professional Psychology: Research and Practice</i>,  	36(1), 97-103.</p> 	    <p>Bieschke, Kathleen J., McClanahan, Mary, Tozer, Erinn, Grzegorek,  	Jennifer L. e Park, Jeeseon (2000), «Programmatic research on the treatment  	of lesbian, gay, and bisexual clients: The past, the present, and the course  	for the future», in Ruperto M. Perez, Kurt A. DeBord e Kathleen J. Bieschke  	(Eds.), <i>Handbook of counseling and psychotherapy with lesbian, gay, and  	bisexual clients </i>(309-335), Washington DC, American Psychological  	Association.</p> 	    <p>Carneiro, Nuno S. (2009), <i>Homossexualidades: Uma Psicologia Entre Ser,  	Pertencer e Participar</i>, Porto, Livpsic.</p> 	    <!-- ref --><p>Carneiro, Nuno S. e Menezes, Isabel (2006), «&#8220;Do anel à aliança&#8221;: Sentido  	dos iguais e emancipação pessoal na psicologia das sexualidades», <i>Revista  	Crítica de Ciências Sociais</i>, 76, 73-89.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000071&pid=S0874-5560200900020001500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Cochran, Susan D., Sullivan, J. Greer e Mays, Vickie M. (2003), «Prevalence  	of Mental Disorders, Psychological Distress, and Mental Health Services  	Among Lesbian, Gay, and Bisexual Adults in the United States», <i>Journal of  	Counseling and Clinical Psychology, 71</i>(1), 53-61.</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Frazão, Pedro e Rosário, Renata (2008), «O <i>coming out</i> de gays e  	lésbicas e as relações familiares», <i>Análise Psicológica, 1</i> (XXVI):  	25-45.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000073&pid=S0874-5560200900020001500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Gamson, Joshua (2006), «As sexualidades, a teoria queer e a pesquisa  	qualitativa», in Norman K. Denzin &amp; Yvonna S. Lincon (Eds.), <i>O  	planejamento da pesquisa qualitativa</i>. <i>Teoria e abordagens</i>,  	(tradução de Sandra Netz), São Paulo, Artmed Editora.</p> 	    <p>Garnets, Linda, Hancock, Kristin A., Cochran, Susan D., Goodchilds,  	Jacqueline e Peplau, Letitia Anne (1991), «Issues in Psychotherapy With  	Lesbians and Gay Men. A Survey of Psychologists», <i>American Psychologist</i>,  	46(9), 964-972.</p> 	    <p>Gervais, Marie-Claude e Jovchelovitc, Sandra (1998), <i>The health  	Beliefs of the Chinese community in England: a qualitative study</i>, London,  	Health Education Authority.</p> 	    <p>Glass, Carol R., Arnkoff, Diane B. e Shapiro, Stephanie J. (2001), «Expectations  	and Preferences», <i>Psychoterapy</i>, 38(4), 455-461.</p> 	    <p>Glenn, Audrey A. e Russell, Richard K. (1986), «Heterosexual bias among  	counselor trainees», <i>Counselor Education and Supervision</i>, 25,  	222-229.</p> 	    <p>Greene, Beverly (2007), «How difference makes a difference», in J.  	Christopher Muran (Ed.), <i>Dialogues on Difference: Studies of diversity in  	the therapeutic relationship </i>(47-63), Washington DC, APA.</p> 	    <p>Goldfried, Marvin R. (2001), «Integrating gay, lesbian, and bisexual  	issues into mainstream psychology», <i>American Psychologist</i>, 56,  	977-988.</p> 	    <p>Goldfried, Marvin R. e Pachankis, John E. (2007), «Commentary:  	Homosexuality &#8211; toward affirmative therapy», in J. Christopher Muran (Ed.),  	Dialogues on Difference: Studies of diversity in the therapeutic  	relationship, Washington DC, APA, 98-106.</p> 	    <p>Hayes, Jeffrey A. e Erkis, Andrew J. (2000), «Therapist homophobia,  	client sexual orientation, and source of client HIV infection as predictors  	of therapist reactions to clients with HIV», Journal of Counselling  	Psychology, 47, 71-78.</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Horvath, Adam O. e Symonds, B. Dianne (1991), «Relation between working  	alliance and outcome in psychotherapy: A meta-analysis», <i>Journal of  	Counseling Psychology</i>,<i> 38</i>, 139-149.</p> 	    <p>Israel, Tania, Gorcheva, Raia, Walther, William A., Sulzne, Joselyne M. e  	Cohen, Jessye (2008), «Therapists&#8217; Helpful and Unhelpful Situations With  	LGBT Clients: An Exploratory Study», <i>Professional Psychology: Research  	and Practice, 39</i>(3), 361-368.</p> 	    <p>Israel, Tania e Selvidge, Mary M. D. (2003), «Contributions of  	Multicultural Counseling to Counselor Competence With Lesbian, Gay, and  	Bisexual Clients», <i>Journal of Multicultural Counseling and Development</i>,  	31, 84-98.</p> 	    <p>Jordan, Karen M. e Deluty, Robert H. (1995), «Clinical Interventions by  	psychologists with lesbians and gay men», <i>Journal of Clinical Psychology,  	51</i>(39), 448-456.</p> 	    <p>Kilgore, Heath, Sideman, Lawrence, Bohanske, Bob, Amin, Kiran e Baca,  	Louise (2005), «Psychologists&#8217; attitudes and therapeutic approaches toward  	gay, lesbian, and bisexual issues continue to improve: an update», <i> 	Psychotherapy: Theory, Research, Practice, Training, 42</i>(3), 395-400.</p> 	    <p>King, Michael, Semlyen, Joanna, Killaspy, Helen, Nazareth, Irwin e Osborn,  	David (2007), <i>A systematic review of research on counselling and  	psychotherapy for lesbian, gay, bisexual &amp; transgender people</i>, London,  	British Association for Counselling &amp; Psychotherapy.</p> 	    <p>Liddle, Becky J. (1996), «Therapist Sexual Orientation, Gender, nad  	Counseling Practices as They Relate to Ratings of Helpfulness by Gay and  	Lesbian Clients», <i>Journal of Counseling Psychology, 43</i>(4), 394-401.</p> 	    <p>Liszcz, Angela M., Yarhouse, Mark A. (2005), «A survey on views of how to  	assist with coming out as gay, changing same-sex behavior or orientation,  	and navigating sexual identity confusion», <i>Ethics &amp; Behavior, 15</i>(2),  	159-179.</p> 	    <p>Meyer, Ilan H. (2003), «Prejudice, Social Stress, and Mental Health in  	Lesbian, Gay, and Bisexual Populations: Conceptual Issues and Research  	Evidence», <i>Psychological Bulletin, 129</i>(5), 674-697.</p> 	    <p>Moita, Gabriela (2001), <i>Discursos sobre a homossexualidade no contexto  	clínico: a homossexualidade dos dois lados do espelho</i>, Instituto de  	Ciências Biomédicas de Abel Salazar da Universidade do Porto, Tese de  	Doutoramento não publicada.</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Moita, Gabriela (2006), «A patologização da diversidade sexual: Homofobia  	no discurso dos clínicos», <i>Revista Crítica de Ciências Sociais, 76</i>,  	53-72.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000093&pid=S0874-5560200900020001500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Moleiro, Carla, Silva, Ana, Rodrigues, Rute e Borges, Vera (2009), «Health  	and Mental Health Needs and Experiences of Minority Clients in Portugal», <i> 	International Journal of Migration, Health and Social Care, 5(1)</i>, 15-24.</p> 	    <p>Neufeldt, Susan Allstetter, Pinteris, E. Janie, Moleiro, Carla, Lee,  	Timmy E., H.Yang, Peggy, Brodie, Robert E. e Orliss, Micah J. (2006), «How  	do graduate student therapists incorporate diversity factors in case  	conceptualization?», <i>Psychotherapy: Theory, Research, Practice, Training 	</i>(Special issue: Culture, Race, and Ethnicity in Psychotherapy), 43(4),  	464-479.</p> 	    <p>Norcross, John C. (Ed.) (2002), <i>Psychotherapy Relationships That Work:  	Therapist contributions and responsiveness to patients</i>, New York, Oxford  	University Press.</p> 	    <!-- ref --><p>Pereira, Henrique e Leal, Isabel (2002), «A homofobia internalizada e os  	comportamentos para a saúde numa amostra de homens homossexuais», <i>Análise  	Psicológica, 1</i> (XX), 107-113.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000097&pid=S0874-5560200900020001500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Stambor, Zak (2005), «&#8216;Affirming&#8217; their support of gay relatives:  	Psychologists join together to encourage greater acceptance of their gay,  	lesbian, bisexual and transgender family members», <i>APA Monitor, 36</i>(9),  	46.</p> 	    <p>Sorensen, Lena e Roberts, Susan Jo (1997), «Lesbian uses of and  	satisfaction with mental health services: Results from Boston Lesbian Health  	Project», <i>Journal of homosexuality, 33(1)</i>, 35-49.</p> 	    <p>Sue, Derald Wing, Arredondo, Patricia e McDavis, Roderick J. (1992),  	«Multicultural counseling competencies and standards: A Call to the  	profession», <i>Journal of Multicultural Counseling and Development, 20</i>,  	64-88.</p> 	    <p>Twist, Mark, Murphy, Megan, Green, J. Mary S. e Palmanteer, Devon (2006),  	«Therapists&#8217; Support of Gay and Lesbian Human Rights», <i>Guidance &amp;  	Counseling, 21</i>(6), 107-113.</p> 	    <p>Warner, Daniel Noam (2004), «Towards a queer research methodology», <i> 	Qualitative Research in Psychology, 1</i>, 321-337.</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> 	    <p>&nbsp;</p> 			    <p><b>Carla Moleiro</b> é professora universitária no Departamento  			de Psicologia Social e das Organizações do ISCTE-IUL, onde coordena  			um projecto de investigação financiado pela FCT sobre Saúde na  			Diversidade. É doutorada em Psicologia Clínica pela Universidade da  			California de Santa Barcara, bem como psicoterapeuta. </p> 	     <p>Endereço electrónico: <a href="mailto:carla.moleiro@iscte.pt">carla.moleiro@iscte.pt</a></p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>Nuno Pinto</b> encontra-se a realizar o doutoramento em Psicologia no  	Departamento de Psicologia Social e das Organizações do ISCTE-IUL sob o tema  	«Identidades transgénero e transexuais: Desenvolvimento de processos  	identitários e expressão de género minoritárias». É licenciado em Psicologia  	pela Universidade do Porto, onde também obteve uma pós-graduação em  	Psicologia Política. </p> 	     <p>Correio electrónico: <a href="mailto:nuno.pinto@iscte.pt">nuno.pinto@iscte.pt</a></p> 	    <p>&nbsp;</p> 			     <p>&nbsp; </p> 	    <p><i>Artigo recebido em 29 de Abril de 2009 e aceite para publicação em 28 de    Outubro de 2009.</i></p>           ]]></body>
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