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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O Sexo dos Anjos: os cuidados às pessoas idosas dependentes como uma esfera de acção preferencialmente feminina]]></article-title>
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<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[Le sexe des anges: les soins aux personnes âgées dépendantes comme champ d'action préférentiellement feminine]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Instituto Universitário de Lisboa - Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa Centro de Investigação e Estudos de Sociologia ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Due the limited coverage of formal social support networks and the importance of family care for the well-being dependent elderly people, informal solidarities have recently re-attained great meaning. This fact neglects the impact that it can have on women's trajectories and does not consider the effort that women have made to demarcate themselves from the roles that were traditionally assigned for them. The main aim of this text is to reflect about the women's role in caring of dependent elderly people. To reach this aim, we used the results of a qualitative research, based on 34 caregivers' testimony.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="fr"><p><![CDATA[Face à la reconnaissance de l'importance des soins apportés par la famille pour le bien-être des personnes dépendantes et à l'insuffisance des institutions d'aide sociale, nous avons pu observer un discours qui valorise à nouveau la solidarité qui n'est pas institutionnalisée et, en particulier, l'implication de la famille dans les soins apportés à ses éléments les plus dépendants. Ce discours néglige, cependant, l'impact que cette revalorisation peut avoir sur le chemin parcouru par les femmes, en ignorant ces effort pour se détacher des rôles qui, traditionnellement, leur a été attribués. À partir d'une recherche basée sur le témoignage de 34 personnes s'occupant d'autrui, nous nous sommes penchés sur le rôle des femmes dans les soins aux personnes âgées dépendantes.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <P><B>O Sexo dos Anjos: os cuidados às pessoas idosas dependentes como uma        esfera de acção preferencialmente feminina</B></P>           <P>&nbsp;</P> 	      <P><B>Luísa Pimentel<SUP><A       href="#fundo" id="topo">*</A></SUP></B></P>          <P>ESECS – Instituto Politécnico de Leiria / CIES-IUL </P>           <P>&nbsp;</P>           <P><B>Resumo</B></P>    <p>Face ao reconhecimento da importância dos cuidados        familiares para a promoção do bem-estar das pessoas dependentes e à        deficiente cobertura das redes formais de apoio social, tem-se consolidado        um discurso de revalorização das solidariedades informais e, em        particular, do envolvimento da família na prestação de cuidados aos seus        elementos mais dependentes. Este discurso negligencia, contudo, o impacto        que essa revalorização pode ter nas trajectórias femininas,        desconsiderando o esforço que as mulheres têm feito para se demarcarem dos        papéis que tradicionalmente lhes eram atribuídos. Partindo de uma pesquisa        de âmbito qualitativo, baseada no testemunho de 34 cuidadores/as,        intentamos reflectir sobre o papel das mulheres na prestação de cuidados a        pessoas idosas dependentes. </P>           <P><B>Palavras-chave</B> solidariedades familiares, pessoas idosas,        feminização dos cuidados.</P>           <P>&nbsp;</P>           <P>       <B>The sex of the angels: caring for the well-being        dependent elderly people as a mainly feminine role. </B></P>           ]]></body>
<body><![CDATA[<P><B>Abstract</B></P>       Due the        limited coverage of formal social support networks and the importance of        family care for the well-being dependent elderly people, informal        solidarities have recently re-attained great meaning. This fact neglects        the impact that it can have on women's trajectories and does not consider        the effort that women have made to demarcate themselves from the roles        that were traditionally assigned for them. The main aim of this text is to        reflect about the women's role in caring of dependent elderly people. To        reach this aim, we used the results of a qualitative research, based on 34        caregivers' testimony. </P>           <P><B>Keywords</B> family solidarity, elderly people, feminisation of  care.</P>           <P>&nbsp;</P>           <p><B>Le sexe des anges: les soins aux personnes âgées        dépendantes comme champ d'action préférentiellement féminine. </B></p>           <P><B>Résumé</B></p>           <p>Face        à la reconnaissance de l'importance des soins apportés par la famille pour        le bien-être des personnes dépendantes et à l'insuffisance des        institutions d'aide sociale, nous avons pu observer un discours qui        valorise à nouveau la solidarité qui n'est pas institutionnalisée et, en        particulier, l'implication de la famille dans les soins apportés à ses        éléments les plus dépendants. Ce discours néglige, cependant, l'impact que        cette revalorisation peut avoir sur le chemin parcouru par les femmes, en        ignorant ces effort pour se détacher des rôles qui, traditionnellement,        leur a été attribués. À partir d'une recherche basée sur le témoignage de        34 personnes s'occupant d'autrui, nous nous sommes penchés sur le rôle des        femmes dans les soins aux personnes âgées dépendantes. </P>           <P><B>Mots-clés</B> solidarité familiale, personnes âgées, féminisation de        soins.</P>           <P align=left>&nbsp;</P>           <P>&nbsp;</P>           <P><B>1. Nota introdutória: objectivos e estratégias metodológicas da        pesquisa</B> </P>           ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Através deste artigo pretendemos apresentar algumas das conclusões de        um estudo que teve como principal objectivo compreender a complexidade das        interacções que se estabelecem no contexto das famílias que cuidam dos        seus elementos mais idosos, em situação de dependência, dando particular        relevo aos processos de regulação e ao delineamento de estratégias de        cuidar no interior das fratrias. O estudo realizado enquadra-se numa        lógica interpretativa dos factos sociais, centrada na análise das        singularidades e na valorização dos pormenores da vida quotidiana dos        actores sociais. </P>           <P>A população-alvo é constituída por prestadores de cuidados (filhos/as        ou genros/noras dos/as idosos/as) integrados em fratrias, o que permitiu        analisar as relações que se estabelecem no processo de construção e de        manutenção da rede de apoio. Esta opção não invalidou a possibilidade de        contemplar casos em que o/a prestador/a de cuidados, apesar de pertencer a        uma fratria, está isolado/a no desempenho das suas tarefas; casos em que        haja, como complemento, uma contratação de serviços externos à família        (públicos ou privados); ou casos em que outros/as parentes ou amigos/as        dêem um apoio pontual e gratuito. </P>           <P>Optámos por uma técnica de amostragem não probabilística, mais        especificamente a «amostragem útil». Face à reduzida visibilidade social        das famílias que cuidam, partimos de indicações dadas por informantes        privilegiados/as, conhecedores/as da realidade local. Depois de realizados        os primeiros contactos, solicitámos aos/às entrevistados/as que nos        indicassem outras situações por eles/elas conhecidas, desenvolvendo,        assim, o «efeito bola de neve». Efectuamos entrevistas semidirectivas a 34        cuidadores/as (2 homens e 32 mulheres, residentes nos concelhos de Soure,        contexto rural, e Coimbra, contexto urbano). </P>           <P>&nbsp;</P>           <P><B>2. Fundamentos teóricos: as diferenças de género na esfera das        actividades reprodutivas</B> </P>           <P>Por motivos que se prendem, grosso modo, com o reconhecimento da        importância dos cuidados familiares para a promoção do bem-estar das        pessoas que deles carecem e com a deficiente cobertura das redes de apoio        social de carácter formal, tem-se vindo a consolidar um discurso de        revalorização das solidariedades informais e, em particular, do        envolvimento da família na prestação de cuidados aos seus elementos mais        dependentes. </P>           <P>Este discurso negligencia, contudo, o impacto que essa revalorização        pode ter nas trajectórias femininas, desconsiderando o esforço que as        mulheres têm feito para se demarcarem dos papéis que tradicionalmente lhe        eram atribuídos, especialmente quando o seu desempenho implica dedicação        exclusiva, sem mérito reconhecido. </P>           <P>Na perspectiva de Gunhild Hagestad (1995), as representações sociais em        relação aos que desempenham tarefas reprodutivas, não pagas, mas        igualmente exigentes, são injustas. As responsabilidades masculinas        concentram-se nos aspectos materiais e inscrevem-se no domínio económico,        enquanto as mulheres são responsáveis por um conjunto difuso de        necessidades e de problemas humanos no seio da família, fazendo com que        grande parte do trabalho que realizam no espaço doméstico e no domínio dos        cuidados seja desvalorizado ou mesmo ignorado. A invisibilidade das        tarefas que realizam e que não estão associadas à esfera produtiva nem à        conquista de um salário, reforça essa desvalorização.</P>           <P>As pesquisas revelam que cuidar dos elementos mais velhos da família        pode ser altamente compensador do ponto de vista emocional e estar        associado a um sentido de dever cumprido, mas que também tem implicações        negativas na saúde (física e psíquica), na organização do quotidiano, na        vida social e relacional, assim como na vida profissional (Brito, 2002;        Figueiredo, 2007; Pimentel e Albuquerque, 2010), onde as mulheres fazem um        investimento cada vez mais significativo. </P>           <P>De facto, nas últimas décadas, as mulheres ganharam protagonismo em        contextos sociais e económicos que lhes estavam habitualmente vedados. O        homem deixou de ser o único provedor do sustento da família, afirmando-se        o modelo conjugal de dupla carreira ou duplo emprego (Aboim, 2010, Wall e        Guerreiro, 2005). Contudo, apesar destas mudanças, os padrões de afectação        do tempo às actividades profissionais e às actividades domésticas        continuam a variar em função do sexo, particularmente o tempo dedicado às        actividades domésticas. Os homens dedicam o seu tempo preferencialmente às        actividades laborais e as mulheres dividem-se entre umas e outras        (Amâncio, 2004; Perista, 2002). </P>           ]]></body>
<body><![CDATA[<P>A reflexão sobre esta realidade deve ainda contemplar o facto de que,        em Portugal, contrariamente ao que acontece em outros países europeus, são        poucas as mulheres que trabalham em regime de <I>part-time</I> e muitas as        que têm de cumprir um horário completo, semelhante ao dos homens (Torres,        2006). Um estudo realizado no âmbito do Soccare Project – Comissão        Europeia corrobora isso mesmo, ao concluir que é muito raro as mulheres        portuguesas (assim como as Finlandesas) trabalharem em <I>part-time</I>.        Pelo contrário, essa é uma realidade muito comum em outros países da        Europa, com particular destaque para a Inglaterra (Kroger, 2003: 43). </P>           <P>A distribuição do tempo das mulheres é, assim, mais complexa e        fragmentada, uma vez que têm de conjugar trabalho pago e não pago,        desempenhar um maior número de actividades e dividir a sua atenção por        mais tarefas, ficando com menos tempo disponível para o lazer e para si        próprias. </P>           <P>Chiara Saraceno (2004), a propósito da realidade italiana, dá-nos conta        de tendências muito semelhantes. </P>           <P>Uma maior carga de trabalho familiar para as mulheres reduz, por um        lado, o tempo que as mesmas podem dedicar não só ao repouso, mas também ao        trabalho remunerado, bem como o tipo de emprego que possam aceitar – em        termos de distância, horários de trabalho, entre outros. Por outro lado,        coloca-as no risco de serem encaradas pelas entidades laborais como        profissionais pouco fiáveis e/ou mais dispendiosas. No quadro das        responsabilidades familiares, é sobretudo o trabalho de prestação de        cuidados que se apresenta exigente em temos de tempo e não facilmente        delegável pela falta de serviços adequados, em particular no que concerne        à primeira infância e à fragilidade e dependência na velhice (Saraceno,        2004: 30-31). </P>           <P>Esta perpetuação das diferenças de género na esfera reprodutiva        reflecte-se também no domínio dos cuidados familiares aos mais        dependentes. É inegável a evidência de que os encargos decorrentes da        prestação de cuidados a uma pessoa dependente recaem sobre um número        reduzido de elementos das redes de parentesco, muito particularmente sobre        as mulheres (Vasconcelos, 2002 e 2005; Portugal, 2008; Torres, 2006). Os        homens, de um modo geral, assumem uma posição secundária ou mesmo ausente.        </P>           <P>Pedro Vasconcelos (2002) afirma que a participação dos homens nas redes        de entreajuda familiar se faz em ocasiões muito específicas e        habitualmente em articulação com as mulheres. Quando estão em jogo grandes        quantidades de dinheiro (enquanto dádiva ou empréstimo) ou bens materiais        de elevado valor, os homens têm uma participação de relevo na decisão        final. Contudo, as ajudas quotidianas são um domínio predominantemente        feminino, sendo elas as «grandes fazedoras da solidariedade familiar».  </P>           <P>Também Luísa Brito (2002), destacando que os familiares se encontram na        primeira linha da prestação de cuidados a pessoas idosas, refere que maior        parte dos cuidados a idosos/as dependentes são prestados pelas filhas.        Seguem-se as noras (em substituição dos filhos), as esposas, e outros        tipos de parentesco, predominando sempre as mulheres, que representam        cerca de 80% do total das/os prestadoras/es de cuidados. </P>           <P>Ainda assim, começa a despertar uma nova curiosidade científica sobre o        papel dos homens no domínio dos cuidados. Óscar Ribeiro (2005) alerta para        a pouca atenção que tem sido dada aos homens cuidadores e para a        perpetuação de alguns estereótipos sobre a sua fraca intervenção neste        domínio. Os estudos que tem desenvolvido, dão conta do aumento da        colaboração dos homens nos cuidados aos dependentes, realçando, em        particular, o crescimento de um sub-grupo de cuidadores: os cônjuges        idosos.</P>           <P>Como iremos constatar, os resultados do nosso estudo demonstram que        estamos longe de um cenário de partilha igualitária das responsabilidades        no domínio dos cuidados aos dependentes. Entender a realização das tarefas        reprodutivas pelas mulheres como algo natural, conduz a uma desvalorização        dessas tarefas pelas próprias, que as assumem como uma consequência        inerente à sua condição de género. </P>           <P>&nbsp;</P>           ]]></body>
<body><![CDATA[<P><B>3. As/Os cuidadoras/es na primeira pessoa: a análise do discurso        </B></P>           <P><I>3.1. Entre as representações e as práticas: os papéis de género como        um campo de ambivalências</I> </P>           <P>As representações dominantes entre as/os entrevistadas/os vão no        sentido de que, na esfera dos cuidados, homens e mulheres deveriam assumir        responsabilidades idênticas. Não obstante, na prática, os homens são        afastados das tarefas de cuidar por motivos difíceis de objectivar. Por        vezes alegam-se factores socioculturais, outras vezes razões de índole        mais prática, relacionadas com a falta de disponibilidade ou de        habilidade. É comum as/os cuidadoras/es entrevistadas/os considerarem os        homens da sua família pouco capazes, ainda que, em termos gerais, atribuam        competências aos homens neste domínio, lembrando o profissionalismo dos        enfermeiros ou dos médicos. </P>           <P>As linhas metodológicas que orientaram a selecção da população-alvo do        nosso estudo não nos permitem ter uma perspectiva consistente sobre o        papel dos cônjuges enquanto cuidadores, uma vez que em todos os casos        seleccionados os principais cuidadores são as/os filhas/os. Contudo,        sempre que existia um cônjuge masculino com alguma autonomia, foi possível        perceber que o seu contributo se limitava a fazer companhia à idosa na        ausência das/os filhas/os, podendo, apesar de tudo, ter uma função        importante no caso de acontecer algum imprevisto ou alguma situação de        emergência. </P>           <P>Se nos reportarmos aos homens da geração intermédia, e salvaguardando        raras excepções (como as dos dois cuidadores que entrevistámos), a sua        intervenção é subsidiária e reservada a ocasiões em que a mulher fica        impossibilitada de cumprir as tarefas que lhe estão atribuídas. Não        podemos, todavia, ignorar que o seu contributo pode ser precioso, mesmo        quando não se traduz no desempenho das tarefas rotineiras e desgastantes        do quotidiano. O apoio ocasional em situações imprevistas, a ajuda em        tarefas pesadas, o suporte emocional e o reforço positivo proporcionado ao        cuidador, podem ser elementos essenciais para atenuar a sobrecarga e        viabilizar os cuidados. </P>           <P>Nesta matéria, o discurso de algumas entrevistadas é contraditório.        Começam por defender a paridade entre homens e mulheres, mas acabam por        admitir que há tarefas que não faz sentido atribuir aos homens. Aceitam e        reproduzem a norma da diferenciação, defendendo que, enquanto as mulheres        puderem e/ou estiverem disponíveis, não se justifica reclamar o        envolvimento dos homens. </P>           <BLOCKQUOTE>    <P>«Eu acho que é igual, mas elas cuidam mais, porque elas          estão em casa, e os homens vão para o trabalho, vão para as terras. (…)          as mulheres que têm mais jeito. Têm mais jeito para estas coisas. Pois!          Porque mesmo para dar o banho à minha mãe, já não é os meus irmãos, é as          minhas cunhadas. Prontos, é as minhas cunhadas é que vão dar o banho à          minha mãe, e vesti-la, e calçá-la… os homens já não têm esse jeito. Os          homens é mais para fora» (Madalena, viúva, 68 anos, trabalhadora          agrícola – reformada).</p>    <p>«Não… até porque eu acho que a obrigação é          deles, que são filhos, é certo! Mas não há como as mulheres, é evidente,          não é?! Tem um cabelinho, a gente tira, a gente dá um jeitinho ao          cabelo. Não é os homens que vão fazer isso, é evidente!» (Leonor,          casada, 59 anos, empregada doméstica).</P></BLOCKQUOTE>           <P>O papel das noras também é realçado. Na perspectiva de algumas        entrevistadas, a repartição do encargo de cuidar no interior das fratrias        deve obedecer ao princípio de igualdade (que estipula que todos/as os/as        irmãos/ãs devem assumir iguais responsabilidades), e sempre que estas        sejam constituídas por homens, compete às suas mulheres assumir o        desempenho das respectivas tarefas.</P>           ]]></body>
<body><![CDATA[<BLOCKQUOTE>«E – E acha que as filhas mulheres têm mais obrigação que os          filhos homens ou é igual? Filomena – Não, é igual. Simplesmente, não faz          o marido tem que fazer a nora, porque foi o meu caso. A minha sogra… O          meu marido não o fazia, mas fazia-o eu à minha sogra. Porque o meu          marido não ia lá lavar a coisa à mãe! Se fosse necessário… era obrigado,          não é?!» (Filomena, casada, 47 anos, desempregada). </BLOCKQUOTE>           <P>É frequente o sentido das respostas divergir consoante as pessoas são        questionadas sobre a responsabilidade de ambos os sexos ou sobre a        habilidade e a preparação para estes desempenharem as tarefas domésticas        ou as tarefas relacionadas com os cuidados às crianças ou aos idosos.        Frederica considera não só que os homens que cuidam ou que desempenham        tarefas domésticas são uma excepção motivada por questões culturais e        sociais, mas também que as mulheres são muito mais capazes e competentes        no desempenho de qualquer actividade (não só de âmbito reprodutivo). </P>           <BLOCKQUOTE>«Olhe, eu isso devo dizer-lhe que não, porque eu acho que as          mulheres são muito mais habilidosas e têm muito mais capacidade, são          muito mais inteligentes que os homens. Porque uma mulher desde que          queira fazer alguma coisa, aponta e faz. (…) E nós conseguimos fazer          quase tudo e os homens não» (Frederica, casada, 60 anos,        doméstica).</BLOCKQUOTE>           <P>Irene é da mesma opinião em relação à habilidade das mulheres para        cuidar. Considera mesmo que têm um dom especial que está relacionado com a        maternidade e que não pode ser igualado pelos homens. </P>           <BLOCKQUOTE>«Mas… mas eu acho que as mulheres têm mais jeito, acho que          têm mais um dom, não sei, têm outro dom, não sei, eu penso isso» (Irene,          casada, 55 anos, costureira). </BLOCKQUOTE>           <P>Existem, apesar de tudo, as excepções. Alguns/mas entrevistados/as        afirmam que as diferenças não são significativas, outros/as entendem que        são os homens que têm mais competências e que conseguem executar as        tarefas de forma mais diligente. </P>           <BLOCKQUOTE>«Acho que o homem tem mais habilidade que as mulheres. (…)          Por geral, até mesmo em Hospitais e tudo, vejo a maneira… Têm mais          habilidade. Até Enfermeiros e tudo. Eu acho» (Ângela, solteira, 44 anos,          desempregada). </BLOCKQUOTE>           <P>O entendimento dos cuidados como uma esfera preferencialmente feminina        e a consequente demissão dos homens nesta área, podem ser interpretados        como uma injustiça e vistos com alguma indignação, especialmente se o        homem em causa é filho do idoso cuidado e se a cuidadora é a nora, como        acontece no caso de Júlia. Se bem que a sua atitude perante as        responsabilidades domésticas e a prestação de cuidados sustente os        estereótipos dominantes, nem por isso deixa de sentir alguma revolta pela        forma como o marido se descarta deste dever.</P>           <BLOCKQUOTE>«Também é responsabilidade deles. Por exemplo, aqui em          relação ao Sr. J., vamos a ver uma coisa, eu é que me privo de sair e          ele não é meu pai! O C. não se priva de sair, o C. não se priva de ir ao          futebol e deixar aqui o pai, uma tarde inteira sozinho. E, no entanto,          ele é pai dele, não é meu! E se fosse ao contrário? (…) O C. não fazia          aos meus pais aquilo que eu estou a fazer ao pai dele» (Júlia, casada,          40 anos, empregada administrativa).</BLOCKQUOTE>           <P>De realçar, pela sua especificidade, a opinião dos dois homens que        tivemos oportunidade de entrevistar. Ambos rejeitam a exclusividade        feminina neste domínio e defendem a partilha de responsabilidades como a        solução ideal. </P>           ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Contudo, reconhecem que este continua a ser um universo        preferencialmente feminino e que culturalmente se estimula e se legitima        um maior envolvimento das mulheres. Reconhecem ainda que a sua posição não        é partilhada por muitos dos homens que conhecem, que adoptam uma postura        crítica, ou mesmo sarcástica, perante as suas opções, considerando        confortável e conveniente que se perpetue a regra social que os liberta        dessa esfera de responsabilidade.</P>           <BLOCKQUOTE>    <p>«Eu acho que são ambos. (…) Agora, evidentemente, há aí, e          conheço muito homem que não é capaz de fritar um ovo, que é mesmo assim.          Então, vai-se pedir a uma pessoa dessas, que aqueça uma refeição? Só o          simples aquecer, ele não sabe, porque não sabe! (…) Tenho muita pessoa          amiga, muito colega de serviço, antigos colegas de serviço, que: "– O          quê? Eu, não. Chegar a casa, sentar-me, ver televisão, ler o jornal, a          comida está pronta, vai-se comer"» (António, casado, 57 anos, empregado          administrativo – reformado). </p>    <p>«Eu acho que a obrigação é igual.          (…) Agora, nós, evidentemente, apesar de todos os progressos que se          fizeram, as mulheres continuam a ser sobrecarregadas com isso, não é?!          (…) Eu conheço muito boa gente que se estivesse na minha situação já          teria casado para ter uma mulher para cuidar do sogro. É! Porque, às          vezes, há amigos que me conhecem: "–Então, ainda vives sozinho? Não          arranjas uma gaja? [aquela conversa assim… passo o termo, não é?!]          Então, como é que tu cuidas da tua mãe? Então e para te lavar a roupa?"          (…) Naturalmente sou contra essa visão, mas o que nós sabemos é que é          assim. Quer dizer, por exemplo, os meus irmãos, apesar de também          acompanharem a minha mãe, mas, dar-lhe o banho e tudo o mais, é as          minhas cunhadas que o fazem, não é?!» (Lúcio, divorciado, 46 anos,          empresário).</p></BLOCKQUOTE>           <P>Lúcio acredita que homens e mulheres têm competências e aptidões        diferentes e que estas têm uma maior sensibilidade para cuidar. Contudo,        sabe que este é um argumento utilizado por muitos homens para escapar às        tarefas que menos lhe agradam e para assim perpetuar um sistema de        discriminação em função do género. </P>           <BLOCKQUOTE>«Evidentemente que há aptidões que podem ser inerentes ao          próprio sexo, agora estas coisas de… digamos, o instinto de          sobrevivência também se treina. Quer dizer, eu, se não sei cozinhar,          hei-de aprender, ou se não sei passar a ferro, hei-de aprender. (…)          Portanto, eu acho que isso é mais uma tradição que se vai passando, e          claro que os homens, por comodismo, acham que essa tradição não vale a          pena estar a romper com ela» (Lúcio, divorciado, 46 anos, empresário).        </BLOCKQUOTE>    <BR>           <P><I>3.2. O estado civil como factor de influência na definição dos        papéis de género</I> </P>           <P>As diferenças de género são particularmente acentuadas quando nos        reportamos às expectativas criadas em torno do papel das filhas e dos        filhos solteiras/os. Enquanto as primeiras assumem os encargos de cuidar,        por vezes de forma tácita, sem que os restantes elementos da fratria se        questionem sobre as suas competências ou sobre os constrangimentos que        podem enfrentar, os segundos são afastados dessas tarefas, estando        subjacente a ideia de que não são capazes de assumir o papel de principais        cuidadores. </P>           <P>A representação negativa sobre as competências masculinas para cuidar é        particularmente visível no caso dos filhos solteiros que viviam com as        mães e que eram «cuidados» por estas. A representação que duas das        entrevistadas constroem acerca do papel dos seus irmãos solteiros é a de        homens que beneficiavam da ajuda das progenitoras para o desempenho das        tarefas domésticas e que são incapazes de lidar com a progressiva        dependência das mesmas. Por vezes, estes homens deixam de estar        dependentes do apoio das mães e passam a estar dependentes do apoio das        irmãs. </P>           ]]></body>
<body><![CDATA[<P>O irmão de Celeste vivia com a mãe, mas com o agravamento do estado de        saúde da idosa, as mulheres da fratria começaram a perceber que ele não        tinha capacidade para garantir os cuidados de que a mãe necessitava.        Encontraram então um modo de cuidar que o afasta das tarefas práticas, mas        que o mantém envolvido na rede, através de um contributo financeiro.        Celeste, como irmã mais velha, sente-se responsável pelo bem-estar do        irmão, garantindo o tratamento da roupa e da casa. </P>           <BLOCKQUOTE>«O meu irmão, como é solteiro, não tem bem… prontos… não tem          bem aquela coisa de tratar dela… e nós então falámos os quatro: "– Olha,          para não sobrecarregar nem muito a mim, nem muito a ti, fazemos semana e          meia cada uma. Fazemos a nossa e a do nosso irmão"» (Celeste, casada, 60          anos, trabalhadora agrícola). </BLOCKQUOTE>           <P>Manuela apresenta-nos o exemplo do seu irmão, sem, no entanto, o        culpabilizar ou diminuir pela sua inabilidade nesta esfera. O irmão vivia        com a mãe e, logo que esta começou a ter problemas de saúde, houve        necessidade de encontrar uma solução de apoio, na qual só participa de        forma esporádica. </P>           <BLOCKQUOTE>    <P>«Manuela – Ele vem ajudar, mas quando surge qualquer coisa          ele fica desorientado, não sabe o que lhe há-de fazer, portanto, é          limitado nesse aspecto. (…)</p>    <P>E – Em termos funcionais não tem grandes          competências?</p>Manuela – Não, não é capaz. (…) E várias vezes veio          com a minha mãe em pantufas e robe, porque ele nem era capaz de a          vestir» (Manuela, divorciada, 52 anos, explicadora). </BLOCKQUOTE>           <P>Estes homens surgem no pólo oposto ao das mulheres solteiras, que são        entendidas como cuidadoras por excelência e a quem é reconhecida aptidão        «natural» para o desempenho das tarefas em causa. Nos casos estudados, o        facto de estas mulheres nunca terem saído de casa dos pais, poderá ajudar        a compreender, por um lado, o seu envolvimento e, por outro, o        desprendimento dos irmãos que constituíram núcleos domésticos autónomos.        Das cinco mulheres solteiras que entrevistámos, só uma saiu de casa dos        pais no início da vida adulta (tendo, no entanto, mantido uma ligação        muito estreita com os mesmos). As restantes permaneceram no núcleo        doméstico de orientação. </P>           <P>Não podemos afirmar que o celibato resulte de uma pressão dos/as        progenitores/as ou das circunstâncias em causa, mas, por vezes, a assunção        da responsabilidade de cuidar dos/as progenitores/as leva a um adiamento        da concretização de projectos pessoais, transparecendo a ideia de que        estas mulheres se sentem penalizadas pela situação em que estão        envolvidas. </P>           <P>Conceição fala-nos da força dos laços que a unem ao pai e à irmã e do        prazer que retira do desempenho do seu papel de cuidadora, em torno do        qual toda a sua vida gira. Mas esta abnegação tem os seus custos. A falta        de tempo para si própria, para sair de casa ou para investir numa relação        amorosa, são algumas das implicações que aparecem, ora de forma clara, ora        de forma velada, no seu discurso. De todo o seu testemunho destacamos uma        frase dirigida à irmã que nos parece exemplar para ilustrar a forma como        representa a sua condição de mulher solteira: <I>«Deixa lá, tu tens vida e        eu não tenho vida. Tu tens vida."</I> </P>           <BLOCKQUOTE>«O que é que eu penso assim: quem se sacrifica sou eu. Nunca          mais fui a um passeio, às vezes ia assim a uma excursãozita, a um          passeio. (…) Nestes dois anos tenho-me privado de muita coisa. (…) A          minha irmã é mais velha três anos. Eu faço 42, ela faz 45. Mas damo-nos          muito bem e eu procuro sacrificar-me sempre mais e deixá-la a ela mais          aliviada, porque é o que eu digo: "– Deixa lá, tu tens vida e eu não          tenho vida. Tu tens vida"(…)» (Conceição, solteira, 41 anos, motorista).        </BLOCKQUOTE>           ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Joana também está envolvida num esquema de cuidados egocentrado, de        relativo isolamento, com um apoio esporádico de dois irmãos. Assumiu a        responsabilidade de cuidar depois de um período a viver sozinha. A saída        de casa dos pais, aos 40 anos, foi interpretada por alguns irmãos como uma        atitude irresponsável e despropositada. A tranquilidade que a sua presença        representava para os restantes elementos da fratria ficou comprometida e o        seu afastamento temporário deu origem a alguma tensão. </P>           <BLOCKQUOTE>«…para eles, vir para Coimbra… também sabiam que o paizinho          e a mamã estavam lá com a menina, em Loriga, que eles estavam livres          para resolver… O mais velho, na altura em que eu comuniquei que vinha          para Coimbra, foi quando ele reagiu: "– Vens para Coimbra aos 40 anos,          não estás lá bem? Ainda queres melhor? Aí é que estás bem!" Quer dizer,          não se estava a preocupar que eu tinha aspirações de futuro» (Joana,          solteira, 48 anos, empregada administrativa).</BLOCKQUOTE>    <BR>           <P><I>3.3. Mulheres cuidadoras versus homens decisores </I></P>           <P>Ainda que o papel dos homens nas redes de solidariedade seja        significativamente diferente do das mulheres, aqueles não estão        completamente ausentes, havendo mesmo alguns tipos de trocas em que o seu        papel é primordial, nomeadamente na mobilização de influências para        arranjar emprego, na construção de habitação ou na dádiva/empréstimo de        elevadas quantias de dinheiro ou de bens muito dispendiosos. No que        concerne à prestação de cuidados aos/às dependentes, em algumas ocasiões,        ainda que excepcionais, os homens têm um papel activo na prestação directa        dos cuidados; em outras, contribuem com pequenas ajudas que facilitam o        trabalho das cuidadoras principais. </P>           <P>Mas os dados empíricos que recolhemos revelaram-nos uma outra realidade        que, apesar de singular, consideramos de interesse relevante. Deixando        vislumbrar alguns resquícios de um modelo patriarcal, em que aos homens        compete tomar as decisões sobre os destinos da família, encontrámos um        caso em que o esquema de apoio é decidido pelo homem, ainda que quem o vá        pôr em prática seja a sua mulher. Este papel masculino evidencia-se em        outras fratrias, se bem que não de uma forma tão acentuada, pois os        processos de regulação em causa tiveram também a colaboração das        mulheres.</P>           <P>Claro que não podemos procurar a justificação para este comportamento        somente nos modelos normativos que diferenciam os papéis masculinos dos        papéis femininos, legitimando as assimetrias; igualmente relevante será a        valorização do estatuto de filho e de filha em detrimento do estatuto de        nora e de genro. Se, na maioria dos casos estudados, sempre que um        processo de negociação tem lugar no interior da fratria, todos se envolvem        na tomada de decisões, numa minoria, são somente os filhos – homens ou        mulheres – que se reúnem para desenhar o esquema de apoio a prosseguir.        </P>           <P>Florinda aceitou a decisão do marido e das cunhadas em relação aos        cuida-dos a prestar à sua sogra. O facto de trabalhar impõe alguns limites        ao desempenho das tarefas, mas não a levam a declinar esta        responsabilidade. </P>           <BLOCKQUOTE>    <P>«<B>E</B> – Portanto, foi o seu marido que tomou a          iniciativa de ir falar com as irmãs? </P>    ]]></body>
<body><![CDATA[<P><B>Florinda</B> – Sim, sim,          sim. Foi. </P>    <P><B>E</B> – A Sr.ª não foi nesse dia, não foi conversar com          eles? </P>    <P><B>Florinda</B> – Não, nesse dia não fui, não. Não. </P>    <P><B>E          </B>– E não conversou com o seu marido em casa acerca disso, antes de          ele ir, para ver qual seria a melhor solução, o que é que seria melhor?          </P>    <P><B>Florinda </B>– A melhor solução para mim, como eu estava          empregada e as duas filhas não estavam empregadas, a minha situação, era          melhor para um Lar, porque eu não tinha tanto trabalho. Porque, assim,          tenho que ter o dobro do trabalho, mas: "– Ah não, ela agora não dá          trabalho. Ela não dá trabalho" (…) Depois o meu marido resolveu que          andava aos quinze em quinze dias e pronto, e foi assim» (Florinda,          casada, 38 anos, ajudante familiar)».</P></BLOCKQUOTE>           <P>A gestão dos rendimentos dos idosos é mais um dos domínios em que se        destaca a intervenção dos homens. Este é outro indicador da diferenciação        baseada na reprodução dos papéis tradicionais, uma vez que, à semelhança        do que acontece com o poder decisório, também a gestão financeira tem sido        um campo de actuação preferencialmente masculino. «O Z. é que normalmente        gere o dinheiro. Portanto… mas cada uma das cinco que acha que lhe falta        qualquer coisa, compra e depois ele dá o dinheiro» (Graça, casada, 50        anos, auxiliar de acção médica). …é o meu irmão que trabalha na Caixa.        Como ele está na Caixa movimenta as contas. Nós chegamos ao fim do mês…        por exemplo, eu o mês passado pedi-lhe: «– Olha, deposita na minha conta        1450€"» (Ema, casada, 67 anos, professora – reformada). </P>    <BR>           <P><I>3.4. A influência do meio geográfico e social na definição dos        papéis de género </I></P>           <P>São as mulheres com estatutos socioeconómicos mais desvalorizados e de        meio rural que mais facilmente aceitam, ou chegam mesmo a defender, a        segregação entre os sexos em matéria de prestação de cuidados. Como se        pôde perceber pelos excertos que apresentámos, são as trabalhadoras        agrícolas e as trabalhadoras desqualificadas dos serviços que argumentam a        favor de uma maior responsabilização das mulheres, associada à demissão        dos homens. Pelo contrário, as mulheres de meio urbano, independentemente        da sua condição social, e mesmo que assumam a prestação dos cuidados sem a        colaboração dos homens da família, defendem valores de paridade entre os        sexos. </P>           <P>A influência do meio social e geográfico é também relevante no que toca        à colaboração real dos homens nas redes efectivas de apoio. Os homens que        se envolvem mais directamente nos cuidados vivem preferencialmente em meio        urbano e têm níveis de escolaridade médios ou elevados. Tanto no caso dos        filhos como no dos netos cuidadores, estamos a falar de pessoas que        residem em meio urbano e que concluíram o ensino secundário (António) ou        que frequenta-ram/frequentam o ensino superior (Lúcio e os filhos de        Lucinda e de Graça). </P>           ]]></body>
<body><![CDATA[<P>O caso de Lucinda é um exemplo deste envolvimento dos homens (filhos e        marido) do agregado doméstico da cuidadora. Podemos realçar o papel de um        dos netos da idosa, que dá uma ajuda substancial em todas as esferas dos        cuidados, substituindo a entrevistada em muitas tarefas. </P>           <BLOCKQUOTE>«Sem a ajuda deles, sobretudo de um, que é aquele que lhe          está a prestar mais apoio, eu também não estava coisa… porque também não          estava bem… (…) Leva-a ao colo… sentamo-la então nessa… na banheira,          damos-lhe banho, ela gosta de tomar, fica muito fresquinha, muito          bem-disposta. Tratamos, secamos-lhe o cabelo, corta-mos-lhe o cabelo,          cortamos-lhe as unhas, pronto. (…) E à noite, também é ele que me… que          de uma maneira geral, que lhe dá o jantar, dá-lhe sempre o jantar, gosta          de lá ir, é ele que lá vai e tem esse compromisso» (Lucinda, casada, 52          anos, assistente social). </BLOCKQUOTE>           <P>Também no caso de Graça se destaca o apoio do marido e do filho.        Contudo, este decorre essencialmente de constrangimentos de cariz        profissional e não de uma vontade explícita de cuidar, uma vez que, de        acordo com a própria, os «homens da casa» só colaboram se ela não está.        Aliás, o desinteresse e o desprendimento do seu filho são realçados pela        entrevistada, que os interpreta como um sinal da desresponsabilização da        geração mais jovem.</P>           <BLOCKQUOTE>    <P>«Graça – Quando eu faço tarde, ele vê-se na necessidade de          ajudar o pai. Ambos a lavam e a deitam. Mas se eu cá estiver, não. (…)          Ai, quando eu estou de tarde, eles têm que a lavar e deitar, e pôr a          fralda, e dar comer, e deitá-la.</P>    <P>E – O seu marido faz essas tarefas?              <BR>Graça – Faz mais o filho. Sim, sim, sim. (…) O meu filho tem… e já          não é nenhuma criança, tem vinte e nove anos, e só cuida da avó se, por          exemplo, eu lhe pedir» (Graça, casada, 50 anos, auxiliar de acção          médica).</P></BLOCKQUOTE>           <P>&nbsp;</P>           <P>4. Análise conclusiva </P>           <P>Apesar das profundas e inelutáveis mudanças que se fizeram sentir nas        últimas décadas, assistimos à continuidade de padrões de comportamento que        perpetuam iniquidades e alimentam a segregação de género em diversos        domínios da vida em sociedade. Os resultados da nossa pesquisa        permitiram-nos perceber que, quer do ponto de vista das práticas        quotidianas, quer do ponto de vista das representações, os cuidados às        pessoas idosas dependentes continuam a ser uma esfera em que os papéis de        género são claramente diferenciados, com uma forte penalização das        mulheres. </P>           ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Se pensarmos que a inserção laboral, em igualdade de circunstâncias,        tem sido uma das principais reivindicações das mulheres e um dos factores        que mais contribui para a diminuição das desigualdades de género,        rapidamente percebemos que qualquer entrave ao bom desempenho profissional        ou ao acesso ao mercado de trabalho, compromete os progressos alcançados        nas últimas décadas. Philipp Hessel e Wolfgang Keck (2009), a partir dos        resultados de um estudo comparativo da realidade dos países da União        Europeia, revelam que é em Portugal e na Alemanha que a dedicação aos        cuidados informais tem um impacto mais negativo na esfera profissional,        nomeadamente nas oportunidades para encontrar trabalho. Na globalidade dos        países, são particularmente as mulheres de meia-idade e as solteiras que        diminuem o tempo que dedicam ao trabalho pago. </P>           <P>Assim, ao considerarmos que os cuidados às pessoas idosas continuam a        ser prestados preferencialmente em casa (Daatland, 2009; Gil, 2009; Moody,        2009; Torres, 2006), contrariamente à ideia instalada de que a maioria das        famílias opta pela institucionalização, e que essa tarefa continua a ser        assegurada essencialmente pelas mulheres, impõe-se que deixemos algumas        pistas de reflexão (e de inquietação): </P>           <BLOCKQUOTE>    <P>– face ao aumento dos índices de morbilidade e de          dependência das pessoas idosas (e, em particular, das muito idosas),          terão as mulheres condições para suportar o potencial aumento de          responsabilidades daí decorrentes? </P>    <P>– como lidarão com as crescentes          solicitações e exigências neste domínio? </P>    <P>– como as compatibilizarão          com as suas ambições pessoais e com a sua luta pela paridade? </P>    <P>– em          que medida a própria noção de cuidar tenderá a mudar, no sentido de          libertar as mulheres das tarefas quotidianas e de lhes permitir          concentrar-se nas tarefas de organização/gestão desses mesmos cuidados,          assim como nas tarefas expressivas?</P></BLOCKQUOTE>           <P>Ainda assim, não obstante nos casos que estudámos se manter o modelo        diferenciado e assimétrico, é expectável que as mudanças que se têm        registado nas dinâmicas familiares venham a reflectir-se também nesta        área. A actual geração de cuidadores/as, constituída preferencialmente por        quinquagenários/as, foi educada de acordo com padrões valorativos        tradicionais, dando-lhes continuidade. Pelo contrário, as gerações mais        jovens estão já a caminhar no sentido da aceitação de uma maior        indiferenciação de papéis e de uma maior afirmação da igualdade de género        (Pereira, 2010). Os homens das novas gerações estão cada vez mais        envolvidos nos cuidados aos filhos e às filhas e nas tarefas domésticas,        podendo vir a assumir uma repartição mais equitativa das tarefas do cuidar        das pessoas mais velhas. </P>           <P>&nbsp;</P>           <P><B>Referências Bibliográficas</B></P>           ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P>Aboim Sofia (2010), «Género, Família e Mudança em Portugal», in Karin        Wall, Sofia Aboim e Vanessa Cunha (coord.) <I>A Vida Familiar no        Masculino: Negociando Velhas e Novas Masculinidades</I>, Lisboa, pp.        39-66. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S0874-5560201100010000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Amâncio, Lígia (2004), «Percepção da discriminação e da justiça. Novos        desafios na pesquisa psicossociológica», in Anne Cova et al. (org.),        <I>Desafios da Comparação. Família, Mulheres e Género em Portugal e no        Brasil</I>, Oeiras, Celta, pp. 333-342. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S0874-5560201100010000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Brito, Luísa (2002), <I>A Saúde Mental dos Prestadores de Cuidados a        Familiares Idosos</I>, Coimbra, Quarteto. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S0874-5560201100010000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Daatland, Svein Olav (2009), «How to balance generations: solidarity        dilemmas in a European perspective», in Rica Edmondson e Hans-Joaqhim Von        Kondratowitz (coord.), <I>Valuing Older People. A humanist approach to        ageing</I>, Bristol, The Policy Press, pp. 123-160. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0874-5560201100010000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Figueiredo, Daniela (2007), <I>Cuidados Familiares ao Idoso        Dependente</I>, Lisboa, Climepsi. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S0874-5560201100010000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Gil, Ana Paula (2009), <I>Conciliação entre vida Profissional e vida        familiar: o caso da dependência</I>, Lisboa, Núcleo de Estudos e        Conhecimento/Instituto de Segurança Social/IP. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S0874-5560201100010000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Hagestad, Gunhild (1995), «La négociation de l'aide: jeux croisés entre        familles, sexes et politiques sociale», in Attias-Donfut (dir.), <I>Les        Solidarités Entre Générations. 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A qualitative study of care arrangements in Finland, France,        Italy, Portugal and the UK</I>, SOCCARE Project, Report 6, Brussels,        European Commission, [em linha] disponível em <a href="http://www.uta.fi/laitokset/sostut/soccare/report6.pdf" target="_blank">http://www.uta.fi/laitokset/sostut/soccare/report6.pdf</a> [acedido em 15 de Março de 2011].  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S0874-5560201100010000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Moody, Harry (2009), <I>Aging: Concepts and Controversies</I>, 6.ª ed.,        Pine Forge Press. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S0874-5560201100010000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Pereira, Maria do Mar (2010), «Os discursos de género: Mudança e        continuidade nas narrativas sobre diferenças, semelhanças e (des)igualdade        entre mulheres e homens», in Karin Wall, Sofia Aboim e Vanessa Cunha        (coord.), <I>A Vida Familiar no Masculino: Negociando Velhas e Novas        Masculinidades</I>, Lisboa, pp. 225-261. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S0874-5560201100010000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Perista, Heloísa (2002), «Género e trabalho não pago: os tempos das        mulheres e os tempos dos homens», <I>Análise Social</I>, n.º 163, vol.        XXXVII, pp. 447-474. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0874-5560201100010000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Pimentel, Luísa, Albuquerque, Cristina (2010), «Solidariedades        Familiares e o Apoio a Idosos. Limites e Implicações», <I>Textos &amp;        Contextos</I> (Porto Alegre), v. 9, n.º 2, pp. 251-263. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S0874-5560201100010000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Portugal, Sílvia (2008), <I>As mulheres e a produção de bem-estar em        Portugal</I>, Oficina do CES n.º 319, Coimbra, Centro de Estudos Sociais        da Universidade de Coimbra. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0874-5560201100010000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Ribeiro, Óscar (2005), «Quando o cuidador é um homem. Envelhecimento e        orientação para o cuidado», in Constança Paúl e António M. Fonseca        (coord.), <I>Envelhecer em Portugal</I>, Lisboa, Climepsi, pp. 231-254.        &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S0874-5560201100010000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Saraceno, Chiara (2004), «A Igualdade Difícil. Mulheres no mercado de        trabalho em Itália e a questão não resolvida da conciliação»,        <I>Sociologia – Problemas e Práticas</I>, n.º 44, pp. 27-45. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S0874-5560201100010000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Torres, Anália (2006), «Work and Family in Portugal», in Giovanna Rossi        (ed.), <I>Reconciling Family and Work: New Challenges for Social Policies        in Europe</I>, Milano, Franco Angeli, pp. 9-36. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S0874-5560201100010000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Vasconcelos, Pedro (2002), «Redes de apoio familiar e desigualdade        social: estratégias de classe», <I>Análise Social</I>, n.º163, vol.        XXXVII, pp. 507-544. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S0874-5560201100010000400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Vasconcelos, Pedro (2005), «Redes Sociais de Apoio», in Karin Wall        (org.), <I>Famílias em Portugal</I>, Lisboa, ICS Imprensa de Ciências        Sociais, pp. 599-631. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S0874-5560201100010000400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>Wall, Karin, Guerreiro Maria das Dores (2005), «A divisão familiar do        trabalho», in Karin Wall (org.), <I>Famílias em Portugal</I>, Lisboa, ICS        Imprensa de Ciências Sociais, pp. 303-362. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S0874-5560201100010000400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P>&nbsp;</P>     <P>Artigo recebido em 31 de Outubro de 2010 e aceite para publicação em 28 de    Março de 2011.</P>     <P>&nbsp;</P>            <P><A href="#topo" id="fundo" ><sup>*</sup></A>Licenciada em Serviço Social, mestre    e doutora em Sociologia, na especialidade de Sociologia da Família e da Vida    Quotidiana. É Professora na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do    Instituto Politécnico de Leiria. É investigadora do CIES-ISCTE. Dedica-se à    investigação e à divulgação de conhecimento nos domínios da Velhice e do Envelhecimento    e dos Cuidados Familiares às Pessoas Idosas. Autora do livro «O Lugar do Idoso    na Família», editado pela Quarteto, em 2001. <a href="mailto:luisa_pimentel@hotmail.com">luisa_pimentel@hotmail.com</a></P>            ]]></body><back>
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