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<institution><![CDATA[,Universidade do Minho Escola de Psicologia Departamento de Psicologia Aplicada]]></institution>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o. Perspectivas feministas em comportamento desviante</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Lu&iacute;sa Saavedra<sup>1</sup></b></p>     <p>1 Universidade do Minho, Escola de Psicologia, Departamento de Psicologia Aplicada, Universidade do Minho, Campus de Gualtar, Braga, 4710-057 Braga, Portugal. <a href="mailto:lsaavedra@psi.uminho.pt">lsaavedra@psi.uminho.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Por toda a Europa, as pr&aacute;ticas policiais, judiciais e penais, tendo como alvo primordial os grupos mais vulner&aacute;veis do ponto de vista de classe, estatuto de imigra&ccedil;&atilde;o, &eacute;tnico e/ou &laquo;racial&raquo; (Wacquant, 2004) mais n&atilde;o faz do que promover e ampliar as desigualdades sociais (e.g., Baratta, 1987).</p>     <p>Esta realidade transnacional encontra-se, pois, igualmente patente nos n&uacute;meros referentes ao sistema prisional portugu&ecirc;s. Apesar dos reclusos e reclusas nacionais ocuparem em maior n&uacute;mero as pris&otilde;es portuguesas – 9.444 homens e 519 mulheres –, os estrangeiros e estrangeiras – 2.385 homens e 163 mulheres – cumprem pena preventivas em muito mais elevada percentagem: 32.8% de estrangeiros para 15.4% de homens nacionais e 48.5% de estrangeiras contra 23.9% de mulheres nacionais (DGSP, 2011). Destaque-se que na sua totalidade as mulheres – quer estrangeiras, quer nacionais, est&atilde;o sujeitas a maiores percentagens de pris&atilde;o preventiva. Cabe aqui ressaltar que a Direc&ccedil;&atilde;o Geral dos Servi&ccedil;os Prisionais (2011) n&atilde;o usa a categoria ra&ccedil;a ou etnia mas apenas a nacionalidade, tornando assim invis&iacute;vel a perten&ccedil;a racial e dificultando determinadas an&aacute;lises de dados.</p>     <p>Se atendermos ao n&iacute;vel de escolaridade, uma vez mais, os dados deixam patente a selec&ccedil;&atilde;o dos grupos mais marginalizados da sociedade: a maior percentagem de homens portugueses possui apenas o 4&ordm; ano de escolaridade (33.5%) ocorrendo o mesmo com as mulheres (28.3%). Contudo, a percentagem de mulheres que n&atilde;o sabem ler (11.2%) &eacute; superior &agrave; dos homens (4.5%). A somar a estas percentagens temos ainda que considerar aqueles (3.5%) e aquelas (12.1%) que sabendo ler e escrever n&atilde;o chegaram a concluir o 1&ordm; ciclo do Ensino B&aacute;sico, ou seja, 4 anos de escolaridade. A soma destas 3 categorias (n&atilde;o saber ler, 1&ordm; ciclo incompleto e 1&ordm; ciclo completo) perfaz cerca de 40% nos homens e 51% nas mulheres. Em contrapartida, o n&iacute;vel acad&eacute;mico de homens e mulheres estrangeiras distribuem- se maioritariamente entre o 3&ordm; ciclo do Ensino B&aacute;sico (25.2% homens e 19% de mulheres) e o Ensino Secund&aacute;rio (23.6% de homens e 18.4% de mulheres), sendo o Ensino Superior ocupado por 5. 8% dos homens e 10.4% das mulheres. Os n&uacute;meros levantam v&aacute;rias hip&oacute;teses explicativas. Uma delas &eacute; de que os estrangeiros e as estrangeiras s&atilde;o mais discriminados/as pelo sistema penal apenas pela sua perten&ccedil;a categorial. Outra possibilidade &eacute; de que, devido a situa&ccedil;&otilde;es de grande precaridade econ&oacute;mica, mais facilmente cometem actos considerados criminosos.  Finalmente, e como acontece a outros grupos marginalizados, poder&aacute; ser consequ&ecirc;ncia de viverem em zonas habitacionais mais frequentemente &laquo;vasculhados&raquo; pelo sistema policial (Cunha, 2007). Seja qual for a raz&atilde;o para estrangeiros/as e nacionais, o certo &eacute; que as estat&iacute;sticas do sistema prisional demonstram o exerc&iacute;cio de discrimina&ccedil;&otilde;es m&uacute;ltiplas ancoradas no g&eacute;nero, na classe, no estatuto de emigra&ccedil;&atilde;o, entre outras que n&atilde;o s&atilde;o t&atilde;o vis&iacute;veis pela forma como s&atilde;o apresentados.</p>     <p>Nas v&aacute;rias cr&iacute;ticas e den&uacute;ncias que foram lan&ccedil;adas ao sistema policial, jur&iacute;dico e penal os movimentos e teorias feministas tiveram, a partir dos anos 70 do s&eacute;culo passado, lugar de destaque n&atilde;o s&oacute; por questionarem a falsa objectividade das correntes criminol&oacute;gicas e do sistema judicial e penal (e. g., Smart, 1995), como tamb&eacute;m pela desconstru&ccedil;&atilde;o da dicotomia v&iacute;tima-agressor (e.g., Miller, 2005) e das ideias reducionistas que sustentam uma rela&ccedil;&atilde;o de causa e efeito entre as hist&oacute;rias pr&eacute;vias de abuso com o comportamento criminal (Chesney-Lind, 2006; Weizmann-Henelius, Viemero e Eronen, 2003). A esta lista de contributos &eacute; fundamental acrescentar o seu olhar critico sobre a defini&ccedil;&atilde;o de normativo e desviante o que teve significativo impacto na altera&ccedil;&atilde;o de leis que colocavam a mulher em situa&ccedil;&atilde;o de desvantagem social e econ&oacute;mico. Refira-se, por exemplo, o seu empenho, a n&iacute;vel internacional e nacional, para a penaliza&ccedil;&atilde;o do ass&eacute;dio sexual (e.g., Dobash e Dodash, 1979) e a viol&ecirc;ncia de g&eacute;nero (e.g., Brownmiller, 1975, Neves, Machado e Martins, 2011), por exemplo, como para a descriminaliza&ccedil;&atilde;o de comportamentos previamente considerados como criminais, como &eacute; o caso da interrup&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria da gravidez (e.g. Monteiro, 2012) ou da prostitui&ccedil;&atilde;o (e.g., Tavares, s/d). Conferindo uma dimens&atilde;o p&uacute;blica &agrave; viol&ecirc;ncia consubstanciado no lema &laquo;o pessoal &eacute; pol&iacute;tico&raquo;, a investiga&ccedil;&atilde;o sobre a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica e a vitimologia, em geral, foram fundamentais para o desenvolvimento da criminologia feminista (Chesney-Lind, 2006).</p>     <p>Em contrapartida, a situa&ccedil;&atilde;o da mulher com comportamento criminal, desviante ou em reclus&atilde;o, foi sendo bastante descurada. No entanto, algumas autoras feministas como Carol Smart (1976), por exemplo, na mesma &eacute;poca denunciavam as limita&ccedil;&otilde;es das teorias criminol&oacute;gicas existentes, centradas na figura masculina e totalmente desadequadas &agrave; popula&ccedil;&atilde;o feminina. Esta mesma autora defendia que o menor n&uacute;mero de mulheres ofensoras do que homens n&atilde;o poderia ser raz&atilde;o para descurar a investiga&ccedil;&atilde;o nesta &aacute;rea. Por um lado, p&otilde;e em evid&ecirc;ncia os mitos teol&oacute;gicos que constroem a mulher ora como fraca, ora como malvada e, por outro, os mitos paternalistas que postulam as mulheres como fr&aacute;geis e d&oacute;ceis; finalmente, a tend&ecirc;ncia &agrave; patologiza&ccedil;&atilde;o da mulher quando esta foge aos pap&eacute;is que lhes s&atilde;o convencionalmente atribu&iacute;dos. Esta corrente est&aacute; ainda patente na actualidade especialmente nos casos de homic&iacute;dio, infantic&iacute;dio e filic&iacute;dio (Stangle, 2008), por exemplo. Nesta linha de ideias, Julie Stubs e Julia Tolmie (2008) realizaram estudos com mulheres ind&iacute;genas australianas que tinham sido alvo de viol&ecirc;ncia na intimidade e na sequ&ecirc;ncia da qual mataram os seus agressores. Em termos de senten&ccedil;as, estas mulheres tendem a ser julgadas negativamente n&atilde;o tendo direito a uma defesa especial ou atenua&ccedil;&atilde;o da pena, ao contr&aacute;rio das mulheres  brancas da classe m&eacute;dia. Tendo por suporte a abordagem interseccional de Crenshaw (1991), estas duas autoras demonstram como as mulheres ind&iacute;genas ora s&atilde;o encaradas como subordinadas e sem qualquer tipo de ag&ecirc;ncia, ora lhes &eacute; reconhecida ag&ecirc;ncia e ent&atilde;o s&atilde;o rotuladas de perigosas. Neste &uacute;ltimo caso, &eacute;-lhes retirada a possibilidade de serem julgadas de forma minimamente isenta por n&atilde;o encaixarem na imagem de feminilidade tradicional da mulher branca.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ainda na senda do paternalismo e da psicopatologia (podendo esta ser considerada um caso particular do primeiro), a literatura assinala uma menor perigosidade das mulheres dado que os seus crimes se dirigem, preferencialmente, contra familiares (companheiros ou filhos/as), resultam de leg&iacute;tima defesa na sequ&ecirc;ncia de abuso cr&oacute;nico e consequente homic&iacute;dio dos companheiros ou s&atilde;o consequ&ecirc;ncia de dist&uacute;rbios psicopatol&oacute;gicos (Flynn, Abel, While, Mehta e Shaw, 2011). Contrariando a ideia de que os homic&iacute;dios cometidos por mulheres se dirigem maioritariamente aos seus familiares, o trabalho conduzido por Ghitta Weizmann-Henelius, Vappu Viemero e Markku Eronen (2003), na Finl&acirc;ndia, desmitifica alguns destes pressupostos, evidenciando que em 34% dos casos as v&iacute;timas eram pessoas pr&oacute;ximas destas mulheres, em 41% dos casos eram apenas conhecidas e em 25% dos casos eram totalmente desconhecidas.</p>     <p>Tendo em conta que este &eacute; um terreno semi&aacute;rido em Portugal apesar de algumas incurs&otilde;es significativas (e.g. Cunha, 2007; Matos e Machado, 2007; Pinto, Nogueira e Tavares, 2010; Silva, 2007), tendo em conta, ainda, a import&acirc;ncia da reflex&atilde;o e investiga&ccedil;&atilde;o em torno do comportamento desviante e criminal, como tamb&eacute;m da riqueza de temas e problem&aacute;ticas de utilidade para desconstruir discursos sobre as mulheres em geral, o principal objectivo da organiza&ccedil;&atilde;o deste dossier tem&aacute;tico foi precisamente dar visibilidade e estimular a pesquisa nesta &aacute;rea.</p>     <p>Perante a necessidade de encontrar uma l&oacute;gica que presidisse &agrave; sequ&ecirc;ncia dos seis artigos que integram esta sec&ccedil;&atilde;o tem&aacute;tica, a op&ccedil;&atilde;o recaiu sobre um continuum entre comportamentos mais ou menos discriminados socialmente at&eacute; aos comportamentos legalmente penalizados. Desta feita os tr&ecirc;s primeiros artigos dizem respeito a mulheres e jovens que vivem fora do contexto prisional (<i>Prostitui&ccedil;&atilde;o feminina, feminismos e diversidade de traject&oacute;rias; (Entre) olhares sobre delinqu&ecirc;ncia no feminino e Entre o p&uacute;blico e o privado: discurso de mulheres em movimentos de grafite</i>) e os tr&ecirc;s &uacute;ltimos s&atilde;o dirigidos a situa&ccedil;&otilde;es de encarceramento, seja atrav&eacute;s de trabalhos te&oacute;ricos (<i>Controlo e puni&ccedil;&atilde;o: As pris&otilde;es para mulheres</i>), seja de trabalhos de investiga&ccedil;&atilde;o (<i>Formas alternativas do exerc&iacute;cio da parentalidade: paternidade e maternidade em contexto prisional; O Marianismo e a vitimiza&ccedil;&atilde;o de mulheres encarceradas: formas alternativas de exerc&iacute;cio do poder feminino</i>).</p>     <p>N&atilde;o &eacute;, assim, por acaso que este n&uacute;mero come&ccedil;a com artigo da autoria de Alexandra Oliveira: <i>Prostitui&ccedil;&atilde;o feminina, feminismos e diversidade de traject&oacute;rias</i>. A prostitui&ccedil;&atilde;o ilustra precisamente como a qualifica&ccedil;&atilde;o do crime resulta de uma constru&ccedil;&atilde;o do sistema judicial num determinado contexto hist&oacute;rico e pol&iacute;tico. Como se sabe a prostitui&ccedil;&atilde;o j&aacute; foi alvo de penaliza&ccedil;&atilde;o judicial, em Portugal, e &eacute; ainda uma actividade socialmente estigmatizada. Da&iacute; tradicionalmente se enquadrar nos  comportamentos desviantes. Por outro lado, foi um tema que gerou, e gera ainda, bastante debate e controv&eacute;rsia dentro das teorias e movimentos feministas. O trabalho de Alexandra Oliveira come&ccedil;a precisamente por nos situar neste debate. Questionando as posi&ccedil;&otilde;es feministas extremadas e reducionistas, a autora guia-nos por um trabalho etnogr&aacute;fico, em conjunto com entrevistas informais e em profundidade, realizado na cidade do Porto ao longo de 5 anos. Nele s&atilde;o desconstru&iacute;dos alguns mitos relativamente &agrave; prostitui&ccedil;&atilde;o, nomeadamente de que existe uma traject&oacute;ria estandardizada que prediz a entrada na prostitui&ccedil;&atilde;o. Assim, a autora vai-nos apresentado uma s&eacute;rie de percursos distintos, quer anteriores, quer &agrave; entrada para a prostitui&ccedil;&atilde;o, bem como algumas comunalidades que atravessam estes mesmos percursos salientando a complexidade deste fen&oacute;meno e a sua multicausalidade.</p>     <p>Os dois artigos que se seguem aprofundam distintas formas de posicionamento das participantes entre as concep&ccedil;&otilde;es tradicionais de masculinidade e feminilidade e a procura de novas posi&ccedil;&otilde;es, mais evidente no trabalho de Vera M&oacute;nica Duarte e Maria Jo&atilde;o Leote de Carvalho, sobre a delinqu&ecirc;ncia de crian&ccedil;as e jovens do sexo feminino. As autoras, no trabalho intitulado <i>(Entre) olhares sobre delinqu&ecirc;ncia no feminino</i>, exp&otilde;e-nos duas pesquisas realizados na Grande Lisboa em que nos d&atilde;o conta de como os actos de delinqu&ecirc;ncia das raparigas se distinguem dos dos rapazes, quer pelo tipo de objecto furtado, quer pelas v&iacute;timas que escolhem. D&atilde;o-nos ainda conta de diversas pr&aacute;ticas de feminilidade em que s&atilde;o combinados comportamentos convencionais de g&eacute;nero com outros at&iacute;picos, sendo assim uns pap&eacute;is tradicionais de g&eacute;nero rejeitados enquanto outros s&atilde;o alvo de transgress&atilde;o. Al&eacute;m disso, este artigo faz um apelo &agrave; necessidade de as raparigas serem trazidas para um debate te&oacute;rico-metodol&oacute;gico que se distancie do modelo masculino de delinqu&ecirc;ncia, terminado por concluir da t&eacute;nue barreira existente entre v&iacute;timas e agressoras.</p>     <p>O terceiro artigo, <i>Entre o p&uacute;blico e o privado: discurso de mulheres em movimentos de grafite</i>, continua ainda a abordar as negocia&ccedil;&otilde;es identit&aacute;rias em acopla&ccedil;&atilde;o, confronto ou submiss&atilde;o com os par&acirc;metros masculinos. Este trabalho da autoria de Cristiano Hamann, Jo&atilde;o Gabriel Maracci Cardoso, Pedro de Castro Tedesco e Adolfo Pizzinato procura compreender a participa&ccedil;&atilde;o de quatro mulheres na ocupa&ccedil;&atilde;o visual do espa&ccedil;o urbano da cidade de Porto Alegre, Brasil, e como estas oscilam entre o mundo p&uacute;blico do grafite e o privado da vida dom&eacute;stica e da maternidade. A inser&ccedil;&atilde;o num mundo e actividade eminentemente masculina faz com que a sua participa&ccedil;&atilde;o seja quase sempre transit&oacute;ria e pouco aut&oacute;noma, ou seja, realizada apenas em conjuga&ccedil;&atilde;o com os seus companheiros ou familiares, o que resulta num discurso paradoxal sobre o seu papel na sociedade em cont&iacute;nua negocia&ccedil;&atilde;o entre a normatividade e a transgress&atilde;o dos pap&eacute;is sociais.</p>     <p>Entrando no dom&iacute;nio da mulher em reclus&atilde;o contamos, em primeiro lugar, com o artigo te&oacute;rico de Vera Silva, intitulado <i>Controlo e puni&ccedil;&atilde;o: As pris&otilde;es para mulheres</i> que nos situa, inicialmente nos dispositivos de controlo e puni&ccedil;&atilde;o dos regimes prisionais para mulheres, para depois se centrar mais concretamente no  mesmo sistema penitenci&aacute;rio em Portugal. Reitera a ideia, j&aacute; apresentada no in&iacute;cio desta introdu&ccedil;&atilde;o, sobre a invisibilidade das mulheres nos estudos te&oacute;ricos sobre crime justificadas por, historicamente, o n&uacute;mero de mulheres reclusas ser diminuto em compara&ccedil;&atilde;o ao dos homens e a import&acirc;ncia dos estudos feministas nesta den&uacute;ncia e no avan&ccedil;o do conhecimento nesta &aacute;rea. Conclui que nas pris&otilde;es portuguesas, tal como nas restantes ocidentais, se repetem os dispositivos de controlo atrav&eacute;s da feminiliza&ccedil;&atilde;o, medicaliza&ccedil;&atilde;o e &laquo;domesticiza&ccedil;&atilde;o&raquo;. Este &uacute;ltimo dispositivo est&aacute; presente, por exemplo, na imposi&ccedil;&atilde;o de valores de responsabiliza&ccedil;&atilde;o maternal.</p>     <p>&Eacute; precisamente do exerc&iacute;cio da maternidade e, tamb&eacute;m, da paternidade em reclus&atilde;o que trata o artigo seguinte concebido por Rafaela Granja, Manuela Cunha e Helena Machado. O estudo intitulado <i>Formas alternativas do exerc&iacute;cio da parentalidade: paternidade e maternidade em contexto prisional</i> foi levado a cabo atrav&eacute;s de entrevistas em profundidade a 20 pais e 20 m&atilde;es em situa&ccedil;&atilde;o de reclus&atilde;o e levanta quest&otilde;es sobre a natureza genderizada destas fun&ccedil;&otilde;es. O trabalho ilustra como a sua presen&ccedil;a f&iacute;sica na vida de filhos e filhas, anteriores ao encarceramento, n&atilde;o se reproduzem necessariamente numa proximidade emocional. Em contrapartida, o afastamento f&iacute;sico, consequ&ecirc;ncia da reclus&atilde;o, conduziu, em muitos casos, a um maior envolvimento afectivo, bem evidente no caso das figuras paternais agora afastadas das press&otilde;es passadas nas suas vidas no exterior. Nas palavras das/os participantes encontramos lamentos face a &laquo;la&ccedil;os impedidos&raquo; pelas actuais figuras cuidadoras das crian&ccedil;as, mas tamb&eacute;m la&ccedil;os reconstru&iacute;dos e reconfigurados assentes agora, essencialmente, nas trocas emocionais.</p>     <p>O &uacute;ltimo artigo que integra esta sec&ccedil;&atilde;o tem&aacute;tica, realizado no Brasil (Rio Grande do Sul) com mulheres reclusas &eacute; da autoria de Mariana Barcinski, Carine Capra-Ramos, Jo&atilde;o Lu&iacute;s Almeida Weber e Tamires Dartora e tem como t&iacute;tulo <i>O Marianismo e a vitimiza&ccedil;&atilde;o de mulheres encarceradas: formas alternativas de exerc&iacute;cio do poder feminino</i>. Apropriando-se do conceito de marianismo o seu objectivo &eacute; compreender se o sacrif&iacute;cio e a abnega&ccedil;&atilde;o t&iacute;picas da posi&ccedil;&atilde;o feminina vitimizada poder&atilde;o contribuir para empoderar estas mulheres que foram encarceradas por cumplicidade com parceiros envolvidos no tr&aacute;fico de droga. O estudo, realizado com 20 mulheres, leva os autores e autoras a salientarem obst&aacute;culos no exerc&iacute;cio do seu protagonismo na esfera p&uacute;blica, sendo ainda no espa&ccedil;o privado que lhes resta alguma forma de poder, ainda que um poder constrangido. Salientando o papel da interseccionalidade, este trabalho chama a aten&ccedil;&atilde;o para outras formas mais amplas de opress&atilde;o para al&eacute;m do g&eacute;nero. O facto de estas participantes serem, na sua maioria, mulheres pobres, negras e com hist&oacute;rias de vida marcadas por priva&ccedil;&otilde;es estruturais marcantes contribui para reiterar posi&ccedil;&otilde;es de vitima&ccedil;&atilde;o, diluindo as fronteiras entre v&iacute;tima e transgressora.</p>     <p>Sendo a cr&iacute;tica ao conhecimento estabelecido um pilar das teorias feministas, os trabalhos que integram este n&uacute;mero tem&aacute;tico v&ecirc;m evidenciar como este &eacute; um terreno f&eacute;rtil para p&ocirc;r em causa falsas dicotomias (feminilidade-masculinidade, agressor/a-v&iacute;tima, normatividade-transgress&atilde;o) que perpassam a vida de  todos e todas para al&eacute;m da reclus&atilde;o. N&atilde;o s&oacute; pelos homens e mulheres que fogem aos comportamentos normativos e foram por eles penalizados, mas tamb&eacute;m por todos e todas aquelas que pensam que a investiga&ccedil;&atilde;o ainda pode ser uma maisvalia em direc&ccedil;&atilde;o a uma sociedade menos injusta, espero que este dossier tem&aacute;tico possa constituir uma motiva&ccedil;&atilde;o para um maior investimento nesta &aacute;rea de investiga&ccedil;&atilde;o e interven&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>Baratta, Alesandro (1987), &laquo;Principios del derecho penal m&iacute;nimo: para uma teor&iacute;a de los derechos humanos como objeto y limite de la ley penal&raquo;, <i>Doutrina Penal</i>, 10-40, pp. 623-650.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000025&pid=S0874-5560201300020000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Brownmiller, Susan (1975), <i>Against our will: Men, women and rape</i>, London, Penguin Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000027&pid=S0874-5560201300020000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Crenshaw, Kimberl&eacute; (1991), &laquo;Mapping the margins: Intersectionality, identity politics, and violence against women of color&raquo;, <i>Stanford Law Review</i>, 43, 6, pp. 1241-1299.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000029&pid=S0874-5560201300020000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Cunha, Manuela Ivone (2007), &laquo;A viol&ecirc;ncia e o tr&aacute;fico: para uma compara&ccedil;&atilde;o dos narcomercados &raquo;, in Ana Cla&uacute;dia Marques (org.), <i>Conflitos, pol&iacute;tica e rela&ccedil;&otilde;es pessoais</i>, Campinas, Pontes Editores, pp. 173-179.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000031&pid=S0874-5560201300020000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Chesney-Lind, Meda (2006), &laquo;Patriarchy, crime, and justice: Feminist criminology in an era of backlash&raquo;, <i>Feminist Criminology</i>, 1, 1, pp. 6-26.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000033&pid=S0874-5560201300020000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Direc&ccedil;&atilde;o Geral dos Servi&ccedil;os Prisionais – DGSP (2011), <i>Estat&iacute;sticas prisionais: 3&ordm; semestre de 2011</i>, Lisboa, Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000035&pid=S0874-5560201300020000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Dobash, Rebbeca E. e Dodash, Russell (1979), <i>Violence against wives</i>, New York, The Free Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000037&pid=S0874-5560201300020000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Flynn, Sandra, Abel, et al. (2011), &laquo;Mental illness, gender and homicide: a populationbased descriptive study&raquo;, <i>Psychiatry Research</i>, 185, pp. 368-375.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000039&pid=S0874-5560201300020000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Matos, Raquel e Machado, Carla (2007), &laquo;Trayectorias de vida de mujeres en la c&aacute;rcel: narrativas del crimen y de la reclusi&oacute;n&raquo;, in Francisca Fari&ntilde;a e Ramon Arce (org.), <i>Psicolog&iacute;a jur&iacute;dica: Violencia y v&iacute;ctimas</i>, Madrid, Colecci&oacute;n Psicolog&iacute;a y Ley, pp. 197-206.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000041&pid=S0874-5560201300020000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Miller, Susan L. (2005), <i>Victims as offenders: Women’s use of violence in relationships</i>, New Brunswick, Rutgers University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000043&pid=S0874-5560201300020000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Monteiro, Rosa (2012), &laquo;A descriminaliza&ccedil;&atilde;o do aborto em Portugal: Estado, movimentos de mulheres e partidos pol&iacute;ticos&raquo;, <i>An&aacute;lise Social</i>, 204, 47, pp. 586-605.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000045&pid=S0874-5560201300020000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Neves, Sofia, Machado, Carla e Martins, S&oacute;nia (2011), &laquo;Avalia&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica de v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia sexual&raquo;, in Marlene Matos, Rui A. Gon&ccedil;alves e Carla Machado (org.), <i>Manual de Psicologia Forense: Contextos, pr&aacute;ticas e desafios</i>, Braga, Psiquil&iacute;brios, pp. 203-222.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000047&pid=S0874-5560201300020000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Pinto, Pedro, Nogueira, Concei&ccedil;&atilde;o e Tavares, Manuela (2010), &laquo;Prostitutas e feministas: refazer abordagens, reconciliar caminhos&raquo;, in Manuel Carlos Silva (org.), <i>Mulheres da Vida. Mulheres com vida: Prostitui&ccedil;&atilde;o, Estado e Pol&iacute;ticas</i>, Porto, Editora H&uacute;mus, pp. 233-254.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000049&pid=S0874-5560201300020000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Silva, Susana (2007), &laquo;O direito e a sexualidade feminina e masculina. O caso do lenoc&iacute;nio &raquo;, <i>ex &aelig;quo</i>, 15, pp. 167-184.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000051&pid=S0874-5560201300020000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Smart, Carol (1976), <i>Women, crime and criminology: a feminist critique</i>, London, Routledge and Keagan Paul Lda.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000053&pid=S0874-5560201300020000200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Smart, Carol (1995), <i>Law, crime and sexuality: Essays in feminism</i>, London, Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000055&pid=S0874-5560201300020000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Stangle, Hether Leigh (2008), &laquo;Murderous Madonna: Femininity, violence, and the myth of postpartum mental disorder in cases of maternal infanticide and filicide&raquo;, <i>William & Mary Law Review</i>, 699, pp. 699-736.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000057&pid=S0874-5560201300020000200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Stubbs, Julie e Tolmie, Julia (2008), &laquo;Battered women charged with homicide: Advancing the interests of indigenous women&raquo;, <i>The Australian and New Zealand Journal of Criminology</i>, 41, 1, pp. 138-161.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000059&pid=S0874-5560201300020000200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Tavares, Manuela (s/d), <i>Prostitui&ccedil;&atilde;o: diferentes posicionamentos no movimento feminista</i>, [em linha] dispon&iacute;vel em <a href="http://www.umarfeminismos.org/images/stories/pdf/prostituicaomantavares.pdf" target="_blank">http://www.umarfeminismos.org/images/stories/pdf/prostituicaomantavares.pdf</a> [consultado em 02.09.2013].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000061&pid=S0874-5560201300020000200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Wacquant, Loic (2004), <i>As pris&otilde;es da mis&eacute;ria</i>, [em linha] dispon&iacute;vel em <a href="http://www.fesppr.br/~daiane/Artigos%20de%20Sociologia%20Jur%EDdica/_2__WACQUANT__Loic__Prisoes_da_Miseria__Redistribudo_por_BPI.pdf" target="_blank">http://www.fesppr.br/~daiane/Artigos%20de%20Sociologia%20Jur%EDdica/_2__WACQUANT__Loic__Prisoes_da_Miseria__Redistribudo_por_BPI.pdf</a> [consultado em 12.01.2012].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000063&pid=S0874-5560201300020000200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Weizmann-Henelius, Ghitta, Viemero, Vappu e Eronen, Markku. (2003), &laquo;The violent female perpetrator and her victim&raquo;, <i>Forensic Science International</i>, 133, pp. 197-203.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000065&pid=S0874-5560201300020000200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body><back>
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