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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Anecropolítica e as sombras na teoria feminista]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This text critically analyses some feminist discourses and their complicity with other forms of oppression. Therefore, the text will locate historically some of these theoretical models with the reflexive and critical concern of questioning their complicity with necropolitical, neoliberal and colonial projects. This critical and negative engagement with texts allows an understanding of other feminist models hyphenated with antirracist, anticolonial and antineoliberal perspectives, and acts as a way of rethinking some feminist epistemologies.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[Este texto pretende analizar críticamente algunos discursos feministas y su complicidad con otras formas de opresión. Por lo tanto, el texto sitúa históricamente estos modelos con una preocupación reflexiva y crítica para cuestionar la complicidad de algunas propuestas feministas con proyectos necropolíticos, neoliberales y coloniales. Esta dimensión crítica y negativa nos permite entender otros modelos feministas entrecruzados con las perspetivas antirracista, anticolonial y antineoliberal, como una manera de repensar algunas epistemologías feministas.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Anecropol&iacute;tica e as sombras na teoria feminista</b></p>     <p><b>Necropolitics and the shadows in feminist theory</b></p>     <p><b>Necropol&iacute;ticas y las sombras en la teor&iacute;a feminista</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Jo&atilde;o Manuel de Oliveira<a href="#*1"><sup>*1</sup></a><a name="top*1"></a></b></p>     <p>1 Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa, Portugal</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este texto visa analisar criticamente alguns discursos feministas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sua cumplicidade com outras formas de opress&atilde;o. Desta forma, o texto localiza historicamente esses modelos, com a preocupa&ccedil;&atilde;o reflexiva e cr&iacute;tica de questionar a cumplicidade de algumas propostas feministas com projetos necropol&iacute;ticos, neoliberais e coloniais. Essa dimens&atilde;o cr&iacute;tica e negativa permite entender outros modelos feministas hifenizados com perspetivas antirracistas, anticoloniais e que recusam o neo-liberalismo, como maneira de repensar algumas epistemologias feministas.</p>     <p><b>Palavras chave:</b> feminismos, necropol&iacute;tica, neo-liberalismo, p&oacute;s-colonialismo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This text critically analyses some feminist discourses and their complicity with other forms of oppression. Therefore, the text will locate historically some of these theoretical models with the reflexive and critical concern of questioning their complicity with necropolitical, neoliberal and colonial projects. This critical and negative engagement with texts allows an understanding of other feminist models hyphenated with antirracist, anticolonial and antineoliberal perspectives, and acts as a way of rethinking some feminist epistemologies.</p>     <p><b>Keywords:</b> feminisms, necropolitics, neo-liberalism, post-colonialism.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMEN</b></p>     <p>Este texto pretende analizar cr&iacute;ticamente algunos discursos feministas y su complicidad con otras formas de opresi&oacute;n. Por lo tanto, el texto sit&uacute;a hist&oacute;ricamente estos modelos con una preocupaci&oacute;n reflexiva y cr&iacute;tica para cuestionar la complicidad de algunas propuestas feministas con proyectos necropol&iacute;ticos, neoliberales y coloniales. Esta dimensi&oacute;n cr&iacute;tica y negativa nos permite entender otros modelos feministas entrecruzados con las perspetivas antirracista, anticolonial y antineoliberal, como una manera de repensar algunas epistemolog&iacute;as feministas.</p>     <p><b>Palabras-clave:</b> feminismos, necropol&iacute;tica, neoliberalismo, poscolonialismo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Feminismos das sombras</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os feminismos t&ecirc;m sido fundamentais para a cria&ccedil;&atilde;o de conhecimentos emancipat&oacute;rios, para a liberta&ccedil;&atilde;o de grupos sociais de opress&otilde;es e para a constru&ccedil;&atilde;o de sociedades mais democr&aacute;ticas e mais inclusivas. Contudo, nem toda a teoriza&ccedil;&atilde;o feminista participa da mesma maneira para este esfor&ccedil;o e, em muitos casos, h&aacute; a tend&ecirc;ncia para esquecer que os feminismos surgem em determinados contextos, sob determinadas configura&ccedil;&otilde;es e que s&atilde;o apropriados pela forma&ccedil;&atilde;o social capitalista de modo a atingir determinados intentos. Desta forma, os feminismos apresentam, a par de um esfor&ccedil;o de reivindica&ccedil;&atilde;o e de constru&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica que visa expandir direitos, formula&ccedil;&otilde;es que podem ser usadas num sentido diferente do esperado.</p>     <p>Este texto visa situar alguns desses usos, mantendo sob aten&ccedil;&atilde;o outras formula&ccedil;&otilde;es dos feminismos menos estudadas em Portugal, mas que podem ser &uacute;teis como um ant&iacute;doto a manipula&ccedil;&otilde;es e usos dos feminismos dentro de um determinado sistema capitalista, obedecendo a uma l&oacute;gica neo-liberal. Irei proceder, num primeiro momento, a uma enuncia&ccedil;&atilde;o dos feminismos enquanto espa&ccedil;o de negatividade e enquanto instrumental te&oacute;rico que servir&aacute; para a concretiza&ccedil;&atilde;o das restantes sec&ccedil;&otilde;es e desenvolvimento do argumento. Num segundo momento, irei deter-me numa hist&oacute;ria de algumas teorias feministas contadas a partir das coordenadas da lexicaliza&ccedil;&atilde;o (Spivak, 2005) e da hifeniza&ccedil;&atilde;o (Oliveira, 2010), como forma de entendimento diferente do projeto feminista at&eacute; aos anos 1980. Na sec&ccedil;&atilde;o seguinte, deter-me-ei numa enuncia&ccedil;&atilde;o das necropol&iacute;ticas e do papel que os feminismos, nomeadamente os de matriz liberal ou cultural, revelam de cumplicidade com o excecionalismo ocidental e a sua dimens&atilde;o b&eacute;lica. Este trabalho permite-me chegar &agrave;s formula&ccedil;&otilde;es que apresento na &uacute;ltima sec&ccedil;&atilde;o de feminismos (de sombra) que denunciam estas cumplicidades com projetos coloniais, racistas e de opress&atilde;o, evidenciando o modo como &eacute; poss&iacute;vel produzir teoriza&ccedil;&atilde;o feminista tendo em aten&ccedil;&atilde;o outras hifeniza&ccedil;&otilde;es que a mesma apresenta com outros projetos de liberta&ccedil;&atilde;o. Trata-se de entender os feminismos enquanto um espa&ccedil;o em permanente aten&ccedil;&atilde;o &agrave; situacionalidade e &agrave;s conting&ecirc;ncias de um sistema capitalista e imperialista que &eacute; global e que recorre a muitas maneiras de domesticar os movimentos sociais e as suas formula&ccedil;&otilde;es. N&atilde;o se leia neste texto uma cr&iacute;tica ao feminismo (ele n&atilde;o existe no singular), mas sim o produto de uma reflex&atilde;o negativa que permite escrutinar fragilidades, &aacute;reas de tens&atilde;o e de cumplicidade, que podem ser precisamente evitadas a partir deste tipo de trabalhos. Reafirmo, aqui, a import&acirc;ncia da teoria feminista como grelha de leitura e a sua pertin&ecirc;ncia como ferramenta pol&iacute;tica. Contudo, tal como qualquer grelha ou ferramenta, os seus usos est&atilde;o sujeitos a interpreta&ccedil;&otilde;es, apropria&ccedil;&otilde;es e usos que podem ser utilizados de maneiras inesperadas e contradit&oacute;rias.</p>     <p>Come&ccedil;arei pela caracteriza&ccedil;&atilde;o que Teresa de Lauretis (1987) oferece da teoria feminista. A sua proposta consiste em redirecionar a aten&ccedil;&atilde;o de um sujeito do feminismo para l&aacute; de um sujeito. Lauretis considera que o feminismo n&atilde;o &eacute; nem  pode ser uma teoria sobre a opress&atilde;o das mulheres. O feminismo condensa duas tens&otilde;es: a luta pela mudan&ccedil;a de uma representa&ccedil;&atilde;o do g&eacute;nero e subsequentemente das mulheres tal qual &eacute; prescrita pelos c&acirc;nones da constru&ccedil;&atilde;o de g&eacute;nero, com a necessidade de afirmar aquilo que &eacute; irrepresent&aacute;vel. Ou seja, o sujeito do feminismo n&atilde;o s&atilde;o nem a Mulher, nem as mulheres, mas antes um movimento entre uma representa&ccedil;&atilde;o de um sujeito que est&aacute; constru&iacute;do a partir de uma matriz mis&oacute;gina e uma reivindica&ccedil;&atilde;o para representar as falhas nesse sistema hegem&oacute;nico de representa&ccedil;&atilde;o, incluindo as mudan&ccedil;as que o pr&oacute;prio feminismo operou, no sentido de ampliar essa falha na representa&ccedil;&atilde;o hegem&oacute;nica. Da&iacute; Lauretis sugerir, como sujeito do feminismo, o movimento entre estas duas representa&ccedil;&otilde;es do g&eacute;nero, um movimento de contradi&ccedil;&atilde;o e ambival&ecirc;ncia entre a &laquo;negatividade cr&iacute;tica da teoria e a positividade afirmativa das suas pol&iacute;ticas&raquo;<a href="#1"><sup>1</sup></a><a name="top1"></a> (1987: 26). &Eacute; esta voca&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica e negativa da teoria feminista que encontramos cabalmente explicitada em J. Jack Halberstam (2011), que a aplica igualmente &agrave; teoria queer e &agrave; teoria feminista. Para Halberstam, em toda uma pr&aacute;tica e teoria assentes no sucesso pol&iacute;tico, nos resultados, nas conquistas, parecem haver fantasmas a que chama feminismos da sombra [<i>shadow feminisms</i>] que continuam a assombrar a teoria feminista. Uma esp&eacute;cie de assombra&ccedil;&otilde;es concetuais que pretendem trazer uma certa negatividade, um tra&ccedil;o de mem&oacute;ria que insiste em questionar criticamente os avan&ccedil;os, nomeadamente os cantos de vit&oacute;ria do feminismo liberal ocidental, em que bastam algumas mulheres no poder para mostrar que afinal a ordem capitalista liberal at&eacute; pode vir a ser igualit&aacute;ria.</p>     <p>Nancy Fraser (2013) denunciou igualmente estas alian&ccedil;as inesperadas entre o feminismo e a ordem neoliberal. Este trabalho evidencia que muitas das reivindica&ccedil;&otilde;es feministas entraram garantidamente nos discursos sociais como seja a luta contra a viol&ecirc;ncia de g&eacute;nero, sal&aacute;rio igual para trabalho igual, tr&aacute;fico de mulheres, entre outros. Apesar dessa mudan&ccedil;a cultural, estes fen&oacute;menos n&atilde;o se reduziram. Fraser (2013) demonstra igualmente como aquilo que caracteriza como o discurso feminista de 2&ordf; vaga foi apropriado pelo neoliberalismo e at&eacute; lhe deu oportunidades de ideologizar algum discurso feminista. A tend&ecirc;ncia da autora em desvalorizar a dimens&atilde;o das mudan&ccedil;as culturais pelo foco no dimens&atilde;o econ&oacute;mica e a homogeneiza&ccedil;&atilde;o daquilo a que chama o feminismo de 2&ordf; vaga, sem atender &agrave; imensa diversidade interna do movimento, levam-na contudo a um discurso generalista, que n&atilde;o permite especificar que aspetos ou configura&ccedil;&otilde;es feministas &eacute; que contribu&iacute;ram para a ressignifica&ccedil;&atilde;o que o projeto neoliberal operou sobre as reivindica&ccedil;&otilde;es feministas. Correndo o risco da fragmenta&ccedil;&atilde;o, esta abordagem de Fraser a tra&ccedil;os largos do &laquo;feminismo&raquo; singular necessita de ser matizada com as coordenadas culturais e da diversidade interna do movimento. Como mostra Lynne Segal (2013), uma das contradi&ccedil;&otilde;es do feminismo foi o de permitir a entrada de mais mulheres nas elites, enquanto mantinha aquelas marcadas pela classe social mais baixa e pela ‘ra&ccedil;a’ com os mesmos problemas que sempre tiveram. A meu ver, o que observamos &eacute; o triunfo do feminismo liberal sobre outras formas de feminismos, como sejam o feminismo negro e o feminismo socialista, sendo que esta corrente liberal do feminismo se coaduna de forma muito mais evidente com o regime capitalista neoliberal. &Eacute; preciso ent&atilde;o n&atilde;o s&oacute; olhar para os sucessos, mas sobretudo para as contradi&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Essa marca de desconfian&ccedil;a nos sucessos ecoa at&eacute; aos tempos da teoria cr&iacute;tica e das conce&ccedil;&otilde;es de Walter Benjamin (2010) de como a hist&oacute;ria s&oacute; nos d&aacute; o sentido de quem saiu vitorioso. Ora, &eacute; precisamente no espa&ccedil;o do que falha que o livro de Halberstam nos situa. Essa marca cr&iacute;tica orientar&aacute; este texto, que tenta evidenciar as vantagens de uma teoriza&ccedil;&atilde;o negativa e contestat&aacute;ria de algumas das promessas dos feminismos, entendendo-os como espa&ccedil;os de cruzamento e interse&ccedil;&atilde;o de m&uacute;ltiplas matrizes, logo espa&ccedil;os hifenizados (Oliveira, 2010).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Hist&oacute;rias e teorias feministas</b></p>     <p>As teorias feministas remontam ao s&eacute;culo XVIII, profundamente implicadas nos movimentos progressistas da &eacute;poca e de a&iacute; em diante. O movimento questionou a fundo as ra&iacute;zes sexistas dos sistemas pol&iacute;ticos modernos e denunciou a desigualdade entre homens e mulheres. Basta para tal lembrar Olympe de Gouges e Mary Wollstonecraft e a sua incessante necessidade de estabelecer compara&ccedil;&otilde;es com esse &uacute;nico humano que a Modernidade conhecia, o homem, como bem mostra o trabalho de Isabel do Carmo e L&iacute;gia Am&acirc;ncio (2004). Joan Scott (1996), quando se dedica ao estudo do discurso feminista franc&ecirc;s p&oacute;s-Revolu&ccedil;&atilde;o, explicita a quest&atilde;o do paradoxo dos universalismos da Rep&uacute;blica francesa: uma coexist&ecirc;ncia entre a universalidade dos direitos e a universalidade de uma diferen&ccedil;a sexual. Este paradoxo da modernidade francesa &eacute; ali&aacute;s reflexo de um <i>zeitgeist</i> obcecado com a ideia de diferen&ccedil;a sexual, consubstanciada nos modelos de corpo humano, na medicina e na ci&ecirc;ncia, como mostra Thomas Laqueur (1990).</p>     <p>Esta diferen&ccedil;a foi usada para muitos fins nesse per&iacute;odo, e por vezes ainda tem resson&acirc;ncias politicamente perigosas, nomeadamente para restringir direitos. Repare-se que se trata de uma diferen&ccedil;a sexual pensada dentro dos limites pesados impostos pela ordem de g&eacute;nero, n&atilde;o a diferen&ccedil;a sexual no sentido que lhe ir&atilde;o dar as feministas p&oacute;s-estruturalistas francesas, da diferen&ccedil;a sexual pensada enquanto multiplicidade, como faz Luce Irigaray (1985). Trata-se, pelo contr&aacute;rio, da subjuga&ccedil;&atilde;o de uma representa&ccedil;&atilde;o do feminino, pensado a partir do prol&iacute;fero pensamento mis&oacute;gino, que estrutura todo o sistema de g&eacute;nero.</p>     <p>Os feminismos v&atilde;o nascer com a marca de uma fragilidade concetual que s&oacute; mais tarde vai ser pensada e respondida, pelas m&atilde;os de Joan Scott: &laquo;O feminismo foi um protesto contra a exclus&atilde;o pol&iacute;tica das mulheres, mas teve que fazer as suas reivindica&ccedil;&otilde;es em nome das &laquo;mulheres&raquo; (que foram discursivamente produzidas atrav&eacute;s da diferen&ccedil;a sexual)&raquo; (1996: 3). &Eacute; poss&iacute;vel entender estes feminismos antes da 2&ordf; Guerra Mundial<a href="#2"><sup>2</sup></a><a name="top2"></a> como uma produ&ccedil;&atilde;o de pensamento sobre as mulheres e a necessidade da sua inclus&atilde;o na esfera p&uacute;blica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Contudo o marcador ou sujeito que estava a ser usado, mulheres ou mulher, traduz antes de mais o pensamento da diferen&ccedil;a sexual, no &acirc;mbito da representa&ccedil;&atilde;o hegem&oacute;nica da diferen&ccedil;a sexual. O p&oacute;s-guerra determinar&aacute; outras preocupa&ccedil;&otilde;es e outras abrang&ecirc;ncias, n&atilde;o inclu&iacute;das neste esfor&ccedil;o de lexicaliza&ccedil;&atilde;o (para usar um termo a que Gayatri Spivak (2005) recorre noutro contexto), na tentativa de separar um item lingu&iacute;stico (mulher) do seu sistema gramatical (diferen&ccedil;a sexual) para o inscrever nas conven&ccedil;&otilde;es de outra gram&aacute;tica (os direitos e a rela&ccedil;&atilde;o com o Estado). Este primeiro momento feminista procede a uma lexicaliza&ccedil;&atilde;o das mulheres, um esfor&ccedil;o de as retirar de um contexto espec&iacute;fico – o discurso da diferen&ccedil;a sexual que as mantinha na esfera do privado e da reprodu&ccedil;&atilde;o (Joaquim, 1997). Sorrimos ao pensar no que dizia Olympe de Gouges: &laquo;Oi&ccedil;a a li&ccedil;&atilde;o que lhe dou: homens da sua esp&eacute;cie h&aacute; muitos, mas s&atilde;o precisos s&eacute;culos para fazer mulheres da minha t&ecirc;mpera&raquo; (citada in Carmo e Am&acirc;ncio, 2004: 91). Lexicalizadas, podem come&ccedil;ar uma inscri&ccedil;&atilde;o demorada na esfera p&uacute;blica.</p>     <p>Os feminismos contempor&acirc;neos ocidentais (e a marca da sua ocidentalidade &eacute; fulcral para os entendermos) come&ccedil;am, no entanto, a produzir teoria com a publica&ccedil;&atilde;o de <i>O Segundo Sexo</i> em 1949. Gostaria pois de me focar nesse momento em que Simone de Beauvoir (1975) enuncia o projeto de um &laquo;novo&raquo; feminismo: a den&uacute;ncia do androcentrismo, essa sin&eacute;doque que toma o masculino pelo todo, confundindo o geral humano com o espec&iacute;fico masculino, sem nunca ver as Outras, que at&eacute; ent&atilde;o n&atilde;o tinham sido pensadas como humanas, sempre como particulares (sobre-)sexuadas.</p>     <p>O que Beauvoir inicia &eacute; um pensamento sobre um humano incompleto sem essa outra parte. Este pensamento responde a uma importante necessidade de cortar com a ideologia da diferen&ccedil;a sexual enquanto imposi&ccedil;&atilde;o de um pensamento hegem&oacute;nico: eliminar a inexorabilidade da ideia da biologia como destino para as mulheres. De certa forma e apesar de Beauvoir usar a terminologia das rela&ccedil;&otilde;es sociais de sexo, &eacute; poss&iacute;vel afirmar que se inscreve numa tradi&ccedil;&atilde;o a que hoje chamamos Estudos de G&eacute;nero (Oliveira, 2012). Essa opera&ccedil;&atilde;o, a que Beauvoir procede, permite por um lado fazer uma separa&ccedil;&atilde;o com a subjuga&ccedil;&atilde;o das mulheres a um destino social retoricamente mascarado de biol&oacute;gico e, por outro lado, consagrar as rela&ccedil;&otilde;es sociais como o dom&iacute;nio onde esta representa&ccedil;&atilde;o (mulheres) &eacute; constitu&iacute;da. Trata-se de descolonizar o pensamento sobre &laquo;mulheres&raquo; – essa representa&ccedil;&atilde;o hegem&oacute;nica – desse peso de uma diferen&ccedil;a sexual que, no caso das &laquo;mulheres&raquo;, se traduz por um investimento simb&oacute;lico na biologiza&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Ora, h&aacute; tamb&eacute;m no pensamento de Simone de Beauvoir um outro pressuposto fulcral, a ideia de que a mulher &eacute; um devir, um processo em permanente constru&ccedil;&atilde;o. Como mostra Judith Butler (1986), esta proposta &eacute; a base para a constru&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica do g&eacute;nero dentro do feminismo, que resulta num primeiro colapso do poder explicativo do sexo biol&oacute;gico, que n&atilde;o &eacute;, &agrave; partida, determinante.</p>     <p>Uma outra leitura poss&iacute;vel do pensamento beauvoiriano consiste em reler a premissa de que se trata de um pensamento que visa alargar os horizontes de possibilidade de pensamento sobre &laquo;mulheres&raquo;. Antes, podemos olhar para o modo como tamb&eacute;m alarga os limites estritos da compreens&atilde;o do humano, permitindo uma maior abertura deste conceito, que nunca &eacute; um dado, mas antes uma categoria de inclus&atilde;o ou de exclus&atilde;o. Ao estabelecer e lan&ccedil;ar a sua cr&iacute;tica ao androcentrismo, sin&eacute;doque de um humano confundido com o masculino, Beauvoir (1975) est&aacute; a criticar um humano estrito e, ao mesmo tempo, a reclamar uma abertura do horizonte de possibilidade do humano enquanto categoria. &Eacute; fundamental n&atilde;o confundir tal proposta com o humanismo que trata o humano como um dado, algo fixo. A proposta de Beauvoir &eacute; bastante mais radical do que essa, implica ver no humano uma categoria e n&atilde;o uma funda&ccedil;&atilde;o, pois n&atilde;o fosse a instabilidade do seu significado, n&atilde;o teria sentido estabelecer esta cr&iacute;tica &agrave; equa&ccedil;&atilde;o humano-homem. A alteridade, com que Beauvoir (1975) descreve a posi&ccedil;&atilde;o das &laquo;mulheres&raquo;, &eacute; pois espa&ccedil;o de representa&ccedil;&atilde;o hegem&oacute;nica, mas que pode no entanto servir para come&ccedil;ar a discutir o campo de fuga desta representa&ccedil;&atilde;o, aquilo que o discurso hegem&oacute;nico n&atilde;o representa.</p>     <p>S&atilde;o precisamente estas linhas que ir&atilde;o ser aprofundadas na apari&ccedil;&atilde;o dos feminismos dos anos 1970 no Ocidente. Esta estrid&ecirc;ncia tem sobretudo a ver com uma nova era do ponto de vista pol&iacute;tico e social. Descrita por Boaventura de Sousa Santos (2005) como uma crise do contrato social e, simultaneamente, uma crise da democracia, com as crescentes demandas dos movimentos sociais por maior inclus&atilde;o e mais direitos, este per&iacute;odo &eacute; marcado pela simultaneidade das reivindica&ccedil;&otilde;es dos movimentos estudantis, feministas, antirracistas, LGBT, ecologistas, entre outros. O pensamento feminista, profundamente marcado tamb&eacute;m pelo seu envolvimento em v&aacute;rias causas da esquerda global, vai sair fortemente imbricado noutras quest&otilde;es que extravasam em muito o &acirc;mbito original dos primeiros feminismos.</p>     <p>Mal eclodem nos anos 1960 e 1970, os grupos feministas come&ccedil;am de imediato a confrontar-se com os m&uacute;ltiplos interesses das suas m&uacute;ltiplas perten&ccedil;as (Segal, 2013). Um feminismo que &laquo;n&atilde;o &eacute; um sonho de uma linguagem comum, mas de uma poderosa e infiel heteroglossia&raquo; (Haraway, 2003: 250). Dessa heteroglossia, ficaram as designa&ccedil;&otilde;es de correntes dos feminismos: feminismo socialista, feminismo l&eacute;sbico, feminismo negro, feminismo chicano, feminismo do 3&ordm; mundo, um <i>pot-pourri</i> de designa&ccedil;&otilde;es que estilha&ccedil;am uma suposta unidade inicial que nunca existiu. Tal espartilhar de designa&ccedil;&otilde;es afasta-nos no entanto do processo. A hifeniza&ccedil;&atilde;o (Oliveira, 2010), uma possibilidade de hibridizar conhecimentos provenientes de v&aacute;rias tradi&ccedil;&otilde;es, &eacute; uma marca do pensamento feminista ocidental dos anos 1970. V&aacute;rios coletivos produziram textos, <i>zines</i>, panfletos que foram fundamentais para reconhecer esta hibridiza&ccedil;&atilde;o, como o manifesto feminista negro do <i>Combahee River Collective</i> (2003) ou o manifesto das <i>Radicalesbians</i> (1970).  Estes trabalhos foram vitais para o desenvolvimento posterior de discursos te&oacute;ricos que tratavam essas dimens&otilde;es de hifeniza&ccedil;&atilde;o, tratando conjuntamente o racismo e o sexismo ou o sexismo e o heterosexismo. Tais esfor&ccedil;os que come&ccedil;am a partir dos movimentos sociais v&atilde;o rapidamente chegar &agrave; academia na d&eacute;cada de 1980 e 1990.</p>     <p>Contudo, &eacute; precisamente neste per&iacute;odo, auge dos feminismos radicais, que uma corrente feminista ligada ao feminismo cultural (Nogueira, 2001) come&ccedil;a o seu trabalho. Inspirados em modelos que assentam a cultura feminista precisamente nessa representa&ccedil;&atilde;o hegem&oacute;nica da mulher, come&ccedil;am a produzir-se trabalhos que refor&ccedil;am o essencialismo da categoria mulher, de que s&atilde;o exemplo autoras como Mary Daly (1978) e as suas teorias da proximidade das mulheres com a natureza, ou Catherine MacKinnon (1993) e Andrea Dworkin (1987) e as suas teses sobre a criminaliza&ccedil;&atilde;o da pornografia, assentes numa &oacute;tica de perp&eacute;tua vitimiza&ccedil;&atilde;o da mulher, quase entendida de forma caricatural, como se lhe fosse apenas poss&iacute;vel ocupar uma posi&ccedil;&atilde;o de &laquo;v&iacute;tima&raquo; sem mais nenhuma nuance ou possibilidade de representa&ccedil;&atilde;o. O essencialismo das propostas radica noutra tentativa de simplificar ou de reduzir as possibilidades de pensar fora deste espartilho de representa&ccedil;&atilde;o hegem&oacute;nica. Na sec&ccedil;&atilde;o seguinte, mostrarei como estas formas de feminismos s&atilde;o c&uacute;mplices com outras dimens&otilde;es de opress&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Feminismos e necropol&iacute;tica</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Regresso a 2001, aos tempos da invas&atilde;o do Afeganist&atilde;o pelas tropas da coliga&ccedil;&atilde;o liderada pelos Estados Unidos. Lila Abu-Lughod (2002) contestou o uso das categorias feministas (como a ideia de direitos das mulheres) para legitimar uma invas&atilde;o, oficialmente justificada como uma importante contribui&ccedil;&atilde;o para a liberta&ccedil;&atilde;o e igualdade das mulheres. O mesmo pode ser observado em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; descontextualiza&ccedil;&atilde;o cultural do v&eacute;u. Este passa a ser, no Ocidente, s&iacute;mbolo de opress&atilde;o (um horror do qual &eacute; urgente libertar as mulheres), quando esse v&eacute;u, no contexto cultural afeg&atilde;o, apresenta outras e mais variadas formas de leitura. Abu- -Lughod (2002) evidencia a forma como certos feminismos do Ocidente s&atilde;o usados para impor um modelo &uacute;nico para pensar a &laquo;liberta&ccedil;&atilde;o&raquo; das mulheres, sendo importados para contextos onde s&atilde;o completamente deslocalizados e onde se apresentam como uma forma de miss&atilde;o civilizadora do Ocidente. Diz-nos Deepika Bahri: &laquo;A opress&atilde;o &eacute; assim vista como uma reserva do &laquo;Terceiro Mundo&raquo;, e as &laquo;mulheres do Terceiro Mundo&raquo; reduzem-se a objetos de consumo para um mundo desenvolvido que pode reafirmar impl&iacute;cita e complacentemente a sua superioridade em rela&ccedil;&atilde;o ao restante como ‘padr&atilde;o ou refer&ecirc;ncia&raquo; (2013: 674).</p>     <p>A ideia de um feminismo que pode ser usado para fins b&eacute;licos e coloniais, feminismo colonial portanto, mostra como a transposi&ccedil;&atilde;o simples de conceitos de um contexto para outro pode servir para alimentar outros interesses e prop&oacute;sitos, como o da guerra da Administra&ccedil;&atilde;o Bush contra o ‘terrorismo’. Conforme se pode  constatar, para al&eacute;m da excecionalidade ocidental, em particular estado unidense, h&aacute; uma excecionalidade de g&eacute;nero tamb&eacute;m ela ocidental (Puar, 2007). Em compara&ccedil;&atilde;o com esta excecionalidade, h&aacute; um Oriente sexualmente reprimido, com mulheres oprimidas a precisarem de um Ocidente que as salve e as transforme em mulheres libertadas… mesmo que essa liberta&ccedil;&atilde;o seja a custo de invas&otilde;es, danos, mortes, pessoas feridas. N&atilde;o ser&aacute; isto uma forma de necropol&iacute;tica em nome (de uma determinada vers&atilde;o) do feminismo? Uma vers&atilde;o b&eacute;lica e colonial do feminismo liberal, ancorado no excecionalismo ocidental e mission&aacute;rio, que pretende salvar as mulheres de todo o mundo do seu contexto &laquo;opressor&raquo;, sem ter em conta que o &laquo;salvamento&raquo; &eacute; ainda pior do que o &laquo;estado&raquo; em que se encontram. E no entanto, quantas n&atilde;o morreram em nome da sua &laquo;liberta&ccedil;&atilde;o&raquo;?</p>     <p>Achille Mbembe (2002) cunha o termo necropol&iacute;tica, uma vers&atilde;o da biopol&iacute;tica foucaultiana, o reverso da medalha: a necropol&iacute;tica &eacute; uma forma de soberania assente na &laquo;instrumentaliza&ccedil;&atilde;o generalizada da exist&ecirc;ncia humana e na destrui&ccedil;&atilde;o material de corpos humanos e popula&ccedil;&otilde;es.&raquo; (Mbembe, 2003: 14). O necropoder est&aacute; profundamente implicado no poder de gest&atilde;o das vidas das popula&ccedil;&otilde;es e &eacute; parte integrante do mesmo, como alertava Michel Foucault (2006). &Eacute; Jasbir Puar (2007) que, ao reler Mbembe (2003), prop&otilde;e a ideia de necropol&iacute;ticas <i>queer</i> para pensar as implica&ccedil;&otilde;es destas pol&iacute;ticas fora da heteronormatividade. O exemplo da pandemia do HIV &eacute; uma poss&iacute;vel forma de ilustra&ccedil;&atilde;o, com vidas e pessoas <i>queer</i> (e outras) a serem destru&iacute;das e a demora dos governos e da ci&ecirc;ncia em contribuir para tentar acabar com a mortandade que se espalhou de forma impressionante.</p>     <p>Ao contr&aacute;rio de Foucault (2006), que desvaloriza esta dimens&atilde;o da morte porque a encara como estando progressivamente privatizada e escondida, Puar (2007) afirma a necessidade de lidar simultaneamente com a biopol&iacute;tica e a necropol&iacute;tica, entendendo-as como duas opera&ccedil;&otilde;es concomitantes. Para al&eacute;m dessa dimens&atilde;o, Puar (2007) pensa esta tens&atilde;o a partir de pessoas <i>queer</i> que s&atilde;o racializadas: &eacute; igualmente poss&iacute;vel entender que enquanto para alguns/algumas se reserva o casamento e a fam&iacute;lia, outras pessoas s&atilde;o aguardadas num campo de refugiados/as, e enviadas para os seus pa&iacute;ses de origem quando pedem asilo pol&iacute;tico por conta da sua sexualidade onde podem acabar inclusivamente nas garras desse necropoder, ou seja, mortas.</p>     <p>Pensamos em Gisberta Salce Junior, mulher trans assassinada no Porto em 2007 e entendemos como a nossa exclus&atilde;o lhe reservou o efeito do necropoder: a morte. Sem-abrigo, portadora de HIV, brasileira, trans, trabalhadora sexual, emigrante – um emaranhado de matrizes de opress&atilde;o que a tornaram vulner&aacute;vel a tal ponto que um grupo de jovens (na sua maioria institucionalizados numa institui&ccedil;&atilde;o ligada &agrave; Igreja Cat&oacute;lica) a torturou, violentando-a e penetrando-a com um pau, at&eacute; que foi atirada para dentro de um po&ccedil;o, onde acaba por morrer afogada. Alguns jornais &laquo;matam-na&raquo; outra vez, tratando-a como &laquo;um&raquo; transexual. O masculino usado <i>post-mortem</i> &eacute; outra forma de erradic&aacute;-la como pessoa da esfera p&uacute;blica. &Eacute; importante entender que n&atilde;o estamos a dizer que s&atilde;o estes jovens que  exercem o necropoder. Antes, trata-se de reconhecer como o pr&oacute;prio Estado cria as condi&ccedil;&otilde;es para esta necropol&iacute;tica com a coniv&ecirc;ncia de toda uma sociedade e dos movimentos sociais que permitem que isto aconte&ccedil;a: institucionaliza&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as, tratamento xen&oacute;fobo dispensado a emigrantes, negar condi&ccedil;&otilde;es para vidas vi&aacute;veis, a transfobia p&uacute;blica que existe em Portugal, o racismo, as normas de g&eacute;nero. Ao n&atilde;o intervir sobre estas dimens&otilde;es, o Estado est&aacute; a exercer as suas necropol&iacute;ticas, dividindo-nos entre quem pode e tem condi&ccedil;&otilde;es para viver e quem &laquo;merece&raquo; morrer. E n&atilde;o &eacute; este um assunto feminista?</p>     <p>Deixo um exemplo esclarecedor. O posicionamento de Janice Raymond (2006)<a href="#3"><sup>3</sup></a><a name="top3"></a> sobre a presen&ccedil;a de mulheres trans no movimento feminista que as trata como usurpadores e invasores (no masculino, apesar de estarmos a falar de mulheres trans) de um espa&ccedil;o que deveria permanecer no feminino, ou seja, exclusivo a mulheres biol&oacute;gicas. A base para tal diatribe transf&oacute;bica consiste na manipula&ccedil;&atilde;o da autenticidade do sexo como tropos para lan&ccedil;ar ataques sobre mulheres trans feministas, como nos mostra este excerto: &laquo;A viola&ccedil;&atilde;o [rape], seguramente, &eacute; uma viola&ccedil;&atilde;o [violation] masculinista da integridade corporal. Todos os transexuais violam o corpo das mulheres pela redu&ccedil;&atilde;o da forma real feminina a um artefacto. Contudo, uma l&eacute;sbica-feminista constru&iacute;da transexualmente viola a sexualidade e o esp&iacute;rito das mulheres. A viola&ccedil;&atilde;o [rape], embora seja muitas vezes conseguida &agrave; for&ccedil;a, tamb&eacute;m pode ser conseguida atrav&eacute;s do engano&raquo;. (Raymond, 2006: 134).</p>     <p>Esta obra mostra um dos maiores perigos do feminismo radical cultural: a total exclus&atilde;o de qualquer humano que n&atilde;o seja bio-mulher (para usar uma express&atilde;o de Preciado, 2008), recorrendo, para tal, ao sexo como marcador privilegiado da feminilidade. Este centramento na categoria biol&oacute;gica ir&aacute; originar uma s&eacute;rie de respostas ao longo dos anos 1980 e 1990, que visam a recusa deste fundacionalismo. Este esfor&ccedil;o te&oacute;rico pode ser visto como um modo de retomar a proposta de Simone de Beauvoir de ver no g&eacute;nero um <i>devir</i>. Contudo, este exemplo &eacute; not&oacute;rio na recusa de solidariedade e de identifica&ccedil;&atilde;o com os problemas colocados a pessoas que n&atilde;o s&atilde;o intelig&iacute;veis &agrave; luz do dimorfismo de g&eacute;nero, apesar de autoidentificadas como mulheres. Estas correntes feministas culturais apresentam-se como garantes da manuten&ccedil;&atilde;o do discurso biologista, valorizando uma feminilidade essencial. Tratar a transexualidade como uma amea&ccedil;a ao feminismo, permitida pela continuidade de um discurso essencialista e un&iacute;voco sobre o feminino, corresponde a relegar as pessoas trans para fora da al&ccedil;ada da interven&ccedil;&atilde;o e reivindica&ccedil;&atilde;o feminista. Isto n&atilde;o s&oacute; reduz a amplitude do discurso feminista, mas tamb&eacute;m relega as pessoas trans para o espa&ccedil;o das reivindica&ccedil;&otilde;es sexuais, quando se trata de discrimina&ccedil;&otilde;es assentes no cumprimento da normas de g&eacute;nero e n&atilde;o necessariamente do &acirc;mbito da sexualidade num sentido estrito.</p>     <p>A preocupa&ccedil;&atilde;o com a necropol&iacute;tica n&atilde;o &eacute;, no entanto, nova e encontra ramifica&ccedil;&otilde;es anteriores na teoria feminista. Pensemos em Judith Butler (1992) e no seu trabalho constante sobre as quest&otilde;es do luto. A&iacute; encontramos este tra&ccedil;o necropol&iacute;tico j&aacute; presente, sob outras palavras, quando mostra que as mesmas tecnologias que permitem preservar a vida s&atilde;o usadas para separar quem pode morrer e quem pode ficar vivo, na soberania bio e necropol&iacute;tica sobre os nossos corpos. Encontramos esse tra&ccedil;o igualmente na sua aten&ccedil;&atilde;o a quem pode ser objeto de choro, a quem se presta luto p&uacute;blico e a quem n&atilde;o o merece, interroga&ccedil;&atilde;o que vai nortear a sua produ&ccedil;&atilde;o filos&oacute;fica e que lhe permite mostrar os limites do reconhecimento do humano. Ao evidenciar esses limites, esta interroga&ccedil;&atilde;o faz uma importante contribui&ccedil;&atilde;o pois demonstra que o humano prefigurado nos direitos humanos &eacute;, na verdade, ainda inaplic&aacute;vel a tantas pessoas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Outros feminismos</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este trabalho de repensar os feminismos por via da negatividade deve bastante &agrave; obra de Gayatri Spivak. Irei reportar-me ao seu trabalho como forma de concluir esta reflex&atilde;o. Spivak (1993) apresenta o caso do <i>sati</i> (imola&ccedil;&atilde;o ritual de vi&uacute;vas na pira funer&aacute;ria do marido) na &Iacute;ndia colonial, mostrando como a lei colonial inglesa de proibi&ccedil;&atilde;o do <i>sati</i> tentou eliminar aquela pr&aacute;tica. Em nome da civiliza&ccedil;&atilde;o, a lei foi promulgada de maneira colonial para acabar com a &laquo;barb&aacute;rie&raquo;. Alguns nativistas, no entanto, apresentavam os argumentos de que as mulheres queriam mesmo morrer. A subalterna nunca chega a falar. Dela pouco se sabe, entre a barb&aacute;rie que ela significa para o colonizador e o sil&ecirc;ncio que simboliza para o colonizado. Num texto fulcral para pensar o feminismo e epistemologia, Spivak (1993) apresenta-nos este caso como uma forma negativa de ler as propostas feministas. Sem defender o <i>sati</i>, Spivak mostra que uma lei colonial (uma boa lei) que impede o <i>sati</i> sem no entanto mudar o processo de forma&ccedil;&atilde;o dos sujeitos, &eacute; igualmente uma marca do papel do colonialismo e da sua inten&ccedil;&atilde;o de levar colonizados/as para o caminho da civiliza&ccedil;&atilde;o e da boa sociedade. A semiose que usa para questionar este texto, &laquo;homens brancos a salvar mulheres pardas de homens pardos&raquo;<a href="#4"><sup>4</sup></a><a name="top4"></a> (1993: 94), &eacute; habitualmente entendida como uma cr&iacute;tica ou como uma solu&ccedil;&atilde;o. No entanto, a frase &eacute; um questionamento do papel amb&iacute;guo que a coloniza&ccedil;&atilde;o pode exercer, quando pretende impor determinados modos de ser mulher, consent&acirc;neos com o Ocidente.</p>     <p>Igualmente as propostas de Spivak (1993, 2005) mostram–nos um caminho diferente para pensarmos os feminismos. A marca de um pensamento que tenta analisar a subalternidade da mulher colonizada implica tamb&eacute;m uma pr&aacute;xis e uma &eacute;tica pol&iacute;tica. As subalternas s&atilde;o aquelas que n&atilde;o acedem &agrave; mobilidade  social, nem &agrave; possibilidade de representa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Contudo, como diz a autora, a subalternidade tem em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; classe social uma rela&ccedil;&atilde;o homol&oacute;gica. Na defini&ccedil;&atilde;o marxista, a classe n&atilde;o &eacute; definida como uma identidade, mas antes como uma marca de diferen&ccedil;a. Ou seja, a subalternidade, como defende Spivak (1993), n&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o de consci&ecirc;ncia de classe; trata-se antes de uma estrutura&ccedil;&atilde;o diferencial pela total diferen&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s outras classes. Quando abordamos a subalternidade colonial, falamos de pessoas que est&atilde;o h&aacute; mil&eacute;nios exclu&iacute;das das linhas de acesso &agrave; mobilidade social e &agrave; pr&oacute;pria possibilidade de representa&ccedil;&atilde;o: s&atilde;o sempre representadas, no sentido de substitu&iacute;das. Quando o g&eacute;nero &eacute; tomado em considera&ccedil;&atilde;o, entramos ainda mais numa l&oacute;gica de absoluta subalternidade. Deste modo, as subalternas, ainda mais nas sombras do que os subalternos, ficam de fora de qualquer possibilidade de representa&ccedil;&atilde;o, marcadas pela heteronormatividade reprodutiva (Spivak, 2011). Esta dupla marca – subalternidade e g&eacute;nero – vai etiquet&aacute;-las de forma inexor&aacute;vel e faz com que determinadas situa&ccedil;&otilde;es que implicam por vezes a autodestrui&ccedil;&atilde;o, seja pela via do <i>sati</i> ou por outras formas de suic&iacute;dio, possam ser lidas de outros modos que n&atilde;o apenas as formas cl&aacute;ssicas dos feminismos ocidentais, ou seja, opress&atilde;o da mulher/barb&aacute;rie da sociedade.</p>     <p>Spivak (1993) d&aacute;-nos um espelho dos feminismos salv&iacute;ficos e mission&aacute;rios que pretendem espalhar a boa nova da liberta&ccedil;&atilde;o das mulheres por todo o mundo sem ter em conta o contexto e o privil&eacute;gio de quem pode falar, sem pretender sequer falar para estes sujeitos, destinadas a serem salvas para grande descarga de consci&ecirc;ncia de algum feminismo liberal ocidental (nem que para isso uma guerra tenha matado muitas das que se destinava a libertar. Entendamos, pois, a nossa posicionalidade e a deste Ocidente, bem como a de um feminismo que precisa, antes de salvar, de entender a sua cumplicidade com uma s&eacute;rie de outros sistemas pol&iacute;ticos.</p>     <p>Como mostra Shadh Wadi (2010) num ensaio sobre as mulheres palestinianas e as suas estrat&eacute;gias de resist&ecirc;ncia, elas est&atilde;o entre um sistema que as coloniza e um contexto de uma sociedade marcadamente sexista, mas isso n&atilde;o significa que possam ser lidas apenas como v&iacute;timas. A an&aacute;lise de Wadi (2010) evidencia que, pelo contr&aacute;rio, os seus corpos s&atilde;o resist&ecirc;ncias e arma nesta ocupa&ccedil;&atilde;o. Mesmo os v&eacute;us s&atilde;o vistos como algo que facilita os seus movimentos e as suas reuni&otilde;es – pris&otilde;es libertadoras, como lhe chama a autora. Ora &eacute; precisamente este tipo de an&aacute;lise que n&atilde;o faz as subalternas falar nem pretende escut&aacute;- -las, antes se interessa em aprender com elas (Spivak, 2005). Feminismos que, em vez de quererem libertar e salvar, se disp&otilde;em a entender-se como contradi&ccedil;&atilde;o: &laquo;em vez disso, ela [Spivak] imagina um feminismo nascido de uma luta intelectual din&acirc;mica com o facto de que algumas mulheres podem desejar a sua pr&oacute;pria destrui&ccedil;&atilde;o por muito boas raz&otilde;es pol&iacute;ticas, mesmo que essas pol&iacute;ticas e essas raz&otilde;es estejam para l&aacute; da amplitude de entendimento da vers&atilde;o de feminismo que queremos&raquo;. (Halberstam, 2011: 128).</p>     <p>Um feminismo que recusa ser usado nas necropol&iacute;ticas, que se recusa a cumplicidades com o racismo, o colonialismo, o neo-liberalismo, a heteronormatividade, a transfobia, &eacute; o &uacute;nico que pode ser vi&aacute;vel num mundo permanentemente amea&ccedil;ado por tantas formas de discrimina&ccedil;&atilde;o. Precisamos de teorias feministas que repensem o pol&iacute;tico como um todo e n&atilde;o apenas que se destinem ao papel de salvar mulheres. O feminismo precisa de se distanciar desta cumplicidade com as m&uacute;ltiplas formas de opress&atilde;o. Como espero ter mostrado, &eacute; necess&aacute;rio contrariar estas l&oacute;gicas, produzir espa&ccedil;os alternativos de representa&ccedil;&atilde;o, fora dos fluxos hegem&oacute;nicos da representa&ccedil;&atilde;o sexista, mas que n&atilde;o sejam c&uacute;mplices com outras opress&otilde;es. &Eacute; nessa falha e simultaneamente pol&iacute;tica de alian&ccedil;a que mulheres e <i>queers</i> parecem caber melhor, dado que a representa&ccedil;&atilde;o hegem&oacute;nica do humano continua branca, masculina, colonial. &Eacute; necess&aacute;rio entender que a inclus&atilde;o de algumas pessoas implica a exclus&atilde;o e o exterm&iacute;nio de outras, e que as conce&ccedil;&otilde;es de cidadania assentam em crit&eacute;rios de exclus&atilde;o com rela&ccedil;&atilde;o com necropol&iacute;ticas (Haritaworn, Kuntsman e Posocco, 2013). Certos feminismos das sombras, como os feminismos-p&oacute;s-coloniais, continuam a lutar para alargar esta falha, afinal a representa&ccedil;&atilde;o do humano. Estes feminismos s&atilde;o assim negativos nas interroga&ccedil;&otilde;es e cr&iacute;ticas, fazendo-nos repensar a pol&iacute;tica de forma afirmativa e integrada.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>Abu-Lughod, Lila (2002), &laquo;Do Muslim women really need saving? Anthropological reflections on cultural relativism and its others&raquo;, <i>American Anthropologist</i>, 104, pp. 783-790.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000060&pid=S0874-5560201400010000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Am&acirc;ncio, L&iacute;gia (2003), &laquo;O G&eacute;nero nos Discursos das Ci&ecirc;ncias Sociais&raquo;, <i>An&aacute;lise Social</i>, 168, pp. 687-714.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000062&pid=S0874-5560201400010000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bahri, Deepika (2013), &laquo;Feminismo e/no p&oacute;s-colonialismo&raquo;, <i>Revista Estudos Feministas</i>, 21, pp. 659-688.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000064&pid=S0874-5560201400010000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Beauvoir, Simone de (1975), <i>O Segundo Sexo</i>, Lisboa, Bertrand [ed. orig.: 1949].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000066&pid=S0874-5560201400010000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Benjamin, Walter (2010), <i>O Anjo da Hist&oacute;ria</i>, Lisboa, Ass&iacute;rio e Alvim.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000068&pid=S0874-5560201400010000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Butler, Judith (1986), &laquo;Sex and Gender in Simone de Beauvoir’s Second Sex&raquo;, <i>Yale French Studies</i>, 72, pp. 35-49.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000070&pid=S0874-5560201400010000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Butler, Judith (1992), &laquo;Sexual Inversions: Rereading the End of Foucault's History of Sexuality, Vol. I&raquo;, in Donna Stanton (org.), <i>Discourses of Sexuality: From Aristotle to AIDS</i>, Ann Harbor, University of Michigan Press, pp. 59-75.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000072&pid=S0874-5560201400010000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Butler, Judith (2004), <i>Precarious Life</i>, Londres, Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000074&pid=S0874-5560201400010000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Carmo, Isabel, Am&acirc;ncio, L&iacute;gia (2004), <i>Vozes Insubmissas</i>, Lisboa, D. Quixote.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000076&pid=S0874-5560201400010000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Combahee River Collective (2003), &laquo;A Black Feminist Statement&raquo;, in Carole McCann e Seung-Kyung Kim (orgs.), <i>Feminist Local and Global Theory Reader</i>, Nova Iorque, Routledge, pp. 164-173.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000078&pid=S0874-5560201400010000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Daly, Mary (1978), <i>Gyn/Ecology: the Metaethics of Radical Feminism</i>, Boston, Beacon Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000080&pid=S0874-5560201400010000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Dworkin, Andrea (1987), <i>Intercourse</i>, Londres, Arrow Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000082&pid=S0874-5560201400010000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Foucault, Michel (2006), <i>&Eacute; preciso defender a sociedade</i>, Lisboa, Livros do Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000084&pid=S0874-5560201400010000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Fraser, Nancy (2013), <i>The fortunes of feminism: from state-managed capitalism to neoliberal crisis</i>, Londres, Verso.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000086&pid=S0874-5560201400010000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Halberstam, J. Jack (2011), <i>The queer art of failure, Londres</i>, Duke University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000088&pid=S0874-5560201400010000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Haraway, Donna (1991), <i>Simians, cyborgs, and women: the reinvention of nature</i>, Nova Iorque, Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000090&pid=S0874-5560201400010000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Haraway, Donna (2003), &laquo;Manifesto Ciborgue&raquo;, in Ana Gabriela Macedo (org.), <i>G&eacute;nero, Identidade e Desejo: Antologia Cr&iacute;tica do Feminismo Contempor&acirc;neo</i>, Lisboa, Cotovia, pp. 221-250.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000092&pid=S0874-5560201400010000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Haritaworn, Jin, Kuntsman, Adi, Posocco, Silvia (2013), &laquo;Murderous Inclusions&raquo;, <i>International Feminist Journal of Politics</i>, 15, 4, pp. 445-452.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000094&pid=S0874-5560201400010000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Irigaray, Luce (1985), <i>This Sex Which Is Not One</i>, Ithaca, Cornell University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S0874-5560201400010000600019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Joaquim, Teresa (1997), <i>Menina e Mo&ccedil;a: a constru&ccedil;&atilde;o social da feminilidade</i>, Lisboa, Fim de S&eacute;culo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S0874-5560201400010000600020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Laqueur, Thomas (1990), <i>Making sex: body and gender from the Greeks to Freud</i>, Cambridge, Harvard University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S0874-5560201400010000600021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lauretis, Teresa de (1987), <i>Technologies of gender</i>, Nova Iorque, Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S0874-5560201400010000600022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MacKinnon, Catherine (1987), <i>Feminism unmodified: discourses on life and Law</i>, Cambridge, Harvard University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S0874-5560201400010000600023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Mbembe, Achille (2003), &laquo;Necropolitics&raquo;, <i>Public Culture</i>, 15, pp. 11-40.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S0874-5560201400010000600024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Nogueira, Concei&ccedil;&atilde;o (2001), <i>Um novo olhar sobre as rela&ccedil;&otilde;es sociais de g&eacute;nero: feminismo e perspetiva cr&iacute;tica na psicologia social</i>, Lisboa, Funda&ccedil;&atilde;o Gulbenkian.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S0874-5560201400010000600025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Oliveira, Jo&atilde;o Manuel (2010), &laquo;Os feminismos habitam espa&ccedil;os hifenizados – A Localiza&ccedil;&atilde;o e interseccionalidade dos saberes feministas?&raquo;, <i>ex aequo</i>, 22, pp. 25-39.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S0874-5560201400010000600026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Oliveira, Jo&atilde;o M. (2012), &laquo;O rizoma &laquo;g&eacute;nero&raquo;: cartografia de tr&ecirc;s genealogias&raquo;, <i>E-Cadernos do CES</i>, 15, pp. 33 – 54.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0874-5560201400010000600027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Preciado, Beatriz (2008), <i>Testo Yonqui</i>, Madrid, Espasa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0874-5560201400010000600028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Puar, Jasbir (2007), <i>Terrorist Assemblages: homonationalism in queer times</i>, Londres, Duke University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S0874-5560201400010000600029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>RadicaLesbians (1970), <i>The Woman Identified Woman</i>, [em linha] dispon&iacute;vel em <a href="http://library.duke.edu/rubenstein/scriptorium/wlm/womid/" target="_blank">http://library.duke.edu/rubenstein/scriptorium/wlm/womid/</a> [consultado a 7 de setembro de 2009].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S0874-5560201400010000600030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Raymond, Janice (2006), &laquo;Sappho by surgery: the transsexually constructed lesbian-feminist &raquo;, in Susan Stryker e Stephen Whittle (orgs.), <i>The Transgender studies reader</i>, Nova Iorque, Routledge, pp. 131-142.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0874-5560201400010000600031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Segal, Lynne (2013), &laquo;Today, Yesterday and Tomorrow: between rebellion and coalition building&raquo;, in Sheila Rowbotham, Lynne Segal e Hilary Wainwright (orgs.), <i>Beyond the fragments: feminism and the making of socialism</i>, Londres, Merlin, pp. 65-102.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S0874-5560201400010000600032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Sousa Santos, Boaventura de (2005), &laquo;A cr&iacute;tica da governa&ccedil;&atilde;o neoliberal: O F&oacute;rum Social Mundial como pol&iacute;tica e legalidade cosmopolita subalterna&raquo;, <i>Revista Cr&iacute;tica de Ci&ecirc;ncias Sociais</i>, 72, pp. 7-44.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S0874-5560201400010000600033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Spivak, Gayatri (1993), &laquo;Can the Subaltern Speak?&raquo;, in Patrick Williams e Laura Chrisman (orgs.), <i>Colonial discourse and post-colonial theory: a reader</i>, Hertfordshire, Harvester Wheatsheaf, pp. 66-111.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0874-5560201400010000600034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Spivak, Gayatri (2005), &laquo;Scattered speculations on the subaltern and the popular&raquo;, <i>Postcolonial Studies</i>, 8, pp. 475-486.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S0874-5560201400010000600035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Spivak, Gayatri (2011), <i>An Aesthetic Education in the Era of Globalization</i>, Cambridge, Harvard University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S0874-5560201400010000600036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Stone, Sandy (2006), &laquo;The empire strikes back: a posttranssexual manifesto&raquo;, in Susan Stryker e Stephen Whittle (orgs.), <i>The transgender studies reader</i>, Nova Iorque, Routledge, pp. 221-235.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S0874-5560201400010000600037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Stryker, Susan (2006), &laquo;(De)Subjugated Knowledges: an introduction to Transgender studies &raquo;, in Susan Stryker e Stephen Whittle (orgs.), <i>The transgender studies reader</i>, Nova Iorque, Routledge, pp.1-17.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0874-5560201400010000600038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Wadi, Shahd (2010), &laquo;A Explos&atilde;o dos &uacute;teros: Mulheres palestinianas entre o patriarcal e o colonial&raquo;, <i>ex aequo</i>, 22, pp. 77-94.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0874-5560201400010000600039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Artigo recebido em 26 de setembro de 2013 e aceite para publica&ccedil;&atilde;o em 6 de fevereiro de 2014.</i></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>     <p><a href="#top*1">*1</a><a name="*1"></a>&Eacute; investigador em p&oacute;s-doutoramento no Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o e de Interven&ccedil;&atilde;o Social, ISCTE-Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa (IUL), onde coordena a linha de investiga&ccedil;&atilde;o em G&eacute;nero, Sexualidades e Interseccionalidade. Doutor em Psicologia Social.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o e de Interven&ccedil;&atilde;o Social, ISCTE – Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa, Portugal. CIS, Edif&iacute;cio ISCTE-IUL, Avenida das For&ccedil;as Armadas, 1649-026 Lisboa, Portugal. <a href="mailto:joao.oliveira@iscte.pt">joao.oliveira@iscte.pt</a></p>     <p><a href="#top1">1</a><a name="1"></a>Todas as tradu&ccedil;&otilde;es s&atilde;o da minha autoria, salvo indica&ccedil;&atilde;o contr&aacute;ria.</p>     <p><a href="#top2">2</a><a name="2"></a>Vou explicitamente evitar a no&ccedil;&atilde;o de vagas por n&atilde;o traduzir a diversidade deste pensamento.</p>     <p><a href="#top3">3</a><a name="3"></a>Publicado em 1979, as ondas de choque que provocou d&atilde;o origem a v&aacute;rias respostas e iniciam debates fundadores da Teoria Trans (Stryker, 2006). Trata-se de um texto transf&oacute;bico que deu origem a um dos mais extraordin&aacute;rios ensaios sobre a condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-transexual (Stone, 2006).</p>     <p><a href="#top4">4</a><a name="4"></a><i>White men saving brown women from brown men</i>, no original.</p>      ]]></body><back>
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